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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - O Mustang e o "Cool Dude"

Inspirado por uma troca de opiniões com uma leitora/comentadora (*) do nosso blogue, lanço aqui um texto sobre dois jogadores totalmente díspares, duas propostas diferentes de entendimento do futebol:

 

De um lado, temos Gelson Martins. O ala é o cavalo à solta, de Ary e Tordo, o Mustang, de Boloni. A sua velocidade é inata, o seu drible de rua, também. Ele é ginga, é engano, é dança "au pair". Simultaneamente, tango e "tanga". Gelson é o homem do dinamite, a sua missão é fazer explodir o cofre onde se refugia o adversário. Quando melhorar a sua visão periférica do jogo e , quando na zona central, ganhar uma maior perpendicularidade face à baliza - os tais movimentos que lhe permitam ganhar a frente dos lances e chegar isolado para finalizar - tornar-se-á um jogador consensual, pretendido por toda a Europa.

Nos antípodas de Gelson temos Montero. O colombiano é "Mr Cool". Nada o parece incomodar. Num cinema em chamas e com toda a gente em pânico, ele já estaria cá fora; num eléctrico sem freio, ele seria o primeiro a descer, sem um arranhão. Nunca se sabe o que vai sair dali. Pode ser fava ou brinde num bolo-Rei, marcar o golo decisivo após 90 minutos sem tocar na bola. Faz lembrar o Nené do Benfica, o homem invisível que, raramente, mostra a sua forma humana, um misto de uma realidade fria e desesperante e de um misticismo quente e inspirador. Enquanto outros engrossam as estatísticas de passe, remate, recuperações, et caetera, Montero é como um analista da NASA, um astro-físico, um matemático, sempre a computar probabilidades de sucesso. Assim, só suja os calções quando a probabilidade é elevada, não se desgastando com questões menores mais próprias de um qualquer comum mortal. Enquanto Gelson propôe arrombar, Montero estuda demoradamente a combinação do cofre. Não a obtendo, guarda o ataque para outro dia. Tenho, no entanto, um pressentimento: Fredy "Mr Cool" Montero vai resolver, saído do banco, o próximo derby. Naquele jeito de quem está a fazer um grande frete e de que o dia até seria mais bem empregue numa ida à praia...

 

(*) Obrigado CAL

 

#savingprivateryan

gelsonemontero.jpg

Estes três

Três jogadores do Sporting figuram na "equipa da semana" da Liga da Europa: Coates, Montero e Rui Patrício. O colombiano, porque marcou o golo da nossa vitória em Alvalade frente ao Atlético de Madrid. O uruguaio, porque cortou tudo quanto havia para cortar e ainda proporcionou a Oblak a defesa da noite, na sequência de um cabeceamento forte e muito bem colocado. O nosso guardião, porque tornou Griezmann num anão enquanto ele se agigantava ainda mais na baliza leonina.

Precisamos de mais jogos como este. Muitos mais.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Checos sem cobertura

Já passaram mais de duas horas desde que acabou o Sporting-Viktoria Plzen e ainda se ouvem ecos da ausência de Bas Dost, o jogador mais falado esta noite na SIC. No entretanto, Fredy Montero, escandalosamente em má forma, marcou dois golos de grande classe, mal abanando aquela narração tipo alegria dos cemitérios - já estive em cerimónias fúnebres muito mais animadas - que caracterizou a transmissão televisiva. 

 

Parabéns a Jesus pela vitória e pela oportunidade de hoje não ter de o criticar. Afinal, se posso escrever sobre bola devo-o a ele. É verdade! Soube esta semana que o senhor praticamente inventou o futebol...

 

Em tempos não assim tão distantes, o grande drama do futebol português foi haver um presidente de clube no banco de suplentes. Ontem, Bruno de Carvalho voltou ao local do "crime", de onde pôde falar com os jogadores e aplaudir os golos de Montero, não constando que para a UEFA necessite de quaisquer medidas de coação. Em Portugal é diferente! Quem sabe se uma chamada para o 112, denunciando a presença de um assaltante em nossa casa, não poderia valer a um cidadão, em sede de justiça desportiva, uma acusação de lesão da honra e reputação do pobre do larápio...

