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És a nossa Fé!

Ajax

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Rejubilei com a magnífica vitória do Ajax (resumo aqui). Meu clube, não por aqui no Benelux (quem se lembra ainda deste acrónimo?) - vi o jogo num canal flamão  (como aqui dizemos flamengo) no qual os locutores exultavam, naqueles seus sons tão africanderes, com o desenrolar do resultado. Mas porque me fiz adepto de futebol no tempo do seu expoente máximo, décadas depois subalternizado por esta economia de futebol totalmente desequilibrada, a da concentração dos clubes nas mãos dos oligarcas internacionais. 

Há pouco aqui evoquei a época em que me fiz adepto de futebol, a de 1971 que me tornou fiel ao Sporting e, lá (então muito) longe, um pouco ao Barcelona e ao Arsenal, devido a belas vitórias televisionadas, quando os jogos na tv eram bem raros. A mesma época em que o Ajax encetou o trio de taças dos campeões europeus (e o Feyennord tinha ganho na época anterior), com uma equipa fabulosa, da qual ainda tenho de cor alguns nomes - Krol, Haan, Hulshoff, Suurbier, Neeskens, Stuy na baliza, Rep, Muhren, um centrocampista magnífico, Keizer - o tio do nosso, que era um excepcional jogador. E o maior mestre do futebol mundial, Johan Cruyff, um jogador monumental, que comandou essa equipa e a selecção "laranja mecânica" que devia ter sido bicampeã mundial (ele já não participou em 1978 pois já num problemático ocaso de carreira), refez o Barcelona como jogador e depois viria a refazê-lo como técnico, nisso deixando como legado o clube destas últimas décadas - e o ciclo internacional Guardiola, também. Sim, o Ajax ainda viria a ser campeão em 1995, muito já em contra-ciclo no cada vez mais hierarquizado mundo do futebol, com uma bela e jovem equipa com jogadores (Litmanen, Seedorf, de Boer, Kluivert, Davids, Overmars, e o veterano Rijkard que não jogou pelo Sporting) que marcaram uma era no futebol europeu.

Mas o encanto, a paixão mesmo, e nisso o júbilo de ontem, vem-me daquelas transmissões a preto-e-branco, de som roufenho de há quase 50 anos. Estou velho, não há dúvida. E como quase todos os velhos fiquei resmungão. O que faltou ontem? O equipamento

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Espero que na final possam jogar (e ganhar) com as suas cores. Espero mesmo e muito, a torcer (ainda vou a Amsterdão no caminho, se me sobrarem umas moedas).

Da derrota do horrível Real (sem Cristiano a gente já pode dizer isto) muitos dirão que lhe falta o CR7. Decerto que sim. Mas ao ver o jogo de ontem uma coisa salta à vista. As caras de putos (felizes) de tantos dos jogadores do Ajax (blindados com Blind, claro) e o ar maduro (se calhar uma média etária 5-7 anos superior) dos do Real. Zidane soube sair, percebeu o fim de ciclo e anunciou-o. Renovar uma equipa tricampeã é difícil e o Real vacilou nisso, e algo borregou - por melhor que seja o belga Courtois será que o problema do Real estaria na baliza?

O CR7 também o terá percebido. O seu ocaso também está a chegar, e ele está a enfrentá-lo com uma grandeza extraordinária. E nisto tudo, ontem pensei na nossa selecção. O "engenheiro  de Paris" estará consciente de tudo isto, e mais o deve ter apreendido ontem, se tal lhe fosse ainda necessário. E terá que o enfrentar, e parece está-lo a fazer. Mas enquanto o CR7 carbura e bem (e o nosso Patrício se afirma ainda mais), vêm-se chegar jogadores com as tais caras de putos, Dalot, os centrais do Benfica (e outros que poderão explodir, que em centrais é costume surgirem surpresas), Ruben Neves como jogador de excepção, este João Félix - e Sanches, se o Benfica usar a fortuna que vai agora fazer para o resgatar e o entregar a Lage que o conhecerá (sim, digam lá mal do sportinguista que louva o Benfica). O monumental Bernardo Silva, essa pérola que desperdiçámos Rafael Leão que tem tudo para ir aos céus, se tiver cabeça, aquele Jota que brilha na pérfida Albion, talvez Gelson se Jardim ... Temos Ajax na casa pátria.

Tê-lo-emos no nosso Alvalade?

Em Tondela foi amargo…

Faz por esta altura 25 / 26  anos, andava eu no 2º ou 3º ano da faculdade, fui almoçar a casa de uma pessoa amiga a Tondela. Tinha sido imposto a essa amiga a ideia de que eu gostava particularmente de coisas doces. Fomos muito bem recebidos, por ela, pelos pais, o almoço foi agradável até à altura da sobremesa: mousse de chocolate.

