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És a nossa Fé!

Desta vez Keizer foi previsível

Pela primeira vez, finalmente, não faltou quem acertasse no onze titular escolhido por Marcel Keizer, tendo agora em vista o Marítimo-Sporting.

 

Aqui fica, por ordem alfabética, o registo de todos quantos tiveram "olho táctico" para as opções do técnico holandês: 

André Fernandes Nobre

Ângelo

António de Almeida

Fernando Luís

Luís Ferreira

Luís Moreira

Marcelo

Verde Protector

 

Parabéns a todos.

 

Não acertou quem previu Salin entre os postes, André Pinto no eixo da defesa, Idrissa como médio defensivo e Raphinha numa das alas - embora dois destes jogadores tenham entrado logo a abrir a segunda parte.

Desta vez Keizer foi previsível.

This shit is a joke

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Um profissional de futebol, guarda-redes, que treina todos os dias a atirar-se energicamente para o chão, é empurrado sem violência, cai suavemente de frente sobre o relvado ... O adversário é expulso por comportamento incorrecto. Nada a dizer. Para mim deveria ser castigado pelo seu próprio clube - não só porque se fez isentar do jogo seguinte, devido a castigo, mas porque fez gastar o pouco tempo que restava do jogo, no qual o Sporting tentava ainda ganhar.

O guarda-redes, profissional de futebol, que treina todos os dias a atirar-se energicamente para o chão, empurrado sem violência, cai suavemente no relvado. Faltam cerca de 30 segundos para o jogo acabar. Rebola-se, com aparentes dores lancinantes, é assistido pelo médico e pelo fisioterapeuta ou lá como se chama agora ao massagista, é-lhe longamente  aplicado aquele spray mágico que anestesia os efeitos das mais violentas porradas que vamos vendo nos jogos da bola. O "teatro" é óbvio. Os ânimos, em final de um jogo de futebol, aquecem um pouco, como é ... humano. Os espectadores dividem-se, entre os adeptos (de sempre ou de ocasião) da equipa do guarda-redes (profissional de futebol, que treina todos os dias a atirar-se energicamente para o chão, ali empurrado sem violência e caído sem vigor no chão), a quererem que aquilo acabe logo, os adeptos da equipa do expulso, a suspirarem por 30 segundos que permitam à sua manca equipa fazer o que não fez nos 95 minutos anteriores. E uns largos milhões de telespectadores estrangeiros (eu vejo isto num canal internacional com bons relatores portugueses anglófonos, muito melhores dos que os relatores das estações portuguesas), que assistirão ao futebol português não por adeptismo mas por interesse (ou desfastio) e que, obviamente, comparam estas constantes pantominas, que nada mais são do que preguiça, com o frenesim ou constância de tantos outros campeonatos. Uma comparação que só pode causar ao negócio futebolístico português menos telespectadores internacionais e menores receitas, directas e indirectas.

Enquanto o guarda-redes do Marítimo, o tal profissional de futebol que todos os dias treina atirando-se energicamente para o chão, é acudido na sua agonia, similar à que teria se tivesse sido sodomizado sem consentimento pelo Incrível Hulk (o super-herói, não aquele ex-jogador do Porto suspenso por 19 jogos por ter respondido a uma provocação de um jagunço contratado pelo SLB para que Jorge Jesus fosse campeão "lhimpinho"), o pacato treinador do clube do expulso, clama lá na sua linha "This shit is a joke", pois ainda desconhecedor da língua pátria que preenche os relvados com os seus "caralho, filhodaputa, paneleiro de um cabrão, vai mas é para a cona da tua mãe" ou mesmo o pior de tudo, "gatuno", simpáticas características culturais lusófonas que qualquer transmissão televisiva nos traz até casa.

Dito isso, o tal violentíssimo "this shit is a joke", o árbitro, Tiago Martins de seu nome, vai-se ao holandês  nada voador e expulsa-o. O homem, diz-se, ganha 1 milhão de euros por ano, qualquer coisa como 90 000 euros por mês, um bocado mais do que o ordenado médio português, dado que há uma empresa que lhe paga isso. Pessoalmente até acho que não devia ocupar o lugar, e espero que o próprio Sporting lhe mostre o "cartão vermelho", e asap. Mas espanta-me que haja um rapazola, Tiago Martins, repito o seu nome, que expulse um tipo a quem uma empresa do ramo faz o esforço de pagar tanto só porque ele diz "this shit is a joke" quando vê o guarda-redes, o tal que é profissional, e que treina todos os dias a atirar-se para o chão energicamente, em arrepios de vítima de múltiplas metástases por via do empurrãozito do adversário, o epígono de Anderson Polga que me ocupa os pesadelos, nisso sucedendo ao horroroso e malvado Marvin Zeegelar que alguém, um dia, saberá o Diabo porquê, contratou para o Sporting .

Ocorre-me que o problema nem é do guarda-redes, o tal profissional de futebol que treina todos os dias a atirar-se energicamente para o chão, e que ali se rebola em ademanes de homossexual sado-masoquista, nem do trapaceiro médico do seu clube, alheio àquilo  que a deontologia o obriga, isso de não aceitar fingir doenças, nem do "fisioterapeuta" (o termo amaricado para massagista) que o anestesia demoradamente, nem mesmo do Anderson Polga II que se eterniza nas bandas de Alvalade para encanto dos masoquistas sportinguistas, nem mesmo do Tiago Martins, esse que evidentemente padece de doença atitudinal, nem mesmo do shaky dutchman, este mesmo inocente, e até certeiro, pois é óbvio que this shit is really a joke.

O problema está mesmo no Fernando Gomes (não o bibota, não o do capachinho, mas sim o da FPF). Ok, o Ederzito marcou o golo, e fomos campeões, e todos de repente o achamos o máximo. Mas, muito para além disso, não pode haver rapazolas com a atitude, vera cagança, deste Tiago Martins, não sei se já disse o nome dele. Uma atitude de merda, entenda-se. E a Federação de Futebol, seja lá qual for o organograma do plantel futebolístico, tem que tratar do assunto. Ensinar os ensináveis a comportarem-se. E pontapear. Os irredutíveis.

