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És a nossa Fé!

Primeiras impressões

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Quatro jogos disputados em 15 dias para três competições. Saldo: quatro vitórias. Com 17 golos marcados. Por Bas Dost (6), Bruno Fernandes (4), Diaby (4), Nani (2) e Jovane.

As primeiras impressões contam muito. As que Marcel Keizer já deixou em Alvalade não podiam ser melhores. Para enorme satisfação do 12.º jogador - ou seja, de todos nós.

Calhaus no caminho

No último post comparei este campeonato a uma maratona com um grupo de quatro bem adiantados relativamente aos demais e à espera dum deslize dalgum deles para reduzir o grupo e restringir os possíveis à vitória final. E que muito precisávamos do espírito de Carlos Lopes (um prazer revê-lo hoje em Alvalade) para triunfar ou ficarmos muito bem na "foto-finish", porque iríamos ter muitos calhaus no caminho.

Pois hoje saiu-nos um grande calhau, sob a forma duma equipa ao jeito "rotweiller" do José Mota, que já nos tinha destroçado no Jamor e que na 1ª parte fez supor o pior. Se calhar o jogo começou a mudar naquela cena canalha do Acuna que pôs o açaime a dois dos "rotweillers", mas que o pôs a jeito para a expulsão, essa pelos melhores motivos.

Valeu a classe extra daqueles poucos do plantel que a tem, os tais odiados "retornados" e "traidores" dos brunistas, Bruno Fernandes e Bas Dost, e as contratações do "homem dos tremoços" Sousa Cintra, Nani e Diaby, cada um com dois golos fenomenais. E com isso um resultado enganador para quem se quiser enganar.

Veio a conferência de imprensa e em vez de ouvir banha da cobra e delírios onanistas, oiço o careca de orelhas espetadas, Keizer,  com um discurso simples e directo, da arbitragem não quer saber, quer saber é das deficiências da sua equipa, do mal que jogou na primeira parte, do muito que tem de trabalhar para melhorar, de títulos e conquistas também não, mais à frente se há-de ver e se chegar à frente há-de ser campeão. 

"My Man !  I have a feeling..."  

Mas deixemos os sonhos, desçamos à terra, temos meia duzia de jogadores de classe extra, muito entulho no plantel,  muito trabalho a ter em Janeiro para tornar este Sporting num candidato aos lugares de topo.

Vamos a ver...

SL

Armas e viscondes assinalados: Seguro dos três pontos saiu do banco

Rio Ave 1 - Sporting 3

Liga NOS - 11.ª Jornada

3 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Duas defesas apertadas consecutivas (uma delas com a cara) que impediram o empate a 2-2 e uma estirada felina que roubou o 2-3 a Fábio Coentrão limparam uma noite de calafrios auto-infligidos. Mal o jogo tinha começado e já o guarda-redes emprestado pelo Estoril-Praia demorou tempo infinito a despachar uma bola, ficando perto de oferecer o golo ao Rio Ave. Embora pouco pudesse fazer no golo do empate, tão boa foi a execução do livre directo, não recolheu aos balneários sem antes sair dos postes de forma atabalhoada e hesitante, coroada com um alívio disparado contra o corpo de Acuña que só por sorte não foi aproveitado pelos adversários. Na segunda parte melhorou bastante, ao ponto de não fazer nada mais grave do que ceder um canto quando a bola se dirigia tranquilamente para a linha de fundo.

 

Bruno Gaspar (2,5)

O lateral-direito oriundo da Florentina difere de Winston Churchill no que toca a promessas de sangue e de lágrimas, embora os adeptos possam chorar ao recordarem-se de César Prates, de Abel, de Cédric Soares e mesmo de Schelotto e de Piccini. Uns poucos cruzamentos bem medidos, tristemente desaproveitados, são tudo o que de bom tem para mostrar em mais um jogo de muito suor, pois enfrentou adversários de grande talento a atacar e a defender, e em que deu o que tem. A mais não é obrigado, infelizmente.

 

Coates (3,5)

A forma acelerada como marcou o livre que permitiu inaugurar o marcador foi a expressão ofensiva das muitas antecipações que evitaram males maiores às balizas do Sporting. Juntou mais dois grandes cortes à colecção permanente do seu museu, esteve mais uma vez perto de marcar com a mesma cabeça com que serviu Diaby para uma ocasião que só não deu golo devido a uma grande defesa do guarda-redes adversário. E não se intimidou por ter sido um dos muitos sportinguistas contemplados com um amarelo por travar o irrequieto extremo Galeno.

 

Mathieu (3,5)

Mostrou o que é ter experiência e velocidade ao fazer um corte de carrinho na grande área tão arriscado que deveria ser antecedido por um aviso aos cardíacos. Também esteve perto de marcar de cabeça, mas teve mais pontaria com as mãos que deram o chega-para-lá ao adversário que cacarejava junto a Jefferson depois de o brasileiro ter sofrido uma entrada punida com um vermelho desbotado ao ponto de ficar amarelo.

 

Acuña (3,0)

Amarelado desde o primeiro quarto de hora de jogo, por culpa de José Peseiro e do amigo de Sousa Cintra que sabe tudo acerca de futebol, presumíveis culpados por Fábio Coentrão não poder terminar a carreira no clube do seu coração, o argentino teve um jogo atípico. Claro que somou mais uma assistência com um cruzamento perfeito para Bas Dost fazer o 1-2, mas nem sempre conseguiu expor o seu futebol e teve como segundo maior mérito o relativo controlo emocional que o impediu de juntar-se ao clube de amarelados por influência directa de Galeno. Após ficar a um xistrésimo de segundo de ser expulso por acumulação de amarelos foi substituído pelo cauteloso Marcel Keizer.

