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És a nossa Fé!

Do céu ao inferno em 5 minutos

Aconteceu hoje com Silas no Bonfim, mas é um filme já muito visto no Sporting com outros treinadores e noutros relvados. Muito difícil realmente se torna explicar como é que dum jogo ganho, tranquilo e controlado, se passa, em pouco mais de 5 minutos, para um jogo com a vitória comprometida e com alguns dos melhores jogadores lesionados ou castigados com cartões e impossibilitados para os jogos seguintes.

Mas aconteceu, e acontece, por falta de liderança no banco ou de espírito de corpo no relvado. E a verdade é que torna a vida do Sportinguista, o que foi ao estádio ou o que acompanhou no sofá, bem difícil.

Quem quiser rever os golos sofridos pelo Sporting nos últimos jogos, encontra, mais que o fruto de jogadas bem elaboradas do adversário, situações criadas por descuido ou incompetência individual ou colectiva.

Hoje Mathieu esteve na origem do golo do Setúbal e Risto na origem do amarelo que afasta Coates do dérbi com o Benfica. Situações completamente evitáveis.

Sobre toda esta má sorte ou simplesmente incompetência, só o talento de Bruno Fernandes. Escondeu-se no lado esquerdo para deixar Vietto brilhar na 1.ª parte, cavou o penálti e concretizou para o segundo golo, marcou o terceiro golo depois de boa iniciativa de Camacho.

O que vai ser do Sporting quando ele sair? 

Não faço ideia, mas temo o pior.

Entretanto, para o dérbi, Vietto ficou lesionado, Coates está fora, Neto também, fica o Illloooooooooriiiiiiiiiiiiii....

SL

Inqualificável

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O comportamento do destituído presidente do Sporting perante o colectivo de juízas que aprecia o caso de Alcochete no Tribunal de Monsanto é inqualificável.

Compareceu no início e depois, alegando não ter meios de subsistência, solicitou autorização para faltar às sessões. Tem estado quase sempre ausente.

Num caso que lhe diz directamente respeito e em que é parte interessada, até por estar acusado de quase uma centena de crimes, Bruno de Carvalho comporta-se em estado de negação. Recusando ouvir os depoimentos que têm desfilado, presencialmente ou através de câmaras televisivas, nas sessões de audiência.

 

Evitou assim, por exemplo, escutar Mathieu a dizer isto:

«Nunca mais esquecerei o medo que senti. Ainda hoje, no final dos jogos, penso nesse dia. Tenho medo que isto volte a acontecer.»

 

Não teve ocasião de ouvir Palhinha dizer isto:

«Fiquei receoso pela minha integridade. Liguei logo ao meu pai, num estado de nervos… Só dizia que queria ir embora, que ia recolher as minhas coisas, chuteiras e afins, porque nunca mais queria voltar à Academia depois daquilo.»

 

Não se apercebeu, em primeira mão, de que Ristovski declarou isto: «Ficámos alojados num hotel nessa noite, mandei a minha esposa e filho menor para Macedónia e no dia seguinte saí do país.»

 

Nem ficou ao corrente, de viva voz, deste depoimento de Acuña perante o tribunal: «Disseram que me iam matar, que sabiam onde é que eu vivia e onde é que os meus filhos iam à escola.»

 

No fundo, age como na recta final do seu mandato enquanto presidente do Sporting. Nos momentos decisivos, nunca estava lá.

Não esteve no estádio do Estoril, quando o Sporting perdeu um jogo decisivo que nos custou o comando do campeonato.

Não esteve em Madrid, na primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa disputada frente ao Atlético.

Não esteve no confronto com o Marítimo, no Funchal, que nos custou a despedida do acesso à Liga dos Campeões.

Não esteve na final da Taça de Portugal, de tão má memória, contra o Desportivo das Aves.

 

Em todas essas ocasiões, não foi por "falta de meios de subsistência", como agora invoca: foi por elementar falta de coragem.

Inqualificável antes, inqualificável agora. É o comportamento de alguém com jeito para soltar uns bitaites mas que não nasceu com capacidade para liderar.

Armas e viscondes assinalados: Só houve música quando o francês lançou o LP

Sporting 1 - Moreirense 0

Liga NOS - 14.ª Jornada

8 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Recuperou a titularidade, com alguma surpresa, e agarrou a oportunidade com as luvas. Sendo este o típico jogo em que o Sporting remata dezenas de vezes e acaba por sofrer golo num contra-ataque que gela as bancadas (tarefa cada vez mais fácil, tendo em conta os poucos mais de 25 mil presentes numa tarde de domingo e o divórcio entre os vários sectores), Max encarregou-se de alterar o destino. Fê-lo de forma brilhante ao desviar para canto o remate de um adversário isolado – num lance que ditou a grave lesão de Neto –, logo na primeira parte, mas também desviou para longe da baliza o perigo que surgiu depois do intervalo. A haver algo de positivo a retirar desta triste temporada, que seja a sua afirmação. E a de Eduardo Quaresma, Rodrigo Fernandes e um ou outro jovem talentoso que a presente gerência ainda não tenha conseguido desbaratar.

Ristovski (3,0)

Sendo um lateral-direito de pendor ofensivo, a verdade é que se distinguiu sobretudo pelo bom trabalho a contrariar os velozes extremos dos visitantes. Devem-se-lhe belos cortes no coração da grande área, sendo muito mais eficaz a dobrar os centrais do que Rosier tem mostrado conseguir ser.

Neto (2,5)

O azar que persegue e esconde-se à espreita deste Sporting calhou, da pior forma, ao central português. Um choque com Luís Maximiano quando procurava alcançar um adversário em fuga resultou numa costela fracturada e num pneumotórax. Prevê-se uma longa paragem, retirando-o dos decisivos embates de Janeiro e colocando Tiago Ilori na rota de uma possível titularidade. Já ouviram falar de um moço chamado Eduardo Quaresma?...

Mathieu (4,0)

Prioridade para o planeamento da próxima temporada: convencer o central francês a adiar a reforma mais um ano. Antes da assistência para golo no cruzamento perfeito para Luiz Phellype, capaz de desbloquear o que começava a parecer um impasse, enviara um livre directo ao poste e servira na primeira parte Bruno Fernandes para um golo que não se concretizou. Mas ainda mais impressionante foi um corte que realizou na grande área, quando um avançado se esgueirava para aborrecer Luís Maximiano. Noventa e nove em cada cem centrais teriam cometido grande penalidade.

Borja (3,0)

Nunca 14 centímetros terão sido tão injustos (embora haja decerto quem possa discordar...) quanto aqueles que ditaram a posição irregular do colombiano na jogada em que recebeu o passe de Mathieu, ludibriou um adversário e cruzou para o golo anulado a Bolasie. Mas nem por isso se deixou abalar, embalando para uma das melhores exibições desde que chegou a Alvalade, tanto a defender como a auxiliar o ataque.

Idrissa Doumbia (3,5)

Exemplo acabado da tarde virada ao contrário vivida pelo Sporting foi o slalon realizado pelo jovem médio, capaz de ultrapassar adversários em drible como se fosse coisa que fizesse todos os dias. Ao nível demonstrado no domingo, com disponibilidade física e cultura táctica a compensar as limitações técnicas, haveria lugar para Idrissa num plantel leonino com maiores ambições do que os actuais. Veja-se a forma como ficou perto de contabilizar uma assistência para golo ao descobrir a cabeça de Bolasie.

Wendel (3,0)

Longe de deslumbrar, muito pelo contrário, pautou o jogo com a aura de quem sabe o que está a fazer. Mais do que um artista de rasgos, foi um homem da segurança, enchendo o meio-campo com a sua presença.

Bruno Fernandes (3,0)

Algum dia carregaria o fardo de não ter sido imprescindível, sendo assaz curioso que tal tenha sucedido logo após o treinador ter dito que a equipa é ele e mais dez. Além de uma quantidade anormal de passes falhados e combinações que não surtiram efeito também não teve mira afinada nas jogadas de perigo, mas além do eficaz trabalho a corrigir os erros dos colegas ainda assinou desmarcações que poderiam e deveriam ter sido bem melhor aproveitadas.

Vietto (2,5)

Outro que não teve engenho para ser decisivo, embora nada se lhe possa apontar no que toca a empenho. Convirá que assuma o jogo na quinta-feira, devido à ausência de Bruno Fernandes, pois o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa está garantido mas o Sporting precisa de pontos na UEFA como de pão para a boca.

Jesé Rodríguez (2,0)

Daquela hora em que ocupou espaço no relvado pouco mais ficou do que um remate em zona frontal travado pelo guarda-redes do Moreirense. Demasiado pesadão e não o suficientemente rápido, o espanhol tornou-se sempre presa fácil para os adversários.

Bolasie (3,0)

Além do golo que marcou à ponta de lança, tendo o infortúnio de o ver anulado pelos tais 14 centímetros de Borja, o franco-anglo-congolês testou os reflexos do guardião num remate de cabeça que levava selo de golo e de seguida manteve os laterais em sentido. Tendência que se manteve no segundo tempo, forçando um segundo amarelo que deu mais folga ao Sporting e cavalgando pelo meio-campo contrário, numa jogada individual a pedir Wagner como banda sonora em que o remate em forma de torpedo saiu muito perto do ângulo superior esquerdo da baliza.

Coates (3,0)

Entrou muito cedo, substituindo o acidentado Neto, e foi igual a si próprio. Seguro nos cortes, ficou perto de marcar na outra baliza, num cabeceamento oportuno.

Luiz Phellype (3,0)

Fez o resultado e ganhou três pontos para o Sporting num lance em que, literalmente, voou como Jardel sobre os centrais. Tratando-se de um feito valoroso, bastante diferente do contributo deixado pelo espanhol que Frederico Varandas crê ser avançado-centro, não faz esquecer a legião de falhanços e indecisões que impediram Luiz Phellype de pôr os resistentes das bancadas a cantar o seu nome em várias outras ocasiões de perigo iminente.

Rafael Camacho (2,0)

Pouco ou nada acrescentou ao jogo. Mais uma vez.

