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És a nossa Fé!

Criar uma política de formação

Durante anos o Sporting vangloriou-se de ter a melhor escola portuguesa de formação de jogadores, frequentemente comparada ao Ajax. Paulo Futre, Luís Figo, Dani, Simão Sabrosa, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, João Moutinho, Luís Nani, Rui Patrício ou William Carvalho entre vários outros que me dispenso de enumerar, sob pena de tornar a lista demasiado extensa, projectaram internacionalmente o jogador português e com eles, a selecção nacional cresceu exponencialmente, passando de esporádicas presenças nos grandes eventos a cliente habitual e até potencial favorito à conquista dos troféus.

Outros clubes, os rivais não andam propriamente a dormir, apostaram de forma séria na formação, ao passo que nós a descurámos, o resultado está à vista, nenhum jogador formado em Alcochete abaixo dos 23 anos tem hoje a mínima hipótese de aspirar a envergar a camisola da selecção nacional portuguesa. É um facto e se quisermos perceber como chegámos aqui, há que ser sérios, enquanto o principal rival prescindiu do treinador que não conseguiu ver em Bernardo Silva, João Cancelo ou Gonçalo Guedes, talento suficiente para evoluir na equipa principal, substituindo-o por treinadores que lançaram Renato Sanches, Ruben Dias ou João Félix entre outros, nem todos com igual sucesso, o que seria obviamente impossível, mas a aposta está lá, só não vê ou desdenha quem não quer ver ou estiver de má-fé. E nós que fizemos? Fomos buscar o iluminado mestre da táctica de que o rival em boa hora, para eles, se livrou e com ele um camião de entulho. Gelson Martins e também Ruben Semedo foram excepções, direi que as últimas apostas sérias da formação, ambos já com idade superior a 23 anos. Abaixo desse patamar havia Rafael Leão, que saiu do clube nas circunstâncias que conhecemos, em rota de colisão com o alienado que dirigia o clube de forma errática, do qual em boa hora nos livrámos.

Não adianta exigir a Marcel Keizer que coloque em campo jogadores da formação sem qualidade para ombrear com os rivais e exigirmos simultaneamente vitórias e títulos. Existe novamente talento na formação, mas abaixo dos 18 anos, pelo que será expectável que dentro de 1 a 2 anos possamos novamente ver a evoluir no relvado jogadores formados em Alcochete. Um clube como o Sporting precisa receitas, o que implica vender jogadores. Não é possível esperar que um jogador acabe de se formar aos 24 ou 25 anos, para depois valorizar 2 ou 3 anos na equipa principal e vendê-lo aos 28 anos. É tarde! O mercado não funciona assim.

Os melhores jogadores aos 20 anos já têm que merecer uma oportunidade na equipa principal. Outros, com elevado potencial, mas sem lugar na equipa, precisam rodar emprestados ou na equipa B, que foi extinta por uma má decisão do ogre. Eventualmente alguns poderão despontar de forma tardia, também acontece, pelo que deveria ser política do clube incluir cláusulas de recompra na cedência de jogadores, que por regra não serão accionadas, mas por vezes acontecem surpresas e não gostamos de ver os rivais abonados pelas pérolas que formámos. Confio na actual direcção, uma estratégia pode ser rapidamente delineada, mas coloca-la em prática requer sempre tempo, por isso defendo que as avaliações devem ser feitas no final dos mandatos. Para já, os sinais são positivos, a restruturação em Alcochete, o scouting, vamos confiar que a médio prazo estaremos de novo no lugar que nos pertence, mas até lá, não basta engrossar a voz, teclar, berrar ou insultar, é mesmo preciso trabalhar...

Keizer e a formação. Contributos para o debate (2)

Na sequência do post do Pedro Boucherie Mendes, venho também eu lançar algumas ideias sobre este tema.

1. Keizer chega ao clube no meio duma época tremendamente complicada, onde muita coisa estava em causa e a sua prioridade era mesmo salvar a época, o que conseguiu com muito mérito e boa nota.

2. Keizer chega ao clube num momento em que não existe equipa B e os melhores jovens estão numa competição sub23, a competir com as equipas C das melhores equipas da Liga, e com espaço e tempo para golos para todos os gostos.

3. Keizer chega ao clube com um plantel cheio de entulho. Jogadores que tinham perdido a sua oportunidade de titularidade no Sporting alternavam entre o banco e a bancada e aguardavam (alguns aguardam) o momento para sair, tapando lugares que poderiam ir para jovens promessas (se elas existissem).

4. Keizer chega ao clube num momento em que apenas duas promessas, Miguel Luís e Jovane, estavam a ser lançadas e a jogar regularmente, porque outros que poderiam lá estar tinham rescindido ou sido emprestados. Assim R. Leão, Podence, Demiral, F. Geraldes, M. Pereira, Ivanildo, Mama Baldé e outros não estavam lá quando Keizer chegou. O facto é que M. Luís e Jovane, por alguma razão, quando foram chamados por Keizer raramente se destacaram e até foram titulares num ou noutro mau momento da temporada, por exemplo, na derrota do Sporting-Villarreal.

5. De todos os jovens emprestados ainda com contrato os únicos que deram o salto para outro patamar de rendimento foram Mama Baldé e talvez M. Pereira. Os outros evoluiram mais ou menos mas sem destaque (D. Bragança não se impôs no Farense e perdeu a titularidade), ou mesmo fracassaram, alguns tiveram lesões que comprometeram parte da época. F. Geraldes fracassou na Alemanha, Ryan Gauld na Escócia, Iuri na Polónia, Mané na Alemanha também.

6. Ao longo da época Keizer tem chamado jovens da academia aos treinos, e com certeza já percebeu com quem pode contar na próxima época daquela área.

7. A selecção sub-21, quer gostemos ou não, e teorias da conspiração à parte, é reflexo da pouca qualidade e da falta de competição exigente da nossa formação naquele escalão etário. 

Concluindo, Miguel Luís e Jovane à parte, e temos que ver o que passou com aqueles dois (treinos? contratos?), o problema não está em Keizer: está na formação.

 

E agora, o que fazer?

1. Procurar ter uma quota mínima de jovens da academia na primeira equipa. Isso passa por não ir contratar jogadores para determinadas posições quando temos em casa iguais ou melhores. 

2. Recuperar a equipa B ou encontrar forma de pôr a rodar na segunda Liga (a jogar e não a aquecer o banco) os melhores sub-23,  fazendo nesta equipa uma gestão mais de espaço de treino que outra coisa, como fazem os outros. Ou então seguir o exemplo do Porto.

3. Depois, apostar nos jovens que formámos e os jovens que formámos apostarem no Sporting. WinWin.

 

P.S.: Lembram-se da equipa B do Sporting com Godinho Lopes, onde Jesualdo Ferreira foi buscar jogadores para salvar a época e que Bruno de Carvalho herdou? 

