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És a nossa Fé!

Muito obrigado, Montero e Nani

Segundo parece estão estes dois excelentes futebolistas de saída do Sporting, rumo a campeonatos menos exigentes mas muito interessantes em termos de fase final duma carreira e transição para outro tipo de vida.

Quer um quer outro tiveram momentos notáveis com a camisola do clube, e Nani é apenas o capitão de equipa, um dos expoentes máximos da Academia de Alcochete, e o porta-bandeira do ADN Sportinguista no plantel do clube e um exemplo para os jovens da formação.

Se calhar estamos mais uma vez como naquelas situações de divórcio de comum acordo em que ambas as partes sentem que o amor do outro já não é o mesmo que era quando eram mais novos e sendo assim sentem que podiam ser mais felizes noutro lado.  

Do lado do Sporting as saídas representam um alívio importante na tesouraria, pois trata-se de salários dos mais altos do plantel. Do lado dos futebolistas têm tempo para preparar uma nova época e para Nani se integrar numa nova realidade.

Nani e Montero são daqueles artistas da bola que tanto podem passar ao lado do jogo como podem dum momento para o outro fazer o que ninguém espera e resolver as situações mais complicadas. Golos fantásticos, únicos. E olhando para o plantel quem mais temos assim ? Bruno Fernandes, só. Cada vez mais vamos ser BF e mais 10 ? Ele não é o super-homem...

E em que posição fica Keizer no meio disto, quando sabemos que Nani tem sido substituido com frequência no decorrer dos jogos, a última vez no intervalo do jogo em casa com o Benfica, e Montero pouco tem estado disponível? Que responsabilidade teve ele, por acção ou omissão, nas saídas?

E os sócios? Como vão aceitar estas saídas, que parecem significar o atirar a toalha ao chão no que respeita aos objectivos da temporada?

Enfim, seria altamente conveniente que depois do jogo contra o nosso concorrente directo ao 3º posto, o Braga, e do fecho completo do mercado,  Frederico Varandas viesse esclarecer os sócios e dissipar as legítimas dúvidas que tudo isto merece. Incluindo o que quis efectivamente dizer no final da Taça da Liga sobre a qualidade do plantel e o que pensa agora, depois de todas estas entradas e saídas. 

Se explicar nós entendemos e podemos dizer melhor de nossa justiça. 

Mas voltando ao início, muito obrigado, Montero e Nani, e muitas felicidades para a vossa aventura americana.  

SL

Obrigado Fredy

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O facto de não ganhar nada com isso, não impediu o Sporting de deixar sair Montero. Desta vez, a custo zero, depois da tuta-e-meia (mais Barcos, esse Luiz Phellype argentino), pela qual o libertou quando estava quase quase a ser campeão e talvez só não o tenha sido porque na hora da verdade estava lá um Bryan em vez de um Fredy. Dir-me-ão que se poupa no ordenado. Eu preferia aumentar Montero e não pagar sequer um ordenado mínimo a Gaspar, Pinto ou Petrovic. Pela porta pequena sai um homem que venceu três taças, participou em 131 jogos e marcou 46 golos. Segundo avançado, franzino mas com faro de golo, Montero, espécie de João Vieira Pinto dos 150´, apresentou-se em Alvalade, numa tarde de agosto com um hat-trick ao Arouca. Marcaria 16 vezes no ano de estreia e mais 18 no seguinte. Sairia para a China, voltaria aos EUA (onde soma 75 golos em cinco épocas), antes de regressar a Lisboa. E agora, isto. Se Pedro Mendes subir já à equipa A e passar a suplente direto de Bas Dost, ainda podemos começar a pensar em perdoar esta jogada. Se não, é um sinal de desistir da época, quando ainda há Taça e Liga Europa. Ah, e 13 jogos do campeonato. E lá está, o Barcos brasileiro...

Desilusão das grandes

Num ano muito delicado, a viver a pior fase da época, o Sporting deixa Nani e Montero irem embora???

Logo dois dos mais virtuosos e dedicados jogadores do plantel?!

Desculpem, mas esta notícia fere mais a nossa alma de leão do que a derrota de ontem. 

E tenho especialmente pena pelo Nani, que ainda em Dezembro disse que voltou pelo prazer de representar novamente o Sporting, ao invés de seguir carreira na China ou Arábia de onde surgiam propostas financeiramente bastante mais apelativas.

Não merecemos este golpe. Que desilusão das grandes.

Armas e viscondes assinalados: Primeiro houve baile e depois houve debutantes

Sporting 3 - Vorskla 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

13 de Dezembro de 2018

 

Salin (3,0)

Voltou à baliza que nunca mais ocupara desde que saiu do estádio do Portimonense directamente para o hospital, superando as piores experiências das adolescentes britânicas na noite da cidade algarvia. Desta vez nada de mal lhe sucedeu, ao ponto de nem sequer sofrer golos. Algo que também não seria fácil, pois os ucranianos remataram muito pouco e quase sempre ao lado. No momento de maior (relativa) aflição saiu depressa e bem da grande área.

 

Ristovski (2,5)

Regressado de lesão, o macedónio recordou aos adeptos que garante maior apoio ao ataque do que Bruno Gaspar sem lhe ficar atrás na defesa. Ganhou algum ritmo que ainda manifestamente lhe falta e pôde descansar mais cedo quando Marcel Keizer decidiu conceder oportunidades à juventude leonina.

 

Coates (3,5)

Terminou o jogo com a braçadeira de capitão, entregue por Bruno Fernandes quando foi substituído, e o uruguaio mereceu a honra num jogo em que foi um dos três únicos titulares da recepção ao Desportivo das Aves que não tiveram direito a sopas e descanso. Mesmo tendo facilitado num lance da segunda parte que poderia ter sido melhor aproveitado pelos ucranianos, Coates não só acumulou os tradicionais cortes pela relva e pelo ar como deu início à jogada do segundo golo dos leões.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a demonstrar que os medicamentos genéricos podem ser tão eficazes quanto os de marca, contribuindo de forma decisiva para a nada habitual ausência de golos sofridos. Para a noite poder ser mais risonha bastaria que fosse mais expedito nas oportunidades que teve para marcar na grande área contrária.

 

Acuña (3,5)

Já tinha perdido perdão com palavras pela sua expulsão no jogo anterior, mas desta vez pediu perdão com actos, voltando a mostrar-se inflexível a defender e letal a atacar. Contribuiu directamente para o tento inaugural, destacou-se no um contra um e só não conseguiu ser mais decisivo porque os colegas desperdiçaram os livres e cantos que lançou com conta, peso e medida para a grande área contrária.

 

Petrovic (3,0)

Mesmo o cartão amarelo que recebeu, anacrónico num jogo de inequívoco domínio do Sporting, foi um sacrifício necessário para impedir uma incursão de Careca, o brasileiro que foi o mais perigoso de entre os ucranianos. Seguro a vigiar e punir as movimentações do adversário, o sérvio conquistou as bancadas com alguns toques de classe que nem parecem vir do mesmo jogador que falhou o 4-0 ao enviar para cima da barra uma bola que cabeceou à vontade. Mas não tanto quanto estava na primeira parte, sendo então capaz de saltar em falso e deixar o esférico seguir para longe.

 

Miguel Luís (3,5)

Permitiu a defesa do guarda-redes do Vorskla na primeira assistência que recebeu de Bruno Fernandes, mas à segunda oferta empurrou a bola para o fundo da baliza. Dificilmente poderia esperar melhor naquilo que pareceu um teste de aptidão à corrida pelo lugar do lesionado Wendel. Eficaz nas trocas de bola em que assenta o novo sistema de jogo leonino, o jovem da formação marcou pontos e deu por si rodeado de oriundos dos sub-23.

 

Bruno Fernandes (4,0)

A assistência para o golo de Miguel Luís e a semi-assistência para o autogolo do defesa ucraniano que se antecipou à Montero foram dois dos melhores momentos de mais uma grande exibição do jovem que entrou no relvado como capitão. Ainda melhor foi a assistência de calcanhar desaproveitada por Miguel Luís, o passe de calcanhar que permitiu a Acuña cruzar para o 1-0 e as muitas combinações que infernizaram os adversários e ajudaram a que o resultado ficasse feito antes do intervalo. Saiu vinte e poucos minutos antes do fim, com a sensação de dever muito bem cumprido.

 

Carlos Mané (3,0)

Irrequieto ao longo do jogo inteiro, mesmo que isso tenha implicado foras de jogo e perdas de posse de bola, a esperança adiada da Academia de Alcochete demonstrou vontade de recuperar o tempo perdido. Não ficou nada longe de marcar, ainda que tenha preferido jogar para a equipa.

 

Jovane Cabral (2,5)

Não era a noite do habitual talismã quando salta do banco de suplentes. Alternou momentos em que pareceu perdido no relvado com períodos de hiperactividade pouco esclarecida. Sendo o mais rematador da equipa, nada melhor conseguiu do que um remate às redes laterais na primeira parte e do que permitir uma boa defesa ao guarda-redes ao receber uma assistência de Carlos Mané em posição frontal. Pode ser que no domingo recupere o hábito de saltar do banco para alterar o marcador.

 

Montero (3,5)

Atrapalhou-se ao ser isolado frente ao guarda-redes por Jovane Cabral, mas no lance do primeiro golo provou que é capaz de cabecear por instinto e a sua presença bastou para induzir um adversário a fazer autogolo. Sempre excelente a combinar com Bruno Fernandes, não merecia o extremo azar de sair de maca devido a uma bola dividida no meio-campo.

 

Pedro Marques (3,0)

O jovem avançado que está longe de ser titular indiscutível nos sub-23 teve direito a mais de meia hora de jogo devido à lesão de Montero e tudo fez para deixar marca. Campeão dos foras de jogo, podia ter marcado num cabeceamento por cima da barra e numa jogada de insistência dentro da grande área do Vorskla. Nada mal para um dos dois estreantes na equipa principal do Sporting.

