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És a nossa Fé!

Pódio: Mathieu, Renan, Coates, Gudelj

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-FC Porto pelos três diários desportivos:

 

Mathieu: 18

Renan: 17

Coates: 16

Gudelj: 16

Bruno Fernandes: 15

Jefferson: 14

Ristovski: 13

Bruno Gaspar: 12

Nani: 12

Diaby: 11

Wendel: 11

Bas Dost: 11

Raphinha: 10

Petrovic: 1

 

A Bola e o Record elegeram Mathieu como melhor em campo. O Jogo optou por Renan.

Armas e viscondes assinalados: A tradição ainda é o que era

Sporting 0 - FC Porto 0

Liga NOS - 17.ª Jornada

12 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Começou o jogo com nota artística, arriscando fintar um adversário, e evitou o golo do FC Porto que elevaria a série de vitórias consecutivas de Sérgio Conceição para 19. A rara proeza de manter a baliza inviolada (sucedera-lhe até agora em duas ocasiões, a última das quais há dois meses, em Londres, frente ao Arsenal) implicou apenas uma boa defesa ao remate em zona frontal de Soares e uma saída atempada a um mau atraso, mas o brasileiro não tem culpa de Alvalade ser a kriptonite do FC Porto, menos activo do que é habitual.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Diaby atirou os foguetes e apanhou as canas na ala direita, pelo que o lateral limitou-se sobretudo a missões defensivas, sem nunca comprometer, até que se ressentiu de um problema físico e saiu logo no início da segunda parte.

 

Coates (3,0)

Uma ou outra falha, a mais grave ao deixar passar o cruzamento para o remate de Soares, não desvirtuam mais uma boa exibição do uruguaio, desta vez poupado a assumir a falsa identidade de ponta de lança.

 

Mathieu (3,5)

Nos últimos minutos de jogo era um dos raros sportinguistas que ainda lutavam pela vitória, esquecendo-se da idade enquanto corria pelo meio-campo do FC Porto. No resto do tempo revelou a qualidade habitual na vigilância a Marega e ainda tentou o golo de livre directo.

 

Jefferson (3,0)

Levou tão a sério a missão de substituir Acuña que esteve a um passo de ser expulso ao crescer para Hugo Miguel depois de o árbitro o ter amarelado por uma falta cometida junto à linha de meio-campo. Mas a verdade é que se lhe devem três grandes iniciativas ofensivas no corredor esquerdo, desperdiçadas com assinalável diligência por Bas Dost. Espera-se que dentro de cinco jogos, quando o argentino cumprir a próxima suspensão por nova série de amarelos, Jefferson tenha mais sorte no destino dos seus cruzamentos.

 

Gudelj (3,0)

Um excelente corte junto à pequena área e um remate de muito longe que contribuiu para que Casillas tivesse (ligeiramente) mais trabalho do que Renan foram os destaques de uma exibição segura, mesmo tendo pela frente alguns dos melhores jogadores da Liga.

 

Wendel (3,5)

Policiou com brio as movimentações do adversário, recuperando bolas em zonas perigosas que poderiam ter levado o Sporting a encurtar a distância para cinco pontos se os colegas de equipa estivessem mais inspirados. Saiu cansado, mas não menos valorizado.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Antes do início do jogo recebeu os galardões de melhor médio e de melhor jogador da Liga NOS em Dezembro, arriscando-se a ir contemplá-los mais cedo, pois antes do intervalo fez uma falta pela qual poderia ter visto o segundo amarelo. Os melhores momentos foram um remate fortíssimo, desferido na quina esquerda da grande área, que Casillas defendeu para a frente, e o passe que isolou Ristovski para o que viria a ser a maior perdida do Sporting.

 

Diaby (2,0)

Toda a estratégia ofensiva da primeira parte assentou num simples princípio: passem a bola ao Diaby. E se é verdade que o maliano aproveitou a velocidade para se impor na ala direita, não menos verdade é que as suas aptidões para cruzar e rematar estiveram quase ao nível do festival de péssima execução que impediu a conquista de pelo menos um ponto em Tondela. Cedo começou a desaparecer na segunda parte, e a sua substituição pecou por muito tardia.

 

Nani (3,0)

Compensou a falta de velocidade com a classe que os seus pés deixam no relvado. E se poderia ter rematado melhor no único bom cruzamento de Diaby, fazendo embater a bola num defesa, na segunda parte criou o espaço necessário para o remate perigoso de Bruno Fernandes e fez um cruzamento perfeito que Militão tirou dos pés de Bas Dost, arriscando-se a fazer um autogolo. Ainda assim, nada se teria perdido se no último quarto de hora tivesse dado o lugar a outro cidadão português de origem cabo-verdiana, só que mais jovem e mais veloz.

 

Bas Dost (2,0)

A parte menos vazia do copo foi a supremacia do holandês nos duelos aéreos, mas naquele departamento que o levou a receber o prémio da Liga NOS de melhor avançado de Dezembro, nada de bom há a assinalar. Começou por cabecear muito por alto uma bola cruzada com peso, conta e medida para a pequena área por Jefferson, terminou a primeira parte com um remate frouxo e à figura de Casillas, ao ser servido por Jefferson à entrada da grande área, e sonegou dois pontos ao Sporting com a forma como, livre de adversários e perto da linha de golo, cabeceou o cruzamento do outro lateral que passará a estar em campo. 

 

Ristovski (3,0)

Entrou a frio, com a segunda parte a decorrer, e fez alguns bons cortes antes de combinar bem com Bruno Fernandes, entrar na grande área portista em velocidade e fazer o cruzamento que Bas Dost conseguiu, vá-se lá saber como, cabecear para fora da baliza. Digamos que o clássico não foi a melhor demonstração de que o maior problema do Sporting reside nos laterais...

 

Raphinha (1,5)

Existe um jogador no plantel leonino que tem o hábito de aproveitar dez ou quinze minutos no relvado para deixar marca, mas esse jogador não é o extremo brasileiro. Lançado tarde e a más horas, tendo em conta as limitações estruturais e a fatiga conjuntural de Diaby, Raphinha pouco mais conseguiu do que ver o cartão amarelo.

 

Petrovic (-)

Ouviu apupos e assobios aquando da sua entrada, sem ter a menor culpa de que o treinador preferisse assegurar um ponto nos descontos do que arriscar o zero ou três com cinco minutos à Jovane.

 

Marcel Keizer (2,5)

Interrompeu a série vitoriosa do FC Porto e manteve a sobrenatural tradição da invencibilidade leonina aquando da visita dos dragão, não sofreu golos pela primeira vez desde que assumiu o comando da equipa e teve mais oportunidades para chegar à vitória. Nada disto seria negativo, ou sequer mediano, não fosse o caso de o Sporting ter semeado pontos em Guimarães e Tondela que o deixam a oito pontos do líder e na quarta posição, pelo que é legítimo questionar se Keizer não percebeu a ironia de manter no banco o autor do melhor golo de Dezembro, não reparou que Diaby (escolha questionável mas compreensível pelo critério da velocidade) estoirou muito antes dos 80 minutos e não se deu conta de que, perante as circunstâncias muito particulares desta temporada, tem margem para ser menos resultadista. Sendo o título definitivamente uma miragem, resta ao holandês reflectir se não será melhor repensar algumas apostas e tirar partido dos reforços de Inverno nas próximas jornadas.

Quem joga para o empate, não vence

Quando se usa a expressão "depender só de nós" é a pensar em jogos destes. No confronto directo entre adversários que poderão discutir connosco a posição final no campeonato. Há dois anos, com Jorge Jesus, recebemos o FC Porto e vencemos por 2-1. Na época passada, o clássico disputado em Alvalade terminou com empate a zero. Ontem à tarde - saúde-se a hora, 15.30, a que começou o jogo - parecíamos ter voltado aos tempos nada heróicos da última época de Jesus, treinador mais bem pago do Sporting e de toda a história do futebol português.

Parecíamos também ter regressado dois meses atrás, ao tempo em que José Peseiro ainda comandava o futebol leonino: este confronto com os portistas terminou com dois médios defensivos de verde e branco, enquanto Jovane e o reforço Luiz Phellype se mantiveram no banco e Francisco Geraldes - estrela apenas no anúncio televisivo à venda de gameboxes, que parece estar em alta na Loja Verde - voltou a não ser convocado, apesar de também ser reforço. Neste aspecto dir-se-ia novamente que a história se repete: Jesus nunca foi à bola com o talentoso médio da nossa formação.

Ao contrário das aparências, quem segura o leme é Marcel Keizer - o mesmo que há mês e meio assegurava ter o "futebol de ataque" como filosofia de jogo, inspirado no dinâmico Ajax da década de 70. Dizem-me que míster Keizer anda a aprender com rapidez a falar o nosso idioma. Também o futebol de retranca muito à portuguesa, concebido menos para marcar do que para evitar que o outro marque, é conceito que parece estar a ser assimilado de forma bem rápida pelo tecnico oriundo da Holanda.

Sob este prisma, Keizer foi bem sucedido: o clássico, que contou com mais de 45 mil espectadores nas bancadas, terminou 0-0. Problema: precisávamos muito mais do que o FCP de vencer este jogo, disputado em nossa casa. Finda a primeira volta, os portistas continuam a oito pontos de distância. E as goleadas ao Vildemoinhos e ao Qarabag já eram.

Foi bom enquanto durou. Pena ter durado tão pouco.

 

 

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SINAL VERDE

 

RENAN. Vem demonstrando a cada jogo como foi acertada a sua vinda, ainda no tempo de Sousa Cintra. O guarda-redes emprestado pelo Estoril - e que ficará em Alvalade na próxima época - voltou a ser decisivo ao parar, em cima da linha da baliza, um perigoso remate de Soares. Esta defesa, aos 56', evitou que perdêssemos o solitário ponto ontem conquistado no nosso estádio.

