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És a nossa Fé!

Ninguém adivinhou

A questão tornou-se irrelevante, mas queria apenas assinalar aqui que Marcel Keizer foi novamente capaz de surpreender os adeptos com a convocatória anunciada para o Sporting-Villarreal: face ao repto que lancei aos leitores, desafiando-os a anteciparem o onze titular, nem um foi capaz de vaticinar quem alinharia de início.

Aqui para nós, mais valia alguns desses jogadores não terem calçado. Começando por Bruno Gaspar (que cedo se lesionou) e Petrovic. Mas isso agora não interessa nada. Há que pensar já é no jogo contra o Braga.

Pódio: Coates, Bruno Fernandes, Raphinha

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Villarreal (0-1) pelos três diários desportivos:

 

Coates: 15

Bruno Fernandes: 14

Raphinha 13

Ristovski: 13

Salin: 12

Luis Phellype: 11

Jovane: 11

André Pinto: 11

Bas Dost: 11

Miguel Luís: 11

Wendel: 10

Petrovic: 10

Bruno Gaspar: 8

Acuña: 7

 

A Bola  elegeu   Bruno Fernandes  como melhor jogador em campo. O Record  optou por  Coates. O Jogo escolheu Raphinha.

Armas e viscondes assinalados: Submarino afundou o Sporting logo ao primeiro torpedo

Sporting 0 - Villarreal 1

Liga Europa - 16 avos de final

14 de Fevereiro de 2018

 

Salin (3,0)

Há dias em que um guarda-redes não devia sair do banco de suplentes, terá pensado o francês ao ir buscar a bola dentro da baliza logo no início do jogo. No resto do tempo teve escassas ocasiões para ser bom, desviando para canto um remate com selo de golo, ou mau, saindo-se de forma tão despassarada a um cruzamento que a eliminatória poderia ter ficado logo resolvida. Já nos últimos minutos de compensações salvou o Sporting do segundo golo ao correr para fora da grande área ainda a tempo de controlar com o peito uma bola perigosa.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Nada estava a fazer de particularmente bom ou de tragicamente mau quando uma tentativa de desmarcação terminou consigo agarrado à perna. Espera-se que o infortúnio pessoal do lateral-direito, provavelmente afastado dos relvados por umas semanas sem necessidade de adeptos mais exasperados recorrerem a uma acção judicial com esse fim, contribua para fixar Thierry Correia no plantel principal.

 

Coates (3,5)

Parcialmente culpado pelo golo do Villarreal, pois amorteceu com o peito a bola anteriormente desviada por André Pinto para a entrada da grande área leonina, o central uruguaio passou o resto da noite qual protagonista de romance épico que tudo faz para se redimir de uma falha. Mais alguns cortes providenciais se juntam à galeria de obras valorosas, mas o mais impressionante foi o modo como se integrou no ataque, demonstrando uma crença capaz de comover mesmo quem tenha pêlos no coração. Aquela jogada individual aos 58 minutos, em que avança no seu estilo determinado-desengonçado, enfrenta quatro adversários e faz um cruzamento-remate que provocou calafrios ao guarda-redes do Villarreal, merecia por si só uma estátua equestre à entrada do estádio.

 

André Pinto (2,5)

Sejamos francos: tirando o segundo degrau que ocupa no pódio das culpas no golo espanhol, não cometeu erros gravosos e esteve bastante atento às movimentações dos avançados adversários. Faria Tiago Ilori melhor?

 

Acuña (2,0)

Aos três minutos já deixara escapar o extremo do Villarreal que cruzou para o 0-1 e aos seis minutos já tinha visto o cartão amarelo por protestar a gritante dualidade de critérios do árbitro francês com que a UEFA assolou Alvalade da mesma forma que uma divindade sacana poderia ter lançado uma praga de gafanhotos sobre Dresden em 1945. Tão impressionantes credenciais não impediram o argentino de lutar tanto quanto sempre luta e de tirar proveito da técnica que é sua, mas a pouca inspiração de Jovane e de Raphinha prejudicou as suas incursões. Borrou ainda mais a pintura ao deixar a equipa com dez nos últimos 20 minutos, recebendo o vermelho por acumulação devido a uma “entrada impetuosa” que valeria um cartão alaranjado.

 

Petrovic (2,0)

Demonstrou que Gudelj não precisa de ser titular para o Sporting circular a bola mal e porcamente. Além de um provável recorde de passes para as linhas laterais, pouco fez para que as bancadas esquecessem que não teria sido má ideia incluir Idrissa Doumbia na lista de jogadores da Liga Europa e foi substituído sem deixar obra ou saudades. Apesar de ser difícil não reparar que um cavalheiro de elevada estatura deambulou pelo relvado, nem que seja pela máscara que lhe protege o nariz e pelo cabeceamento desastrado que, ainda assim, foi do menos distante da baliza adversária que o Sporting conseguiu na primeira parte.

 

Miguel Luís (2,5)

Voltou a ser titular, após uma longa travessia do keizererto, procurando ser o médio de transição que desse liberdade a Bruno Fernandes. Não brilhou, fosse por falta de ritmo ou de inspiração, ficando a noite aziaga de Alvalade como mera prova de vida.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Nenhuma imagem traduz de forma tão verdadeira o actual estado do futebol leonino quanto a tragédia estampada no rosto do capitão do Sporting, ainda assim sempre disposto a avançar contra moinhos de vento. Menos inspirado do que em alguns jogos em que conseguiu rebocar a equipa para o triunfo, não parou por um instante de combater o desconsolo que cansou de conhecer. Foi seu o primeiro remate, com pouca força e pouca pontaria, tal como mostrou qualidades de velocista ao percorrer todo o campo para evitar que o artífice do primeiro golo aproveitasse o adiantamento de Acuña para repetir a desgraça. Ainda ficou a centímetros de amealhar uma assistência para golo, mas nem os postes querem nada com o Sporting.

 

Raphinha (3,0)

A prova acabada de que poderia ter saltado do banco a meio da segunda parte foram os seus primeiros 45 minutos, grande parte dos quais passados caído na relva, reclamando com a cegueira do francês do apito. Infeliz nas iniciativas individuais e quase sempre descoordenado com os colegas, acordou para a vida após o intervalo. Não só desviou um canto de Bruno Fernandes para o poste, antecipando-se à defesa espanhola, como fez um momento de magia junto à linha de fundo que lhe permitiu servir Bas Dost para o que, infelizmente, ficou como a defesa da noite. Forçado a recuar no terreno após a expulsão de Acuña, é uma das raras esperanças para a segunda mão e, antes disso, para a recepção ao Sporting de Braga, marcada para a noite de domingo naquele edifício lisboeta que 2019 transformou no teatro dos pesadelos sportinguistas.

