Muitos prognósticos (excepto dos letais, que nunca vaticinam vitórias do Sporting), mas poucos com pontaria. Só dois, para ser exacto. Dos nossos leitores Scorpion e Jorge Luís. Ambos anteciparam o triunfo leonino por 3-1, em Alvalade, frente ao Moreirense.
Com ligeira vantagem para Scorpion. Apenas por ter previsto dois golos do inevitável Gyökeres, em vez de um. Mas ambos estão de parabéns.
Craque sueco soma e segue: 47 golos e 11 assistências em 46 jogos de leão ao peito nesta época
Foto: Lusa
Vingança consumada. Esperámos quatro meses, mas valeu a pena. Após termos sido injustamente derrotados em Dezembro pela equipa de Moreira de Cónegos, mostrámos o nosso verdadeiro valor na desforra ocorrida Sexta-Feira Santa, há quatro dias, em Alvalade.
Foi talvez a melhor primeira parte do Sporting sob o comando de Rui Borges, que sucedeu ao infortunado interregno de João Pereira: era este o treinador quando perdemos em Moreira. Desde então, a equipa parece ter mudado da noite para o dia.
Numa partida bem arbitrada por Fábio Veríssimo, os 45 minutos iniciais foram todos nossos. Pressão sufocante sobre o portador da bola, blindagem às saídas do Moreirense, domínio absoluto nos corredores, supremacia indiscutível nos duelos. Tabelinhas constantes entre os três da frente: Geny, Trincão e Gyökeres.
Ao intervalo vencíamos por 2-0. Sabia a pouco: tivemos pelo menos quatro outras hipóteses de golo. Infelizmente o internacional moçambicano e o virtuoso minhoto estiveram perdulários: na hora da decisão, permitiam a defesa ou atiravam para a bancada.
Valeu-nos, como quase sempre, o craque sueco. Enquanto os colegas exibiam pontaria desafinada, ele acertava no alvo. Foi assim aos 12', começando bem cedo por tranquilizar os adeptos. Num belo lance de futebol colectivo iniciado por Eduardo Quaresma, prosseguido junto à lateral direita por Quenda, que a passou a Morten e este, como se fosse avançado, colocou-a na zona de rigor ao alcance de Geny que, estando em noite não, ficou sem ela. Felizmente Viktor estava mesmo ao lado e não perdoou.
Repetiu a dose aos 25'. Em lance de fulminante contra-ataque dos leões. Trincão fez tudo bem na condução da bola, só claudicando no remate que embateu na perna de um adversário. Mas Viktor, ali bem perto, tratou do assunto: remate bem colocado, desferido a meia altura ao ângulo mais distante do guardião - e lá foi ela, aninhar-se nas redes.
No segundo tempo tirámos o pedal do acelerador. Mas, mesmo com linhas mais recuadas, mantivemos o domínio da partida. Coroado com o terceiro - nosso e do avançado sueco, autêntica galinha dos ovos de ouro deste Sporting 2024/2025 que sonha ser bicampeão nacional de futebol.
Foi aos 52'. Gyökeres, carregado em falta quase à entrada da área, na meia esquerda, encarregou-se da marcação do livre. E tão bem o fez que o guarda-redes mal a viu passar. Viktor está a tornar-se especialista na conversão de livres directos. Ainda bem: não tínhamos nenhum desde a partida de Bruno Fernandes, que tantas saudades deixou.
Chegávamos ao 3-0. Até os adeptos mais pessimistas suspiravam de alívio.
Mas quatro minutos depois, num lance fortuito, a equipa visitante chegou ao golo solitário. De modo mais simples do mundo: extremo cruza do lado esquerdo, avançado infiltra-se na área e dispara, solto de marcação. Maxi Araújo chegou tarde ao lance. Rui Silva pareceu hesitar entre sair dos postes ou ficar. Dois segundos depois estava lá dentro.
E o pior foi ver quase tudo repetido aos 60', com a pequena diferença de ter sido a partir do corredor direito do Moreirense. O ala cruza, sem intercepção de Gonçalo Inácio, e o avançado cabeceia, vencendo Eduardo Quaresma no jogo aéreo. Felizmente não conseguiu melhor do que fazer a bola roçar o poste.
Não havia necessidade.
Voltámos a pisar no acelerador. Já com Pedro Gonçalves de regresso a Alvalade, cinco meses depois, entre aplausos vibrantes das bancadas. Fez logo a diferença, numa tabelinha com Trincão aos 82' que merecia ter dado em golo.
Fresneda, recém-entrado, ainda tentou um chapéu aos 90'+2: não entrou por pouco, teria sido um dos golos do ano.
Quando soou o apito final, estávamos por cima. Mais perto do 4-1 do que do 3-2.
Quase 45 mil adeptos ovacionaram a equipa. Crentes, mais que nunca, que o título será nosso. A esperança é verde - e, como sabemos, é a última a morrer.
Breve análise dos jogadores:
Rui Silva (5) - Poderia ter feito melhor no golo sofrido? Fica a incógnita. No resto, mostrou-se sempre seguro.
Eduardo Quaresma (5). Interventivo, voluntarioso. Inicia primeiro golo. Só demonstra ainda lacunas no jogo aéreo: aconteceu no golo deles.
Diomande (6) - Viu cartão amarelo logo aos 3'. Mas não ficou afectado: exibição em bom nível no comando da defesa.
Gonçalo Inácio (5) - Poderia ter fechado o ângulo no lance do golo sofrido. Mas cumpriu no essencial.
Quenda (6)- Marcou muito bem livre aos 5'. Interveio no primeiro golo, dando largura. Compromisso defensivo.
Debast (7) - Agarrou a posição de médio-centro. Segundo golo começa com recuperação dele. Bom no passe e nas recuperações.
Morten (8) - Intervenção decisiva no primeiro golo. Garantiu controlo do corredor central. Ganhou nas divididas.
Maxi Araújo (5) - Oscilante. Bons apontamentos técnicos, dignos de aplauso. Falhou marcação no golo sofrido.
Geny (4) - Prometeu muito, cumpriu quase nada. Falhou golos aos 15', 23', 44', 77' e 79'. Péssimas decisões.
Trincão (5) - Muito bom a conduzir, fraco a decidir. Golos falhados aos 9', 18' e 25' - no último, Viktor emendou.
Gyökeres (9) - Melhor em campo, melhor da Liga. Leva 47 golos marcados em 46 jogos - três agora. E ainda 11 assistências.
Pedro Gonçalves (5) - Substituiu Quenda aos 69'. Brilhou em tabelinha com Trincão aos 82'. Fazia-nos falta.
St. Juste (6) - Substituiu Quaresma aos 69'. Destacou-se num corte aos 79'. Trouxe tranquilidade e segurança.
Fresneda (5) - Substituiu Debast aos 84'. Tentou marcar de chapéu aos 90'+2. Um "quase golo" de belo efeito.
Esgaio (5) - Rendeu Trincão aos 84'. Jogou a médio-centro. Grande passe longo (87'). Boa recuperação (90'+1).
Matheus Reis (5) - Entrou aos 87', rendendo Maxi Araújo. Contribuiu para refrescar e estabilizar ainda mais a equipa.