Castigo merecido

Depois duma primeira parte medíocre em que praticamente não criou perigo, Keizer deu a volta ao texto, a equipa encostou o Marítimo às cordas, mas as defesas incríveis do GR do adversário, a complacência manhosa do árbitro com as atitudes anti-desportivas e queima de tempo do mesmo, e alguma falta de sorte, conduziram a uma perda de dois pontos que, apesar de tudo o atrás referido, achei merecida. 

Merecida porque quem não aborda estes jogos para entrar com tudo, marcar primeiro, e gerir o resultado depois, põe-se a jeito para perder pontos.

Merecida também porque Keizer insistiu em jogadores fatigados fisica e mentalmente, não refrescou a equipa depois duma jornada europeia onde jogámos meia parte com 10, e apresentou mais uma vez um modelo de jogo que não facilita minimamente o trabalho de Bas Dost (também ele mais que fatigado). Muito jogo interior que se perde em passes sem nexo, extremos de pé trocado que não vão à linha centrar com precisão, laterais que não têm prontidão a centrar, tudo muito à base da inspiração e da capacidade extra de Bruno Fernandes e de mais um ou outro.

Não foi pelos reforços de inverno Borja (mesmo com o amarelo), Ilori, Doumbia e Luiz Phellipe que perdemos pontos. Se calhar todos eles deviam ter jogado de início.

O final da partida demonstrou mais uma vez a falta de tranquilidade que reina naquele balneário e à qual tem de pôr cobro urgentemente, mas que tem de se compreender à luz do sentimento de impotência de corresponder aos objectivos do clube, e também pela atitude vergonhosa de muitos "Letais ao Sporting" que, em vez de irem ao estádio apoiar e aplaudir, assobiam, intimidam e agridem, verbal e fisicamente.

De facto, não me recordo de nenhum periodo com tal quantidade de cartões amarelos e vermelhos mostrados ao Sporting, muitos por protestos e questiúnculas, a obrigar a substituições, a comprometer resultados e a desfalcar a equipa em desafios importantes.

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 

 

De termos perdido mais dois pontos. Empate a zero no Funchal: há 33 anos que não se registava este desfecho num Marítimo-Sporting para o campeonato. Um resultado decepcionante que nos coloca novamente 11 pontos abaixo do FC Porto, líder da Liga. Nas últimas quatro épocas, temos saído sempre do estádio dos Barreiros sem a vitória: é algo que dá que pensar.

 

Das oportunidades desperdiçadas. Contei pelo menos seis. Duas na primeira parte, protagonizadas por Bruno Fernandes (5') e Bas Dost (23'). E quatro na segunda, protagonizadas por Diaby (47'), Bas Dost (72'), Raphinha (76') e Bruno Fernandes (79'). De nada nos valeu termos esmagadora superioridade na chamada "posse de bola" (77%) se continuamos incapazes de transformar oportunidades em golos.

 

De Gudelj. Nulidade absoluta durante o tempo que esteve em campo - ou seja, durante toda a primeira parte. Já amarelado, desde os 39', foi remetido ao balneário pelo treinador, que mandou entrar Idrissa Doumbia para o seu lugar - reforçando assim a dinâmica da equipa. Não consigo entender o que leva o técnico holandês em apostar teimosamente no médio sérvio.

 

De Bas Dost. O holandês continua divorciado dos golos. Atravessa uma notória crise de confiança: parece que a bola o queima quando lhe vai à cabeça ou aos pés. Chega ao fim de mais um jogo com a folha em branco. E desta vez não foi por falta de assistência dos colegas, como ficou bem patente aos 47': com a bola em seu poder, de frente para a baliza, optou por lateralizá-la para Diaby, muito menos bem posicionado. O lance perdeu-se.

 

De Luiz Phellype. Jogo após jogo, continua sem demonstrar o mérito da sua contratação, está quase a fazer dois meses. Hoje esteve mais um quarto de hora em campo, sem qualquer proveito para a equipa. Um goleador sem golos de verde e branco.

 

Da brunodependência. Bruno Fernandes, talvez por cansaço após a eliminatória europeia, esteve vários pontos abaixo do habitual. Nem nos lances de bola parada foi capaz de fazer a diferença. Isto desequilibrou a equipa, que tem demonstrado excessiva dependência face ao capitão leonino. Na primeira parte, sobretudo, os colegas optavam quase sempre por lhe endossar a bola, desperdiçando oportunidades de construir jogo por vias alternativas. Nenhum homem, por mais atributos que possua, pode sobrepor-se ou substituir-se a uma equipa.

 

Que Geraldes não tivesse saído do banco. Desta vez Keizer incluiu o nosso médio criativo, formado em Alcochete, na convocatória da jornada. Mas Francisco voltou a não sair do banco. Apetece perguntar porquê.

 

Da expulsão de Coates. O uruguaio ficará fora da próxima partida, frente ao Portimonense. E pode já antecipar-se que irá fazer-nos muita falta.

 

Da péssima arbitragem de Tiago Martins. Há quem o considere o melhor árbitro português do momento. Hoje ninguém de boa fé pode subscrever esta frase. O apitador de Lisboa estragou o espectáculo ao assumir o protagonismo com um critério disciplinar absurdo, culminando na ordem de expulsão que deu segundos antes do fim do jogo a Marcel Keizer, o mais pacífico e pacato dos treinadores que têm passado pelo futebol português.

 

Da nossa triste mediania longe de Alvalade. Nesta Liga 2018/2019 apenas conseguimos vencer quatro vezes fora de casa. Justifica reflexão urgente. E muito séria.

 

 

 

Gostei

 

Da comparação com a época passada. Na Liga 2017/2018, ainda com Jorge Jesus ao leme da equipa, fomos ao Funchal perder por 2-1, neste mesmo estádio. Desta vez trazemos de lá um pontinho. É pouco, mas apesar de tudo é menos mau.

 

De termos conseguido encurtar a distância face ao Braga. A progressão foi mínima, mas nas contas finais pode tornar-se relevante para apurar quem preencherá o último lugar do pódio. Perante a inesperada derrota dos braguistas em casa, frente ao Belenenses, o nosso empate na Madeira permitiu-nos aproximar do terceiro posto. Diminuindo a diferença face ao Braga de quatro pontos para três.