Silas (3,0)

Chegou a pensar que teria um jogo sossegado, vendo-se em vantagem quase desde o início, mas a actuação do videoárbitro anulou o golo madrugador de Bolasie e encerrou o Sporting em mais um labirinto com muitos remates, muita posse de bola e nenhum resultado concreto. Poderia ter colocado Luiz Phellype em campo mais cedo, claro está, o que não invalida que seja um dos triunfadores de uma jornada em que ganhou dois pontos ao FC Porto, três ao Famalicão, três ao Sporting de Braga e nenhum ao clube que está autorizado a marcar golos precedidos de falta atacante.

Pódio: Mathieu, Luiz Phellype, Bruno

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Moreirense pelos três diários desportivos:

 

Mathieu: 18

Luiz Phellype: 17

Bruno Fernandes: 16

Bolasie: 15

Luís Maximiano: 15

Coates: 14

Vietto: 14

Borja: 14

Idrissa Doumbia: 14

Neto: 13

Ristovski: 13

Jesé: 12

Wendel: 12

Camacho: 6

 

Os três jornais elegeram Mathieu como melhor em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória. O mais importante foi conseguido: amealhámos mais três pontos em Alvalade ao vencermos o Moreirense por 1-0. Resultado magro e escasso, que soube a pouco. Mas comparado com outros nesta temporada em que já fomos goleados pelo Benfica e deixámos o modesto Alverca afastar-nos da Taça de Portugal, não podemos queixar-nos. Objectivo mínimo cumprido.

 

De Mathieu. Já me referi a ele aqui: foi de longe o melhor em campo neste Sporting-Moreirense. Destacou-se à frente e atrás. Lançando Borja aos 11', abrindo espaço para um golo que viria a ser anulado por fora-de-jogo milimétrico. Fazendo a bola embater num poste na soberba conversão de um livre directo aos 49'. Cortando de forma irrepreensível um perigoso ataque do adversário aos 64'. E sobretudo fazendo a assistência para o golo de Luiz Phellype, aos 70'. O mais maduro, o mais eficaz,  o mais acutilante: aos 36 anos, é um excelente exemplo para jogadores com metade da idade dele.

 

De Bolasie. Continua a ser um lutador. Nem sempre as coisas lhe saem bem, mas ninguém pode acusá-lo de falta de entrega ou falta de atitude. Actua com muita intensidade nos lances divididos, nunca dando uma bola como perdida. Aos 11' chegou mesmo a introduzi-la na baliza, mas a jogada acabou anulada por milimétrica deslocação de Borja, que fizera o cruzamento. Aos 18', coube ao congolês fazer um centro perfeito, que Bruno Fernandes desperdiçou. Aos 20', de cabeça, obrigou o guarda-redes a uma defesa aparatosa. Não é por ele que o Sporting continua com exibições que estão longe de agradar aos adeptos.

 

Da aposta de Silas em Max. Boa exibição do jovem guarda-redes formado em Alcochete. Autoritário entre os postes e seguro nas saídas, como naquela em que defendeu de cabeça, aos 41'. Aos 22' e aos 66' demonstrou ao técnico que vale a pena continuar a confiar nele. Devemos-lhe também o facto de termos chegado ao fim desta partida sem sofrer qualquer golo.

 

Da entrada de Luiz Phellype. O brasileiro entrou aos 64' e seis minutos depois marcava o golo decisivo, que nos valeu três pontos. Um golo de belo efeito, à ponta-de-lança, com forte cabeceamento (a fazer recordar Mário Jardel). Foi o melhor momento deste jogo, que praticamente só nos deu este motivo de alegria.

 

De ver Battaglia no banco. O argentino não chegou a calçar, mas o simples facto de Silas o ter chamado ao lote dos suplentes já é boa notícia para todos quantos admiramos este jogador e lamentamos que o Sporting há mais de um ano não possa contar com ele.

 

De termos encurtado distância para o terceiro classificado. O Famalicão perdeu com o V. Guimarães e está apenas com mais um ponto que o Sporting. A partir de agora também vemos mais perto o FC Porto, que empatou no Jamor com o Belenenses SAD.

 

 

Não gostei

 
 

De Jesé. Silas voltou a transmitir-lhe confiança ao deixar Luiz Phellype no banco e ao incluir o espanhol no onze titular. Mas o rapper revelou-se presa fácil para a defesa contrária: movimentou-se pouco, lutou ainda menos e foi sempre inofensivo no último passe. Diga o que disser Frederico Varandas, influenciado sabe-se lá por quem, não tem instinto nem gestos de ponta-de-lança. O que colocou o Sporting em notório défice ofensivo neste jogo até aos 64', quando Jesé foi enfim tomar duche e passámos a ter em campo o único avançado posicional do plantel leonino. Não por acaso, o golo surgiu seis minutos depois.

 

Da exibição apagada de outros jogadores. Bruno Fernandes esteve em subrendimento, falhando um número incrível de passes e mostrando-se incapaz de aproveitar os lances de bola parada e de ensaiar até os pontapés de meia-distância a que já nos habituou. Wendel, por sua vez, foi incapaz de imprimir dinâmica na nossa construção ofensiva, empastelando o jogo a meio-campo e rodopiando o tempo todo para chegar a lugar nenhum. E Vietto é desperdiçado a jogar junto à linha quando rende muito mais a movimentar-se na faixa central. Falta mencionar Camacho, que voltou a ter uma oportunidade: entrou aos 79', para render Vietto, mas nada fez de útil, pois foi facilmente neutralizado pela defensiva adversária, que o colocava em sistemático fora-de-jogo. E parece também ter uma relação difícil com o golo.

 

Da lesão de Neto. Desta vez Silas decidiu emparceirá-lo com Mathieu (quarta experiência diferente no eixo da defesa leonina em quatro jogos). O internacional português até estava a fazer uma exibição positiva, mas aos 22' fracturou uma costela na sequência de uma bola dividida no nosso reduto defensivo. Vai estar semanas fora dos relvados.

 

Da ausência de Acuña. O argentino, a cumprir castigo, faz sempre falta ao nosso onze titular - sobretudo na posição de ala, onde prefiro vê-lo jogar: é um desperdício tê-lo como lateral esquerdo. Mas valha a verdade que desta vez Borja cumpriu no essencial. Foi até um dos melhores jogos do colombiano pelo Sporting.

 

Dos falhanços de Luiz Phellype. Devemos-lhe o golo que nos valeu três pontos, é certo. Mas o avançado brasileiro ficou a dever outros golos a si próprio - e à massa adepta do Sporting. Aos 69', bem desmarcado, finalizou com um passe inócuo ao guarda-redes. Aos 77', igualmente bem servido, atrapalhou-se com a bola. E aos 81' voltou a desperdiçar. Falta-lhe aumentar a intensidade e melhorar a pontaria.

 

Do 0-0 ao intervalo. Era um resultado profundamente decepcionante para os 26 mil que acompanhámos nas bancadas de Alvalade este jogo iniciado às 17.30 de domingo. Desta vez ninguém pôde queixar-se do horário: só pudemos queixar-nos do fraco espectáculo desportivo. Merecíamos melhor neste último desafio disputado em 2019 no nosso estádio. O próximo será na recepção ao FC Porto, a 5 de Janeiro.

Algum conforto

Algum conforto que todos os Sportinguistas precisam, ou melhor quase todos, menos aqueles que passam os jogos a insultar jogadores e a salivar pelo insucesso.

Conseguimos vencer o Moreirense e consolidar a 3.ª posição na Liga (o Famalicão não é destas coisas nem destas contas), vencemos no Funchal e somos os líderes nos sub-23, no andebol esmagámos o Benfica e no basquetebol o Porto, vencemos também no hóquei em patins e no futsal.

Infelizmente o Luís Neto aleijou-se quando estava até em muito bom plano e não sabemos quando vamos voltar a contar com ele. Foi o pior deste fim de semana.

Quanto à exibição contra o Moreirense, foi a do costume. Difícil pedir mais a um onze que nunca deve ter jogado junto e sem ponta de lança. Foi improvisar e lutar, lutar e improvisar, rematar e rematar seja o que for que esteja à frente, até que entrado finalmente o único ponta de lança do plantel, o melhor em campo, Mathieu, improvisou um centro, e LP9 correspondeu com um golo... à ponta de lança. Coisa que nem Jesé, Vietto ou Bolasie conseguiriam fazer numa centena de jogos, ou conseguiram fazer em toda a sua carreira (aqui é um mero palpite, se alguém me conseguir mostrar um golo assim, tenho que pedir desculpa).

Depois veio Silas falar em boa exibição, quase 8 em 10 e... desisto.

SL

Mathieu

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És grande, Mathieu.

Aos 36 anos, foste hoje novamente o melhor em campo neste triste e desolador Sporting da temporada 2019/2020.

Se não fosses tu a fazer a diferença, construindo metade do solitário golo leonino com um passe de ruptura aos 70 minutos, teríamos saído do Estádio José Alvalade empatados a zero contra uma turma do fundo do campeonato.

E a segunda melhor oportunidade de marcar neste Sporting-Moreirense saiu dos teus pés, ao apontares de forma exemplar um livre directo fazendo a bola embater com estrondo no poste, estavam decorridos 49 minutos. Sem esquecer que foste tu a fazer um soberbo passe para Borja, logo aos 11 minutos, num lance de que resultaria golo de Bolasie, anulado pelo VAR por um fora-de-jogo de 14 centímetros. Além do soberbo corte que fizeste, aos 64 minutos, abortando um veloz contra-ataque conduzido por Luther Singh.

És o mais velho do plantel, mas ninguém diria. Jogas com o entusiasmo de um jovem que está a começar. Dando assim um louvável exemplo de profissionalismo aos teus medíocres colegas que se arrastam em campo à espera que o tempo se esgote para irem tomar duche. Vários deles passaram os minutos finais a "defender o resultado", com passes lateralizados e à retaguarda, como se o adversário se chamasse Real Madrid ou Juventus em vez de vir de Moreira de Cónegos e jogar naquele momento só com dez.

Deviam ter vergonha.

Tu és diferente, Mathieu. Obrigado.