COATES. Um dos melhores em campo. Ajudou a secar a temível dupla Marega-Soares, apoiado - é certo - pelos colegas que recuaram linhas em conjunto. Só uma vez, com um alívio deficiente aos 60', sobressaltou os adeptos que o aplaudiram ao vivo nas bancadas. Excepção numa tarde em que primou pela concentração e pela consistência, sem temer a equipa adversária.

MATHIEU. Actuação soberba do francês, cada vez mais imprescindível no onze titular leonino. Pela forma como controla todo o espaço aéreo da nossa defesa, pela rapidez de reflexos e noção exacta do tempo nas acções de corte - e também por ser o jogador que inicia com mais eficácia a nossa construção ofensiva, com a bola bem colocada, sem recorrer ao pontapé-para-a-frente. O melhor em campo.

JEFFERSON. É o patinho feio da equipa, fazendo arrepelar os cabelos de quem assiste ao jogo no estádio, mas desta vez teve uma actuação impecável. Veloz e concentrado a atacar, sem comprometer nas acções defensivas nem temer Marega, seu adversário directo. Bons cruzamentos aos 19' e 36'. Grande passe a isolar Bas Dost aos 45'+1. Abriu muito bem para Nani aos 69'.

RISTOVSKI. Chamado a jogo devido a lesão de Bruno Gaspar, aos 47', cinco minutos depois já tinha feito mais e melhor do que o colega. Dinâmico a atacar, muito combativo a defender, cumpriu na cobertura a Brahimi, um dos mais perigosos extremos do futebol português. Num lance de insistência, aos 77', cruzou para a cabeça de Bas Dost, que falhou o momento da impulsão. Merece a titularidade.

 

 

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SINAL AMARELO

 

GUDELJ. Dá a sensação de actuar na posição errada. Não é médio defensivo de raiz e isso nota-se na falta de automatismos, própria de quem não está habituado a movimentar-se naquela zona do terreno. Muito recuado, sempre a curta distância dos centrais, ajudou a neutralizar o caudal ofensivo portista. Isolou Diaby aos 15' com excelente passe. Melhor momento: o tiro que desferiu aos 77', a 35 metros da baliza, para grande defesa de Casillas.

WENDEL. Actuação de formiguinha no miolo do terreno, a ligar sectores, por vezes demasiado agarrado à bola e sem sombra de ousadia no passe longo. Foi um elemento útil até as forças lhe começarem a faltar e se tornar evidente que, vindo de lesão recente, está ainda longe do fulgor físico exigido na posição. Saiu tocado, aos 90', mas devia ter sido substituído mais cedo.

NANI. Tarde pouco inspirada do capitão leonino, que parece longe da melhor forma física. Ainda assim, protagonizou bons momentos neste clássico, com destaque para um remate bem colocado aos 33', que Felipe desviou por instinto, e na precisão do seu passe curto. Foi decaindo no segundo tempo, terminando o jogo exausto. Percebe-se mal porque se manteve em campo até ao apito final.

BRUNO FERNANDES. Quando lhe deram espaço, teve os seus habituais momentos de qualidade, capazes de decidirem a sorte de um jogo. Sobretudo ao nível do passe cruzado a longa distância, desmarcando Diaby ou Nani aos 36', 40' e 52' - sempre de modo infrutífero. Muito menos eficaz nas bolas paradas, sobretudo na cobrança de livres e cantos. Também liderou, de longe, o nosso vasto caudal de passes falhados.

RAPHINHA. Talvez a equipa ganhasse com ele no onze titular, em vez do desastrado Diaby. Mas o extremo que veio de Guimarães ainda parece longe de aguentar mais de 45 minutos em plena forma. Desta vez entrou demasiado tarde, aos 81', e numa fase em que a equipa já agia mais por impulsos do que por convicção táctica. Limitou-se a incutir algum dinamismo ao flanco direito.

PETROVIC. Chamado a render Wendel já no tempo extra, a sua entrada em campo confirmou à equipa que o técnico estava satisfeito com o empate a zero. Ajudou a tapar linhas de ataque reeditando o duplo pivô com Gudelj que tantas críticas mereceu dos adeptos no tempo de José Peseiro. Cumpriu no essencial, sem brilho nem desacerto táctico.

 

 

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SINAL VERMELHO

 

 

BRUNO GASPAR. Bruno de Carvalho foi despedido pelos sócios a 23 de Junho, Bruno César regressou ao Brasil e este Bruno também não parece fadado para permanecer muito tempo em Alvalade. É certo que enfrentou Brahimi, mas sempre muito retraído, sem nunca conseguir canalizar jogo pelo seu flanco. Jefferson, do outro lado, fez muito mais. Saiu tocado, aos 47'.

DIABY. O jovem maliano vindo da Bélgica, uma das contratações mais caras do defeso, tarda em mostrar utilidade. Move-se muito mas trabalha pouco para o colectivo. E parece deslocado tanto no eixo do ataque (como ficou bem evidente na derrota em Tondela) como no flanco direito, onde jogou este clássico. Incapaz de municiar Dost, desperdiçou passe de bandeja de Gudelj aos 15' e rematou frouxo aos 63'. Substituído aos 81', já saiu tarde.

BAS DOST. Tarde para esquecer do avançado holandês, que parece apagar-se nestes jogos de alta pressão e continua sem conseguir marcar ao FC Porto. Três vezes bem servido à frente, nunca preocupou Casillas: aos 36' e aos 77', cabeceou sem força e ao lado; isolado perante o guarda-redes aos 45'+1, parecia um defesa a atrasar-lhe a bola. Aos 49', centrou rapidamente para ninguém, como se a redondinha lhe queimasse os pés na área.

Rescaldo do jogo de hoje

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Gostei

 

 

Que não tivéssemos sido derrotados em casa pelo FC Porto. Marcel Keizer montou um sistema de jogo apostado essencialmente em não perder o primeiro clássico do futebol português de 2019. Com uma boa organização defensiva, recuando as linhas e concedendo a iniciativa de jogo ao adversário. Objectivo alcançado: o nulo inicial manteve-se até ao fim.

 

Que não tivéssemos sofrido qualquer golo. Primeiro jogo das competições nacionais terminado com a baliza leonina inviolada desde que o técnico holandês está ao comando da nossa equipa: há oito jogos seguidos que encaixávamos golos nas nossas redes. Demonstra maior solidez do quadrante defensivo do Sporting.

 

De Mathieu. O melhor em campo, com um desempenho impecável. Neutralizou Marega e Soares, ganhou todos lances aéreos, fez vários cortes providenciais e ainda foi o mais lúcido no início da construção ofensiva do Sporting. Um elemento indispensável no onze leonino.

 

De Coates. Formou uma sólida barreira defensiva com o colega ex-Barcelona. Fundamental para travar as investidas mais perigosas do trio atacante dos azuis e brancos. Um dos nossos jogadores com exibição mais positiva.

 

De Renan. O guarda-redes emprestado pelo Estoril ao Sporting voltou a valer-nos pontos. Desta vez ao travar no momento decisivo um remate à queima-roupa de Soares. Evitou assim que saíssemos derrotados deste clássico. Cada vez mais confirma como foi acertada a decisão de o trazer para Alvalade e de accionar a cláusula de opção para garantir a sua presença no nosso plantel da próxima época.

 

Do fortíssimo remate de Gudelj. Foi o grande momento do jogo, aos 77': um tiro disparado pelo sérvio a 35 metros da baliza, que proporcionou a Casillas a defesa da tarde. Com um guarda-redes menos qualificado entre os postes portistas do que o campeão mundial e bicampeão europeu, a bola teria entrado. Seria o golo da jornada. E, desde já, um dos golos do ano.

 

Da hora a que se disputou o jogo. Finalmente, jogámos num horário decente. Às 15.30 de sábado, calendário propício às famílias que gostam de assistir a desafios de futebol. Como tantas vezes aconteceu, durante décadas, nos espectáculos desportivos em Portugal antes de os canais de televisão terem começado a impor aos clubes os seus calendários em função das conveniências das respectivas programações.

 

Da grande adesão do público. Hoje estivemos 45.174 nas bancadas de Alvalade - foi, de longe, a maior afluência desde o início do mandato de Frederico Varandas, há quatro meses. Uma afluência justificada não apenas pelo adversário, campeão nacional, mas pelo horário convidativo e pelas perspectivas de combatividade da nossa equipa. Pena não ter havido golos: este público tão entusiasta e fervoroso, que não cessa de apoiar o Sporting, merecia um futebol com mais olhos nas balizas.

 

 

 

Não gostei

 

 

Que tivéssemos sido incapazes de vencer o FC Porto. Terceiro embate neste campeonato com um clube que figura entre os melhores da Liga portuguesa. O balanço não é brilhante: em nove pontos possíveis, só conseguimos dois. É certo que dois desses jogos foram disputados fora de casa, mas mesmo assim estamos perante um indicador claro de que o Sporting 2018/2019 tem claudicado em momentos decisivos. Pior ainda: nestes três desafios só fomos capazes de marcar um golo. Hoje, em largos momentos da partida, tivemos toda a equipa a defender atrás da linha do meio-campo, atitude própria das equipas pequenas.

 

Do banco de suplentes. Surpreendente, a ausência de Miguel Luís: foi o melhor em campo há duas jornadas, frente ao Belenenses. Contra o Tondela, não chegou a ser utilizado. Desta vez não mereceu sequer figurar na convocatória. Tudo isto é estranho. E mais estranho ainda por não ser fornecida qualquer explicação aos sócios e adeptos.

 

Da ausência do "reforço" Francisco Geraldes. Foi um regresso muito badalado e aplaudido, serve para fazer publicidade às gameboxes, que estão a ser vendidas a bom ritmo, mas nem sequer para o banco de suplentes é convocado. Como se tivéssemos voltado à era Jorge Jesus. Algo não bate certo aqui.

