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És a nossa Fé!

O fraco profeta Vieira

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A 30 de Outubro de 2018, menos de dois meses após o actual presidente do Sporting ter tomado posse, Luís Filipe Vieira avisou, como se tivesse acabado de chegar de Palermo:

«Se meter o Benfica à frente do Sporting, não vai estar lá muito tempo.»

 

Sem sequer perceber, o destituído acabou por fazer um enorme elogio ao presidente do Sporting com estas palavras mafiosas.

E revelou-se fraco profeta. Quem acabou por ficar lá pouco tempo foi ele próprio. Como hoje todos sabemos.

 

Varandas continua. Apoiado pela esmagadora maioria da massa adepta do Sporting e odiado pelos do costume. Que só o tornam mais forte. 

Sporting: 80 anos de troféus em relance

1

Lista dos presidentes do Sporting que se sagraram campeões nacionais:

Joaquim Oliveira Duarte (1941)

Alberto da Cunha e Silva (1944)

António Ribeiro Ferreira (1947, 1948, 1949, 1951, 1952)

Carlos Góis Mota (1953, 1954)

Francisco Casal-Ribeiro (1958)

Joel Pascoal (1962)

Guilherme Brás Medeiros (1966, 1970)

João Rocha (1974, 1980, 1982)

José Roquette (2000)

António Dias da Cunha (2002)

Frederico Varandas (2021)

 

2

Lista dos presidentes do Sporting que conquistaram a dobradinha (campeonato e Taça de Portugal):

Joaquim Oliveira Duarte (1941)

António Ribeiro Ferreira (1948)

Carlos Góis Mota (1954)

João Rocha (1974, 1982)

António Dias da Cunha (2002)

 

3

Lista dos presidentes do Sporting que venceram a Taça de Portugal nas épocas em que o Sporting não se sagrou campeão:

Augusto Barreira de Campos (1945)

António Ribeiro Ferreira (1946)

Horácio Sá Viana Rebelo * (1963)

Guilherme Brás Medeiros (1971)

Manuel Nazareth (1973)

João Rocha (1978)

Pedro Santana Lopes (1995)

Filipe Soares Franco (2007, 2008)

Bruno de Carvalho (2015)

Frederico Varandas (2019)

 

4

Lista dos presidentes do Sporting que viram o Sporting vencer a Taça da Liga nos seus mandatos:

Bruno de Carvalho (2018)

Frederico Varandas (2019, 2021)

 

5

Lista dos presidentes do Sporting que conquistaram a Supertaça:

João Rocha (1982)

Amado de Freitas (1987)

José Roquette (1996)

António Dias da Cunha (2001, 2002)

Filipe Soares Franco (2007, 2008)

Bruno de Carvalho (2015)

Frederico Varandas (2021)

 

6

Lista dos presidentes do Sporting que nunca conquistaram qualquer dos dois principais títulos do futebol em Portugal:

Augusto de Aguilar (1942-1943)

Diogo Alves Furtado (1943)

Gaudêncio Costa (1961-1962)

Homem de Figueiredo (1964-1965)

Amado de Freitas (1986-1988)

Jorge Gonçalves (1988-1989)

José Sousa Cintra (1989-1995)

José Eduardo Bettencourt (2009-2011)

Luís Godinho Lopes (2011-2013)

 

7

Lista dos presidentes do Sporting que conquistaram os quatro títulos e troféus (campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça):

Frederico Varandas (2019-2021)

 

 

* Tem a seu crédito também a Taça dos Vencedores das Taças (1964), maior troféu internacional conquistado pelo futebol leonino

Do revisionismo

A coisa é mais do âmbito da política, mas há quem a queira adaptar a outros campos da sociedade.

Todos nos lembramos da atitude asquerosa do Benfica, quando retirou a foto de Jorge Jesus do painel de vencedores do campeonato, quando este foi descartado e posteriormente assinou contrato com o Sporting. Hoje a foto já deve ter sido restaurada, mas ainda assim a atitude está registada para a história.

História também é que o Sporting Clube de Portugal teve como seu presidente um homem de nome Bruno de Carvalho. Por situações várias que todos reconhecemos, uns mais que outros, uma maioria larga de sócios que meses antes lhe tinha dado a maior maioria de sempre em eleições, entendeu destitui-lo e posteriormente expulsá-lo de sócio.

