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És a nossa Fé!

Hoyo-Hoyo Geny Catamo!

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Hoyo-Hoyo Geny Catamo!

O moçambicano Geny Catamo estreou-se ontem pelo Sporting. E brilhou - ao que leio -, tendo sido fundamental no golo decisivo para a vitória - a 11ª consecutiva, e há 30 anos que o clube não tinha tamanha série no campeonato, só suplantada por uma sequência feita nos anos... 1940s.

Catamo tem 20 anos, foi formado no Maxaquene, veio para o Amora em 2018 e joga nos escalões juniores do SCP desde 2019. Ascende agora à primeira equipa, nesta tão bem sucedida era amorinesca, na qual tanto se acarinham e desenvolvem os jovens futebolistas. Melhor ambiente e melhor clube para a sua afirmação não poderia ter pedido. Que tenha muita saúde e muito sucesso é o meu desejo.

Hoyo-Hoyo Geny Catamo!

 

O futebol pode ajudar a acabar guerras?

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(Fotografia de DR, Record)

[Postal do Sol de Carvalho]

O futebol pode ajudar a acabar guerras? Eu digo, pode. Ontem, o jornal Record publicou uma reportagem sobre um menino de Cabo Delgado que além de ter recebido umas botas novas, estava na iminência de seguir para a Academia para se mostrar a Rúben Amorim. Não foi... por causa dessa maldita pandemia mas espero que vá em breve.
 
Falamos de guerras? Sim, já lá vamos. Por motivos profissionais tive de fazer uma pesquisa junto dos jovens de Cabo Delgado que se juntam aos do Al Shabab, o nome porque é conhecido um suposto ramo do Estado Islâmico que tem semeado a morte no norte de Moçambique. Há entre eles um claro denominador comum: falta de opções, desespero sobre o futuro, desemprego. Em resumo, a morte da esperança.
 
Quando fiz o texto criativo resultante dessa pesquisa inclui a possibilidade de criação de academias de futebol. E porquê? Porque existem poucas profissões como o futebol onde pode singrar uma pessoa sem estudos, que conta apenas com o seu próprio corpo e com a sua habilidade,  Fi-lo porque acredito que o futebol, para além da cara sem vergonha que nos mostra todos os dias, pode ter um lado cuja importância social é inestimável.
 
E não é que percebo que, por iniciativa de um miúdo, porventura desesperado como o reflectiam as suas sapatilhas já rasgadas, o meu clube toma uma iniciativa que vai muito para além do gesto caridoso, porventura de um paternalismo ou de uma solidariedade falsa que apenas nos faz dormir mais descansados?
 
É que é, realmente, muito mais do que o simples gesto de solidariedade ou de amizade. Trata-se de colocar uma semente de esperança que pode levar dezenas e dezenas de jovens a ver uma luz eventual no fundo do túnel. Não será a solução? Obviamente que não. Mas pode ser uma grande ajuda? Pode, sim senhor. Não sei se a Direcção do clube percebeu que a iniciativa de levar o jovem de um cenário de guerra para uma academia de futebol de um país em Paz, é muito mais do que o gesto possa significar na superfície. 
 
Mas, de qualquer forma, vivendo em Moçambique, tal como o colega de blog jpt viveu e ama tanto quanto eu, não deixo de sentir uma ponta de orgulho pelo meu clube estar envolvido em tal iniciativa.

Sporting e Cabo Delgado

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Há demasiado futebol na sociedade portuguesa, omnipresente na imprensa, constante no bate-boca popular, viçoso como "futebolês" no linguajar e, assim, empobrecendo as interpretações do real. Mas isso também corresponde à competência do jogo nacional entre o espectáculo desportivo mais popular no mundo: o campeonato é o 6º europeu mais pontuado, a selecção sénior é a 5ª mundial mais cotada e actual campeã europeia, dados que muito ultrapassam a dimensão económica e a demográfica do país. Nisso treinadores, jogadores e o trio de clubes mais representativos têm uma enorme visibilidade internacional.
 
