Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Um nulo mais valioso do que a soma das partes

Arsenal 0 - Sporting 0

Liga Europa - 4.ª Jornada da Fase de Grupos

8 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Tornou-se o primeiro guarda-redes a defender as balizas do Sporting em relvados ingleses sem ser natural de Marrazes desde há muito tempo, podendo celebrar a data com o fim da impressionante série de jogos consecutivos a sofrer golos fora de casa que os leões ostentavam. Longe de ter feito uma exibição espantosa, daquelas que o levariam, mais tarde ou mais cedo, a engrossar as fileiras do Wolverhampton, o brasileiro teve um par de defesas seguras que ajudaram a manter o empate, distinguiu-se nas saídas aos cruzamentos e contou com a preciosa ajuda da dupla de centrais.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito sofreu com o endiabrado extremo Iwobi, felizmente mais interessado na parte lúdica do futebol do que na fria contabilidade dos golos e assistências, mas a sua passagem por Londres fica marcada acima de tudo pela participação inadvertida na grave lesão do avançado Welbeck. 

 

Coates (3,0)

Seria candidato a homem do jogo se não tivesse deixado escapar um atraso de bola proveniente do meio-campo que deixou a equipa a jogar só com dez nos últimos minutos. Ainda assim há que referir que o sacrifício a que forçou Mathieu foi compensado pela diligência com que impediu um autogolo do francês, na melhor jogada do Arsenal na primeira parte, despejando a bola para longe antes de esta passar a linha de golo. Apenas uma das muitas intervenções em que o uruguaio, desta vez menos afoito no ataque - a única tentativa de avançar no terreno durou menos de cinco segundos -, impôs a sua lei e contribuiu para que os leões tenham um pé e meio nas eliminatórias da Liga Europa. Mesmo que durante grande parte do jogo aparentasse um daqueles polícias que tentam em vão evitar o massacre num filme de terror.

 

Mathieu (3,0)

Raras são as ocasiões em que um jogador que viu o vermelho directo é cumprimentado pelos treinadores das duas equipas. O veterano francês salvou o empate ao derrubar Aubameyang mesmo antes de o avançado do Arsenal entrar na grande área, livrando-se da nefasta viagem ao Azerbaijão no fim do mês. No resto do tempo dedicou-se a afastar o mal das balizas leoninas, pressionado por avançados que quase o levaram a marcar na própria baliza, e atento ao espaço nas costas de Acuña.

 

Acuña (2,5)

Regressou ao posto de lateral-esquerdo, após ter sido o homem do jogo anterior enquanto extremo-direito, e essa roleta posicional esteve muito aquém de lhe trazer benefício. Abriu demasiado espaço aos adversários em muitas ocasiões e abusou das faltas mesmo depois de um cartão amarelo por protestos, o que também o afasta da próxima jornada da Liga Europa e praticamente assegura que Jefferson terá oportunidade de contrariar quem não cessa de repetir que o seu prazo de validade expirou há muito tempo.

 

Gudelj (3,5)

O Sporting perdeu o Battaglia mas ganhou um homem de guerra, que se dedicou a servir de cortina de ferro aos avanços do meio-campo do Arsenal. Naturalmente menos dedicado a lances de ataque, pertenceu-lhe o primeiro remate do Sporting mais ou menos digno de tal nome, ainda que tenha saído tão alto que nem uma versão gigantone de Peter Cech lhe conseguiria tocar. Certo é que lutou muito, ao longo de quase 100 minutos, e mesmo no final só lhe faltaram pernas para chegar à bola num contra-ataque que poderia ter recompensado o esforço e dedicação da equipa mais do que seria justo.

 

Miguel Luís (3,0)

Provando que as notícias acerca da morte da formação do Sporting são manifestamente exageradas o campeão europeu de sub-17 e sub-19 estreou-se a titular na equipa principal. Deu boa conta do recado quase sempre, embora uma falha de marcação tenha estado na origem da tal jogada em que Coates teve de evitar o autogolo de Mathieu, mas a prova de fogo ficará para um próximo desafio em que o Sporting tenha a iniciativa de jogo. Talvez já neste domingo à noite, em Alvalade, frente ao Chaves.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Faltou-lhe espaço e tempo para investir nos remates de longa-distância, mas manteve-se sempre atarefado com a pressão sobre o adversário e constantes tentativas de lançar o contra-ataque em circunstâncias assaz desiguais. Boa parte deste empate deve-se à sua incansável eficácia.

 

Diaby (2,0)

Conseguiu fazer o que se lhe pedia uma única vez, ainda na primeira parte, quando ganhou a linha direita e cruzou para a grande área do Arsenal, onde Montero não estava e Nani não chegou a tempo. Aquilo que mais demonstrou foram gritantes deficiências no domínio de bola, o que dilui a importância da sua velocidade nos contra-ataques leoninos. Numa rara ocasião em que havia três atacantes do Sporting para três defesas do Arsenal preferiu rematar contra um adversário em vez de passar a bola a Bas Dost ou Nani. Resta a compensação de que o seu passe foi um milhão de euros mais barato (sem contar uns quantos anos de inflação) do que o passe de Sinama-Pongolle.

 

Nani (3,5)

Puxou dos galões de ex-Manchester United e tentou levar tudo à sua frente na ala esquerda. Conseguiu-o algumas vezes, cruzando na melhor dessas ocasiões para o espaço onde Montero não conseguiu desviar para golo. Muito assobiado pelos adeptos da casa, sobretudo depois de não ter lançado a bola para fora do relvado aquando da lesão de Lichtsteiner, encolheu os ombros, na melhor expressão “haters gonna hate”, e seguiu caminho.

 

Montero (2,5)

Deixado à deriva entre a linha defensiva do Arsenal, foi a versão menos eficiente daquilo que fizera, frente ao mesmo adversário, no jogo de Alvalade. Teve poucas ocasiões, pouco conseguiu combinar com os colegas, e quando cedeu o lugar a Bas Dost nada de relevante teria para escrever num postal enviado para casa.

 

Bas Dost (2,5)

Veio refrescar o ataque do Sporting, trazendo poder de choque e apetência pelo jogo aéreo, e não se coibiu de trocar a bola com os colegas para lançar jogadas de ataque - tentou, por exemplo, fazer a assistência para Gudelj. Não era, no entanto, noite para contrariar a ideia de que o holandês é o tipo de goleador que prefere ser forte com os fracos.

 

Jovane Cabral (2,0)

Demorou muito a substituir o inoperante Diaby e revelou-se igualmente inoperante. Espera-se que não tenha perdido a qualidade de talismã com a saída de José Peseiro e o novo corte de cabelo, demasiado conservador para quem parece destinado a dar nas vistas.

 

Petrovic (2,5)

Entrou numa fase de sufoco, com a missão de servir de tampão aos ataques da equipa da casa, posicionando-se junto à linha defensiva, mas a expulsão de Mathieu levou a que recuasse para central. O nulo do resultado final mostra que foi bem-sucedido naquilo que se lhe pediu.

 

Tiago Fernandes (3,5)

Montou um onze para o objectivo que alcançou, o que basta para escrever que o treinador interino teve uma noite bem positiva. Mesmo a opção arriscada na titularidade de Miguel Luís torna-se normal perante as alternativas no banco leonino e os enormes e trágicos equívocos na construção do plantel. Esteve bem nas substituições, ainda que Diaby pudesse ter saído mais cedo, e acertou especialmente em cheio na necessidade de ter o esforçado Petrovic a assegurar um empate a zero que, por todos os motivos, é mais valioso do que a soma das suas partes.

 

Corpo Expedicionário Sportinguista (5,0)

Raras foram as vezes que uma equipa portuguesa pareceu jogar em casa num país que até optou pelo Brexit. Os milhares de sportinguistas que estiveram no estádio Emirates exponenciaram as suas vozes e impuseram-se à maioria silenciosa, quase do primeiro ao último minuto, constituindo um valiosíssimo 12.° jogador que explicou aos arsenalistas por que não fica em casa. Tiveram direito ao agradecimento sentido (e merecido) da equipa, abrindo caminho para a necessária reconciliação entre jogadores e adeptos.

 

Armas e viscondes assinalados: Salto mortal para perto da liderança

Sporting 3 - Boavista 0

Liga NOS - 8.ª Jornada

28 de Outubro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

À quarta tentativa, e à terceira titularidade, chegou ao fim de um jogo sem sofrer golos. Se grande parte do mérito pertence ao ataque do Boavista, capaz de ser mais dócil do que o do Loures, a verdade é que o brasileiro esteve sempre atento às ocorrências, ficando na retina uma defesa apertada na cobrança de um livre. Foi bem substituído pelo poste na única ocasião em que não deu conta do recado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Promovido a único lateral-direito do plantel devido à lesão de Ristovski - embora Carlos Mané tenha feito muito boa figura na última final da Taça de Portugal vencida pelo Sporting -, entre alguns cruzamentos descalibrados e incursões sem critério lá conseguiu fazer um jogo acima das suas capacidades e contribuiu de forma decisiva para o 3-0.

 

Coates (3,0)

O erro que custou a derrota contra o Arsenal terá assombrado o uruguaio, assaz atreito a pequenas e médias falhas na primeira parte. Melhorou na segunda, sucedendo-se cortes providenciais, superioridade aérea e tudo aquilo que faz dele quem é. Só não conseguiu a tradicional arrancada pelo meio-campo (ao contrário do tradicional cabeceamento ao lado...) porque um sadversário fez o favor de o travar, agarrando-lhe a camisa.

