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És a nossa Fé!

Particularidades do título do Sporting

Como já foi referido, este título do Sporting teve a particularidade de ter sido obtido num ano ímpar. Desde 1953 que o Sporting não era campeão num ano ímpar. O que tem como consequència que desde 1954 (ano em que conquistou o tetra) que o Sporting não é campeão por dois anos seguidos. O bicampeonato tem que ser o principal objetivo para a próxima época, que tem que ser planeada a pensar nisso.

Analisando a história das classificações do Sporting, conclui-se que desde esse ano de 1954, a seguir a um título de campeão segue-se quase sempre um mau campeonato, com classificações abaixo do 2º lugar. A única exceção foi na época de 1971 - 2º lugar após o título de 1970. Desde esse tetracampeonato de 1954, só por três ocasiões o Sporting ficou dois anos seguidos (ou mais) acima do terceiro lugar: em 59/60 e 60/61 (dois segundos lugares), os referidos 69/70 e 70/71 e o bem mais recente "tetravicecampeonato" de Paulo Bento (e Soares Franco), entre 2006 e 2009, que eu sempre elogiei e sempre elogiarei. O título recém conquistado foi importantíssimo, mas mais importante (e mais histórico) será ser bicampeão em 2022. Toda a equipa terá que ser motivada para isso. E tem que haver estabilidade na equipa técnica e no plantel.

A propósito da equipa técnica: desde 1974, foi a primeira vez que o Sporting foi campeão tendo mantido um treinador da época anterior (pelo que foi dito, sem ter sido campeão). Desde então o Sporting só tinha sido campeão com treinadores estreantes, por vezes entrando mesmo com a época em andamento. E a maior parte das vezes os treinadores campeões não terminavam a época seguinte - por vezes, como Allison em 1982, nem a começavam. Foi esta tradição que Rúben Amorim veio quebrar. Esperemos que continue a contrariar a tradição e nos dê o bicampeonato.

De pedra e cal - Jordão marca o único golo na Luz

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Foi a 27 de Fevereiro de 1973 que Rui Jordão, na imagem ladeado por Carlos Espírito Santo e Laranjeira, marcou o único golo que bateu Botelho e deu a vitória... ao Benfica, frente ao Sporting (!), no que foi um jogo para o então Campeonato Distrital de Reservas.

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Legenda: Este remate de Jordão bateu Botelho sem apelo nem agravo. Estava marcado o primeiro

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A ideia de ter Rui Jordão a marcar um golo contra o Sporting e logo pelo Benfica, inquieta-me. Não sei se arrepio na espinha, se moinha, se pálpebra a saltitar. Sei que não gosto da sensação.

Seria possível que hoje, mais de 48 anos depois, por exemplo, Nuno Santos que fez a sua formação pelos de encarnado, devolvesse a gracinha?

É o meu prognóstico para hoje. 0-1 marca Nuno Santos. 

 

Fonte: acervo do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao próprio e ao seu filho, Ricardo Espírito Santo. 

Faz hoje um ano

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Imediatamente antes do jogo Sporting-Aves, que marcou a estreia de Rúben Amorim como treinador do Sporting, houve junto ao nosso estádio uma manifestação contra o presidente Frederico Varandas com a presença de largas centenas de adeptos e a entusiástica adesão da chamada Juventude Leonina.

A manifestação acabou por se prolongar nas bancadas do estádio, sobretudo na curva sul, de onde logo no início da partida já se escutavam indignadíssimos gritos não apenas contra os dirigentes do clube mas contra os próprios jogadores. 

«Estavam decorridos apenas 15 minutos quando começaram a escutar-se, de forma bem audível, vaias insistentes aos jogadores leoninos, cruzadas com gritos como "joguem à bola", "corram", "chutem". Quando será que estes adeptos perceberão que um ambiente tão hostil só perturba e desconcentra a equipa?» Palavras minhas, escritas no rescaldo desse jogo, que terminou com vitória do Sporting (2-0, golos de Sporar aos 62' e Vietto aos 64').

 

Fazendo uso da liberdade que me assiste, deixei claro antes da partida que não participaria naquela manifestação. E expliquei porquê. 

Num texto de que transcrevo este excerto:

«Há duas atitudes que nunca tomei nem tomarei: assobiar quem preside ao clube enquanto estou na bancada do Estádio José Alvalade e integrar protestos públicos em dias de jogo. Desde logo porque uma coisa e outra desestabilizam a equipa e dão alento aos nossos adversários. E eu apoio sempre a equipa - seja quem for o presidente, seja quem for o treinador.»

