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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Mandaram a liderança abaixo em Braga

Sporting de Braga 1 - Sporting 0

Liga NOS - 5.ª Jornada

24 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

Consciente de que a sua titularidade está indexada às vitórias em todos os outros jogos e empates em casa de adversários directos, o guarda-redes que não custou três milhões de euros, não foi uma aposta da comissão de gestão para substituir esse último e não é uma das maiores promessas de Alcochete fez tudo o que estava ao alcance para garantir pelo menos o segundo objectivo. Se no próximo jogo ficar sentado no banco a recordar os tempos passados no mesmo local, empenhado em mediar a comunicação entre Jorge Jesus e Doumbia, poderá agradecê-lo a Dyego Sousa, inclemente no desvio de bola que deu golo. Até então, e depois disso, Salin mostrou-se à altura das exibições anteriores, com boas defesas e ainda maior eficácia a desviar uma bola rematada por João Novais, logo na primeira parte, recorrendo apenas ao poder da mente.

 

Ristovski (2,5)

A frequência com que os ataques bracarenses se desenrolaram literalmente nas suas costas e a falta de coordenação com Coates contribuíram para que a noite lhe fosse menos memorável do que para Jefferson, que não só ficou isento de culpas, na condição de suplente não-utilizado, como ainda reviu os amigos que fez no ano em que foi emprestado aos minhotos.

 

Coates (2,5)

Terminou o jogo plantado no ataque, à espera de um milagre, como aquando da fase terminal de Jesus no Sporting, mas não estava escrito que um golpe de cabeça certeiro traria a redenção por permitir o cruzamento que resultou no único golo do jogo. Tirando isso voltou a ser imperial nos duelos aéreos com os avançados e, mantendo a tradição, incorreu numa arrancada pelo meio-campo adversário, cuja única consequência foi um lançamento de linha lateral a beneficiar a equipa da casa.

 

André Pinto (3,0)

Assobiado por milhares sempre que tocava na bola, o central português portou-se maravilhosamente bem para quem é o ‘understudy’ de Mathieu. Seguro em quase toda a partida, tirando a ocasião em que Dyego Sousa passou por si, entrou na grande área e rematou para as mãos de Salin, não merecia sair derrotado de Braga após um enxovalho público tão atroz que o árbitro Artur Soares Dias se apiedou e limitou o tempo de compensação a apenas três minutos. Como escreveu o italiano Cesare Pavese, nada é mais inabitável do que um estádio de onde saímos após recusar a renovação de contrato e sem render um cêntimo ao clube que nos empregava.

 

Acuña (3,0)

Voltou a desempenhar funções de lateral-esquerdo, empenhando-se nessa missão com a costumeira garra, acompanhada desta vez por alguns erros de posicionamento e cortes deficientes. Manteve, no entanto, a vantagem de saber o que fazer com a bola e ser o melhor do plantel a fazer passes longos agora que William Carvalho vive em Sevilha e Mathieu recebe demasiadas visitas de médico.

 

Gudelj (2,0)

O facto de o aguerrido sérvio só ter sido amarelado aos 83 minutos, não obstante a constante prática de artes marciais mistas na disputa de bola, pode fazer com que alguns questionem a razão de ser da interminável guerra entre o Sporting e os árbitros portugueses. Quando saiu de campo, para a entrada de Diaby, ninguém teria ficado demasiado surpreendido se um escolta militar o tivesse levado para o Tribunal Penal Internacional de Haia.

 

Battaglia (2,5)

Regressou a Braga com a vontade de transformar o caos em cosmos que lhe é reconhecida, mas não era noite para isso. Lutou como um leão depois do intervalo, sem evitar o progressivo domínio da equipa da casa, e terá percebido mais depressa do que muitos que amanhã seria um novo dia. Assinala-se a forma como pediu desculpa a Dyego Sousa, no lance em que viu o cartão amarelo, na senda de outro latino-americano, também natural da Argentina, para quem também era importante ser um duro sem nunca perder a ternura.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Na peugada da luta pela introdução do videoárbitro, levada a cabo pela anterior gerência, urge que os actuais dirigentes leoninos pugnem pela alteração nas regras do jogo que permita a equivalência a golo a todos os remates dirigidos ao ponto imaginário, mesmo ao lado do poste direito, para onde Bruno Fernandes esteve a fazer pontaria toda a noite. Talvez a culpa seja das chuteiras descalibradas.