Falou a vontade da maioria dos sócios e estes são soberanos e justa ou injustamente a decisão foi tomada.

Para o bem e para o mal, Bruno de Carvalho foi presidente do Sporting, para uns muito bem e para outros muito mal, mas faz parte.

Não me parece que faça grande sentido, nem está nos nossos pergaminhos, levar a cabo uma qualquer Revolução Cultural. Não é assim que nos unimos e custa-me, passados quase dois anos sobre a eleição de um outro presidente e CD que finalmente começou a conquistar títulos que nos enchem de orgulho sportinguista, ler, ouvir e ver pessoas a quem um ex-presidente e ex-sócio continua a incomodar tanto.

Para nos afirmarmos diferentes tomámos uma atitude em Democracia. Não resvalemos para o patamar abaixo, é o que se nos exige a todos.

A voz do leitor

«Também lá estava, era a oitava final em que estava presente com o meu Sporting. Três ou quatro filas abaixo dois adeptos discutiram todo o jogo acaloradamente, quase a chegar a vias de facto, se era melhor o Cédric ou o Miguel Lopes, infelizmente estiveram os dois mal neste jogo. Deixaram de discutir no 2-1, aproximaram-se no 2-2 e acabaram abraçados com a vitória.»

 

António Pereira, neste texto do Francisco Melo

A ver o Europeu (5)

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A IMPORTÂNCIA DE TER MEMÓRIA

Há cinco anos, o "grande educador da classe operária", que já consumiu mais tempo de antena do que qualquer outro até hoje e fala com a cadência dos relógios de cuco a dar horas, encarregou-se desde o primeiro instante de profetizar um percurso péssimo à selecção nacional. Talvez porque o seleccionador se chama Fernando Santos e não Carlos Queiroz, seu favorito.

 

Entre os dislates que debitou em antena, anotei estes:

«A selecção nacional está transformada no clube do Ronaldo.»

«Com todo o respeito pelos nossos adversários, a Croácia e a Polónia são boas equipas mas não são testes a sério.»

«Agora, depois das 'tangentes' perante a Croácia e a Polónia, já é tarde para despertar para o 'grande futebol'.»

«Nós não encontrámos até agora um grande adversário.»

«A França é uma equipa que me encanta.»

«A França é uma equipa fresca, que joga um futebol positivo.»

«Esta equipa [País de Gales] cultiva uma certa alegria no futebol e dá gosto vê-la jogar.»

«Nós não fomos melhores que a Croácia, não fomos melhores que a Croácia. A Croácia foi melhor que nós.»

«Eu gostei muito do futebol da Itália e lamento muito que a Itália tenha saído.»

«A Alemanha tem as dimensões todas do futebol. É uma equipa super-equilibrada, com várias soluções, poderosa fisicamente, tecnicamente muito bem dotada, com uma dimensão táctica. Os jogadores alemães são fantásticos.»

«Este é um Portugal que se afasta muito daquilo que tem sido o seu padrão do ponto de vista do comportamento desportivo.»

«Eu só dou grande mérito a Portugal quando ganhar a final.»

«A selecção nacional, na final, foi melhor sem Ronaldo do que com Ronaldo.»

 

Elogios para tudo e todos, excepto para a selecção nacional. Que acabaria por sagrar-se campeã europeia.

Construção antecipada de uma narrativa sempre a pensar no iminente desaire português. Que - para azar do narrador - jamais aconteceu.

Do princípio ao fim, um odiozinho de estimação a Cristiano Ronaldo. Que nesse mesmo ano voltaria a ser eleito melhor jogador do mundo.

Incoerência total face aos argumentos debitados em 2010, quando defendeu Queiroz com unhas e dentes apesar da medíocre prestação portuguesa no Mundial da África do Sul. Ao ponto de, no rescaldo desse certame de tão má memória para nós, ter proclamado esta pérola: «Carlos Queiroz pensa o futebol, em termos de organização, como poucos em Portugal.»

 

Este ano ainda não tive pachorra para ouvir tal pitonisa. Nem sei se ainda pontifica na pantalha. 

Valerá a pena?

Qual dos jejuns custou menos?