Armas e viscondes assinalados: A bela noite a que os adeptos já tinham direito

Sporting 4 - PSV Eindhoven 0

Liga Europa - Fase de Grupos 5.ª Jornada

28 de Novembro de 2019

 

Luís Maximiano (4,0)

Ouviu o apito final deitado no relvado, com a bola nas mãos, na sequência de mais uma ocasião em que chegou primeiro do que os avançados do eliminado PSV Eindhoven. O modo como olhou para a bola diz tudo o que há para dizer acerca de exibição que teve um único defeito: a pérola da formação leonina a quem chamam “Max” merecia que tivesse sido aquela a sua estreia a titular pela equipa principal em vez de qualquer um dos dois jogos de má memória em que não conseguiu impedir derrotas do Sporting. Não foi o caso desta vez, como pôde testemunhar o renegado Bruma, a quem roubou um golo que poderia relançar o jogo para a equipa holandesa na primeira parte. Depois do intervalo voltou a mostrar ao que vinha numa defesa de recurso a um remate em posição frontal, tal como demonstrou ter velocidade suficiente para se lançar ao solo e agarrar bolas deixadas passar pelas fífias de colegas menos talentosos. Espera-se que esta noite tenha sido o início de uma lenda que faça esquecer de vez o actual titular do Wolverhampton.

 

Rosier (3,0)

Há qualquer coisa na sua abordagem defensiva que não convence, mas não deixa de ser verdade que se esforçou muito para não dar bronca, o que se traduziu numa quantidade de cortes bastante assinalável. No ataque foi aproveitando ao longo do jogo o baixar de braços do adversário para ganhar a linha e servir colegas que poderia ter feito um resultado final ainda mais impressionante.

 

Tiago Ilori (3,0)

Nem as falhas flagrantes que vieram recordar os sportinguistas de que Eric Dier faria ali mais falta do que os “Jesualdo boys” Ilori e Bruma tiveram consequências gravosas, o que demonstra a tranquilidade da melhor noite do Sporting nesta triste época. Muito bem escoltado por Maximiano e Mathieu, o já não assim tão jovem defesa central resolveu quase tudo quase bem, ainda que se tenha arriscado a ver um cartão de outra cor numa entrada a pés juntos mesmo no final da partida.

 

Mathieu (4,0)

A execução do 3-0, desde a sábia movimentação para o canto largo marcado por Bruno Fernandes até ao remate em esforço, de baixo para cima, como mandam as regras do futebol-espectáculo, é o melhor cartão de visita do adiamento da reforma do francês para meados da próxima década. Não contente, mostrou-se intratável para com os infelizes adversários que foram aparecendo no seu raio de acção, acumulando cortes a travar qualquer veleidade do PSV. Saiu uns minutos antes do fim para descansar as pernas e também para ouvir uma merecida ovação.

 

Acuña (4,0)

Os mais distraídos terão pensado que Diego Armando Maradona aparecera no relvado de Alvalade quando Acuña apanhou a bola na linha do meio-campo e passeou-a, à revelia de quem procurava desarmá-lo, até ser derrubado na grande área adversária. Haveria algo de justiça cósmica se lhe tivessem permitido marcar a grande penalidade que selou o resultado, tal como seria agradável que o recém-entrado Jesé Rodríguez tivesse aproveitado melhor um excelente cruzamento do argentino. Seja como for, do primeiro ao último minuto Acuña provou, a defender e a atacar, que é imprescindível num Sporting com ambição de fazer melhor.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Esteve mais certo do que é habitual, sobretudo no transporte de bola, marcando pontos numa competição interna algo esvaziada pelo estatuto de eterno lesionado de Battaglia e pela extrema juventude de Rodrigo Fernandes. Espera-se que esteja preparado para ser uma das chaves da conquista de três pontos na deslocação ao estádio do Gil Vicente.

 

Wendel (3,0)

Regressou à equipa, cumprido o castigo, e não precisou de muito tempo para deixar claro que é melhor do que Eduardo e Miguel Luís a carburar o meio-campo. Mesmo sem deslumbrar, a sua competência contribuiu para a bela noite a que os adeptos já tinham direito. Veja-se o passe perfeito para o que teria sido o 5-0 se Vietto tivesse a pontaria mais afinada.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Dois golos e duas assistências valeram-lhe a distinção de melhor jogador da Liga Europa nesta semana, somando-se à inclusão na lista dos 50 melhores futebolistas nas competições da UEFA na temporada passada. Num jogo muito próximo da perfeição, o capitão começou por testar a atenção ao guarda-redes com um remate de longa distância, preparando-o para o que estaria para vir. Assim foi, poucos minutos depois de fazer a assistência para o golo inaugural de Luiz Phellype com a ponta da chuteira, quando recebeu a bola de Wendel, avançou pelo meio-campo e puxou o pé que a Europa já conhece para trás, com a bola a tocar no poste antes de se alojar nas redes. Não satisfeito com o resultado, e com o papel de maestro de uma orquestra muito bem afinada, fez a segunda assistência com o melhor pontapé de canto dos últimos tempos, e na segunda parte dedicou-se a controlar as operações. Isto, claro está, sem deixar de tentar remates de longe e de fazer o resultado final com uma cobrança de pénalti plena de classe. Garantido o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa, e com “folga” na deslocação à Áustria devido ao cartão amarelo que viu na primeira parte, nada há temer tirando a tenebrosa hipótese de ter feito o último jogo europeu de leão ao peito, numa transferência destinada a compensar a sucessão de incompetências da actual gerência e da brilhante comissão de gestão cujo paladino Sousa Cintra fez custar mais três milhões ao Sporting devido ao despedimento ilegal do treinador Sinisa Mihajlovic.

 

Bolasie (3,0)

Merece mais a nota pela presença e arrancadas que puseram em alerta a defesa contrária do que por qualquer efeito prático da sua prestação. Na retina ficou a tentativa atabalhoada de marcar com um pontapé acrobático de costas para a baliza e a conquista do canto que valeu o 3-0. Aqui que ninguém nos ouve, foi poucochinho. Mas tudo está bem quando acaba bem.

 

Vietto (3,0)

Também não foi o “verdadeiro artista” a que começou a habituar os adeptos, perdendo a hipótese de deixar marcar ao falhar um remate em arco em posição frontal. Perdeu uma boa oportunidade de provar à Europa que voltou para conquistar o mundo.

 

Luiz Phellype (3,5)

A subtileza no desvio da bola e a assertividade na conquista de posição para o cabeceamento que inaugurou o marcador antes dos dez minutos lançou uma promessa de noite memorável que não foi totalmente cumprida. O avançado brasileiro pode queixar-se de falta de ajuda dos laterais e dos extremos, mas a verdade é que demonstrou os limites que o cerceiam no controlo de bola deficiente que o impediu de seguir isolado para a baliza num lance na segunda parte.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Entrou para o lugar de Luiz Phellype e tentou demonstrar a tese de Frederico Varandas que lhe atribui qualidades de avançado-centro móvel. Por azar dos Távoras chegou atrasado a um excelente cruzamento de Acuña e concentrou-se em impor respeito aos adversários.

 

Neto (2,5)

Tirando uma antecipação escusada a Luís Maximiano, cumpriu sem dificuldades a missão de manter a baliza do Sporting inviolada nos minutos em que tomou o lugar de Mathieu.

 

Rafael Camacho (1,5)

Poucos minutos pouco aproveitados. Contribuiu apenas para o chavão “três da formação” em campo.

 

Silas (4,0)

Desta vez conseguiu que a equipa não desse meia hora de avanço ao adversário, montando uma equipa dominadora e que não permitiu quase nada ao PSV Eindhoven. Sendo certo que beneficiou do estado de graça dos melhores do plantel (Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu), teve uma noite que deverá ser recordada e repetida, de preferência com Wendel a cimentar-se no meio-campo e com outras opções nos extremos. Será que Gonzalo Plata ou até os adolescentes Joelson Fernandes e Bruno Tavares não conseguem fazer melhor do que os “incumbentes”?

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da importante vitória conseguida em Alvalade frente ao V. Guimarães. A equipa minhota, que dias atrás fizera tremer o Arsenal em Londres, mostrou-se bem organizada no relvado leonino e chegou a dominar a partida durante parte do primeiro tempo, mas o Sporting impôs-se com uma vitória por 3-1 que não merece contestação. Com golos de Jesé (que foi titular e se estreou a marcar aos 29'), Acuña (aos 32', também em estreia como goleador nesta Liga) e Coates (aos 74'). Pormenor a assinalar: não ganhávamos desde 18 de Agosto no nosso estádio para competições de âmbito nacional.

 

Da exibição. Este foi, quanto a mim, o jogo em que o Sporting se mostrou mais organizado, seguro, compacto e confiante de todos quantos já disputámos na temporada 2019/2020. O primeiro jogo em que se nota claramente a influência de Silas, que venceu quatro das cinco partidas cumpridas sob o seu comando desde que chegou para substituir Leonel Pontes. Desta vez deixou de fora Wendel, apostando em Eduardo, e optou por Jesé como titular em vez de Luiz Phellype, que só entrou aos 73'. A organização defensiva funcionou e a transição ofensiva, com contra-ataques acutilantes, também produziu frutos. Pormenor a destacar: foi também o primeiro jogo em Alvalade, nesta época, em que conseguimos marcar três golos.

 

Da subida na classificação. Mercê da derrota do Famalicão, que liderava o campeonato desde a quarta jornada, reduzimos a distância para o duo da frente - Benfica e FC Porto, que levam mais sete pontos. E subimos ao quarto posto, ultrapassando precisamente o V. Guimarães e também o Tondela. Todos os triunfos são bem-vindos - e, nestes tempos turbulentos, ainda mais importantes se tornam.

 

De Mathieu. Foi, para mim, o melhor em campo. Um esteio na organização defensiva do Sporting, que conferiu equilíbrio e confiança ao conjunto. Teve uma exibição irrepreensível, cortando tudo quanto havia para cortar, impondo-se designadamente nos lances aéreos. Contabilizei acções defensivas que travaram os atacantes adversários aos 14' (dois), 35', 40', 56', 63' (dois), 76', 84' e 90'+4. Fez um soberbo passe em profundidade para Bruno Fernandes aos 16'. E é dos pés dele que começa a jogada que culmina no nosso primeiro golo.

 

De Coates. Funcionou como complemento perfeito do internacional francês: juntos, voltaram a formar uma barreira de centrais quase intransponível (excepto no lance do golo vitoriano, aos 67'). Protagonizou cortes aos 8', 70', 85', 87' e 90'+5. E ainda foi à frente, marcar o nosso terceiro - que tranquilizou enfim os sportinguistas.