Da nossa "vingança" frente ao Moreirense. Na primeira volta perdemos lá, ainda com João Pereira no precário comando da equipa: custou-nos muito vermos voar esses três pontos. A desforra chegou quatro meses depois: vencemos e convencemos, em Alvalade, por 3-1.
De Gyökeres. Um gigante. Voltou a ser totalista nos nossos golos: meteu três vezes a bola no sítio certo. Nas duas primeiras vezes, aos 12' e aos 25', de ressalto, mostrando aos colegas como se faz. O terceiro é uma obra-prima, na conversão de um livre directo, aos 52': começa a tornar-se especialista em golos destes - sem esquecer que tinha sido ele próprio a sofrer a falta. Melhor em campo, pois claro. Leva 34 golos marcados na Liga, 47 em 46 jogos de leão ao peito nesta temporada. Herói leonino.
Do nosso meio-campo. Magnífico desempenho da dupla formada por Morten e Debast, dominando por completo o eixo do terreno. O internacional belga fazendo a diferença nos passes de média e longa distância, o internacional dinamarquês brilhando nas recuperações - e até em protagonismo ofensivo, como demonstrou com intervenção decisiva no primeiro golo. Aplausos prolongados para ambos.
Do nosso primeiro tempo. Talvez a melhor metade inicial de jogo da nossa equipa sob o comando de Rui Borges. Aos 10' já tínhamos conseguido quatro oportunidades flagrantes de golo. Pressão alta, linhas muito avançadas, ataque sufocante às tentativas de saída de bola da equipa adversária, supremacia evidente em todos os duelos. Um espectáculo. O resultado ao intervalo (2-0) não traduzia, de todo, a superioridade leonina. Merecíamos muito mais.
Do regresso de Pedro Gonçalves a Alvalade. Mais de cinco meses depois, o bicampeão transmontano recebeu estrondosos aplausos quando saltou do banco, aos 69'. Tempo suficiente para mostrar que regressou em boa forma e continua a exibir o precioso toque de bola que bem lhe conhecemos. Contamos com ele para a reconquista do título.
De Fábio Veríssimo. Arbitragem irrepreensível. Fossem todas assim e teríamos certamente pelo menos uma equipa de arbitragem no próximo mundial de clubes.
Do nosso fluxo ofensivo. Cumprimos 82 jornadas do campeonato nacional de futebol sempre a marcar em Alvalade. Acontece há quase cinco anos. O futebol é, acima de tudo, a festa do golo. Nós, adeptos, leoninos, estamos felizmente bem habituados a festejar.
Da homenagem a Aurélio Pereira. O onze leonino entrou no estádio envergando camisolas com o retrato e o nome do falecido mestre, descobridor de alguns dos maiores talentos de sempre no Sporting. Seguiu-se um minuto de silêncio, com a presença dos familiares no relvado (incluindo seu irmão, o nosso bem conhecido Carlos Pereira), e a merecida ovação dos quase 45 mil espectadores.
De mantermos a liderança. Temos agora 72 pontos, quando faltam quatro rondas para o fecho do campeonato - correspondentes a 22 vitórias em 30 desafios. Restam-nos quatro finais, não vale a pena ter dúvidas. Queremos, mais que nunca, conquistar o bicampeonato que nos foge há mais de sete décadas. Vale a pena lutar por isso. Com lealdade, ousadia, tenacidade e brio - como é próprio dos leões verdadeiros. Sem lamúrias, sem calimerices.
Não gostei
Da inépcia de Geny à frente da baliza. Despediçou vários golos cantados. No primeiro quarto de hora, o moçambicano já tinha definido mal em três ocasiões. Rematou muito por cima aos 23', finalizou pessimamente aos 77', permitiu defesas fáceis do guarda-redes aos 44' e aos 79'. Livre disparatado aos 89'. Noite para esquecer.
De Trincão. Também estava com a pontaria avariada. Acertou mal na bola aos 9', desperdiçando soberbo passe de Maxi Araújo. Falha o golo aos 18', oferta de Gyökeres. Repete o falhanço aos 25' - desta vez o craque sueco emendou o erro do colega, marcando. Aos 38', atirou à figura. Noite muito desinspirada.
Do golo sofrido. Na primeira oportunidade do Moreirense, aos 56'. Com a nossa defesa desposicionada e Rui Silva também surpreendido. Aos 60' esteve quase a acontecer outro, praticamente nos mesmos moldes: ataque adversário pela direita, superioridade no jogo aéreo frente à nossa baliza. Felizmente da segunda vez a bola roçou o poste e rumou para fora.
Como estamos na época pascal e temos certamente crentes a visitar o blogue, do título deste postal faz parte a palavra FÉ, que em concomitância é também a palavra que define este blogue. Não custa nada apelar a uma crença, que quando a gente se vê em apertos, somos todos crentes e essa é uma verdade universal e insofismável.
Eu prefiro confiança, é menos abstracto e reflecte aquilo que sinto para estas derradeiras quatro jornadas.
Invoco a calma, porque nada ainda está conseguido, apesar de a candeia que vai à frente alumiar duas vezes, ainda que logo atrás venha um lampião que até mora na Luz.
E ontem foi dado mais um passinho em direcção ao Marquês. Sem espinhas, sem motivo para dúvidas, com uma limpeza digna do mais competente cantoneiro, ou duma daquelas imigrantes que se levanta de madrugada num bairro degradado para limpar com esmero um qualquer edifício de escritórios, sem ter a certeza se quando voltar não terá a barraca onde (sobre)vive deitada abaixo.
Esboroou-se a narrativa do penalti, do lance duvidoso, da má prestação do árbitro. Quero dizer que Fábio Veríssimo me deixa sempre de pé atrás, mas hoje, talvez por intervenção da divina providência, a sua actuação não teve qualquer interferência no resultado, tendo até deixado jogar e tendo uma elogiosa atitude de desprendimento, ao prescindir de ser o elemento mais focado em campo. Muito bem, pena que fora dos dias santos não seja bem assim.
Ontem tivemos uma actuação plena de competência, firmeza, objectividade e foco e quarenta e cinco mil a apoiar, sem foguetório o que é de saudar e como mereceria Mestre Aurélio, que tanto apoiou as claques e tanto lhes pediu que tivessem tino.
Faltam quatro vitórias para o êxtase. Três se uma delas for no estádio da Luz. Há que acreditar. E à cautela, ter fé, que como disse lá atrás, em hora de aperto, vale tudo.
Quero deixar uma palavra a/sobre Pedro Gonçalves: Aquilo sob a sua batuta é outro andamento.
Estou farto de ler nos jornais desportivos que, se Rúben Amorim tivesse ficado, o bicampeonato já estava ganho.
O que ainda não li é que se a escolha para a sucessão tivesse sido logo Rui Borges, o bicampeonato estava ganho também.
Considerando os 8 pontos perdidos com João Pereira, penso que não haverá dúvidas quanto a isso, agora que estamos a quatro jornadas do final.
Porque foi escolhido o João Pereira, não sei. Se calhar pelas mesmas razões que foram escolhidos o Tiago Ilori, o Rafael Camacho, o Ruben Vinagre, o Jorge Silas. Todos flops. Não chega ser sportinguista e bom rapaz, ser conhecido do presidente, para que a coisa dê certo.