É uma pergunta com que eu me debatia com frequência, à medida que o jejum de campeonatos que agora acabou ia avançando, e ano após ano parecia inevitável que acabássemos a igualar o jejum anterior ou mesmo a aumentá-lo em um ano, como acabou por suceder: qual destes dois jejuns custou mais? Qual foi mais difícil de ultrapassar?

Se olharmos para os dados (como está na moda), parece fácil concluir que o primeiro jejum foi mais difícil do que este. Agora foram 19 anos, é verdade, quando anteriormente tinham sido 18. Mas nesses 18 anos tudo o que o Sporting ganhou foi uma taça e duas supertaças. Nestes 19 anos mais recentes o Sporting ganhou quatro taças, três supertaças e três taças da liga (que no jejum anterior não existiam). Tirando aquela supertaça de 1988 (um troféu que conta muito pouco, e a que o Sporting chegou como finalista derrotado da taça de Portugal), foram 13 anos sem ganhar nada: entre 1982 e 1995. A taça de 1995 foi o primeiro troféu importante de que eu me lembro o Sporting ganhar. No jejum de campeonatos mais recente, os jejuns efetivos de títulos mais longos foram, primeiro, de cinco anos (até à taça de 2007) e depois de sete (entre 2008 e 2015). Mesmo assim, creio que o Sporting nunca verdadeiramente se desabituou de ganhar alguma coisa ao longo deste jejum. No primeiro jejum, ganhar um troféu era uma miragem.

Acresce que durante o jejum mais recente o Sporting foi seis vezes segundo classificado, enquanto no jejum anterior havia sido somente três vezes segundo.

Visto assim, parece óbvio que o primeiro jejum custou mais do que o segundo, e talvez tenha custado. Mas de outro ponto de vista este jejum mais recente custou mais: durante estes 19 anos, o Sporting bateu no fundo. Muito mais fundo do que havia batido no jejum anterior. No jejum anterior o Sporting foi por diversas vezes quarto classificado (seis), mas classificou-se sempre para as competições europeias (mesmo por vezes só por um ponto: em 1988 e 1998). Neste jejum, o Sporting foi por três vezes quarto, mas a isso acresceu aquele miserável sétimo lugar, pior classificação de sempre, um recorde (nunca ter ficado abaixo de 5º) perdido, e não qualificação para as competições europeias.

O outro ponto em que o Sporting bateu no fundo neste jejum, bastante debatido e evocado, foi evidentemente a invasão da Academia de Alcochete e tudo o que se lhe seguiu.

Postas assim as coisas, eu já não sei dizer qual dos jejuns terá sido pior. No primeiro a sensação de fracasso era mais permanente. No segundo houve mais momentos de felicidade, mas os momentos de infelicidade foram bem mais dolorosos que no primeiro.

Há uma razão para o segundo custar mais, e provavelmente decisiva. O primeiro grande jejum era o primeiro. O segundo já não era o primeiro. Quando o primeiro jejum acabou esperávamos nunca mais passar por outro igual. Infelizmente passámos logo a seguir por outro, em certos aspetos pior. O que o segundo jejum nos trouxe de pior é que faz-nos temer que talvez este jejum de campeonatos seja o nosso destino habitual, e que os campeonatos ganhos talvez sejam exceções. Não podemos deixar que esta sensação se instale. Para isso não podemos cometer os mesmos erros.

Particularidades do título do Sporting

Como já foi referido, este título do Sporting teve a particularidade de ter sido obtido num ano ímpar. Desde 1953 que o Sporting não era campeão num ano ímpar. O que tem como consequència que desde 1954 (ano em que conquistou o tetra) que o Sporting não é campeão por dois anos seguidos. O bicampeonato tem que ser o principal objetivo para a próxima época, que tem que ser planeada a pensar nisso.

Analisando a história das classificações do Sporting, conclui-se que desde esse ano de 1954, a seguir a um título de campeão segue-se quase sempre um mau campeonato, com classificações abaixo do 2º lugar. A única exceção foi na época de 1971 - 2º lugar após o título de 1970. Desde esse tetracampeonato de 1954, só por três ocasiões o Sporting ficou dois anos seguidos (ou mais) acima do terceiro lugar: em 59/60 e 60/61 (dois segundos lugares), os referidos 69/70 e 70/71 e o bem mais recente "tetravicecampeonato" de Paulo Bento (e Soares Franco), entre 2006 e 2009, que eu sempre elogiei e sempre elogiarei. O título recém conquistado foi importantíssimo, mas mais importante (e mais histórico) será ser bicampeão em 2022. Toda a equipa terá que ser motivada para isso. E tem que haver estabilidade na equipa técnica e no plantel.