 

De Vietto. Estará encontrado o futuro substituto de Bruno Fernandes no onze titular leonino? É a impressão que o criativo argentino tem dado, de jogo para jogo. Desta vez voltou a destacar-se com uma exibição digna de todos os elogios. Basta dizer que os dois golos iniciais do Sporting são construídos por ele - no primeiro a servir Jesé com um soberbo passe de ruptura, o segundo ao introduzir-se na área com a bola dominada e colocando-a em Acuña, que não se fez rogado.

 

De Acuña. O internacional argentino começou a lateral e subiu no terreno com a entrada de Borja, a partir do minuto 68. Em qualquer das posições revelou-se incansável. Marcou o nosso segundo golo, com um primoroso recorte técnico, metendo-a ao primeiro poste. E foi ele a apontar o livre de que resultou o nosso terceiro. Muito combativo, nunca dá uma bola como perdida e jamais desiste dum confronto individual. A intensidade que coloca em cada lance constitui um excelente exemplo para todos os colegas. Se todos fossem como ele, estaríamos bem mais colocados na tabela classificativa.

 

Da aposta de Silas em Rodrigo Fernandes. Aos 88', já com o resultado em 3-1, o treinador mandou sair Eduardo Henrique e fez entrar o jovem internacional júnior, que deu os primeiros passos no futebol em Alcochete. Aos 18 anos, Rodrigo estreou-se assim na equipa principal, sob os aplausos e o forte incentivo de colegas e adeptos. Este é, sem dúvida, o bom caminho.

 

Do jogo. Partida bem disputada, com velocidade e técnica, doses elevadas de emoção e incerteza quase até ao apito final. Estes são os melhores ingredientes do futebol. E é melhor ainda quando o Sporting ganha, como agora sucedeu.

 

 

Não gostei

 
 

Uma vez mais, do horário. Num domingo em que jogaram as três maiores equipas portuguesas, facto cada vez mais raro, coube-nos novamente a fava: o Tondela-Benfica disputou-se às 15 horas, o FC Porto-Famalicão começou às 17.30 e este Sporting-V. Guimarães só teve início às 20 horas. Isto contribuiu para haver só 28.135 espectadores em Alvalade. Hoje é dia de trabalho e sobretudo para quem mora longe de Lisboa estas deslocações tardias tornam-se inviáveis para milhares de adeptos.

 

De Idrissa Doumbia. O jovem marfinense revelou-se o elemento mais fraco do meio-campo, com claras dificuldades posicionais e uma confrangedora incapacidade de construir jogo. Pior ainda: destacou-se pela negativa, com vários passes errados em zonas comprometedoras, por exemplo aos 26', 34' e 43'. Melhorou um pouco no segundo tempo mas continua a fazer muito pouco por merecer a titularidade.

 

Dos assobios a Renan. Mesmo a ganharmos 2-0, resultado que se registava ao intervalo, houve no estádio quem xingasse o guarda-redes por alegada demora em colocar a bola em jogo. Acontece que na maior parte dos casos estes protestos são injustos: o problema não está em Renan, mas nos colegas que tardam em posicionar-se no centro do terreno, dificultando a construção do processo ofensivo com a bola controlada a partir de trás.

 

Dos imbecis no topo sul. Apesar de se ter registado mais uma vitória do Sporting, os deserdados da Juventude Leonina, saudosos de tempos que já não voltam, mandaram pelo menos uma tocha incendiária para o relvado, além de insistirem em exibir lencinhos brancos e gritar impropérios ao presidente Frederico Varandas ainda antes do fim do jogo. Receberam o troco que mereciam: uma vaia imensa de quase todo o estádio. Há um divórcio cada vez maior entre os adeptos e as claques. Não custa vaticinar quem sairá a perder.

 

Da música ensurdecedora. Algo quase tão estúpido como os gritinhos injuriosos das claques é a decisão da Direcção leonina de aumentar os decibéis do hino do Sporting até níveis ensurdecedores - e passíveis de sanções legais - na tentativa de "amortecer" os protestos. Isto não é prova de força, mas de fraqueza. E totalmente desnecessária. Porque para calar os energúmenos do topo sul, como voltou a ficar evidente, bastam os sonoros assobios dos sócios que se concentram no resto do estádio.

Armas e viscondes assinalados: Os desconhecidos do Norte-Expresso

Boavista 1 - Sporting 1

Liga NOS - 6.ª Jornada

15 de Setembro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

Poderia ter estado melhor posicionado no lance do golo do Boavista, pois um passo para o lado talvez permitisse defender o livre bem cobrado por Marlon. Depois disso manchou o cadastro com algumas reposições para a terra de ninguém, mas encaixou sem problemas de maior os recorrentes pontapés de longa distância com que os boavisteiros procuraram agravar ainda mais a deriva do Sporting.

 

Rosier (2,5)

A boa notícia é que pareceu refeito da lesão que lhe fez perder a pré-temporada inteira e ameaçava fazer dele o turista acidental da Academia de Alcochete. Primeira das muitas novidades de um onze que desde o funesto Sporting-Rio Ave ficou desfalcado com a venda de Thierry Correia e Raphinha, o castigo de Coates e as lesões de Vietto e Luiz Phellype, o francês demonstrou capacidade de choque e técnica. Já no que toca a entrosamento, digamos que Rosier foi mais um dos quase desconhecidos trajados de verde e branco que compareceram no Bessa com vontade de darem o seu melhor. Não chegou para um bom resultado, apesar de no caso do lateral-direito ter havido assinalável progresso na segunda parte, sucedendo-se cruzamentos que poderiam ter sido aproveitados pelo ponta de lança que não pôde confirmar a sua presença.

 

Neto (2,5)

Raras são as ocasiões em que o Sporting pós-ataque a Alcochete tem mais do que um português em campo, mas o cartão vermelho a Coates permitiu-lhe compensar a precoce saída de Thierry Correia. A experiência acumulada em terras ainda mais gélidas do que a conjuntura leonina terá sido útil, embora pudesse ter provocado o segundo golo do Boavista numa falha de comunicação com Renan.

 

Mathieu (3,0)

Cabe a um homem que vai enganando a reforma tentar aquilo que os colegas mais novos demonstram não ter capacidade de fazer. Além de cortes providenciais, um dos quais quando um avançado axadrezado procurava ficar cara a cara com Renan, o francês avançou tanto no terreno, primeiro para suprir a incapacidade de Borja e depois para permitir ludibriar a apertada marcação homem-a-homem-chuteira-a-tornozelo urdida por Lito Vidigal, que o seu “mapa de calor” no relvado intrigará decerto num futuro distante os arqueólogos das ruínas do futebol leonino.

 

Borja (1,5)

Nos sub-23 do Sporting existe um adolescente chamado Nuno Mendes que, sem ser isento de falhas decorrentes da inexperiência, poderia fazer uma “masterclass” ao internacional colombiano, notoriamente tão inapto a atacar quanto a defender. Num dos seus habituais atabalhoamentos terá tocado a bola com a mão na grande área, mas tal acção passou tão em claro ao árbitro Jorge Sousa quanto as pancadas nos tornozelos de Bruno Fernandes. Leonel Pontes teve a sabedoria de o deixar no balneário ao intervalo.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

A recuperação de Battaglia, após quase um ano de ausência, é um dos raros sinais de esperança para a próxima jornada da Liga NOS, na qual o Sporting recebe em Alvalade o actual líder, com o apito final previsto para as onze da noite de uma segunda-feira em que a ressaca da deslocação a Eindhoven, para visitar o PSV, é capaz de ainda fazer doer cabeças. No que toca ao empate em apreço, o argentino permaneceu no banco, podendo observar o modo como o jovem médio sentiu a bola a pesar mais do que chumbo, primando pelas más recepções e ineficácia de passe. Na retina ficou uma jogada individual, ainda na primeira parte, em que galgou terreno, evitando diversos adversários, até deixar a bola sair pela linha de fundo.

 

Wendel (2,5)

Condicionado pelo amarelo que viu logo no arranque do jogo, ao fazer a falta que um desalmado chamado Marlon aproveitou para inaugurar o marcador, o jovem brasileiro ressentiu-se nas movimentações e pouco contribuiu para abrir o cadeado boavisteiro que foi tornando infrutífera a hegemonia leonina na posse de bola. Quando foi substituído pareceu pior do que estragado, estando o estragado grafado com letra F.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Fez das tripas coração para que não se notasse assim tanto que nunca tinha jogado com não poucos dos seus colegas. Numa das tentativas de integração de recém-chegados ficou perto de oferecer o golo do empate a Bolasie, sendo que por essa altura já perdera decerto cartilagem com o festival de cacetada a que foi sujeito, sob o beneplácito régio de Jorge Sousa. Recebeu como prémio pela perseverança o desvio na barreira que lhe permitiu fazer o golo do empate num livre directo e ainda ensaiou o remate de longa distância que poderá eventualmente salvar o Sporting de si próprio em Eindhoven. Mas não na jornada seguinte, pois depois de ser massacrado pelos adversários, Bruno viu o segundo amarelo (o primeiro fora por protestos, a pedido de um fiscal de linha a quem não ensinaram que é feio ser-se queixinhas...) e assistirá na tribuna ao Sporting-Famalicão. Aquele jogo em que urge contrariar as célebres palavras de Ristovski: “Sem o nosso capitão estamos f...”

 

Gonzalo Plata (1,5)

Má estreia a titular do jovem equatoriano, colecionador de perdas de bola e de iniciativas mal calculadas. Também melhorou na segunda parte, mas Leonel Pontes terá sentido a falta dos adolescentes Bruno Tavares e Joelson Fernandes para dinamitar a defensiva adversária.

 

Acuña (2,5)

Começa a tornar-se evidente que colocar o argentino a extremo é o tipo de decisão com prazo de validade muito curto, visto que implica esse desporto radical chamado dar a titularidade a Borja. Beneficiou bastante do recuo para lateral, ainda que tenha sido penalizado pela falta de entendimento com os recém-chegados ao plantel que lhe apareceram nas redondezas.

 

Bolasie (3,0)

Frederico Varandas estava convencido que seria Jesé Rodríguez a demonstrar dotes de ponta de lança interino, suprindo a inexistência do famoso “substituto de Bas Dost”, a lesão de Luiz Phellype e a falta de inscrição de Pedro Mendes. Mas eis que Leonel Pontes contrariou o presidente do Sporting e recorreu ao franco-congolês criado em Inglaterra para interpretar uma versão móvel e espadaúda de camisola 9. Num mundo paralelo em que as coisas correm bem ao Sporting teria atirado para fora da jurisdição de Bracalli o remate que desferiu após uma desmarcação acelerada ao passe de Bruno Fernandes, recepção no peito e rotação de corpo para se focar na baliza. Não foi a única ocasião em que deu ares de poder vir a ser o “Marega a prazo” leonino, ainda que seja provável que se revele mais útil enquanto extremo.

