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És a nossa Fé!

Pódio: B. Fernandes, Miguel Luís, Montero,

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Vorskla pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 20

Miguel Luís: 18

Montero: 17

Acuña: 16

Carlos Mané: 15

Coates: 15

Petrovic 15

Salin: 15

Bruno Paz: 14

Pedro Marques: 14

Ristovski: 14

André Pinto: 14

Jovane: 14

Thierry: 13

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo. 

Vamos lá com calma

Quando vi nos ecrans e ouvi o rapaz do microfone a dar a "linha" do Sporting, disse para o amigo que estava ao lado e que ontem aproveitou uma das "borlas" da renovação do meu bilhete de época, que mesmo com aqueles, seria equipa para dar "um cabaz" àqueles rapazes ucranianos simpáticos, que já no jogo na Ucrânia tinham demonstrado ser muito fraquinhos. Não me enganei, felizmente, que apesar de a qualificação estar assegurada, sabe sempre bem ganhar e se não for de "afogadilhos" tanto melhor.

Cedo se viu que apesar da falta de entrosamento (natural) entre os nossos, era uma questão de tempo até entrar a primeira e foi o que aconteceu. E sempre que os automatismos funcionavam e a velocidade no último terço aumentava, o pânico no sector recuado (que muitas vezes foi toda a equipa) do adversário era evidente, bem como se notava a sua efectiva falta de jeito para a função.

Foram três na primeira parte, poderiam ter sido outros tantos e na segunda percebeu-se, com as substituições, que o treinador começou a gerir o esforço; Mas ainda assim, houve mais meia-dúzia de oportunidades que talvez por "verdice" dos protagonistas, não foram concretizadas.

Alguns apontamentos que me vieram ao pensamento durante o jogo:

- Há muito pouco tempo, na Ucrânia, com este mesmo adversário e com os melhores em campo (os disponíveis) estivemos a perder até quase ao final do jogo e fizemos uma exibição(?) miserável. Era treinador José Peseiro;

- Há muito pouco tempo estáva-se a pensar em aquisições em Janeiro por falta de soluções no plantel. Hoje parece que o treinador diz que intra-muros temos soluções. Não sei se lhe disseram que "não há pão p'ra malucos" ou se lhe disseram que é para apostar nos miúdos, ou se a opção é dele, mas eu gostei de ver o jogo a terminar com seis rapazes do alfovre e alguns deles, se os pais não começarem a "variar", apresentam já qualidades que os podem vir a tornar em titulares absolutos num futuro mais ou menos próximo;

- Vamos com uma média impressionante de golos marcados e se era inevitável identificar-me com o treinador (afinal a equipa vem ganhando e jogando cada vez melhor), depois da declaração na CI, com que me identifico totalmente, de que prefere ganhar por 3-2, do que por 1-0, relevando a essência do futebol holandês que eu confesso que aprecio, Kaiser está a encher-me as medidas;

- Com esta avalhanche de golos, espero que no dia em que apenas ganharmos por 1-0, não comecem a dizer mal do homem;

- Vamos lá indo com calminha, passo a passo e não embandeiremos em arco. Ainda falta muito para Maio e cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, apesar de que, confesso, começa também por aqui a crescer uma pontinha de esperança.

Domingo há mais. Esperemos que com golos, que é o que nos dá alegria!

Armas e viscondes assinalados: Primeiro houve baile e depois houve debutantes

Sporting 3 - Vorskla 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

13 de Dezembro de 2018

 

Salin (3,0)

Voltou à baliza que nunca mais ocupara desde que saiu do estádio do Portimonense directamente para o hospital, superando as piores experiências das adolescentes britânicas na noite da cidade algarvia. Desta vez nada de mal lhe sucedeu, ao ponto de nem sequer sofrer golos. Algo que também não seria fácil, pois os ucranianos remataram muito pouco e quase sempre ao lado. No momento de maior (relativa) aflição saiu depressa e bem da grande área.

 

Ristovski (2,5)

Regressado de lesão, o macedónio recordou aos adeptos que garante maior apoio ao ataque do que Bruno Gaspar sem lhe ficar atrás na defesa. Ganhou algum ritmo que ainda manifestamente lhe falta e pôde descansar mais cedo quando Marcel Keizer decidiu conceder oportunidades à juventude leonina.

 

Coates (3,5)

Terminou o jogo com a braçadeira de capitão, entregue por Bruno Fernandes quando foi substituído, e o uruguaio mereceu a honra num jogo em que foi um dos três únicos titulares da recepção ao Desportivo das Aves que não tiveram direito a sopas e descanso. Mesmo tendo facilitado num lance da segunda parte que poderia ter sido melhor aproveitado pelos ucranianos, Coates não só acumulou os tradicionais cortes pela relva e pelo ar como deu início à jogada do segundo golo dos leões.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a demonstrar que os medicamentos genéricos podem ser tão eficazes quanto os de marca, contribuindo de forma decisiva para a nada habitual ausência de golos sofridos. Para a noite poder ser mais risonha bastaria que fosse mais expedito nas oportunidades que teve para marcar na grande área contrária.

 

Acuña (3,5)

Já tinha perdido perdão com palavras pela sua expulsão no jogo anterior, mas desta vez pediu perdão com actos, voltando a mostrar-se inflexível a defender e letal a atacar. Contribuiu directamente para o tento inaugural, destacou-se no um contra um e só não conseguiu ser mais decisivo porque os colegas desperdiçaram os livres e cantos que lançou com conta, peso e medida para a grande área contrária.

 

Petrovic (3,0)

Mesmo o cartão amarelo que recebeu, anacrónico num jogo de inequívoco domínio do Sporting, foi um sacrifício necessário para impedir uma incursão de Careca, o brasileiro que foi o mais perigoso de entre os ucranianos. Seguro a vigiar e punir as movimentações do adversário, o sérvio conquistou as bancadas com alguns toques de classe que nem parecem vir do mesmo jogador que falhou o 4-0 ao enviar para cima da barra uma bola que cabeceou à vontade. Mas não tanto quanto estava na primeira parte, sendo então capaz de saltar em falso e deixar o esférico seguir para longe.

 

Miguel Luís (3,5)

Permitiu a defesa do guarda-redes do Vorskla na primeira assistência que recebeu de Bruno Fernandes, mas à segunda oferta empurrou a bola para o fundo da baliza. Dificilmente poderia esperar melhor naquilo que pareceu um teste de aptidão à corrida pelo lugar do lesionado Wendel. Eficaz nas trocas de bola em que assenta o novo sistema de jogo leonino, o jovem da formação marcou pontos e deu por si rodeado de oriundos dos sub-23.

 

Bruno Fernandes (4,0)

A assistência para o golo de Miguel Luís e a semi-assistência para o autogolo do defesa ucraniano que se antecipou à Montero foram dois dos melhores momentos de mais uma grande exibição do jovem que entrou no relvado como capitão. Ainda melhor foi a assistência de calcanhar desaproveitada por Miguel Luís, o passe de calcanhar que permitiu a Acuña cruzar para o 1-0 e as muitas combinações que infernizaram os adversários e ajudaram a que o resultado ficasse feito antes do intervalo. Saiu vinte e poucos minutos antes do fim, com a sensação de dever muito bem cumprido.

 

Carlos Mané (3,0)

Irrequieto ao longo do jogo inteiro, mesmo que isso tenha implicado foras de jogo e perdas de posse de bola, a esperança adiada da Academia de Alcochete demonstrou vontade de recuperar o tempo perdido. Não ficou nada longe de marcar, ainda que tenha preferido jogar para a equipa.

 

Jovane Cabral (2,5)

Não era a noite do habitual talismã quando salta do banco de suplentes. Alternou momentos em que pareceu perdido no relvado com períodos de hiperactividade pouco esclarecida. Sendo o mais rematador da equipa, nada melhor conseguiu do que um remate às redes laterais na primeira parte e do que permitir uma boa defesa ao guarda-redes ao receber uma assistência de Carlos Mané em posição frontal. Pode ser que no domingo recupere o hábito de saltar do banco para alterar o marcador.

 

Montero (3,5)

Atrapalhou-se ao ser isolado frente ao guarda-redes por Jovane Cabral, mas no lance do primeiro golo provou que é capaz de cabecear por instinto e a sua presença bastou para induzir um adversário a fazer autogolo. Sempre excelente a combinar com Bruno Fernandes, não merecia o extremo azar de sair de maca devido a uma bola dividida no meio-campo.

 

Pedro Marques (3,0)

O jovem avançado que está longe de ser titular indiscutível nos sub-23 teve direito a mais de meia hora de jogo devido à lesão de Montero e tudo fez para deixar marca. Campeão dos foras de jogo, podia ter marcado num cabeceamento por cima da barra e numa jogada de insistência dentro da grande área do Vorskla. Nada mal para um dos dois estreantes na equipa principal do Sporting.

 

Thierry Correia (2,5)

Voltou a somar minutos na Liga Europa, e sem estar isento de erros defensivos pode dizer que ficou a centímetros de juntar o seu nome à lista de marcadores na competição.