 

Jovane Cabral (2,5)

Tão desinspirado quanto Raphinha na primeira parte, destacou-se pela capacidade de avançar pelo centro do terreno e a triste verdade é que foi dos que mais procuraram reverter o resultado. Mas convém deixar um anúncio dos perdidos e achados para ver se alguém encontra o toque de Midas com que o extremo adiou tantas vezes a ejecção de José Peseiro.

 

Bas Dost (2,5)

“Faz qualquer coisa de ponta de lança!”, pede o Nanni (Moretti, bem entendido) dentro de cada adepto. E o holandês lá fez, aplicando um toque declasse à assistência de Raphinha. Teria chegado para o miserável empate numa conjuntura em que as nuvens negras não tivessem chegado para ficar, mas mesmo assim foi o melhor sinal de que o encantamento que tolda Bas Dost poderá ser quebrado mais depressa do que será recuperada a visão do árbitro de baliza que conseguiu não ver o avançado a ser agarrado por um defesa na grande área do Villarreal.

 

Ristovski (2,5)

Entrou logo na primeira parte, substituindo o lesionado Bruno Gaspar, e trouxe alguma dinâmica e critério ao corredor direito. Mas nada que chegasse para alterar os tristes velhos factos que num álbum de retratos o Sporting teima em coleccionar, só não agravados porque Salin resolveu a má abordagem do macedónio a um cruzamento na segunda parte.

 

Luiz Phellype (1,5)

Diz a profecia que o avançado brasileiro justificará a contratação, tal como Gudelj acabará por ver um daqueles remates de longe alojar-se nas redes, mas tal não aconteceu nos 20 minutos passados no relvado. Também não ajudou que tenha ficado tocado logo no primeiro lance que disputou.

 

Wendel (2,0)

Entrou tarde e logo a seguir o Sporting ficou com menos um em campo, o que desviou Bruno Fernandes para o flanco esquerdo. Pouco mais fez do que recordar os adeptos de que é bom de bola.

 

Marcel Keizer (1,5)

Pior do que o resultado, mesmo sendo uma derrota caseira com uma equipa tão desabituada de triunfar que a alcunha “submarino amarelo” já lembrava mais o Kursk do que o álbum dos Beatles, e ainda pior do que a lenta reacção ao descalabro em curso, foi a atitude corporal, circunspecta e derrotada, do treinador holandês. Bem que ele avisou, naquele distante tempo do vinho, das rosas e das vitórias por 5-2, para os dias maus que inevitavelmente chegariam, mas talvez seja hora de fazer qualquer coisa para pôr fim ao futebol depressivo de que é o maior responsável. Tem dois testes nos próximos dias, e qualquer cenário em que o Moreirense passe a estar a quatro pontos de distância e em que o ranking na UEFA não tenha hipóteses de ser melhorado deve ter consequências mais concretas do que lenços brancos.

Podridões

A tangerina mecânica (aquela coisa que lembrava a laranja mecânica holandesa doutras eras) de Keizer apodreceu, foi sumarenta e gostosa quando surgiu, neste momento chegou a um estado nauseabundo, sem estratégia de jogo nem comando do banco, com um bando de jogadores em campo, alguns deles a cairem em campo e no final dos jogos, e com cartões completamente escusados.

Mas à podridão dessa tangerina somam-se os efeitos da podridão da maçã Brunista (aquela coisa que muito prometia mas pouco entregava), a destruição dum plantel e duma estrutura técnica, o rombo financeiro na SAD, uma pré-época indigente, uma nova estructura técnica e plantel arranjados à pressa, umas claques a mamar da teta do clube (e do vandalismo e dos tráficos de vários tipos a que se dedicam), e uma divisão por demais evidente entre os sócios que por pouco não chegam a vias de facto em plena bancada central de Alvalade.

De qualquer forma, hoje Keizer repetiu Peseiro, ou seja, deu-se ao luxo de enfrentar uma competição que nos poderia dar algum dinheiro a ganhar e algumas alegrias face à situação em que estamos na Liga (onde 3º ou 4º pouca diferença faz), com um misto de craques e entulho herdados do Brunismo e alguns jovens com problemas existenciais. Deu no que deu, uma tristeza. A Peseiro custou o lugar, num desafio a contar para uma competição secundária, o que não era o caso desta.

Disse Keizer depois do jogo que a equipa lutou muito e a prova disso é que três jogadores tinham acabado com cãibras. O que eu digo é que o preparo físico desta equipa é uma vergonha, com jogadores a lesionar-se sozinhos em campo, outros a entrarem sem aquecerem, outros incapazes de pressionarem alto, todos a funcionar no limite das forças. O preparador físico é o antigo fisioterapeuta, e folgas têm sido muitas. Quem é o responsável?

Ganhámos a taça da Liga? Foi óptimo. Mas não chega. Não pode chegar. 

Então, se jogámos na Taça da Liga com os melhores, hoje tínhamos de ter jogado com os melhores. 

Assim vai ser complicado...

SL

Vergonha!

Em 40 anos de sócio nunca me senti tão vexado como esta noite.

De tal forma que abandonei o estádio aos 55 minutos de jogo, ainda as portas estavam todas fechadas.

Assumo aqui e agora que enquanto este presidente estiver em funções e este treinador liderar esta espécie de solteiros e casados jamais irei ao Estádio. Ponto.

Os dirigentes do Sporting têm de perceber que os sócios têm dignidade, que se orgulham em ser do Sporting porque mesmo perdendo lutamos sempre. Mas o que hoje se viu foi uma autêntica vergonha. E não pode ficar sem consequências. Doa a quem doer!

Como pode uma equipa a jogar em casa contra o penúltimo classificado da Liga espanhola fazer o primeiro remate aos 19 minutos? E nem foi enquadrado com a baliza. O primeiro canto aos 30 minutos?

Tenho que reconhecer que Bruno de Carvalho tinha razão do que dizia dos jogadores. Não posso admitir que durante os 55 minutos de jogo que vi o Sporting não tivesse feito uma jogada com cabeça, tronco e membros. Uma só!

Tantos e tantos jogos que assisti em Alvalade e este ficará na retina como o pior de todos.

Será tempo dos sócios perceberam que o Doutor Varandas pode ser muito bom médico, mas não tem arcaboiço para estar à frente de um clube como o Sporting. Temos pena que assim seja mas esta é uma triste realidade.

Tanto que critiquei o antigo presidente pela sua postura sempre guerreira para agora surgirem estes dirigentes educados, bem falantes mas profundamente amorfos.

Avanço ainda com uma pergunta que o meu filho mais velho me fez e que aqui em tempos reproduzi: o que melhorou com a saída de BdC?

Respondo com a ideia que, tirando as redes sociais, não melhorámos nada. Rigorosamente nada. Portanto mordo a língua e, infelizmente, tenho de dar razão ao meu infante mais velho.