Sobre o jogo de ontem, que vi ao vivo e a cores em Alvalade: excelente primeira parte do Sporting, bola a rodar rápido dum lado ao outro do campo, reacção rápida à perda, jogo pelas alas, passes para golo, marcaram-se dois, ficaram por marcar pelo menos outros tantos.
O mérito começou cá atrás: Quaresma e Inácio com bons passes a acelerar jogo, Debast corria o campo e Gyökeres fazia miséria lá na frente.
Na 2.ª parte o Moreirense fez pela vida, o desgaste começou a pesar, a começar por Quaresma, que depois da excelente 1.ª parte começou a asneirar. O primeiro remate já foi do Moreirense. Duma incursão de Gyökeres surgiu um livre para um grande golo do craque sueco, mas depois de duas bolas por alto surgiram um golo adversário e quase outro, o primeiro da responsabilidade de Maxi, o segundo de Quaresma.
Por volta dos 65 minutos e depois, lá vieram as substuições, desta vez todas lógicas e atempadas. St. Juste e Fresneda taparam o lado direito, Matheus Reis o lado esquerdo, Pote entrou e logo demonstrou a falta que tem feito, Esgaio fez e bem de Debast. Fresneda ainda tentou um chapéu que falhou por pouco, ia sendo o golo da jornada.
E foi assim. Podiam ter sido 6-2, ficou pela metade, em 3-1.
Melhor em campo? Depois dum "hat-trick" dizer o quê? Mas além do sueco, o miudo belga fez um jogão. A jogar assim vai ter de convencer o seleccionador belga que afinal é mesmo médio e vai ser.
Arbitragem? Impecável, nada a dizer.
E agora? Ganhar, ganhar, ganhar. Temos o melhor jogador da Liga, temos o melhor onze e, não havendo lesões, começamos a ter o melhor banco (não confundir com bancada).
PS: Entretanto acho óptimo que o Benfica esteja a pensar no Feliz e contente para a próxima época, mais o Bernardo Silva, e o Nelson Semedo. Mais um ou outro não seria mal pensado. O Mantorras é que já não pode. O Rui dos túneis tem de fazer pela vida...
Ambiente de festa em Alvalade esta noite: quase 45 mil adeptos tiveram o privilégio de ver ao vivo uma vitória categórica do Sporting contra o Moreirense. Vingando a derrota sofrida na primeira volta.
Atingimos os 72 pontos, reforçando o nosso posto de comando. Com Gyökeres a brilhar de novo: foi ele o autor de todos os nossos golos neste triunfo por 3-1.
Sexta-Feira Santa, amanhã pelas 20.30, temos novo desafio na rota do título. Voltamos a Alvalade, onde recebemos o Moreirense.
Na primeira volta, frente à mesma equipa, houve um pesadelo: fomos derrotados 1-2 em Moreira de Cónegos, segundo desaire consecutivo do Sporting sob a frágil batuta de João Pereira, hoje treinador do modesto Alanyaspor, que segue em 17.º lugar na liga turca.
No campeonato anterior, a nossa vitória na recepção ao Moreirense foi sem espinhas: 3-0. Com golos de Morten, Gyökeres e Diomande, jogadores que voltarão a marcar presença no desafio de amanhã.
Nem fui conferir, não vale a pena: ninguém acertou nos prognósticos para o Moreirense-Sporting (2-1). Segunda derrota de João Pereira, segundo ronda em branco para os nossos leitores.
Desta vez ninguém pode apontar o dedo ao árbitro: António Nobre, fiel ao seu critério largo, teve um comportamento irrepreensível. Sem atender a mergulhos teatralizados nem a fitas no relvado, tão à portuguesa. Aos 9' assinalou penálti favorável ao Sporting quando viu Gyökeres derrubado em local proibido pelo competente central Marcelo, que até já passou por Alvalade. Helder Malheiro, o VAR de turno, confirmou. O craque sueco tomou balanço - e meteu-a lá dentro.
Caía o minuto 12, a equipa parecia embalada para o primeiro triunfo da nova "era João Pereira" após derrotas em casa contra Arsenal (1-5) e Santa Clara (0-1). Mas a falta de alegria e a ausência de dinâmica dos nossos jogadores eram tão flagrantes que nem chegou a pairar um leve sentimento de euforia no topo norte, onde se concentrava a maioria dos adeptos leoninos. Vários dos quais idos de Lisboa ao Minho só para verem este jogo.
A intuição deles - e a nossa, dos que acompanhámos o desafio pela televisão - estava certa. Bastaram sete minutos para o Moreirense empatar. Com o nosso ala esquerdo Matheus Reis muito subido, transformado em extremo (uma das inovações que o técnico recém-chegado da terceira divisão introduziu na dinâmica da equipa), Gonçalo Inácio foi surpreendido num contra-ataque rápido ao ir à dobra e teve de fazer falta.
Do livre nasceu o primeiro golo da equipa local, como recomendam os compêndios. Bola apontada com precisão para a área muito povoada e o defesa Dinis Pinto, com 1,78m, a saltar com inteira liberdade: Trincão, com 1,84m, devia marcá-lo mas esqueceu-se da tarefa, ficando de pés no chão. Cabeceamento tenso e bem direccionado para a nossa baliza, onde Vladan fez figura de manequim da Rua dos Fanqueiros. Outro golo encaixado pelo sérvio: a colecção vai aumentando.
Era o minuto 19, a partida voltava ao ponto inicial. Empatada. Sentado no banco, João Pereira limitava-se a bater palmas, em aparente incentivo aos jogadores. Mas a sua expressão facial angustiada contrariava a energia positiva que pretendia transmitir.
Permaneciam os equívocos no fio de jogo leonino.
Preenchimento em excesso do corredor central. Alas transfigurados em extremos a despejar bolas para ninguém. Caudal ofensivo afunilado, facilitando a tarefa defensiva da turma visitada. Daniel Bragança tentando ser um novo Pedro Gonçalves, entalado na meia-esquerda ofensiva sem actuar de frente para a baliza, onde tantas vezes tem demonstrado qualidades de visão e distribuição de jogo. Gyökeres sem espaço para o rápido ataque à profundidade que já lhe valeu muitos golos. Passividade na reacção à perda de bola. Centrais batidos em velocidade por laterais que progrediam sem oposição.
Pior ainda: chocante desconcentração de jogadores que já demonstraram inegáveis atributos. Como Geny, que transformou um banalíssimo lançamento lateral em passe para golo, oferecendo o segundo ao Moreirense aos 35'. Schettine agradeceu: nem a deixou cair no chão e num fulminante remate à meia-volta encaminhou-a para o fundo das nossas redes. Vladan voltou a imitar um manequim.
Começava a parecer jogo de matraquilhos. Felizmente o intervalo não tardou.
Retomada a partida, com 2-1 ao intervalo, impunham-se mudanças. Mas João Pereira deve ter hesitado - e ninguém da sua incipiente equipa técnica, toda oriunda da Liga 3, pareceu ajudá-lo em tão magna tarefa.