 

Das substituições ao intervalo. Desta vez Keizer não hesitou nem adiou: aproveitou o intervalo para tirar dois jogadores já amarelados, Gudelj e Borja, substituindo-os (com vantagem para a equipa) por Idrissa e Raphinha. Este último, em particular, alterou o cariz do jogo, tornando a nossa equipa mais acutilante e determinada nos lances ofensivos. Foi dele a jogada mais perigosa do encontro, travada in extremis, aos 76', por uma excelente intervenção do guarda-redes Charles, naquela que foi a defesa da noite. Voto no brasileiro como o melhor dos nossos: o Sporting beneficiou muito com ele em campo. Apetece perguntar por que motivo Raphinha não jogou de início.

 

Do primeiro quarto de hora da segunda parte. Domínio total do Sporting nesta fase do jogo. Infelizmente, um domínio não traduzido em golos.

 

De termos mantido as nossas redes invioladas. Vinte e duas jornadas depois, enfim, voltamos a não sofrer golos fora de casa.

Qual será o onze titular?

Eis os jogadores que Marcel Keizer convocou para o nosso jogo de hoje contra o Marítimo, na 23.ª jornada do campeonato nacional de futebol 2018/2019:

 

Guarda-redes

Diogo Sousa, Renan, Salin

Defesas

André Pinto, Borja, Coates, Ilori, Jefferson, Ristovski

Médios

Acuña, Bruno Fernandes, Francisco Geraldes, Idrissa Doumbia, Gudelj, Wendel

Avançados

Bas Dost, Diaby, Luiz Phellype, Raphinha

 

Desta convocatória, relativamente à partida anterior para a Liga Europa, foram riscados três jovens da formação: Jovane, Miguel Luís e Thierry. Para as entradas de Acuña, Idrissa e Francisco Geraldes (este também da formação leonina, como sabemos).

Lanço o desafio aos leitores: qual será o onze titular escolhido por Marcel Keizer para esta partida no Funchal, com início às 19 horas?

Até agora, desde que comecei a lançar estes reptos, ainda ninguém conseguiu acertar num onze escolhido pelo técnico holandês. Espero que desta vez isso se altere.

Os melhores prognósticos

Vencemos o Marítimo em casa por 2-0. Vitória distante da goleada por 5-0 na época anterior. Mesmo assim, bom resultado para uma equipa como a nossa, que tem aspirações no campeonato: pelo menos um segundo lugar, que nos permita o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões.

Registo aqui, como sempre faço, a galeria daqueles que acertaram no resultado. Desta vez foi uma pequena multidão, o que muito me agrada: Ângelo, António de Almeida, CAL, Carlos Correia, Cristina Torrão, FMJC, Jorge Santos, José da Xã, José VieiraLeão do Fundão, Luís Ferreira, Marta Spínola e Vasco Matos.

Aplicado o critério do desempate, restam mesmo assim sete vencedores - todos quantos acertaram num dos marcadores dos nossos golos. São estes: Ângelo, António de Almeida, CALCristina Torrão, FMJC, José da Xã, Luís Ferreira e Vasco Matos.

Parabéns a uns e outros.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Medo de ser feliz!?

O Sporting bateu o Marítimo, num jogo em que Peseiro experimentou duas tácticas: primeiro, a do Pudim Molotov, com um buraco no meio (espaço compreendido entre Bruno Fernandes e o duplo-pivô) e as zonas envolventes todas cobertas de jogadores; depois, a das Chaves do Areeiro, com trinco, tranca e cadeado. 

 

A primeira táctica tem o seu quê de soviética, na medida em que herda o seu nome de um antigo ministro dos negócios estrangeiros (Vyacheslav Molotov) no tempo de Estaline, famoso pelo pacto de não-agressão que assinou com Joachim Von Ribbentrop, ministro das relações externas da Alemanha nazi. Ora, como sabemos, o sistema económico/político da antiga União Soviética colapsou devido ao excesso de burocracia, má alocação de recursos humanos e contínuo investimento em sectores deficitários, algo que tem paralelismo com o que vem sendo a actuação do Sporting em campo devido ao uso do mal-amado duplo-pivô. Já a segunda táctica é um neomodernismo de inspiração tipicamente portuguesa, que diz que a igualdade é contraditória, remete para um passado que já tem 13 anos e se traduz na interpretação literal do velho adágio popular "depois de casa roubada, trancas à porta".

 

Os leões entraram bem, com Montero a mostrar uma maior amplitude de movimentos e logo a criar problemas à defesa insular. O colombiano começou por cabecear ligeiramente por cima e por roubar uma bola em zona proibida e sacar um cartão amarelo a um maritimista. Aos 12 minutos, Jovane Cabral rasgou a defesa da Madeira com um passe perpendicular que deixou Raphinha isolado perante Amir, num duelo Brasil-Irão de onde resultou uma grande penalidade superiormente transformada por Bruno Fernandes. Assistir a um golo madrugador do Sporting é um privilégio tão raro como ver Petrovic executar com sucesso uma roleta à saída da sua área, mas acreditem, ou não, ambas as situações ocorreram ontem, no espaço de poucos minutos, em Alvalade. Ainda na primeira parte, uma carambola às três tabelas possibilitou a Fredy "Theriaga" Montero dar a estocada final. A tacada original foi de Raphinha. Caminhava a partida para o intervalo quando Ristovski voltou a não ser capaz de fechar por dentro, abrindo uma autoestrada por onde entrou, isolado perante Salin, um maritimista. Passe de morte para a esquerda, mas apareceu Acuña a salvar miraculosamente um golo cantado. Grande garra do argentino!

 

O segundo tempo começou de forma auspiciosa, com o Sporting a dominar a seu bel-prazer. Acuña rematou ao lado, Montero teve um toque de habilidade para Bruno Fernandes que lançou o perigo, uma combinação entre Raphinha e Bruno quase dava o terceiro da noite e Montero (sempre ele!) ainda sacou um livre na meia-lua da área insular. Eis que Peseiro decide mexer e tira Jovane. Esperava-se que fosse a oportunidade de Mané ter minutos no regresso à competição, ou mesmo que Diaby pudesse finalmente mostrar a sua anunciada velocidade, mas o treinador leonino, pouco preocupado com o deleite dos espectadores, optou por dar mais uma volta à fechadura e lançou Misic, alterando o 4-2-1-3 (e não 4-2-3-1) para um 4-3-0-3 (e não 4-3-2-1). Afinal, estavamos a jogar com o Real... Marítimo. A verdade é que, se antes havia um buraco no meio, passou a haver um fosso. Caso insólito, o Sporting alinhava, então, com duas equipas: a dos "retranqueiros", composta por 8 jogadores, confortavelmente instalados na sua trincheira, e o movimento dos não-alinhados (Raphinha, Montero e Bruno Fernandes), deixados sózinhos na frente, isolados, contra o mundo. Bruno, já outrora obrigado a pressionar alto sem bola e a baixar com bola para diminuir a distância para Gudelj e Petrovic, ocupava agora uma nova posição, a de ala esquerdo. É a isto que deveremos chamar de "gestão de plantel". (Ainda o haveremos de ver a jogar com uma máscara de oxigénio e um desfibrilador.) 