Naufrágio colectivo

O jogo que há pouco terminou começou a ser perdido ontem, na conferência de imprensa de lançamento deste desafio da Liga Europa, quando Marcel Keizer disse que o Sporting «não tinha obrigação» de seguir em frente na competição. Necessitaria, para tanto, de vencer em casa o Villarreal, penúltimo classificado do campeonato espanhol, que acaba de interromper no nosso estádio um duro ciclo de dois meses sem triunfos.

Não apenas perdemos a partida. Fizemos também uma exibição medíocre, ressalvando-se dois desempenhos positivos: Coates e Bruno Fernandes, incapazes de remar contra o naufrágio colectivo. Nada que surpreenda, afinal: a equipa arrastou-se no relvado em sintonia com as palavras abúlicas e conformistas do treinador, que nos últimos sete jogos só uma vez foi capaz de conduzir o Sporting à vitória.

Qual será o onze titular?

Eis os jogadores que Marcel Keizer convocou para o jogo de hoje, em Alvalade, contra o Villarreal para a Liga Europa:

 

Guarda-redes

Renan, Salin

Defesas

Acuña, André Pinto, Bruno Gaspar, Coates, Ilori, Ristovski

Médios

Bruno Fernandes, Gudelj, Miguel Luís, Petrovic, Wendel

Avançados

Bas Dost, Diaby, Jovane, Luiz Phellype, Raphinha

 

Lanço a partir de agora o repto aos leitores: na vossa opinião, qual será o onze titular escolhido pelo técnico holandês para esta partida, que tem início às 20 horas?

2018 em balanço (8)

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VITÓRIA DO ANO: GOLEADA AO QARABAG

Seguimos em frente na Liga Europa, transitando para os 16 avos de final, sendo a equipa com mais golos marcados no nosso grupo e tendo apenas somado uma derrota (frente ao poderoso Arsenal) nesta fase da segunda maior competição de clubes tutelada pela UEFA. Neste percurso muito positivo, iniciado com José Peseiro, prosseguido com Tiago Fernandes e agora com Marcel Keizer ao leme, o melhor resultado foi, de longe, o alcançado em Baku, capital do remoto Azerbaijão, situada a 6.500 quilómetros de Lisboa. Ocorreu a 29 de Novembro, com uma goleada: ganhámos por 6-1.

Foi o nosso mais saboroso triunfo em 2018, na estreia internacional do actual técnico holandês enquanto orientador técnico do Sporting. O ex-treinador do Ajax não podia ter começado da melhor maneira, suplantando largamente o 2-0 registado em Alvalade, frente à mesma equipa, a 20 de Setembro. Foi também o nosso melhor registo, numa partida disputada fora de casa para as provas europeias, desde 1986. Foi ainda a mais volumosa derrota alguma vez sofrida pelo Qarabag - que na época anterior tinha imposto dois empates ao Atlético Madrid, na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Houve golos para os mais diversos gostos. Marcados por Bas Dost (5'), Bruno Fernandes (20' e 75'), Nani (33') e Diaby (63' e 81'). Era um poderoso contributo do Sporting para elevar a cotação do conjunto das equipas portuguesas na contabilidade da UEFA, compensando assim o descalabro de outras agremiações. 

Nesta partida destacou-se Wendel, com quatro assistências para golo, uma proeza impressionante, confirmando a qualidade deste jovem médio brasileiro que chegara a Alvalade em Janeiro sem merecer a menor atenção do treinador Jorge Jesus. Exibição muito positiva também de dois reforços da era Sousa Cintra, Diaby e Gudelj, com as melhores exibições até então alcançadas de verde e branco. Destaque igualmente para a estreia absoluta, na nossa equipa principal, do jovem lateral direito Thierry Correia, com apenas 19 anos e um futuro muito promissor. 

Foi inegável a alegria dos nossos jogadores, bem simbolizada no salto mortal que Nani deu mal marcou o golo, retomando uma imagem de marca a que nos tinha habituado. Este era o Sporting que nós queríamos. Este é o Sporting que nós queremos sempre.

 

 

Vitória do ano em 2012: meia-final da Liga Europa (19 de Abril)

Vitória do ano em 2013: 5-1 ao Arouca (18 de Agosto)

Vitória do ano em 2014: eliminação do FCP da Taça no Dragão (18 de Outubro)

Vitória do ano em 2015: conquista da Taça de Portugal (31 de Maio)

Vitória do ano em 2016: conquista do Campeonato da Europa (10 de Julho)

Vitória do ano em 2017: eliminação do Steaua de Bucareste (23 de Agosto)

Pódio: B. Fernandes, Miguel Luís, Montero,

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Vorskla pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 20

Miguel Luís: 18

Montero: 17

Acuña: 16

Carlos Mané: 15

Coates: 15

Petrovic 15

Salin: 15

Bruno Paz: 14

Pedro Marques: 14

Ristovski: 14

André Pinto: 14

Jovane: 14

Thierry: 13

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo. 

Vamos lá com calma

Quando vi nos ecrans e ouvi o rapaz do microfone a dar a "linha" do Sporting, disse para o amigo que estava ao lado e que ontem aproveitou uma das "borlas" da renovação do meu bilhete de época, que mesmo com aqueles, seria equipa para dar "um cabaz" àqueles rapazes ucranianos simpáticos, que já no jogo na Ucrânia tinham demonstrado ser muito fraquinhos. Não me enganei, felizmente, que apesar de a qualificação estar assegurada, sabe sempre bem ganhar e se não for de "afogadilhos" tanto melhor.

Cedo se viu que apesar da falta de entrosamento (natural) entre os nossos, era uma questão de tempo até entrar a primeira e foi o que aconteceu. E sempre que os automatismos funcionavam e a velocidade no último terço aumentava, o pânico no sector recuado (que muitas vezes foi toda a equipa) do adversário era evidente, bem como se notava a sua efectiva falta de jeito para a função.

Foram três na primeira parte, poderiam ter sido outros tantos e na segunda percebeu-se, com as substituições, que o treinador começou a gerir o esforço; Mas ainda assim, houve mais meia-dúzia de oportunidades que talvez por "verdice" dos protagonistas, não foram concretizadas.

