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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Foram a Istambul e afogaram-se num dilúvio turco

Basaksehir 4 - Sporting 1

Liga Europa – 2.ª mão dos Dezasseis-avos de final da Liga Europa

27 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (2,0)

Ao longo dos séculos milhares de portugueses tiveram o azar supremo de atingir a maioridade em tempo de guerra, morrendo ou ficando estropiados nas trincheiras lamacentas europeias ou na curva de uma picada poeirenta africana. Mais afortunado, Luís Maximiano limitou-se a conquistar a titularidade na baliza do Sporting quando este é treinado por Silas, dirigido por Hugo Viana e presidido por Frederico Varandas. Algo que se traduz em 27 golos sofridos nos 21 jogos desta temporada em que lhe coube calçar as luvas, sendo as derrotas (9) quase tantas quanto as vitórias (11). Desta vez fica ligado a mais um recorde negativo da actual gerência, pois o Sporting nunca tinha perdido na Turquia, e com responsabilidades inegáveis no segundo golo, por muito que o livre directo tenha sido bem cobrado. Mas nem por isso deixou de ter intervenções que impediram o resultado de atingir proporções em que a humilhação pública da equipa superaria decerto a potente anestesia que leva os adeptos a convencerem-se de que o lema do clube é “esforço, dedicação, devoção (desde que bem-comportada, claro está) e miséria”. Assim foi no lance da segunda parte em que não só defendeu o remate de Demba Ba como também a recarga que o avançado – apenas um dos sete “trintões” que foram titulares no Basaksehir, juntando-se-lhe o veterano Robinho para as derradeiras estocadas ao leão assarapantado – teve liberdade de executar mesmo estando caído do relvado. Ou na forma como evitou um azarado autogolo de Tiago Ilori. Encontra-se entre os raríssimos jogadores que mereceriam uma passagem aos oitavos-de-final que só não aparentava estar garantida após o 3-1 trazido de Alvalade porque já toda a gente sabe do que este Sporting é capaz.

 

Ristovski (1,5)

Assenta sobre os seus ombros grande parte da responsabilidade pelo tardio terceiro golo turco que forçou o prolongamento, pois demorou a acercar-se do jogador que tinha a bola nos pés e concedeu-lhe ampla liberdade para o remate em arco que prenunciou um dilúvio no qual o Sporting voltou a ver-se sem arca. Fustigado ao longo de todo o jogo pelo caudal ofensivo do adversário, nem sempre esteve ao seu nível, tal como raramente contou com o auxílio de que necessitava, terminando o prolongamento em péssimas condições físicas. Ligeiramente melhor só mesmo em missões ofensivas, assinando um cruzamento com selo de golo que seria o 3-2, mas que Vietto carimbou para cima da barra.

 

Coates (1,5)

Merece mais meio ponto pela forma como pediu desculpa a todos os adeptos na “flash interview”, e prometeu uma autocrítica da equipa, sobretudo porque o adjunto que a UEFA finge acreditar ser treinador principal do Sporting preferiu mergulhar de cabeça na “verdade alternativa”, cantando loas ao domínio leonino num jogo em que foi goleado e saiu de cabeça baixa da única competição em que lutava por algo mais do que um terceiro a quinto lugar. Mas o central uruguaio teve uma noite muito abaixo do seu valor, começando por uma verdadeira assistência para o primeiro golo do Basaksehir, e nunca transmitiu tranquilidade aos colegas.

 

Tiago Ilori (1,5)

Teriam a goleada e o afastamento da Liga Europa ocorrido se Mathieu estivesse a jogar em vez desta esperança cancelada da formação leonina? Dificilmente, ainda que a presença do veterano francês permitisse toda outra qualidade na saída com bola, pois o problema de raiz foi mais uma das tácticas suicidas com que Silas vai distribuindo alegrias aos adversários do Sporting. Seria a hora certa para ir buscar Jesualdo Ferreira, apostar nos sub-23 e, sobretudo, eleger dirigentes que tenham noção daquilo que andam a fazer...

 

Acuña (3,0)

Ninguém lhe consegue apontar semelhanças físicas com Gary Cooper, mas chegou a parecer o xerife Will Kane de “High Noon – O Comboio Apitou Duas Vezes”, lutando contra tudo e contra todos por um desfecho melhor do que o esperado. Pertenceram ao lateral-esquerdo os melhores remates do Sporting na primeira parte, sendo um deles antecedido por uma maravilha de domínio de bola e de inteligência nos pés dentro da grande área turca. Já na segunda, quando havia mais alguns braços e pernas a remar contra a corrente, cruzou com precisão milimétrica para Vietto reverter o Alvaladexit que se adivinhava. Mas quis o destino que não fosse o suficiente, pelo que o argentino fica contido ao rectângulo à beira-mar plantado e poderá muito bem ser a próxima solução da gerência para conseguir mais uns trocos que paguem comissões dos próximos génios incompreendidos a aterrar na Portela.

 

Battaglia (2,5)

Esteve quase a ser o herói da noite, tão oportuno e preciso foi no corte que adiou o 3-1 por alguns segundos. Antes, quando pareceu que o Sporting poderia empatar ou até vencer o jogo, tamanha era a desorganização dos turcos em busca do prolongamento, teve uma arrancada em que recordou os adeptos de que não tem o remate de longa distância entre os pontos fortes. Resta-lhe a escassa compensação de ter sido um dos menos responsáveis por mais um desastre da equipa.