 

Mathieu (3,5)

Retomou a titularidade e trouxe mais do que classe e poder de antecipação. A sua presença no relvado fez-se sentir na qualidade de saída com bola, com boas consequências na construção de jogo. Ainda ficou perto de marcar na cobrança de um livre directo e só não tem nota mais elevada porque nos últimos minutos de jogo, quando foi desviado para lateral-esquerdo (o que terá levado o não-convocado Luxor a perceber que, afinal, não é a terceira e sim a quarta escolha para a posição), demonstrou alguma displicência na marcação dos adversários.

 

Acuña (3,5)

Sobressaiu menos do que no jogo contra o Arsenal, mas nem por isso foi menos importante na esquerda, combinando melhor com Montero do que com Nani. Além da excelência dos cruzamentos foi tão intransigente como sempre nas missões defensivas e só Battaglia evitou que fizesse Carlos Xistra pagar caro a ousadia de lhe mostrar uma cartolina amarela. Saiu perto do final, para o muito aguardado regresso de Bas Dost, e uma percentagem das palmas também foram para ele.

 

Battaglia (3,5)

Além de ter sido o autor do primeiro lance de golo, com um remate de fora da área que testou os reflexos do guarda-redes boavisteiro, e de impedido que os forasteiros fizessem uma gracinha, oferecendo o corpo a uma bala disparada na grande área, dominou por absoluto o meio-campo ao longo do jogo inteiro.

 

Gudelj (3,0)

Cumpriu os seus deveres conjugais de duplo pivot defensivo (desfeita que foi a relação polidefensiva em que também havia lugar para Petrovic), assegurando-se de que a equipa visitante não vinha ali estragar uma noite que, segundo padrões menos corajosos do que os praticados na Sérvia, estava bastante gelada.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Resgatado da ala direita para o meio do terreno, onde a sua magistratura de influência é exercida de forma mais natural, parecia condenado a manter-se fora da ficha de jogo. Já tinha rematado sem sombra de pontaria na primeira parte, pelo que os gritos que largou ao ver a barra devolver-lhe um livre directo vinham do fundo da alma e só foram aplacados devidamente quando, mesmo importunado pela presença de Carlos Xistra, desferiu um pontapé que transformou o cruzamento rasteiro de Diaby no tranquilizador 2-0. Com o parceiro Bas Dost de volta tudo poderá melhorar.

 

Nani (4,0)

Houve um regresso ao passado quando o capitão do Sporting inaugurou o marcador, cabeceando de cima para baixo, como mandam as regras, e passou ao lado do assistente Montero para celebrar o golo com um salto mortal nada apropriado num cavalheiro com mais de 30 anos. Antes disso já estivera quase a fazer o primeiro golo com outro cabeceamento, desviado para canto pelo guarda-redes, que era de cima para cima, como não mandam as regras. Os colegas já não o deixaram repetir o mortal quando bisou, num remate enrolado à entrada da grande área. Passou os últimos minutos a tentar fazer assistências para Bas Dost.

 

Diaby (3,0)

Foi preciso chegar ao final de Outubro para haver provas palpáveis da utilidade do avançado maliano no plantel do Sporting. Não tanto na primeira parte, pois a surpreendente titularidade não se traduziu em melhor do que um remate para as bancadas a poucos metros da baliza e uma assistência para Bruno Fernandes rematar para as bancadas. Depois do intervalo houve um lance em que recorreu à aceleração e ao descaso para com agarrões e tentativas de desarme para chegar à grande área adversária, mas acabou por bloquear por motivos só explicáveis por psiquiatras. E a verdade é que a velocidade permitiu-lhe conquistar a linha de fundo pela ala direita e centrar atrasado para Bruno Fernandes fazer o 2-0. Ele próprio esteve quase a marcar numa jogada individual de contra-ataque mas o chapéu que fez ao guarda-redes foi curto, lento e ao alcance do defesa que fez a dobra. Fica para a próxima?

 

Montero (3,5)

Mais um jogo de muita luta para o avançado colombiano, coroado com o cruzamento com que ofereceu o primeiro golo da partida a Nani. Também esteve na jogada do 3-0, antes de sair para a entrada de Bas Dost, cujo regresso acarretará certamente mais tardes e noites passadas no banco.

 

Bas Dost (2,5)

Voltou de lesão sem medo de lutar por cada lance. Ficou perto do golo num remate de cabeça, mas o certo é que o seu regresso ao relvado foi (golos à parte) um dos raros momentos em que os 27 mil espectadores se entusiasmaram.

 

André Pinto (2,5)

Entrou para reocupar o lugar que tem sido seu, ao lado de Coates, sem que Mathieu tenha saído de campo, numa situação só comparável ao avistamento em simultâneo de Bruce Wayne e Batman. Em poucos minutos fez dois belos cortes que ajudaram à parte do zero no 3-0.

 

Bruno César (-)

Foi colocado no meio-campo, pouco antes do apito final, talvez só para o pobre Lumor perceber que nunca terá um único minuto de jogo.

 

José Peseiro (3,0)

Há noites assim. Inventou uma improvável ala direita que resultou melhor do que a encomenda, repôs Bruno Fernandes onde mais rende, e recuperou Mathieu (a tempo inteiro) e Bas Dost para a equipa. Aproveitou da melhor forma os resultados do Sporting de Braga e do Benfica, e está agora a apenas dois pontos da liderança. E pensar que não faltaram assobios quando o seu nome foi anunciado pelo speaker antes do início do jogo...

Armas e viscondes assinalados: O azeri só bateu à porta de Mathieu

Sporting 2 - Qarabag 0

Liga Europa - Fase de Grupos 1.ª Jornada

20 de Setembro de 2018

 

Salin (3,5)

Passam os jogos e o francês insiste em não dar motivos para a perda da titularidade acidental, conquistada no aquecimento para o primeiro jogo da temporada. Sendo verdade que os azeris aparentam guardar a agressividade para os arménios, erros surrealistas de colegas deram origem a ocasiões de golo para o Qarabag que permitiram a Salin cumprir a quota necessária de defesas providenciais. Segue-se novo teste de fogo em Braga, na próxima segunda-feira.

 

Ristovski (3,5)

Integrou-se bem no ataque e nas missões defensivas não se deixou abater pela perda de titularidade de Jefferson, que está mais ou menos para si como Rui Rio está para António Costa. Esteve perto de marcar em duas ocasiões: primeiro ao obrigar o guarda-redes a desviar para canto a bola que lhe sobrou no ressalto de um remate de Bruno Fernandes e depois através de um cabeceamento no coração da grande área. Dir-se-ia que o lateral-direito ficou a centímetros de igualar um certo Alexandre como o maior macedónio de todos os tempos.

 

Coates (3,0)

Várias falhas no início da partida, uma das quais esteve quase a adiantar os visitantes, criaram a ideia nas bancadas que entrara em campo o gémeo menos talentoso do gigante uruguaio. Com o avançar do cronómetro retomou o indicador de confiança, mas é aconselhável que tome vitaminas: se a nova lesão de Mathieu for grave arrisca-se a não ter descanso até Maio de 2019.

 

Mathieu (4,0)

Jacques Brel, que era belga (embora não tivesse um apelido típico do país plano, assim como Lukaku, Nainggolan ou Fellaini), escreveu uma canção chamada ‘Mathilde’, acerca do regresso de uma mulher fatal. Também a vinda de Jeremy Mathieu a Alvalade levou os adeptos a trautearam belas melodias, pese embora o central francês não tenha chegado a ser letal para os visitantes. Mas não por falta de tentativa, pois Mathieu testou o guarda-redes num livre directo, rematou (bem) e cabeceou (mal) em jogadas consecutivas, e até fez uma assistência para Montero que deveria, havendo justiça antes daquela que nos esperará no reino dos céus, contar para as estatísticas apesar de não ter sido concretizada pelo colombiano, alegadamente em posição irregular. Sucederam-se ainda as antecipações em velocidade aos esforçados avançados azeis, os passes para colegas a 30 ou 40 metros e toda a classe que tornou ainda mais doloroso aquele momento em que caiu à relva para ser substituído. 

 

Acuña (4,0)

Cumpriram-se as profecias e ocupou a posição em campo que lhe permite integrae uma selecção onde por vezes passa Messi. Do retrato do artista enquanto lateral-esquerdo constam o perfeito timing no desarme de adversários, só comparável à dificuldade que estes demonstraram na hora de tentar tirar-lhe a bola. E a técnica de quem sabe muito bem tratar a bola - e tem energia para tratá-la a noite inteira.

 

Battaglia (3,5)

Nunca seria escolhido para prémios de simpatia se o colégio eleitoral fosse constituído por aqueles que encontra no meio-campo. Voltou a especializar-se na resolução de problemas por meios vigorosos, lamentando-se apenas alguns inconseguimentos nos contra-ataques. Particularmente notória a falha que transformou em pontapé de baliza aquilo que dava ares de ser o 3-0.

