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És a nossa Fé!

O jogo…

que no passado sábado fez trinta e oito anos.

(Sporting: 3 - Benfica: 1,  época 1981/1982)

No youtube pode encontrar um resumo deste jogo. (Ver aqui)

 

«Marques Pires apita para o jogo mais terrível da sua carreira. Os jogadores irrompem como feras acossadas e os primeiros dois minutos são disputados a alta velocidade como se a maratona se transformasse numa prova ao Sprint. Baroti e Allison, cada um em seu banco, permanecem silenciosos, como generais observando o movimento das tropas no campo de batalha. O ruído fica por conta das restantes quarenta mil gargantas.

Aos 12 minutos, numa bola junto da área do Sporting, Jordão toca para lá da linha de fundo. É pontapé de canto. Carlos Manuel marca com um pontapé sinuoso, que descreve uma curva larga, antes de se precipitar para a baliza. A bola sobrevoa Meszaros. Na linha de golo, Marinho cabeceia-a para longe, enquanto Humberto Coelho levanta os braços em festejo precoce. A trinta metros de distância, o fiscal de linha Rui Santiago levanta a bandeira e assinala ao chefe de equipa que a bola transpôs por completo a linha. Golo do Benfica.

«Garanto-lhe que a bola não entrou», exclama, ainda hoje, Marinho com indignação. «As minhas pernas estão dentro de campo e o corpo está alinhado na direcção do poste. Para mim, a validação do golo teve uma única explicação: o fiscal de linha tinha todos os adeptos do Benfica atrás de si, na bancada lateral. Assustou-se com os gritos e achou que foi golo.» A mesma percepção têm Meszaros, Lito e Eurico, jogadores próximos da jogada. Só Carlos Xavier intui que a bola terá cruzado a linha: «Em campo, fiquei com a ideia de que tinha entrado. E isso criou um ligeiro desnorte. Não é fácil entrar num jogo daqueles logo a perder na primeira ocasião do adversário.»

No Diário de Lisboa, Neves de Sousa sintetiza o sentimento geral de um derby que começa de forma tão peculiar, com um «tento que poucos viram [...], cortado de cabeça por Marinho, sem que alguém, em mundo terrestre, possa jurar pela saúde da mãezinha e com mão sobre a Bíblia, que o ex-futuro-próximo bracarense estava com a tolinha para além do risco de cal».

Eurico mora então em Ponte de Frielas e o árbitro Marques Pires gere uma pequena boutique, a Túlipa Negra, em Loures. Por acidente, encontram-se nos dias subsequentes ao jogo. «O próprio árbitro não sabia se a bola tinha entrado, mas o sinal do fiscal de linha fora categórico», lembra Eurico. «E o Marques Pires disse-me: “Por culpa desse lance, da dúvida se teria ajuizado bem, não andei seguro no resto da partida.” Julgo que esse lance interferiu com as restantes decisões porque o árbitro passou toda a primeira parte a remoer se teria validado um golo sem razão.»

Sete minutos mais tarde, com o Sporting a pressionar a equipa rival em busca da igualdade, dá-se novo lance controverso na área adversária. «O Frederico entrou de “carrinho” e derrubou-me», conta Lito. «A bola seguiu para o Manuel Fernandes que foi igualmente derrubado pelo Humberto. À segunda, o árbitro marcou mesmo penalty.»

Jordão tem agora a prova de fogo, o teste aos nervos. Pouco importam as grandes-penalidades falhadas no Inverno. Este é um dos penalties mais importantes da sua vida. E o avançado marca-o com muita calma, enganando Bento, o guarda-redes benfiquista. «Senti uma força enorme quando o Jordão empatou», acrescenta Carlos Xavier. «Acreditámos todos que éramos melhores e que ganharíamos o jogo.»

Com os nervos à flor da pele, as duas equipas precipitam-se para os balneários no intervalo. Da tribuna de honra, João Rocha despede-se por momentos dos convidados e desce à cabine. «O presidente chegou até nós, disse algumas palavras de circunstância e aumentou o prémio de jogo. Ali, naquela hora, no calor do momento», conta Nogueira.

Na segunda parte, o Sporting começa a assenhorear-se do jogo. Vem à superfície a superior preparação física dos jogadores e a capacidade de Virgílio, Ademar e Nogueira para controlar todo o meio-campo. Lito é, na opinião do Record, a «gazua que tudo abriu». O jogo fica mais partido. Menos jogadores recuperam quando as respectivas equipas perdem a posse de bola. Num contra-ataque rápido, Manuel Fernandes é lançado em profundidade. O capitão acelera até à bola ao mesmo tempo que o guarda-redes do Benfica desliza na sua direcção. O embate é inevitável. Bento chega uma fracção de segundo mais cedo e agarra a bola. O jogador do Sporting choca com o guarda-redes e toca-lhe com a bota na nuca. Segue-se uma cena que entra de rompante para a galeria do derby inesquecível da capital.

