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És a nossa Fé!

A propósito de "posse de bola"

Ultimamente os comentadores de futebol desataram a fazer balanços dos jogos com base em dados estatísticos. Ainda não perceberam que esse comportamento, a prazo, os condenará ao desemprego: se debitar estatísticas é quanto basta para "lermos" um confronto entre duas equipas num estádio, qualquer computador nos prestará tal serviço.

Vem isto a propósito do recente Arsenal-Sporting, em que os ingleses - como seria de esperar - tiveram muito mais "posse de bola", como agora se diz. É um facto incontestável, mas que necessita de uma explicação: esse domínio foi muito consentido pela nossa equipa, de acordo com o plano estratégico que levámos para Londres. Não fazia o menor sentido jogarmos taco a taco com a turma anfitriã: isso seria cair na armadilha dela.

Objectivo alcançado. Renan praticamente não fez uma defesa e o Arsenal limitou-se a dois remates enquadrados que foi incapaz de aproveitar.

Viemos de lá com mais um ponto. Esta é a estatística que mais interessa.

Pódio: Coates, Renan, Mathieu

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Arsenal-Sporting por dois dos três diários desportivos:

 

Coates: 11

Renan: 10

Mathieu: 9

Miguel Luís: 9

Nani: 9

Acuña: 8

Gudelj: 8

Montero: 7

Diaby: 7

Bruno Fernandes: 7

Bruno Gaspar: 7

Bas Dost: 6

Petrovic: 1

Jovane: 1

 

A Bola  e o Record elegeram Coates como melhor em campo. 

Armas e viscondes assinalados: Um nulo mais valioso do que a soma das partes

Arsenal 0 - Sporting 0

Liga Europa - 4.ª Jornada da Fase de Grupos

8 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Tornou-se o primeiro guarda-redes a defender as balizas do Sporting em relvados ingleses sem ser natural de Marrazes desde há muito tempo, podendo celebrar a data com o fim da impressionante série de jogos consecutivos a sofrer golos fora de casa que os leões ostentavam. Longe de ter feito uma exibição espantosa, daquelas que o levariam, mais tarde ou mais cedo, a engrossar as fileiras do Wolverhampton, o brasileiro teve um par de defesas seguras que ajudaram a manter o empate, distinguiu-se nas saídas aos cruzamentos e contou com a preciosa ajuda da dupla de centrais.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito sofreu com o endiabrado extremo Iwobi, felizmente mais interessado na parte lúdica do futebol do que na fria contabilidade dos golos e assistências, mas a sua passagem por Londres fica marcada acima de tudo pela participação inadvertida na grave lesão do avançado Welbeck. 

 

Coates (3,0)

Seria candidato a homem do jogo se não tivesse deixado escapar um atraso de bola proveniente do meio-campo que deixou a equipa a jogar só com dez nos últimos minutos. Ainda assim há que referir que o sacrifício a que forçou Mathieu foi compensado pela diligência com que impediu um autogolo do francês, na melhor jogada do Arsenal na primeira parte, despejando a bola para longe antes de esta passar a linha de golo. Apenas uma das muitas intervenções em que o uruguaio, desta vez menos afoito no ataque - a única tentativa de avançar no terreno durou menos de cinco segundos -, impôs a sua lei e contribuiu para que os leões tenham um pé e meio nas eliminatórias da Liga Europa. Mesmo que durante grande parte do jogo aparentasse um daqueles polícias que tentam em vão evitar o massacre num filme de terror.

 

Mathieu (3,0)

Raras são as ocasiões em que um jogador que viu o vermelho directo é cumprimentado pelos treinadores das duas equipas. O veterano francês salvou o empate ao derrubar Aubameyang mesmo antes de o avançado do Arsenal entrar na grande área, livrando-se da nefasta viagem ao Azerbaijão no fim do mês. No resto do tempo dedicou-se a afastar o mal das balizas leoninas, pressionado por avançados que quase o levaram a marcar na própria baliza, e atento ao espaço nas costas de Acuña.

 

Acuña (2,5)

Regressou ao posto de lateral-esquerdo, após ter sido o homem do jogo anterior enquanto extremo-direito, e essa roleta posicional esteve muito aquém de lhe trazer benefício. Abriu demasiado espaço aos adversários em muitas ocasiões e abusou das faltas mesmo depois de um cartão amarelo por protestos, o que também o afasta da próxima jornada da Liga Europa e praticamente assegura que Jefferson terá oportunidade de contrariar quem não cessa de repetir que o seu prazo de validade expirou há muito tempo.

 

Gudelj (3,5)

O Sporting perdeu o Battaglia mas ganhou um homem de guerra, que se dedicou a servir de cortina de ferro aos avanços do meio-campo do Arsenal. Naturalmente menos dedicado a lances de ataque, pertenceu-lhe o primeiro remate do Sporting mais ou menos digno de tal nome, ainda que tenha saído tão alto que nem uma versão gigantone de Peter Cech lhe conseguiria tocar. Certo é que lutou muito, ao longo de quase 100 minutos, e mesmo no final só lhe faltaram pernas para chegar à bola num contra-ataque que poderia ter recompensado o esforço e dedicação da equipa mais do que seria justo.

 

Miguel Luís (3,0)

Provando que as notícias acerca da morte da formação do Sporting são manifestamente exageradas o campeão europeu de sub-17 e sub-19 estreou-se a titular na equipa principal. Deu boa conta do recado quase sempre, embora uma falha de marcação tenha estado na origem da tal jogada em que Coates teve de evitar o autogolo de Mathieu, mas a prova de fogo ficará para um próximo desafio em que o Sporting tenha a iniciativa de jogo. Talvez já neste domingo à noite, em Alvalade, frente ao Chaves.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Faltou-lhe espaço e tempo para investir nos remates de longa-distância, mas manteve-se sempre atarefado com a pressão sobre o adversário e constantes tentativas de lançar o contra-ataque em circunstâncias assaz desiguais. Boa parte deste empate deve-se à sua incansável eficácia.

 

Diaby (2,0)

Conseguiu fazer o que se lhe pedia uma única vez, ainda na primeira parte, quando ganhou a linha direita e cruzou para a grande área do Arsenal, onde Montero não estava e Nani não chegou a tempo. Aquilo que mais demonstrou foram gritantes deficiências no domínio de bola, o que dilui a importância da sua velocidade nos contra-ataques leoninos. Numa rara ocasião em que havia três atacantes do Sporting para três defesas do Arsenal preferiu rematar contra um adversário em vez de passar a bola a Bas Dost ou Nani. Resta a compensação de que o seu passe foi um milhão de euros mais barato (sem contar uns quantos anos de inflação) do que o passe de Sinama-Pongolle.

 

Nani (3,5)

Puxou dos galões de ex-Manchester United e tentou levar tudo à sua frente na ala esquerda. Conseguiu-o algumas vezes, cruzando na melhor dessas ocasiões para o espaço onde Montero não conseguiu desviar para golo. Muito assobiado pelos adeptos da casa, sobretudo depois de não ter lançado a bola para fora do relvado aquando da lesão de Lichtsteiner, encolheu os ombros, na melhor expressão “haters gonna hate”, e seguiu caminho.

 

Montero (2,5)

Deixado à deriva entre a linha defensiva do Arsenal, foi a versão menos eficiente daquilo que fizera, frente ao mesmo adversário, no jogo de Alvalade. Teve poucas ocasiões, pouco conseguiu combinar com os colegas, e quando cedeu o lugar a Bas Dost nada de relevante teria para escrever num postal enviado para casa.

 

Bas Dost (2,5)

Veio refrescar o ataque do Sporting, trazendo poder de choque e apetência pelo jogo aéreo, e não se coibiu de trocar a bola com os colegas para lançar jogadas de ataque - tentou, por exemplo, fazer a assistência para Gudelj. Não era, no entanto, noite para contrariar a ideia de que o holandês é o tipo de goleador que prefere ser forte com os fracos.

 

Jovane Cabral (2,0)

Demorou muito a substituir o inoperante Diaby e revelou-se igualmente inoperante. Espera-se que não tenha perdido a qualidade de talismã com a saída de José Peseiro e o novo corte de cabelo, demasiado conservador para quem parece destinado a dar nas vistas.

