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És a nossa Fé!

Todas as esperanças continuam intactas

Acorremos trinta mil a Alvalade, na amena noite de ontem, para incentivar a equipa na estreia internacional de Frederico Varandas como presidente e de José Peseiro neste regresso ao comando técnico do Sporting. O treinador não pode queixar-se da sorte: aceitou voltar num dos piores momentos de sempre da história leonina, com um plantel em cacos, mas até agora tem sido recompensado. Seis jogos depois, para três competições, mantemos a equipa invicta, com apenas um empate (na Luz), a ligação aos adeptos vai-se reforçando e a qualidade exibicional aumenta de jogo para jogo.

Ontem, na recepção ao Qarabag (do Azerbaijão, que na época passada impôs um empate ao Atlético em Madrid), tivemos talvez a melhor exibição da temporada até ao momento. Com a deslocação de Acuña para lateral esquerdo (Jefferson foi remetido para a bancada e Lumor não está nos planos do técnico), e o reforço Gudelj em estreia como titular, a equipa foi sempre compacta e revelou dinâmica ofensiva explorando o ataque de forma criativa para compensar a ausência do ainda lesionado Bas Dost (Montero, o mais avançado no terreno, não é jogador de último toque, como o holandês).

O golo inaugural surgiu tardio, só aos 54', mas já se adivinhava no primeiro tempo. E podia mesmo ter acontecido aos 40', quando o guardião Vagner, revelando bons reflexos, travou um toque de calcanhar de Montero, muito bem servido por Mathieu. O colombiano viria a protagonizar o mais brilhante momento do desafio, aos 88', com um túnel na ala esquerda que originou o golo da confirmação, por Jovane, aos 88'. Antes, aos 54', Nani assinou um cruzamento perfeito para Raphinha a meter lá dentro. 

Saímos satisfeitos de Alvalade nesta estreia na fase de grupos da Liga Europa: todas as esperanças continuam intactas.

 

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SINAL VERDE

SALIN. Temos titular na baliza leonina? Claro. Quem diria que o eterno suplente de Rui Patrício iria destacar-se assim nesta nova época, semanas após o seu nome ter figurado na lista dos dispensáveis? Ontem não teve muito trabalho, mas revelou atenção redobrada a corrigir os erros de dois colegas, Coates e Gudelj, em comprometedoras perdas de bola.

ACUÑA. Enfim adaptado a lateral esquerdo, rendendo Jefferson, cumpriu a missão que o técnico lhe confiou. Sem nunca descurar a manobra ofensiva. Jamais desiste de um lance: esta é uma das suas características mais úteis para a equipa. Coube-lhe o lançamento em profundidade a que Montero deu sequência, estando assim na origem do segundo golo.

RAPHINHA. O dínamo da equipa. Ninguém como ele a criar desequilíbrios no último terço do terreno e a sacudir o jogo quando parece entorpecido. Esteve nos dois golos: no primeiro, a acompanhar o movimento lateral de Nani, adivinhando-lhe o cruzamento; no segundo, ao assistir Jovane. Chegou há pouco e já se tornou imprescindível. Ontem foi o melhor em campo.

MONTERO. Já exasperava o exigente "tribunal" de Alvalade, naquele seu estilo de só parecer esforçar-se quando tem mesmo de ser, quando protagonizou o melhor momento da noite, ao ganhar uma bola que parecia impossível, desembaraçar-se do lateral direito adversário, a quem fez um túnel de calcanhar, e servir Raphinha, construindo assim o segundo golo. 

NANI. Maturidade e visão de jogo, compensando a transbordante energia de outros tempos. Assumiu-se como patrão da equipa, como ala em constantes diagonais para o miolo do terreno. Numa das suas incursões atacantes, do lado direito, serviu Raphinha com um míssil teleguiado para o primeiro golo, que fez levantar o estádio. Ovacionado de pé ao sair, aos 87'.

MATHIEU. Poucos jogadores mereceram tanto esta vitória na Liga Europa como ele. Competente não apenas nas acções defensivas, mas também ao lançar ataques - num deles, aos 40', actuou como um extremo e serviu Montero para um golo que o colombiano desperdiçou. Sentiu uma dor muscular aos 75', o que forçou a sua saída, visivelmente decepcionado.

JOVANE. Quinto jogo em que intervém, quinto jogo em que revela influência no resultado. Sempre pela positiva. Desta vez excedeu-se a si próprio: entrou aos 87' e no minuto seguinte já marcava o golo que tranquilizou enfim os 30 mil adeptos presentes em Alvalade. É o talismã da equipa: Peseiro deve apostar cada vez mais nele.

