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És a nossa Fé!

Quem cala consente

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Passaram mais de 24 horas. Pedro Madeira Rodrigues teve oportunidade de se demarcar das miseráveis declarações de José Maria Ricciardi, que um mês depois da enorme derrota eleitoral sofrida no Sporting veio assumir-se como "oposição" a Frederico Varandas, anunciando alto e bom som: «Não estou disposto a ajudar esta direcção.»

Nunca vi ninguém com tão mau perder, tão aziado e tão disposto a disparar "fogo amigo" contra uns órgãos sociais recém-eleitos. Madeira Rodrigues, que na recta final da campanha eleitoral se juntou a Ricciardi dizendo que o banqueiro era «a melhor solução» para o Sporting e assim ambos conseguiriam «juntar forças», mantém-se em silêncio.

Ora quem cala consente. Sem dizer uma só palavra, Madeira falou até de mais.

Convém lembrar

Faz hoje um mês, os sportinguistas votaram em massa para escolher um novo presidente. Houve seis candidatos. Todos declararam alto e bom que iriam manter José Peseiro como treinador da equipa principal de futebol.

Por ironia, o único que defendeu o despedimento de Peseiro foi um sétimo - o candidato que fugiu das urnas. Pelos vistos há hoje quem esteja em sintonia com ele. Foi pena Madeira não ter ido a votos. Talvez Ranieri fosse hoje o nosso treinador e andássemos todos muito contentes.

União de fato

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Com os boletins de voto já impressos, muitos votos por correspondência já chegados a Alvalade e sem qualquer possibilidade estatutária de introduzirem alterações futuras na composição dos órgãos sociais pré-fixados, José Maria Ricciardi e Madeira Rodrigues decidem «unir candidaturas», demonstrando cada qual que os "debates" em que alegadamente se enfrentaram eram uma farsa destinada apenas a duplicar tempo de antena.

Eis os piores truques da política transpostos para o futebol. Não custa vaticinar que esta manobra de última hora resultará num jogo de soma zero entre aquele que foi um dos maiores responsáveis por anos de descalabro financeiro do Sporting enquanto vice-presidente do Conselho Fiscal e o corajoso "opositor" a Bruno de Carvalho a coberto de pseudónimos em blogues.

Um diz apostar tudo em Peseiro, o outro quer correr com ele para dar lugar a Rainieri. Um escolhe José Eduardo para organizar o futebol leonino, o outro já disse do antigo defesa o que Maomé nunca disse do toucinho. Fazem um lindo par.

Esta "união de fato" é uma excelente notícia. Para Frederico Varandas e João Benedito.

Debate Madeira-Ricciardi: algumas frases

José Maria Ricciardi:

  • «O doutor Carlos Vieira é um dos principais culpados pelo descalabro do Sporting.»
  • «Se eu ganhar, como penso, vou alterar os estatutos do clube de maneira que alguém que seja destituído por justa causa não possa, em nenhuma circunstância recandidatar-se.»
  • «Não tenho nada uma visão negativa das claques, muito pelo contrário.»
  • «Sem dinheiro não há futebol.»
  • «Este fantástico doutor Vieira já gastou 60 milhões dos 68 milhões que o Sporting tem para receber nos próximos dois anos [em direitos televisivos].»
  • «O Sporting não tem mais tempo para errar.»

 

Pedro Madeira Rodrigues:

  • «Carlos Vieira e os outros seis elementos do anterior Conselho Directivo fizeram muito mal ao Sporting. É com grande surpresa que vejo Dias Ferreira apresentá-lo. Muitos sportinguistas não esquecerão tão depressa aquele grupo dos sete e o mal que eles fizeram ao Sporting. Um grupo de yes men: Carlos Vieira também faz parte desta designação.»
  • «O Sporting vive uma crise de valores. O Sporting vive de uma lufada de ar fresco, de gente íntegra.»
  • «Infelizmente, vários presidentes usaram as claques para apoiarem o seu poder pessoal. E as claques não devem servir para apoiar presidentes nem direcções: devem servir para apoiar as equipas.»
  • «Vamos apostar tudo nesta época, e na próxima época, para podermos chegar rapidamente à Liga dos Campeões.»
  • «Eles [Bruno de Carvalho e Carlos Vieira] herdaram um poço de petróleo. Quando lá chegaram, aquela formação do Sporting - a melhor formação do País - tinha feito Rui Patrício, Cédric, Rúben Semedo, Ilori, Bruma, Adrien Silva, William Carvalho, João Mário...»
  • «O Sporting tem de voltar a ser inovador em termos de marketing