A propósito da equipa técnica: desde 1974, foi a primeira vez que o Sporting foi campeão tendo mantido um treinador da época anterior (pelo que foi dito, sem ter sido campeão). Desde então o Sporting só tinha sido campeão com treinadores estreantes, por vezes entrando mesmo com a época em andamento. E a maior parte das vezes os treinadores campeões não terminavam a época seguinte - por vezes, como Allison em 1982, nem a começavam. Foi esta tradição que Rúben Amorim veio quebrar. Esperemos que continue a contrariar a tradição e nos dê o bicampeonato.

De pedra e cal - Jordão marca o único golo na Luz

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Foi a 27 de Fevereiro de 1973 que Rui Jordão, na imagem ladeado por Carlos Espírito Santo e Laranjeira, marcou o único golo que bateu Botelho e deu a vitória... ao Benfica, frente ao Sporting (!), no que foi um jogo para o então Campeonato Distrital de Reservas.

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Legenda: Este remate de Jordão bateu Botelho sem apelo nem agravo. Estava marcado o primeiro

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A ideia de ter Rui Jordão a marcar um golo contra o Sporting e logo pelo Benfica, inquieta-me. Não sei se arrepio na espinha, se moinha, se pálpebra a saltitar. Sei que não gosto da sensação.

Seria possível que hoje, mais de 48 anos depois, por exemplo, Nuno Santos que fez a sua formação pelos de encarnado, devolvesse a gracinha?

É o meu prognóstico para hoje. 0-1 marca Nuno Santos. 

 

Fonte: acervo do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao próprio e ao seu filho, Ricardo Espírito Santo. 

Faz hoje um ano

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Imediatamente antes do jogo Sporting-Aves, que marcou a estreia de Rúben Amorim como treinador do Sporting, houve junto ao nosso estádio uma manifestação contra o presidente Frederico Varandas com a presença de largas centenas de adeptos e a entusiástica adesão da chamada Juventude Leonina.

A manifestação acabou por se prolongar nas bancadas do estádio, sobretudo na curva sul, de onde logo no início da partida já se escutavam indignadíssimos gritos não apenas contra os dirigentes do clube mas contra os próprios jogadores. 

«Estavam decorridos apenas 15 minutos quando começaram a escutar-se, de forma bem audível, vaias insistentes aos jogadores leoninos, cruzadas com gritos como "joguem à bola", "corram", "chutem". Quando será que estes adeptos perceberão que um ambiente tão hostil só perturba e desconcentra a equipa?» Palavras minhas, escritas no rescaldo desse jogo, que terminou com vitória do Sporting (2-0, golos de Sporar aos 62' e Vietto aos 64').

 

Fazendo uso da liberdade que me assiste, deixei claro antes da partida que não participaria naquela manifestação. E expliquei porquê. 

Num texto de que transcrevo este excerto:

«Há duas atitudes que nunca tomei nem tomarei: assobiar quem preside ao clube enquanto estou na bancada do Estádio José Alvalade e integrar protestos públicos em dias de jogo. Desde logo porque uma coisa e outra desestabilizam a equipa e dão alento aos nossos adversários. E eu apoio sempre a equipa - seja quem for o presidente, seja quem for o treinador.»

E mais este: 

«Respeito quem se manifestar mas considero um erro que este protesto público ocorra imediatamente antes do Sporting-Aves - tratando-se ainda por cima do jogo em que se estreia o sucessor de Silas, que a partir de hoje é o timoneiro do plantel leonino, gostemos ou não do tempo e do modo como foi contratado.»

Para concluir: «Serei sempre o último a contestar o direito à manifestação. Mas estarei sempre entre os primeiros que advogam uma separação clara entre dia de protesto e dia de jogo. É quanto basta para não aparecer lá.»