 

Nani (2,5)

Desviou de cabeça um livre superiormente cobrado por Bruno Fernandes, no que foi a principal ocasião de perigo do Sporting na primeira parte. Pena é que o lance só tenha servido para a afirmação do jovem guarda-redes Tiago Sá, a quem caiu a titularidade ao colo no Braga pelos mesmos motivos (lesão do titular e desânimo do suplente) que poderão ainda fazer de Luís Maximiano o próximo Rui Patrício... Mesmo antes do intervalo distinguiu-se no modo como travou um contra-ataque leonino, contemplando o defesa que tinha pela frente como se estivessem num filme europeu, pelo menos até ao momento em que decidiu por um atraso e deu ensejo a Soares Dias para apontar o caminho para os balneários. E o pior é que isso foi um prenúncio do que seria a sua intervenção no relvado até ceder o lugar a Jovane Cabral.

 

Raphinha (3,0)

Rematou muito, construiu muitas jogadas, ganhou muitos duelos graças à velocidade e ao jeito natural para a coisa. Mas os remates teimaram em sair ligeiramente desenquadrados, quase sempre acima da barra, pelo que à luz da exibição em Braga estará mais próximo de ser convocado para a selecção brasileira de râguebi do que para a de futebol.

 

Montero (3,0)

O remate, de muito longe e muito à figura de Tiago Sá, executado pelo colombiano no final da primeira parte, fez lembrar os convites para jantares e saídas nocturnas que alguns homens ainda trancados no interior de móveis do Ikea fazem a mulheres. É possível que Montero tente disfarçar o desinteresse em procurar o golo, mesmo sendo certo que faz tudo o que está ao alcance para ajudar os colegas a agitarem as redes. Assim fez na segunda parte, protagonizando uma arrancada épica pela direita, na qual ultrapassou uns quantos adversários até conseguir cruzar, com conta, peso e medida, para Bruno Fernandes. Coube a este, em vez de passar ao também isolado Raphinha, culminar o lance com um remate para o ponto imaginário mesmo ao lado do poste direito - e a recompensa que Montero recebeu pelo esforço, dedicação e devoção inglória consistiu em ser substituído por Castaignos.

 

Jovane Cabral (3,0)

O talismã do Sporting entrou em campo com a equipa em desvantagem, mas como o jogo só ia no minuto 72 havia tempo mais do que suficiente para a reviravolta, talvez mesmo para a goleada. Assim pensaram os adeptos ao vê-lo tomar a bola nos pés, ultrapassar meia-dúzia de adversários tomados pelo pânico, ganhar posição na grande área bracarense e fazer um magnífico remate. Só que o inopinado Tiago Sá resolveu evitar o que seria o golo do empate, e os colegas de Jovane, muitos dos quais cristãos devotos ao ponto de temerem falsos ídolos, evitaram passar-lhe o esférico durante os minutos que faltavam para o apito final. E da vez em que voltou a conseguir apossar-se da bola, ludibriando os outros 21 jogadores em campo, fez um daqueles seus remates para a bancada que até agora compensavam as intervenções decisivas.

 

Castaignos (1,5)

Chamado a jogo com a missão de garantir a presença de um avançado mais fixo, assim como aquele seu compatriota mais velho, mais alto e mais marcador de golos, falhou miseravelmente. Teme-se que um segredo ultra-secreto de Fátima, ainda por revelar, seja a verdadeira razão para Castaignos ter ficado no plantel do Sporting enquanto Gelson Dala e Leonardo Ruiz partiam para novos empréstimos.

 

Diaby (1,5)

Teve direito a menos de dez minutos para demonstrar o faro para o golo e a velocidade estonteante que justificaram a sua contratação por mais do que meia-dúzia de tostões. Talvez consiga demonstrar uma e a outra numa próxima ocasião.

 

José Peseiro (2,0)

Mathieu impediu-o de repetir o mesmo onze que apresentou contra a Qarabag e o Sporting de Braga impediu-o de obter o mesmo resultado que conseguiu na quinta-feira passada. Muito solicitado no regresso a um estádio que talvez lhe seja habitável por não ter sido especialmente feliz no Minho, reagiu tarde e a más horas às alterações tácticas feitas por Abel na segunda parte. Quando resolveu reagir estava em desvantagem, tinha pela frente vários jogadores esgotados e opções algo duvidosas no banco. Perdeu a liderança e a única compensação é que não fez pior na Pedreira do que o antecessor, então longe de imaginar que seria o novo Lawrence das Arábias, na época transacta.