O frente-a-frente realizou-se esta noite, na CMTV

Debate Ferreira-Madeira: algumas frases

Dias Ferreira:

  • «Você quer pôr Peseiro como adjunto do Ranieri?»
  • «Se o Pedro Madeira Rodrigues fosse o único candidato à presidência do Sporting, o José Peseiro já tinha feito as malas, de certeza absoluta.»
  • «Seria de um cinismo e de uma hipocrisia eu estar aqui a dizer que o José Peseiro é o meu treinador ideal.»
  • «De todos os candidatos, quem melhor conhece o clube é evidente que sou eu. O meu currículo fala por mim.»
  • «Para a formação, espero contratar o professor Tomaz Morais.»
  • «O Sporting só tem de fazer uma coisa: ir buscar os melhores. Porque nós temos direito aos melhores.»
  • «[Muitas vezes] gastamos muito dinheiro com os que não são melhores nem são piores: são maus. Ou incompetentes.»
  • «O projecto das academias, estas e as internacionais, é a menina dos olhos do meu programa. Sonho há muitos anos que tenhamos uma escola de cultura sportinguista.»
  • «A formação tem de ser a grande aposta do Sporting.»
  • «Agradeço o apoio do doutor Carlos Vieira. (...) Toda a gente lhe atribui a maior competência. Foi uma coisa que me satisfez, o apoio que ele me deu.»

 

Madeira Rodrigues:

  • «É muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos divide.»
  • «Depois deste excessivo protagonismo de Bruno de Carvalho, queremos um presidente discreto. Quem deve falar, no fim dos jogos, é o treinador e os jogadores.»
  • «De todos os candidatos, sou o único que tem treinador para os próximos três anos. Quando perguntam aos outros sobre Peseiro... "ah, vamos lá ver... vai depender dos resultados..."»
  • «Não vejo Peseiro como treinador principal para o nosso clube.»
  • «Vamos fazer uma revolução dentro da academia porque perdemos muito terreno para os rivais nos últimos tempos. (...) Em termos de gestão, o Sporting tem de dar uma grande volta.»
  • «Não gosto de dizer bem dos nossos rivais, mas trabalhei com Domingos Soares Oliveira e o Sporting precisa de fazer a revolução que ele fez no nosso clube rival.»
  • «O Sporting, em Portugal, foi o primeiro a ter uma claque. Foi o primeiro a ter a SAD. Foi o primeiro a ter a academia. Foi o primeiro a fazer a gamebox. Tem a ver com a nossa natureza - sermos inovadores, sermos arrojados.»
  • «O doutor Dias Ferreira nasceu em 1947, como o meu pai, e eu nasci em 1971 e tenho 47 anos. Acredito que estou na altura certa para ser presidente do Sporting. Tenho maturidade, tenho experiência, tenho a garra.»
  • «Tenho todo o respeito pelos ex-atletas do Sporting, mas a grande força do Sporting somos nós, os sócios e os adeptos normais.»
  • «Eu gostava de ter 100% do capital da SAD.»