 

Perante uns checos sem cobertura (defensiva), o Sporting fez o quanto baste para ganhar. A vitória poderia se ter materializado mais cedo (36 minutos), não fora o árbitro do encontro não ter visto os pés de Montero serem levantados pelo ar por um defensor do Viktoria. Antes, Gelson, à boca da baliza, e Acuña, remate à barra, já tinham ameaçado.

 

Até que Fredy Montero, (re)comprado nos saldos de Inverno, mostrou ser um perito em gestão de stocks (de golos). Usando o método LIFO, o colombiano marcou no lance imediatamente anterior ao árbitro enviar os jogadores para o balneário (intervalo) e no que marcou o regresso ao relvado para a segunda parte, dois golos em que alardeou toda uma gama de pormenores de fino recorte técnico.

 

As jogadas que conduziram aos golos foram soberbas e mereceram ovação de pé. Na primeira, Ruiz centrou da esquerda, Coentrão executou um vistoso pontapé de moinho - se fosse o Grimaldo tinha sido de génio, no caso os comentadores multiplicaram-se a dizer que foi meio ao acaso... - e Montero, desmarcado na área, parou a bola no peito e colocou-a, com um subtil toque de pé direito, nas redes. No segundo, Bruno Fernandes recuperou uma bola, avançou no terreno e serviu Montero, que, entre dois adversários, com o pé direito tirou o primeiro do caminho e com o esquerdo colocou com classe entre o poste, o outro defesa e o guarda-redes. Bryan Ruiz, Bruno Fernandes e Mathieu (este último já nos descontos) ainda perderiam a oportunidade de ampliar o marcador, algo que nos poderia ter ajudado a gerir melhor os cartões amarelos que impendem sobre diversos jogadores. Para já, William e Coates estão fora da partida na República Checa.

 

Montero - pelos golos - , Bruno Fernandes - pela qualidade, raça e recuperações de bola, pese embora tenha sido perdulário à frente da baliza - e Coentrão foram, na minha opinião, os melhores em campo.

 

Os checos só ameaçaram no último quarto-de-hora, obrigando aí Patrício - que se tornou, a par de Hilário, o jogador com mais jogos oficiais pelo Sporting - , pela única vez, a sujar o equipamento. De resto, à parte um par de cabeceamentos do avançado Kmencik, não criaram qualquer perigo.

 

Em suma, mais uma noite europeia no nosso estádio e mais uma vitória que deixa a eliminatória bem encaminhada. Querem jogos europeus? Ou vêem pela televisão ou têm de ir a Alvalade...

 

Tenor "Tudo ao molho..." : Fredy Montero

montero.jpg

Quente & frio

Gostei muito da vitória do Sporting esta noite, em Alvalade: derrotámos por 2-0 o Viktoria Plzen, campeão em título e líder do campeonato da República Checa. Um jogo em que fomos claramente superiores do princípio ao fim: mais posse de bola, melhor organização, maior movimentação colectiva, mais oportunidades de golo (aliás os checos não tiveram nenhuma). Cumprimos a nossa missão tanto no plano ofensivo, vencendo por dois golos de diferença, como no plano defensivo, mantendo a baliza leonina invicta. Um resultado que nos abre boas expectativas para a segunda mão, a disputar em Plzen, quarta maior cidade checa. Temos grandes possibilidades de nos qualificarmos para os quartos-de-final da Liga Europa. Todos acreditamos nisso, seguramente.