Esta amiga gabava particularmente a mousse de chocolate que a sua mãe fazia e, tendo-lhe sido imposta essa ideia sobre mim, disse para a senhora sua mãe ser generosa da dose. E foi!

Confesso que nunca uma mousse de chocolate me foi tão intragável como aquela e, sentindo-me na obrigação de não fazer desfeita alguma aos anfitriões, lá fui comendo a contra-gosto e mentindo… dizendo que sim a mousse de chocolate era saborosa!!!

10 de Junho de 1990

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foi o dia em que pisei pela primeira vez o relvado do estádio José de Alvalade. Dia de sonhos cumpridos. Lá fui, bem acompanhado, mas para nos encontrarmos com tantos amigos, que era dia de geração. "Então como combinamos?", muitos me perguntaram, sabendo-me habitual no estádio, mas nas bancadas, para que indicasse eu pontos de referência. Que "entra-se para o relvado" (quem é que vai ver Stones e se senta na bancada, francamente ...!) e "vai-se para o sítio onde o Oceano joga", a todos indiquei. "Onde é?", perguntavam. "Em todo o relvado, claro", que a gente logo se encontraria. E encontrámos. Para ver o Kiff, the Riff, ali na minha frente, na então anunciada última digressão dos Stones (há 28 anos!). E o Jagger, que hoje faz ... 75 anos! Uff, ambos, estes Glimmer Twins, quais Cristianos Ronaldos do rock n'roll. E viva o Oceano, o todo-o-relvado, sempre!

A caça e as touradas

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Judas "arremete de novo" contra Cintra e também contra Peseiro. Já aqui o referi, no dia da assembleia-geral Judas afirmou na TV que os resultados seriam aceites e que deixaria de haver polémica, em nome da unidade sportinguista. Mas é mais forte do que el@(s). Agora diz que Cintra e o treinador são psicopatas.

 

Peseiro porque gosta de touradas. Nunca vi uma tourada ao vivo, não tenho qualquer paciência mas torço o nariz aos adversários, até porque a sensibilidade para com os direitos dos animais e para com as formas como pensamos e sentimos a natureza estão muito para além disso. (Um dia escrevi sobre isso, deixo a ligação - tem uma dimensão política, excêntrica a um blog desportivo, mas espero não ofender nenhum sportinguista). Mas botar que um aficionado é um psicopata, enfim, é uma patetice.

 

Pela caça não tenho qualquer apreço, principalmente pela "caça grossa". Que um tipo vá caçar um coelho para o levar para a panela, ainda vá que não vá. Duas décadas de África deram-me contacto com caçadores - os da tal "caça grossa". E que torna o fenómeno mais complexo. Não percebo mesmo, e já tentei, que tipo de erecção é que um tipo tem quando atravessa meio-mundo, gasta uma pipa de dinheiro, e vai com uns guias, profissionais, com uma arma excelente, dar um tiro num animal soberbo. Se é para andar no mato, "perder-se" na natureza, porra, andei que me fartei e não precisei de matar um bicho. Se é para o "caçar", desatento, frágil? Nem é preciso grande máquina fotográfica ... Se é para a tal erecção, caramba, há por aí Cialis, Viagra, Furunbao. E decerto que genéricos. (Devem ser tomados com acompanhamento médico. E os jovens não os devem usar, não sejam parvos, esperem pela vetusta idade e vivam com o que têm enquanto têm). Ou um bocadinho de imaginação. Para além daquilo da companhia adequada. Mas, enfim, cada um como cada qual.

 

Pois há outra dimensão. Neste mundo em que os homens são (muito) piores do que os gafanhotos, tudo devastam, as coutadas são uma forma de preservar nacos de natureza onde a fauna bravia pode sobreviver. Alguns exemplares são abatidos, a peso d'oiro, como forma de manter os empreendimentos. É a triste realidade possível. E como tal, como em quase tudo, o radicalismo (chamar psicopata, por exemplo) não serve de nada, e é falsário - quem caça em coutadas, como Cintra, não mata animais em vias de extinção, paga para a sua preservação. Eu não simpatizo, não compreendo o afã, contribuiria, se tivesse dinheiro, de outra forma. Mas não se minta. Que é o que Judas faz.

