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És a nossa Fé!

A noite em que Alvalade foi diferente de todas as outras noites

O entendimento de qualquer realidade depende muito da experiência de cada um sobre a mesma e da percepção que conseguiu obter.

Por exemplo, o entendimento da Covid19 é muito diferente entre quem se viu forçado ao lay-off ou confinado ao teletrabalho "aturando" filhos irrequietos, ou quem esteve nos Cuidados Intensivos ou viu morrer familares sem lhes poder valer. Muito diferente. Como em muitos outros casos.

O meu entendimento do que seria a desgraça de Bruno de Carvalho, que conseguiu depois aliar a completa deserção do comando do futebol do Sporting ao descontrolo da situação com a Juveleo, ao que se seguiu o não pedido imediato de demissão depois do assalto a Alcochete e a teimosia de se agarrar ao poder que conduziu às rescisões e a atropelos vários aos estatudos e regulamentos do clube, teve muito a ver com a recepção ao Paços de Ferreira em Alvalade, em que por cinco ou seis vezes durante o jogo se ouviu um coro de (mais ou menos, a julgar do sítio onde eu estava) 50% do estádio, a clamar "Bruno, cabrão !!! Pede a demissão !!!"

A minha percepção foi a de quem lá esteve, mas muitos não estiveram e nunca perceberão o que foi naquele dia a repulsa duma grande fatia dos sócios presentes pelo descontrolo completo da personagem que muitos tinham ajudado a reeleger poucos meses antes.

Tentando recuperar na Net o que foi esse dia, encontro esta descrição na TVI24 (https://tvi24.iol.pt/sporting/liga/a-noite-em-que-alvalade-foi-diferente-de-todas-as-outras-noites):

"O Estádio José Alvalade viveu neste domingo uma situação pouco habitual. Durante o jogo entre Sporting e Paços de Ferreira, os cerca de 40 mil espectadores presentes nas bancadas fizeram questão de manifestar de que lado estão na «guerra» guerra entre jogadores e presidente.

Bruno de Carvalho assistiu ao jogo no banco de suplentes e foi notório que, se a relação entre dirigente e jogadores está longe de ser saudável, a aceitação no seio dos adeptos também já viveu melhores dias.

Quando o presidente dos leões subiu ao relvado, instantes antes do apito inicial da partida, a grande fatia das bancadas (à exceção da zona das claques) dirigiu-lhe um enorme coro de assobios e, entre insultos pelo meio, exigiu a sua demissão. Após o jogo, Bruno de Carvalho não deixou passar o momento e deixou um aviso em declarações aos jornalistas: «Alguns adeptos do Sporting vão, mais cedo ou mais tarde, perceber a gravidade moral daquilo que fizeram hoje. Têm todo o direito de chamar nomes, mas chamarão às pessoas da família deles e não a mim.»

Ao longo da noite, houve lenços brancos, muito apoio aos jogadores mas também contestação: a Juve Leo, ao lado do presidente Bruno de Carvalho, desfraldou duas tarjas com a seguinte mensagem: «Jogadores: amar e sentir o clube. Tudo o que vocês não sentem.»

Os incentivos à equipa contrastaram com os apupos dirigidos a Bruno de Carvalho, que voltaram a subir de tom ao intervalo e após o apito final, altura em que o presidente do Sporting, com claras limitações físicas, precisou do auxílio de alguns elementos do staff leonino e de um segurança para se levantar do banco de suplentes e sair do relvado pelo túnel de acesso aos balneários.

Nessa altura, a equipa de Jorge Jesus trocava cumprimentos com adversários e agradecia pouco depois o apoio das claques junto à bancada sul. De seguida, os jogadores deram uma volta ao relvado e agradeceram o apoio dos restantes adeptos, com Alvalade ao rubro e, pela primeira vez na noite, em aparente plena comunhão de espírito."

Video:
 

https://tribunaexpresso.pt/multimedia/video/2018-04-09-O-filme-de-uma-noite-diferente-assobios-insultos-dores-de-costas-e-uma-marquesa

Conferência de imprensa:

https://maisfutebol.iol.pt/videos/5aca8fcc0cf29778fd1ec823/bruno-de-carvalho-foi-a-sala-queixar-se-de-insultos

Acho que estes documentos ficam muito aquém do que foi aquela noite. Quem tiver melhores que os refira, mas já dão uma ideia.

Bruno de Carvalho quer mesmo voltar a ser presidente do Sporting? 

SL

Para que nunca se repita

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Foi há dois anos. Um bando de jagunços, de focinho tapado, assaltava a Academia de Alcochete, partindo tudo quanto via à frente, destruindo parte das instalações, agredindo jogadores, membros da equipa técnica e funcionários do Sporting.

Entraram sem ninguém os deter e quando se fartaram de bater saíram tranquilos, sempre de fuça coberta. Como se fosse uma coisa normalíssima. 

Isto quando faltavam cinco dias para a final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o Aves. Sabemos o triste desfecho desta partida, que nunca devia ter-se jogado na ressaca imediata daquele assalto.

