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És a nossa Fé!

Esperança ainda mais reforçada

O nosso regresso a Alvalade e a nossa incontestável vitória reforçam o título deste texto, mas o que gosto de Rúben Amorim à frente da equipa, também. Convenço-me que finalmente temos treinador. Que de uma vez por todas preenchemos o vazio deixado pela saída de JJ (ganhou bola, sim, mas sabia bem o que fazer com ela).

Depois, comparando os dois, Rúben Amorim é mais... mais caro, sim, a sua aquisição foi muito mais cara, pois foi, mas ele é mais construtivo. RA dá-nos garantias - já certezas - de que vai construir uma equipa tendo por base aquilo em que o Sporting se diferencia e superioriza em relação aos rivais: as jóias da formação.

Rúben Amorim é consistente na aposta que faz nos nossos craques em crescimento. Diz que o faz e fá-lo. Isto tem um valor inestimável. O resultado é visível. Objectivo. Temos um treinador que, finalmente, volta a potenciar jovens em Alvalade. Jovane, Eduardo Quaresma, Matheus Nunes são disso exemplo. 

É este o caminho. Estamos no bom caminho. Numa aparente contradição, esta certeza foi confirmada pelo erro logo assumido por RA, quando confessou ter errado ao tirar Matheus Nunes para dar lugar a Eduardo. É que foi mesmo quando entrou o entulho comprado sem critério no passado, e saiu uma das nossas mais brilhantes pérolas, que a equipa se foi abaixo.

Além da competência técnica que lhe reconheço, constato em Rúben Amorim liderança. A começar pela assunção da culpa, sem procura de bodes expiatórios, passando pela política em curso de que não há lugares cativos no 11, como o sabe, melhor que ninguém, Mathieu. Uma liderança que aposta nos seus. Como comprova a inclusão de Matheus Nunes ontem na equipa titular, depois de um jogo pouco promissor na jornada anterior. 

Tendo por base a evidência matemática de não poder aspirar a mais, espero terminar a época no pódio, pelo menos. Mas tenho sobretudo esperança de que o caminho para alcançar esse lugar seja consistentemente a preparação da próxima temporada.

A melhor preparação possível, para a melhor época que possamos fazer. E podemos aspirar a muito!

Armas e viscondes assinalados: Juventude não chegou para triunfar no berço

Vitória de Guimarães 2 - Sporting 2

Liga NOS - 25.ª Jornada

4 de Junho de 2020

 

Luís Maximiano (2,0)

Nada poderia ter feito no golo que selou o resultado final, e ao longo da segunda parte deu segurança aos colegas com boas intervenções, o que não apaga a sua oferta do golo que permitiu ao Vitória de Guimarães empatar pela primeira vez. Está visto que a desenvoltura com os pés é o calcanhar de Aquiles do jovem guarda-redes, mas a aposta continuada na sua titularidade, desejada pelos adeptos, dependerá de progressos significativos nesse domínio.

Eduardo Quaresma (3,5)

Integrar uma linha defensiva que sofreu dois golos não é propriamente sinónimo de estreia de sonho? Talvez assim seja, mas o jovem de 18 anos assumiu como um mestre a missão de ser o central descaído para a direita, demonstrando segurança no desarme dos adversários e uma capacidade de. saída com bola que só surpreendeu quem nunca tinha visto as suas arrancadas na equipa de sub-23. Ficou na retina um lance de contra-ataque que urdiu em “joint venture” com Sporar, reforçando a ideia de que o Sporting será doravante Edu mais dez e o temor de que possa vir a ser “carrosselizado” no verão tardio que antecederá a próxima temporada.

Coates (3,0)

O capitão uruguaio foi o patrão que dele se pede que seja, impondo a sua presença no novo esquema táctico. Nem os dois golos do adversário, resultantes de uma oferta de Luís Maximiano e de um ressalto, beliscam o mérito de quem deverá ficar em Alvalade se a ideia passar por voltar a ver os milhões da Champions antes da próxima década.