E mais este: 

«Respeito quem se manifestar mas considero um erro que este protesto público ocorra imediatamente antes do Sporting-Aves - tratando-se ainda por cima do jogo em que se estreia o sucessor de Silas, que a partir de hoje é o timoneiro do plantel leonino, gostemos ou não do tempo e do modo como foi contratado.»

Para concluir: «Serei sempre o último a contestar o direito à manifestação. Mas estarei sempre entre os primeiros que advogam uma separação clara entre dia de protesto e dia de jogo. É quanto basta para não aparecer lá.»

 

Na caixa de comentários, reagindo ao que escrevi, logo apareceu o antigo presidente Bruno de Carvalho, que à epoca aqui surgia com alguma regularidade. Com tanta rapidez, nesse dia, que até foi um dos primeiros a comentar:

«Não se preocupe, Pedro. A sua presença será dispensável porque os verdadeiros sportinguistas (a escumalha...) estarão em grande número na manifestação. Toda a gente que lê este espaço sabe qual o tipo de presidente que agrada ao Pedro, por isso fique lá a ver o jogo deste novo Sporting treinado pelo benfiquista fanático e liderado pelo inenarrável dr. Coragem (o homem que salvou o Sporting...). Estamos todos "estristes", menos o Pedro...»

 

Tudo isto a 8 de Março de 2020.

Relendo hoje o que ficou escrito, não tenho a menor dúvida em concluir de que lado estava a razão. 

E aproveito para alargar o debate aos leitores. Para que possam também pronunciar-se sobre o tema.

Para lembrar, sempre

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Faz hoje um ano. Luís Maximiano estreava-se num dérbi ao serviço da nossa equipa principal, quando viu a sua baliza (a baliza Vítor Damas) bombardeada com petardos, tochas e potes de fumo mal soou o apito para a segunda parte do Sporting-Benfica. Miserável "exibição" pirotécnica que forçou o árbitro a interromper o jogo por longos minutos, enquanto o próprio Max fazia de bombeiro apagando as chamas que deflagravam no relvado. 

Não esqueci a data: 17 de Janeiro de 2020. Eu estava lá. E senti vergonha de ver, entre os supostos adeptos do meu clube, energúmenos como estes, amontoados na curva sul do estádio. Comportando-se não como adeptos, mas como animais. Indignos de frequentar recintos desportivos.

Menos de dois meses depois, todos nós fomos enviados para casa devido à pandemia. Até hoje. Há certos males que vêm por bem. Pelo menos não voltei a sentir vergonha de estar ali. Pelo menos não voltei a sentir que tínhamos - como há um ano escrevi - o inimigo dentro de casa.

Fez ontem um ano

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Fez ontem um ano. Ao minuto 70 Luiz Phellype marcaria o único golo da partida contra o Moreirense, coroando de glória (e alívio) a estreia de (pelo menos) duas Leoazinhas no Estádio e Pavilhão João Rocha.

Luís Neto saiu do jogo maltratado, deixando no ar muita preocupação pelo seu estado. O ambiente no estádio pareceu-me frio, muito frio por comparação à última vez que lá estivera, na última partida disputada em casa, da época mais desafiante de que tenho memória.

Um ano depois, sem público nas bancadas, sinto-o quase gélido. O som ambiente dos jogos alterou-se de tal forma que ainda o estranho. O Capitão Fernandes da minha memória vivida em breve sê-lo-á por outro distinto emblema e Mathieu, da minha predilecção, pendurou as chuteiras.

Passou um ano, que parece valer por três.

Estranhezas à parte, tenho muitas saudades de ver o Sporting ao vivo e de vê-lo na casa que é de todos nós.

Jesualdo Ferreira e Rúben Amorim

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Primeira página do Record de 17 de Abril de 2013

 

Tenho lido, até por aqui em diversas caixas de comentários, que Rúben Amorim «falhou os objectivos» para que foi contratado. Porque foi incapaz de impedir que o Sporting ficasse «no pior lugar de sempre» do campeonato português. O quarto, após FC Porto, Benfica e Braga.

Estes dislates só podem ser provocados pela ignorância ou pela falta de memória, ampliadas pela estupidez que corre à solta nas redes sociais. Amorim foi contratado à 23.ª jornada da época passada não para qualquer objectivo de curto prazo mas para preparar um plantel capaz de conquistas desportivas. 