Era assim: Vitor Golas; Santiago Arias, Pedro Mendes, Tobias Figueiredo, Tiago Ilori, Eric Dier; Zezinho, João Mário, Esgaio, Bruma (Iuri Medeiros); Betinho (Diego Rubio)

O Arias está no Atl. Madrid, o P. Mendes no Montpellier, o Dier no Tottenham, o Bruma no Leipzig Red Bull (?), o João Mário no Inter ...

E que herdou Varandas?

SL

Keizer e a formação. Contributos para o debate.

Vi ontem a segunda parte do jogo dos sub-não-sei-quê portugueses com a Argentina. Futebol individualista, de proto-vedetas (endeusadas pelos jornais, cobiçados pelo Guardiola, cavaleiros dos sete reinos), que se atiram sistematicamente para o chão procurando que os argentinos fossem expulsos ou amarelados, sem rigor tático nenhum, só com olhos na baliza alheia, como se fosse futebol de amigos ao domingo de manhã.  
Jogadores lusitanos tão novos, com tanto teatro, pressionando e enganado o árbitro com esquemas, fintinhas, egoísmo, sem levantar os olhos da bola, futebol de inconsequência e falta de canetas e esclarecimento na hora H.
No meio-campo, quem lá estivesse que se aguentasse à bomboca com os argentinos.
No banco, uma equipa técnica serena e impávida.

Armas e viscondes assinalados: Aquele tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada

Sporting 2 - FC Porto 2 (5-4 no desempate por grandes penalidades)

Taça de Portugal - Final

25 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Houve quem tivesse muitas dúvidas quanto ao valor do guarda-redes, incluindo este que vos escreve, mas o segundo troféu conquistado por sua intervenção directa começam a fazê-las dissipar. Mostrou-se decisivo logo no início, defendendo um forte remate de Soares que resultou de um alívio disfarçado de assistência para golo de Bruno Gaspar. Embalou para uma grande exibição, mesmo sem conseguir evitar os dois golos do FC Porto, destacando-se numa segunda parte de intenso domínio portista. Muitas e boas defesas contribuíram  para a vantagem leonina – uma das quais a resolver o enorme disparate que o próprio guarda-redes fez ao deixar a bola nos pés de Herrera –, desfeita no último lance do prolongamento, e quando chegou o desempate por grandes penalidades voltou a dar espectáculo, travando o remate de Fernando Alexandre para que o compatriota Luiz Phellype pudesse selar a conquista da Taça de Portugal. Sendo o sétimo desempate por grandes penalidades consecutivo a pender para o lado do Sporting, tendo os últimos a mão enluvada de Renan, só se pode falar de lotaria dos pénaltis se for o tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Começou em ritmo de catástrofe, entregando a bola a Octávio em posição frontal. Atirado para o relvado do Jamor devido ao castigo de Ristovski, também ele foi amarelado muito cedo, algo que só contribuiu para hesitações no momento de abordar os adversários. Para a história desta final poderia ter ficado outra jogada em que se alheou olimpicamente de uma bola que sobrou na grande área do Sporting para o pé, felizmente desastrado, de Soares. Prova viva de que a sorte protege os limitados, nada de verdadeiramente irreversível fez antes de sair, aos 65 minutos, para a entrada de Tiago Ilori e a gradual transformação da equipa num 3-5-2.

 

Coates (3,5)

Poderia ter feito bem melhor no lance do primeiro golo do FC Porto, perdendo preciosas fracções de segundo a reclamar do controlo de bola com o braço de Herrera antes de o mexicano cruzar para a cabeça de Soares. No resto do jogo esteve ao seu elevado nível, mesmo quando arriscou a expulsão ao fazer um corte com a mão, cumprindo o seu dever sem excessiva angústia quando chegou a hora do desempate.

 

Mathieu (4,5)

O exercício do direito de opção por mais um ano de contrato é muito bonito, mas talvez seja altura de pensar numa estátua equestre do veterano francês. Marega ultrapassou-o em drible e velocidade uma única vez, pagando esse atrevimento com uma sucessão de cortes e desarmes que deverá ter feito com que o maliano tenha passado a noite acossado pelo francês nos seus pesadelos. Pior maldade só quando Mathieu ainda sacou um amarelo a Soares ao preparar-se para conduzir a bola na direcção-geral ao meio-campo contrário.

 

Acuña (3,5)

Teve menor influência no relvado do que é seu bom e costumeiro hábito, o que não invalidou que aparecesse na hora certa, fazendo assistências para os golos de Bruno Fernandes (com ajuda de Danilo Pereira) e de Bas Dost (com ajuda de Felipe). Digamos que para uma exibição tão pouco “à Acuña” acabou por ser mesmo muito frutífera. Com ou sem a saída do capitão torna-se imperioso manter o internacional argentino vestido de verde e branco.

 

Gudelj (3,0)

Num jogo muito difícil, perante um adversário que ao longo de quase toda a segunda parte encostou o Sporting às cordas, fez o possível para que, no mínimo, fosse possível chegar àquela fase da lotaria em que a cautela está sempre premiada. Lutou muito, mesmo que abusando do futebol para a frente, até atingir o limite físico que forçou a substituição. Num lance que poderia ter cancelado os festejos deixou-se antecipar por Herrera, mas o maior quota parte de responsabilidade seria do passe negligente de Renan, única mácula de uma exibição mesmo muito boa do guarda-redes.

 

Wendel (3,0)