 

Salin - Esteve bem, sempre que chamado à acção, entendendo-se aqui acção como uma hipérbole não denotativa da necessidade de um duche após o jogo. 

Nota: Sol

 

Ristovski - Voltou a demonstrar ter "mais olhos que barriga", ou seja, teve olho na bola e pouco estômago para absorver o espaço e os adversários em redor. Como se já não bastasse o buraco a meio campo, também ele, qual toupeira, volta não volta vai escavando roços para os centrais.

Nota:

 

Coates - Imperial, para ele foi apenas mais um dia no escritório em que despachou com brilhantismo todo e qualquer contencioso que lhe passou pela frente. O Ministro da Defesa!

Nota:

 

André Pinto - O Bastos Lopes teve o Humberto Coelho, o Lima Pereira teve o Eurico, o André Pinto tem o Coates. Ontem, foi o Secretário de Estado da Defesa.

Nota: Sol

 

"Muttley" Acuña - Um jogo feito de garra. Morde os calcanhares aos adversários e ainda arranja tempo para solicitar o ataque. Providencial no final da primeira parte.

Nota:

 

Petrovic - Alguns bons cortes na primeira parte e um pormenor com nota artística. Revelou tendência para se encostar a Coates, assim como que a pôr-se a jeito para um cargo de assessor ministerial.

Nota: Sol

 

Gudelj - Como diria o Gabriel Alves, não jogou bem nem mal, antes pelo contrário. 

Nota:

 

Bruno Fernandes - Pode jogar bem ou mal, mas o seu compromisso com a equipa é enorme. No campo, corre quilómetros e dá o exemplo. Marcou um golo de grande classe, a mesma que revelou ao (re)endereçar o prémio de melhor em campo ao regressado Mané. Solidário, não perdeu a oportunidade e mostrou poder vir a ser um bom capitão.

Nota:

 

Raphinha - Estava o jogo ainda no início quando foi derrubado pelo "fundamentalismo" islâmico, ou melhor, por um guarda-redes iraniano que julgou fundamental dessa forma evitar um golo certo. Ainda na primeira parte, esteve na origem do segundo golo. Quase assistiu Bruno, no segundo tempo. De destacar ainda a forma como, com um toque subtil, deu boa sequência a uma bola difícil, comprida e que lhe chegou pelo ar, revelando excelente técnica.

Nota:

 

Jovane - O passe com que rasgou a defensiva insular na jogada do primeiro golo foi a sua afirmação iluminista na defesa da liberdade de criação e da livre posse da bola.

Nota: Sol

 

Montero - Quando o "Cool Dude" se transforma num frio "assassino". Não deu descanso à defesa maritimista. O seu futebol de filigrana ganha fulgor quando a confiança e a capacidade física aumentam. Aí, torna-se uma dor de cabeça para os adversários, impotentes face ao seu futebol feito de toque, refinada técnica e inteligência, ingredientes bem presentes no seu golo. Nesse lance não precisou de rebentar as malhas, fez apenas um passe para a baliza. Subtil.

Nota:

 

Misic - Completou a balcanização do meio campo do Sporting. Como o Melhoral, não fez bem nem fez mal.

Nota:

 

Diaby - Dizem que é rápido, mas com tão poucos minutos, ainda não deu para ver se tem o Diaby no corpo.

Nota: - 

 

Mané - Entrou para o aplauso, naquilo que foi um feliz reencontro com Alvalade. Que seja o (re)início de uma grande amizade!

Nota: - 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero

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Os deuses devem estar loucos

Ora vejam se não é verdade:

Marcámos muito cedo, o que não tem sido hábito;

Jovane entrou de início, o que quer dizer que Peseiro ouviu o coro de gente que reclamava a titularidade do jovem;

Montero marcou e fez um belo jogo (o melhor em campo, para mim);

E por fim, Petrovic fez um jogo memorável (atendendo a que é Petrovic e a fasquia está muito baixa...), talvez o seu melhor jogo de verde vestido (o que vai obrigar o nosso colega Leonardo Ralha a retratar-se).

 

Até uma bola que poderia dar golo ao marítimo percorreu a linha de baliza e num ressalto foi morrer nas mãos de Salin.

E na CI, Peseiro, que deve ter recebido o recado do Pedro Correia, resistiu ao "ataque" dos jornalistas e não respondeu a qualquer pergunta sobre Nani.

 

Os deuses hoje estiveram loucos mesmo, em Alvalade. Que assim continuem.

 

Nota final: Concordo com Peseiro, estou farto de o dizer aqui, se quiserem assobiar que o façam no fim. Assobiar os nossos é ajudar o adversário.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos conquistados hoje em Alvalade. Vencemos esta noite o Marítimo por 2-0, garantindo que continuamos a depender só de nós no campeonato, à sexta jornada. Serviços mínimos cumpridos, o essencial foi feito.

 

De estar a vencer logo aos 12' e termos ampliado a vantagem aos 35'. Ao contrário do que vem sendo costume, o resultado ficou decidido ainda na primeira parte perante um Marítimo totalmente inofensivo. Razão mais do que suficiente para José Peseiro ter rodado mais a equipa em vez de esperar pelo minuto 77 para fazer a primeira substituição, algo que tive dificuldade em entender.

 

Que não tivéssemos sofrido golos. Raras vezes temos terminado um jogo nesta temporada com as nossas redes invictas. Desta vez aconteceu. Por demérito da equipa adversária. Mas também por mérito do nosso quarteto defensivo, onde Acuña conquistou sem mácula o posto de titular na lateral esquerda.

