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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (8)

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ADIÓS, ARGENTINA

 

Chegámos ao verdadeiro Campeonato do Mundo - aquele em que cada jogo é de tudo ou nada. Aumenta a emoção, redobra o espectáculo, ressurge o genuíno futebol de acelerada rotação em busca da vitória.

Ingredientes bem notórios esta tarde, em Kazan, na partida que opôs a Argentina, finalista vencida do Mundial de 2014, à França, finalista vencida do Europeu de 2016. Talvez a melhor já disputada neste Mundial da Rússia. Com sete golos marcados e uma justa vitória dos franceses, com menos posse de bola mas melhor dispositivo táctico e muito melhor organização colectiva.

 

A selecção gaulesa adiantou-se no marcador logo aos 13', com um penálti convertido por Griezmann: a estrela do Atlético de Madrid não vacilou na linha dos 11 metros. Os argentinos, numa toada lenta e previsível, tardaram a reagir. Foi preciso um lance de inspiração individual para reacender a chama: iam decorridos 41' quando a turma alviceleste empatou, com um fortíssimo remate de Di María, fora da grande área.

Ao intervalo, 1-1: resultado lisonjeiro para os argentinos. Mais ainda contra a corrente do jogo foi o segundo golo da selecção treinada por Jorge Sampaoli, numa jogada de insistência de Messi com a bola a tabelar em Mercado: o lateral do Sevilha, sem saber bem como, viu-a encaminhar-se para o fundo das redes.

A Argentina parecia ter virado o jogo. Mas a partir daí desenrolou-se o espectáculo do futebol francês. Com três grandes golos em 11 minutos. O primeiro aos 57' pelo jovem lateral Pavard, em estreia absoluta na fase final de uma grande competição, com um petardo indefensável a mais de 20 metros de distância da baliza, apanhando a bola no ar,  após cruzamento perfeito de Lucas. O segundo aos 64', por Mbappé, numa movimentação rapidíssima dentro da área, libertando-se das marcações e fuzilando Lloris. O terceiro aos 68', também por Mbappé, coroando um fabuloso lance colectivo que envolveu seis jogadores com a bola ao primeiro toque - destaque para uma diagonal desenhada por Matuidi e para a primorosa assistência de Giroud.

Os argentinos ainda reduziram, no terceiro minuto do tempo de compensação, por Agüero - que ficou no banco, tal como Higuaín, e só entrou aos 66'. Demasiado tarde para discutir o resultado num desafio em que os gauleses se impuseram desde logo pelo seu magnífico trio do meio-campo (Matuidi, Kanté e Pogba).

 

Messi regressa a casa com apenas um golo marcado na Rússia - frente à Nigéria. Hoje ajudou a construir o segundo e assistiu Agüero no terceiro. Fez ainda um grande passe para Pavón, aos 38', no corredor direito. Pouco mais se viu. No confronto com Cristiano Ronaldo, fica desde já a perder.

A França, ao vencer pela primeira vez a Argentina na fase final de um Mundial, transita para os quartos. Os argentinos caíram, imitando os alemães, vencedores do Mundial em 2014 e agora excluídos na fase de grupos pela primeira vez na sua história.

O futebol continua a ser uma caixinha de surpresas. Daí o seu irresistível e perdurável fascínio: ainda permanece sem rival.

 

Argentina, 3 - França, 4

Na Rússia, com William

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Nunca duvidei um só momento que estaríamos no Campeonato do Mundo de Futebol na Rússia, onde seremos cabeça-de-série.

Desta vez nem precisávamos de fazer contas: era só uma questão de tempo até vermos o passaporte carimbado. E assim foi, ontem à noite, no triunfo por 2-0 frente à Suíça que nos reconduziu ao primeiro lugar do grupo, coroando uma série de nove jogos da equipa das quinas sempre a vencer.