 

Da passividade do treinador. Marcel Keizer demorou uma eternidade a mexer no sector ofensivo, onde mais se impunham alterações. Diaby, incapaz da acutilância que se exige a um extremo num clube com as ambições do Sporting, saiu apenas aos 81', dando lugar a Raphinha. Percebe-se mal por que motivo o ex-ala do V. Guimarães não entrou mais cedo - e até porque não foi ele a figurar no onze titular. Nani, extenuado, manteve-se em campo até ao fim. E Wendel, igualmente no limite das forças, só saiu por lesão aos 90'.

 

De Bas Dost. O internacional holandês claudica por vezes nos chamados "jogos grandes". Até hoje, por exemplo, nunca conseguiu marcar ao FCP. Desta vez voltou a fazer uma exibição apagadíssima, passando praticamente ao lado da partida. Bem servido por Jefferson aos 45'+1, isolado perante o guarda-redes, matou o lance com um frustrante passe para as mãos de Casillas. Aos 77', de novo isolado, cabeceou frouxo e ao lado. Foi só. Mesmo assim, manteve-se em campo até ao fim. E o reforço Luiz Phellype, ainda por estrear, manteve-se também sentado no banco de suplentes até ao fim.

 

De continuarmos em quarto lugar no campeonato. Seguimos a oito pontos do FCP, a três do Benfica e a dois do Braga: fomos incapazes de aproveitar o tropeção de ontem da equipa bracarense, que empatou (1-1) em Portimão. Pontuação pouco animadora para atacarmos o principal objectivo da época: o segundo lugar na Liga, que pode garantir o acesso à milionária Liga dos Campeões.

 

Foto minha, tirada esta tarde em Alvalade

Armas e viscondes assinalados: Ai Jesus que lá foram eles

Tondela 2 - Sporting 1

Liga NOS - 16.ª Jornada

7 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Sofreu dois golos, um dos quais com elevadíssima nota artística, mas a triste e amarga realidade é que o brasileiro fez três defesas que evitaram uma vergonha ainda maior ao Sporting.

 

Bruno Gaspar (1,5)

Novamente fraco a atacar e não raras vezes contemplativo a defender, como se viu no lance do primeiro golo, voltou àquilo que, infelizmente, aparenta ser o normal.

 

Coates (2,0)

Contribuiu de forma decisiva para o único e insuficiente golo leonino, tal como na época passada conquistara os três pontos em Tondela, quase ao 100.º minuto, num dos momentos mais felizes da doença senil do jorgejesuísmo chamada central a ponta de lança. Dito isto, esteve aquém do seu melhor a defender antes de ser cooptado para substituto de Bas Dost pelo desespero de Marcel Keizer. E também não se portou muito melhor enquanto ponta de lança.

 

Mathieu (2,0)

Poderia ter sido uma noite ainda pior se o golo que roubou a Montero fosse anulado por fora de jogo. À falta de um azar desse tamanho restaram-lhe uma série de maus cortes (numa jogada conseguiu fazer dois consecutivos que a olho nu pareciam assistências para o Tondela) e demonstrou uma notória incapacidade de travar os endiabrados avançados beirões.

 

Acuña (2,0)

Poderia ter sido uma noite ainda melhor se não tivesse conseguido ver o amarelo que o afasta da recepção ao FC Porto quando faltavam dois minutos para o apito final e a noite já estava pior do que estragada. Até então tentara cruzar, sem grande sucesso, ficando marcado pela forma como se limitou a testemunhar o primeiro golo do Tondela.

 

Gudelj (2,0)

Sacrificado logo ao intervalo, o sérvio teve como principal mérito não ter visto o cartão amarelo que o afastaria da recepção ao FC Porto. 

 

Wendel (2,5)

Alguns bons passes e cruzamentos não chegam para tornar positiva uma exibição em que nem a vantagem numérica permitiu maior desafogo nas operações no meio-campo.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Faltou-lhe pontaria nos remates para furar a muralha defensiva e não foi tão esclarecido quanto habitual na condução do jogo, abusando de passes errados. Mesmo assim fez uma assistência  primorosa, a dezenas de metros de distância, que teria valido o empate se fosse recebida por alguém mais talentoso.

 

Nani (2,5)

Toques de classe sem consequências práticas foram o melhor resumo de uma exibição em que o momento mais relevante foi aquele em que contribuiu para que o Sporting tivesse mais um em campo durante 40 minutos, pois foi abalroado por Jaquité, expulso por acumulação de amarelos.

 

Raphinha (3,0)

Encarregou-se de ser a maior ameaça a Cláudio Ramos, forçando o guarda-redes a aplicar-se num trio de boas ocasiões. A ter havido conquista de pontos na Beira Alta certamente se deveria a ele.

 

Diaby (0,5)

Dizer que fica a dever três golos ao Sporting implica esquecer que não possui a técnica necessária para dominar o passe teleguiado de Bruno Fernandes. Mas nas outras duas ocasiões - uma bola que foi parar aos seus pés no coração da área, chutando-a para onde estava virado (infelizmente estava virado para o lado errado do poste mais distante...), e um cabeceamento calamitoso a um cruzamento tão perfeito que ainda assim deu para acertar nos ferros - veio ao de cima o défice de qualidade do avançado maliano, em má hora chamado a substituir Bas Dost.

 

Montero (2,5)

Entrou ao intervalo, regressado de lesão, e esteve a um passo de marcar numa tentativa de recarga a um grande remate de Raphinha. Acabou por conseguir dirigir a bola para a baliza num lance posterior, com um remate tão fraco quanto oportuno, que só não entra na sua contabilidade porque Mathieu entendeu por bem espoliá-lo.

 

André Pinto (-)

Foi colocado em campo num momento de desnorte em que o treinador achou boa ideia ter três defesas centrais na grande área contrária.

 

Marcel Keizer (1,0)

A derrota em Tondela começou logo na convocatória, pois sem Bas Dost e Jovane Cabral disponíveis impunha-se ter pelo menos mais uma opção de ataque, nomeadamente o reforço Luiz Phellype. Acabou por nem esgotar as substituições, o que se torna compreensível olhando para o banco, num jogo que o Sporting começou praticamente a perder e nunca converteu posse de bola em domínio, mesmo estando quase metade do tempo em superioridade numérica. Ai Jesus que lá se foi a lua de mel do treinador holandês com os adeptos e uma derrota no próximo sábado colocará o FC Porto a 11 pontos de distância do clube agora relegado para a quarta posição.

Armas e viscondes assinalados: Uma reviravolta de mão-cheia

Sporting 5 - Nacional 2

Liga NOS - 13.ª Jornada

16 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Deu por si a encaixar dois golos sem culpa nenhuma, mas por volta da meia-hora põs travão ao descalabro em curso. Fez uma excelente defesa a impedir que um livre directo levasse o Sporting a recolher ao balneário com uma desvantagem de 0-3 e não mais permitiu veleidades à ameaça do nacional-madeirismo. Voltou a destacar-se na segunda parte ao impedir aquilo que seria o 3-3 e deu boa conta de si, não obstante ocasionais imperfeições na reposição de bola.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Contam-se os minutos até que um dos youtubbers da moda faça um vídeo com as tentativas de cruzamento do lateral-direito contratado à Fiorentina por um ex-presidente leonino que continua suspenso. Voltou a atrapalhar-se quando tinha boas condições para fazer duas assistências para golo (na segunda parte, muito bem assistido dentro da área, até poderia inscrever o nome na lista de marcadores) e a bola começa a temer rumar à sua zona de influência tal qual os navios temem o triângulo das Bermudas. Bastante mais razoável a defender, diga-se de passagem.

 

Coates (3,0)

Uma das suas duas arrancadas pelo meio-campo adversário deu origem ao primeiro golo do Sporting, tal como na quinta-feira outra arrancada permitira o golo de Miguel Luís. Contrariada a estatística nesse ponto, segue-se o golo de cabeça que tarda em aparecer... Nas missões defensivas esteve tão bem quanto pode estar um central que vê a equipa sofrer dois golos, mesmo condicionado por um amarelo que o retira da difícil deslocação a Guimarães.

 

Mathieu (3,5)

Convém assinalar que o francês foi testemunha ocular do pontapé e do cabeceamento que deram vantagem à equipa visitante. Mas não só levou a equipa para a frente nos períodos de maior desorientação da primeira parte como consumou a reviravolta no resultado com um golo de livre directo que o ex-colega de equipa Lionel Messi decerto aplaudiria. 

 

Jefferson (2,0)

Voltou a provar que sabe fazer bons cruzamentos, e num deles permitiu que Bas Dost testasse os reflexos do guarda-redes adversário. Pena é que esteja cada vez mais apático, não raras vezes suicidário na abordagem aos lances de ataque do Nacional da Madeira. A boa notícia é que Acuña regressa na próxima jornada.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo perdido no meio-campo e soterrado pela avalancha madeirense, melhorando numa segunda parte em que esteve perto de fazer estragos na baliza contrária. Ao contrário de Coates não viu o amarelo que o afastaria da próxima jornada, mas também há que reconhecer que para um natural da Sérvia Guimarães deve parecer a Disneylândia.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Aquela velha história de o futebol ser um jogo de onze contra onze em que a Alemanha vence no fim encontra paralelismo na série de exibições do melhor jogador da época passada. Nos períodos mais negros da noite chegou a ser avistado perto dos centrais, iniciando jogadas que outros que não queriam ou não podiam iniciar. Ainda ouviu gritos de Bas Dost por tentar o remate cruzado num lance em que poderia ter tentado cruzar para o encosto do holandês, mas na segunda parte aproveitou a boa companhia de Miguel Luís para iniciar um recital que incluiu um golo fácil ao “ir às sobras” de Bas Dost, um remate de muito longe que ficou perto de surpreender o guarda-redes, uma tentativa de marcar em jogada individual e o último tento da noite, assumindo a recarga à queima-roupa do seu próprio remate de cabeça. 

 

Bruno César (2,0)

Escolhido para a titularidade por Marcel Keizer, andou desfasado do resto da equipa e nunca conseguiu provar que tinha um papel a desempenhar neste jogo. Só poderia ter regressado ao relvado após o intervalo se Alvalade ainda vivesse no tempo do outro senhor.

