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És a nossa Fé!

Andámos para trás vários anos

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«Fez esta semana um ano sobre o momento mais negro da gloriosa história do Sporting Clube de Portugal. Um ataque ignóbil às próprias instalações e jogadores do clube, com a complacência dos então órgãos sociais, seguindo-se uma inenarrável sequência de actos que puseram em causa as mais elementares regras de funcionamento de uma instituição. Dividiu-se o clube, os adeptos, foram causados incalculáveis danos patrimonais, na imagem e reputação do clube. Andámos para trás vários anos e vimos os nosos rivais distanciarem-se de novo em termos financeiros e desportivos, depois de um investimento significativo (e incomportável) na equipa de futebol profissional. Um clube mais pobre, fragilizado e dividido foi a herança recebida por estes órgãos sociais. A memória colectiva sabe-se que é efémera, mas a minha não é.»

 

Samuel Almeida, na edição de ontem do jornal O Jogo

O 15 de Maio... de glória!

«Na véspera, a 14 de Maio de 1964, Morais (na foto, em pontapé acrobático) tinha sonhado que daria a vitória ao Sporting na finalíssima da Taça das Taças frente aos húngaros do MTK de Budapeste, na marcação de um canto directo. De resto, o antigo jogador confessou a premonição ao DN, há semanas. No dia seguinte, o sonho tornou-se real.

A equipa leonina era capitaneada por Fernando Mendes, que levantou o troféu em Antuérpia, Bélgica. Neste conjunto de atletas também pontificavam outros nomes, casos de Carvalho, Pedro Gomes, Alexandre Baptista, José Carlos, Hilário (não jogou a final, devido a lesão), Pérides e Osvaldo Silva, entre outros. Há 41 anos, o Sporting conquistou o seu primeiro triunfo numa competição europeia de futebol.

Anselmo Fernandez, arquitecto, era o treinador do clube de Alvalade na época. Mascarenhas, Figueiredo, Geo e Dé foram os restantes quatro jogadores que integraram o onze inicial leonino. O dia 15 de Maio de 1964 ficará ligado, para sempre, à história do futebol português.

O 'CANTINHO DO MORAIS'. O êxito europeu do Sporting, materializado com o famoso "Cantinho do Morais", viria a ser "imortalizado" no disco lançado na altura, aproveitando o relato radiofónico da jogada, feito por Artur Agostinho, então em trabalho para a Emissora Nacional. A música, que resulta do golo decisivo apontado por João Morais, era interpretada por Margarida Amaral.»

In.: Diário de Notícias

 

P.S.: Relembrado ontem pelo nosso leitor «Leão de Queluz»

 

À 28ª jornada, hoje e um ano antes

À 28ª jornada temos 61 pontos, 56 golos marcados e 28 sofridos. Em 2017/2018, com o mesmo nº de jornadas somavamos 65 pontos, com 53 golos marcados e 18 sofridos.

Nesta época temos 19 vitórias, 4 empates (Benfica, Porto, Vitória Setúbal e Marítimo) e 5 derrotas (Braga, Portimonense, Vitória Guimarães, Tondela e Benfica). Até final da época ainda jogaremos com Aves (f), Nacional (f), Vitória Guimarães (c), Belenenses (f), Tondela (c) e Porto (f) ou seja, 4 jogos fora e 2 em casa. Na passada, nesta altura tínhamos 20 vitórias, 5 empates (Moreirense, Porto, Braga, Benfica, Vitória Setúbal) e 3 derrotas (Estoril, Porto e Braga), e até final do campeonato, ainda perderiamos 5 pontos em resultado do empate caseiro com o Benfica e daquela malfadada derrota com o Marítimo, tendo acabado o campeonato em 3º lugar, com 78 pontos (24V, 6E e 4D - 63GM e 24GS).

Factos comparativos:

Temos este ano mais 2 derrotas e menos 1 empate, mais 10 golos sofridos e apenas mais 3 marcados; entre clubes temos o empate no Marítimo vs a derrota na época transata, mais as derrotas com Portimonense, Vitória Guimarães,Tondela e Benfica (acresce o Estoril que desceu), quando o ano passado haviamos ganho esses confrontos (com exceção do Benfica que empatamos);  nesta época, sendo matematicamente possível, dificilmente atingiremos a mesma pontuação de 2017/2018, com 78 pontos mas provavelmente alcançaremos a mesma posição, o 3º lugar.