 

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SINAL AMARELO

COATES. É um dos esteios da equipa, ninguém duvida. Mas tem falhas de concentração que o levam a pôr em risco a solidez do nosso bloco defensivo. Causou um monumental calafrio aos 10' ao entregar a bola a um adversário, em posição frontal para o remate. Não voltou a cometer deslizes, mas também não esteve nas suas melhores noites.

GUDELJ. Será o médio defensivo de que o Sporting tanto necessita desde a saída de William? Mantém-se a incógnita após esta sua estreia a titular, fazendo inicialmente dupla barreira à frente da defesa com Battaglia. Tem sentido posicional e algum recorte técnico, mas lapsos como o que demonstrou aos 56', perdendo a bola em zona proibida, podem ser fatais.

BATTAGLIA. Veio confiante da estreia na selecção argentina e tem-se revelado um pilar do onze titular leonino. Na primeira parte, com acção algo redundante ao pisar o mesmo terreno que Gudelj. Subiu de rendimento ao avançar para 8 clássico, mas revelou-se sempre mais eficaz na recuperação do que no transporte da bola, complicando por vezes sem necessidade.

BRUNO FERNANDES. O que de melhor fez, em todo o jogo, foi um bom passe que deu origem à corrida de Nani pelo flanco direito a culminar no primeiro golo. Pareceu sempre demasiado errante: gesticula muito, protesta em demasia, por vezes chuta para onde está virado, apoia a linha defensiva quando é preciso. Algo caótico, sem a influência que revelou na época passada. 

ANDRÉ PINTO. Só esteve um quarto de hora em campo. Não deslumbrou, ao contrário de Mathieu. Mas também não comprometeu. É um jogador útil, o que já constitui suficiente elogio.

DIABY. Estreou-se de verde e branco, já no tempo extra. Não deu para tirar qualquer conclusão.

 

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SINAL VERMELHO

RISTOVSKI. Com Jefferson desta vez remetido para a bancada, coube ao internacional macedónio o papel do patinho feio de verde e branco. Corre muito, esforça-se bastante, mas por vezes parece esquecer-se por completo de que o seu principal dever no onze titular é defender. Foi ultrapassado em lances que poderiam ter levado perigo à nossa baliza. Também deve melhorar no capítulo dos cruzamentos: é isso que se exige a um lateral de uma grande equipa.

Armas e viscondes assinalados: O azeri só bateu à porta de Mathieu

Sporting 2 - Qarabag 0

Liga Europa - Fase de Grupos 1.ª Jornada

20 de Setembro de 2018

 

Salin (3,5)

Passam os jogos e o francês insiste em não dar motivos para a perda da titularidade acidental, conquistada no aquecimento para o primeiro jogo da temporada. Sendo verdade que os azeris aparentam guardar a agressividade para os arménios, erros surrealistas de colegas deram origem a ocasiões de golo para o Qarabag que permitiram a Salin cumprir a quota necessária de defesas providenciais. Segue-se novo teste de fogo em Braga, na próxima segunda-feira.

 

Ristovski (3,5)

Integrou-se bem no ataque e nas missões defensivas não se deixou abater pela perda de titularidade de Jefferson, que está mais ou menos para si como Rui Rio está para António Costa. Esteve perto de marcar em duas ocasiões: primeiro ao obrigar o guarda-redes a desviar para canto a bola que lhe sobrou no ressalto de um remate de Bruno Fernandes e depois através de um cabeceamento no coração da grande área. Dir-se-ia que o lateral-direito ficou a centímetros de igualar um certo Alexandre como o maior macedónio de todos os tempos.

 

Coates (3,0)

Várias falhas no início da partida, uma das quais esteve quase a adiantar os visitantes, criaram a ideia nas bancadas que entrara em campo o gémeo menos talentoso do gigante uruguaio. Com o avançar do cronómetro retomou o indicador de confiança, mas é aconselhável que tome vitaminas: se a nova lesão de Mathieu for grave arrisca-se a não ter descanso até Maio de 2019.