Mesmo assim, nesses 11 jogos que a equipa ainda fez sob o seu comando para a Liga 2019/2020, registou seis vitórias, três empates e duas derrotas - ambas, neste caso, frente a FC Porto e Benfica. Melhoria face aos 11 desafios anteriores (seis vitórias, um empate e quatro derrotas). E já sem contar com Bruno Fernandes, nosso melhor jogador dessa temporada.

 

O problema estava no plantel, como muitos de nós assinalámos desde o primeiro dia. Aliás bastava lembrar como se mostrava a equipa em campo: lenta, apática, sem iniciativa, sem nervo, sem alegria.

O trabalho do técnico só pode ser avaliado a partir do momento em que tem intervenção activa na escolha dos jogadores para a nova temporada. Verdadeiros reforços, não nomes sacados de algum fundo de catálogo, como sucedera um ano antes.

O resultado está à vista. Quatro anos depois, o Sporting volta a comandar isolado o campeonato, com mais golos marcados e menos golos sofridos do que qualquer outra equipa. Pedro Gonçalves - um desses reforços - já é apontado como melhor jogador da Liga. Há uma aposta decisiva nos talentos da formação leonina. E voltamos a ter um campeão europeu no onze titular.

 

Apontar responsabilidades a Rúben Amorim pelo quarto lugar do campeonato anterior - em que foi o quarto técnico a orientar a equipa, após Marcel Keizer, Leonel Pontes e Silas - equivale a atribuir culpa a Jesualdo Ferreira pelo péssimo desempenho leonino na Liga 2012/2013, quando o veterano técnico foi também o quarto e último treinador da temporada, após Sá Pinto, Oceano e Franky Vercauteren. Ou seja: não faz qualquer sentido. Mesmo tendo Jesualdo assumido, ainda no mês de Dezembro de 2012, as funções de manager desportivo - portanto já então com efectivas responsabilidades no futebol leonino.

Essa, sim, foi a nossa pior temporada de sempre. Não só pelo inédito e humilhante sétimo lugar do Sporting, mas também pela pontuação alcançada no final do campeonato: apenas 42 pontos. Menos 18 do que em 2019/2020. 

Aliás, conferindo o desempenho da equipa leonina no último quarto de século - desde que a vitória passou a valer três pontos nas competições futebolísticas portuguesas -, verifica-se esta evidência: as piores pontuações, além da já mencionada, ocorreram nas épocas 1997/1998 (56 pontos), 2002/2003 (59), 2007/2008 (55) e 2011/2012 (59). 

Quanto ao nosso quarto lugar da época passada, basta consultar a mesma tabela estatística. Nestes últimos 25 anos, ocorreu também em 1997/1998, 1998/1999, 2009/2010 e 2011/2012. Nada de novo, infelizmente.

Quem foi o presidente que trouxe Yazalde?

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Muitos adeptos do Sporting gastam imenso tempo nas redes sociais a falar de dirigentes e ex-dirigentes. Em comparação, pouco falam dos jogadores, o que me espanta. Em qualquer clube do mundo, só os jogadores são ídolos da massa adepta.

Mas o Sporting é diferente. Também nisto.

Não falta gente elogiando o jogador K e denegrindo o jogador W não pelo mérito ou demérito desses profissionais de futebol e do seu desempenho em campo, mas em função do nome do presidente que os trouxe para o Sporting.

Se vieram com X, só podem ser óptimos. Se vieram com Y, só podem ser péssimos. E vice-versa.

 

Tanta energia consumida com estas questiúnculas intestinas: dispara-se só para dentro e nunca para fora. Como se o inimigo estivesse dentro de casa. Como se todos os jogadores não fizessem parte do mesmo plantel e não trouxessem o mesmo emblema ao peito. 

A crise do Sporting é também uma crise de valores, bem simbolizada nestas discussões sem qualquer sentido. 

 

Alguém imagina, quando Héctor Yazalde chegou a Alvalade, que os adeptos perdessem um minuto sequer a debater os defeitos ou as virtudes de Brás Medeiros, o presidente que trouxe o saudoso craque argentino para o Sporting, ou a comparar esse dirigente com Homem de Figueiredo, seu antecessor na Direcção leonina?

Niinguém. O nosso interesse estava todo centrado nos jogadores, não nos presidentes ou nos vice-presidentes ou nos presidentes das assembleias gerais ou nos presidentes dos conseselhos fiscais ou nos anteriores dirigentes ou em putativos dirigentes que ansiassem ocupar futuros lugares nos órgãos sociais leoninos.