Neste quadro o Sporting conquista o tão ambicionado título após 19 anos. E assim congrega uma imensa atenção nacional e além-fronteiras. Três dias depois joga o "clássico" dos "clássicos", o Benfica-Sporting, a sempre "taça da 2ª circular" diante do eterno rival. Nas suas camisolas os jogadores trocam o seu nome de campeões pelo dístico "Cabo Delgado", convocando a atenção solidária para o drama ali vivido desde há 3 anos e meio. O qual durante tanto tempo conviveu com o silêncio da sociedade moçambicana, das suas instâncias estatais e da imprensa tradicional bem como, friso, da maioria da intelectualidade do país. E também com a "distração" internacional. Vivi 18 anos em Moçambique, e também no Cabo Delgado, região pela qual então me apaixonei. Muito por isso ontem tanto me comovi ao saber deste inesperado gesto do meu clube - naquilo do gratuito encenado e inútil que é o clubismo. (...)
 
[Deixei aqui uma versão extensa e mais abrangente, com temáticas extra-futebol]
 
 
 

Jornal Sporting - Iniciativa solidária destinada a Cabo Delgado

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Texto: Maria Gomes de Andrade / Fotografia: César Lomba

 
Ciente da situação crítica que se vive em Moçambique, e a exemplo de outras iniciativas já promovidas naquele país e em São Tomé e Príncipe, assim como um pouco por todo o lado em território nacional, a Fundação Sporting resolveu realizar uma iniciativa de recolha de fundos a favor de Cabo Delgado. Com a capacidade de inovação a que já nos habituou, a Fundação Sporting estabeleceu uma parceria com diversos chefs de cozinha e deu início a um ciclo de jantares com a participação de Sportinguistas que têm estado envolvidos em diversos projectos de apoio social.
 
O primeiro jantar decorreu na quarta-feira à noite na Taberna do Calhau, em Lisboa, com cerca de 20 pessoas, que se juntaram para ajudar a Fundação Sporting e apreciar a comida do chef Leopoldo Calhau e cuja sobremesa foi a possibilidade de assistirem ao encontro da equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal diante do Rio Ave FC (0-2), num ambiente totalmente verde e branco.
 
"O jantar foi muito agradável, correu muito bem e foi coroado com a nossa vitória em Vila do Conde, começou por dizer ao jornal Sporting a vice-presidente do Clube e da Fundação Sporting, Maria Serrano, acrescentando: "Estes jantares servem para juntar a familia Sportinguista, mas, acima de tudo, para angariar fundos para a Fundação Sporting, que depois os utilizará nos diversos projectos que desenvolve".
 
"Para já, a verba resultante dos primeiros jantares vai servir para comprarmos mantas que serão entregues em Cabo Delgado, numa acção conjunta com o actor/humorista Eduardo Madeira, que está a recolher bens para ajudar nessa zona de Moçambique. Nós, Fundação Sporting, além das mantas vamos contribuir com material desportivo do Sporting CP, comentou. O próximo jantar está marcado para a próxima segunda-feira, dia 10 de Maio, e vai ser confeccionado pelo chef João Rodrigues, estando marcado igualmente para a Taberna do Calhau, que voltou a disponibilizar o espaço para esta acção.
 
"A ideia é fazermos estes jantares quase todas as semanas para que possamos conseguir ajudar mais gente. Nesse sentido, lanço o desafio aos brilhantes chefs Sportinguistas que temos em Portugal, de Norte a Sul, para se disponibilizarem a participar nesta acção. Para isso só têm de entrar em contacto com a Fundação. Queremos alargar o convívio para lá de Lisboa e para isso contamos com a solidariedade e a ajuda de todos", afirmou Maria Serrano, que revelou que a ideia é também, no futuro e quando as medidas impostas pela Direcção Geral da Saúde forem menos restritivas, alargar a participação nestes jantares a mais pessoas, pois actualmente as limitações ao número de pessoas por mesa não permite aumentar o leque de convivas.
 
Fonte: Edição Jornal Sporting N.° 3818
 
Fica a divulgação. Poderá dar-se o caso de contribuir para despertar a vontade de realizar esta iniciativa num qualquer recanto do nosso país. Haja vontade que mesmo sem sobremesa igual à descrita, haverá certamente quem se disponibilize para ajudar... a ajudar.