 

Mas não pude deixar de me rir quando li esta judiaria de Judas contra Cinta. Pois em Moçambique conheci um grande caçador, já falecido, irmão mais velho de um muito querido amigo meu (também ele fervoroso sportinguista). O Rui era um caçador profissional, ainda do tempo colonial, nado e criado no centro do país, e fez vida disso. Conduziu caçadas com gente celebérrima, pois Moçambique era nos anos 1960s e 1970s um lugar crucial desse turismo e a caça era atractiva, não era socialmente mal vista: os astronautas (então verdadeiras estrelas), a nobreza europeia, actores (e actrizes) de Hollywood. Para mais o Rui era um verdadeiro homme à femmes, um enorme galã, nisso com um historial extraordinário. Uma verdadeira personagem de romance, houvesse quem o soubesse escrever. Depois da independência partiu para outros países, caçou na América, em África, uma vida recheada, aventurosa. Cheia. E na última década de vida regressou à sua terra, onde acalentou o projecto de estabelecer um pequeno parque natural. Continuava, já septuagenário, uma personagem apaixonante. Não era muito falador, para isso estávamos lá nós, o que condizia com o perfil, homem do  mato, andarilho, sedutor, enfim, parcas palavras mas marcantes, como convém a uma genuína imagem de marca.

 

Contava ele que um dia caçara com o Cintra - ele nem sabia bem quem fosse o homem, que de futebol nada sabia e de Portugal pouco mais. Já não sei se na Guiné se na África do Sul. E dizia ele, às gargalhadas, que o Cintra era lixado ("fodido" era o termo que usava). Pequenino, num frenesim de arma na mão. Chegava ao sítio e nem queria perder tempo, disparava a tudo o que tinha direito, até era perigoso, nunca tinha a arma quieta. E ao contar aquilo, nós, que conhecíamos o Cintra público, e tudo aquilo se adequava à personagem, bem que ríamos, à gargalhada, o sacana do Sousa Cintra aos tiros, frenético em África, desajeitado ... A gente ri(a)-se mas aquilo não é ser psicopata ... É ser Sousa Cintra.

 

Grande Rui Quadros. Um abraço à memória dele. E à sua queridíssima família.

Checos com cobertura

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Conhecedor, suavemente irónico, profissional de mão-cheia das coisas do jornalismo e da locução televisiva, Rui Tovar deixou saudades. E há, como acontece aos grandes do seu ofício, frases que ficaram como suas marcas. Uma dessas é a tirada deliciosa, num jogo qualquer a que teleassisti, talvez de selecção, "deixaram um checo sem cobertura". 

É dele que hoje me lembro, pois o que quero para o jogo de daqui a bocado é que "os checos tenham cobertura". Pois se assim for, o resto virá por si.

 

O avô David e o Piedade

O meu avô David nasceu na Quinta do Altinho na Cova da Piedade. Viveu, toda a sua vida, entre a Cova da Piedade e o Laranjeiro/Feijó. Foi aí que cresceu, que se fez homem, que casou, que teve filhos e que acabou por falecer.

O meu avô adorava futebol. A minha avó costumava dizer que se ele encontrasse dois miúdos a jogar com uma bola de trapos no meio da rua ficava parado a assistir e o meu pai diz que ele sabia tudo sobre o desporto rei. Conhecia os clubes, os jogadores, os treinadores, as tácticas... tudo o que possamos imaginar!

O meu avô era do Sporting! Tal como o meu pai, como eu e como o meu irmão. Os Nunes da Piedade são todos do Sporting! Mas o meu avô também era do Piedade. E era precisamente aos jogos do Piedade que o meu avô costumava ir ao Domingo. É que o Desportivo, como dizia a minha avó, não era a segunda casa do meu avô David, era a primeira! Foi no Piedade que ele jogou, foi no Piedade que ele foi dirigente, foi no Piedade que, segundo as melhores informações, ele chegou até a ser roupeiro.

O Piedade é um clube pequenino da Margem Sul. Não é como o Setúbal, o CUF, o Barreirense ou o Amora. Nunca andou pela primeira divisão. Tem um estádio pequeno e poucos sócios e adeptos. Graças ao investimento estrangeiro conseguiu, já esta década, chegar à segunda divisão. Não sei se já tinha andado tão acima nos campeonatos nacionais, talvez nos anos sessenta ou setenta.

Não cheguei a conhecer o meu avô David. O meu avô, para além de morrer cedo, morreu de causas invulgares: o meu avô morreu de amor. O meu avô faleceu a assistir, como fazia todos os Domingos, a um jogo do Piedade. É por isso que amanhã, tal como o avô David que não conheci, para além do Sporting também sou do Piedade.

 

O meu Sporting...

Recebi um amável convite do Pedro para participar neste espaço. Confesso que fiquei relutante, pois falar em público - assim vejo estes espaços - nunca foi o meu forte. A formalidade do tal acto inibe-me, imagino-me como no poema “Na praça pública” de José Régio:

 

“Subi ao púlpito negro

Por minhas mãos levantado;

Levantado

Por minhas mãos esgarçadas...