Esboçou-se tímida reacção ao resultado desfavorável. Mas o melhor que foi possível, nesta fase em que perseguíamos o pontinho do empate ainda com algum afinco, foi um cabeceamento de Morten ao travessão, na sequência de um canto, aos 53'.
Cumpriu-se a hora de jogo, decorreram mais cinco minutos, e o técnico lá conseguiu desfazer as hesitações, operando duas mudanças. Quenda substituiu St. Juste e Maxi Araújo rendeu Daniel Bragança, que saiu lesionado. Vai parar pelo menos até ao fim do ano. Outro a juntar-se a Nuno Santos (não iremos contar com ele durante o resto da época), Pedro Gonçalves (não regressa antes de Janeiro) e Israel (há duas semanas com "síndrome gripal").
Abusaria da benevolência quem concluísse que o Sporting melhorou com as mexidas. Nada disso. Os equivocos persistiram, o Moreirense mostrou-se sempre mais compacto e organizado, a nossa equipa partiu-se na ânsia de cada jogador querer resolver o jogo como se os outros não contassem. Trincão, abusando de fintas e reviengas inconsequentes, era bem o espelho disso. Teve o golo à mercê, aos 51', mas a clarividência abandonou-o: acabou por chutar para onde não devia. À figura de Marcelo.
Novamente a impor-se o cenário de mesa de matraquilhos.
Gonçalo Inácio, imitando Morten no "excesso de pontaria", acertou também na trave, aos 81', após cobrança de um livre.
Estava escrito que viríamos de Moreira com a segunda derrota seguida na Liga - terceiro desafio consecutivo a perder. Igualava-se algo que não testemunhávamos no Sporting desde três funestas semanas de transição, em Setembro de 2019, quando Leonel Pontes conseguiu ser técnico interino sem vencer um jogo.
Saimos derrotados, sim. Não apenas pela sólida equipa local, que já tinha imposto um empate em casa ao Benfica e eliminado ali mesmo o FC Porto da Taça de Portugal. Viemos de lá derrotados por nós próprios. Irreconhecíveis.
Seis pontos desperdiçados em duas jornadas. Já o mesmo número de derrotas encaixado, ainda nem a meio da prova, do que em todo o campeonato anterior. Na 13.ª ronda, com a tal "estrelinha" da sorte definitivamente sumida. Rumou a parte incerta.
No final, viam-se lenços brancos esvoaçando nas bancadas. Seriam mais úteis a enxugar lágrimas de raiva por vermos o tão ambicionado bicampeonato agora tão periclitante, neste Sporting A travestido de equipa B.
"Erro de casting», como diria João Pereira. Falando talvez de si próprio sem sequer fazer ideia.
Breve análise dos jogadores:
Vladan (4) - Mais dois golos sofridos para o seu pecúlio, já considerável. Mal posicionado no primeiro, lento de reflexos no segundo.
St. Juste (4) - Trocou com Debast: no jogo anterior saltou do banco, desta vez foi ele o titular, substituído pelo belga. Irrelevante. Parece ter deixado de ser veloz.
Diomande (4) - Beneficiou do "critério largo" do árbitro: podia ter visto o amarelo em dois lances. Remate disparatado para a bancada após canto (64').
Gonçalo Inácio (4) - Esteve no pior (falta aos 18' que originou primeiro golo adversário) e no menos mau (cabecou à trave, 81'). Fez três posições como central no jogo.
Geny (2) - Autor do mais disparatado lançamento lateral deste campeonato. Funcionou como passe para o golo que valeu três pontos ao Moreirense (35').
Morten (5) - Procurou remar contra a apatia dominante, mostrando galões de capitão em campo. Tentou ser útil. Quase marcou de cabeça aos 53': acertou na trave.
Morita (3) - Uma sombra do que já foi. Falhou passes, não arriscou movimentos de ruptura. Parecia desejar que o jogo terminasse rapidamente.
Matheus Reis (4) - Um lateral que por vezes é central e outras vai para extremo. Sem conseguir um cruzamento digno desse nome. Primeiro - e único - só aos 86', quando voltara a ser central.
Trincão (3) - Não desaprendeu de jogar, mas não parece o mesmo da era Amorim. Deixou-se desarmar, permitiu intercepções, perdeu infantilmente a bola. Nenhum poder de fogo.
Daniel Bragança (4) - Outro caso evidente de quebra abrupta de qualidade. Dois remates sem nexo para a bancada, aos 42' e aos 44'. Saiu com queixas musculares aos 65'.
Gyökeres (6)- O melhor dos nossos. Após dois jogos sem marcar, voltou a fazer o gosto ao pé. De penálti (12') que ele mesmo conquistou. Sem uma oportunidade de bola corrida.
Maxi Araújo (3) - Substituiu Daniel Bragança aos 65', já com a equipa muito partida: cada um tentava desenrascar-se como podia. Nada acrescentou.
Quenda (3)- Entrou aos 65', rendendo St. Juste. Sem conseguir articular com Trincão. Aos 73', em vez de passar a bola, fez um passe frouxo ao guarda-redes. Marcou muito mal um livre (78').
Debast (3) - Substituiu Diomande aos 78'. Inoperante. Aos 87', quis fazer um passe a romper linhas, acabando por entregar ao guardião adversário. Kewin agradeceu.
Harder (4) - Rendeu Geny aos 78'. Como vários colegas, tentou jogar sozinho em busca do milagre que permitisse conquistar um pontinho. Sem conseguir.
Da segunda derrota seguida na Liga. Desta vez foi em Moreira de Cónegos, onde não perdíamos há 21 anos. Contra uma equipa que já tinha imposto um empate (1-1) ao Benfica, ditando o afastamento do treinador Roger Schmidt, e escassas semanas antes havia eliminado o FC Porto da Taça de Portugal. João Pereira voltou a inovar, piorando. Ao inventar Daniel Bragança como interior esquerdo, ao afunilar o jogo pelo centro, ao transformar os alas em extremos com a missão de bombear um desamparado Gyökeres sem espaço para as suas movimentações letais. Acumulação de erros somada à chocante passividade da nossa "equipa técnica" no banco e à total incapacidade de fazer as alterações que se impunham.
Da nossa incapacidade de gerir a vantagem. Até marcámos cedo, logo aos 12'. Mas aquele golo de avanço, convertido de penálti, pareceu tolher ainda mais a equipa, onde se sucediam os erros posicionais, o jogo sem bola era nulo, a ansiedade crescia a cada minuto e a desconcentração tomava conta dos jogadores. Durou pouco, a esperança de sairmos de Moreira com três pontos: apenas sete minutos. A partir daí foi sempre a descer: equipa sem largura, sem confiança, sem poder de fogo. Lenta a tomar decisões. Desorganizada. Com momentos caóticos - e outros até caricatos, como aquele que nos custou o segundo golo. E a derrota por 1-2.
De Vladan. Voltou a demonstrar que não tem categoria para guarda-redes do Sporting. Mal posicionado entre os postes no primeiro golo, surgido na cobrança de um livre lateral com Dinis Pinto a elevar-se acima da nossa defesa (e de Trincão, que lhe fazia marcação directa) e a rematar vitorioso, de cabeça, apesar de ter apenas 1,78m. O sérvio viu-a passar, tal como viu no segundo, sofrido aos 35' num remate de primeira de Schettine com o nosso guardião lento de reflexos: tentou sem conseguir.