O frente-a-frente realizou-se esta noite, na Sporting TV

Debate Madeira-Varandas: algumas frases

Frederico Varandas:

  • «Neste momento precisamos é de apoiar José Peseiro.»
  • «O Sporting Clube de Portugal tem de passar a ser um vencedor crónico no futebol.»
  • «Em 2017 votei Bruno de Carvalho.»
  • «Relação íntima, nunca tive nem com este presidente [Carvalho] nem com o anterior. Sou uma pessoa que não mistura muito o trabalho com a vida social.»
  • «Muita gente diz que saltei do comboio. Não. Eu estava numa carruagem que se chama Sporting Clube de Portugal e senti que o comboio entrou fora de rumo, em autodestruição. Eu saltei desta carruagem e, para defender o Sporting Clube de Portugal, tentei entrar na casa das máquinas.»
  • «Considero que temos o conhecimento fundamental para criar condições para vencer, nomeadamente o título nacional.»
  • «Se houver condições, não sou a favor de acabar com os sub-23. Tem de se perceber é se há condições físicas. Agora os sub-23 de maneira alguma substituem a equipa B. (...) A competitividade da Segunda Liga é diferente: é um jogo mais difícil, mais viril, mais duro.»
  • «O banco [de suplentes] não é o lugar do presidente. Não faz sentido. Via-se antigamente, nos anos 80... Era outro estilo.»
  • «Em pleno século XXI, é incompreensível e intolerável que não haja voto sem ser em Lisboa. O Sporting Clube de Portugal deve o nome Portugal aos núcleos que estão espalhados por todo o País, mas quem decide o acto eleitoral, em cerca de 90%, é o Sporting Clube de Lisboa - e isto não é justo.»

 

Madeira Rodrigues:

  • «Hoje não quero falar sobre o treinador. Hoje é dia de Sporting, é dia de Peseiro, é dia de equipa. Não quero minimamente falar sobre Ranieri.»
  • «A identidade do Sporting foi-se perdendo nos últimos anos. Eu não acuso só Bruno de Carvalho.»
  • «Somos amorfos. O Sporting fica em segundo e as pessoas vão festejar o segundo lugar. Mas que raio de clube é este?»
  • «Um dos valores do Sporting é termos esta democracia interna. Temos muitas opiniões diferentes - e ainda bem. Nós não somos cordeirinhos, como nos outros clubes. Ainda bem.»
  • «Tu [Varandas] és um fantástico médico.»
  • «Estaremos mais próximos de ser campeões nacionais com a nossa equipa do que com qualquer outra.»
  • «Vou-me rodear das melhores pessoas - e pessoas que saibam muito mais do que eu.»
  • «Eu quero o Sporting de volta à equipa B. Foi um dos maiores erros - e uma das maiores vergonhas, o Sporting ter tido uma equipa a baixar de divisão.»
  • «Temos de fechar o fosso, obviamente.»

 

O frente-a-frente realizou-se esta tarde, na Sporting TV

Impressões do debate

 

Benedito

O melhor - Lembrou que o opositor, no ano passado, se vangloriava de que Álvaro Sobrinho iria ajudá-lo a «recomprar a academia».

O pior - Faltou-lhe o reflexo instintivo do guarda-redes que já foi: escorregou na casca de banana que Madeira Rodrigues lhe colocou debaixo dos pés e sofreu um golo.

 

Madeira

O melhor - Confrontado com um péssimo resultado na sondagem de hoje do jornal A Bola, jogou ao ataque e fez sair o oponente da zona de conforto, encostando-o às cordas.

O pior - Não havia a menor necessidade de se autoqualificar como "excelente gestor". Elogio em boca própria é vitupério.

 

Debate Benedito-Madeira: algumas frases

João Benedito:

  • «Aquilo que tem invadido o Sporting é o excesso de protagonismo das direcções.»
  • «Estás a levar as coisas para o caminho errado.»
  • «Muito recentemente, temos o presidente de um clube rival dizer que se vai aproveitar de uma situação para vir aqui contratar jogadores. [Agora] recebemos um convite para retomar relações institucionais e sentarmo-nos na tribuna da Luz. Isto não pode acontecer! Nós temos de defender o Sporting acima de tudo!»
  • «É com esses chavões que tu queres liderar o Sporting?»
  • «Estive em assembleias gerais onde tu não foste!»
  • «Tu devias aprender a respeitar a identidade do clube e a partir do dia 9 vais ter que respeitar. E espero que a respeites em relação a mim.»
  • «Mandei-te uma mensagem depois das eleições [de Março de 2017] a dar-te força. Fala disso também!»
  • Eu construí a minha vida, construí as minhas empresas, tudo do zero.»
  • «A sustentabilidade das modalidades passa por pessoas como o Pedro não aparecerem lá só nas finais.  Quantas gameboxes para as modalidades compraste, Pedro?»
  • «Há um ano e três meses tu dizias que o Álvaro Sobrinho ia ajudar-te a recomprar a academia! Como é que está essa situação agora?»

