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És a nossa Fé!

A sabedoria dos velhos

Em muitas sociedades ser velho significa sabedoria, gente que fez e viveu muito, fez a sua síntese do melhor e pior que vivenciou e melhor do que os outros consegue distinguir o trigo do joio. Para além disso, não anda à procura de nada nem anda a pagar favores a ninguém e pode com a maior liberdade dizer o que vem à alma. 

Vem isto a propósito de duas intervenções de dois "velhos" esta semana sobre o nosso Sporting, onde tiveram em tempos papel relevante.

Disse Dias da Cunha à TSF (o "velho" do último título e dobradinha) sobre a presidência:

"... ser preciso dar tempo ao tempo", pois Frederico Varandas "pegou no Sporting em condições absolutamente desgraçadas... Mesmo assim, tem conseguido ultrapassar os problemas financeiros o que é espantosamente difícil ... eleições antecipadas estão fora de questão." E sobre a contestação "As pessoas cegam! Ou, então, pretendem cegar para arranjar condições para chegarem ao poder. Depois, há aqueles que aproveitam a contestação das claques porque ainda pensam no regresso do bronco. Isso é muito mau para o Sporting."

Disse Manuel José à RTP3 (o "velho" dos 7-1 ao Benfica que me deu um dos maiores prazeres que tive no futebol na bancada de Alvalade):

"... o departamento de scouting do clube de Alvalade deve ter problemas de consciência que nunca mais acabam... não me lembro duma equipa tão ruim em Alvalade como este ano... A atmosfera continua difícil. Se olharmos para este jogo, a segunda parte do Sporting, por amor de Deus, foi horrível! Tive de ver porque vinha para aqui, senão tinha mudado de canal, com tantos jogos que estavam dar na televisão. Esta história de jogar com três centrais, meus amigos, joguei oito anos assim no Al-Ahly, no Egipto, e quatro anos no Boavista. Quando o nosso defesa central ganhava a bola, se o adversário metesse cinco jogadores no ataque ele tinha de sair imediatamente a jogar e a defesa toda saía com ele, para pôr aqueles cinco jogadores, caso perdêssemos a bola, em fora de jogo. E o líbero subia para a posição dele. No Sporting o único que faz isso é o Mathieu. O Coates é muito bom a defender, mas quando tem bola, aquilo para ele é um objecto estranho, não sabe o que lhe fazer. Joga um futebol directo mas a bola não vai para ninguém, vai sempre para o adversário".

 

Pois, se calhar custa a ouvir e mais ainda custa a engolir para quem tem dono. Para quem o único dono é o Sporting, só tem mesmo de ouvir e reflectir...

 

Quem preferir ouvir o Pina ou o Pinotes, faça favor...

 

SL

O que é isto???

Foi o que eu e Manuel José (ver Record) pensámos quando vimos o onze que Silas fez alinhar em Alverca, com três craques no banco, três tristes trincos que nada trincavam, e coxo do lado esquerdo.

Depois viemos a saber que Silas não quer heróis, quer uma equipa, e que considerou que a primeira parte foi bem melhor do que a segunda. Parece que depois do intervalo só queriam ganhar o jogo e não tentar repetir os elaborados esquemas tácticos que tinha andado a treinar.

Como se não tivesse sido um dos tais heróis o principal responsável pelas duas vitórias anteriores e não as desconchavadas tácticas que Silas se lembrou de apresentar.

Manuel José fala em imprudência, em desaproveitamento duma oportunidade de carreira que lhe caiu do céu. Eu falo de impreparação e deslumbramento

Agora leio que Silas, Viana e Beto foram para cima dos jogadores, já mais que à beira dum ataque de nervos (vide o Neto), e confundidos com tanta táctica e modelo de jogo novo para aprender.

Isto está a ir de mal a pior...

E se os três, todos juntos, desamparassem a loja e deixassem o Bruno Fernandes tratar da coisa?