 

Nani (2,5)

Esteve longe de ter a noite mais feliz da carreira, primando pela lentidão no ataque e pelo alheamento nas acções defensivas. Leva como maior influência no jogo o cabeceamento defeituoso na jogada do primeiro pénalti sobre Bas Dost, um remate de longe e um passe longo para a área que seria açucarado caso chegasse a outros pés que não os de Bruno Gaspar. Saiu com problemas físicos que, a manterem-se, podem abrir a porta ao regresso do ex-vimaranense Raphinha ao onze inicial na próxima jornada.

 

Diaby (3,0)

Fez da velocidade e da vontade de ajudar a equipa forças que compensam as ocasionais falhas técnicas difíceis de resolver numa fase tão adiantada da carreira. O melhor cartão de visita foi uma arrancada de um lado ao outro do campo e a assistência para o golo anulado a Bas Dost em que o fiscal de linha viu o maliano em posição irregular e o videoárbitro manteve a decisão por falta de imagens de uma câmara avariada.

 

Bas Dost (4,0)

Invejosos vão dizer que as faltas que deram origem aos dois pénaltis que converteu (três se contarmos com a primeira marcação do segundo, mandado repetir devido à entrada de outros jogadores na grande área) são extremamente parecidas com as sofridas pelo mítico avançado benfiquista conhecido por Vidoso, tantas vezes ocorre o “pénalti do Vidoso”, mas bisou e voltou a colocar-se no topo da lista dos melhores marcadores, ao lado do bracarense Dyego Sousa. E ainda teve tempo para um golo anulado e para servir Bruno Fernandes no lance do 2-2, compensando uma ocorrência na primeira parte em que se esqueceu da aura de “bom gigante” e berrou com o colega após desferir um pontapé num poste que fez abanar a baliza.

 

Miguel Luís (3,5)

Entrou no início da segunda parte e deixou a impressão de que chegava com atraso de 45 minutos mais descontos. Dotado para as trocas no meio-campo em que assenta o modelo de jogo keizeriano, o jovem habituado a festejar títulos europeus mostrou que por ele também se pode festejar títulos nacionais. Líder absoluto nos passes para finalização, selou nova boa exibição com o cruzamento que quase permitiu a Bruno Fernandes marcar de cabeça.

 

Jovane Cabral (3,0)

Voltou a dar cartas em poucos minutos, executando o excelente passe para Bas Dost que levou ao primeiro golo de Bruno Fernandes. E mexeu sempre com o jogo de uma forma que Nani não ousaria fazer.

 

Marcel Keizer (3,0)

Ele bem avisou que prefere vencer por 3-2 em vez de 1-0, mas não deveria estar à espera de começar com um 0-2 e de ver o Nacional a encostar o Sporting às cordas antes de passar a ter o melhor ataque da Liga. Errou ao escolher Bruno César para o onze, corrigindo o passo em falso ao intervalo, só que os 45 minutos da segunda parte duram mais quando toda a gente se diverte, o que se aplica tanto ao relvado quanto às bancadas. Voltou a prescindir da terceira substituição, a conseguir ser feliz sem demasiado esforço e a deixar para mais tarde o inevitável dia em que tudo correrá pior.

Sinceramente? Temi o pior!

Não sou possuidor do apuradíssimo verbo do Pedro Correia, do Pedro Azevedo ou do Leonardo Ralha para descrever ao pormenor o jogo de ontem.

Porque em questões de futebol jogado sou um mero mas muuuuuuuuuuuuuuuuuito sofredor adepto. De tal forma que à meia hora de jogo com dois golos encaixados e com o Sporting (quase) encostado às cordas pelo Nacional, sinceramente temi o pior.

Entretanto lembrei-me daquele jogo, há uns anos, entre o Sporting e o Braga em que fomos para intervalo também a perder por dois e que acabámos por ganhar por 3 a 2. Ora com o golo de Bas Dost mesmo ali à minha frente ainda na primeira parte aguardei pacientemente o restante jogo.

No intervalo o semblante dos que me rodeavam não era o melhor. Diria mais... as faces carregadas e as parcas palavras diziam (quase) tudo.

Depois... depois aconteceu que o príncipe adomecido Sporting recebeu ao intervalo o beijo da princesa esperança (e certamente umas palmadas do kaiser) acordando da sua letargia de forma que no segundo tempo carregou o Nacional para a sua grande área.

Considero as imagens seguintes como o momento crucial da partida.

E mais não digo!

 

Armas e viscondes assinalados: Um nulo mais valioso do que a soma das partes

Arsenal 0 - Sporting 0

Liga Europa - 4.ª Jornada da Fase de Grupos

8 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Tornou-se o primeiro guarda-redes a defender as balizas do Sporting em relvados ingleses sem ser natural de Marrazes desde há muito tempo, podendo celebrar a data com o fim da impressionante série de jogos consecutivos a sofrer golos fora de casa que os leões ostentavam. Longe de ter feito uma exibição espantosa, daquelas que o levariam, mais tarde ou mais cedo, a engrossar as fileiras do Wolverhampton, o brasileiro teve um par de defesas seguras que ajudaram a manter o empate, distinguiu-se nas saídas aos cruzamentos e contou com a preciosa ajuda da dupla de centrais.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito sofreu com o endiabrado extremo Iwobi, felizmente mais interessado na parte lúdica do futebol do que na fria contabilidade dos golos e assistências, mas a sua passagem por Londres fica marcada acima de tudo pela participação inadvertida na grave lesão do avançado Welbeck. 

 

Coates (3,0)

Seria candidato a homem do jogo se não tivesse deixado escapar um atraso de bola proveniente do meio-campo que deixou a equipa a jogar só com dez nos últimos minutos. Ainda assim há que referir que o sacrifício a que forçou Mathieu foi compensado pela diligência com que impediu um autogolo do francês, na melhor jogada do Arsenal na primeira parte, despejando a bola para longe antes de esta passar a linha de golo. Apenas uma das muitas intervenções em que o uruguaio, desta vez menos afoito no ataque - a única tentativa de avançar no terreno durou menos de cinco segundos -, impôs a sua lei e contribuiu para que os leões tenham um pé e meio nas eliminatórias da Liga Europa. Mesmo que durante grande parte do jogo aparentasse um daqueles polícias que tentam em vão evitar o massacre num filme de terror.

 

Mathieu (3,0)

Raras são as ocasiões em que um jogador que viu o vermelho directo é cumprimentado pelos treinadores das duas equipas. O veterano francês salvou o empate ao derrubar Aubameyang mesmo antes de o avançado do Arsenal entrar na grande área, livrando-se da nefasta viagem ao Azerbaijão no fim do mês. No resto do tempo dedicou-se a afastar o mal das balizas leoninas, pressionado por avançados que quase o levaram a marcar na própria baliza, e atento ao espaço nas costas de Acuña.

 

Acuña (2,5)

Regressou ao posto de lateral-esquerdo, após ter sido o homem do jogo anterior enquanto extremo-direito, e essa roleta posicional esteve muito aquém de lhe trazer benefício. Abriu demasiado espaço aos adversários em muitas ocasiões e abusou das faltas mesmo depois de um cartão amarelo por protestos, o que também o afasta da próxima jornada da Liga Europa e praticamente assegura que Jefferson terá oportunidade de contrariar quem não cessa de repetir que o seu prazo de validade expirou há muito tempo.

 

Gudelj (3,5)

O Sporting perdeu o Battaglia mas ganhou um homem de guerra, que se dedicou a servir de cortina de ferro aos avanços do meio-campo do Arsenal. Naturalmente menos dedicado a lances de ataque, pertenceu-lhe o primeiro remate do Sporting mais ou menos digno de tal nome, ainda que tenha saído tão alto que nem uma versão gigantone de Peter Cech lhe conseguiria tocar. Certo é que lutou muito, ao longo de quase 100 minutos, e mesmo no final só lhe faltaram pernas para chegar à bola num contra-ataque que poderia ter recompensado o esforço e dedicação da equipa mais do que seria justo.

 

Miguel Luís (3,0)

Provando que as notícias acerca da morte da formação do Sporting são manifestamente exageradas o campeão europeu de sub-17 e sub-19 estreou-se a titular na equipa principal. Deu boa conta do recado quase sempre, embora uma falha de marcação tenha estado na origem da tal jogada em que Coates teve de evitar o autogolo de Mathieu, mas a prova de fogo ficará para um próximo desafio em que o Sporting tenha a iniciativa de jogo. Talvez já neste domingo à noite, em Alvalade, frente ao Chaves.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Faltou-lhe espaço e tempo para investir nos remates de longa-distância, mas manteve-se sempre atarefado com a pressão sobre o adversário e constantes tentativas de lançar o contra-ataque em circunstâncias assaz desiguais. Boa parte deste empate deve-se à sua incansável eficácia.

 

Diaby (2,0)

Conseguiu fazer o que se lhe pedia uma única vez, ainda na primeira parte, quando ganhou a linha direita e cruzou para a grande área do Arsenal, onde Montero não estava e Nani não chegou a tempo. Aquilo que mais demonstrou foram gritantes deficiências no domínio de bola, o que dilui a importância da sua velocidade nos contra-ataques leoninos. Numa rara ocasião em que havia três atacantes do Sporting para três defesas do Arsenal preferiu rematar contra um adversário em vez de passar a bola a Bas Dost ou Nani. Resta a compensação de que o seu passe foi um milhão de euros mais barato (sem contar uns quantos anos de inflação) do que o passe de Sinama-Pongolle.

 

Nani (3,5)

Puxou dos galões de ex-Manchester United e tentou levar tudo à sua frente na ala esquerda. Conseguiu-o algumas vezes, cruzando na melhor dessas ocasiões para o espaço onde Montero não conseguiu desviar para golo. Muito assobiado pelos adeptos da casa, sobretudo depois de não ter lançado a bola para fora do relvado aquando da lesão de Lichtsteiner, encolheu os ombros, na melhor expressão “haters gonna hate”, e seguiu caminho.