 

Gostei de ver Montero recuperado como goleador da equipa neste seu regresso a Alvalade após dois anos em que jogou bem longe, primeiro na China e depois no Canadá. Foi ele o homem do jogo ao marcar os dois golos do Sporting - em momentos cruciais da partida. O primeiro aos 45'+1, coroando um excelente lance pelo corredor esquerdo protagonizado por Fábio Coentrão, Bryan Ruiz, novamente Coentrão (com uma assistência acrobática) e finalmente o colombiano, que rematou sem vacilar com o seu pior pé - o direito. O segundo aos 49', dando a melhor sequência a uma oportuna recuperação de bola concretizada por Bruno Fernandes, que o isolou com um soberbo passe: Montero, revelando perfeito domínio técnico, recebeu, driblou e atirou em cheio para o fundo das redes. Estava feito o resultado que anima e encoraja os adeptos leoninos. Com quatro avançados afastados por lesão (Bas Dost, Doumbia, Podence e Rafael Leão), o Sporting só pode congratular-se pela subida de forma do colombiano, que foi derrubado em falta na grande área aos 37': o árbitro bielorrusso fez vista grossa, não assinalando o penálti. Erro inequívoco, que as imagens documentam: era mesmo grande penalidade.

 

Gostei pouco da falta de intensidade que se apoderou da equipa quando faltavam cerca de 20 minutos para o desafio terminar. A vitória parecia consolidada, a réplica dos checos era frouxa e os nossos jogadores começaram a gerir a condição física, limitando-se a trocar a bola no meio-campo. Com isto permitiram o avanço no terreno dos adversários, que se aproximaram com perigo da nossa baliza e acreditaram que podiam marcar pelo menos um golo. Parte dos 26 mil espectadores que se encontravam em Alvalade assobiaram a equipa, que só então pareceu despertar daquele torpor. Funcionou como um tónico. No final não faltaram aplausos: Coentrão, substituído aos 85' por Rúben Ribeiro, recebeu a ovação da noite. Saiu esgotado, mas com o dever cumprido. Como Bruno Fernandes, William, Bryan, Mathieu, Gelson e o marcador de serviço. Todos com nota alta.

 

Não gostei que tivéssemos desperdiçado a oportunidade de marcar um terceiro golo, que nos deixaria muito mais descansados quanto ao desfecho desta eliminatória. Não foi por falta de tentativas, diga-se: foi por um misto de inabilidade, azar e grande exibição do guarda-redes checo, Hruska. Gelson, muito bem assistido por Acuña, podia ter marcado logo aos 7'. O extremo argentino atirou um petardo à barra, iam decorridos 22'. Bruno Fernandes tentou a meia-distância sem sucesso aos 39', 43' e 45'. Bryan Ruiz falhou por pouco o golo aos 65'. E Mathieu, numa impressionante corrida aos 90'+1, isolado por Rúben Ribeiro, desperdiçou talvez a melhor ocasião para o terceiro, rematando colocado mas permitindo a intervenção do guarda-redes. Do mal o menos: tem havido jogos em que tentamos ainda mais concretizando bastante menos.

 

Não gostei nada de saber que Coates e William Carvalho ficarão fora da segunda mão, a disputar na próxima semana, por acumulação de cartões. O uruguaio recebeu o amarelo aos 67', por pontapear sem necessidade uma bola após a marcação de uma falta. O internacional português ficou amarelado cinco minutos depois, na sequência de uma má abordagem a uma bola dividida no meio-campo, muito longe de alguma zona perigosa. Não havia necessidade, em qualquer dos casos. Ambos vão fazer-nos falta. Com André Pinto lesionado, Jorge Jesus terá de improvisar um central para o desafio em Plzen: poderá ser Palhinha, enquanto Battaglia ocupará provavelmente a posição de William. Felizmente poderemos contar com quatro outros jogadores que também estavam à queima e esta noite escaparam incólumes ao quinto amarelo: Acuña, Bruno Fernandes, Coentrão e Gelson Martins.

Hábitos para recordar

A primeira parte de Piccini no jogo de ontem em Tondela, dava um verdadeiro compêndio para todos aqueles que querem seguir a profissão e jogar naquele lugar.

Um compêndio daqueles para lembrar todos os dias, cujo título poderia ser:

"Tudo o que um lateral não deve fazer".

Sinceramente, não me lembro de ter visto uma boa acção/decisão de Piccini nos primeiros 45 minutos.

Um verdadeiro hino ao posicionamento errado, aos passes errados que colocavam os colegas sempre em pior condição, às inúteis acelerações e à compreensão deficitária do jogo.