 

Thierry Correia (2,5)

Voltou a somar minutos na Liga Europa, e sem estar isento de erros defensivos pode dizer que ficou a centímetros de juntar o seu nome à lista de marcadores na competição.

 

Bruno Paz (3,5)

O segundo e último debutante na equipa principal deu muito boa conta de si desde o instante em que ocupou o lugar de Bruno Fernandes. Robustez física, qualidade de passe e visão de jogo foram os requisitos para fazer figura em pouco mais de 20 minutos, pois assistências como aquela que fez para Thierry Correia não estão ao alcance de qualquer um.

 

Marcel Keizer (3,5)

Trocar oito titulares e mesmo assim chegar ao intervalo a ganhar por 3-0 é um sinal de que a sorte protege os audazes. Depois de ter visto a equipa dar baile aos ucranianos, optou por dar minutos aos jovens que convocara e chegou ao apito final com seis ‘made in Alcochete’ no relvado, para gáudio dos 25 mil que foram a Alvalade numa noite fria. Domingo há mais, e o treinador holandês terá  quase todos os titulares bem frescos para somar mais três pontos na recepção ao Nacional da Madeira.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Renascimento by Keizer

Num passado não tão longínquo, um jogo contra uma equipa menor na Liga Europa, do género de um Skenderbeu, um Astana ou um Plzen, seria um sofrimento. Entrando em campo sem 8 titulares e com Battaglia e Wendel lesionados (a quem hoje se juntou Montero), os dias anteriores seriam pródigos em desculpas antecipadas e desvalorização da competição uefeira, até porque já estávamos qualificados. Os miúdos dos Sub23 teriam sido convocados apenas para mostrar à Direcção que eram necessários reforços e a partida terminaria com uma derrota, um empate ou uma vitória tirada a ferros, tudo muito carpido e de modo a manter os adeptos permanentemente ligados ao desfibrilador. Nesse tempo, futebol era sinónimo de condicionamento e não de golo, e os artistas eram os treinadores e não os jogadores. O futebol como anti-futebol.

 

Algo mudou em Alvalade, pois Marcel Keizer na preparação do jogo começou a ganhá-lo e a conquistar os jovens que teve ao seu dispôr. Ele pediu-lhes que mostrassem que podiam ser opção e eles corresponderam, mostrando grande atitude. E, pormenor importante, num jogo europeu, terminámos o encontro com 6 jogadores made-in Alcochete, tudo isto sem sofrermos qualquer golo. Mantendo apenas Coates, Acuña e Bruno Fernandes na equipa inicial, o Sporting mostrou desde o início a qualidade do seu jogo interior. Miguel Luís e Bruno Fernandes iam trocando sistemáticamente de posição e baralhando as marcações do Vorskla, sempre com o apoio por dentro de um dos alas e com os laterais em simultâneo a darem profundidade e, com isso, a deslocarem adversários do centro do terreno. O maiato, hoje capitão, foi o maestro que pautou o compasso de todo o jogo dos leões: de calcanhar, começou por isolar Miguel Luís na cara do guarda-redes ucraniano para mais tarde servir Acuña no lance em que Montero inaugurou o marcador; depois, em jogada iniciada por uma recepção de bola prodigiosa de "El Avioncito", tabelou com Mané e ofereceu de bandeja para Miguel Luís concretizar; a finalizar a primeira parte, recebeu de Jovane e colocou na dividida entre Montero e Dallku para o terceiro da noite; já no segundo tempo, e imediatamente antes de ter sido poupado a mais esforço, brindou-nos a todos com uma roleta russa digna de causar um traumatismo ucraniano aos dois oponentes com quem dividiu o lance. 

 

Não se pense que o Sporting foi só o seu maestro. Já depois deste sair, a orquestra continuou a tocar boa música até ao fim, com destaque para Petrovic e os jovens Thierry Correia, Jovane Cabral e Pedro Marques, este último por duas vezes, os quais tiveram nos pés e na cabeça oportunidades para dilatarem o marcador, sinal de que hoje em dia os espectáculos são entendidos como longas-metragens e não como festivais de curtas. Para além destes, cumpre realçar o bom jogo de pés de Salin, a raça de Acuña (por vezes a complicar o que torna fácil), os desdobramentos de Miguel Luís e a classe e inteligência de Montero, hoje saído prematuramente dado o infortúnio de uma lesão no tornozelo. Bons pormenores também de Bruno Paz, na condução de bola e passe. Uma última menção para a diagonal para a área protagonizada por Pedro Marques nos últimos minutos do encontro, com dois adversários em cima, que não está seguramente ao alcance de muitos. Ficou-me na retina, até por não ser rotina (vêr esse tipo de movimento).

 

Respira-se um óptimo ar no balneário do Sporting e nota-se que os jogadores desfrutam em campo, sinal de que já foram conquistados pelos métodos de Keizer. Há uma cultura em que todos são importantes e cada jogo é valorizado e visto como uma oportunidade para quem joga menos. A vontade com que os miúdos entraram em campo mostrou à saciedade que sentem que o treinador conta com eles e que não estão a ser usados como uma chiclete que se prova, mastiga e deita fora (sem demora).

 

Não deixa de ser curioso que na quadra natalícia se esteja a assistir ao nascimento de um novo Sporting. Em época de Jesus (Cristo, não o "Lawrence" das Arábias), o protagonista desta mudança de paradigma é Marcel Keizer, o nosso Mona Lisa. Onde outros viam ameaças ou pediam meses, ele vê oportunidades e não perde tempo com vaidades ou minudências. A arte de transformar o complexo em simples é um dom só ao alcance de poucos e requer apurada inteligência. Keizer tem-na. Podemos nem ganhar o campeonato, mas a satisfação que hoje tiramos ao vêr um jogo do nosso clube mostra à evidência que o holandês foi o presente antecipado que o Pai Natal verde (o original, não o da Coca-Cola) nos colocou este Natal no sapatinho. Há 20 golos, 20 razões que justificam esta afirmação.

Então, até à próxima! (que agora vou tomar uma "túlipa".)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Quente & frio

Gostei muito do sexto jogo consecutivo do Sporting a ganhar - e oitavo sem perder. Foi esta noite, em Alvalade. Vencemos por 3-0 o Vorskla, que lá tínhamos derrotado por 2-1. Desta vez com golos de Montero e Miguel Luís, além de um autogolo de um defesa ucraniano. Seguimos em frente na Liga Europa, como já estava decidido antes desta partida, o que não impediu que tivéssemos desenvolvido uma toada ofensiva que certamente agradou a todos os adeptos, designadamente na primeira parte. Marcel Keizer continua a conseguir não apenas vitórias folgadas mas também boas exibições como técnico leonino: conduziu a equipa a cinco triunfos em cinco desafios - quatro dos quais por goleada. Com ele ao leme, o Sporting leva 20 golos marcados e apenas quatro sofridos. Imensa satisfação deu-me também hoje a estreia de Pedro Marques e Bruno Paz na equipa principal  - este último, sobretudo, causou excelente impressão. Nota importante: terminámos a partida com seis jogadores da formação, cinco deles sub-23: Miguel Luís, Jovane, Carlos Mané e Thierry Correia, além de Pedro e Bruno Paz. O futuro está assegurado.

 

Gostei  que aos 17' já estivéssemos a vencer, com um golo de Montero. O colombiano também teve participação no segundo, com uma recuperação que denotou mestria técnica e fez uma movimentação quase à boca da baliza, crucial para o terceiro. Considero-o o homem do jogo. Seguido de perto por Bruno Fernandes, que inicia a jogada do primeiro golo, assiste para o segundo e cruza para o terceiro. Grande exibição também de Miguel Luís, que se estreou a marcar pela equipa principal, apontando o segundo, aos 35'. Destaque ainda para Carlos Mané, titular na ponta direita e participante na construção dos nossos três golos.

 

Gostei pouco que não houvesse golos na segunda parte. A vitória foi construída no primeiro tempo e na etapa complementar limitámo-nos a gerir o esforço, com Keizer a fazer entrar Pedro Marques (aos 59') para o lugar de Montero, Thierry (aos 64') para o lugar de Ristovski e Bruno Paz (aos 73') para o lugar de Bruno Fernandes, hoje o capitão por ausência de Nani, que ficou a descansar (depois ficou Coates com a braçadeira). Também Mathieu, Gudelj, Diaby e Bas Dost foram poupados, já a pensar no desafio de domingo para o campeonato, em casa, frente ao Nacional.

 

Não gostei da lesão de Montero. O colombiano magoou-se e acabou por abandonar o campo transportado de maca, sob uma chuva de aplausos do adeptos. Justos e calorosos aplausos a um dos elementos de maior qualidade técnica do plantel leonino.

 

Não gostei nada de ver só 25.504 pessoas a acompanhar este desafio em Alvalade. Esta equipa do Sporting merece ter mais gente a incentivá-la nas bancadas. Ver quase vazia a zona do estádio que costuma estar reservada à Juventude Leonina é ainda mais desolador. Como se este grupo de adeptos, que tem por obrigação apoiar a equipa, estivesse a fazer uma espécie de greve. Com "apoiantes" destes bem podemos dispensar tal claque.

Já merecíamos isto

Finalmente um joguinho em que não saímos de Alvalade com o credo na boca. Já merecíamos, aqueles que continuam a ir ao estádio apoiar a equipa e hoje com um frio a que já não estávamos habituados.

Começaram bem os rapazes, que logo na primeira jogada poderiam ter aberto o marcador, mas rapidamente entraram na modorra costumeira, mesmo depois de terem apanhado um susto com uma bola dos boavisteiros no ferro, mas o certo é que os visitantes não conseguiram fazer mais do que isso. Este Boavista é nitidamente inferior ao da época passada, mas também é certo que nos últimos jogos havia sempre marcado fora e hoje, por mérito dos nossos rapazes, não o conseguiu.