 

Petrovic (2,5)

Entrou numa fase de sufoco, com a missão de servir de tampão aos ataques da equipa da casa, posicionando-se junto à linha defensiva, mas a expulsão de Mathieu levou a que recuasse para central. O nulo do resultado final mostra que foi bem-sucedido naquilo que se lhe pediu.

 

Tiago Fernandes (3,5)

Montou um onze para o objectivo que alcançou, o que basta para escrever que o treinador interino teve uma noite bem positiva. Mesmo a opção arriscada na titularidade de Miguel Luís torna-se normal perante as alternativas no banco leonino e os enormes e trágicos equívocos na construção do plantel. Esteve bem nas substituições, ainda que Diaby pudesse ter saído mais cedo, e acertou especialmente em cheio na necessidade de ter o esforçado Petrovic a assegurar um empate a zero que, por todos os motivos, é mais valioso do que a soma das suas partes.

 

Corpo Expedicionário Sportinguista (5,0)

Raras foram as vezes que uma equipa portuguesa pareceu jogar em casa num país que até optou pelo Brexit. Os milhares de sportinguistas que estiveram no estádio Emirates exponenciaram as suas vozes e impuseram-se à maioria silenciosa, quase do primeiro ao último minuto, constituindo um valiosíssimo 12.° jogador que explicou aos arsenalistas por que não fica em casa. Tiveram direito ao agradecimento sentido (e merecido) da equipa, abrindo caminho para a necessária reconciliação entre jogadores e adeptos.

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Canhões de pólvora seca

Grande jogo, Skok em grande na segunda parte e brilhante vitória (24-31) em Skopje, frente ao Metalist, a quinta a contar para a Champions nesta época. Ah, andebol mão, futebol pé? Peço desculpa...

"Now for something completely different"! Rebobina...

 

A actuação do Sporting, ontem no Emirates, podia resumir-se a duas frases feitas e a uma metáfora: não encheu o olho, o resultado foi bem melhor que a exibição e executar 3 passes consecutivos pareceu missão mais espinhosa que os 12 trabalhos de Hércules. Não fizemos boa figura, mas fizemos uma figura de estilo...

 

Tiago Fernandes até mostrou boas ideias: procurou sair com a bola desde trás e usou 3 linhas no meio campo (com o estreante a titular Miguel Luis mais perto de Gudelj do que de Bruno Fernandes). É certo que nem todos podem acrescentar neologismos ao dicionário como Peseiro e o seu trivote, mas Tiago tentou, pelo menos, jogar à "grande". O que falhou, então? Face a uma equipa do Arsenal que só manteve 2 jogadores (Holding, premonitoriamente "aguentando" em inglês, e Mkhitaryan) do onze titular do último Sábado contra o Liverpool, a equipa leonina mostrou ausência de rotinas, condição física deficiente e um meio campo sem intensidade competitiva que não conseguiu dar fluidez nem controlou os momentos do jogo, com um Gudelj de menos na construção, um jovem ainda muito verde e pouco rodado e um Bruno completamente "fora dela". Assim, em vez de escondermos as deficiências dos nossos jogadores, ainda as expusemos mais, fazendo-os parecer piores do que na realidade são. Prefiro assim, antes cair por tentar andar do que gatinhar toda a vida.

 

Embora se possa questionar a não presença de Bas Dost no onze titular, preterido por um inoperante Montero, a escolha de Diaby - já tinha passado ao lado do jogo nos Açores - em detrimento de Jovane Cabral foi a opção mais discutível do interino treinador dos leões: é que se a ideia era ter um velocista, talvez tivesse sido melhor contratar Usain Bolt, pois assim sempre teríamos dinheiro a entrar (patrocinadores) e não a sair. Mais concretamente, cinco milhões e meio de euros pela borda fora. Sim, porque não é preciso ser Brugge para ver o que irá acontecer.

 

Os "Gunners" (canhões) jogaram o suficiente para ganharem, nunca pondo demasiada intensidade no jogo, o qual por vezes se assemelhou a um meinho, com os nossos à rabia. Tiveram 64% de posse de bola, 12 remates (contra 1), 568 passes completos (183) e 7 cantos a favor (1). Infelizmente, este nosso cantinho de Londres não foi o de Morais, mas sim curto como o jogo do Sporting. Salvou-nos um intratável Coates e um indomável Acuña, sul-americanos de raça, bem como a deficiente finalização dos londrinos. E Mathieu, que se sacrificou pela equipa, após o que teria sido uma genial assistência de Bruno Fernandes - um general preso no seu próprio labirinto (quiçá psicológico) - para Aubameyang, não fosse o caso do gabonês jogar pelo Arsenal, no que terá sido a desforra por o maliano Diaby ter desviado um remate seu que teria sido o único a constar da estatística como direccionado para a  baliza do Arsenal. Africanices...

 

O resultado acabou por ser bem interessante, pondo-nos em posição privilegiada para seguir em frente na Liga Europa. Agora venha a pré-época com Keizer, treinador que tem uma boa e ousada ideia de jogo, privilegiando sempre a saída de bola pelo centro do terreno, com os centrais (e não o trinco) a conduzirem a bola. Terá jogadores para isso? O risco que coloca no jogo resistirá à falta de rotinas iniciais? Haverá paciência para com ele nas derrotas? A sua falta de currículo pesará se as coisas começarem mal? É aqui que, mais do que um Keizer, vai ser necessário um Kaiser, alguém que para além de não ler blogues também não "leia" lenços brancos e que se mantenha firme nas suas convicções (já que o escolheu). Isso e uma equipa técnica muito solidária, que alerte o nóvel técnico para as manhas do futebol português, a sagacidade táctica dos seus treinadores e a precaridade da transição defensiva dos seus princípios de jogo, a qual pode resultar em outra transição...de treinador. Em entrevista recente, Keizer disse que precisou de 4 meses para dar rotinas à equipa do Ajax que o deixassem satisfeito. Que lhe demos esse tempo antes de um primeiro julgamento, até porque já temos todos saudades de ver bom futebol, algo que não tem abundado em Alvalade desde a primeira época de JJ. 

 

Uma última palavra para os incansáveis adeptos leoninos que se fizeram bem ouvir ontem nos Emirates. Pelo menos esse jogo dominámos, com muita alma e sem recorrer a entradas a pés juntos. À Sporting !!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Coates

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Quente & frio

Gostei muito deste ponto alcançado pelo Sporting em Londres, ao empatar 0-0 com o Arsenal - talvez o mais sério candidato à conquista da presente edição da Liga Europa, com um plantel de Champions. Foi apenas a terceira vez que empatámos em Inglaterra, o que mais valoriza este empate, conseguido com muita inteligência táctica e grande força colectiva pelo onze leonino ainda comandado pelo técnico interino Tiago Fernandes. Frente a uma equipa que vinha de 15 jogos consecutivos sem perder e luta para a conquista da Premier League, sob o comando do treinador basco Unai Emery: está em quinto lugar na classificação, apenas a seis pontos do líder, Manchester City.

 

Gostei de ver a massa adepta leonina acorrer em grande número ao estádio londrino: eram, oficialmente, 5.385 leões no topo sul da casa do Arsenal e puxaram pela nossa equipa do princípio ao fim do desafio, numa vibrante celebração da festa do futebol. Gostei da exibição da maioria dos nossos jogadores (excepto Diaby e Bruno Fernandes), mas destaco Coates, seguríssimo no comando do bloco defensivo, imperial nos lances aéreos e capaz de travar o ímpeto ofensivo de craques arsenalistas como Welbeck e Aubameyang: voto nele como o melhor Leão em campo. Gostei ainda de ver Tiago Fernandes confiar no jovem Miguel Luís: o médio ala da nossa formação - campeão europeu sub-17 e sub-19 - correspondeu ao repto, nesta estreia como titular da equipa principal. Exibição de bom nível, confirmando que vale a pena apostar na cantera de Alcochete. Depois de Jovane, este é o segundo na época em curso. Nada mau.