 

Mathieu (4,0)

Jacques Brel, que era belga (embora não tivesse um apelido típico do país plano, assim como Lukaku, Nainggolan ou Fellaini), escreveu uma canção chamada ‘Mathilde’, acerca do regresso de uma mulher fatal. Também a vinda de Jeremy Mathieu a Alvalade levou os adeptos a trautearam belas melodias, pese embora o central francês não tenha chegado a ser letal para os visitantes. Mas não por falta de tentativa, pois Mathieu testou o guarda-redes num livre directo, rematou (bem) e cabeceou (mal) em jogadas consecutivas, e até fez uma assistência para Montero que deveria, havendo justiça antes daquela que nos esperará no reino dos céus, contar para as estatísticas apesar de não ter sido concretizada pelo colombiano, alegadamente em posição irregular. Sucederam-se ainda as antecipações em velocidade aos esforçados avançados azeis, os passes para colegas a 30 ou 40 metros e toda a classe que tornou ainda mais doloroso aquele momento em que caiu à relva para ser substituído. 

 

Acuña (4,0)

Cumpriram-se as profecias e ocupou a posição em campo que lhe permite integrae uma selecção onde por vezes passa Messi. Do retrato do artista enquanto lateral-esquerdo constam o perfeito timing no desarme de adversários, só comparável à dificuldade que estes demonstraram na hora de tentar tirar-lhe a bola. E a técnica de quem sabe muito bem tratar a bola - e tem energia para tratá-la a noite inteira.

 

Battaglia (3,5)

Nunca seria escolhido para prémios de simpatia se o colégio eleitoral fosse constituído por aqueles que encontra no meio-campo. Voltou a especializar-se na resolução de problemas por meios vigorosos, lamentando-se apenas alguns inconseguimentos nos contra-ataques. Particularmente notória a falha que transformou em pontapé de baliza aquilo que dava ares de ser o 3-0.

 

Gudelj (3,0)

Noventa e tal minutos em campo sem uma única roleta marselhesa - ou então, caso não quisesse repetir a homenagem a Zidane, uma mão de Deus ao estilo de Maradona? Assim foi a titularidade do sérvio, capaz de oferecer poder de choque mas também autor de um episódio de diletantismo com bola que garantiu a maior ocasião de perigo do Qarabag na segunda parte.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Mais uma vez encheu o relvado com jogadas de fino recorte, mantendo-se na retina uma arrancada pela direita com cruzamento que merecia cabeça mais rotinada nesse ofício do que a de Ristovski. Que o regresso aos golos-bomba ocorra já em Braga é o que todos os sportinguistas auguram...

 

Nani (4,0)

A assistência de longa distância que permitiu a Raphinha inaugurar o marcador merece uma sala no Museu do Sporting. Mas não se esgota nesse instante de génio o mérito do capitão, ovacionado aquando da substituição por outro cabo-verdiano de elevadíssimo potencial.

 

Raphinha (4,0)

Limitou-se a estar no sítio certo para encostar a assistência de Nani para o fundo das redes, limitou-se a estar no sítio certo para receber a bola de Montero e encaminhá-la para o ponto da grande área do Qarabag para onde Jovane Cabral se dirigia a alta velocidade. Se o extremo brasileiro continuar assim é possível que, no limite, chegue mesmo à selecção brasileira.

 

Montero (3,5)

Mantém a seca de golos como alguns religiosos prescindem disto ou daquilo ao fazerem os votos. Só assim se explica o artístico toque de calcanhar com que testou os reflexos do guarda-redes adversário, pois o passe de Mathieu o deixou completamente isolado junto à linha de golo, valendo-lhe a bandeirinha levantado do árbitro assistente para o escândalo não ser maior. Mais cintilante foi o colombiano na construção de jogo, esmerando-se aquando de costas para a baliza. E superlativo se mostrou ao servir-se de uma bola sinalizada pela Comissão de Protecção de Esféricos, abandonada junto a uma bandeirola de canto, para fazer um túnel ao defesa azeri que deu origem ao tardio e desejado 2-0.

 

André Pinto (3,0)

Voltou ao relvado para o lugar do neolesionado Mathieu, mostrando-se um central de confiança que joga seguro e, sem ser um ex-Barcelona, serve de barreira à entrada de Marcelo ou Petrovic para o eixo defensivo.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser um talismã é... saltar do banco aos 87 minutos e marcar um golo no minuto seguinte. Talvez para disfarçar, o jovem que não recorre às redes sociais quando espoliado da titularidade fez alguns disparates, incompreensíveis mas sem consequências de maior. Contam-se os segundos até alguém registar a expressão “15 minutos à Jovane”.