Quando Nani fez o primeiro da noite, o golo já se adivinhava, uma vez que hoje se viu talvez o melhor futebol praticado esta época pelo Sporting, com Nani, Montero e Acuña, um trio virado completamente para a frente, muito bem secundado por Diaby.

O segundo e o terceiro e mais alguns que ficaram por marcar, apareceram naturalmente, fruto do futebol agradável que foi praticado.

Tudo está bem quando acaba bem, mas não posso deixar de me interrogar sobre a substituição de Acuña (que se percebeu estar tocado) por Bas Dost (regresso saudado efusivamente a que me associei), para de seguida sair Montero para a entrada de André Pinto, ficando em campo três centrais. Quando o resultado estava 3-0 e quando estava em campo O ponta-de-lança, é impressão minha ou Montero, o nosso melhor esta noite, deveria ter continuado em campo? Seria complicado, a ganhar por três golos, continuar apenas com três defesas e proporcionar municiamento ao holandês? Eu sei que em dia de "festa" não fica bem criticar, mas que diabo, um "gajo" que enfrentou toiros, tem medo de quê?

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - NA NA NA NA NA NANI !

O fim de semana havia começado sob a tónica SAD. De um lado, a vitória da sociedade anónima desportiva renegada pelo clube (Belenenses) que lhe deu origem, do outro, as águias tristes (“sad”, em inglês, língua em que se correspondem com a Google) pela derrota. Este resultado, mais o empate do Braga no derby do Minho, dava ao Sporting a possibilidade de voltar a tentar um xeque-ao(s)-rei(s) no tabuleiro axadrezado. Essa era a expectativa para o jogo de hoje.

 

O controlo do centro é fundamental num jogo de xadrez e Peseiro conseguiu-o ao dispôr os seus peões de maneira diferente daquilo que tem sido usual. Com Gudelj mais solto, Battaglia teve o espaço atrás de que tanto gosta para estabelecer a sua zona de pressão e Bruno Fernandes um apoio mais próximo do que aquilo que vem sendo comum. Adicionalmente, as movimentações de Fredy Montero baralharam por completo os boavisteiros. Após várias trocas com Acuña, o "Rei Cafetero" (grande exibição) ensaiou um roque (jogada que envolve a movimentação contrária de duas peças) com Nani e este fez de Torre ao cabecear com êxito para golo. 

 

No segundo tempo, o Sporting manteve a toada atacante, destacando-se a capacidade de envolver mais peões nos movimentos ofensivos. "El Avioncito" ganhou um livre à entrada da área e Bruno Fernandes cobrou-o directamente contra a barra. Logo de seguida, o colombiano cabeceou para uma defesa "in-extremis" de Helton (bom centro de Bruno Gaspar). Montero estava com o Diaby ao pé da orelha e serviu-o, após mais uma vez ter ganho espaço entre as linhas axadrezadas. O maliano centrou atrasado e Bruno Fernandes marcou um golo de bandeira. A tranquilidade viria somente dois minutos depois, quando um remate de Bruno Fernandes prensado num defesa (após novo bom centro de Bruno Gaspar) ressaltou para os pés de Nani, que não perdoou, aplicando um remate picado a fazer lembrar o segundo golo de Jordão contra a França no Euro84. De destacar neste lance o facto de o Sporting ter conseguido juntar 5 jogadores em zona de perigo, algo inédito nesta temporada. 

 

Tempo ainda para a recriação de um antigo "hit" dos AC/DC voltar a Alvalade com o regresso de Bas Dost à competição. O holandês desta vez não dostou, mas não foi por falta de tentativa por parte dos colegas, que a partir da sua entrada em campo praticamente só jogaram para ele. Mas a noite era de Nani (pelos golos) e de Montero (pela influência no jogo), claramente os melhores em campo esta noite. Saúde-se também o regresso de Mathieu e as boas exibições de "Muttley" Acuña, "X-Terminator" Battaglia e Bruno Fernandes. Nota acima da média também para Diaby, que alinhou hoje de início, trouxe velocidade ao jogo e fez uma assistência, embora por vezes revele um lado trapalhão. A rever. A melhorar com o decorrer da partida esteve Bruno Gaspar, o qual pareceu mais confiante. O resto da equipa esteve regular.

 

Vitória concludente e a melhor exibição da época. Contente pelo Sporting e por Peseiro, que hoje, apropriadamente contra um adversário que equipa de xadrez, foi finalmente um Grande-Mestre.  

 

Tenor(es) "Tudo ao molho...": Luís Nani e Fredy Montero

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arsenal do Alfeite

Desde que o Cova fez a Folha, sem Piedade, ao Super-Portimonense do nosso descontentamento que já não sei onde enterrar o meu desgosto. Nesse sentido, tinha a ideia fisgada de que o jogo de ontem oferecia-se como uma oportunidade de dar a volta por cima. Ao fim de uma série de jogos a tratar Davids como Golias, nada como medir forças com um verdadeiro gigante do futebol europeu. 

 

De um lado tínhamos o poderoso Arsenal de Londres, do outro o Arsenal do Alfeite, a nova identidade da equipa de futebol do nosso Sporting. Que até poderia ser coisa boa, caso tal reflectisse a reparação e reconstrução de uma grande equipa, mas afinal é tão só um estaleiro. De jogadores. Ontem, Ristovski foi a nova baixa, a juntar a Mathieu, Bas Dost, Wendel, Battaglia e Raphinha, tudo jogadores que já pararam por lesão desde que a época começou.

 

O Sporting iniciou o jogo com três tristes trincos(*), dispostos sob a forma de um triângulo de área mínima. Petrovic era o elemento mais recuado, Battaglia e Gudelj jogavam a par. Na frente, Montero no meio, Nani e o armador Bruno Fernandes, desterrado, a revezarem-se nas alas. A defesa foi a habitual, com Acuña no lado canhoto, e na baliza a novidade Renan. (É verdade, o futebol evoluiu muito desde os meus tempos de juventude. Nas "peladas", que fazia com os amigos, o gordo ia sempre à baliza(*), agora não deixam o Viviano jogar.) 

 

O Arsenal, que tinha tido um jogo na segunda-feira (Leicester) e terá outro no Domingo (West Ham) parecia disposto a cumprir os serviços mínimos, isto é, a jogar para o pontinho. Deste modo, a primeira parte arrastou-se sem grandes oportunidades de golo e com o Sporting a conseguir dar réplica e dividir a posse de bola. A melhor oportunidade até terá sido um remate muito bem executado por Nani, com força e colocação, que passou muito perto da barra da baliza defendida por Leno. O pior viria depois. Desde logo porque Gudelj, que já não estivera famoso, não voltou do balneário, fazendo-se substituir por um holograma, projecção de um jogador cheio de estilo mas com intensidade nula. Assim, a equipa partia-se constantemente em duas, com 3 elementos praticamente inofensivos no ataque e os restantes barricados uns bons 20 metros atrás. Exceptuando Montero, que conseguiu variadas vezes segurar a bola e (des)esperar por uma linha de passe, toda a equipa parecia amorfa. Mesmo a melhor unidade do primeiro tempo, o argentino Acuña, parecia reclamar por uma botija de oxigénio, tal o cansaço que começou a aparentar. Peseiro demorou, mas acabou por fazer o óbvio: retirou Gudelj e colocou Jovane em campo. A ideia parecia boa, mas a forma como o treinador mexeu na disposição da equipa no terreno estragou o resto: Petrovic, outra das melhores unidades, passou a jogar a par com Battaglia e Bruno Fernandes assumiu o meio, só que foi jogar muito perto de Montero, cavando um fosso ainda maior no meio campo. Assim, embora ganhando com a agitação que Jovane trouxe ao jogo, as perdas foram superiores, dado que deixou de haver qualquer tipo de ligação entre sectores. Aproveitando este desnorte táctico, o Arsenal, que entrou no segundo tempo a todo o gás e já vira Renan negar-lhe duas ou três ocasiões e o árbitro outra, acabou por marcar, num lance em que, primeiramente, Aubameyang beneficiou do duplo-pivot leonino para com um subtil toque de calcanhar colocar a bola entrelinhas e, seguidamente, aproveitou uma fífia de Coates (um clássico a este nível) para marcar, por Welbeck, ocasião não desperdiçada por Peseiro para dar os 5 minutos da praxe a Diaby, o tal jogador que Cintra escolheu com o "Dr Pedro Pires que é uma enciclopédia de futebol" e afirma que encanta o treinador, mas que cheira a "flop" por todos os poros.

 

No Sporting, Montero foi o melhor. Renan esteve bem, mas a sua colocação de pés, no lance do golo inglês, não pareceu pacífica (bola entre as pernas). Petrovic e Acuña desceram muito de produção no tempo complementar. Os piores terão sido mesmo a equipa - nenhuma desmultiplicação na transição ofensiva - e o árbitro, que deixou passar em claro, ainda na primeira parte, uma falta de um "gunner" sobre Montero, quando este corria isolado para a baliza, lance que, na minha opinião, mereceria a amostragem do cartão encarnado e poderia ter mudado o jogo.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero

 

(*) Agradecimento aos Leitores JG e Rute Rockabilly pela inspiração

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Armas e viscondes assinalados: Haraquíri perante o samurai do Barlavento

Portimonense 4 - Sporting 2

Liga NOS  - 7.ª Jornada

7 de Outubro de 2018

 

Salin (2,0)

Noite de extrema desgraça para o guarda-redes francês, até agora titular acidental do Sporting. Pouco fez para evitar o 1-0 e melhor seria se nada tivesse feito para tentar evitar o 2-0, primeiro dos dois golos com que o japonês Nakajima (também autor de duas assistências) destroçou os leões. Salin embateu de forma violenta com a cabeça no poste e saiu de maca, directo para o hospital. Que as consequências sejam menos graves do que aparentam e que a recuperação seja rápida.

 

Ristovski (1,0)

Nada de positivo fez no ataque e a defender tornou-se presa fácil para Nakajima e para Manafá, que ainda há pouco tempo era suplente na equipa B do Sporting. Parece impossível, mas fez com que os adeptos sentissem falta de Bruno Gaspar. Ou de figuras de papelão com o rosto de Piccini ou de Schelotto.