Mathieu (2,5)

Várias foram as ocasiões em que o veterano francês não teve pernas para reagir aos adversários, numa quebra física após a paragem ditada pela pandemia de Covid-19 que se pode explicar pelo facto de ser provavelmente o único elemento do plantel leonino a ter convivido com sobreviventes da gripe espanhola. Intocada está a sua relação privilegiada com a bola, ainda que a ideia de o adiantar para ponta de lança (em vez de apostar na entrada do suplente Pedro Mendes quando o Sporting tinha vantagem numérica) não tenha surtido efeito.

Rafael Camacho (3,0)

Preferido por Ruben Amorim na escolha entre Ristovski e Rosier, o jovem que não quis ser lateral-direito ofensivo no Liverpool provou ser mais afoito na parte ofensiva da missão, formando com Eduardo Quaresma e Jovane Cabral a ala direita mais dinâmica que Portugal viu nos últimos meses. Esteve perto de fazer a assistência para o golo da vitória, impedida pela defesa de Douglas ao cabeceamento de Jovane, num dos vários bons cruzamentos que assinou. Pior nas missões defensivas, como Quaresma pode testemunhar, poderia ter servido Sporar para o “hat trick” mas, talvez possuído pela camisola 7 que carrega, tentou complementar duas belas fintas com um remate idêntico ao que ajudou a levar o Sporting à “final four” da Taça da Liga. Idêntico, claro está, tirando na parte de a bola entrar na baliza.

Acuña (3,0)

Bastante mais contido do que o colega da direita, até porque Mathieu e Vietto também não ajudaram por aí além, o argentino distinguiu-se pelo passe longo que o excesso de confiança de Douglas e o sentido de oportunidade de Sporar fizeram abrir o marcador. E também pela atenção redobrada que deu às veleidades vimaranenses na sua área de influência, não se esquecendo de protestar com todos os elementos da equipa de arbitragem. As saudades que já teria...

Battaglia (2,0)

Raras foram as ocasiões em que ganhou posição sem cometer falta, escassas as saídas com bola que tenham levado a equipa para a frente. Dir-se-ia que o médio argentino se arrisca a ficar carimbado como problema irresolúvel, tendo em conta o seu elevado vencimento, a não ser que o homem que mais lucrou com o ataque a Alcochete cometa a improvável bondade de o “carrosselizar” numa “bitola Thierry Correia” e sem prodígios do estilo David Wang envolvidos na equação.

Matheus Nunes (2,0)

Lá se estreou na equipa principal o meio-campista a quem Frederico Varandas encarregou de custear a multimilionária cláusula de rescisão de Ruben Amorim, e o treinador encomendou a compra de uma casa à sua mãe, pelo que talvez a senhora Nunes pretenda que o filho encerre o ciclo comprando uma peruca ao presidente do Sporting. Convém referir que a estreia esteve muito longe de ser brilhante, tal como longe de cintilantes eram as alternativas disponíveis no banco. Espera-se que faça melhor em próximas oportunidades.

Jovane Cabral (4,0)

Acelerador-mor do futebol leonino, partindo da direita para vagabundear por todo o relvado, o jovem extremo mostrou que é capaz de fintar adversários dentro de uma cabina telefónica e deixou bem mais do que um ar da sua graça. Para a história do jogo ficou o passe longo e rasteiro com que isolou Sporar no lance do 1-2 e o remate de cabeça que esteve perto de render três pontos num estádio que continua a ser complicado mesmo sem adeptos municiados de armas brancas. Pena é que grande parte das suas melhores iniciativas tenham morrido nos pés de Vietto.

Vietto (2,0)

Quis a infelicidade do destino que o avançado mais perdulário do plantel leonino tenha recebido alguns dos melhores passes feitos pelos colegas ao longo do jogo. A baliza parece tornar-se demasiado pequena quando Vietto tem a bola nos pés, sendo incerto se a solução passará por um ortopedista, um psicólogo ou uma influenciadora das redes sociais.

Sporar (4,0)

É notável que tenha convertido em dois golos igual número de remates, bastando-lhe empurrar a bola para a baliza vazia. E com inegável mérito, pois aproveitou da melhor forma a burrice de Douglas na primeira parte, roubando-lhe a bola que controlou com o peito, e desmarcou-se de forma perfeita (o fiscal de linha ainda ensaiou o fora de jogo, mas o videoárbitro oficializou o golo) na segunda parte, contornando o guarda-redes com enorme frieza. Além disso, integrou-se bem nas manobras ofensivas e criou a esperança de que Bruno Fernandes não chegue ao final da temporada como melhor marcador do Sporting apesar de ter voado para Manchester no final de Janeiro.