Este ano não será, em  termos de resultados, muito diferente. Se vencermos a Taça de Portugal até será melhor. Mas o clube está ainda em processo de resgate do trauma a que foi sujeito desde aquele triste e inesquecível dia de maio de 2018. Percebe-se nas redes sociais, nas bancadas, em conversas, que há muito por fazer, muito para sarar e muito trabalho para nos reerguermos. O tempo urge mas nada se faz num dia, exceto destruir. Apesar de tudo estamos aí, na luta, com o futebol e as modalidades. Sem desistir. ATÉ AO FIM! 

Esforço, Dedicação, Devoção, Glória!

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Comparar

 

Em 2013/14, à 25.ª jornada, seguíamos na segunda posição, com 57 pontos. A 7 do Benfica e com mais 8 do que o FC Porto. Com 47 golos marcados e 17 sofridos. Treinador: Leonardo Jardim.

 

Em 2014/15, à 25.ª jornada, seguíamos na terceira posição, com 53 pontos. A 12 do Benfica e a 8 do FC Porto. Com 46 golos marcados e 22 sofridos. Treinador: Marco Silva.

 

Em 2015/16, à 25.ª jornada, seguíamos na segunda posição, com 59 pontos. A 2 do Benfica e com mais 4 do que o FC Porto. Com 49 golos marcados e 15 sofridos. Treinador: Jorge Jesus.

 

Em 2016/17, à 25.ª jornada, seguíamos na terceira posição, com 51 pontos. A 12 do Benfica e a 11 do FC Porto. Com 47 golos marcados e 26 sofridos. Treinador: Jorge Jesus.

 

Em 2017/18, à 25.ª jornada, seguimos na terceira posição, com 59 pontos. A 8 do Porto e a 3 do Benfica. Com 49 golos marcados e 16 sofridos. Treinador: Jorge Jesus.

 

Em 2018/19, à 25.ª jornada, seguimos na quarta posição, com 52 pontos. A 8 do Benfica, a 8 do Porto e a 3 do Braga. Com 49 golos marcados e 27 sofridos. Treinadores: José Peseiro, Tiago Fernandes e Marcel Keizer.

 

Sete meses depois

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Há sete meses exactos, o Sporting bateu no fundo. Qualquer reflexão que possa hoje fazer-se nunca poderá escamotear este dado factual.

Parece ter sido muito mais tempo atrás, mas a verdade é que só decorreram sete meses. A 15 de Maio de 2018, ainda em estado de choque perante o que acabáramos de saber (e não tínhamos visto muitas das imagens mais chocantes, nem havia então qualquer inquérito judicial em curso), percebemos de imediato que uma linha de fronteira fora cruzada. Uma linha que tornava irrisórios todos os debates e todas as fracturas anteriores: entrava-se numa etapa diferente, que pelos piores motivos punha o Sporting nas bocas do mundo do futebol e nada nos augurava de bom. Uma linha que estabelecia um nítido contraste entre um núcleo de valores civilizacionais do qual um cidadão bem formado jamais abdica e a total ausência deles.

 

Um Verão escaldante

Superámos, em larga medida, essa dura provação.

Isto deve-se, desde logo, a um restrito conjunto de sportinguistas que vale a pena nomear. Com destaque para a Mesa da Assembleia Geral, integrada por Jaime Soares, Eduarda de Carvalho e Diogo Orvalho. Este trio suportou todos os enxovalhos, todos os insultos, todas as ameaças - tenaz na sua intransigente vontade de devolver a decisão aos sócios: até este elementar direito esteve para nos ser sonegado. Em paralelo, aos cinco elementos que aceitaram integrar a provisória Comissão de Fiscalização: João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa, Henrique Monteiro e Rita Garcia Pereira. E também, claro, aos membros da Comissão de Gestão que orientou o clube e a SAD leonina naquelas precárias semanas entre a inédita assembleia geral de 23 de Junho que sufragou a destituição do Conselho Directivo e o acto eleitoral de 8 de Setembro.