 

De ver Jovane jogar de início. Foi dele o passe vertical decisivo para Raphinha, aos 10', de que resultou o penálti e o nosso primeiro golo. E é ele quem, aos 34', ganha a falta que dá origem ao livre para o segundo. É também dele o melhor passe longo do desafio, aos 60', quando cruza o campo colocando a bola na ponta direita, para Raphinha. O jovem caboverdiano viria a estar aquém das expectativas durante o resto da segunda parte, correspondendo à vontade do treinador de que jogasse de forma mais contida, sem aquelas explosões que têm feito empolgar os adeptos. Mas o caminho faz-se caminhando. Nenhum jogador adquire maturidade se não jogar.

 

Que Bruno Fernandes não tivesse vacilado no momento do penálti. Marcação impecável da grande penalidade por parte do nosso médio criativo, que hoje foi capitão da equipa.

 

De Raphinha. Para quem duvidava, confirma-se: é mesmo reforço. Hoje esteve presente nos dois golos - primeiro, ao ser derrubado em falta pelo guarda-redes adversário, conquistando um penálti; depois, ao bater o livre de que resultaria o segundo.

 

Do regresso de Montero aos golos, quatro meses depois. Boa actuação do colombiano, que destaco desta vez como melhor em campo. Foi sempre um quebra-cabeças para a defesa adversária, que várias vezes o travou em falta. E marcou o nosso único golo de bola corrida, na sequência de um canto, à ponta-de-lança. Já tínhamos saudades do Montero goleador.

 

Do regresso de Carlos Mané. Peseiro lançou-o num momento absurdo, no tempo extra, quando faltavam 90 segundos para o apito final. Mesmo assim foi bom ver um jogador da nossa formação, que fez uma excelente época com Leonardo Jardim, voltar a pisar o nosso estádio após 15 meses de inactividade forçada devido a uma sequência de lesões. Pena que só tivesse tocado uma vez na bola.

 

Do apoio incessante de algumas claques. Tanto a Torcida Verde como o Directivo Ultras XXI puxaram pela equipa do princípio ao fim. Graças aos elementos destas claques, nunca faltou calor humano em Alvalade nesta noite de princípio de Outono.

 

Do aplauso das bancadas a Danny. Bonita demonstração de fair play dos adeptos leoninos ao capitão do Marítimo, quando foi substituído aos 66'. Mostrando gratidão por este jogador que passou por Alvalade e se distinguiu ao serviço da selecção nacional.

 

Da merecida ovação ao nosso sócio n.º1. João Salvador Marques, de 98 anos, esteve presente na tribuna presidencial, ao lado de Frederico Varandas, e foi brindado com calorosos aplausos antes do jogo. 

 

 

Não gostei

 

De ver a equipa tão desfalcada. Actuámos hoje sem Bas Dost, Mathieu, Nani e Battaglia. Do onze titular que entrou em campo, havia apenas três titulares da época passada (Coates, Acuña e Bruno Fernandes). Isto influi, naturalmente, na falta de entrosamento da equipa e na quebra de qualidade do espectáculo. 

 

Que tivéssemos entrado em campo só com um jogador da formação. Jovane fez a diferença. Quando saiu, aos 77', e até ao fim do tempo regulamentar, deixámos de ter qualquer jogador saído da Academia de Alcochete neste desafio em Alvalade. O que é um triste sinal dos tempos.

 

Que só tivéssemos feito três remates à baliza. Manifestamente pouco para um jogo em casa por parte de uma equipa com os pergaminhos e as aspirações do Sporting.

 

Da nossa medíocre exibição na segunda parte. Equipa tristonha, amorfa, sem chama. Dando a impressão de ter ordens explícitas de jogar recuada no terreno, sem ousar incursões ofensivas e rematar muito para trás. Não admira que largas centenas de pessoas tenham abandonado o estádio muito antes do fim.

 

Da entrada tardia de Diaby. Terceiro jogo consecutivo em que o avançado maliano contratado ainda durante a gestão interina de Sousa Cintra entra em campo nos minutos finais, quase sem tempo para tocar na bola. Hoje rendeu Montero quando já estavam decorridos 87'. Continua a ser um mistério, esta escassísima utilização de um reforço por parte de um treinador com tão notória carência de jogadores disponíveis. 

 

Do receio do treinador. Para quê terminar o jogo com três médios defensivos? Petrovic e Gudelj estavam desde o início em campo. Aos 77', quando vencíamos 2-0, saiu Jovane para entrar Misic. Parecia estratégia de equipa pequena. Como se estivéssemos a defrontar o Manchester United em vez do Marítimo.

 

De ouvir os adeptos assobiarem a equipa. A meio da segunda parte, e até ao fim, escutaram-se sonoras vaias em Alvalade. Quando vencíamos, o jogo estava controlado, o Marítimo mostrava-se inofensivo e havia que poupar algum esforço com vista à importante deslocação à Ucrânia na quinta-feira. Que moral pode ser transmitida aos jogadores com adeptos destes?

Quente & frio

Gostei muito de ver o nosso novo presidente no lugar que lhe compete: a tribuna presidencial. Tendo consigo vários dos seus ex-opositores na recente corrida à liderança do clube. E acolhendo como anfitrião, com boas maneiras, o seu homólogo do Marítimo. Sem saltar da cadeira nem se pôr eufórico com os nossos golos  isso fazia ele quando era director clínico e se sentava no banco de suplentes. Saber estar é condição inerente a ser do Sporting.

 

Gostei da exibição leonina - talvez a melhor desta era Peseiro. Futebol de ataque, com jogadas bem desenhadas pela movimentação constante das nossas linhas médias em articulação permanente com os jogadores mais avançados no terreno. E o envolvimento do próprio quarteto defensivo, com os centrais a participarem na construção ofensiva. Ninguém diria que estes jogadores, em grande parte, só actuam juntos há poucas semanas. Também gostei das estreias de Jovane e Bruno Gaspar a titulares. Ambos corresponderam - o primeiro, desde logo, com um golo; o segundo, novamente muito influente, sofre a falta de que resulta o penálti e o nosso segundo golo e recupera a bola na jogada de que resultou o primeiro. Gostei ainda de Bruno Fernandes, que parece regressar à boa forma: marca dois golos, recupera a capacidade de iniciativa em campo e merece ser eleito o homem do jogo.