 

Coates (2,5)

No lance do 1-0 ficou mal na fotografia, permitindo a Manafá rematar pelo meio das pernas, e a noite do seu 28.° aniversário fica manchada pela inaudita hecatombe leonina. A seu favor, o verdadeiramente importante (a forma como socorreu de imediato Salin ao ver o estado em que o colega ficara) e o tardio golo de cabeça (já estivera perto disso na primeira parte) que pôs o resultado em 3-2 e permitiu sonhar com o empate ou até com a reviravolta. Mas sempre que o uruguaio é chamado a fazer de ponta de lança - acontecia muito na fase senil do jorgejesuísmo e também sucede na fase inqualificável do peseirismo - coloca-se aquele problema que os físicos designam por impossibilidade de um futebolista ocupar duas posições no terreno ao mesmo tempo.

 

André Pinto (2,0)

Longe de ter cometido os piores erros defensivos, também nada de bom trouxe para juntar ao currículo na aziaga deslocação ao Algarve. O próximo jogo do Sporting será contra o Arsenal, daqui a duas semanas e meia, e é possível que Mathieu já esteja recuperado. 

 

Acuña (2,0)

O extremo portimonense Tabata fez literalmente o que quis dele numa primeira parte em que nada lhe correu bem. Depois de ambos serem amarelados, na sequência de uma rixa junto à bandeirola de canto, libertou-se mais e conseguiu fazer a arrancada que culminou no primeiro golo do Sporting.

 

Battaglia (2,0)

Pouco mais ofereceu do que algum poder de choque, sem demonstrar ter as baterias recarregadas depois de ser poupado aos últimos jogos. Na construção de jogo levou a que os adeptos sentissem falta de William Carvalho e, no limite, até de Petrovic.

 

Gudelj (1,5)

Deu-se pela sua presença em campo a meio da segunda parte, quando teve a hipótese de fazer o 2-2, beneficiando de uma sequência sobrenatural de ressaltos, e em vez disso rematou contra a cara do guarda-redes. Chegou a temer-se pela saúde do agredido, mas até ao apito final este foi espectador privilegiado da incapacidade do duplo pivot do meio-campo leonino para construir jogo e para suster contra-ataques dos seus colegas.

 

Bruno Fernandes (2,0)

Melhorou na segunda parte, ao assumir a esquerda, sem que os deuses responsáveis pela trajectória das bolas rematadas de longe se tenham reconciliado consigo. Talvez não fosse má ideia fugir à convocatória de Fernando Santos e aproveitar as próximas semanas para fazer terapia regressiva. Até à época passada, de preferência.

 

Raphinha (1,5)

Foi uma sombra do extremo decisivo que tem feito sonhar os adeptos e faz salivar os entusiastas de História Alternativa que adivinham o que teria sucedido na época passada se tivesse sido ele a chegar em Janeiro em vez de Rúben Ribeiro. Saiu lesionado ao intervalo, abrindo caminho para o único verde e branco com nota positiva. Que volte depressa e bem.

 

Jovane Cabral (1,0)

Mais uma vez ficou provado que o ainda apenas cabo-verdiano é o tipo de profissional que trabalha melhor com prazos apertados. A titularidade parece não lhe assentar bem nos ombros e os demasiados minutos que esteve em campo foram uma sucessão de disparates para mais tarde recordar. Pior de todos: o remate para as bancadas, tendo a baliza aberta, desperdiçando o melhor cruzamento de Bruno Fernandes.

 

Montero (2,0)

Perdido entre os centrais e rodeado de gente desinspirada por todos os lados, esteve no sítio certo à hora certa na jogada em que assinou o 2-1. O resto da noite foi uma caça aos gambozinos.

 

Renan Ribeiro (1,5)

Estreou-se na equipa devido à lesão de Salin, pouco antes do intervalo. Na segunda parte sofreu dois golos, sem grandes culpas e também sem qualquer intervenção relevante. Talvez tenhamos chegado ao momento de apurar se Viviano é mais do que um sósia de actor de filmes pornográficos ou de apostar de uma vez por todas no jovem Luís Maximiano.

 

Nani (3,0)

Entrou ao intervalo e terminou o jogo com duas assistências para golo, numa jogada de insistência dentro da grande área e num cruzamento em que ludibriou o defesa que o tentava marcar. Nem sempre conseguiu ser o patrão que o meio-campo necessitava, mas foi o único a cumprir com o que se espera de um jogador do Sporting.

 

Diaby (1,0)

Foi tão nulo em 15 minutos quanto Ristovski no jogo inteiro. Na retina ficou apenas uma queda na grande área adversária. Desafio de História Alternativa: e se Marcelo tivesse entrado em vez do avançado maliano, ficando Coates fixo no ataque sem desguarnecer a defesa?

 

José Peseiro (1,0)

Mais um marco histórico ao comando do Sporting, pois sofrer quatro golos do lanterna vermelha não é para qualquer um. Conseguiu não perceber que o duplo pivot do meio-campo foi incapaz ao longo de todo o jogo e das suas declarações depois do desaire não se denota consciência da gravidade daquilo que sucedeu. A seu favor só a pausa nas competições que poderá devolver-lhe Bas Dost e Mathieu. E o elevado salário que torna José Mourinho e Leonardo Jardim sonhos impossíveis.

Pódio: Montero, Jovane, Raphinha

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Vorskla-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Montero: 18

Jovane: 17

Raphinha: 15 

Acuña: 15

Jefferson: 15

Coates: 13

Petrovic: 14

Nani: 14

Bruno Fernandes: 13

Salin: 13

Carlos Mané: 12

Diaby: 10

André Pinto: 10

Bruno Gaspar: 10

 

Os três jornais elegeram Montero como melhor jogador em campo.

Armas e viscondes assinalados: Traumatismo para os ucranianos

Vorskla 1 - Sporting 2

Liga Europa - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Outubro de 2018

 

Salin (2,5)

Nada pôde fazer no lance do golo madrugador que deu vantagem aos ucranianos até aos 90 minutos, e cedo percebeu que não se podia fiar no quarteto à sua frente. Evitou o 2-0 apressando-se a desarmadilhar um atraso que prometia ser a segunda assistência para golo alheio de jogadores do Sporting. Depois disso teve tempo para recordar outros franceses que não se deram bem no Leste, pois o único remate enquadrado do Vorskla já fizera os estragos que tinha de fazer.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Saltou para a titularidade da mesma forma que alguns estados falhados saltaram para a independência. Permeável a defender e emperrado a atacar, aumentou as legítimas esperanças de quem espera ver Thierry Correia a concorrer ao lugar de Ristovski no decorrer desta temporada.

 

André Pinto (2,5)

Fica marcado pelo ‘ammorti’ que permitiu manter a tradição leonina de não regressar a Portugal sem pelo menos um golo nas redes. Tão perfeita foi a disponibilização da bola para o remate que, havendo justiça, ser-lhe-ia reconhecida a assistência. No resto do jogo mostrou aquela competência interina que o torna invisível. Até aos olhos do selecionador nacional.

 

Coates (3,0)

Atormentado pela desvantagem madrugadora, para a qual pouco ou nada contribuiu, dedicou-se a ganhar duelos aéreos nas duas grandes áreas. Como é tradição, não se furtou a duas incursões (como sempre mal sucedidas) com a bola nos pés naquela fase da segunda parte em que a viagem de regresso a Lisboa prometia ser ainda mais longa e silenciosa. No universo alternativo em que já existe videoárbitro na Liga Europa sofreu um pénalti quando o resultado ainda estava 1-0.

 

Jefferson (3,5)

Mais insólito do que o equipamento branco que a UEFA forçou os leões a envergar só o facto de o brasileiro ter sido o melhor da defesa. Regressado à titularidade, o lateral-esquerdo arrancou o jogo com cruzamentos displicentes que chegavam a parecer combinados com os adversários. Sucede, porém, que no final da primeira parte calibrou as chuteiras, oferecendo um golo a Nani que a haver justiça contaria como assistência, fartou-se de ganhar espaço no corredor que tinha a seu cargo e municiou o ataque com bolas nem sempre bem compreendidas. Até ao momento em que Montero recebeu um cruzamento longo no peito e...

 

Petrovic (3,0)

Enquanto não há Battaglia continua a ir à guerra. Começou mal, reagindo tarde e a más horas à oferta de André Pinto aos anfitriões, mas cedo conquistou espaço no meio-campo com o estilo forte, feio e formal que as suas limitações aconselham. Assim se manteve, muitas vezes tomado pela angústia do futebolista no momento em que tem a bola nos pés, até ser devolvido ao banco de suplentes.

 

Acuña (3,5)

Voltou para o meio-campo com o ímpeto de quem já estava a ser avisado pelo árbitro ao quarto de hora de jogo. Foi o sportinguista mais focado na primeira parte, depois do intervalo fez um remate em arco que merecia ser desviado para a ‘gaveta’ da baliza por um fenómeno meteorológico e iniciou o contra-ataque que selou a reviravolta. Nem o amarelo que acabou por levar, tão natural quanto a própria sede, retira mérito ao argentino.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Abriu as hostilidades com um passe de 30 metros para Diaby e empenhou-se sempre na batalha do meio-campo, testando o remate de longa distância em mais do que uma ocasião e com mais do que um defeito de execução. Mesmo no final esteve à beira de marcar o golo que valeu os três pontos, cedendo a honra ao suspeito do costume.

 

Nani (2,5)

Recuperou a titularidade, a braçadeira de capitão e a tendência para desacelerar os ataques. Particularmente infeliz na finalização, teve a baliza contrária a seus pés no final da primeira parte, perdendo uma excelente oportunidade de causar uma boa primeira impressão nas redes. Ficou até ao fim em campo, o que terá contribuído para uma quebra nos rendimentos dos especialistas em leituras de lábios que prestam serviços aos canais de televisão.