Alguns apontamentos que me vieram ao pensamento durante o jogo:

- Há muito pouco tempo, na Ucrânia, com este mesmo adversário e com os melhores em campo (os disponíveis) estivemos a perder até quase ao final do jogo e fizemos uma exibição(?) miserável. Era treinador José Peseiro;

- Há muito pouco tempo estáva-se a pensar em aquisições em Janeiro por falta de soluções no plantel. Hoje parece que o treinador diz que intra-muros temos soluções. Não sei se lhe disseram que "não há pão p'ra malucos" ou se lhe disseram que é para apostar nos miúdos, ou se a opção é dele, mas eu gostei de ver o jogo a terminar com seis rapazes do alfovre e alguns deles, se os pais não começarem a "variar", apresentam já qualidades que os podem vir a tornar em titulares absolutos num futuro mais ou menos próximo;

- Vamos com uma média impressionante de golos marcados e se era inevitável identificar-me com o treinador (afinal a equipa vem ganhando e jogando cada vez melhor), depois da declaração na CI, com que me identifico totalmente, de que prefere ganhar por 3-2, do que por 1-0, relevando a essência do futebol holandês que eu confesso que aprecio, Kaiser está a encher-me as medidas;

- Com esta avalhanche de golos, espero que no dia em que apenas ganharmos por 1-0, não comecem a dizer mal do homem;

- Vamos lá indo com calminha, passo a passo e não embandeiremos em arco. Ainda falta muito para Maio e cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, apesar de que, confesso, começa também por aqui a crescer uma pontinha de esperança.

Domingo há mais. Esperemos que com golos, que é o que nos dá alegria!

Armas e viscondes assinalados: Primeiro houve baile e depois houve debutantes

Sporting 3 - Vorskla 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

13 de Dezembro de 2018

 

Salin (3,0)

Voltou à baliza que nunca mais ocupara desde que saiu do estádio do Portimonense directamente para o hospital, superando as piores experiências das adolescentes britânicas na noite da cidade algarvia. Desta vez nada de mal lhe sucedeu, ao ponto de nem sequer sofrer golos. Algo que também não seria fácil, pois os ucranianos remataram muito pouco e quase sempre ao lado. No momento de maior (relativa) aflição saiu depressa e bem da grande área.

 

Ristovski (2,5)

Regressado de lesão, o macedónio recordou aos adeptos que garante maior apoio ao ataque do que Bruno Gaspar sem lhe ficar atrás na defesa. Ganhou algum ritmo que ainda manifestamente lhe falta e pôde descansar mais cedo quando Marcel Keizer decidiu conceder oportunidades à juventude leonina.

 

Coates (3,5)

Terminou o jogo com a braçadeira de capitão, entregue por Bruno Fernandes quando foi substituído, e o uruguaio mereceu a honra num jogo em que foi um dos três únicos titulares da recepção ao Desportivo das Aves que não tiveram direito a sopas e descanso. Mesmo tendo facilitado num lance da segunda parte que poderia ter sido melhor aproveitado pelos ucranianos, Coates não só acumulou os tradicionais cortes pela relva e pelo ar como deu início à jogada do segundo golo dos leões.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a demonstrar que os medicamentos genéricos podem ser tão eficazes quanto os de marca, contribuindo de forma decisiva para a nada habitual ausência de golos sofridos. Para a noite poder ser mais risonha bastaria que fosse mais expedito nas oportunidades que teve para marcar na grande área contrária.

 

Acuña (3,5)

Já tinha perdido perdão com palavras pela sua expulsão no jogo anterior, mas desta vez pediu perdão com actos, voltando a mostrar-se inflexível a defender e letal a atacar. Contribuiu directamente para o tento inaugural, destacou-se no um contra um e só não conseguiu ser mais decisivo porque os colegas desperdiçaram os livres e cantos que lançou com conta, peso e medida para a grande área contrária.

 

Petrovic (3,0)

Mesmo o cartão amarelo que recebeu, anacrónico num jogo de inequívoco domínio do Sporting, foi um sacrifício necessário para impedir uma incursão de Careca, o brasileiro que foi o mais perigoso de entre os ucranianos. Seguro a vigiar e punir as movimentações do adversário, o sérvio conquistou as bancadas com alguns toques de classe que nem parecem vir do mesmo jogador que falhou o 4-0 ao enviar para cima da barra uma bola que cabeceou à vontade. Mas não tanto quanto estava na primeira parte, sendo então capaz de saltar em falso e deixar o esférico seguir para longe.

 

Miguel Luís (3,5)

Permitiu a defesa do guarda-redes do Vorskla na primeira assistência que recebeu de Bruno Fernandes, mas à segunda oferta empurrou a bola para o fundo da baliza. Dificilmente poderia esperar melhor naquilo que pareceu um teste de aptidão à corrida pelo lugar do lesionado Wendel. Eficaz nas trocas de bola em que assenta o novo sistema de jogo leonino, o jovem da formação marcou pontos e deu por si rodeado de oriundos dos sub-23.

 

Bruno Fernandes (4,0)

A assistência para o golo de Miguel Luís e a semi-assistência para o autogolo do defesa ucraniano que se antecipou à Montero foram dois dos melhores momentos de mais uma grande exibição do jovem que entrou no relvado como capitão. Ainda melhor foi a assistência de calcanhar desaproveitada por Miguel Luís, o passe de calcanhar que permitiu a Acuña cruzar para o 1-0 e as muitas combinações que infernizaram os adversários e ajudaram a que o resultado ficasse feito antes do intervalo. Saiu vinte e poucos minutos antes do fim, com a sensação de dever muito bem cumprido.

 

Carlos Mané (3,0)

Irrequieto ao longo do jogo inteiro, mesmo que isso tenha implicado foras de jogo e perdas de posse de bola, a esperança adiada da Academia de Alcochete demonstrou vontade de recuperar o tempo perdido. Não ficou nada longe de marcar, ainda que tenha preferido jogar para a equipa.

 

Jovane Cabral (2,5)

Não era a noite do habitual talismã quando salta do banco de suplentes. Alternou momentos em que pareceu perdido no relvado com períodos de hiperactividade pouco esclarecida. Sendo o mais rematador da equipa, nada melhor conseguiu do que um remate às redes laterais na primeira parte e do que permitir uma boa defesa ao guarda-redes ao receber uma assistência de Carlos Mané em posição frontal. Pode ser que no domingo recupere o hábito de saltar do banco para alterar o marcador.

 

Montero (3,5)

Atrapalhou-se ao ser isolado frente ao guarda-redes por Jovane Cabral, mas no lance do primeiro golo provou que é capaz de cabecear por instinto e a sua presença bastou para induzir um adversário a fazer autogolo. Sempre excelente a combinar com Bruno Fernandes, não merecia o extremo azar de sair de maca devido a uma bola dividida no meio-campo.

 

Pedro Marques (3,0)

O jovem avançado que está longe de ser titular indiscutível nos sub-23 teve direito a mais de meia hora de jogo devido à lesão de Montero e tudo fez para deixar marca. Campeão dos foras de jogo, podia ter marcado num cabeceamento por cima da barra e numa jogada de insistência dentro da grande área do Vorskla. Nada mal para um dos dois estreantes na equipa principal do Sporting.