E, da tribuna mais alta,

Arrepelando os cabelos,

Gritei à malta:

 

- «Camaradas...!

 

«Eh, camaradas...! ouvi,

«Que vou dizer-vos quem sois,

«Pois vou dizer-vos quem sou.»”

 

(Adivinhando o que vem no final)

 

“Então,

Parei, sentindo risadas

Entre aqueles que me ouviam.

 

E as suas caras diziam:

- «Que charlatão!»”

(in: Poemas de Deus e do Diabo. 2002. pp. 61, 65)

 

Correndo esse risco, aceitei.

Sendo este um espaço de sportinguistas, claro que se fala deste clube com dedicação, com devoção, da glória e... naturalmente, porque somos um clube de homens (politicamente, nos dias que correm, convém acrescentar) e mulheres, fala-se também dos defeitos.

Mas agora não!

 

Sendo este o meu texto inicial, falo-vos, em homenagem ao maior sportinguista que eu jamais conheci - o meu pai, da primeira vez que vi o Sporting jogar.

Tinha eu sete anitos, foi o jogo de final de época e de consagração do Sporting como campeão nacional na época de 1979-1980.

Nesse dia, finais de Maio ou início de Junho, recordo a minha mãe acordar-me às 5 e pouco da manhã e perguntar-me, como sempre, preocupada: - Tó, tu não queres ir, pois não?

- Claro que vou. Respondi.

Era a única criança dessa viagem, os outros eram, para além do meu pai, os seus sócios e o contabilista. A viagem de Coimbra a Lisboa foi feita na carrinha que a pequena empresa tinha: uma Mini de cor branca.

Desse dia, para além do jogo, recordo o almoço que um dos sócios do meu pai quis que fosse em Cacilhas, uma caldeirada para eles e para mim, não me lembro, talvez algo mais do apetite de uma criança de sete anos. Para azar desse sócio do meu pai no prato da sua caldeirada tinha (desculpem) alguns cabelos. É claro que isso originou uma outra... caldeirada, como não podia deixar de ser.

O jogo.

O jogo foi visto no peão Estádio de Alvalade, espaço que antecedeu a Bancada Nova. Confesso que não tenho memória do resultado, o google diz que foi 3-0. Recordo-me sim da invasão de campo que houve no final, de ver muitos jogadores com os seus equipamentos assaltados: o Eurico... e de o meu pai me dizer que eu tinha pisado o relvado do Estádio de Alvalade: a única vez que o fiz.

Dessa equipa recordo o Manuel Fernandes, o eterno Manuel Fernandes, o meu ídolo de criança, de sempre...; o Jordão, sim o magnifico Jordão; o Manoel, pela estranheza do nome; o Ademar; o Vaz; o Meneses; o Inácio; o Lito, não o Litos, esse aparecerá mais tarde, fui vê-lo ainda júnior jogar, juntamente com o Futre na Figueira da Foz.

 

Depois, claro, na medida das possibilidades, houve mais jogos...

Bons tempos, tempos de meninice, em que muitas vezes, como diz a canção, andava de camisola verde.

 

 

Obrigado Pedro!

Como se o golo fosse só para nós

Aos olhos de um miúdo, não há melhor escola para aprender a ver futebol do que as tardes passadas nos estádios em companhia do pai. Aconteceu comigo. Ainda hoje recordo os nomes de futebolistas antigos que o meu pai ia desfiando enquanto víamos as partidas ao vivo, as histórias que me relatava a propósito dos desafios de outros tempos e as noções tácticas e técnicas do jogo que me ia passando nesses momentos irrepetíveis.

As modas mudam muito, mas certas tradições vão-se mantendo. Para um garoto destes dias, continua a ser emocionante ter a oportunidade de ver ao vivo os jogadores que figuram nas cadernetas de cromos, relíquia que persiste em acompanhar cada menino, temporada após temporada, no decurso das gerações.

 

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Já era assim no meu tempo. Já era assim no tempo daqueles que me antecederam. Ainda hoje recordo a emoção que senti ao conseguir um autógrafo do Jacinto João após um jogo da Taça UEFA contra o Arad da Roménia à saída dos balneários do estádio do Bonfim. Juntei o autógrafo ao cromo do jogador, craque do Vitória de Setúbal, juntamente com o José Maria, o José Mendes, o Guerreiro, o Octávio Machado e o José Torres. E foi com imenso orgulho que o exibi aos colegas da escola.