 

Gudelj (2,5)

Muitas vezes assoberbado pela avalancha ofensiva da equipa da casa, o sérvio ficou uns bons furos abaixo das exibições anteriores na contenção de danos e na construção de jogo. Já nos abundantes remates demonstrou coerência, mantendo o hábito de apontar para a baliza imaginária que só ele vê a pairar cinco metros acima do relvado.

 

Wendel (3,5)

Voltou a ser a formiga incansável do meio-campo leonino, batalhando em cada lance para ganhar posse de bola ou tecer a sucessão de passes rápidos em que assenta o regime keizeriano. Viu tanto esforço recompensado com uns minutos de descanso após a vitória ficar praticamente garantida.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Começou por marcar o primeiro golo do jogo, com um remate em diagonal perfeita após excelente desmarcação dentro da grande área. Só não bisou com um dos remates que são a sua marca registada, disparados de longe com muita força, direcção e efeito, porque Léo Jardim resolveu ser um desmancha-prazeres e desviou para canto. Quase sempre mais recuado do que Wendel, assumiu o transporte criterioso da bola e tentou ajudar Gudelj a ajudar-se, assim permanecendo até ao fim de um jogo facilitado pelo instante em que poderia rematar em posição frontal mas viu o recém-entrado Jovane Cabral à sua direita e permitiu que outros fizessem arte.

 

Nani (3,5)

Assistiu Bruno Fernandes no lance do 0-1 com a mesma mestria serena que lhe permitiu armar jogo, vigiar os adversários e até queimar tempo nos minutos que antecederam o apito final. Assenta-lhe mesmo bem aquela braçadeira.

 

Diaby (2,5)

Raphinha já treina e será uma questão de tempo até recuperar aquilo que é legitimamente seu. Enquanto esse dia não chega, cabe ao maliano ocupar-se de demonstrar que não cumpre os mínimos para seguir as pisadas de Figo, Quaresma e Cristiano Ronaldo. Melhor enquanto segundo avançado, ficou perto de marcar pelo terceiro jogo consecutivo, o que poderia ser encarado como um sinal de iminência do apocalipse.

 

Bas Dost (3,0)

Lutou com ninguém, demonstrou que deve ser o melhor colega que qualquer um pode desejar, mas a triste realidade é que não foi, nem por sombras, tão eficaz e letal quanto é seu bom hábito. Acumulou oportunidades desperdiçadas nos seus primeiros remates até que viu Acuña a preparar a mira, antecipou-se ao central e fez um magnífico cabeceamento que elevou para a meia-dúzia a sua contabilidade de golos na Liga NOS. Mais discreto na segunda parte, como quase toda a equipa, ‘limitou-se’ a ganhar duelos aéreos e a trocar cada vez melhor a bola com os colegas.

 

Jefferson (2,5)

Entrou para poupar o Sporting a jogar com menos um, numa noite em que Acuña não esteve tão inspirado e a comparação directa foi menos cruel. Resolveu alguns problemas na defesa, fez um cruzamento que Léo Jardim encaixou antes de Bas Dost lá chegar e sofreu o tipo de entrada que poderia tê-lo desconjuntado e daria à equipa médica leonina a hipótese de fazer aquilo que uma empresa sinistra fez ao polícia Murphy no clássico de ficção científica ‘Robocop’.

 

Jovane Cabral (3,5)

Recebeu com o pé a bola como se esta fosse colorida nas mãos de uma criança e fez o arco em ogiva que sossegou o espírito dos sportinguistas que tremiam com a desvantajosa vantagem do 1-2 que parecia eterno enquanto durasse. O golo que marcou fica como o melhor momento de um jogo movimentado e torna menos ridícula a ladainha do “para quem gosta verdadeiramente de futebol” que se ouvia na televisão. Ao seguro dos três pontos que saiu do banco só faltou bisar num contra-ataque em que permitiu o desvio para canto quando poderia flectir para o centro da grande área.

 

Bruno César (2,0)

Escassos minutos em campo serviram para fazer prova de vida, com bom toque de bola misturado com perdas de bola evitáveis. 

 

Marcel Keizer (3,5)

Teve uma boa estreia na Liga NOS e viu os seus jogadores interpretarem bem uma filosofia de aceleração do processo ofensivo e outras expressões utilizadas por quem gosta verdadeiramente de ganhar o sustento a falar de futebol. Compensou a entrada mais fraca na segunda parte com as substituições, tirando Acuña por cautela, Diaby por oportunidade e Wendel por cansaço, permitindo que Jefferson, Jovane Cabral e Bruno César assegurassem a conquista dos três pontos que mantêm o Sporting a dois pontos da liderança e com dois jogos teoricamente fáceis em Alvalade antes da deslocação a Guimarães.

Armas e viscondes assinalados: O azar dos azeris veio à meia-dúzia de Alvalade

Qarabag 1 - Sporting 6

Liga Europa - 5.ª Jornada

29 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Nem no Azerbaijão se livrou de sofrer um golo sem ter grande culpa disso. Depois de ter as redes arrombadas, com o Qarabag a repor a igualdade que pouco tempo durou, pôs trancas à porta da grande área, de onde saiu em duas ocasiões, e com grande estilo, para travar ataques da equipa da casa. Mesmo assim, e apesar de ser um espectador pouco participante na maior parte do jogo, quase sofreu um segundo golo que só não existiu devido à rapidez de raciocínio e de execução demonstrada por Bruno Fernandes. É possível que o brasileiro emprestado pelo Estoril-Praia seja um guarda-redes à altura do Sporting, mas raramente tem oportunidades para o provar.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Começou em grande, fazendo o cruzamento que Bas Dost transformou no lance do pénalti que abriu o marcador, mas ficou marcado pelo lance do golo do Qarabag, no qual nada pôde fazer contra dois adversários que apareceram sozinhos na grande área. Primou pela mediania esforçada e pela ausência de novos cruzamentos, voltando a mostrar que o Sporting tem um problema na direita tanto grande quanto as sondagens do PSD.