 

Gudelj (3,0)

Noventa e tal minutos em campo sem uma única roleta marselhesa - ou então, caso não quisesse repetir a homenagem a Zidane, uma mão de Deus ao estilo de Maradona? Assim foi a titularidade do sérvio, capaz de oferecer poder de choque mas também autor de um episódio de diletantismo com bola que garantiu a maior ocasião de perigo do Qarabag na segunda parte.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Mais uma vez encheu o relvado com jogadas de fino recorte, mantendo-se na retina uma arrancada pela direita com cruzamento que merecia cabeça mais rotinada nesse ofício do que a de Ristovski. Que o regresso aos golos-bomba ocorra já em Braga é o que todos os sportinguistas auguram...

 

Nani (4,0)

A assistência de longa distância que permitiu a Raphinha inaugurar o marcador merece uma sala no Museu do Sporting. Mas não se esgota nesse instante de génio o mérito do capitão, ovacionado aquando da substituição por outro cabo-verdiano de elevadíssimo potencial.

 

Raphinha (4,0)

Limitou-se a estar no sítio certo para encostar a assistência de Nani para o fundo das redes, limitou-se a estar no sítio certo para receber a bola de Montero e encaminhá-la para o ponto da grande área do Qarabag para onde Jovane Cabral se dirigia a alta velocidade. Se o extremo brasileiro continuar assim é possível que, no limite, chegue mesmo à selecção brasileira.

 

Montero (3,5)

Mantém a seca de golos como alguns religiosos prescindem disto ou daquilo ao fazerem os votos. Só assim se explica o artístico toque de calcanhar com que testou os reflexos do guarda-redes adversário, pois o passe de Mathieu o deixou completamente isolado junto à linha de golo, valendo-lhe a bandeirinha levantado do árbitro assistente para o escândalo não ser maior. Mais cintilante foi o colombiano na construção de jogo, esmerando-se aquando de costas para a baliza. E superlativo se mostrou ao servir-se de uma bola sinalizada pela Comissão de Protecção de Esféricos, abandonada junto a uma bandeirola de canto, para fazer um túnel ao defesa azeri que deu origem ao tardio e desejado 2-0.

 

André Pinto (3,0)

Voltou ao relvado para o lugar do neolesionado Mathieu, mostrando-se um central de confiança que joga seguro e, sem ser um ex-Barcelona, serve de barreira à entrada de Marcelo ou Petrovic para o eixo defensivo.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser um talismã é... saltar do banco aos 87 minutos e marcar um golo no minuto seguinte. Talvez para disfarçar, o jovem que não recorre às redes sociais quando espoliado da titularidade fez alguns disparates, incompreensíveis mas sem consequências de maior. Contam-se os segundos até alguém registar a expressão “15 minutos à Jovane”.

 

Diaby (2,0)

Voltou a somar minutos, embora cheguem os dedos das mãos para a operação matemática. Chamado para refrescar o ataque, com o resultado final feito e o tempo de compensação a contar, o renomado velocista pouco mais fez além de atrapalhar-se (e a Raphinha) num contra-ataque.

 

José Peseiro (3,5)

Nunca se cansa de salientar que o Sporting joga cada vez melhor e os factos não o desmentem. Resistiu a poupanças em vésperas de uma deslocação difícil a Braga, colocando em campo o onze tipo (menos Bas Dost) e pouco há a apontar tirando alguma hesitação nas substituições. Algo que não deixa de ser compreensível, pois a entrada de Jovane Cabral é o tipo de decisão que implica a saída de Nani ou de Raphinha.

Balanço (30)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - V 

 

Mathieu, no Sporting-V. Guimarães

(31 de Janeiro de 2018)

 

William, com visão de jogo, encaminha a bola para a corrida de Acuña, que num lance de extremo clássico a centra para a área vimaranense, onde Mathieu lhe dá o melhor destino em semi-rotação, ao primeiro toque com o pé canhoto, sem a deixar poisar na relva.

Balanço (5)

mw-860[1].jpg

 

O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre MATHIEU:

 

- Eu: «Partida perfeita do internacional francês, que se afirma como um valor seguro no nosso eixo defensivo. Ao ponto de parecer já que faz parceria há longo tempo com Coates, seu companheiro naquela zona do terreno. Confiante, veloz, jogando sempre de cabeça levantada, transportou bem a bola a partir da defesa, abriu linhas de passe no momento ofensivo e nunca deixou desguarnecido o seu reduto.» (12 de Agosto)

 - Francisco Vasconcelos: «Espero que Mathieu não sofra dos problemas físicos do passado que me fizeram temer a sua contratação, pois poderá ser uma tremenda mais valia como tem demonstrado, e tambem porque a qualidade das alternativas, infelizmente não oferece segurança.» (16 de Agosto)

- Luís de Aguiar Fernandes: «Critica-se a contratação de Mathieu, porque é velho. Dois meses depois, todos se levantam para lhe bater palmas.» (20 de Agosto)

- Duarte Fonseca: «Posicionamento. Comportamento colectivo. Percepção do jogo. Conhecimento táctico. Controlo da profundidade. Capacidade de passe. Técnica individual. Velocidade. Classe.» (28 de Agosto)

- José da Xã: «Que grande e agradável surpresa.» (2 de Setembro)

- Luciano Amaral: «Não fosse a bomba de Mathieu e, muito provavelmente, ainda lá estavam agora a ver se metiam uma lá dentro. Ninguém pede um novo André Cruz, mas convém ter uma ameaça suficientemente credível nos livres directos. Resolve muitos jogos.» (18 de Setembro)

- JPT: «O melhor em campo, espantoso na autoridade na sua área, alguns cortes in extremis de levantar o estádio, e com coração e técnica para carregar a equipa para a frente, em várias incursões de grande gabarito.» (27 de Setembro)

- Pedro Azevedo: «A verdade é que o francês tem aquela qualidade extra(sensorial) que lhe permite adivinhar o momento ideal para o tackle, o timing certo de entrada na bola. Além disso, é um metrólogo, um cientista da medida do comprimento ou não tivesse  o sistema internacional de medidas sido criado em França, na época da Revolução Francesa. Ele bem avisou antes do jogo: dar um metro a Messi. E não lhe concedeu nem mais um centímetro.» (28 de Setembro)

- Pedro Bello Moraes: «Concentradíssimo, rapidíssimo, inteligente, lutador e campeão.» (2 de Março)

- Marta Spínola: «Mathieu, Coates, Dost, Bruno Fernandes ou Gelson têm lugar no meu coração 2017/18.» (9 de Março)

Pódio: Mathieu, Bruno Fernandes, Coentrão

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-V. Guimarães pelos três diários desportivos:

 

Mathieu: 19

Bruno Fernandes: 16

Acuña: 16

Fábio Coentrão: 16

Rui Patrício: 15

William Carvalho: 15

Bruno César: 14

Coates: 14

Ristovski: 14

Doumbia: 12

Bas Dost: 12

Battaglia: 11

Montero: 10

Rúben Ribeiro: 10

 

O Record elegeu  Bruno Fernandes  como figura do jogo. A Bola e O Jogo optaram por Mathieu.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo de duplos

Era uma vez um gaulês recém-chegado a Alvalade. Alguma imprensa apresentava-o como cansado de duras batalhas travadas no país vizinho. Diziam que era alto, tosco, lento e atreito a lesões. A realidade mostrou-se diferente da percepção que a leveza ou preguiça criou no imaginário dos comentadores desportivos deste país à beira-mar plantado. É verdade que acertaram na sua compleição física - tem cerca de 1,90m -, mas Mathieu (é dele que estamos a falar) revelou-se como um homem ainda ambicioso e comprometido com o projecto do Sporting e um jogador extremamente rápido e de excelente técnica. Hoje, na ausência de Bas Dost e perante a inoperância de Doumbia e de Montero, o francês liderou o assalto ao castelo de Guimarães como se fosse o duplo perfeito do holandês. Posicionou-se no centro da área e com grande frieza "dostou", aplicando uma raquetada com o seu pé canhoto que colocou a bola no fundo das redes de Douglas, respondendo na perfeição a um cruzamento proveniente da esquerda, de Acuña.

Mathieu não foi o único duplo em campo. William, jogando numa nova posição (com Battaglia nas suas costas), imitou Adrien (embora ainda lhe falte remate) e Coentrão personificou o Coentrão de tempos idos, quando jogava no rival. Coincidência ou não, os três foram os melhores jogadores do Sporting esta noite, embora Acuña - excelente vólei a fazer lembrar o Zidane da final da Champions, aos 73 minutos - e Bruno Fernandes - o nosso jogador mais influente correu kilómetros e jogou fora da sua posição natural em claro sacrifício pela equipa - também tenham estado acima da média. Nos substitutos, Bruno César foi o que teve mais impacto no jogo.

O jogador que mais me desapontou foi Ristovski. Não porque eu não prefira Piccini, mas porque o macedónio falhou naquele único item em que o achava superior ao italiano: dar profundidade ao jogo. Também Ruben Ribeiro não esteve bem, empastelando bastante o jogo colectivo.

A noite de Alvalade ficou ainda marcada por uma ausência, um fantasma que pairou permanentemente sobre o relvado. Refiro-me ao nosso ala, Gelson Martins (e não Fernandes), cuja velocidade teria ajudado a desbloquear mais cedo a resistência vimaranense. Presente, e bem presente fisicamente, esteve o Daniel, mais o seu fervoroso e indomável espírito de leão, a quem dedico esta crónica, com o desejo de que possa ainda assistir a muitas e muitas jornadas gloriosas do seu/meu/nosso clube.