Além do Sporting, sempre com lugar à parte, outra equipa em destaque nessa caderneta era a da Académica – a equipa dos “estudantes”, como então se dizia. Merecia-me especial admiração, incutida pela arguta pedagogia paterna, por demonstrar que o futebol não era incompatível com os estudos. Com Rui Rodrigues, Rocha, Vítor Campos, José Belo, Gervásio, Manuel António e um tipo que dava nas vistas por ser muito louro. Chamavam-lhe ‘ruço’ e tinha o mesmo apelido que eu. O Artur Correia.

 

Ele e o Rui Rodrigues – um defesa elegante, que cultivava a arte de desarmar sem falta – viriam a decepcionar-me quando se transferiram para o Benfica. Mas fui acompanhando o percurso do ‘ruço’, um lateral de enorme mobilidade, que percorria o corredor direito num constante vaivém e sabia centrar com precisão. Eram dois jogadores que gostaria de ter visto no Sporting.

E acabei mesmo por ver um deles de verde e branco. O Artur, que em 1977 se transferiu para Alvalade. Lá permaneceu três épocas, vencendo a Taça de Portugal em 1978 e sagrando-se campeão nacional em 1980. Um ano de glória, um ano de infortúnio: quatro meses depois do título, jogando já nos Estados Unidos, sofreu um AVC que o afastou para sempre do futebol. Tinha apenas 29 anos. Começava aí uma longa via crucis só agora terminada, quando nos deixou de vez. No ano passado tinham-lhe amputado uma perna – supremo sofrimento para quem, como ele, tão bem jogou futebol.

 

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Artur Correia com a Taça de Portugal conquistada pelo Sporting (1978) 

 

Lembrei-me do meu pai quando soube da notícia da morte do Artur Correia. Porque o último jogo que vi ao vivo com ele, nas bancadas do Estádio Nacional, foi o único em que o Artur marcou com a camisola da nossa selecção. A 1 de Novembro de 1979, num desafio de qualificação para o Campeonato da Europa do ano seguinte.

Recordo-me perfeitamente. Os noruegueses marcaram primeiro, gelando o estádio. A nossa equipa acusou o golo e andou perdida em campo. Até que o Artur pega na bola lá atrás, avança com ela com uma vontade indómita de virar o resultado, ultrapassa todos os adversários e dispara uma bomba a mais de 30 metros da baliza, num remate muito bem colocado. Empatava a partida, a sorte do jogo virava. Viríamos a ganhar 3-1.

Foi um golo do outro mundo: nunca mais o esqueci. Estávamos na curva sul do estádio, um pouco acima da baliza norueguesa. Abracei-me ao meu pai como nos tempos em que ainda colava cromos na caderneta. E ele abraçou-se a mim como se eu fosse ainda o catraio que antes levava pela mão, de jogo em jogo.

Parecia que aquele golo tinha sido marcado só para nós.

 

Iria tornar-me adulto, depois rumei a outras paragens, não regressei com o meu pai ao futebol - nem em pensamento. Até agora, mal soube que o Artur perdera a  última partida no traiçoeiro campeonato da vida.

Voltei a abrir a velha caderneta, desenterrei os autógrafos do pó do arquivo, imaginei-me a falar com uma remota voz infantil. E senti que o Pai me escutava, de polegar erguido, apaziguando todos os meus receios: “Tenho a certeza de que vamos vencer.”

 

Publicado originalmente aqui

O espírito de Vidal Pinheiro

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Qualquer sportinguista sabe que hoje é um dia especial. Há 15 anos fomos campeões num jogo memorável, deitámos 18 anos de angústias cá para fora, invadimos as ruas de todo o país, enchemos praças, subimos a estátuas, corremos na berma da autoestrada, celebrámos no nosso estádio, entrámos relvado dentro, abraçámos os nossos jogadores. Um por um, gritando sempre e bem alto o nome do nosso Sporting. Tenho para mim que a minha geração se divide entre quem esteve e não esteve em Vidal Pinheiro. Desculpem a arrogância da memória, mas eu estive lá. Confesso que nunca me passou pela cabeça só festejar mais um título depois disso, mais uma razão para lembrar o espírito dessa equipa: raçuda, com ganas de ficar na história, espírito de entreajuda, a procurar a sorte quando lhe faltava o engenho, motivadora da curva sul e em comunhão com esta. É isto que nos tem faltado: substituir a ingenuidade dos "talentos" de Alcochete por gente combativa, mostrar raça onde ela parece não existir, jogar todos os domingos como se fosse o último, respeitar os sócios e entrar em cada pardieiro desta liga com eles em campo. Temos infantis a mais em lugar de seniores, temos mimados a mais em lugar de homens, temos tenrinhos a mais em lugar de raçudos. Importa por isso lembrar essa equipa que nos pôs a chorar de alegria faz hoje 15 anos: Schmeichel, Saber, André Cruz, Quiroga e Rui Jorge, Aldo Pedro Duscher, Vidigal, Pedro Barbosa, Ivone de Franceschi, Ayew e Alberto Federico Acosta. E como são 15 anos pensei que a imprensa recordasse isso, tão ciosa que é de efemérides com números redondos. Mas não. Houve quem preferisse lembrar os 21 anos de uma tragédia, menosprezando a nossa data. 