 

Coates (3,5)

Habituado a ser o patrão da defesa leonina, patrão continuou a milhares de quilómetros de Lisboa. Começou por resolver todos os problemas aéreos e terrestres na sua área de intervenção, mas com o passar do tempo integrou-se cada vez mais no ataque. Só lhe faltou o golo que deveras mereceria.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a interpretar na perfeição o papel de suplente de Mathieu. O central português é o mais próximo de um bom ‘understudy’ da Broadway que se pode encontrar nos relvados, pois raramente ou nunca desilude quem nunca pagaria bilhete para o ver jogar. Assim voltou a fazer e os azeris foram postos em respeito.

 

Jefferson (2,0)

Todas as boas indicações deixadas no jogo anterior, aquele em que fez duas assistências para golos de Bas Dost, não chegaram a embarcar no avião que transportou a comitiva leonina. Inofensivo no ataque, e incapaz de fazer um cruzamento que fosse, o brasileiro só não foi pior porque não comprometeu por aí além nas missões defensivas. Felizmente haverá Acuña ao luar de Vila do Conde na segunda-feira.

 

Gudelj (3,5)

Começou o jogo algo manietado pelos jogadores do Qarabag, incapaz de participar na construção do ataque. Mas depressa se impôs na floresta do meio-campo e foi um dos intérpretes da nova filosofia de jogo que Marcel Keizer veio trazer ao Sporting. Outro ponto positivo: num festival de cartões amarelos, em que os azeris foram admoestados a torto e a direito, escapou incólume.

 

Wendel (4,0)

Outro que demorou alguns minutos a encontrar o seu lugar no relvado, até porque jogar ao primeiro toque é mais complicado do que o futebol mastigado e contemplativo dos tempos do outro senhor. Quando encontrou o lugar trouxe ilimitado azar aos azeris, acumulando assistências para golo e contribuindo de todas as formas para um resultado que poderia ser ainda mais impressionante se não tivesse cabeceado de olhos fechados, mesmo em frente da baliza, de uma forma equivalente à do célebre e infausto falhanço de Bryan Ruiz.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tranquilizou as hostes com o remate de meia-distância que resultou no 1-2, contando com força, colocação, ressalto na relva e alguma ajuda do guarda-redes. Déspota iluminado do meio-campo ofensivo, combinou com os colegas de um modo que merece nota artística elevada, e bisou na segunda parte, numa desmarcação rápida e decidida ao passe de Wendel. É verdade que foi o único sportinguista amarelado, mas compensou-o ao chutar para longe a bola que ameaçava reduzir a desvantagem do Qarabag para 2-3.

 

Nani (4,0)

Venceu em drible e velocidade metade da equipa da casa para fazer um golo espantoso e claramente merecedor de ser comemorado com o salto mortal que deve provocar calafrios às seguradoras. Antes disso já se fazia notar pela forma como recuava no relvado para construir jogadas. Saiu alguns minutos antes para a ovação dos poucos adeptos leoninos sentados numas bancadas que também não tinham muito mais adeptos do Qarabag.

 

Diaby (3,5)

Encaminhava-se para mais um festival de inconseguimentos, embora tivesse participado na jogada que deu origem ao primeiro golo, oscilando entre perdas de bola e falhas de cobertura (a mais flagrante conduziu ao golo do empate), mas não só voltou a marcar um golo como, já depois de passar a referência atacante para o descanso de Bas Dost, ainda sucedeu que bisasse. 

 

Bas Dost (3,5)

Não muito distante do Azerbaijão, Jorge Jesus também decerto exclamou ter sido ele a ensinar o holandês a dominar a bola como dominou, forçando um adversário a derrubá-lo, e a marcar o penálti com uma perfeição maquinal. Não satisfeito com isso, o ponta de lança voltou a empenhar-se nas combinações com os colegas, compensando a falta de novas oportunidades de golo provocada pela ausência de cruzamentos dos desinspirados laterais. Teve direito a descanso antecipado, pois na segunda-feira há três pontos para amealhar frente ao Rio Ave.

 

Jovane Cabral (3,0)

Chegou, viu e assistiu para golo. Wendel desperdiçou um cruzamento perfeito, mas Diaby mostrou ser bem-agradecido e facturou. Pena que tenha entrado para o lugar de Bas Dost, pois o holandês teria finalmente quem lhe colocasse bolas na cabeça. Pena também que numa belíssima jogada individual não tenha rematado melhor.

 

Thierry Correia (2,0)

Teve direito à estreia na equipa principal e, sem nunca deslumbrar, esteve à altura da responsabilidade e não destoou do substituído Bruno Gaspar - o que também não é dizer assim tanto. Se o campeão europeu de sub-17 e sub-19 se consciencializar que é o elemento dos sub-23 para quem as circunstâncias do plantel do Sporting são mais favoráveis, tudo terá para ser um caso sério.

 

Carlos Mané (2,0)

Já passava dos 90 minutos quando fez uma arrancada pelo meio-campo adversário que fez recordar as esperanças que nele depositavam antes do advento de Jesus, do exílio alemão e das lesões recorrentes. Foi pena não ter um pouco mais de energia.