 

Montero (2,5)

Deixado à deriva entre a linha defensiva do Arsenal, foi a versão menos eficiente daquilo que fizera, frente ao mesmo adversário, no jogo de Alvalade. Teve poucas ocasiões, pouco conseguiu combinar com os colegas, e quando cedeu o lugar a Bas Dost nada de relevante teria para escrever num postal enviado para casa.

 

Bas Dost (2,5)

Veio refrescar o ataque do Sporting, trazendo poder de choque e apetência pelo jogo aéreo, e não se coibiu de trocar a bola com os colegas para lançar jogadas de ataque - tentou, por exemplo, fazer a assistência para Gudelj. Não era, no entanto, noite para contrariar a ideia de que o holandês é o tipo de goleador que prefere ser forte com os fracos.

 

Jovane Cabral (2,0)

Demorou muito a substituir o inoperante Diaby e revelou-se igualmente inoperante. Espera-se que não tenha perdido a qualidade de talismã com a saída de José Peseiro e o novo corte de cabelo, demasiado conservador para quem parece destinado a dar nas vistas.

 

Petrovic (2,5)

Entrou numa fase de sufoco, com a missão de servir de tampão aos ataques da equipa da casa, posicionando-se junto à linha defensiva, mas a expulsão de Mathieu levou a que recuasse para central. O nulo do resultado final mostra que foi bem-sucedido naquilo que se lhe pediu.

 

Tiago Fernandes (3,5)

Montou um onze para o objectivo que alcançou, o que basta para escrever que o treinador interino teve uma noite bem positiva. Mesmo a opção arriscada na titularidade de Miguel Luís torna-se normal perante as alternativas no banco leonino e os enormes e trágicos equívocos na construção do plantel. Esteve bem nas substituições, ainda que Diaby pudesse ter saído mais cedo, e acertou especialmente em cheio na necessidade de ter o esforçado Petrovic a assegurar um empate a zero que, por todos os motivos, é mais valioso do que a soma das suas partes.

 

Corpo Expedicionário Sportinguista (5,0)

Raras foram as vezes que uma equipa portuguesa pareceu jogar em casa num país que até optou pelo Brexit. Os milhares de sportinguistas que estiveram no estádio Emirates exponenciaram as suas vozes e impuseram-se à maioria silenciosa, quase do primeiro ao último minuto, constituindo um valiosíssimo 12.° jogador que explicou aos arsenalistas por que não fica em casa. Tiveram direito ao agradecimento sentido (e merecido) da equipa, abrindo caminho para a necessária reconciliação entre jogadores e adeptos.

 

Armas e viscondes assinalados: Salto mortal para perto da liderança

Sporting 3 - Boavista 0

Liga NOS - 8.ª Jornada

28 de Outubro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

À quarta tentativa, e à terceira titularidade, chegou ao fim de um jogo sem sofrer golos. Se grande parte do mérito pertence ao ataque do Boavista, capaz de ser mais dócil do que o do Loures, a verdade é que o brasileiro esteve sempre atento às ocorrências, ficando na retina uma defesa apertada na cobrança de um livre. Foi bem substituído pelo poste na única ocasião em que não deu conta do recado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Promovido a único lateral-direito do plantel devido à lesão de Ristovski - embora Carlos Mané tenha feito muito boa figura na última final da Taça de Portugal vencida pelo Sporting -, entre alguns cruzamentos descalibrados e incursões sem critério lá conseguiu fazer um jogo acima das suas capacidades e contribuiu de forma decisiva para o 3-0.

 

Coates (3,0)

O erro que custou a derrota contra o Arsenal terá assombrado o uruguaio, assaz atreito a pequenas e médias falhas na primeira parte. Melhorou na segunda, sucedendo-se cortes providenciais, superioridade aérea e tudo aquilo que faz dele quem é. Só não conseguiu a tradicional arrancada pelo meio-campo (ao contrário do tradicional cabeceamento ao lado...) porque um sadversário fez o favor de o travar, agarrando-lhe a camisa.

 

Mathieu (3,5)

Retomou a titularidade e trouxe mais do que classe e poder de antecipação. A sua presença no relvado fez-se sentir na qualidade de saída com bola, com boas consequências na construção de jogo. Ainda ficou perto de marcar na cobrança de um livre directo e só não tem nota mais elevada porque nos últimos minutos de jogo, quando foi desviado para lateral-esquerdo (o que terá levado o não-convocado Luxor a perceber que, afinal, não é a terceira e sim a quarta escolha para a posição), demonstrou alguma displicência na marcação dos adversários.

 

Acuña (3,5)

Sobressaiu menos do que no jogo contra o Arsenal, mas nem por isso foi menos importante na esquerda, combinando melhor com Montero do que com Nani. Além da excelência dos cruzamentos foi tão intransigente como sempre nas missões defensivas e só Battaglia evitou que fizesse Carlos Xistra pagar caro a ousadia de lhe mostrar uma cartolina amarela. Saiu perto do final, para o muito aguardado regresso de Bas Dost, e uma percentagem das palmas também foram para ele.

 

Battaglia (3,5)

Além de ter sido o autor do primeiro lance de golo, com um remate de fora da área que testou os reflexos do guarda-redes boavisteiro, e de impedido que os forasteiros fizessem uma gracinha, oferecendo o corpo a uma bala disparada na grande área, dominou por absoluto o meio-campo ao longo do jogo inteiro.

 

Gudelj (3,0)

Cumpriu os seus deveres conjugais de duplo pivot defensivo (desfeita que foi a relação polidefensiva em que também havia lugar para Petrovic), assegurando-se de que a equipa visitante não vinha ali estragar uma noite que, segundo padrões menos corajosos do que os praticados na Sérvia, estava bastante gelada.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Resgatado da ala direita para o meio do terreno, onde a sua magistratura de influência é exercida de forma mais natural, parecia condenado a manter-se fora da ficha de jogo. Já tinha rematado sem sombra de pontaria na primeira parte, pelo que os gritos que largou ao ver a barra devolver-lhe um livre directo vinham do fundo da alma e só foram aplacados devidamente quando, mesmo importunado pela presença de Carlos Xistra, desferiu um pontapé que transformou o cruzamento rasteiro de Diaby no tranquilizador 2-0. Com o parceiro Bas Dost de volta tudo poderá melhorar.

 

Nani (4,0)

Houve um regresso ao passado quando o capitão do Sporting inaugurou o marcador, cabeceando de cima para baixo, como mandam as regras, e passou ao lado do assistente Montero para celebrar o golo com um salto mortal nada apropriado num cavalheiro com mais de 30 anos. Antes disso já estivera quase a fazer o primeiro golo com outro cabeceamento, desviado para canto pelo guarda-redes, que era de cima para cima, como não mandam as regras. Os colegas já não o deixaram repetir o mortal quando bisou, num remate enrolado à entrada da grande área. Passou os últimos minutos a tentar fazer assistências para Bas Dost.

 

Diaby (3,0)

Foi preciso chegar ao final de Outubro para haver provas palpáveis da utilidade do avançado maliano no plantel do Sporting. Não tanto na primeira parte, pois a surpreendente titularidade não se traduziu em melhor do que um remate para as bancadas a poucos metros da baliza e uma assistência para Bruno Fernandes rematar para as bancadas. Depois do intervalo houve um lance em que recorreu à aceleração e ao descaso para com agarrões e tentativas de desarme para chegar à grande área adversária, mas acabou por bloquear por motivos só explicáveis por psiquiatras. E a verdade é que a velocidade permitiu-lhe conquistar a linha de fundo pela ala direita e centrar atrasado para Bruno Fernandes fazer o 2-0. Ele próprio esteve quase a marcar numa jogada individual de contra-ataque mas o chapéu que fez ao guarda-redes foi curto, lento e ao alcance do defesa que fez a dobra. Fica para a próxima?

 

Montero (3,5)

Mais um jogo de muita luta para o avançado colombiano, coroado com o cruzamento com que ofereceu o primeiro golo da partida a Nani. Também esteve na jogada do 3-0, antes de sair para a entrada de Bas Dost, cujo regresso acarretará certamente mais tardes e noites passadas no banco.

 

Bas Dost (2,5)

Voltou de lesão sem medo de lutar por cada lance. Ficou perto do golo num remate de cabeça, mas o certo é que o seu regresso ao relvado foi (golos à parte) um dos raros momentos em que os 27 mil espectadores se entusiasmaram.

 

André Pinto (2,5)

Entrou para reocupar o lugar que tem sido seu, ao lado de Coates, sem que Mathieu tenha saído de campo, numa situação só comparável ao avistamento em simultâneo de Bruce Wayne e Batman. Em poucos minutos fez dois belos cortes que ajudaram à parte do zero no 3-0.

 

Bruno César (-)

Foi colocado no meio-campo, pouco antes do apito final, talvez só para o pobre Lumor perceber que nunca terá um único minuto de jogo.

 

José Peseiro (3,0)

Há noites assim. Inventou uma improvável ala direita que resultou melhor do que a encomenda, repôs Bruno Fernandes onde mais rende, e recuperou Mathieu (a tempo inteiro) e Bas Dost para a equipa. Aproveitou da melhor forma os resultados do Sporting de Braga e do Benfica, e está agora a apenas dois pontos da liderança. E pensar que não faltaram assobios quando o seu nome foi anunciado pelo speaker antes do início do jogo...

Armas e viscondes assinalados: O azeri só bateu à porta de Mathieu

Sporting 2 - Qarabag 0

Liga Europa - Fase de Grupos 1.ª Jornada

20 de Setembro de 2018

 

Salin (3,5)

Passam os jogos e o francês insiste em não dar motivos para a perda da titularidade acidental, conquistada no aquecimento para o primeiro jogo da temporada. Sendo verdade que os azeris aparentam guardar a agressividade para os arménios, erros surrealistas de colegas deram origem a ocasiões de golo para o Qarabag que permitiram a Salin cumprir a quota necessária de defesas providenciais. Segue-se novo teste de fogo em Braga, na próxima segunda-feira.