 

Gostei pouco do défice ofensivo da nossa equipa, que não deu trabalho ao guardião checo Petr Cech: o contra-ataque leonino nunca funcionou e fomos incapazes de fazer um só remate enquadrado às redes adversárias. Mas o essencial, nesta partida em que retomámos o desenho táctico 4-2-3-1 de José Peseiro, era não sofrermos golos perante o caudal ofensivo do Arsenal. Conseguimos alcançar este desígnio estratégico: dar terreno à turma londrina vedando-lhe em simultâneo o acesso à nossa baliza ao bloquear-lhe a capacidade de disparo. Missão cumprida. Trazemos de Londres um precioso ponto na bagagem. E superámos enfim uma marca de 18 jogos seguidos a sofrer golos nas competições europeias: o anterior desafio em que tínhamos mantido as nossas redes invioladas remontava a Setembro de 2011, quando defrontámos o Zurique.

 

Não gostei da expulsão de Mathieu, que viu o cartão vermelho aos 87', ao travar in extremis, à entrada da nossa grande área, um perigosíssimo lance ofensivo protagonizado por Aubameyang na sequência de um disparatado atraso de bola, do meio-campo, feito por Bruno Fernandes. Uma falta inevitável cometida pelo internacional francês, que foi um dos melhores em jogo, com grandes cortes aos 24', 32' e 77'. Mais injustificado foi o cartão amarelo exibido aos 67' a Acuña, que hoje voltou a actuar como lateral esquerdo. O internacional argentino viu-se punido por protestos, algo nada aceitável num profissional experiente, e minutos depois arriscou um segundo amarelo que o faria tomar duche mais cedo. Tapado com cartões, Acuña fica fora do próximo desafio internacional do Sporting, no Azerbaijão, frente ao Quarabag.

 

Não gostei nada das saídas, por lesão, de Welbeck e Lichsteiner - sobretudo do primeiro, que esteve alguns minutos em evidente sofrimento no relvado, acabando por abandonar de maca. Desaires numa equipa muito bem comandada por um técnico já com três troféus da Liga Europa no seu currículo, ao serviço do Sevilha, e que tem como estrela em ascensão o jovem médio ofensivo francês Guendouzi, que apenas com 19 anos - a idade de Miguel Luís - demonstra notável qualidade de passe e excelente visão de jogo. Haveremos de ouvir falar muito dele.

Pódio: Renan, Acuña, Montero

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Arsenal pelos três diários desportivos:

 

Renan: 18

Acuña: 16

Montero: 16

Nani: 15

André Pinto: 14

Bruno Fernandes: 14

Ristovski: 13

Gudelj: 13

Battaglia: 12

Jovane: 11

Bruno Gaspar: 11

Petrovic: 11

Coates: 9

Diaby: 1

 

O JogoA Bola elegeram Renan como melhor em campo. O Record optou por Acuña.

Quem joga para empatar acaba por perder

Os jogadores entraram ontem em campo, num estádio José Alvalade muito bem composto com mais de 40 mil assistentes, sabendo que se exibiam em palco europeu. Sendo muito baixas as expectativas dos espectadores, a nossa actuação durante a primeira parte merece nota positiva. Foi também o período do jogo em que o visitante Arsenal - ontem desfalcado de diversas peças importantes, com Ozil e Lacazette no banco - se apresentou quase em ritmo de treino, sem pressionar muito, poupando energias após um desgastante embate com o Leicester três dias antes.

 

Ristovski lesionou-se à beira do intervalo, forçando José Peseiro a uma substituição prematura, à revelia do plano de jogo. O nível exibicional baixou de imediato: Bruno Gaspar teima em não demonstrar qualidade para o plantel leonino. Mas não foi só por isso que o Sporting quebrou na segunda parte desta partida da Liga Europa, concedendo quase toda a iniciativa de jogo à turma inglesa: foi também por manifesto colapso físico que afectou alguns dos jogadores que mais tinham rendido durante o período inicial, designadamente Acuña e Nani. Neste contexto, a inevitável entrada de Jovane pecou por tardia.

 

Sofremos o golo a 12 minutos do fim do tempo regulamentar, numa comprovação prática da ineficácia do dispositivo táctico montado pelo treinador, que desta vez apostou num trio de médios defensivos no corredor central, forçando o Arsenal a utilizar as alas. Peseiro acreditava piamente num zero-a-zero. Os planos saíram-lhe furados, em obediência a um velho mandamento do futebol: equipa que joga para empatar acaba por perder.

 

O melhor dos nossos foi, sem discussão, o guarda-redes Renan.

 

 

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SINAL VERDE

 

RENAN. Sai deste embate como o mais sério candidato a guarda-redes titular, embora sem fazer esquecer Rui Patrício. Balanço muito positivo da exibição do brasileiro que chegou a Alvalade por empréstimo do Estoril. Sem ele, teríamos perdido por dois ou três golos. Único jogador leonino com exibição acima da média registada em desafios anteriores.

ACUÑA. Merece nota positiva sobretudo pelo trabalho desenvolvido na primeira parte, em que foi o melhor do Sporting. Todos os lances com princípio, meio e fim do nosso escasso fluxo ofensivo tiveram a marca dele, criando desequiíbrios, vencendo no confronto individual e infiltrando-se na grande área do Arsenal. Caiu fisicamente no segundo tempo.

MONTERO. Jamais será um substituto de Bas Dost: faltam-lhe características de avançado fixo. Mas teve um importante jogo posicional, arrastando a defesa adversária, no chamado trabalho sem bola a que muitos adeptos ficam indiferentes. Carregado em falta por Sokratis, o árbitro fingiu não ter visto o lance que daria expulsão ao grego: "El Avioncito" já se isolava rumo à baliza - bem ao seu jeito, correndo como quem desliza.

 

 

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SINAL AMARELO

 

RISTOVSKI. A mais recente "contratação" da concorrida enfermaria leonina.  O lateral direito "fez piscinas" durante a primeira parte, naquele seu estilo muito mais voluntarioso do que habilidoso. Queria empurrar a equipa para diante, mas esteve quase sempre muito desacompanhado. Lesionou-se antes do apito para o intervalo.

ANDRÉ PINTO. Cumpriu, dentro da mediania, com um toque muito característico: procura passar quase despercebido durante uma partida inteira. Ineficaz nos lances ofensivos de bola parada, onde nunca foi capaz de impor a sua altura. Mas atento às dobras na lateral esquerda para compensar as frequentes ausências de Acuña, sobretudo na primeira parte.

PETROVIC. Obedece aos parâmetros tácticos, revelando-se incapaz de rasgos criativos. Funcionou diversas vezes como terceiro central, de modo a conter o ímpeto inglês, cumprindo em jogo posicional mas inapto na construção ofensiva. Exigir-lhe um passe de ruptura, a mais de cinco metros, é quase pedir-lhe o impossível.

BRUNO FERNANDES. Abusou do remate para onde estava virado, chutando três vezes a bola para a bancada ao longo dos primeiros 45 minutos. Médio ofensivo em teoria, médio-ala por adaptação, na prática vimo-lo aparecer em quase todo o terreno, num estilo que fica bem na fotografia: corre imenso, gesticula, barafusta, mas só a espaços se torna útil.

NANI. A idade, no caso dele, é um posto. E o estatuto de campeão europeu também. É, com frequência, o único capaz de pensar o jogo e agir em conformidade. Com e sem bola. Das bancadas gritam-lhe que "chute", mas ele sabe a importância da temporização. Nota positiva na primeira parte. Na segunda, por evidente quebra física, perdeu muita influência. Substituído à beira do fim por Diaby.

JOVANE. Mexeu com o jogo ao substituir o inútil Gudelj quando estavam decorridos 71'. Procurou criar desequilíbrios e surpreender a defesa do Arsenal, que jogou muito subida na segunda parte. Mas faltou-lhe tempo e sabedoria para contrariar a perda de energia física e anímica do nosso colectivo, já então gritante.

 

 

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SINAL VERMELHO

 

COATES. Parece um filme em reprise. Cada vez que jogamos em competições internacionais, o uruguaio persiste em pregar-nos um susto. Cumpriu a tradição ao falhar a intercepção de um passe, colocando em jogo Welbeck, que sentenciou a partida. Desta vez nem sequer fez a habitual gracinha conduzindo um lance ofensivo. Para esquecer.

GUDELJ. Com ele ao lado, formando o chamado "duplo pivô defensivo", Battaglia perde protagonismo e torna-se um jogador banal. Efeito de contágio proporcionado por este sérvio que persiste em lançar dúvidas sobre o mérito da sua contratação. Insuficiente no processo defensivo, ineficaz na construção ofensiva. Na China, de onde veio, não jogava. Percebe-se porquê.