Por mim, nunca deixarei de lhes estar grato.

 

Regeneração tranquila

Falta, enfim, fazer uma referência a Frederico Varandas, não o primeiro mas o principal pilar desta regeneração tranquila que o Sporting tem conhecido. Sem procurar os holofotes mediáticos, sem declarações rimbobantes, teve o mérito de se propor encabeçar um novo ciclo no clube. Enquanto outros se resguardavam e faziam cálculos, no momento mais difícil, ele deu um passo em frente e declarou-se pronto para o justo combate: havia que reerguer esta centenária instituição de utilidade pública a que nos orgulhamos de pertencer.

Escolheu o melhor dos lemas: "Unir o Sporting". Recebeu uma maioria de votos expressiva em Setembro. Viu o segundo candidato mais votado, João Benedito, endossar-lhe o apoio na própria noite eleitoral - um gesto que só engrandeceu o nosso antigo capitão de futsal, glória desportiva do clube. E nada fez nem disse desde então que traísse o feliz mote que apresentou aos eleitores. Pelo contrário, o Sporting está hoje mais mobilizado, mais coeso, mais unido. Triunfa na frente futebolística, continua a singrar nas modalidades, procura a estabilidade financeira consciente de que haverá novos cabos das tormentas a dobrar no horizonte. 

 

Um lema e um rumo

Não ouvimos de Varandas, nestes três meses, uma palavra que dividisse hostes, apenas frases cirúrgicas destinadas a congregar os sportinguistas. Sem retórica balofa, sem exposição constante, sem qualquer obsessão de arregimentar tropas nem de cavar trincheiras. Desta forma, transformou o benefício da dúvida que muitos lhe deram, tendo ou não votado nele, em apoio declarado e confiante neste último trimestre de 2018. Alguns acusam-no de falar pouco. Mas se havia coisa que sobrava, no Sporting pré-Varandas, eram palavras. No desporto, como na vida, nenhuma meta credível se alcança com incontinência verbal.

Para um clube que há sete meses bateu no fundo, este era o caminho que se impunha. "Unir o Sporting": mantenha-se o presidente leonino fiel ao lema que escolheu para a campanha no mais desolador Verão de que há memória em Alvalade e saberá sempre qual o rumo a seguir. 

Sabia que? - Fernando Puglia

Sabia que Fernando Puglia é um dos 3 jogadores da história do Sporting com pelo menos tantos golos marcados como jogos (>50) efectuados pelo clube? É verdade! Depois de Peyroteo (526 golos em 325 jogos, média de 1,62 golos por jogo) e de Jardel (67 golos em 62 jogos), Fernando Puglia, com 61 golos em 61 jogos, tem a terceira melhor média de golos, inclusivamente à frente do mítico Hector Yazalde, o qual só para o campeonato nacional tem também a média de 1 golo por jogo (104 golos em 104 jogos).

 

Nascido em 23 de Janeiro de 1937, em São José do Rio Pardo (São Paulo), Fernando Puglia iniciou a sua carreira nas camadas jovens do Itobi, passando pelo Casa Branca (o seu pai, Francisco Puglia, foi Prefeito da cidade e o seu irmão, Gaspar, compôs a música do hino do município), até chegar ao Palmeiras, com quem rubricou o seu primeiro contrato como sénior. Aí actuou 3 temporadas, jogando atrás de Mazzola, campeão do mundo em 1958. A seguir, alinhou ainda no Santa Cruz e no São Paulo. Chegou ao Sporting em 1959 e formou uma dupla de atacantes (ele que era originalmente um centrocampista) de sucesso com o "Expresso de Lima", o peruano Juan Seminario. Ambos sairiam em 1961: Seminario para o Saragoça (e mais tarde para o Barcelona), onde aliás logo na sua primeira época se tornou o melhor marcador (Pichichi) do campeonato espanhol, Fernando com destino a Palermo, onde se impôs e ganhou grande destaque (e o epíteto de "Rei") depois dos dois golos que valeram uma vitória (2-4) em Turim, frente à Juventus - ele que já havia marcado ao Inter de Helenio Herrera, treinador que o havia recusado (mais tarde viria a fazer uns particulares pelos "nerazzurri") e a quem, provocatoriamente, foi entregar a bola após o golo - , que aliás lhe viriam a proporcionar uma transferência para a Vecchia Signora, antes de terminar a estadia em Itália jogando pelo Bari. Posteriormente, regressaria ao Brasil, repetindo passagens por Santa Cruz e São Paulo, terminando a carreira no Bangu, clube pelo qual se sagrou campeão carioca. Foi por três vezes internacional canarinho, em 1963, numa época em que o Brasil dominava o futebol mundial.