 

Jesé Rodríguez (1,5)

Entrou ao intervalo, posicionou-se na esquerda e confirmou que não está em boa forma. Se é possível redimir o futebol que tem dentro de si é coisa que este ou o próximo treinador virão a descobrir.

 

Eduardo Henrique (1,0)

Entrou para o lugar de Wendel, supondo-se que para acelerar o meio-campo leonino rumo aos três pontos e não para deixar claro a Miguel Luís que nenhum treinador depois de Tiago Fernandes confia no seu valor. Certo é que cumpriu mais o segundo do que o primeiro objectivo.

 

Rafael Camacho (-)

Estreou-se na equipa principal de modo inglório, acumulando um punhado de minutos quando os colegas já haviam cruzado os braços.

 

Leonel Pontes (2,5)

Trouxe um ponto do Bessa ao mesmo tempo que alargou para cinco o número de pontos que separam o Sporting da liderança ao fim de seis jornadas. Sendo justo reconhecer que enfrentou uma tempestade perfeita, potenciada pelas lesões de Luiz Phellype e Vietto, valendo-se da imaginação para formar o onze titular, não menos verdade é que a equipa jogou pouco, não obstante o domínio na posse de bola. Como principal vantagem em relação ao antecessor destaca-se o facto de deixar patente que estava chateado com a desvantagem e com a incapacidade de alcançar a reviravolta. Quinta-feira, na estreia na Liga Europa, frente ao PSV Eindhoven, e na segunda-feira, na recepção ao Famalicão, joga-se o seu destino.

O que faz falta?

Temos o melhor guarda-redes da Liga portuguesa, Renan Ribeiro.

Temos o melhor defesa central do nosso campeonato, Jérémy Mathieu.

Temos um ala esquerdo que é titular da selecção da Argentina, Marcos Acuña.

Temos aquele que é o mais eficaz ponta-de-lança do futebol nacional, Bas Dost.

Temos um capitão de equipa, médio criativo, que é de longe o melhor profissional a actuar nos relvados portugueses, Bruno Fernandes.

Com todos estes atributos individuais, continua a faltar-nos uma equipa que empolgue os adeptos e atemorize os adversários.

Se não é por falta de qualidade dos jogadores, qual será o problema?

Balanço (6)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre MATHIEU:

 

Leonardo Ralha: «Não só levou a equipa para a frente nos períodos de maior desorientação da primeira parte como consumou a reviravolta no resultado com um golo de livre directo que o ex-colega de equipa Lionel Messi decerto aplaudiria.» (17 de Dezembro)

- Edmundo Gonçalves: «Fez levantar o estádio, com um golo daqueles... de fazer levantar o estádio!» (17 de Dezembro)

- António de Almeida: «Passeou classe.» (17 de Dezembro)

Eu: «O melhor em campo, com um desempenho impecável. Neutralizou Marega e Soares, ganhou todos lances aéreos, fez vários cortes providenciais e ainda foi o mais lúcido no início da construção ofensiva do Sporting. Um elemento indispensável no onze leonino.» (12 de Janeiro)

Luís Lisboa: «Este plantel são seis magníficos (Mathieu, Coates, Acuña, Nani, Bas Dost e Bruno Fernandes), mais uns entre o bom e o razoável e uns tantos tremendamente insuficientes para as necessidades do Sporting.» (3 de Fevereiro)

Francisco Vasconcelos: «No centro da defesa, sem Mathieu, temos um problema.» (8 de Março)

Pedro Azevedo: « O Sporting em época e meia investiu 100 milhões de euros em contratações, das quais só se destacam pelo rendimento desportivo os jogadores Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu.» (11 de Março)

Pódio: Mathieu, Renan, Acuña

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores na final da Taça de Portugal (Sporting-FCP) pelos três diários desportivos:

 

Mathieu: 21

Renan: 20

Acuña: 18

Coates: 18

Bas Dost: 17

Gudelj: 17

Bruno Fernandes: 17

Luiz Phellype: 16

Raphinha: 15

Diaby: 14

Wendel: 14

Ilori: 14

Jefferson: 13

Idrissa Doumbia: 13

Bruno Gaspar: 11

 

Os três jornais elegeram Mathieu como melhor em campo.

Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça de Portugal no termo de uma partida épica, que jamais esqueceremos. Uma das finais mais esforçadas, uma das mais sofridas, uma das mais saborosas. Uma final em que soubemos fazer das fraquezas força, tendo alinhado de início sem nenhum lateral titular e com um banco de suplentes onde era notória a debilidade do plantel leonino. Marcel Keizer merece os nossos parabéns: soube interpretar muito bem estes pontos fracos e adaptá-los ao desígnio estratégico da equipa neste embate contra o FC Porto, fazendo diversas modificações tácticas no decurso da partida. Assim, tivemos uma defesa a quatro e depois uma defesa a três. Chegámos a jogar com dois pontas-de-lança. Jefferson entrou para ponta esquerda. Raphinha andou num vaivém, protegendo a manobra defensiva no seu corredor. Bruno Fernandes foi muito mais formiga do que cigarra, sacrificando o brilho individual em favor do esforço colectivo. Este é o Sporting de que eu mais gosto: o Sporting obreiro, o Sporting que sua, que sofre, que aguenta os embates. O Sporting que vence.

 

Gostei da condição anímica dos nossos jogadores, que foram capazes de superar o profundo trauma ocorrido um ano antes no Estádio Nacional, numa derrota frente ao Aves escassos dias após o assalto da jagunçada a Alcochete. Esta força mental bastou para compensar algumas insuficiências no plano físico, possibilitando que no mesmo palco do Jamor desta vez saíssemos vencedores. E logo frente ao fortíssimo onze portista, cheio de craques (vários deles preparam-se para rumar a Madrid, onde jogarão no Real e no Atlético). Destaco aqueles que para mim foram os maiores heróis desta conquista: desde logo esse gigante que se chama Mathieu, o melhor em campo: intransponível frente às vagas ofensivas da equipa adversária, lideradas por Marega. Mas realço também Renan, que por quatro vezes impediu o golo e ainda defendeu uma grande penalidade no fim. E Coates, que fez uma parceria irrepreensível com Mathieu. E ainda Bas Dost, inicialmente relegado para o banco de suplentes mas que entrou com ganas redobradas, marcando um golo que se revelaria decisivo. E Luiz Phellype, sem vacilar na hora de marcar o penálti que ditou o vencedor da Taça. E o nosso capitão Bruno Fernandes, que em boa hora Sousa Cintra recuperou para o plantel. Eles e os colegas estão todos de parabéns. 

 

Gostei pouco do estado do relvado. Há anos que se fala na má qualidade do tapete verde do Jamor. Tive esperança de que a Federação Portuguesa de Futebol corrigisse o erro a tempo de proporcionar condições aos jogadores para um bom espectáculo. Infelizmente, não foi assim: aquele "ervado" parecia ter sido invadido por toupeiras. Algo que considero inadmissível.

 

Não gostei da actuação do árbitro Jorge Sousa. Mas pior esteve o vídeo-árbitro Rui Costa, que devia ter analisado com atenção as imagens ao seu dispor na Cidade do Futebol, vendo Herrera ajeitar a bola com o braço direito no lance da marcação do primeiro golo portista. Um erro de palmatória, aliás denunciado por diversos especialistas de arbitragem (Duarte Gomes, Jorge Faustino, Jorge Coroado). 

 

Não gostei nada da reacção grosseira de Sérgio Conceição: o treinador do FCP voltou a revelar-se incapaz de aceitar a derrota com dignidade e galhardia. A recusa de cumprimentar o presidente do Sporting, na tribuna de honra do Estádio Nacional, foi o pior exemplo que podia dar a milhares de jovens que acompanhavam as imagens no estádio e pela televisão. O desporto nada tem a ver com isto. Pelo contrário: Sérgio Conceição, com estas atitudes reprováveis, acaba de cometer mais um acto de lesa-desporto. Não pode ter atenuantes pois está longe de ser o primeiro do género que protagoniza. Muito longe.

Armas e viscondes assinalados: Aquele tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada

Sporting 2 - FC Porto 2 (5-4 no desempate por grandes penalidades)

Taça de Portugal - Final

25 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Houve quem tivesse muitas dúvidas quanto ao valor do guarda-redes, incluindo este que vos escreve, mas o segundo troféu conquistado por sua intervenção directa começam a fazê-las dissipar. Mostrou-se decisivo logo no início, defendendo um forte remate de Soares que resultou de um alívio disfarçado de assistência para golo de Bruno Gaspar. Embalou para uma grande exibição, mesmo sem conseguir evitar os dois golos do FC Porto, destacando-se numa segunda parte de intenso domínio portista. Muitas e boas defesas contribuíram  para a vantagem leonina – uma das quais a resolver o enorme disparate que o próprio guarda-redes fez ao deixar a bola nos pés de Herrera –, desfeita no último lance do prolongamento, e quando chegou o desempate por grandes penalidades voltou a dar espectáculo, travando o remate de Fernando Alexandre para que o compatriota Luiz Phellype pudesse selar a conquista da Taça de Portugal. Sendo o sétimo desempate por grandes penalidades consecutivo a pender para o lado do Sporting, tendo os últimos a mão enluvada de Renan, só se pode falar de lotaria dos pénaltis se for o tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Começou em ritmo de catástrofe, entregando a bola a Octávio em posição frontal. Atirado para o relvado do Jamor devido ao castigo de Ristovski, também ele foi amarelado muito cedo, algo que só contribuiu para hesitações no momento de abordar os adversários. Para a história desta final poderia ter ficado outra jogada em que se alheou olimpicamente de uma bola que sobrou na grande área do Sporting para o pé, felizmente desastrado, de Soares. Prova viva de que a sorte protege os limitados, nada de verdadeiramente irreversível fez antes de sair, aos 65 minutos, para a entrada de Tiago Ilori e a gradual transformação da equipa num 3-5-2.