 

Thierry Correia (2,5)

Voltou a somar minutos na Liga Europa, e sem estar isento de erros defensivos pode dizer que ficou a centímetros de juntar o seu nome à lista de marcadores na competição.

 

Bruno Paz (3,5)

O segundo e último debutante na equipa principal deu muito boa conta de si desde o instante em que ocupou o lugar de Bruno Fernandes. Robustez física, qualidade de passe e visão de jogo foram os requisitos para fazer figura em pouco mais de 20 minutos, pois assistências como aquela que fez para Thierry Correia não estão ao alcance de qualquer um.

 

Marcel Keizer (3,5)

Trocar oito titulares e mesmo assim chegar ao intervalo a ganhar por 3-0 é um sinal de que a sorte protege os audazes. Depois de ter visto a equipa dar baile aos ucranianos, optou por dar minutos aos jovens que convocara e chegou ao apito final com seis ‘made in Alcochete’ no relvado, para gáudio dos 25 mil que foram a Alvalade numa noite fria. Domingo há mais, e o treinador holandês terá  quase todos os titulares bem frescos para somar mais três pontos na recepção ao Nacional da Madeira.

Jogo terminou com seis da Academia

Pena haver apenas 25 mil pessoas no estádio. Certamente muitos mais sportinguistas gostariam de ter assistido a este Sporting-Vorskla, para a Liga Europa, apesar de a nossa equipa já estar classificada para os 16 avos de final da competição.

Oportunidade para Marcel Keizer, nesta sua estreia europeia ao serviço do Sporting, pôr a rodar mais dois elementos da formação leonina: o médio Bruno Paz e o avançado Pedro Marques. Somados a Jovane, Miguel Luís e Carlos Mané, e ao lateral Thierry Correia, suplente utilizado, foram ao todo seis os que terminaram este jogo com a marca de formação da Academia de Alcochete.

O resultado, 3-0, foi construído ao intervalo. Com golos de Montero, Miguel Luís (que se estreou a marcar pela equipa principal) e um autogolo da equipa ucraniana, que se manteve fiel à tradição: nunca até hoje um onze deste país foi capaz de vencer o Sporting.

 

 

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SINAL VERDE

 

SALIN. Há seis jogos que não acontecia: o Sporting terminou esta partida com as redes invioladas, em boa parte graças ao guardião francês, que retomou a titularidade e mostrou bons reflexos, nomeadamente ao sair da baliza aos 30', resolvendo por antecipação um problema que poderia complicar-se muito. Aos 34', num soberbo passe para Acuña, confirmou que sabe jogar com os pés.

ACUÑA. Tem sido alvo de medidas disciplinares por ferver em pouca água nas situações mais inconcebíveis. Mas não pareceu nada afectado pela recente expulsão no campeonato. Cobriu muito bem a lateral esquerda, como ficou patente numa corrida de 100 metros aos 63', em que levou a melhor sobre o extremo adversário. Participou na construção do primeiro golo.

MIGUEL LUÍS. Keizer pôs a equipa a jogar simples, num futebol de primeiro toque. Miguel Luís soube ser um fiel intérprete deste estilo de jogo. Exímio no passe, curto ou no longo, e nas tabelinhas com colegas, posicionou-se claramente como possível substituto de Wendel, entretanto lesionado. Coroou uma exibição muito positiva, como médio-centro, com um golo à ponta-de-lança aos 35'. A sua estreia a marcar na equipa principal.

BRUNO FERNANDES. Vem melhorando de jogo para jogo, reencontrando a sua boa forma da época passada. Hoje voltou a ter uma exibição muito positiva, empurrando a equipa para a frente e evidenciando pormenores técnicos que fizeram arrancar palmas espontâneas nas bancadas. Fez assistências para dois golos. Saiu aos 73', muito ovacionado.

CARLOS MANÉ. A maior parte dos ataques do Sporting no primeiro tempo foram conduzidos por ele, neste regresso à titularidade. Esteve em todos os golos: no primeiro, cabe-lhe o primeiro remate, de cujo ressalto resultaria o golo; participou na construção do segundo; inicia a movimentação que deu origem ao terceiro. Só lhe faltou marcar, também ele. Tentou, sem conseguir.

MONTERO. Protagonizou momentos de grande qualidade, nomeadamente na construção do segundo golo, que começa com uma recuperação de bola muito bem dominada pelo peito. Já tinha marcado, logo aos 17', aproveitando da melhor maneira um ressalto. E aos 44', movimentando-se bem na área, forçou um central ucraniano a fazer autogolo. Pena ter-se lesionado, talvez com gravidade. Forçado a sair aos 59'.

BRUNO PAZ. Grande estreia na equipa principal deste jogador que actuou como médio interior e teve apontamentos que fizeram lembrar o melhor Adrien. Em campo desde o minuto 73, por troca com Bruno Fernandes, foi autor de vários passes rasgados, sempre com perigo. Todos ficámos com vontade de voltar a vê-lo muito em breve na equipa principal.

 

 

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SINAL AMARELO

 

RISTOVSKI. Regressou à equipa após uma longa ausência por lesão: actuara pela última vez a 25 de Outubro. Percebe-se que esteve bastante tempo parado. Falta-lhe velocidade e algum discernimento nos centros. Acabou por ser substituído, essencialmente por precaução, aos 64'.

ANDRÉ PINTO. Sem brilhar, sem comprometer. Jogou certinho, como quase sempre faz quando salta do banco para render um dos centrais. Desta vez actuou no lugar que costuma ser ocupado por Mathieu, sem fazer esquecer o francês, nomeadamente no início da construção ofensiva. Continua sem fazer valer a sua altura nos lances de bola parada, lá à frente.

PETROVIC. Merece nota positiva por ter cumprido a missão táctica de que estava incumbido, como médio defensivo. Não é um transportador de bola nem um tecnicista, mas jogou concentrado e até foi capaz de levar algum perigo a zonas mais avançadas do terreno. Procura mostrar serviço.

JOVANE. Desta vez foi titular, mas esteve bastantes furos abaixo do que revelou em anteriores desafios. Demasiado agarrado à bola, definiu mal e rematou torto. Teve, no entanto, ocasionais bons apontamentos: aos 11', fez quase uma assistência para golo servindo Montero; aos 73', rematou para defesa apertada do guarda-redes. Nota positiva, apesar de tudo.

PEDRO MARQUES. Estreia na equipa principal. Já marcou presença em dez partidas do campeonato sub-23, tendo apontado três golos. Caiu demasiadas vezes em situações de fora de jogo. Tendência para mergulhar na área não parece favorecê-lo. Mas alguns pormenores revelam que tem potencial para actuar com mais regularidade no onze principal. Pode beneficiar da lesão de Montero.