Morreu em São Paulo, no dia 6 de Abril de 2015.

 

Suspeito que desconhecido para uma larga maioria de adeptos leoninos, Fernando Puglia teve dois anos muito bons no Sporting Clube de Portugal. Hoje trago-o aqui, creio que pela primeira vez na história deste blogue, porque a memória deve ser parte essencial da cultura de um clube.  

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 1959: Fernando com o Rei Pelé, num amigável com o Santos

Treze treinadores em seis épocas

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Falta ao Sporting equilíbrio emocional, como sabemos.

 

Este péssimo hábito de clamar por "chicotadas" face aos primeiros desaires já conduziu às piores injustiças.

Otto Glória, futuro técnico da selecção nacional que brilhou no Mundial de 1966, corrido em 1961/1962. Fernando Mendes com ordem de saída no início de 1980/1981, de nada lhe valendo ter conduzido a equipa ao título. Bobby Robson - futuro campeão pelo FC Porto - posto a andar em 1994, quando a equipa seguia em primeiro. Inácio despachado no começo da temporada de 2000, logo após ter levado o Sporting a vencer o campeonato 18 anos depois. Paulo Bento com patins depois de ter atingido a segunda posição (e a Champions) em quatro anos consecutivos, sempre à frente do Benfica, duas Taças de Portugal e duas supertaças.

E tantos, tantos outros casos.

 

Em seis épocas, entre 2009/2010 e 2014/2015, tivemos 13 treinadores:
- Paulo Bento
- Leonel Pontes
- Carlos Carvalhal
- Paulo Sérgio
- Alberto Cabral
- José Couceiro
- Domingos Paciência
- Sá Pinto
- Oceano
- Vercauteren
- Jesualdo Ferreira
- Leonardo Jardim
- Marco Silva

 

Há quem queira, a todo o momento, reeditar estes péssimos hábitos no Sporting, transformando o clube em cemitério de treinadores.

São pessoas que não aprendem rigorosamente nada com os erros cometidos no passado. 

Avivar memórias

A memória dos adeptos costuma ser curta. Mas convém não abusar.

Anda agora por aí muito boa gente a rasgar as vestes porque o Sporting perdeu em Portimão. Gente já completamente esquecida de outra derrota, ocorrida em Janeiro de 2016, era Jorge Jesus o treinador leonino. Fomos a Portimão, para a Taça da Liga, e saímos de lá afastados da competição num jogo em que sofremos dois golos e não marcámos nenhum. Apesar de contarmos com dois jogadores que daí a seis meses se sagrariam campeões europeus: Willliam Carvalho e João Mário.

Faço notar que na noite deste domingo jogámos com uma equipa remendada, em grande parte formada por suplentes da época anterior. Salin (suplente de Rui Patrício), Ristovski (suplente de Piccini), André Pinto (suplente de Mathieu), Battaglia (suplente de William Carvalho) e Montero (suplente de Bas Dost).

Dadas as circunstâncias, é inútil esperar milagres. Tudo leva o seu tempo a ser construído. Quem não perceber isto, não percebe quase nada.

Convém lembrar

Faz hoje um mês, os sportinguistas votaram em massa para escolher um novo presidente. Houve seis candidatos. Todos declararam alto e bom que iriam manter José Peseiro como treinador da equipa principal de futebol.

Por ironia, o único que defendeu o despedimento de Peseiro foi um sétimo - o candidato que fugiu das urnas. Pelos vistos há hoje quem esteja em sintonia com ele. Foi pena Madeira não ter ido a votos. Talvez Ranieri fosse hoje o nosso treinador e andássemos todos muito contentes.