Da prolongada ausência de Israel. Nem no banco de suplentes se sentou. Relegado das convocatórias há duas semanas devido a «síndrome gripal». Estranha gripe, que demora tanto tempo a ser debelada.
De Geny. Numa equipa desmotivada e deprimida, irreconhecível para quem há um mês a viu golear o Manchester City, o jovem internacional moçambicano recebe o nada invejável "troféu" de jogador mais desconcentrado em campo. Capaz de transformar um mero lançamento lateral, no nosso meio-campo defensivo, em entrega directa de bola ao adversário, que em dois segundos a meteu lá dentro. Naquele instante, mais que nunca, as campainhas de alarme deviam ter soado no banco leonino. Mas não: a equipa que regressou ao relvado após o intervalo, quando já perdíamos 1-2, foi a mesma que iniciou o jogo. As primeiras substituições, aliás inúteis, só ocorreram aos 65'.
De Maxi Araújo. Voltou a sair do banco, desta vez aos 65', e voltou a nada acrescentar. Tarda a impor-se no Sporting, continua a parecer carta fora do baralho. Não defende, não faz movimentos interiores, cruza de olhos no chão. Tem muitos aspectos a rectificar no plano técnico. Precisa de trabalhar com um treinador a sério.
Da nossa desorganização defensiva. Um dos maiores trunfos da equipa montada em Alvalade pelo actual treinador do Manchester United foi a robustez defensiva. Em poucos dias, este legado ruiu. Gonçalo Inácio cometeu falta desnecessária de que nasceu o primeiro golo do Moreirense, e até ao fim do jogo percorreu todas as posições defensivas. St. Juste (saiu aos 61') parece ter perdido o seu principal atributo, a velocidade. Diomande (saiu aos 78'), abusando de jogar com os braços no limite do tolerável, pode agradecer ao "critério largo" do árbitro não ter visto duas vezes o amarelo e aos 29' protagonizou uma arrepiante entrega de bola que quase originou golo. Debast (entrou aos 78') viu desaparecer a sua anterior habilidade no passe longo. Aos 87', tentou de tal maneira que acabou por entregar a bola, frouxa e enrolada, ao guarda-redes Kewin.
Da nossa inoperância ofensiva. João Pereira deu instruções expressas aos jogadores para despejarem bolas para a área, mesmo sabendo que o Moreirense tem defesa sólida, comandada pelo veterano Marcelo (nosso ex-jogador), e que o craque sueco está longe de ser um virtuoso em matéria de cabeceamentos. Aparentemente não havia plano B a partir do banco pois a nossa equipa manteve este fio de jogo do princípio ao fim. Consequência: João Pereira já perdeu tantos desafios em apenas duas jornadas da Liga como Ruben Amorim nas 34 rondas da época anterior. Há quem não goste de comparações? Lamento, mas são inevitáveis. O futebol é feito delas.
Das bolas à barra. Excesso de pontaria ou falta de confiança? A verdade é que foram duas: aos 53', por Morten, na sequência de um canto, e aos 81', por Gonçalo, após a cobrança de um livre.
Da terceira derrota consecutiva. Contando com a goleada sofrida frente ao Arsenal para a Liga dos Campeões. Não nos sucedia há mais de cinco anos, desde Setembro de 2019. Quando Leonel Pontes era o técnico interino.
De um ciclo que se fechou. O ciclo de quase um ano sem perdermos fora de casa em desafios da Liga. A derrota anterior fora a 9 de Dezembro de 2023, em Guimarães. Página virada. Para pior.
Gostei
Do golo de Gyökeres. Logo aos 12', castigando falta cometida três minutos antes por Marcelo sobre o craque sueco. Viktor quebrou um jejum de duas partidas sem marcar: na Liga leva 17 apontados, sete dos quais na conversão de penáltis. Melhor leão em campo, não dispôs no entanto de qualquer oportunidade de golo em lance de bola corrida. E joga agora sem a alegria que todos lhe reconhecíamos.
Da arbitragem. Desempenho irrepreensível de António Nobre, bem auxiliado em lances capitais do jogo pelo vídeo-árbitro Helder Malheiro. Contraste absoluto com a arbitragem e a vídeo-arbitragem da ronda anterior.
Do Moreirense. Tem um bom treinador, César Peixoto. Não quererá vir para Alvalade?
Tive que respirar devagar três horas para conseguir vir aqui dizer o que me vai na alma, sem ofender a mãe de ninguém.
A ver: A bem dizer a gente não joga um pirafo. A confusão na cabeça do treinador é tanta que há um conflito interior entre aquilo que os jogadores querem fazer e que estão habituados a fazer e aquilo que o treinador e aquele adjunto patético* lhes mandam fazer.
Começámos o jogo a ganhar e acho que todos pensámos que o mais difícil estava feito, era manter com calma e assegurar uma vitória vital para a época. Depois fomos vítimas de mais um inteligente que marcou uma falta que não existiu e na sequência, com um cabeceamento de mais de 20 metros, o Moreirense meteu-a lá dentro. Foi um cheiro a frango assado que parecia a Casa dos Frangos de Moscavide aqui na sala. E eu a seco. Ao contrário da nossa defesa, que meteu água a toda a força.
Nem se pode dizer que o adversário estivesse a jogar muito, nós é que continuávamos a insistir em não jogar a ponta de um corno.
E do nada o Geny entendeu oferecer uma bola a um dos deles, que sabendo quem estava na nossa baliza pensou "é já daqui" e se bem o pensou, melhor o executou e com o pé que tinha mais à mão "amandou-a" lá pra dentro e aqui na sala deixou de se poder estar, tal o barulho do cabrão do perú que o vizinho comprou para embebedar no Natal, gémeo do que ofereceu o nosso GR, sobre o qual o adjunto do João Pereira disse não ter visto fazer nenhuma defesa (* acima, viram?). Pudera, as que podia agarrar o gajo deixou-as entrar que nem um patinho.
E depois veio a segunda parte e a sessão de equívocos adensou-se, tipo nevoeiro por sobre as cabeças dos nossos jogadores, assim a modos que o Cascão, só que estes estavam ensopados de tanta água que iam metendo e falhámos duas que foram à barra, mas a coisa esteve sempre mais para o terceiro deles que o segundo nosso.
Terminou como nenhum de nós queria, mas como todos temíamos que pudesse acabar, com a terceira derrota da era João Pereira.
Fui ver aos registos e creio ter sido o primeiro at-trick de João Pereira.
Foi o próprio João Pereira que introduziu o tema na flash interview do jogo com o Arsenal. O "erro de casting", pelo menos para mim (outros já tinham chegado a essa conclusão depois da derrota com o Arsenal, eu só fiquei com essa ideia no último jogo em Alvalade e confirmei hoje) está provado que foi isso mesmo.
Se estava bem definido o papel do sucessor imediato de Rúben Amorim como treinador no Sporting, João Pereira falhou rotundamente nesse papel, mesmo tendo em contra as faltas de Pedro Gonçalves e de Franco Israel, a falta de sorte, e não falta da canalhice APAF e da ANTF.