As comemorações na Ilha de Moçambique

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Ontem à noite a vitória do Sporting em Braga foi deste modo comemorada na Ilha de Moçambique, adeptos que são também do Sporting da Ilha. 

Ao longo dos anos várias vezes escrevi em blogs (e neste também) sobre o peculiar Sporting da Ilha de Moçambique. Sei que apelar a uma maior ligação entre clubes neste contexto convoca sempre por um lado a ladainha dos saudosistas e, por outro lado, os remoques dos críticos do neo-colonialismo (alguns dos quais são grandes adeptos dos manchesters e barcelonas, outros sócios dos olympiques de foucault, club spivak ou spartak chomsky). Pouco me importa, não vou discutir isso. Apenas vejo as imagens de ontem na llha. E repito um dos postais que sobre ela escrevi, aquando da minha última visita

A Ilha de Moçambique foi considerada há cerca de 25 anos cidade património cultural pela UNESCO. Está, como em vários momentos da sua história, muito arruinada, ainda que venha recebendo alguma reabilitação. Na sua zona nobre existe a ruína da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique. Não é um edifício classificado, e a sua recuperação nunca teria grandes custos. Visitei a Ilha inúmeras vezes, quase 30, desde os anos 1990s. Sobre este assunto escrevi para Alvalade, bloguei, resmunguei, ironizei - nunca tive qualquer eco. E tão simbólico seria dinamizar um pequeno apoio para que o edifício viesse a ser recuperado, e utilizado pelo clube, filial do nosso Sporting Clube de Portugal. Os custos não seriam grandes, o bonito que seria ter a sede de um clube leonino - que continuou a funcionar nas zonas "populares", o chamado "macuti", casas de bloco ou pau-e-pique - no centro de uma cidade património mundial, a olhar o Índico. Ainda para mais onde desde há uma década o estado português estabeleceu um dos seus pólos de cooperação, o que teria facilitado alguma pequena intervenção. 

Agora voltei à Ilha, à qual não ia desde 2012. O edifício está mais arruinado. E dos vários símbolos antes existentes já só este sobrevive. É um requiem pelo Sporting Clube da Ilha de Moçambique? Talvez nem tanto. Mas é o fim de uma oportunidade bonita do sportinguismo. Pois há sempre quem prefira discutir a bola na barra num qualquer jogo dos sub-não-sei-quantos.

A caça e as touradas

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Judas "arremete de novo" contra Cintra e também contra Peseiro. Já aqui o referi, no dia da assembleia-geral Judas afirmou na TV que os resultados seriam aceites e que deixaria de haver polémica, em nome da unidade sportinguista. Mas é mais forte do que el@(s). Agora diz que Cintra e o treinador são psicopatas.

 

Peseiro porque gosta de touradas. Nunca vi uma tourada ao vivo, não tenho qualquer paciência mas torço o nariz aos adversários, até porque a sensibilidade para com os direitos dos animais e para com as formas como pensamos e sentimos a natureza estão muito para além disso. (Um dia escrevi sobre isso, deixo a ligação - tem uma dimensão política, excêntrica a um blog desportivo, mas espero não ofender nenhum sportinguista). Mas botar que um aficionado é um psicopata, enfim, é uma patetice.

 

Pela caça não tenho qualquer apreço, principalmente pela "caça grossa". Que um tipo vá caçar um coelho para o levar para a panela, ainda vá que não vá. Duas décadas de África deram-me contacto com caçadores - os da tal "caça grossa". E que torna o fenómeno mais complexo. Não percebo mesmo, e já tentei, que tipo de erecção é que um tipo tem quando atravessa meio-mundo, gasta uma pipa de dinheiro, e vai com uns guias, profissionais, com uma arma excelente, dar um tiro num animal soberbo. Se é para andar no mato, "perder-se" na natureza, porra, andei que me fartei e não precisei de matar um bicho. Se é para o "caçar", desatento, frágil? Nem é preciso grande máquina fotográfica ... Se é para a tal erecção, caramba, há por aí Cialis, Viagra, Furunbao. E decerto que genéricos. (Devem ser tomados com acompanhamento médico. E os jovens não os devem usar, não sejam parvos, esperem pela vetusta idade e vivam com o que têm enquanto têm). Ou um bocadinho de imaginação. Para além daquilo da companhia adequada. Mas, enfim, cada um como cada qual.