 

semaforo[1].jpg

 

SINAL VERMELHO

 

COATES. Será talvez cansaço. O uruguaio tem revelado momentos crescentes de inaceitável desconcentração, além da falta de velocidade a que já nos habituou. Voltou a acontecer neste jogo, felizmente sem consequências graves, por exemplo ao falhar uma intercepção a Careca, forçando Petrovic a falta de cartão amarelo. É um dos elementos que está a pedir - quase a implorar - uma cura de banco.

THIERRY. Foi, dos três sub-23 que saltaram do banco, o único sem prestação positiva. Correu bastante, mas nem sempre com discernimento na definição do passe. Conduziu a bola aos 85' num lance que viria a disperdiçar quando tinha o colega Pedro Marques isolado a seu lado. Na manobra defensiva também não deslumbrou - longe disso. Parece faltar-lhe alguma humildade, sempre proveitosa para quem está em início de carreira.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Renascimento by Keizer

Num passado não tão longínquo, um jogo contra uma equipa menor na Liga Europa, do género de um Skenderbeu, um Astana ou um Plzen, seria um sofrimento. Entrando em campo sem 8 titulares e com Battaglia e Wendel lesionados (a quem hoje se juntou Montero), os dias anteriores seriam pródigos em desculpas antecipadas e desvalorização da competição uefeira, até porque já estávamos qualificados. Os miúdos dos Sub23 teriam sido convocados apenas para mostrar à Direcção que eram necessários reforços e a partida terminaria com uma derrota, um empate ou uma vitória tirada a ferros, tudo muito carpido e de modo a manter os adeptos permanentemente ligados ao desfibrilador. Nesse tempo, futebol era sinónimo de condicionamento e não de golo, e os artistas eram os treinadores e não os jogadores. O futebol como anti-futebol.

 

Algo mudou em Alvalade, pois Marcel Keizer na preparação do jogo começou a ganhá-lo e a conquistar os jovens que teve ao seu dispôr. Ele pediu-lhes que mostrassem que podiam ser opção e eles corresponderam, mostrando grande atitude. E, pormenor importante, num jogo europeu, terminámos o encontro com 6 jogadores made-in Alcochete, tudo isto sem sofrermos qualquer golo. Mantendo apenas Coates, Acuña e Bruno Fernandes na equipa inicial, o Sporting mostrou desde o início a qualidade do seu jogo interior. Miguel Luís e Bruno Fernandes iam trocando sistemáticamente de posição e baralhando as marcações do Vorskla, sempre com o apoio por dentro de um dos alas e com os laterais em simultâneo a darem profundidade e, com isso, a deslocarem adversários do centro do terreno. O maiato, hoje capitão, foi o maestro que pautou o compasso de todo o jogo dos leões: de calcanhar, começou por isolar Miguel Luís na cara do guarda-redes ucraniano para mais tarde servir Acuña no lance em que Montero inaugurou o marcador; depois, em jogada iniciada por uma recepção de bola prodigiosa de "El Avioncito", tabelou com Mané e ofereceu de bandeja para Miguel Luís concretizar; a finalizar a primeira parte, recebeu de Jovane e colocou na dividida entre Montero e Dallku para o terceiro da noite; já no segundo tempo, e imediatamente antes de ter sido poupado a mais esforço, brindou-nos a todos com uma roleta russa digna de causar um traumatismo ucraniano aos dois oponentes com quem dividiu o lance. 

 

Não se pense que o Sporting foi só o seu maestro. Já depois deste sair, a orquestra continuou a tocar boa música até ao fim, com destaque para Petrovic e os jovens Thierry Correia, Jovane Cabral e Pedro Marques, este último por duas vezes, os quais tiveram nos pés e na cabeça oportunidades para dilatarem o marcador, sinal de que hoje em dia os espectáculos são entendidos como longas-metragens e não como festivais de curtas. Para além destes, cumpre realçar o bom jogo de pés de Salin, a raça de Acuña (por vezes a complicar o que torna fácil), os desdobramentos de Miguel Luís e a classe e inteligência de Montero, hoje saído prematuramente dado o infortúnio de uma lesão no tornozelo. Bons pormenores também de Bruno Paz, na condução de bola e passe. Uma última menção para a diagonal para a área protagonizada por Pedro Marques nos últimos minutos do encontro, com dois adversários em cima, que não está seguramente ao alcance de muitos. Ficou-me na retina, até por não ser rotina (vêr esse tipo de movimento).

 

Respira-se um óptimo ar no balneário do Sporting e nota-se que os jogadores desfrutam em campo, sinal de que já foram conquistados pelos métodos de Keizer. Há uma cultura em que todos são importantes e cada jogo é valorizado e visto como uma oportunidade para quem joga menos. A vontade com que os miúdos entraram em campo mostrou à saciedade que sentem que o treinador conta com eles e que não estão a ser usados como uma chiclete que se prova, mastiga e deita fora (sem demora).

 

Não deixa de ser curioso que na quadra natalícia se esteja a assistir ao nascimento de um novo Sporting. Em época de Jesus (Cristo, não o "Lawrence" das Arábias), o protagonista desta mudança de paradigma é Marcel Keizer, o nosso Mona Lisa. Onde outros viam ameaças ou pediam meses, ele vê oportunidades e não perde tempo com vaidades ou minudências. A arte de transformar o complexo em simples é um dom só ao alcance de poucos e requer apurada inteligência. Keizer tem-na. Podemos nem ganhar o campeonato, mas a satisfação que hoje tiramos ao vêr um jogo do nosso clube mostra à evidência que o holandês foi o presente antecipado que o Pai Natal verde (o original, não o da Coca-Cola) nos colocou este Natal no sapatinho. Há 20 golos, 20 razões que justificam esta afirmação.

Então, até à próxima! (que agora vou tomar uma "túlipa".)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

vorskla liga europa.jpg

Vitória na Liga Europa

Bom, só isso já seria bom. Uma vitória que vale pontos e algumas centenas (?) de euros.

Mas foi uma vitória com um misto de titulares e suplentes, dando descanso a outros titulares que muito bem precisam, e que na segunda parte serviu também para lançar três jovens dos sub-23.

Por isso mesmo, não foi bom, foi óptimo.

Resultado à parte, se calhar o melhor seria tirar conclusões para o futuro próximo da nossa equipa, começando pelas piores:

- Más - Mais uma lesão, e logo do Montero. Que surgiu do nada, quando o jogador estava cheio de energia e moral pelos 1,5 golos marcados. Quantos meses ?

- Medíocres - Nenhumas, não se pode dizer que algum jogador tivesse desiludido. Mesmo Mané fez uma péssima primeira parte mas na segunda já fez as pazes consigo mesmo.