 

Madeira Rodrigues:

  • «As claques são uma parte fundamental do Sporting Clube de Portugal. (...) Mas começámos a ter presidentes que ficavam reféns das claques e usavam as claques a seu bel-prazer.»
  • «Para termos força, o Sporting tem de se reorganizar. E temos, acima de tudo, que voltar a viver os nossos valores.»
  • «Tu [Benedito], quando falas da cultura-Sporting dos atletas, parece que estás a menosprezar, de certa forma, os sócios.»
  • «Falta cultura de vitória. (...) A cultura perdedora instalou-se no Sporting, com o festejo dos segundos lugares.»
  • «[Sou] um excelente gestor.»
  • «No ano passado estive sozinho a defender o Sporting. Onde é que tu estavas, no ano passado, a defender o Sporting? Onde é que tu estavas? (...) Tive coragem e tu não tiveste!»
  • «Em Fevereiro de 2018 passámos por uma assembleia geral na qual Bruno de Carvalho quis tomar controlo do clube. Eu falei praticamente sozinho, tive pouca gente, levámos pancada, fomos apelidados de sportingados. João, onde é que tu estavas nesse dia? Onde é que estavas nesse dia?»
  • «Isto não se vai discutir só nas ideias. Vai-se discutir na personalidade, na liderança.»
  • «Estás a apontar-me o dedo?! Mas o que é isto?»
  • «Ser gestor há 25 anos permitiu-me ter este mundo. É diferente de ter a própria empresa. Eu respeito a tua empresa. Mas tive este mundo, viajei muito. Tenho estes contactos que são valiosos nesta altura para o Sporting.»

 

O frente-a-frente (o mais exaltado e turbulento até agora) realizou-se esta noite, na Sporting TV

Boa notícia para Varandas

Pedro Madeira "City" Rodrigues transforma-o em alvo principal, o que ajuda a clarificar águas: «Varandas esteve sete anos no Sporting e foram anos que correram mal.» 

Por acaso foram anos que correram bem, em termos de medicina e fisiologia desportiva - pelouro que Frederico Varandas deteve no Sporting. 

Já de Madeira poder-se-á dizer que pelo menos durante metade daquele tempo permaneceu corajosamente oculto num blogue, sob pseudónimo inglês, denunciando com desassombro as malfeitorias de Bruno de Carvalho. Merece integrar o pelotão dos bravos.

Não acerta uma

Pedro Madeira Rodrigues gastou dois terços da última campanha eleitoral, em que foi esmagado por Bruno de Carvalho, a disparar contra Jorge Jesus.

Há dias apresentou-se novamente como pretendente à presidência leonina começando por abrir guerra a José Peseiro: é o único proto-candidato a declarar que não o quer como treinador no Sporting.

Agora escolheu como alvo o Augusto Inácio. Sempre com manifesta falta de pontaria. É impressionante a falta de jeito que este homem tem para se candidatar seja ao que for.

 

Um leilão de treinadores

A entrada de Pedro Madeira "City" Rodrigues na refrega eleitoral favorece Frederico Varandas, conferindo-lhe uma posição ainda mais central. Entre os nostálgicos de Godinho Lopes, personificados no candidato que hoje se apresentou, e os nostálgicos de Bruno de Carvalho, que serão representados nesta campanha por um avatar do presidente destituído.

Quanto a Madeira, que em Março de 2017 congregou uma impressionante percentagem de 9,5% como candidato único contra Carvalho, acaba de demonstrar que não aprendeu nada com essa estrondosa derrota: uma vez mais, transforma uma corrida à presidência do Sporting num leilão de treinadores.

