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És a nossa Fé!

O Calabote do século XXI

 

Nunca é de mais lembrar um dos mais escandalosos roubos de que fomos vítimas. Aconteceu na final da Taça da Liga em 2009, quando um tal Lucílio Baptista - espécie de Inocêncio Calabote do século XXI - ofereceu de bandeja o título ao Benfica no momento em que inventou um penálti contra o Sporting e deu ordem de expulsão ao nosso lateral direito, Pedro Silva. Um penálti a pedido de um jogador encarnado, Di Maria, que logo levantou o polegar em sinal de agradecimento.

É instrutivo rever este vídeo para jamais esquecermos o obsceno nível de degradação a que chegou a descer a arbitragem em Portugal nesse tempo anterior ao VAR. Sob o irónico lema "limpinho, limpinho", imortalizado pelo neobenfiquista Jorge Jesus na sua primeira passagem pelo clube da Luz, onde nunca deixou de ser bafejado pelos apitadores de turno.

 

Neste caso concreto, lamento dizê-lo, a incompetência dolosa não foi apenas de Baptista: foi também dos jornalistas da SIC que narravam em directo esta final e que logo validaram a versão fraudulenta do herdeiro espiritual de Calabote. «Que é um facto que a bola bate na mão de Pedro Silva, é verdade: bate», apressou-se a declarar um deles. «A bola parece que bate claramente na mão esquerda do defesa do Sporting», corroborou o outro. Ambos coniventes com o atentado à verdade desportiva.

Não esqueçamos nunca. Porque estes (árbitros e jornalistas-comentadores) até já podem nem andar por aí, mas outros - pouco diferentes - tardam a sair de cena. Sempre prontos a embaciar a transparência desportiva ao serviço do emblema a que prestam vassalagem.

 

ADENDA: Alertado por um leitor, verifico que Baptista ainda anda por aí. Como vice-presidente da Secção de Classificações do Conselho de Arbitragem da FPF. Medalha por bons serviços?

Em memória de meu pai

Chego hoje a És a nossa fé, honrada pelo convite e empenhada em não desmerecer.

Chego hoje a És a nossa fé e cumpro o ritual de apresentação:

Madalena.

Professora, leitora, autora.

Sempre gostei de dizer: O meu coração é verde!

Nasci Sporting! No dia a seguir, muitos anos depois. E às vezes (há anos felizes!) consigo unir celebrações.

No arco-íris da minha infância, sempre o verde brilhou mais e, com o meu pai, aprendi a viver o Sporting, em valores, código de conduta e ecletismo identitário – o atletismo, o hóquei em patins, o ciclismo… e o futebol!

O futebol!

Era eu bem pequena quando se manifestou a crise quinzenal de domingo à tarde. Dia de jogo em Alvalade: o meu pai ensaiava saída sorrateira, de cachecol na mão, enquanto a minha mãe tentava distrair a miúda, que ficava em lágrimas birrentas – «Eu também quero ir!».

E um dia fui mesmo! E a estreia foi triste…

Lembro-me da confusão, da gritaria e do meu assustado choro. Sempre me foi dito ter-se jogado um Sporting vs Leixões: penalti (mal) assinalado a favor dos visitantes, convertido à segunda porque o Damas defendeu na primeira marcação e o árbitro mandou repetir. E o jogo acabou! Aos sete minutos porque houve invasão de campo!

Iludiram-se os meus pais, confiando na futura serenidade dominical. Engano! Quando suspeitei ser novamente dia de jogo, plantei-me à porta e disse: «Então, pai, vamos ao Sporting?».

Muito tive de esperar: o jogo da minha estreia (29 de outubro de 1972 – encontrei a notícia em Estórias d’Alvalade, de Luís Miguel Pereira, 2003) teve como consequência nove jogos de interdição do estádio (coisa estranha… ao que parece, houve tempo em que estes castigos eram cumpridos).

Mas voltei e voltei e voltei… E volto sempre! Sempre se regressa à casa do «nosso grande amor»!

Se o espetáculo da minha estreia na vivência futebolística foi triste e feio, embora ritual de iniciação robustecedor, muitos e muitos mais foram os momentos belos e de louca alegria. Com o meu pai, mais tarde também com o meu irmão, eu vi o Damas, o Manuel Fernandes e o Jordão; o Figo, o Ronaldo e o Nani; o Ivkovic, o Schmeichel e o Rui Patrício; o Beto, o Valckx e o André Cruz; o Oceano, o Sá Pinto e o Pedro Barbosa; o Balakov, o Iordanov e o Duscher; o Acosta, o Jardel e o Liedson…

Vi muitos e muitos jogos com o meu pai, sócio 2. 237, à data da sua morte, em 2019.

Volto sempre a Alvalade e sento-me no Lugar de Leão que foi dele.

De pedra e cal - Lino separa o trigo do joio

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«Enquanto Ronnie Allen tenta afinar a equipa e ganhar escudos, na África, Lino orienta outro grupo de futebolistas do Sporting insistindo, sobretudo na preparação física de modo a tê-los em ordem quando o inglês voltar com os «craques» e requisitar os serviços de alguns deles. Paralelamente, os serviços administrativos do Sporting vão contratando uns e colocando outros na lista de transferências (definitivamente, ou a título de empréstimo), ultimando pormenores para a fixação de um bom quadro de vinte e poucos profissionais.

Em Alvalade, ao sol de Agosto, deparámos com Lino puxando a bom puxar por dez elementos a quem a diversos exercícios físicos e a uma sessão nas bancadas verdadeiramente puxada de sobe-e-desce escada até estoirar. Lá estavam Chico (que regressou de férias anteontem e se esforça para recuperar a forma), João Machado (irmão de Nando, que jogou no União de Coimbra e que Allen quer ver, pelo menos durante mais um ano, em Alvalade), Castanheira e Augusto (igualmente ex-juniores mas que vão ser cedidos ao União de Leiria) e Rui Paulino (que assinou contrato com o Farense e breve rumará ao Sul).