 

Carlos Mané (2,0)

Mais uma novidade na deslocação à Ucrânia, após um minuto inteiro no relvado de Alvalade. Alternando entre a faixa e o miolo do terreno, pecou pela falta de pragmatismo (e por ter feito um remate com a canela) apesar de ter demonstrado, numa ou noutra jogada, que ainda sabe ludibriar quem lhe vem tentar tirar a bola. Mas quando saiu para dar lugar a Montero houve a leve impressão de que já ia tarde.

 

Diaby (2,0)

Desta vez já conseguiu demonstrar as qualidades de velocista, ficando a faltar outro tanto no que diz respeito à arte de marcar golos. Teve boa oportunidade logo a abrir o jogo, mas chutou tão mal quanto combinou com os colegas nas jogadas de ataque em que se envolveu. Saiu aos 70 minutos para dar lugar a quem, até ver, resolve.

 

Montero (4,0)

Saltou para o relvado com a convicção de que iria salvar a equipa de um traumatismo ucraniano. E se de início manteve a tendência de criar jogo longe da zona de perigo, quase sem se dar por isso fez um belo pontapé de bicicleta que poderia ter valido o empate. Redimiu-se logo a seguir, com uma sequência de decisões correctas que permitiram festejar o empate e transformaram os cinco minutos de compensação numa auto-estrada para a reviravolta.

 

Raphinha (3,5)

Assumiu o jogo ofensivo do Sporting desde o instante em que entrou em campo. Entre muitas intervenções preciosas destaca-se o passe para Bruno Fernandes que, por linhas tortas, permitiu que houvesse festa no final de tarde.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser talismã tem destas coisas. Demora-se mais a entrar no jogo do que o colega da direita, vai-se ganhando confiança e está-se à hora certa no lugar certo. Assim se fez o golo da vitória e começa a ser difícil acreditar que todas estas intervenções decisivas não passam de uma sucessão de coincidências.

 

José Peseiro (3,0)

Descansou uns quantos titulares, o que se torna compreensível devido à deslocação à Portimão na noite de domingo. Mas recebeu pouco em troca da confiança depositada em Bruno Gaspar, Carlos Mané e Diaby, viu uma falha tremenda da defesa adiantar o Vorskla, e até ao último minuto do tempo regulamentar viu-se metido em grandes sarilhos. Que por uma vez o universo tenha conspirado a favor do Sporting deve-se em grande parte às substituições acertadas que fez no decorrer da segunda parte, ciente de que, para mal dos seus pecados e do departamento médico, o plantel que orienta não se dá assim tão bem com poupanças.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - PES 2018

A generalidade dos homens tinha 3 certezas na vida: a morte, os impostos e a hora de início dos jogos europeus. Como a UEFA ainda não conseguiu influenciar as duas primeiras, restou-lhe o exotismo de marcar um jogo da Liga Europa, a meio da semana, para as 17h55. E assim, eram 5 para as 6 da tarde em Lisboa, começou a partida.

 

O desafio pareceu disputar-se num sintéctico, dado o piso duro e a relva muito cortada. A bola saltava bastante, facto que também não pode ser dissociado das irregularidades do terreno. Não que isso desculpe totalmente a exibição muito pouco conseguida, mas as condições do relvado também não ajudaram. Valeu ao Sporting a estrelinha da sorte. Aqui reside a verdadeira mudança de paradigma entre o actual PESeiro Evolution Soccer (PES 2018) e o PES 2004 de má memória. Outrora Pé Frio, e quase a ser PéZERO nesta partida, acabou a ganhar os 3 pontos e o dinheiro da vitória. Um Pe$eiro. Felizmente!

 

O Sporting iniciou o jogo com 5 alterações face ao "onze" exibido contra o Marítimo: Bruno Gaspar ligou o complicómetro durante todo o jogo e Jefferson mostrou a displicência habitual, quando aos 81 minutos, na sequência de um livre a favor do Vorskla, ficou a contemplar o esplendor da relva, em lance que nos poderia ter custado a derrota. Nani nada fez de relevante, para além de ter desperdiçado um golo cantado e Mané pareceu ter uns tijolos nos pés, enfiando um pastél com (a) canela por cima da barra. Finalmente, Diaby teve um único lance de registo (túnel a um defesa). Dos outros, André Pinto e Bruno Fernandes estiveram muito abaixo das suas possibilidades e Petrovic parado (um candeeiro, tipo PETROmax), não deu ritmo ao jogo. Salin ainda tocou, mas não conseguiu impedir a bola chutada por um ucraniano de encontrar as malhas, pelo que Sebastián Coates e Acuña foram os únicos, dos que entraram de início, num plano aceitável. Logo aos 5 minutos, Diaby, desmarcado por um passe de 50 metros de Bruno Fernandes, poderia ter marcado. Tal poderá ter dado a ilusão de facilidade, mas o facto é que só voltaríamos a criar perigo já em cima do intervalo, quando Nani teve uma clara oportunidade de golo e, logo de seguida, cabeceou por cima da barra. Pelo meio, golo dos ucranianos, após um desvio incompleto de André Pinto para a entrada da área, zona onde Petrovic ou Acuña não estavam. 

 

Eis então que Montero, Raphinha e Jovane Cabral entram em campo. O colombiano começou a segurar a bola lá na frente, algo até aí não visto. Num desses lances, assistiu para uma sua própria bicicleta, que quase resultava em golo. Simultaneamente, Raphinha semeava o pânico pela banda direita. Mas o golo não aparecia. Até que Jefferson descobriu, no Google Earth, Montero num molho de jogadores, direccionou para lá o pontapé e o colombiano calculou com precisão geométrica o ponto de queda da bola enviada da linha de meio-campo, parou-a com categoria no peito, rodopiou e tirou com o pé direito um adversário do caminho e, com o pé esquerdo, rematou em banana para o ângulo inferior esquerdo do impotente guardião ucraniano. Iniciava-se o tempo de compensação e este golo entusiasmou a equipa, ao mesmo tempo que desmoralizou o adversário. Num rápido contra-ataque pela direita, Raphinha centrou com régua e esquadro para um isolado Bruno Fernandes. O maiato atrapalhou-se, chocou com o guarda-redes, mas a bola sobrou para um até aí quase incógnito Jovane, que não perdoou. 

 

Incrível como uma equipa com individualidades tão superiores, é obrigada a sofrer desta maneira, vencendo da forma mais difícil e quando já quase ninguém acreditava. Na PlayStation não se arranjaria um final mais dramático... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero (pela segunda vez consecutiva)

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Quente & frio

Gostei muito da vitória conseguida na Ucrânia, com uma temperatura muito fria, em total contraste com este Verão tardio que persiste em Portugal. Vitória por 2-1 arrancada a ferros, nos cinco minutos finais, mas até por isso mais emocionante e saborosa. Totalizamos seis pontos na Liga Europa, onde seguimos invictos. De algum modo, valha a verdade, apenas cumprimos a nossa obrigação pois a equipa adversária, o modesto Vorskla, segue na quarta posição do campeonato ucraniano. 

 

Gostei da forma como José Peseiro apostou tudo na viragem do resultado, quando perdíamos por 0-1 desde o minuto 10. Trocou Petrovic por Jovane e Diaby por Raphinha aos 70', alargando a frente atacante. Era o que a lógica do jogo recomendava e o técnico soube ler os sinais que lhe vinham do campo. Foi recompensado pela ousadia, em claro desmentido à velha alegação de que é um homem azarado. Hoje não houve azar nenhum. Pelo contrário, houve sorte somada à competência de Montero, que - em campo desde os 58' - respondeu da melhor maneira a um passe de 35 metros de Jefferson, amortecendo a bola no peito, fazendo uma simulação com o pé direito e marcando com o esquerdo no último minuto do tempo regulamentar. Competência reforçada com o golo da vitória, apontado pelo incontornável Jovane, aos 90'+3: Raphinha cruzou muito bem, Bruno Fernandes teve uma recepção muito imperfeita, mas a bola sobrou para o jovem caboverdiano, que não perdoou com o seu indesmentível faro pela baliza. É já o segundo melhor marcador leonino na Liga Europa: um golo por jogo. E o colombiano (que estivera perto de marcar, aos 79', com um pontapé de bicicleta) foi o melhor em campo.

 

Gostei pouco da estreia de Carlos Mané e Diaby como titulares. O treinador demonstrou confiança neles, mas não foi correspondido. O jovem da nossa formação, que vem de uma paragem de 15 meses, mostrou-se inofensivo nas duas alas, acabando por ser substituído sem qualquer surpresa aos 58'. O maliano revelou défice no ataque à profundidade e nas movimentações junto da zona de finalização, que lhe estava entregue como elemento mais avançado do onze leonino. Deu o mote pela negativa, logo aos 6', quando falhou o remate no momento em que se isolava perante a baliza adversária. Nada mais fez de relevante nos 70' em que permaneceu no campo. Fica a dúvida: será mesmo aquele ponta-de-lança alternativo a Bas Dost de que o Sporting necessita? Talvez seja, mas não pareceu.

 

Não gostei de mais um "apagão" de Bruno Fernandes, pródigo em perdas de bola e passes sem nexo, nem da exibição do lateral-direito Bruno Gaspar, para mim o pior "leão" em campo. Também não gostei de ver a nossa equipa perder logo a partir do minuto 10, devido a um lapso defensivo originado por um mau alívio de André Pinto e pela apatia de Petrovic (médio defensivo que aqui se limitou a cobrir com os olhos). Gostei menos ainda de verificar que demorámos 35 minutos a reagir verdadeiramente a este resultado desfavorável: a única oportunidade de golo criada pelo Sporting ao longo de toda a primeira parte ocorreu aos 45'+1, quando Jefferson cruzou muito bem e Nani rematou quase sem preparação, propiciando ao guarda-redes do Vorskla a defesa da noite.