Detido durante a semana por conduzir sem carta e em contramão, manobrou o melhor que conseguiu num meio-campo cheio de gente vestida de azul e branco que não estava nada interessada em sair dali com as mãos a abanar. Esta final não foi o seu momento de glória, mas poderia muito bem tê-lo sido, bastando para isso que o seu forte remate cruzado à entrada da área do FC Porto, raro momento ofensivo numa segunda parte de caça ao leão, preferisse rasar o poste do lado de dentro da baliza.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Na hora dos festejos foi um verdadeiro capitão, não se esquecendo de Nani, Montero, Marcelo, Viviano, Lumor, José Peseiro e Tiago Fernandes (Castaignos, lá onde estiver, compreenderá a omissão, tal como qualquer outro de quem o autor deste texto se esteja a esquecer...) ao mesmo tempo que pedia desculpa aos adeptos por não ter conseguido juntar o título de campeão às duas taças conquistadas. Antes, dentro do relvado, deu início às hostilidades com um remate de fora da área, aproveitando uma nesga de terreno e instantes de afrouxamento na vigilância que lhe foi sempre dispensada, com o qual testou a resistência das luvas de Vaná. Pior saiu a interacção entre chuteira e bola ao enfrentar um (bastante bom, fica bem reconhecer) cruzamento rasteiro de Diaby, mas no final da primeira parte compensou a falha com um remate forte e espadaúdo que tocou em Danilo e foi parar ao fundo das redes. Feito o 1-1, seguiu-se o dilúvio. Muito castigado pelos adversários, que contaram com um “laissez faire, laissez passer” em que o árbitro Jorge Sousa foi bastante coerente consigo, não conseguiu que lhe saíssem bem as raras tentativas de passes de 30 ou 40 metros para pôr os colegas na cara do golo. Terminou o prolongamento com as pilhas esgotadas, ao ponto de agarrar Wilson Manafá e receber o cartão amarelo, mas nos pénaltis voltou a demonstrar eficiência germânica, o que leva a temer que as mesmas pessoas que acharam boa ideia verter dezenas de milhões de euros por Renato Sanches voltem a atacar, como se não bastassem os dois clubes de Manchester e outros que tais... Daqui até ao fecho do mercado, ou até à mais do que provável comunicação de facto relevante à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o sonho lindo e impossível de todos os sportinguistas é ver o capitão manter a braçadeira e conduzir a equipa ao fim do jejum.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter sido um dos maiores heróis da final se o remate em posição frontal, mesmo à entrada da grande área, ao qual Vaná não tinha capacidade de reagir, tivesse saído enquadrado. Não quis o destino que assim fosse, o que terá lançado nuvens carregadas sobre a exibição do extremo brasileiro, como se constata pela fraquíssima taxa de sucesso nos duelos individuais quando havia possibilidade de apanhar o FC Porto em contrapé. A nota positiva deve-se, por incrível que pareça, a acções defensivas, sobretudo o corte arriscadíssimo que fez com mestria no instante antes de o completamente isolado Brahimi poder fuzilar a baliza de Renan.

 

Diaby (2,5)

Pouco há a acrescentar acerca do fosso entre as capacidades do maliano e as exigências de um plantel que permita ao Sporting suplantar os rivais mais directos na Liga. Mesmo assim é de inteira justiça reconhecer que, logo na primeira parte, Diaby fez dois cruzamentos de elevada qualidade – Pepe esticou-se todo para impedir que a bola sobrasse para Luiz Phellype no primeiro, e Bruno Fernandes meteu mal o pé no segundo –, fruto do inegável empenho com que tenta superar os seus vícios intrínsecos. Posto isso, como tantas vezes sucede, foi desaparecendo do relvado até Marcel Keizer decidir retirá-lo por entre uma profunda alteração táctica.

 

Luiz Phellype (3,0)

Mais um jogo de muita luta para o brasileiro que custou aos cofres leoninos 12 vezes menos do que o maliano. Colocado na zona de influências de fulanos como Pepe e Felipe, poucas oportunidades teve para ganhar bola de costas para a baliza e também lhe faltaram reflexos para aproveitar um falhanço do central que nasceu brasileiro e assim se mantém. Também poucos efeitos práticos teve a coabitação com Bas Dost, mas o certo é que lhe coube marcar, com toda a confiança, o pénalti que deu a Taça ao Sporting. Para quem começou a época no escalão inferior não se poderia pedir muito mais, levantando legítimas expectativas de que na época de 2019/2020 possa revelar-se o príncipe que foi prometido neste tipo muito particular de Guerra dos Tronos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Partilha com a ex-“Morangos com Açúcar” Mariana Monteiro uma característica pouco habitual: não está melhor aos 26 anos do que era aos 19. Colocado em campo para a necessária saída de Bruno Gaspar, revelou-se tão ou mais permeável aos ataques portistas do que o colega, sendo ultrapassado com extrema facilidade quando lateral-direito e quando terceiro central. Perceber se é possível recuperar 0 tempo perdido é um dos desafios da sua carreira e também do clube que o resgatou em troca de uma quantidade de dinheiro equivalente à que recebeu no desastrado e inexplicável processo que levou ao empréstimo com opção de compra do ex-futuro titular indiscutível Demiral.

 

Bas Dost (3,5)

Entrou, viu e esticou a perna no momento certo, tirando partido do desvio de Felipe ao cruzamento de Acuña. Foi o melhor regresso a uma final da Taça de Portugal para o holandês, tendo em conta que na anterior tinha uma ligadura na cabeça e planos para rescindir contrato. Voltou a demonstrar uma taxa de eficácia ao nível que lhe deu fama, ganhando ainda diversos duelos aéreos, apesar de ter ficado perto de borrar a pintura ao atirar à barra no início do desempate por grandes penalidades. O que vale é que Pepe foi um cavalheiro, repetindo o seu gesto técnico, e Renan resolveu.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Substituiu Gudelj e atribuiu mais fôlego e velocidade ao meio-campo. Dir-se-ia que, acima de tudo, ganhou experiência e traquejo para novas conquistas.

 

Jefferson (3,0)

Foi a estranha aposta de Marcel Keizer para a quarta substituição que o prolongamento permitiu, posicionando-se no meio-campo enquanto Acuña permanecia falso lateral-esquerdo. Aproveitou a força que tinha nas pernas para ganhar bola e até chegou a rematar para as mãos de Vaná. Caso tenha sido o último jogo com a camisola do Sporting – cenário provável, ainda que falte um ano de contrato –, teve uma despedida em beleza.

 

Marcel Keizer (4,0)

Aprendeu bastante com a derrota no Estádio do Dragão, embora tenha voltado a lutar com armas desiguais, ao ponto de poder vangloriar-se que venceu a Taça de Portugal com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Assoberbado pela vaga ofensiva do FC Porto na segunda parte, optou por uma transição suave para o sistema de três centrais, numa receita que foi resultando mesmo sem os melhores ingredientes, e a sorte parecia destinada a proteger o audaz até aquela última jogada do prolongamento em que o adversário fez ruir a muralha defensiva. Os pénaltis escreveram verde e branco por linhas tortas e obteve o segundo troféu na sua ainda curta estadia em Alvalade, começando desde já a tarefa hercúlea de preparar uma temporada na qual quase de certeza não poderá contar com o homem de todos os recordes.

Keizer ou não, eis a questão (parte 3 e última desta época)

Não vou repetir aqui o que fui dizendo desde que torci o nariz ao despedimento que considerava inoportuno de Peseiro e à entrada dum treinador holandês careca e sem curriculum relevante.

Porque fui dizendo do melhor e do pior, a tangerina mecânica foi-se tornando num limão azedo que a muito custo voltou a ganhar açúcar, resultados com qualidade de jogo. E uma equipa em campo em vez de onze jogadores com a lição mal estudada e em conflito com tudo e todos.

Importa dizer aqui o que penso hoje de Keizer, depois de conseguir o 3.º lugar na Liga e vitórias nas duas Taças, a de Portugal e a da Liga, as duas em finais contra o Porto.