Damas apenas tem aparecido para tratar da lesão (está ainda de férias) e Fraguito aparece esporadicamente nos treinos devido ao serviço militar. Espírito Santo, do União de Leiria e recém contratado, goza as suas férias. Dinis, como se sabe, já está em África. Resta resolver o caso Peres, que entretanto goza férias no Algarve e de Alhinho, com a Académica a ver quanto receberá do negócio.» 3/8/72

Quarenta e oito anos e doze dias depois, os serviços administrativos do Sporting também se encontram numa azáfama e a ultimar pormenores para a fixação de um bom quadro de vinte e poucos profissionais.

Esperemos que, na época que se inicia em breve, consigamos o mesmo desempenho na Taça de Portugal e muito melhor desempenho no Campeonato Nacional (1ª Liga). A ver, também, se em Abril próximo não precisamos de mudar de treinador (https://www.wikisporting.com/index.php?title=1972/73). Já agora, que na Liga Europa da UEFA alcancemos muito bons resultados.

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

Sporting: 80 anos de troféus em relance

1

Lista dos presidentes do Sporting que se sagraram campeões nacionais:

Joaquim Oliveira Duarte (1941)

Alberto da Cunha e Silva (1944)

António Ribeiro Ferreira (1947, 1948, 1949, 1951, 1952)

Carlos Góis Mota (1953, 1954)

Francisco Casal-Ribeiro (1958)

Joel Pascoal (1962)

Guilherme Brás Medeiros (1966, 1970)

João Rocha (1974, 1980, 1982)

José Roquette (2000)

António Dias da Cunha (2002)

 

2

Lista dos presidentes do Sporting que conquistaram a dobradinha (campeonato e Taça de Portugal):

Joaquim Oliveira Duarte (1941)

António Ribeiro Ferreira (1948)

Carlos Góis Mota (1954)

João Rocha (1974, 1982)

António Dias da Cunha (2002)

 

3

Lista dos presidentes do Sporting que venceram a Taça de Portugal nas épocas em que o Sporting não se sagrou campeão:

Augusto Barreira de Campos (1945)

António Ribeiro Ferreira (1946)

Horácio Sá Viana Rebelo * (1963)

Guilherme Brás Medeiros (1971)

Manuel Nazareth (1973)

João Rocha (1978)

Pedro Santana Lopes (1995)

Filipe Soares Franco (2007, 2008)

Bruno de Carvalho (2015)

Frederico Varandas (2019)

 

4

Lista dos presidentes do Sporting que nunca conquistaram qualquer dos dois principais títulos do futebol em Portugal:

Augusto de Aguilar (1942-1943)

Diogo Alves Furtado (1943)

Gaudêncio Costa (1961-1962)

Homem de Figueiredo (1964-1965)

Amado de Freitas (1986-1988)

Jorge Gonçalves (1988-1989)

José Sousa Cintra (1989-1995)

José Eduardo Bettencourt (2009-2011)

Luís Godinho Lopes (2011-2013)

 

* Tem a seu crédito também a Taça dos Vencedores das Taças (1964), maior troféu internacional conquistado pelo futebol leonino

Três momentos-chave

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Na avaliação do desempenho de vários presidentes do Sporting tem havido momentos-chave que condicionam a rota posterior dos seus mandatos, marcando-os pela negativa. Todos dominados pela relação conflituosa com treinadores. Em diversos casos, pode hoje concluir-se, nunca mais se recompuseram. 

Só para assinalar dois exemplos flagrantes, talvez mesmo os mais dolorosos, basta recordar o afastamento compulsivo de Malcolm Allison, em 1982, quando o técnico britânico acabara de conquistar com brilhantismo a penúltima dobradinha dos Leões, vencendo e convencendo no campeonato e na Taça, e o despedimento sumário de Bobby Robson, em 1993, a pretexto de uma derrota na Liga Europa, quando a nossa equipa liderava o campeonato.

Nem João Rocha, no primeiro caso, nem Sousa Cintra, no segundo, voltariam a recompor-se. 

 

Mais recentemente, outros três presidentes cometeram erros lapidares na relação com os treinadores ao ponto de a partir daí terem andado a pôr remendos, em fuga para diante: de cada vez que pareciam encontrar uma solução, só arranjavam um novo problema. 

Três pontos de viragem que estão aqui documentados por terem ocorrido já com este blogue em funcionamento. O primeiro, ocorrido após um ano de mandato presidencial. O segundo, quando estavam decorridos pouco mais de dois anos. O terceiro, quando ainda nem se haviam completado dois meses depois da posse.

Passo a recordá-los, pedindo-vos que me perdoem as autocitações. Creio ser por uma boa causa: só o permanente exercício da memória nos previne contra a repetição de erros semelhantes e sucessivos no futuro.

 

13 de Fevereiro de 2012: Godinho despede Domingos

«O sinal interno que se deu foi profundamente errado. Basta dezena e meia de energúmenos, gritando frases típicas de qualquer reles arruaceiro contra os jogadores e a equipa técnica no aeroporto de Lisboa, para fazer tremer a direcção, levando-a a afastar o treinador e tornar letra morta todos as garantias de continuidade proferidas nos últimos meses. Isto incentiva o pior dos populismos. Energúmenos deste género já levaram outras direcções a rescindir com Bobby Robson e José Mourinho, entre outros técnicos de indiscutível craveira. Se a moda pega, noutro dia qualquer os mesmos indivíduos voltarão a gritar impropérios com o objectivo de atrair as câmaras televisivas e fazer cair o presidente praticamente em directo nos telejornais. E talvez até tenham sucesso.»