«O Bento sai desenfreado, como se estivesse louco, na direcção do Manuel Fernandes», conta Lito, o jogador mais próximo do lance. «Julgo que nem se lembrou que o jogo não fora interrompido. Ainda ouço o Manei a gritar-lhe: “Tem calma, tem calma!"» O guarda-redes do Benfica agride com um sopapo o avançado do Sporting dentro da área e depois cai em si, pontapeando a bola para fora e agarrando-se à cabeça. Muitos anos mais tarde, em 2003, Manuel Fernandes recapitulou o lance ao jornalista Luís Miguel Pereira: «Ele estava cego. Só me disse: “És sempre a mesma merda!” e bate-me na cara. Quando senti o toque, atirei-me para trás. Hoje posso confirmar que simulei um bocadinho. Percebi que aquela atitude podia “entregar-nos” um bocadinho o jogo.»

Como João Alves lembrará no próprio dia do jogo, Bento passara pelo mesmo num jogo traumático em Famalicão três anos antes, sofrendo então um pontapé que lhe rompera o couro cabeludo e o levara a desmaiar no aeroporto de Pedras Rubras. A recordação desse incidente terá sido mais forte. E é provável também que o guarda-redes internacional tenha ficado então convencido de que o árbitro assinalara grande penalidade pelo contacto original. Semanas mais tarde, ainda a quente, o capitão do Sporting reconhecerá: «Tive de me conter e lembrar-me que estava muito em jogo para não responder e não prejudicar a minha equipa.»

No final, Bento acusa de Manuel Fernandes de repetir golpe idêntico já tentado pela CUF em jogo contra o Barreirense: «Já estou farto de levar pontapés na cabeça. Ele fez um teatro dos diabos. No cinema, os actores também não se agridem e toda a gente fica com a sensação de que eles se agridem violentamente.» Marques Pires lamenta não ter tido opção e lembra para quem o quer ouvir que até é barreirense como o jogador expulso, mas não pode socorrer-se do bairrismo para salvar os compadres da terra. Nos dias seguintes, notícias fantasiosas sugerirão que a expulsão fora a estratégia do árbitro para eliminar a concorrência comercial da boutique de Bento à sua loja de decoração!

No outro extremo do campo, Eurico goza a performance. «Conheci bem os dois e garanto que não foi intencional o Manei deixar o pé para magoar o Bento, mas foi intencional ficar quietinho à espera do embate. Até parece que o estou a ouvir, com aquele grito muito dele: “Aiiiii!” Caiu «desmaiado» e depois, no solo, abria um olho para ver o que estava a acontecer e que sanção estava o Marques Pires a assinalar. É daquelas histórias que ficam para sempre. Ainda perguntou do chão para grande irritação dos adversários: “O gajo já expulsou o Bento?” E nós: “Já, já está. Podes levantar-te!”»

Também a Luís Miguel Pereira, Manuel Bento recordará, já sem amargura, a noite mais difícil da sua carreira - na sua versão, a avaliação do lance é afectada por um factor que não controlava: «Só me esqueci de uma coisa: o Marques Pires é sportinguista. Devia ter pensado nisso antes de me encostar ao Manei. Apesar de tudo, no dia seguinte, fui almoçar com o Manuel Fernandes e continuámos amigos como sempre fomos.»

O jogo define-se neste instante. Com menos um, forçado a gastar uma substituição para colocar o guarda-redes Jorge Martins em campo e ainda perante uma grande penalidade a desfavor, o Benfica cede. Com a mesma calma impassível, como se tivesse gelo a correr-lhe nas veias, Jordão bate o penalty para o lado esquerdo de Jorge, enquanto Bento percorre todo o relvado, na companhia de Júlio Borges, chefe do Departamento de Futebol do Benfica, vaiado como nunca fora na sua vida. Em A Bola, Carlos Pinhão sintetiza a estupefacção geral: «Um “Hara- -Kiri” de Bento Fez de um OK... um KO!»

Dezasseis minutos mais tarde, aos 78, Manuel Fernandes faz um passe maravilhoso para a direita, solicitando novo Sprint de Jordão. O avançado remata, Jorge defende sem nexo, mas atrapalha-se com Bastos Lopes. Sem nunca deixar de acelerar, Jordão continua a corrida e toca a bola para a baliza deserta. Está feito o resultado (3-1) no derby do «chá, porrada e alguma simpatia».