Balanço (28)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - III

 

Gelson Martins, no Sporting-Rio Ave

(18 de Março de 2018)

 

Bruno Fernandes, em corrida pela ala direita, centra para a grande área procurando Bas Dost. O holandês opta por um passe de calcanhar em direcção a Gelson. Este recebe, temporiza, contorna a marcação directa com um excelente drible e procura o ângulo exacto para o remate, perante a impotência de três defesas adversários, além do guardião. 

Balanço (24)

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 O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre MONTERO:

 

- Duarte Fonseca: «Se há jogador que merece ficar para sempre na história do Sporting, como um dos campeões, és tu!» (17 de Janeiro)

- Pedro Bello Moraes: «Bem-vindo, craque! Imagino já os teus festejos no Dragão, dando a marcar e a marcar os golos da vitória. Conquistando os três pontos. E com isso contribuir para que a bancada pintada com as nossas cores venha abaixo. Incapaz de suster os saltos de campeão.» (17 de Janeiro)

José Navarro de Andrade: «Esta noite tive um pesadelo. Sonhei que a equipa iniciava o jogo com Bryan Ruiz, Rúben Ribeiro, Montero, Bruno Fernandes e William Carvalho.» (1 de Fevereiro)

- Edmundo Gonçalves: «O que deve a Montero o Chico Geraldes?» (5 de Março)

Eu: «Gostei de ver Montero recuperado como goleador da equipa neste seu regresso a Alvalade após dois anos em que jogou bem longe, primeiro na China e depois no Canadá. Foi ele o homem do jogo ao marcar os dois golos do Sporting - em momentos cruciais da partida.» (9 de Março)

- Ricardo Roque: «A paranóia colectiva instalou-se por causa de um golo. Não marcado. Tivesse Montero marcado aquele golo e a nossa vidinha tinha seguido como sempre, nesta chuvosa primavera. E já falhamos tantos golos.» (7 de Abril)

- Pedro Azevedo: «O colombiano é "Mr Cool". Nada o parece incomodar. Num cinema em chamas e com toda a gente em pânico, ele já estaria cá fora; num eléctrico sem freio, ele seria o primeiro a descer, sem um arranhão. Nunca se sabe o que vai sair dali. Pode ser fava ou brinde num bolo-rei, marcar o golo decisivo após 90 minutos sem tocar na bola. Faz lembrar o Nené do Benfica, o homem invisível que, raramente, mostra a sua forma humana, um misto de uma realidade fria e desesperante e de um misticismo quente e inspirador.» (30 de Abril)

João Goulão: «Que melhoria trouxeram Bryan, Montero ou Doumbia?» (13 de Maio)

Hoje giro eu - O Mustang e o "Cool Dude"

Inspirado por uma troca de opiniões com uma leitora/comentadora (*) do nosso blogue, lanço aqui um texto sobre dois jogadores totalmente díspares, duas propostas diferentes de entendimento do futebol:

 

De um lado, temos Gelson Martins. O ala é o cavalo à solta, de Ary e Tordo, o Mustang, de Boloni. A sua velocidade é inata, o seu drible de rua, também. Ele é ginga, é engano, é dança "au pair". Simultaneamente, tango e "tanga". Gelson é o homem do dinamite, a sua missão é fazer explodir o cofre onde se refugia o adversário. Quando melhorar a sua visão periférica do jogo e , quando na zona central, ganhar uma maior perpendicularidade face à baliza - os tais movimentos que lhe permitam ganhar a frente dos lances e chegar isolado para finalizar - tornar-se-á um jogador consensual, pretendido por toda a Europa.

Nos antípodas de Gelson temos Montero. O colombiano é "Mr Cool". Nada o parece incomodar. Num cinema em chamas e com toda a gente em pânico, ele já estaria cá fora; num eléctrico sem freio, ele seria o primeiro a descer, sem um arranhão. Nunca se sabe o que vai sair dali. Pode ser fava ou brinde num bolo-Rei, marcar o golo decisivo após 90 minutos sem tocar na bola. Faz lembrar o Nené do Benfica, o homem invisível que, raramente, mostra a sua forma humana, um misto de uma realidade fria e desesperante e de um misticismo quente e inspirador. Enquanto outros engrossam as estatísticas de passe, remate, recuperações, et caetera, Montero é como um analista da NASA, um astro-físico, um matemático, sempre a computar probabilidades de sucesso. Assim, só suja os calções quando a probabilidade é elevada, não se desgastando com questões menores mais próprias de um qualquer comum mortal. Enquanto Gelson propôe arrombar, Montero estuda demoradamente a combinação do cofre. Não a obtendo, guarda o ataque para outro dia. Tenho, no entanto, um pressentimento: Fredy "Mr Cool" Montero vai resolver, saído do banco, o próximo derby. Naquele jeito de quem está a fazer um grande frete e de que o dia até seria mais bem empregue numa ida à praia...

