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És a nossa Fé!

Ética - o VAR, o Vasco e o vazio

Com apenas o apoio expresso do presidente do Sporting, desde o primeiro momento, e a diligência do presidente da FPF, apostado em eliminar (ou pelo menos diminuir) o ruído à volta do futebol português, a Federação decidiu realizar um investimento de cerca de 1 milhão de euros e apostou na implementação imediata do Vídeo-árbitro. Uma boa prática!

O VAR é muito mais do que a pessoa que diz que "entendeu no momento" algo que todos vimos de outra forma. Existe um "replay operator" - RO -, uma "video operation room" - VOR-, um VAR e um AVAR (assistant VAR). Num mundo ideal, em que as pessoas envolvidas no processo têm padrões de comportamentos que seguem uma normalidade, o VAR apenas não resolveria a questão da intensidade dos puxões, empurrões, agarranços na área, os quais estariam à mercê da interpretação do árbitro. Mas, o agente VAR é constituido por homens e, como tal, deve estar sujeito a avaliação (Conselho de Arbitragem) e a correcção das suas decisões em sede de matéria disciplinar (Conselho de Disciplina).

Ao lavar as suas mãos como Pôncio Pilatos (como atentamente referiu Pedro Correia neste blogue), o presidente do Conselho de Disciplina, José Manuel Meirim, alegou que tendo esse lance do jogo sido observado e avaliado pelos agentes da arbitragem, o CD não iria sobrepor-se a esse juizo qualificado. Não conheço o acordão por inteiro, mas será que o CD não considera o CA, um agente da arbitragem? É que este organismo reconheceu o erro protagonizado por árbitro e VAR. Por outro lado, não é por os Tribunais não produzirem, na sua maioria, sentenças com base em juízos qualificados que não existem na lei mecanismos que permitam correcção. Por isso, além do Tribunal de 1ª Instância, existem o Tribunal da Relação, o Tribunal Constitucional e, para certos casos, o Supremo. Meirim, como jurista, sabe-o perfeitamente e não deveria partir dele a abertura das portas pare que se possam observar mecanismos que violem o princípio do Direito, que é o de regular, criar leis que, no caso, possibilitem que os direitos e as obrigações dos agentes desportivos serão salvaguardados e, caso não o sejam, poder haver forma de o corrigir.

Ao não permitir que o CD seja um instrumento de correcção de más decisões em matéria disciplinar, Meirim abre as portas à discricionariedade do VAR, não o sistema, o agente, mas sim o homem. Que sentido faz este ser avaliado pelo CA, se depois o CD não repõe a justiça sobre a (má) decisão? Provavelmente, Vasco Santos terá tido uma nota negativa (alguém sabe, isso é público?) por ter interpretado mal o lance "no momento" (se fosse hoje seria diferente?), mas Eliseu continua a jogar, o que interfere objectivamente com a integridade da competição. Isto é um "non-sense"!

Agora, imaginemos que o VAR, o homem, começa a cometer um desvario de erros, tantos erros que, inevitavelmente, a opinião pública vira-se contra o VAR, o agente, e o sistema é desmantelado. Na minha opinião, Meirim e o CD, com esta decisão, deixam um vazio que põe o futuro do VAR, o agente, nas mãos exclusivas de Fontelas Gomes.

Olvidem a árvore e vejam a floresta, esqueçam o caso Eliseu, o que está aqui em causa é o futuro do VAR, um sistema pelo qual vale a pena lutar, na medida em que adiciona verdade desportiva, logo integridade, às competições. E o que tem a dizer sobre tudo isto, o homem que propôs tão avultado investimento, o Dr. Fernando Gomes?

Exclusivo ÉS A NOSSA FÉ

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A imagem, que publicamos em rigoroso exclusivo, documenta o preciso instante em que o presidente do Conselho de Indisciplina da FPF, imitando o gesto de Pôncio Pilatos, decidia não decidir se no flagrante e manifesto acto de violência praticado pelo jogador Eliseu "ocorreu, ou não, uma violação intolerável das Leis do Jogo".

A sujidade no futebol português continua. Mas ao menos aquelas mãos ficaram lavadinhas.

A demissão anunciada de Meirim

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 Foto: Rui Gaudêncio

 

José Manuel Meirim, presidente do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol, acaba de reconhecer a inutilidade da função para que foi investido.

"Nos casos em que um determinado 'lance de jogo' seja observado e avaliado pelos agentes de arbitragem, não será o Conselho de Disciplina (CD) que, sobrepondo-se àquele juízo qualificado, irá determinar se ocorreu, ou não, uma violação intolerável das Leis do Jogo", concluiu aquele organismo ao mandar arquivar o auto de flagrante delito ao jogador Eliseu, do Sport Lisboa e Benfica, por conduta violenta contra o jogador do Belenenses Diogo Viana, documentada em imagens que todo o País viu.

 

O árbitro Rui Costa, em vez de apitar, preferiu assobiar para o lado. E agora o CD vem dizer que não pode corrigir o erro grosseiro cometido pelo juiz do Benfica-Belenenses, perpetuando assim a impunidade do jogador faltoso ao recusar "sobrepor-se" à actuação negligente ou incompetente do senhor Costa e do seu "juízo qualificado", que afinal serve apenas para desqualificar ainda mais o nosso futebol.

Facto que merece destaque: para não desagradar ao apitador da Luz, Meirim não se importou de desautorizar a Comissão de Instrutores da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, que defendeu a instauração de um castigo exemplar ao jogador do Benfica, e o Conselho de Arbitragem da FPF, que não teve dúvidas em considerar um erro a decisão do árbitro de não punir o lateral encarnado no decurso do jogo. 

 

Impõe-se a pergunta: se não pode ou não quer tornar direito o que está torto, para que existe então o Conselho de Disciplina?

Para muito pouco. Ou quase nada.

Atendendo aos factos, creio ter chegado o momento de Meirim apresentar a demissão do cargo que desempenha desde Abril de 2016 e rumar a outras paragens onde possa ser mais útil à sociedade portuguesa e à comunidade desportiva enquanto qualificado jurista que me garantem ser.

Não espero outra atitude dele.

Ó Meirim, explica-me o castigo ao Slimani

Acordão miserável iliba Eliseu da agressão ao jogador do Belenenses, Diogo Viana, com este estapafúrdio argumento: (José Manuel Meirim considera que) "se a um agente de arbitragem não compete avaliar atos ou omissões de agentes e aplicar as normas constantes do Regulamento Disciplinar, ao Conselho de Disciplina, por sua vez, por via de regra, não lhe cabe aplicar as leis do jogo".

Cada vez mais sinto um enorme nojo por uma certa clique que domina o futebol em Portugal e que se não forem tomadas medidas, pelo governo que é quem tem que pôr mão nisto, acabará por dar cabo dele.

Este acórdão é a prova provada da impunidade que alguns têm, porque um dia decidiram investir nos lugares de decisão, em detrimento de investir na equipa. É o elogio da vigarice, da falcatrua e da "sem-vergonhice". Meirim prestou mais uma vez um mau serviço ao futebol.

Mas afinal, questiono eu, não foi para isso que o colocaram lá?

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