 

Marcel Keizer (4,5)

Disse que o Sporting não fez o jogo perfeito, ainda que a goleada à antiga, tão grande quanto as maiores da Europa, e a exibição muito bem conseguida tenham sido uma boa aproximação. Parece evidente que os jogadores estão a assimilar bem as suas ideias, algo que não deixa de ser verdadeiro só por soar ao pior tipo de futebolês. E se conseguir solucionar os problemas laterais do Sporting poderá ser um caso sério.

Tangerina Mecânica

Os mais antigos provavelmente se lembrarão da grande selecção holandesa que liderada por Rinus Michels e com Cruyff chegou à final do Mundial de 1974 e que contava com um tal Piet Keizer como defesa esquerdo, e da alcunha que receberam de Laranja Mecânica inspirada por um célebre filme de Kubrick que vi maravilhado no cinema Império quando ainda não tinha idade para ver tal coisa.

Bom, veio das Arábias um sobrinho (?) do tal defesa esquerdo, e se não temos nada parecido com o futebol total daquela selecção, temos pelo menos qualquer coisa que começa a dar resultados e que rompe completamente com o que tem sido o futebol do Sporting nos últimos anos. Vemos um futebol apoiado, estruturado num 4-3-3 dinâmico, em progressão em um dois toques, com a baliza nos olhos, a aproveitar todo o campo, perde a bola e recupera em 5 segundos ou faz falta, recua para atrair o adversário e progredir depressa, enfim um conjunto de bons princípios a que os jogadores aderiram, e, não falando nos consagrados, vemos coisas que nunca vimos antes, Wendel a desabrochar, Gudelj e Diaby a justificar porque vieram, Coates a fazer passes frontais como nunca o vi fazer, Renan a fazer de libero com critério, etc...

Obviamente estes dois jogos foram de preparação da equipa com este novo modelo para o resto da época, os adversários revelaram-se fáceis de lidar, o modelo tem fraquezas evidentes que os adversários podem explorar, a começar na transição defensiva quando a equipa perde a bola na zona central com muita gente subida no terreno, e tambem pelo esforço pedido aos  extremos para ajudarem os laterais no processo defensivo (já se tinha visto em Londres Diaby completamente alheado dessas tarefas, e hoje isso foi evidente no golo sofrido), mas francamente gostei e estou à espera de mais. 

E se não chegarmos a ser Laranja Mecânica, pelo menos que consigamos ser uma Tangerina, com um futebol atractivo conjugando mecanização com criatividade, que contribua para unir a desunida massa adepta e que nos conduza a patamares que não pensávamos possíveis.

SL

Um futebol museológico

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Escrevi - museológico - no sentido que é nos museus que arrumamos/guardamos as nossas memórias, no caso do Sporting, faz sentido falar de futebol, de museu e de música.

Museu e música têm o mesmo étimo, o museu é o templo das musas e a música é a arte que nasce da inspiração das musas, quando falamos de sinfonia nos relvados lembramo-nos de quem?

Dos Cinco Violinos, obviamente.

Ontem começamos a ver realizado este meu desejo: Que venha para ensinar e para vencer... o professor Marcel; embora seja cedo para conclusões definitivas, assistimos a algumas movimentações diferentes, para melhor.

Espero que, também, se tenha colocado um ponto final na "maldição do 37".

O primeiro capítulo dessa maldição aconteceu no dia 18 de Maio de 2005, primeiro golo marcado pelo 37, "remontada" do opositor e despedimento de Peseiro, o segundo capítulo foi mais recente, 31 de Outubro de 2018, primeiro golo marcado pelo 37, "remontada" do opositor e despedimento de Peseiro.

Depois de ter sido o melhor em campo no último jogo de Peseiro, Wendel voltou a ser um dos melhores, ontem... que seja para continuar. 

Quente & frio

Gostei muito da estreia do técnico holandês Marcel Keizer, conduzindo o Sporting à primeira goleada da época: 4-1, contra o Lusitano Vildemoinhos, para a Taça de Portugal, em jogo disputado no estádio do Fontelo, em Viseu. Uma vitória mais que merecida perante uma plateia constituída em grande parte por adeptos leoninos, entoando o cântico "Eu quero o Sporting campeão". Começar com o pé direito é imprescindível: Keizer passou no teste.

 

Gostei  daqueles nove alucinantes minutos em que marcámos três golos, desbloqueando um jogo que permaneceu empatado até aos 71'. Havia que acelerar em busca da vitória e conseguimos concretizar esse objectivo. Sobretudo graças ao suspeito do costume: Bas Dost. O holandês saiu do Fontelo com folha exemplar: mais dois golos somados ao seu pecúlio (leva já sete nesta temporada) e ainda uma assistência para o segundo, marcado por Bruno Fernandes. Diaby, que se encarregou de fechar a contagem, estreou-se enfim a marcar. O melhor em campo foi Dost, único membro deste plantel que estabelece uma diferença digna de registo: há um Sporting com ele e outro sem ele. Destaco ainda Jefferson, que se exibiu em muito bom nível, na luta pela titularidade como lateral esquerdo: três dos nossos quatro golos surgem do flanco dele, com assistências directas do brasileiro para o primeiro e o terceiro.

 

Gostei pouco das exibições de alguns dos nossos jogadores. Bruno Gaspar voltou a demonstrar défice de penetração ofensiva e não sai isento de responsabilidade no golo consentido. Gudelj parece-me deslocado como médio defensivo, faltando-lhe acutilância e velocidade na primeira fase de construção de lances ofensivos. Diaby, apesar do golo marcado, continua a revelar défice posicional como extremo, onde Raphinha ou Jovane se destacam mais que ele.