 

Diaby (2,0)

Voltou a somar minutos, embora cheguem os dedos das mãos para a operação matemática. Chamado para refrescar o ataque, com o resultado final feito e o tempo de compensação a contar, o renomado velocista pouco mais fez além de atrapalhar-se (e a Raphinha) num contra-ataque.

 

José Peseiro (3,5)

Nunca se cansa de salientar que o Sporting joga cada vez melhor e os factos não o desmentem. Resistiu a poupanças em vésperas de uma deslocação difícil a Braga, colocando em campo o onze tipo (menos Bas Dost) e pouco há a apontar tirando alguma hesitação nas substituições. Algo que não deixa de ser compreensível, pois a entrada de Jovane Cabral é o tipo de decisão que implica a saída de Nani ou de Raphinha.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Cara baga?

O jogo iniciou-se à hora do jantar e o primeiro prato não deixou grandes recordações. O Sporting apresentou-se em campo com Gudelj a formar com Battaglia o tão odiado (não estão em causa os jogadores) duplo-pivô de meio campo - Bruno Fernandes adianta-se para pressionar a saída de bola e fica um buraco no centro do terreno, onde os adversários jogam à vontade - e Acuña no lugar habitualmente ocupado por Jefferson, este último facto saudado pelos adeptos presentes no estádio como se o referendo popular tivesse finalmente vencido. De regresso esteve Ristovski, o qual continua a entrecortar grande voluntarismo com uma recepção orientada de bola digna dos distritais. Apesar do controlo das operações por parte dos leões, os azeris foram conseguindo neutralizar o perigo junto da sua área, inclusivamente quase marcando após uma desatenção de Coates, o nosso Ministro da Defesa, que em cada edição da Liga Europa vai demonstrando propensão para o hara-kiri. Do nosso lado, de real perigo, apenas de destacar uma brilhante incursão de Mathieu, que investido de ala esquerdo picou a bola sobre um defesa e foi buscá-la à frente, concluída com um habilidoso toque de calcanhar de Montero que quase surpreendia o nosso velho conhecido Vagner (ex-Boavista e Estoril). Depois de muita parra e pouca uva, foi preciso esperar pela sobremesa para que a equipa leonina pudesse saborear uma primeira baga azeri. Um fruto pequeno para tanta lavoura, mas ainda assim suficiente para deixar um travo doce na boca de jogadores e espectadores: Bruno Fernandes caminhou frontalmente à baliza, abriu na direita para Nani e este tirou um centro rasteiro, com uma curva geométrica tão perfeita (para o segundo poste) que Gauss teria usado para enunciar o seu teorema da curvatura das superfícies. Raphinha empurrou para as redes. 

 

Com o golo, o Sporting tomou definitivamente o controlo das operações, algo só fugazmente colocado em causa quando Gudelj tentou imitar Coates e ofereceu um golo de bandeja aos azeris. Valeu, nesta e na outra ocasião, o guarda-redes Salin. À medida que o sérvio ia declinando fisicamente, mais aparecia Battaglia. Batman, o vigilante de Alvalade City, foi enorme nesta fase, recuperando inúmeras bolas e logo avançando para o ataque. Pena que o seu tempo de passe tenha um fuso horário diferente do resto da equipa... Começando na direita, Raphinha acabou por ser decisivo pela esquerda. Após ter marcado o primeiro golo, assistiu primorosamente o talismã Jovane para o segundo e último da noite. Destaque para a recuperação de bola e o túnel de calcanhar que Montero aplicou ao defesa azeri, no início da jogada. 

 

No Sporting, Raphinha - o seu "ph" causa tanta acidez nos adversários que se recomenda uma ida à pharmácia - e "Muttley" Acuña estiveram muito bem. O argentino foi imperial em terrenos mais recuados e mostrou a garra habitual que o fez subir amiúde no terreno. Além disso, variou muito mais do que Jefferson as acções pelo flanco esquerdo, nomeadamente procurando combinações e jogo interior, em detrimento de centros à toa para uma grande área habitualmente muito pouco povoada de jogadores leoninos. Bem, estiveram Battaglia (um Exterminador Implacável, mesmo com o tal "passe com jet lag"), Bruno Fernandes - aquele túnel que sofreu foi algo tão anti-natura que fez lembrar aquele antigo anúncio do Restaurador Olex - e Nani, embora este, esgotado fisicamente, devesse ter saído mais cedo, à semelhança de Gudelj (fez os 90 minutos). O sérvio impôs-se nos primeiros 15 minutos, mas depois foi caindo. Montero, pelas movimentações e participação no segundo golo, Jovane por ter protagonizado mais um momento decisivo (dois minutos após ter entrado em campo) - leva dois golos, uma assistência, dois penáltis sofridos e uma outra participação em golo em apenas 149 minutos jogados(!!) - e Mathieu também merecem realce. Pena que o gaulês tenha abandonado o terreno de jogo por lesão, o que presumivelmente o afastará do jogo em Braga. Saiu cara a baga extraída da equipa (Qarabag) que vinha do Azerbeijão...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Raphinha (sempre entre os melhores nos últimos 3 jogos)