 

Na caixa de comentários, reagindo ao que escrevi, logo apareceu o antigo presidente Bruno de Carvalho, que à epoca aqui surgia com alguma regularidade. Com tanta rapidez, nesse dia, que até foi um dos primeiros a comentar:

«Não se preocupe, Pedro. A sua presença será dispensável porque os verdadeiros sportinguistas (a escumalha...) estarão em grande número na manifestação. Toda a gente que lê este espaço sabe qual o tipo de presidente que agrada ao Pedro, por isso fique lá a ver o jogo deste novo Sporting treinado pelo benfiquista fanático e liderado pelo inenarrável dr. Coragem (o homem que salvou o Sporting...). Estamos todos "estristes", menos o Pedro...»

 

Tudo isto a 8 de Março de 2020.

Relendo hoje o que ficou escrito, não tenho a menor dúvida em concluir de que lado estava a razão. 

E aproveito para alargar o debate aos leitores. Para que possam também pronunciar-se sobre o tema.

Para lembrar, sempre

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Faz hoje um ano. Luís Maximiano estreava-se num dérbi ao serviço da nossa equipa principal, quando viu a sua baliza (a baliza Vítor Damas) bombardeada com petardos, tochas e potes de fumo mal soou o apito para a segunda parte do Sporting-Benfica. Miserável "exibição" pirotécnica que forçou o árbitro a interromper o jogo por longos minutos, enquanto o próprio Max fazia de bombeiro apagando as chamas que deflagravam no relvado. 

Não esqueci a data: 17 de Janeiro de 2020. Eu estava lá. E senti vergonha de ver, entre os supostos adeptos do meu clube, energúmenos como estes, amontoados na curva sul do estádio. Comportando-se não como adeptos, mas como animais. Indignos de frequentar recintos desportivos.

Menos de dois meses depois, todos nós fomos enviados para casa devido à pandemia. Até hoje. Há certos males que vêm por bem. Pelo menos não voltei a sentir vergonha de estar ali. Pelo menos não voltei a sentir que tínhamos - como há um ano escrevi - o inimigo dentro de casa.

Fez ontem um ano

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Fez ontem um ano. Ao minuto 70 Luiz Phellype marcaria o único golo da partida contra o Moreirense, coroando de glória (e alívio) a estreia de (pelo menos) duas Leoazinhas no Estádio e Pavilhão João Rocha.

Luís Neto saiu do jogo maltratado, deixando no ar muita preocupação pelo seu estado. O ambiente no estádio pareceu-me frio, muito frio por comparação à última vez que lá estivera, na última partida disputada em casa, da época mais desafiante de que tenho memória.

Um ano depois, sem público nas bancadas, sinto-o quase gélido. O som ambiente dos jogos alterou-se de tal forma que ainda o estranho. O Capitão Fernandes da minha memória vivida em breve sê-lo-á por outro distinto emblema e Mathieu, da minha predilecção, pendurou as chuteiras.

Passou um ano, que parece valer por três.

Estranhezas à parte, tenho muitas saudades de ver o Sporting ao vivo e de vê-lo na casa que é de todos nós.

Jesualdo Ferreira e Rúben Amorim

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Primeira página do Record de 17 de Abril de 2013

 

Tenho lido, até por aqui em diversas caixas de comentários, que Rúben Amorim «falhou os objectivos» para que foi contratado. Porque foi incapaz de impedir que o Sporting ficasse «no pior lugar de sempre» do campeonato português. O quarto, após FC Porto, Benfica e Braga.

Estes dislates só podem ser provocados pela ignorância ou pela falta de memória, ampliadas pela estupidez que corre à solta nas redes sociais. Amorim foi contratado à 23.ª jornada da época passada não para qualquer objectivo de curto prazo mas para preparar um plantel capaz de conquistas desportivas. 

Mesmo assim, nesses 11 jogos que a equipa ainda fez sob o seu comando para a Liga 2019/2020, registou seis vitórias, três empates e duas derrotas - ambas, neste caso, frente a FC Porto e Benfica. Melhoria face aos 11 desafios anteriores (seis vitórias, um empate e quatro derrotas). E já sem contar com Bruno Fernandes, nosso melhor jogador dessa temporada.

 

O problema estava no plantel, como muitos de nós assinalámos desde o primeiro dia. Aliás bastava lembrar como se mostrava a equipa em campo: lenta, apática, sem iniciativa, sem nervo, sem alegria.

O trabalho do técnico só pode ser avaliado a partir do momento em que tem intervenção activa na escolha dos jogadores para a nova temporada. Verdadeiros reforços, não nomes sacados de algum fundo de catálogo, como sucedera um ano antes.