 

Não gostei nada de confirmar que temos um défice de qualidade exibicional no plantel. Não é difícil explicar porquê. Basta reparar que só três dos 11 jogadores que hoje entraram em campo (Coates, Acuña e Bruno Fernandes) eram titulares do Sporting na época anterior. Basta reparar também que elementos nucleares da equipa - como Mathieu, Battaglia e Bas Dost - ficaram em Lisboa por evidentes limitações físicas, felizmente superáveis. Há que dar tempo ao tempo. E reconstruir uma equipa que em Junho ficou totalmente destroçada pelos motivos que bem sabemos.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Medo de ser feliz!?

O Sporting bateu o Marítimo, num jogo em que Peseiro experimentou duas tácticas: primeiro, a do Pudim Molotov, com um buraco no meio (espaço compreendido entre Bruno Fernandes e o duplo-pivô) e as zonas envolventes todas cobertas de jogadores; depois, a das Chaves do Areeiro, com trinco, tranca e cadeado. 

 

A primeira táctica tem o seu quê de soviética, na medida em que herda o seu nome de um antigo ministro dos negócios estrangeiros (Vyacheslav Molotov) no tempo de Estaline, famoso pelo pacto de não-agressão que assinou com Joachim Von Ribbentrop, ministro das relações externas da Alemanha nazi. Ora, como sabemos, o sistema económico/político da antiga União Soviética colapsou devido ao excesso de burocracia, má alocação de recursos humanos e contínuo investimento em sectores deficitários, algo que tem paralelismo com o que vem sendo a actuação do Sporting em campo devido ao uso do mal-amado duplo-pivô. Já a segunda táctica é um neomodernismo de inspiração tipicamente portuguesa, que diz que a igualdade é contraditória, remete para um passado que já tem 13 anos e se traduz na interpretação literal do velho adágio popular "depois de casa roubada, trancas à porta".

 

Os leões entraram bem, com Montero a mostrar uma maior amplitude de movimentos e logo a criar problemas à defesa insular. O colombiano começou por cabecear ligeiramente por cima e por roubar uma bola em zona proibida e sacar um cartão amarelo a um maritimista. Aos 12 minutos, Jovane Cabral rasgou a defesa da Madeira com um passe perpendicular que deixou Raphinha isolado perante Amir, num duelo Brasil-Irão de onde resultou uma grande penalidade superiormente transformada por Bruno Fernandes. Assistir a um golo madrugador do Sporting é um privilégio tão raro como ver Petrovic executar com sucesso uma roleta à saída da sua área, mas acreditem, ou não, ambas as situações ocorreram ontem, no espaço de poucos minutos, em Alvalade. Ainda na primeira parte, uma carambola às três tabelas possibilitou a Fredy "Theriaga" Montero dar a estocada final. A tacada original foi de Raphinha. Caminhava a partida para o intervalo quando Ristovski voltou a não ser capaz de fechar por dentro, abrindo uma autoestrada por onde entrou, isolado perante Salin, um maritimista. Passe de morte para a esquerda, mas apareceu Acuña a salvar miraculosamente um golo cantado. Grande garra do argentino!

 

O segundo tempo começou de forma auspiciosa, com o Sporting a dominar a seu bel-prazer. Acuña rematou ao lado, Montero teve um toque de habilidade para Bruno Fernandes que lançou o perigo, uma combinação entre Raphinha e Bruno quase dava o terceiro da noite e Montero (sempre ele!) ainda sacou um livre na meia-lua da área insular. Eis que Peseiro decide mexer e tira Jovane. Esperava-se que fosse a oportunidade de Mané ter minutos no regresso à competição, ou mesmo que Diaby pudesse finalmente mostrar a sua anunciada velocidade, mas o treinador leonino, pouco preocupado com o deleite dos espectadores, optou por dar mais uma volta à fechadura e lançou Misic, alterando o 4-2-1-3 (e não 4-2-3-1) para um 4-3-0-3 (e não 4-3-2-1). Afinal, estavamos a jogar com o Real... Marítimo. A verdade é que, se antes havia um buraco no meio, passou a haver um fosso. Caso insólito, o Sporting alinhava, então, com duas equipas: a dos "retranqueiros", composta por 8 jogadores, confortavelmente instalados na sua trincheira, e o movimento dos não-alinhados (Raphinha, Montero e Bruno Fernandes), deixados sózinhos na frente, isolados, contra o mundo. Bruno, já outrora obrigado a pressionar alto sem bola e a baixar com bola para diminuir a distância para Gudelj e Petrovic, ocupava agora uma nova posição, a de ala esquerdo. É a isto que deveremos chamar de "gestão de plantel". (Ainda o haveremos de ver a jogar com uma máscara de oxigénio e um desfibrilador.) 

 

Salin - Esteve bem, sempre que chamado à acção, entendendo-se aqui acção como uma hipérbole não denotativa da necessidade de um duche após o jogo. 

Nota: Sol

 

Ristovski - Voltou a demonstrar ter "mais olhos que barriga", ou seja, teve olho na bola e pouco estômago para absorver o espaço e os adversários em redor. Como se já não bastasse o buraco a meio campo, também ele, qual toupeira, volta não volta vai escavando roços para os centrais.

Nota:

 

Coates - Imperial, para ele foi apenas mais um dia no escritório em que despachou com brilhantismo todo e qualquer contencioso que lhe passou pela frente. O Ministro da Defesa!

Nota:

 

André Pinto - O Bastos Lopes teve o Humberto Coelho, o Lima Pereira teve o Eurico, o André Pinto tem o Coates. Ontem, foi o Secretário de Estado da Defesa.

Nota: Sol

 

"Muttley" Acuña - Um jogo feito de garra. Morde os calcanhares aos adversários e ainda arranja tempo para solicitar o ataque. Providencial no final da primeira parte.

Nota:

 

Petrovic - Alguns bons cortes na primeira parte e um pormenor com nota artística. Revelou tendência para se encostar a Coates, assim como que a pôr-se a jeito para um cargo de assessor ministerial.

Nota: Sol

 

Gudelj - Como diria o Gabriel Alves, não jogou bem nem mal, antes pelo contrário. 

Nota:

 

Bruno Fernandes - Pode jogar bem ou mal, mas o seu compromisso com a equipa é enorme. No campo, corre quilómetros e dá o exemplo. Marcou um golo de grande classe, a mesma que revelou ao (re)endereçar o prémio de melhor em campo ao regressado Mané. Solidário, não perdeu a oportunidade e mostrou poder vir a ser um bom capitão.

Nota:

 

Raphinha - Estava o jogo ainda no início quando foi derrubado pelo "fundamentalismo" islâmico, ou melhor, por um guarda-redes iraniano que julgou fundamental dessa forma evitar um golo certo. Ainda na primeira parte, esteve na origem do segundo golo. Quase assistiu Bruno, no segundo tempo. De destacar ainda a forma como, com um toque subtil, deu boa sequência a uma bola difícil, comprida e que lhe chegou pelo ar, revelando excelente técnica.

Nota:

 

Jovane - O passe com que rasgou a defensiva insular na jogada do primeiro golo foi a sua afirmação iluminista na defesa da liberdade de criação e da livre posse da bola.

Nota: Sol

 

Montero - Quando o "Cool Dude" se transforma num frio "assassino". Não deu descanso à defesa maritimista. O seu futebol de filigrana ganha fulgor quando a confiança e a capacidade física aumentam. Aí, torna-se uma dor de cabeça para os adversários, impotentes face ao seu futebol feito de toque, refinada técnica e inteligência, ingredientes bem presentes no seu golo. Nesse lance não precisou de rebentar as malhas, fez apenas um passe para a baliza. Subtil.

Nota:

 

Misic - Completou a balcanização do meio campo do Sporting. Como o Melhoral, não fez bem nem fez mal.

Nota:

 

Diaby - Dizem que é rápido, mas com tão poucos minutos, ainda não deu para ver se tem o Diaby no corpo.

Nota: - 

 

Mané - Entrou para o aplauso, naquilo que foi um feliz reencontro com Alvalade. Que seja o (re)início de uma grande amizade!

Nota: - 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero

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Armas e viscondes assinalados: Só fez falta quem lá esteve

Sporting 2 - Marítimo 0

Liga NOS 6.ª Jornada

29 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

Perdeu uma excelente oportunidade para reler clássicos da literatura gaulesa, ou para aliviar a caixa de correio electrónico, tão pouco foi o trabalho que o ataque do Marítimo lhe deu. Ainda assim poderia ter sofrido um golo mesmo antes do intervalo, mas teve a felicidade de um certo argentino ter sido adaptado a lateral-esquerdo.

 

Ristovski (2,5)

Diga-se, em sua justiça, que qualquer um se arrisca a parecer um Robin se tiver um Batman ao lado. Muito solicitado por Raphinha, que criou espaço à direita suficiente para mais três novos partidos como o de Santana Lopes, o macedónio executou todo o género de cruzamentos para a grande área adversária tirando os cruzamentos eficazes. A defender também esteve algo permeável, devendo-se-lhe a melhor ocasião do Marítimo em toda a noite, mas foi salvo pelo colega da esquerda. Na segunda parte, enquanto o colectivo colapsava, melhorou na travagem das ofensivas madeirenses e ainda  tentou o golo com um remate forte o suficiente para criar aflições.

 

Coates (3,0)

Voltou a perder a bola para um adversário na zona de perigo, tendo o mérito de resolver a sua malfeitoria com um corte arriscado. Mas no resto do jogo foi o muro que ajuda a manter a equipa na corrida, sendo que a habitual arrancada pelo meio-campo contrário teve desta vez consequências de somenos: um contra-ataque facilmente resolvido pelos colegas da linha defensiva menos obcecados em subir na vida.

 

André Pinto (3,0)

Tal como sucede com os árbitros, acaba por ser meritório que não se dê muito pela presença do substituto de Mathieu. Tanto assim foi que se fez notar pela primeira vez ao ser-lhe mostrado o cartão amarelo, pois agarrou um adversário que o deixara mal ao fazer passar a bola por cima de si. Desse momento em diante regressou para um estado de invisível eficiência que é a sua imagem de marca.