 

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O futuro está na Bancada B

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Mal se conseguem ver na fotografia, mas à minha frente estão dezenas de jogadores dos escalões de formação do Sporting. Reconheço alguns dos iniciados e outros que estão nos juvenis, diria que também há mais novos e aos maus velhos reservaram lugares mais perto do relvado.

 

Que uns quantos de entre eles possam numa noite destas estar em campo, e que nós possamos estar nas bancadas a aplaudi-los, são os meus votos.

Estes três

Três jogadores do Sporting figuram na "equipa da semana" da Liga da Europa: Coates, Montero e Rui Patrício. O colombiano, porque marcou o golo da nossa vitória em Alvalade frente ao Atlético de Madrid. O uruguaio, porque cortou tudo quanto havia para cortar e ainda proporcionou a Oblak a defesa da noite, na sequência de um cabeceamento forte e muito bem colocado. O nosso guardião, porque tornou Griezmann num anão enquanto ele se agigantava ainda mais na baliza leonina.

Precisamos de mais jogos como este. Muitos mais.

Pódio: Gelson Martins, Acuña, Battaglia

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Atlético de Madrid pelos três diários desportivos:

 

Gelson Martins: 19

Acuña: 18

Battaglia: 18

Montero: 18

Bruno Fernandes: 18

Rui Patrício: 18

Ristovski: 17

Coates: 17

Petrovic: 15

Bryan Ruiz: 15

André Pinto: 15 

Mathieu: 12

Rúben Ribeiro: 9

Doumbia: 6

 

A Bola elegeu Battaglia como melhor jogador em campo. O Record optou por Montero. O Jogo escolheu Gelson Martins.

Que sei eu disto, e no entanto...

Muitas horas depois, ainda não decidi se gostei ou se não gostei da exibição de ontem. O jogo, em especial a primeira parte, demonstra que todos – jogadores e equipa técnica – têm em si a capacidade de fazer incrivelmente melhor do que fizeram em Braga e noutros campos onde acabamos por perder pontos. Também demonstra que quando somos o underdog (o não favorito), nos superamos. Ora uma equipa que quer ser campeã, nunca é por definição o underdog.  
Muito orgulho na nossa equipa e nos nossos adeptos e na comunhão entre todos, mas gostaria de ver estas exibições de vontade em todos os jogos e não apenas quando o adversário motiva, dá visibilidade noutros mercados e estímulo extra.

Entre o Atlético e o Belenenses

A dolorosa eliminação face ao Atlético  (entregou-se o ouro ao bandido, lá no primeiro jogo) deixa algumas dúvidas e outras tantas certezas. Dúvidas? O título nacional é quase impossível. Há sempre, todos os anos, o lamento com derrotas diante de alguns dos últimos (este ano o colapso no Estoril) e empates caseiros (com equipas fechadinhas). Mas isso "faz parte". O que não consigo perceber é como a equipa que joga desta forma com a Juventus e o Atlético de Madrid (neste segundo jogo) se amarfanha diante dos tão mais acessíveis Porto, Benfica (assim, com maiúscula) e Braga. Que lhes dá? E foi esse défice que custou (custará) o campeonato deste ano. A segunda dúvida é simples: muito provavelmente não haverá Liga dos Campeões para o ano. Vão sair jogadores cruciais (William?, Bruno Fernandes?). Haverá dinheiro para os substituir? E tem havido olheiros para reencontrar Acuñas ou Piccinis? Ou irá o clube atafulhar-se, ainda para mais sob crise directiva, de Ruben Ribeiros ou Ruizes? Certezas para o ano há-as, ao invés do que muitos dizem há anos: Jesus (fique ou não) liga (à) Europa; as "invenções" tácticas de Jesus (fique ou não) nem sempre são borregadas; o plantel deste ano não é mau de todo (Ruben Ribeiro à parte, insisto).