BATTAGLIA. Tem-se mostrado em bom nível na selecção argentina, mas não rende neste Sporting, asfixiado pelo sistema de duplo trinco. Gosta de dispor de espaço e percebe-se que fica tolhido com Gudelj a pisar o mesmo terreno, sem proveito para a equipa. Em termos de construção ofensiva, voltou a ser uma sombra da época passada.

BRUNO GASPAR. Subsiste o enigma: por que motivo terá sido contratado este lateral direito que teima em tornar evidente a sua inaptidão ao lugar e a uma equipa com as naturais ambições do Sporting? Jogou toda a segunda parte e teve o condão de nos fazer sentir saudades de Cédric, Piccini e até de Schelotto. 

DIABY. Valeu a pena adquirir um avançado por tão elevado preço, no atribulado defeso leonino, se ninguém consegue vê-lo actuar mais de cinco minutos por jogo? Foi o que ontem sucedeu, para não fugir à regra. Tarda em integrar-se no onze leonino, por motivos mais que óbvios. E assim vai atrasando a sua ligação aos adeptos. Sabe-se lá até quando.

Armas e viscondes assinalados: Foi o que tinha de ser

Sporting 0-Arsenal 1

25 de Outubro de 2018

Liga Europa - 3.ª Jornada

 

Renan Ribeiro (4,0)

Era a tarde mais longa de todas as tardes que lhe aconteciam. Ele não vinha, tardava, e ele entardecia. Até que chegou, a pouco mais de um quarto de hora do apito final, o golo de Welbeck que impediu o guarda-redes brasileiro de conquistar o ponto que manteria o Sporting empatado. Até ao funesto erro de Coates que isolou o inglês, impiedoso ao ponto de marcar, o reforço de última hora contratado ao Estoril mantivera-se sempre à beira da perfeição, retirando diversas vezes os scones da boca dos forasteiros empenhados em fazer balançar as redes. Sucediam-se as defesas de elevada nota artística, incluindo uma mancha em que o braço de Renan bastou para que o isolado Aubameyang não facturasse, e ao terceiro jogo pareceu que poderia manter a baliza incólume. Assim não sucedeu, mas ficou a impressão de que o amigo de Sousa Cintra que entende imenso de futebol acertou em cheio nesta contratação.

 

Ristovski (2,5)

Regressou à titularidade e parecia refeito do desastre de Portimão. Ficou na retina um lance de contra-ataque em que pegou a bola perto da sua grande área e, contando apenas com o apoio de Montero, sonhou driblar o defesa que tinha pela frente e rumar à baliza qual Serpa Pinto macedónio, da costa à contracosta. Não foi possível, tal como não foi possível aguentar sequer até ao intervalo, tornando-se a mais recente vítima das lesões musculares que percorrem o plantel como se fossem maldições de filmes de terror japoneses (daqueles que não são realizados por Nakajima).

 

Coates (2,0)

Encaminhava-se para mais um jogo de elevada qualidade quando protagonizou a sua pior tentativa de corte desde aquela viagem a Madrid que foi o início do fim de Bruno de Carvalho. Como o novo presidente do Sporting é mais medicinal do que sanguíneo o uruguaio ainda pôde somar à intervenção decisiva no golo do Arsenal um encosto de testa a um adversário na grande área contrária, mas não só não viu o cartão amarelo como não foi alvo de vergastadas através das redes sociais. Para trás ficou a dose habitual de cortes providenciais, antecipações e duelos aéreos ganhos a avançados de renome.

 

André Pinto (2,5)

Esta foi a data em que manteve a titularidade enquanto Mathieu ficava sentado no banco de suplentes. Uma data que seria ainda mais memorável caso os seus meritórios esforços tivessem sido recompensados com um números de golos sofridos inferior a um. Mas não estava escrito.

 

Acuña (3,0)

Acabou por continuar na lateral-esquerda, mas quem o visse a passar por quatro adversários em velocidade, resistência e drible, irrompendo pela grande área - só faltou mais força na hora de fazer o cruzamento -, diria que estava ali o único extremo verde e branco digno desse nome que subiu ao relvado. Também foi tão intratável quanto é habitual a defender, pressionando os ingleses que ousavam aparecer-lhe pela frente. Foi perdendo gás ao longo do jogo, para gáudio do ataque do Arsenal, e à frente nunca conseguiu combinar bem com o camarada de corredor, fosse ele Bruno Fernandes, Nani ou Jovane Cabral.

 

Petrovic (2,5)

Tê-lo como o melhor de um triplo pivot defensivo é ainda mais assustador do que tê-lo como o melhor de um duplo pivot defensivo. Bastante eficaz a destruir jogo alheio, nada fez de particularmente mau na hora de construir - o que já passa por aceitável no presente momento dos leões.

 

Battaglia (2,0)

Na época passada chegou a secar Messi como se fosse um eucalipto. Desta vez foi menos eficaz, mesmo que sem comprometer por aí além. Não se pode é dizer que seja credor de muitas linhas de texto...

 

Gudelj (2,0)

Uma das fases mais interessantes do jogo foi a segunda metade da primeira parte, quando o sérvio se emancipou do triplo pivot defensivo e começou a subir no terreno. A pressão alta não teve resultados práticos, e Gudelj praticamente desapareceu após o intervalo, fazendo-se notar sobretudo ao sair do relvado para permitir a entrada de Jovane Cabral.

 

Nani (2,5)

Muito interventivo, à esquerda e à direita, foi um dos responsáveis por um triste dado estatístico: nenhum remate do Sporting foi enquadrado com a baliza. Além da falta de pontaria denotou enormes carências na hora de auxiliar a linha defensiva e rebentou uns bons minutos antes de ser substituído.

 

Bruno Fernandes (2,0)

A maldade que lhe fizeram, forçando-o a posicionar-se nas alas, contribuiu para a invisibilidade de que padeceu na maior parte dos noventa e tal minutos de jogo. Nem a pontaria descalibrada ajudou o internacional português, que só melhorou mesmo no final do jogo, quando fora devolvido ao meio-campo.

 

Montero (3,0)

Na primeira parte ocorreu uma jogada do ataque leonino que ilustra os desafios que se colocam ao avançado colombiano: estava Acuña a lutar contra uma série de adversários quando Montero acorreu em seu auxílio, tomou posse da bola e... centrou para o coração da grande área, onde não se encontrava devido às inclementes leis da Física. Isolado entre muitos defesas, e não raras vezes sem colegas à vista, lutou como só poucos sabem. Deixado à sua sorte também pela equipa de arbitragem, que deixou passar várias faltas em claro (e a expulsão de Sokratis, que agarrou Montero quando este corria para a baliza), nunca deixou de conquistar espaços para os remates dos colegas de equipa e exerceu pressão suficiente para que os adversários cometessem erros.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Deveria ter entrado ainda antes do intervalo, para o lugar do lesionado Ristovski, mas só na segunda parte pisou o relvado. As primeiras intervenções foram positivas, mas depressa se viu que o entrosamento com os colegas continua a escassear. Sofreu falta de Welbeck que anulou um possível primeiro golo do Arsenal.

 

Jovane Cabral (2,0)

Quando sai do banco esperam-se dele duas coisas: lances decisivos e remates disparatados. Desta vez só conseguiu a segunda parte.

 

Diaby (1,0)

Dez minutos de profunda irrelevância.

 

José Peseiro (2,0)

Bem pode queixar-se dos erros da arbitragem - mais evidente o cartão vermelho que ficou por mostrar a Sokratis do que o alegado pénalti sobre Nani ou do que o suposto fora de jogo de Welbeck no lance do golo - e ficar a pensar qual seria o ranking do Sporting se houvesse videoárbitro mas provas da UEFA. Certo é que armou um onze ultradefensivo - antecipando-se o quádruplo e quíntuplo pivot defensivo - e que esteve quase a permitir a conquista de um singelo ponto na classificação do grupo. Pior foi a demora a reagir quando as coisas começaram a sair mal e a derrota tornou-se uma inevitabilidade à espera de acontecer. No domingo à noite, ao enfrentar o Boavista, talvez possa colocar extremos nas posições 7 e 11, mesmo que sejam Jovane Cabral e Elves Baldé. Mas ninguém se espantará se nos seus lugares estiverem Bruno Fernandes e Bruno César.

