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És a nossa Fé!

Balanço (2)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre LUÍS MAXIMIANO:

 

Eu: «Gostei da exibição de Luís Maximiano, hoje titular em estreia na baliza leonina numa competição da UEFA - sucedendo de algum modo a Rui Patrício, que se estreou há 12 anos na mesma posição. Muito seguro e concentrado, com bons reflexos, teve um papel irrepreensível não apenas entre os postes mas também a antecipar-se em saídas oportunas que abortaram lances ofensivos do PSV.» (28 de Novembro)

Edmundo Gonçalves: «As fífias que Ilori e Doumbia deram obrigaram a sair da toca o Luis Maximiniano, Max para todos nós sportinguistas, que fez um belo número de como bem defender uma baliza. E até demonstrou que sabe colocar a bola longe, jogável, com os pés!» (29 de Novembro)

- Leonardo Ralha: «Encarregou-se de alterar o destino. Fê-lo de forma brilhante ao desviar para canto o remate de um adversário isolado – num lance que ditou a grave lesão de Neto –, logo na primeira parte, mas também desviou para longe da baliza o perigo que surgiu depois do intervalo. A haver algo de positivo a retirar desta triste temporada, que seja a sua afirmação.» (10 de Dezembro)

- Francisco Almeida Leite: «O Luís Maximiano, "Max" como todos nós sportinguistas lhe chamamos carinhosamente, estará em condições de vir a ser um dos eleitos de Fernando Santos para o grupo que segue para a prova de 2021 ainda como campeão europeu. Arrisco mesmo a dizer que ainda era melhor que já estivesse apto para disputar a titularidade a Rui Patrício, isso é que era!» (5 de Abril)

- Pedro Boucherie Mendes: «Devemos muito desta sequência tão positiva ao Luís Maximiano. Ainda ontem defendeu um remate de um avançado do Gil ali na primeira parte que segurou o um a zero. Em onzes com tantos jovens, ter um guarda-redes seguro, ágil e atento é fundamental. Espero que fique no Sporting.» (2 de Julho)

Pódio: Max, Vietto, Acuña, Geraldes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting- V. Setúbal pelos três diários desportivos:

 

Luís Maximiano: 15

Vietto: 14

Acuña: 14

Francisco Geraldes: 14

Joelson: 13

Nuno Mendes: 13

Coates: 13

Eduardo Quaresma: 13

Plata: 13

Tiago Tomás: 12

Wendel: 12

Matheus Nunes: 11

Pedro Mendes: 10

Ristovski: 10

 

A Bola  elegeu  Acuña  como melhor sportinguista em campo. O Record  optou por  Francisco GeraldesO Jogo escolheu Vietto.

Armas e viscondes assinalados: Foguete imparável em mais uma noite sem arraial

Sporting 1 - Paços de Ferreira 0

Liga NOS - 26.ª Jornada

12 de Junho de 2020

 

Luís Maximiano (4,0)

Compensou os dois pontos oferecidos em Guimarães com dois ou mesmo três pontos numa triste noite de Santo António, na qual a pandemia deixou as bancadas vazias e isentou vários jogadores de assobios e milhares de espectadores de uma nulidade intervalada por raros grandes momentos de futebol. A crise em curso no ex-clube de Ruben Amorim deixou-o em igualdade pontual com o clube que vai pagar 14 milhões de euros pelo treinador, mas convém não esquecer que o Paços de Ferreira, antepenúltimo classificado da Liga NOS superou a equipa da casa em remates enquadrados e saiu de Alvalade a queixar-se da sorte e do videoárbitro. Maximiano teve uma noite de excepção, impedindo a bola de encontrar as redes em sucessivas ocasiões, incluindo aquela em que a sua linha defensiva permitiu que um adversário lhe aparecesse isolado à frente. Sempre atento aos remates dos adversários, evitou males maiores numa equipa que precisaria de uma quarentena muito mais duradoura do que esta.

Eduardo Quaresma (3,0)

Só a intervenção no lance de maior perigo do Paços de Ferreira, deixando um avançado em posição regular, e a fraca percentagem de sucesso nos duelos aéreos – algo que poderá ser ultrapassado com treino, pois ninguém com 185 centímetros pode ser acusado de nanismo – impediram que a primeira titularidade em Alvalade fosse ainda mais memorável. Excelente no controlo das operações e saída da bola, apesar de desta vez ter menos ajuda do colega de ala direita, cimentou o lugar na equipa e no imaginário dos adeptos.

Coates (3,0)

Voltou a mostrar-se patrão, e até os seus vigorosos e sensatos protestos no lance em que chegou a ser assinalado pénalti contra o Sporting ajudaram a ganhar tempo para que o videoárbitro revertesse uma decisão que poderia permitir a Maximiano ser o homem do jogo, forçar Jovane Cabral a horas extraordinárias ou impedir os três pontos que tanto jeito dão numa corrida em que o terceiro lugar é tão possível quanto o sétimo. Pior acompanhado do que é costume, o uruguaio não deu tréguas aos adversários.

Borja (2,0)

Podemos recorrer à suspensão da descrença e dizer que o colombiano não cometeu qualquer irregularidade no lance do pénalti revogado, mas é inegável que deixou escapar um adversário rumo à baliza. Foi apenas a manifestação mais flagrante das limitações de um profissional que decerto procura dar o melhor, tendo o problema irresolúvel de não ser capaz de estar ao nível exigível como central descaído para a esquerda. Falta-lhe, além de tudo o resto, a capacidade de saída com bola que deveria fazer de Mathieu imprescindível enquanto as pernas aguentarem e o contrato for válido.

Rafael Camacho (2,0)

Fez o primeiro remate do Sporting, desenquadrado da baliza, e depois lançou-se numa colectânea de falhas técnicas indignas de quem custou mais ou menos o mesmo que o orçamento de algumas equipas da Liga NOS. Todas as boas indicações que deixou em Guimarães foram esquecidas, quase como se procurasse provar que não foi feito para lateral-direito.

Acuña (2,5)

Gastou quase tudo o que tinha para dar ao jogo logo nos primeiros minutos, arrastando a sua inegável classe no relvado até que Ruben Amorim decidiu recorrer ao trabalho infantil.

Matheus Nunes (3,0)

Manteve o lugar no onze titular, desta vez como médio mais defensivo, e esteve bem na missão de garantir posse de bola e servir de pêndulo entre defesa e ataque, arriscando-se a ficar na ficha de jogo ao fazer a recarga bem sucedida de um livre que entrou na baliza antes de ser devolvido ao campo de jogo. Pouco depois começou a perder gás, o que não é um bom cartão de visita num jovem de 21 anos, e deu lugar a quem fez bem pior do que ele.

Wendel (3,5)

Regressou a Alvalade sem o mesmo grau de exposição corporal e com visual renovado. A barba talvez tenha servido para o brasileiro se assumir como o ancião de 22 anos em que se tornou, tendo em conta a quantidade de adolescentes ao seu lado e a veterania decorrente da terceira época no plantel principal, apenas superada por Coates e Acuña entre os titulares. Mas o mais importante de Wendel são os pés com que executa arrancadas como a que deu origem ao livre que resolveu a embrulhada. Tenha ele confiança para repetir mais vezes tais iniciativas, em vez de se deixar enredar na modorra, e o Sporting poderá ir mais longe, mesmo que à custa de o internacional olímpico brasileiro ir para ainda mais longe.

Jovane Cabral (4,0)

Também ele passou a maior parte da primeira parte à espera do comboio na paragem do autocarro. Mas quando engrenou, ocupando-se da esquerda, fez o que faltava ser feito. Já tinha partido os rins a um adversário, cruzando para um Sporar em dia nunca, quando pegou na bola para marcar um livre ainda a uns passos da grande área e soltou um foguete imparável para animar mais uma noite sem arraial em Alvalade. A pontaria e potência com que a bola embateu na trave, bateu dentro da baliza e voltou a sair  pareceu uma segunda passagem de Bruno Fernandes pelo estádio, com o detalhe do festejo de mãos na orelha, a homenagear o ex-capitão leonino, que a partir de Manchester continua a servir de mentor. Seria justo que Jovane conseguisse bisar mesmo no final da partida, após um fulgurante contra-ataque, mas dessa vez a barra reagiu mal ao estrondo da bola.

Vietto (3,0)

Pouco antes de se lesionar num embate com um adversário, ficando com uma luxação que lhe poderá custar as oito jornadas restantes, protagonizou o melhor momento da primeira parte, numa assistência de génio a que Sporar não deu seguimento. E estava a conseguir fazer acelerar o processo ofensivo da equipa, impondo o seu estilo de camisola 10 vendido como avançado.

Sporar (1,5)

Foi a antítese do aproveitamento pleno de oportunidades em Guimarães, desperdiçando duas boas ocasiões de golo. Na primeira parte, servido por Vietto, conseguir avançar até à grande área mas rematou muito acima da baliza, e na segunda parte dessincronizou-se com o cruzamento de Jovane Cabral, mesmo em frente à linha de golo. Tirando estes dois momentos foi discreto, quando não inexistente.

Gonzalo Plata (1,5)

Passou mais de 50 minutos em campo sem propósito e quase como um corpo estranho na equipa, falhando no flanco e no miolo. Tem de afinar o seu enorme potencial, o que talvez passe por uns telefonemas de Bruno Fernandes.

Nuno Mendes (2,0)

Estreou-se na equipa principal ainda com 17 anos, reforçando a ideia de que a pandemia está a fomentar o trabalho infantil. Algumas arrancadas deram boas indicações de quem já parece estar à frente de Borja.

Eduardo (1,5)

Pouco depois de entrar já tinha cometido uma fífia que felizmente não foi aproveitada pelo Paços de Ferreira. Não satisfeito, participou num sururu, recebendo um amarelo dois minutos após substituir Matheus Nunes. Seguiram-se mais uns 15 minutos de incapacidade a níveis pré-pandémicos.

Francisco Geraldes (1,5)

Terá percebido que conta muito pouco quando Vietto ficou agarrado ao braço e Ruben Amorim mandou aquecer Gonzalo Plata. Teria direito a pouco mais de dez minutos, destinados a fazer descansar Wendel e num momento do jogo em que o domínio dos visitantes era cada vez mais pronunciado, nos quais nada mais pôde fazer além de cometer faltas.

Ruben Amorim (2,5)

Alcançou o Sporting de Braga, que mantém o terceiro lugar por todos os critérios, mas para lá chegar venceu pela margem mínima o antepenúltimo, jogando em casa, e ficando atrás no número de remates. Dizer que é poucochinho passa por eufemismo, havendo muito trabalho para fazer de modo a garantir que Alvalade verá jogos europeus nos próximos tempos sem ser enquanto barriga de aluguer de fases finais da UEFA. Louva-se-lhe a aposta nos mais jovens e na formação, mas há que aprimorar a qualidade existente no plantel. E também a comunicação, pois a rábula final da explicação da ausência de Mathieu foi um acto falhado que não prestigia o treinador e desrespeita um dos melhores jogadores que honraram a camisola nos tempos mais recentes.