 

E uma certeza  mais ampla: as vitórias morais (e as estéticas, agora mais na moda) já fedem.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Os notáveis

O Sporting fez um grande jogo contra uma equipa que disputou duas finais da Champions nos últimos 3 anos. Sem sete opções disponíveis - Fábio Coentrão, Bas Dost, Bruno César, Podence, Rafael Leão, Piccini e William -, a que durante o jogo se juntou um oitavo (Mathieu), o Sporting mostrou em campo o notável investimento que foi feito pela direcção no plantel desta temporada. O treinador desenhou um esquema táctico notável, com 3 centrais, nas laterais Acuña mais profundo que Ristovski, 3 médios centro com Bruno Fernandes mais descaído numa ala e Gelson, partindo do meio, a apoiar Montero. Os jogadores, também eles, estiveram notáveis, bem como os entusiásticos adeptos expostos à intempérie que não se cansaram de apoiar a equipa. 

 

A primeira parte então foi fantástica. Uma pena que não tenhamos chegado ao intervalo a vencer por 2-0. Teria sido justo face às oportunidades que a equipa criou. Fosse por escassos centímetros (Acuña), por deficiente finalização (Gelson) ou pela categoria extra de Oblak, a verdade é que chegámos ao intervalo a vencer por apenas 1-0, cortesia do oportuno golo de Fredy Montero, o seu quarto desde que chegou em Janeiro. O segredo esteve na recuperação da bola. Rodrigo ´Batman` foi o justiceiro de Alvalade, policiando todas as movimentações na sua área de jurisdição, bem apoiado pela classe e generosidade de Bruno Fernandes, aquele jogador que ´Cholo` Simeone não hesitou em identificar como o melhor do Sporting. Depois, Montero, não se dando à marcação, obrigou a defesa colchonera a andar à roda, abrindo brechas para as penetrações de Gelson e de Acuña nas alas.

 

O desgaste acumulado no primeiro tempo notou-se na segunda parte. Com tantos jogadores lesionados, Jorge Jesus não tinha soluções no banco capazes de serem efectivas mais-valias no jogo. Ainda tentou, substituindo Bryan Ruiz, pouco certeiro no passe, por Ruben Ribeiro (recuando Bruno para a posição do costa-riquenho), mas o ex-vilacondense mostrou uma vez mais ser um jogador de espaços curtos, ideal para o futsal. A quebra física foi mais notória a partir dos 70 minutos, valendo aí São Patrício com duas manchas excelentes, uma desviando a bola, outra reduzindo ao máximo o ângulo para Griezmann rematar.

 

Exibição muito digna de uma equipa que prestigiou um grande clube. A meu ver Battaglia, Bruno Fernandes, Acuña, Petrovic - sim, eu sei, o que querem que vos diga(?), o homem entrou a frio e esteve em grande plano - e Montero foram os melhores em campo, mas globalmente os onze que entraram de início estiveram todos bem. 

 

Acabou por vencer a eliminatória a equipa que menos erros cometeu, mas o Sporting Clube de Portugal honrou o futebol português e foi o clube que deu mais pontos para o ranking de Portugal na UEFA esta temporada.

 

Até ao final da época, estes notáveis que estiveram ontem nas bancadas e os outros que "falaram" no campo precisavam que os deixassem em paz. Temo, no entanto, que dentro de momentos se retome o desfilar de outro tipo de "notáveis" numa televisão à beira de si. Para alguns, é preciso não deixar esfriar...  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rodrigo Battaglia

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Quente & frio

Gostei muito da vitória desta noite em Alvalade frente ao Atlético de Madrid, um dos colossos do futebol europeu: o Sporting impôs à equipa adversária a primeira derrota na Liga Europa nesta temporada. Vencemos por 1-0, com golo de Montero logo aos 28' correspondendo muito bem a um cruzamento de Bruno Fernandes: o colombiano redimiu-se assim do falhanço à boca da baliza na capital espanhola, faz hoje oito dias. Também gostei muito de ver a dinâmica colectiva e o espírito solidário dos nossos jogadores, que dominaram toda a partida, condicionando e vulgarizando os colchoneros. Tudo isto na sequência de dias muito complicados para a agremiação leonina.