Felizmente a minha cultura clubística começou a ser forjada nessa época. Não queríamos saber quem fora o presidente responsável pela vinda do Yazalde: queríamos, isso sim, ver o argentino marcar golos. E aplaudi-lo sem reservas. 

Um tempo em que o Sporting Clube de Portugal era verdadeiramente um clube desportivo (e assim ganhava campeonatos) em vez de se parecer cada vez mais com um partido político (e assim continuará sem ganhar campeonatos no futebol, esteja quem estiver ao leme).

 

Problema dos dirigentes, dos técnicos e dos jogadores?

Em certa medida sim, mas este é sobretudo um problema de cada um de nós. Quanto mais deixarmos o pior da política infiltrar-se no clube, mais distante ficará o sonho de um dia voltarmos a festejar o título máximo no futebol.

Jogar feio, jogar bonito

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Equipa do Sporting que venceu o campeonato 1999/2000

 

Há um debate interminável, entre os sportinguistas, sobre a qualidade da prestação da equipa, mesmo quando ganha. Não falta quem se pronuncie contra o "resultadismo", advogando sempre exibições de gala. 

Eu gosto imenso de belos golos - e empolguei-me com os dois marcados em Portimão, por Nuno Mendes e Nuno Santos. Aprecio muito o futebol bem jogado.

Mas numa competição desportiva ponho o resultado acima de tudo. Lembrando sempre a vitória de Portugal no Campeonato da Europa disputado há quatro anos em França. Apesar dessa conquista inédita, o seleccionador Fernando Santos foi criticadíssimo. Porque, além da vitória, não pôs a equipa a "jogar bonito".

Lamento, mas para mim jogar bonito é ganhar. E jogar feio é perder.

 

A quem duvida, recordo a nossa penúltima vitória no campeonato nacional de futebol, em 1999/2000. Quantos desses desafios que fomos superando tiveram exibições de luxo? Quantas vitórias não foram alcançadas com muito acerto defensivo e muita bola guardada no nosso meio-campo? Quantos lances não resultaram do chamado pontapé-para-a-frente, bem aproveitado por um ponta-de-lança com faro para fazer golos?

Nesse ano ganhámos: o nosso futebol foi lindo. Mesmo quando parecia ser o contrário.

O Calabote do século XXI

 

Nunca é de mais lembrar um dos mais escandalosos roubos de que fomos vítimas. Aconteceu na final da Taça da Liga em 2009, quando um tal Lucílio Baptista - espécie de Inocêncio Calabote do século XXI - ofereceu de bandeja o título ao Benfica no momento em que inventou um penálti contra o Sporting e deu ordem de expulsão ao nosso lateral direito, Pedro Silva. Um penálti a pedido de um jogador encarnado, Di Maria, que logo levantou o polegar em sinal de agradecimento.

É instrutivo rever este vídeo para jamais esquecermos o obsceno nível de degradação a que chegou a descer a arbitragem em Portugal nesse tempo anterior ao VAR. Sob o irónico lema "limpinho, limpinho", imortalizado pelo neobenfiquista Jorge Jesus na sua primeira passagem pelo clube da Luz, onde nunca deixou de ser bafejado pelos apitadores de turno.

 

Neste caso concreto, lamento dizê-lo, a incompetência dolosa não foi apenas de Baptista: foi também dos jornalistas da SIC que narravam em directo esta final e que logo validaram a versão fraudulenta do herdeiro espiritual de Calabote. «Que é um facto que a bola bate na mão de Pedro Silva, é verdade: bate», apressou-se a declarar um deles. «A bola parece que bate claramente na mão esquerda do defesa do Sporting», corroborou o outro. Ambos coniventes com o atentado à verdade desportiva.

Não esqueçamos nunca. Porque estes (árbitros e jornalistas-comentadores) até já podem nem andar por aí, mas outros - pouco diferentes - tardam a sair de cena. Sempre prontos a embaciar a transparência desportiva ao serviço do emblema a que prestam vassalagem.

 

ADENDA: Alertado por um leitor, verifico que Baptista ainda anda por aí. Como vice-presidente da Secção de Classificações do Conselho de Arbitragem da FPF. Medalha por bons serviços?

Em memória de meu pai

Chego hoje a És a nossa fé, honrada pelo convite e empenhada em não desmerecer.

Chego hoje a És a nossa fé e cumpro o ritual de apresentação:

Madalena.

Professora, leitora, autora.

Sempre gostei de dizer: O meu coração é verde!

Nasci Sporting! No dia a seguir, muitos anos depois. E às vezes (há anos felizes!) consigo unir celebrações.