O papel do sucessor era manter o balneário unido e confiante e a máquina oleada a funcionar, e não pensar em mudanças de sistema táctico e de modelo de jogo ou de estatuto que desviassem a equipa do rumo da conquista do bicampeonato.
Embora o 3-4-3 se tenha mantido, o desenho do meio-campo atacante mudou completamente daquilo que existia com Ruben Amorim, com os interiores e os médios a jogar muito próximos num losango qualquer que ele imaginou, que encolhe o campo e propicia contra-ataques perigosíssimos ao adversário. Se Edwards esteve mal em Alvalade, Bragança e Trincão estiveram ainda pior hoje. Em quatro anos de Amorim contam-se pelos dedos duma mão os jogos que começaram com Bragança e mais dois médios, e jogos que terminassem com vitória se calhar nenhum. Que me recorde, mas posso estar enganado.
Depois vem a questão da confiança: parece estar tudo a jogar sobre brasas, a bola queima, os passes disparatados sucedem-se, uns para fora do campo, outros a solicitar uma desmarcação que não existiu. Mas que confiança os jogadores podem ter num treinador e numa equipa técnica inexperiente mas atrevida nas suas "ideias" e "engaiolada" à força no banco, sem voz de comando nem qualquer orientação nas bolas paradas (vide os dois golos do adversário)?
Isto num jogo em que o Sporting se colocou a ganhar sem saber como e que tinha tudo para controlar e ganhar confortavelmente.
Mais uma vez o adjunto de João Pereira veio falar dum jogo que ninguém viu. O Sporting teve o penálti, dois lances de cabeça na trave e um remate de Trincão que bateu na mão de Marcelo, e pouco mais. Podia ter marcado e até ganho, mas podia também ter perdido por mais, no descontrolo completo em que deixou que o jogo se desenrolasse.
Bom, se alguém tivesse vindo de não sei onde ver este jogo de Moreira de Cónegos e comparasse com o de Braga, não acredita que seja a mesma equipa. Mas é, só que a confiança passou do 80 para o 8, divididos entre respeitar o que disse o treinador e o que estavam habituados a fazer.
A melhor e mais valiosa equipa de Portugal transformou-se num bando perdido em campo. Mais uma vez se comprovou que "um fraco rei faz fraca a forte gente".
Melhor em campo? Mais uma vez ninguém. Zero. A Sport TV, numa tirada de humor negro, deu o prémio ao Kovacevic.
Arbitragem? A porcaria APAF do costume.
E agora? É preciso assumir o óbvio. Se o tiro falhou agora é corrigir a mira, se não for assim vamos ter dias complicados. Nem vale a pena desenvolver o tema, alguns mortos já ressuscitaram e os abutres começaram a pairar no céu.
Concluindo, o mundo sportinguista não precisava disto. E não vale a pena culpar Rúben Amorim, esse foi à vida dele e não volta, e ontem só não perdeu por 5-0 com o Arsenal porque (lá está) teve aquela sorte que o João Pereira não conhece.
Consta que, no balneário, o ainda treinador da equipa B, João Pereira, terá dito aos jogadores a frase motivacional que se impunha: «É preciso levantar a cabeça».
Vai ser um jogo decisivo para João Pereira, o de logo à noite, a partir das 20.15, em Moreira de Cónegos. O Sporting visita um estádio tradicionalmente difícil, até pela dimensão do relvado, e enfrenta uma equipa que esta época ainda não perdeu em casa. Na quarta jornada, o Benfica não conseguiu lá melhor do que um empate 1-1. Há menos de duas semanas, o FC Porto foi ali eliminado (2-1) e afastado da Taça de Portugal.
E nós?
Em Fevereiro, para a Liga 2023/2024, trouxemos três pontos do embate com o Moreirense. Triunfo categórico por 2-0, com golos de Morita (3') e Pedro Gonçalves (23'). Inegável superioridade leonina que bem gostaríamos de ver repetida.
Sinal dos tempos: houve muitos leitores a antever goleadas. Mas o Moreirense-Sporting terminou sem goleada: não pode ser sempre.
Três acertaram no resultado e também em Pedro Gonçalves como marcador de um dos nossos golos: Fernando, Maximilien Robespierre e Nuno Pinto. Estão de parabéns.
Fica o registo daqueles que também previram o 0-2 final, embora sem conseguirem antever quem marcaria: Fernando Luís, Jorge Luís, José Silva, Leão 79, Manuel Oliveira e Pedro Batista.
Geny cumprimenta Morita, que abriu o marcador logo ao terceiro minuto do jogo
Foto: Hugo Delgado / Lusa
Nada melhor, para começar a crónica de mais um jogo do nosso contentamento, do que descrever um belo lance de futebol colectivo. Precisamente aquele que deu origem ao golo da tranquilidade, confirmando o total domínio do Sporting sobre o Moreirense, sexto classificado do campeonato, num estádio onde raras equipas têm facilidade em jogar.
Aconteceu ao minuto 23.
Morten recupera a bola, na linha divisória, e atrasa-a para Coates. O capitão, pressionado, devolveu-a com o pé esquerdo. O dinamarquês, apertado por dois adversários quase em cima da linha esquerda, faz um exímio passe de calcanhar, para Gonçalo Inácio, que logo a adianta uns 20 metros, pondo-a em Gyökeres. Este toca atrasado para Trincão, no corredor central, e o minhoto, após grande recepção no peito, coloca a "redondinha" nos pés de Geny, que progride na ala direita. Trincão desmarca-se entretanto com velocidade, proporcionando uma linha de passe ao jovem moçambicano já perto do limite do campo e num toque subtil entrega-a a Pedro Gonçalves, bem posicionado, e que no interior da área, muito à sua maneira, a introduz na baliza. Mais em jeito do que em força.
Neste excelente lance colectivo - um hino ao futebol - intervieram sete dos nossos dez jogadores de campo. Proporcionando a quem viu o jogo esta certeza cada vez mais inabalável: estamos perante a melhor equipa já treinada por Rúben Amorim. Superior até à que conquistou o campeonato há três anos.
Os números não deixam lugar a dúvidas. Com esta vitória por 2-0 em Moreira de Cónegos, anteontem, Amorim cumpriu o oitavo desafio seguido da Liga 2023/2024 a vencer: ainda não perdeu qualquer ponto neste ano civil.
Marcámos 28 golos nas últimas seis partidas que contribuíram para a nossa classificação actual: 55 pontos. A par com o Benfica, por enquanto, mas com menos um jogo disputado. E sem esquecer que o SLB ainda terá de visitar Alvalade.
Desde a época 1975/1976 não havia uma equipa portuguesa a marcar tantos golos à 21.ª jornada. Temos melhores marcas do que tínhamos, nesta fase, na época 2020/2021, em que fomos campeões. Há três anos, 17 vitórias e 4 empates; com 42 golos marcados e 10 sofridos. Agora, 18 vitórias, um empate e duas derrotas; com 60 golos marcados e 19 sofridos.