- Boas - Os três jovens lançados, em especial Bruno Paz, um belo transportador de jogo. Thierry tem que entender que se quer ser defesa direito tem de mudar o chip. Para passador já temos o Jefferson. Pedro Marques a verdade é que já o vi várias vezes e não me seduz, mas os pontas de lança amadurecem mais lentamente que os demais. 

- Óptimas - Encontrado o substituto de Wendel no imediato, o novo Adrien Silva do Sporting, chama-se Miguel Luís. Não perde uma bola, não falha um passe, e ainda consegue ter presença na área e marcar golos. Pedir mais o quê ? Agora é ganhar quilómetros...

Além disso, Keizer continua a escolher uma equipa que faz sentido para o momento actual, consegue replicar nela o modelo de jogo da equipa titular e também fazer substituições lógicas e no tempo certo. Que se pode pedir mais ?

Por mim, fico (muito) satisfeito.

SL

 

Quente & frio

Gostei muito do sexto jogo consecutivo do Sporting a ganhar - e oitavo sem perder. Foi esta noite, em Alvalade. Vencemos por 3-0 o Vorskla, que lá tínhamos derrotado por 2-1. Desta vez com golos de Montero e Miguel Luís, além de um autogolo de um defesa ucraniano. Seguimos em frente na Liga Europa, como já estava decidido antes desta partida, o que não impediu que tivéssemos desenvolvido uma toada ofensiva que certamente agradou a todos os adeptos, designadamente na primeira parte. Marcel Keizer continua a conseguir não apenas vitórias folgadas mas também boas exibições como técnico leonino: conduziu a equipa a cinco triunfos em cinco desafios - quatro dos quais por goleada. Com ele ao leme, o Sporting leva 20 golos marcados e apenas quatro sofridos. Imensa satisfação deu-me também hoje a estreia de Pedro Marques e Bruno Paz na equipa principal  - este último, sobretudo, causou excelente impressão. Nota importante: terminámos a partida com seis jogadores da formação, cinco deles sub-23: Miguel Luís, Jovane, Carlos Mané e Thierry Correia, além de Pedro e Bruno Paz. O futuro está assegurado.

 

Gostei  que aos 17' já estivéssemos a vencer, com um golo de Montero. O colombiano também teve participação no segundo, com uma recuperação que denotou mestria técnica e fez uma movimentação quase à boca da baliza, crucial para o terceiro. Considero-o o homem do jogo. Seguido de perto por Bruno Fernandes, que inicia a jogada do primeiro golo, assiste para o segundo e cruza para o terceiro. Grande exibição também de Miguel Luís, que se estreou a marcar pela equipa principal, apontando o segundo, aos 35'. Destaque ainda para Carlos Mané, titular na ponta direita e participante na construção dos nossos três golos.

 

Gostei pouco que não houvesse golos na segunda parte. A vitória foi construída no primeiro tempo e na etapa complementar limitámo-nos a gerir o esforço, com Keizer a fazer entrar Pedro Marques (aos 59') para o lugar de Montero, Thierry (aos 64') para o lugar de Ristovski e Bruno Paz (aos 73') para o lugar de Bruno Fernandes, hoje o capitão por ausência de Nani, que ficou a descansar (depois ficou Coates com a braçadeira). Também Mathieu, Gudelj, Diaby e Bas Dost foram poupados, já a pensar no desafio de domingo para o campeonato, em casa, frente ao Nacional.

 

Não gostei da lesão de Montero. O colombiano magoou-se e acabou por abandonar o campo transportado de maca, sob uma chuva de aplausos do adeptos. Justos e calorosos aplausos a um dos elementos de maior qualidade técnica do plantel leonino.

 

Não gostei nada de ver só 25.504 pessoas a acompanhar este desafio em Alvalade. Esta equipa do Sporting merece ter mais gente a incentivá-la nas bancadas. Ver quase vazia a zona do estádio que costuma estar reservada à Juventude Leonina é ainda mais desolador. Como se este grupo de adeptos, que tem por obrigação apoiar a equipa, estivesse a fazer uma espécie de greve. Com "apoiantes" destes bem podemos dispensar tal claque.

Pódio: Bruno Fernandes, Wendel, Diaby

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Qarabag-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 20

Wendel: 20

Diaby: 18

Nani: 18

Gudelj: 18

Jovane: 16

Bas Dost: 15

André Pinto: 15

Coates: 15

Renan: 15

Jefferson: 14

Bruno Gaspar: 13

Thierry: 12

Carlos Mané: 7

 

O RecordA Bola elegeram  Bruno Fernandes  como melhor em campo. O Jogo optou por  Wendel.

Armas e viscondes assinalados: O azar dos azeris veio à meia-dúzia de Alvalade

Qarabag 1 - Sporting 6

Liga Europa - 5.ª Jornada

29 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Nem no Azerbaijão se livrou de sofrer um golo sem ter grande culpa disso. Depois de ter as redes arrombadas, com o Qarabag a repor a igualdade que pouco tempo durou, pôs trancas à porta da grande área, de onde saiu em duas ocasiões, e com grande estilo, para travar ataques da equipa da casa. Mesmo assim, e apesar de ser um espectador pouco participante na maior parte do jogo, quase sofreu um segundo golo que só não existiu devido à rapidez de raciocínio e de execução demonstrada por Bruno Fernandes. É possível que o brasileiro emprestado pelo Estoril-Praia seja um guarda-redes à altura do Sporting, mas raramente tem oportunidades para o provar.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Começou em grande, fazendo o cruzamento que Bas Dost transformou no lance do pénalti que abriu o marcador, mas ficou marcado pelo lance do golo do Qarabag, no qual nada pôde fazer contra dois adversários que apareceram sozinhos na grande área. Primou pela mediania esforçada e pela ausência de novos cruzamentos, voltando a mostrar que o Sporting tem um problema na direita tanto grande quanto as sondagens do PSD.

 

Coates (3,5)

Habituado a ser o patrão da defesa leonina, patrão continuou a milhares de quilómetros de Lisboa. Começou por resolver todos os problemas aéreos e terrestres na sua área de intervenção, mas com o passar do tempo integrou-se cada vez mais no ataque. Só lhe faltou o golo que deveras mereceria.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a interpretar na perfeição o papel de suplente de Mathieu. O central português é o mais próximo de um bom ‘understudy’ da Broadway que se pode encontrar nos relvados, pois raramente ou nunca desilude quem nunca pagaria bilhete para o ver jogar. Assim voltou a fazer e os azeris foram postos em respeito.

 

Jefferson (2,0)

Todas as boas indicações deixadas no jogo anterior, aquele em que fez duas assistências para golos de Bas Dost, não chegaram a embarcar no avião que transportou a comitiva leonina. Inofensivo no ataque, e incapaz de fazer um cruzamento que fosse, o brasileiro só não foi pior porque não comprometeu por aí além nas missões defensivas. Felizmente haverá Acuña ao luar de Vila do Conde na segunda-feira.