 

O País parou, incrédulo e vexado, a ver as tristes imagens que não tardaram a ser exibidas em televisões e redes sociais de todo o mundo.

Falando em nome próprio e dos seus colegas, Bas Dost viria a ser um dos primeiros a quebrar o silêncio. Declarando, ainda combalido: «Ficámos todos aterrorizados, aquilo foi uma ameaça real. Sinto-me completamente vazio, foi um drama para todos.» 

A notícia destas agressões abalou todo o universo sportinguista e causou danos reputacionais quase irreparáveis ao emblema leonino. Nos dias imediatos já se falava nas rescisões unilaterais de contratos de grande parte da nossa equipa-base de futebol profissional, o que infelizmente acabou por suceder.

 

Alcochete deixou uma ferida aberta no Sporting. Uma ferida que ainda não cicatrizou por completo, tanto tempo depois.

Há que seguir em frente e construir o futuro. Mas sem esquecer o que aconteceu. Para que nunca se repita.

Uma data para lembrar sempre

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Faz hoje 20 anos, no mandato do presidente José Roquette. Uma brava equipa comandada por Augusto Inácio recuperava para o Sporting o ceptro de campeão, perdido 18 anos antes. A 14 de Maio de 2000, voltávamos ao posto máximo do futebol português.

Não podemos esquecer os heróis dessa odisseia: Peter Schmeichel, Acosta, Beto, André Cruz, Rui Jorge, César Prates, Mpenza, Pedro Barbosa, Duscher, Vidigal, De Franceschi, Ayew e Iordanov, entre outros.

Ainda se lembram onde estavam e o que fizeram naquele dia?

Foi há 20 anos

Há 20 anos quebrámos um jejum de títulos de 18 anos. O ceptro de 1999/2000 foi histórico, emocionante e surpreendente. Neste momento, contudo, já estamos outra vez com outros 18 anos volvidos sobre o último título de Campeão Nacional da Primeira Liga de futebol (em 2001/2002). É tempo de voltar a escrever páginas gloriosas na História do SCP: chega de lamúrias e de loucuras, o Sporting precisa de boa gestão, sentido de responsabilidade e muita ambição.

De pedra e cal - Pelado em frente à porta 10 A

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Na imagem: Baltazar, Carlos Pereira, Carlos Espírito Santo e Vagner

 

Se a porta 10 A dispensa apresentações, o pelado contíguo, outrora palco onde craques to be se mostravam pela primeira vez, não menos.

Foi neste espaço que muitos jogadores se revelaram e outros tantos se treinaram, para gáudio dos transeuntes.

Aqui fica o registo possível, com alguns protagonistas (de uma década) ainda hoje recordados como aquilo que constituem: parte importante no sedimentar do Sporting Clube de Portugal e do Sportinguismo.

Imagem: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

De pedra e cal - A mais distinguida filial algarvia

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Legenda: No Jamor, o Sporting Clube de Portugal defronta o Sporting Farense. O bloco de comandados por Ronnie Allen: (na primeira fila: Carlos Pereira, Tomé e José Carlos) vai enfrentar os representantes da mais distinguida filial algarvia. Luta Familiar que não pode resultar em problema leonino.

 

O jogo aconteceu a 14 de Janeiro de 1973 e o Sporting ganhou por 4-0. Mesmo assim a equipa de Faro conseguiria ficar em 11º lugar no campeonato e chegar até às meias-finais da Taça de Portugal, troféu ganho pelo nosso Clube. A nossa equipa era comandada por Ronnie Allen que nos deixou no final da época.

No dia em que se confirma a subida do Sporting Clube Farense (1 de Abril de 1910), filial n.º 2 do Sporting Clube de Portugal, congratulo-me e partilho esta memória longínqua. 

As minhas memórias, são outras. A primeira vez que vi o Sporting Clube de Portugal em campo, foi no S. Luís, em Faro. A primeira vez que pus o pé num estádio de futebol, foi no S. Luís, em Faro. O meu Farense, é o de Paco Fortes e do temível Hassan. O meu Farense, é o que na época 94/95 garantiu acesso à Taça UEFA. O meu Farense, nossa filial n.º 2, está de volta ao palco principal do futebol nacional e eu sinto-me duplamente feliz.

O meu coração é, e será sempre, exclusivamente verde e branco, mas na próxima época, estará ainda mais palpitante.

Seja bem-vinda à Primeira Liga, cara filial n.º 2. Estou absolutamente certa de que as disputas familiares da próxima época, não vão resultar em problema, mas em grande festa leonina.

Muito obrigada, caro Leão da Amadora.

 

Imagem: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

*Edição: distinguida por distinta (legenda e título).