 

Pois há outra dimensão. Neste mundo em que os homens são (muito) piores do que os gafanhotos, tudo devastam, as coutadas são uma forma de preservar nacos de natureza onde a fauna bravia pode sobreviver. Alguns exemplares são abatidos, a peso d'oiro, como forma de manter os empreendimentos. É a triste realidade possível. E como tal, como em quase tudo, o radicalismo (chamar psicopata, por exemplo) não serve de nada, e é falsário - quem caça em coutadas, como Cintra, não mata animais em vias de extinção, paga para a sua preservação. Eu não simpatizo, não compreendo o afã, contribuiria, se tivesse dinheiro, de outra forma. Mas não se minta. Que é o que Judas faz.

 

Mas não pude deixar de me rir quando li esta judiaria de Judas contra Cinta. Pois em Moçambique conheci um grande caçador, já falecido, irmão mais velho de um muito querido amigo meu (também ele fervoroso sportinguista). O Rui era um caçador profissional, ainda do tempo colonial, nado e criado no centro do país, e fez vida disso. Conduziu caçadas com gente celebérrima, pois Moçambique era nos anos 1960s e 1970s um lugar crucial desse turismo e a caça era atractiva, não era socialmente mal vista: os astronautas (então verdadeiras estrelas), a nobreza europeia, actores (e actrizes) de Hollywood. Para mais o Rui era um verdadeiro homme à femmes, um enorme galã, nisso com um historial extraordinário. Uma verdadeira personagem de romance, houvesse quem o soubesse escrever. Depois da independência partiu para outros países, caçou na América, em África, uma vida recheada, aventurosa. Cheia. E na última década de vida regressou à sua terra, onde acalentou o projecto de estabelecer um pequeno parque natural. Continuava, já septuagenário, uma personagem apaixonante. Não era muito falador, para isso estávamos lá nós, o que condizia com o perfil, homem do  mato, andarilho, sedutor, enfim, parcas palavras mas marcantes, como convém a uma genuína imagem de marca.

 

Contava ele que um dia caçara com o Cintra - ele nem sabia bem quem fosse o homem, que de futebol nada sabia e de Portugal pouco mais. Já não sei se na Guiné se na África do Sul. E dizia ele, às gargalhadas, que o Cintra era lixado ("fodido" era o termo que usava). Pequenino, num frenesim de arma na mão. Chegava ao sítio e nem queria perder tempo, disparava a tudo o que tinha direito, até era perigoso, nunca tinha a arma quieta. E ao contar aquilo, nós, que conhecíamos o Cintra público, e tudo aquilo se adequava à personagem, bem que ríamos, à gargalhada, o sacana do Sousa Cintra aos tiros, frenético em África, desajeitado ... A gente ri(a)-se mas aquilo não é ser psicopata ... É ser Sousa Cintra.

 

Grande Rui Quadros. Um abraço à memória dele. E à sua queridíssima família.

Entretanto, em Maputo

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(Vivi 18 anos em Moçambique. Lá acamaradei - sim, não é preciso estar na tropa para "acamaradar" - no Núcleo do Sporting de Maputo, cheio de boa gente, belos convívios. E até inter-clubístico, dado que era - não sei se ainda é - o único núcleo de adeptos de clubes portugueses com instalações próprias. E, como tal, volta e meia tínhamos visitas, benfiquistas, portistas e não só, portugueses e moçambicanos, para ver jogos internacionais ou até derbis. Como deve ser ...

Nos últimos tempos a página-FB do Núcleo de Maputo tornou-se um frenético local de propaganda pró-Bruno de Carvalho e de agressão aos seus opositores. Hoje, tendo deixado terminar o processo de consulta sobre a proposta de revogação, enviei esta mensagem para publicação nessa página-FB do Núcleo. Horas passaram sem ter resposta. Agora, depois dos responsáveis da página a terem actualizado com a colocação de nove outras publicações, compreendo que não a divulgarão. Como tal deixo aqui a mensagem. Pode ser que chegue a Maputo).