Um recado às viuvinhas

Na época passada, com um treinador oito vezes mais caro do que José Peseiro, fomos incapazes de ganhar ao Braga.

Empatámos 2-2 em Alvalade, a 5 de Novembro, com um apático Jorge Jesus no banco, mandando sair Bruno César para a entrada de Alan Ruiz aos 89'. O empate surgiu no último suspiro do desafio, graças a um penálti convertido por Bruno Fernandes. 

Melhor, em qualquer caso, do que na época anterior, quando os minhotos vieram a Alvalade vencer por 1-0 na estreia de Abel Ferreira como técnico da equipa principal do Braga após ter sido afastado do Sporting B por Bruno de Carvalho.

Na segunda volta de 2017/2018, fomos à Pedreira perder também por 1-0, a 31 de Março. Com Piccini expulso aos 83' e Jesus, novamente assolado por dúvidas existenciais, a demorar oito minutos a mexer na equipa: só aos 91' entrou Wendel - em estreia absoluta, mais de dois meses após ter sido contratado - a três minutos do apito final, quando quase nada havia a fazer. Enquanto Bruno de Carvalho, no banco de suplentes, escrevia mensagens no Facebook em vez de ver o jogo.

Memória!

Lembram-se do que aconteceu a muitas famílias logo a seguir ao 25 de Abril de 1974?

Ora bem, para quem não tem memória ou não viveu esses momentos, recordo que muitas e muitas famílias ficaram desavindas durante tantos anos, devido às diferentes opções políticas que cada um tomou.

Hoje, na família sportinguista, passa-se precisamente o mesmo.

Lamentavelmente!

Nelson Mandela

No dia em que o sócio de mérito 31118 (em 2013) festejaria 100 anos, a nossa homenagem

 

«Acima de tudo espero que as crianças não percam nunca a capacidade de alargarem os horizontes do mundo em que vivem através da magia das histórias

Nelson Mandela

 

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«Na verdade, na verdade, nem tudo o que vão ouvir corresponde à realidade.»

 

É com estas palavras que os contadores de histórias ashanti iniciam as suas narrativas e elas parecem ajustar-se a servir de introdução a uma antologia como esta, uma vez que muitas destas histórias passaram por inúmeras metamorfoses ao longo dos séculos. Quem conta um conto acrescenta um ponto, e alguns deles passaram de um povo ou grupo étnico para outro.

Uma história é uma história, e podemos contá-la de acordo com a nossa imaginação ou o ambiente que nos rodeia; e se a nossa história ganha asas não podemos impedir que outros se apropriem dela. E pode acontecer que ela um dia regresse, com novas roupagens e uma nova voz. Esta característica peculiar das histórias tradicionais pode ser ilustrada pela forma como os contadores de histórias habitualmente concluem as suas narrativas: «Esta é a minha história, tal como a contei; tenham gostado ou não, levem-na para outros lugares e tragam-ma de volta».

Nesta antologia, algumas das histórias mais antigas de África, depois de terem viajado ao longo dos séculos para lugares distantes, são devolvidas com nova voz às crianças de África. A presente recolha oferece uma mão-cheia de contos de todos os tempos, verdadeiros retalhos da alma africana, mas ao mesmo tempo plenos de universalidade naquilo que retratam dos homens, dos animais e do mundo sobrenatural.

As crianças terão oportunidade de reencontrar alguns dos temas mais acarinhados nas histórias africanas, ou, quem sabe, de os descobrir pela primeira vez. Eis a criatura manhosa que consegue ludibriar toda a gente, mesmo os adversários mais corpulentos: Hlakanyana dos Zulus e dos Xhosa, e Sankhambi dos Venda; a lebre, essa patifória astuciosa; o habilidoso chacal, frequentemente no papel de trapaceiro; a hiena (por vezes associada ao lobo) a fingir-se desprotegida; o leão no seu papel de rei a distribuir benesses aos outros animais; a cobra, que provoca medo, mas simbolizando também o poder curativo frequentemente associado ao poder da água; palavras mágicas que marcam o destino ou assinalam a liberdade, pessoas e animais que passam por metamorfoses; canibais terríveis que apavoram miúdos e graúdos.