SL

Memórias a propósito do Braga-Porto

Não tenho acompanhado os jogos portugueses, literalmente perdi a paciência. Não é a primeira vez que isto me acontece. A primeira vez, assim tão radical, foi no início dos anos 1990s. Tinha por costume ir ver os jogos em casa, antes na superior, depois na "bancada nova". Num Sporting-Porto, que terminou 0-0 (1990?, 1991?, por aí ...), saí tão irritado com o árbitro - um mariola muito sabido, que controlou o jogo com "faltas" e "desfaltas" a meio-campo, assim sem ter que recorrer aos "roubos de catedral" - que jurei não voltar aos estádios. Com efeito, para quê gastar dinheiro e, fundamentalmente, tempo, em algo que se sabe estar viciado? Só regressei a Alvalade para ver o Real Madrid (1994/1995), numa eliminatória que o Sporting ingloriamente perdeu por défice de guarda-redes.* Já emigrado, durante umas férias no país em 2002, ali voltaria ainda para me despedir do estádio antes da sua patética demolição - a estupidez de construir um estádio novo em vez de um municipal é uma coisa tão vergonhosa que os adeptos continuam a falar de outras coisas -, numa derrota caseira contra o Porto, mas tendo tido o prazer de ver o recém-titular Quaresma, então em puro estado mustang, e também um jovenzito ex-júnior (como se dizia antes desta patetice de chamar "academia" às escolas de jogadores), um tal de Cristiano.

Depois, neste novo Alvalade - um estádio feio, piroso mesmo, mal-construído, como se percebeu pela rábula do relvado, e desconfortável, de tão empinado que é - estreei-me, também quando em férias, para ver o Inter ainda com Figo. Percebi que estava velho para este desporto de bancada. Ainda via bem, só usei óculos para ler passados uns anos, e levei cerca de 10 minutos para reconhecer o Figo, lá em baixo no relvado. Pagara 13 ou 14 contos pelo bilhete (65-70 euros, qualquer coisa assim) e estava tão acima que nem percebia em quem eram os jogadores! Após regressar a Portugal fui para aí 10 vezes ao estádio: levei a minha filha a estrear-se, a seu pedido; levei os meus sobrinhos-netos; um afilhado de casamento moçambicano (benfiquista); velhos amigos que nunca lá tinham ido, pretexto para patuscadas; a convite de um amigo com quem venho ombreando desde os tempos da primária (e da superior do velho estádio); a convite de afilhado. Sempre coisas assim, sempre com algum motivo para além do jogo ou do clube.

Enfim, dito isto não serei um adepto exemplar, principalmente para gente que se orgulha de "não perder um jogo", como se disso retirassem um qualquer mérito. Estar no estádio é bonito, dá azo a sensações extra-ordinárias, fora do quotidiano? Sim, tal como os jovens adoram discotecas, são modalidades ruidosas e colectivas de atingir formas de êxtase, episódico. Para esses "meritocratas" um tipo opor que essa coisa do "êxtase", um lampejo de suprema alegria que os pobres de espírito confundem com felicidade, pode ser encontrado num registo privado (ou mesmo solitário) - num trecho de um livro, numa música, num vinho especial, numa desgarrada de gargalhadas, num estremecer feminino (ou masculino, para não me acusarem de homofóbico), num cena bíblica exposta numa penumbra eclesiástica, num belo debate - é sempre apupado como dado à "intelectualice", quando não à mera "cagança" - e isto mesmo se o exemplo for o tal erótico, pois nesse eixo de entendimento, o da idolatria do adeptismo, o importante é o "golo", um gajo vem-se, limpa-se às cortinas, e abala. Enfim, há gente que para prescindir do hamburguer só se for para se dedicar ao bitoque. Ou à bifana. Por mim gosto de bifanas e de bitoques, da festa do "golo!!!!". Mas, e repito-me, esta coisa do jogo estar mafiado cansou-me. Enjoei hamburgueres. Sim, tem piada (tem "mérito", para os meritocratas do "não falho um jogo", "amo o clube" - meu Deus clamo, ateu que sou, sempre que ouço estes "amores" a um mero clube da bola) que os "nossos" rapazes ganhem, jogando limpo, com um bocado da malandragem (o "pisão" do bom do Jorge Andrade) necessária à vida. Agora assim, no meio do mais puro aldrabismo? Passei. 

Tudo isto me veio à memória ao ver imagens do resumo do jogo Braga-Porto para o campeonato. Lembrou-me um Braga-Porto de início de 1990, não posso precisar o ano. Mesmo no final do jogo, com o resultado a 0-0, o árbitro (que julgo ter sido um tipo chamado Fernando Correia) marcou um penálti escandaloso contra o Braga, inventando uma mão na bola mesmo à sua frente. Uma óbvia encomenda. Acho que o Porto, para cúmulo do ridículo, falhou o penálti (Kostadinov?), mas isso pouco importa. Passaram quase trinta anos. Ao fim de anos a fio a pedir-se a introdução das "novas tecnologias", como se estas viessem dar "novas oportunidades" a um negócio desacreditado, em plena era do VAR o Porto vai a Braga e a equipa de arbitragem rouba descaradamente o clube da casa. Tal e qual os maus velhos tempos.