 

(*) Obrigado CAL

 

#savingprivateryan

gelsonemontero.jpg

Estes três

Três jogadores do Sporting figuram na "equipa da semana" da Liga da Europa: Coates, Montero e Rui Patrício. O colombiano, porque marcou o golo da nossa vitória em Alvalade frente ao Atlético de Madrid. O uruguaio, porque cortou tudo quanto havia para cortar e ainda proporcionou a Oblak a defesa da noite, na sequência de um cabeceamento forte e muito bem colocado. O nosso guardião, porque tornou Griezmann num anão enquanto ele se agigantava ainda mais na baliza leonina.

Precisamos de mais jogos como este. Muitos mais.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Checos sem cobertura

Já passaram mais de duas horas desde que acabou o Sporting-Viktoria Plzen e ainda se ouvem ecos da ausência de Bas Dost, o jogador mais falado esta noite na SIC. No entretanto, Fredy Montero, escandalosamente em má forma, marcou dois golos de grande classe, mal abanando aquela narração tipo alegria dos cemitérios - já estive em cerimónias fúnebres muito mais animadas - que caracterizou a transmissão televisiva. 

 

Parabéns a Jesus pela vitória e pela oportunidade de hoje não ter de o criticar. Afinal, se posso escrever sobre bola devo-o a ele. É verdade! Soube esta semana que o senhor praticamente inventou o futebol...

 

Em tempos não assim tão distantes, o grande drama do futebol português foi haver um presidente de clube no banco de suplentes. Ontem, Bruno de Carvalho voltou ao local do "crime", de onde pôde falar com os jogadores e aplaudir os golos de Montero, não constando que para a UEFA necessite de quaisquer medidas de coação. Em Portugal é diferente! Quem sabe se uma chamada para o 112, denunciando a presença de um assaltante em nossa casa, não poderia valer a um cidadão, em sede de justiça desportiva, uma acusação de lesão da honra e reputação do pobre do larápio...

 

Perante uns checos sem cobertura (defensiva), o Sporting fez o quanto baste para ganhar. A vitória poderia se ter materializado mais cedo (36 minutos), não fora o árbitro do encontro não ter visto os pés de Montero serem levantados pelo ar por um defensor do Viktoria. Antes, Gelson, à boca da baliza, e Acuña, remate à barra, já tinham ameaçado.

 

Até que Fredy Montero, (re)comprado nos saldos de Inverno, mostrou ser um perito em gestão de stocks (de golos). Usando o método LIFO, o colombiano marcou no lance imediatamente anterior ao árbitro enviar os jogadores para o balneário (intervalo) e no que marcou o regresso ao relvado para a segunda parte, dois golos em que alardeou toda uma gama de pormenores de fino recorte técnico.

 

As jogadas que conduziram aos golos foram soberbas e mereceram ovação de pé. Na primeira, Ruiz centrou da esquerda, Coentrão executou um vistoso pontapé de moinho - se fosse o Grimaldo tinha sido de génio, no caso os comentadores multiplicaram-se a dizer que foi meio ao acaso... - e Montero, desmarcado na área, parou a bola no peito e colocou-a, com um subtil toque de pé direito, nas redes. No segundo, Bruno Fernandes recuperou uma bola, avançou no terreno e serviu Montero, que, entre dois adversários, com o pé direito tirou o primeiro do caminho e com o esquerdo colocou com classe entre o poste, o outro defesa e o guarda-redes. Bryan Ruiz, Bruno Fernandes e Mathieu (este último já nos descontos) ainda perderiam a oportunidade de ampliar o marcador, algo que nos poderia ter ajudado a gerir melhor os cartões amarelos que impendem sobre diversos jogadores. Para já, William e Coates estão fora da partida na República Checa.

 

Montero - pelos golos - , Bruno Fernandes - pela qualidade, raça e recuperações de bola, pese embora tenha sido perdulário à frente da baliza - e Coentrão foram, na minha opinião, os melhores em campo.

 

Os checos só ameaçaram no último quarto-de-hora, obrigando aí Patrício - que se tornou, a par de Hilário, o jogador com mais jogos oficiais pelo Sporting - , pela única vez, a sujar o equipamento. De resto, à parte um par de cabeceamentos do avançado Kmencik, não criaram qualquer perigo.