 

Gostei dos aplausos vibrantes aos nossos jogadores no final do encontro, realizado quase sempre sob chuva intensa. Aplausos mais que merecidos ao colectivo leonino, em que se destacaram as exibições de Acuña, Gelson, Bruno e o marcador do nosso golo solitário, com o argentino a evidenciar-se como o melhor Leão, num desempenho quase perfeito: foi dele o primeiro disparo com muito perigo, rasando o poste aos 4', fez os melhores cruzamentos e assegurou o controlo de todo o nosso corredor esquerdo, tanto na manobra defensiva como na construção ofensiva, ludibriando Juanfran à frente e neutralizando Torres atrás. Jorge Jesus montou muito bem a equipa, com uma linha de três centrais e dois falsos laterais adiantados no terreno em reforço da muralha do meio-campo, ganhando sucessivas segundas bolas em movimentações constantes. Os aplausos finais confirmam: os adeptos estão definitivamente reconciliados com os jogadores, que deram o máximo em campo e bem mereceram este tributo.

 

Gostei pouco que esta vitória tivesse sido insuficiente para nos fazer transportar às meias-finais da Liga Europa. Ficámos por aqui, mas fomos de longe a melhor equipa portuguesa nas competições europeias desta temporada, em que chegámos a defrontar Juventus e Real Madrid. Se Montero não tivesse falhado aquele golo mesmo ao terminar o desafio no estádio do Atlético, ganharíamos sem favor o passaporte para a fase seguinte. Também merece elogio o guarda-redes Oblak, que hoje fez duas monumentais defesas, travando os disparos para golo de Coates (aos 10') e Bryan Ruiz (aos 45').

 

Não gostei que o Sporting tivesse jogado tão desfalcado. Sem quatro titulares habituais, por castigo ou lesão: Bas Dost, Coentrão, Piccini e William Carvalho ficaram de fora. O holandês, que tem marcado cerca de metade dos golos leoninos, foi talvez o que mais fez falta no relvado de Alvalade. Como se isto não bastasse, também Mathieu viria a lesionar-se, abandonando o campo aos 25': felizmente o seu substituto, Petrovic, deu boa conta do recado. E desta vez o bloco defensivo comportou-se muito bem, cumprindo os 90 minutos de forma quase irrepreensível. Destaque negativo apenas para Rúben Ribeiro, lá mais à frente: entrou aos 70', substituindo Bryan Ruiz, e voltou a demonstrar que não tem categoria para integrar o plantel do Sporting. Daí ter sido o único jogador a ouvir assobios nas bancadas.

 

Não gostei nada que a primeira mão destes quartos-de-final tivesse suscitado tanta polémica - como se o Atlético de Madrid fosse um Videoton ou um Skënderbeu. Não havia necessidade, como esta segunda mão bem demonstrou. Agora há que olhar em frente e tentar recuperar os jogadores que estão lesionados ou acusam extrema fadiga física e mental, cumpridos que estão 53 jogos oficiais nesta época - uma das nossas mais desgastantes de sempre.

Já fomos

Caímos de pé, com personalidade e com alguma injustiça à mistura.

Perdemos a eliminatária ao não ter marcado em Madrid.

Sinal mais para quase todos.

Arranjem mas é lá forma de irem à CL, que jogos à Quinta é complicado para mim, ok rapazes?

O meu lugar hoje fica vazio

Não, não tirem conclusões precipitadas.

Esta é mais uma razão para o Sporting ter que jogar sempre na Liga dos Campeões, que se joga ora às Terças, ora à Quartas-feiras.

É que aqui, onde trabalho, as Assembleias Municipais realizam-se sempre às Quintas-feiras (regra geral) e hoje é uma dessas Quintas-feiras.

Por conseguinte, por obrigação profissional estou impedido de estar presente a apoiar a equipa in loco

No entanto podem crer que assistirei no telefone e estarei a torcer para que a baliza adversária seja muito maior do que aquilo que o ecran deixa ver.

Sendo que a esperança é verde e será a última a morrer, não deixo de ser realista e considerar uma missão quase impossível eliminar o Atlético, mas como tínhamos como facto quase adquirido que o Sporting marca sempre fora e não marcou, pode ser que a bola beije por três vezes o véu da noiva (Duda Guennes? Wilson Brasil? Outro?) e deixe os espanhóis para trás. Confesso, estou céptico, mas com um enorme desejo de vitória e de espantar o monte de fantasmas que decidiram rodear-nos nos últimos dias.

Força Sporting!