Vinte anos já #DiadoLeão

Era dia de Sporting - Porto e o título podia ser ali decidido. E foi. 

Lembro-me que tinha havido um acidente enorme na noite anterior, na Bafureira, no qual morreram quatro miúdas da minha zona, e eu ainda estava meio atordoada com essa notícia. Falámos nisso a caminho do jogo, ninguém acreditava ainda.

Havia muita gente nas imediações do estádio, havia bastante gente já dentro do estádio. Havia gente por todo o lado. O nosso grupo separou-se, fiquei com o G e outros mais perto da nave, não viamos a 10a de onde estávamos. Demos pelo autocarro do Porto chegar pelo barulho, e no momento seguinte o F estava ao pé de mim, em estado de choque, quase sem voz: "cairam! cairam todos!"

Na altura não nos apercebemos da gravidade, achámos que tinha caído gente mas tudo ía ficar bem. Entrámos e durante o jogo foi-se sabendo mais qualquer coisa. Não havia telemóveis, não nos ocorreu sequer ligar para casa de cada um a dizer que connosco estava tudo bem, também me lembro disso.

Não ficou tudo bem, é sabido. É esta a minha memória desse dia. Esta, e o resultado de 0-1 que deu o campeonato ao Porto, celebrado em campo (dedicado a Rui Filipe, também me lembro). Não é um rancor, é uma memória que não se apaga. 

Alkmaar

Ao contrário do Edmundo, eu vi o jogo. Quer dizer, eu vi o jogo quase todo. Porque na altura dos descontos, retirei-me da sala de televisão. A eliminatória estava perdida. Ingloriamente.

Fechado no quarto, eis senão quando oiço gritos. Berros de euforia. Mais rápido do que o Usain Bolt, regresso à sala de televisão para, como o S. Tomé, ver para crer. Sim, o Sporting tinha marcado e acabado de carimbar a sua presença na final que se iria disputar na sua própria casa. Como tinha sido possível tamanho volte-face? Assim parecido, lembro-me apenas da extraordinária final da Champions, entre Manchester United e Bayern, em Barcelona. Fantástico!

Foi um golo épico, a prenunciar uma série de conquistas épicas nessa temporada. Infelizmente, nada disso aconteceu.

Por isso, e com franqueza, não consigo evocar sem tristeza o golo do Miguel Garcia. Lembrar Alkmaar faz lembrar, dolorosamente, a final perdida em casa, a bola no poste do Rogério e o 3-1 do CSKA logo a seguir. 

Não sabia que Alkmaar ia fazer 10 anos hoje. Mas ontem, curiosamente, enquanto lia as declarações de Mourinho sobre Luís Filipe Vieira, que contra tudo e todos, manteve o perdedor Jesus, para este nas duas épocas seguintes ganhar o campeonato, lembrei-me e muito de Peseiro, o outro treinador que numa semana perdeu campeonato e final europeia. Que teria sido do Sporting se tivesse mantido o seu treinador? É certo que Peseiro ainda iniciou a época seguinte, mas já muito condicionado e foi arrumado ao fim de pouco tempo.

Dez anos depois de Alkmaar, voltam a existir muitas reservas sobre a continuidade do treinador (ainda ontem, no programa Grandes Adeptos, Jaime Mourão-Ferreira dizia que se Marco Silva perder a taça não tem condições para continuar como treinador do Sporting). Será que aprendemos alguma coisa com a nossa própria história?

Sem sumo

 

Tenho uma vaga memória do Argentina'78: talvez dos confetis e do cabelo do Kempes. Lembro-me perfeitamente do Espanha'82: da mascote, uma laranja gordinha, do Itália-Camarões e do Itália-Brasil, das pernas longas do Doutor Sócrates e da classe do Zico. Gostava de esquecer o México'86. Lembro-me das tardes de calor, de ter sempre uma selecção favorita diferente, das edições especiais do France Football, das colecções de cromos e da edição especial da TV Guia com todas as equipas. Eram tempos de frenesim no meu bairro. Jogávamos com os nomes dos jogadores favoritos e sabíamos literalmente tudo o que havia para saber sobre cada um dos jogadores. Chegámos a jogar com uma bola Tango novíssima que acabou ingloriamente dentro do cemitério de Benfica. Ontem, dei por mim a pensar o quanto me divertia a ver os mundiais quando Portugal não estava lá.