Keizer é... holandês... difícil de entender para alguém deste canto da Europa.

Gosta de estabilidade, de coisas simples, de apostar em quem conhece. "Keep it simple, and stupid". E é um senhor, humilde, sensato e cordato. Por vezes até parece um funcionário público, faz o dele e vai descansar.

Mas também é estudioso, observador, aprende com os erros, e procura não repeti-los e fazer evoluir a equipa. 

Conseguiu hoje ganhar a Taça a uma equipa muito mais forte que a do Sporting. Quem tenha a mínima dúvida, basta formar a melhor equipa possível com os jogadores que entraram no Jamor e contar no final aqueles que são do Sporting. E ganhou porque montou um sistema que conseguiu extrair o melhor daquilo que existia do Sporting e atrapalhar ao máximo o jogo do adversário.

Keizer passou este primeiro ano com distinção. Obviamente há questões em aberto, como a rotatividade em termos de gestão do plantel, a aposta nos jovens da formação, a eficácia nas bolas paradas, tudo questões que ainda não convenceram muita gente. Mas desenganem-se. Não era com três ou quatro da formação no onze inicial, como Max, Francisco Geraldes, Miguel Luís ou Jovane, que teríamos ganho ao Porto. Se calhar Keizer fez a sua escolha. E correu bem.

Keizer obviamente foi uma aposta arriscada, certa e conseguida de Frederico Varandas. Que assim continue.

SL

Primeiras notas

Merecem respeito, pois não duvido por um instante que ambos dão o melhor que podem e que conseguem, mas acredito que me lembrarei desta Taça de Portugal como aquela que o Sporting conquistou com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Mérito a Marcel Keizer por ter desviado o maliano para a esquerda, impedindo que uma ala inteira ficasse entregue a dois profissionais tão dignos de respeito quanto de qualidade técnica manifestamente inferior ao que se deve exigir de um futebolista leonino.

Oh captain, my captain...

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Sinto enorme orgulho em ser do Sporting. Todos sabemos o sofrimento por que passámos há um ano, não adianta continuar a chover no molhado. Hoje ganhámos com sangue, suor e lágrimas, lutando até final, com uma raça digna de verdadeiros leões, perante um adversário de grande categoria, com um plantel bem superior ao nosso, dispondo de mais soluções.

Considero um privilégio ter visto Bruno Fernandes vestindo a verde e branca, envergando a braçadeira de capitão, erguer a taça, um dos melhores jogadores de sempre na história do clube, um atleta de classe mundial, que liderou a equipa em campo, ao longo da época inventou golos que decidiram jogos.

Na minha qualidade de sócio com 42 anos de filiação no clube, quero agradecer a Sousa Cintra e restantes membros da Comissão de Gestão, pela estabilidade que devolveram ao clube após o período de desvario directivo. Não concordo com todas as decisões que tomaram, mas certamente fizeram o possível atendendo às circunstâncias. Obrigado ao presidente Frederico Varandas e restantes membros dos actuais órgãos sociais. Não foi fácil aturarem a suspeição, o insulto, as sucessivas delirantes teorias conspirativas, levantadas quase diariamente por um grupo de órfãos ou viúvas, adepto do rufia que em boa hora destituímos. A cada vitória das nossas cores a azia dos tristes aumenta, cada golo que sofremos lá estão esses tristes apontando o dedo. Para esses um conselho, aproveitem a pré-época para decidirem se querem ou não continuar sportinguistas, ou arranjem uma vida. O vosso guru é que não volta mais, não o queremos no clube.

Obrigado Marcel Keizer e todo o plantel, a vitória é vossa, entraram na galeria dos vencedores na história do nosso clube. Muitos de vós foram assobiados por energúmenos que duvidaram do vosso profissionalismo. Contra ventos e marés, venceram. E vamos continuar a vencer, porque o Sporting Clube de Portugal voltou ao bom caminho.

Wendel, o mais valorizado

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Perguntei há dias aos nossos leitores quais foram os jogadores que terão sido mais valorizados desde a chegada de Marcel Keizer ao Sporting. Houve muitas e variadas respostas: registei todas com agrado.

Chegou o momento de revelar que jogadores foram esses. Fica a tabela com as pontuações obtidas, sabendo-se que os leitores podiam mencionar quantos entendessem. 

 

Wendel                  16 

Luiz Phellype        12

Bruno Fernandes  9

Renan                      7

Gudelj                      6

Raphinha                 5

Acuña                       4

Diaby                        4

Ristvoski                   3

Borja                         2

Idrissa                       2

Coates                      1

Mathieu                    1

 

Principal omissão, também com algum significado: Bas Dost. 

Outros jogadores que não mereceram referência alguma dos leitores: Salin, Bruno Gaspar, André Pinto, Jefferson, Petrovic, Miguel Luís, Francisco Geraldes e Jovane. Por terem sido pouco utilizados ou terem ficado aquém das expectativas.

Há ainda o caso específico de Battaglia, que se lesionou gravemente no início da época e não chegou a actuar às ordens do técnico holandês.

Keizer ou não, eis a questão (parte 2)

A final do Jamor vai decidir tudo, mas ontem Keizer demonstrou mais uma vez que merece continuar como treinador do Sporting e que nos pode conduzir aos sucessos.

Até ao disparate de B. Gaspar/Borja só deu Sporting. Depois disso ainda conseguimos o golo numa bela jogada ao primeiro toque mas os minutos foram passando demasiado devagar.

Mas não é só por isso.

É também porque Keizer é um senhor. Como também Lage tem demonstrado que o é.

Sérgio Conceição é um labrego de mau perder, que ontem tentou pôr fora do Jamor, à má fila, Acuña e Bruno Fernandes, e que pôs a mão na cara ao nosso Renan (se calhar lembrando-se da segunda parte do Estoril-Porto do ano passado, onde foi Renan contra 11).

Azar dele. Ficou o Corona de fora. Péssimo actor, de facto.

Que se repita a cena canalha de Braga na final da Taça da Liga, é o que eu lhe desejo.

SL

Na máxima força possível...

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Na antevisão da partida Marcel Keizer pareceu estar já a pensar no Jamor, admitindo que alguns jogadores precisariam descansar. No entanto recusou abrir o jogo, afirmando que amanhã saberíamos quem jogaria. A convocatória aponta para irmos na máxima força possível ao Dragão, ficando apenas de fora os castigados. Gostaria por exemplo que Mathieu, Bruno Fernandes ou Acuña fossem poupados, do outro lado alguma entrada maldosa pode condicionar os nossos jogadores nucleares e sabendo à partida quem é o padre que irá celebrar a missa, há que precaver possíveis incidentes disciplinares...

E o burro é o Keizer ?