 

Não gostei da ausência, por castigo ou lesão, de jogadores que são nucleares no onze titular leonino. Desde logo Acuña, que tem sido um dos elementos mais influentes neste surpreendente Sporting 2018/2019, a que nenhum dos especialistas do comentário futebolístico vaticinava futuro brilhante e afinal se vai destacando em todas as frentes internas e na Liga Europa. Também Raphinha faz falta ao núcleo central de jogadores leoninos. Isto sem esquecer Battaglia, afectado por uma lesão muito prolongada que o deverá deixar de fora durante o resto da temporada.

 

Não gostei nada da primeira parte do Sporting neste embate com o Lusitano Vildemoinhos, clube da terra natal do campeoníssimo Carlos Lopes - um dos heróis de sempre em Alvalade. A turma viseense, que alinha na série B do Campeonato de Portugal e é constituída por amadores, deu boa réplica à nossa equipa, que nos 45 minutos iniciais demorou imenso tempo a construir lances ofensivos, fazendo circular a bola com exasperante lentidão. Ao intervalo, registava-se um empate: 1-1. Nada digno dos pergaminhos do Sporting, como o novo técnico holandês certamente não deixou de lembrar aos jogadores no balneário. De alguma coisa terá servido esta pausa: a história do jogo foi bem diferente no segundo tempo.

Armas e viscondes assinalados: Nove minutos para as ambições do Keizer

Lusitano de Vildemoinhos 1 - Sporting 4

Taça de Portugal - 4.ª Eliminatória

24 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

O Boavista e o Arsenal mantiveram-se isolados no que toca à capacidade de não marcarem golos ao guarda-redes brasileiro, último a ficar mal na fotografia (após Bruno Fernandes, Gudelj, Coates e Bruno Gaspar) na jogada em que o Lusitano de Vildemoinhos empatou. Antes disso fizera uma boa defesa e tornara-se observador pouco participante do desafio disputado no sempre deslumbrante estádio do Fontelo. Pior balanço da tarde só poderia ter ocorrido se a equipa dos arredores de Viseu tivesse feito o segundo golo, mesmo ao cair do pano (certamente molhado de levar com tanta chuva) num lance de insistência em que o remate saiu muito por alto e Renan aparentava estar batido.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito em jogo na primeira parte, ao ponto de ter sofrido um toque dentro da grande área adversária que poderia ter levado à marcação de um pénalti, ganhou várias vezes a linha e cruzou para zonas lamentavelmente desprovidas de camisolas verdes e brancas. Do ponto de vista defensivo sobressaiu uma dobra em que afastou a bola na hora H, mas no instante I observou o cabeceamento de Diogo Braz para a baliza do Sporting. Para piorar, muitas foram as ocasiões durante a segunda parte em que se tornou evidente que não fazia a menor ideia do que deveria fazer à bola.

 

Mathieu (3,0)

Começou com uma perda de bola que teria sido assaz comprometedora não fosse o caso de o próprio ter recuperado terreno e impedido o golo que inauguraria o marcador. Foi esse o mote de uma actuação segura, mesmo quando recorria à classe para solucionar os seus próprios erros, ainda que no lance do golo do Vildemoinhos seja o menos culpado.

 

Coates (3,0)

Três vezes reincidiu nas incursões pelo meio-campo contrário, sem quaisquer consequências práticas, o que talvez deva levar a repensar essa prática perante adversários mais complicados. Mas no resto, tirando o posicionamento no lance do empate, foi de uma competência tão absoluta que quase se pode esquecer por um instante que os adversários eram de um escalão muito inferior.

 

Jefferson (3,5)

Na ausência de Acuña coube-lhe ser o cruzador-mor do Sporting, e o balanço final de duas assistências para golo mostra que não desaproveitou a oportunidade. Na primeira parte fez um cruzamento rasteiro e muito rápido para o encosto de Bas Dost e na segunda parte fez um cruzamento aéreo e em que a bola demorou a fazer o arco para o pontapé de Bas Dost. Ambos deram resultado e fizeram com que o brasileiro não ficasse à espera de uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão ao novo treinador.

 

Gudelj (3,0)

Entre as suas culpas no cartório estão o cartão amarelo algo escusado que o condicionou desde cedo e a displicência com que permitiu o cruzamento para o golo dos adversários. Mas voltou a provar que é um poço de força que utiliza para varrer o meio-campo de ameaças à integridade territorial da sua equipa.

 

Wendel (3,0)

Foi o melhor do Sporting na primeira parte, e não apenas por ter dado início à jogada que inaugurou o marcador. Muita luta, qualidade de passe e capacidade de ler o jogo só não surtiram melhores efeitos porque não afinou a pontaria na hora de rematar. Na segunda parte começou a decair, com a falta de ritmo e o cansaço nas pernas a virem ao de cima, pelo que foi substituído por um compatriota que entrou no relvado já mais cansado do que ele.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Estava a ser mais uma tarde mal-aventurada para o melhor jogador da Liga em 2017/2018, capaz de rematar para as bancadas, em posição frontal, após uma defesa incompleta do guarda-redes, para de seguida perder a bola que permitiu o golo que anulou a vantagem obtida por Bas Dost. Mais recuado do que Wendel, e com instruções para iniciar a construção das jogadas, andava perdido no jogo. Tudo mudou na segunda parte, mais concretamente no momento de pura magia em que recebeu a bola de costas para a baliza, fez um passe de calcanhar para Bas Dost, recebeu a tabelinha do holandês e num toque seco de primeira dirigiu a bola para o fundo das redes, dando início aos nove minutos que levaram o Sporting do sufoco do 1-1 à tranquilidade do 1-4. Mais influente ao longo dos últimos 45 minutos, deixou a esperança de que os bons tempos estejam para voltar.