 

Ristovski (3,5)

Integrou-se bem no ataque e nas missões defensivas não se deixou abater pela perda de titularidade de Jefferson, que está mais ou menos para si como Rui Rio está para António Costa. Esteve perto de marcar em duas ocasiões: primeiro ao obrigar o guarda-redes a desviar para canto a bola que lhe sobrou no ressalto de um remate de Bruno Fernandes e depois através de um cabeceamento no coração da grande área. Dir-se-ia que o lateral-direito ficou a centímetros de igualar um certo Alexandre como o maior macedónio de todos os tempos.

 

Coates (3,0)

Várias falhas no início da partida, uma das quais esteve quase a adiantar os visitantes, criaram a ideia nas bancadas que entrara em campo o gémeo menos talentoso do gigante uruguaio. Com o avançar do cronómetro retomou o indicador de confiança, mas é aconselhável que tome vitaminas: se a nova lesão de Mathieu for grave arrisca-se a não ter descanso até Maio de 2019.

 

Mathieu (4,0)

Jacques Brel, que era belga (embora não tivesse um apelido típico do país plano, assim como Lukaku, Nainggolan ou Fellaini), escreveu uma canção chamada ‘Mathilde’, acerca do regresso de uma mulher fatal. Também a vinda de Jeremy Mathieu a Alvalade levou os adeptos a trautearam belas melodias, pese embora o central francês não tenha chegado a ser letal para os visitantes. Mas não por falta de tentativa, pois Mathieu testou o guarda-redes num livre directo, rematou (bem) e cabeceou (mal) em jogadas consecutivas, e até fez uma assistência para Montero que deveria, havendo justiça antes daquela que nos esperará no reino dos céus, contar para as estatísticas apesar de não ter sido concretizada pelo colombiano, alegadamente em posição irregular. Sucederam-se ainda as antecipações em velocidade aos esforçados avançados azeis, os passes para colegas a 30 ou 40 metros e toda a classe que tornou ainda mais doloroso aquele momento em que caiu à relva para ser substituído. 

 

Acuña (4,0)

Cumpriram-se as profecias e ocupou a posição em campo que lhe permite integrae uma selecção onde por vezes passa Messi. Do retrato do artista enquanto lateral-esquerdo constam o perfeito timing no desarme de adversários, só comparável à dificuldade que estes demonstraram na hora de tentar tirar-lhe a bola. E a técnica de quem sabe muito bem tratar a bola - e tem energia para tratá-la a noite inteira.

 

Battaglia (3,5)

Nunca seria escolhido para prémios de simpatia se o colégio eleitoral fosse constituído por aqueles que encontra no meio-campo. Voltou a especializar-se na resolução de problemas por meios vigorosos, lamentando-se apenas alguns inconseguimentos nos contra-ataques. Particularmente notória a falha que transformou em pontapé de baliza aquilo que dava ares de ser o 3-0.

 

Gudelj (3,0)

Noventa e tal minutos em campo sem uma única roleta marselhesa - ou então, caso não quisesse repetir a homenagem a Zidane, uma mão de Deus ao estilo de Maradona? Assim foi a titularidade do sérvio, capaz de oferecer poder de choque mas também autor de um episódio de diletantismo com bola que garantiu a maior ocasião de perigo do Qarabag na segunda parte.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Mais uma vez encheu o relvado com jogadas de fino recorte, mantendo-se na retina uma arrancada pela direita com cruzamento que merecia cabeça mais rotinada nesse ofício do que a de Ristovski. Que o regresso aos golos-bomba ocorra já em Braga é o que todos os sportinguistas auguram...

 

Nani (4,0)

A assistência de longa distância que permitiu a Raphinha inaugurar o marcador merece uma sala no Museu do Sporting. Mas não se esgota nesse instante de génio o mérito do capitão, ovacionado aquando da substituição por outro cabo-verdiano de elevadíssimo potencial.

 

Raphinha (4,0)

Limitou-se a estar no sítio certo para encostar a assistência de Nani para o fundo das redes, limitou-se a estar no sítio certo para receber a bola de Montero e encaminhá-la para o ponto da grande área do Qarabag para onde Jovane Cabral se dirigia a alta velocidade. Se o extremo brasileiro continuar assim é possível que, no limite, chegue mesmo à selecção brasileira.

 

Montero (3,5)

Mantém a seca de golos como alguns religiosos prescindem disto ou daquilo ao fazerem os votos. Só assim se explica o artístico toque de calcanhar com que testou os reflexos do guarda-redes adversário, pois o passe de Mathieu o deixou completamente isolado junto à linha de golo, valendo-lhe a bandeirinha levantado do árbitro assistente para o escândalo não ser maior. Mais cintilante foi o colombiano na construção de jogo, esmerando-se aquando de costas para a baliza. E superlativo se mostrou ao servir-se de uma bola sinalizada pela Comissão de Protecção de Esféricos, abandonada junto a uma bandeirola de canto, para fazer um túnel ao defesa azeri que deu origem ao tardio e desejado 2-0.

 

André Pinto (3,0)

Voltou ao relvado para o lugar do neolesionado Mathieu, mostrando-se um central de confiança que joga seguro e, sem ser um ex-Barcelona, serve de barreira à entrada de Marcelo ou Petrovic para o eixo defensivo.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser um talismã é... saltar do banco aos 87 minutos e marcar um golo no minuto seguinte. Talvez para disfarçar, o jovem que não recorre às redes sociais quando espoliado da titularidade fez alguns disparates, incompreensíveis mas sem consequências de maior. Contam-se os segundos até alguém registar a expressão “15 minutos à Jovane”.

 

Diaby (2,0)

Voltou a somar minutos, embora cheguem os dedos das mãos para a operação matemática. Chamado para refrescar o ataque, com o resultado final feito e o tempo de compensação a contar, o renomado velocista pouco mais fez além de atrapalhar-se (e a Raphinha) num contra-ataque.

 

José Peseiro (3,5)

Nunca se cansa de salientar que o Sporting joga cada vez melhor e os factos não o desmentem. Resistiu a poupanças em vésperas de uma deslocação difícil a Braga, colocando em campo o onze tipo (menos Bas Dost) e pouco há a apontar tirando alguma hesitação nas substituições. Algo que não deixa de ser compreensível, pois a entrada de Jovane Cabral é o tipo de decisão que implica a saída de Nani ou de Raphinha.

Balanço (30)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - V 

 

Mathieu, no Sporting-V. Guimarães

(31 de Janeiro de 2018)

 

William, com visão de jogo, encaminha a bola para a corrida de Acuña, que num lance de extremo clássico a centra para a área vimaranense, onde Mathieu lhe dá o melhor destino em semi-rotação, ao primeiro toque com o pé canhoto, sem a deixar poisar na relva.

Balanço (5)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre MATHIEU:

 

- Eu: «Partida perfeita do internacional francês, que se afirma como um valor seguro no nosso eixo defensivo. Ao ponto de parecer já que faz parceria há longo tempo com Coates, seu companheiro naquela zona do terreno. Confiante, veloz, jogando sempre de cabeça levantada, transportou bem a bola a partir da defesa, abriu linhas de passe no momento ofensivo e nunca deixou desguarnecido o seu reduto.» (12 de Agosto)

 - Francisco Vasconcelos: «Espero que Mathieu não sofra dos problemas físicos do passado que me fizeram temer a sua contratação, pois poderá ser uma tremenda mais valia como tem demonstrado, e tambem porque a qualidade das alternativas, infelizmente não oferece segurança.» (16 de Agosto)

- Luís de Aguiar Fernandes: «Critica-se a contratação de Mathieu, porque é velho. Dois meses depois, todos se levantam para lhe bater palmas.» (20 de Agosto)

- Duarte Fonseca: «Posicionamento. Comportamento colectivo. Percepção do jogo. Conhecimento táctico. Controlo da profundidade. Capacidade de passe. Técnica individual. Velocidade. Classe.» (28 de Agosto)

- José da Xã: «Que grande e agradável surpresa.» (2 de Setembro)

- Luciano Amaral: «Não fosse a bomba de Mathieu e, muito provavelmente, ainda lá estavam agora a ver se metiam uma lá dentro. Ninguém pede um novo André Cruz, mas convém ter uma ameaça suficientemente credível nos livres directos. Resolve muitos jogos.» (18 de Setembro)

- JPT: «O melhor em campo, espantoso na autoridade na sua área, alguns cortes in extremis de levantar o estádio, e com coração e técnica para carregar a equipa para a frente, em várias incursões de grande gabarito.» (27 de Setembro)

- Pedro Azevedo: «A verdade é que o francês tem aquela qualidade extra(sensorial) que lhe permite adivinhar o momento ideal para o tackle, o timing certo de entrada na bola. Além disso, é um metrólogo, um cientista da medida do comprimento ou não tivesse  o sistema internacional de medidas sido criado em França, na época da Revolução Francesa. Ele bem avisou antes do jogo: dar um metro a Messi. E não lhe concedeu nem mais um centímetro.» (28 de Setembro)

- Pedro Bello Moraes: «Concentradíssimo, rapidíssimo, inteligente, lutador e campeão.» (2 de Março)

- Marta Spínola: «Mathieu, Coates, Dost, Bruno Fernandes ou Gelson têm lugar no meu coração 2017/18.» (9 de Março)

Pódio: Mathieu, Bruno Fernandes, Coentrão

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-V. Guimarães pelos três diários desportivos:

 

Mathieu: 19

Bruno Fernandes: 16

Acuña: 16

Fábio Coentrão: 16

Rui Patrício: 15

William Carvalho: 15

Bruno César: 14

Coates: 14

Ristovski: 14

Doumbia: 12

Bas Dost: 12

Battaglia: 11

Montero: 10

Rúben Ribeiro: 10

 

O Record elegeu  Bruno Fernandes  como figura do jogo. A Bola e O Jogo optaram por Mathieu.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo de duplos

Era uma vez um gaulês recém-chegado a Alvalade. Alguma imprensa apresentava-o como cansado de duras batalhas travadas no país vizinho. Diziam que era alto, tosco, lento e atreito a lesões. A realidade mostrou-se diferente da percepção que a leveza ou preguiça criou no imaginário dos comentadores desportivos deste país à beira-mar plantado. É verdade que acertaram na sua compleição física - tem cerca de 1,90m -, mas Mathieu (é dele que estamos a falar) revelou-se como um homem ainda ambicioso e comprometido com o projecto do Sporting e um jogador extremamente rápido e de excelente técnica. Hoje, na ausência de Bas Dost e perante a inoperância de Doumbia e de Montero, o francês liderou o assalto ao castelo de Guimarães como se fosse o duplo perfeito do holandês. Posicionou-se no centro da área e com grande frieza "dostou", aplicando uma raquetada com o seu pé canhoto que colocou a bola no fundo das redes de Douglas, respondendo na perfeição a um cruzamento proveniente da esquerda, de Acuña.