No arco-íris da minha infância, sempre o verde brilhou mais e, com o meu pai, aprendi a viver o Sporting, em valores, código de conduta e ecletismo identitário – o atletismo, o hóquei em patins, o ciclismo… e o futebol!

O futebol!

Era eu bem pequena quando se manifestou a crise quinzenal de domingo à tarde. Dia de jogo em Alvalade: o meu pai ensaiava saída sorrateira, de cachecol na mão, enquanto a minha mãe tentava distrair a miúda, que ficava em lágrimas birrentas – «Eu também quero ir!».

E um dia fui mesmo! E a estreia foi triste…

Lembro-me da confusão, da gritaria e do meu assustado choro. Sempre me foi dito ter-se jogado um Sporting vs Leixões: penalti (mal) assinalado a favor dos visitantes, convertido à segunda porque o Damas defendeu na primeira marcação e o árbitro mandou repetir. E o jogo acabou! Aos sete minutos porque houve invasão de campo!

Iludiram-se os meus pais, confiando na futura serenidade dominical. Engano! Quando suspeitei ser novamente dia de jogo, plantei-me à porta e disse: «Então, pai, vamos ao Sporting?».

Muito tive de esperar: o jogo da minha estreia (29 de outubro de 1972 – encontrei a notícia em Estórias d’Alvalade, de Luís Miguel Pereira, 2003) teve como consequência nove jogos de interdição do estádio (coisa estranha… ao que parece, houve tempo em que estes castigos eram cumpridos).

Mas voltei e voltei e voltei… E volto sempre! Sempre se regressa à casa do «nosso grande amor»!

Se o espetáculo da minha estreia na vivência futebolística foi triste e feio, embora ritual de iniciação robustecedor, muitos e muitos mais foram os momentos belos e de louca alegria. Com o meu pai, mais tarde também com o meu irmão, eu vi o Damas, o Manuel Fernandes e o Jordão; o Figo, o Ronaldo e o Nani; o Ivkovic, o Schmeichel e o Rui Patrício; o Beto, o Valckx e o André Cruz; o Oceano, o Sá Pinto e o Pedro Barbosa; o Balakov, o Iordanov e o Duscher; o Acosta, o Jardel e o Liedson…

Vi muitos e muitos jogos com o meu pai, sócio 2. 237, à data da sua morte, em 2019.

Volto sempre a Alvalade e sento-me no Lugar de Leão que foi dele.

De pedra e cal - Lino separa o trigo do joio

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«Enquanto Ronnie Allen tenta afinar a equipa e ganhar escudos, na África, Lino orienta outro grupo de futebolistas do Sporting insistindo, sobretudo na preparação física de modo a tê-los em ordem quando o inglês voltar com os «craques» e requisitar os serviços de alguns deles. Paralelamente, os serviços administrativos do Sporting vão contratando uns e colocando outros na lista de transferências (definitivamente, ou a título de empréstimo), ultimando pormenores para a fixação de um bom quadro de vinte e poucos profissionais.

Em Alvalade, ao sol de Agosto, deparámos com Lino puxando a bom puxar por dez elementos a quem a diversos exercícios físicos e a uma sessão nas bancadas verdadeiramente puxada de sobe-e-desce escada até estoirar. Lá estavam Chico (que regressou de férias anteontem e se esforça para recuperar a forma), João Machado (irmão de Nando, que jogou no União de Coimbra e que Allen quer ver, pelo menos durante mais um ano, em Alvalade), Castanheira e Augusto (igualmente ex-juniores mas que vão ser cedidos ao União de Leiria) e Rui Paulino (que assinou contrato com o Farense e breve rumará ao Sul).

Damas apenas tem aparecido para tratar da lesão (está ainda de férias) e Fraguito aparece esporadicamente nos treinos devido ao serviço militar. Espírito Santo, do União de Leiria e recém contratado, goza as suas férias. Dinis, como se sabe, já está em África. Resta resolver o caso Peres, que entretanto goza férias no Algarve e de Alhinho, com a Académica a ver quanto receberá do negócio.» 3/8/72

Quarenta e oito anos e doze dias depois, os serviços administrativos do Sporting também se encontram numa azáfama e a ultimar pormenores para a fixação de um bom quadro de vinte e poucos profissionais.

Esperemos que, na época que se inicia em breve, consigamos o mesmo desempenho na Taça de Portugal e muito melhor desempenho no Campeonato Nacional (1ª Liga). A ver, também, se em Abril próximo não precisamos de mudar de treinador (https://www.wikisporting.com/index.php?title=1972/73). Já agora, que na Liga Europa da UEFA alcancemos muito bons resultados.