O resultado está à vista. Quatro anos depois, o Sporting volta a comandar isolado o campeonato, com mais golos marcados e menos golos sofridos do que qualquer outra equipa. Pedro Gonçalves - um desses reforços - já é apontado como melhor jogador da Liga. Há uma aposta decisiva nos talentos da formação leonina. E voltamos a ter um campeão europeu no onze titular.

 

Apontar responsabilidades a Rúben Amorim pelo quarto lugar do campeonato anterior - em que foi o quarto técnico a orientar a equipa, após Marcel Keizer, Leonel Pontes e Silas - equivale a atribuir culpa a Jesualdo Ferreira pelo péssimo desempenho leonino na Liga 2012/2013, quando o veterano técnico foi também o quarto e último treinador da temporada, após Sá Pinto, Oceano e Franky Vercauteren. Ou seja: não faz qualquer sentido. Mesmo tendo Jesualdo assumido, ainda no mês de Dezembro de 2012, as funções de manager desportivo - portanto já então com efectivas responsabilidades no futebol leonino.

Essa, sim, foi a nossa pior temporada de sempre. Não só pelo inédito e humilhante sétimo lugar do Sporting, mas também pela pontuação alcançada no final do campeonato: apenas 42 pontos. Menos 18 do que em 2019/2020. 

Aliás, conferindo o desempenho da equipa leonina no último quarto de século - desde que a vitória passou a valer três pontos nas competições futebolísticas portuguesas -, verifica-se esta evidência: as piores pontuações, além da já mencionada, ocorreram nas épocas 1997/1998 (56 pontos), 2002/2003 (59), 2007/2008 (55) e 2011/2012 (59). 

Quanto ao nosso quarto lugar da época passada, basta consultar a mesma tabela estatística. Nestes últimos 25 anos, ocorreu também em 1997/1998, 1998/1999, 2009/2010 e 2011/2012. Nada de novo, infelizmente.

Quem foi o presidente que trouxe Yazalde?

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Muitos adeptos do Sporting gastam imenso tempo nas redes sociais a falar de dirigentes e ex-dirigentes. Em comparação, pouco falam dos jogadores, o que me espanta. Em qualquer clube do mundo, só os jogadores são ídolos da massa adepta.

Mas o Sporting é diferente. Também nisto.

Não falta gente elogiando o jogador K e denegrindo o jogador W não pelo mérito ou demérito desses profissionais de futebol e do seu desempenho em campo, mas em função do nome do presidente que os trouxe para o Sporting.

Se vieram com X, só podem ser óptimos. Se vieram com Y, só podem ser péssimos. E vice-versa.

 

Tanta energia consumida com estas questiúnculas intestinas: dispara-se só para dentro e nunca para fora. Como se o inimigo estivesse dentro de casa. Como se todos os jogadores não fizessem parte do mesmo plantel e não trouxessem o mesmo emblema ao peito. 

A crise do Sporting é também uma crise de valores, bem simbolizada nestas discussões sem qualquer sentido. 

 

Alguém imagina, quando Héctor Yazalde chegou a Alvalade, que os adeptos perdessem um minuto sequer a debater os defeitos ou as virtudes de Brás Medeiros, o presidente que trouxe o saudoso craque argentino para o Sporting, ou a comparar esse dirigente com Homem de Figueiredo, seu antecessor na Direcção leonina?

Niinguém. O nosso interesse estava todo centrado nos jogadores, não nos presidentes ou nos vice-presidentes ou nos presidentes das assembleias gerais ou nos presidentes dos conseselhos fiscais ou nos anteriores dirigentes ou em putativos dirigentes que ansiassem ocupar futuros lugares nos órgãos sociais leoninos.

Felizmente a minha cultura clubística começou a ser forjada nessa época. Não queríamos saber quem fora o presidente responsável pela vinda do Yazalde: queríamos, isso sim, ver o argentino marcar golos. E aplaudi-lo sem reservas. 

Um tempo em que o Sporting Clube de Portugal era verdadeiramente um clube desportivo (e assim ganhava campeonatos) em vez de se parecer cada vez mais com um partido político (e assim continuará sem ganhar campeonatos no futebol, esteja quem estiver ao leme).

 

Problema dos dirigentes, dos técnicos e dos jogadores?