 

Acuña (3,5)

O corte providencial que impediu o Marítimo de reduzir para 2-1 foi a cereja no topo do bolo constituído por mais uma exibição repleta de raça nas bolas divididas (e nas bolas confiscadas), de clarividência no lançamento do contra-ataque e de brilho no posicionamento.    Talvez fosse boa ideia fazer um clone para precaver lesões ou castigos internos por insultar o treinador.

 

Petrovic (3,0)

Recebeu audíveis aplausos das bancadas ao fazer a versão adriática da roleta marselhesa para salvaguardar a posse de bola perante a cobiça de dois fulanos vindos da pérola do Atlântico. Titular devido à gripe de Battaglia, superou as baixas expectativas dos adeptos, sem nunca comprometer a segurança da baliza leonina. Ainda se aventurou em lances de ataque, mas a sua técnica muito particular de ganhar lances (avançar a bola e atirar-se para cima do adversário) ainda carece de ser aprimorada.

 

Gudelj (2,5)

Viu o cartão amarelo muito cedo, o que poderá muito bem explicar que tenha estado ligeiramente mais calmo. Na segunda parte foi parte integrante da perda gradual do meio-campo, chegando-se ao paradoxo de o Sporting ter menos posse de bola num jogo que pareceu controlar desde o início.

 

Raphinha (3,5)

Sofreu a falta para grande penalidade tirando partido da velocidade com que se desmarca e marcou o livre que permitiu a Montero fazer o resultado final. No resto do jogo combinou (bem) com Bruno Fernandes e (nem por isso) com Ristovski, quase conseguiu oferecer o 3-0 ao capitão e reforçou a ideia de que aqueles 6,5 milhões de euros irão multiplicar-se mais tarde ou mais cedo.

 

Jovane Cabral (3,0)

Eis os factos: o ainda apenas cabo-verdiano fez o passe de ruptura para Raphinha que originou o pénalti do 1-0 e sofreu a falta junto à linha lateral que abriu caminho para o 2-0. Mas tal como Narciso se deixou enfeitiçar pela sua imagem reflectida na água, também Jovane está demasiado apaixonado pela capacidade de driblar, sucedendo-se jogadas em que enfrentou um trio de adversários, perdendo invariavelmente a bola para o terceiro. Se o olhar de Acuña pudesse matar estariam os sportinguistas de luto pela funesta consequência da segunda tentativa de penetração na grande área que o habitual suplente culminou deixando sair o esférico pela linha de fundo...

 

Bruno Fernandes (3,5)

Capitão de equipa devido ao castigo imposto a Nani, poupou-se às discussões com homens do apito que lhe têm valido a maioria dos recorrentes cartões amarelos que recebe. Preferiu gastar energias na construção de jogadas e mesmo que os remates de longe insistam em não sair, o certo é que voltou a marcar, de pénalti, sem apelo nem agravo. Eleito homem do jogo, teve atitude de capitão e ofereceu o troféu ao regressado Carlos Mané.

 

Montero (3,5)

Pôs termo ao seu pequeno jejum (desde a aziaga final da Taça de Portugal) com um toque pleno de oportunidade, a mesma que demonstrou ao roubar uma bola logo no início do jogo, forçando o espoliado do esférico a agarrá-lo antes que fugisse para a baliza. Lutador incansável, rematou muito e só não teve grande taxa de sucesso nos duelos aéreos com os defesas.

 

Misic (2,0)

Entrou aos 77 minutos para o lugar de Jovane, numa substituição que colocou três médios defensivos oriundos de países balcânicos no relvado em simultâneo - e isto sem contar com o macedónio Ristovski ou com o argentino Acuña, que facilmente obteria cidadania honorária de um desses países. E o certo é que o Marítimo não marcou.

 

Diaby (=)

Mais cinco minutos em campo. Mas a acreditar nos jornais a culpa é da selecção do Mali, cuja convocatória atrasou a integração no grupo.

 

Carlos Mané (-)

Um dos raros representantes da Academia de Alcochete no actual plantel regressou a Alvalade e aos relvados após prolongada ausência por lesão e empréstimos decididos por Jorge Jesus. Merecia mais do que um mísero minuto.

 

José Peseiro (2,5)

Tinha tudo para ser uma noite relaxada. Mesmo com Nani na bancada, e apenas três titulares da época passada no onze titular, viu-se a vencer cedo, recebeu o golo da tranquilidade antes do intervalo e... deixou-se adormecer. O Marítimo ganhou espaço e bola, vários jogadores estavam esgotados (Jovane ficou a dever uns bons 20 minutos ao banco de suplentes) e mesmo assim esperou aos 77 minutos para mexer na equipa, acrescentando mais um médio defensivo aos dois já existentes. Será que o treinador do Sporting protelou as substituições com medo de que mais algum substituído o mandasse para um lugar desagradável?

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos conquistados hoje em Alvalade. Vencemos esta noite o Marítimo por 2-0, garantindo que continuamos a depender só de nós no campeonato, à sexta jornada. Serviços mínimos cumpridos, o essencial foi feito.

 

De estar a vencer logo aos 12' e termos ampliado a vantagem aos 35'. Ao contrário do que vem sendo costume, o resultado ficou decidido ainda na primeira parte perante um Marítimo totalmente inofensivo. Razão mais do que suficiente para José Peseiro ter rodado mais a equipa em vez de esperar pelo minuto 77 para fazer a primeira substituição, algo que tive dificuldade em entender.

 

Que não tivéssemos sofrido golos. Raras vezes temos terminado um jogo nesta temporada com as nossas redes invictas. Desta vez aconteceu. Por demérito da equipa adversária. Mas também por mérito do nosso quarteto defensivo, onde Acuña conquistou sem mácula o posto de titular na lateral esquerda.

 

De ver Jovane jogar de início. Foi dele o passe vertical decisivo para Raphinha, aos 10', de que resultou o penálti e o nosso primeiro golo. E é ele quem, aos 34', ganha a falta que dá origem ao livre para o segundo. É também dele o melhor passe longo do desafio, aos 60', quando cruza o campo colocando a bola na ponta direita, para Raphinha. O jovem caboverdiano viria a estar aquém das expectativas durante o resto da segunda parte, correspondendo à vontade do treinador de que jogasse de forma mais contida, sem aquelas explosões que têm feito empolgar os adeptos. Mas o caminho faz-se caminhando. Nenhum jogador adquire maturidade se não jogar.

 

Que Bruno Fernandes não tivesse vacilado no momento do penálti. Marcação impecável da grande penalidade por parte do nosso médio criativo, que hoje foi capitão da equipa.

 

De Raphinha. Para quem duvidava, confirma-se: é mesmo reforço. Hoje esteve presente nos dois golos - primeiro, ao ser derrubado em falta pelo guarda-redes adversário, conquistando um penálti; depois, ao bater o livre de que resultaria o segundo.

 

Do regresso de Montero aos golos, quatro meses depois. Boa actuação do colombiano, que destaco desta vez como melhor em campo. Foi sempre um quebra-cabeças para a defesa adversária, que várias vezes o travou em falta. E marcou o nosso único golo de bola corrida, na sequência de um canto, à ponta-de-lança. Já tínhamos saudades do Montero goleador.

 

Do regresso de Carlos Mané. Peseiro lançou-o num momento absurdo, no tempo extra, quando faltavam 90 segundos para o apito final. Mesmo assim foi bom ver um jogador da nossa formação, que fez uma excelente época com Leonardo Jardim, voltar a pisar o nosso estádio após 15 meses de inactividade forçada devido a uma sequência de lesões. Pena que só tivesse tocado uma vez na bola.

 

Do apoio incessante de algumas claques. Tanto a Torcida Verde como o Directivo Ultras XXI puxaram pela equipa do princípio ao fim. Graças aos elementos destas claques, nunca faltou calor humano em Alvalade nesta noite de princípio de Outono.

 

Do aplauso das bancadas a Danny. Bonita demonstração de fair play dos adeptos leoninos ao capitão do Marítimo, quando foi substituído aos 66'. Mostrando gratidão por este jogador que passou por Alvalade e se distinguiu ao serviço da selecção nacional.

 

Da merecida ovação ao nosso sócio n.º1. João Salvador Marques, de 98 anos, esteve presente na tribuna presidencial, ao lado de Frederico Varandas, e foi brindado com calorosos aplausos antes do jogo. 

 

 

Não gostei

 

De ver a equipa tão desfalcada. Actuámos hoje sem Bas Dost, Mathieu, Nani e Battaglia. Do onze titular que entrou em campo, havia apenas três titulares da época passada (Coates, Acuña e Bruno Fernandes). Isto influi, naturalmente, na falta de entrosamento da equipa e na quebra de qualidade do espectáculo. 

 

Que tivéssemos entrado em campo só com um jogador da formação. Jovane fez a diferença. Quando saiu, aos 77', e até ao fim do tempo regulamentar, deixámos de ter qualquer jogador saído da Academia de Alcochete neste desafio em Alvalade. O que é um triste sinal dos tempos.

 

Que só tivéssemos feito três remates à baliza. Manifestamente pouco para um jogo em casa por parte de uma equipa com os pergaminhos e as aspirações do Sporting.

 

Da nossa medíocre exibição na segunda parte. Equipa tristonha, amorfa, sem chama. Dando a impressão de ter ordens explícitas de jogar recuada no terreno, sem ousar incursões ofensivas e rematar muito para trás. Não admira que largas centenas de pessoas tenham abandonado o estádio muito antes do fim.

 

Da entrada tardia de Diaby. Terceiro jogo consecutivo em que o avançado maliano contratado ainda durante a gestão interina de Sousa Cintra entra em campo nos minutos finais, quase sem tempo para tocar na bola. Hoje rendeu Montero quando já estavam decorridos 87'. Continua a ser um mistério, esta escassísima utilização de um reforço por parte de um treinador com tão notória carência de jogadores disponíveis. 