Festeja-se como nunca nos bastidores de Alvalade. Exausto pela montanha-russa de emoções, como se ele próprio tivesse devorado quilómetros sobre a relva, João Rocha segreda a Neves de Sousa: «Eu estava a precisar de uma coisa destas.» Em contrapartida, Jordão, o homem do jogo, escapa-se sem uma palavra, sem uma entrevista, enquanto os colegas celebram uma vitória épica. Do outro lado da barricada, Bento e o avançado brasileiro Jorge Gomes quase que se pegam nos corredores e a condenação do acto irreflectido é generalizada. Como grande senhor do desporto, Baroti cumprimenta todo o banco de suplentes do Sporting e reconhece o mérito da vitória - é, naquele momento, a transmissão da coroa do rei para o sucessor, mostrada por cinco câmaras de televisão.

Nos dias seguintes, o Benfica refugia-se numa fuga em frente. O derby dará que falar e antecipa uma era mais feia, de contestação aberta à arbitragem e incapacidade de isenção no comentário desportivo. O clube encarnado prepara um protesto, alegando que o árbitro, durante a refrega na área do Benfica, mostrara ao mesmo tempo o cartão vermelho a Nogueira, recuando de seguida na intenção. Marques Pires é chamado a explicar-se e lembra que, com o suor, os dois cartões - amarelo e vermelho - saíram de facto do bolso. Jorge Gomes chega a acusar o árbitro de «parecer esgazeado», sugerindo que «se Marques Pires tivesse ido a um controlo antidoping, teria dado positivo». A televisão chama Júlio Borges para uma longa exposição em directo sobre os casos do jogo - hoje, os especialistas em comunicação chamar-lhe-iam o spin da mensagem dominante. Rocha protesta e solicita idêntico tempo de antena.

No Atlântico Sul, inicia-se a Guerra das Malvinas, mas, em Portugal, nada mais importa para lá do jogo. Quando um navio de guerra britânico a caminho da Argentina se detém por algumas horas em Lisboa, os marinheiros pedem para conhecer Malcolm Allison. «Ficaram lá só um dia, mas fizeram questão de ir a Alvalade cumprimentar-me. Que emoção!», lembrou Allison a André Pipa. Uma vez mais, ao cumprimentar esses homens que em breve entrarão em combate, o treinador inglês reconhece que a vida tem problemas bem mais complexos do que um mero jogo de futebol.

Entretanto, mais de uma semana depois do derby, o Benfica organiza ainda uma conferência de imprensa inédita no Hotel Altis: pede a irradiação de Marques Pires e procura projectar num ecrã gigante os lances controversos do encontro. É a primeira aplicação genuína da imagem televisiva ao debate futebolístico, mas a exposição não corre bem. «A montagem dava-nos jogadores e bola bastante desfocados! Uma certa frustração percorre a sala», regista o repórter do Diário Popular.

Com sete pontos de avanço sobre a concorrência, o título de campeão nacional parece garantido, mas Alvalade está ainda para conhecer a última faceta de Malcolm Allison, o irreflectido.[*]»

 

[*]: Foram eliminadas as notas de rodapé que acompanham este texto.

In: ROSA, Gonçalo Pereira, 1975 - Big Mal & Companhia : a histórica época de 1981-1982, em que o Sporting de Malcolm Allison conquistou a Taça e o Campeonato. 1ª ed. Lisboa : Planeta, 2018. p.238-244

José de Alvalade...

... foi, aos 33 anos, uma das vítimas da grande pandemia do início do século XX, a gripe pneumónica - vulgarmente designada por gripe espanhola -, falecendo a 19 de Outubro de 1918. Hoje, infelizmente, vivemos uma situação pandémica similar, menos grave - é certo, os tempos são outros -, mas igualmente preocupante. O apelo que aqui deixo, olhando para o fundador do nosso clube, é que todos, sublinho TODOS, sigam as recomendações das autoridades de saúde, para que nos possamos a encontrar neste espaço e a opinar sobre este clube, que é a nossa fé. Copiando 'as gordas' de um jornal de hoje, creio que o SOL, deixo o meu conselho: Vacinem-se: não saiam de casa. Ou então limitem os seus movimentos ao exterior ao estritamente necessário - apesar do dia magnífico convidar ao contrário. Fiquem em casa, de preferência na nossa companhia, pois aqui podem encontrar uma imensidão de textos que vai, com certeza, prender a vossa atenção. Tudo de bom, para todos.