A equipa pareceu cansada, no seu 37º jogo da época. JJ diz que jogamos à italiana. Ainda tive esperança que tal envolvesse a Monica Bellucci, mas infelizmente não, é só mesmo aborrecido. Valeu a costela de Dost (a que não saiu lesionada) que há em Mathieu. E assim assumimos, à condição, o primeiro lugar do campeonato, numa noite em que Jesus mostrou sentido de Lumor ao confirmar a contratação do ex-portimonense. Nesse transe, só faltou ao treinador leonino, depois de ter referido a incapacidade do clube em contratar um jogador "assim-assim", dizer que o ganês foi comprado na Loja dos 300. Menos mal, pelo menos Lumor não terá pressão.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu

mathieu.jpg

 

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória em Alvalade frente ao V. Guimarães. Triunfo caseiro pela margem mínima (1-0), mas que presta justiça àquela que foi sempre a melhor equipa em campo e a única que fez por vencer o jogo. Mais três pontos amealhados numa jornada em que conquistámos outros quatro: os nossos rivais directos empataram, o que nos coloca na liderança do campeonato.

 

De Mathieu. Voltou a ser irrepreensível nas tarefas defensivas e foi um dos jogadores mais inconformados, procurando sempre lançar os colegas para a frente. Deu ele próprio o exemplo no lance capital do desafio, aos 84', quando fez de ponta-de-lança recebendo na área um bom cruzamento de Acuña ao qual deu a melhor sequência num remate de primeira. Um disparo que valeu três pontos. Foi ele o melhor em campo.

 

De Acuña. Merece destaque pela combatividade, pela garra e pela acção de constante desgaste que exerceu no bloco defensivo adversário. Após uma primeira parte menos conseguida, foi protagonista das duas melhores jogadas do desafio: um remate acrobático, à meia-volta, aos 83' que proporcionou a defesa da noite ao guardião Douglas e a assistência para o golo, no minuto imediato.

 

De Fábio Coentrão. Enquanto alguns colegas metem o pé no travão e abusam de rodriguinhos inconsequentes com a bola, parecendo jogar só para merecer elogios de comentadores como Luís Freitas Lobo, ele nunca perde o objectivo: a baliza contrária. E sabe muito bem que a linha recta é o caminho mais curto entre dois pontos. Mesmo no período de maior desacerto colectivo, sobretudo na primeira parte, soube impulsionar a equipa e dar-lhe velocidade e acutilância.

 

De ter sido mais um jogo em que não sofremos golos. A nossa defesa voltou a demonstrar solidez e segurança - duas características indispensáveis numa equipa que sonha com títulos e troféus.

 

Da arbitragem de Luís Godinho. Mal se deu pelo juiz da partida, o que é sempre um bom sinal. Se todas as actuações dos árbitros fossem assim, o futebol português andaria muito melhor.

 

Da expressiva e emocionante homenagem a um adepto que sofre de um cancro terminal. Devidamente autorizado pela Liga, Daniel Raimundo, um taxista de 43 anos, deu o pontapé de saída simbólico neste jogo, escutando uma estrondosa ovação no estádio. Um gesto tocante, que só enobrece a generosa família leonina.

 

De voltarmos a depender só de nós. Estamos no comando da Liga, à condição, com mais um ponto do que o FC Porto - que ainda tem de disputar meio jogo - e mais três do que o Benfica. Boas perspectivas para conquistar o título. Nem pensamos já noutra coisa.

 

 

 

Não gostei

 

Do resultado ao intervalo. O empate a zero mantinha-se, o que provocou clara irritação nas bancadas de Alvalade. Antevinha-se uma segunda parte em sofrimento. E assim foi.

 

Da ausência de Gelson Martins. Cada vez mais me convenço que o jovem internacional é o melhor jogador deste Sporting 2017/18. Com ele afastado, devido a lesão que promete prolongar-se, a equipa perde velocidade, intensidade e profundidade. Ninguém acelera nem estica tanto o nosso jogo como ele. Hoje sentiu-se bem a sua falta.

 

Da lesão de Bas Dost. O ponta-de-lança holandês viu-se forçado a sair logo no início da segunda parte, dando lugar a Doumbia. Teme-se que possa estar parado durante algum tempo, o que seria uma péssima notícia para o Sporting.

 

Das oportunidades desperdiçadas. Bruno César, que substituiu Battaglia aos 63', disparou ao poste onze minutos depois na sequência de um bom cruzamento de Coentrão. Antes, aos 58', já Doumbia - muito bem lançado por William - permitira a intervenção de Douglas quando se encontrava isolado frente ao guarda-redes.

 

Da má condição física de alguns jogadores, que parecem jogar no limite da exaustão. Jorge Jesus vai ter de rodar ainda mais a equipa se quiser preservar alguns daqueles que considera titulares indiscutíveis. O Sporting ainda está em todas as provas e a intensidade dos desafios vai forçá-lo a isso.

 

De Rúben Ribeiro. Adorna demasiado os lances, congela-os, não progride com a bola, abusa das fintas redundantes e de inócuos passes curtos. Não por acaso, foi substituído ao intervalo pelo segundo jogo consecutivo. Jesus deve repensar seriamente se o mantém como titular.

 

De Montero. Substituiu Rúben Ribeiro mas também ele passou praticamente ao lado do desafio. Percebe-se que lhe faltam rotinas neste Sporting, muito diferente da equipa que conhecia há dois anos.

 

Dos assobios nas bancadas. Estavam decorridos apenas 38 minutos e já soavam sonoras vaias a Bruno Fernandes, Rúben Ribeiro e William Carvalho, entre outros, acusados pelo "tribunal de Alvalade" de enrolarem o jogo, adornarem os lances e preocuparem-se "mais com o tricot" do que com o ritmo ofensivo da equipa. Entende-se a insatisfação numa partida em que demorámos demasiado a desfazer o nó inicial e tínhamos um número excessivo de jogadores a actuar de costas para a baliza, sem romper as linhas adversárias. Mas não consigo aceitar estas manifestações de desagrado do público.

Os jogos apenas terminam quando o árbitro apita o final da partida...

Uma vez mais surpreendidos ao cair do pano, após substituições defensivas. O mestre da táctica procura segurar uma magra vantagem e perde 2 pontos. Aconteceu na Luz, a história repete-se agora em Setúbal, fazendo lembrar o início da 2ª volta há duas épocas atrás. Penalty claro cometido por Mathieu, incompreensível reacção de Fábio Coentrão que poderia ter visto outra cor do cartão com um árbitro mais rigoroso. Mau demais este desperdício a que infelizmente nos vamos habituando...

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Xeque-mate

Confesso que este jogo me inspirava cuidados. Jogávamos num estádio tradicionalmente difícil para as nossas cores e o anterior jogo contra uma equipa de xadrez, em Moreira de Cónegos, não deixara bons augúrios. A acrescentar a isso, na hora de dispor as nossas peças no tabuleiro, sabemos que nunca podemos contar com os bispos, ou seja, temos logo menos 12,5% das armas disponíveis para o xeque-mate. Restavam-nos um Rei (Patrício), uma Rainha (Bruno Fernandes, a peça até agora com maior amplitude), duas Torres (Mathieu e Bas Dost), dois Cavalos (Gelson e Piccini) e oito voluntariosos Peões - dos quais três ficaram de reserva para futuros ataques/defesas - e com isso apresentámo-nos a jogo com a nossa FÉ.

De um lado da mesa, o consagrado Jesus, do outro o seu discípulo Simão, o zelote (ou zeloso) xadrezista boavisteiro. Um Grande-Mestre a lutar por reconquistar o título contra um membro dos "jaquinzinhos" (G15), aspirantes ao trono.  

O nosso Jesus começou por inventar: Battaglia ficou no banco, obrigando Bruno Fernandes a jogar longe da área adversária, perdendo assim influência, levando William a desdobrar-se em acções defensivas. Podence não acertava uma, não conseguíamos segurar a bola e o Boavista dominava a seu bel-prazer o miolo. Nos últimos 10 minutos da primeira parte, muito por influência dos movimentos em "L" (alternadamente verticais e horizontais) de Piccini, começámos a aproximar-nos do último reduto axadrezado. Estava a partida a caminho do intervalo quando Dost ganhou uma bola de cabeça, o peão Podence rodopiou como um pião vezes sem conta sobre um defesa, cruzou e o insuspeito Coentrão surgiu no lado oposto a cabecear para golo. Xeque-ao-Rei. 

Na segunda parte, Jesus mexeu cedo na equipa, entrando primeiro Acuña, depois Battaglia, para os lugares de Bruno César e de Podence. Os dois argentinos acabariam por ser providenciais: o extremo apontou o canto de onde resultaria o segundo golo, Batman recuperou inúmeras bolas em diversas zonas do terreno, permitindo à equipa respirar. Ainda houve tempo para uma decisão controversa do VAR - suspeito que os nossos Leitores benfiquistas, à semelhança do Freitas Lobo, tão categórico quanto ao fora de jogo de Dost em Paços, desta vez não se vão pronunciar pois o jogador axadrezado aparece na câmara numa diagonal à frente da bola - que permitiu ao emblema do Bessa aproximar-se, mas após jogada iniciada em Bruno Fernandes,  as Torres de Alvalade combinaram para o xeque-mate que pôs termo ao encontro.