 

Bruno Paz (3,5)

O segundo e último debutante na equipa principal deu muito boa conta de si desde o instante em que ocupou o lugar de Bruno Fernandes. Robustez física, qualidade de passe e visão de jogo foram os requisitos para fazer figura em pouco mais de 20 minutos, pois assistências como aquela que fez para Thierry Correia não estão ao alcance de qualquer um.

 

Marcel Keizer (3,5)

Trocar oito titulares e mesmo assim chegar ao intervalo a ganhar por 3-0 é um sinal de que a sorte protege os audazes. Depois de ter visto a equipa dar baile aos ucranianos, optou por dar minutos aos jovens que convocara e chegou ao apito final com seis ‘made in Alcochete’ no relvado, para gáudio dos 25 mil que foram a Alvalade numa noite fria. Domingo há mais, e o treinador holandês terá  quase todos os titulares bem frescos para somar mais três pontos na recepção ao Nacional da Madeira.

Jogo terminou com seis da Academia

Pena haver apenas 25 ml pessoas no estádio. Certamente muitos mais sportinguistas gostariam de ter assistido a este Sporting-Vorskla, para a Liga Europa, apesar de a nossa equipa já estar classificada para os 16 avos de final da competição.

Oportunidade para Marcel Keizer, nesta sua estreia europeia ao serviço do Sporting, pôr a rodar mais dois elementos da formação leonina: o médio Bruno Paz e o avançado Pedro Marques. Somados a Jovane, Miguel Luís e Carlos Mané, e ao lateral Thierry Correia, suplente utilizado, foram ao todo seis os que terminaram este jogo com a marca de formação da Academia de Alcochete.

O resultado, 3-0, foi construído ao intervalo. Com golos de Montero, Miguel Luís (que se estreou a marcar pela equipa principal) e um autogolo da equipa ucraniana, que se manteve fiel à tradição: nunca até hoje um onze deste país foi capaz de vencer o Sporting.

 

 

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SINAL VERDE

 

SALIN. Há seis jogos que não acontecia: o Sporting terminou esta partida com as redes invioladas, em boa parte graças ao guardião francês, que retomou a titularidade e mostrou bons reflexos, nomeadamente ao sair da baliza aos 30', resolvendo por antecipação um problema que poderia complicar-se muito. Aos 34', num soberbo passe para Acuña, confirmou que sabe jogar com os pés.

ACUÑA. Tem sido alvo de medidas disciplinares por ferver em pouca água nas situações mais inconcebíveis. Mas não pareceu nada afectado pela recente expulsão no campeonato. Cobriu muito bem a lateral esquerda, como ficou patente numa corrida de 100 metros aos 63', em que levou a melhor sobre o extremo adversário. Participou na construção do primeiro golo.

MIGUEL LUÍS. Keizer pôs a equipa a jogar simples, num futebol de primeiro toque. Miguel Luís soube ser um fiel intérprete deste estilo de jogo. Exímio no passe, curto ou no longo, e nas tabelinhas com colegas, posicionou-se claramente como possível substituto de Wendel, entretanto lesionado. Coroou uma exibição muito positiva, como médio-centro, com um golo à ponta-de-lança aos 35'. A sua estreia a marcar na equipa principal.

BRUNO FERNANDES. Vem melhorando de jogo para jogo, reencontrando a sua boa forma da época passada. Hoje voltou a ter uma exibição muito positiva, empurrando a equipa para a frente e evidenciando pormenores técnicos que fizeram arrancar palmas espontâneas nas bancadas. Fez assistências para dois golos. Saiu aos 73', muito ovacionado.

CARLOS MANÉ. A maior parte dos ataques do Sporting no primeiro tempo foram conduzidos por ele, neste regresso à titularidade. Esteve em todos os golos: no primeiro, cabe-lhe o primeiro remate, de cujo ressalto resultaria o golo; participou na construção do segundo; inicia a movimentação que deu origem ao terceiro. Só lhe faltou marcar, também ele. Tentou, sem conseguir.

MONTERO. Protagonizou momentos de grande qualidade, nomeadamente na construção do segundo golo, que começa com uma recuperação de bola muito bem dominada pelo peito. Já tinha marcado, logo aos 17', aproveitando da melhor maneira um ressalto. E aos 44', movimentando-se bem na área, forçou um central ucraniano a fazer autogolo. Pena ter-se lesionado, talvez com gravidade. Forçado a sair aos 59'.

BRUNO PAZ. Grande estreia na equipa principal deste jogador que actuou como médio interior e teve apontamentos que fizeram lembrar o melhor Adrien. Em campo desde o minuto 73, por troca com Bruno Fernandes, foi autor de vários passes rasgados, sempre com perigo. Todos ficámos com vontade de voltar a vê-lo muito em breve na equipa principal.

 

 

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SINAL AMARELO

 

RISTOVSKI. Regressou à equipa após uma longa ausência por lesão: actuara pela última vez a 25 de Outubro. Percebe-se que esteve bastante tempo parado. Falta-lhe velocidade e algum discernimento nos centros. Acabou por ser substituído, essencialmente por precaução, aos 64'.

ANDRÉ PINTO. Sem brilhar, sem comprometer. Jogou certinho, como quase sempre faz quando salta do banco para render um dos centrais. Desta vez actuou no lugar que costuma ser ocupado por Mathieu, sem fazer esquecer o francês, nomeadamente no início da construção ofensiva. Continua sem fazer valer a sua altura nos lances de bola parada, lá à frente.

PETROVIC. Merece nota positiva por ter cumprido a missão táctica de que estava incumbido, como médio defensivo. Não é um transportador de bola nem um tecnicista, mas jogou concentrado e até foi capaz de levar algum perigo a zonas mais avançadas do terreno. Procura mostrar serviço.

JOVANE. Desta vez foi titular, mas esteve bastantes furos abaixo do que revelou em anteriores desafios. Demasiado agarrado à bola, definiu mal e rematou torto. Teve, no entanto, ocasionais bons apontamentos: aos 11', fez quase uma assistência para golo servindo Montero; aos 73', rematou para defesa apertada do guarda-redes. Nota positiva, apesar de tudo.

PEDRO MARQUES. Estreia na equipa principal. Já marcou presença em dez partidas do campeonato sub-23, tendo apontado três golos. Caiu demasiadas vezes em situações de fora de jogo. Tendência para mergulhar na área não parece favorecê-lo. Mas alguns pormenores revelam que tem potencial para actuar com mais regularidade no onze principal. Pode beneficiar da lesão de Montero.

 

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SINAL VERMELHO

 

COATES. Será talvez cansaço. O uruguaio tem revelado momentos crescentes de inaceitável desconcentração, além da falta de velocidade a que já nos habituou. Voltou a acontecer neste jogo, felizmente sem consequências graves, por exemplo ao falhar uma intercepção a Careca, forçando Petrovic a falta de cartão amarelo. É um dos elementos que está a pedir - quase a implorar - uma cura de banco.

THIERRY. Foi, dos três sub-23 que saltaram do banco, o único sem prestação positiva. Correu bastante, mas nem sempre com discernimento na definição do passe. Conduziu a bola aos 85' num lance que viria a disperdiçar quando tinha o colega Pedro Marques isolado a seu lado. Na manobra defensiva também não deslumbrou - longe disso. Parece faltar-lhe alguma humildade, sempre proveitosa para quem está em início de carreira.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Renascimento by Keizer

Num passado não tão longínquo, um jogo contra uma equipa menor na Liga Europa, do género de um Skenderbeu, um Astana ou um Plzen, seria um sofrimento. Entrando em campo sem 8 titulares e com Battaglia e Wendel lesionados (a quem hoje se juntou Montero), os dias anteriores seriam pródigos em desculpas antecipadas e desvalorização da competição uefeira, até porque já estávamos qualificados. Os miúdos dos Sub23 teriam sido convocados apenas para mostrar à Direcção que eram necessários reforços e a partida terminaria com uma derrota, um empate ou uma vitória tirada a ferros, tudo muito carpido e de modo a manter os adeptos permanentemente ligados ao desfibrilador. Nesse tempo, futebol era sinónimo de condicionamento e não de golo, e os artistas eram os treinadores e não os jogadores. O futebol como anti-futebol.

 

Algo mudou em Alvalade, pois Marcel Keizer na preparação do jogo começou a ganhá-lo e a conquistar os jovens que teve ao seu dispôr. Ele pediu-lhes que mostrassem que podiam ser opção e eles corresponderam, mostrando grande atitude. E, pormenor importante, num jogo europeu, terminámos o encontro com 6 jogadores made-in Alcochete, tudo isto sem sofrermos qualquer golo. Mantendo apenas Coates, Acuña e Bruno Fernandes na equipa inicial, o Sporting mostrou desde o início a qualidade do seu jogo interior. Miguel Luís e Bruno Fernandes iam trocando sistemáticamente de posição e baralhando as marcações do Vorskla, sempre com o apoio por dentro de um dos alas e com os laterais em simultâneo a darem profundidade e, com isso, a deslocarem adversários do centro do terreno. O maiato, hoje capitão, foi o maestro que pautou o compasso de todo o jogo dos leões: de calcanhar, começou por isolar Miguel Luís na cara do guarda-redes ucraniano para mais tarde servir Acuña no lance em que Montero inaugurou o marcador; depois, em jogada iniciada por uma recepção de bola prodigiosa de "El Avioncito", tabelou com Mané e ofereceu de bandeja para Miguel Luís concretizar; a finalizar a primeira parte, recebeu de Jovane e colocou na dividida entre Montero e Dallku para o terceiro da noite; já no segundo tempo, e imediatamente antes de ter sido poupado a mais esforço, brindou-nos a todos com uma roleta russa digna de causar um traumatismo ucraniano aos dois oponentes com quem dividiu o lance. 