Para complementar estes tesouros da tradição, esta recolha inclui também algumas histórias mais recentes provenientes de vários pontos da África do Sul e de outras regiões do continente africano.

Espero que a voz do contador de histórias nunca deixe de se ouvir em África. E que todas as crianças de África possam maravilhar-se com a beleza dos livros. E, acima de tudo, que as crianças não percam nunca a capacidade de alargarem os horizontes do mundo em que vivem através da magia das histórias.

 

NELSON MANDELA

 [no prefácio]

 

 

«A GATA QUE PREFERIU VIVER DENTRO DE CASA

 

Existem muitas histórias que explicam a forma como os cães foram domesticados, mas este conto shona do Zimbabué, contado originalmente na língua karanga ao musicólogo e etnólogo Hugh Tracey, explica a forma como os gatos se tomaram habitantes acarinhados das casas humanas.

 

Há muito, muito tempo existia uma gata, uma gata selvagem, que vivia sozinha no meio do mato. Cansada de viver sozinha, arranjou marido, um gato selvagem que ela considerava o animal mais esperto de toda a selva.

Um dia, seguiam eles a sua jornada por entre o capim, saltou-lhes ao caminho o Leopardo, que derrubou o marido Gato e o atirou para a poeira.

- O-oh! - exclamou a Gata. - Vejo agora que o meu marido está coberto de pó e já não é o animal mais esperto da selva. O mais esperto é o Leopardo.

E a Gata foi viver com o Leopardo.

Felizes, viveram juntos até ao dia em que, andavam eles a caçar no mato, de repente surgiu o Leão que atacou o Leopardo pelas costas e o devorou num instante.

- O-o-oh! - exclamou a Gata. - Vejo agora que o Leopardo não é o animal mais esperto da selva. O mais esperto é o Leão.

E a Gata foi viver com o Leão.

Felizes, viveram juntos até ao dia em que, andavam eles a passear na floresta, surgiu uma sombra ameaçadora por cima das suas cabeças, e - chap-chap - o Elefante pôs uma pata em cima do Leão e esmagou-o contra o chão.

- O-o-o-oh! - exclamou a Gata. - Vejo agora que o Leão não é o animal mais esperto da selva. O mais esperto é o Elefante.

E a Gata foi viver com o Elefante. Montava-se nas costas dele, agarrada ao pescoço junto às suas enormes orelhas.

Felizes, viveram juntos até ao dia em que, andavam eles por entre os canaviais à beira do rio, e - pum!-pum! - ouviu-se um estampido, e o Elefante caiu redondo no chão.

A Gata olhou à sua volta e viu um homem com uma espingarda.

- O-o-o-o-oh! - exclamou a Gata. - Vejo agora que o Elefante não é o animal mais esperto da selva. O mais esperto é o Homem.

E a Gata seguiu o Homem ao longo do caminho até à casa dele, e subiu para o telhado da sua cubata.

- Até que enfim! - exclamou a Gata. - Acabo de encontrar a criatura mais esperta da selva.

Vivia no telhado da cubata e começou a caçar os ratos e as ratazanas que havia na aldeia. Um dia, estava ela no telhado a aquecer-se ao sol, ouviu um barulho que vinha do interior da cubata. As vozes do Homem e da Mulher aumentaram de tom, até que o Homem saiu para o exterior e caiu redondo no meio da poeira.

- Ah! Ah! - exclamou a Gata. - Agora é que eu sei quem é a criatura mais esperta em toda a selva. É a Mulher.

A Gata desceu do telhado, entrou na cubata e sentou-se junto ao lume.

E aí ficou até aos dias de hoje.»

 

In: As mais belas fábulas africanas : as histórias infantis preferidas de Nelson Mandela. 4ª ed. Lisboa : Nuvem de Letras, 2017. pp. 11-13, 23-27

O Sporting – Newcastle (2004/2005)…

 

… terá sido, porventura, o melhor jogo que eu me lembro do Sporting ter feito.