 

15 de Maio de 2015: Carvalho afasta Marco Silva

«Parece cada vez mais evidente que Marco Silva não permanecerá no Sporting após 31 de Maio. Se vencer a Taça de Portugal, como todos desejamos, a sua saída será um erro colossal da direcção leonina, aparentemente pronta a afastar o único técnico que se prepara para nos dar um título em futebol profissional desde o já longínquo ano de 2008 (quando Paulo Bento conquistou igualmente a Taça de Portugal, seguida da Supertaça). Um erro somado a tantos outros. (...) O experimentalismo contínuo, que não permite sedimentar processos de jogo e modelos tácticos nem criar verdadeira empatia entre adeptos e equipas técnicas, tornou-se lei comum em Alvalade. A instabilidade não vem de fora, vem de dentro.»

 

1 de Novembro de 2018: Varandas despede Peseiro

«Não sendo ingrato, deixo aqui uma palavra de apreço pessoal ao único treinador que na hora mais difícil se dispôs a encabeçar uma missão quase impossível enquanto outros assobiavam para o lado. Sai como bode expiatório da primeira etapa do pós-brunismo, agora encerrada. A que vai abrir-se - sem atenuantes nem desculpas - é toda do presidente, já sem o treinador de Cintra a servir-lhe de pára-choques. Lenços nas bancadas, haverá sempre - ao menor pretexto. Faz parte da autofagia leonina, reforçada pelo contexto em que emergiu o actual elenco directivo no Sporting. Talvez num futuro próximo possam até multiplicar-se, encorajados pelo que sucedeu na madrugada de hoje, pouco depois de uns quantos acenos de despedida num estádio quase vazio para uma prova que nos é praticamente indiferente.»

O súbito "surto de dívidas"

Há épocas recorrentes nos órgãos de comunicação social. Há a "época dos fogos", a época balnear, a época dos "surtos de gripe", a época dos assaltos (esta, em regra, coincidente com o defeso futebolístico, que instala um súbito vazio em várias redacções). 

Existe também, sobretudo na imprensa desportiva, a época do "surto de dívidas". Os mais incautos e distraídos poderão supor que se trata de algo inédito, nunca ocorrido antes, absolutamente em estreia, e que só envolve o Sporting. Como se todos os clubes não devessem a outros clubes quantias de maior ou menor dimensão neste mercado sempre flutuante das movimentações de jogadores, com ou sem crise pandémica.

É tempo de sossegar tão boas almas. Os "surtos de dívidas" estampados nas manchetes dos jornais funcionam à semelhança das "vagas de assaltos" destinadas a preencher vazios informativos: são cíclicos, recorrentes e motivados por indignações muito selectivas. Hoje visam esta administração da SAD leonina, mas já visaram gerências anteriores.

Seguem-se alguns exemplos, enumerados sem grande esforço de memória.

 

26 de Abril de 2016:

Doyen acusa o Sporting de lhe dever 15 milhões de euros, acrescidos de juros, relativos à transferência de Rojo para o Manchester United e da rescisão do contrato com Labyad.

 

19 de Maio de 2017:

Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça, executa parte da dívida do Sporting à Doyen, avaliada em 17 milhões de euros, penhorando 2,5 milhões de receitas leoninas nas competições europeias.

 

25 de Março de 2018:

Braga reclama junto do Sporting cerca de um milhão de euros alegadamente em falta, quantia correspondente à segunda parcela pela transferência de Battaglia.

 

27 de Março de 2018:

Racing Avellaneda pondera apresentar queixa contra o Sporting na FIFA por falha no pagamento da última prestação relativo à venda de Acuña, estando em causa 1,65 milhões de euros

 

5 de Agosto de 2018:

V. Guimarães ameaça formalizar queixa contra o Sporting na FIFA por falta de pagamento de uma prestação relativa à transferência de Raphinha no valor de 2,5 milhões de euros.

 

Os números que explicam tudo

Nos últimos 22 clássicos, contra Benfica e FC Porto, o Sporting só conseguiu vencer em duas ocasiões no tempo regulamentar: derrotando o FCP na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal 2018, quando Jorge Jesus orientava a equipa, e batendo o SLB na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal 2019, quando Marcel Keizer (um técnico muito mais barato do que o primeiro) comandava a nau leonina.

São números que explicam tudo.

 

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11 de Dezembro 2016

Benfica-Sporting (2-1)

4 de Fevereiro 2017

FC Porto-Sporting (2-1)

22 de Abril 2017

Sporting-Benfica (1-1)

1 de Outubro 2017

Sporting-FC Porto (0-0)

3 de Janeiro 2018

Benfica-Sporting (1-1)

24 Janeiro 2018

Sporting-FC Porto (0-0) Taça da Liga

7 de Fevereiro 2018

FC Porto-Sporting (1-0) Taça de Portugal

2 de Março 2018

FC Porto-Sporting (2-1)

18 de Abril 2018

Sporting-FC Porto (1-0) Taça de Portugal

5 de Maio 2018

Sporting-Benfica (0-0)

25 de Agosto 2018

Benfica-Sporting (0-0)

12 de Janeiro 2019

Sporting-FC Porto (0-0)

26 de Janeiro 2019

Sporting-FC Porto (1-1) Taça da Liga

3 de Fevereiro 2019

Sporting-Benfica (2-4)

6 de Fevereiro 2019

Benfica-Sporting (2-1) Taça de Portugal

3 de Abril 2019

Sporting-Benfica (1-0) Taça de Portugal

18 de Maio 2019

FC Porto-Sporting (2-1)