 

Não se pense que o Sporting foi só o seu maestro. Já depois deste sair, a orquestra continuou a tocar boa música até ao fim, com destaque para Petrovic e os jovens Thierry Correia, Jovane Cabral e Pedro Marques, este último por duas vezes, os quais tiveram nos pés e na cabeça oportunidades para dilatarem o marcador, sinal de que hoje em dia os espectáculos são entendidos como longas-metragens e não como festivais de curtas. Para além destes, cumpre realçar o bom jogo de pés de Salin, a raça de Acuña (por vezes a complicar o que torna fácil), os desdobramentos de Miguel Luís e a classe e inteligência de Montero, hoje saído prematuramente dado o infortúnio de uma lesão no tornozelo. Bons pormenores também de Bruno Paz, na condução de bola e passe. Uma última menção para a diagonal para a área protagonizada por Pedro Marques nos últimos minutos do encontro, com dois adversários em cima, que não está seguramente ao alcance de muitos. Ficou-me na retina, até por não ser rotina (vêr esse tipo de movimento).

 

Respira-se um óptimo ar no balneário do Sporting e nota-se que os jogadores desfrutam em campo, sinal de que já foram conquistados pelos métodos de Keizer. Há uma cultura em que todos são importantes e cada jogo é valorizado e visto como uma oportunidade para quem joga menos. A vontade com que os miúdos entraram em campo mostrou à saciedade que sentem que o treinador conta com eles e que não estão a ser usados como uma chiclete que se prova, mastiga e deita fora (sem demora).

 

Não deixa de ser curioso que na quadra natalícia se esteja a assistir ao nascimento de um novo Sporting. Em época de Jesus (Cristo, não o "Lawrence" das Arábias), o protagonista desta mudança de paradigma é Marcel Keizer, o nosso Mona Lisa. Onde outros viam ameaças ou pediam meses, ele vê oportunidades e não perde tempo com vaidades ou minudências. A arte de transformar o complexo em simples é um dom só ao alcance de poucos e requer apurada inteligência. Keizer tem-na. Podemos nem ganhar o campeonato, mas a satisfação que hoje tiramos ao vêr um jogo do nosso clube mostra à evidência que o holandês foi o presente antecipado que o Pai Natal verde (o original, não o da Coca-Cola) nos colocou este Natal no sapatinho. Há 20 golos, 20 razões que justificam esta afirmação.

Então, até à próxima! (que agora vou tomar uma "túlipa".)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Quente & frio

Gostei muito do sexto jogo consecutivo do Sporting a ganhar - e oitavo sem perder. Foi esta noite, em Alvalade. Vencemos por 3-0 o Vorskla, que lá tínhamos derrotado por 2-1. Desta vez com golos de Montero e Miguel Luís, além de um autogolo de um defesa ucraniano. Seguimos em frente na Liga Europa, como já estava decidido antes desta partida, o que não impediu que tivéssemos desenvolvido uma toada ofensiva que certamente agradou a todos os adeptos, designadamente na primeira parte. Marcel Keizer continua a conseguir não apenas vitórias folgadas mas também boas exibições como técnico leonino: conduziu a equipa a cinco triunfos em cinco desafios - quatro dos quais por goleada. Com ele ao leme, o Sporting leva 20 golos marcados e apenas quatro sofridos. Imensa satisfação deu-me também hoje a estreia de Pedro Marques e Bruno Paz na equipa principal  - este último, sobretudo, causou excelente impressão. Nota importante: terminámos a partida com seis jogadores da formação, cinco deles sub-23: Miguel Luís, Jovane, Carlos Mané e Thierry Correia, além de Pedro e Bruno Paz. O futuro está assegurado.

 

Gostei  que aos 17' já estivéssemos a vencer, com um golo de Montero. O colombiano também teve participação no segundo, com uma recuperação que denotou mestria técnica e fez uma movimentação quase à boca da baliza, crucial para o terceiro. Considero-o o homem do jogo. Seguido de perto por Bruno Fernandes, que inicia a jogada do primeiro golo, assiste para o segundo e cruza para o terceiro. Grande exibição também de Miguel Luís, que se estreou a marcar pela equipa principal, apontando o segundo, aos 35'. Destaque ainda para Carlos Mané, titular na ponta direita e participante na construção dos nossos três golos.

 

Gostei pouco que não houvesse golos na segunda parte. A vitória foi construída no primeiro tempo e na etapa complementar limitámo-nos a gerir o esforço, com Keizer a fazer entrar Pedro Marques (aos 59') para o lugar de Montero, Thierry (aos 64') para o lugar de Ristovski e Bruno Paz (aos 73') para o lugar de Bruno Fernandes, hoje o capitão por ausência de Nani, que ficou a descansar (depois ficou Coates com a braçadeira). Também Mathieu, Gudelj, Diaby e Bas Dost foram poupados, já a pensar no desafio de domingo para o campeonato, em casa, frente ao Nacional.

 

Não gostei da lesão de Montero. O colombiano magoou-se e acabou por abandonar o campo transportado de maca, sob uma chuva de aplausos do adeptos. Justos e calorosos aplausos a um dos elementos de maior qualidade técnica do plantel leonino.

 

Não gostei nada de ver só 25.504 pessoas a acompanhar este desafio em Alvalade. Esta equipa do Sporting merece ter mais gente a incentivá-la nas bancadas. Ver quase vazia a zona do estádio que costuma estar reservada à Juventude Leonina é ainda mais desolador. Como se este grupo de adeptos, que tem por obrigação apoiar a equipa, estivesse a fazer uma espécie de greve. Com "apoiantes" destes bem podemos dispensar tal claque.

Pódio: Bruno Fernandes, Wendel, Diaby

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Qarabag-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 20

Wendel: 20

Diaby: 18

Nani: 18

Gudelj: 18

Jovane: 16

Bas Dost: 15

André Pinto: 15

Coates: 15

Renan: 15

Jefferson: 14

Bruno Gaspar: 13

Thierry: 12

Carlos Mané: 7

 

O RecordA Bola elegeram  Bruno Fernandes  como melhor em campo. O Jogo optou por  Wendel.

Armas e viscondes assinalados: O azar dos azeris veio à meia-dúzia de Alvalade

Qarabag 1 - Sporting 6

Liga Europa - 5.ª Jornada

29 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Nem no Azerbaijão se livrou de sofrer um golo sem ter grande culpa disso. Depois de ter as redes arrombadas, com o Qarabag a repor a igualdade que pouco tempo durou, pôs trancas à porta da grande área, de onde saiu em duas ocasiões, e com grande estilo, para travar ataques da equipa da casa. Mesmo assim, e apesar de ser um espectador pouco participante na maior parte do jogo, quase sofreu um segundo golo que só não existiu devido à rapidez de raciocínio e de execução demonstrada por Bruno Fernandes. É possível que o brasileiro emprestado pelo Estoril-Praia seja um guarda-redes à altura do Sporting, mas raramente tem oportunidades para o provar.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Começou em grande, fazendo o cruzamento que Bas Dost transformou no lance do pénalti que abriu o marcador, mas ficou marcado pelo lance do golo do Qarabag, no qual nada pôde fazer contra dois adversários que apareceram sozinhos na grande área. Primou pela mediania esforçada e pela ausência de novos cruzamentos, voltando a mostrar que o Sporting tem um problema na direita tanto grande quanto as sondagens do PSD.

 

Coates (3,5)

Habituado a ser o patrão da defesa leonina, patrão continuou a milhares de quilómetros de Lisboa. Começou por resolver todos os problemas aéreos e terrestres na sua área de intervenção, mas com o passar do tempo integrou-se cada vez mais no ataque. Só lhe faltou o golo que deveras mereceria.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a interpretar na perfeição o papel de suplente de Mathieu. O central português é o mais próximo de um bom ‘understudy’ da Broadway que se pode encontrar nos relvados, pois raramente ou nunca desilude quem nunca pagaria bilhete para o ver jogar. Assim voltou a fazer e os azeris foram postos em respeito.

 

Jefferson (2,0)

Todas as boas indicações deixadas no jogo anterior, aquele em que fez duas assistências para golos de Bas Dost, não chegaram a embarcar no avião que transportou a comitiva leonina. Inofensivo no ataque, e incapaz de fazer um cruzamento que fosse, o brasileiro só não foi pior porque não comprometeu por aí além nas missões defensivas. Felizmente haverá Acuña ao luar de Vila do Conde na segunda-feira.

 

Gudelj (3,5)

Começou o jogo algo manietado pelos jogadores do Qarabag, incapaz de participar na construção do ataque. Mas depressa se impôs na floresta do meio-campo e foi um dos intérpretes da nova filosofia de jogo que Marcel Keizer veio trazer ao Sporting. Outro ponto positivo: num festival de cartões amarelos, em que os azeris foram admoestados a torto e a direito, escapou incólume.