Persistência da Memória II

Di Stéfano

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Legenda: A equipa do Sporting efectuou ontem, no Estádio Nacional, o seu primeiro treino sob o comando técnico de Di Stéfano. Aqui vemos [Carlos Espírito Santo, círculo em redor da cabeça] o ex-barreirense Valter, o novo recruta «leonino», na execução de um exercício, seguido de Baltasar e Yazalde. [7-8-1974]

 

Após partilhar uma imagem de Alfredo di Stéfano no Estádio do Jamor na qualidade de treinador do Sporting Clube de Portugal, tomei conhecimento da existência de uma entrevista concedida por Fernando Massano Tomé, em 2018, a Rui Miguel Tovar ao longo da qual abordou a passagem de Di Stéfano pelo nosso Clube.  

 

E o que se passou entre ele o Di Stéfano?
Eles não se davam bem. Houve um dia, durante o estágio no Brasil, em que o João Rocha sentou-se ao lado do Di Stéfano e ele saiu da mesa. Beeeem, estás a ver? A verdade é que o Di Stéfano nem ficou aqui para a primeira jornada do campeonato, quando perdemos 1-0 em Faro com a Olhanense. Nesse dia, foi o adjunto Osvaldo Silva quem assumiu a equipa.
 
E o Di Stéfano, que tal?
Ele percebia de futebol, só que estava acostumado ao futebol espanhol.
 
Isso quer dizer o quê?
Por exemplo, ele só queria guarda-redes que fossem bisarmas. Chegou aqui e apanhou dois fininhos: Damas e Botelho.
 
Bolas, o Damas?
E o Damas já era da seleção, só que o Di Stéfano até disse ao João Rocha que precisava de um bom “portero”. E ainda um bom defesa-esquerdo, quando tínhamos o Inácio e o Da Costa.
 
E o João Rocha?
Disse-lhe que não, claro. E até sugeriu, em tom de brincadeira, que metesse o Chico Faria à esquerda.
 
E depois?
O Di Stéfano saiu e assumiu o adjunto Osvaldo Silva. Depois veio o Fernando Riera, chileno. Tinha o hábito de beber um Dão aquecido antes dos jogos.

 

Ficam esclarecidos os contornos da passagem de Di Stéfano pelo Sporting bem como os motivos que terão estado na origem da sua curta permanência.

 

Imagem: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

De pedra e cal - Gente que foi do Sporting

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A 5 de Janeiro de 1980 este grupo de ex-jogadores do Sporting reuniu-se em Leiria, treinou e, presumivelmente, jogou.

A de 1 Maio de 2020, no Dia do Trabalhador, aqui estão: Gente que foi do Sporting

Talvez não ambicionasse à data, talvez nem sonhasse que viria um dia a ser nosso treinador. Jorge Jesus, homem que desperta ódios e paixões, faz parte da história passada e recente do Sporting Clube de Portugal. 

À sua maneira, cada um destes homens contribuiu para o que o Sporting Clube de Portugal hoje é.

Legenda recorte: GENTE QUE FOI DO SPORTING - incluindo Fernando Peres, nada menos de dez unionistas já passaram pelo Sporting. Antes do treino de conjunto, os ex-leões: Jesus, Quaresma, Pinhal, Garcês, Fernando Peres, Espírito Santo, Dinis II, Tomé, Padrão e Dinis.

Comentários Facebook:
Carlos Padrão: LOL... o tempo volta para trás, boaaaaaaaaaaaa LOL

Fernando Massano Tomé: Do passado vivem os museus como alguém já disse, mas é tão bom recordar velhos tempos, irmanados no mesmo sentimento e amizade, um grande abraço para todos os da foto e para os outros.  

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

Persistência da Memória

Alfredo di Stéfano

A passagem de Alfredo di Stéfano pelo Sporting foi breve. Considerado por muitos o melhor jogador de todos os tempos, sentou-se na cadeira de treinador durante o início da época 74/75. Em comentário a esta imagem - no perfil Facebook de Carlos Espírito Santo - disse o nosso jogador Tomé que Di Stefano saiu após o primeiro jogo para o campeonato (que se jogou em Faro e que o Sporting perdeu por 1-0). Numa peça a propósito da sua morte, é dito que não chegou a sentar-se no banco. Podereis esclarecer, Sportinguistas?

Graças à natureza supersónica da sua passagem pelo Sporting, Alfredo di Stéfano não alcançou a Glória que se esperaria, ainda assim, aqui fica este registo para a posteridade efectuado no Estádio Nacional, no arranque da época 74-75. Nessa época o Sporting sagrou-se campeão nacional e o treinador nascido na Argentina, voltaria a treinar apenas na época seguinte (Rayo Vallecano).

Que me lembre, esta foi a primeira e única fotografia em que vi Don Alfredo di Stéfano ao serviço do Sporting.

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Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

De pedra e cal - Do passado que nos liberta para o Futuro

Antes ainda de pai e mãe “AL” namorarem – acontecimento que precede o meu nascimento em muitos anos –, já Sporting Clube de Portugal contava com mais de 60 anos de existência, fizera-se representar em diferentes recintos desportivos em Portugal e pelo Mundo, conquistando simpatizantes e mobilizando adeptos. Afiliando, naturalmente, todos aqueles que, reunindo condições para o efeito, quiseram formalmente assumir-se Sportinguistas.