24 de Maio 2019

Sporting-FC Porto (2-2) Taça de Portugal

4 de Agosto 2019

Sporting-Benfica (0-5) Supertaça

5 de Janeiro 2020

Sporting-FC Porto (1-2)

17 de Janeiro 2020

Sporting-Benfica (0-2)

15 de Julho 2020

FC Porto-Sporting (2-0)

Já esquecidos de Alcácer-Quibir

PLANO-CRÍTICO-MANOEL-DE-OLIVEIRA-NON-OU-A-VÃ-GL

Fotograma do filme Non ou a Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oliveira (1990)

 

1

Nas dez temporadas anteriores a esta, o Sporting perdeu nove vezes no estádio do Dragão para a Liga portuguesa de futebol. Com treinadores tão diversos como Paulo Bento, José Couceiro, Sá Pinto, Oceano Cruz, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Jesus e Marcel Keizer. A excepção ocorreu na época 2015/2016, a primeira das três em que Jesus liderou a equipa técnica.

Basta este registo estatístico para comprovar que a nossa crise de resultados no clássico já vem de longe.

Mesmo assim, a mais recente derrota do Sporting fora de casa, contra o novo campeão nacional, bastou para fazer emergir a pior faceta de alguns adeptos: em vez de se congregarem em torno das nossas cores, quando há ainda pelo menos um objectivo a cumprir nesta época (um lugar no pódio do campeonato) e falta defrontarmos o nosso mais velho rival, desatam a dizer mal de tudo agitando os fantasmas de sempre enquanto bradam pelo regresso de D. Sebastião. Já esquecidos de Alcácer-Quibir.

 

2

Uns exigem "demissões já", frase que vêm gritando há dois anos com o sucesso que todos conhecemos.

Outros invocam com fingida saudade nomes de jogadores que deixaram de pertencer ao clube como exemplos de excelência - omitindo agora os insultos que lhes dirigiam quando eles vestiam de verde e branco - só para rebaixarem e desmoralizarem os miúdos que hoje despontam na equipa principal do Sporting.

Não falta também quem urre contra o "excesso de jovens" quando antes clamava pela indispensável "aposta na formação".

Há ainda aqueles que procuram sem cessar o brilho dos holofotes atrevendo-se a falar em nome do universo leonino quando afinal são incapazes de trocar a palavra "eu" pela palavra "nós". Este é o teste do algodão, que nunca engana.

 

3

Tudo isto, repito, na sequência do 0-2 registado quarta-feira no Dragão - a nossa primeira derrota desde Fevereiro, e quando falta cumprir dois jogos para a conclusão desta atribulada Liga 2019/2020.

Para azar de tal gente, nestas alturas todos percebemos quem é genuinamente adepto e quem apenas se serve do Sporting como pretexto para insuflar o ego à boleia de um desaire.

É nos momentos adversos que se avalia com maior rigor o verdadeiro calibre leonino de quem proclama amor incondicional ao Clube. Quando se ganha, qualquer um trauteia o hino e agita o cachecol.

Mas é bom que uns e outros se convençam disto: a grande maioria da massa adepta, farta até aos cabelos de profetas da desgraça e já imunizada contra ególatras de todo o género, não se deixa iludir.

De Angola para Alvalade

Texto de AHR

futebol-camilo.png

Camilo Conceição (1951-2019)

 

Seninho passou no tempo colonial por Angola, país que forneceu ao futebol português alguns dos seus bons jogadores. No Sporting, o que teve mais sucesso foi o Dinis, jogador que vi jogar no ASA de Luanda, no campo pelado perto do aeroporto, muito tempo antes do seu ingresso no Sporting de Portugal.

Dois jogadores angolanos que vieram para o Sporting antes do 25 de Abril, e sobre os quais eu depositava grandes esperanças de sucesso, foram o Manecas e o Camilo.

 

O Manecas era a estrela, na altura, do Sporting de Luanda. Jogador de técnica apurada, que corria como uma gazela. Deste jogador dificilmente alguém se lembra, pois teve aparições muito fugazes no Sporting, que o colocou a jogar a defesa direito, enquanto a sua posição original era de extremo.

Tive muita pena que não tivesse singrado no Sporting, onde pouco jogou. Prosseguiu a carreira na Académica e no Beira-Mar, tendo acabado no futebol australiano e faleceu por lá, ainda bastante novo. Há referências dele na Internet, sendo o seu nome real Manuel de Faria Vieira Lopes.

 

O Camilo foi também um jogador de classe, que actuava na posição de médio, da equipa do Benfica do Huambo, e que também veio para o Sporting na altura do Manecas. Do Camilo já é mais fácil ter lembrança, pois foi dele o terceiro golo, se a memória não me falha, do célebre jogo no estádio de Alvalade contra o Benfica, que o Sporting ganhou por 3—0, e que foi também o jogo de estreia do Keita, para mim o melhor jogador do Sporting de todos os tempos (em que vejo futebol).

O estádio de Alvalade estava a abarrotar e eu vi esse jogo do peão, porque nessa altura não tinha dinheiro para ir para a bancada. Uma hora e meia de pé num peão superlotado, com as pessoas encostadas umas às outras e a tentarem, em bicos dos pés, perceber as jogadas que se desenrolavam à sua frente.

Não vi o golo do Camilo. O remate foi de tão longe e repentino que, quando o público se apercebeu, a bola já estava dentro da baliza. Nunca percebi aquele golo. Também não há imagens televisivas, pois os próprios realizadores foram apanhados de surpresa. Quem conseguiu ver aquele golo, desde o remate até à entrada na baliza, que aqui o descreva.

Os olheiros do Sporting, na altura, estavam apurados, pois estes dois jogadores eram então os de maior destaque no futebol angolano.