Em certa medida sim, mas este é sobretudo um problema de cada um de nós. Quanto mais deixarmos o pior da política infiltrar-se no clube, mais distante ficará o sonho de um dia voltarmos a festejar o título máximo no futebol.

Jogar feio, jogar bonito

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Equipa do Sporting que venceu o campeonato 1999/2000

 

Há um debate interminável, entre os sportinguistas, sobre a qualidade da prestação da equipa, mesmo quando ganha. Não falta quem se pronuncie contra o "resultadismo", advogando sempre exibições de gala. 

Eu gosto imenso de belos golos - e empolguei-me com os dois marcados em Portimão, por Nuno Mendes e Nuno Santos. Aprecio muito o futebol bem jogado.

Mas numa competição desportiva ponho o resultado acima de tudo. Lembrando sempre a vitória de Portugal no Campeonato da Europa disputado há quatro anos em França. Apesar dessa conquista inédita, o seleccionador Fernando Santos foi criticadíssimo. Porque, além da vitória, não pôs a equipa a "jogar bonito".

Lamento, mas para mim jogar bonito é ganhar. E jogar feio é perder.

 

A quem duvida, recordo a nossa penúltima vitória no campeonato nacional de futebol, em 1999/2000. Quantos desses desafios que fomos superando tiveram exibições de luxo? Quantas vitórias não foram alcançadas com muito acerto defensivo e muita bola guardada no nosso meio-campo? Quantos lances não resultaram do chamado pontapé-para-a-frente, bem aproveitado por um ponta-de-lança com faro para fazer golos?

Nesse ano ganhámos: o nosso futebol foi lindo. Mesmo quando parecia ser o contrário.

O Calabote do século XXI

 

Nunca é de mais lembrar um dos mais escandalosos roubos de que fomos vítimas. Aconteceu na final da Taça da Liga em 2009, quando um tal Lucílio Baptista - espécie de Inocêncio Calabote do século XXI - ofereceu de bandeja o título ao Benfica no momento em que inventou um penálti contra o Sporting e deu ordem de expulsão ao nosso lateral direito, Pedro Silva. Um penálti a pedido de um jogador encarnado, Di Maria, que logo levantou o polegar em sinal de agradecimento.

É instrutivo rever este vídeo para jamais esquecermos o obsceno nível de degradação a que chegou a descer a arbitragem em Portugal nesse tempo anterior ao VAR. Sob o irónico lema "limpinho, limpinho", imortalizado pelo neobenfiquista Jorge Jesus na sua primeira passagem pelo clube da Luz, onde nunca deixou de ser bafejado pelos apitadores de turno.

 

Neste caso concreto, lamento dizê-lo, a incompetência dolosa não foi apenas de Baptista: foi também dos jornalistas da SIC que narravam em directo esta final e que logo validaram a versão fraudulenta do herdeiro espiritual de Calabote. «Que é um facto que a bola bate na mão de Pedro Silva, é verdade: bate», apressou-se a declarar um deles. «A bola parece que bate claramente na mão esquerda do defesa do Sporting», corroborou o outro. Ambos coniventes com o atentado à verdade desportiva.

Não esqueçamos nunca. Porque estes (árbitros e jornalistas-comentadores) até já podem nem andar por aí, mas outros - pouco diferentes - tardam a sair de cena. Sempre prontos a embaciar a transparência desportiva ao serviço do emblema a que prestam vassalagem.

 

ADENDA: Alertado por um leitor, verifico que Baptista ainda anda por aí. Como vice-presidente da Secção de Classificações do Conselho de Arbitragem da FPF. Medalha por bons serviços?

Em memória de meu pai

Chego hoje a És a nossa fé, honrada pelo convite e empenhada em não desmerecer.

Chego hoje a És a nossa fé e cumpro o ritual de apresentação:

Madalena.

Professora, leitora, autora.

Sempre gostei de dizer: O meu coração é verde!

Nasci Sporting! No dia a seguir, muitos anos depois. E às vezes (há anos felizes!) consigo unir celebrações.

No arco-íris da minha infância, sempre o verde brilhou mais e, com o meu pai, aprendi a viver o Sporting, em valores, código de conduta e ecletismo identitário – o atletismo, o hóquei em patins, o ciclismo… e o futebol!

O futebol!