Favas Contadas

No futebol, não há favas contadas. Os dramáticos quartos-de-final da Champions provaram-no mais uma vez. Sorte, azar, injustiça… O futebol é assim: explosão de alegria de um lado; lágrimas e raiva do outro.

 

No meio dos acontecimentos surreais dos últimos dias, ficou esquecido o mais importante: que o nosso Sporting é a única equipa portuguesa que ainda joga nas taças europeias. E que perder por 2:0 no Estádio do Atlético de Madrid não é vergonha nenhuma!

 

Entrem no Estádio de cabeça levantada, rapazes! E boa sorte!

“May the force be with you tonight”!

Be Italian!

Há nove anos, o filme Nine de Rob Marshall, com Daniel Day Lewis e beldades várias, tinha um trecho onde se cantava a plenos pulmões: "Be Italian". É a minha sugestão para logo. Dentro das linhas, onde mais interessa estar a nossa paixão, quero um Sporting italiano. Se não formos uma Roma, que sejamos uma Juventus, vivos até ao fim. Depois, se não pudermos pensar em Lyon, que pensemos no Jamor. 

Quente & frio

Gostei muito da exibição de Rui Patrício no jogo desta noite. Único jogador do Sporting que destoou claramente numa exibição global sofrível e até medíocre, com erros defensivos inadmissíveis e sem eficácia na finalização. Aos 22 segundos já estávamos a perder por 0-1. Saímos derrotados da capital espanhola, frente ao Atlético de Madrid, por 0-2, numa partida que torna ainda mais escassas as nossas perspectivas de seguir em frente na Liga Europa. O resultado é lisonjeiro para a turma leonina: só o melhor guarda-redes português impediu um triunfo mais dilatado. Com grandes defesas aos 3', 48' (saindo muito bem aos pés de Diego Costa), 51' e 81' (fazendo a mancha a Juanfran). "São Patrício" foi o melhor em campo.

 

Gostei do apoio vibrante de uma ruidosa claque leonina que compareceu em força no novo estádio da equipa madrilena: foram cerca de 3.600 adeptos ali presentes, numa demonstração clara de que nunca ninguém - presidente, treinador ou jogadores - pode queixar-se da falta de incentivo do público sportinguista, mesmo nas situações mais adversas.

 

Gostei pouco que o Sporting tivesse maior posse de bola: 58%. Uma posse inconsequente, com apenas duas inequívocas oportunidades de golo. A primeira, desperdiçada por Gelson Martins aos 32' quando se isolou frente a Oblak e permitiu a defesa do guardião colchonero. A segunda, aos 90'+2, quando o recém-entrado Montero, à boca da baliza, rematou para a bancada. Lances emblemáticos deste Sporting cordato e macio, fisicamente desgastado e em nítida quebra psicológica, que se atemorizou frente ao Atlético. Na verdade, durante parte do tempo tivemos de facto muita bola. Mas para quê? Para ser chutada para trás e para o lado.

 

Não gostei da exibição de vários jogadores leoninos. Desde logo Coates, que teve a pior prestação de sempre ao serviço do Sporting, oferecendo o golo inaugural a Diego Costa e Koke logo aos 22 segundos e voltou a ser protagonista de arrepiantes deslizes defensivos aos 48' e aos 51'. Mathieu não esteve muito melhor: o segundo golo do Atlético nasceu de um erro dele aos 40', com uma perda de bola que foi um brinde ao goleador Griezmann. Também não gostei de Bryan Ruiz, que se movimentou sempre a passo e andou escondido do jogo: o costarriquenho não merece, de forma alguma, ser titular do Sporting. Jorge Jesus nunca o devia ter incluído no onze que iniciou a partida.

 

Não gostei nada da saída forçada de William Carvalho, ainda antes de soar o apito para o intervalo, por aparente agravamento da sua condição física. Estava a ser um dos melhores jogadores em campo e a sua retirada abrupta fez cair a pique a exibição leonina. Provavelmente não contaremos com ele para a segunda mão, que vai disputar-se de hoje a oito dias em Alvalade. Ausentes estarão também Fábio Coentrão e Bas Dost, que se fizeram amarelar estupidamente em lances sem qualquer perigo para a nossa equipa. O primeiro ao pontapear Griezmann por trás junto à linha do meio campo da equipa espanhola, o segundo ao fazer uma falta totalmente desnecessária, entrando de carrinho, à saída da grande área colchonera. Pareciam ambos de cabeça perdida, como se não soubessem que estavam à bica para ficarem de fora por acumulação de cartões.

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