 

Texto do nosso leitor AHR, publicado originalmente aqui.

A noite em que Alvalade foi diferente de todas as outras noites

O entendimento de qualquer realidade depende muito da experiência de cada um sobre a mesma e da percepção que conseguiu obter.

Por exemplo, o entendimento da Covid19 é muito diferente entre quem se viu forçado ao lay-off ou confinado ao teletrabalho "aturando" filhos irrequietos, ou quem esteve nos Cuidados Intensivos ou viu morrer familares sem lhes poder valer. Muito diferente. Como em muitos outros casos.

O meu entendimento do que seria a desgraça de Bruno de Carvalho, que conseguiu depois aliar a completa deserção do comando do futebol do Sporting ao descontrolo da situação com a Juveleo, ao que se seguiu o não pedido imediato de demissão depois do assalto a Alcochete e a teimosia de se agarrar ao poder que conduziu às rescisões e a atropelos vários aos estatudos e regulamentos do clube, teve muito a ver com a recepção ao Paços de Ferreira em Alvalade, em que por cinco ou seis vezes durante o jogo se ouviu um coro de (mais ou menos, a julgar do sítio onde eu estava) 50% do estádio, a clamar "Bruno, cabrão !!! Pede a demissão !!!"

A minha percepção foi a de quem lá esteve, mas muitos não estiveram e nunca perceberão o que foi naquele dia a repulsa duma grande fatia dos sócios presentes pelo descontrolo completo da personagem que muitos tinham ajudado a reeleger poucos meses antes.

Tentando recuperar na Net o que foi esse dia, encontro esta descrição na TVI24 (https://tvi24.iol.pt/sporting/liga/a-noite-em-que-alvalade-foi-diferente-de-todas-as-outras-noites):

"O Estádio José Alvalade viveu neste domingo uma situação pouco habitual. Durante o jogo entre Sporting e Paços de Ferreira, os cerca de 40 mil espectadores presentes nas bancadas fizeram questão de manifestar de que lado estão na «guerra» guerra entre jogadores e presidente.

Bruno de Carvalho assistiu ao jogo no banco de suplentes e foi notório que, se a relação entre dirigente e jogadores está longe de ser saudável, a aceitação no seio dos adeptos também já viveu melhores dias.

Quando o presidente dos leões subiu ao relvado, instantes antes do apito inicial da partida, a grande fatia das bancadas (à exceção da zona das claques) dirigiu-lhe um enorme coro de assobios e, entre insultos pelo meio, exigiu a sua demissão. Após o jogo, Bruno de Carvalho não deixou passar o momento e deixou um aviso em declarações aos jornalistas: «Alguns adeptos do Sporting vão, mais cedo ou mais tarde, perceber a gravidade moral daquilo que fizeram hoje. Têm todo o direito de chamar nomes, mas chamarão às pessoas da família deles e não a mim.»

Ao longo da noite, houve lenços brancos, muito apoio aos jogadores mas também contestação: a Juve Leo, ao lado do presidente Bruno de Carvalho, desfraldou duas tarjas com a seguinte mensagem: «Jogadores: amar e sentir o clube. Tudo o que vocês não sentem.»

Os incentivos à equipa contrastaram com os apupos dirigidos a Bruno de Carvalho, que voltaram a subir de tom ao intervalo e após o apito final, altura em que o presidente do Sporting, com claras limitações físicas, precisou do auxílio de alguns elementos do staff leonino e de um segurança para se levantar do banco de suplentes e sair do relvado pelo túnel de acesso aos balneários.

Nessa altura, a equipa de Jorge Jesus trocava cumprimentos com adversários e agradecia pouco depois o apoio das claques junto à bancada sul. De seguida, os jogadores deram uma volta ao relvado e agradeceram o apoio dos restantes adeptos, com Alvalade ao rubro e, pela primeira vez na noite, em aparente plena comunhão de espírito."

Video:
 

https://tribunaexpresso.pt/multimedia/video/2018-04-09-O-filme-de-uma-noite-diferente-assobios-insultos-dores-de-costas-e-uma-marquesa

Conferência de imprensa:

https://maisfutebol.iol.pt/videos/5aca8fcc0cf29778fd1ec823/bruno-de-carvalho-foi-a-sala-queixar-se-de-insultos

Acho que estes documentos ficam muito aquém do que foi aquela noite. Quem tiver melhores que os refira, mas já dão uma ideia.

Bruno de Carvalho quer mesmo voltar a ser presidente do Sporting? 

SL

João Rocha, numa entrevista ao Record…

em 15 fevereiro 2006:

 

RECORD – Está preocupado com o Sporting a cerca de quatro meses de eleições?

JOÃO ROCHA – O Sporting está a atravessar a pior crise dos seus 100 anos. Convinha, no entanto, esclarecer, até porque os mais jovens não o sabem, que quando veio a revolução, os clubes passaram por uma crise muito grande, concretamente na altura do PREC. Eram, no fundo ‘presas’ a tomar de assalto. Criaram-se decretos e portarias à luz dos quais os jogadores se transferiam livremente, bastando uma carta. O Sporting passou essa crise colaborando em algo que era necessário, ou seja, apostando na massificação do desporto em Portugal. Não havia ginásios nem pavilhões e o Sporting começou por ter logo 15 mil atletas, um recorde. Nenhum clube da Europa o conseguia, nem o próprio Barcelona.

 

RECORD – Que acções foram levadas a cabo?

JOÃO ROCHA – Fizeram-se ginásios, pavilhões e compraram-se terrenos. Dinamizámos o desporto em Portugal. A ginástica foi de Norte a Sul do País com várias equipas. Promovemos as modalidades junto de entidades como os bombeiros, diversos tipos de associações, polícia, escolas, etc. Introduzimos em Portugal as artes marciais e a dinamização junto das instituições referidas foi a mesma.