Quem, como eu, nasceu na década de 80, descobre rapidamente que há uma riquíssima história que nos precede, que se desenhou com base na visão extraordinária de um conjunto de Homens e co-construiu (e constrói) graças à acção directa de outros tantos.

Esta história que nos precede a todos ganha vida de cada vez que homem, mulher ou equipa se apresentam competidores de Leão Rampante ao peito. A cada entrada num recinto desportivo, é o Sporting Clube de Portugal que projectamos para o futuro.

No dia em que celebramos a Liberdade, evoco uma memória ainda viva – porque feita de experiência vivida – para alguns dos Sportinguistas que por aqui passam. Abro espaço a que o glorioso passado seja trazido para o presente, para que nunca esqueçamos como aqui chegámos, onde deve, por isso, estar a tónica, qual é o fim último da acção directiva e quem são os verdadeiros protagonistas. Foi em torno de protagonistas como aqueles que aqui vos trago, que Sporting Clube de Portugal cresceu, expandiu-se e existe até aos nossos dias.

No dia em que celebramos a Liberdade, agradeço – especialmente – aos estimados Leão de Queluz, Fernando Albuquerque e (saudoso) Carlos Silva, pela riqueza inestimável de tantas partilhas, acontecidas a cada interacção. São a viva voz, no presente, do glorioso passado, e que muito contribuem para que todos nós saibamos garantir o futuro. E o futuro assegura-se de cada vez que sedimentamos o que realmente importa. É graças à acção combinada dos protagonistas de outros tempos, à vossa devotada presença que sabemos exactamente como estar - quem somos, de onde vimos – e como manter os olhos postos na Glória, projectando-nos para o futuro.

Feliz dia da Liberdade, Sportinguistas. Contem comigo para ser sempre parte da acção combinada que assegurará que o nosso Sporting é livre.

Será sempre graças à acção combinada dos verdadeiros protagonistas que o Sporting Clube de Portugal está de pedra e cal.

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Na legenda: A 24 horas de ir para férias, o Sporting tira a clássica foto que recorda uma época de trabalho. Em cima, o treinador-adjunto Osvaldo Silva, massagista Monteiro, Damas, Chico, Fraguito, Espírito Santo, Tomé, Caló, Yazalde, o treinador Mário Lino, o novo reforço Baltasar, Bastos Alhinho, Carlos Pereira, Pinhal, José Carlos e o massagista Manuel Marques. Ajoelhados: Gonçalves, Hilário, Joaquim Rocha, Moniz, Álvaro Jorge, Márinho, Dinis, Nelson, Manecas, Manaca, Vagner e Botelho.

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

O Sporting não precisa de heróis

José de Pina descreve, e muito bem, a alucinação em que alguns Sportinguistas vivem, acreditando que o Sporting só nasceu em 2013. Já antes, desde sempre, o Sporting sempre foi grande! E, desde sempre, houve gente a lutar contra o sistema que se instalou no futebol nacional.

O Sporting não precisa de heróis, muito menos de Dons Sebastiões. O Sporting precisa é de todos os seus adeptos a pensarem no Sporting e não divididos entre o "Sporting de A" e o "Sporting de B". Sporting há só um, o Clube de Portugal!

 

O jogo…

que no passado sábado fez trinta e oito anos.

(Sporting: 3 - Benfica: 1,  época 1981/1982)

No youtube pode encontrar um resumo deste jogo. (Ver aqui)

 

«Marques Pires apita para o jogo mais terrível da sua carreira. Os jogadores irrompem como feras acossadas e os primeiros dois minutos são disputados a alta velocidade como se a maratona se transformasse numa prova ao Sprint. Baroti e Allison, cada um em seu banco, permanecem silenciosos, como generais observando o movimento das tropas no campo de batalha. O ruído fica por conta das restantes quarenta mil gargantas.

Aos 12 minutos, numa bola junto da área do Sporting, Jordão toca para lá da linha de fundo. É pontapé de canto. Carlos Manuel marca com um pontapé sinuoso, que descreve uma curva larga, antes de se precipitar para a baliza. A bola sobrevoa Meszaros. Na linha de golo, Marinho cabeceia-a para longe, enquanto Humberto Coelho levanta os braços em festejo precoce. A trinta metros de distância, o fiscal de linha Rui Santiago levanta a bandeira e assinala ao chefe de equipa que a bola transpôs por completo a linha. Golo do Benfica.

«Garanto-lhe que a bola não entrou», exclama, ainda hoje, Marinho com indignação. «As minhas pernas estão dentro de campo e o corpo está alinhado na direcção do poste. Para mim, a validação do golo teve uma única explicação: o fiscal de linha tinha todos os adeptos do Benfica atrás de si, na bancada lateral. Assustou-se com os gritos e achou que foi golo.» A mesma percepção têm Meszaros, Lito e Eurico, jogadores próximos da jogada. Só Carlos Xavier intui que a bola terá cruzado a linha: «Em campo, fiquei com a ideia de que tinha entrado. E isso criou um ligeiro desnorte. Não é fácil entrar num jogo daqueles logo a perder na primeira ocasião do adversário.»