Max no Europeu?

Uma das decisões que esta tragédia da pandemia provocou foi o adiamento do Europeu de 2020 para o próximo ano. Assim sendo, tendo a concordar com o que é dito aqui pela Mariana Cordeiro Ferreira. O Luís Maximiano, "Max" como todos nós sportinguistas lhe chamamos carinhosamente, estará em condições de vir a ser um dos eleitos de Fernando Santos para o grupo que segue para a prova de 2021 ainda como campeão europeu. Arrisco mesmo a dizer que ainda era melhor que já estivesse apto para disputar a titularidade a Rui Patrício, isso é que era! Será possível?

 

Armas e viscondes assinalados: Equipa pequena consegue ponto fora de casa e contra a corrente do jogo

Rio Ave 1 - Sporting 1

Liga NOS - 21.ª Jornada

15 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Contrariou a estatística, pois nenhum dos outros 44 golos do Rio Ave que se adivinhavam após sofrer o primeiro antes dos dois minutos de jogo encontrou o caminho das redes. Entre as excelentes intervenções que contribuíram para que o Sporting saísse de Vila do Conde com um ponto, apesar de mais uma exibição digna de dó e que desta vez nem sequer teve o álibi da falta de apoio das claques, destaca-se a leitura que fez da jogada mesmo ao cair do pano em que o ex-leão Carlos Mané teve nos pés a hipótese de dar justiça ao marcador. À medida que os sobreviventes do Sporting que contava para o Totobola são vendidos, acabam expulsos por apitadores sempre prontos a ajudar e sofrem lesões, a importância do jovem guarda-redes aumenta. Pelo seu valor intrínseco e pela triste realidade (tão triste que chega a ser “estriste”) de uma equipa apequenada como raras vezes se viu entre a rapaziada de leão ao peito.

 

Ristovski (2,0)

Apontaram-lhe a “autoria moral” do golo do Rio Ave, visto que a assistência ocorreu na sua área de jurisdição, mas não deixa de ser verdade que havia dois adversários para o macedónio cobrir (um dos quais até lhe deu um empurrão nas costas, sem que o sempre atento videoárbitro desse por isso). Ultrapassado o primeiro embate, procurou ofereceu soluções à incipiente manobra ofensiva, ainda que o seu melhor cruzamento tenha encontrado a cabeça desvairada de Rafael Camacho em vez de alguém que soubesse o que andava por ali a fazer. Mas, tal como todo o resto à sua volta, não deu para mais. Pensar que a expulsão de Coates levou a que Ristovski fosse até ao apito final o elemento com maior número de jogos pela equipa principal do Sporting deveria fazer pensar todos os adeptos.

 

Coates (2,0)

Impotente para contrariar o desastre no golo do Rio Ave, o uruguaio mostrou aos colegas como se faz uma jogada de ataque ao galgar terreno com bola até ficar perto de provocar um autogolo do defesa que arriscou cortar a bola à entrada da grande área. Melhor nota teria não fosse ter caído nas armadilhas do avançado iraniano que no jogo da primeira volta também lhe valera um vermelho por acumulação. Repetiu-se o mesmo cenário em Vila do Conde, com o árbitro Fábio Veríssimo a ser tão implacável quanto todos adivinhavam que iria ser, mas pelo menos foram-lhe assinalados três pénaltis a menos do que no jogo da primeira volta em Alvalade.

 

Neto (3,0)

Foi uma barreira quase intransponível ao ataque do Rio Ave, ao ponto de levar Fábio Veríssimo a pedir perdão à equipa da casa, quiçá esfolando os joelhos, por não ter assinalado pénalti na jogada em que o central viu um remate embater-lhe no braço encostado ao corpo. Quase sempre eficaz a afastar o perigo da sua baliza, Neto foi um dos dois esteios que permitiram o melhor resultado desta época em confrontos com o Rio Ave. Calha bem que tenha acabado com a braçadeira de capitão, um adereço que já esteve mais longe de ser oferecido nas embalagens de corn flakes.

 

Borja (2,5)

Permitir o cruzamento que deu origem ao golo do Rio Ave foi a única falha grave do colombiano. Elevado à titularidade devido à ausência de Acuña, Borja esforçou-se por dinamizar um ataque impregnado de espírito pacifista e fechar os caminhos para a baliza de Maximiano. Um ou outro cruzamento que poderia levar perigo ao Rio Ave se houvesse alguém para corresponder constituíram um fogacho numa exibição apenas esforçada, sendo evidente que raramente se poderá pedir mais do que isso ao lateral-esquerdo colombiano.

 

Idrissa Doumbia (1,5)

Recuperou a titularidade sem ter aprendido grande coisa no banco de suplentes. Deambulou pelo relvado sem razão e sem sentido, enquanto no Estádio da Luz um cavalheiro chamado João Palhinha marcou o golo que permitiu ao Sporting de Braga derrotar o Benfica. Dizem que cada um tem aquilo que merece, mas o Sporting Clube de Portugal merece certamente melhor do que o jovem e honrado meio-campista poderá dar.

 

Eduardo (2,0)

Deve-se-lhe o melhor remate do Sporting em todo o jogo, num disparo potente de longa distância que embateu com estrondo na barra. Um lance que pareceu inserido digitalmente por um estúdio de Hollywood numa exibição miserável de toda a equipa e também do seu autor, incapaz de tomar as rédeas do jogo e mais empenhado em fazer atrasos do que em progredir com a bola. É tristemente provável que Eduardo tenha sentido alívio no momento em que foi retirado do campo.

 

Wendel (1,5)

A saída de Bruno Fernandes, já patrão do meio-campo do Manchester United após dúzia e meia de treinos, exigia que o brasileiro desse o passo em frente, assumindo a liderança que tarda a confirmar. Dos noventa e muitos minutos que esteve em campo nada de particularmente positivo há a registar. Apenas uma tristeza latente perante a incapacidade demonstrada uma e outra vez por Wendel de cumprir todo o potencial do seu futebol.

 

Rafael Camacho (1,0)

Conseguiu ser ainda mais nulo enquanto extremo a flectir para o centro do terreno do que como segundo avançado descaído para as alas. Não é preciso ter excesso de má vontade para constatar que não teria sido nada diferente (a não ser que fosse para melhor) caso o Jubas ocupasse o seu lugar no onze titular. Talvez possa vir a ser útil para o clube em dificuldades financeiras que investiu meia-dúzia de milhões de euros no seu passe, mas neste momento já seria muito bom para a atual realidade do Sporting se algum clube aceitasse uma cláusula de compra obrigatória de dez milhões de euros no seu futuro empréstimo.

 

Bolasie (2,5)

Da lei da irrelevância se libertou mesmo ao cair do pano, quando tirou partido da força para irromper pela grande área do Rio Ave até ser derrubado em falta. Pouco importa que não tenha convertido a grande penalidade por si conquistada, pois a si e apenas a si se deve um dos pontos mais injustos que o Sporting amealhou neste século. Até então pouco se distinguira da esmagadora maioria dos colegas, especializando-se em floreados, perdas de bola e incapacidade de justificar o estatuto de elemento do plantel profissional de um dos trinta e tal melhores do ranking da UEFA.

 

Sporar (1,0)

Questão de ovo e galinha: terá sido Sporar inútil na deslocação a Vila do Conde por nunca ter sido servido pelos colegas ou será que os colegas nunca o serviram porque o avançado se revelou inútil do primeiro ao último minuto? Seja qual for a resposta, é inegável que nada andou a fazer no relvado, fazendo recordar que o seu país natal terá sido provavelmente o menos belicista de todos aquando da implosão da Jugoslávia.

 

Jovane Cabral (2,5)

Voltou a entrar com a missão de alterar o resultado e o certo é que cumpriu mais uma vez: depois de fazer uma assistência para o autogolo do Portimonense, encarregou-se desta vez de marcar de forma exímia um pénalti que o forçou a tirar a bola das mãos de Bolasie. Mas é de inteira justiça fazer notar que o seu contributo ficou por aí, pois as restantes jogadas e remates que protagonizou estiveram em linha com a mediocridade que grassa no futebol leonino.

 

Gonzalo Plata (1,5)

Chegou tarde ao jogo e nada de positivo logrou fazer.

 

Battaglia (2,0)

Contribuiu para que o segundo golo do Rio Ave não chegasse a acontecer, mas também esteve longe de deslumbrar.

 

Silas (1,0)

Ponto prévio: não tem culpa de que Matheus Pereira e Domingos Duarte tenham sido rifados, de que Raphinha e Bas Dost tivessem sido transferidos para que Bruno Fernandes permanecesse em Alvalade, de que o mesmo Bruno Fernandes tivesse acabado por sair na reabertura de mercado, de que Vietto tivesse completado uma série de cartões amarelos e de que Mathieu e Acuña se tivessem juntado a Luiz Phellype no rol de lesionados. Bem vistas as coisas, Silas não é o principal culpado da amarga realidade de o onze inicial do Rio Ave parecer manifestamente superior ao onze inicial do Sporting. Mas ficam por aqui as atenuantes: o treinador que escalou aqueles jogadores, regressados ao 4-3-3 com a mesma falta de qualidade que revelam no 3-5-2, 3-4-3 e no 4-4-2, tem de ser responsabilizado pela inexistência de um fio de jogo, pelas falhas nas marcações que originaram o golo do Rio Ave, pelo pavor de praticar futebol que impele dez em cada onze a privilegiarem os atrasos de bola (a bem dizer, só Luís Maximiano não os faz, até porque isso resultaria certamente em autogolo) e por escolhas de titulares que começam a tornar-se inexplicáveis, com Rafael Camacho à cabeça. A expressão derrotada de Silas quando se viu a perder tão cedo é o espelho de um vírus de conformismo e de, passe o neologismo, perdedorismo que só não atravessa por inteiro o futebol leonino porque decerto o mítico Paulo Gama continua a entregar os equipamentos sem buracos e as bolas sem estarem furadas. Isto para não falar na falta de oportunidades que a equipa técnica concede a jogadores como Francisco Geraldes e Pedro Mendes, os quais nada mais puderam além de fazer uns minutos de aquecimento e que, perante a falta de qualidade e de compromisso demonstrada pelos colegas que estavam no relvado, precisarão de uma auto-estima elevadíssima para não se considerarem escumalha – isto para não falar de Miguel Luís, de quem já começa a ser difícil recordar o nome quando se pensa no plantel principal do Sporting, ou de Rodrigo Fernandes e Matheus Nunes, promovidos ao plantel principal num golpe de teatro desprovido de consequências práticas. Pouco importa que Silas tenha a humildade de reconhecer a péssima figura do Sporting na visita ao Rio Ave, apresentando-se como uma equipa pequena que conseguiu um ponto fora de casa e contra a corrente do jogo. Mais importante seria que pudesse contrariar esse estado de coisas. Algo que a cada jogo se vai tornando mais improvável. Ao ponto de, como já li de um excelso jornalista da nossa praça, este Sporting se arriscar a ficar no segundo lugar se for a única equipa inscrita numa competição.