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 (jpt, eu-mesmo, com o leão do Núcleo do Sporting de Maputo, foto com um bom "par de anos", noto-o)

 
Sou bloguista (no "És a Nossa Fé") e compreendo o ímpeto de publicarmos as nossas posições sobre a vida do clube, pois tanto o faço. Esperei até ao fim deste processo de votação sobre a "revogação do Conselho Directivo" para escrever isto nesta página. Fui assíduo no Núcleo (do Sporting Clube de Portugal em Maputo) nas duas décadas que vivi em Maputo, e acarinho essa memória. Fui aí de férias o ano passado, e logo me congratulei com as novas instalações, que visitei e onde assisti a jogos, em confraternização. Reclamo-me ainda "do Núcleo", por simpatia, por clubismo, ainda que 3 anos tenham passado desde que parti.
 
Recordo a descrição desta página-FB: "Sempre Unidos. O único ponto de encontro oficial para Sportinguistas em Maputo. O local para apoiar e confraternizar, de todos os Sportinguistas que estejam em Maputo e queiram sentir-se mais próximo do seu Clube."
 
Por tudo isto muito lamento, à distância, que esta página tenha servido para tomar partido no debate interno que ocorreu. Assumindo o apoio a uma das opiniões. De forma unilateral. Independentemente dela ter sido minoritária ou maioritária. É uma contradição, avessa ao que é a vida associativa e ao que é a expressão associativa.
 
Para quem, por mero desconhecimento do que é o "associativismo", consiga discordar desta opinião faço notar que até um vil comentário apelando ao assassinato de um sócio (mesmo que jocoso, caramba, mostra a boçal mentalidade de quem o coloca - é isto um sportinguista?) é deixado nesta página destinada a que os "Sportinguistas" possam "confraternizar ... mais próximo do seu Clube".
 
Espero que terminado este momento doloroso da história do Sporting todos nós nos possamos apaziguar, vivendo o associativismo, o clubismo. Aprendendo a viver o associativismo, aqueles que não o sabem. E espero também que a direcção do Núcleo do Sporting em Maputo e/ou os administradores desta página-FB o possam fazer. Aprender. Que é a forma de ser Sporting. Não o é essa, a que escolheram nos últimos tempos.
 
Votos dos melhores sucessos. Saudações Leoninas.
 

Hooliganismo

Acabado de chegar de Maputo, no sábado à noite, ligo o telemóvel e eis que recebo a seguinte mensagem por WhatsApp: “Já chegaste? Sabes do Sporting? Por cá não se fala de outra coisa, ao ponto de um colega meu que esteve agora num congresso no Japão me ter dito que mal souberam que era português acabou logo interpelado por italianos, holandeses, ingleses e franceses que queriam saber o que tinha acontecido ao Sporting. Ao nosso Sporting!

 

Devo dizer que em Maputo também não se fala de outra coisa. Em todos, sublinho em todos, os encontros e reuniões que mantive na semana passada a conversa sobre o estado a que chegou o Sporting vinha sempre à baila. É mesmo verdade, um bando de hooligans tomou o SCP de assalto e estamos nas bocas do mundo pelas piores razões. Os danos infligidos ao clube são demasiado sérios para tudo continuar na mesma.

 

As medidas anunciadas pelo ainda presidente do SCP para a Juve Leo e os encontros agendados, nomeadamente com o PM, são areia para os nossos olhos. Bruno de Carvalho já só é presidente do Sporting no papel, na realidade já ninguém o respeita, ninguém o segue, a não ser quem quiser acabar como ele. O clube está acima dele e saberá desalojar esta direção. Resta saber quem, quando e como, certo?

Bilhete a Bruno de Carvalho

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«E por que tudo enfim vos notifique,
Chama-se a pequena ilha Moçambique.»
Os Lusíadas, I-54

 

Caro presidente:

Sei que considera Moçambique - onde aliás nasceu, ainda sob a administração portuguesa - o seu segundo país. Uma pátria também do coração.

Sei do apreço e do afecto que sente pelo povo moçambicano em especial. Não por acaso, vários moçambicanos prestigiaram durante décadas o futebol do Sporting - basta referir Mário Wilson, Júlio Cernadas Pereira (Juca) e Hilário da Conceição, por exemplo. Todos campeões nacionais vestidos de verde e branco. Hilário, felizmente ainda entre nós, foi há dias alvo de uma justa homenagem por iniciativa da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique. Mais uma. São todas merecidas.