No Diário de Lisboa, Neves de Sousa sintetiza o sentimento geral de um derby que começa de forma tão peculiar, com um «tento que poucos viram [...], cortado de cabeça por Marinho, sem que alguém, em mundo terrestre, possa jurar pela saúde da mãezinha e com mão sobre a Bíblia, que o ex-futuro-próximo bracarense estava com a tolinha para além do risco de cal».

Eurico mora então em Ponte de Frielas e o árbitro Marques Pires gere uma pequena boutique, a Túlipa Negra, em Loures. Por acidente, encontram-se nos dias subsequentes ao jogo. «O próprio árbitro não sabia se a bola tinha entrado, mas o sinal do fiscal de linha fora categórico», lembra Eurico. «E o Marques Pires disse-me: “Por culpa desse lance, da dúvida se teria ajuizado bem, não andei seguro no resto da partida.” Julgo que esse lance interferiu com as restantes decisões porque o árbitro passou toda a primeira parte a remoer se teria validado um golo sem razão.»

Sete minutos mais tarde, com o Sporting a pressionar a equipa rival em busca da igualdade, dá-se novo lance controverso na área adversária. «O Frederico entrou de “carrinho” e derrubou-me», conta Lito. «A bola seguiu para o Manuel Fernandes que foi igualmente derrubado pelo Humberto. À segunda, o árbitro marcou mesmo penalty.»

Jordão tem agora a prova de fogo, o teste aos nervos. Pouco importam as grandes-penalidades falhadas no Inverno. Este é um dos penalties mais importantes da sua vida. E o avançado marca-o com muita calma, enganando Bento, o guarda-redes benfiquista. «Senti uma força enorme quando o Jordão empatou», acrescenta Carlos Xavier. «Acreditámos todos que éramos melhores e que ganharíamos o jogo.»

Com os nervos à flor da pele, as duas equipas precipitam-se para os balneários no intervalo. Da tribuna de honra, João Rocha despede-se por momentos dos convidados e desce à cabine. «O presidente chegou até nós, disse algumas palavras de circunstância e aumentou o prémio de jogo. Ali, naquela hora, no calor do momento», conta Nogueira.

Na segunda parte, o Sporting começa a assenhorear-se do jogo. Vem à superfície a superior preparação física dos jogadores e a capacidade de Virgílio, Ademar e Nogueira para controlar todo o meio-campo. Lito é, na opinião do Record, a «gazua que tudo abriu». O jogo fica mais partido. Menos jogadores recuperam quando as respectivas equipas perdem a posse de bola. Num contra-ataque rápido, Manuel Fernandes é lançado em profundidade. O capitão acelera até à bola ao mesmo tempo que o guarda-redes do Benfica desliza na sua direcção. O embate é inevitável. Bento chega uma fracção de segundo mais cedo e agarra a bola. O jogador do Sporting choca com o guarda-redes e toca-lhe com a bota na nuca. Segue-se uma cena que entra de rompante para a galeria do derby inesquecível da capital.

«O Bento sai desenfreado, como se estivesse louco, na direcção do Manuel Fernandes», conta Lito, o jogador mais próximo do lance. «Julgo que nem se lembrou que o jogo não fora interrompido. Ainda ouço o Manei a gritar-lhe: “Tem calma, tem calma!"» O guarda-redes do Benfica agride com um sopapo o avançado do Sporting dentro da área e depois cai em si, pontapeando a bola para fora e agarrando-se à cabeça. Muitos anos mais tarde, em 2003, Manuel Fernandes recapitulou o lance ao jornalista Luís Miguel Pereira: «Ele estava cego. Só me disse: “És sempre a mesma merda!” e bate-me na cara. Quando senti o toque, atirei-me para trás. Hoje posso confirmar que simulei um bocadinho. Percebi que aquela atitude podia “entregar-nos” um bocadinho o jogo.»

Como João Alves lembrará no próprio dia do jogo, Bento passara pelo mesmo num jogo traumático em Famalicão três anos antes, sofrendo então um pontapé que lhe rompera o couro cabeludo e o levara a desmaiar no aeroporto de Pedras Rubras. A recordação desse incidente terá sido mais forte. E é provável também que o guarda-redes internacional tenha ficado então convencido de que o árbitro assinalara grande penalidade pelo contacto original. Semanas mais tarde, ainda a quente, o capitão do Sporting reconhecerá: «Tive de me conter e lembrar-me que estava muito em jogo para não responder e não prejudicar a minha equipa.»