 

Coates (3,5)

Poderia ter feito bem melhor no lance do primeiro golo do FC Porto, perdendo preciosas fracções de segundo a reclamar do controlo de bola com o braço de Herrera antes de o mexicano cruzar para a cabeça de Soares. No resto do jogo esteve ao seu elevado nível, mesmo quando arriscou a expulsão ao fazer um corte com a mão, cumprindo o seu dever sem excessiva angústia quando chegou a hora do desempate.

 

Mathieu (4,5)

O exercício do direito de opção por mais um ano de contrato é muito bonito, mas talvez seja altura de pensar numa estátua equestre do veterano francês. Marega ultrapassou-o em drible e velocidade uma única vez, pagando esse atrevimento com uma sucessão de cortes e desarmes que deverá ter feito com que o maliano tenha passado a noite acossado pelo francês nos seus pesadelos. Pior maldade só quando Mathieu ainda sacou um amarelo a Soares ao preparar-se para conduzir a bola na direcção-geral ao meio-campo contrário.

 

Acuña (3,5)

Teve menor influência no relvado do que é seu bom e costumeiro hábito, o que não invalidou que aparecesse na hora certa, fazendo assistências para os golos de Bruno Fernandes (com ajuda de Danilo Pereira) e de Bas Dost (com ajuda de Felipe). Digamos que para uma exibição tão pouco “à Acuña” acabou por ser mesmo muito frutífera. Com ou sem a saída do capitão torna-se imperioso manter o internacional argentino vestido de verde e branco.

 

Gudelj (3,0)

Num jogo muito difícil, perante um adversário que ao longo de quase toda a segunda parte encostou o Sporting às cordas, fez o possível para que, no mínimo, fosse possível chegar àquela fase da lotaria em que a cautela está sempre premiada. Lutou muito, mesmo que abusando do futebol para a frente, até atingir o limite físico que forçou a substituição. Num lance que poderia ter cancelado os festejos deixou-se antecipar por Herrera, mas o maior quota parte de responsabilidade seria do passe negligente de Renan, única mácula de uma exibição mesmo muito boa do guarda-redes.

 

Wendel (3,0)

Detido durante a semana por conduzir sem carta e em contramão, manobrou o melhor que conseguiu num meio-campo cheio de gente vestida de azul e branco que não estava nada interessada em sair dali com as mãos a abanar. Esta final não foi o seu momento de glória, mas poderia muito bem tê-lo sido, bastando para isso que o seu forte remate cruzado à entrada da área do FC Porto, raro momento ofensivo numa segunda parte de caça ao leão, preferisse rasar o poste do lado de dentro da baliza.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Na hora dos festejos foi um verdadeiro capitão, não se esquecendo de Nani, Montero, Marcelo, Viviano, Lumor, José Peseiro e Tiago Fernandes (Castaignos, lá onde estiver, compreenderá a omissão, tal como qualquer outro de quem o autor deste texto se esteja a esquecer...) ao mesmo tempo que pedia desculpa aos adeptos por não ter conseguido juntar o título de campeão às duas taças conquistadas. Antes, dentro do relvado, deu início às hostilidades com um remate de fora da área, aproveitando uma nesga de terreno e instantes de afrouxamento na vigilância que lhe foi sempre dispensada, com o qual testou a resistência das luvas de Vaná. Pior saiu a interacção entre chuteira e bola ao enfrentar um (bastante bom, fica bem reconhecer) cruzamento rasteiro de Diaby, mas no final da primeira parte compensou a falha com um remate forte e espadaúdo que tocou em Danilo e foi parar ao fundo das redes. Feito o 1-1, seguiu-se o dilúvio. Muito castigado pelos adversários, que contaram com um “laissez faire, laissez passer” em que o árbitro Jorge Sousa foi bastante coerente consigo, não conseguiu que lhe saíssem bem as raras tentativas de passes de 30 ou 40 metros para pôr os colegas na cara do golo. Terminou o prolongamento com as pilhas esgotadas, ao ponto de agarrar Wilson Manafá e receber o cartão amarelo, mas nos pénaltis voltou a demonstrar eficiência germânica, o que leva a temer que as mesmas pessoas que acharam boa ideia verter dezenas de milhões de euros por Renato Sanches voltem a atacar, como se não bastassem os dois clubes de Manchester e outros que tais... Daqui até ao fecho do mercado, ou até à mais do que provável comunicação de facto relevante à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o sonho lindo e impossível de todos os sportinguistas é ver o capitão manter a braçadeira e conduzir a equipa ao fim do jejum.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter sido um dos maiores heróis da final se o remate em posição frontal, mesmo à entrada da grande área, ao qual Vaná não tinha capacidade de reagir, tivesse saído enquadrado. Não quis o destino que assim fosse, o que terá lançado nuvens carregadas sobre a exibição do extremo brasileiro, como se constata pela fraquíssima taxa de sucesso nos duelos individuais quando havia possibilidade de apanhar o FC Porto em contrapé. A nota positiva deve-se, por incrível que pareça, a acções defensivas, sobretudo o corte arriscadíssimo que fez com mestria no instante antes de o completamente isolado Brahimi poder fuzilar a baliza de Renan.

 

Diaby (2,5)

Pouco há a acrescentar acerca do fosso entre as capacidades do maliano e as exigências de um plantel que permita ao Sporting suplantar os rivais mais directos na Liga. Mesmo assim é de inteira justiça reconhecer que, logo na primeira parte, Diaby fez dois cruzamentos de elevada qualidade – Pepe esticou-se todo para impedir que a bola sobrasse para Luiz Phellype no primeiro, e Bruno Fernandes meteu mal o pé no segundo –, fruto do inegável empenho com que tenta superar os seus vícios intrínsecos. Posto isso, como tantas vezes sucede, foi desaparecendo do relvado até Marcel Keizer decidir retirá-lo por entre uma profunda alteração táctica.

 

Luiz Phellype (3,0)

Mais um jogo de muita luta para o brasileiro que custou aos cofres leoninos 12 vezes menos do que o maliano. Colocado na zona de influências de fulanos como Pepe e Felipe, poucas oportunidades teve para ganhar bola de costas para a baliza e também lhe faltaram reflexos para aproveitar um falhanço do central que nasceu brasileiro e assim se mantém. Também poucos efeitos práticos teve a coabitação com Bas Dost, mas o certo é que lhe coube marcar, com toda a confiança, o pénalti que deu a Taça ao Sporting. Para quem começou a época no escalão inferior não se poderia pedir muito mais, levantando legítimas expectativas de que na época de 2019/2020 possa revelar-se o príncipe que foi prometido neste tipo muito particular de Guerra dos Tronos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Partilha com a ex-“Morangos com Açúcar” Mariana Monteiro uma característica pouco habitual: não está melhor aos 26 anos do que era aos 19. Colocado em campo para a necessária saída de Bruno Gaspar, revelou-se tão ou mais permeável aos ataques portistas do que o colega, sendo ultrapassado com extrema facilidade quando lateral-direito e quando terceiro central. Perceber se é possível recuperar 0 tempo perdido é um dos desafios da sua carreira e também do clube que o resgatou em troca de uma quantidade de dinheiro equivalente à que recebeu no desastrado e inexplicável processo que levou ao empréstimo com opção de compra do ex-futuro titular indiscutível Demiral.

 

Bas Dost (3,5)

Entrou, viu e esticou a perna no momento certo, tirando partido do desvio de Felipe ao cruzamento de Acuña. Foi o melhor regresso a uma final da Taça de Portugal para o holandês, tendo em conta que na anterior tinha uma ligadura na cabeça e planos para rescindir contrato. Voltou a demonstrar uma taxa de eficácia ao nível que lhe deu fama, ganhando ainda diversos duelos aéreos, apesar de ter ficado perto de borrar a pintura ao atirar à barra no início do desempate por grandes penalidades. O que vale é que Pepe foi um cavalheiro, repetindo o seu gesto técnico, e Renan resolveu.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Substituiu Gudelj e atribuiu mais fôlego e velocidade ao meio-campo. Dir-se-ia que, acima de tudo, ganhou experiência e traquejo para novas conquistas.

 

Jefferson (3,0)

Foi a estranha aposta de Marcel Keizer para a quarta substituição que o prolongamento permitiu, posicionando-se no meio-campo enquanto Acuña permanecia falso lateral-esquerdo. Aproveitou a força que tinha nas pernas para ganhar bola e até chegou a rematar para as mãos de Vaná. Caso tenha sido o último jogo com a camisola do Sporting – cenário provável, ainda que falte um ano de contrato –, teve uma despedida em beleza.

 

Marcel Keizer (4,0)

Aprendeu bastante com a derrota no Estádio do Dragão, embora tenha voltado a lutar com armas desiguais, ao ponto de poder vangloriar-se que venceu a Taça de Portugal com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Assoberbado pela vaga ofensiva do FC Porto na segunda parte, optou por uma transição suave para o sistema de três centrais, numa receita que foi resultando mesmo sem os melhores ingredientes, e a sorte parecia destinada a proteger o audaz até aquela última jogada do prolongamento em que o adversário fez ruir a muralha defensiva. Os pénaltis escreveram verde e branco por linhas tortas e obteve o segundo troféu na sua ainda curta estadia em Alvalade, começando desde já a tarefa hercúlea de preparar uma temporada na qual quase de certeza não poderá contar com o homem de todos os recordes.

Boas notícias

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Nos últimos meses temos sido brindados pelos aziados do costume, os órfãos e viúvas do destituído, com as mais diversas e rebuscadas, por vezes até delirantes teorias conspirativas sobre as intenções ou capacidades do actual Conselho Directivo, visando principalmente o nosso presidente, Frederico Varandas, quanto à construção do plantel para a próxima época. Desde jogadores a serem vendidos ao desbarato, ou dispensados, passando por contratações caras de jogadores em final de carreira ou sem qualidade, para favorecer empresários, os arautos da desgraça "sabem" tudo. Indifente a tais palermas, a direcção vai cumprindo a sua função, em silêncio, porque não é preciso andar aos gritos afirmando que se trabalha para apresentar trabalho. Hoje o clube anuncia oficialmente a renovação de contrato com o jogador Jérémy Mathieu, precisamente um dos visados pela seita letal ao Sporting. Aos imbecis apetece-me parafrasear o grande Maradona, "que la chupen y sigan chupando"...