 

Desta vez nem foi preciso Cristiano Ronaldo fazer o gosto ao pé, tendo protagonizado até um dos momentos mais caricatos do desafio, mesmo ao cair do pano, quando João Mário o isolou e ele foi incapaz de superar a isolada oposição do guarda-redes suíço - em contraste com Messi, que marcou três na deslocação da Argentina ao Equador, virando o resultado do jogo, após os anfitriões se terem adiantado no marcador, e qualificando in extremis a sua selecção para o Mundial.

Pior sorte tiveram a Holanda e o Chile, que ficaram de fora.

 

Este Portugal-Suíça não foi um jogo épico, longe disso. E só um autogolo dos nossos adversários, aos 42', abriu caminho para a vitória. Mas dele retive, sobretudo, algo que não esquecerei: o estádio da Luz em peso a aplaudir o nosso William, aos 49' e aos 56', sublinhando com toda a justiça dois lances de virtuosismo técnico do nosso capitão que fascinou e empolgou quem lá se encontrava.

Aplausos merecidos. E de excelente augúrio para o Mundial da Rússia.

E em Portugal?

A justiça espanhola tem vindo a apertar o cerco à evasão fiscal no futebol, que durante décadas passou impune. Sem poupar sequer os grandes astros da modalidade.

Lionel Messi foi condenado - com sentença já transitada em julgado - por defraudar a administração tributária em 4,1 milhões de euros. Por sua vez, Cristiano Ronaldo está a ser ouvido num inquérito a propósito da suposta fuga ao fisco num valor de 14,7 milhões de euros relativos a direitos de imagem.

Impõe-se a pergunta: quando terá a justiça portuguesa oportunidade ou coragem para investigar todos os contratos dos jogadores de futebol profissional?

'La Pulga' também falha

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 Foto: David Fernández/EFE

 

Não sei se você viram. Eu dei-me ao incómodo de ficar acordado madrugada adiante para assistir à final da Copa América, disputada entre a Argentina e o Chile, apitada por um ridículo árbitro brasileiro que fez tudo para ser protagonista do encontro. Um jogo vibrante, de luta acesa, com as duas equipas a querer ganhá-lo - tanto que dois jogadores foram expulsos, um de cada lado (o argentino foi o nosso bem conhecido Rojo, galardoado com o cartão vermelho aos 41').

Apesar da intensidade e da velocidade, o nulo manteve-se no tempo regulamentar, forçando o prolongamento. Aqui uma defesa do outro mundo do guardião Claudio Bravo - uma das melhores que já vi até hoje em muitos anos como espectador de futebol - voando aos 99' para desviar um cabeceamento de Aguero manteve intactas as aspirações do Chile, com Arturo Vidal, Eduardo Vargas e Alexis Sánchez igualmente em grande nível.

 

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 Minuto 99: Bravo salva o Chile

 

Vieram então os penáltis. Vidal, primeiro chamado a converter, atira com insuficiente pontaria, permitindo a defesa de Romero. Segue-se Messi, com toda a Argentina suspensa do seu pé esquerdo. E o que sucedeu então? O astro do Barcelona dispara... por cima da baliza. Na hora da verdade, falhou.

O Chile conquistou assim com mérito o seu segundo troféu consecutivo. O mesmo troféu que escapa desde 1993 à selecção argentina, campeã desde então das finais perdidas. Já lá vão sete: quatro vezes na Copa América (2004, 2007, 2015, 2016), duas na Taça das Confederações (1995 e 2005) e uma no Campeonato do Mundo (2014).

Há quem lhe chame maldição. O facto é que Messi, o incomparável Messi, o "melhor do mundo" na opinião de muitos portugueses, falhou. E apressou-se a declarar que não voltará a vestir a camisola da equipa argentina: "A selecção acabou para mim."

Mero amuo momentâneo ou promessa para cumprir? O tempo dirá.