Pódio: Luís Maximiano, Wendel, Neto

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Braga-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Luís Maximiano: 17

Wendel: 16

Luís Neto: 15

Jovane: 14

Acuña: 14

Camacho: 14

Eduardo: 14

Sporar: 14

Battaglia: 13

Coates: 13

Vietto: 12

Borja: 12

Ristovski: 11

Plata: 5

 

Os três jornais elegeram Luís Maximiano como melhor jogador do Sporting em campo.

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 
 

Da derrota em Braga. Segundo desaire frente à equipa braguista em menos de duas semanas. Como antevi aqui a 22 de Janeiro, o desaire sofrido frente ao mesmo adversário para a Taça da Liga constituiu «um péssimo ensaio geral» para o desafio de hoje: esta segunda volta do campeonato, com apenas três pontos em dois jogos, começa ainda pior do que a primeira, em que contabilizámos quatro pontos em seis possíveis. O facto de termos perdido por margem mínima, 0-1, com o golo sofrido só aos 76' e a nossa exibição ter sido superior à do Sporting-Braga que vencemos por 2-1 a 18 de Agosto, não serve de atenuante.

 

Das ausências. Este seria sempre um jogo de alto risco para o Sporting. Por ser o primeiro após a saída do capitão Bruno Fernandes, que nas últimas duas épocas funcionou como o pêndulo da equipa, onde era de longe o elemento mais qualificado. Por infortúnio, este rombo no plantel ocorreu imediatamente antes de enfrentarmos o Braga, na Cidade dos Arcebispos, para a Liga 2019/2020. Somado a isto, o facto de não termos podido contar também com Mathieu, pilar do nosso sistema defensivo. Num onze frágil e cheio de lacunas, como o nosso é, perder dois titulares num dos estádios mais difíceis do País bastaria para potenciar um mau desfecho. Assim aconteceu.

 

De ver Vietto como suplente. É verdade que veio de uma lesão, mas também é certo que estava recuperado - tanto assim que Silas o convocou para este jogo. Percebe-se muito mal, portanto, que tenha permanecido no banco de suplentes até ao minuto 66. Quando entrou, fez logo a diferença, causando sucessivos desequilíbrios com a sua excelente técnica e a sua competente visão de jogo. Erro manifesto do treinador.

 

De Ristovski.  Silas, aparentemente, deu-lhe o comando de todo o corredor direito - missão espinhosa, que o internacional macedónio cumpriu de forma deficiente, falhando o tempo de intervenção na manobra defensiva e apoiando mal o ataque. Pareceu tremer a cada investida braguista desde o apito inicial. Aos 20', já estava a ser amarelado - num lance em que poderia ter visto cartão vermelho. Na jogada do golo, abriu uma avenida a Galeno, que rematou totalmente à-vontade para defesa incompleta de Max a que se seguiu a recarga vitoriosa de Trincão. Silas deu-lhe ordem para sair aos 83', trocando-o por Plata. Que fez bem melhor em muito menos tempo.

 

Do sistema táctico. Silas organizou a equipa com um bloco defensivo de cinco elementos (Acuña, à esquerda, descia muito para compensar o desvio de Borja para terceiro central) e dois médios de contenção (Battaglia e Eduardo). Serviu para travar o fluxo ofensivo do Braga nos primeiros 20 minutos, aferrolhando as vias de acesso à nossa área, mas não funcionou para construir jogadas de ataque continuado: a equipa pareceu sempre descompensada no último terço do terreno, excepto no quarto de hora final quando o técnico - já a perder - trocou Camacho por Jovane (73') e Ristovski por Plata (83'), encostando o adversário ao seu reduto. Ficou a sensação de que Silas quis jogar para o empate. Acabou derrotado, como geralmente acontece em situações destas.

 

Da convocatória. Anedótica, a inclusão de Jesé, que o Sporting quis devolver à procedência em Janeiro (e que o PSG não aceitou de volta). Totalmente incompreensível, uma vez mais, a exclusão de Pedro Mendes - jogador por quem Silas, mais de uma vez, mostrou interesse antes de ter sido inscrito para as competições internas. Agora, que já consta da equipa principal, é remetido para a bancada. Quando temos novamente só um ponta-de-lança - o recém-chegado Sporar - devido à prolongada lesão de Luiz Phellype, que o inutiliza até ao fim da época.

 

Dos sete cartões aos nossos jogadores. Jorge Sousa, velho "amigo" do Sporting, desatou a amarelar a torto e a direito os nossos jogadores, dando ideia que se estava a registar uma batalha campal neste Braga-Sporting. Seguindo esta cadência: Coates aos 10', Ristovski aos 20', Wendel aos 45'+1, Battaglia aos 45'+1, Neto aos 45'+2, Acuña aos 51', Vietto aos 66'. O cartão exibido a este último foi anedótico: o argentino terá entrado em campo quando o seu compatriota Acuña ainda não tinha abandonado o terreno de jogo. Sem tocar na bola, já estava condicionado. Isto enquanto só três do Braga recebiam amarelos: Galeno, Paulinho e Fransérgio. Duplicidade de critério no capítulo disciplinar: nada que surpreenda neste árbitro. Galeno, que simulou faltas, protestou exuberantemente contra o árbitro e até derrubou um juiz auxiliar quando já tinha um amarelo, foi poupado a um segundo cartão mais que merecido. Com este árbitro, o campo está sempre inclinado contra nós.

 

De termos perdido o terceiro lugar. O Braga está agora um ponto à nossa frente. 

 

 

Gostei

 

De Max. O jovem guarda-redes formado na Academia leonina foi o nosso melhor em campo. Seguro e atento, sem qualquer responsabilidade no golo sofrido, fez três grandes defesas - aos 55', 60' e 63' - retardando o mais possível os três pontos que o Braga acabaria por conquistar.

 

De Sporar. Primeiro jogo completo ao serviço do Sporting. Não marcou, mas deu bons sinais: movimenta-se bem dentro da área, mostra agilidade e domínio técnico. Esteve muito perto de marcar em duas ocasiões nos primeiros dez minutos: primeiro aos 9', correspondendo a um centro de Acuña com recepção de bola no peito e remate de primeira defendido a custo pelo guardião Matheus; na segunda, no minuto seguinte, quando dispara duas vezes (com o pé e a cabeça), mas o lance é anulado por fora-de-jogo milimétrico. Parece um verdadeiro reforço.

 

Dos 15 minutos iniciais. Início muito pressionante do Sporting, com o meio-campo bem povoado e lances rápidos, de bola ao primeiro toque. Aos 20', o Braga já tinha equilibrado a partida, que foi dominando a espaços. Voltámos a ser melhores nos dez minutos finais, quando já se jogava muito mais com o coração do que com a cabeça. Pouco antes, Matheus impedira o golo a Wendel e a Jovane - em ambas as ocasiões aos 75', momentos antes do golo da equipa anfitriã, de algum modo contra a corrente de jogo. Aos 88', Vietto fez um forte remate cruzado, levando a bola a sobrevoar a barra. Aos 90'+2, um tiro de Jovane foi travado por Esgaio - jogador que formámos e que seria titular indiscutível neste Sporting, muito acima de Ristovski e do desaparecido Rosier.

 

De ver Bruno Fernandes no estádio. Agora titular do Manchester United - e melhor em campo no confronto de ontem com o Wolverhampton - o nosso ex-capitão assistiu ao desafio na tribuna do estádio bracarense, apoiando aqueles que até há muito pouco eram seus colegas de equipa. Provavelmente sentiu vontade de saltar lá para dentro. Infelizmente não contaremos mais com ele.

Armas e viscondes assinalados: Um vírus destinado a surtir efeito na noite de sexta-feira

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 3

Liga NOS - 16.ª Jornada

11 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (1,5)

O remate saiu forte mas de tal forma à figura que não há forma de o catalogar sem recorrer a metáforas galináceas. A abordagem extremamente deficiente ao lance que causou calafrios aos adeptos leoninos foi, no entanto, apenas um dos pontos negativos de uma exibição em que o jovem guarda-redes andou literalmente aos papéis nas raras ocasiões em que os adversários se acercavam dele e primou pela falta de critério nas reposições de bola.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio ficou ligado ao resultado com um cruzamento fulgurante que, à falta de maior acerto por parte dos colegas, acabou desviado para a baliza por um defesa do Vitória de Setúbal. Mas não só. Presente tanto na defesa como no apoio ao ataque, tem como única mancha a incapacidade de evitar, atrapalhado por Bolasie, que um adversário fosse na direcção de Coates. E o resto é história.

 

Coates (2,5)

Tinha como única missão evitar que algum adversário se aproximasse de si, o que resultaria no inevitável cartão amarelo com que o previsível Tiago Martins o afastaria do derby da noite da próxima sexta-feira. Conseguiu ser afastado do Sporting-Benfica sem cometer nenhuma falta, e muita falta fará num jogo em que os seus cortes pela relva e pelo ar poderiam pôr em causa o guião do desfecho da Liga NOS previamente aprovado em comité.

 

Mathieu (2,5)

Pareceu contaminado com o vírus gripal que supostamente dizimou o plantel dos sadinos ao dar o toque na bola que a deixou nos pés do marcador do 1-2. Tirando esse momento de desnorte foi mais uma noite à grande e à francesa de um veterano tão indestrutível que decerto poderá tentar fazer resultar a dupla com Tiago Ilori que a arbitragem lhe impôs para a próxima sexta-feira.

 

Borja (3,0)

Destacou-se na primeira parte pela forma como se integrou no ataque, auxiliado pela presença de Bruno Fernandes no flanco esquerdo, e pelo acerto na cobertura defensiva. Sendo certo que só foi titular para evitar que Tiago Martins conseguisse o pleno e afastasse também Acuña do derby, o colombiano fez dos melhores jogos ao serviço do Sporting, pertencendo-lhe a antecipação que iniciou o contra-ataque terminado no 1-3.

 

Battaglia (3,0)

Continua a parecer algo preso de movimentos, e aquém daquilo que conseguia fazer antes das graves lesões que travaram a sua afirmação na selecção argentina. Ainda assim, primou pela leitura de jogo e fez circular a bola com muito melhor critério do que consegue o castigado Idrissa Doumbia. Sem falar na assinalável quantidade de cortes e de recuperações de bola.