Viremos a página

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Coube-me em sorte (ou azar) testemunhar dois momentos de terror da História do Sporting Clube de Portugal. Momentos em que gente inocente perdeu a vida num estádio.

O primeiro, a 7 de Maio de 1995, foi a queda do Varandim do José Alvalade. Nunca esquecerei aqueles gritos, os choros e as sirenes das ambulâncias, por mais que viva. Um amigo com quem ia ao futebol ficou a 2 ou 3 metros de cair.

O segundo foi, um ano depois, o “very light” do Jamor. Durante anos, não consegui voltar a meter os pés num estádio. Confesso que ainda hoje me custa falar disso.

Talvez por virtude (ou defeito) dessas experiências, desde a primeira hora achei inapropriado chamar “terror” à vandalização da Academia de Alcochete (chamem-lhe "assalto" ou "invasão" se quiserem termos mais fortes). Sempre me pareceu, aliás, que o uso desse termo servia o propósito sobretudo de advogados, agentes de jogadores e de alguma comunicação social, mais ou menos comprometida com interesses que gravitam à volta do milionário negócio que é hoje o futebol.

Isto não retira gravidade ao que aconteceu. Mas “terror” ou “terrorismo” vemos todos os dias em muitas partes do mundo, infelizmente. E, convenhamos, são coisas diferentes.

Como seria lógico, a acusação de “terrorismo” caiu, ontem, no julgamento do caso da invasão da Academia. Outra coisa não poderia acontecer. E deveria fazer repensar todos aqueles que usaram tão irreflectidamente tal termo. 

Tem também, para mim, lógica que tenham caído as acusações contra o ex-presidente, Bruno de Carvalho. Pois nunca vi nada que o relacionasse directamente com o que aconteceu. 

Mas não me interessa - e acho, sobretudo, que não interessa ao Sporting - revisitar esse lamentável episódio na nossa história colectiva.   No final deste julgamento, que se faça Justiça para com quem tão graves danos causou a uma instituição centenária e com tanto mérito. 

E que este momento seja também um virar de página para o Clube. Um recordar que o Clube está acima deste ou daquele presidente, e é muito maior do que qualquer estrago que possa ser inflingido por 20 ou 30 adeptos.

Viremos a página. Deixemo-nos de insultos e de crispações. Olhemos para a frente, que temos muito e longo caminho a percorrer. Para escrevermos novas páginas, essas sim dignas da História do Sporting. Pelo nosso Clube. E pelos adeptos que, tristemente, poucos anos depois do terror, não estavam connosco a festejar o Sporting Campeão Nacional.

Jorge Vieira

 

Guardo na minha memória duas fotos que em garoto tirei. Uma com o meu ídolo Manuel Fernandes, na altura o capitão da equipa e outra com Jorge Vieira, na altura o sócio n.º 1. Ambas foram tiradas num jantar, que o meu pai me levou, creio que do Núcleo Sportinguista de Coimbra. Infelizmente o meu divórcio fez com que as tivesse perdido.

 

«Um cavalheiro no desporto

“Toda a actividade física com carácter de jogo, que toma forma de uma luta consigo mesmo, ou duma competição com outros, é desporto. Se esta actividade se opõe a outrem, deve sempre praticar-se num espírito leal e cavalheiresco. Não pode haver desporto sem fair play. A lealdade da competição garante a autenticidade de valores estabelecidos sobre o estádio. Confere ao mundo desportivo uma qualidade humana. O desporto favorece os encontros entre os homens num clima de sinceridade e de alegria. Permite-lhes conhecerem-se melhor e estimarem-se, desperta neles o sentido da solidariedade, o gosto da acção generosa e desinteressada; dá uma nova dimensão à fraternidade.” (Manifesto sobre o Desporto – Unesco)

Todo este feixe de virtudes do atleta de eleição – sinónimo de equilíbrio entre o músculo e o pensamento, em que o homem se aproxima de um ideal de beleza e harmonia – tem o nosso país conhecido nalgumas figuras dessa estirpe, ao longo do seu historial. Mas uma dessa presenças exemplares, que ainda se recorda – e a sua lição não feneceu na hora da retirada – esse saudoso ‘capitão’, autêntico gentleman do nosso desporto – chama-se Jorge Vieira.