Enquanto a questão não se esclarece, aqui ficam os merecidos parabéns ao Chile. E fica também esta final como registo para todos os nossos compatriotas - e são demasiados, na minha perspectiva - que adoram menosprezar Cristiano Ronaldo, empolando cada pequeno falhanço do melhor jogador português de sempre enquanto se derramam em elogios a Messi, como se 'La Pulga' fosse infalível.

Mas não é.

Figo, Figo... o que foi não volta a ser, decididamente

A propósito destas declarações que nos chegaram ontem. 

"Eu tive a felicidade de jogar no meu tempo com grandes jogadores, tanto na minha equipa como contra, possivelmente melhores do que Cristiano e Messi"

Eu despedi-me de Luís Figo no dia 10 de junho de 95, sei porque foi na final da Taça com o Marítimo. Despedi-me no  Jamor e ainda em Alvalade quando fomos ao estádio, mais tarde, no mesmo dia. Também me despedi de Balakov, mas foram despedidas diferentes. Sempre vi no Figo pressa no salto lá para fora, mas não só isso, havia um voltar de costas iminente que veio a confirmar-se com atitudes e comentários ao longo dos anos.
Ele saiu e todos sabemos o que foi depois disso. E eu quis continuar a gostar do Figo do pós-Sporting, na selecção onde toda a gente gostava de o ver, e que belo capitão, ai que low profile tão espectacular (eu própria achava isto) e era cada vez menos fácil. Do jogador, da corcunda pré-finta, do sobrolho franzido antes de decidir um jogo, gostei sempre muito, não havia como não. Do homem, talvez não tenha acompanhado de perto o suficiente, é mais que provável que tenha muitas qualidades e feito muitas coisas bem feitas, mas cada declaração que chega é mais um desapontamento. Também sei que já tem torcido pelo primeiro lugar do Sporting, mas já não me convence. Mau feitio meu, talvez. 
O Figo não tem de ser do Sporting, pode até celebrar golos marcados ao Sporting, já se sabe que todos somos Charlie e cada um é livre de celebrar os golos de quem quer. O que o Figo não pode esperar (e não espera certamente) é que essas coisas nos sejam indiferentes.
Eu percebo o que Figo diz ao falar de ter jogado com os melhores. Percebo que ache - não que ele o tenha dito - um histerismo o que se vive em torno de Ronaldo e Messi. Meço por amigas, por exemplo: poucas sabiam quem eram Rivaldo, Matthaus, Nedved (todos bola de ouro) e todas sabem quem é Messi. Todos quantos não acordámos só agora para o futebol sabemos como o nível de pop star dos jogadores tem aumentado, como se não se está com um parece que tem de se estar com o outro e que todos os outros estão muito longe. Não estão assim tanto, todos sabemos.

Que o Figo não tenha paciência para histeria e pense "grande coisa, eu joguei com o Zidane e o Ronaldo", eu percebo, esteve numa esfera superior e não tem de ver como um comum mortal estas coisas. Mas cai-me mal na mesma, já não é a primeira vez que se manifesta assim directa ou indirectamente com Ronaldo. Em anos em que Messi ganha a Bola de Ouro não vejo tanta indignação, mas posso ser eu que preciso de óculos. Tem direito à sua opinião, como eu tenho à minha sobre ele. E com pena, não é a melhor já há algum tempo. 

Os votos de CR e Messi

Na votação para Bola de Ouro, em cada ano, participam os seleccionadores e os capitães dos países ou territórios membros da FIFA, podendo cada um votar em três jogadores.

Por curiosidade, fica o registo das votações de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, na qualidade de capitães das selecções de Portugal e da Argentina:

Cristiano Ronaldo - Sergio Ramos, Gareth Bale, Karim Benzema

Lionel Messi - Angel Di Maria, Andres Iniesta, Javier Mascherano

A maior anedota

Verifico agora que, no onze ideal do Campeonato do Mundo elaborado por uns supostos "técnicos" da FIFA, figura aquele que foi um dos mais desastrados defesas centrais do certame, responsável directo por vários golos sofridos pela selecção brasileira: David Luiz.