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

Sporting: 80 anos de troféus em relance

1

Lista dos presidentes do Sporting que se sagraram campeões nacionais:

Joaquim Oliveira Duarte (1941)

Alberto da Cunha e Silva (1944)

António Ribeiro Ferreira (1947, 1948, 1949, 1951, 1952)

Carlos Góis Mota (1953, 1954)

Francisco Casal-Ribeiro (1958)

Joel Pascoal (1962)

Guilherme Brás Medeiros (1966, 1970)

João Rocha (1974, 1980, 1982)

José Roquette (2000)

António Dias da Cunha (2002)

 

2

Lista dos presidentes do Sporting que conquistaram a dobradinha (campeonato e Taça de Portugal):

Joaquim Oliveira Duarte (1941)

António Ribeiro Ferreira (1948)

Carlos Góis Mota (1954)

João Rocha (1974, 1982)

António Dias da Cunha (2002)

 

3

Lista dos presidentes do Sporting que venceram a Taça de Portugal nas épocas em que o Sporting não se sagrou campeão:

Augusto Barreira de Campos (1945)

António Ribeiro Ferreira (1946)

Horácio Sá Viana Rebelo * (1963)

Guilherme Brás Medeiros (1971)

Manuel Nazareth (1973)

João Rocha (1978)

Pedro Santana Lopes (1995)

Filipe Soares Franco (2007, 2008)

Bruno de Carvalho (2015)

Frederico Varandas (2019)

 

4

Lista dos presidentes do Sporting que nunca conquistaram qualquer dos dois principais títulos do futebol em Portugal:

Augusto de Aguilar (1942-1943)

Diogo Alves Furtado (1943)

Gaudêncio Costa (1961-1962)

Homem de Figueiredo (1964-1965)

Amado de Freitas (1986-1988)

Jorge Gonçalves (1988-1989)

José Sousa Cintra (1989-1995)

José Eduardo Bettencourt (2009-2011)

Luís Godinho Lopes (2011-2013)

 

* Tem a seu crédito também a Taça dos Vencedores das Taças (1964), maior troféu internacional conquistado pelo futebol leonino

Três momentos-chave

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Na avaliação do desempenho de vários presidentes do Sporting tem havido momentos-chave que condicionam a rota posterior dos seus mandatos, marcando-os pela negativa. Todos dominados pela relação conflituosa com treinadores. Em diversos casos, pode hoje concluir-se, nunca mais se recompuseram. 

Só para assinalar dois exemplos flagrantes, talvez mesmo os mais dolorosos, basta recordar o afastamento compulsivo de Malcolm Allison, em 1982, quando o técnico britânico acabara de conquistar com brilhantismo a penúltima dobradinha dos Leões, vencendo e convencendo no campeonato e na Taça, e o despedimento sumário de Bobby Robson, em 1993, a pretexto de uma derrota na Liga Europa, quando a nossa equipa liderava o campeonato.

Nem João Rocha, no primeiro caso, nem Sousa Cintra, no segundo, voltariam a recompor-se. 

 

Mais recentemente, outros três presidentes cometeram erros lapidares na relação com os treinadores ao ponto de a partir daí terem andado a pôr remendos, em fuga para diante: de cada vez que pareciam encontrar uma solução, só arranjavam um novo problema. 

Três pontos de viragem que estão aqui documentados por terem ocorrido já com este blogue em funcionamento. O primeiro, ocorrido após um ano de mandato presidencial. O segundo, quando estavam decorridos pouco mais de dois anos. O terceiro, quando ainda nem se haviam completado dois meses depois da posse.

Passo a recordá-los, pedindo-vos que me perdoem as autocitações. Creio ser por uma boa causa: só o permanente exercício da memória nos previne contra a repetição de erros semelhantes e sucessivos no futuro.

 

13 de Fevereiro de 2012: Godinho despede Domingos

«O sinal interno que se deu foi profundamente errado. Basta dezena e meia de energúmenos, gritando frases típicas de qualquer reles arruaceiro contra os jogadores e a equipa técnica no aeroporto de Lisboa, para fazer tremer a direcção, levando-a a afastar o treinador e tornar letra morta todos as garantias de continuidade proferidas nos últimos meses. Isto incentiva o pior dos populismos. Energúmenos deste género já levaram outras direcções a rescindir com Bobby Robson e José Mourinho, entre outros técnicos de indiscutível craveira. Se a moda pega, noutro dia qualquer os mesmos indivíduos voltarão a gritar impropérios com o objectivo de atrair as câmaras televisivas e fazer cair o presidente praticamente em directo nos telejornais. E talvez até tenham sucesso.»