Idrissa Doumbia (2,5)

Honra lhe seja feita: cometeu menos erros do que os titulares do meio-campo. Mas também era um objectivo fácil de cumprir...

Gonzalo Plata (2,0)

Inconsequente, viciado em remates contra as pernas dos adversários e incapaz de ajudar a “quebrar” um Vitória de Guimarães reduzido a dez graças ao irrequieto Jovane Cabral, que parece ter aproveitado o confinamento para treinar mais do que um certo e determinado extremo sul-americano.

Ruben Amorim (3,0)

Os meses vão passando e o terceiro treinador mais valioso do mundo mantém o bom hábito de não perder, ainda que desta vez não tenha somado os três pontos que conseguira antes do fim do mundo tal como o conhecíamos, naquele final de tarde em Alvalade em que se verificaram as expulsões de dois jogadores do Desportivo das Aves nos primeiros 20 minutos de jogo e um “wardrobe malfunction” de Wendel mais revelador do que o de Janet Jackson no Super Bowl. Louva-se-lhe a coragem de apostar em Eduardo Quaresma e Matheus Nunes, ainda que o segundo tenha ficado bastante aquém das expectativas, e o trabalho visível no entendimento entre vários jogadores, mas a relação complicada de Vietto com o golo e o estado de calamidade em vigor no meio-campo não permitiram mais. Felizmente chegou para o empate que permitiu reduzir de quatro para três pontos a desvantagem em relação ao Sporting de Braga na luta pelo lugar mais triste do pódio da Liga NOS.

Uma nova fase

O Sporting entrou em Guimarães como uma ideia bem definida: aproveitar este resto  de campeonato, completamente estranho sob todos os pontos de vista, para preparar a próxima época, podendo descurar com isso o assalto ao 3.º posto.

Foram sete jogadores sub-23 num total de 13 que entraram em campo, colocando a média de idades num valor baixo, 24,2, mesmo contando com a experiência de Mathieu (36):

Quaresma 18
Plata 19
Camacho 20
Jovane 21
M.Nunes 21
Max 21
Doumbia 22
Sporar 26
Vietto 26
Acuna 28
Battaglia 28
Coates 29
Mathieu 36

 

Obviamente apostar nos jovens tem um preço: os dois golos sofridos foram oferecidos, primeiro por Max a meias com Matheus Nunes e depois por Camacho, que não respeitou a linha da defesa a subir para fora-de-jogo. Matheus Nunes, que passou um pouco ao lado do jogo, ao invés de Quaresma e Jovane a fazerem pela vida.

Mas reduzir o jogo a essas questões é redutor. O Guimarães já tinha demonstrado em Alvalade que é uma equipa muito bem trabalhada, a pausa colocou vários jogadores completamente fora de forma, quando se atacava depois recuava-se a passo. Rúben Amorim não esgotou as substituições porque não sabia quem ia cair no minuto seguinte e Vietto continua a ser um irritante "pé-frio".

Mas não foi mau de todo.

SL

Olá Matheus, adeus Matheus

MatheusNunes[1].jpg

 

Matheus Nunes poderá ser o próximo jogador da nossa equipa sub-23 lançado na equipa principal do Sporting. Para o efeito, o médio brasileiro, de 21 anos, já começou a trabalhar às ordens de Silas.

Defensor que sou do rejuvenescimento do plantel leonino e da aposta deliberada em jovens talentos, aplaudo esta promoção de Matheus. E só posso desejar-lhe melhor sorte do que teve o seu homónimo Matheus Pereira, que raras vezes conseguiu revelar o que sabe ao serviço do onze principal do clube e se prepara para ficar em definitivo no futebol inglês, por aparente desinteresse dos responsáveis de Alvalade. «Uma verdadeira pechincha», dizem no West Bromwich Albion, prontos a activarem a modesta cláusula de opção que acompanhou o empréstimo do jogador. Mais um ruinoso negócio em perspectiva no Sporting.

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