 

Gostei pouco do horário deste Sporting-Marítimo, iniciado às 20 horas de uma noite de domingo. Continuamos a ser penalizados com o calendário dos jogos. Mesmo assim, quase 30 mil pessoas acorreram a Alvalade para incentivarem a equipa na defesa do único título que fomos capazes de vencer na época anterior: esta Taça da Liga, a que alguns agora dão outro nome mas que para mim continua a denominar-se assim: o meu código deontológico proíbe-me de fazer menção a marcas comerciais.

 

Não gostei das ausências dos nossos lesionados Bas Dost, Mathieu (este quase recuperado) e Nani. Uma equipa que se vê forçada a deixar tão talentosos jogadores de fora e mesmo assim se comporta em campo como se nenhum contratempo a afectasse, é uma equipa digna de elogio.

 

Não gostei nada da patada que um tal Lucas aplicou de pitons em riste no peito do Wendel, quase no fim do jogo, quando era óbvio que o resultado (3-1) estava mais que decidido. Um acto indigno de um profissional de futebol, prontamente sancionado pelo árbitro Manuel Mota com vermelho directo. Esta conduta antidesportiva devia ser punida com castigos ainda mais severos do que os actuais.

Armas e viscondes assinalados: O regresso do brunismo

Sporting 3 - Marítimo 1

Taça da Liga - Fase de Grupos 1.ª Jornada

16 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

A noite afigurava-se tão serena que o francês chegou, em mais do que uma ocasião, a fazer alívios de bola directos para os pés dos adversários, permitindo-lhes jogadas de perigo, moderado quanto baste, para evitar cair nas teias do ócio sem deixar de manter a baliza inviolada. Pena que os colegas não tenham entendido o fino equilíbrio, permitindo que um tal Correa surgisse isolado e com a firme intenção de fazer o 2-1 que Salin lhe negara antes, numa daquelas estiradas vistosas com que os guarda-redes exponenciam as hipóteses de engatar miúdas.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Começou o jogo com um músico a quem distribuíram, por engano ou maldade, uma partitura diferente da entregue ao resto da orquestra. Melhorou com o passar do tempo, sem nunca acompanhar a pedalada do companheiro de ala. Em sua defesa, muito provavelmente também Ristovski não o conseguiria.

 

Coates (3,5)

Desta vez não presenteou os adeptos com a tradicional cavalgada pelo meio-campo contrário com a bola (mais ou menos) controlada, limitando-se a cabecear pouquíssimo ao lado da baliza no final da primeira parte. Naquela que passa por ser a ocupação principal do uruguaio - impedir os adversários de fazer desfeitas à baliza da sua equipa - esteve tão imperial quanto é costume.

 

André Pinto (3,0)

Viu um amarelo por fazer a um avançado do Marítimo aquilo que as barreiras policiais fazem aos automóveis em fuga. Talvez por isso tenha estado ligeiramente abaixo do nível que tem permitido não pensar demasiado no coro de tragédia grega que recorda a propensão de Mathieu para as lesões em todas as temporadas que não ficaram marcadas por invasões ao balneário.

 

Jefferson (2,5)

Agora que um cidadão acima de qualquer suspeita como o empresário de jogadores César Boaventura afirma que Lumor, o outro lateral-esquerdo do plantel, foi contratado apenas para recompensar um hacker, talvez fosse hora de Jefferson perder o medo de ser titular a prazo. Mas a presença de Gudelj na convocatória, sinal de que a adaptação de Acuña ao miolo tem os dias contados, pode ter contribuído para mais uma oportunidade perdida de causar uma boa impressão.

 

Battaglia (3,0)

Ser titular da selecção da Argentina em nada afectou o novo sucessor de Mascherano, que voltou a portar-se com os adversários como alguns chefes se portam com os subordinados. Mais discreto do que é habitual, aventurou-se menos no ataque. Ainda bem que foi uma noite inspirada para quem tem essa incumbência no organograma.

 

Acuña (2,5)

Ser suplente da selecção da Argentina talvez tenha afectado o homem que usa a camisola nove, foi contratado para a posição onze, tem jogado na posição oito e está destinado à posição cinco. Por muito que tenha lutado no meio-campo fica como o autor de um atraso descabido que sobrou para Danny, tendo o ex-sportinguista servido Correa para o golo do Marítimo.

 

Raphinha (4,0)

Dinamizou a ala direita do ataque sportinguista sem se esquecer de flectir para a zona de tiro à baliza. Pertenceu-lhe o primeiro lance de perigo e, depois de falhar o que seria um golo magnífico, com um remate acrobático, após uma assistência de peito de Montero, inaugurou o marcador, com ajuda de um defesa contrário e parecendo estar a escorregar, após uma assistência de pé de Montero. Na segunda parte manteve o ritmo frenético, merecendo fortes aplausos das bancadas quando recolheu ao banco, a poucos minutos do apito final. Já é o expoente da alt-right sportinguista, o que não deixa de ser invulgar num imigrante oriundo de outro continente.

 

Jovane Cabral (3,5)

Além de um novo contrato teve a primeira titularidade. Pouco habituado a primeiras partes dos jogos, exagerou no diletantismo, ao ponto de provocar um raro contra-ataque perigoso do Marítimo, nascido de um ‘Deslumbramento de Jovane com a posse de bola’, como lhe chamaria decerto um pintor renascentista. Depois do intervalo regressou mais à vontade, sofrendo a grande penalidade que deu origem ao 2-0, e pôde recolher ao banco de suplentes mais ou menos à mesma hora a que costuma dele levantar-se.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Cumpriu a estatística de ser amarelado logo na primeira parte - desta vez não pelas habituais palavras e sim por uma disputa de bola que desmontaria de uma só vez um armário do Ikea. A diferença em relação aos jogos anteriores é que retirou inspiração da advertência e encarou os últimos metros do relvado como a sua ostra. Irrepreensível a marcar o pénalti do 2-0, combinou na perfeição com Montero e com a força da gravidade para fazer o 3-1, afastando os defesas do alvo antes de desferir um remate que não permitiu grandes proximidades ao guarda-redes. Ainda esteve à beira do terceiro e/ou quarto golo, com um remate inventivo ao segundo poste (aproveitando o melhor cruzamento de Jefferson nesta segunda passagem pelo Sporting) e com um livre directo que passou pouco acima da barra. Frederico Varandas assistiu na tribuna presidencial, mas o brunismo está de regresso e reinou em Alvalade.