 

15 de Maio de 2015: Carvalho afasta Marco Silva

«Parece cada vez mais evidente que Marco Silva não permanecerá no Sporting após 31 de Maio. Se vencer a Taça de Portugal, como todos desejamos, a sua saída será um erro colossal da direcção leonina, aparentemente pronta a afastar o único técnico que se prepara para nos dar um título em futebol profissional desde o já longínquo ano de 2008 (quando Paulo Bento conquistou igualmente a Taça de Portugal, seguida da Supertaça). Um erro somado a tantos outros. (...) O experimentalismo contínuo, que não permite sedimentar processos de jogo e modelos tácticos nem criar verdadeira empatia entre adeptos e equipas técnicas, tornou-se lei comum em Alvalade. A instabilidade não vem de fora, vem de dentro.»

 

1 de Novembro de 2018: Varandas despede Peseiro

«Não sendo ingrato, deixo aqui uma palavra de apreço pessoal ao único treinador que na hora mais difícil se dispôs a encabeçar uma missão quase impossível enquanto outros assobiavam para o lado. Sai como bode expiatório da primeira etapa do pós-brunismo, agora encerrada. A que vai abrir-se - sem atenuantes nem desculpas - é toda do presidente, já sem o treinador de Cintra a servir-lhe de pára-choques. Lenços nas bancadas, haverá sempre - ao menor pretexto. Faz parte da autofagia leonina, reforçada pelo contexto em que emergiu o actual elenco directivo no Sporting. Talvez num futuro próximo possam até multiplicar-se, encorajados pelo que sucedeu na madrugada de hoje, pouco depois de uns quantos acenos de despedida num estádio quase vazio para uma prova que nos é praticamente indiferente.»

O súbito "surto de dívidas"

Há épocas recorrentes nos órgãos de comunicação social. Há a "época dos fogos", a época balnear, a época dos "surtos de gripe", a época dos assaltos (esta, em regra, coincidente com o defeso futebolístico, que instala um súbito vazio em várias redacções). 

Existe também, sobretudo na imprensa desportiva, a época do "surto de dívidas". Os mais incautos e distraídos poderão supor que se trata de algo inédito, nunca ocorrido antes, absolutamente em estreia, e que só envolve o Sporting. Como se todos os clubes não devessem a outros clubes quantias de maior ou menor dimensão neste mercado sempre flutuante das movimentações de jogadores, com ou sem crise pandémica.

É tempo de sossegar tão boas almas. Os "surtos de dívidas" estampados nas manchetes dos jornais funcionam à semelhança das "vagas de assaltos" destinadas a preencher vazios informativos: são cíclicos, recorrentes e motivados por indignações muito selectivas. Hoje visam esta administração da SAD leonina, mas já visaram gerências anteriores.

Seguem-se alguns exemplos, enumerados sem grande esforço de memória.

 

26 de Abril de 2016:

Doyen acusa o Sporting de lhe dever 15 milhões de euros, acrescidos de juros, relativos à transferência de Rojo para o Manchester United e da rescisão do contrato com Labyad.

 

19 de Maio de 2017:

Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça, executa parte da dívida do Sporting à Doyen, avaliada em 17 milhões de euros, penhorando 2,5 milhões de receitas leoninas nas competições europeias.

 

25 de Março de 2018:

Braga reclama junto do Sporting cerca de um milhão de euros alegadamente em falta, quantia correspondente à segunda parcela pela transferência de Battaglia.

 

27 de Março de 2018:

Racing Avellaneda pondera apresentar queixa contra o Sporting na FIFA por falha no pagamento da última prestação relativo à venda de Acuña, estando em causa 1,65 milhões de euros

 

5 de Agosto de 2018:

V. Guimarães ameaça formalizar queixa contra o Sporting na FIFA por falta de pagamento de uma prestação relativa à transferência de Raphinha no valor de 2,5 milhões de euros.

 

Os números que explicam tudo

Nos últimos 22 clássicos, contra Benfica e FC Porto, o Sporting só conseguiu vencer em duas ocasiões no tempo regulamentar: derrotando o FCP na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal 2018, quando Jorge Jesus orientava a equipa, e batendo o SLB na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal 2019, quando Marcel Keizer (um técnico muito mais barato do que o primeiro) comandava a nau leonina.