Uma autêntica anedota que cobre ainda mais de ridículo o organismo máximo do futebol à escala mundial. Ainda por cima neste onze não figura aquele que para a FIFA - e só para ela - foi o melhor jogador do Mundial: o apático e apagado Lionel Messi, vulgarizado nas decisivas partidas contra a Holanda e a Alemanha.

Para tornar tudo ainda mais risível, o próprio Blatter vem agora manifestar estranheza pelo troféu concedido ao argentino pela própria instituição a que preside. Uma genuína palhaçada. Compreendo muito bem a reacção de Thomas Müller quando lhe pediram um comentário a esta ridícula "Bola de Ouro" (reproduzo aqui na versão espanhola): «No me importa esa mierda. Somos campeones del Mundo, usted puede meterse el Balón de Oro en el culo."

Lendo os outros

Alexandre Borges: «Messi não foi o melhor jogador em quase nenhum dos jogos que disputou, mas foi o melhor jogador do Mundial. Messi passou ao lado de grande parte dos jogos, mas, caramba!, viram com que classe passou ao lado? Messi fez coisas extraordinárias. Andou, respirou e até se deu ao trabalho de, no fim de 120 minutos, subir a escadaria para ir receber o prémio. Pela cara, não percebeu bem o que estava a acontecer. Nós também não. Mas, por uma vez, tive vontade de ver Suárez morder alguém. Não a Messi, que não deve saber a nada. Mas a quem lhe deu o prémio.»

 

Francisco Seixas da Costa: «Saber perder é uma arte. (...) Ontem, Lionel Messi, com uma iniludível "cara de frete", não soube comportar-se à altura de um capitão da equipa que titulava, numa demonstração de falta de sangue frio, perante a adversidade desportiva que tinha obrigação de saber enfrentar. Não se lhe pediam sorrisos, pedia-se urbanidade e educação, perante os que o saudavam com admiração. Messi comportou-se como um miúdo mimado, a quem tiraram o brinquedo que achava ser seu.»

 

Maria Ribeiro: «Ganhou a melhor selecção, que apresentava o plantel mais equilibrado e com mais soluções. Ganhou o melhor modelo de jogo, a melhor táctica. Ganhou a máquina alemã, com uma veia goleadora quase assustadora. Hoje ganhou o futebol. E o Messi ganhou o prémio de jogador do torneio. Perdeu o futebol de James, Robben ou Müller.»

 

Mr. Brown: «A política da FIFA entrou em acção: Messi melhor jogador do Mundial quando só na sua equipa, para não ir mais longe, Mascherano esteve muitos furos acima, é delirante. Mas aconteceu e compreende-se: esta FIFA de Blatter idolatra Messi da mesma forma que desprezava Maradona. Ele não tem culpa, mas isso é uma das coisas que por vezes leva-me a irritar com o anão argentino: nem precisa tocar na bola e já é o melhor do mundo.»

 

Dá vontade de vomitar

Como o Edmundo já salientou aqui, foi caricato o troféu entregue pela FIFA a Lionel Messi, como melhor jogador de campo do Mundial de 2014. Logo ele, que na final contra a Alemanha se revelou um dos mais apagados intervenientes.

Em termos individuais, não tenho a menor dúvida: Robben foi o melhor jogador deste Campeonato do Mundo (acabou por ficar em terceiro na escolha da FIFA, após Messi e Müller). Mas na própria Argentina não era nada difícil encontrar quem mais merecesse ser distinguido do que o capitão da equipa. O excelente médio defensivo Javier Mascherano, por exemplo.

Decisões destas só desvalorizam futuros prémios e desacreditam ainda mais o organismo presidido pelo senhor Blatter. Por uma vez Maradona acertou em cheio ao protestar: "Querem que Messi ganhe algo que não ganhou."