 

Wendel (2,5)

A forma como comemorou o lance do primeiro golo fez desconfiar que teria sido ele a desviar o cruzamento de Ristovski, mas não passou da expressão de vontade de não deixar que a visita aos engripados de Setúbal corresse ainda pior ao Sporting. Muito mexido na primeira parte, na qual foi derrubado dentro da grande área sem que isso perturbasse um dos maiores artistas que algum dia enfiaram um apito na boca, perdeu gás no segundo tempo e adiou a tranquilidade no marcador ao fazer um (mau) passe para Vietto quando estava em posição de alvejar a baliza vitoriana.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Limitado pelo posicionamento à esquerda e pela carta branca que Tiago Martins concedeu aos jogadores do Vitória de Setúbal para testarem a consistência dos ossos das suas pernas, o capitão respondeu com intervenções como a jogada em que se isolou e foi agarrado de forma tão flagrante pelo defesa apanhado em contramão que nem um exímio desnivelador de campos pôde ignorar o pénalti que cobrou logo de seguida. Mesmo sem estar ao melhor nível, e de ter chegado a dar mostras de estar lesionado, não terminou o jogo sem bisar, concluindo um contra-ataque bem conduzido por Rafael Camacho. Espera-se que tenha guardado algumas munições para um dos seus “clientes” favoritos se até sexta-feira ainda não tiver sido despachado para Manchester, num daqueles negócios que envolvem pagamentos de supostas dívidas a Jorge Mendes e verbas destinadas a pagar protocolos de expansão da marca do Sporting na Polinésia Francesa.

 

Vietto (2,5)

Saiu lesionado num lance em que talvez tenha sofrido grande penalidade, vendo-se quase de certeza afastado do Sporting-Benfica. Encarregue durante a primeira parte de fazer as vezes de Bruno Fernandes, algo que infelizmente talvez se venha a tornar um hábito, voltou a demonstrar mais jeito para construir jogadas do que para fazer aquele detalhe que fica bem aos avançados, sejam ou não móveis.

 

Bolasie (2,5)

A excelente abertura para Ristovski foi a coroa de glória de uma exibição mexida do franco-congolês, igualmente considerado alvo a abater pelos engripados adversários. Pelo menos desta vez não foi expulso por agressões fictícias.

 

Luiz Phellype (1,5)

O cartão amarelo que lhe ofertaram logo no início do jogo, honra que na época passada foi reservada a Tiago Ilori por ter ousado tocar em João Félix, toldou os movimentos e as ideias de um avançado que também já deve ter reparado nas manchetes que atiram Sporar à cara dos sportinguistas. Foi de uma nulidade absoluta que causa calafrios a quem tenha reparado no calendário que a equipa terá nas próximas semanas.

 

Rafael Camacho (3,0)

Entrou para o lugar do lesionado Vietto e estreou-se com um bom remate cruzado após uma incursão pela esquerda, batalhando numa fase B da equipa que poderia ter acabado com mais uma humilhação. E teve a melhor recompensa para o seu esforço ao ficar ligado ao resultado final, servindo de bandeja o 1-3 a Bruno Fernandes.

 

Pedro Mendes (2,0)

A estreia na Liga NOS do avançado finalmente inscrito poderia ter sido doce caso tivesse acertado na bola ao executar um remate acrobático na grande área do Vitória de Setúbal. Mas nada melhor conseguiu do que sacar um cartão amarelo e meter a defesa contrária em respeito devido ao poderio físico.

 

Jesé Rodríguez (1,5)

Andou pelo campo uns quantos minutos. Ameaça voltar a repetir esse padrão em jogos vindouros.

 

Silas (2,5)

Quando se viu a ganhar por dois golos de diferença, apesar da presença de Tiago Martins, deveria ter pensado: será mesmo boa ideia deixar em campo um dos meus melhores jogadores, sendo que ele está mesmo à calha para ver o amarelo que o deixará de fora no próximo jogo, que até é contra uma equipa cujo vírus não é propriamente o da gripe? Pois que Silas não pensou nisso, apesar de ter deixado Acuña de fora, e também não é crível que seja capaz de arriscar um golpe de asa como lançar Eduardo Quaresma contra o Benfica. Mas também há que reconhecer que o treinador leonino está longe de ser o mais culpado num cenário que tem tudo para agravar-se nos próximos dias, caso se confirme a saída de Bruno Fernandes, o que forçará uma reconstituição do plantel executada por mentes que até agora deram provas de serem perigosas ao ponto de deverem ser banidas do site Transfermarkt.de.    Quanto a Silas propriamente dito, e ao jogo em apreço, lamenta-se que continue a demorar demasiado a reagir quando o paradigma do jogo muda. Só o desacerto de Guedes na recarga ao seu cabeceamento que embateu na trave impediu o Vitória de Setúbal de chegar ao empate.

2019 em balanço (4)

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CONFIRMAÇÃO DO ANO: LUÍS MAXIMIANO 

Já se esperava a notícia, era apenas uma questão de data. E ela chegou, a 26 de Setembro, quando Luís Maximiano se estreou na equipa principal a defender a baliza leonina. Num confronto que terminou mal para as nossas cores: perdemos com o Rio Ave na primeira jornada da Taça da Liga. Mas que ficará como marco na carreira do jovem guarda-redes a quem muitos auguram um percurso na esteira de um Rui Patrício, seu ídolo assumido.

O ano encerra com Max - o nome pelo qual é mais conhecido entre colegas e adeptos - já no onze titular. Culminando uma subida a pulso. Com muito esforço, muito trabalho, muita dedicação e muito mérito.

«É um guarda-redes com uma margem de progressão enorme. Sabe ouvir, sabe trabalhar. Quer sempre mais. É muito preocupado com os detalhes, com os pormenores. E isso é importante porque ele tem de perceber que tem de continuar a crescer, a melhorar, e não pode relaxar.» Palavras do capitão Bruno Fernandes há três dias, em entrevista ao Record. Palavras que expressam a confiança do grupo de trabalho neste talentoso guardião que aprendeu tudo quanto sabe no Sporting e é fruto da excelência da nossa Academia.

Já como guarda-redes titular, teve actuação louvável nos jogos desta época em que o Sporting mais brilhou: a 28 de Novembro, na goleada que impusemos em Alvalade ao PSV para a Liga Europa; e a 21 de Dezembro, na espectacular reviravolta leonina frente ao Portimonense, no Algarve, para a Taça da Liga.

Nada que surpreenda quem tenha acompanhado com atenção o percurso de Luís Manuel Arantes Maximiano, iniciado em 2012 de verde e branco, ligado por contrato ao Sporting Clube de Portugal até 2023.

Foi internacional em todos os escalões jovens. E em 2016 sagrou-se campeão europeu sub-17. Ao estrear-se em Novembro passado como internacional sub-21, convocado pelo seleccionador Rui Jorge num jogo contra a Eslovénia, declarou isto: «Sporting? Sei que a minha oportunidade vai chegar.»

Pois já chegou. A uma semana de completar 21 anos, Max é hoje mais uma confirmação do que uma promessa. Se prosseguir como até aqui, pode continuar a sonhar alto. Com a certeza antecipada de que o futuro vai sorrir-lhe.

 

Confirmação do ano em 2012: André Martins

Confirmação do ano em 2013: Adrien

Confirmação do ano em 2014: João Mário

Confirmação do ano em 2015: Paulo Oliveira

Confirmação do ano em 2016: Gelson Martins

Confirmação do ano em 2017: Podence

Confirmação do ano em 2018: Bruno Fernandes

Armas e viscondes assinalados: Foram à Áustria, levaram valsa e caíram no tanque dos tubarões

LASK Linz 3 - Sporting 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

12 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (1,0)

Inaceitável e indigna do profissional limitado mas competente que já demonstrou ser é a forma mais leve de qualificar a abordagem ao lance em que cometeu pénalti e foi expulso, com inteira justiça, pois derrubou o adversário que ficaria isolado frente à baliza. Até então não tivera ocasião de justificar o regresso à titularidade, pouco podendo fazer no lance do 1-0. Sendo certo que deixou a equipa com menos um e, na prática, com dois golos de desvantagem, é natural que muitos queiram vê-lo coberto de alcatrão e penas, mas há que reconhecer que não é o único culpado.

Rosier (1,5)

“Esteve” nos lances dos dois primeiros golos ao isentar-se de cobrir adversários directos que cabecearam para golo ou foram derrubados por Renan. Igualmente permeável a defender junto à linha, esteve menos mau no recurso à velocidade para tentar lançar as raríssimas jogadas de um Sporting que parecia empenhado em desprestigiar-se.

Coates (3,0)

Único dos quatro futebolistas acima de qualquer suspeita que restam no plantel chamado a jogo (Acuña ficou no banco, Mathieu foi resguardado para a visita ao Santa Clara e Bruno Fernandes cumpriu castigo), o uruguaio tentou manter os mãos no leme enquanto o navio naufragava. Decerto que sem ele teria sido pior, pese embora a incapacidade de evitar o 3-0 que antecedeu o apito final.

Tiago Ilori (2,5)

Muita boa gente, incluindo alguém que aparece no espelho quando o autor destas linhas faz a barba, preferiria que fosse Eduardo Quaresma a ser chamado para suprir a fadiga muscular de Mathieu e a hospitalização de Neto. Tal não sucedeu e o Sporting voltou a perder um jogo em que levou valsa do início ao fim. Convém, no entanto, reconhecer que Ilori teve pouca culpa, tendo cumprido no limite das suas capacidades. Na retina ficou um corte arriscado, ainda que providencial e feito com determinação, logo na primeira parte.

Borja (2,0)

Esforçou-se por cumprir os mínimos, numa tarefa complicada pela deriva experimentalista do treinador, nomeadamente na arrumação do flanco esquerdo. Esteve uns furos abaixo da exibição no jogo anterior, mas não comprometeu tanto quanto outros.

Rodrigo Fernandes (2,0)

A titularidade voltou a ser amarga para o promissor “made in Alcochete”. Estava a tentar ganhar o seu espaço no meio-campo do Sporting, com alguns erros à  mistura, quando a expulsão de Renan forçou que alguém saísse para voltar a haver guarda-redes na baliza.

Eduardo (1,5)

Chega a ser comovente observar como o brasileiro leva sempre o esforço demasiado longe, perdendo a bola depois de se desembaraçar de um ou dois adversários. Autor de um cruzamento dentro da grande área adversária que poderia ter rendido pontos noutra modalidade praticada em relvados que não o futebol, Eduardo tarda em provar que tenha qualidade mesmo para esta versão “redux” do Sporting que utiliza derrotas como resultados habituais.

Miguel Luís (2,0)

Mais uma oportunidade desperdiçada, reforçando a tendência negativa que aconselharia um empréstimo quanto antes ao jovem meio-campista a quem já apontaram o destino de ser o novo João Moutinho. Pouco conseguiu numa zona do terreno dominada pelos austríacos, e quando a bola lhe chegava aos pés não revelava engenho e arte bastantes para contrariar o destino.

Rafael Camacho (2,0)

Teve nos pés um 2-1 que poderia reanimar a equipa em busca do empate que chegaria para comandar o grupo, manter estatuto de cabeça de série nas eliminatórias e evitar a visita de um tubarão a Alvalade. Infelizmente perdeu ângulo após desviar-se do guarda-redes e rematou às malhas laterais. Num jogo em que serviu de “Joker” a Silas, tendo a liberdade de aparecer por onde queria, assinou um remate frouxo, denunciado e tristonho logo nos primeiros minutos. Talentoso e persistente quanto baste na circulação de bola, falta-lhe critério e qualidade de execução necessários para pôr fim à maldição da camisola 7. Acabou por terminar como uma espécie de avançado solto, mais ou menos como aquele moço trespassado para o Championship chamado Matheus Pereira, tirando a parte de marcar golos.