No final, Bento acusa de Manuel Fernandes de repetir golpe idêntico já tentado pela CUF em jogo contra o Barreirense: «Já estou farto de levar pontapés na cabeça. Ele fez um teatro dos diabos. No cinema, os actores também não se agridem e toda a gente fica com a sensação de que eles se agridem violentamente.» Marques Pires lamenta não ter tido opção e lembra para quem o quer ouvir que até é barreirense como o jogador expulso, mas não pode socorrer-se do bairrismo para salvar os compadres da terra. Nos dias seguintes, notícias fantasiosas sugerirão que a expulsão fora a estratégia do árbitro para eliminar a concorrência comercial da boutique de Bento à sua loja de decoração!

No outro extremo do campo, Eurico goza a performance. «Conheci bem os dois e garanto que não foi intencional o Manei deixar o pé para magoar o Bento, mas foi intencional ficar quietinho à espera do embate. Até parece que o estou a ouvir, com aquele grito muito dele: “Aiiiii!” Caiu «desmaiado» e depois, no solo, abria um olho para ver o que estava a acontecer e que sanção estava o Marques Pires a assinalar. É daquelas histórias que ficam para sempre. Ainda perguntou do chão para grande irritação dos adversários: “O gajo já expulsou o Bento?” E nós: “Já, já está. Podes levantar-te!”»

Também a Luís Miguel Pereira, Manuel Bento recordará, já sem amargura, a noite mais difícil da sua carreira - na sua versão, a avaliação do lance é afectada por um factor que não controlava: «Só me esqueci de uma coisa: o Marques Pires é sportinguista. Devia ter pensado nisso antes de me encostar ao Manei. Apesar de tudo, no dia seguinte, fui almoçar com o Manuel Fernandes e continuámos amigos como sempre fomos.»

O jogo define-se neste instante. Com menos um, forçado a gastar uma substituição para colocar o guarda-redes Jorge Martins em campo e ainda perante uma grande penalidade a desfavor, o Benfica cede. Com a mesma calma impassível, como se tivesse gelo a correr-lhe nas veias, Jordão bate o penalty para o lado esquerdo de Jorge, enquanto Bento percorre todo o relvado, na companhia de Júlio Borges, chefe do Departamento de Futebol do Benfica, vaiado como nunca fora na sua vida. Em A Bola, Carlos Pinhão sintetiza a estupefacção geral: «Um “Hara- -Kiri” de Bento Fez de um OK... um KO!»

Dezasseis minutos mais tarde, aos 78, Manuel Fernandes faz um passe maravilhoso para a direita, solicitando novo Sprint de Jordão. O avançado remata, Jorge defende sem nexo, mas atrapalha-se com Bastos Lopes. Sem nunca deixar de acelerar, Jordão continua a corrida e toca a bola para a baliza deserta. Está feito o resultado (3-1) no derby do «chá, porrada e alguma simpatia».

Festeja-se como nunca nos bastidores de Alvalade. Exausto pela montanha-russa de emoções, como se ele próprio tivesse devorado quilómetros sobre a relva, João Rocha segreda a Neves de Sousa: «Eu estava a precisar de uma coisa destas.» Em contrapartida, Jordão, o homem do jogo, escapa-se sem uma palavra, sem uma entrevista, enquanto os colegas celebram uma vitória épica. Do outro lado da barricada, Bento e o avançado brasileiro Jorge Gomes quase que se pegam nos corredores e a condenação do acto irreflectido é generalizada. Como grande senhor do desporto, Baroti cumprimenta todo o banco de suplentes do Sporting e reconhece o mérito da vitória - é, naquele momento, a transmissão da coroa do rei para o sucessor, mostrada por cinco câmaras de televisão.

Nos dias seguintes, o Benfica refugia-se numa fuga em frente. O derby dará que falar e antecipa uma era mais feia, de contestação aberta à arbitragem e incapacidade de isenção no comentário desportivo. O clube encarnado prepara um protesto, alegando que o árbitro, durante a refrega na área do Benfica, mostrara ao mesmo tempo o cartão vermelho a Nogueira, recuando de seguida na intenção. Marques Pires é chamado a explicar-se e lembra que, com o suor, os dois cartões - amarelo e vermelho - saíram de facto do bolso. Jorge Gomes chega a acusar o árbitro de «parecer esgazeado», sugerindo que «se Marques Pires tivesse ido a um controlo antidoping, teria dado positivo». A televisão chama Júlio Borges para uma longa exposição em directo sobre os casos do jogo - hoje, os especialistas em comunicação chamar-lhe-iam o spin da mensagem dominante. Rocha protesta e solicita idêntico tempo de antena.

No Atlântico Sul, inicia-se a Guerra das Malvinas, mas, em Portugal, nada mais importa para lá do jogo. Quando um navio de guerra britânico a caminho da Argentina se detém por algumas horas em Lisboa, os marinheiros pedem para conhecer Malcolm Allison. «Ficaram lá só um dia, mas fizeram questão de ir a Alvalade cumprimentar-me. Que emoção!», lembrou Allison a André Pipa. Uma vez mais, ao cumprimentar esses homens que em breve entrarão em combate, o treinador inglês reconhece que a vida tem problemas bem mais complexos do que um mero jogo de futebol.