 

Diaby (3,0)

Começou por fazer várias boas arrancadas pela direita, não raras vezes coroadas com cruzamentos bastante decentes, e desta vez não executou os inconseguimentos futebolísticos que borram habitualmente as suas pinturas. Tão especial era o dia que até marcou um golo à ponta de lança, servido por Nani, recebendo um voto de confiança de Marcel Keizer ao ser desviado para a posição de avançado centro quando Bas Dost teve direito a merecido repouso.

 

Nani (3,0)

Outro que andou à espera do comboio na paragem do autocarro numa primeira parte em que deixou como principal marca o desperdício de um dos melhores cruzamentos de Jefferson. Voltou do intervalo com mais garra, ainda que a velocidade que vai faltando dificulte boa parte daquilo que se espera de um extremo. Mas isso não o impediu de servir Diaby para o golo que selou o resultado final.

 

Bas Dost (3,5)

Agarrado pela camisola num lance em que o árbitro decidiu não marcar grande penalidade, o avançado holandês mostrou-se sempre muito dinâmico a trocar a bola com os colegas e não desperdiçou a ocasião que teve para fazer o primeiro golo num toque precioso junto ao relvado. Só precisou de metade da segunda parte para bisar, novamente com o pé, e para fazer um assistência primorosa. Se a cabeça tivesse mais juízo, o Vildemoinhos é que pagaria.

 

Jovane Cabral (2,0)

O elemento do plantel do Sporting que mais tem a agradecer a José Peseiro não aproveitou a quinzena de minutos no relvado para recuperar a aura de talismã. Mas ainda assim fez duas boas incursões pela direita, numa lógica de depressa e (mais ou menos) bem até existe quem.

 

Bruno César (1,5)

Entrou e logo começou a perder bolas e fazer passes errados. Se a ideia era provar que tem lugar no plantel, dir-se-ia que a resposta não foi a melhor.

 

Petrovic (1,5)

Deu descanso a Gudelj nos últimos minutos e dedicou-se a fazer um número de faltas desproporcional ao tempo passado no relvado. 

 

Marcel Keizer (3,0)

Tinha a estreia mais desejável, enfrentando um adversário de escalão inferior, mas não arriscou descansar titulares além de Acuña. Também mostrou o seu dedo ao apostar em Wendel para um 4-3-3 sem flúor de duplo pivot defensivo, mas a verdade é que também passou por um belo sufoco quando o Vildemoinhos empatou logo a seguir ao 1-1. Aos 60 minutos não tinha nenhum suplente a aquecer, pelo que os nove minutos de bom futebol que permitiram a maior goleada leonina dos tempos mais recentes caíram do céu e da qualidade individual de alguns jogadores daquele plantel que não escolheu. O sinal mais interessante foi a aposta em Diaby para terminar o jogo na posição para a qual terá sido contratado, em troca de meia-dúzia de milhões de euros. Mas os próximos embates, com Qarabag e Rio Ave, darão sinais mais claros quanto à evolução do futebol do Sporting do que a passagem em frente na Taça de Portugal.

Assuntos internos

 

O Sporting vai poder emitir o empréstimo obrigacionista, tendo ultrapassado ontem a fasquia dos 19 milhões de euros em ordens subscritas.

 

Rui Patrício, William Carvalho, Nani, Carlos Mané, Raphinha, Wendel, Ristovski, Luís Maximiano, Adrien, Cédric e Carriço incluem-se entre os jogadores e ex-jogadores que compraram obrigações do Sporting.

 

Marcel Keizer estreia-se como treinador leonino depois de amanhã, no jogo Lusitano Vildemoinhos-Sporting, para a Taça de Portugal.

 

Receita do desafio de sábado será entregue, na íntegra, ao clube de Vildemoinhos por decisão da Direcção do Sporting.

 

SAD leonina prepara regressos imediatos de Francisco Geraldes e Matheus Pereira a Alvalade.

 

Eustáquio, médio do Chaves e internacional sub-21, pode ser um dos nossos reforços de Inverno.

 

Jovane Cabral, já naturalizado cidadão português, diz-se preparado para vir a representar o nosso país na selecção nacional.

 

Hoje giro eu - Não há coincidências

Ontem, em Alcochete, a equipa de juniores do Sporting recebeu e venceu o Vitória de Setúbal, tradicionalmente uma equipa forte neste escalão, por 5-0 (4-0 ao intervalo), em mais uma partida do campeonato nacional da categoria. Pouco antes, no mesmo local, em jogo a contar para a Liga Revelação, a nossa equipa de sub-23 havia batido o mesmíssimo adversário por 3-2. 

 

Mais do que os resultados em si, percebeu-se a motivação dos miúdos, subitamente tomados por um novo suplemento de alma. Jogadores muito promissores e que têm estado apagados, como Diogo Brás (1 golo e duas assistências), Bernardo Sousa (2 golos, a juntar aos 3 da semana passada) ou os mais velhos Elves Baldé (hat-trick) e Daniel Bragança apareceram em grande nível.

 

Creio estarmos a assistir aos primeiros sinais daquilo que denominaria como Efeito Keizer. Muito se tem falado no decréscimo de qualidade da nossa Formação e vários são os sócios a ecoá-lo, inclusivé aqueles que nunca viram um jogo da Formação, os que conciliam tal opinião com um saudosismo mais ou menos disfarçado a Jorge Jesus e ainda alguns politiqueiros com interesse evidente em espalhar a teoria do caos, mas creio que erramos ao abordar o tema numa perspectiva "bottom-up", em detrimento de "top-down".