 

Wendel (4,0)

Outro que demorou alguns minutos a encontrar o seu lugar no relvado, até porque jogar ao primeiro toque é mais complicado do que o futebol mastigado e contemplativo dos tempos do outro senhor. Quando encontrou o lugar trouxe ilimitado azar aos azeris, acumulando assistências para golo e contribuindo de todas as formas para um resultado que poderia ser ainda mais impressionante se não tivesse cabeceado de olhos fechados, mesmo em frente da baliza, de uma forma equivalente à do célebre e infausto falhanço de Bryan Ruiz.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tranquilizou as hostes com o remate de meia-distância que resultou no 1-2, contando com força, colocação, ressalto na relva e alguma ajuda do guarda-redes. Déspota iluminado do meio-campo ofensivo, combinou com os colegas de um modo que merece nota artística elevada, e bisou na segunda parte, numa desmarcação rápida e decidida ao passe de Wendel. É verdade que foi o único sportinguista amarelado, mas compensou-o ao chutar para longe a bola que ameaçava reduzir a desvantagem do Qarabag para 2-3.

 

Nani (4,0)

Venceu em drible e velocidade metade da equipa da casa para fazer um golo espantoso e claramente merecedor de ser comemorado com o salto mortal que deve provocar calafrios às seguradoras. Antes disso já se fazia notar pela forma como recuava no relvado para construir jogadas. Saiu alguns minutos antes para a ovação dos poucos adeptos leoninos sentados numas bancadas que também não tinham muito mais adeptos do Qarabag.

 

Diaby (3,5)

Encaminhava-se para mais um festival de inconseguimentos, embora tivesse participado na jogada que deu origem ao primeiro golo, oscilando entre perdas de bola e falhas de cobertura (a mais flagrante conduziu ao golo do empate), mas não só voltou a marcar um golo como, já depois de passar a referência atacante para o descanso de Bas Dost, ainda sucedeu que bisasse. 

 

Bas Dost (3,5)

Não muito distante do Azerbaijão, Jorge Jesus também decerto exclamou ter sido ele a ensinar o holandês a dominar a bola como dominou, forçando um adversário a derrubá-lo, e a marcar o penálti com uma perfeição maquinal. Não satisfeito com isso, o ponta de lança voltou a empenhar-se nas combinações com os colegas, compensando a falta de novas oportunidades de golo provocada pela ausência de cruzamentos dos desinspirados laterais. Teve direito a descanso antecipado, pois na segunda-feira há três pontos para amealhar frente ao Rio Ave.

 

Jovane Cabral (3,0)

Chegou, viu e assistiu para golo. Wendel desperdiçou um cruzamento perfeito, mas Diaby mostrou ser bem-agradecido e facturou. Pena que tenha entrado para o lugar de Bas Dost, pois o holandês teria finalmente quem lhe colocasse bolas na cabeça. Pena também que numa belíssima jogada individual não tenha rematado melhor.

 

Thierry Correia (2,0)

Teve direito à estreia na equipa principal e, sem nunca deslumbrar, esteve à altura da responsabilidade e não destoou do substituído Bruno Gaspar - o que também não é dizer assim tanto. Se o campeão europeu de sub-17 e sub-19 se consciencializar que é o elemento dos sub-23 para quem as circunstâncias do plantel do Sporting são mais favoráveis, tudo terá para ser um caso sério.

 

Carlos Mané (2,0)

Já passava dos 90 minutos quando fez uma arrancada pelo meio-campo adversário que fez recordar as esperanças que nele depositavam antes do advento de Jesus, do exílio alemão e das lesões recorrentes. Foi pena não ter um pouco mais de energia.

 

Marcel Keizer (4,5)

Disse que o Sporting não fez o jogo perfeito, ainda que a goleada à antiga, tão grande quanto as maiores da Europa, e a exibição muito bem conseguida tenham sido uma boa aproximação. Parece evidente que os jogadores estão a assimilar bem as suas ideias, algo que não deixa de ser verdadeiro só por soar ao pior tipo de futebolês. E se conseguir solucionar os problemas laterais do Sporting poderá ser um caso sério.

Tangerina Mecânica

Os mais antigos provavelmente se lembrarão da grande selecção holandesa que liderada por Rinus Michels e com Cruyff chegou à final do Mundial de 1974 e que contava com um tal Piet Keizer como defesa esquerdo, e da alcunha que receberam de Laranja Mecânica inspirada por um célebre filme de Kubrick que vi maravilhado no cinema Império quando ainda não tinha idade para ver tal coisa.

Bom, veio das Arábias um sobrinho (?) do tal defesa esquerdo, e se não temos nada parecido com o futebol total daquela selecção, temos pelo menos qualquer coisa que começa a dar resultados e que rompe completamente com o que tem sido o futebol do Sporting nos últimos anos. Vemos um futebol apoiado, estruturado num 4-3-3 dinâmico, em progressão em um dois toques, com a baliza nos olhos, a aproveitar todo o campo, perde a bola e recupera em 5 segundos ou faz falta, recua para atrair o adversário e progredir depressa, enfim um conjunto de bons princípios a que os jogadores aderiram, e, não falando nos consagrados, vemos coisas que nunca vimos antes, Wendel a desabrochar, Gudelj e Diaby a justificar porque vieram, Coates a fazer passes frontais como nunca o vi fazer, Renan a fazer de libero com critério, etc...

Obviamente estes dois jogos foram de preparação da equipa com este novo modelo para o resto da época, os adversários revelaram-se fáceis de lidar, o modelo tem fraquezas evidentes que os adversários podem explorar, a começar na transição defensiva quando a equipa perde a bola na zona central com muita gente subida no terreno, e tambem pelo esforço pedido aos  extremos para ajudarem os laterais no processo defensivo (já se tinha visto em Londres Diaby completamente alheado dessas tarefas, e hoje isso foi evidente no golo sofrido), mas francamente gostei e estou à espera de mais. 

E se não chegarmos a ser Laranja Mecânica, pelo menos que consigamos ser uma Tangerina, com um futebol atractivo conjugando mecanização com criatividade, que contribua para unir a desunida massa adepta e que nos conduza a patamares que não pensávamos possíveis.

SL

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Carrossel em Baku

A semana europeia começou com o jogo entre o Hoffenheim e o Braga, perdão, entre o Bayern e o Benfica, ou seja, entre o quinto classificado do campeonato alemão e o quarto do campeonato português. Todavia, julgo que há que dar desconto à derrota do Benfica: depois do Black Friday tivemos o Benfica Tuesday, uma mão-cheia de presentes de fazer corar qualquer e-Toupeira, que veio confirmar que o Benfica não se dá bem com arianos, pois já no Jamor - where the teams have no name - havia perdido com uma SAD de marca branca. A continuar assim, iremos ouvir mais o "venham mais cinco" do Zeca que o "papoilas saltitantes..." (Ser Benfiquista) do Piçarra...

 

De seguida, o Porto não alinhou em brindes  venceu o Schalke, qualificando-se para a próxima fase da Champions. E chegámos a Quinta-feira e ao jogo dos leões. O Sporting é um clube "sui-generis", onde se discute mais o número de horas que um presidente deve dormir do que se os jogadores estão acordados em campo. Mas a verdade é que com Keizer eles parecem bem despertos. Há quem diga que jogamos fácil, mas no futebol o mais difícil é jogar fácil, ao primeiro/segundo toque, com movimentação constante dos jogadores a darem linhas de passe e com a baliza sempre na mira. Tal exige recepção de bola, leitura de jogo e passe, capacidade de remate e muita disponibilidade física.

 

Hoje, de um lado estava o Qarabag, do outro um clube que quer "bago". E a verdade é que a jogar assim estamos mais próximos de melhorarmos as nossas finanças. O jogo praticamente começou com o golo de Bas Dost: Bruno Gaspar foi solicitado na direita por Diaby, olhou, e não vendo ninguém na área centrou atrasado para Dost. O holandês rodou sobre a bola e foi carregado já na grande área. Na conversão do "penalty" dostou como de costume. Um-azeri para o Sporting. O Qarabag não acusou o toque e aproveitou uma falha de Bruno Gaspar, que não respeitou a linha de fora-de-jogo, para igualar o marcador. Temia-se a tremideira, mas a partir daí só deu Sporting: Bruno Fernandes, a passe de Wendel e com a colaboração do guarda-redes islandês dos azeris, marcou o segundo, e Nani, num grande trabalho individual (iludiu 4 azeris), novamente servido por Wendel, o terceiro. De referir que essa jogada teve ainda a participação de Coates, Diaby e Dost e que foi feita sempre em progressão. Ainda houve tempo para o brasileiro perder o quarto e para Bruno Fernandes salvar sobre o risco um golo da equipa do Azerbeijão. No segundo tempo, Wendel (sempre ele) serviu Diaby para o poker de golos e voltou a aparecer (uff) para servir Bruno Fernandes para a "manita". Pelo meio voltou a desperdiçar uma boa oportunidade. Finalmente, numa jogada iniciada por Bruno Fernandes e continuada por Jovane Cabral, Diaby facturou o sexto com um bom apontamento técnico. 