 

Em suma, mais uma noite europeia no nosso estádio e mais uma vitória que deixa a eliminatória bem encaminhada. Querem jogos europeus? Ou vêem pela televisão ou têm de ir a Alvalade...

 

Tenor "Tudo ao molho..." : Fredy Montero

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Quente & frio

Gostei muito da vitória do Sporting esta noite, em Alvalade: derrotámos por 2-0 o Viktoria Plzen, campeão em título e líder do campeonato da República Checa. Um jogo em que fomos claramente superiores do princípio ao fim: mais posse de bola, melhor organização, maior movimentação colectiva, mais oportunidades de golo (aliás os checos não tiveram nenhuma). Cumprimos a nossa missão tanto no plano ofensivo, vencendo por dois golos de diferença, como no plano defensivo, mantendo a baliza leonina invicta. Um resultado que nos abre boas expectativas para a segunda mão, a disputar em Plzen, quarta maior cidade checa. Temos grandes possibilidades de nos qualificarmos para os quartos-de-final da Liga Europa. Todos acreditamos nisso, seguramente.

 

Gostei de ver Montero recuperado como goleador da equipa neste seu regresso a Alvalade após dois anos em que jogou bem longe, primeiro na China e depois no Canadá. Foi ele o homem do jogo ao marcar os dois golos do Sporting - em momentos cruciais da partida. O primeiro aos 45'+1, coroando um excelente lance pelo corredor esquerdo protagonizado por Fábio Coentrão, Bryan Ruiz, novamente Coentrão (com uma assistência acrobática) e finalmente o colombiano, que rematou sem vacilar com o seu pior pé - o direito. O segundo aos 49', dando a melhor sequência a uma oportuna recuperação de bola concretizada por Bruno Fernandes, que o isolou com um soberbo passe: Montero, revelando perfeito domínio técnico, recebeu, driblou e atirou em cheio para o fundo das redes. Estava feito o resultado que anima e encoraja os adeptos leoninos. Com quatro avançados afastados por lesão (Bas Dost, Doumbia, Podence e Rafael Leão), o Sporting só pode congratular-se pela subida de forma do colombiano, que foi derrubado em falta na grande área aos 37': o árbitro bielorrusso fez vista grossa, não assinalando o penálti. Erro inequívoco, que as imagens documentam: era mesmo grande penalidade.

 

Gostei pouco da falta de intensidade que se apoderou da equipa quando faltavam cerca de 20 minutos para o desafio terminar. A vitória parecia consolidada, a réplica dos checos era frouxa e os nossos jogadores começaram a gerir a condição física, limitando-se a trocar a bola no meio-campo. Com isto permitiram o avanço no terreno dos adversários, que se aproximaram com perigo da nossa baliza e acreditaram que podiam marcar pelo menos um golo. Parte dos 26 mil espectadores que se encontravam em Alvalade assobiaram a equipa, que só então pareceu despertar daquele torpor. Funcionou como um tónico. No final não faltaram aplausos: Coentrão, substituído aos 85' por Rúben Ribeiro, recebeu a ovação da noite. Saiu esgotado, mas com o dever cumprido. Como Bruno Fernandes, William, Bryan, Mathieu, Gelson e o marcador de serviço. Todos com nota alta.

 

Não gostei que tivéssemos desperdiçado a oportunidade de marcar um terceiro golo, que nos deixaria muito mais descansados quanto ao desfecho desta eliminatória. Não foi por falta de tentativas, diga-se: foi por um misto de inabilidade, azar e grande exibição do guarda-redes checo, Hruska. Gelson, muito bem assistido por Acuña, podia ter marcado logo aos 7'. O extremo argentino atirou um petardo à barra, iam decorridos 22'. Bruno Fernandes tentou a meia-distância sem sucesso aos 39', 43' e 45'. Bryan Ruiz falhou por pouco o golo aos 65'. E Mathieu, numa impressionante corrida aos 90'+1, isolado por Rúben Ribeiro, desperdiçou talvez a melhor ocasião para o terceiro, rematando colocado mas permitindo a intervenção do guarda-redes. Do mal o menos: tem havido jogos em que tentamos ainda mais concretizando bastante menos.