Bartali e o Paraíso

 

Inspirado por mais algumas discussões sobre a legitimidade de sepultar no Panteão Nacional este ou aquele cidadão, fui, à semelhança do que tem acontecido com tantos e tantos militantes de tais escolhas, seus opositores ou simplesmente curiosos, consultar a lei que disciplina a matéria. Dispõe o artº 2º da Lei nº28/2000, de 29 de Novembro, que

 

       1 — As honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.
          2 — As honras do Panteão podem consistir:
              a) Na deposição no Panteão Nacional dos restos mortais dos cidadãos distinguidos;
              b) Na afixação no Panteão Nacional da lápide alusiva à sua vida e à sua obra.

 

Quem quiser realmente ler o que a lei determina e não se dispuser a ser enganado pela confusão induzida por mais um exemplo de pontuação desleixada, verificará facilmente que os restos mortais de um desportista profissional só poderão ser depostos no Panteão se, não tendo ele exercido altos cargos públicos, não tendo prestado altos serviços militares, não se tendo distinguido na expansão da cultura portuguesa ou na criação literária, científica ou artística, se, não se tendo notabilizado em nenhum destes domínios, tiver marcado a defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade. Como é claro, nada disto tem remotamente que ver com a importância popular de quem lá repousar, com a sua resistência na memória colectiva ou com a projecção de Portugal no mundo. Estes factores assumirão, quando muito, alguma relevância se a personalidade de que falarmos puder ser incluída numa das categorias previstas na lei. 

 

Tal regime fez-me procurar desportistas susceptíveis de preencherem os critérios enunciados e, naturalmente para mim - peço desculpa pela insistência num nome provavelmente desconhecido da maioria dos leitores - o pensamento dirigiu-se, de imediato, para Gino Bartali, não que este grande campeão pudesse figurar no Panteão, já que, entre outros motivos menos óbvios, não era cidadão português, mas porque me veio à memória o que sobre ele, para além do que já sabia e me fora transmitido pelo meu pai, seu grande admirador, li no Malomil, num post a que já me referi em texto anterior

 

Bartali morreu em 2000, com 86 anos. Mas deixava também uma história só muito tarde revelada. Durante a guerra, sem Giro para correr, treinava-se na estrada, passando com facilidade as patrulhas alemãs. Mas o treino era muitas vezes ficção. Fazia parte de uma organização de apoio aos judeus. Transportava, escondidos na bicicleta, documentos para fazer passaportes falsos. Terá contribuído para salvar 800 judeus. Tem um lugar na Álea dos Justos, em Jerusalém.

       Jorge Almeida Fernandes
 
Gino Bartali ganhou por várias vezes o Giro e o Tour, entre muitos outros troféus, e a sua rivalidade com o também extraordinário Fausto Coppi tornou-se lendária. Mas não foram os pedais, foi o modo como, chegada uma hora decisiva, escolheu usá-los, foi o seu contributo para a defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade, que lhe permitiram uma ascensão muito mais gloriosa do que as das duríssimas montanhas da sua velha Itália. 

O terceiro mais comentado do ano

Acabo de saber: este foi o terceiro postal mais comentado do ano que agora acaba, em todos os blogues inseridos na plataforma Sapo. Versando não um tema do presente mas um assunto pertencente a um passado já remoto, quando a televisão era a preto e branco e o detentor máximo do poder político se envolvia sem pudor nas questões do futebol, vetando transferências de jogadores para o estrangeiro.

Confirma-se, de algum modo, que somos um povo com irreprimível tendência para a nostalgia.

Tinha esta memória adormecida, lembrei-me dela hoje

Só para nos situarmos, não que gostemos de nos lembrar, foi no Benfica - Sporting de 2005. O da semana que não aconteceu. Do Luisão e do Ricardo, esse. Estamos situados, adiante.