Armas e viscondes assinalados: O futebol é um jogo de onze contra dez e no final perde o Sporting

FC Porto 2 - Sporting 1

Liga NOS - 34.ª Jornada

18 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Fez por garantir os três pontos, depois tentou salvar um ponto, e no final só conseguiu juntar-se à fila interminável de pessoas que co-protagonizam incidentes com Sérgio Conceição. Foi um desfecho pesado para o guarda-redes brasileiro, deixado indefeso pelos colegas de ocasião que formavam a linha defensiva nos lances dos dois golos. Começou no primeiro tempo a defender um livre perigoso de Herrera e na segunda parte, com o Sporting cada vez mais empurrado para as cordas pela inferioridade numérica, sofreu uma agressão de Marega encarada com benevolência no Dragão e na Cidade do Futebol, viu a sua equipa adiantar-se no marcador no único lance de perigo de que dispôs e adiou o que ia parecendo cada vez mais inevitável. Na retina ficaram grandes defesas, sobretudo o desvio de um cabeceamento de Danilo num dos muitos pontapés de canto em que os verdes e brancos pouco fizeram por afastar o esférico da zona de perigo, e uma saída perfeita quando Aboubakar aparecia isolado. Espera-se que daqui a uma semana repita tudo menos a parte dos confrontos com o treinador do FC Porto e a retirada de bolas dentro da baliza.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Forçado a ser titular devido ao olho de abutre que discerniu a sanguinária pisadela de Ristovski, entrou no relvado com as cautelas de quem conhece os seus limites – ao contrário do mais optimista Bruno Fernandes, que lhe ofereceu uma daquelas aberturas a que talvez só o saudoso Puccini chegasse a tempo – e esforçou-se por fazer esquecer que entregar a direita a Bruno Gaspar e Diaby ultrapassava as piores sondagens que o PSD e CDS-PP têm registado. Ficou ligado ao lance que destruiu qualquer hipótese de gestão científica de esforço no jogo-que-nada-contava-antes-da-final-da-Taça-de-Portugal ao fazer um atraso de bola singelo e honesto que provocou um erro sistémico a Borja. Desde que o Sporting ficou com menos um em campo, como tantas vezes sucede, fez das tripas coração por não fazer com a subida do seu peso, de nove para dez por cento, no conjunto da equipa tivesse um impacto muito negativo. Conseguiu-o, no limiar mais baixo do intervalo de competência, até que Marcel Keizer resolveu testar novas oportunidades que não surtiram o efeito desejado.

 

André Pinto (2,5)

Foi uma das surpresas no onze titular, fazendo dupla com o central francês a quem costuma substituir aquando das lesões decorrentes da idade avançada do homem que parece ser o gémeo louro de Francis Obikwelu. Começou por distinguir-se pela precisão com que atrasava a bola para Renan, gabando-se-lhe a sabedoria de nunca ter destinado tais passes a Borja. Na hora do aperto fez por tapar os caminhos para a baliza, mas nada pôde para obstar ao descalabro defensivo dos minutos finais. É provável que tenha sido a sua despedida, e não se pode dizer que não tenha dado o que estava ao seu alcance.

 

Mathieu (3,0)

Foi o único titular ideal no quarteto defensivo e marcou a diferença que torna essencial que, por entre negócios maravilhosos que valorizam excedentários crónicos do Atlético de Madrid em 15 milhões de euros, os responsáveis leoninos gastem uns minutos a acciomar o direito de opção do francês. Tentou salvar a equipa de si própria, roubando um golo ao FC Porto com um desvio de cabeça providencial, mas não chegou. Cabe-lhe melhorar o palmarés pessoal com algo mais substancial do que um par de vitórias na Taça da Liga.

 

Borja (0,0)

Desta vez não conseguiu oferecer uma ocasião de golo a um adversário logo no primeiro minuto de jogo. Limitou-se a perder a bola pela linha lateral, permitindo aos adeptos um alívio que mostoru ser exagerado. Andou pelo relvado a manietar jogadas prometedoras, a atrapalhar Acuña e a demonstrar aos mais novos como não se cabeceia. Assim foi até que, numa jogada inócua, vendo a bola a vir na sua direcção, resolveu fugir dela e desacelerar, acordando para a realidade quando viu Coroña a encaminhar-se para a grande área. Agarrou-o uma primeira vez, sem derrubar o portista, e numa segunda tentativa fez um corte limpo. Viu o amarelo primeiro, mas o videoárbitro fez notar a Fábio Veríssimo que o colombiano fez falta sobre um atacante que se iria isolar. E foi assim que deixou os colegas em inferioridade numérica com mais de 70 minutos para jogar, sendo a única boa notícia decorrente disto a garantia de que não poderá repetir esta, e outras proezas,  no Jamor.

 

Petrovic (2,5)

De todos os elementos sem qualidade suficiente para integrar o plantel do Sporting foi sempre o que demonstrou ter maior coração, fosse ao ficar em campo com o nariz partido ou ao fingir não reparar quando desempenha funções muito acima das suas reais capacidades. Encarregue de conter o meio-campo portista, e de assegurar repouso a Wendel, o sérvio ter-se-á despedido com mais uma exibição esforçada, alguns bons cortes e uma intervenção assaz balcânica no sururu ocorrido perto do final do jogo. Mas não poderá chegar para um Sporting que queira ser campeão mesmo ficando muitas vezes com menos um no relvado.

 

Gudelj (2,5)

A maior mancha na sua exibição foi o posicionamento que deixou Danilo em posição legal no lance do golo do empate. Até então distinguiu-se na difícil tarefa de tapar o acesso à baliza do Sporting, sem abusar demasiado das faltas que o poderiam afastar do clássico que tinha verdadeira importância para os leões – e também para os dragões, à medida que a goleada doa Benfica sobre o Santa Clara se avolumava na Luz.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Melhor forma de anular o melhor futebolista desta edição da Liga NOS? Expulsar um dos seus colegas, o que leva invariavelmente a que o treinador lhe peça para descair para o flanco, afastando-o da zona do campo em que é decisivo. Muito castigado pelas chuteiras adversarias, com o beneplácito da equipa de arbitragem, fez um passe longo que pedia a presença do ausente Raphinha e sofreu uma falta junto à grande área portista que não teve a oportunidade de cobrar, pois estava a receber assistência fora das quatro linhas. Só provocou perigo logo no início do jogo, na cobrança de um livre que Marega desviou de forma arriscada. Sendo provável que tenha feito o último jogo na Liga NOS por muitos e bons anos, sonharia decerto com melhor desfecho para a época de todos os recordes pessoais. Felizmente ainda tem a final da Taça, da qual poderia ter sido afastado devido a encontros imediatos do segundo grau com elementos do banco de suplentes do FC Porto.

 

Diaby (2,0)

Teve participação no golo do Sporting e é bem possível que tenha sofrido pénalti num lance em que foi projectado por Felipe contra os painéis publicitários, deixando a equipa com nove durante uns minutos. Isto poderia fazer esquecer profundas debilidades intrínsecas caso os adeptos sofressem de amnésia e tivessem ido à casa de banho em momentos como aquele em que o maliano tentou driblar dois adversários na grande área do FC Porto e acabou por fintar-se a si próprio. Dizer que esteve ao seu nível é uma constatação pouco lisonjeira.

 

Acuña (3,0)

Bem o tentam posicionar a extremo, mas o destino empurra-o para lateral, mesmo que para isso seja preciso que o Sporting fique a jogar com dez. Seja como for, o argentino sem medo voltou a dar mostras que é ele e mais nove, sabendo gerir a impetuosidade – ainda que não tenha acabado o jogo sem ver um amarelo numa jogada em que foi agredido... – e tratando a bola por alcunhas belas e secretas, como no passe com que assistiu Luiz Phellype para o golo que permitiu sonhar com um triunfo que desafiaria as estatísticas. Deus livre Alvalade de o ver partir no próximo sábado.

 

Luiz Phellype (3,0)

Pôs fim à interminável seca de um jogo inteiro sem marcar na única verdadeira oportunidade de que dispôs, primando pela calma e colocação na hora de enfrentar Vaná. Antes disso fora o homem da luta, não raras vezes ensanduichado pelos centrais portistas, valendo-se do físico para reter a bola o máximo de tempo possível. Saiu para recuperar forças para o Jamor, com maus resultados para a equipa.

 

Tiago Ilori (2,0)

Entrou a meio da segunda parte, tendo tempo suficiente para contemplar o remate acrobático com que Herrera, literalmente nas suas costas, fuzilou a baliza do Sporting e fez o resultado final. Resta-lhe a compensação de que Borja elevou muito a fasquia na competição para pior reforço de Inverno desta temporada.

 

Bas Dost (2,0)

Menos de meia hora esteve o holandês em campo. Aproveitou para tentar ganhar duelos aéreos e chegou a fazer um bom passe a lançar um contra-ataque diligentemente desperdiçado por um colega. Pode ser que recupere influência, mas dificilmente a tempo de fazer a diferença no derradeiro compromisso da temporada.

 

Wendel (-)

Entrou já com o tempo regulamentar esgotado e o resultado final definido.

 

Marcel Keizer (2,5)

Só ele saberá os motivos para fazer descansar Wendel e Raphinha, após ficar sem Ristovski e Coates, mas qualquer gestão lógica do esforço caiu por terra quando Borja fez um dos maiores inconseguimentos da época. Também infeliz na forma como refrescou a equipa na segunda parte, há que admirar a coerência do holandês. Toda a gente devia ter alguém na sua vida que visse em si aquilo que Keizer vê em Diaby, provável titular na final da Taça de Portugal a não ser que Acuña possa ficar mais à frente, promovendo a titularidade de Jefferson na esperança de que no seu presumível último jogo de verde e branco possa soltar o Rodrigo Tiuí que há em si.

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 
 

De terminar o campeonato com uma derrota. Podíamos ter saído do Dragão com três pontos. Esteve quase a acontecer: aos 79', vencíamos por 1-0. Infelizmente deixámos a equipa adversária dar a volta ao resultado, com golos de Danilo e Herrera quase ao cair do pano. Do mal o menos: estávamos em terceiro antes deste clássico, mantivemo-nos em terceiro na despedida do campeonato 2018/2019. Na primeira volta, em Alvalade, tinha-se registado um empate a zero frente ao FCP. Falta o mais importante: a final da Taça, daqui a uma semana. Também contra o Porto.