Dotado de um físico esbelto, a sua presença no estádio era a melhor garantia de lealdade e cavalheirismo ao terçar armas com o adversário. Feito no Sporting Clube de Portugal e oriundo de uma família leonina, Jorge Vieira começou a nos grupos infantis e ascendeu ao mais alto posto da sua carreira desportiva envergando sempre a camisola verde-branca, que só trocou nos jogos em que foi chamado a representar as turmas de Lisboa e da selecção de Portugal. Muito cedo lhe coube a distinção de capitanear o ‘onze’ nacional. Jogando em vários países – Espanha, França, Itália, Holanda e Brasil -, nestes tempos das morosas viagens de comboio ou barco, e de raras pugnas internacionais, Jorge Vieira, o grande defesa-esquerdo, foi o perfeito embaixador do desporto português.

Nascido oito anos antes do seu clube de sempre, (…) Jorge Vieira é um símbolo inestimável, que as novas gerações devem ter como modelo.(…)

 

Romeu Correia»

 

In.: CORREIA, Romeu -  Jorge Vieira e o futebol do seu tempo. 1ª ed. [S.l.] : R. Correia, [D.L. 1981]. pp. 7-8

Dignos do ‘jacó’(*)

É o que, a incompetência destes senhores como dirigentes, me leva a concluir.

 

(*) «Jacó», o mesmo que caixote do lixo.

“É a proposta [de Outubro de 1929] do Dr. João dos Santos Jacob, que criou os recipientes para o lixo, logo crismados por «jacós», nomenclatura que se mantém na cidade, e que aos estranhos a ela, causa, por incompreensão, admiração”. (in: Anais do Município de Coimbra : 1920-1939. Coimbra : Biblioteca Municipal, 1971. p. 262)

Convém ter memória

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Demasiados erros nas contratações, gestão caótica do mercado de Verão, saída de jogadores essenciais que descapitalizaram o plantel leonino. Começando por Nani, prosseguindo com Bas Dost, culminando em Raphinha. Tudo foi criticado aqui, sem reticências nem meias palavras, em cima da hora.

Somando a isto, que já seria muito, a política igualmente errática de gestão das equipas técnicas. Desde a chegada da actual administração da SAD, Alvalade parece uma porta giratória: sai treinador, entra treinador.
Para tudo permanecer na mesma. Ou pior.

 

Em boa verdade, estamos hoje francamente pior do que estávamos há 13 meses, quando Frederico Varandas decidiu correr com José Peseiro - o técnico em quem  manifestara confiança durante a campanha eleitoral desenrolada pouco antes. «Peseiro será o meu treinador», garantiu aos sportinguistas.
Imitando o pior da política, mal foi eleito apressou-se a dar o dito por não dito com inaceitável deselegância. Esquecendo que aquele havia sido o único treinador a prestar-se a vir para Alvalade no Verão negro de 2018.


Peseiro saiu com o Sporting em todas as frentes desportivas (duas das quais viriam a ser conquistadas) e apenas a dois pontos do líder do campeonato já depois de termos jogado em Braga e na Luz.

Num cenário muito mais favorável do que o actual, quando estamos 13 pontos abaixo do Benfica e 11 atrás do FC Porto no campeonato, fomos eliminados da Taça de Portugal por uma equipa do terceiro escalão e aguardamos um milagre para prosseguir na Taça da Liga. Isto a mais de três semanas do Natal.

Infelizmente, recordo bem, na altura 90% dos adeptos aplaudiram o presidente do Sporting. Insultando Peseiro de "pé-zero" para baixo. Em muitos casos, são os mesmos que agora insultam o presidente. Como previ aqui.

Convém ter memória.

 

 

Leitura complementar: Não é possível (texto que aqui publiquei a 4 de Novembro)

Pela regeneração do futebol português

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No início da década de 80, Benfica e FC Porto firmaram uma aliança para destruir o Sporting como clube vencedor de títulos no futebol profissional. A aliança foi estabelecida, ao mais alto nível, pelos dois presidentes: Fernando Martins, que liderou os encarnados entre 1981 e 1987, e Pinto da Costa, que ainda se encontra à frente da agremiação azul e branca. Ultrapassando Salazar em permanência no poder.

Infelizmente, os factos demonstram que essa aliança acabou por ser bem-sucedida. Num primeiro passo, em 1986, conduziu à demissão de João Rocha: foi o último presidente leonino que conseguiu mais do que um título de campeão. Desde então Sporting só venceu dois campeonatos - apenas um conquistado já neste século.

Hoje, havendo lugar só para dois na caça aos milhões da Champions, menos ainda aqueles clubes abdicam das enormes parcelas de poder que têm. Como se confirma de várias formas - desde logo por um deles ter sido escandalosamente beneficiado pela arbitragem em metade dos jogos já disputados nesta Liga 2019/2020, em que começou com uma inesperada derrota. É a "lei das compensações" logo a funcionar, mal soa um ténue sinal de alarme: nunca falha, para uns e outros.