Destaque para os golos terem sido apontados por jogadores poupados no início do jogo em Barcelona, pormenor que JJ não deixou passar em claro na "flash-interview", referindo-se aos críticos como "atrasados mensais". Independentemente da razão que lhe assista (afinal ganhou e a sua aposta provou-se correcta), JJ e a restante estrutura leonina poderiam sentar-se à mesa e entre os comensais ponderar abrir uma escola para alunos com necessidades especiais - tantos são aqueles já apelidados de "burros" ou "atrasados mensais" -, um modelo alternativo às escolas que Vieira pretende criar no Seixal...

Mais humildade e menos adjectivação precisam-se, até porque tão importante como saber perder, é saber ganhar e nós vamos ganhar.

Uma última nota, esta à margem do jogo, mas não do dia de ontem: pode ser apenas coincidência, mas dá-me a ideia de que quem contrapuser a conferência de imprensa de Ivo Vieira - após o Benfica x Estoril - com o "flash-interview" de Abel após o Sporting x Braga fica com uma parábola quase perfeita do que é o futebol português.

 

Os nossos jogadores um a um:

 

Rui Patrício - Invariavelmente, em jogos em que tem pouco ou nenhum trabalho, acaba por sofrer um golo estúpido ao qual é completamente alheio. No resto do tempo limitou-se a jogar (e bem) com os pés, fosse através de competentes pontapés de baliza ou por via de atrasos de colegas seus.

Nota: Sol

 

Piccini - (Madame) Butterfly está para Puccini como (o efeito) Bitterfly está para Piccini. "The Bitterfly effect" é um estado  que se apodera de uma pessoa e que a faz não reconhecer culpa própria sobre qualquer acção por si desencadeada. Felizmente que foi esse o caso do futebolista italiano, esta noite, no Bessa. Qualquer outro jogador teria ficado afectado com sucessivas perdas de bola e más decisões durante uns bons 25 minutos da primeira parte, mas não Piccini. À conta de ir culpando os companheiros, o vento, o corte da relva e a iluminação, o nosso lateral manteve a confiança no seu jogo e foi a primeira peça leonina a mostrar inconformismo com o empate e a levar a equipa para a frente com sucessivas cavalgadas durante a primeira parte, arrancando para uma exibição muito conseguida no resto do tempo, com grande equilíbrio entre os movimentos atacantes e os defensivos.

Nota: Si

 

Coates - Não teve um jogo muito conseguido. Provavelmente acusando algum desgaste mental, tal a atenção que lhe tinha sido requerida em Barcelona, onde de resto realizou uma excelente exibição, o uruguaio mostrou falta de tempo de entrada aos lances, o que lhe motivou uma cartolina amarela na primeira parte e a culpa no golo do Boavista, na segunda. Nada disto abala, do meu ponto-de-vista, a tremenda confiança que temos nele, mesmo que hoje se tenha limitado a ser um peão no tabuleiro axadrezado (onde só pode haver duas Torres).

Nota:

 

Mathieu - "Souplesse" e Mathieu andam de tal forma ligados que por vezes imagino se não terá sido para caracterizar o gaulês que a expressão foi criada. Na sua área, resolve qualquer problema com uma facilidade extraordinária, seja através de um providencial corte de carrinho, de um subtil desvio de cabeça, parecendo que tem uma varinha mágica sempre disponível para fazer face a qualquer problema. Com estilo, muito estilo, e calma. Aliás, imagino-o a mudar um pneu sobresselente, sem sujar um dedo, ou a encontrar o ponto de cozedura ideal do peru de Natal, sem suar. O tipo de "cool dude" que encontramos num Paul Newman ou num Steve McQueen. Como se tudo isto já não fosse praticamente inalcançável a qualquer comum mortal, aventurou-se duas vezes no ataque e com muita cabeça esteve na origem dos dois golos de Bas Dost. O melhor em campo.

Nota: Dó Maior

 

Fábio Coentrão - Primeiro, dizia-se que não aguentava um jogo completo. Depois, que não era o jogador influente de outros tempos. Apostado em evidenciar que tudo isto não passava de mitos urbanos, o vilacondense agora dura 90 minutos e, imagine-se, até já marca e de que maneira: em cima do 3º minuto de compensação do primeiro tempo - período em que o imaginário popular já o via caído no relvado, entubado e com diversas mialgias de esforço - eis que Coentrão lá estava, oportuno, a corresponder a um centro perfeito de Podence, inaugurando assim o marcador.

Nota: Si

 

William - Devido à arriscada táctica que JJ trouxe para o primeiro tempo, foi nesse período um verdadeiro dois-em-um, assegurando a devida protecção aos seus centrais. A entrada de Battaglia trouxe-lhe tal alívio que praticamente deixou de se ver no relvado, remetendo-se provavelmente a um merecido descanso, tal a intensidade do esforço despendido no primeiro tempo. 

Nota:

 

Bruno Fernandes - A sua actuação saíu prejudicada pela posição em que JJ o colocou em campo. Desgastado por missões que não são aquelas em que se sente como "peixe na água", nas aproximações à área adversária os remates saíram-lhe sempre frouxos. Em todo o caso, ainda teve tempo para deixar uma nota artística quando repetiu, no mesmo lance na grande-área do Boavista, uma roleta. 

Nota: Sol

 

Gelson Martins - Mais rectílineo e acutilante do que vinha sendo hábito, embora não tenha tido influência nos golos, protagonizou o momento artístico do jogo quando dançou entre quatro boavisteiros, a todos ultrapassando, acabando por ser travado à margem da lei pelo último homem, o defesa Rossi, em lance que o árbitro não puniu com o cartão vermelho. Uma jogada à craque!

Nota: Si

 

Bruno César - Durante a primeira parte, foi dos jogadores mais esclarecidos, procurando sempre dar linhas de passe aos colegas, encontrando muitas vezes espaço na meia esquerda do ataque leonino. Infelizmente, os centros saíram-lhe sempre desajustados e um pouco antes da hora de jogo Jesus substituiu-o.

Nota: Sol

 

Podence - Como classificar um jogador que protagonizou um sem-número de más decisões até ao último minuto da primeira parte, momento em que sacou um coelho da cartola, rodopiou vezes sem conta sobre um pobre defensor boavisteiro e concluiu com uma assistência que Fábio Coentrão classificou como "só tive de empurar"? O futebol e os seus sortilégios. No xadrez do Bessa, Podence foi um (cam)peão que fez xeque ao rei boavisteiro.

Nota: Sol

 

Bas Dost - Dost rima com "post" e eu vou gostar de "postar" que fiquei muito feliz de ver Bas voltar a "dostar". O carteiro ("postman", ou será "dostman"?) Dost raramente falha a entrega. Ontem, foram mais dois "selos" para a colecção. São dezasseis até ao momento...

Nota: Dó Maior

 

Acuña - Ainda mal tinha entrado no jogo e, após um canto por si executado, chegámos ao segundo golo. No resto do jogo ajudou a defender a vantagem duas vezes conquistada, assegurando-se de que não a voltaríamos a perder. Ofensivamente está a faltar-lhe aquele "punch" do início da época. 

Nota: Sol

 

Battaglia - O jogo entrava numa fase electrizante e Jorge Jesus fez sinal a Battaglia de que iria render Podence. Recuperou imensas bolas, em diferentes zonas do terreno, com destaque para uma ganha à saída da grande-área adversária, lance em que, posteriormente, assistiria Bruno Fernandes, o qual, cansado, desperdiçaria a oportunidade. Com ele em campo, qualquer veleidade do Boavista caiu por terra ou não fosse ele o nosso Batman, o vigilante de Alvalade City.

Nota:

 

Bryan Ruiz - Rendeu o esgotado Bruno Fernandes aos 85 minutos, não tendo estado tempo suficiente sobre o relvado para lhe poder ser atribuida uma nota. Ainda assim, saúde-se mais uma presença, ele que procura a melhor condição e ritmo de jogo.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Monsieur Mathieu 

boavistasporting.jpg

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Do triunfo num campo muito difícil. Vitória concludente no estádio do Bessa, por 3-1, frente a um Boavista bem organizado e que deu alguma réplica, sobretudo no primeiro tempo. Vitória indiscutível de um Sporting moralizado, que não acusou o desgaste da recente eliminatória europeia em Camp Nou.

 

De Mathieu. Grande partida do central francês: também ele se mostrou imune à pressão psicológica que seria normal por ter marcado um autogolo frente ao Barcelona. Jogou e fez jogar. Participou na construção de dois golos leoninos - o segundo, ao rematar ao poste, incentivando a recarga de Bas Dost, e o terceiro, ao ganhar o lance de cabeça, assistindo o holandês. Bons cortes aos 30' e 73'. Inegável reforço do Sporting 2017/18, voto hoje nele para melhor em campo.

 

De Bas Dost. Passou ao lado do jogo durante o primeiro tempo, sem receber uma só bola em condições dos colegas que habitualmente o municiam. Mas facturou na segunda parte e a dobrar, aos 63' e aos 67', fazendo o que sempre esperamos dele: que introduza a bola na baliza, com ou sem nota artística. Podia ter marcado um terceiro, aos 51', desperdiçando um excelente passe de Podence.

 

De Gelson Martins. Voltou a ser o maior desequilibrador da equipa, acelerando o nosso jogo e dando-lhe acutilância. Mesmo no período menos bom, nos primeiros 45', foi ele o mais inconformado. Arrancadas estonteantes na ala direita, aos 77' e já no tempo extra, aos 92': nesta última, só conseguiu ser travado em falta, quando se preparava para servir Bas Dost.