 

Montero (3,5)

Mais interessado em vir atrás para construir jogadas do que em ocupar as coordenadas geralmente ocupadas por um cavalheiro holandês visto pela última vez a exercer o dever cívico, dir-se-ia que Montero faz uma interpretação excessivamente literal do número dez que ostenta na camisola. Mas o certo é que chegou ao final do jogo com energia para disputar lances e duas assistências para golo nas estatísticas. Já se viu muito pior.

 

Gudelj (3,0)

Estreou-se com duas dezenas de minutos de presença física assertiva e de qualidade técnica patente na roleta marselhesa com que o sérvio ganhou uns metros de terreno e uns decibéis vindos das bancadas, conquistadas pelo reforço sérvio vindo da China.

 

Wendel (2,5)

Algo hesitante entre o meio-campo e o ataque, tentou servir-se da velocidade para fazer a diferença ao saltar do banco de suplentes. Poderia ter corrido isolado para a baliza se não tivesse sido derrubado por um golpe de artes marciais mistas que valeu cartão vermelho ao perpetrador que envergava equipamento do Marítimo.

 

Diaby (-)

Pede novas oportunidades para mostrar aos sportinguistas que há goleador para lá de Bas Dost.

 

José Peseiro (3,5)

Levou a sério a estreia na única competição em que o Sporting não conseguiu implodir na época passada, limitando as poupanças no onze. Certo é que a equipa esteve mais dinâmica no ataque e acertada na defesa do que vem sendo habitual, conseguindo aqui e acolá momentos de grande futebol. Bom timing nas substituições, sobretudo na entrada de Gudelj, capaz de relegar os também balcânicos Misic e Petrovic para uma amnésia daquelas de que por vezes padecem dirigentes de certos e determinados clubes.

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - De volta!

Com o regresso das competições de clubes - ontem, iniciámos a defesa da Taça da Liga -, voltou também o melhor Bruno Fernandes. No entanto, na primeira parte, foi Raphinha que dançou o Bailinho da Madeira. O brasileiro começou por rematar às malhas laterais, prosseguiu ao partir os rins e rasgar os olhos a Fábio...China, incrédulo com o seu movimento junto à linha de fundo insular, e acabou por descobrir o caminho Marítimo para a baliza de Charles, após assistência de Fredy Montero e excelente recuperação de Jovane Cabral. Mesmo ao cair do pano do primeiro tempo, e depois de um pontapé de canto superiormente executado por Jefferson, Coates ainda perderia, de cabeça, o segundo golo.

 

Na segunda parte, Bruno Fernandes, hoje investido como capitão da nau leonina, mostrou a gama de instrumentos de navegação (com bola) que possui. Só não precisou do astrolábio - o astro principal não estava no Céu, mas sim no relvado -. nem do quadrante (quarto-de-círculo), pois Peseiro insistiu para ser Jefferson a marcar os cantos. Mas usou muito a bússola e mapas, e assim, encontrou o rumo para (a baliza) Norte. Antes, o jovem Cabral voltou a ser protagonista, ao serpentear entre dois adversários, em lance em que foi carregado em falta dentro da área. Na conversão da grande penalidade, Bruno, com a sua habitual semi-paradinha, começou a deixar a sua marca no marcador. O Marítimo tentou reagir e, após um atraso precipitado do meio-campo do Sporting, marcou mesmo, num golo de Correa.

 

Não deu para grandes ansiedades, tanto dos jogadores como dos adeptos, pois na jogada seguinte o Sporting voltaria a obter uma vantagem de dois golos. Uma combinação entre Montero e Bruno Fernandes deixou o maiato em posição frontal e, com um remate seco e colocado ao primeiro poste, estabeleceu o terceiro da noite para a equipa leonina.

 

Ainda houve tempo para as estreias de Gudelj e de Diaby (o maliano jogou apenas escassos minutos) e para o regresso de Wendel. O sérvio foi, aliás, protagonista de uma roleta de belo efeito. Que seja sinónimo de sorte ao jogo! Menos afortunado seria o brasileiro, nocauteado por um compatriota (Lucas Áfrico) com jeito e nome de kickboxer.

 

No Sporting, destaque para Bruno Fernandes e Raphinha. Jovane e Montero estiveram em dois golos. Os restantes estiveram em plano regular, com Jefferson melhor do que nos últimos tempos.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

sportingmaritimotaçaliga.jpg

 

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

De terminar o campeonato como terminámos. Uma derrota contra o Marítimo no Funchal, por 1-2. Frente à mesma equipa que tínhamos vencido por 5-0 na primeira volta. Fracasso total: descemos ao terceiro lugar, por troca com o pior Benfica dos últimos dez anos, e dizemos adeus a mais de 20 milhões de euros, que nos seriam proporcionados pelo acesso à Liga dos Campeões, via pré-eliminatória. Foi tudo mau, coroando oito dias péssimos a vários níveis. Mas podia ter sido ainda pior: estivemos a um curto passo de sermos ultrapassados pelo Braga na classificação final.

 

Da equipa montada por Jesus. Mais do mesmo, excepto a troca do molenga Ruiz pelo esforçado mas desastrado Acuña. Mantendo em campo o proto-lesionado Piccini e um William em ritmo hiper-lento incapaz de reencontrar a boa forma desde que veio da lesão. Jogo mastigado e previsível - demasiado fácil de anular pela defensiva contrária. Incapacidade absoluta de dar um golpe de asa, como se verificou nas substituições. Quando meteu um tridente ofensivo, já em desespero, faltavam poucos minutos para o apito final.

 

De Rui Patrício. Foi o herói na Luz, que nos valeu o pontito somado em casa frente ao SLB. Desta vez surge como vilão aos olhos de alguns adeptos de fraquíssima memória. Protagonizou um frango, deixando entrar o golo que ditou o triunfo do Marítimo. Mas mesmo sem esse lapso do melhor guarda-redes português teríamos baixado ao terceiro posto e dito adeus aos milhões da Champions.

 

Do descalabro defensivo. Vinte golos sofridos fora em 17 jornadas da Liga. Ontem, mais dois. O primeiro resulta de evidente falta de comunicação entre Coentrão e Coates, que falham a intercepção do lance. Nenhuma equipa que aspira ao título pode sofrer tantos golos na condição de visitante, como sucedeu a este Sporting ainda treinado por Jesus.