Pedro Mendes (2,5)

Condenado à irrelevância e à solidão no início do jogo, ao ser colocado como extremo, o que em tese seria como se Sérgio Sousa Pinto passasse para a bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, viu-se condenado à irrelevância e à solidão na segunda parte, ao ser colocado como avançado ligeiramente mais fixo e em constante inferioridade numérica. Mesmo assim lutou contra as circunstâncias e chegou a fazer uma assistência magistral a que Rafael Camacho não deu o devido seguimento.

Jesé Rodríguez (1,5)

Teve nos seus pés lentos e indecisos a hipótese de marcar o golo que daria alguma incerteza a uma derrota anunciada. Demorou o tempo suficiente para que um defesa se interpusesse entre bola e baliza, impedindo que a atribuição de nova titularidade ao espanhol tivesse alguma consequência positiva. No resto dos quarenta e tal minutos foi igual a si próprio, o que diz tudo.

Luís Maximiano (3,0)

Nem teve tempo para aquecer, mas quase conseguia defender o pénalti que ditou a sua entrada em campo. Havendo uma conjugação de factores capaz de resultar numa humilhação histórica ao nível do 7-1 desferido por outra equipa que fala alemão, coube a Maximiano dizer que não seria esse o dia. Fez uma série de defesas que mantiveram o resultado em níveis meramente maus e não merecia sofrer aquele terceiro golo.

Idrissa Doumbia (2,0)

O mesmo treinador que retirara Rodrigo Fernandes resolveu colocá-lo no início da segunda parte, procurando desfazer o desequilíbrio no meio-campo que criara minutos antes. E se é verdade que o LASK Linz não embalou para uma goleada, deu a impressão de estar quase sempre desenquadrado em relação às ocorrências, tal como toda a equipa.

Luiz Phellype (1,5)

Entrou tarde e sem esperança de alterar o rumo dos acontecimentos. Tal como Pedro Mendes, não fez nenhum remate, o que não é propriamente o melhor de cartão de visitas de um ponta-de-lança.

Silas (1,0)

A tenebrosa atitude com que encarou o sexto e último jogo da fase de grupos da Liga Europa diz muito sobre o treinador, a estrutura que o sustenta e a direcção que escolheu uns e outros. Estando o Sporting apurado, e bastando um empate para assegurar a liderança do grupo que livraria a equipa dos “tubarões” oriundos da Liga dos Campeões, Silas pareceu empenhado em oferecer aos adeptos uma “masterclass” da Ciência do Insucesso. Além da poupança de praticamente todos os titulares (sendo que alguns deles já não são de si cintilantes), resultando num meio-campo que não convenceria se o verde e branco das camisolas fosse o do Vitória de Setúbal, planeou um trio de ataque com uma lógica cifrada e intrigante ao ponto de passar por aleatória. O resultado de tudo isto foi o esperado, as substituições erráticas e a entrada de Luiz Phellype, quando a dinâmica do jogo pedia a velocidade de Bolasie – ou, eventualmente, uma oportunidade para Gonzalo Plata –, deveria dar origem a uma junta médica para avaliar o estado de saúde do treinador leonino. Se houver um único adepto confiante e ansioso por ver a equipa jogar contra o Santa Clara na próxima segunda-feira já será um milagre.

Pódio: Luís Maximiano, Camacho, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Lask Linz-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Luís Maximiano: 17

Camacho: 15

Coates: 14

Idrissa Doumbia: 12

Ilori: 12

Pedro Mendes: 12

Jesé: 11

Borja: 11

Miguel Luís: 10

Eduardo: 10

Rodrigo Fernandes: 9

Rosier: 9

Luiz Phellype: 8

Renan: 6

 

O Jogo e A Bola elegeram  Max  como melhor em campo. O Record optou por  Rafael Camacho.

Armas e viscondes assinalados: Só houve música quando o francês lançou o LP

Sporting 1 - Moreirense 0

Liga NOS - 14.ª Jornada

8 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Recuperou a titularidade, com alguma surpresa, e agarrou a oportunidade com as luvas. Sendo este o típico jogo em que o Sporting remata dezenas de vezes e acaba por sofrer golo num contra-ataque que gela as bancadas (tarefa cada vez mais fácil, tendo em conta os poucos mais de 25 mil presentes numa tarde de domingo e o divórcio entre os vários sectores), Max encarregou-se de alterar o destino. Fê-lo de forma brilhante ao desviar para canto o remate de um adversário isolado – num lance que ditou a grave lesão de Neto –, logo na primeira parte, mas também desviou para longe da baliza o perigo que surgiu depois do intervalo. A haver algo de positivo a retirar desta triste temporada, que seja a sua afirmação. E a de Eduardo Quaresma, Rodrigo Fernandes e um ou outro jovem talentoso que a presente gerência ainda não tenha conseguido desbaratar.

Ristovski (3,0)

Sendo um lateral-direito de pendor ofensivo, a verdade é que se distinguiu sobretudo pelo bom trabalho a contrariar os velozes extremos dos visitantes. Devem-se-lhe belos cortes no coração da grande área, sendo muito mais eficaz a dobrar os centrais do que Rosier tem mostrado conseguir ser.

Neto (2,5)

O azar que persegue e esconde-se à espreita deste Sporting calhou, da pior forma, ao central português. Um choque com Luís Maximiano quando procurava alcançar um adversário em fuga resultou numa costela fracturada e num pneumotórax. Prevê-se uma longa paragem, retirando-o dos decisivos embates de Janeiro e colocando Tiago Ilori na rota de uma possível titularidade. Já ouviram falar de um moço chamado Eduardo Quaresma?...

Mathieu (4,0)

Prioridade para o planeamento da próxima temporada: convencer o central francês a adiar a reforma mais um ano. Antes da assistência para golo no cruzamento perfeito para Luiz Phellype, capaz de desbloquear o que começava a parecer um impasse, enviara um livre directo ao poste e servira na primeira parte Bruno Fernandes para um golo que não se concretizou. Mas ainda mais impressionante foi um corte que realizou na grande área, quando um avançado se esgueirava para aborrecer Luís Maximiano. Noventa e nove em cada cem centrais teriam cometido grande penalidade.

Borja (3,0)

Nunca 14 centímetros terão sido tão injustos (embora haja decerto quem possa discordar...) quanto aqueles que ditaram a posição irregular do colombiano na jogada em que recebeu o passe de Mathieu, ludibriou um adversário e cruzou para o golo anulado a Bolasie. Mas nem por isso se deixou abalar, embalando para uma das melhores exibições desde que chegou a Alvalade, tanto a defender como a auxiliar o ataque.

Idrissa Doumbia (3,5)

Exemplo acabado da tarde virada ao contrário vivida pelo Sporting foi o slalon realizado pelo jovem médio, capaz de ultrapassar adversários em drible como se fosse coisa que fizesse todos os dias. Ao nível demonstrado no domingo, com disponibilidade física e cultura táctica a compensar as limitações técnicas, haveria lugar para Idrissa num plantel leonino com maiores ambições do que os actuais. Veja-se a forma como ficou perto de contabilizar uma assistência para golo ao descobrir a cabeça de Bolasie.

Wendel (3,0)

Longe de deslumbrar, muito pelo contrário, pautou o jogo com a aura de quem sabe o que está a fazer. Mais do que um artista de rasgos, foi um homem da segurança, enchendo o meio-campo com a sua presença.

Bruno Fernandes (3,0)

Algum dia carregaria o fardo de não ter sido imprescindível, sendo assaz curioso que tal tenha sucedido logo após o treinador ter dito que a equipa é ele e mais dez. Além de uma quantidade anormal de passes falhados e combinações que não surtiram efeito também não teve mira afinada nas jogadas de perigo, mas além do eficaz trabalho a corrigir os erros dos colegas ainda assinou desmarcações que poderiam e deveriam ter sido bem melhor aproveitadas.

Vietto (2,5)

Outro que não teve engenho para ser decisivo, embora nada se lhe possa apontar no que toca a empenho. Convirá que assuma o jogo na quinta-feira, devido à ausência de Bruno Fernandes, pois o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa está garantido mas o Sporting precisa de pontos na UEFA como de pão para a boca.

Jesé Rodríguez (2,0)

Daquela hora em que ocupou espaço no relvado pouco mais ficou do que um remate em zona frontal travado pelo guarda-redes do Moreirense. Demasiado pesadão e não o suficientemente rápido, o espanhol tornou-se sempre presa fácil para os adversários.

Bolasie (3,0)

Além do golo que marcou à ponta de lança, tendo o infortúnio de o ver anulado pelos tais 14 centímetros de Borja, o franco-anglo-congolês testou os reflexos do guardião num remate de cabeça que levava selo de golo e de seguida manteve os laterais em sentido. Tendência que se manteve no segundo tempo, forçando um segundo amarelo que deu mais folga ao Sporting e cavalgando pelo meio-campo contrário, numa jogada individual a pedir Wagner como banda sonora em que o remate em forma de torpedo saiu muito perto do ângulo superior esquerdo da baliza.

Coates (3,0)

Entrou muito cedo, substituindo o acidentado Neto, e foi igual a si próprio. Seguro nos cortes, ficou perto de marcar na outra baliza, num cabeceamento oportuno.

Luiz Phellype (3,0)

Fez o resultado e ganhou três pontos para o Sporting num lance em que, literalmente, voou como Jardel sobre os centrais. Tratando-se de um feito valoroso, bastante diferente do contributo deixado pelo espanhol que Frederico Varandas crê ser avançado-centro, não faz esquecer a legião de falhanços e indecisões que impediram Luiz Phellype de pôr os resistentes das bancadas a cantar o seu nome em várias outras ocasiões de perigo iminente.

Rafael Camacho (2,0)

Pouco ou nada acrescentou ao jogo. Mais uma vez.

Silas (3,0)

Chegou a pensar que teria um jogo sossegado, vendo-se em vantagem quase desde o início, mas a actuação do videoárbitro anulou o golo madrugador de Bolasie e encerrou o Sporting em mais um labirinto com muitos remates, muita posse de bola e nenhum resultado concreto. Poderia ter colocado Luiz Phellype em campo mais cedo, claro está, o que não invalida que seja um dos triunfadores de uma jornada em que ganhou dois pontos ao FC Porto, três ao Famalicão, três ao Sporting de Braga e nenhum ao clube que está autorizado a marcar golos precedidos de falta atacante.

O pânico de Luís Maximiano durante o Ataque a Alcochete

Seguem-se frases ditas por Luís Maximiano, hoje, durante mais uma sessão do julgamento de Alcochete. Leiam com atenção, imaginem o pânico e o horror que deve ter sido.