 

Em todo o caso, já é um hábito ter um treinador que passa a vida a dizer que os jogadores estão cansados e que não aguentam, mas que não promove a sua rotatividade.

 

Por último, a exibição de Montero tem sido muito criticada o que faz questionar:

O Sporting jogou melhor nos últimos 15 minutos da primeira parte ou nos primeiros 15 da segunda?

Ou, quantas oportunidades de golo teve o Sporting nos últimos 15 minutos da primeira parte e quantas teve nos primeiros 15 da segunda?

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Feira da ladra

Concordo com Jorge Jesus, o VAR é uma "farramenta" (e não, uma ferramenta). Esta noite, em Alvalade, a visita da equipa da Feira foi uma farra...

 

Durante o jogo sonhei (com os olhos bem abertos) que estava numa feira: Rui vendia amuletos de São Patrício, Piccini era o pizzaiolo, Coates grelhava carne de vaca gaúcha maturada, Mathieu amassava a baguete francesa, Bruno César comia croissants, William era o operador do carrossel, Bruno Fernandes pintava Rembrandts, Gelson testava as motos do poço da morte, Bryan Ruiz permanecia na secção de antiguidades, Montero mostrava as novas fragrâncias, cheirinhos (a golo), Rafael Leão estava na banca (ou banco) das verduras, Battaglia engolia fogo, o recém-chegado ganês alegrava a multidão com o seu sentido de Lumor e Doumbia, na barraca dos tirinhos, entretinha-se a atirar ao alvo Caio Secco e vendia elefantes de marfim com a tromba para baixo. Este último pormenor (o da tromba para baixo) não augurava nada de bom. A adicionar a este sentimento, a expressão que se podia observar nas pessoas que rodeavam a tenda da cartomante mostrava que a sina lida não tinha sido auspiciosa. 

 

Por momentos, e dado os últimos pormenores que vislumbrei, detive-me na suspeição de que o sonho afinal poderia virar pesadelo. Um pesadelo com nome próprio e apelido: Luis Ferreira

 

O árbitro protagonizou um erro no protocolo do vídeo-árbitro (ou será ele próprio um erro de protocolo, confesso que não percebi). Sugestionado pelo VAR (Manuel Oliveira), Luis Ferreira anulou um golo limpo de Doumbia (que, por ironia, assistido por Montero, finalmente tinha acertado com a baliza) por considerar uma alegada falta (de Bruno Fernandes), tão, mas tão anterior ao lance de golo, que se diria ocorrida no milénio passado, porventura aquando da nossa fundação. Para além da alegada falta não ter sido clara, esta, a ter existido, aconteceu antes do início do movimento atacante que resultou em golo. Logo, uma péssima decisão, aos 18 minutos de jogo.

 

Não ficaria por aqui o árbitro do encontro: aos 29 minutos, William tentou passar a bola na área e esta foi interceptada deliberadamente com a mão (baixou-se para interceptar a bola) por Tiago Silva, jogador dos fogaceiros. Luis Ferreira (desta vez não reviu as imagens) ouviu o VAR e mandou seguir. Um "penalty" por marcar...

 

Ainda na primeira parte, o árbitro apitou (mal) para "penalty" favorável ao Sporting. Após consultar o VAR anulou a sua decisão. O problema foi o tempo que gastou nestas "demarches" todas. Ora, revejam comigo: o golo anulado implicou que a partida esteve parada 2 minutos e 48 segundos (entre os 18:00 e os 20:48), a revisão do "penalty" não assinalado custou 30 segundos (entre os 29:30 e os 30:00), finalmente a análise da possível grande penalidade, mais a lesão de um jogador feirense, manteve o jogo parado por 4 minutos e 42 segundos ( entre os 43:08 e os 47:50). O homem do apito tinha dado 5 minutos de desconto (já vimos que deveria ter dado 8, sem falar de outras paragens para assistência de jogadores), mas acabou por abreviar a coisa para uns míseros 3 minutos e 30 segundos (houve jogo entre os 47:50 e os 51:20), sonegando quatro minutos e trinta segundos ao jogo. Se não acreditam, vejam as imagens. O senhor precisa tanto de uma reciclagem como de umas aulas de aritmética. É obra!!! 