E lembrado disso fui googlar imagens ou informações desse velho jogo. Não encontrei mas os algoritmos conduziram-me a uma bela entrevista de Manuel José, publicada em Agosto de 2018. Muito  interessante, é uma "história de vida", cheia de episódios sumarentos, tanto sobre o mundo do futebol desde a sua juventude até ao seu apogeu como técnico em Portugal, com referências a inúmeros agentes conhecidos. E também sobre as suas presenças no estrangeiro. Mais interessante ainda pois  Manuel José aborda os contextos laborais e sociais das épocas passadas, constituindo um lampejo da história social do país através do futebol. Tudo isso narra, com interesse, humor, sageza, e uma apreciável franqueza, até com episódios algo pícaros. A primeira parte dessa belíssima entrevista está aqui, e a segunda aqui.

Ora é nessa segunda parte que ele diz, sem complexos, que "naquela época" [a década de 1990] "compravam-se equipas de arbitragens como se fossem tremoços". E que ele próprio aconselhou determinado presidente do clube no qual estava a comprar árbitros para ser campeão. O futebol era assim, como havia sido em décadas passadas.

E assim continua a ser. Mostra-o o jogo de Braga. Aliás, mostra-o os jogos de Braga. O da roubalheira do jogo da Liga, a cargo de um tal de Xistra, ao que julgo lembrar (vai sem google). E o da meia-final da Taça, importante jogo apitado por aquele Mota, assim recompensado da inacreditável expulsão de Ristovski no jogo anterior.

Honestamente, o que me custa a entender é o masoquismo generalizado (e também o meu), décadas passadas de "paixão" (e alguns, coitados, até de "amor") por um jogo que é esta javardice. Não está uma javardice. É esta javardice.

 

*Para confirmar a data pesquisei o jogo. Encontrei a ficha do jogo. O Sporting alinhou com Lemajic, Nelson, Marco Aurélio, Valckx, Paulo Torres, Oceano, Figo, Peixe, Sá Pinto, Juskowiak, Balakov. Ontem o Pedro Correia fez um postal interrogando os leitores sobre que jogadores deveriam sair. Um tipo vê a qualidade individual de uma equipa de há 25 anos e constata que tirando o guarda-redes, que destoava, todos entravam sem qualquer hesitação na equipa actual. E nisso se percebe o quanto decaíu o clube neste quarto de século.

Manuel José e o "fascínio" das derrotas

Mesmo com a Taça da Europa já conquistada e exibida em Portugal, e com largos milhares de pessoas apoiando a selecção nas ruas das mais diversas cidades mundiais, de Paris a Díli, não passa um só dia sem que as carpideiras de turno surjam nas pantalhas a bramir contra o "futebol feio" praticado pela equipa das quinas no Euro 2016.

Curiosamente, nenhuma dessas carpideiras nos indica qual terá sido o "futebol lindo" observado nos estádios franceses que sirva de modelo a Portugal.

Era bom que elucidassem gente como eu.

 

Na primeira linha dos disparos, o que não é inédito, figura um técnico de futebol: Manuel José.

Há pouco mais de 24 horas, na RTP 3, o português que chegou a brilhar no campeonato egípcio ultrapassou tudo quanto já dissera antes, proferindo esta declaração: "Dizem que jogámos futebol [no Euro 2016], não jogámos à bola. Então eu prefiro que se jogue à bola. Porque no fundo o que o povo quer é isso: ganharmos com qualidade. Se temos qualidade não podemos jogar um futebol medíocre. Quanto melhor jogarmos, aumentam as possibilidades de podermos ganhar. De vez em quando não ganhamos, mas isso é o fascínio que o futebol tem."

 

Admiro a ousadia destes comentadores que falam em nome do "povo", como Manuel José agora fez. Ignoro quem o mandatou como porta-voz dos portugueses, mas declaro desde já que não lhe passei procuração para falar por mim.

Eu, ao contrário dele, não sinto o menor "fascínio" em perder. Foi isso que sucedeu nos campeonatos da Europa durante mais de meio século: fomos perdendo sempre. Ou porque não atingíamos a qualificação para a fase final ou porque sucumbíamos à beira do fim, quase a atingir o objectivo.