Há um ano, contra Jesus. Desta vez contra Peseiro.

Não terá ninguém perto dele que lhe saiba dar bons conselhos?

Substituir um pé frio por um treinador campeão? Melhor verificar o palmarés...

Cláudio Ranieri tem 66 anos, 30 de carreira como treinador de futebol e apenas 1 título de campeão em Inglaterra ao comando do Leicester. No currículo tem passagens pelo Nápoles, Fiorentina, Valência, At. Madrid, Chelsea, Parma, Juventus, Roma, Inter de Milão, Mónaco, mas ao serviço destes clubes não apresenta melhor palmarés que algumas taças ou supertaças…

Pedro Madeira Rodrigues propõe-se assim substituir um pé frio, por outro. Ao longo dos anos Ranieri dispôs de orçamentos de fazer inveja a qualquer clube português, mas que não se traduziram em títulos conquistados, a nível nacional ou internacional, à excepção do surpreendente e atípico campeonato que conquistou meritoriamente ao serviço do Leicester. Na época seguinte colecionou mais um despedimento, isso sim, tem sido uma constante na já longa carreira.

Ainda não apoiei qualquer candidato à presidência do Sporting, mas desde já, Ranieri não é o meu treinador, Pedro Madeira Rodrigues não será o meu presidente…

Quem tem cu...

Não vai lá porque, para quem sofre horrores com a actual situação do Sporting, tem coisas mais importantes para fazer.

Mas vai mandar os cães de fila, aposto. Poucos, que aquilo não vale hoje mais que dois ou três por cento (então com a multidão do jantar do Severino...).

Espera-se que haja competência a dirigir os trabalhos, que a falta dela  foi o que ajudou àquela salgalhada toda.

E espera-se que volte a razoabilidade.

E a responsabilidade.

E a calma.

Como os vendedores de castanhas

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Tal como as andorinhas que nos visitam sempre na Primavera e os vendedores de castanhas que regressam a cada Outono, o inefável Pedro Madeira Rodrigues, volta e meia, tenta dar prova de vida. Só o faz, curiosamente, nos momentos em que ocorre um resultado menos positivo da nossa equipa principal de futebol. Aconteceu ainda agora, quando ressurgiu da obscuridade para proclamar que "corremos o sério risco de voltarmos a não ser campeões, ao contrário do que nos foi garantido".

Ponho-me a imaginar o que diriam por estes dias os homólogos benfiquistas de Madeira Rodrigues ao verem o seu precário onze naufragar por completo nas competições europeias, com quatro derrotas categóricas às costas, dez golos sofridos e só um marcado, tornando-se a única equipa portuguesa que até hoje disputou quatro jogos consecutivos da fase de grupos da Champions sem conquistar um único ponto.

O que diriam eles ao verem o seu clube inspeccionado pela Unidade Nacional Contra a Corrupção da Polícia Judiciária, submetido a um processo disciplinar da UEFA e com um membro da sua claque acusado do homicídio qualificado de um adepto do Sporting, enquanto se afunda nas competições europeias e estaciona no terceiro lugar do campeonato?

Utilizando também o truque retórico de empregar o plural majestático para fazer de conta que a opinião de um representa a opinião de todos, apetece-me retorquir ao candidato copiosamente derrotado por Bruno de Carvalho nas eleições de Março, parafraseando-o, que corremos o nada sério risco de jamais vermos Madeira Rodrigues como responsável máximo do Sporting. Os adeptos leoninos não apreciam aqueles que apenas surgem na praça pública quando a nossa equipa tropeça num obstáculo qualquer.

Cinco notas sobre as eleições

 

1. Os clubes são os sócios que têm. E o Sporting não é exceção. Um dia de eleições como o de ontem, com um número recorde de votantes (18.814), com filas e filas ao redor do estádio, só pode significar que o Sporting está vivo e bem vivo. Quem lá esteve, viu bem como muitos sócios foram votar com cachecol ou camisola verde e branca, alegres e orgulhosos, não se importando de esperar uma ou duas horas. Uma verdadeira democracia sportinguista.