 

Do receio do treinador. Para quê terminar o jogo com três médios defensivos? Petrovic e Gudelj estavam desde o início em campo. Aos 77', quando vencíamos 2-0, saiu Jovane para entrar Misic. Parecia estratégia de equipa pequena. Como se estivéssemos a defrontar o Manchester United em vez do Marítimo.

 

De ouvir os adeptos assobiarem a equipa. A meio da segunda parte, e até ao fim, escutaram-se sonoras vaias em Alvalade. Quando vencíamos, o jogo estava controlado, o Marítimo mostrava-se inofensivo e havia que poupar algum esforço com vista à importante deslocação à Ucrânia na quinta-feira. Que moral pode ser transmitida aos jogadores com adeptos destes?

Armas e viscondes assinalados: Mandaram a liderança abaixo em Braga

Sporting de Braga 1 - Sporting 0

Liga NOS - 5.ª Jornada

24 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

Consciente de que a sua titularidade está indexada às vitórias em todos os outros jogos e empates em casa de adversários directos, o guarda-redes que não custou três milhões de euros, não foi uma aposta da comissão de gestão para substituir esse último e não é uma das maiores promessas de Alcochete fez tudo o que estava ao alcance para garantir pelo menos o segundo objectivo. Se no próximo jogo ficar sentado no banco a recordar os tempos passados no mesmo local, empenhado em mediar a comunicação entre Jorge Jesus e Doumbia, poderá agradecê-lo a Dyego Sousa, inclemente no desvio de bola que deu golo. Até então, e depois disso, Salin mostrou-se à altura das exibições anteriores, com boas defesas e ainda maior eficácia a desviar uma bola rematada por João Novais, logo na primeira parte, recorrendo apenas ao poder da mente.

 

Ristovski (2,5)

A frequência com que os ataques bracarenses se desenrolaram literalmente nas suas costas e a falta de coordenação com Coates contribuíram para que a noite lhe fosse menos memorável do que para Jefferson, que não só ficou isento de culpas, na condição de suplente não-utilizado, como ainda reviu os amigos que fez no ano em que foi emprestado aos minhotos.

 

Coates (2,5)

Terminou o jogo plantado no ataque, à espera de um milagre, como aquando da fase terminal de Jesus no Sporting, mas não estava escrito que um golpe de cabeça certeiro traria a redenção por permitir o cruzamento que resultou no único golo do jogo. Tirando isso voltou a ser imperial nos duelos aéreos com os avançados e, mantendo a tradição, incorreu numa arrancada pelo meio-campo adversário, cuja única consequência foi um lançamento de linha lateral a beneficiar a equipa da casa.

 

André Pinto (3,0)

Assobiado por milhares sempre que tocava na bola, o central português portou-se maravilhosamente bem para quem é o ‘understudy’ de Mathieu. Seguro em quase toda a partida, tirando a ocasião em que Dyego Sousa passou por si, entrou na grande área e rematou para as mãos de Salin, não merecia sair derrotado de Braga após um enxovalho público tão atroz que o árbitro Artur Soares Dias se apiedou e limitou o tempo de compensação a apenas três minutos. Como escreveu o italiano Cesare Pavese, nada é mais inabitável do que um estádio de onde saímos após recusar a renovação de contrato e sem render um cêntimo ao clube que nos empregava.

 

Acuña (3,0)

Voltou a desempenhar funções de lateral-esquerdo, empenhando-se nessa missão com a costumeira garra, acompanhada desta vez por alguns erros de posicionamento e cortes deficientes. Manteve, no entanto, a vantagem de saber o que fazer com a bola e ser o melhor do plantel a fazer passes longos agora que William Carvalho vive em Sevilha e Mathieu recebe demasiadas visitas de médico.

 

Gudelj (2,0)

O facto de o aguerrido sérvio só ter sido amarelado aos 83 minutos, não obstante a constante prática de artes marciais mistas na disputa de bola, pode fazer com que alguns questionem a razão de ser da interminável guerra entre o Sporting e os árbitros portugueses. Quando saiu de campo, para a entrada de Diaby, ninguém teria ficado demasiado surpreendido se um escolta militar o tivesse levado para o Tribunal Penal Internacional de Haia.

 

Battaglia (2,5)

Regressou a Braga com a vontade de transformar o caos em cosmos que lhe é reconhecida, mas não era noite para isso. Lutou como um leão depois do intervalo, sem evitar o progressivo domínio da equipa da casa, e terá percebido mais depressa do que muitos que amanhã seria um novo dia. Assinala-se a forma como pediu desculpa a Dyego Sousa, no lance em que viu o cartão amarelo, na senda de outro latino-americano, também natural da Argentina, para quem também era importante ser um duro sem nunca perder a ternura.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Na peugada da luta pela introdução do videoárbitro, levada a cabo pela anterior gerência, urge que os actuais dirigentes leoninos pugnem pela alteração nas regras do jogo que permita a equivalência a golo a todos os remates dirigidos ao ponto imaginário, mesmo ao lado do poste direito, para onde Bruno Fernandes esteve a fazer pontaria toda a noite. Talvez a culpa seja das chuteiras descalibradas.

 

Nani (2,5)

Desviou de cabeça um livre superiormente cobrado por Bruno Fernandes, no que foi a principal ocasião de perigo do Sporting na primeira parte. Pena é que o lance só tenha servido para a afirmação do jovem guarda-redes Tiago Sá, a quem caiu a titularidade ao colo no Braga pelos mesmos motivos (lesão do titular e desânimo do suplente) que poderão ainda fazer de Luís Maximiano o próximo Rui Patrício... Mesmo antes do intervalo distinguiu-se no modo como travou um contra-ataque leonino, contemplando o defesa que tinha pela frente como se estivessem num filme europeu, pelo menos até ao momento em que decidiu por um atraso e deu ensejo a Soares Dias para apontar o caminho para os balneários. E o pior é que isso foi um prenúncio do que seria a sua intervenção no relvado até ceder o lugar a Jovane Cabral.

 

Raphinha (3,0)

Rematou muito, construiu muitas jogadas, ganhou muitos duelos graças à velocidade e ao jeito natural para a coisa. Mas os remates teimaram em sair ligeiramente desenquadrados, quase sempre acima da barra, pelo que à luz da exibição em Braga estará mais próximo de ser convocado para a selecção brasileira de râguebi do que para a de futebol.

 

Montero (3,0)

O remate, de muito longe e muito à figura de Tiago Sá, executado pelo colombiano no final da primeira parte, fez lembrar os convites para jantares e saídas nocturnas que alguns homens ainda trancados no interior de móveis do Ikea fazem a mulheres. É possível que Montero tente disfarçar o desinteresse em procurar o golo, mesmo sendo certo que faz tudo o que está ao alcance para ajudar os colegas a agitarem as redes. Assim fez na segunda parte, protagonizando uma arrancada épica pela direita, na qual ultrapassou uns quantos adversários até conseguir cruzar, com conta, peso e medida, para Bruno Fernandes. Coube a este, em vez de passar ao também isolado Raphinha, culminar o lance com um remate para o ponto imaginário mesmo ao lado do poste direito - e a recompensa que Montero recebeu pelo esforço, dedicação e devoção inglória consistiu em ser substituído por Castaignos.

 

Jovane Cabral (3,0)

O talismã do Sporting entrou em campo com a equipa em desvantagem, mas como o jogo só ia no minuto 72 havia tempo mais do que suficiente para a reviravolta, talvez mesmo para a goleada. Assim pensaram os adeptos ao vê-lo tomar a bola nos pés, ultrapassar meia-dúzia de adversários tomados pelo pânico, ganhar posição na grande área bracarense e fazer um magnífico remate. Só que o inopinado Tiago Sá resolveu evitar o que seria o golo do empate, e os colegas de Jovane, muitos dos quais cristãos devotos ao ponto de temerem falsos ídolos, evitaram passar-lhe o esférico durante os minutos que faltavam para o apito final. E da vez em que voltou a conseguir apossar-se da bola, ludibriando os outros 21 jogadores em campo, fez um daqueles seus remates para a bancada que até agora compensavam as intervenções decisivas.

 

Castaignos (1,5)

Chamado a jogo com a missão de garantir a presença de um avançado mais fixo, assim como aquele seu compatriota mais velho, mais alto e mais marcador de golos, falhou miseravelmente. Teme-se que um segredo ultra-secreto de Fátima, ainda por revelar, seja a verdadeira razão para Castaignos ter ficado no plantel do Sporting enquanto Gelson Dala e Leonardo Ruiz partiam para novos empréstimos.

 

Diaby (1,5)

Teve direito a menos de dez minutos para demonstrar o faro para o golo e a velocidade estonteante que justificaram a sua contratação por mais do que meia-dúzia de tostões. Talvez consiga demonstrar uma e a outra numa próxima ocasião.

 

José Peseiro (2,0)

Mathieu impediu-o de repetir o mesmo onze que apresentou contra a Qarabag e o Sporting de Braga impediu-o de obter o mesmo resultado que conseguiu na quinta-feira passada. Muito solicitado no regresso a um estádio que talvez lhe seja habitável por não ter sido especialmente feliz no Minho, reagiu tarde e a más horas às alterações tácticas feitas por Abel na segunda parte. Quando resolveu reagir estava em desvantagem, tinha pela frente vários jogadores esgotados e opções algo duvidosas no banco. Perdeu a liderança e a única compensação é que não fez pior na Pedreira do que o antecessor, então longe de imaginar que seria o novo Lawrence das Arábias, na época transacta.

Balanço (28)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - III

 

Gelson Martins, no Sporting-Rio Ave

(18 de Março de 2018)

 

Bruno Fernandes, em corrida pela ala direita, centra para a grande área procurando Bas Dost. O holandês opta por um passe de calcanhar em direcção a Gelson. Este recebe, temporiza, contorna a marcação directa com um excelente drible e procura o ângulo exacto para o remate, perante a impotência de três defesas adversários, além do guardião. 

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