Mathieu não foi o único duplo em campo. William, jogando numa nova posição (com Battaglia nas suas costas), imitou Adrien (embora ainda lhe falte remate) e Coentrão personificou o Coentrão de tempos idos, quando jogava no rival. Coincidência ou não, os três foram os melhores jogadores do Sporting esta noite, embora Acuña - excelente vólei a fazer lembrar o Zidane da final da Champions, aos 73 minutos - e Bruno Fernandes - o nosso jogador mais influente correu kilómetros e jogou fora da sua posição natural em claro sacrifício pela equipa - também tenham estado acima da média. Nos substitutos, Bruno César foi o que teve mais impacto no jogo.

O jogador que mais me desapontou foi Ristovski. Não porque eu não prefira Piccini, mas porque o macedónio falhou naquele único item em que o achava superior ao italiano: dar profundidade ao jogo. Também Ruben Ribeiro não esteve bem, empastelando bastante o jogo colectivo.

A noite de Alvalade ficou ainda marcada por uma ausência, um fantasma que pairou permanentemente sobre o relvado. Refiro-me ao nosso ala, Gelson Martins (e não Fernandes), cuja velocidade teria ajudado a desbloquear mais cedo a resistência vimaranense. Presente, e bem presente fisicamente, esteve o Daniel, mais o seu fervoroso e indomável espírito de leão, a quem dedico esta crónica, com o desejo de que possa ainda assistir a muitas e muitas jornadas gloriosas do seu/meu/nosso clube.

A equipa pareceu cansada, no seu 37º jogo da época. JJ diz que jogamos à italiana. Ainda tive esperança que tal envolvesse a Monica Bellucci, mas infelizmente não, é só mesmo aborrecido. Valeu a costela de Dost (a que não saiu lesionada) que há em Mathieu. E assim assumimos, à condição, o primeiro lugar do campeonato, numa noite em que Jesus mostrou sentido de Lumor ao confirmar a contratação do ex-portimonense. Nesse transe, só faltou ao treinador leonino, depois de ter referido a incapacidade do clube em contratar um jogador "assim-assim", dizer que o ganês foi comprado na Loja dos 300. Menos mal, pelo menos Lumor não terá pressão.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu

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Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória em Alvalade frente ao V. Guimarães. Triunfo caseiro pela margem mínima (1-0), mas que presta justiça àquela que foi sempre a melhor equipa em campo e a única que fez por vencer o jogo. Mais três pontos amealhados numa jornada em que conquistámos outros quatro: os nossos rivais directos empataram, o que nos coloca na liderança do campeonato.

 

De Mathieu. Voltou a ser irrepreensível nas tarefas defensivas e foi um dos jogadores mais inconformados, procurando sempre lançar os colegas para a frente. Deu ele próprio o exemplo no lance capital do desafio, aos 84', quando fez de ponta-de-lança recebendo na área um bom cruzamento de Acuña ao qual deu a melhor sequência num remate de primeira. Um disparo que valeu três pontos. Foi ele o melhor em campo.

 

De Acuña. Merece destaque pela combatividade, pela garra e pela acção de constante desgaste que exerceu no bloco defensivo adversário. Após uma primeira parte menos conseguida, foi protagonista das duas melhores jogadas do desafio: um remate acrobático, à meia-volta, aos 83' que proporcionou a defesa da noite ao guardião Douglas e a assistência para o golo, no minuto imediato.

 

De Fábio Coentrão. Enquanto alguns colegas metem o pé no travão e abusam de rodriguinhos inconsequentes com a bola, parecendo jogar só para merecer elogios de comentadores como Luís Freitas Lobo, ele nunca perde o objectivo: a baliza contrária. E sabe muito bem que a linha recta é o caminho mais curto entre dois pontos. Mesmo no período de maior desacerto colectivo, sobretudo na primeira parte, soube impulsionar a equipa e dar-lhe velocidade e acutilância.

 

De ter sido mais um jogo em que não sofremos golos. A nossa defesa voltou a demonstrar solidez e segurança - duas características indispensáveis numa equipa que sonha com títulos e troféus.

 

Da arbitragem de Luís Godinho. Mal se deu pelo juiz da partida, o que é sempre um bom sinal. Se todas as actuações dos árbitros fossem assim, o futebol português andaria muito melhor.

 

Da expressiva e emocionante homenagem a um adepto que sofre de um cancro terminal. Devidamente autorizado pela Liga, Daniel Raimundo, um taxista de 43 anos, deu o pontapé de saída simbólico neste jogo, escutando uma estrondosa ovação no estádio. Um gesto tocante, que só enobrece a generosa família leonina.

 

De voltarmos a depender só de nós. Estamos no comando da Liga, à condição, com mais um ponto do que o FC Porto - que ainda tem de disputar meio jogo - e mais três do que o Benfica. Boas perspectivas para conquistar o título. Nem pensamos já noutra coisa.

 

 

 

Não gostei

 

Do resultado ao intervalo. O empate a zero mantinha-se, o que provocou clara irritação nas bancadas de Alvalade. Antevinha-se uma segunda parte em sofrimento. E assim foi.

 

Da ausência de Gelson Martins. Cada vez mais me convenço que o jovem internacional é o melhor jogador deste Sporting 2017/18. Com ele afastado, devido a lesão que promete prolongar-se, a equipa perde velocidade, intensidade e profundidade. Ninguém acelera nem estica tanto o nosso jogo como ele. Hoje sentiu-se bem a sua falta.

 

Da lesão de Bas Dost. O ponta-de-lança holandês viu-se forçado a sair logo no início da segunda parte, dando lugar a Doumbia. Teme-se que possa estar parado durante algum tempo, o que seria uma péssima notícia para o Sporting.

 

Das oportunidades desperdiçadas. Bruno César, que substituiu Battaglia aos 63', disparou ao poste onze minutos depois na sequência de um bom cruzamento de Coentrão. Antes, aos 58', já Doumbia - muito bem lançado por William - permitira a intervenção de Douglas quando se encontrava isolado frente ao guarda-redes.

 

Da má condição física de alguns jogadores, que parecem jogar no limite da exaustão. Jorge Jesus vai ter de rodar ainda mais a equipa se quiser preservar alguns daqueles que considera titulares indiscutíveis. O Sporting ainda está em todas as provas e a intensidade dos desafios vai forçá-lo a isso.

 

De Rúben Ribeiro. Adorna demasiado os lances, congela-os, não progride com a bola, abusa das fintas redundantes e de inócuos passes curtos. Não por acaso, foi substituído ao intervalo pelo segundo jogo consecutivo. Jesus deve repensar seriamente se o mantém como titular.

 

De Montero. Substituiu Rúben Ribeiro mas também ele passou praticamente ao lado do desafio. Percebe-se que lhe faltam rotinas neste Sporting, muito diferente da equipa que conhecia há dois anos.

 

Dos assobios nas bancadas. Estavam decorridos apenas 38 minutos e já soavam sonoras vaias a Bruno Fernandes, Rúben Ribeiro e William Carvalho, entre outros, acusados pelo "tribunal de Alvalade" de enrolarem o jogo, adornarem os lances e preocuparem-se "mais com o tricot" do que com o ritmo ofensivo da equipa. Entende-se a insatisfação numa partida em que demorámos demasiado a desfazer o nó inicial e tínhamos um número excessivo de jogadores a actuar de costas para a baliza, sem romper as linhas adversárias. Mas não consigo aceitar estas manifestações de desagrado do público.

Os jogos apenas terminam quando o árbitro apita o final da partida...

Uma vez mais surpreendidos ao cair do pano, após substituições defensivas. O mestre da táctica procura segurar uma magra vantagem e perde 2 pontos. Aconteceu na Luz, a história repete-se agora em Setúbal, fazendo lembrar o início da 2ª volta há duas épocas atrás. Penalty claro cometido por Mathieu, incompreensível reacção de Fábio Coentrão que poderia ter visto outra cor do cartão com um árbitro mais rigoroso. Mau demais este desperdício a que infelizmente nos vamos habituando...

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Xeque-mate

Confesso que este jogo me inspirava cuidados. Jogávamos num estádio tradicionalmente difícil para as nossas cores e o anterior jogo contra uma equipa de xadrez, em Moreira de Cónegos, não deixara bons augúrios. A acrescentar a isso, na hora de dispor as nossas peças no tabuleiro, sabemos que nunca podemos contar com os bispos, ou seja, temos logo menos 12,5% das armas disponíveis para o xeque-mate. Restavam-nos um Rei (Patrício), uma Rainha (Bruno Fernandes, a peça até agora com maior amplitude), duas Torres (Mathieu e Bas Dost), dois Cavalos (Gelson e Piccini) e oito voluntariosos Peões - dos quais três ficaram de reserva para futuros ataques/defesas - e com isso apresentámo-nos a jogo com a nossa FÉ.