 

RECORD – Disse-me que o clube comprou terrenos. Isso quer dizer que o património também cresceu?

JOÃO ROCHA – Começámos a ter um património invejável. Pagámos as dívidas do passado e sempre com dirigentes que nunca ganharam nada. Foram centenas de pessoas a participar neste projecto de servir o Sporting gratuitamente. O clube tem de estar grato a esses dirigentes que pagavam, inclusivamente, hotéis, e passes dos jogadores das modalidades de forma desinteressada. Com tudo isto, o Sporting passou a ter a primazia do desporto em Portugal e a ser a maior força desportiva nacional.

 

RECORD – Essa força foi consubstanciada em mais títulos do que os concorrentes?

JOÃO ROCHA – De tal forma que nos primeiros 10 anos após a revolução, o Sporting tinha 22 modalidades e ganhou 1.210 títulos nacionais e 52 Taças de Portugal. Conquistámos 8 taças europeias em 7 anos, tínhamos 105 mil sócios e, no futebol, entre campeonatos, Taças e Supertaças, o Sporting conquistou 8 títulos contra 10 do Benfica, 6 do FC Porto e 3 do Boavista. Conseguimos reconquistar o estatuto vivido, por exemplo, no tempo dos cinco violinos. Finalmente, juntando provas nacionais e europeias de alta competição, ganhámos 47 títulos contra 20 do Benfica e 13 do FC Porto, ou seja, mais do que os dois rivais juntos. Acrescente-se que mandámos uma equipa de ciclismo à Volta a França. Nenhuma equipa europeia com futebol o fez por duas vezes como nós. Foi importantíssimo para o país.

 

RECORD – Hoje em dia o panorama é, de facto, diferente. Como sente o clube?

JOÃO ROCHA – Quando saí, deixei o clube sem dívidas, com passivo zero, jogadores valorizados zero, estádio valorizado zero, tudo a preço zero e nada reavaliado. Além disso, 300 mil metros quadrados de construção aprovada, o que em termos actuais e se o Sporting tivesse sido administrado como deve ser, faziam dele hoje um dos maiores clubes da Europa. Só nesses 300 mil metros quadrados tinha um valor de 120 milhões de contos.

 

RECORD – Porque é que, na sua opinião, o Sporting não seguiu esse caminho ascendente?

JOÃO ROCHA – Eu saí. Não podia ficar, porque tinha uma doença grave. Nos últimos dois anos, já assistia deitado às reuniões da direcção. Só bebia leite e um médico americano disse-me que eu tinha de decidir entre a morte e o Sporting. Eu queria viver mais alguns anos e saí. Depois, o passivo foi aumentando ao longo dos anos, até que chegou José Roquette com o seu projecto.

 

RECORD – Um projecto que encheu de esperança todos os sportinguistas...

JOÃO ROCHA – O Projecto Roquette liquidou o Sporting. Ninguém soube o que era o projecto, porque ele não dizia. Sabia-se, apenas, que era uma dezena de sociedades, dirigentes e funcionários superiores a ganhar centenas de milhares de contos. O projecto foi reduzir os sócios de mais de 100 mil para pouco mais de 30 mil, foi acabar com as modalidades amadoras, foi vender património, foram dezenas e dezenas de milhões de contos de prejuízo que não aparecem nos resultados, porque parte deles foram executados pelo Sporting. No caso da SAD deram-se informações falsas aos associados e à própria CMVM para a entrada na bolsa.

 

RECORD – Comos se explica isso?

JOÃO ROCHA – O que lhe posso dizer é que era tudo tão bom que ele próprio, José Roquette, ia subscrever capital e a primeira coisa que fez quando saiu foi vender todas as acções da SAD que tinha comprado. Isto levou os sócios a perderem quase 14 milhões de contos só na subscrição e nos resultados negativos.

 

RECORD – Você assistiu a isso sem nenhum tipo de reacção?

JOÃO ROCHA – Antes pelo contrário. Numa assembleia da SAD e para defender os interesses do Sporting, lembrei que ao abrigo do Artº 35, a Sociedade tinha de acabar, mas havia uma possibilidade que era a reavaliação dos jogadores, repondo capital necessário na SAD para esta não ser extinta.

 

RECORD – Muito objectivamente, na sua opinião, José Roquette é o responsável pelo actual passivo do Sporting?

JOÃO ROCHA – O Projecto Roquette liquidou o Sporting. Disso já não restam dúvidas. Queria gerir o clube ditatorialmente e a primeira coisa que fez foi fechar as portas aos jornalistas nas assembleias gerais. No meu tempo, havia uma bancada só para os jornalistas. Não tínhamos receio de nada.

 

RECORD – Recordo-lhe que na altura da entrada de José Roquette foi dito por muitos elementos do universo leonino que o clube se encontrava em falência técnica. Lembra-se?

JOÃO ROCHA – Quando José Roquette entrou, o clube estava numa situação caótica, mas ele aceitou um passivo de 4 milhões de contos e, actualmente, ascende a 60 milhões de contos. É uma diferença enorme. Mas esse não é o grande problema. É preciso ter em conta os prejuízos, os quais foram colmatados com a venda de património e a reavaliação de todo o activo, incluindo jogadores. Esses prejuízos não foram contabilizados.

 

RECORD – Mas o clube também se valorizou patrimonialmente. Concorda?

JOÃO ROCHA – Fez-se a Academia e o estádio, mas nada disso é do Sporting. Mesmo que se venda aquilo que se está a propor vender, ainda vamos continuar a dever o estádio, que é fruto de compromissos com a banca e do contributo de alguns sócios que ajudaram em muitos milhares de contos, comprando lugares cativos.