Entretanto, mais de uma semana depois do derby, o Benfica organiza ainda uma conferência de imprensa inédita no Hotel Altis: pede a irradiação de Marques Pires e procura projectar num ecrã gigante os lances controversos do encontro. É a primeira aplicação genuína da imagem televisiva ao debate futebolístico, mas a exposição não corre bem. «A montagem dava-nos jogadores e bola bastante desfocados! Uma certa frustração percorre a sala», regista o repórter do Diário Popular.

Com sete pontos de avanço sobre a concorrência, o título de campeão nacional parece garantido, mas Alvalade está ainda para conhecer a última faceta de Malcolm Allison, o irreflectido.[*]»

 

[*]: Foram eliminadas as notas de rodapé que acompanham este texto.

In: ROSA, Gonçalo Pereira, 1975 - Big Mal & Companhia : a histórica época de 1981-1982, em que o Sporting de Malcolm Allison conquistou a Taça e o Campeonato. 1ª ed. Lisboa : Planeta, 2018. p.238-244

José de Alvalade...

... foi, aos 33 anos, uma das vítimas da grande pandemia do início do século XX, a gripe pneumónica - vulgarmente designada por gripe espanhola -, falecendo a 19 de Outubro de 1918. Hoje, infelizmente, vivemos uma situação pandémica similar, menos grave - é certo, os tempos são outros -, mas igualmente preocupante. O apelo que aqui deixo, olhando para o fundador do nosso clube, é que todos, sublinho TODOS, sigam as recomendações das autoridades de saúde, para que nos possamos a encontrar neste espaço e a opinar sobre este clube, que é a nossa fé. Copiando 'as gordas' de um jornal de hoje, creio que o SOL, deixo o meu conselho: Vacinem-se: não saiam de casa. Ou então limitem os seus movimentos ao exterior ao estritamente necessário - apesar do dia magnífico convidar ao contrário. Fiquem em casa, de preferência na nossa companhia, pois aqui podem encontrar uma imensidão de textos que vai, com certeza, prender a vossa atenção. Tudo de bom, para todos.

Viremos a página

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Coube-me em sorte (ou azar) testemunhar dois momentos de terror da História do Sporting Clube de Portugal. Momentos em que gente inocente perdeu a vida num estádio.

O primeiro, a 7 de Maio de 1995, foi a queda do Varandim do José Alvalade. Nunca esquecerei aqueles gritos, os choros e as sirenes das ambulâncias, por mais que viva. Um amigo com quem ia ao futebol ficou a 2 ou 3 metros de cair.

O segundo foi, um ano depois, o “very light” do Jamor. Durante anos, não consegui voltar a meter os pés num estádio. Confesso que ainda hoje me custa falar disso.

Talvez por virtude (ou defeito) dessas experiências, desde a primeira hora achei inapropriado chamar “terror” à vandalização da Academia de Alcochete (chamem-lhe "assalto" ou "invasão" se quiserem termos mais fortes). Sempre me pareceu, aliás, que o uso desse termo servia o propósito sobretudo de advogados, agentes de jogadores e de alguma comunicação social, mais ou menos comprometida com interesses que gravitam à volta do milionário negócio que é hoje o futebol.

Isto não retira gravidade ao que aconteceu. Mas “terror” ou “terrorismo” vemos todos os dias em muitas partes do mundo, infelizmente. E, convenhamos, são coisas diferentes.

Como seria lógico, a acusação de “terrorismo” caiu, ontem, no julgamento do caso da invasão da Academia. Outra coisa não poderia acontecer. E deveria fazer repensar todos aqueles que usaram tão irreflectidamente tal termo. 

Tem também, para mim, lógica que tenham caído as acusações contra o ex-presidente, Bruno de Carvalho. Pois nunca vi nada que o relacionasse directamente com o que aconteceu. 

Mas não me interessa - e acho, sobretudo, que não interessa ao Sporting - revisitar esse lamentável episódio na nossa história colectiva.   No final deste julgamento, que se faça Justiça para com quem tão graves danos causou a uma instituição centenária e com tanto mérito. 

E que este momento seja também um virar de página para o Clube. Um recordar que o Clube está acima deste ou daquele presidente, e é muito maior do que qualquer estrago que possa ser inflingido por 20 ou 30 adeptos.

Viremos a página. Deixemo-nos de insultos e de crispações. Olhemos para a frente, que temos muito e longo caminho a percorrer. Para escrevermos novas páginas, essas sim dignas da História do Sporting. Pelo nosso Clube. E pelos adeptos que, tristemente, poucos anos depois do terror, não estavam connosco a festejar o Sporting Campeão Nacional.

Jorge Vieira

 

Guardo na minha memória duas fotos que em garoto tirei. Uma com o meu ídolo Manuel Fernandes, na altura o capitão da equipa e outra com Jorge Vieira, na altura o sócio n.º 1. Ambas foram tiradas num jantar, que o meu pai me levou, creio que do Núcleo Sportinguista de Coimbra. Infelizmente o meu divórcio fez com que as tivesse perdido.