Penso que quase todos estarão de acordo em que a formação é um pilar essencial do ADN do Sporting, e quando pensamos em Futre, Cristiano Ronaldo, Figo, Nani, Rui Patrício e tantos outros, pensamos em miúdos que chegaram muito novos e encontraram no Sporting as condições essenciais para se conseguirem desenvolver e catapultar para outros voos. (Salvé mestre Aurélio Pereira)

Infelizmente nem sempre quem foi formado em Alvalade ou em Alcochete demonstrou a gratidão que se poderia esperar, se calhar muito por culpa do contexto menos nobre do futebol profissional, dos engodos e armadilhas dos seus empresários e agentes, de desleixos internos, e quando se junta a esse contexto uma crise no clube, por culpa de quem já sabemos, tornou-se possível que com mais ou menos razão conforme os casos, existisse no final da época passada uma debandada de jogadores formados no clube, alguns deles capitães, Rui Patrício, William, Gelson, Podence e Rafael Leão, hoje em dia todos eles a demonstrar o seu valor nos respectivos clubes. Antes deles foram Adrien e João Mário nas condições que se conhecem.

Quando a essa debandada se junta o fim da equipa de "estágio" pré-primeira equipa, a equipa B, em detrimento duma equipa de sub-23 a competir contra equipas C (as sobras) dos principais clubes, Benfica, Braga e Guimarães, está montado um cenário complicado.

Então o que tivemos esta semana:

1. A equipa A a golear fora de casa o Belenenses por 8-1, a maior goleada há 34 anos, sem nenhum jogador da formação nos 14 utilizados, e reforçando o 3.º lugar depois do Benfica e Porto. 

2. A equipa sub-23 a ser eliminada por 4-2 pelo Rio Ave na Taça dos Sub-23, repetindo a classificação do campeonato, ou seja, na prática ficou em 3.º lugar na categoria, depois do Rio Ave e Desp. Aves (!!!). Com as grandes esperanças da formação, Miguel Luís e Thierry Correia, no onze titular. Com outros estrangeiros promissores, Paulinho, M. Nunes, Túlio e Plata no onze também. Sem Bragança e Baldé que foram para a 2.ª liga, sem grandes rasgos a registar.

Obviamente temos que registar um ou outro produto da formação a explodir em clubes de empréstimo. Por exemplo, Mama Baldé e... Mama Baldé... e já falei em Mama Baldé??? Outros ainda na fase de prometer qualquer coisa. Ou de darem algum numa possível venda.

No que a mim diz respeito, há muito que entendo que deveria haver uma quota mínima para a formação no plantel da equipa A do Sporting. Prefiro mil vezes ver um Jovane a titular do que um Diaby, um Thierry Correia a defesa direito do que um Ritskovski, e assim sucessivamente. E muito gostaria de ver F. Geraldes no onze titular do Sporting. Ou o Max. E desafio qualquer um deste blogue a demonstrar que acompanhou mais do que eu as equipas B do Sporting em Alcochete e fora dele.

Entendo também que apostar num jovem requer paciência e continuidade. Aquela que Jorge Jesus teve com Gelson Martins e poucos mais. 

Mas tendo em conta resultados e performances, não esquecendo o desempenho dum ou outro dos citados em diversos momentos desta temporada, importa perguntar:

E o burro é o Keizer?

SL

Armas e viscondes assinalados: Muriel abriu a porta para a tarde histórica de Bruno

Belenenses SAD 1 - Sporting 8

Liga NOS - 32.ª Jornada

5 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

As circunstâncias muito particulares de um jogo praticamente unidirecional levaram que, ultrapassado um ligeiro susto inicial, fosse chamado a fazer apenas duas defesas apertadas a remates rasteiros. Quis o azar que na segunda ocasião criada pela equipa forçada a chamar casa ao Jamor ninguém se lembrasse de chegar primeiro â bola do que Licá, que reduziu para 1-2 uma desvantagem a que ainda faltavam meia-dúzia de golos do Sporting.

 

Ristovski (3,0)

Seguro a conter os raros ataques do adversário, integrou-se bem melhor no ataque do que o colega na ala oposta. Embora nada perdesse em calibrar melhor os seus muitos cruzamentos.

 

Coates (3,0)

O sossego de ter passado quase todo o jogo com mais um em campo não o inspirou para as habituais cavalgadas pelo meio-campo contrário.

 

Mathieu (3,0)

Somou a dose habitual de bons cortes e saídas rápidas para o ataque, mas cabe-lhe parte da culpa do lance do único dos nove golos da tarde que não foi marcado por jogadores de leão ao peito.

 

Borja (2,0)

Além da participação directa no golo da Belenenses SAD, com uma perda de bola lamentável, voltou a demonstrar flagrantes limitações no domínio e condução de bola que fazem pensar que terá uma agência de comunicação melhor do que aquela que trata do esquecido Tiago Ilori.

 

Gudelj (3,5)

Pertenceu-lhe a primeira grande oportunidade do Sporting, com um remate de longe numa jogada de insistência nascida do primeiro e menos grave disparate cometido pelo guarda-redes Muriel. Calhou que um adversário estivesse atento à linha de golo, pelo que só na segunda parte pôde festejar, vendo a bola que chutou sem aviso prévio embater no rosto do ex-leão André Santos, enganar o guarda-redes também ex-leão Guilherme Oliveira, e alojar-se nas redes. Esse afortunado 1-3 foi a melhor resposta possível ao golo de Licá e ainda a melhor escrita direita por linhas tortas numa exibição segura, cheia de vitórias em duelos directos e que tem o inconveniente de poder levar a SAD a ponderar pagar o salário que o sérvio auferirá se continuar em Portugal após o final do empréstimo.

 

Wendel (2,0)

Um cartão amarelo exibido numa fase precoce do jogo pode ter condicionado em demasia o jovem brasileiro, capaz de pedir meças ao colombiano Borja pelo título de sportinguista mais infeliz na insuspeita tarde de glória em que a equipa igualou o recorde de maior diferença de golos num jogo para o campeonato disputado fora de casa. Sem saudades na lembrança disse adeus aos 67 minutos, cedendo o lugar a Idrissa Doumbia. Augura-se que tenha melhor desempenho aquando do regresso ao Jamor, mais para o final do mês.