De um lado da mesa, o consagrado Jesus, do outro o seu discípulo Simão, o zelote (ou zeloso) xadrezista boavisteiro. Um Grande-Mestre a lutar por reconquistar o título contra um membro dos "jaquinzinhos" (G15), aspirantes ao trono.  

O nosso Jesus começou por inventar: Battaglia ficou no banco, obrigando Bruno Fernandes a jogar longe da área adversária, perdendo assim influência, levando William a desdobrar-se em acções defensivas. Podence não acertava uma, não conseguíamos segurar a bola e o Boavista dominava a seu bel-prazer o miolo. Nos últimos 10 minutos da primeira parte, muito por influência dos movimentos em "L" (alternadamente verticais e horizontais) de Piccini, começámos a aproximar-nos do último reduto axadrezado. Estava a partida a caminho do intervalo quando Dost ganhou uma bola de cabeça, o peão Podence rodopiou como um pião vezes sem conta sobre um defesa, cruzou e o insuspeito Coentrão surgiu no lado oposto a cabecear para golo. Xeque-ao-Rei. 

Na segunda parte, Jesus mexeu cedo na equipa, entrando primeiro Acuña, depois Battaglia, para os lugares de Bruno César e de Podence. Os dois argentinos acabariam por ser providenciais: o extremo apontou o canto de onde resultaria o segundo golo, Batman recuperou inúmeras bolas em diversas zonas do terreno, permitindo à equipa respirar. Ainda houve tempo para uma decisão controversa do VAR - suspeito que os nossos Leitores benfiquistas, à semelhança do Freitas Lobo, tão categórico quanto ao fora de jogo de Dost em Paços, desta vez não se vão pronunciar pois o jogador axadrezado aparece na câmara numa diagonal à frente da bola - que permitiu ao emblema do Bessa aproximar-se, mas após jogada iniciada em Bruno Fernandes,  as Torres de Alvalade combinaram para o xeque-mate que pôs termo ao encontro.

Destaque para os golos terem sido apontados por jogadores poupados no início do jogo em Barcelona, pormenor que JJ não deixou passar em claro na "flash-interview", referindo-se aos críticos como "atrasados mensais". Independentemente da razão que lhe assista (afinal ganhou e a sua aposta provou-se correcta), JJ e a restante estrutura leonina poderiam sentar-se à mesa e entre os comensais ponderar abrir uma escola para alunos com necessidades especiais - tantos são aqueles já apelidados de "burros" ou "atrasados mensais" -, um modelo alternativo às escolas que Vieira pretende criar no Seixal...

Mais humildade e menos adjectivação precisam-se, até porque tão importante como saber perder, é saber ganhar e nós vamos ganhar.

Uma última nota, esta à margem do jogo, mas não do dia de ontem: pode ser apenas coincidência, mas dá-me a ideia de que quem contrapuser a conferência de imprensa de Ivo Vieira - após o Benfica x Estoril - com o "flash-interview" de Abel após o Sporting x Braga fica com uma parábola quase perfeita do que é o futebol português.

 

Os nossos jogadores um a um:

 

Rui Patrício - Invariavelmente, em jogos em que tem pouco ou nenhum trabalho, acaba por sofrer um golo estúpido ao qual é completamente alheio. No resto do tempo limitou-se a jogar (e bem) com os pés, fosse através de competentes pontapés de baliza ou por via de atrasos de colegas seus.

Nota: Sol

 

Piccini - (Madame) Butterfly está para Puccini como (o efeito) Bitterfly está para Piccini. "The Bitterfly effect" é um estado  que se apodera de uma pessoa e que a faz não reconhecer culpa própria sobre qualquer acção por si desencadeada. Felizmente que foi esse o caso do futebolista italiano, esta noite, no Bessa. Qualquer outro jogador teria ficado afectado com sucessivas perdas de bola e más decisões durante uns bons 25 minutos da primeira parte, mas não Piccini. À conta de ir culpando os companheiros, o vento, o corte da relva e a iluminação, o nosso lateral manteve a confiança no seu jogo e foi a primeira peça leonina a mostrar inconformismo com o empate e a levar a equipa para a frente com sucessivas cavalgadas durante a primeira parte, arrancando para uma exibição muito conseguida no resto do tempo, com grande equilíbrio entre os movimentos atacantes e os defensivos.

Nota: Si

 

Coates - Não teve um jogo muito conseguido. Provavelmente acusando algum desgaste mental, tal a atenção que lhe tinha sido requerida em Barcelona, onde de resto realizou uma excelente exibição, o uruguaio mostrou falta de tempo de entrada aos lances, o que lhe motivou uma cartolina amarela na primeira parte e a culpa no golo do Boavista, na segunda. Nada disto abala, do meu ponto-de-vista, a tremenda confiança que temos nele, mesmo que hoje se tenha limitado a ser um peão no tabuleiro axadrezado (onde só pode haver duas Torres).

Nota:

 

Mathieu - "Souplesse" e Mathieu andam de tal forma ligados que por vezes imagino se não terá sido para caracterizar o gaulês que a expressão foi criada. Na sua área, resolve qualquer problema com uma facilidade extraordinária, seja através de um providencial corte de carrinho, de um subtil desvio de cabeça, parecendo que tem uma varinha mágica sempre disponível para fazer face a qualquer problema. Com estilo, muito estilo, e calma. Aliás, imagino-o a mudar um pneu sobresselente, sem sujar um dedo, ou a encontrar o ponto de cozedura ideal do peru de Natal, sem suar. O tipo de "cool dude" que encontramos num Paul Newman ou num Steve McQueen. Como se tudo isto já não fosse praticamente inalcançável a qualquer comum mortal, aventurou-se duas vezes no ataque e com muita cabeça esteve na origem dos dois golos de Bas Dost. O melhor em campo.

Nota: Dó Maior

 

Fábio Coentrão - Primeiro, dizia-se que não aguentava um jogo completo. Depois, que não era o jogador influente de outros tempos. Apostado em evidenciar que tudo isto não passava de mitos urbanos, o vilacondense agora dura 90 minutos e, imagine-se, até já marca e de que maneira: em cima do 3º minuto de compensação do primeiro tempo - período em que o imaginário popular já o via caído no relvado, entubado e com diversas mialgias de esforço - eis que Coentrão lá estava, oportuno, a corresponder a um centro perfeito de Podence, inaugurando assim o marcador.

Nota: Si

 

William - Devido à arriscada táctica que JJ trouxe para o primeiro tempo, foi nesse período um verdadeiro dois-em-um, assegurando a devida protecção aos seus centrais. A entrada de Battaglia trouxe-lhe tal alívio que praticamente deixou de se ver no relvado, remetendo-se provavelmente a um merecido descanso, tal a intensidade do esforço despendido no primeiro tempo. 

Nota:

 

Bruno Fernandes - A sua actuação saíu prejudicada pela posição em que JJ o colocou em campo. Desgastado por missões que não são aquelas em que se sente como "peixe na água", nas aproximações à área adversária os remates saíram-lhe sempre frouxos. Em todo o caso, ainda teve tempo para deixar uma nota artística quando repetiu, no mesmo lance na grande-área do Boavista, uma roleta. 

Nota: Sol

 

Gelson Martins - Mais rectílineo e acutilante do que vinha sendo hábito, embora não tenha tido influência nos golos, protagonizou o momento artístico do jogo quando dançou entre quatro boavisteiros, a todos ultrapassando, acabando por ser travado à margem da lei pelo último homem, o defesa Rossi, em lance que o árbitro não puniu com o cartão vermelho. Uma jogada à craque!

Nota: Si

 

Bruno César - Durante a primeira parte, foi dos jogadores mais esclarecidos, procurando sempre dar linhas de passe aos colegas, encontrando muitas vezes espaço na meia esquerda do ataque leonino. Infelizmente, os centros saíram-lhe sempre desajustados e um pouco antes da hora de jogo Jesus substituiu-o.

Nota: Sol

 

Podence - Como classificar um jogador que protagonizou um sem-número de más decisões até ao último minuto da primeira parte, momento em que sacou um coelho da cartola, rodopiou vezes sem conta sobre um pobre defensor boavisteiro e concluiu com uma assistência que Fábio Coentrão classificou como "só tive de empurar"? O futebol e os seus sortilégios. No xadrez do Bessa, Podence foi um (cam)peão que fez xeque ao rei boavisteiro.

Nota: Sol

 

Bas Dost - Dost rima com "post" e eu vou gostar de "postar" que fiquei muito feliz de ver Bas voltar a "dostar". O carteiro ("postman", ou será "dostman"?) Dost raramente falha a entrega. Ontem, foram mais dois "selos" para a colecção. São dezasseis até ao momento...

Nota: Dó Maior

 

Acuña - Ainda mal tinha entrado no jogo e, após um canto por si executado, chegámos ao segundo golo. No resto do jogo ajudou a defender a vantagem duas vezes conquistada, assegurando-se de que não a voltaríamos a perder. Ofensivamente está a faltar-lhe aquele "punch" do início da época. 

Nota: Sol

 

Battaglia - O jogo entrava numa fase electrizante e Jorge Jesus fez sinal a Battaglia de que iria render Podence. Recuperou imensas bolas, em diferentes zonas do terreno, com destaque para uma ganha à saída da grande-área adversária, lance em que, posteriormente, assistiria Bruno Fernandes, o qual, cansado, desperdiçaria a oportunidade. Com ele em campo, qualquer veleidade do Boavista caiu por terra ou não fosse ele o nosso Batman, o vigilante de Alvalade City.

Nota:

 

Bryan Ruiz - Rendeu o esgotado Bruno Fernandes aos 85 minutos, não tendo estado tempo suficiente sobre o relvado para lhe poder ser atribuida uma nota. Ainda assim, saúde-se mais uma presença, ele que procura a melhor condição e ritmo de jogo.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Monsieur Mathieu 

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