Ao contrário do que sucedeu agora. Fascinante, para mim, é ganhar.

 

Quanto ao "futebol medíocre" a que alude Manuel José, lamento desiludi-lo, mas a UEFA não partilha da opinião dele.

Se partilhasse, não teria incluído dois golos portugueses nos cinco que seleccionou com vista à votação em linha que decorre para eleger o melhor do torneio: o de Cristiano Ronaldo contra o País de Gales e o de Éder contra a França.

Presumo que nenhum deles merecerá o voto de Manuel José. Mas garanto-lhe que é retribuído: eu também não votaria nele para seleccionador nacional.

Certíssimo

«Marco Silva tem feito um excelente trabalho. Está na final da Taça de Portugal e pode ganhar o segundo troféu mais importante do calendário competitivo português. Isto atesta a sua qualidade como treinador. Acho absolutamente indecente andarem todos os dias a perguntar a Marco Silva se ele vai continuar no Sporting ou não. Ele tem contrato por mais três anos. Não estão a respeitar o treinador e o homem que tem feito um bom trabalho. O Sporting tem uma identidade própria, joga muito bem.»

Manuel José, ontem, na RTP i

Manuel José sobre Shikabala

«É um jogador de enorme talento, mas uma fonte de problemas também. É, de facto, a contratação de um excelente jogador. Se quiser jogar pode ajudar imenso o Sporting. (...) Eu quis contratá-lo quando ele esteve no PAOK.»

Rádio Renascença, 29 de Janeiro

 

«Se me tivessem ligado a perguntar pelo Shikabala teria dito que ele era um pequeno génio, mas aconselharia a não o contratarem porque é uma loucura.»

Antena 1, 21 de Novembro

Manuel José precisa de óculos

 

De vez em quando ouço alguns sportinguistas dizer que Manuel José é que seria a pessoa indicada para conduzir os destinos da selecção nacional de futebol. Pensei hoje nessas opiniões ao ler no Record uma catilinária deste treinador contra o nosso William Carvalho. Sim, contra o William - que ele aponta como um dos piores elementos do Portugal-Gana de ontem. A par de Éder, vejam lá.

Diz ele, textualmente: «Não gostei da exibição de William Carvalho. Falhou muitos passes e esteve apático, sem correr riscos. Também Éder me desiludiu. Tem muitas dificuldades técnicas e, no que diz respeito ao domínio de bola, esteve péssimo.»

 

Ao equiparar William a Éder, Manuel José dá a entender que mal reparou no desafio. Não pode ter visto o mesmo jogo que eu vi. Não pode ter visto o mesmo jogo que viu António Oliveira, que também nesta edição do Record, umas tantas páginas adiante, escreve o seguinte: «William Carvalho trouxe segurança à equipa e mostrou que a sua capacidade de recuperação de bolas fez imensa falta nos jogos com Alemanha e EUA. Era a melhor solução para a posição de trinco.»

Oliveira viu o mesmo jogo que eu vi. Tal como viu Vítor Pinto, ainda no Record, que avalia os jogadores um a um. Sobre William, escreveu isto: «Chegou a parecer ter pouca confiança por insistir no jogo posicional, onde foi importante como guarda-costas dos centrais nas segundas bolas. Todavia, também foi uma solução fiável como ponto de apoio para o início de construção e cumpriu.»

E para não me ficar só pelo Record, transcrevo igualmente a apreciação que José Manuel Freitas faz de William na edição de hoje do jornal A Bola: «Face ao conservadorismo de Paulo Bento não esperávamos ver o sportinguista na posição 6. Fez bem o técnico em confiar-lhe o lugar, pois a sua serenidade, não a sua velocidade e é aí que deve apostar, trouxe a calma que o sector necessitava. O futuro da selecção nesta posição está garantido! Vamos vê-lo titular no Euro-2012.»

 

Todos viram o que Manuel José não viu. Conclusão: o ex-treinador do Al-Ahly precisa urgentemente de óculos com graduação muito forte. Apetece-me perguntar: é mesmo este homem que alguns sportinguistas gostariam de ver como seleccionador nacional?