 

Respira-se ar fresco hoje em Alvalade. Em muito pouco tempo, Keizer conseguiu pôr o Sporting a jogar à bola. Um futebol fuido, de passe e desmarcação, num carrossel mágico assente no centro do terreno. Para além disso, a reacção à perda de bola melhorou bastante desde Viseu, o que mostra que os jogadores estão a assimilar bem os processos. Todavia, há um aspecto que cumpre melhorar e que se prende com a deficiente cobertura do segundo poste, aquando dos cruzamentos.

O treinador leonino deu ainda durante o jogo oportunidade a miúdos saídos da nossa Formação, fazendo entrar o renascido Mané, Jovane Cabral e o estreante Thierry Correia. E depois há o caso Wendel: um jogador "lost in translation" de mandarim, mas que parece ter aprendido bem o holandês...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Wendel

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Quente & frio

Gostei muito da goleada desta noite em Baku, frente ao Qarabag, equipa a que impusemos a maior derrota de sempre para as competições europeias. Grande exibição leonina, bem traduzida no resultado: 6-1. O nosso mais dilatado, fora de casa, desde 1986 também para as provas europeias. Com golos marcados por Bas Dost (5'), Bruno Fernandes (20' e 75'), Nani (33') e Diaby (63' e 81'). O Sporting contribui assim para elevar a cotação do conjunto das equipas portuguesas na contabilidade da UEFA, para compensar o descalabro de outras agremiações. Nota máxima para o técnico Marcel Keizer, com duas goleadas consecutivas ao comando do plantel leonino: com ele ao leme, somamos dez golos marcados e dois sofridos. E transitamos para os 16 avos de final da Liga Europa.

 

Gostei  de ver a nossa equipa dominar por completo o corredor central, sem se limitar a conduzir os lances ofensivos só pelos flancos. Da subida de forma de jogadores como Gudelj e Diaby, claramente em ascensão. Da estreia absoluta na equipa principal de Thierry Correia, jovem lateral direito com apenas 19 anos e um futuro muito promissor. Do grande golo marcado por Nani, conduzindo a bola num slalom que deixou para trás quatro adversários antes de fuzilar as redes do Qarabag. E gostei sobretudo da magnífica exibição de Wendel, que fez quatro assistências para golo e merece ser destacado como o melhor em campo. 

 

Gostei pouco das diversas ausências forçadas na nossa equipa. Ou por castigo ou por lesão, Mathieu, Acuña, Montero, Battaglia, Raphinha e Ristovski não integraram a comitiva que viajou ao Azerbaijão. Mas há males que vêm por bem: algumas destas ausências permitiram potenciar novos valores leoninos numa partida em que nunca tirámos o pé do acelerador nem cometemos o erro de "gerir o resultado" à espera que o tempo fosse passando, mesmo estando a ganhar por 3-1 ao intervalo. Não por acaso, terminámos o jogo de hoje com três jovens profissionais formados em Alcochete: Carlos Mané, Thierry Correia e Jovane Cabral. 

 

Não gostei que esta eliminatória europeia se tivesse disputado a 6,5 mil quilómetros de distância de Lisboa, na Transcaucásia, havendo agora necessidade de atravessar todo o continente europeu no regresso à capital portuguesa. Uma travessia que causa inevitável desgaste, tendo em vista a nossa difícil deslocação a Vila do Conde, para o campeonato, na próxima segunda-feira.

 

Não gostei nada de recordar que Wendel - um jogador de inegável qualidade, como agora se comprova - chegou em Janeiro e permaneceu este tempo quase todo desaproveitado por mais de uma equipa técnica. Sobretudo na segunda época da volta passada, quando Jorge Jesus o manteve sistematicamente fora do onze titular. Apetece perguntar por que motivo só agora o jovem brasileiro adquirido ao Fluminense está a ser aproveitado, quase um ano após ter desembarcado em Alvalade.

A propósito de "posse de bola"

Ultimamente os comentadores de futebol desataram a fazer balanços dos jogos com base em dados estatísticos. Ainda não perceberam que esse comportamento, a prazo, os condenará ao desemprego: se debitar estatísticas é quanto basta para "lermos" um confronto entre duas equipas num estádio, qualquer computador nos prestará tal serviço.

Vem isto a propósito do recente Arsenal-Sporting, em que os ingleses - como seria de esperar - tiveram muito mais "posse de bola", como agora se diz. É um facto incontestável, mas que necessita de uma explicação: esse domínio foi muito consentido pela nossa equipa, de acordo com o plano estratégico que levámos para Londres. Não fazia o menor sentido jogarmos taco a taco com a turma anfitriã: isso seria cair na armadilha dela.

Objectivo alcançado. Renan praticamente não fez uma defesa e o Arsenal limitou-se a dois remates enquadrados que foi incapaz de aproveitar.

Viemos de lá com mais um ponto. Esta é a estatística que mais interessa.

Pódio: Coates, Renan, Mathieu

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Arsenal-Sporting por dois dos três diários desportivos:

 

Coates: 11

Renan: 10

Mathieu: 9

Miguel Luís: 9

Nani: 9

Acuña: 8

Gudelj: 8

Montero: 7

Diaby: 7

Bruno Fernandes: 7

Bruno Gaspar: 7

Bas Dost: 6

Petrovic: 1

Jovane: 1

 

A Bola  e o Record elegeram Coates como melhor em campo. 

Armas e viscondes assinalados: Um nulo mais valioso do que a soma das partes

Arsenal 0 - Sporting 0

Liga Europa - 4.ª Jornada da Fase de Grupos

8 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Tornou-se o primeiro guarda-redes a defender as balizas do Sporting em relvados ingleses sem ser natural de Marrazes desde há muito tempo, podendo celebrar a data com o fim da impressionante série de jogos consecutivos a sofrer golos fora de casa que os leões ostentavam. Longe de ter feito uma exibição espantosa, daquelas que o levariam, mais tarde ou mais cedo, a engrossar as fileiras do Wolverhampton, o brasileiro teve um par de defesas seguras que ajudaram a manter o empate, distinguiu-se nas saídas aos cruzamentos e contou com a preciosa ajuda da dupla de centrais.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito sofreu com o endiabrado extremo Iwobi, felizmente mais interessado na parte lúdica do futebol do que na fria contabilidade dos golos e assistências, mas a sua passagem por Londres fica marcada acima de tudo pela participação inadvertida na grave lesão do avançado Welbeck. 

 

Coates (3,0)

Seria candidato a homem do jogo se não tivesse deixado escapar um atraso de bola proveniente do meio-campo que deixou a equipa a jogar só com dez nos últimos minutos. Ainda assim há que referir que o sacrifício a que forçou Mathieu foi compensado pela diligência com que impediu um autogolo do francês, na melhor jogada do Arsenal na primeira parte, despejando a bola para longe antes de esta passar a linha de golo. Apenas uma das muitas intervenções em que o uruguaio, desta vez menos afoito no ataque - a única tentativa de avançar no terreno durou menos de cinco segundos -, impôs a sua lei e contribuiu para que os leões tenham um pé e meio nas eliminatórias da Liga Europa. Mesmo que durante grande parte do jogo aparentasse um daqueles polícias que tentam em vão evitar o massacre num filme de terror.

 

Mathieu (3,0)

Raras são as ocasiões em que um jogador que viu o vermelho directo é cumprimentado pelos treinadores das duas equipas. O veterano francês salvou o empate ao derrubar Aubameyang mesmo antes de o avançado do Arsenal entrar na grande área, livrando-se da nefasta viagem ao Azerbaijão no fim do mês. No resto do tempo dedicou-se a afastar o mal das balizas leoninas, pressionado por avançados que quase o levaram a marcar na própria baliza, e atento ao espaço nas costas de Acuña.

 

Acuña (2,5)

Regressou ao posto de lateral-esquerdo, após ter sido o homem do jogo anterior enquanto extremo-direito, e essa roleta posicional esteve muito aquém de lhe trazer benefício. Abriu demasiado espaço aos adversários em muitas ocasiões e abusou das faltas mesmo depois de um cartão amarelo por protestos, o que também o afasta da próxima jornada da Liga Europa e praticamente assegura que Jefferson terá oportunidade de contrariar quem não cessa de repetir que o seu prazo de validade expirou há muito tempo.

 

Gudelj (3,5)

O Sporting perdeu o Battaglia mas ganhou um homem de guerra, que se dedicou a servir de cortina de ferro aos avanços do meio-campo do Arsenal. Naturalmente menos dedicado a lances de ataque, pertenceu-lhe o primeiro remate do Sporting mais ou menos digno de tal nome, ainda que tenha saído tão alto que nem uma versão gigantone de Peter Cech lhe conseguiria tocar. Certo é que lutou muito, ao longo de quase 100 minutos, e mesmo no final só lhe faltaram pernas para chegar à bola num contra-ataque que poderia ter recompensado o esforço e dedicação da equipa mais do que seria justo.