 

Perante isto, Luis Ferreira até poderia ter feito (que não fez) uma exibição de final de Champions na segunda parte, que mesmo assim não mereceria deste Vosso autor uma nota melhor que DÓ MENOR. Sem dó nem piedade...

 

Para além destes incidentes, o Sporting protagonizou um Festival de Futebol...e de golos perdidos. Caio Secco negou o golo aos leões, com enormes defesas, aos 7, 12, 13, 28 e 41 minutos. Doumbia por mais 3 vezes e Bryan Ruiz falharam sozinhos outros golos cantados. E assim, perante todas estas contrariedades, chegámos injustamente ao intervalo com o nulo no marcador.

 

O Sporting entrou mais nervoso no segundo tempo e o critério disciplinar de Luis Ferreira também não ajudou. Aos 47, 52 e 54 minutos foram perdidas mais 3 oportunidades. Aos 61 minutos, mais uma "imoralidade": cartão amarelo a William, após uma normalíssima disputa de bola. JJ mandou avançar Rafael Leão e o jovem foi o talismã que quebrou a maldição do apito. Já consigo em campo, a bola beijou o poste de Patrício (ainda desviou) e ressaltou para fora. Aos 78 minutos, finalmente o golo. Confusão, bola bate na cara de Coates, ressalto para os pés de William e golo. Os leões cresceram e Montero - que perfume tem o seu futebol entrelinhas, que inteligência têm as suas movimentações! - , a passe de Gelson, estrear-se-ia a marcar neste regresso a Alvalade. O jogo acabaria a fazer jus àquilo que foi a sua tónica: Bruno Fernandes, isolado por Gelson, falhou na cara de Caio Secco.

 

Parece que todos sempre esperam que seja Bruno de Carvalho a quebrar o protocolo, mas afinal Luis Ferreira e Manuel Oliveira é que o fizeram esta noite, ajudando a que este autor considere que esta vitória foi contra tudo (má sorte, guarda-redes adversário) e contra todos (arbitragem infelicíssima incluida). É Carnaval, ninguém leva a mal!? (blague subtraída ao Nosso Leão de Queluz)

 

Tenor "Tudo ao molho...": William Carvalho

sportinhfeirense.jpg

 

Pesadelo

Esta noite tive um pesadelo. Sonhei que a equipa iniciava o jogo com Bryan Ruiz, Ruben Ribeiro, Montero, Bruno Fernandes e William Carvalho. Os restantes eram os das posições habituais, menos Gelson lesionado.

Todos eles faziam o que sabem fazer muito bem: receber a bola de costas para a baliza, rodar sobre o pé de apoio, parar, pensar, ver se alguém se desmarca, enfrentar os dois adversários que entretanto tinham chegado, olhar outra vez, respirar fundo, pensar mais um bocado, tentar fintar e perder a bola porque ninguém corria já que eram todos clones uns dos outros. O carrossel rodava, rodava, rodava até o árbitro apitar o fim do jogo.

O que vale é que foi só um pesadelo.

Hoje giro eu - As time goes by

"It`s still the same old story

a fight for love and glory

a case of do or die

as time goes by"

- As time goes by, Herman Hupfeld, 1931 (música de Casablanca, 1942)

 

O amor dos adeptos por ti é indiscutível. O passar dos anos não desvaneceu da nossa memória o jogador e o Homem que és. Agora, ficamos à espera da glória. "Now, play it again, Fredy!".

Bem-vindo "Avioncito"!

 

Nos últimos 50 anos, após terem sido vendidos, regressaram a Alvalade os seguintes jogadores: Damas (Racing de Santander), Bastos (Saragoça), Oceano, Carlos Xavier e Sá Pinto (Real Sociedad), Hugo Viana (Newcastle), Caneira e João Pereira (Valência), Rochenback (Middlesbrough), Elias (Corinthians) e Beto (Sevilha). Montero é, por isso, o 12º jogador (o número dos adeptos) a regressar a Alvalade após venda.