Motivo acrescido para haver união no Sporting: sabemos que as forças são desiguais, o que nos deve incutir motivação extra para superar os obstáculos, reabilitando a verdade competitiva em nome da regeneração do futebol. Esse será mais um bom serviço que prestaremos ao desporto português.

Sessões contínuas de alucinação

Não há conquistas duradouras sem estabilidade nem equilíbrio. Tudo quanto não existe no Sporting.

Mais de vinte treinadores desde o início do século. Dezasseis nos últimos dez anos. Vamos no quarto só na era Varandas. E vamos no terceiro presidente em 14 meses.

Já se ouvem por aí gritos para surgir um quarto presidente, vindo sabe-se lá de onde - talvez de uma recente derrota eleitoral. E também para aparecer outro treinador já depois deste, que seria o sétimo desde Maio do ano passado (Jesus, Mihajlovic, Peseiro, Fernandes, Keizer, Pontes e esse tal).

Desculpem-me o desabafo: às vezes parece haver sessões contínuas de alucinação no nosso clube. Só o que gastámos nestes quase 20 anos em indemnizações a treinadores despedidos dava para contratar o Messi.

Preparador físico, precisa-se?

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Penso que não vale a pena explicar a importância da preparação física no desempenho duma equipa de futebol. O Sporting teve no passado grandes preparadores físicos. Mas se calhar o maior de todos chegou a Portugal pela mão do grande Malcolm Allison para ajudá-lo a fazer regressar o Setúbal à 1.ª divisão, com uma equipa de trintões à beira da reforma como Jordão e Manuel Fernandes. Os seus métodos deram brado na altura: pinturas na cara à moda do futebol americano, técnicas de artes marciais, de bailado, de endurance (falava-se em bofetadas nos treinos), a verdade é que o Setúbal arrasou na 2.ª divisão da altura. Algumas temporadas depois regressou a Alvalade para integrar uma das nossas melhores equipas técnicas de todos os tempos,  inglória e estupidamente despedida por Sousa Cintra, uma segunda versão do despedimento por João Rocha do mesmo Malcolm Allison. Dois presidentes que emprenharam pelos ouvidos.

Com certeza sabem de quem estou a falar e quem são as outras personagens da foto. Nesse princípio de época lembro-me de ter ido beber um café a Alvalade com o treinador a enquadrar o novo preparador físico na mesa do lado, ver um treino e ficar de boca aberta com os exercícios ministrados, e perguntar a mim mesmo se aquilo era para jogar futebol ou outra coisa qualquer. Flexibilidade, agilidade, cansava de ver. Depois do despedimento a equipa técnica, menos Manuel Fernandes, seguiu para o Porto com o êxito conhecido, depois o preparador encontrou na Grécia Fernando Santos, mais tarde encontrou o seu mercado na área da performance desportiva. Quem quiser saber mais sobre ele poderá consultar o seu site.

Esse era o tempo em que o Sporting tinha preparadores físicos com autonomia de trabalho relativamente aos treinadores. Foi assim com Radisic, que passou por vários treinadores incluindo o próprio Malcolm Allison e com outros que serviram e bem o Sporting.

Tivemos também no Sporting treinadores muito exigentes no que respeita à preparação física, como Jimmy Hagan, Malcolm Allison e Boloni. E ficaram famosas as pré-épocas de Matterazzi (aquela história de mandar parar o autocarro de regresso à base depois do treino para mandar fazer uns sprints a subir a calçada) e a de Venglos, com muitos pesos e halteres.

Mais recentemente privilegia-se um treino integrado em que a componente física é trabalhada conjuntamente com as outras componentes do treino e não duma forma isolada e específica. Os preparadores físicos passaram a ser adjuntos do treinador principal e a integrar as suas equipas técnicas, e a bola começa a rolar no primeiro treino da época. Um dos treinadores mais defensores desse modelo também aparece naquela foto, ficando famosa a sua frase que "os pianistas não se treinam a correr à volta do piano".

Do que francamente não me recordo é duma situação como a actual, em que depois duma pré-época que se pretendia exigente temos uma equipa sem capacidade para competir com os adversários na fase final dos jogos, em que os jogadores mais velhos parecem bem mais velhos do que efectivamente são. O que até pode fazer pensar que os adversários andam aditivados, como naquela cena da Volta à França duns anos atrás, em que uns pedalam e outros fazem que pedalam mas a bicicleta sobe mais depressa. 