O Sporting partia para o jogo em desvantagem e em desvantagem começava o jogo, tal como o treinador profetizava na véspera. A realidade não era favorável visto que alguns jogadores fundamentais, por várias razões, não estavam disponíveis. Porém, a força do querer dos restantes jogadores sobrepôs-se e o resultado foi aquele sabemos.

 

Creio que o espírito deste jogo, a vontade de vencer, seja o mote para a época 2018/2018… afinal de contas o treinador é o mesmo.

Indigno

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A perpetuação de citações em monumentos deve, por regra, ficar reservada a quem marcou (positivamente) a história.

Aquando da inauguração da estátua da rotunda do leão, achei bastante duvidoso que Bruno de Carvalho merecesse honras de ter o nome e uma frase sua (muito básica, por sinal) gravados de forma perene. Veja-se o bom exemplo, em sentido contrário, por parte do seu homólogo nortenho: Pinto da Costa, a propósito da recusa em designar o novo estádio do Porto por "Estádio Jorge Nuno Pinto da Costa", explicou ser contra os seus princípios baptizar qualquer que seja a obra com o nome do presidente que lidera a equipa que a faça. 

Agora, com todos os tristes acontecimentos que, nos últimos meses, vêm caracterizando o período mais negro da história do Sporting, parece-me claro que, seja já em modo de protesto, seja aquando da sua saída (está escrito nas estrelas), a inscrição gravada na estátua do leão, alusiva a Bruno de Carvalho, deverá ser removida. 

Desculpem-me a franqueza, mas a higienização que será necessária levar a cabo no Sporting também terá de passar por aí.

Outros tempos

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João Rocha, presidente do Sporting Clube de Portugal entre 1973 e 1986.

No seu mandato, o clube ganhou mais de 1200 troféus nacionais e internacionais em todas as modalidades, incluindo 52 Taças de Portugal, oito títulos internacionais no corta-mato e quatro no hóquei em patins. No futebol, durante a sua presidência, o Sporting foi três vezes campeão nacional de futebol e venceu três Taças de Portugal.

O que diria ele agora?

«Medo da assembleia geral»

«Godinho Lopes tem medo da assembleia geral. Isto é indesmentível. É legítimo que queira cumprir o seu mandato, mas também é legítimo que as pessoas o contestem: a democracia diz isso mesmo, não tem outra leitura. Como tem medo de ser destituído, quer protelar a realização desta assembleia.»

Palavras de Fernando Correia, pronunciadas a 22 de Janeiro de 2013, na TVI 24. Palavras que se aplicam como uma luva à situação actual no Sporting: basta tirar nesta delcaração o nome de Godinho Lopes e pôr Bruno de Carvalho, o homem que ameaça impugnar a assembleia geral do próximo dia 23, na desesperada tentativa de calar a voz dos sócios. Exactamente como o seu antecessor procedeu há cinco anos.

Novo porta-voz do futuro ex-Conselho Directivo do Sporting, Fernando Correia subscreverá em Maio de 2018 aquilo que afirmou em Janeiro de 2013?

A história repete-se

Sem uma frase de mea culpa, sem o reconhecimento de um erro, sem um traço de humildade, [o presidente] invoca a sacrossanta "estabilidade do clube" enquanto lança litros de gasolina para uma fogueira que não cessa de arder. Diz não ter medo de "enfrentar os sócios" mas recusa reconhecer que ele próprio é o maior foco de instabilidade num clube que tem sido um contínuo vaivém de treinadores, jogadores e dirigentes desde o início do mandato deste Conselho Directivo. Vem invocar as proezas registadas nas modalidades sem admitir que no futebol profissional o Sporting vive a página mais negra do seu longo e prestigiado historial. Diz que nunca fez promessas, já esquecido das abortadas garantias de "dinâmica de vitória", das "estratégias de internacionalização" jamais concretizadas e do clube "independente da banca" que não passou de miragem, usadas como chamariz eleitoral para captar os votos dos sócios.

Afirma querer unir os adeptos sem reparar que nunca a desunião entre os sportinguistas foi tão notória.

 

De um texto meu neste blogue, datado de 1 de Fevereiro de 2013

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