 

Gudelj (3,5)

Começou o jogo algo manietado pelos jogadores do Qarabag, incapaz de participar na construção do ataque. Mas depressa se impôs na floresta do meio-campo e foi um dos intérpretes da nova filosofia de jogo que Marcel Keizer veio trazer ao Sporting. Outro ponto positivo: num festival de cartões amarelos, em que os azeris foram admoestados a torto e a direito, escapou incólume.

 

Wendel (4,0)

Outro que demorou alguns minutos a encontrar o seu lugar no relvado, até porque jogar ao primeiro toque é mais complicado do que o futebol mastigado e contemplativo dos tempos do outro senhor. Quando encontrou o lugar trouxe ilimitado azar aos azeris, acumulando assistências para golo e contribuindo de todas as formas para um resultado que poderia ser ainda mais impressionante se não tivesse cabeceado de olhos fechados, mesmo em frente da baliza, de uma forma equivalente à do célebre e infausto falhanço de Bryan Ruiz.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tranquilizou as hostes com o remate de meia-distância que resultou no 1-2, contando com força, colocação, ressalto na relva e alguma ajuda do guarda-redes. Déspota iluminado do meio-campo ofensivo, combinou com os colegas de um modo que merece nota artística elevada, e bisou na segunda parte, numa desmarcação rápida e decidida ao passe de Wendel. É verdade que foi o único sportinguista amarelado, mas compensou-o ao chutar para longe a bola que ameaçava reduzir a desvantagem do Qarabag para 2-3.

 

Nani (4,0)

Venceu em drible e velocidade metade da equipa da casa para fazer um golo espantoso e claramente merecedor de ser comemorado com o salto mortal que deve provocar calafrios às seguradoras. Antes disso já se fazia notar pela forma como recuava no relvado para construir jogadas. Saiu alguns minutos antes para a ovação dos poucos adeptos leoninos sentados numas bancadas que também não tinham muito mais adeptos do Qarabag.

 

Diaby (3,5)

Encaminhava-se para mais um festival de inconseguimentos, embora tivesse participado na jogada que deu origem ao primeiro golo, oscilando entre perdas de bola e falhas de cobertura (a mais flagrante conduziu ao golo do empate), mas não só voltou a marcar um golo como, já depois de passar a referência atacante para o descanso de Bas Dost, ainda sucedeu que bisasse. 

 

Bas Dost (3,5)

Não muito distante do Azerbaijão, Jorge Jesus também decerto exclamou ter sido ele a ensinar o holandês a dominar a bola como dominou, forçando um adversário a derrubá-lo, e a marcar o penálti com uma perfeição maquinal. Não satisfeito com isso, o ponta de lança voltou a empenhar-se nas combinações com os colegas, compensando a falta de novas oportunidades de golo provocada pela ausência de cruzamentos dos desinspirados laterais. Teve direito a descanso antecipado, pois na segunda-feira há três pontos para amealhar frente ao Rio Ave.

 

Jovane Cabral (3,0)

Chegou, viu e assistiu para golo. Wendel desperdiçou um cruzamento perfeito, mas Diaby mostrou ser bem-agradecido e facturou. Pena que tenha entrado para o lugar de Bas Dost, pois o holandês teria finalmente quem lhe colocasse bolas na cabeça. Pena também que numa belíssima jogada individual não tenha rematado melhor.

 

Thierry Correia (2,0)

Teve direito à estreia na equipa principal e, sem nunca deslumbrar, esteve à altura da responsabilidade e não destoou do substituído Bruno Gaspar - o que também não é dizer assim tanto. Se o campeão europeu de sub-17 e sub-19 se consciencializar que é o elemento dos sub-23 para quem as circunstâncias do plantel do Sporting são mais favoráveis, tudo terá para ser um caso sério.

 

Carlos Mané (2,0)

Já passava dos 90 minutos quando fez uma arrancada pelo meio-campo adversário que fez recordar as esperanças que nele depositavam antes do advento de Jesus, do exílio alemão e das lesões recorrentes. Foi pena não ter um pouco mais de energia.

 

Marcel Keizer (4,5)

Disse que o Sporting não fez o jogo perfeito, ainda que a goleada à antiga, tão grande quanto as maiores da Europa, e a exibição muito bem conseguida tenham sido uma boa aproximação. Parece evidente que os jogadores estão a assimilar bem as suas ideias, algo que não deixa de ser verdadeiro só por soar ao pior tipo de futebolês. E se conseguir solucionar os problemas laterais do Sporting poderá ser um caso sério.

Tangerina Mecânica

Os mais antigos provavelmente se lembrarão da grande selecção holandesa que liderada por Rinus Michels e com Cruyff chegou à final do Mundial de 1974 e que contava com um tal Piet Keizer como defesa esquerdo, e da alcunha que receberam de Laranja Mecânica inspirada por um célebre filme de Kubrick que vi maravilhado no cinema Império quando ainda não tinha idade para ver tal coisa.

Bom, veio das Arábias um sobrinho (?) do tal defesa esquerdo, e se não temos nada parecido com o futebol total daquela selecção, temos pelo menos qualquer coisa que começa a dar resultados e que rompe completamente com o que tem sido o futebol do Sporting nos últimos anos. Vemos um futebol apoiado, estruturado num 4-3-3 dinâmico, em progressão em um dois toques, com a baliza nos olhos, a aproveitar todo o campo, perde a bola e recupera em 5 segundos ou faz falta, recua para atrair o adversário e progredir depressa, enfim um conjunto de bons princípios a que os jogadores aderiram, e, não falando nos consagrados, vemos coisas que nunca vimos antes, Wendel a desabrochar, Gudelj e Diaby a justificar porque vieram, Coates a fazer passes frontais como nunca o vi fazer, Renan a fazer de libero com critério, etc...

Obviamente estes dois jogos foram de preparação da equipa com este novo modelo para o resto da época, os adversários revelaram-se fáceis de lidar, o modelo tem fraquezas evidentes que os adversários podem explorar, a começar na transição defensiva quando a equipa perde a bola na zona central com muita gente subida no terreno, e tambem pelo esforço pedido aos  extremos para ajudarem os laterais no processo defensivo (já se tinha visto em Londres Diaby completamente alheado dessas tarefas, e hoje isso foi evidente no golo sofrido), mas francamente gostei e estou à espera de mais. 

E se não chegarmos a ser Laranja Mecânica, pelo menos que consigamos ser uma Tangerina, com um futebol atractivo conjugando mecanização com criatividade, que contribua para unir a desunida massa adepta e que nos conduza a patamares que não pensávamos possíveis.

SL

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