 

Miguel Luís (3,0)

Provando que as notícias acerca da morte da formação do Sporting são manifestamente exageradas o campeão europeu de sub-17 e sub-19 estreou-se a titular na equipa principal. Deu boa conta do recado quase sempre, embora uma falha de marcação tenha estado na origem da tal jogada em que Coates teve de evitar o autogolo de Mathieu, mas a prova de fogo ficará para um próximo desafio em que o Sporting tenha a iniciativa de jogo. Talvez já neste domingo à noite, em Alvalade, frente ao Chaves.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Faltou-lhe espaço e tempo para investir nos remates de longa-distância, mas manteve-se sempre atarefado com a pressão sobre o adversário e constantes tentativas de lançar o contra-ataque em circunstâncias assaz desiguais. Boa parte deste empate deve-se à sua incansável eficácia.

 

Diaby (2,0)

Conseguiu fazer o que se lhe pedia uma única vez, ainda na primeira parte, quando ganhou a linha direita e cruzou para a grande área do Arsenal, onde Montero não estava e Nani não chegou a tempo. Aquilo que mais demonstrou foram gritantes deficiências no domínio de bola, o que dilui a importância da sua velocidade nos contra-ataques leoninos. Numa rara ocasião em que havia três atacantes do Sporting para três defesas do Arsenal preferiu rematar contra um adversário em vez de passar a bola a Bas Dost ou Nani. Resta a compensação de que o seu passe foi um milhão de euros mais barato (sem contar uns quantos anos de inflação) do que o passe de Sinama-Pongolle.

 

Nani (3,5)

Puxou dos galões de ex-Manchester United e tentou levar tudo à sua frente na ala esquerda. Conseguiu-o algumas vezes, cruzando na melhor dessas ocasiões para o espaço onde Montero não conseguiu desviar para golo. Muito assobiado pelos adeptos da casa, sobretudo depois de não ter lançado a bola para fora do relvado aquando da lesão de Lichtsteiner, encolheu os ombros, na melhor expressão “haters gonna hate”, e seguiu caminho.

 

Montero (2,5)

Deixado à deriva entre a linha defensiva do Arsenal, foi a versão menos eficiente daquilo que fizera, frente ao mesmo adversário, no jogo de Alvalade. Teve poucas ocasiões, pouco conseguiu combinar com os colegas, e quando cedeu o lugar a Bas Dost nada de relevante teria para escrever num postal enviado para casa.

 

Bas Dost (2,5)

Veio refrescar o ataque do Sporting, trazendo poder de choque e apetência pelo jogo aéreo, e não se coibiu de trocar a bola com os colegas para lançar jogadas de ataque - tentou, por exemplo, fazer a assistência para Gudelj. Não era, no entanto, noite para contrariar a ideia de que o holandês é o tipo de goleador que prefere ser forte com os fracos.

 

Jovane Cabral (2,0)

Demorou muito a substituir o inoperante Diaby e revelou-se igualmente inoperante. Espera-se que não tenha perdido a qualidade de talismã com a saída de José Peseiro e o novo corte de cabelo, demasiado conservador para quem parece destinado a dar nas vistas.

 

Petrovic (2,5)

Entrou numa fase de sufoco, com a missão de servir de tampão aos ataques da equipa da casa, posicionando-se junto à linha defensiva, mas a expulsão de Mathieu levou a que recuasse para central. O nulo do resultado final mostra que foi bem-sucedido naquilo que se lhe pediu.

 

Tiago Fernandes (3,5)

Montou um onze para o objectivo que alcançou, o que basta para escrever que o treinador interino teve uma noite bem positiva. Mesmo a opção arriscada na titularidade de Miguel Luís torna-se normal perante as alternativas no banco leonino e os enormes e trágicos equívocos na construção do plantel. Esteve bem nas substituições, ainda que Diaby pudesse ter saído mais cedo, e acertou especialmente em cheio na necessidade de ter o esforçado Petrovic a assegurar um empate a zero que, por todos os motivos, é mais valioso do que a soma das suas partes.

 

Corpo Expedicionário Sportinguista (5,0)

Raras foram as vezes que uma equipa portuguesa pareceu jogar em casa num país que até optou pelo Brexit. Os milhares de sportinguistas que estiveram no estádio Emirates exponenciaram as suas vozes e impuseram-se à maioria silenciosa, quase do primeiro ao último minuto, constituindo um valiosíssimo 12.° jogador que explicou aos arsenalistas por que não fica em casa. Tiveram direito ao agradecimento sentido (e merecido) da equipa, abrindo caminho para a necessária reconciliação entre jogadores e adeptos.

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Canhões de pólvora seca

Grande jogo, Skok em grande na segunda parte e brilhante vitória (24-31) em Skopje, frente ao Metalist, a quinta a contar para a Champions nesta época. Ah, andebol mão, futebol pé? Peço desculpa...

"Now for something completely different"! Rebobina...

 

A actuação do Sporting, ontem no Emirates, podia resumir-se a duas frases feitas e a uma metáfora: não encheu o olho, o resultado foi bem melhor que a exibição e executar 3 passes consecutivos pareceu missão mais espinhosa que os 12 trabalhos de Hércules. Não fizemos boa figura, mas fizemos uma figura de estilo...

 

Tiago Fernandes até mostrou boas ideias: procurou sair com a bola desde trás e usou 3 linhas no meio campo (com o estreante a titular Miguel Luis mais perto de Gudelj do que de Bruno Fernandes). É certo que nem todos podem acrescentar neologismos ao dicionário como Peseiro e o seu trivote, mas Tiago tentou, pelo menos, jogar à "grande". O que falhou, então? Face a uma equipa do Arsenal que só manteve 2 jogadores (Holding, premonitoriamente "aguentando" em inglês, e Mkhitaryan) do onze titular do último Sábado contra o Liverpool, a equipa leonina mostrou ausência de rotinas, condição física deficiente e um meio campo sem intensidade competitiva que não conseguiu dar fluidez nem controlou os momentos do jogo, com um Gudelj de menos na construção, um jovem ainda muito verde e pouco rodado e um Bruno completamente "fora dela". Assim, em vez de escondermos as deficiências dos nossos jogadores, ainda as expusemos mais, fazendo-os parecer piores do que na realidade são. Prefiro assim, antes cair por tentar andar do que gatinhar toda a vida.

 

Embora se possa questionar a não presença de Bas Dost no onze titular, preterido por um inoperante Montero, a escolha de Diaby - já tinha passado ao lado do jogo nos Açores - em detrimento de Jovane Cabral foi a opção mais discutível do interino treinador dos leões: é que se a ideia era ter um velocista, talvez tivesse sido melhor contratar Usain Bolt, pois assim sempre teríamos dinheiro a entrar (patrocinadores) e não a sair. Mais concretamente, cinco milhões e meio de euros pela borda fora. Sim, porque não é preciso ser Brugge para ver o que irá acontecer.

 

Os "Gunners" (canhões) jogaram o suficiente para ganharem, nunca pondo demasiada intensidade no jogo, o qual por vezes se assemelhou a um meinho, com os nossos à rabia. Tiveram 64% de posse de bola, 12 remates (contra 1), 568 passes completos (183) e 7 cantos a favor (1). Infelizmente, este nosso cantinho de Londres não foi o de Morais, mas sim curto como o jogo do Sporting. Salvou-nos um intratável Coates e um indomável Acuña, sul-americanos de raça, bem como a deficiente finalização dos londrinos. E Mathieu, que se sacrificou pela equipa, após o que teria sido uma genial assistência de Bruno Fernandes - um general preso no seu próprio labirinto (quiçá psicológico) - para Aubameyang, não fosse o caso do gabonês jogar pelo Arsenal, no que terá sido a desforra por o maliano Diaby ter desviado um remate seu que teria sido o único a constar da estatística como direccionado para a  baliza do Arsenal. Africanices...

 

O resultado acabou por ser bem interessante, pondo-nos em posição privilegiada para seguir em frente na Liga Europa. Agora venha a pré-época com Keizer, treinador que tem uma boa e ousada ideia de jogo, privilegiando sempre a saída de bola pelo centro do terreno, com os centrais (e não o trinco) a conduzirem a bola. Terá jogadores para isso? O risco que coloca no jogo resistirá à falta de rotinas iniciais? Haverá paciência para com ele nas derrotas? A sua falta de currículo pesará se as coisas começarem mal? É aqui que, mais do que um Keizer, vai ser necessário um Kaiser, alguém que para além de não ler blogues também não "leia" lenços brancos e que se mantenha firme nas suas convicções (já que o escolheu). Isso e uma equipa técnica muito solidária, que alerte o nóvel técnico para as manhas do futebol português, a sagacidade táctica dos seus treinadores e a precaridade da transição defensiva dos seus princípios de jogo, a qual pode resultar em outra transição...de treinador. Em entrevista recente, Keizer disse que precisou de 4 meses para dar rotinas à equipa do Ajax que o deixassem satisfeito. Que lhe demos esse tempo antes de um primeiro julgamento, até porque já temos todos saudades de ver bom futebol, algo que não tem abundado em Alvalade desde a primeira época de JJ. 