 

Não gostei nada de saber que Coates e William Carvalho ficarão fora da segunda mão, a disputar na próxima semana, por acumulação de cartões. O uruguaio recebeu o amarelo aos 67', por pontapear sem necessidade uma bola após a marcação de uma falta. O internacional português ficou amarelado cinco minutos depois, na sequência de uma má abordagem a uma bola dividida no meio-campo, muito longe de alguma zona perigosa. Não havia necessidade, em qualquer dos casos. Ambos vão fazer-nos falta. Com André Pinto lesionado, Jorge Jesus terá de improvisar um central para o desafio em Plzen: poderá ser Palhinha, enquanto Battaglia ocupará provavelmente a posição de William. Felizmente poderemos contar com quatro outros jogadores que também estavam à queima e esta noite escaparam incólumes ao quinto amarelo: Acuña, Bruno Fernandes, Coentrão e Gelson Martins.

Hábitos para recordar

A primeira parte de Piccini no jogo de ontem em Tondela, dava um verdadeiro compêndio para todos aqueles que querem seguir a profissão e jogar naquele lugar.

Um compêndio daqueles para lembrar todos os dias, cujo título poderia ser:

"Tudo o que um lateral não deve fazer".

Sinceramente, não me lembro de ter visto uma boa acção/decisão de Piccini nos primeiros 45 minutos.

Um verdadeiro hino ao posicionamento errado, aos passes errados que colocavam os colegas sempre em pior condição, às inúteis acelerações e à compreensão deficitária do jogo.

 

Em todo o caso, já é um hábito ter um treinador que passa a vida a dizer que os jogadores estão cansados e que não aguentam, mas que não promove a sua rotatividade.

 

Por último, a exibição de Montero tem sido muito criticada o que faz questionar:

O Sporting jogou melhor nos últimos 15 minutos da primeira parte ou nos primeiros 15 da segunda?

Ou, quantas oportunidades de golo teve o Sporting nos últimos 15 minutos da primeira parte e quantas teve nos primeiros 15 da segunda?

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Feira da ladra

Concordo com Jorge Jesus, o VAR é uma "farramenta" (e não, uma ferramenta). Esta noite, em Alvalade, a visita da equipa da Feira foi uma farra...

 

Durante o jogo sonhei (com os olhos bem abertos) que estava numa feira: Rui vendia amuletos de São Patrício, Piccini era o pizzaiolo, Coates grelhava carne de vaca gaúcha maturada, Mathieu amassava a baguete francesa, Bruno César comia croissants, William era o operador do carrossel, Bruno Fernandes pintava Rembrandts, Gelson testava as motos do poço da morte, Bryan Ruiz permanecia na secção de antiguidades, Montero mostrava as novas fragrâncias, cheirinhos (a golo), Rafael Leão estava na banca (ou banco) das verduras, Battaglia engolia fogo, o recém-chegado ganês alegrava a multidão com o seu sentido de Lumor e Doumbia, na barraca dos tirinhos, entretinha-se a atirar ao alvo Caio Secco e vendia elefantes de marfim com a tromba para baixo. Este último pormenor (o da tromba para baixo) não augurava nada de bom. A adicionar a este sentimento, a expressão que se podia observar nas pessoas que rodeavam a tenda da cartomante mostrava que a sina lida não tinha sido auspiciosa. 

 

Por momentos, e dado os últimos pormenores que vislumbrei, detive-me na suspeição de que o sonho afinal poderia virar pesadelo. Um pesadelo com nome próprio e apelido: Luis Ferreira

 

O árbitro protagonizou um erro no protocolo do vídeo-árbitro (ou será ele próprio um erro de protocolo, confesso que não percebi). Sugestionado pelo VAR (Manuel Oliveira), Luis Ferreira anulou um golo limpo de Doumbia (que, por ironia, assistido por Montero, finalmente tinha acertado com a baliza) por considerar uma alegada falta (de Bruno Fernandes), tão, mas tão anterior ao lance de golo, que se diria ocorrida no milénio passado, porventura aquando da nossa fundação. Para além da alegada falta não ter sido clara, esta, a ter existido, aconteceu antes do início do movimento atacante que resultou em golo. Logo, uma péssima decisão, aos 18 minutos de jogo.

 

Não ficaria por aqui o árbitro do encontro: aos 29 minutos, William tentou passar a bola na área e esta foi interceptada deliberadamente com a mão (baixou-se para interceptar a bola) por Tiago Silva, jogador dos fogaceiros. Luis Ferreira (desta vez não reviu as imagens) ouviu o VAR e mandou seguir. Um "penalty" por marcar...