1ª Pergunta aos nossos Leitores: destes regressos, qual foi o que teve mais significado?

2ª Pergunta aos nossos Leitores: quantos golos marcará Montero até ao final da época?

 

(Resultados actualizados até ao final do dia)

Fredy-Montero-Sporting-Lisbon.jpg

 

Agora é que a bancada vem abaixo

31082013CP15[1].jpg

 

Bem-vindo, craque! Imagino já os teus festejos no Dragão, dando a marcar e a marcar os golos da vitória. Conquistando os três pontos. E com isso contribuir para que a bancada pintada com as nossas cores venha abaixo. Incapaz de suster os saltos de campeão. 

Como um salto leva a outro será ainda por causa da enormíssima qualidade que partilhas com os teus velhos e novos companheiros de equipa, que o FCP "tomará todas as medidas que os regulamentos em vigor permitem" para, leia-se, ganhar os três pontos na secretaria. Ao intervalo perde por um zero, mais vale não arriscar, não ficar por ligeiros tremores e mandar definitivamente a bancada abaixo.

Contigo, grande Montero, a bancada vem mesmo abaixo! Como sabemos a que ficará em cacos, não está no Estoril. Está nas Antas.

Ei-lo que regressa...

... qual filho pródigo.

A ideia é bíblica, mas a vontade de muitos sportinguistas no regresso de Fredy Montero é real e evidente.

Que o diga o nosso comentador "Sportingsempre" neste seu comentário.

Estávamos em Fevereiro de 2016 e eu assumia publicamente neste texto a minha tristeza pela partida do colombiano para terras chinesas.

Regressa agora mais ou menos dois anos passados, quiçá para terminar aquilo que havia começado.

Fico muito contente. Se um destes dias chegar cedo ao estádio e for contemplado como o espectador 1906 já sei de que atleta vou escolher a camisola.

Factos

Bas Dost é o melhor marcado do campeonato com 11 golos. Desde Montero, à 15.ª jornada de 2013-2014 (garantiu-me Rui Miguel Tovar via Twitter) que o melhor marcador não vestia de verde e branco. Na altura, o colombiano levava 13 tentos, contra os 12 de Jackson e os 9 de Heldon. 

Balanço (23)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre MONTERO:

 

- Edmundo Gonçalves: «Marcou um golaço. Não percebo porque saiu e ficou o colega [Teo] em jogo, sobretudo se era para jogar com Slimani, com quem até costuma fazer boa dupla.» (18 de Setembro)

- Eu: «Saiu do banco aos 54' e revelou-se bem melhor do que o seu compatriota Teo Gutiérrez, titular da posição. Foi ele a desatar um nó que parecia cego, quase ao cair do pano. Decisivo como nenhum outro nesta partida.» (21 de Setembro)

- José Navarro de Andrade: «Neste Sporting não há lugar para o enfado existencialista de Montero que aborda todos os lances à experiência.» (20 de Dezembro)

- Duarte Fonseca: «Vi partir aquele que para mim era, tão só, o melhor jogador do plantel. O único jogador que se assemelhava a um ídolo. Aquele jogador que me fazia subir os 10 lances de escadas até ao meu lugar sempre com a ilusão de ver algo extraordinário.» (2 de Fevereiro)

- Luciano Amaral: «Ainda fazia belos golos e belas assistências. Vejo com tristeza a partida de um dos heróis da ressurreição do Sporting. Agora é mais fácil jogar no Sporting do que quando ele veio.» (2 de Fevereiro)

- José da Xã: «Sempre fui um apreciador das qualidades de Montero. Sagaz, felino, de técnica apuradíssima, faltou-lhe quiçá sorte…» (2 de Fevereiro)

- Filipe Moura: «Ninguém o vai esquecer nem momentos de magia como este, em Alvalade, contra o Marítimo, a época passada. Foi provavelmente o melhor golo que alguma vez presenciei. Obrigado por tudo e felicidades, avioncito.» )2 de Fevereiro)