Estava a começar na equipa principal, era um sonho desde pequeno e pensei ‘O que é isto?’. Claro que fiquei assustado com o que vi acontecer, com receio de jogar e que viessem ter comigo também. Ficámos todos parados com o que aconteceu, ninguém teve capacidade de reagir perante aquilo.

 

A imagem que tenho é a do Vasco [Fernandes] tentar fechar a porta e ser empurrado, de entrarem as pessoas todas com máscaras, com capuz. Foi aí que percebemos que era algo mais sério… Da nossa parte não houve nenhuma conversa, foram logo em direção ao Rui [Patrício], ao William [Carvalho], ao Battaglia, ao Acuña…

 

Ao Rui vi que puxaram a camisola e acho que lhe deram um murro no peito, estava lá pelo menos um.

 

Com o Battaglia não sei quantas pessoas estavam lá porque estava na zona das macas, mais perto da porta, e atiraram o garrafão.

Ao Ludovico [Marques], o estojo atingiu-o penso que de frente, só vi o estojo de higiene a voar.

 

O Montero levou um estalo, um indivíduo veio por trás e deu-lhe um estalo na cara. Estava de pé e ouvi-o dizer ‘Mas porquê eu?’.

 

O Misic levou com o cinto na zona da cara, estava sentado e um indivíduo chegou lá e deu-lhe com o cinto.

 

O Acuña levou um pontapé mas acho que o empurraram para dentro do cacifo, havia mais do que um à volta dele. Estavam todos de cara tapada, só vi um com o cinto na mão. Se chegaram a tentar falar? Não, entraram e começaram logo a agredir.

 

– E sabe se algum colega seu precisou de assistência médica?
Sim, o Bas Dost, abriram-lhe a cabeça.

 

Mathieu acrescentou:

Naquele dia liguei logo para a minha mulher, porque não sabia se ia voltar a casa. Este episódio vai ficar para sempre na minha memória. Ainda hoje no final dos jogos me lembro deste episódio muito forte.

 

E ainda há quem desvalorize o que se passou. Como é que isto foi/é possível?

Armas e viscondes assinalados: A bela noite a que os adeptos já tinham direito

Sporting 4 - PSV Eindhoven 0

Liga Europa - Fase de Grupos 5.ª Jornada

28 de Novembro de 2019

 

Luís Maximiano (4,0)

Ouviu o apito final deitado no relvado, com a bola nas mãos, na sequência de mais uma ocasião em que chegou primeiro do que os avançados do eliminado PSV Eindhoven. O modo como olhou para a bola diz tudo o que há para dizer acerca de exibição que teve um único defeito: a pérola da formação leonina a quem chamam “Max” merecia que tivesse sido aquela a sua estreia a titular pela equipa principal em vez de qualquer um dos dois jogos de má memória em que não conseguiu impedir derrotas do Sporting. Não foi o caso desta vez, como pôde testemunhar o renegado Bruma, a quem roubou um golo que poderia relançar o jogo para a equipa holandesa na primeira parte. Depois do intervalo voltou a mostrar ao que vinha numa defesa de recurso a um remate em posição frontal, tal como demonstrou ter velocidade suficiente para se lançar ao solo e agarrar bolas deixadas passar pelas fífias de colegas menos talentosos. Espera-se que esta noite tenha sido o início de uma lenda que faça esquecer de vez o actual titular do Wolverhampton.

 

Rosier (3,0)

Há qualquer coisa na sua abordagem defensiva que não convence, mas não deixa de ser verdade que se esforçou muito para não dar bronca, o que se traduziu numa quantidade de cortes bastante assinalável. No ataque foi aproveitando ao longo do jogo o baixar de braços do adversário para ganhar a linha e servir colegas que poderia ter feito um resultado final ainda mais impressionante.

 

Tiago Ilori (3,0)

Nem as falhas flagrantes que vieram recordar os sportinguistas de que Eric Dier faria ali mais falta do que os “Jesualdo boys” Ilori e Bruma tiveram consequências gravosas, o que demonstra a tranquilidade da melhor noite do Sporting nesta triste época. Muito bem escoltado por Maximiano e Mathieu, o já não assim tão jovem defesa central resolveu quase tudo quase bem, ainda que se tenha arriscado a ver um cartão de outra cor numa entrada a pés juntos mesmo no final da partida.

 

Mathieu (4,0)

A execução do 3-0, desde a sábia movimentação para o canto largo marcado por Bruno Fernandes até ao remate em esforço, de baixo para cima, como mandam as regras do futebol-espectáculo, é o melhor cartão de visita do adiamento da reforma do francês para meados da próxima década. Não contente, mostrou-se intratável para com os infelizes adversários que foram aparecendo no seu raio de acção, acumulando cortes a travar qualquer veleidade do PSV. Saiu uns minutos antes do fim para descansar as pernas e também para ouvir uma merecida ovação.

 

Acuña (4,0)

Os mais distraídos terão pensado que Diego Armando Maradona aparecera no relvado de Alvalade quando Acuña apanhou a bola na linha do meio-campo e passeou-a, à revelia de quem procurava desarmá-lo, até ser derrubado na grande área adversária. Haveria algo de justiça cósmica se lhe tivessem permitido marcar a grande penalidade que selou o resultado, tal como seria agradável que o recém-entrado Jesé Rodríguez tivesse aproveitado melhor um excelente cruzamento do argentino. Seja como for, do primeiro ao último minuto Acuña provou, a defender e a atacar, que é imprescindível num Sporting com ambição de fazer melhor.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Esteve mais certo do que é habitual, sobretudo no transporte de bola, marcando pontos numa competição interna algo esvaziada pelo estatuto de eterno lesionado de Battaglia e pela extrema juventude de Rodrigo Fernandes. Espera-se que esteja preparado para ser uma das chaves da conquista de três pontos na deslocação ao estádio do Gil Vicente.

 

Wendel (3,0)

Regressou à equipa, cumprido o castigo, e não precisou de muito tempo para deixar claro que é melhor do que Eduardo e Miguel Luís a carburar o meio-campo. Mesmo sem deslumbrar, a sua competência contribuiu para a bela noite a que os adeptos já tinham direito. Veja-se o passe perfeito para o que teria sido o 5-0 se Vietto tivesse a pontaria mais afinada.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Dois golos e duas assistências valeram-lhe a distinção de melhor jogador da Liga Europa nesta semana, somando-se à inclusão na lista dos 50 melhores futebolistas nas competições da UEFA na temporada passada. Num jogo muito próximo da perfeição, o capitão começou por testar a atenção ao guarda-redes com um remate de longa distância, preparando-o para o que estaria para vir. Assim foi, poucos minutos depois de fazer a assistência para o golo inaugural de Luiz Phellype com a ponta da chuteira, quando recebeu a bola de Wendel, avançou pelo meio-campo e puxou o pé que a Europa já conhece para trás, com a bola a tocar no poste antes de se alojar nas redes. Não satisfeito com o resultado, e com o papel de maestro de uma orquestra muito bem afinada, fez a segunda assistência com o melhor pontapé de canto dos últimos tempos, e na segunda parte dedicou-se a controlar as operações. Isto, claro está, sem deixar de tentar remates de longe e de fazer o resultado final com uma cobrança de pénalti plena de classe. Garantido o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa, e com “folga” na deslocação à Áustria devido ao cartão amarelo que viu na primeira parte, nada há temer tirando a tenebrosa hipótese de ter feito o último jogo europeu de leão ao peito, numa transferência destinada a compensar a sucessão de incompetências da actual gerência e da brilhante comissão de gestão cujo paladino Sousa Cintra fez custar mais três milhões ao Sporting devido ao despedimento ilegal do treinador Sinisa Mihajlovic.

 

Bolasie (3,0)

Merece mais a nota pela presença e arrancadas que puseram em alerta a defesa contrária do que por qualquer efeito prático da sua prestação. Na retina ficou a tentativa atabalhoada de marcar com um pontapé acrobático de costas para a baliza e a conquista do canto que valeu o 3-0. Aqui que ninguém nos ouve, foi poucochinho. Mas tudo está bem quando acaba bem.

 

Vietto (3,0)

Também não foi o “verdadeiro artista” a que começou a habituar os adeptos, perdendo a hipótese de deixar marcar ao falhar um remate em arco em posição frontal. Perdeu uma boa oportunidade de provar à Europa que voltou para conquistar o mundo.

 

Luiz Phellype (3,5)

A subtileza no desvio da bola e a assertividade na conquista de posição para o cabeceamento que inaugurou o marcador antes dos dez minutos lançou uma promessa de noite memorável que não foi totalmente cumprida. O avançado brasileiro pode queixar-se de falta de ajuda dos laterais e dos extremos, mas a verdade é que demonstrou os limites que o cerceiam no controlo de bola deficiente que o impediu de seguir isolado para a baliza num lance na segunda parte.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Entrou para o lugar de Luiz Phellype e tentou demonstrar a tese de Frederico Varandas que lhe atribui qualidades de avançado-centro móvel. Por azar dos Távoras chegou atrasado a um excelente cruzamento de Acuña e concentrou-se em impor respeito aos adversários.

 

Neto (2,5)

Tirando uma antecipação escusada a Luís Maximiano, cumpriu sem dificuldades a missão de manter a baliza do Sporting inviolada nos minutos em que tomou o lugar de Mathieu.

 

Rafael Camacho (1,5)

Poucos minutos pouco aproveitados. Contribuiu apenas para o chavão “três da formação” em campo.

 

Silas (4,0)

Desta vez conseguiu que a equipa não desse meia hora de avanço ao adversário, montando uma equipa dominadora e que não permitiu quase nada ao PSV Eindhoven. Sendo certo que beneficiou do estado de graça dos melhores do plantel (Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu), teve uma noite que deverá ser recordada e repetida, de preferência com Wendel a cimentar-se no meio-campo e com outras opções nos extremos. Será que Gonzalo Plata ou até os adolescentes Joelson Fernandes e Bruno Tavares não conseguem fazer melhor do que os “incumbentes”?

Max Patrício

Vinha ali a chegar a Mafra, pela A21, quando o miúdo prestava declarações.

Quando ele disse "os miúdos querem ser jogadores de futebol, eu queria ser jogador do Sporting", até tirei o pé do acelerador e ia deixando a carripana ir abaixo quando ele disse "a maior felicidade é estrear-me com 20 anos pelo Sporting nas competições europeias".

Raios, que a gente ainda os forma com garras, poucos, mas pelos vistos bons.

Nestas coisas há sempre males que vêm por bem e parece que a lesão de Renan poderá ter sido a abertura de portas para termos guarda-redes para pelo menos os próximos dez/doze anos e se a evolução for o que promete, temos Patrício, Max Patrício, se entretanto uma cabecinha qualquer não o empandeirar por empréstimo ou vendido a pataco.