 

2. Bruno de Carvalho deu uma sova eleitoral a Madeira Rodrigues, utilizando a desabrida e inadequada linguagem do candidato derrotado ao dirigir-se a um sócio. 86% contra 9% demonstra que Madeira Rodrigues não conseguiu sequer capitalizar a sua candidatura para o futuro. É o resultado de muita impreparação, de erros estratégicos constantes, da falta de ideias válidas e de uma postura (algo inesperada) de tentar embarcar nas críticas mais habituais a Bruno de Carvalho feitas por rivais e afins.

 

3. Quem seguisse a campanha, lendo jornais ou vendo comentadores na televisão, ia sendo docemente levado a crer que Madeira Rodrigues podia ganhar as eleições e que Bruno de Carvalho estava a terminar um ciclo. Nada mais falso. A afluência às eleições e a percentagem vencedora de 86% demonstram bem que os sportinguistas ligam pouco (muito pouco) ao que vai aparecendo na generalidade da comunicação social. E disseram-no votando.

 

4. Fazer uma campanha eleitoral em pleno decurso das competições nacionais é um erro que não deveria voltar a ser repetido. A possibilidade de perturbação das competições em curso é real e deveria ser evitada. Faz muito mais sentido fazer as eleições no final da época. Introduzir na discussão eleitoral a permanência do treinador ou de opções estruturantes da equipa de futebol não é benéfico. Sejam quem forem os candaidatos e os treinadores.

 

5. Bruno de Carvalho tem condições ímpares para continuar o seu projeto: uma votação esmagadora, um clube unido e obra feita. Espero que neste segundo mandato saiba continuar o que fez de bem e melhorar o que fez de mal. Os sportinguistas merecem vitórias. E Bruno de Carvalho também. 

 

Fotografia Manuel de Almeida/Lusa

Teve o resultado que mereceu

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Pedro Madeira Rodrigues conduziu a sua campanha à presidência do Sporting da pior maneira possível desde o primeiro momento, como  aqui  fui assinalando  desde Dezembro.

Preparou-se mal, sem um programa credível.

 

Andou desaparecido durante semanas, viajando pelo Reino Unido e pelo Golfo Pérsico, como se pretendesse lá conquistar votos.

Espalhou-se ao comprido quando decidiu transformar Jorge Jesus em alvo prioritário, anunciando-lhe guia de marcha. Sem nunca explicar como lhe pagaria a indemnização prevista na lei.

Demorou dois meses para anunciar um treinador alternativo a Jesus. Primeiro falou na hipotética vinda de um argentino, depois admitiu que fosse um português. Enfim, chegada a terça-feira de Carnaval, tirou da cartola um espanhol, esquecendo-se que nunca um treinador com esta nacionalidade ganhou até hoje um campeonato de futebol em Portugal.

Teve um discurso de puro ressabiamento, baseado em ataques de natureza pessoal a Bruno de Carvalho.

Debitou chavões decalcados dos que os inimigos do Sporting uivam nas pantalhas todas as segundas-feiras, não hesitando sequer em utilizar os jogadores leoninos como arma de arremesso eleitoral.

 

Já na recta final, voltou a cometer um erro lapidar ao fazer tiro ao alvo a José Maria Ricciardi - que há quatro anos, tal como ele, votou em José Couceiro - procurando relacioná-lo com Bruno a partir de uma gravação clandestina efectuada em Janeiro de 2013 apresentada como actual. Um acto eticamente condenável que redundou num monumental tiro no pé.

Sai das urnas derrotado em toda a linha. Até para o Conselho Leonino, onde concorria uma terceira lista, ficou em último lugar.

Nem assim parece ter aprendido: contados os votos, fez um lamentável discurso de derrota, mostrando-se mais ressabiado que nunca.

 

Madeira Rodrigues, o senhor nove por cento, chegou tarde, veio impreparado e revelou-se indubitavelmente amador.

Teve o resultado que mereceu.

 

Leitura complementar:

- Oportunidade perdida

- Jesus, o Marco Silva de Madeira Rodrigues

- Uma mão cheia de nada

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