Convém lembrar: o FCP foi a Moreira vencer à tangente, por 0-1 e o SLB tropeçou lá (0-0). Nós, aos 23', já tínhamos o jogo resolvido. O primeiro, marcado logo aos 3' por Morita na sequência de um canto apontado por Trincão, o melhor em campo.
Depois, houve que gerir o resultado - mas sem baixar linhas, controlando sempre as operações com o estado-maior instalado na linha do meio-campo, confiado ao capitão Morten, bem auxiliado pelo tenente Morita. Sem o sapador Viktor insistir nas missões de infiltração em terreno adversário, desta vez num estádio menos ajustado à sua acção desequilibradora. Mas cheio de adeptos leoninos que não se cansaram de incentivar e aplaudir a nossa equipa. Verdadeira equipa de todos nós.
É sempre assim quando o Sporting marca golos. E tem marcado em todos os jogos das competições internas na temporada em curso. E há cerca de meio século que não marcava tantos golos.
É sempre assim, quando o Sporting ganha. E há muitos anos que não ganhava tanto.
Estamos aptos a receber amanhã o Young Boys. Sem lesões: até nisto a estrelinha de Rúben voltou a reluzir. Porque não há campeão sem sorte.
Breve análise dos jogadores:
Adán - Ao contrário do que ele certamente suporia, teve pouco trabalho nesta partida. Só fez a primeira defesa, aliás fácil, ao minuto 88. O único calafrio aconteceu no minuto final, após um canto, aos 90'+6.
Eduardo - Mais contido do que nas partidas anteriores, o que em nada prejudicou a nossa organização colectiva. Quando a linha defensiva avançava, ficava ele a resguardar a retaguarda. Missão cumprida.
Coates - Um pilar de estabilidade. Após um jogo em que foi poupado, tendo em atenção este intenso calendário de Fevereiro, voltou em grande forma como patrão da defesa. Cortes cirúrgicos, concentração total.
Gonçalo Inácio - Inesperadamente, foi o mais intranquilo do nosso sector mais recuado. Nem sempre acertou nos passes e teve uma perda de bola comprometedora. Mas interveio bem no segundo golo.
Geny - Já sentou Esgaio como titular da nossa ala direita. Muito mais ofensivo do que o nazareno, pôs o lateral adversário sempre em sentido durante toda a primeira parte. Só lhe faltou o golo. Mas vai tentando sempre.
Morten - Joga sempre de cabeça bem levantada, com visão panorâmica do terreno. Teve pormenores de inegável classe. Dominou o corredor central, impondo voz de comando. Vital para o equilíbrio da equipa.
Morita - Complemento ideal do dinamarquês no controlo do meio-campo. Menos subtil do que o companheiro, não hesitou em usar o corpo para travar investidas do Moreirense. E foi dele o golo inaugural.
Nuno Santos - O batalhador do costume em missão atacante. Foi tentando o golo. E esteve prestes a conseguir aos 32', num remate ao canto da baliza que o guarda-redes travou com brilhantismo.
Pedro Gonçalves - Regressado ao trio mais ofensivo, é lá que exibe os seus melhores atributos. Confirmados com o golo da tranquilidade, aos 23'. Já marcou 13 nesta epoca. E ainda mandou uma bola ao poste (47').
Trincão - Melhor em campo: está a ser uma das grandes figuras do Sporting. Embora sem marcar, assistiu duas vezes. Ao cobrar o canto que deu golo e ao pôr a bola bem redondinha nos pés de Pedro Gonçalves.
Gyökeres- Esforçou-se muito, num campo menos comprido do que os restantes, o que lhe condicionou alguns movimentos. Tentou o golo, desta vez sem conseguir. Mas sem nunca baixar os braços.
Matheus Reis - Em campo desde o minuto 82, substituindo Nuno Santos, já amarelado. Muito concentrado, demonstrou a sua utilidade com um corte oportuníssimo aos 90'+5.
Daniel Bragança- Substituiu Morita ao minuto 89. O nipónico estava muito fatigado, havia que refrescar o meio-campo para evitar desequilíbrios. Funcionou.
Edwards - Rendeu Pedro Gonçalves aos 89'. Entrou sobretudo para segurar a bola no tempo extra, que durou seis minutos.
De outra vitória leonina. Desta vez aconteceu em Moreira de Cónegos: 0-2. No mesmo estádio onde o Benfica tropeçou (0-0) há dois meses. Respeitámos o adversário, mas impusemos o nosso ritmo, dominando em absoluto. Antes do minuto 25 já tínhamos fixado o resultado, com golos de Morita (3') e Pedro Gonçalves (23'). Depois foi tempo de gerir este domínio traduzido em números, já a pensar na recepção ao Young Boys, para a Liga Europa, na próxima quinta-feira. Mas estivemos sempre mais perto do 0-3 do que o Moreirense de marcar.
De Trincão. Desta vez não a meteu no fundo das redes, mas esteve envolvido nos nossos dois golos. No primeiro, ao cobrar de forma exímia o canto que nos pôs em vantagem mal estavam concluídos 120 segundos de jogo. No segundo, é inegável protagonista - em dois momentos - do excelente lance colectivo do Sporting, de longe o melhor do desafio, que culmina na assistência dele para Pedro Gonçalves concretizar. Além dos golos que já marcou (facturou nos cinco jogos anteriores a este), soma quatro assistências no campeonato. Melhor em campo.
De Pedro Gonçalves. Devolvido à linha dianteira, com proveito para a equipa, pelo segundo desafio consecutivo. Não desperdiçou tempo nem oportunidade: marcou o seu 13.º golo da temporada, igualando Paulinho na lista dos nossos artilheiros. Só Gyökeres está à frente dele. Falhou por muito pouco o 3-0 num remate em que a bola foi caprichosamente embater no poste (47'). Está em grande forma, tanto física como anímica. Esteve igualmente muito bem, nas declarações prestadas no fim do jogo, quando apresentou condolências ao jovem João Neves, do Benfica, que acaba de perder a mãe: exemplo de desportivismo e de civilidade no futebol ainda mais de enaltecer por ser raro nos dias que vão correndo.
De Morten. Nota-se cada vez mais: é mesmo o pêndulo da equipa. Fechou o corredor central, em parceria perfeita com Morita, forçando assim o Moreirense a encarreirar jogo ofensivo pelas faixas laterais, onde Nuno Santos e (esquerda) e Geny (direita) foram praticamente intransponíveis. Com forte sentido posicional e excelente visão de jogo, o dinamarquês tornou-se elemento imprescindível do onze titular leonino - não apenas na recuperação mas igualmente na construção. Desta vez jogou ligeiramente mais adiantado no terreno e a equipa não perdeu com isso, antes pelo contrário. Teve intervenção no início do segundo golo, com excelente passe de calcanhar, vencendo o duelo com dois adversários que o cercavam.
De continuarmos a demonstrar excelente produção ofensiva. Marcámos pelo menos dois golos em cada um dos últimos dez jogos do campeonato. Lideramos com enorme vantagem a lista das equipas mais goleadoras, já com 60 concretizados - mais oito do que o Benfica, que surge em segundo. Marcámos em todas as rondas da prova, sem falhar uma.