 

Uma última palavra para os incansáveis adeptos leoninos que se fizeram bem ouvir ontem nos Emirates. Pelo menos esse jogo dominámos, com muita alma e sem recorrer a entradas a pés juntos. À Sporting !!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Coates

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Quente & frio

Gostei muito deste ponto alcançado pelo Sporting em Londres, ao empatar 0-0 com o Arsenal - talvez o mais sério candidato à conquista da presente edição da Liga Europa, com um plantel de Champions. Foi apenas a terceira vez que empatámos em Inglaterra, o que mais valoriza este empate, conseguido com muita inteligência táctica e grande força colectiva pelo onze leonino ainda comandado pelo técnico interino Tiago Fernandes. Frente a uma equipa que vinha de 15 jogos consecutivos sem perder e luta para a conquista da Premier League, sob o comando do treinador basco Unai Emery: está em quinto lugar na classificação, apenas a seis pontos do líder, Manchester City.

 

Gostei de ver a massa adepta leonina acorrer em grande número ao estádio londrino: eram, oficialmente, 5.385 leões no topo sul da casa do Arsenal e puxaram pela nossa equipa do princípio ao fim do desafio, numa vibrante celebração da festa do futebol. Gostei da exibição da maioria dos nossos jogadores (excepto Diaby e Bruno Fernandes), mas destaco Coates, seguríssimo no comando do bloco defensivo, imperial nos lances aéreos e capaz de travar o ímpeto ofensivo de craques arsenalistas como Welbeck e Aubameyang: voto nele como o melhor Leão em campo. Gostei ainda de ver Tiago Fernandes confiar no jovem Miguel Luís: o médio ala da nossa formação - campeão europeu sub-17 e sub-19 - correspondeu ao repto, nesta estreia como titular da equipa principal. Exibição de bom nível, confirmando que vale a pena apostar na cantera de Alcochete. Depois de Jovane, este é o segundo na época em curso. Nada mau.

 

Gostei pouco do défice ofensivo da nossa equipa, que não deu trabalho ao guardião checo Petr Cech: o contra-ataque leonino nunca funcionou e fomos incapazes de fazer um só remate enquadrado às redes adversárias. Mas o essencial, nesta partida em que retomámos o desenho táctico 4-2-3-1 de José Peseiro, era não sofrermos golos perante o caudal ofensivo do Arsenal. Conseguimos alcançar este desígnio estratégico: dar terreno à turma londrina vedando-lhe em simultâneo o acesso à nossa baliza ao bloquear-lhe a capacidade de disparo. Missão cumprida. Trazemos de Londres um precioso ponto na bagagem. E superámos enfim uma marca de 18 jogos seguidos a sofrer golos nas competições europeias: o anterior desafio em que tínhamos mantido as nossas redes invioladas remontava a Setembro de 2011, quando defrontámos o Zurique.

 

Não gostei da expulsão de Mathieu, que viu o cartão vermelho aos 87', ao travar in extremis, à entrada da nossa grande área, um perigosíssimo lance ofensivo protagonizado por Aubameyang na sequência de um disparatado atraso de bola, do meio-campo, feito por Bruno Fernandes. Uma falta inevitável cometida pelo internacional francês, que foi um dos melhores em jogo, com grandes cortes aos 24', 32' e 77'. Mais injustificado foi o cartão amarelo exibido aos 67' a Acuña, que hoje voltou a actuar como lateral esquerdo. O internacional argentino viu-se punido por protestos, algo nada aceitável num profissional experiente, e minutos depois arriscou um segundo amarelo que o faria tomar duche mais cedo. Tapado com cartões, Acuña fica fora do próximo desafio internacional do Sporting, no Azerbaijão, frente ao Quarabag.

 

Não gostei nada das saídas, por lesão, de Welbeck e Lichsteiner - sobretudo do primeiro, que esteve alguns minutos em evidente sofrimento no relvado, acabando por abandonar de maca. Desaires numa equipa muito bem comandada por um técnico já com três troféus da Liga Europa no seu currículo, ao serviço do Sevilha, e que tem como estrela em ascensão o jovem médio ofensivo francês Guendouzi, que apenas com 19 anos - a idade de Miguel Luís - demonstra notável qualidade de passe e excelente visão de jogo. Haveremos de ouvir falar muito dele.

Pódio: Renan, Acuña, Montero

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Arsenal pelos três diários desportivos:

 

Renan: 18

Acuña: 16

Montero: 16

Nani: 15

André Pinto: 14

Bruno Fernandes: 14

Ristovski: 13

Gudelj: 13

Battaglia: 12

Jovane: 11

Bruno Gaspar: 11

Petrovic: 11

Coates: 9

Diaby: 1

 

O JogoA Bola elegeram Renan como melhor em campo. O Record optou por Acuña.

Quem joga para empatar acaba por perder

Os jogadores entraram ontem em campo, num estádio José Alvalade muito bem composto com mais de 40 mil assistentes, sabendo que se exibiam em palco europeu. Sendo muito baixas as expectativas dos espectadores, a nossa actuação durante a primeira parte merece nota positiva. Foi também o período do jogo em que o visitante Arsenal - ontem desfalcado de diversas peças importantes, com Ozil e Lacazette no banco - se apresentou quase em ritmo de treino, sem pressionar muito, poupando energias após um desgastante embate com o Leicester três dias antes.

 

Ristovski lesionou-se à beira do intervalo, forçando José Peseiro a uma substituição prematura, à revelia do plano de jogo. O nível exibicional baixou de imediato: Bruno Gaspar teima em não demonstrar qualidade para o plantel leonino. Mas não foi só por isso que o Sporting quebrou na segunda parte desta partida da Liga Europa, concedendo quase toda a iniciativa de jogo à turma inglesa: foi também por manifesto colapso físico que afectou alguns dos jogadores que mais tinham rendido durante o período inicial, designadamente Acuña e Nani. Neste contexto, a inevitável entrada de Jovane pecou por tardia.

 

Sofremos o golo a 12 minutos do fim do tempo regulamentar, numa comprovação prática da ineficácia do dispositivo táctico montado pelo treinador, que desta vez apostou num trio de médios defensivos no corredor central, forçando o Arsenal a utilizar as alas. Peseiro acreditava piamente num zero-a-zero. Os planos saíram-lhe furados, em obediência a um velho mandamento do futebol: equipa que joga para empatar acaba por perder.

 

O melhor dos nossos foi, sem discussão, o guarda-redes Renan.

 

 

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SINAL VERDE

 

RENAN. Sai deste embate como o mais sério candidato a guarda-redes titular, embora sem fazer esquecer Rui Patrício. Balanço muito positivo da exibição do brasileiro que chegou a Alvalade por empréstimo do Estoril. Sem ele, teríamos perdido por dois ou três golos. Único jogador leonino com exibição acima da média registada em desafios anteriores.

ACUÑA. Merece nota positiva sobretudo pelo trabalho desenvolvido na primeira parte, em que foi o melhor do Sporting. Todos os lances com princípio, meio e fim do nosso escasso fluxo ofensivo tiveram a marca dele, criando desequiíbrios, vencendo no confronto individual e infiltrando-se na grande área do Arsenal. Caiu fisicamente no segundo tempo.

MONTERO. Jamais será um substituto de Bas Dost: faltam-lhe características de avançado fixo. Mas teve um importante jogo posicional, arrastando a defesa adversária, no chamado trabalho sem bola a que muitos adeptos ficam indiferentes. Carregado em falta por Sokratis, o árbitro fingiu não ter visto o lance que daria expulsão ao grego: "El Avioncito" já se isolava rumo à baliza - bem ao seu jeito, correndo como quem desliza.

 

 

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SINAL AMARELO

 

RISTOVSKI. A mais recente "contratação" da concorrida enfermaria leonina.  O lateral direito "fez piscinas" durante a primeira parte, naquele seu estilo muito mais voluntarioso do que habilidoso. Queria empurrar a equipa para diante, mas esteve quase sempre muito desacompanhado. Lesionou-se antes do apito para o intervalo.

ANDRÉ PINTO. Cumpriu, dentro da mediania, com um toque muito característico: procura passar quase despercebido durante uma partida inteira. Ineficaz nos lances ofensivos de bola parada, onde nunca foi capaz de impor a sua altura. Mas atento às dobras na lateral esquerda para compensar as frequentes ausências de Acuña, sobretudo na primeira parte.

PETROVIC. Obedece aos parâmetros tácticos, revelando-se incapaz de rasgos criativos. Funcionou diversas vezes como terceiro central, de modo a conter o ímpeto inglês, cumprindo em jogo posicional mas inapto na construção ofensiva. Exigir-lhe um passe de ruptura, a mais de cinco metros, é quase pedir-lhe o impossível.

BRUNO FERNANDES. Abusou do remate para onde estava virado, chutando três vezes a bola para a bancada ao longo dos primeiros 45 minutos. Médio ofensivo em teoria, médio-ala por adaptação, na prática vimo-lo aparecer em quase todo o terreno, num estilo que fica bem na fotografia: corre imenso, gesticula, barafusta, mas só a espaços se torna útil.

NANI. A idade, no caso dele, é um posto. E o estatuto de campeão europeu também. É, com frequência, o único capaz de pensar o jogo e agir em conformidade. Com e sem bola. Das bancadas gritam-lhe que "chute", mas ele sabe a importância da temporização. Nota positiva na primeira parte. Na segunda, por evidente quebra física, perdeu muita influência. Substituído à beira do fim por Diaby.

JOVANE. Mexeu com o jogo ao substituir o inútil Gudelj quando estavam decorridos 71'. Procurou criar desequilíbrios e surpreender a defesa do Arsenal, que jogou muito subida na segunda parte. Mas faltou-lhe tempo e sabedoria para contrariar a perda de energia física e anímica do nosso colectivo, já então gritante.