Se hoje o melhor foi o do costume (dois golos, duas assistências), as fífias que Ilori e Doumbia deram, obrigaram a sair da toca o Luis Maximiniano, Max para todos nós sportinguistas, que fez um belo número de como bem defender uma baliza. E até demonstrou que sabe colocar a bola longe, jogável, com os pés!

Força Max, eu prometo que não te iremos assobiar como ao outro!

Quente & frio

Gostei muito de quase tudo esta noite. Da exibição de gala do Sporting em Alvalade frente ao PSV, hoje eliminado da Liga Europa pelo onze leonino: foi a melhor actuação da época da nossa equipa, traduzida em números concludentes - vitória por 4-0. Única goleada com marca do Leão até ao momento nesta temporada 2019/2020. Começou a ser construída muito cedo, logo aos 9', com um golo de cabeça de Luiz Phellype à ponta de lança clássico, prosseguindo aos 16' com um forte disparo de meia-distância do capitão Bruno Fernandes, que esteve nos quatro golos. Marcou dois, deu dois a marcar (o primeiro e o terceiro, aos 42', na cobrança de um canto a que Mathieu deu a melhor sequência com um magnífico pontapé sem deixar a bola cair no chão) e apontou o último, de penálti, aos 64'. Esteve em todos, revelou-se uma vez mais o melhor em campo, nunca tinha alcançado números tão brilhantes numa partida só. Proeza tanto mais de realçar quanto sabemos que o adversário é uma equipa com excelente reputação: o PSV segue em terceiro lugar no campeonato holandês. Mas quem ruma em frente na Liga Europa é o Sporting.

 

Gostei da exibição de Luís Maximiano, hoje titular em estreia na baliza leonina numa competição da UEFA - sucedendo de algum modo a Rui Patrício, que se estreou há 12 anos na mesma posição. Muito seguro e concentrado, com bons reflexos, teve um papel irrepreensível não apenas entre os postes mas também a antecipar-se em saídas oportunas que abortaram lances ofensivos do PSV. Também gostei que tivéssemos terminado o jogo com três elementos da formação leonina em campo: além de Max, Ilori e Rafael Camacho. E do impressionante slalom de Acuña atravessando o campo todo com a bola dominada, imitando o seu compatriota Diego Maradona aos 63', na mais vistosa jogada do desafio, só terminada quando o lateral argentino foi derrubado em falta dentro da grande área holandesa, daí resultando o nosso último golo.

 

Gostei pouco  das actuações de Vietto e Bolasie, únicos titulares que estiveram abaixo do desempenho médio da equipa. Nem os passes lhes saíram bem, nem a pressão de que estavam incumbidos resultou com eficácia nem a pontaria de ambos se revelou afinada. O congolês, por exemplo, rematou três vezes, mas sempre à figura do guardião adversário.

 

Não gostei  do regresso de Bruma a Alvalade. Com a camisola errada: não estava de Leão ao peito apesar de ter sido formado na Academia de Alcochete. Há seis anos, forçou a saída do Sporting, renegando o clube que lhe ensinou quase tudo quanto sabe. O destino não lhe sorriu nesta efémera reaparição na antiga casa-mãe: teve um desempenho medíocre ao serviço do PSV, terá sido talvez o pior jogador em campo e acabou por não regressar depois do intervalo.

 

Não gostei nada de ver duas dúzias de viúvas aos gritinhos contra o presidente leonino, ainda antes de terminar o jogo, indiferentes à exibição, ao triunfo e à goleada. Desrespeitando assim os profissionais do Sporting que davam o seu melhor em campo, a equipa técnica que os orientou muito bem e o conjunto dos adeptos. Era noite de aplausos, não de assobios - excepto para aquela minoria que insiste em torcer pelas derrotas. A reacção das restantes bancadas não se fez esperar: esse bando de imbecis, acampado na zona onde costumava ficar a Juve Leo, recebeu uma estrondosa vaia da vasta maioria que vê neles aquilo que realmente são. Letais ao Sporting.

Armas e viscondes assinalados: O Carvalhal bate sempre duas vezes

Sporting 1 - Rio Ave 2

Taça da Liga - Fase de Grupos 1.° Jogo

26 de Setembro de 2019

 

Luís Maximiano (2,5)

Demorou tanto tempo a calçar as luvas que não terá aparecido na fotografia de conjunto antes do início do jogo. Para quem fazia a estreia no plantel principal não foi o melhor presságio, e as nuvens carregadas que cobrem Alvalade acabariam por não o poupar. O que dizer de um jogo em que fez quase tantas defesas quanto viu entrar bolas na baliza? Na retina ficou a rapidez com que saiu da grande área para desfazer um atraso negligente de Ilori e o toque providencial com que atrasou por uns segundos o 1-2. Já no lance do primeiro golo foi deixado à sua sorte por dois incompetentes. É muito possível que “Max” seja o futuro, mas o presente é a versão reduzida do mini.

 

Rosier (2,0)

Fica ligado ao lance do golo inaugural do Rio Ave, que Carlos Carvalhal levou a vencer o Sporting em casa pela segunda vez no mesmo mês, pois estava em parte incerta aquando da perda de bola de Wendel e não mais conseguiu apanhar o veloz Ronan no seu rumo à baliza, e talvez também ao segundo, na medida em que alguém deveria estar a vigiar Pedro Amaral, que cruzou da esquerda para a grande área do Sporting sem ter um jogador leonino num raio de dez metros. À parte isso, verdade seja dita que o lateral francês demonstrou estar com mais energia e vontade de combinar com os colegas nas jogadas de ataque.

 

Tiago Ilori (2,0)

Teve direito aos primeiros minutos de jogo desta época e gastou alguns preciosos segundos a contemplar a forma decidida com que Ronan se acercava da baliza. No resto do tempo dedicou-se a trapalhices variadas, como o tal atraso que o guarda-redes teve de resolver, fazendo lembrar que os órgãos dirigentes que o resgataram ao esquecimento no estrangeiro foram os mesmos que venderam Domingos Duarte, emprestaram Ivanildo Fernandes e não conseguiram desarmadilhar o empréstimo de Demiral feito pela genial gerência interina de Sousa Cintra.

 

Neto (2,5)

Merece mais meio ponto por ter aceite ir à “flash interview”, durante a qual foi perdendo gradualmente a voz até deixar a impressão de estar a ser esmagado pelas circunstâncias. Perder e sofrer dois golos num jogo que esteve quase sempre controlado é o tipo de provação que, como diria Cole Porter, lhe fez ver mais céu cinzento do que qualquer peça de teatro russa poderia garantir.

 

Borja (2,5)

Há que referir que o limitado colombiano esteve tão bem quanto consegue estar, chegando a fazer circular a bola com qualidade e a ser mais do que o habitual empecilho a Acuña na ala esquerda. Mesmo o amarelo que lhe foi mostrado teve sentido, pois travou um adversário que se preparava para entrar na grande área com a bola controlada.

 

Battaglia (2,5)

Estava a continuar a reaprender a ser útil ao clube com que rescindiu e voltou a assinar contrato quando, na sequência de continuados contactos de jogadores do Rio Ave, caiu agarrado ao joelho e foi substituído antes do intervalo. Se voltar a ficar indisponível por um longo período será apenas mais uma dor de cabeça para Silas, o novo treinador do Sporting e o terceiro consecutivo com défice capilar.

 

Wendel (2,5)

Talvez seja injusto apontar-lhe responsabilidades pelo 0-1, ainda que a sua perda de bola tenha servido de ignição a uma série de infaustos eventos. Mais estranha, no entanto, foi a jogada em que se desentendeu com Bruno Fernandes e conseguiram perder a posse de bola a meias para um adversário. Mas também se deve referir que o jovem brasileiro trabalhou mais e melhor pela equipa do que tem sido seu hábito nos tempos mais recentes.

 

Acuña (3,0)

Pudesse ser clonado em série e Marcel Keizer continuaria a torturar a língua inglesa, deixando Leonel Pontes feliz a assistir a goleada após goleada dos sub-23. O argentino foi novamente incansável, tão capaz de desarmar adversários (e de nunca desistir de uma marcação) como de fazer aberturas e cruzamentos para os colegas, falhando apenas redondamente numa recarga a um remate de Jesé Rodríguez quando estava em excelente posição para fazer o 2-1. E ainda se deu o caso, perturbador tendo em conta os antecedentes, de ser visto a acalmar colegas furibundos com o árbitro Manuel Mota.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Precisou da ajuda de um desvio em Diogo Figueiras para marcar de livre directo, mas essa foi a recompensa possível para mais uma exibição em que remou contra a maré sem ser bafejado pela sorte em mais nenhum instante. Não só foi amarelado por ser alvo de ameaças e insultos de um adversário, que o acusou de falta de “fair play” por não devolver uma bola mandada para fora para haver assistência médica, como viu o guarda-redes e a falta de pontaria resolverem cerca de uma dezena de remates de todos os géneros e feitios. De igual modo, também as suas assistências surtiram pouco efeito prático, mantendo-se crente mesmo quando recuou no campo após as alterações tácticas com que Leonel Pontes procurou desesperadamente a vitória ou, logo a seguir, pelo menos o empate.

 

Jesé Rodríguez (3,0)

Convém não lhe pedir para correr, mas quando a bola surge no raio de acção da promessa cancelada do Real Madrid podem suceder coisas espantosas. Fez duas assistências primorosas que Vietto se encarregou de desperdiçar, atirou um cruzamento-remate ao poste e lançou outras bombas que só o azar e o guarda-redes do Rio Ave impediram de abanar o resultado. Saiu a poucos minutos do fim, na hora do desespero, deixando a indicação de que poderá vir a ser útil quando localizarem a caveira de bode que está a amaldiçoar o relvado do estádio.

 

Vietto (2,5)

Torna-se cada vez mais óbvio que é a operação contabilística com melhores dotes de futebolista que anda por aí, sucedendo-se jogadas em que mostra ser capaz de fazer coisas com a bola que nem o demónio desconfia. Só é pena que tenha sido tão incrivelmente perdulário: o cabeceamento ao lado, depois de muito bem servido por Jesé Rodríguez, foi apenas o exemplo mais flagrante dos constantes desacertos do argentino, incapaz de revelar-se super-herói quando os habitantes de Alvalade City mais necessitavam de um.

 

Eduardo (3,0)

Entrou ainda antes do intervalo, devido a nova lesão de Battaglia, e conseguiu impressionar pela qualidade no controlo e circulação da bola, empenhando-se em fazer avançar a equipa no terreno. Merece mais tempo que provavelmente lhe será concedido por Silas, que já foi seu treinador na Belenenses SAD.

 

Luiz Phellype (2,0)

Regressou de lesão com pouco ritmo e mais não fez do que ser uma presença na grande área do Rio Ave que prendeu mais os centrais e dinamizou a conquista de espaços pelos colegas. Convirá voltar quanto antes à bitola jogo feito-golo feito que foi sua no final da época passada.