Quente & frio

Gostei muito da exibição de Renan na baliza leonina. Foi ele, de longe, o nosso melhor jogador neste embate com o Arsenal em Alvalade para a Liga Europa que terminou com a vitória da equipa visitante por margem mínima (1-0). Em estreia ao serviço do Sporting numa competição europeia, o guardião brasileiro defendeu quase tudo nesta partida que em diversas fases do segundo temp foi de sentido único, com os ingleses a pressionarem em sequência constante o nosso bloco defensivo. Fez pelo menos três grandes defesas, aos 24', 50' e 72', quando os adeptos do Arsenal - presentes em grande número no nosso estádio - já quase gritavam golo. Só não conseguiu travar o remate de que resultou o golo solitário, na sequência de uma falha de Coates.

 

Gostei de ver o nosso estádio com mais de 40 mil espectadores - num jogo que começou antes das 18 horas durante um dia laboral. Quase todos apoiando sem reservas a equipa, que teve uma prestação aceitável, embora modesta, no primeiro tempo e revelou uma notória queda de qualidade exibicional na etapa complementar, deixando o Arsenal dominar por completo a partida onde se deu ao luxo de manter Ozil no banco e só fazer entrar Lacazette perto do fim. Apesar disto, nunca faltou o apoio dos adeptos que foram incentivando os jogadores e sublinhando com aplausos algumas jogadas mais vistosas - infelizmente poucas. É certo que houve assobios, embora tímidos. Mas só no final do jogo, quando já caíra o pano e a derrota em casa estava consumada. Até nesse momento, porém, repetiram-se os aplausos generalizados aos profissionais leoninos, que deram a volta ao campo, agradecendo.

 

Gostei pouco de ver um desequilibrador como Jovane permanecer 71 minutos no banco, quando era já evidente o profundo desgaste físico da equipa e a quebra de dinâmica de jogadores nucleares, como Nani e Bruno Fernandes. Gostei menos ainda de ver Montero quase sempre isolado lá à frente, a larga distância do resto dos companheiros, essencialmente remetidos a tarefas defensivas. E de perceber que supostos reforços, como Diaby e Wendel, continuam sem oportunidade para demonstrarem o que realmente valem. Ou entram à beira do fim, como no caso do maliano, ou nem chegam a calçar, como acontece em regra com o brasileiro.

 

Não gostei da confirmação de que temos um plantel curto e de qualidade muito irregular, obviamente inferior ao da época passada. Com a agravante de continuarem de fora elementos fundamentais, como Mathieu e Bas Dost, e um dos raros reforços de qualidade, Raphinha. Na ausência do holandês, jogamos sem um verdadeiro artilheiro com características goleadoras. Mesmo assim, isso não explica o facto de termos passado um jogo inteiro sem fazermos um só remate enquadrado à baliza adversária nem um contra-ataque realmente perigoso, falhando passes sucessivos, atirando a bola várias vezes para a bancada e desperdiçando 11 cantos, que não causaram qualquer mossa à turma inglesa. Também não gostei da manifesta falta de qualidade dos dois jogadores sérvios que alilnharam a titulares. Nem, obviamente, do lamentável erro individual de Coates, que ofereceu de bandeja a vitória ao Arsenal.

 

Não gostei nada da atitude temerosa da equipa do Sporting, que demasiado cedo decidiu estacionar o autocarro, em jeito de equipa muito pequena, chegando a ter diversas vezes todos os jogadores - excepto Montero - remetidos à sua metade do relvado. José Peseiro montou um onze titular com três médios de características defensivas (Petrovic, Gudelj e Battaglia), com óbvio prejuízo para a circulação de bola ofensiva, transmitindo de imediato aos pupilos sob o seu comando a imagem de um futebol medroso, capaz de comprazer-se num empate a zero em casa. Este dispositivo táctico aguentou-se penosamente durante 78', até ao golo do Arsenal - equipa que descansou menos 48 horas do que o Sporting pois jogara na segunda-feira. A partir daí percebeu-se que não havia plano B: foi cada um por si, todos a jogarem cada vez pior. A troca de Nani por Diaby, quase ao cair do pano, serviu para coisa nenhuma. O desfecho estava traçado.

A um bocadinho assim

Quem tivesse aterrado hoje vindo de um qualquer planeta e visse o resultado do jogo entre o Sporting e o Arsenal, pensaria até que a coisa tinha sido renhida e que apenas por mero azar do Coates tínhamos deixado fugir um empate que teria sabido a vitória.

Nada mais falso.

Há no entanto que fazer a justiça de dizer que na primeira parte, apesar do homem que eles trouxeram para a eventualidade de alguma bola sair enquadrada com a baliza, a defender, à bola, não à baliza, não ter tido trabalhinho nenhum, o jogo foi mais ou menos equilibrado.

É verdade que a história do jogo poderia ter sido diferente se o tipo de amarelo vindo de leste tivesse feito cumprir as regras e tivesse avermelhado um londrino por agarrão mais que evidente a Montero, que o deixaria isolado e tivesse marcado um penalti (dizem-me, que eu estava do outro lado do campo) clarinho a nosso favor. Aliás o tipo de amarelo deve ter visto o resumo ao intervalo, já que na segunda parte esteve muito melhor e até tentou compensar, com a amostragem de uns cartões da cor do seu equipamento aos arsenalistas. Já foi tarde, para mal dos nossos pecados.

Ora se o jogo na primeira parte deu a ilusão de ter sido equilibrado, na segunda foi clarinha a superioridade do Arsenal, de tal forma que o nosso rapaz da baliza teve duas ou três intervenções de alto gabarito, tentado evitar o que acabou por ser inevitável. Adivinhava-se o golo do adversário a partir dos 60 minutos, mais coisa menos coisa, quando os nossos rebentaram fisicamente.

E a partir daí o resultado acaba por ser lisonjeiro, que aquilo a partir de determinada altura parecia tiro ao boneco, ou melhor, a gente parecia o Loures, salvo seja, só que a jogar muito menos que os lourenses.

E pronto, lá perdemos o primeiro jogo na Liga Europa, curiosamente com mais uma oferta de Coates, o rapaz tem azar. Duma coisa poderemos ter a certeza, contudo, não vai haver post no facebook!

“Nada temos a temer tirando o próprio medo”

Assim falou Roosevelt, que combateu a poliomielite, Hitler e Hirohito, mas não assistiu à última conferência de imprensa de José Peseiro.

 

Que o triângulo Petrovic-Gudelj-Battaglia seja mais virtuoso do que aparenta, e que Jovane saia do banco com melhor pontaria do que Ozil e Lacazette, são os meus sinceros e profundos desejos enquanto me sento na última fila da bancada.

Recordando

A pouco menos de um par de horas do jogo para a Liga Europa há quem olhe para esta partida e diga que a derrota do Sporting será certa.

Relembro então aqui um jogo contra a já, na altura, poderosíssima equipa do Manchester City. Nesse duelo as nossas hipóteses eram mínimas, mas Sá Pinto e obviamente Xandão contrariaram as ideias e o Sporting não só ganhou esse jogo como passou a eliminatória.

Antes fora o Sporting contra o Newcastle com, imaginem só, José Peseiro como treinador e que nos levou à final da Liga Europa. Mesmo começando a perder ganhámos o jogo por 4-1.

Portanto quando oiço e leio as aves agoirentas falar da partida de hoje... recordo, pelo menos, estes dois jogos.

Boa sorte Sporting!

Pódio: Montero, Jovane, Raphinha

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Vorskla-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Montero: 18

Jovane: 17

Raphinha: 15 

Acuña: 15

Jefferson: 15

Coates: 13

Petrovic: 14

Nani: 14

Bruno Fernandes: 13

Salin: 13

Carlos Mané: 12

Diaby: 10

André Pinto: 10

Bruno Gaspar: 10

 

Os três jornais elegeram Montero como melhor jogador em campo.

De bestial a besta em quatro minutos

Azarado? Quem é azarado?

Deficiente leitura de jogo? A sério?

Incapacidade de pôr os jogadores a rodar? Têm a certeza?