Situação tanto mais incompreensível quando temos como presidente o antigo director clínico que privou com os métodos de várias equipas técnicas, incluindo a de Jorge Jesus, que se declara adepto da exigência a todos os níveis, e que inovou com a criação dum gabinete de performance, ou seja, os atletas são monitorados, acompanhados, recuperados e colocados à disposição da equipa técnica em condições de excelência.

Mas então que se passa? Jogadores desmotivados e sem empenho no trabalho? Funcionalismo público versão holandesa com folgas religiosamente respeitadas? 

Mas voltando à fotografia: comparar a riqueza daquela equipa técnica, com (sir) Bobby Robson, que trazia curriculum consolidado em Inglaterra e na Holanda, Manuel Fernandes, ex-capitão e treinador de diferentes equipas no futebol português, Roger Spry e... José Mourinho, à actual equipa técnica, com Marcel Keizer, muito pouco tempo treinador do Ajax e pouco mais, um treinador holandês mais ou menos desconhecido, um jovem português que andou pelas Arábias e parece que faz de tradutor, o promovido de fisioterapeuta, é como comparar... nem sei o quê.

 

PS: Continuo a estar imensamente grato a Marcel Keizer pelas duas taças conquistadas, reconheço que muitas questões não passam por ele, ainda acredito que as coisas podem muito melhorar com ele ao comando, mas também tenho de dizer que estou muito desiludido com este início de temporada. Especialmente depois da vitória no Jamor.

SL

«Os Aurélios»

Faz hoje três anos - a 10 de Julho de 2016 - que Portugal, no futebol, conquistava o maior feito da sua história.

 

Esta, convém não esquecer, foi a equipa:

 

Rui Patrício (1)

Cédric (21)

Pepe (3)

José Fonte (4)

Raphaël Guerreiro (5)

William Carvalho (14)

Renato Sanches (16) - substituído aos 79 minutos por Éder (9)

Adrien Silva (23) - substituído aos 66 minutos por João Moutinho (8)

João Mário (10)

Nani (17)

Cristiano Ronaldo (7) - substituído após 25 minutos por Ricardo Quaresma (20)

 

Treinador: Fernando Santos

Das reticências aos pontos de exclamação

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Tem-se falado várias vezes - incluindo nós, aqui no blogue - na linha editorial do jornal A Bola, fervorosamente (embora não assumidamente) pró-benfiquista.

Os mais condescendentes asseguram que não é questão intrínseca do diário da Queimada, mas apenas mera deriva da sua linha editorial. 

É certo que A Bola teve jornalistas de grande nomeada, vários dos quais escreviam primorosamente  e se distinguiram pela qualidade das suas reportagens, dos seus editoriais e das suas crónicas. Menciono, a título de exemplo, Carlos Miranda, Vítor Santos, Carlos Pinhão, Homero Serpa, Alfredo Farinha e Aurélio Márcio - vários dos quais tiveram descendentes, directos ou indirectos, também no exercício do jornalismo desportivo, como Leonor Pinhão, Rui Santos, João Alves da Costa e Vítor Serpa.

Acontece, porém, que o benfiquismo (fervoroso mas não assumido) deste jornal, outrora trissemanário em grande formato e hoje um diário tablóide, não surgiu de geração espontânea. Pelo contrário, já vem de longe.

Como as primeiras páginas que aqui trago bem comprovam. Na primeira, datada do dia 15 de Dezembro de 1986, noticia-se um Sporting-Benfica que terminou com o resultado 7-1. A segunda, do dia 15 de Maio de 1994, é também referente a um Sporting-Benfica, que terminou com o resultado 3-6.

Repare-se e compare-se. A diferença entre a secura informativa da primeira, marcada pelas reticências no antetítulo, e o júbilo extasiado da segunda, integralmente dedicada à partida de véspera, com três adjectivos ditirâmbicos numa mancha gráfica coroada com seis pontos de exclamação.

Estes dois exemplos, postos em contraste, equivalem a um editorial. Ou cem. Ou mil. Dizem-nos tudo sobre a rubra pigmentação do jornal A Bola.

Andámos para trás vários anos

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«Fez esta semana um ano sobre o momento mais negro da gloriosa história do Sporting Clube de Portugal. Um ataque ignóbil às próprias instalações e jogadores do clube, com a complacência dos então órgãos sociais, seguindo-se uma inenarrável sequência de actos que puseram em causa as mais elementares regras de funcionamento de uma instituição. Dividiu-se o clube, os adeptos, foram causados incalculáveis danos patrimonais, na imagem e reputação do clube. Andámos para trás vários anos e vimos os nosos rivais distanciarem-se de novo em termos financeiros e desportivos, depois de um investimento significativo (e incomportável) na equipa de futebol profissional. Um clube mais pobre, fragilizado e dividido foi a herança recebida por estes órgãos sociais. A memória colectiva sabe-se que é efémera, mas a minha não é.»