 

Bruno Fernandes (5,0)

Começou por ter intervenção na jogada mais marcante do jogo, fazendo o passe genial a desmarcar Raphinha que levou Muriel a derrubar o extremo e a ver um cartão vermelho directo. Chegou a pensar-se que igualaria logo então o recorde de Alex, tornando-se o meio-campista a marcar mais golos numa só época em qualquer campeonato europeu, mas o livre directo saiu mal, tal como os restantes remates desferidos na primeira parte. Melhor esteve a assistir Luiz Phellype de calcanhar para o segundo golo leonino e temeu-se que a tarde não fosse de glória individual quando, já depois do intervalo, o avançado brasileiro retribuiu e o capitão do Sporting rematou na passada, vendo Guilherme Oliveira tirar-lhe um belíssimo golo. Não terá sido por acaso que pouco festejou o primeiro que marcou, na cobrança de um pénalti a punir falta sobre Luiz Phellype, mas já se permitiu ser efusivo quando o colega foi altruísta ao ponto de lhe passar a bola para fuzilar a baliza escancarada após conseguir desviar-se do atormentado guardião saído do banco. De igual forma, apadrinhou o regresso de Bas Dost com um passe de mestre para o primeiro remate que permitiu ao holandês fazer a recarga para golo. E ainda selou o “hat-trick” com um remate oportuno a corresponder a um daqueles centros que Acuña sabe fazer. Ao 50.° jogo da temporada estilhaçou um recorde europeu, fez pela primeira vez três golos de rajada e permitiu que o Sporting ainda sonhe com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões tanto quanto ele sonhará ser o melhor marcador da Liga NOS. Próxima paragem: o Sporting-Tondela que os adeptos encaram como tremendamente agridoce por ser a mais do que provável despedida antes da dupla jornada no Dragão e no Jamor que todos esperam ser de ainda maior glória.

 

Raphinha (3,5)

Começou endiabrado, aproveitando um erro de Muriel para rematar contra Luiz Phellype, caído no relvado após chocar com o irmão do guarda-redes mais caro do Mundo. Ao segundo erro do guarda-redes não havia nenhum colega entre a sua chuteira e a baliza, pelo que o extremo pôde inaugurar o marcador com a mesma destreza com que se isolou e foi atropelado por Muriel numa jogada seguinte. A primeira parte fulgurante ter-se-á reflectido na quebra de rendimento no segundo tempo, acabando por ser substituído pelo igualmente fenomenal (ainda que não no mesmo sentido) Diaby.

 

Acuña (3,5)

A presença de um lateral-esquerdo assaz menos dotado de engenho e arte do que ele tem um efeito estranho no argentino. Claramente menos acutilante do que é seu bom costume, ainda deu nas vistas na primeira parte ao combinar com Luiz Phellype na grande área adversária numa tentativa de arranjar espaço para o remate. Sempre integrado nas movimentações ofensivas, fez um cruzamento perfeito para o terceiro golo da conta de Bruno Fernandes.

 

Luiz Phellype (4,0)

O sétimo golo numa série de seis jogos consecutivos a marcar na Liga NOS foi um remate oportuno e possante, à imagem do seu autor, que começou o jogo a acorrer a um disparate do tão massacrado Muriel, tentou pentear a bola num cruzamento de Bruno Fernandes e acabou por ser atrapalhado por Coates quando estava em posição frontal, já depois do intervalo. Nem a presença no banco de alguém no escalão de IRS de Bas Dost o perturbou, sofrendo um pénalti devido a uma antecipação rápida antes de contornar Guilherme Oliveira em jeito e velocidade para servir Bruno Fernandes. Saiu com a missão cumprida e não será fácil retirar-lhe a titularidade.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Nem a boa exibição no jogo anterior convenceu Marcel Keizer de que é a melhor opção para a posição mais recuada do meio-campo, devolvida a Gudelj após cumprir um jogo de suspensão. Ainda assim tirou partido da má tarde de Wendel e cimentou o estatuto de solução, dando boa conta de si a destruir e construir jogo até ao momento em que pôde estrear-se a marcar pelo Sporting, encerrando o pesado marcador após mais uma boa jogada do ataque leonino.

 

Bas Dost (3,5)

Esteve sorridente no banco, esteve sorridente no aquecimento e esteve sorridente no relvado. Sobretudo porque mal tinha entrado para o lugar de Luiz Phellype e já estava a receber um passe de Bruno Fernandes (ou “aquele que aparece tantas ou mais vezes neste texto quanto Muriel”) que o deixou cara a cara com o guarda-redes, regressando aos golos na recarga. Bem mais dinâmico do que andava antes dos quase dois meses de ausência, também enviou uma bola ao poste e fez uma excelente simulação que abriu literalmente caminho ao golo de Idrissa Doumbia.

 

Diaby (2,5)

É tecnicamente correcto atribuir-lhe uma assistência, mau grado divida a maior parte da responsabilidade pelo oitavo e último golo do Sporting com um cavalheiro holandês cujo passe custou quase tantos milhões de euros quanto o seu. Dar-lhe melhor nota do que a Borja e Wendel só por causa disso é um erro de sistema assumido.

 

Marcel Keizer (4,0)

Claro que o início do jogo pareceu uma cornucópia de facilidades, por entre oportunidades de golo oferecidas e uma expulsão precoce. Mas não deixa de haver muito mérito na forma como a equipa soube encarar o jogo, mau grado tenha entrado em campo na plena consciência de que o título de campeão se tornara matematicamente impossível na véspera (lutar pelo segundo lugar no Dragão será possível caso o aflito Nacional do aprumado Costinha vença o FC Porto na próxima jornada). Houve bom futebol, intensidade quase generalizada e substituições acertadas, culminando num resultado mais apropriado ao tempo dos Cinco Violinos.

Confiança no Sporting

Desde que o líder espiritual de certa seita foi destituído, seus apóstolos quais arautos da desgraça não se cansaram de alertar a nação sportinguista para os enormes perigos que o clube corria. A cartilha foi sendo actualizada, primeiro não deveríamos ter feito regressar nenhum dos jogadores que rescindiram, apelidados de ratos e traidores pelos patetas que tentaram puxar o clube para a lama, uns tristes, incapazes de desfrutarem da presença de Bruno Fernandes, jogador de classe mundial, daqueles que raramente nos aparecem. Depois, começada a época, não iríamos além do 7º lugar, mais tarde afinaram o discurso que terminaríamos em 4º lugar atrás do Sporting de Braga. Falharam, iremos terminar o campeonato em 3º lugar, nas últimas 5 épocas conseguimos duas vezes o segundo lugar e três vezes o terceiro lugar.

Estamos na final da taça, o que também conseguimos duas vezes nas últimas 5 épocas, a última perdida com a equipa apresentando-se no Jamor psicologicamente destroçada pelas razões que conhecemos.

Incapazes de contestar os números, hoje o discurso é que Marcel Keizer não serve para treinar o Sporting, porque não aposta na formação. Dez vitórias seguidas para o campeonato, eliminação do rival na meia-final da taça de Portugal, para estes tristes não são suficientes para permitir ao holandês preparar e iniciar a próxima época. Pelo meio vão levantando sucessivas teorias mais ou menos conspirativas sobre venda de jogadores e diminuição da aposta nas modalidades, sempre na tentativa vã de desestabilizar o clube e minar a credibilidade dos actuais órgãos sociais. Desiludam-se, não irão conseguir lograr os seus intentos, porque a esmagadora maioria dos sócios não o permitirá. Querem mesmo ir a votos?