Era eu bem pequena quando se manifestou a crise quinzenal de domingo à tarde. Dia de jogo em Alvalade: o meu pai ensaiava saída sorrateira, de cachecol na mão, enquanto a minha mãe tentava distrair a miúda, que ficava em lágrimas birrentas – «Eu também quero ir!».

E um dia fui mesmo! E a estreia foi triste…

Lembro-me da confusão, da gritaria e do meu assustado choro. Sempre me foi dito ter-se jogado um Sporting vs Leixões: penalti (mal) assinalado a favor dos visitantes, convertido à segunda porque o Damas defendeu na primeira marcação e o árbitro mandou repetir. E o jogo acabou! Aos sete minutos porque houve invasão de campo!

Iludiram-se os meus pais, confiando na futura serenidade dominical. Engano! Quando suspeitei ser novamente dia de jogo, plantei-me à porta e disse: «Então, pai, vamos ao Sporting?».

Muito tive de esperar: o jogo da minha estreia (29 de outubro de 1972 – encontrei a notícia em Estórias d’Alvalade, de Luís Miguel Pereira, 2003) teve como consequência nove jogos de interdição do estádio (coisa estranha… ao que parece, houve tempo em que estes castigos eram cumpridos).

Mas voltei e voltei e voltei… E volto sempre! Sempre se regressa à casa do «nosso grande amor»!

Se o espetáculo da minha estreia na vivência futebolística foi triste e feio, embora ritual de iniciação robustecedor, muitos e muitos mais foram os momentos belos e de louca alegria. Com o meu pai, mais tarde também com o meu irmão, eu vi o Damas, o Manuel Fernandes e o Jordão; o Figo, o Ronaldo e o Nani; o Ivkovic, o Schmeichel e o Rui Patrício; o Beto, o Valckx e o André Cruz; o Oceano, o Sá Pinto e o Pedro Barbosa; o Balakov, o Iordanov e o Duscher; o Acosta, o Jardel e o Liedson…

Vi muitos e muitos jogos com o meu pai, sócio 2. 237, à data da sua morte, em 2019.

Volto sempre a Alvalade e sento-me no Lugar de Leão que foi dele.

De pedra e cal - Lino separa o trigo do joio

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«Enquanto Ronnie Allen tenta afinar a equipa e ganhar escudos, na África, Lino orienta outro grupo de futebolistas do Sporting insistindo, sobretudo na preparação física de modo a tê-los em ordem quando o inglês voltar com os «craques» e requisitar os serviços de alguns deles. Paralelamente, os serviços administrativos do Sporting vão contratando uns e colocando outros na lista de transferências (definitivamente, ou a título de empréstimo), ultimando pormenores para a fixação de um bom quadro de vinte e poucos profissionais.

Em Alvalade, ao sol de Agosto, deparámos com Lino puxando a bom puxar por dez elementos a quem a diversos exercícios físicos e a uma sessão nas bancadas verdadeiramente puxada de sobe-e-desce escada até estoirar. Lá estavam Chico (que regressou de férias anteontem e se esforça para recuperar a forma), João Machado (irmão de Nando, que jogou no União de Coimbra e que Allen quer ver, pelo menos durante mais um ano, em Alvalade), Castanheira e Augusto (igualmente ex-juniores mas que vão ser cedidos ao União de Leiria) e Rui Paulino (que assinou contrato com o Farense e breve rumará ao Sul).

Damas apenas tem aparecido para tratar da lesão (está ainda de férias) e Fraguito aparece esporadicamente nos treinos devido ao serviço militar. Espírito Santo, do União de Leiria e recém contratado, goza as suas férias. Dinis, como se sabe, já está em África. Resta resolver o caso Peres, que entretanto goza férias no Algarve e de Alhinho, com a Académica a ver quanto receberá do negócio.» 3/8/72

Quarenta e oito anos e doze dias depois, os serviços administrativos do Sporting também se encontram numa azáfama e a ultimar pormenores para a fixação de um bom quadro de vinte e poucos profissionais.

Esperemos que, na época que se inicia em breve, consigamos o mesmo desempenho na Taça de Portugal e muito melhor desempenho no Campeonato Nacional (1ª Liga). A ver, também, se em Abril próximo não precisamos de mudar de treinador (https://www.wikisporting.com/index.php?title=1972/73). Já agora, que na Liga Europa da UEFA alcancemos muito bons resultados.

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

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