 

Ainda na primeira parte, o árbitro apitou (mal) para "penalty" favorável ao Sporting. Após consultar o VAR anulou a sua decisão. O problema foi o tempo que gastou nestas "demarches" todas. Ora, revejam comigo: o golo anulado implicou que a partida esteve parada 2 minutos e 48 segundos (entre os 18:00 e os 20:48), a revisão do "penalty" não assinalado custou 30 segundos (entre os 29:30 e os 30:00), finalmente a análise da possível grande penalidade, mais a lesão de um jogador feirense, manteve o jogo parado por 4 minutos e 42 segundos ( entre os 43:08 e os 47:50). O homem do apito tinha dado 5 minutos de desconto (já vimos que deveria ter dado 8, sem falar de outras paragens para assistência de jogadores), mas acabou por abreviar a coisa para uns míseros 3 minutos e 30 segundos (houve jogo entre os 47:50 e os 51:20), sonegando quatro minutos e trinta segundos ao jogo. Se não acreditam, vejam as imagens. O senhor precisa tanto de uma reciclagem como de umas aulas de aritmética. É obra!!! 

 

Perante isto, Luis Ferreira até poderia ter feito (que não fez) uma exibição de final de Champions na segunda parte, que mesmo assim não mereceria deste Vosso autor uma nota melhor que DÓ MENOR. Sem dó nem piedade...

 

Para além destes incidentes, o Sporting protagonizou um Festival de Futebol...e de golos perdidos. Caio Secco negou o golo aos leões, com enormes defesas, aos 7, 12, 13, 28 e 41 minutos. Doumbia por mais 3 vezes e Bryan Ruiz falharam sozinhos outros golos cantados. E assim, perante todas estas contrariedades, chegámos injustamente ao intervalo com o nulo no marcador.

 

O Sporting entrou mais nervoso no segundo tempo e o critério disciplinar de Luis Ferreira também não ajudou. Aos 47, 52 e 54 minutos foram perdidas mais 3 oportunidades. Aos 61 minutos, mais uma "imoralidade": cartão amarelo a William, após uma normalíssima disputa de bola. JJ mandou avançar Rafael Leão e o jovem foi o talismã que quebrou a maldição do apito. Já consigo em campo, a bola beijou o poste de Patrício (ainda desviou) e ressaltou para fora. Aos 78 minutos, finalmente o golo. Confusão, bola bate na cara de Coates, ressalto para os pés de William e golo. Os leões cresceram e Montero - que perfume tem o seu futebol entrelinhas, que inteligência têm as suas movimentações! - , a passe de Gelson, estrear-se-ia a marcar neste regresso a Alvalade. O jogo acabaria a fazer jus àquilo que foi a sua tónica: Bruno Fernandes, isolado por Gelson, falhou na cara de Caio Secco.

 

Parece que todos sempre esperam que seja Bruno de Carvalho a quebrar o protocolo, mas afinal Luis Ferreira e Manuel Oliveira é que o fizeram esta noite, ajudando a que este autor considere que esta vitória foi contra tudo (má sorte, guarda-redes adversário) e contra todos (arbitragem infelicíssima incluida). É Carnaval, ninguém leva a mal!? (blague subtraída ao Nosso Leão de Queluz)

 

Tenor "Tudo ao molho...": William Carvalho

sportinhfeirense.jpg

 

Pesadelo

Esta noite tive um pesadelo. Sonhei que a equipa iniciava o jogo com Bryan Ruiz, Ruben Ribeiro, Montero, Bruno Fernandes e William Carvalho. Os restantes eram os das posições habituais, menos Gelson lesionado.

Todos eles faziam o que sabem fazer muito bem: receber a bola de costas para a baliza, rodar sobre o pé de apoio, parar, pensar, ver se alguém se desmarca, enfrentar os dois adversários que entretanto tinham chegado, olhar outra vez, respirar fundo, pensar mais um bocado, tentar fintar e perder a bola porque ninguém corria já que eram todos clones uns dos outros. O carrossel rodava, rodava, rodava até o árbitro apitar o fim do jogo.

O que vale é que foi só um pesadelo.

Hoje giro eu - As time goes by

"It`s still the same old story

a fight for love and glory

a case of do or die

as time goes by"

- As time goes by, Herman Hupfeld, 1931 (música de Casablanca, 1942)

 

O amor dos adeptos por ti é indiscutível. O passar dos anos não desvaneceu da nossa memória o jogador e o Homem que és. Agora, ficamos à espera da glória. "Now, play it again, Fredy!".

Bem-vindo "Avioncito"!

 

Nos últimos 50 anos, após terem sido vendidos, regressaram a Alvalade os seguintes jogadores: Damas (Racing de Santander), Bastos (Saragoça), Oceano, Carlos Xavier e Sá Pinto (Real Sociedad), Hugo Viana (Newcastle), Caneira e João Pereira (Valência), Rochenback (Middlesbrough), Elias (Corinthians) e Beto (Sevilha). Montero é, por isso, o 12º jogador (o número dos adeptos) a regressar a Alvalade após venda.