 

De Fábio Coentrão. Estreou-se a marcar, fazendo aos 45'+3' o golo inaugural do Sporting, cabeceando em mergulho após cruzamento perfeito de Podence. Um golo que surgiu num período crucial da partida, nos últimos segundos da primeira parte - momento culminante de uma boa exibição do nosso lateral esquerdo.

 

Dos golos de bola parada. Somos, de momento, a equipa que constrói mais golos a partir de lances de bola parada. Hoje aconteceram mais dois: um de canto, outro de livre. Um assinalável contraste com outras épocas, em que éramos incapazes de criar perigo em situações do género.

 

Do sofrimento a que fomos poupados. Hoje, como espectadores, tivemos direito a um jogo com menos suspense do que o habitual. Com o Sporting a vencer por duas bolas de diferença desde o minuto 67 e sem golos sofridos nos últimos minutos, ao contrário do que vinha sucedendo demasiadas vezes. Antes assim.

 

Da festa leonina nas bancadas do Bessa. O topo norte do estádio cobriu-se de verde e branco, tendo-se escutado cânticos de incentivo à nossa equipa do princípio ao fim. Um apoio muito importante que testemunha a comunhão inequívoca entre a equipa e os adeptos.

 

De ver o Sporting na frente. Seguimos no comando, à condição, com 36 pontos já acumulados, mantendo intactas as aspirações ao título. Reagimos da melhor maneira à vitória do SLB em casa frente ao Estoril, em jogo realizado pouco antes. E estaremos na liderança, isolados, pelo menos até ao início do V. Setúbal-FC Porto de amanhã.

 

 

 

Não gostei

 

 

Da nossa primeira parte, exceptuando os últimos 30 segundos. Com Battaglia no banco e Bruno Fernandes incumbido de organizar jogo mas denotando défice exibicional como médio de construção, o Sporting apresentou-se com os sectores muito desligados, sobretudo na transição do meio-campo para o ataque. Valeu-nos o excelente lance individual de Podence, que inventou um golo para Coentrão marcar mesmo ao cair o pano nesses primeiros 45 minutos.

 

De Bruno César. Talvez por desgaste físico, o brasileiro foi uma sombra do que tem sido noutras partidas. Prestação quase nula do "Chuta Chuta", que só chutou uma vez e sem perigo algum, acabando por ser bem substituído aos 58'.

 

Do erro infantil de Coates. Aos 64', o internacional uruguaio ofereceu a bola ao adversário em zona frontal à baliza, tendo daí nascido o golo axadrezado. Um momento de desconcentração de um defesa que tão boas provas tem dado noutros jogos.

 

De dois erros grosseiros do árbitro. Luís Godinho deixou passar impune uma grande penalidade cometida sobre Podence e validou o golo do Boavista, marcado em fora de jogo. Neste caso a falha principal foi do vídeo-árbitro, que devia ter anulado o lance.

 

Dos foguetes luminosos lançados mesmo antes do início da partida. O Bessa encheu-se de fumo, o relvado tornou-se invisível e o jogo começou com vários minutos de atraso até haver condições mínimas de visibilidade. Urgem punições mais severas a esta gente que insiste em perturbar o espectáculo desportivo em vários estádios.

Os melhores: Rui Patrício, Mathieu, Bruno

Conforme prometido, divulgo hoje o resultado o inquérito promovido aqui há três dias, junto dos nossos leitores e dos meus colegas de blogue, sobre os melhores jogadores do Sporting nesta época 2017/2018, quando vai decorrido cerca de um quarto do campeonato.

Houve muitas respostas, como previ. Correspondendo ao meu pedido para a indicação de três nomes por ordem decrescente.

Decidi atribuir três pontos ao jogador mencionado em primeiro lugar, dois ao que figurava em segundo e apenas um ao que ficou em terceiro.

 

ruip2[1].jpg

 

A classificação ficou assim estabelecida:

 

 

Rui Patrício:             44 pontos

Mathieu:                   35 pontos

Bruno Fernandes:  30 pontos

William Carvalho:  28 pontos

Battaglia:                   9 pontos

Gelson Martins:        4 pontos

Bas Dost                      3 pontos

Gelson Dala:                1 ponto

Acuña                            1 ponto

Piccini                            1 ponto

 

Breves comentários:

  • Não deixa de ser curioso que o elemento mais votado, a larga distância dos restantes, tenha sido igualmente aquele que figura há mais tempo no plantel leonino.
  • Fiquei surpreendido com a baixíssima votação de Gelson Martins, que considero injusta.
  • Mais surpreendido fiquei com a irrelevância de Bas Dost, artilheiro da equipa, aos olhos dos nossos adeptos.
  • Surpreendem também as exclusões de Fábio Coentrão e Coates.
  • A menção a Gelson Dala só pode ser entendida como brincadeira.
  • Mais de metade dos nomes referidos são reforços desta época, confirmando-se assim a satisfação dos adeptos pelas contratações efectuadas durante o defeso.

Fica aberta a partir de agora a discussão sobre estas escolhas nesta caixa de comentários.

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - BATman e SuperMAT

O "poeta" romeno Ovídio (Hategan), apitou com metamorfoses, sensível ao mito de "més que un club", lema do clube catalão. 

Com uma profusão de cartolinas amarelas distribuidas apenas à equipa leonina (6 até aos 58 minutos), O(v)ídio condicionou a possibilidade de o futebol do Sporting vingar, na medida em que, quebrando ramos importantes, retirou vigor à árvore germinada por Jorge Jesus.

Perdemos, é certo, mas em Alvalade apareceu um vigilante (a Messi), um agressivo e intenso argentino com ritmo de tango que num compasso binário, sempre acima e abaixo no relvado, criou a ilusão de que tudo ainda era possível, sempre sem cometer faltas (à atenção da cartilha), de forma a não se sujeitar ao apertado (para nós) critério do médico (é verdade!!!) romeno, evitando que este lhe "tratasse da saúde" . Chamam-lhe Batman, mas a sua verdadeira identidade é Battaglia. Rodrigo Battaglia. A seu lado não estava Robin, mas sim Supermat, ou melhor Mathieu, Jeremy Mathieu, um gaulês também habituado às danças de salão - não tivessem elas sido criadas na corte do rei Luis XIV, em França - que nas ausências de Battaglia soube dançar a par com Messi. Os nossos super-heróis dinamitaram o passe-repasse do Barça, o célebre tiki-taka, com uns últimos 15 minutos de vertigem que quase conduziram a equipa à igualdade. 

E foi quase, porque o nosso homem-golo da época passada, o holandês Bas Dost, é agora um homem dado às causas humanitárias: assiste aqui, assiste acoli, e acaba por não concluir a missão para a qual foi contratado. Espera-se que não acabe no "crescente" Vermelho. Lagarto, lagarto!!!

Além destes, aqui e ali emergiu o talento de Bruno Fernandes. Que grande jogador! E Ruuuuuuuui, Rui Patricio, que manteve inviolável a sua baliza às investidas culés, apenas traído por um desvio infeliz e imerecido de um companheiro, no caso Sebastián Coates.

 

Os nossos jogadores:

 

Rui Patricio - E quando todos falham, eis que aparece Rui Patricio. Foi assim já na parte final do jogo quando Paulinho lhe apareceu isolado pela frente e Rui o convidou a "arrumar as botas", característica que não espanta num Paulinho e que, aliás, é sobejamente conhecida, apreciada e estimada no nosso balneário e pelos adeptos.

Nota: Sol

 

Piccini - Os quadrinhos da Marvel são muitas vezes "dark" e preenchidos com motivos dramáticos. O italiano é o relâmpago que ilumina a noite escura e incrementa a tensão e o suspense. De facto, por vezes, tem lampejos de grande jogador. Ontem à noite, durante a primeira parte, teve mais um desses momentos quando irrompeu pela direita e, à falta de oposição à altura, flectiu para o centro e fez saír do seu pé esquerdo um trovão sob a forma de um remate que assustou Ter Stegen.

Nota: Sol

 

Coates - Ao melhor estilo de um outro sul-americano, Anderson Polga, teve a infelicidade de ser a carambola final de uma brilhante tacada bilharistica (versão snooker) que envolveu dois outros jogadores até atingir a rede. Mais tarde, iniciou um conjunto de fintas à saída da sua área que acabariam por isolar um jogador catalão, felizmente sem consequências. No restante tempo, assistiu com deleite à exibição do seu colega do centro de defesa e resolveu bem o (pouco) que sobrou.

Nota:

 

Mathieu - Um tirano, na maneira como "tirou o pão da boca" do franzino Messi. Não se faz! A verdade é que o francês tem aquela qualidade extra(sensorial) que lhe permite adivinhar o momento ideal para o "tackle", o timing certo de entrada na bola. Além disso, é um metrólogo, um cientista da medida do comprimento ou não tivesse  o sistema internacional de medidas sido criado em França, na época da Revolução Francesa. Ele bem avisou antes do jogo: dar 1 metro a Messi. E não lhe concedeu nem mais um centímetro.