Sei que conhece bem o carácter único da Ilha de Moçambique, cantada por Camões, e a sua importância enquanto marco da história e da cultura de expressão lusíada - classificada desde 1991 como Património Mundial da Humanidade.

Venho portanto reiterar-lhe a sugestão - já aqui feita pelo meu colega de blogue JPT, outro moçambicano do coração - para a sua intervenção, enquanto presidente da instituição que nos irmana no fervor leonino, na recuperação da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique, fundado há largas décadas como nossa filial n.º 59. Qualquer contributo, estou certo disso, será decisivo para a reabilitação de um edifício que se vai degradando com a erosão do tempo e alguma incúria humana.

 

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 Aspecto original da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique

 

Seria uma obra importante, não pelo custo monetário, estou certo disso, mas pelo seu significado enquanto testemunho vivo desta marca sem fronteiras físicas que é o nosso Sporting Clube de Portugal. Uma marca espalhada pelos mais diversos recantos do planeta, enquanto traço de união entre povos diferentes mas capazes de perfilhar valores comuns.

Aqui fica igualmente o meu apelo, com a firme convicção de que seremos escutados. A Ilha de Moçambique merece, os sportinguistas de lá agradecerão qualquer ajuda e o presidente terá mais um motivo para sentir justificado orgulho nas funções que exerce. Contribuir para reabilitar filiais e delegações, enquanto espaços físicos depositários de memórias desportivas e que funcionem como trampolim para a concretização de novos sonhos, é também uma forma de servir o Sporting.

Sporting da Ilha de Moçambique

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A Ilha de Moçambique foi considerada há cerca de 25 anos cidade património cultural pela UNESCO. Está, como em vários momentos da sua história, muito arruinada, ainda que venha recebendo alguma reabilitação. Na sua zona nobre existe a ruína da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique. Não é um edifício classificado, e a sua recuperação nunca teria grandes custos. Visitei a Ilha inúmeras vezes, quase 30, desde os anos 1990s. Sobre este assunto escrevi para Alvalade, bloguei, resmunguei, ironizei - nunca tive qualquer eco. E tão simbólico seria dinamizar um pequeno apoio para que o edifício viesse a ser recuperado, e utilizado pelo clube, filial do nosso Sporting Clube de Portugal. Os custos não seriam grandes, o bonito que seria ter a sede de um clube leonino - que continuou a funcionar nas zonas "populares", o chamado "macuti", casas de bloco ou pau-e-pique - no centro de uma cidade património mundial, a olhar o Índico. Ainda para mais onde desde há uma década o estado português estabeleceu um dos seus pólos de cooperação, o que teria facilitado alguma pequena intervenção. 

 

Agora voltei à Ilha, à qual não ia desde 2012. O edifício está mais arruinado. E dos vários símbolos antes existentes já só este sobrevive. É um requiem pelo Sporting Clube da Ilha de Moçambique? Talvez nem tanto. Mas é o fim de uma oportunidade bonita do sportinguismo. Pois há sempre quem prefira discutir a bola na barra num qualquer jogo dos sub-não-sei-quantos.

Visto de Maputo

 

Tenho estado por estes dias em Maputo, Moçambique, onde o derby do próximo domingo já mexe. Não há conversa de salão, taberna ou balcão onde não se fale de dois temas em matéria de futebol: o jogo da Luz e o regresso de Nani. Sim, o regresso de Nani. Por aqui o luso-cabo-verdiano é considerado uma estrela maior e não se dão ouvidos aos comentadores de bancada que o arrasaram e nos apoucaram só porque o camisola 77 falhou um penalty no seu regresso a Alvalade. Aqui o Nani é craque, dão-lhe muito valor e miúdos e graúdos não falam de outra coisa quando o tema é o futebol português.