 

Se do ponto-de-vista físico e táctico parece evidente que ficamos a perder face ao Benfica, é também verdade que continuamos a produzir jogadores com muita criatividade e liberdade para criar. Nota-se que o jogador encarnado é geralmente mais desenvolvido muscularmente, que tem outra leitura do jogo, mas os nossos continuam a ser mais desequilibradores e imprevisíveis. São, essencialmente, duas escolas de Formação diferentes que, apesar disso, têm um número de títulos praticamente equivalente nas camadas jovens nos últimos 5 anos. 

 

O que eu penso ter acontecido nos últimos dois anos da Formação foi uma grande desmotivação. Havendo um fúnil demasiado apertado nos séniores e sabendo-se da pouca disponibilidade do treinador do nosso principal escalão em apostar em jovens, estes começaram a perder a fé em chegar lá acima. Viram o que aconteceu aos seus colegas hoje nos seus 22/23 anos, uma geração perdida de empréstimo em empréstimo, e perceberam que essa viria a ser a sua realidade brevemente, pois por muito que mostrassem tal nunca seria suficiente. A chegada de Marcel Keizer a Alvalade, técnico que não teve rebuço em reforçar a aposta que Peter Bosz, seu antecessor, tinha feito nas escolas do Ajax, tem tudo para ser o detonador de uma nova crença dos nossos jovens jogadores. Será por isso com renovada expectativa que Bragança, Elves, Brás ou "Benny" encararão o futuro próximo. Perspectivando oportunidades, certamente trabalharão mais e melhor. A vantagem de uma política desportiva alicerçada na Formação é essa e os nossos jovens jogadores saberão que a partir de agora, esforçando-se para isso, verão chegada a sua hora de provar ao mais alto nível. E os pais também terão isso em mente na hora de escolherem o clube que os seus filhos, ainda crianças ou adolescentes, irão representar. 

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O terceiro ajuda

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O terceiro ajuda?

(ver comentários, aqui)

Lembro-me de ter lido num livro de Carlos Heitor Cony, qualquer coisa do género: "na lógica de Aristóteles, somente com o terceiro elemento de um problema se chegava à solução. Omne trinum est perfectum".

Do terceiro nada sabemos mas dos dois que o antecederam sim.

José Peseiro disputou catorze jogos oficiais; oito para a Liga Nos, 16 pontos; um para a Taça de Portugal, 3 pontos; dois para a Taça da Liga, 3 pontos; três para a Liga Europa, 6 pontos. No total de 42 pontos possíveis, fez 28, se fizermos a média em cada dois jogos, Peseiro fez quatro pontos, precisamente, o registo de Tiago Fernandes, dois jogos, quatro pontos.

Será que Marcel fará melhor?

Esperemos que sim, que venha ensinar novas movimentações, um futebol mais empolgante e eficaz, um futebol mais bonito, "coisas boas, coisas belas" como diria o treinador-poeta.

Que venha para ensinar e para vencer... o professor Marcel. 

Sobre Peseiro!

Tenho lido, ouvido e visto por aí a comoção (quase que choram!) de muitos dos habituais comentadores de futebol a respeito da dispensa de José Peseiro do cargo de treinador do Sporting! Oiço dizer que foi injusto, que não havia razões objectivas para que o antigo treinador tivesse sido despedido. 

Que fique claro que, qualquer análise é, por definição, tremendamente subjectiva, mas o Sporting de Peseiro não se limitou a perdeu no campo do último classificado e em Alvalade com uma equipa da segunda divisão. A equipa, quando liderada por José Peseiro, jogava miseravelmente. Uma equipa onde os jogadores estavam mal colocados em campo (não se pode, por exemplo, colocar Bruno Fernandes encostado à esquerda), sem fio de jogo, sem ideias, sem lances de bola parada ou corrida minimamente preparados, apática, sem chama e onde os conflitos entre jogadores e técnico eram evidentes. Peseiro foi, apesar de tudo, mal despedido! Devia ter saído muito antes.

Claro, o despedimento de um treinador não significa, per se, que a equipa comece a jogar futebol. Essa é uma responsabilidade de tem de ser atribuída a quem o substituir e ao Presidente que tomou a decisão de demitir o anterior técnico. Fala-se por aí de um holandês (de que nunca tinha ouvido falar na vida!). Se for o Imperador, que venha para pôr a equipa a jogar à bola. De Peseiro, os sportinguistas já estavam fartos desde a sua primeira passagem pelo Clube. Só os adversários do Sporting poderiam ficar satisfeitos com a sua permanência!

Hoje giro eu - Marcel Keizer

Para a vasta maioria dos adeptos leoninos, Keizer é um perfeito desconhecido. Sem querer ser muito Verbal sobre isso, tal como o outro Keizer (Soze) dos "Suspeitos do Costume" muitos agora falam dele mas poucos o viram em acção. Curiosamente, Marcel é sobrinho da, essa sim, bem conhecida estrela de outrora do Ajax, o extremo Piet Keizer, contemporâneo de Johann Crujff, sobre quem um dia o jornalista Nico Scheepmaker afirmou: "Crujff é o maior, mas Keizer é o melhor". Eis a radiografia possível neste momento, em 11 pontos (como uma equipa de futebol), num trabalho baseado em crónicas de jornais e vídeos de jogos que pretende apresentar o técnico como ele é, mostrando as suas qualidades e desvendendo alguns mitos entretanto criados:

 