Nota: Si

 

Fábio Coentrão - Começou nervoso, desperdiçando com uma ingenuidade juvenil algumas jogadas promissoras de ataque do Sporting. Assim continuaria pelo tempo fora, exceptuando o minuto que perdeu, com o jogo a decorrer, a apertar os atacadores, missão que cumpriria com uma calma olí­mpica e, lá está, mais uma vez com a eficiência de uma criança de 2 anos de idade. Salvou a sua prestação com um corte providencial a evitar um golo certo. Pareceu aliviado quando o árbitro o avisou de que para a próxima iria para a rua. Jesus antecipou-se e fez-lhe a vontade e ficámos a jogar com 10, melhor, com 9 porque simultaneamente saiu Acuña (outro amarelado). Entraram 2 placebos, figurantes de uma peça encenada para outros actores, que pelo menos criaram a ilusão no adversário de que a equipa estava completa em campo.

Nota:

 

William - Como sempre, muito agradável à vista, pormenores de grande técnica, mas roubar bolas aos catalães, "bola". Pareceu jogar ligeiramente adiantado em relação a Battaglia, ao estilo de Adrien, mas sem a intensidade do ex-capitão. Este, aliás, foi sempre o problema do jogo do Sporting: equipa bloqueada pelo medo, pelo mito culé, a jogar mais na expectativa, com pouca iniciativa. Na parte final do desafio ou trocou de posição com o argentino, ou este, dotado de uma mudança a mais na caixa de velocidades em relação aos restantes companheiros, o ultrapassou vertiginosamente nos movimentos atacantes. Ainda assim, apareceria a receber uma assistência de Bas Dost (quem mais...), concluida com um "drop" ao melhor estilo do rugby do País de Gales.

Nota:

 

Battaglia - A quem estava à espera de ver a Ópera de Barcelona, Battaglia respondeu com solos de Bombo Leguero, instrumento de percussão argentino de longo alcance (até 5 km) - produzido a partir de um tronco de árvore oco, a tal que o O(v)í­dio corroeu - que certamente foi ouvido do outro lado da 2ª Circular (pelo menos umas 5 vezes). A sua segunda parte tornou o jogo culé mais confuso e desordenado. A mess(i), como diriam os britânicos. É a alma, o coração e o pulmão da equipa, o que nunca se rende, nem se ajoelha, esta última talvez a única razão plausível para Jesus não o ter posto de início no sábado, no jogo disputado numa vila de cónegos.

Nota: Si

 

Bruno Fernandes - A variar flanco, a rematar de primeira, a rendilhar e pôr filigrana no jogo leonino, Bruno mostrou que esta é a sua casa. Refiro-me não só a Alvalade, mas também à Champions, pois claro. Um jogador de eleição! Parece muito fatigado, a viver mais da garra e da genica do que do pulmão. Pode ser que Battaglia lhe possa emprestar um dos vários que tem a mais...

Nota: Sol

 

Gelson - A sua velocidade de execução peca por ser maior do que a velocidade do seu pensamento. Isso gera alguma anarquia nos seus movimentos, por vezes precipitados, erráticos e inconsequentes. Mas, quando tudo se equilibra, vemos o melhor de Gelson: o desequilibrio, a esquiva, o estilo enganador, tudo qualidades que deixam dúvidas nos adversários. Está longe do seu melhor - ainda que a sua condição actual esteja anos luz acima da de qualquer pretendente ao lugar -, aparentando muito nervosismo, com menos poder de finta, pelo que se recomenda que passe a entrar em campo com dois Lexotan no "bucho", panaceia que certamente lhe retirará tanta sofreguidão.

Nota:

 

Doumbia - Durante a primeira parte foi a carraça nas pernas dos competentes defesas catalães, sempre seguros a passar a bola à saída da sua área. Aos 40 minutos, confundiu Umtiti com dois Titi e acertou num deles. Recebeu um amarelo. De seguida, sugestionado pela saga dos companheiros super-heróis, ensaiou um vôo que terminaria numa saída pela porta pequena, de maca, que isto de heroísmos não é para quem quer, é para quem pode.

Nota:

 

Acuña - Não se percebe, mas a existência de Coentrão talvez o explique, porque teve tão pouca bola na primeira parte, visto que quando a teve mostrou ser o único lá da frente a conseguir segurá-la e tirar centros. O Muro impôs a sua robustez física e bateu-se de igual para igual com qualquer defesa catalão. Saiu exausto, desgastado por muitas desmarcações vãs, pois a bola raramente lhe chegava.

Nota: Sol

 

Bas Dost - Perante tanta bondade, beneficiência, humanidade, magnanimidade, compaixão e altruísmo da sua parte, assiste-me dizer que ou começa a "dostar" ou vai provar da malvadez, ruindade, maldade, malevolência, maledicência e egoí­smo das bancadas de Alvalade. Anda uma pessoa a criar um verbo para isto...

Nota: Mi

 

Jonathan Silva - Jesus decidiu simultaneamente trocar todo o flanco esquerdo e a coisa não teve o efeito desejado: ofensivamente, nada a registar; defensivamente, deixou buracos sabiamente compensados pela destreza da dupla Bat&Mat.

Nota: Mi

 

Bruno César - Ao brasileiro aplica-se o mesmo que foi dito acima em relação a Jonathan, exceptuando ter dado a sensação de já ter entrado cansado e, por isso, ter passado mais tempo deitado na relva. Numa dessas "investidas" para o chão ainda ganhou um livre nas imediações da área, o que constituiu a última réstia de esperança dos adeptos leoninos.

Nota: Mi

 

Tenor "Tudo ao molho..." (melhor em campo): Rodrigo Battaglia, a.k.a, Batman.

 

sportingbarcelona1.jpg

 

Balanço dos 3 primeiros jogos oficiais

img_770x433$2017_07_20_02_09_31_1292049.jpg

 Após os 3 primeiros jogos oficiais gostava de debater com os leitores algumas observações que me saltam à vista.

 

1) Não seria melhor jogar com Doumbia junto a Bas Dost e ter mais presença na área, deixando Podence para desequilibrar o jogo na segunda parte como aconteceu na Vila das Aves, para não acontecer como hoje em que faltavam no banco opções para desequilibrar, uma vez que Iuri tem um tremendo potencial mas é um jogador diferente e que Mattheus Oliveira e Bruno César também estão longe de ter essas características? Bem sei que Matheus Pereira é um desequilibrador e foi emprestado, mas a verdade é que se trata de um jogador que precisa de jogar para render o que sabe, e já vimos pela época passada que não ia ter essa regularidade.

 

2) Temos uma das melhores duplas de centrais dos últimos anos. Espero que Mathieu não sofra dos problemas físicos do passado que me fizeram temer a sua contratação, pois poderá ser uma tremenda mais valia como tem demonstrado, e tambem porque a qualidade das alternativas, infelizmente não oferece segurança.

 

3) Fábio Coentrão, apesar de obrigar a uma gestão do esforço, é claramente um upgrade face aos nossos últimos laterais. Esse mesmo upgrade se verifica na ala esquerda do ataque com Acuña.

 

4) Não poderia Bryan Ruiz ser opção no plantel? Qualidade não lhe falta e num registo em que joga menos vezes, poderá render mais e ser importante para a qualidade da gestão da posse de bola em alguns jogos, algo de que a nossa equipa sofre, principalmente sem William, mesmo apesar do papel extremamente importante de Battaglia que permite à equipa recuperar a bola mais à frente.

 

5) Piccini até ver ainda não mostrou ser melhor que Schelotto. Resta esperar para ver Ristovski.

 

6) Bruno Fernandes ainda tem muito que trabalhar sem bola para ser Adrien, como se viu hoje, jogo em que o nosso capitão, mesmo não estando na melhor forma, permitiu à equipa outra capacidade de recuperação de bola e de pressão.

Os nossos jogadores, um a um

Estreia em casa do Sporting num jogo que começou muito bem, com meia hora de grande pressão da nossa equipa, confinando o Vitória de Setúbal ao seu reduto defensivo, sem dar qualquer hipótese à turma visitante de sair da sua área com a bola controlada.

Infelizmente tanta pressão traduziu-se em várias oportunidades mas nenhuma delas deu golo. Bas Dost, Acuña e Gelson Martins quase chegaram lá mas ou viram a intenção gorada por boas intervenções do guarda-redes sadino ou atiraram demasiado por cima ou demasiado ao lado.

Na segunda parte repetiu-se o filme - logo a partir do minuto inicial, quando um bom remate de Adrien embateu na barra ao ser desviado por um defesa. Dost elevou-se bem após um canto, mas o cabeceamento parou nas mãos do guarda-redes. Mathieu, com muita classe, tentou um remate de bicicleta que não chegou a trair Pedro Trigueira. E Doumbia, que rendeu um fatigado Podence, falhou em três ocasiões. Parecia que os jogadores recitavam em campo o poema "Quase", de Mário de Sá-Carneiro: faltava-lhes um golpe de asa.

O nó só foi desatado a quatro minutos do fim pelo suspeito do costume: Bas Dost. Ao ser carregado em falta dentro da área, o holandês foi chamado a converter o penálti e não defraudou as expectativas dos 42.415 espectadores que ontem à noite acorreram a Alvalade.

Vitória tangencial, mas os três pontos ficaram garantidos: isso é que interessa. Só foi pena termos esperado tanto pelo golo tranquilizador numa partida em que voltámos a manter a nossa baliza inviolada. Mérito da defesa, em que se destacou Mathieu - para mim desta vez o melhor em campo, com um desempenho próximo da perfeição.

 

............................................................................

 

RUI PATRÍCIO (5). Noite tranquila do nosso guarda-redes, apenas ensombrada por uma saída em falso dos postes aos 38', no único lance que levou algum perigo à nossa baliza. Nem sempre esteve bem na reposição de bola.