Hoje vitória histórica 1-8 diante do rival Belenenses, hat-trick de Bruno Fernandes, que acaba de se tornar o médio mais goleador na história do futebol mundial. Até Gudelj que tem sido com frequência o elo mais fraco, hoje conseguiu marcar e Bas Dost não poderia pedir mais, para um goleador que regressa após crise, nada melhor que marcar. Sem dúvida que o Sporting Clube de Portugal está no bom caminho.

Keizer ou não, eis a questão

Com Bruno de Carvalho tivemos de facto 3 bons treinadores portugueses à frente do Sporting, e a carreira de cada um deles está aí para o comprovar, ainda agora Marco Silva à frente duma equipa inglesa que luta pela Europa conseguiu uma vitória histórica contra o ManUnited.

Depois duma fase transitória assegurada por um mal-amado (Peseiro) e por um treinador novinho oriundo das camadas jovens, Varandas escolheu um treinador holandês sem grande curriculum e ou dotes de comunicação, e que, como Peseiro, não entusiasma.

Depois duma fase inicial prometedora, vieram más exibições e maus resultados, que foram sendo lentamente ultrapassados, enquanto se procedia à substituição duma parte substancial do plantel, incluindo um dos capitães, Nani.

Há muita coisa a dizer (e temos dito por aqui) sobre o futebol que temos visto praticar o Sporting com Keizer, sobre a sua forma de gerir o plantel e um ou outro jogador, mas, e olhando para os resultados, pegando numa equipa a meio da época, com um plantel com grande deficit de quantidade de qualidade, é completamente descabido dizer que é um péssimo treinador, o pior desde sempre, e que o Sporting estaria melhor com treinadores portugueses de 2ª linha e futebol de luta e marcação como Abel Ferreira ou Luís Castro.

Até agora os números de Keizer são os seguintes:

V - 23 (2 via desempate p/ penaltis)

E - 4  

D - 5

e com as outras 4 melhores equipas da Liga (Porto, Benfica, Braga e Guimarães):

V - 4

E - 1

D - 3

Lugar na Liga: 3º

Conquistas: Taça da Liga, finalista da Taça de Portugal

Fracassos: Eliminatória da Liga Europa

Ponto mais alto do treinador: 3-0 ao Braga

Ponto mais baixo do treinador: 2-4 com o Benfica

Vem aí o Guimarães, com o tal Luís Castro na corda bamba, vamos ver se esta sequência de vitórias tem continuidade e se quase asseguramos o 3º lugar da Liga ao tal Abel Ferreira.

SL

 

Futebol, presente e futuro próximo...

Não há muito tempo, fui crítico de Marcel Keizer, mas com esta série de vitórias, incluindo a passagem à final da taça de Portugal, o holandês merece o meu respeito e principalmente o direito de iniciar a próxima época, assumindo responsabilidade na planificação da pré-época e escolha do plantel, pormenores de grande importância. Não vale a pena estar sempre a recordar, pese embora nunca possamos esquecer, as atribulações com que iniciámos a presente temporada, que muito condicionaram a prestação da equipa quando o calendário apertou entre Outubro e Janeiro.

Qualquer plantel equilibrado precisa no mínimo dois jogadores para cada lugar, o Sporting até para colocar um onze equilibrado em campo apresenta lacunas, por exemplo, quando Mathieu esteve lesionado, o cenário piorou, sucederam-se os maus resultados.

Ao contrário de épocas anteriores, o mercado de Inverno foi bastante positivo, com as entradas de Borja, Doumbia, Ilori e Luiz Phellype, todos eles já utilizados em vários jogos, o que transmite confiança na competência da actual direcção do clube, mas a prova definitiva será o mercado de Verão, desde logo a forma como poderão lidar com potenciais ofertas por Bruno Fernandes, Bas Dost ou Marcos Acuña, a par da política de contratações. Frederico Varandas chamou a si a gestão do futebol, ficará obviamente associado ao resultado que vier a ser alcançado, não existindo para a próxima época qualquer desculpa quanto à não planificação da mesma.

Uma palavra sobre a formação, historicamente o Sporting é um clube formador, mas nos últimos anos a qualidade dos jogadores promovidos à equipa sénior está longe de épocas passadas, salvo algumas honrosas excepções, como Gelson Martins, o último grande talento da academia a alcançar rapidamente estatuto de titular indiscutível e internacional A. Outros tardam em conseguir impor a sua qualidade no Sporting ou mesmo nos clubes onde são colocados por empréstimo. Estranhamente alguns dos melhores como Tiago Djaló ou Demiral, foram desperdiçados, saindo por valor irrisório, situação que de futuro não pode voltar a ocorrer. Os atletas não são todos iguais, há quem faça a transição mais rapidamente que outros, sendo por isso fundamental uma política de acompanhamento aos nossos jovens, com especial cuidado na colocação por empréstimo e até mesmo quando os dispensamos, incluindo sempre que possível clausulas de recompra, algo que hoje em dia muitos clubes praticam, incluindo os nossos rivais.

O Sporting Clube de Portugal é um grande clube, com imensa massa adepta e milhares de sócios, não precisa inventar, mas praticar uma boa gestão, rigorosa, profissional, os resultados alcançados serão sempre um reflexo do trabalho e competência.

Tuga soccer...

É frequente ao analisarmos um lance mais duvidoso existam diferentes interpretações para o mesmo. Semanalmente “especialistas” analisam os lances mais polémicos com recurso a imagens e nem sempre existe consenso, sem que o facto provoque danos por aí além. Por norma, aferimos a uniformidade ou dualidade de critérios para considerar ou não uma arbitragem isenta, para aferirmos a competência de determinado árbitro, é preciso analisar o histórico das suas prestações, incluindo naturalmente a coerência.

Artur Soares Dias é considerado um dos dois melhores árbitros portugueses, insuficiente para garantir que a arbitragem portuguesa marque presença nos grandes palcos, porque em abono da verdade, o futebol português é uma trampa, cheio de manhas e trafulhice, sempre em prol dos mesmos. Alguém com um mínimo de lucidez, acredita que um dia em Portugal, poderia acontecer algo sequer parecido com o que sucedeu à Juventus? Costuma-se dizer que onde há fumo, há fogo, mas apesar da imensa fumarada, os poderes instalados teimam em assobiar para o lado e dizer que “no pasa nada”.