 

«Um cavalheiro no desporto

“Toda a actividade física com carácter de jogo, que toma forma de uma luta consigo mesmo, ou duma competição com outros, é desporto. Se esta actividade se opõe a outrem, deve sempre praticar-se num espírito leal e cavalheiresco. Não pode haver desporto sem fair play. A lealdade da competição garante a autenticidade de valores estabelecidos sobre o estádio. Confere ao mundo desportivo uma qualidade humana. O desporto favorece os encontros entre os homens num clima de sinceridade e de alegria. Permite-lhes conhecerem-se melhor e estimarem-se, desperta neles o sentido da solidariedade, o gosto da acção generosa e desinteressada; dá uma nova dimensão à fraternidade.” (Manifesto sobre o Desporto – Unesco)

Todo este feixe de virtudes do atleta de eleição – sinónimo de equilíbrio entre o músculo e o pensamento, em que o homem se aproxima de um ideal de beleza e harmonia – tem o nosso país conhecido nalgumas figuras dessa estirpe, ao longo do seu historial. Mas uma dessa presenças exemplares, que ainda se recorda – e a sua lição não feneceu na hora da retirada – esse saudoso ‘capitão’, autêntico gentleman do nosso desporto – chama-se Jorge Vieira.

Dotado de um físico esbelto, a sua presença no estádio era a melhor garantia de lealdade e cavalheirismo ao terçar armas com o adversário. Feito no Sporting Clube de Portugal e oriundo de uma família leonina, Jorge Vieira começou a nos grupos infantis e ascendeu ao mais alto posto da sua carreira desportiva envergando sempre a camisola verde-branca, que só trocou nos jogos em que foi chamado a representar as turmas de Lisboa e da selecção de Portugal. Muito cedo lhe coube a distinção de capitanear o ‘onze’ nacional. Jogando em vários países – Espanha, França, Itália, Holanda e Brasil -, nestes tempos das morosas viagens de comboio ou barco, e de raras pugnas internacionais, Jorge Vieira, o grande defesa-esquerdo, foi o perfeito embaixador do desporto português.

Nascido oito anos antes do seu clube de sempre, (…) Jorge Vieira é um símbolo inestimável, que as novas gerações devem ter como modelo.(…)

 

Romeu Correia»

 

In.: CORREIA, Romeu -  Jorge Vieira e o futebol do seu tempo. 1ª ed. [S.l.] : R. Correia, [D.L. 1981]. pp. 7-8

Dignos do ‘jacó’(*)

É o que, a incompetência destes senhores como dirigentes, me leva a concluir.

 

(*) «Jacó», o mesmo que caixote do lixo.

“É a proposta [de Outubro de 1929] do Dr. João dos Santos Jacob, que criou os recipientes para o lixo, logo crismados por «jacós», nomenclatura que se mantém na cidade, e que aos estranhos a ela, causa, por incompreensão, admiração”. (in: Anais do Município de Coimbra : 1920-1939. Coimbra : Biblioteca Municipal, 1971. p. 262)

Convém ter memória

image[1].jpg

 

Demasiados erros nas contratações, gestão caótica do mercado de Verão, saída de jogadores essenciais que descapitalizaram o plantel leonino. Começando por Nani, prosseguindo com Bas Dost, culminando em Raphinha. Tudo foi criticado aqui, sem reticências nem meias palavras, em cima da hora.

Somando a isto, que já seria muito, a política igualmente errática de gestão das equipas técnicas. Desde a chegada da actual administração da SAD, Alvalade parece uma porta giratória: sai treinador, entra treinador.
Para tudo permanecer na mesma. Ou pior.

 

Em boa verdade, estamos hoje francamente pior do que estávamos há 13 meses, quando Frederico Varandas decidiu correr com José Peseiro - o técnico em quem  manifestara confiança durante a campanha eleitoral desenrolada pouco antes. «Peseiro será o meu treinador», garantiu aos sportinguistas.
Imitando o pior da política, mal foi eleito apressou-se a dar o dito por não dito com inaceitável deselegância. Esquecendo que aquele havia sido o único treinador a prestar-se a vir para Alvalade no Verão negro de 2018.


Peseiro saiu com o Sporting em todas as frentes desportivas (duas das quais viriam a ser conquistadas) e apenas a dois pontos do líder do campeonato já depois de termos jogado em Braga e na Luz.

Num cenário muito mais favorável do que o actual, quando estamos 13 pontos abaixo do Benfica e 11 atrás do FC Porto no campeonato, fomos eliminados da Taça de Portugal por uma equipa do terceiro escalão e aguardamos um milagre para prosseguir na Taça da Liga. Isto a mais de três semanas do Natal.

Infelizmente, recordo bem, na altura 90% dos adeptos aplaudiram o presidente do Sporting. Insultando Peseiro de "pé-zero" para baixo. Em muitos casos, são os mesmos que agora insultam o presidente. Como previ aqui.

Convém ter memória.

 

 

Leitura complementar: Não é possível (texto que aqui publiquei a 4 de Novembro)

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