PICCINI (6). Esforçou-se muito, até porque dois terços dos lances ofensivos eram conduzidos pelo seu flanco, e procurou combinar bem com Gelson. Bom cruzamento aos 17'. Grande cruzamento aos 77', isolando Bruno Fernandes.

COATES (7). Volta a exibir a classe que tinha evidenciado nas épocas anteriores: a parceria com Mathieu está a funcionar. Atento e concentrado, corte providencial aos 75'. Nunca hesitou em ir à frente. Numa dessas ocasiões, foi derrubado em falta dentro da área sadina - um penálti que ficou por marcar.

MATHIEU (8). Confiante e dinâmico, simples mas muito eficaz nos seus processos. Imprime velocidade e precisão ao início do processo atacante. Dobrou Jonathan sem problema. E marcou presença nas bolas paradas ofensivas. Numa delas esteve muito próximo de conseguir um golo acrobático.

JONATHAN SILVA (5). Rendeu Coentrão, poupado para o desafio de terça-feira frente ao Steua, e revelou-se intranquilo nesta missão. Com mais vontade que talento. Falhas na articulação com Acuña, o que não admira: foi o primeiro jogo oficial dos dois argentinos juntos.

BATTAGLIA (6). Faz jus ao apelido: é um batalhador. Designado para substituir William, sai desfavorecido na comparação. Melhorou na segunda parte, ao avançar no terreno: transporta bem a bola e pressiona os adversários, revelando espírito leonino. Protagonizou um bom lance de ataque aos 48'.

ADRIEN (6). Ressentiu-se da ausência de William, oscilando no seu desempenho em campo. Melhor a pressionar e organizar jogo, menos bem na precisão do passe. Melhor momento: um remate forte e bem colocado no minuto inicial da segunda parte que acabou por embater na barra. Saiu aos 69'.

GELSON MARTINS (7). Os colegas usaram e abusaram dele, canalisando quase todo o jogo ofensivo para os pés do médio-ala que rompia a defesa pelo lado direito. A articulação com Piccini nem sempre resultou e faltaram ataques pelo corredor central. Mas foi ele sempre o mais acutilante e criativo. Só falhou o golo.

ACUÑA (7). Rendeu menos do que prometia por falta de automatismos com Jonathan, seu parceiro de flanco. Mas cumpriu no essencial, sobretudo na firmeza e pontaria dos seus pontapés em lances de bola parada (um deles, aos 54', teleguiado para a cabeça de Bas Dost). Deu lugar a Bruno César aos 64'.

PODENCE (6). A pressão alta inicial do Sporting muito se deve ao jovem atacante, desta vez como titular atrás de Dost. Começou da melhor maneira, com dois excelentes cruzamentos logo aos 2'. Variou os flancos, causou sempre problemas aos sadinos, mas foi perdendo fulgor. Substituído aos 64' por Doumbia.

BAS DOST (7). Tentou muito e acabou por conseguir. Na primeira parte, a bola raras vezes lhe chegou em condições ou foi interceptada pelo guardião. Fez duas quase-assistências para golo, de calcanhar para Acuña e de cabeça para Doumbia. Acabou por ser ele a resolver, de penálti, aos 86'. Missão cumprida.

BRUNO CÉSAR (4). Rendeu Acuña aos 64'. Mas sem vantagem para a equipa. Tal como o argentino, entendeu-se mal com Jonathan. Não conseguiu criar desequilíbrios. E ainda foi brindado com um cartão amarelo, por desnecessária rudeza na abordagem de um lance defensivo. Muito distante do seu melhor.

DOUMBIA (5). Estreia oficial do marfinense pelo Sporting. Entrou com visível vontade de mostrar serviço, acelerando a frente atacante. Mas com menos acerto que vontade: falhou três ocasiões de marcar. Em todas esteve muito perto de o conseguir: numa delas, de costas para a baliza, teria dado o golo da jornada.

BRUNO FERNANDES (6). No lugar de Adrien desde os 69', confirmou-se como candidato a titular no onze. Muita capacidade técnica, bem revelada aos 77' numa dificílima recepção de bola na sequência de um passe longo. Útil na organização de jogo, sobretudo no eixo ofensivo. Merece maior utilização.

Rescaldo do jogo de ontem

20170811_222049.jpg

 

 

Gostei

 

Dos três pontos conquistados esta noite em Alvalade.  Vitória sofrida mas mais que merecida da nossa equipa nesta estreia em casa, por 1-0, frente ao V. Setúbal. O golo tangencial, marcado por Bas Dost a quatro minutos do fim, foi recebido no estádio com um imenso suspiro de alívio. O essencial estava conseguido: outra etapa superada, continuamos na frente.

 

Do segundo jogo consecutivo sem sofrermos golos. Nem na Vila das Aves, há uma semana, nem desta vez em Alvalade: o nosso reduto defensivo parece ser a componente da equipa que mais melhorou em comparação com a última época. Mudança crucial: nenhum clube conquista o título sem uma defesa sólida.

 

Dos primeiros 20 minutos, de alta rotação leonina. Verdadeira entrada de Leão, com intensa pressão do Sporting sobre o V. Setúbal, que permaneceu confinado ao seu meio-campo. Com Piccini e Gelson Martins pela direita, Acuña à esquerda e Podence entre o eixo e a ala direita, em constantes trocas posicionais, construímos pelo menos três lances que poderiam ter dado golo: aos 2' (Dost permitiu defesa), 7' (Acuña rematou ao lado) e 8' (Gelson atirou sobre a baliza).

 

De Bas Dost. Podia ter marcado muito mais cedo. Logo aos 2', após soberbo cruzamento de Podence. E de cabeça aos 54', na sequência de um canto, quando se elevou bem mas permitiu a defesa do guardião sadino. Mas nunca desistiu. Foi ele que sofreu o penálti e marcou o respectivo castigo, levando o Sporting à vitória, aos 86'. Golo inaugural do holandês neste campeonato. O primeiro de muitos, assim esperamos.

 

De Acuña. Continua a dar boas provas, conquistando os adeptos. Hoje voltou a fazer uma exibição muito positiva, sobretudo nos lances de bola parada, que saem quase sempre com perigo dos seus pés. Só lhe faltou acertar mais a pontaria na hora de rematar à baliza.

 

De Mathieu. Partida perfeita do internacional francês, que se afirma como um valor seguro no nosso eixo defensivo. Ao ponto de parecer já que faz parceria há longo tempo com Coates, seu companheiro naquela zona do terreno. Confiante, veloz, jogando sempre de cabeça levantada, transportou bem a bola a partir da defesa, abriu linhas de passe no momento ofensivo e nunca deixou desguarnecido o seu reduto, fazendo cortes oportunos aos 42', 67' e 78'. E aos 63' quase marcou, num pontapé acrobático, à ponta de lança. Voto nele para melhor em campo.

 

Do nosso banco. Ao contrário do que sucedeu há um ano, desta vez temos mesmo reforços. E a equipa não quebra o rendimento no momento de ocorrerem as substituições, como ficou bem patente neste jogo, sobretudo quando Jorge Jesus mandou trocar Podence por Doumbia e Adrien por Bruno Fernandes. Sem quebra de qualidade.

 

Do excelente ambiente no estádio. Éramos 42.215 em Alvalade, quase todos a puxar pelo Sporting. Atmosfera festiva de um sportinguismo sempre renovado, sem desfalecimentos, época após época. Nunca deixamos de acreditar na nossa equipa.

 

 

Não gostei

 

Do 0-0 ao intervalo. Tantas oportunidades desperdiçadas começavam a exasperar os espectadores. Ao ponto de alguns jogadores, como Jonathan Silva, começarem a ser assobiados por alegada lentidão de processos em campo. Não havia necessidade de tanto sofrimento. E os assobios eram dispensáveis.

 

Que o empate a zero só fosse quebrado a quatro minutos do fim. Ao contrário da jornada anterior, em que o golo surgiu cedo, desta vez a espera foi muito mais longa. Alguns adeptos já desesperavam.

 

Das oportunidades de golo desperdiçadas. Bas Dost (2' e 54'), Acuña (7' e 22'), Gelson Martins (22'), Adrien (46'), Mathieu (63') e Doumbia (66', 68' e 77'). Em alta competição não pode haver tanto desperdício.

 

Do abuso das acções ofensivas pela ala direita. Durante quase uma hora, a construção iniciava-se sempre da mesma maneira: passe de Rui Patrício para Piccini, o lateral direito a transportar a bola e a endossá-la a Gelson Martins, esperando toda a equipa que o médio-ala desequilibrasse com classe e centrasse com perigo. Tudo demasiado previsível e relativamente fácil de anular.

 

Do jogo inofensivo do V. Setúbal. A equipa treinada por José Couceiro apenas se preocupou em defender, colocando quase sempre todos os jogadores atrás da linha da bola. E não fez um ataque bem construído do princípio ao fim da partida.

 

Da ausência de William Carvalho. O nosso médio defensivo nem no banco se sentou: viu o jogo da bancada. Não para ser poupado para o jogo de terça frente ao Steaua de Bucareste, pois estará fora dessa partida para cumprir um castigo. Esta opção de Jesus indicia que William estará prestes a sair para o campeonato inglês. O Sporting vai ressentir-se: ele foi até agora um pilar indiscutível da nossa equipa.

 

Foto minha, tirada esta noite em Alvalade

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D