Voltando ao árbitro que “dirigiu” ontem o Desp. Aves-Sporting C.P., apesar da indignação, selectiva claro está, de Inácio, a verdade é que a expulsão de Renan Ribeiro é no mínimo discutível, porque o avançado do Aves não caminha em direcção à baliza, pese embora ninguém possa negar a perigosidade do lance. Ora, perante um lance muito parecido na época 2016/17, em Alvalade, jogo Sporting C.P.-S.L.Benfica, quando o guarda-redes Ederson cometeu grosseira falta sobre Bas Dost, o mesmo Artur Soares Dias assinalou falta, correspondente grande penalidade, mas não expulsou o guarda-redes porque Bas Dost não corria em direcção à baliza. Precisamente a mesma circunstância que se verificou ontem, o mesmo árbitro, diferente critério...

Sobre Inácio, tenho a dizer que se indignou com o lance de Doumbia, bem o percebo, gostaria de ter jogado contra 9, ou mesmo contra 8, já que também falou no segundo amarelo que ficou por mostrar a Acuña, sem referir como é óbvio, que o primeiro foi mostrado ao protestar uma falta inexistente, assinalada pelo talentoso árbitro. Prometeu que iria surpreender o Sporting e cumpriu, aquela forma de defender um livre directo não lembraria a ninguém, mas felizmente que lembrou a Inácio, porque permitiu a Mathieu recolocar o Sporting em vantagem, rectificando remate falhado de Wendel. Aliás, a azia de Inácio chegou ao ponto de dizer que o Sporting ganhou porque se uniu a jogar com apenas 10 jogadores, quando se apanhou a ganhar e que teria sido diferente se o jogo estivesse empatado. Inácio esqueceu que ficou em superioridade numérica com o jogo empatado e depois a perder, ainda conseguiu chegar ao empate. Só que pela frente apanhou um Sporting com garra, ontem finalmente, superiormente orientado por Marcel Keizer, que lhe deu um banho de táctica e motivação, para azia de muitos, incluindo sportinguistas, ou que se afirmam como tal...

Armas e viscondes assinalados: O nome dele é lenda

Sporting 1 - Benfica 0

Taça de Portugal - 2.ª Mão da Meia-Final

3 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Raras são as tardes e noites em que não recolhe uma bola do fundo da baliza. Mas assim sucedeu ao encontrar o poderoso ataque de um Benfica incapaz de fazer um remate em condições ao longo de todo o jogo. E ainda teve a bondade de afastar para canto, logo na primeira parte, o mais próximo de uma ocasião de perigo que a equipa visitante conseguiu arranjar.

 

Bruno Gaspar (3,0)

É provável que na hora dos festejos tenha conseguido que Rafa perdesse a cabeça ao ponto de ser expulso por dizer “para dar conta de vocês basto eu”. Elevado à categoria de “disco pedido”, por entre a sucessão de oligofrenias que resultou na expulsão e castigo a Ristovski, o lateral-direito de recurso até começou o jogo a assustar o facilmente assustável Svilar com um remate de longe que saiu ao lado. Com o passar dos minutos perdeu fulgor, enfrentou adversários mais versados na arte de chutar bolas do que ele, mas cumpriu até ao momento em que Marcel Keizer abdicou do seu contributo para apostar ainda mais no único resultado que interessava.

 

Coates (3,0)

Cumpriu sem deslumbrar, mas também sem dar os sinais de erro sistémico observados no jogo anterior. E convém admitir que os artistas vestidos de encarnado ajudaram ao final feliz.

 

Mathieu (3,5)

Limpou o que tinha a limpar, subiu no terreno quando foi preciso, e terminou um jogo com a satisfação que os adeptos teriam caso resolvesse anunciar que adia a reforma por mais uma temporada.

 

Borja (3,0)

Ficou muito bem na capa dos jornais desportivos agarrado às costas de Bruno Fernandes. Também nada fez de mal enquanto esteve em campo.

 

Gudelj (3,5)

Não só começa a orientar os remates para a baliza adversária, dando por terminada a guerra contra os apanha-bolas, como controlou de forma bastante eficaz as veleidades contrárias. 

 

Wendel (3,0)

Mais uma exibição plena de esforço, dedicação e devoção, desta vez coroada com glória, que pôde ser testemunhado “in loco” por Jorge Jesus, o treinador que o viu chegar a Alvalade, em troca de um punhado de milhões de euros, e preferia pôr Misic a jogar.

 

Raphinha (3,0)

A recuperação de bola no lance do golo do Sporting foi uma demonstração de capacidade de luta de quem se arrisca a assumir a responsabilidade de fazer o Sporting grande outra vez na próxima temporada. Mas para que tal suceda é bom que vá melhorando a pontaria nos remates.

 

Acuña (3,5)

Ainda não é muito clara a sua motivação no final do jogo, quando teve de ser agarrado pelos colegas para não cometer algo de que decerto nem se arrependeria. Sendo debatível que tenha os maiores tomates do Mundo, como divulgou a sua legítima esposa, ninguém duvida que se trata do jogador mais combativo do plantel leonino. E um dos dois ou três mais capazes de ficarem a dormir com a bola quando vão jantar a casa dos seus pais.

 

Bruno Fernandes (4,0)

O nome dele é lenda, preparando-se para bater recordes que tornam menos agridoce a perspectiva de que só vá fazer, na ausência de lesões ou castigos, mais oito jogos com o leão ao peito. Depois de ter deixado o Sporting com a porta do Jamor entreaberta, mercê de um livre directo memorável na primeira mão, carimbou o acesso à final da Taça de Portugal com um remate forte e colocado que nem um guarda-redes de elevada qualidade defenderia. Antes disso já fustigara a barra da mesma baliza com um livre directo a punir uma falta em que Pizzi o rasteirou por trás e sem amarelo quando se preparava para rematar. 

 

Luiz Phellype (3,0)

Desta vez não marcou, ainda que o tivesse tentado com intenção e técnica. Mas esteve particularmente bem de costas para a baliza, complicando a vida aos centrais encarnados.

 

Tiago Ilori (3,0)

Não ganhava ao Benfica desde a adolescência. Espera-se que retome esse bom hábito.

 

Diaby (3,0)

É tecnicamente correcto dizer que fez a assistência para o golo de Bruno Fernandes, e esse passe rápido e eficiente para quem sabe fazer melhor do que ele compensa todas as diabyices cometidas no relvado.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para segurar o resultado e descansar Wendel sem que fosse preciso utilizar algum produto da Academia de Alcochete.

 

Marcel Keizer (3,5)

Escolheu a noite certa para acertar nas substituições, nas adaptações tácticas no decorrer do jogo e sabe-se lá no que mais. Só Bruno “Lenda” Fernandes tem mais responsabilidade do que ele na hora e meia feliz que permite ao Sporting pós-invasão a Alcochete ter a possibilidade de fazer melhor nesta temporada do que naquela em que Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins ainda estavam no plantel, Battaglia não era um lesionado de longa duração e Bas Dost mantinha o estatuto de máquina de fazer golos.

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