- Alda Telles: «Ficará para sempre na história e sobretudo no coração do nosso Clube. Com a certeza que também ficaremos no dele. Sporting e Portugal estão indissoluvelmente ligados a esta família luso-colombiana.» (3 de Fevereiro)

- Zélia Parreira: «Obrigada Montero! Obrigada pelos golos, obrigada pela dedicação, obrigada pelo brio com que vestiste a camisola.» (20 de Fevereiro)

Os melhores golos do Sporting (27)

Golo de MONTERO

Sporting-Académica

30 de Janeiro de 2016, Estádio José Alvalade

 

Tenho estas manias. Em dia de jogo não visto verde, a não ser que vá ao estádio e leve a camisola. Quando marcam penalties contra nós, olho sempre para o lado. E por fim, tenho a certeza absoluta de que, se estiver a trabalhar ou a estudar durante o jogo, o Sporting não perde.


Por isso, quando desviei os olhos do que estava a estudar para conferir o resultado, por volta das 9 da noite do sábado, 30 de Janeiro, não gostei nada. Qu’é isto, o Sporting a perder com a Académica? Em casa?


Concentrei-me no que estava a ler e o Adrian marcou. Depois o Bryan Ruiz arrumou o assunto para o intervalo e eu descansei. É provável que me tenha desleixado, porque aconteceu aquele não-golo que ia deitando tudo a perder. Lia parágrafos uma e outra vez, não havia meio de compreender o sentido das palavras. Acedi a uma estação de rádio online, já que o estudo não fazia efeito, mais valia estar em cima do acontecimento.


Oitenta e quatro minutos. Bola cruzada da direita por João Pereira. Montero recebe na esquerda da área, enquadra-se e atira de pé esquerdo. A frase mágica dita na rádio: “É golo, é do Sporting!”


Na minha casa, há folhas com legislação croata de bibliotecas mal traduzida pelo Google espalhadas pelo chão. No estádio, o filho de um polícia colombiano acabou de repor a legalidade e a verdade no jogo. Saiu do banco para marcar o golo dos 3 pontos, o último golo do jogo, o último golo com a camisola verde e branca. Saiu do banco para deixar o Sporting no sítio que lhe pertence: o primeiro.


Obrigada Montero! Obrigada pelos golos, obrigada pela dedicação, obrigada pelo brio com que vestiste a camisola. E obrigada por manteres a minha superstição válida!

 

Montero, El Portugues

Ficará para sempre na história e sobretudo no coração do nosso Clube. Com a certeza que também ficaremos no dele. Sporting e Portugal estão indissoluvelmente ligados a esta família luso-colombiana.

Fredy fez um comovente video de despedida na sua conta no Facebook, que podem ver mais abaixo neste post. Recorda que foi aqui que a sua família nasceu ("Eu e a minha família vivemos aqui em Portugal algumas das nossas melhores recentes lembranças. Este é o lugar onde as nossas filhas nasceram, onde tivemos a nossa primeira casa de sonho e onde começamos as nossas vidas como uma verdadeira família. Viver em Lisboa foi excelente, mas sem dúvida que jogar no Sporting foi uma paixão!").

Deixa também uma mensagem de fé quanto ao título de campeão ("Acredito que o Sporting possa ser campeão esta época e que em Maio possam partilhar comigo esse feito, sabendo que também fiz parte dessa conquista"). Partilhamos, sempre, essa fé e, sim, partilharemos sem dúvida essa alegria com ele.

A paixão por Portugal não é mera conversa de circunstância. Basta consultar a conta de twitter da sua (belíssima) mulher, Alexis, para perceber a genuína ligação desta família a esta terra.

alexis 2.JPGalexis 1.JPG

Esta despedida é um dia triste para a família sportinguista, mas é também uma digna página da nossa história. Fredy Montero deixa um importante legado ao clube - 94 jogos disputados, 37 golos marcados, 13 assistências para golo, dizem as estatísticas - e deixa, sobretudo, um enorme orgulho neste verdadeiro espírito de leão que criou aqui.

Até sempre, Fredy, e obrigado.

 

 

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