 

Na segunda parte do desafio da tarde de ontem, disputado na Ucrânia com bastante frio e a horas impróprias, José Peseiro fez questão de contrariar todos os profetas da desagraça que lhe iam apontando um imenso rol de defeitos. Já tinha cumprido aquilo que alguns de nós esperávamos dele ao escolher sem temor um onze nunca experimentado, face à necessidade de rodar jogadores, acautelar a partida de domingo em Portimão e dar mais rodagem àqueles que são por sistema deixados no banco ou na bancada. 

O Sporting alinhou inicialmente frente ao Vorskla - quarto classificado do campeonato ucraniano - com cinco novidades em relação ao onze inicial do desafio anterior, contra o Marítimo. Destaque para as apostas em Bruno Gaspar, Carlos Mané e Diaby - o mais caro reforço da pré-temporada leonina.

 

Confrontado com um golo sofrido logo aos 10' e com a apatia generalizada daquele grupo de jogadores incapaz de desfazer o nó ucraniano, o técnico mexeu cedo na equipa, mandando Mané para o duche aos 58'. Fez entrar Montero, muito moralizado por ter sido o melhor no desafio contra os madeirenses. Doze minutos depois, entravam Raphinha e Jovane - um deles substituindo Petrovic. Ficávamos sem nenhum médio defensivo de raiz, prova inquestionável da filosofia atacante do treinador. Que produziu resultados. Montero, com superior execução técnica, marcou um belo golo no último minuto do tempo regulamentar. Quatro minutos depois, Jovane ganhava um ressalto e transformava o empate em vitória. O puto-maravilha deu mais três pontos e algum dinheirinho ao Sporting.

 

Peseiro, que já estava a ser insultado de péssimo para baixo nos locais do costume, tornou-se o herói do dia.

Azarado, o tanas.

 

 

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SINAL VERDE

 

SALIN. Traído pela sua defesa, ainda se fez ao lance no golo ucraniano, tocando na bola mas já sem capacidade de impedi-la de entrar. Não voltou a ter problemas. Sai da Ucrânia com nota positiva.

COATES. Na hora em que é necessário remar contra a maré, ele está lá. Ontem demonstrou a Petrovic como pode ser um 6 eficaz e a Bruno Fernandes como deve actuar um 8 ao liderar o processo ofensivo, com a bola dominada, aos 55', 72' e 86'. Uma lição aos companheiros que andavam a arrastar-se em campo.

JEFFERSON. Actuação positiva do lateral brasileiro, naquela que foi até agora a sua melhor exibição nesta temporada. Esteve ligado ao melhor momento do Sporting na primeira parte, assistindo Nani para um golo que este falhou, e é ele quem faz o passe longo (à William Carvalho) de onde sai o golo de Montero.

ACUÑA. Parece ser o jogador mais polivalente neste Sporting de Peseiro. Ontem regressou á posição de médio-centro, pois a ala esquerda começou por estar entregue a Mané. Cumpriu no essencial: foi sempre um dos mais inconformados. E aquele seu potente remate em arco a rasar a trave, aos 53', merecia ter sido golo.

RAPHINHA. Desta vez começou no banco. Mas o jogo estava mesmo a pedir a intervenção dele. Peseiro deu-lhe ordem para entrar, substituindo Diaby. Estavam decorridos 70' e a partir daí o campo passou a estar inclinado a nosso favor. Raphinha foi o dínamo habitual, em energia e velocidade. Tentou o golo aos 73', fez um bom passe aos 76' e aos 90' coube-lhe o cruzamento-assistência felizmente fatal para as nossas cores.

MONTERO. O melhor em campo entrou apenas aos 58', rendendo o incipiente Mané. Não tardou a agitar o jogo, baralhando as marcações ucranianas e dinamizando o nosso ataque. Aos 79' esteve quase a marcar, de pontapé de bicicleta, aquele que seria um golo do outro mundo. Aos 90', passou do entretanto ao finalmente quando a meteu mesmo lá dentro com uma recepção perfeita seguida de simulação e disparo - usando peito, pé direito e pé esquerdo. Irrepreensível.

JOVANE. Voltou a funcionar como arma secreta e talismã do treinador. Segunda intervenção em provas internacionais, segundo golo marcado ao cair do pano. Desta vez entrou aos 70', rendendo Petrovic, e aos 90'+4 sentenciou a partida ao aproveitar da melhor maneira uma bola que Bruno Fernandes desperdiçara. Alguém pode presumir que se trata de mera coincidência?

 

 

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SINAL AMARELO

 

PETROVIC. Funciona como tampão à entrada da nossa grande área, mas limitou-se a defender com os olhos o autor do golo ucraniano, que se movimentou como quis na sua zona de influência. Ajudou depois a segurar o jogo, mas nunca se articulou bem com Bruno Fernandes ou Acuña nem foi capaz de construir lances ofensivos. O costume.

BRUNO FERNANDES. Médio de transição, voltou a exibir-se muito abaixo dos seus melhores dias. Foi quem errou mais passes, após Bruno Gaspar, e chutou demasiadas vezes para onde estava virado. No lance do segundo golo, teve uma recepção deficiente da bola, muito bem servida por Raphinha. Felizmente Jovane andava por perto.

NANI. Recuperou a titularidade e a braçadeira de capitão, mas não recuperou a antiga forma que tantas vezes nos levou a aplaudi-lo em pé. Teve o seu melhor momento no tempo extra da primeira parte, quando rematou à figura do guarda-redes, a dois passos da baliza. Vem demonstrando que joga melhor em distâncias curtas no eixo do que nas alas.

 

 

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SINAL VERMELHO

 

BRUNO GASPAR. Uma desgraça a atacar, um descalabro a defender. O lateral direito alternativo errou passes, falhou intercepções, foi incapaz de fazer um centro em condições. Percebe-se agora melhor por que motivo Peseiro tem apostado em Ristovski.

ANDRÉ PINTO. Sai da Ucrânia com nota negativa por ter estado ligado ao golo da equipa anfitriã devido a um mau alívio para zona proibida, iam decorridos apenas 10 minutos. Um erro raro nele, mas que pode acontecer aos melhores. 

CARLOS MANÉ. Preso de movimentos, sem ritmo competitivo, com apenas minuto e meio de actuação em campo nos últimos 15 meses, foi presa fácil para os ucranianos. Peseiro deu-lhe a oportunidade que muitos lhe pedíamos, mas ficou evidente que por enquanto o jovem extremo formado em Alcochete ainda não é alternativa válida.

DIABY. Estreia a titular do avançado maliano que veio da Bélgica com rótulo de goleador. Foi o mais caro reforço do defeso, mas ontem esteve muito aquém dos pergaminhos. Teve nos pés quase um golo cantado, logo aos 6', mas falhou por deficiência técnica. Merece nova oportunidade após ter desperdiçado esta.

Armas e viscondes assinalados: Traumatismo para os ucranianos

Vorskla 1 - Sporting 2

Liga Europa - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Outubro de 2018

 

Salin (2,5)

Nada pôde fazer no lance do golo madrugador que deu vantagem aos ucranianos até aos 90 minutos, e cedo percebeu que não se podia fiar no quarteto à sua frente. Evitou o 2-0 apressando-se a desarmadilhar um atraso que prometia ser a segunda assistência para golo alheio de jogadores do Sporting. Depois disso teve tempo para recordar outros franceses que não se deram bem no Leste, pois o único remate enquadrado do Vorskla já fizera os estragos que tinha de fazer.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Saltou para a titularidade da mesma forma que alguns estados falhados saltaram para a independência. Permeável a defender e emperrado a atacar, aumentou as legítimas esperanças de quem espera ver Thierry Correia a concorrer ao lugar de Ristovski no decorrer desta temporada.

 

André Pinto (2,5)

Fica marcado pelo ‘ammorti’ que permitiu manter a tradição leonina de não regressar a Portugal sem pelo menos um golo nas redes. Tão perfeita foi a disponibilização da bola para o remate que, havendo justiça, ser-lhe-ia reconhecida a assistência. No resto do jogo mostrou aquela competência interina que o torna invisível. Até aos olhos do selecionador nacional.