1ª Pergunta aos nossos Leitores: destes regressos, qual foi o que teve mais significado?

2ª Pergunta aos nossos Leitores: quantos golos marcará Montero até ao final da época?

 

(Resultados actualizados até ao final do dia)

Fredy-Montero-Sporting-Lisbon.jpg

 

Agora é que a bancada vem abaixo

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Bem-vindo, craque! Imagino já os teus festejos no Dragão, dando a marcar e a marcar os golos da vitória. Conquistando os três pontos. E com isso contribuir para que a bancada pintada com as nossas cores venha abaixo. Incapaz de suster os saltos de campeão. 

Como um salto leva a outro será ainda por causa da enormíssima qualidade que partilhas com os teus velhos e novos companheiros de equipa, que o FCP "tomará todas as medidas que os regulamentos em vigor permitem" para, leia-se, ganhar os três pontos na secretaria. Ao intervalo perde por um zero, mais vale não arriscar, não ficar por ligeiros tremores e mandar definitivamente a bancada abaixo.

Contigo, grande Montero, a bancada vem mesmo abaixo! Como sabemos a que ficará em cacos, não está no Estoril. Está nas Antas.

Ei-lo que regressa...

... qual filho pródigo.

A ideia é bíblica, mas a vontade de muitos sportinguistas no regresso de Fredy Montero é real e evidente.

Que o diga o nosso comentador "Sportingsempre" neste seu comentário.

Estávamos em Fevereiro de 2016 e eu assumia publicamente neste texto a minha tristeza pela partida do colombiano para terras chinesas.

Regressa agora mais ou menos dois anos passados, quiçá para terminar aquilo que havia começado.

Fico muito contente. Se um destes dias chegar cedo ao estádio e for contemplado como o espectador 1906 já sei de que atleta vou escolher a camisola.

Factos

Bas Dost é o melhor marcado do campeonato com 11 golos. Desde Montero, à 15.ª jornada de 2013-2014 (garantiu-me Rui Miguel Tovar via Twitter) que o melhor marcador não vestia de verde e branco. Na altura, o colombiano levava 13 tentos, contra os 12 de Jackson e os 9 de Heldon. 

Balanço (23)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre MONTERO:

 

- Edmundo Gonçalves: «Marcou um golaço. Não percebo porque saiu e ficou o colega [Teo] em jogo, sobretudo se era para jogar com Slimani, com quem até costuma fazer boa dupla.» (18 de Setembro)

- Eu: «Saiu do banco aos 54' e revelou-se bem melhor do que o seu compatriota Teo Gutiérrez, titular da posição. Foi ele a desatar um nó que parecia cego, quase ao cair do pano. Decisivo como nenhum outro nesta partida.» (21 de Setembro)

- José Navarro de Andrade: «Neste Sporting não há lugar para o enfado existencialista de Montero que aborda todos os lances à experiência.» (20 de Dezembro)

- Duarte Fonseca: «Vi partir aquele que para mim era, tão só, o melhor jogador do plantel. O único jogador que se assemelhava a um ídolo. Aquele jogador que me fazia subir os 10 lances de escadas até ao meu lugar sempre com a ilusão de ver algo extraordinário.» (2 de Fevereiro)

- Luciano Amaral: «Ainda fazia belos golos e belas assistências. Vejo com tristeza a partida de um dos heróis da ressurreição do Sporting. Agora é mais fácil jogar no Sporting do que quando ele veio.» (2 de Fevereiro)

- José da Xã: «Sempre fui um apreciador das qualidades de Montero. Sagaz, felino, de técnica apuradíssima, faltou-lhe quiçá sorte…» (2 de Fevereiro)

- Filipe Moura: «Ninguém o vai esquecer nem momentos de magia como este, em Alvalade, contra o Marítimo, a época passada. Foi provavelmente o melhor golo que alguma vez presenciei. Obrigado por tudo e felicidades, avioncito.» )2 de Fevereiro)

- Alda Telles: «Ficará para sempre na história e sobretudo no coração do nosso Clube. Com a certeza que também ficaremos no dele. Sporting e Portugal estão indissoluvelmente ligados a esta família luso-colombiana.» (3 de Fevereiro)

- Zélia Parreira: «Obrigada Montero! Obrigada pelos golos, obrigada pela dedicação, obrigada pelo brio com que vestiste a camisola.» (20 de Fevereiro)

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