 

Da ineficácia ofensiva. Chegamos ao fim quase como começámos: inofensivos no último terço do terreno, o que nos levou a concluir o campeonato apenas como quarta equipa mais goleadora - ultrapassados até pelo Braga hoje liderado pelo antigo treinador da nossa equipa B. Na segunda parte deste jogo não fizemos um só remate à baliza do Marítimo.

 

Do festival de passes falhados. Perdi-lhes a conta.

 

Da ausência do presidente. Há escolhas que dizem tudo. Num jogo crucial como este, após a publicação de uma entrevista em que mais uma vez decidiu  desancar os jogadores, horas após ter dado uma vergastada pública no próprio treinador, Bruno de Carvalho optou por não viajar à Madeira, preferindo rumar a Gondomar para festejar a Taça de futsal obtida frente ao poderoso Fabril do Barreiro. Eis um líder que só aparece nos bons momentos. Será este um verdadeiro "presidente-adepto"?

 

De escrever este texto. Mas é ponto de honra, para mim, manter esta série de "rescaldos" que dura há sete anos neste blogue, jogo após jogo. Cada texto permanecerá, para o bem e para o mal, como testemunho de um adepto leonino perante as sucessivas fases do futebol leonino - com o seu sempre renovado estendal de expectativas e o seu habitual cortejo de frustrações.

 

 

Gostei

 

Do Marítimo. Foi a melhor equipa em campo durante quase todo o encontro. Apenas superada pelo Sporting nos 15 minutos iniciais.

 

De Bas Dost. Não teve uma exibição deslumbrante, longe disso. Mas foi o único a conseguir metê-la lá dentro, uma vez mais, marcando o nosso golo solitário aos 32' - perfazendo 27 no total do campeonato. E ainda fez uma quase assistência para golo que Bruno Fernandes desperdiçou. Foi o menos mau dos nossos naquela que talvez tenha sido a última partida que disputou de verde e branco. Teremos saudades dele.

 

Da comparação com o jogo final da época anterior. Há um ano perdemos em casa, por 1-3, com o Belenenses. Desta vez fomos apenas derrotados por 1-2, fora de casa. Aos poucos, as coisas estão a melhorar. Lá para 2030, por este ritmo, talvez voltemos a vencer um campeonato.

O melhor prognóstico

Parabéns ao nosso colega de blogue JPT: só ele acertou no resultado do Sporting-Marítimo. O resto dos participantes nesta ronda de prognósticos jogou demasiado à defesa, não parecendo acreditar muito nas virtudes ofensivas do onze leonino.

Sexta goleada desta época (após as cabazadas contra Steaua de Bucareste, V. Guimarães, Chaves, Vilaverdense e União da Madeira), esta foi uma das mais saborosas. E deixa-nos invictos à entrada da segunda volta do campeonato.

Contra o que vaticinaram todos os profetas da desgraça, felizmente.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

De começar o ano com uma goleada no nosso estádio. Vitória clara sobre o Marítimo por 5-0 num jogo em que estivemos sempre mais próximos de marcar o sexto ou o sétimo do que a equipa adversária de rematar com êxito um só vez.

 

Da exibição leonina, sobretudo na segunda parte. Domínio absoluto do Sporting, que controlou sempre o jogo. Sem acusar qualquer desgaste provocado pela perda de dois pontos na Luz, há quatro dias.

 

Do regresso de Bryan Ruiz. O costarriquenho regressou à titularidade oito meses depois, assumindo a posição de médio de construção. Foi um regresso feliz, saldado por um golo - o segundo do Sporting, aos 50'. Ao ser substituído, aos 63', recebeu merecida ovação do estádio.

 

De Bas Dost.  O artilheiro holandês soma e segue: hoje fez mais três golos, aos 21', aos 74' e aos 78'. Golos à ponta de lança que o tornam cada vez mais indispensável no onze titular leonino. Leva já 16, só no campeonato.

 

De Bruno Fernandes. O melhor e mais influente jogador nesta partida. Não marcou mas esteve nos quatro golos leoninos. Aos 50' com um soberbo passe vertical isolando Bryan. Aos 74', rasgando a defesa contrária num centro a que bastou Dost encostar o pé. Aos 78', com um disparo fortíssimo para defesa incompleta do guarda-redes e consequente recarga do holandês. Aos 90'+2', com outro tiro de que resultou a recarga vitoriosa de Acuña. Merecia ter marcado pelo menos um.

 

De Fábio Coentrão. Grande partida do nosso lateral esquerdo, que hoje subiu muito mais no terreno por não termos extremo de raiz nesse corredor. Forte remate aos 9', pondo a defesa madeirense em sentido. Excelente cruzamento aos 15'. Intervenção directa no terceiro golo. Torna-se cada vez mais realista a hipótese de o vermos no Mundial da Rússia.

 

De Ristovski e André Pinto. Substituíram os habituais titulares, Piccini e Mathieu, lesionados. E cumpriram a função. O primeiro contribuindo para o caudal ofensivo leonino, o segundo ajudando a manter as nossas redes intactas. Prova evidente de que o Sporting tem banco.

 

Da aposta de Jorge Jesus em Iuri Medeiros. O jovem extremo leonino actuou nos últimos 20 minutos. Desperdiçou uma ocasião soberana de marcar, aos 83', quando se isolou frente ao guarda-redes. Mas ainda teve tempo de participar na jogada do quinto golo.

 

Da arbitragem de Carlos Xistra. Os jogadores facilitaram, é certo. Mas o árbitro acompanhou sempre bem as jogadas, deixou jogar, usou critério uniforme e revelou boa forma física. Oxalá fosse sempre assim.

 

Muda o ano, mantém-se a tenacidade dos adeptos. Éramos 41.754 em Alvalade. A puxar pela equipa, do princípio ao fim.

 

De ver o Sporting invicto no final da primeira volta. Ainda não perdemos nenhum jogo das competições internas desta temporada.

 

 

 

Não gostei

 

 

Do ritmo demasiado baixo na primeira parte. Em várias fases dos primeiros 45 minutos jogou-se quase a passo.

 

Do resultado tangencial ao intervalo. Aquele 1-0 sabia a pouco.

 

Da noite muito fria. Mas o calor não faltou nas bancadas do nosso estádio.

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