No decisivo confronto contra a selecção germânica, Messi voltou a vomitar. Como se já previsse que lhe dariam o mais imerecido troféu da sua carreira. Apetece seguir-lhe o exemplo.

A ver o Mundial (24)

O Argentina-Bélgica, disputado esta tarde em Brasília, pareceu sempre um jogo entre duas equipas pertencentes a campeonatos diferentes. Talvez por isso, nunca foi uma partida empolgante. Os argentinos, muito calculistas e em permanente gestão de esforço, voltaram a contar com Lionel Messi em boa forma. Em três ou quatro jogadas, o astro do Barcelona fez novamente a diferença. Na jogada de construção do golo solitário da vitória, por exemplo. Messi ganha a bola no meio-campo, rodopia três vezes sobre si mesmo baralhando por completo as marcações belgas, desfaz o nó com um passe bem medido para Di María e este coloca a bola na melhor posição para Higuaín marcar.

Iam decorridos apenas oito minutos. Foi quanto bastou para a Argentina tirar o pé do acelerador e gerir a vantagem. Magra, mas suficiente para atingir as meias-finais. Como diz o outro, quem quer espectáculo que vá à ópera. Aqui houve maturidade táctica, bom entendimento colectivo e pouco tempo efectivo de jogo: as interrupções foram sucessivas e fizeram-nos sentir saudades dos desafios da fase de grupos, emocionantes e com a melhor média de golos registada desde o Mundial de 1970.

Mesmo poupando esforço, os alvicelestes viram-se privados de Di María, por lesão: o madridista não voltará a jogar no Campeonato do Mundo. Péssima notícia para os apreciadores do genuíno talento futebolístico sem olhar a cores de clubes. Oportunidade para Enzo Pérez, que hoje finalmente saiu do banco para mostrar o que vale na selecção.

A Bélgica prometia muito mas ofereceu pouco. Foi bem batida pelos ex-campeões mundiais, que se limitaram a cumprir os mínimos e tardam em mostrar o seu melhor futebol neste Campeonato do Mundo. Acontecerá isso na meia-final de quarta-feira? O melhor é esperarmos. Sentados.

 

Argentina, 1 - Bélgica, 0

A ver o Mundial (11)

Afinal o onze alemão não é nenhum papão: rima e é verdade. Isso ficou bem demonstrado esta noite, em Fortaleza. O Gana impôs um empate à selecção germânica e poderia mesmo ter saído vencedor do estádio Castelão: faltou-lhe um pouco mais de maturidade táctica.

O resultado acabou por ser lisonjeiro para os jogadores comandados por Joachin Löw. Porque em grande parte do encontro - designadamente nos primeiros 45' - os ganeses foram superiores. Em velocidade, em articulação colectiva, em ambição competitiva. No meio-campo muito bem povoado.

A Alemanha apresentou-se demasiado lenta e previsível, revelando algum cansaço. Parecia ter fé de que a vitória lhe sorriria a qualquer momento, sem necessidade de transpirar muito. Pura ilusão. A rapidez, a combatividade e a técnica individual dos ganeses surpreenderam os germânicos e empolgaram o público nas bancadas, claramente a puxar pela equipa que veio de África.

 

É certo que competia aos ganeses a iniciativa do ataque: uma derrota afastava-os irremediavelmente do Mundial. Isso podia tolhê-los, mas não: foi um repto que funcionou como motivação acrescida para esta selecção, talvez a melhor do continente africano.

Alerta, Portugal: não vai ser nada fácil derrotar os ganeses, até porque também precisarão de vencer para seguirem adiante. Por este motivo, entendo mal que Paulo Bento estivesse a dar uma conferência de imprensa em Manaus à mesma hora a que decorria o Alemanha-Gana. Não seria muito mais útil acompanhar o jogo em directo?

 

Nos 45 minutos iniciais, o melhor alemão foi o guarda-redes Neuer. Isto diz tudo sobre o desempenho da equipa, incapaz de criar uma oportunidade de golo apesar dos esforçados sprints de Özil.