 

Jovane Cabral (2,0)

Esteve quase a entrar em campo com a camisola de Gonzalo Plata, o que seria o culminar perfeito para a tragicomédia em curso no Sporting. Tendo pouco tempo, certo é que se esforçou para que a bola rondasse a baliza do Rio Ave.

 

Leonel Pontes (3,0)

Sinal de que a vida foi especialmente cruel para o interino que deverá sair com o recorde negativo de um empate e três derrotas em quatro jogos ao comando do Sporting é que o Rio Ave fez dois golos em pouco mais do que duas ocasiões de golo. E, mais precisamente, que o Sporting não jogou mesmo nada mal, sucedendo-se as combinações entre Bruno Fernandes, Vietto e Jesé Rodríguez, bem municiados sobretudo por Acuña e não raras vezes por Wendel. Mesmo os pontos fracos do onze que pôs em campo não tinham grande solução - Coates e Mathieu precisavam de descanso, por motivos diferentes, e a lesão de Ristovski, a venda de Thierry Correia e a falta de inscrição de João Oliveira obrigam à utilização intensiva de Rosier até alguém reparar que o Sporting pagou uns quantos milhões pelo passe de Rafael Camacho, aquele a quem Klopp antevia futuro como lateral-direito – e o facto de os poucos milhares de adeptos que estavam nas bancadas se terem dedicado mais a confrontos físicos e cânticos contra os órgãos dirigentes do que propriamente a apoiar os jogadores também não terá dado muito jeito. Espera-se que, tendo em conta o seu anterior local de trabalho antes do Jamor, o sucessor Silas traga consigo a estrela de Belém.

Os destaques: Max, Conté, Nuno Mendes

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Segundo jogo enquadrado neste estágio de pré-preparação da nova temporada na Suíça, segunda vitória adiada. O Sporting cedeu hoje um empate (2-2) frente ao St. Gallen - equipa que ficou na sexta posição do campeonato helvético na época passada - numa partida em que aos 25' já vencíamos por 2-0.

A incapacidade de gerir o resultado, devido a um claro retraímento da nossa equipa a partir da meia hora de jogo, conjugada com erros defensivos inaceitáveis, explica este empate, ainda assim melhor do que o desfecho de há três dias, também na Suíça, quando perdemos frente ao modestíssimo Rapperswil, da terceira divisão. 

A figura do jogo, para não variar, voltou a ser Bruno Fernandes. É ele quem começa a construir o primeiro golo, logo aos 2', com um soberbo passe para Raphinha, e é também ele quem a mete lá dentro, de recarga, mostrando aos companheiros que um verdadeiro craque nunca desiste de um lance. Também dos pés do nosso capitão partiu a assistência para o segundo, apontado por Wendel aos 25'. Um golaço  indefensável, disparado de fora da área.

 

Os mais optimistas - entre os quais me incluo - chegaram a antever uma goleada. Nada disso ocorreu. Por quebra física e algum excesso de confiança, sempre mau conselheiro, o Sporting afrouxou a pressão sobre os suíços, que assumiram o controlo do jogo a partir do final da primeira parte, marcando aos 43' e aos 52'. Tornando mais evidentes as debilidades da nossa equipa, desfalcada de alguns dos seus titulares habituais, como Coates e Acuña, ausentes deste estágio por se encontrarem ainda de férias na sequência da participação na Copa América ao serviço das selecções uruguaia e argentina.

No segundo tempo, marcado por sucessivas rotações de jogadores o St. Gallen foi claramente a melhor equipa em campo. Aí destacou-se, pelo nosso lado, o jovem guarda-redes Luís Maximiano, que rendeu Renan aos 62'. Evitando dois golos - o primeiro aos 79', com uma excelente defesa, e o segundo mesmo ao cair do pano, ao sair muito bem da baliza quando um jogador helvético já se isolava, pronto a disparar. 

 

É justo ressalvar que nesta segunda parte o Sporting alinhou com dois miúdos de 17 anos que há semanas ainda actuavam nas competições juvenis: o central Eduardo Quaresma e o lateral Nuno Mendes. De resto, terminámos a partida com sete elementos da nossa formação -- incluindo todo o quinteto defensivo. Precisamente num período em que não sofremos golos.

O pior em campo, claramente, foi o único que jogou os 90 minutos: Tiago Ilori. Desastrado na posição em que actuou inicialmente, como lateral direito improvisado (Bruno Gaspar está de férias e Ristovski magoou-se já na Suíça), e a partir dos 62' como central, ocupando o espaço que estivera confiado a Luís Neto. Quase nada lhe saiu bem em qualquer destas missões.

 

Entre os reforços, Neto e Plata voltaram a mostrar qualidades. Vietto, fora da posição em que mais rende, esteve longe de deslumbrar, tal como Matheus Pereira - pelo mesmo motivo. Camacho, como ala esquerdo, mostra-se voluntarioso mas ainda com necessidade de acertar o rumo, sobretudo no capítulo táctico. Eduardo começou acima da média mas teve um deslize imperdoável que nos custou um golo.

O próximo teste, que promete ter um grau de dificuldade maior, será frente ao Brugge. Sexta-feira, dia 19.

............................................................................................

 

Os jogadores, um a um:

 

Renan (29 anos).

Mais: atento, saiu dos postes com rapidez aos 42', resolvendo a pontapé.

Menos: encaixou dois golos, embora um deles claramente indefensável.

Nota: 4

 

Ilori (26 anos).

Mais: subiu algumas vezes à baliza adversária no primeiro tempo, procurando marcar. - sem sucesso algum.

Menos: deixou-se ultrapassar várias vezes, enquanto lateral direito, pelo extremo adversário, que fez dele o que quis, e revelou erros de posicionamento como central, a partir do minuto 62.

Nota: 3

 

Neto (31 anos).

Mais: corte impecável aos 55'.

Menos: falta-lhe a capacidade de construção de Coates no primeiro momento ofensivo.

Nota: 6

 

Mathieu (35 anos).

Mais: corte perfeito aos 59', excelente passe longo aos 61'.

Menos: sentiu-se a falta dele na meia hora final: saiu aos 62'.

Nota: 6

 

Conté (21 anos).

Mais: lateral esquerdo titular, por ausência de Acuña e Borja, foi veloz e voluntarioso no seu corredor, apoiando o ataque com processos simples.

Menos: revelou excesso de ansiedade em alguns lances.

Nota: 6

 

Eduardo (24 anos).

Mais: jogou na posição 6, servindo os companheiros em missão ofensiva.

Menos: erro grave aos 43': dominou mal a bola em zona proibida, oferecendo-a para o segundo golo dos suíços.

Nota: 4

 

Wendel (21 anos).

Mais: apontou o nosso segundo golo - com um pontapé fortíssimo, de fazer levantar o estádio.

Menos: protesta demasiado e devia agarrar-se menos à bola.

Nota: 6

 

Bruno Fernandes (24 anos).

Mais: constrói e finaliza o golo inaugural, estavam decorridos dois minutos, e assiste Wendel no segundo. 

Menos: decidiu mal, a 20 metros da baliza, quando desperdiçou um lance tendo um colega mais bem colocado, com apenas um defesa pela frente.

Nota: 7

 

Raphinha (22 anos).

Mais: muito activo, levou perigo à baliza suíça logo nos momentos iniciais do jogo. É ele quem remata, para defesa incompleta do guardião adversário, permitindo que Bruno marcasse.

Menos: falhou alguns passes.

Nota: 7

 

Camacho (19 anos).

Mais: ala esquerdo durante o primeiro tempo, fez algumas tabelinhas de qualidade com Luiz Phellype e Conté.

Menos: exibição demasiado discreta, também por ter sido pouco procurado pelos companheiros.

Nota: 5

 

Luiz Phellype (25 anos).

Mais: melhorou em relação ao jogo anterior, mostrando-se mais acutilante ao movimentar-se na grande área.

Menos: continua sem marcar.

Nota: 5

 

Idrissa Doumbia (21 anos).

Mais: jogou toda a segunda parte, bom corte aos 73'.

Menos: perdeu a bola em zona proibida aos 51'. Passou o resto do tempo de costas para a baliza, na posição 6, passando só para o lado e para trás.

Nota: 4

 

Bas Dost (30 anos).

Mais: em campo na segunda parte, entregou bem a bola a Vietto, aos 86'.

Menos: mal servido, procurou a bola em zonas mais recuadas, designadamente junto à linha esquerda, desposicionando-se sem proveito para a equipa.

Nota: 4

 

Vietto (26 anos).

Mais: actuou no segundo tempo, evidenciando bons dotes técnicos. Lançou um contra-ataque perigoso aos 55'.

Menos: não tem vocação para actuar na ala, onde o técnico o colocou pela segunda vez, nem parece muito apto para tarefas defensivas. Por excesso de fintas, desperdiçou um bom lance de ataque.

Nota: 5

 

Maximiano (20 anos).

Mais: em campo desde os 62', evitou dois golos suíços com enormes defesas, demonstrando ter valor para o principal escalão do futebol leonino.

Menos: deficiências na reposição de bola: enviou-a por três vezes directamente para fora.

Nota: 7

 

Thierry (20 anos).

Mais: o campeão europeu sub-19 entrou aos 62', cobrindo a lateral direita: cortes providenciais, aos 69' e 70'.

Menos: demorou a recuperar posição após lances ofensivos.

Nota: 5

 

Miguel Luís (20 anos).

Mais: não cometeu nenhum erro grave.

Menos: ocupando a posição 8, a partir dos 62', foi demasiado discreto: mal se deu por ele.

Nota: 4

 

Eduardo Quaresma (17 anos).

Mais: actuou desta vez no lugar em que está mais habituado, como central.

Menos: em campo desde o minuto 62, revelou algum nervosismo - natural por ser tão jovem.

Nota: 5

 

Nuno Mendes (17 anos).

Mais: dinâmico, voltou a dar nas vistas como lateral esquerdo a partir dos 62': grande corte aos 78'.

Menos: falta-lhe alguma disciplina táctica, o que não surpreende.

Nota: 6

 

Plata (18 anos).

Mais: desta vez não deu nas vistas em confrontos individuais. Mas entrega-se ao jogo, sem se esconder da bola.

Menos: compromisso defensivo: apoiou várias vezes as linhas mais recuadas.

Nota: 5

 

Matheus Pereira (23 anos).

Mais: inegável capacidade técnica, bem evidenciada em passes curtos na zona central, que está longe de ser o espaço em que se movimenta melhor.

Menos: coube-lhe missão ingrata: substituir Bruno Fernandes a partir dos 62'. Qualquer um ficaria a perder na comparação.

Nota: 5

Alegria Máxima

Segundo a imprensa desportiva de hoje (vale o que vale), Luís Maximiano será a alternativa a Renan, sucedendo a Salin. Por ser um jovem da casa, com grande qualidade, é uma notícia que muito me alegra e desejo que em breve, seja o número um. Espero que seja verdade e que outros de igual perfil, como Thierry, Conté, Bragança ou Brás se lhe juntem.

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