 

 

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SINAL VERMELHO

 

COATES. Parece um filme em reprise. Cada vez que jogamos em competições internacionais, o uruguaio persiste em pregar-nos um susto. Cumpriu a tradição ao falhar a intercepção de um passe, colocando em jogo Welbeck, que sentenciou a partida. Desta vez nem sequer fez a habitual gracinha conduzindo um lance ofensivo. Para esquecer.

GUDELJ. Com ele ao lado, formando o chamado "duplo pivô defensivo", Battaglia perde protagonismo e torna-se um jogador banal. Efeito de contágio proporcionado por este sérvio que persiste em lançar dúvidas sobre o mérito da sua contratação. Insuficiente no processo defensivo, ineficaz na construção ofensiva. Na China, de onde veio, não jogava. Percebe-se porquê.

BATTAGLIA. Tem-se mostrado em bom nível na selecção argentina, mas não rende neste Sporting, asfixiado pelo sistema de duplo trinco. Gosta de dispor de espaço e percebe-se que fica tolhido com Gudelj a pisar o mesmo terreno, sem proveito para a equipa. Em termos de construção ofensiva, voltou a ser uma sombra da época passada.

BRUNO GASPAR. Subsiste o enigma: por que motivo terá sido contratado este lateral direito que teima em tornar evidente a sua inaptidão ao lugar e a uma equipa com as naturais ambições do Sporting? Jogou toda a segunda parte e teve o condão de nos fazer sentir saudades de Cédric, Piccini e até de Schelotto. 

DIABY. Valeu a pena adquirir um avançado por tão elevado preço, no atribulado defeso leonino, se ninguém consegue vê-lo actuar mais de cinco minutos por jogo? Foi o que ontem sucedeu, para não fugir à regra. Tarda em integrar-se no onze leonino, por motivos mais que óbvios. E assim vai atrasando a sua ligação aos adeptos. Sabe-se lá até quando.

Armas e viscondes assinalados: Foi o que tinha de ser

Sporting 0-Arsenal 1

25 de Outubro de 2018

Liga Europa - 3.ª Jornada

 

Renan Ribeiro (4,0)

Era a tarde mais longa de todas as tardes que lhe aconteciam. Ele não vinha, tardava, e ele entardecia. Até que chegou, a pouco mais de um quarto de hora do apito final, o golo de Welbeck que impediu o guarda-redes brasileiro de conquistar o ponto que manteria o Sporting empatado. Até ao funesto erro de Coates que isolou o inglês, impiedoso ao ponto de marcar, o reforço de última hora contratado ao Estoril mantivera-se sempre à beira da perfeição, retirando diversas vezes os scones da boca dos forasteiros empenhados em fazer balançar as redes. Sucediam-se as defesas de elevada nota artística, incluindo uma mancha em que o braço de Renan bastou para que o isolado Aubameyang não facturasse, e ao terceiro jogo pareceu que poderia manter a baliza incólume. Assim não sucedeu, mas ficou a impressão de que o amigo de Sousa Cintra que entende imenso de futebol acertou em cheio nesta contratação.

 

Ristovski (2,5)

Regressou à titularidade e parecia refeito do desastre de Portimão. Ficou na retina um lance de contra-ataque em que pegou a bola perto da sua grande área e, contando apenas com o apoio de Montero, sonhou driblar o defesa que tinha pela frente e rumar à baliza qual Serpa Pinto macedónio, da costa à contracosta. Não foi possível, tal como não foi possível aguentar sequer até ao intervalo, tornando-se a mais recente vítima das lesões musculares que percorrem o plantel como se fossem maldições de filmes de terror japoneses (daqueles que não são realizados por Nakajima).

 

Coates (2,0)

Encaminhava-se para mais um jogo de elevada qualidade quando protagonizou a sua pior tentativa de corte desde aquela viagem a Madrid que foi o início do fim de Bruno de Carvalho. Como o novo presidente do Sporting é mais medicinal do que sanguíneo o uruguaio ainda pôde somar à intervenção decisiva no golo do Arsenal um encosto de testa a um adversário na grande área contrária, mas não só não viu o cartão amarelo como não foi alvo de vergastadas através das redes sociais. Para trás ficou a dose habitual de cortes providenciais, antecipações e duelos aéreos ganhos a avançados de renome.

 

André Pinto (2,5)

Esta foi a data em que manteve a titularidade enquanto Mathieu ficava sentado no banco de suplentes. Uma data que seria ainda mais memorável caso os seus meritórios esforços tivessem sido recompensados com um números de golos sofridos inferior a um. Mas não estava escrito.

 

Acuña (3,0)

Acabou por continuar na lateral-esquerda, mas quem o visse a passar por quatro adversários em velocidade, resistência e drible, irrompendo pela grande área - só faltou mais força na hora de fazer o cruzamento -, diria que estava ali o único extremo verde e branco digno desse nome que subiu ao relvado. Também foi tão intratável quanto é habitual a defender, pressionando os ingleses que ousavam aparecer-lhe pela frente. Foi perdendo gás ao longo do jogo, para gáudio do ataque do Arsenal, e à frente nunca conseguiu combinar bem com o camarada de corredor, fosse ele Bruno Fernandes, Nani ou Jovane Cabral.

 

Petrovic (2,5)

Tê-lo como o melhor de um triplo pivot defensivo é ainda mais assustador do que tê-lo como o melhor de um duplo pivot defensivo. Bastante eficaz a destruir jogo alheio, nada fez de particularmente mau na hora de construir - o que já passa por aceitável no presente momento dos leões.

 

Battaglia (2,0)

Na época passada chegou a secar Messi como se fosse um eucalipto. Desta vez foi menos eficaz, mesmo que sem comprometer por aí além. Não se pode é dizer que seja credor de muitas linhas de texto...

 

Gudelj (2,0)

Uma das fases mais interessantes do jogo foi a segunda metade da primeira parte, quando o sérvio se emancipou do triplo pivot defensivo e começou a subir no terreno. A pressão alta não teve resultados práticos, e Gudelj praticamente desapareceu após o intervalo, fazendo-se notar sobretudo ao sair do relvado para permitir a entrada de Jovane Cabral.

 

Nani (2,5)

Muito interventivo, à esquerda e à direita, foi um dos responsáveis por um triste dado estatístico: nenhum remate do Sporting foi enquadrado com a baliza. Além da falta de pontaria denotou enormes carências na hora de auxiliar a linha defensiva e rebentou uns bons minutos antes de ser substituído.

 

Bruno Fernandes (2,0)

A maldade que lhe fizeram, forçando-o a posicionar-se nas alas, contribuiu para a invisibilidade de que padeceu na maior parte dos noventa e tal minutos de jogo. Nem a pontaria descalibrada ajudou o internacional português, que só melhorou mesmo no final do jogo, quando fora devolvido ao meio-campo.

 

Montero (3,0)

Na primeira parte ocorreu uma jogada do ataque leonino que ilustra os desafios que se colocam ao avançado colombiano: estava Acuña a lutar contra uma série de adversários quando Montero acorreu em seu auxílio, tomou posse da bola e... centrou para o coração da grande área, onde não se encontrava devido às inclementes leis da Física. Isolado entre muitos defesas, e não raras vezes sem colegas à vista, lutou como só poucos sabem. Deixado à sua sorte também pela equipa de arbitragem, que deixou passar várias faltas em claro (e a expulsão de Sokratis, que agarrou Montero quando este corria para a baliza), nunca deixou de conquistar espaços para os remates dos colegas de equipa e exerceu pressão suficiente para que os adversários cometessem erros.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Deveria ter entrado ainda antes do intervalo, para o lugar do lesionado Ristovski, mas só na segunda parte pisou o relvado. As primeiras intervenções foram positivas, mas depressa se viu que o entrosamento com os colegas continua a escassear. Sofreu falta de Welbeck que anulou um possível primeiro golo do Arsenal.

 

Jovane Cabral (2,0)

Quando sai do banco esperam-se dele duas coisas: lances decisivos e remates disparatados. Desta vez só conseguiu a segunda parte.

 

Diaby (1,0)

Dez minutos de profunda irrelevância.

 

José Peseiro (2,0)

Bem pode queixar-se dos erros da arbitragem - mais evidente o cartão vermelho que ficou por mostrar a Sokratis do que o alegado pénalti sobre Nani ou do que o suposto fora de jogo de Welbeck no lance do golo - e ficar a pensar qual seria o ranking do Sporting se houvesse videoárbitro mas provas da UEFA. Certo é que armou um onze ultradefensivo - antecipando-se o quádruplo e quíntuplo pivot defensivo - e que esteve quase a permitir a conquista de um singelo ponto na classificação do grupo. Pior foi a demora a reagir quando as coisas começaram a sair mal e a derrota tornou-se uma inevitabilidade à espera de acontecer. No domingo à noite, ao enfrentar o Boavista, talvez possa colocar extremos nas posições 7 e 11, mesmo que sejam Jovane Cabral e Elves Baldé. Mas ninguém se espantará se nos seus lugares estiverem Bruno Fernandes e Bruno César.

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