São números que explicam tudo.

 

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11 de Dezembro 2016

Benfica-Sporting (2-1)

4 de Fevereiro 2017

FC Porto-Sporting (2-1)

22 de Abril 2017

Sporting-Benfica (1-1)

1 de Outubro 2017

Sporting-FC Porto (0-0)

3 de Janeiro 2018

Benfica-Sporting (1-1)

24 Janeiro 2018

Sporting-FC Porto (0-0) Taça da Liga

7 de Fevereiro 2018

FC Porto-Sporting (1-0) Taça de Portugal

2 de Março 2018

FC Porto-Sporting (2-1)

18 de Abril 2018

Sporting-FC Porto (1-0) Taça de Portugal

5 de Maio 2018

Sporting-Benfica (0-0)

25 de Agosto 2018

Benfica-Sporting (0-0)

12 de Janeiro 2019

Sporting-FC Porto (0-0)

26 de Janeiro 2019

Sporting-FC Porto (1-1) Taça da Liga

3 de Fevereiro 2019

Sporting-Benfica (2-4)

6 de Fevereiro 2019

Benfica-Sporting (2-1) Taça de Portugal

3 de Abril 2019

Sporting-Benfica (1-0) Taça de Portugal

18 de Maio 2019

FC Porto-Sporting (2-1)

24 de Maio 2019

Sporting-FC Porto (2-2) Taça de Portugal

4 de Agosto 2019

Sporting-Benfica (0-5) Supertaça

5 de Janeiro 2020

Sporting-FC Porto (1-2)

17 de Janeiro 2020

Sporting-Benfica (0-2)

15 de Julho 2020

FC Porto-Sporting (2-0)

Já esquecidos de Alcácer-Quibir

PLANO-CRÍTICO-MANOEL-DE-OLIVEIRA-NON-OU-A-VÃ-GL

Fotograma do filme Non ou a Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oliveira (1990)

 

1

Nas dez temporadas anteriores a esta, o Sporting perdeu nove vezes no estádio do Dragão para a Liga portuguesa de futebol. Com treinadores tão diversos como Paulo Bento, José Couceiro, Sá Pinto, Oceano Cruz, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Jesus e Marcel Keizer. A excepção ocorreu na época 2015/2016, a primeira das três em que Jesus liderou a equipa técnica.

Basta este registo estatístico para comprovar que a nossa crise de resultados no clássico já vem de longe.

Mesmo assim, a mais recente derrota do Sporting fora de casa, contra o novo campeão nacional, bastou para fazer emergir a pior faceta de alguns adeptos: em vez de se congregarem em torno das nossas cores, quando há ainda pelo menos um objectivo a cumprir nesta época (um lugar no pódio do campeonato) e falta defrontarmos o nosso mais velho rival, desatam a dizer mal de tudo agitando os fantasmas de sempre enquanto bradam pelo regresso de D. Sebastião. Já esquecidos de Alcácer-Quibir.

 

2

Uns exigem "demissões já", frase que vêm gritando há dois anos com o sucesso que todos conhecemos.

Outros invocam com fingida saudade nomes de jogadores que deixaram de pertencer ao clube como exemplos de excelência - omitindo agora os insultos que lhes dirigiam quando eles vestiam de verde e branco - só para rebaixarem e desmoralizarem os miúdos que hoje despontam na equipa principal do Sporting.

Não falta também quem urre contra o "excesso de jovens" quando antes clamava pela indispensável "aposta na formação".

Há ainda aqueles que procuram sem cessar o brilho dos holofotes atrevendo-se a falar em nome do universo leonino quando afinal são incapazes de trocar a palavra "eu" pela palavra "nós". Este é o teste do algodão, que nunca engana.

 

3

Tudo isto, repito, na sequência do 0-2 registado quarta-feira no Dragão - a nossa primeira derrota desde Fevereiro, e quando falta cumprir dois jogos para a conclusão desta atribulada Liga 2019/2020.

Para azar de tal gente, nestas alturas todos percebemos quem é genuinamente adepto e quem apenas se serve do Sporting como pretexto para insuflar o ego à boleia de um desaire.

É nos momentos adversos que se avalia com maior rigor o verdadeiro calibre leonino de quem proclama amor incondicional ao Clube. Quando se ganha, qualquer um trauteia o hino e agita o cachecol.

Mas é bom que uns e outros se convençam disto: a grande maioria da massa adepta, farta até aos cabelos de profetas da desgraça e já imunizada contra ególatras de todo o género, não se deixa iludir.

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