Detalhes III: os candidatos frustrados

Parece que Manuel José foi lixado por Queiroz. Parece que Queiroz foi medíocre na África do Sul, mau gestor de jogadores como ele é - mas continua a achar-se' o maior!'. Pois bem, na véspera mesmo da partida para a Polónia deram um recital de declarações sem nexo, incendiando mais e mais o ambiente anti-seleção, para delícia dos media. Os jogadores de Manuel José andam sempre de autocarro, mesmo quando chegam aos treinos e à concentração? Nunca houve, nas equipas do treinador, demonstrações de novo-riquismo? Os jogadores ganharam ou perderam jogos por chegarem à concentração de Ferrari ou de trotineta? Proponho que, quando Manuel José for selecionador, reunam os jogadores na sede da FPF e façam uma cavalgada até Óbidos, patrocinada pela Sociedade Equestre Portuguesa. Com o treinador à frente, fardado de Joana D'Arc. Precedido por Queiroz, apeado, mas à espadeirada a tudo e a todos. Ganharemos o Mundial, com certeza.

Uma revelação com dois anos de atraso

Aproveitando a boleia de Manuel José, que saiu a terreiro com "duras críticas" (uma redundância de que alguns jornalistas abusam até à náusea, como se houvesse 'críticas moles') à preparação da selecção nacional, Carlos Queiroz quebrou a sábia reclusão mediática em que mergulhara para deitar também achas na fogueira. Revelando que quando era seleccionador chegou a receber uma proposta para que fossem os adeptos a escolher o 23º jogador destinado a integrar o lote de futebolistas portugueses no Mundial 2010.

Ignoro se Manuel José se sente lisonjeado por ver agora a seu lado o actual seleccionador do Irão, que deixou poucas ou nenhumas saudades no seu atribulado percurso de dois anos (2008-2010) à frente dos destinos da nossa selecção. Mas espanta-me (ou talvez não) que Queiroz, havendo permanecido em silêncio todo este tempo, só agora tenha decidido revelar a nefasta influência exercida pelos patrocinadores nos corpos dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol. A três dias do decisivo jogo Alemanha-Portugal, partida de arranque da nossa campanha neste Europeu. Há coincidências que não lembram ao diabo...

Razão tem mestre Fernando Correia, que ainda há pouco escutei com a atenção de sempre na TVI 24: «O grande problema de Manuel José e Carlos Queiroz é não serem seleccionadores nacionais. Se o fossem, as críticas não seriam neste tom.»

Julgo que com isto fica tudo dito. Passemos adiante.

Publicado também aqui

O que dizem eles

 
« Isto não é profissional; anda um país inteiro atrás de uma selecção que passa a vida em festas e mais festas, é um circo autêntico »
-    Manuel José    - 
Observação: Disse isto, entre outras coisas, incluindo críticas aos carros dos jogadores. Não é difícil compreender a má disposição de Manuel José. Primeiro e sobretudo, esta é a sua natural personalidade, a mesma que eu tive a infelicidade de conhecer em duas ou três ocasiões que lidei com ele ao longo dos anos. Segundo, é por de mais evidente que não esquece e guarda enorme rancor por nunca ter tido a oportunidade de ser seleccionador nacional. Muito dessa lacuna no seu palmarés deve-se precisamente à sua personalidade e não à sua já demonstrada capacidade técnica, em diversos clubes. O timing das suas declarações, a quatro dias do primeiro encontro de Portugal no Euro 2012, é lamentável e só pode ser atribuído à essência do homem; rude, carrancudo e de péssimas relações. Não me parece que haja qualquer aproveitamento positivo a extrair disto, mas se acabar por motivar os jogadores, ainda mais, tudo bem. O mediatismo concedido às suas declarações pela comunicação social acaba por ser uma valorização do ridículo, independente da eventual prestação da Selecção Nacional. Se correr mal, inúmeras serão as vozes acusadoras, como é costume, se correr bem, os mesmos que agora criticam serão os primeiros a querer embarcar no comboio das celebrações, à excepção de Manuel José, claro. Sempre foi assim e sempre será.

Futebol de morte?

Oiço na Antena 1 o treinador Manuel José a falar directamente do Egipto. Nada de tácticas, golos ou defesas do guarda-redes. Acreditem... estava a falar de muitos mortos e feridos no estádio, nos corredores e nos balneários. Uma coisa estonteante, chocante, deplorável que não dá para acreditar... A dada altura oiço-o dizer que entrou no balneário da sua equipa e que estavam lá vários mortos... Mas, o que é isto? Vou tentar saber.

 

Adenda: Pelo menos 73 mortos em jogo de futebol no Egipto. 

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