A segunda parte foi empolgante - do melhor que tenho visto neste ou em qualquer outro Mundial (e é já o 11º que acompanho, jogo a jogo). Com dois golos quase consecutivos do Gana (marcados por Ayew e Gyan) que viraram o resultado. O espectro da derrota, após a goleada imposta a Portugal, forçou Löw a tirar do banco a sua arma secreta: Klose. Que dois minutos depois, na primeira vez em que tocou na bola, marcou o golo do empate. O seu 15º golo em fases finais de campeonatos do mundo, em que participa desde 2002. Acaba, portanto, de igualar Ronaldo na lista dos melhores marcadores de sempre.

Há momentos que decidem a sorte e a sina de um desafio. Este foi um deles.

 

E regresso a Portugal: é necessário aproveitarmos da melhor maneira os pontos fracos que os africanos revelam - alguma inconsistência defensiva, aliás bem patente na forma como a Alemanha marcou o primeiro golo, com Götze a movimentar-se como quis entre os centrais. Naquele espaço, Cristiano Ronaldo pode fazer o mesmo. Ou melhor.

Atenção também ao corredor direito ganês, cujo lateral é Afful, um defesa que não parece vocacionado para incursões ofensivas.

Mas antes há que derrotar os Estados Unidos: é já amanhã. Um passo de cada vez.

 

....................................................................

 

À tarde, em Belo Horizonte, ocorreu um escândalo e ia acontecendo outro no Argentina-Irão.

O quase-escândalo foi o zero a zero registado aos 90 minutos: os argentinos deixaram-se surpreender pela muralha defensiva da selecção do Irão, comandada por Carlos Queiroz, e sofreram alguns calafrios em lances de contra-ataque fortuito dos adversários. Um nó quase cego que acabou por ser desfeito pelo único argentino capaz de fazer a diferença pelo seu talento insuperável: Lionel Messi. Aos 91', aproveitando a única nesga de espaço que lhe foi concedida em todo o encontro, disparou um golo indefensável, perfeito tanto em técnica como em força. Um golo que apetece ver e rever. O segundo do astro do Barcelona, após o da vitória tangencial contra a Bósnia-Herzegovina.

O escândalo verdadeiro foi mais um penálti que ficou por marcar. Um penálti claríssimo, contra a Argentina.

Cumpriu-se o ritual, em dose dupla. De novo a equipa prejudicada foi a considerada mais fraca. De novo um erro escandaloso do sérvio Milorad Mazic, o mesmo árbitro que já tinha feito vista grossa ao derrube em falta de Éder na grande área alemã. Queiroz queixou-se. E com razão.

Felizmente, apesar dos árbitros incompetentes, este continua a ser um bom Mundial.

 

Alemanha, 2 - Gana, 2

Argentina, 1 - Irão, 0

 

Messi: dois jogos, dois golos

A ver o Mundial (4)

Os limites óbvios da excelência individual num desporto colectivo ficaram esta noite bem patentes ao minuto 65 do Argentina-Bósnia-Hergezovina. Um jogo em que a teia colectiva - de ambos os lados - prevaleceu sobre o génio individual, excepto no lance que originou o golo da vitória tangencial dos argentinos, protagonizado pelo suspeito do costume: Lionel Messi. Conduzindo a bola para onde quis, em fracções quase milimétricas de terreno, por uma vez o astro do Barcelona conseguiu libertar-se da marcação cerrada e rematar com o seu magnífico pé esquerdo para o buraco da agulha.

 

Houve duas partidas numa só. Na primeira parte, em que abdicou dos laterais para formar um tridente defensivo como parece estar a tornar-se moda neste Mundial, o seleccionador argentino sofreu diversos calafrios ao reparar nos bósnios demasiadas vezes em zonas de perigo. Nunca me lembro de ter visto o nosso Marcos Rojo tão adiantado: jogou como médio ala, funcionando por vezes quase como um extremo.