 

De jogar com menos um durante mais de uma horaFábio Veríssimo, em decisão do vídeo-árbitro Luís Ferreira, exibiu o cartão vermelho a Borja aos 19', desfalcando ainda mais a nossa defesa - já sem Coates e Ristovski, ausentes por castigo. Apesar disto, a equipa deu uma boa resposta, unindo-se no essencial e adiando o mais possível o resultado negativo que se registou no final.

 

De Bruno Gaspar. Voltou a ser titular, após longa lesão, entrando no onze devido à ausência forçada de Ristovski. Muito intranquilo nos minutos iniciais, em que se viu ultrapassado mais de uma vez por Soares e Marega, cometeu um enorme disparate aos 17', num atraso mal medido e totalmente desnecessário: deixou a bola à mercê de Corona, obrigando Borja a cometer a falta que levou à expulsão. Voltou a demonstrar que não tem categoria para integrar o plantel leonino.

 

Da nossa inoperância ofensiva na primeira parte. Nem um só remate leonino à baliza da equipa anifitriã. Nem o facto de termos jogado mais de metade desse tempo com menos um pode servir de desculpa.

 

Do quarto de hora final. Fomos incapazes de segurar a vitória tangencial no momento de maior pressão do FC Porto, quando Danilo já tinha feito embater uma bola na barra, aos 73': seis minutos depois, numa jogada de insistência, o internacional português marcou mesmo e aos 87' o capitão mexicano dos portistas virou o resultado, fixando o 2-1 final. Destaque pela negativa, neste último lance, para Ilori, então a actuar como lateral direito, perdendo o duelo com Herrera.

 

Da agressão de Corona a Acuña, quase no fim. Felizmente o árbitro mostrou-lhe o vermelho: o mexicano ficará fora da final no Jamor.

 

Das poupanças em dose mínima. Marcel Keizer limitou-se a deixar no banco Raphinha, substituído por Diaby, e Wendel, que deu lugar a Petrovic. Podia ter evitado que outros jogadores se desgastassem - nomeadamente Acuña e Bruno Fernandes. Já a pensar na final da Taça - objectivo supremo do Sporting para culminar a época.

 

Deste fim de ciclo. Com esta derrota, pusemos fim a um longo período de 14 jogos sem perder.

 

 

 

Gostei

 

 

De Mathieu. Exibição impecável do central francês, novamente o melhor Leão em campo. Patrão incontestado da nossa defesa, cortou tudo quanto havia para cortar (30', 59', 65', 70', 71'). Aos 85', salvou um golo na linha de baliza, num salto providencial que lhe permitiu travar de cabeça uma bola que se encaminhava para o canto superior esquerdo das nossa redes. Espero que permaneça em Alvalade na próxima temporada.

 

De Renan. Três enormes defesas do nosso guarda-redes foram adiando os golos do FCP e enervando a equipa treinada por Sérgio Conceição. Aos 42', voou para impedir que Herrera concretizasse de livre directo. Aos 78', impediu Danilo de marcar num remate rasteiro. Aos 84', travou com o pé esquerdo um tiro de Aboubakar à queima-roupa. Sem culpa nos golos. Exibição muito positiva.

 

De Luiz Phellype. Confirma-se: temos goleador. O brasileiro que foi reforço de Inverno marcou o oitavo, iam decorridos 61', pondo o Sporting em vantagem. Saiu aos 68', dando lugar a Bas Dost, para evitar maior desgaste físico. Mas parece certo que será ele o titular como ponta-de-lança na final da Taça.

 

De Acuña. O argentino voltou a fazer duas posições. Começou como ponta esquerda e recuou para lateral após a expulsão de Borja. Mais contido do que é habitual, manteve no entanto a qualidade técnica e posicional a que nos habituou. É ele quem constrói o nosso golo, em dois tempos: ao recuperar a bola e iniciar a manobra atacante e ao assistir para o remate vitorioso de Luiz Phellype. Seria óptimo que - ele também - permanecesse de verde e branco na próxima época.

 

Que Raphinha e Wendel tivessem sido poupados. Antes assim: estarão mais frescos para alinhar no sempre difícil relvado do Jamor.

 

Do nosso grau de aproveitamento ofensivo. Uma oportunidade, um golo concretizado. Oxalá esta percentagem acontecesse com muito mais frequência.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

 

Da moldura em Alvalade. Éramos ontem 41.665 no nosso estádio: muitas famílias, várias gerações, o entusiasmo de sempre. Numa demonstração viva de orgulho leonino e confiança nesta equipa que termina a época muito melhor do que começou.

 

Do nosso golo, marcado bem cedo. Estavam decorridos apenas seis minutos: já vencíamos por 1-0. Fazia antever nova goleada, após os históricos 8-1 da jornada anterior, frente ao Belenenses SAD, no Jamor. Infelizmente não marcámos mais nenhum.

 

De Bruno Fernandes. Havia a noção de que este jogo assinalava a despedida do grande médio criativo, melhor jogador do campeonato português pela segunda época consecutiva. E o capitão leonino fez tudo para estar ao nível das expectativas: foi ele a marcar o golo, de penálti. O 32.º que apontou nesta temporada - e o 20.º na Liga 2018/2019. E podia ter marcado um segundo, a passe de Raphinha, aos 57'. Números assombrosos, só ao alcance de um extraordinário jogador.

 

De Raphinha. Outra notável exibição do extremo brasileiro que demonstrou estar em grande nível nesta recta final do campeonato. Dotado de inegáveis dotes técnicos na recepção e na condução da bola, destacou-se por vários lances ofensivos, aos 22', 54', 57' e 66'. Nas duas últimas ocasiões, ofereceu golos a Bruno Fernandes e a Mathieu. Teria sido mais que suficiente para sairmos com três pontos de Alvalade.

 

De Mathieu. Exibição superlativa do central francês, o melhor em campo. Autor de cortes que mereceram palmas, aos 29' e aos 67', apontou um livre teleguiado aos 12' que esteve a escassos centímetros de furar as redes do Tondela. Passes de ruptura aos 22' e aos 24' como só ele e Bruno Fernandes sabem fazer. E esteve quase a marcar, de forma acrobática, aos 66', suscitando a defesa da noite do guardião do Tondela, Cláudio Ramos. Tendo já apontado três golos nesta temporada, teria merecido mais que ninguém o quarto: infelizmente não conseguiu, embora tenha tentado até ao fim. E ainda se viu forçado a corrigir as deficiências posicionais de Borja, que ontem parecia apostado em dificultar-lhe a tarefa em campo.

 

De Acuña. Terá sido também a última exibição dele de verde e branco em nossa casa? Uma coisa é certa: o argentino demonstrou, uma vez mais, que tem talento, técnica, raça e brio para vestir de verde e branco. A cruzar bolas nesta equipa não há ninguém melhor que ele, como confirmou num extraordinário passe longo, a mudar o flanco ofensivo, aos 28'. Também ele teria merecido a vitória.

 

Da prestação global no nosso estádio. Terminamos a época em Alvalade, no momento em que escrevo, com a melhor pontuação de todas as equipas nos jogos disputados em casa. Um feito que merece registo, sabendo-se o que foi a atribulada história deste campeonato leonino, desde a pré-época.

 

De continuar a ver o Sporting como segunda equipa mais goleadora do campeonato. Temos 71 golos marcados, enquanto na temporada anterior estávamos atrás do FC Porto e do Braga.

 

Da homenagem aos nossos futsalistas no intervalo. Merecida ovação aos vencedores da Liga dos Campeões em futsal.

 

 

 

Não gostei

 
 

De ver o Tondela a tirar-nos pontos outra vez. Na primeira mão, já sob o comando de Marcel Keizer, fomos derrotados por 1-2. Desta vez deixámo-nos empatar (1-1). E nem o facto de termos jogado apenas com dez durante grande parte do tempo, por expulsão de Ristovski aos 35', pode servir de atenuante: sem os quatro pontos perdidos frente à equipa de Pepa talvez chegássemos ao segundo lugar - e consequente acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

 

De Ristovski. Pisadela desnecessária, fora de tempo e fora de acção ofensiva directa, do lateral macedónio a um adversário que lhe valeu o cartão vermelho. Conduta que aliás mereceu censura do técnico após o desafio: na conferência de imprensa final, Keizer lembrou que Ristovski é reincidente nestes procedimentos, prejudicando a equipa. Como se já não bastasse continuar com evidentes dificuldades em centrar bem uma bola nas linhas ofensivas.

 

De Borja. Exibição para esquecer do lateral colombiano. Desde o primeiro minuto, quando atrasou de forma disparatada uma bola que estava em boas condições de fazer seguir em frente, apanhando Mathieu desposicionado e forçando Renan a uma boa intervenção que impediu o iminente golo de Tomané. Na segunda parte, actuando do lado direito após a expulsão de Ristovski, foi várias vezes ultrapassado pelo extremo adversário. Numa dessas ocasiões, em que se deixou ficar perto da linha do meio-campo, nasceu o canto de que resultaria o golo do Tondela. É caso para perguntarmos se merece continuar no Sporting. Pelo jogo da noite passada dir-se-ia que não.

 

Que Luiz Phellype não tivesse marcado. Ele bem tentou, mas desta vez não conseguiu - ou por falta de pontaria ou por boas defesas de Cláudio Ramos - aos 57', 62', 80' e 86'. Saiu frustradíssimo, dando lugar ao inútil Diaby, aos 87', já com Bas Dost também em campo. Interrompeu um ciclo de seis jogos seguidos sempre a marcar.

 

Do cartão a Coates. O central uruguaio, por acumulação de amarelos, vê-se impedido de actuar na última jornada, no estádio do Dragão. Com Ristvoski também ausente, Keizer terá de mudar metade da defesa titular.

 

De termos interrompido um ciclo de dez vitórias. Nove no campeonato e uma na Taça de Portugal. Até este empate que quase soube a derrota.

 

De termos dito adeus definitivo ao segundo lugar. Era uma hipótese quase apenas aritmética, mas ainda viável caso tivéssemos vencido o Tondela, o FCP hoje tropeçasse frente ao Nacional e nós vencêssemos para a semana no Dragão. 

 

De só haver um português no nosso onze titular. Por vezes convém lembrar que o clube de que somos sócios e adeptos se chama-se Sporting Clube de Portugal.

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