 

Ilustro esta pequena nota de Maputo com uma fotografia de 1960 do Sporting de Lourenço Marques, onde alinhava na altura um jovem chamado Eusébio. Lembrei-me disto porque ontem, ao regressar de Marracuene, onde participei numa feira de atividades económicas, deparei-me com uma conversa típica de portugueses fora de casa. Os meus companheiros de viagem estavam todos divertidos a tentar convencer o nosso motorista, de seu nome Eusébio, a mudar do "outro clube" para o Sporting, em troca de uma camisola oficial verde e branca. Tentado, o jovem acabou por ceder e parece que, mesmo sendo maior e vacinado, vai mudar de clube. Nem que seja por uns dias, enquanto a comitiva cá está. A "estória" vale o que vale e não é sequer motivo para falar muito mais do passado. Só serve para termos a noção de que aqui, como em todo o lado, somos tão grandes ou maiores do que o "outro clube". Não precisamos de conquistar os fracos de espírito, precisamos de vitórias e de ter sempre em mente este lema: "Esforço, Devoção e Glória, eis o Sporting Clube de Portugal".

A Dois Passos de Bucareste e a Três do Mónaco

Enquanto em Portugal as vozes se fatigam a falar da influência real dos comentadores jornalísticos e televisivos no desenrolar dos jogos de futebol (como é normal num povo sob as trevas da superstição, subordinado à crença nos feitiços) as gentes mais racionalistas de Maputo preocupam-se com a economia. E também nós, no Núcleo Sportinguista de Moçambique. O crescimento da riqueza, o actual galopante progresso económico trouxe alterações. E ficámos desprovidos da nossa e confortável sede, devido ao exponencial empolamento das rendas. As notícias são boas, os nossos industriosos dirigentes (que não são antigos sipaios, sabe-se-lá-como enriquecidos) estão prestes a anunciar um novo, e até icónico, local. Entretanto, para amanhã, as hostes sportinguistas a sul do rio Save congregar-se-ão em múltiplos locais. Mas parte substancial estará aqui, na belíssima estação dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique, na baixa de Maputo. A dois passos de Bucareste e a três do Mónaco ...

 

Por isso mesmo comer-se-á, beber-se-á, sofrer-se-á. Em comunhão. E quanto a conversas, que muitas as haverá, serão de bola, futebol... Não da tralha que lhe querem associar e que a tantos distrai. Lá longe.

Jantar Sportinguista em Maputo

Bruno Carvalho, sócio que se candidatou a presidente do clube, está em Maputo. Hoje, sábado às 20 horas, o Núcleo Sportinguista de Moçambique acolhe o visitante organizando um jantar de sportinguistas no conhecido restaurante Escorpião (na Feira Popular), ele próprio propriedade de renhidos adeptos. O cardápio não será oposicionista, com toda a certeza. Mas falar-se-á do clube, suas venturas e desventuras. Eu proponho uma entrada: a necessidade do clube ter uma política mais activa relativamente às transmissões televisivas dos seus jogos europeus para os países africanos. Pois é inaceitável que os jogos do Sporting, tanto os (saudosos) da Liga dos Campeões como os da Liga Europa sejam sistematicamente preteridos nas retransmissões em África, nos canais de cabo e nos abertos.

 

E já nem falo da possibilidade de retransmissão pela RTP-África (com sinal fechado para Portugal) dos jogos do campeonato nacional, algo possível, e bem mais importante do que os pequenos interesses africanos das ZONS e similares.

 

Uma velha questão que não tem colhido eco nas várias direcções do clube. Distraídas quanto às possibilidades de crescimento das simpatias clubísticas neste universo, em enorme expansão. Como se excêntricas à globalização do adeptismo. Pode ser que Bruno Carvalho se deixe avisar e ecoe em Portugal essa "linha de trabalho".

O Sporting da Ilha de Moçambique

 

Cada vez que vou à Ilha, a mítica Omuhipiti, de lá trago um novo registo da arruinada sede do Sporting da Ilha, ainda que assim casa sem adversários naquela cidade Património. Nisto é já década e meia que vou acompanhando o lento esvair do verde daqueles leões, mas que sempre insistem em resistir às intempéries e à partida dos que os instalaram. E por isso mesmo protegendo aqueles que ali insistem em jogar à Sporting. De quando em vez, no campo mesmo ao lado. Esta pálida grandeza, quase como intemporal, é de agora mesmo, o primeiro de Janeiro deste ano.

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