O alarme soou cedo, mas as alterações tácticas só surgiram no segundo tempo, já com o quarteto defensivo recomposto, o que aliviou a pressão bósnia, e o ataque refrescado (uma selecção que se dá ao luxo de ter Higuaín 45 minutos no banco e nem pôs Enzo Pérez a fazer exercícios de aquecimento tem tudo para ser temível).

 

As mudanças operadas pelo seleccionador Alejandro Sabella produziram efeito: a Argentina, mais precatada e calculista, tomou as rédeas da partida e não voltou a largá-las, mesmo após ter sofrido o golo bósnio. Um golo caricato, que Romero revisitará a partir de agora nos seus piores pesadelos cada vez que recordar a bola a passar-lhe debaixo das pernas e a dirigir-se tranquilamente para a linha de golo sob o olhar impotente do infeliz guardião.

Rojo foi uma das figuras da partida, com as virtudes e defeitos que bem lhe conhecemos. Partiu dele o remate que originou o primeiro golo argentino, após tabela num defesa bósnio, Kolasinac, iam decorridos apenas três minutos. E foi também ele o único argentino contemplado com um cartão amarelo - castigo que o levou a ser menos impetuoso. É ainda muito jovem, tem tempo de sobra para adequar os nervos ao talento e tornar-se um futebolista de primeiríssimo plano. Jogue em que posição jogar.

 

Tendo como palco o espectacular Maracanã reconstruído para o Campeonato do Mundo, este desafio deixou igualmente bem evidentes os condicionalismos climáticos do torneio: mesmo realizado já ao cair da noite (a partir das 23 horas em Portugal), o jogo deixou de disputar-se com a intensidade física anterior quando faltavam ainda vinte minutos para chegar ao fim.

Demasiado calor, demasiada humidade, demasiada tensão. Questiono-me como ocorrerá o embate desta tarde, em Salvador, entre portugueses e alemães a partir das 13 horas locais...

 

Argentina, 2 - Bósnia-Herzegovina, 1

 

Messi na jogada do golo contra a Bósnia-Herzegovina

Messi

 

Messi, mais uma vez e, quanto a mim, com toda a justiça, foi considerado o melhor do mundo. Trata-se de um jogador único. Lembro-me de os ver jogar e de os considerar de outro planeta Beckenbauer, Cruyff, Van Basten, Platini, Zidane, Raul, Maradona e mais alguns, não apenas criadores ou marcadores de golos, mas, igualmente, defesas e guarda-redes como Franco Baresi e o também nosso Peter Schmeichel. Mas Lionel Messi causa-me uma impressão única, tenho a sensação, quando o vejo jogar, de que estou a assistir a algo de irrepetível, ao génio de um criador sem paralelo na história do futebol. Quase tudo o que faz se aproxima da perfeição. Tem uma qualidade técnica inigualável, faz passes que desafiam a imaginação, uma certeza no remate, de variadíssimas posições, que é raríssimo ver e, sobretudo, uma capacidade ímpar de fazer a equipa organizar-se e jogar. Quando a bola lhe chega aos pés, tudo é possível, nunca sabemos se dali vai sair um passe letal para algum sítio que só ele não tinha considerado inesperado, seguindo uma trajectória que mais ninguém imaginara. Os seus pontapés parecem teleguiados e este ano até de cabeça conseguiu dar um ar da sua graça.

 

No futebol, em minha opinião, é, repito-o, único e, pensando nas grandes estrelas de outros desportos, pelo menos daqueles que eu ao longo dos anos tenho acompanhado com mais interesse, dificilmente consigo encontrar na minha memória, tanto quanto este tipo de comparações for legítimo, nomes que, a meu ver, possam rivalizar com ele. Eddy Merckx, Michael Johnson, Carl Lewis, Michael Jordan, Michael Phelps? É, de facto, preciso ser quase perfeito.

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