Combinei com um amigo, o João, ir ver o jogo ao Alvalaxia e assim foi. No meio de muita gente à espera de boas noticias que nunca chegaram, procurámos um lugar sentados. Vagou mais um lugar e sentou-se um senhor ao meu lado. Assim estivemos a ver a primeira parte.
Não sei precisar o momento, talvez tenha sido no intervalo, altura em que ainda deu para conversar um pouco. O meu vizinho do lado começou a falar connosco. Se eramos sócios, se tinhamos lugar e onde. Disse-lhe que sim e na sul. Respondeu-me que pagava três lugares, o dele e os dos dois filhos. Que tinha continuado a pagar o do mais velho apesar de tudo. Não olhava para nós enquanto falava pausadamente, frase a frase, como se se voltasse a convencer, a reconstituir tudo. O filho tinha morrido num desastre não há muito tempo. Continuou a pagar o lugar, "o Sporting era tudo para ele". Não me lembro de mais detalhes do que me disse. Ainda falou do filho um bocado, mas eu sentia-me minúscula perante este horror, ouvi-o e talvez tenha balbuciado uma ou outra palavra de conforto mas apagou-se-me quase tudo da memória. Ficou-me que continuava a pagar o lugar. Como se deixar de o fazer fosse o perder definitivamente a memória do filho, como se fosse a ultima coisa que como pai podia fazer.

Este fim-de-semana há derby!

 

Foi, provavelmente, o mais impressionante jogo a que assisti na vida. Sofremos, e muito, durante quase todo o jogo. Durante a maior parte do tempo pareceu que estávamos à beira do precipício. A lampionagem avançou no marcador e por volta da meia hora de jogo o estádio parecia que vinha abaixo.

De repente uma bola do Moutinho na barra! Tudo mudou a partir daí! Uma cavalgada impressionante, através de um ritmo avassalador onde todas as jogadas pareciam poder dar golo! Nem todas as bolas entraram mas a verdade é que marcámos cinco golos! Foram vinte cinco minutos inacreditáveis de raça, de entrega, de dedicação! Esta emoção inigualável faz de um Sporting versus benfica o maior jogo de futebol do mundo!

Padre Alberto Neto

 

Hoje, em conversa com um amigo, lembrei-me do Padre Alberto Neto. Não, em primeiro lugar, a propósito do Sporting, antes dos nossos tempos do Pedro Nunes. Foi aí que o conheci, como professor de Religião e Moral, naquela época disciplina obrigatória e, diga-se em abono da verdade, bastante menos nociva e maleficente do que, já então, mas, principalmente, alguns anos mais tarde, muitos viriam a acusá-la. Nalguns casos, admito que poucos, de que fui testemunha, a matéria era, pelo contrário, pretexto para debates, reflexões e tomadas de consciência que propiciavam uma abertura de espírito e um conhecimento do mundo muito mais vastos do que superiormente  se pretenderia.

 

O Padre Alberto Neto foi um bom exemplo da capacidade para  despertar em adolescentes o gosto pela interrogação, pelo hábito de questionar, pela dúvida salutar e construtiva e pela curiosidade de saber. Não só nas aulas, mas também numa série de actividades paralelas que  promovia e dirigia com grande habilidade e tacto, o Padre Alberto, ao leccionar uma disciplina aparentemente pouco propícia a grandes cometimentos pedagógicos, até porque não atribuia nota relevante para a média,  conseguiu exercer uma influência mais duradoura e sólida do que alguns professores encarregados de disciplinas com outro peso curricular. 

 

A história da intervenção cívica do Padre Alberto Neto, a nível, pelo menos, de um conhecimento público mais alargado, ficou essencialmente marcada pela sua participação nos acontecimentos da Capela do Rato, de que era capelão, ocorridos na passagem de 1972 para 1973 e que desempenharam um importante papel na luta dos católicos nesse tempo conhecidos como progressistas contra a guerra colonial.

 

O Padre Alberto estendeu entusiasticamente a sua actividade ao desporto e ao Sporting, pelo qual tinha uma enorme paixão. Embora não possa dizer que ele tenha tido algum relevo no nascimento do meu sportinguismo, já que este me tinha sido incutido pelo meu pai e constituía, como continua a constituir, uma espécie de herança e marca familiar, o arrebatamento leonino do Padre Alberto, lembro-me bem, era um orgulho para mim e para muitos colegas, a quem, na figura de um professor tão ou mais ferrenho do que nós, se revelava uma personagem modelar e inspiradora. Depois de sair do Pedro Nunes encontrei-o poucas vezes. Continuava a lembrar-se de mim, como, de resto, de um grande número de alunos, e nessas ocasiões falámos sempre do Sporting, com a habitual exaltação.

 

No princípio dos anos 70, o Padre Alberto Neto foi dirigente do Sporting, tendo sido responsável pelo futebol juvenil, pela formação, como hoje se diria e, no seu caso, seria particularmente adequado, e, também, tanto quanto me lembro, pelo futebol profissional, no tempo de João Rocha.

 

O Padre Alberto foi assassinado, com um tiro, em 1987, na zona de Setúbal. A sua morte permanece, passado tanto tempo, um enigma, mas o exemplo que nos deixou de cidadão, pedagogo e dirigente desportivo é um legado que não será fácil esquecer.

 

 

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