  1. Aposta num perfil: partir para uma escolha de um nome a partir de um perfil é sempre algo de elogiar. O Sporting parece pretender uma proposta de futebol agradável e a aposta nos jogadores da sua Formação.
  2. Sistema de jogo: mais do que o tradicional 3-4-3 do Ajax, Keizer parece preferir um 4-3-3, com a saída de bola a ser encarregue aos 2 centrais, sem que o jogador da posição "6" recue para a linha defensiva para pegar no jogo, o qual é essencialmente direccionado pelo interior.
  3. Experiência na Formação: nos últimos dias muito se tem falado de Keizer ser um treinador com vasta experiência na Formação. Tal não corresponde à realidade, destacando-se apenas uma passagem pelo Jong Ajax (equipa B dos "lanceiros"), na temporada de 2016/17, para além de 5 meses na equipa principal do grande clube de Amesterdão (2017/18), clube que nunca abdica de apostar na sua cantera
  4. Aposta em jovens: apesar de muito do trabalho de imposição na equipa principal ter sido desenvolvido pelo treinador anterior (Peter Bosz), consolidou a aposta nos jovens De Ligt, Frankie De Jong, Dolberg, Neres e Ziyech, entre outros.
  5. Escola do Ajax: tem apenas ano e meio de Ajax, entre equipa A e equipa B.
  6. Experiência a alto nível: treinou apenas durante 5 meses o Ajax (entre Julho de 2017 e Dezembro de 2017), tendo sido despedido após uma derrota para a Taça da Holanda contra o Twente. Não conseguiu ultrapassar as pré-eliminatórias quer da Champions, quer da Liga Europa (no ano anterior, com Peter Bosz, o Ajax chegou à final contra o Manchester United). Antes treinou o Cambuur (único clube primodivisionário que treinou para além do Ajax e que desceu de divisão), o Emmen, Telstar, VVSB, Argon e UVS, tudo clubes de segundo plano do futebol holandês. 
  7. Resultados: estava em segundo lugar no campeonato holandês de 2017/18 quando foi despedido. Realizou 17 jogos e fez 38 pontos, correspondentes a 12 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. O treinador que se lhe seguiu (Erik Ten Hag), com o mesmo número de jogos fez apenas mais 3 pontos, terminando o Ajax com um total de 79 pontos e o segundo lugar no campeonato, posição que aliás já ocupava quando Keizer era o seu treinador.
  8. Curiosidade: dos 3 tristes trincos para a inspiração no clube dos 3 treinadores de cabeça rapada. Desde a saída de Frank de Boer, o Ajax teve Peter Bosz, Marcel Keizer e Ten Hag. Muita escola de Ajax, pouca escola de barbeiro. 
  9. Propensão atacante: impressionam os números atacantes de Keizer no Ajax. Na equipa B, onde se classificou em segundo lugar, a sua equipa marcou 93 golos em 38 jogos, uma média de 2,45 golos por jogo; na equipa principal dos "lanceiros" fez ainda melhor: 51 golos em 17 jogos, uma média de 3 golos por jogo. Destacam-se as vitórias por 8-0 no campo do NAC Breda, em casa contra Sparta de Roterdão (4-0), Roda (5-1) e PSV Eindhoven (3-0), e fora contra Feyenoord (4-1) e Heerenveen (4-0).
  10. Fragilidade defensiva: se a proposta de jogo dos holandeses faz parte do património do futebol mundial, não deixa de ser verdade que a nível táctico ficam muito atrás do futebol português. Nesse aspecto, há que temer o desempenho de Keizer contra equipas fortes na transição ofensiva. Com os "lanceiros", na equipa B sofreu 54 golos (em 38 jogos), na equipa A sofreu 16 golos (17 jogos). Defensivamente, nota-se pouco apoio dos médios nas tarefas defensivas e o trinco muitas vezes não cola aos centrais deixando espaço para as entradas dos médios adversários. Adicionalmente, defendendo a equipa muitas vezes apenas com 3/4 jogadores, criam-se muitas situações de 1x1 na área, com apenas 1 central a marcar o ponta-de-lança contrário e imenso espaço livre à volta.
  11. Conclusão: com um currículo modesto, destaca-se pela positiva a sua proposta de jogo ofensivo. Necessitará de muito apoio de toda a Estrutura, nomeadamente de paciência por parte do presidente e do conhecimento do campeonato e da matreirice das equipas que o compõem por parte dos adjuntos, para poder ter sucesso. É uma aposta de altíssimo risco, embora a proposta de jogo possa ser entusiasmante. No entanto, o vídeo expõe imensas debilidades na transição defensiva ou, dito de outra forma, "video killed the (former) TelStar (coach)". Que os deuses da fortuna estejam com ele!

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Curiosidade: Gudelj é filmado nas bancadas aos 2:52 do 2º vídeo.

Quem quiser ficar a conhecer melhor o treinador, em discurso directo ou pela boca de quem com ele se cruzou, pode visualizar aqui ou aqui .

Para estatísticas do seu trabalho mais recente, consultar AjaxJong Ajax e carreira .

Para notícias sobre os motivos invocados pelo clube (Ajax) para o seu despedimento, consultar aqui .

 

Marcel Keiser

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Marcel Keiser será a partir da próxima semana o treinador do Sporting. Pessoalmente não teria despedido José Peseiro nesta altura da época, mas confio no presidente Frederico Varandas, pelo que desejo os maiores sucessos desportivos ao holandês no comando técnico da nossa equipa.

Alguns cépticos apressam-se a contestar a escolha, alegando falta de títulos no curriculum. Informo os mais distraídos que Malcolm Allison, László Bölöni e Augusto Inácio conquistaram os primeiros títulos nacionais nas respectivas carreiras ao serviço do Sporting. Também sobre eles recaiu alguma desconfiança inicial. Enquanto outros que chegaram titulados, falharam, o penúltimo que se arvorava um mestre da táctica, até esteve 3 anos pago a peso de ouro, para conquistar uma mísera taça da carica.

Espero que com o tempo, o Sporting volte a apresentar um futebol ofensivo, que dê espectáculo e regresse aos títulos. 

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