 

Coates (3,0)

Atormentado pela desvantagem madrugadora, para a qual pouco ou nada contribuiu, dedicou-se a ganhar duelos aéreos nas duas grandes áreas. Como é tradição, não se furtou a duas incursões (como sempre mal sucedidas) com a bola nos pés naquela fase da segunda parte em que a viagem de regresso a Lisboa prometia ser ainda mais longa e silenciosa. No universo alternativo em que já existe videoárbitro na Liga Europa sofreu um pénalti quando o resultado ainda estava 1-0.

 

Jefferson (3,5)

Mais insólito do que o equipamento branco que a UEFA forçou os leões a envergar só o facto de o brasileiro ter sido o melhor da defesa. Regressado à titularidade, o lateral-esquerdo arrancou o jogo com cruzamentos displicentes que chegavam a parecer combinados com os adversários. Sucede, porém, que no final da primeira parte calibrou as chuteiras, oferecendo um golo a Nani que a haver justiça contaria como assistência, fartou-se de ganhar espaço no corredor que tinha a seu cargo e municiou o ataque com bolas nem sempre bem compreendidas. Até ao momento em que Montero recebeu um cruzamento longo no peito e...

 

Petrovic (3,0)

Enquanto não há Battaglia continua a ir à guerra. Começou mal, reagindo tarde e a más horas à oferta de André Pinto aos anfitriões, mas cedo conquistou espaço no meio-campo com o estilo forte, feio e formal que as suas limitações aconselham. Assim se manteve, muitas vezes tomado pela angústia do futebolista no momento em que tem a bola nos pés, até ser devolvido ao banco de suplentes.

 

Acuña (3,5)

Voltou para o meio-campo com o ímpeto de quem já estava a ser avisado pelo árbitro ao quarto de hora de jogo. Foi o sportinguista mais focado na primeira parte, depois do intervalo fez um remate em arco que merecia ser desviado para a ‘gaveta’ da baliza por um fenómeno meteorológico e iniciou o contra-ataque que selou a reviravolta. Nem o amarelo que acabou por levar, tão natural quanto a própria sede, retira mérito ao argentino.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Abriu as hostilidades com um passe de 30 metros para Diaby e empenhou-se sempre na batalha do meio-campo, testando o remate de longa distância em mais do que uma ocasião e com mais do que um defeito de execução. Mesmo no final esteve à beira de marcar o golo que valeu os três pontos, cedendo a honra ao suspeito do costume.

 

Nani (2,5)

Recuperou a titularidade, a braçadeira de capitão e a tendência para desacelerar os ataques. Particularmente infeliz na finalização, teve a baliza contrária a seus pés no final da primeira parte, perdendo uma excelente oportunidade de causar uma boa primeira impressão nas redes. Ficou até ao fim em campo, o que terá contribuído para uma quebra nos rendimentos dos especialistas em leituras de lábios que prestam serviços aos canais de televisão.

 

Carlos Mané (2,0)

Mais uma novidade na deslocação à Ucrânia, após um minuto inteiro no relvado de Alvalade. Alternando entre a faixa e o miolo do terreno, pecou pela falta de pragmatismo (e por ter feito um remate com a canela) apesar de ter demonstrado, numa ou noutra jogada, que ainda sabe ludibriar quem lhe vem tentar tirar a bola. Mas quando saiu para dar lugar a Montero houve a leve impressão de que já ia tarde.

 

Diaby (2,0)

Desta vez já conseguiu demonstrar as qualidades de velocista, ficando a faltar outro tanto no que diz respeito à arte de marcar golos. Teve boa oportunidade logo a abrir o jogo, mas chutou tão mal quanto combinou com os colegas nas jogadas de ataque em que se envolveu. Saiu aos 70 minutos para dar lugar a quem, até ver, resolve.

 

Montero (4,0)

Saltou para o relvado com a convicção de que iria salvar a equipa de um traumatismo ucraniano. E se de início manteve a tendência de criar jogo longe da zona de perigo, quase sem se dar por isso fez um belo pontapé de bicicleta que poderia ter valido o empate. Redimiu-se logo a seguir, com uma sequência de decisões correctas que permitiram festejar o empate e transformaram os cinco minutos de compensação numa auto-estrada para a reviravolta.

 

Raphinha (3,5)

Assumiu o jogo ofensivo do Sporting desde o instante em que entrou em campo. Entre muitas intervenções preciosas destaca-se o passe para Bruno Fernandes que, por linhas tortas, permitiu que houvesse festa no final de tarde.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser talismã tem destas coisas. Demora-se mais a entrar no jogo do que o colega da direita, vai-se ganhando confiança e está-se à hora certa no lugar certo. Assim se fez o golo da vitória e começa a ser difícil acreditar que todas estas intervenções decisivas não passam de uma sucessão de coincidências.

 

José Peseiro (3,0)

Descansou uns quantos titulares, o que se torna compreensível devido à deslocação à Portimão na noite de domingo. Mas recebeu pouco em troca da confiança depositada em Bruno Gaspar, Carlos Mané e Diaby, viu uma falha tremenda da defesa adiantar o Vorskla, e até ao último minuto do tempo regulamentar viu-se metido em grandes sarilhos. Que por uma vez o universo tenha conspirado a favor do Sporting deve-se em grande parte às substituições acertadas que fez no decorrer da segunda parte, ciente de que, para mal dos seus pecados e do departamento médico, o plantel que orienta não se dá assim tão bem com poupanças.

Estão mesmo loucos, os deuses de Alvalade

Tinha aqui registado o facto, em post publicado a propósito do jogo com o Marítimo.

Voltaram hoje a colocar a sua mão protectora sobre os nossos jogadores, de tal forma que um jogo que estava condenado a um resultado desgraçado, acabou por correr tão bem.

A coisa começou razoavelmente, mas um tropeção de André Pinto permitiu que um ucraniano surpreendido marcasse um golo que teve o condão de trazer dois autocarros para dentro de campo, que estacionaram frente à baliza dos da casa e de adormecer os nossos, que parece terem entrado em modo Feira Popular e entrado todos no carrocel, de tal modo iam andando às voltas do autocarro, sem sairem do mesmo lugar.

Antes do intervalo, Nani teve a mesma surpresa que o ucraniano aos dez minutos, mas não teve o engenho de desfeitear o redes contrário, nem mesmo à cabeçada.

No segundo tempo os autocarros fizeram uma manobra complicada e mudaram-se para a frente da outra baliza, onde os da casa iam defendendo com facilidade as ténues investidas dos nossos, que não atavam, nem desatavam.

Estávamos todos a ver que as viaturas e os nossos jogadores ganhavam raízes naquele ervado, correndo-se o risco que a movimentação lenta até ali, se tornasse parada. E como sabem, barco parado não move montanhas (diabo, isto não é assim, até eu estou a ficar um pouco louco), daí que aquilo que todos temíamos que acontecesse aos 85 minutos, acabasse por acontecer um quarto de hora mais cedo e por incrível que pareça, a rapaziada começou a correr que nem doidos por ali abaixo, fintando os dois autocarros como se não houvesse amanhã, depois de Peseiro, outro que deve estar um pouco doido, fazer as substituições que todos estávamos a ver que deveria fazer logo na volta dos balneários. Ainda assim, como que para não fugir à regra, Jefferson deixou que se lhe parasse o cérebro por volta dos 80 minutos, quase deitando tudo a perder, mas como disse lá atrás, havia hoje outra vez uma mão protectora sobre o Leão e dois ucranianos surpreendidos tiveram todo o gosto em imitar Nani e o calafrio acabou por dar ainda mais ânimo aos leõezinhos que num golpe de malabarismo de Montero, caía o minuto 90, empataram o jogo, o que apesar da pasmaceira era mais que merecido. E ficámos todos satisfeitos com o resultado e a "rezar" na pele do árbitro, que ainda consentiu que se jogassem mais cinco minutos, o sacana (compensação mais que justificada, tanto foi o tempo perdido pelos ucranianos nas idas às couves). Por obra e graça dos deuses, quiseram os jogadores fazer-nos a agradável surpresa de ainda correr mais um pouco e ir à procura do "prejuízo" e não é que apanharam os ucranianos em contra-pé e Jovane fez a redondinha beijar o véu da noiva pela segunda vez em pouco mais de quatro minutos.

E pronto, o que tinha tudo para correr mal, contrariando até um tal de Peter, correu muito bem.

Os deuses de Alvalade só podem mesmo estar loucos. Que assim continuem.