De termos mantido as nossas redes intactas. Quarto desafio consecutivo para competições internas sem sofrermos golos, após os encontros em Leiria (3-0) para a Taça de Portugal, contra o Casa Pia em Alvalade (8-0) e contra o Braga, igualmente no nosso estádio (5-0). Balanço destas três partidas em números: 18 marcados, nenhum sofrido.
Da grande dinâmica colectiva. Entrámos com a atitude certa, pressionando muito em cima da baliza adversária e procurando resolver a contenda logo na fase inicial - desígnio estratégico concretizado, sem dar oportunidades aos de Moreira de Cónegos para reagirem, reagrupando-se no terreno. Na primeira parte, em quatro oportunidades, concretizámos duas. O 2-0 que se registava ao intervalo deu-nos muita tranquilidade para temporizar o jogo, pausar a construção e impor o ritmo da partida, de acordo com os nossos interesses. A vitória acabou por ser muito mais tranquila do que quase todos os comentadores previam e do que os adeptos mais ansiosos receavam.
Do forte apoio nas bancadas. Mais de cinco mil espectadores no estádio do Moreirense - segunda melhor casa da temporada, até ao momento. Destes, muitos eram adeptos do Sporting. Que incentivaram a equipa do princípio ao fim com os seus cânticos. Pormenor a destacar: viam-se várias bandeiras da Suécia. Gyökeres merece, embora desta vez não tenha marcado.
Do árbitro. Nem parecia ele. Mas desta vez Fábio Veríssimo fez bom trabalho. Só um amarelo exibido (a Nuno Santos), critério largo, arbitragem à inglesa - tal como já havia sido a do Sporting-Braga, apitada por António Nobre na jornada anterior. Diferença enorme em relação às habituais exibições de Veríssimo, que costuma protagonizar festivais de apito, interrompendo incessantemente as partidas para assinalar todo o tipo de faltas e faltinhas, reais ou imaginárias.
De continuarmos lá em cima. Agora com 55 pontos, igualamos o Benfica no comando, mas mantendo um jogo a menos. E somos a única equipa deste campeonato que ainda não perdeu um só ponto em 2024.
Não gostei
Do Moreirense. Equipa sem chama, incapaz de um remate perigoso, rendida à marcação, subjugada pelo Sporting e com dois centrais tão obcecados em secar Gyökeres que se esqueciam de reparar nos outros. A gente agradeceu.
Que tivéssemos jogado quase a passo em largos períodos da segunda parte. Sabia a pouco, como espectáculo, mas certamente nenhum adepto leonino levou a mal: esta foi uma jornada entalada entre duas partidas europeias, ambas com o líder destacado do campeonato suíço. Há que poupar forças e dosear energias nesta fase em que jogamos de três em três dias. O campeonato é a meta principal, mas a nossa participação na Liga Europa não pode ser menosprezada.
De ver o Sporting jogar de preto. Este equipamento alternativo parece imitar o principal da Académica de Coimbra. Mas proporcionou um bom título à crónica do jogo feita pelo SAPO Desporto: «Leão vestiu-se de preto, mas voltou a jogar a cores». Aprecio títulos criativos e chamativos, como este.
A única vez que fui ao estádio do Moreirense, nos arredores de Guimarães, nem o Sporting fez grande exibição, nem conseguiu os 3 pontos. Foi na maldita época do assalto a Alcochete. O Sporting de Jorge Jesus tinha começado em grande a época, eliminado o Steaua de Bucareste e conseguido o acesso à Champions, vinha de seis vitórias na Liga incluindo um 5-0 em Guimarães, uma vitória fora na Champions contra o Olympiakos, e na semana seguinte seguiam-se o Barcelona e o Porto em casa. Que terminariam com 0-1 e 0-0.
O Sporting esteve muito mal nesse jogo, com Alan Ruiz nas costas do Bas Dost e Gelson Martins desterrado na ponta direita. O Moreirense marca antes do intervalo, Alan Ruiz fica na cabina, Bruno Fernandes pouco mais tempo ficou no relvado e foi preciso um autogolo para sairmos de lá com o empate. Do que me recordo, as oportunidades no jogo todo foram menos que nos primeiros 15 minutos do jogo de hoje.
Foi mesmo em Moreira de Cónegos que começou a desgraça daquela época.
Mas neste jogo de hoje nada disso aconteceu. O Sporting fez talvez a melhor 1.ª parte da temporada, um verdadeiro rolo compressor feito de posicionamento, compromisso na pressão alta, capacidade de passe e de "pequenas sociedades" em zonas do campo, com dois ou três jogadores que combinavam muito bem em pequenos espaços. Lição muito bem estudada, realização perfeita. O 2-0 sabia a pouco. Adán viu o jogo.
Na 2.ª parte forçosamente o ritmo teria de baixar. A equipa passou a esperar mais pelo adversário para recuperar a bola e saltar no contra-ataque e o apitador Veríssimo começou a entrar em jogo marcando faltas em situações que os jogadores do Moreirense se atiravam para o chão a berrar como se tivessem partido uma perna ou algo pior. Mesmo assim, nem livres nem cantos conseguiram criaram algum perigo, exceptuando aquela cabeçada num canto no último minuto dos descontos.
Entretanto Gyökeres foi dando muito trabalho à defesa do Moreirense e o Sporting foi desperdiçando várias oportunidades para chegar ao terceiro golo, em particular uma bola no poste de Pedro Gonçalves e outra de Trincão que o guarda-redes defendeu nem sabe como. Além de dois remates frontais para o parque de estacionamento, um do sueco e outro do dinamarquês.
A excelência do desempenho do Sporting até levou a que Rúben Amorim retardasse as substituições. Nem esgotou as cinco permitidas.
Pior em campo só pode ter sido o Adán, que não fez uma defesa digna desse nome. Apanhou bolas mais ou menos mortas. Brincando, claro.
Melhor mesmo, quanto a mim, foi Hjulmand. Ele e Morita fizeram um trabalho notável no meio-campo, não falhando passes, encontrando sempre colegas desmarcados, caindo em cima dos jogadores do adversário sem faltas desnecessárias. Do trinco lento e faltoso que chegou para este médio-centro dominador do jogo de hoje muito Hjulmand evoluiu sob as ordens de Amorim. Mas todos estiveram muitissimo bem.
Arbitragem? Critério que foi variando conforme os minutos de jogo, uma armadilha a que a equipa soube escapar.
E agora? Rodar a equipa para quinta-feira cumprir a obrigação de passar sem riscos desnecessários, e focar na deslocação a Vila do Conde com todos disponíveis.
Desta vez houve muitos vencedores: sete no total. Aqui fica o quadro de honra: Cristina Torrão, Fernando, Leoa 6000, Luís Ferreira, Maximilien Robespierre, Tiago Elias e Tiago Oliveira. Todos acertaram no resultado do Sporting-Moreirense (3-0). Vaticinando, com acerto, em Gyökeres como um dos marcadores - os outros foram Morten e Diomande, que nenhum deles anteviu.
Também justifica registo um quarteto de leitores que, tendo previsto o desfecho leonino nesta quinta ronda do campeonato, só "atirou ao poste" no capítulo dos goleadores. De qualquer modo fica a menção, também merecida: João Paulo Palha, Manuel Parreira, Paulo Batista e Salgas.
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