 

Samuel Almeida, na edição de ontem do jornal O Jogo

O 15 de Maio... de glória!

«Na véspera, a 14 de Maio de 1964, Morais (na foto, em pontapé acrobático) tinha sonhado que daria a vitória ao Sporting na finalíssima da Taça das Taças frente aos húngaros do MTK de Budapeste, na marcação de um canto directo. De resto, o antigo jogador confessou a premonição ao DN, há semanas. No dia seguinte, o sonho tornou-se real.

A equipa leonina era capitaneada por Fernando Mendes, que levantou o troféu em Antuérpia, Bélgica. Neste conjunto de atletas também pontificavam outros nomes, casos de Carvalho, Pedro Gomes, Alexandre Baptista, José Carlos, Hilário (não jogou a final, devido a lesão), Pérides e Osvaldo Silva, entre outros. Há 41 anos, o Sporting conquistou o seu primeiro triunfo numa competição europeia de futebol.

Anselmo Fernandez, arquitecto, era o treinador do clube de Alvalade na época. Mascarenhas, Figueiredo, Geo e Dé foram os restantes quatro jogadores que integraram o onze inicial leonino. O dia 15 de Maio de 1964 ficará ligado, para sempre, à história do futebol português.

O 'CANTINHO DO MORAIS'. O êxito europeu do Sporting, materializado com o famoso "Cantinho do Morais", viria a ser "imortalizado" no disco lançado na altura, aproveitando o relato radiofónico da jogada, feito por Artur Agostinho, então em trabalho para a Emissora Nacional. A música, que resulta do golo decisivo apontado por João Morais, era interpretada por Margarida Amaral.»

In.: Diário de Notícias

 

P.S.: Relembrado ontem pelo nosso leitor «Leão de Queluz»

 

À 28ª jornada, hoje e um ano antes

À 28ª jornada temos 61 pontos, 56 golos marcados e 28 sofridos. Em 2017/2018, com o mesmo nº de jornadas somavamos 65 pontos, com 53 golos marcados e 18 sofridos.

Nesta época temos 19 vitórias, 4 empates (Benfica, Porto, Vitória Setúbal e Marítimo) e 5 derrotas (Braga, Portimonense, Vitória Guimarães, Tondela e Benfica). Até final da época ainda jogaremos com Aves (f), Nacional (f), Vitória Guimarães (c), Belenenses (f), Tondela (c) e Porto (f) ou seja, 4 jogos fora e 2 em casa. Na passada, nesta altura tínhamos 20 vitórias, 5 empates (Moreirense, Porto, Braga, Benfica, Vitória Setúbal) e 3 derrotas (Estoril, Porto e Braga), e até final do campeonato, ainda perderiamos 5 pontos em resultado do empate caseiro com o Benfica e daquela malfadada derrota com o Marítimo, tendo acabado o campeonato em 3º lugar, com 78 pontos (24V, 6E e 4D - 63GM e 24GS).

Factos comparativos:

Temos este ano mais 2 derrotas e menos 1 empate, mais 10 golos sofridos e apenas mais 3 marcados; entre clubes temos o empate no Marítimo vs a derrota na época transata, mais as derrotas com Portimonense, Vitória Guimarães,Tondela e Benfica (acresce o Estoril que desceu), quando o ano passado haviamos ganho esses confrontos (com exceção do Benfica que empatamos);  nesta época, sendo matematicamente possível, dificilmente atingiremos a mesma pontuação de 2017/2018, com 78 pontos mas provavelmente alcançaremos a mesma posição, o 3º lugar.

Este ano não será, em  termos de resultados, muito diferente. Se vencermos a Taça de Portugal até será melhor. Mas o clube está ainda em processo de resgate do trauma a que foi sujeito desde aquele triste e inesquecível dia de maio de 2018. Percebe-se nas redes sociais, nas bancadas, em conversas, que há muito por fazer, muito para sarar e muito trabalho para nos reerguermos. O tempo urge mas nada se faz num dia, exceto destruir. Apesar de tudo estamos aí, na luta, com o futebol e as modalidades. Sem desistir. ATÉ AO FIM! 

Esforço, Dedicação, Devoção, Glória!

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