 

RECORD – Um projecto totalmente falhado, no seu ponto de vista. Porquê?

JOÃO ROCHA – É muito simples. José Roquette julgava que o Sporting era uma operação tão fácil com a do Totta, em que ele, numa operação ilegal, ganhou 20 milhões de contos sem pagar um tostão de impostos e, ainda por cima, acabou por comprometer aquele que foi recentemente eleito Presidente da República, Cavaco Silva.

 

RECORD – Uma forte acusação. O que sabe desse processo?

JOÃO ROCHA – Não quero falar nisso neste momento, porque me interessa mais o Sporting.

 

RECORD – Lembro-me que durante o mandato de José Roquette, você se revoltou com acordos que nunca ficaram esclarecidos, nomeadamente entre o Sporting e o FC Porto. Quer revelar pormenores em relação a isso?

JOÃO ROCHA – Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões.

 

RECORD – Vai concretizar ou continuar a guardar trunfos?

JOÃO ROCHA – Não digo mais nada sobre isso. Foi falado no Conselho Leonino e eu disse ao líder da AG para mandar calar sobre essa informação, que foi longe demais. Disse-lhe ainda que o resumo do acordo com o FC Porto devia ser gravado de tão grave que era, porque talvez fosse necessário que essa gravação viesse a ser pública na defesa dos interesses do Sporting e dos seus sócios. Não vejo o desporto assim.

Para que nunca se repita

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Foi há dois anos. Um bando de jagunços, de focinho tapado, assaltava a Academia de Alcochete, partindo tudo quanto via à frente, destruindo parte das instalações, agredindo jogadores, membros da equipa técnica e funcionários do Sporting.

Entraram sem ninguém os deter e quando se fartaram de bater saíram tranquilos, sempre de fuça coberta. Como se fosse uma coisa normalíssima. 

Isto quando faltavam cinco dias para a final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o Aves. Sabemos o triste desfecho desta partida, que nunca devia ter-se jogado na ressaca imediata daquele assalto.

 

O País parou, incrédulo e vexado, a ver as tristes imagens que não tardaram a ser exibidas em televisões e redes sociais de todo o mundo.

Falando em nome próprio e dos seus colegas, Bas Dost viria a ser um dos primeiros a quebrar o silêncio. Declarando, ainda combalido: «Ficámos todos aterrorizados, aquilo foi uma ameaça real. Sinto-me completamente vazio, foi um drama para todos.» 

A notícia destas agressões abalou todo o universo sportinguista e causou danos reputacionais quase irreparáveis ao emblema leonino. Nos dias imediatos já se falava nas rescisões unilaterais de contratos de grande parte da nossa equipa-base de futebol profissional, o que infelizmente acabou por suceder.

 

Alcochete deixou uma ferida aberta no Sporting. Uma ferida que ainda não cicatrizou por completo, tanto tempo depois.

Há que seguir em frente e construir o futuro. Mas sem esquecer o que aconteceu. Para que nunca se repita.

Uma data para lembrar sempre

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Faz hoje 20 anos, no mandato do presidente José Roquette. Uma brava equipa comandada por Augusto Inácio recuperava para o Sporting o ceptro de campeão, perdido 18 anos antes. A 14 de Maio de 2000, voltávamos ao posto máximo do futebol português.

Não podemos esquecer os heróis dessa odisseia: Peter Schmeichel, Acosta, Beto, André Cruz, Rui Jorge, César Prates, Mpenza, Pedro Barbosa, Duscher, Vidigal, De Franceschi, Ayew e Iordanov, entre outros.

Ainda se lembram onde estavam e o que fizeram naquele dia?

Foi há 20 anos

Há 20 anos quebrámos um jejum de títulos de 18 anos. O ceptro de 1999/2000 foi histórico, emocionante e surpreendente. Neste momento, contudo, já estamos outra vez com outros 18 anos volvidos sobre o último título de Campeão Nacional da Primeira Liga de futebol (em 2001/2002). É tempo de voltar a escrever páginas gloriosas na História do SCP: chega de lamúrias e de loucuras, o Sporting precisa de boa gestão, sentido de responsabilidade e muita ambição.

De pedra e cal - Pelado em frente à porta 10 A

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Na imagem: Baltazar, Carlos Pereira, Carlos Espírito Santo e Vagner

 

Se a porta 10 A dispensa apresentações, o pelado contíguo, outrora palco onde craques to be se mostravam pela primeira vez, não menos.

Foi neste espaço que muitos jogadores se revelaram e outros tantos se treinaram, para gáudio dos transeuntes.

Aqui fica o registo possível, com alguns protagonistas (de uma década) ainda hoje recordados como aquilo que constituem: parte importante no sedimentar do Sporting Clube de Portugal e do Sportinguismo.

Imagem: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

De pedra e cal - A mais distinguida filial algarvia

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Legenda: No Jamor, o Sporting Clube de Portugal defronta o Sporting Farense. O bloco de comandados por Ronnie Allen: (na primeira fila: Carlos Pereira, Tomé e José Carlos) vai enfrentar os representantes da mais distinguida filial algarvia. Luta Familiar que não pode resultar em problema leonino.

 

O jogo aconteceu a 14 de Janeiro de 1973 e o Sporting ganhou por 4-0. Mesmo assim a equipa de Faro conseguiria ficar em 11º lugar no campeonato e chegar até às meias-finais da Taça de Portugal, troféu ganho pelo nosso Clube. A nossa equipa era comandada por Ronnie Allen que nos deixou no final da época.

No dia em que se confirma a subida do Sporting Clube Farense (1 de Abril de 1910), filial n.º 2 do Sporting Clube de Portugal, congratulo-me e partilho esta memória longínqua. 