É chato

Após um jogo em que Peseiro rodou a equipa, substituindo cinco titulares, seguimos na Liga Europa ao nível do Arsenal. Dois jogos, seis pontos.

Alguns adeptos protestam. Os mesmos que batiam palminhas quando perdíamos com esses colossos chamados Legia e Skenderbeu.

É chato.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - PES 2018

A generalidade dos homens tinha 3 certezas na vida: a morte, os impostos e a hora de início dos jogos europeus. Como a UEFA ainda não conseguiu influenciar as duas primeiras, restou-lhe o exotismo de marcar um jogo da Liga Europa, a meio da semana, para as 17h55. E assim, eram 5 para as 6 da tarde em Lisboa, começou a partida.

 

O desafio pareceu disputar-se num sintéctico, dado o piso duro e a relva muito cortada. A bola saltava bastante, facto que também não pode ser dissociado das irregularidades do terreno. Não que isso desculpe totalmente a exibição muito pouco conseguida, mas as condições do relvado também não ajudaram. Valeu ao Sporting a estrelinha da sorte. Aqui reside a verdadeira mudança de paradigma entre o actual PESeiro Evolution Soccer (PES 2018) e o PES 2004 de má memória. Outrora Pé Frio, e quase a ser PéZERO nesta partida, acabou a ganhar os 3 pontos e o dinheiro da vitória. Um Pe$eiro. Felizmente!

 

O Sporting iniciou o jogo com 5 alterações face ao "onze" exibido contra o Marítimo: Bruno Gaspar ligou o complicómetro durante todo o jogo e Jefferson mostrou a displicência habitual, quando aos 81 minutos, na sequência de um livre a favor do Vorskla, ficou a contemplar o esplendor da relva, em lance que nos poderia ter custado a derrota. Nani nada fez de relevante, para além de ter desperdiçado um golo cantado e Mané pareceu ter uns tijolos nos pés, enfiando um pastél com (a) canela por cima da barra. Finalmente, Diaby teve um único lance de registo (túnel a um defesa). Dos outros, André Pinto e Bruno Fernandes estiveram muito abaixo das suas possibilidades e Petrovic parado (um candeeiro, tipo PETROmax), não deu ritmo ao jogo. Salin ainda tocou, mas não conseguiu impedir a bola chutada por um ucraniano de encontrar as malhas, pelo que Sebastián Coates e Acuña foram os únicos, dos que entraram de início, num plano aceitável. Logo aos 5 minutos, Diaby, desmarcado por um passe de 50 metros de Bruno Fernandes, poderia ter marcado. Tal poderá ter dado a ilusão de facilidade, mas o facto é que só voltaríamos a criar perigo já em cima do intervalo, quando Nani teve uma clara oportunidade de golo e, logo de seguida, cabeceou por cima da barra. Pelo meio, golo dos ucranianos, após um desvio incompleto de André Pinto para a entrada da área, zona onde Petrovic ou Acuña não estavam. 

 

Eis então que Montero, Raphinha e Jovane Cabral entram em campo. O colombiano começou a segurar a bola lá na frente, algo até aí não visto. Num desses lances, assistiu para uma sua própria bicicleta, que quase resultava em golo. Simultaneamente, Raphinha semeava o pânico pela banda direita. Mas o golo não aparecia. Até que Jefferson descobriu, no Google Earth, Montero num molho de jogadores, direccionou para lá o pontapé e o colombiano calculou com precisão geométrica o ponto de queda da bola enviada da linha de meio-campo, parou-a com categoria no peito, rodopiou e tirou com o pé direito um adversário do caminho e, com o pé esquerdo, rematou em banana para o ângulo inferior esquerdo do impotente guardião ucraniano. Iniciava-se o tempo de compensação e este golo entusiasmou a equipa, ao mesmo tempo que desmoralizou o adversário. Num rápido contra-ataque pela direita, Raphinha centrou com régua e esquadro para um isolado Bruno Fernandes. O maiato atrapalhou-se, chocou com o guarda-redes, mas a bola sobrou para um até aí quase incógnito Jovane, que não perdoou. 

 

Incrível como uma equipa com individualidades tão superiores, é obrigada a sofrer desta maneira, vencendo da forma mais difícil e quando já quase ninguém acreditava. Na PlayStation não se arranjaria um final mais dramático... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero (pela segunda vez consecutiva)

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Quente & frio

Gostei muito da vitória conseguida na Ucrânia, com uma temperatura muito fria, em total contraste com este Verão tardio que persiste em Portugal. Vitória por 2-1 arrancada a ferros, nos cinco minutos finais, mas até por isso mais emocionante e saborosa. Totalizamos seis pontos na Liga Europa, onde seguimos invictos. De algum modo, valha a verdade, apenas cumprimos a nossa obrigação pois a equipa adversária, o modesto Vorskla, segue na quarta posição do campeonato ucraniano. 

 

Gostei da forma como José Peseiro apostou tudo na viragem do resultado, quando perdíamos por 0-1 desde o minuto 10. Trocou Petrovic por Jovane e Diaby por Raphinha aos 70', alargando a frente atacante. Era o que a lógica do jogo recomendava e o técnico soube ler os sinais que lhe vinham do campo. Foi recompensado pela ousadia, em claro desmentido à velha alegação de que é um homem azarado. Hoje não houve azar nenhum. Pelo contrário, houve sorte somada à competência de Montero, que - em campo desde os 58' - respondeu da melhor maneira a um passe de 35 metros de Jefferson, amortecendo a bola no peito, fazendo uma simulação com o pé direito e marcando com o esquerdo no último minuto do tempo regulamentar. Competência reforçada com o golo da vitória, apontado pelo incontornável Jovane, aos 90'+3: Raphinha cruzou muito bem, Bruno Fernandes teve uma recepção muito imperfeita, mas a bola sobrou para o jovem caboverdiano, que não perdoou com o seu indesmentível faro pela baliza. É já o segundo melhor marcador leonino na Liga Europa: um golo por jogo. E o colombiano (que estivera perto de marcar, aos 79', com um pontapé de bicicleta) foi o melhor em campo.

 

Gostei pouco da estreia de Carlos Mané e Diaby como titulares. O treinador demonstrou confiança neles, mas não foi correspondido. O jovem da nossa formação, que vem de uma paragem de 15 meses, mostrou-se inofensivo nas duas alas, acabando por ser substituído sem qualquer surpresa aos 58'. O maliano revelou défice no ataque à profundidade e nas movimentações junto da zona de finalização, que lhe estava entregue como elemento mais avançado do onze leonino. Deu o mote pela negativa, logo aos 6', quando falhou o remate no momento em que se isolava perante a baliza adversária. Nada mais fez de relevante nos 70' em que permaneceu no campo. Fica a dúvida: será mesmo aquele ponta-de-lança alternativo a Bas Dost de que o Sporting necessita? Talvez seja, mas não pareceu.

 

Não gostei de mais um "apagão" de Bruno Fernandes, pródigo em perdas de bola e passes sem nexo, nem da exibição do lateral-direito Bruno Gaspar, para mim o pior "leão" em campo. Também não gostei de ver a nossa equipa perder logo a partir do minuto 10, devido a um lapso defensivo originado por um mau alívio de André Pinto e pela apatia de Petrovic (médio defensivo que aqui se limitou a cobrir com os olhos). Gostei menos ainda de verificar que demorámos 35 minutos a reagir verdadeiramente a este resultado desfavorável: a única oportunidade de golo criada pelo Sporting ao longo de toda a primeira parte ocorreu aos 45'+1, quando Jefferson cruzou muito bem e Nani rematou quase sem preparação, propiciando ao guarda-redes do Vorskla a defesa da noite.

 

Não gostei nada de confirmar que temos um défice de qualidade exibicional no plantel. Não é difícil explicar porquê. Basta reparar que só três dos 11 jogadores que hoje entraram em campo (Coates, Acuña e Bruno Fernandes) eram titulares do Sporting na época anterior. Basta reparar também que elementos nucleares da equipa - como Mathieu, Battaglia e Bas Dost - ficaram em Lisboa por evidentes limitações físicas, felizmente superáveis. Há que dar tempo ao tempo. E reconstruir uma equipa que em Junho ficou totalmente destroçada pelos motivos que bem sabemos.

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