As minhas memórias, são outras. A primeira vez que vi o Sporting Clube de Portugal em campo, foi no S. Luís, em Faro. A primeira vez que pus o pé num estádio de futebol, foi no S. Luís, em Faro. O meu Farense, é o de Paco Fortes e do temível Hassan. O meu Farense, é o que na época 94/95 garantiu acesso à Taça UEFA. O meu Farense, nossa filial n.º 2, está de volta ao palco principal do futebol nacional e eu sinto-me duplamente feliz.

O meu coração é, e será sempre, exclusivamente verde e branco, mas na próxima época, estará ainda mais palpitante.

Seja bem-vinda à Primeira Liga, cara filial n.º 2. Estou absolutamente certa de que as disputas familiares da próxima época, não vão resultar em problema, mas em grande festa leonina.

Muito obrigada, caro Leão da Amadora.

 

Imagem: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

*Edição: distinguida por distinta (legenda e título).

Persistência da Memória II

Di Stéfano

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Legenda: A equipa do Sporting efectuou ontem, no Estádio Nacional, o seu primeiro treino sob o comando técnico de Di Stéfano. Aqui vemos [Carlos Espírito Santo, círculo em redor da cabeça] o ex-barreirense Valter, o novo recruta «leonino», na execução de um exercício, seguido de Baltasar e Yazalde. [7-8-1974]

 

Após partilhar uma imagem de Alfredo di Stéfano no Estádio do Jamor na qualidade de treinador do Sporting Clube de Portugal, tomei conhecimento da existência de uma entrevista concedida por Fernando Massano Tomé, em 2018, a Rui Miguel Tovar ao longo da qual abordou a passagem de Di Stéfano pelo nosso Clube.  

 

E o que se passou entre ele o Di Stéfano?
Eles não se davam bem. Houve um dia, durante o estágio no Brasil, em que o João Rocha sentou-se ao lado do Di Stéfano e ele saiu da mesa. Beeeem, estás a ver? A verdade é que o Di Stéfano nem ficou aqui para a primeira jornada do campeonato, quando perdemos 1-0 em Faro com a Olhanense. Nesse dia, foi o adjunto Osvaldo Silva quem assumiu a equipa.
 
E o Di Stéfano, que tal?
Ele percebia de futebol, só que estava acostumado ao futebol espanhol.
 
Isso quer dizer o quê?
Por exemplo, ele só queria guarda-redes que fossem bisarmas. Chegou aqui e apanhou dois fininhos: Damas e Botelho.
 
Bolas, o Damas?
E o Damas já era da seleção, só que o Di Stéfano até disse ao João Rocha que precisava de um bom “portero”. E ainda um bom defesa-esquerdo, quando tínhamos o Inácio e o Da Costa.
 
E o João Rocha?
Disse-lhe que não, claro. E até sugeriu, em tom de brincadeira, que metesse o Chico Faria à esquerda.
 
E depois?
O Di Stéfano saiu e assumiu o adjunto Osvaldo Silva. Depois veio o Fernando Riera, chileno. Tinha o hábito de beber um Dão aquecido antes dos jogos.

 

Ficam esclarecidos os contornos da passagem de Di Stéfano pelo Sporting bem como os motivos que terão estado na origem da sua curta permanência.

 

Imagem: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

De pedra e cal - Gente que foi do Sporting

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A 5 de Janeiro de 1980 este grupo de ex-jogadores do Sporting reuniu-se em Leiria, treinou e, presumivelmente, jogou.

A de 1 Maio de 2020, no Dia do Trabalhador, aqui estão: Gente que foi do Sporting

Talvez não ambicionasse à data, talvez nem sonhasse que viria um dia a ser nosso treinador. Jorge Jesus, homem que desperta ódios e paixões, faz parte da história passada e recente do Sporting Clube de Portugal. 

À sua maneira, cada um destes homens contribuiu para o que o Sporting Clube de Portugal hoje é.

Legenda recorte: GENTE QUE FOI DO SPORTING - incluindo Fernando Peres, nada menos de dez unionistas já passaram pelo Sporting. Antes do treino de conjunto, os ex-leões: Jesus, Quaresma, Pinhal, Garcês, Fernando Peres, Espírito Santo, Dinis II, Tomé, Padrão e Dinis.

Comentários Facebook:
Carlos Padrão: LOL... o tempo volta para trás, boaaaaaaaaaaaa LOL

Fernando Massano Tomé: Do passado vivem os museus como alguém já disse, mas é tão bom recordar velhos tempos, irmanados no mesmo sentimento e amizade, um grande abraço para todos os da foto e para os outros.  

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

Persistência da Memória

Alfredo di Stéfano

A passagem de Alfredo di Stéfano pelo Sporting foi breve. Considerado por muitos o melhor jogador de todos os tempos, sentou-se na cadeira de treinador durante o início da época 74/75. Em comentário a esta imagem - no perfil Facebook de Carlos Espírito Santo - disse o nosso jogador Tomé que Di Stefano saiu após o primeiro jogo para o campeonato (que se jogou em Faro e que o Sporting perdeu por 1-0). Numa peça a propósito da sua morte, é dito que não chegou a sentar-se no banco. Podereis esclarecer, Sportinguistas?

Graças à natureza supersónica da sua passagem pelo Sporting, Alfredo di Stéfano não alcançou a Glória que se esperaria, ainda assim, aqui fica este registo para a posteridade efectuado no Estádio Nacional, no arranque da época 74-75. Nessa época o Sporting sagrou-se campeão nacional e o treinador nascido na Argentina, voltaria a treinar apenas na época seguinte (Rayo Vallecano).

Que me lembre, esta foi a primeira e única fotografia em que vi Don Alfredo di Stéfano ao serviço do Sporting.

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Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

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