 

Wendel (2,0)

Melhor a transportar bola do que os extremos titulares, esforçou-se para que o jogo corresse melhor. E, sem culpa nenhuma, fica ligado à perda da eliminatória no tempo regulamentar, pois o “timing” da sua substituição contribuiu para abrir a cratera no posicionamento da equipa que permitiu o 3-1.

 

Bolasie (0,5)

Displicente no primeiro lance em que foi solicitado, ao ponto de permitir um contra-ataque perigoso, nunca mais se reencontrou, oscilando entre as habituais trapalhices na hora de driblar ou rematar e uma falta de atitude competitiva para a qual seria perfeitamente ajustado reagir com o proverbial “pano encharcado nas fuças”. Ter ficado perto de uma hora em campo só poderá ser explicado pela pulsão suicida que é marca de água do futebol de Silas.

 

Jovane Cabral (1,5)

Muito interventivo, faltou-lhe apenas o detalhe de intervir bem ou, no mínimo, decentemente. Remates de pendor surrealista mostraram que não era aquele o seu dia, embora não andasse muito distante de uma terra há uns milénios surgiu outro salvador que também parecia improvável.

 

Vietto (1,5)

Impõe-se a pergunta: será que o Sporting estaria agora a preparar-se para os oitavos-de-final da Liga Europa, vencendo o desempate da eliminatória através da marcação de grandes penalidades se o avançado argentino não tivesse feito tão lamentável e desnecessária falta na sua grande área quando faltava muito pouco para o final do prolongamento? É bem possível que assim fosse, o que não apagaria mais uma exibição vergonhosa, daquelas que causam danos reputacionais. E neste momento todos estariam a elogiar o cabeceamento irrepreensível de Vietto a desviar o cruzamento de Acuña para as redes do Basaksehir. No entanto, apesar do mérito nesse golo e na leitura de jogo, manteve-se o tendencial desacerto que o impeliu a desperdiçar um belo cruzamento de Ristovski.

 

Sporar (1,0)

Recordou-se tarde e a más horas de que estava presente no relvado e fez um remate descalibrado. Feita esta relativa prova de vida, remeteu-se à contemplação.

 

Gonzalo Plata (2,5)

Pôs a mexer a equipa, vergada pelo 2-0 aquando da sua tardia entrada no jogo. Bom a driblar e a encontrar espaços, pior esteve no instante em que era preciso decidir.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Entrou para segurar o resultado, mas a sua intervenção mais relevante foi a participação num contra-ataque em que quase voltou a marcar.

 

Eduardo (1,0)

Não tem culpa de que a sua entrada, com o claro objectivo de queimar mais uns segundos antes do iminente apito final, tenha aberto o buraco na defesa leonina que permitiu o 3-1. Mas também pouco ou nada ajudou a equipa durante o prolongamento.

 

Pedro Mendes (-)

Pôde entrar como quarto substituto durante o prolongamento, adoptando um registo muito parecido com a contemplação de Sporar.

 

Silas (0,5)

Ao contrário de Groucho Marx, Silas é capaz de mudar os seus princípios de jogo mesmo que gostem deles. Portanto, aquilo que fez depois de uma agradável exibição frente ao Boavista foi instruir os jogadores a darem a iniciativa ao adversário e retirar do onze titular Gonzalo Plata, que dias antes assinara a melhor exibição individual pós-Bruno Fernandes de que há memória. Vendo-se a perder e com a Liga Europa a fugir-se-lhe pelos dedos, teve a sanidade ao retardador de mexer na equipa à hora de jogo e quase de tal colheu agridoce fruto. Mas uma substituição pessimamente gerida ajudou a que o Basaksehir empatasse a eliminatória, servindo de prenúncio do dilúvio de água gelada que se iria abater. Este é mais um desaire que tem a marca de Silas, que provavelmente será mantido em lume brando para que as suas insuficiências sirvam de manto de ocultação de incompetências alheias. A não ser que seja goleado na visita a Famalicão, o que também já não espantaria ninguém...

Pódio: Acuña, Battaglia, Luís Maximiano

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Basaksehir-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Acuña: 15

Battaglia: 14

Luís Maximiano: 14

Ilori: 13

Idrissa Doumbia: 12

Plata: 12

Wendel: 12

Coates: 11

Ristovski: 11

Vietto: 11

Jovane: 10

Sporar: 10

Eduardo: 9

Bolasie: 8

Pedro Mendes: 5

 

O Jogo e A Bola elegeram  Acuña  como melhor sportinguista em campo. O Record optou por  Battaglia.

Jogadores medíocres, equipa técnica medíocre - e o presidente que os trouxe

O pior da derrota (1-4) na Turquia que sentenciou a época de 2019-20 como digna dos tempos de Godinho Lopes é que poderá ter sido o último jogo europeu do Sporting Clube de Portugal durante alguns anos. A dura realidade é que será muito difícil a este mal-orientado e depauperado plantel, o que resta das vendas de Varandas, superar Famalicão ou Rio Ave. E sim, terminaremos a 20 ou 30 pontos do primeiro lugar.

Com a venda de Bruno Fernandes, foram-se practicamente todos os nossos "anéis", em pouco mais de um ano. Ou, como se dizia no tempo de Sousa Cintra, "as garras do Leão". Restam-nos os veteranos Acuña, Mathieu e pouco mais.

Numa constante de perda de ambição e desinvestimento (uma espiral recessiva), já antes tinham ido Bas Dost e Raphinha. Estes dois e Thiery iam para que não fosse preciso vender Bruno Fernandes, disse Varandas. Agora, diz que se enganou. Antes destes, Nani, que além de ser um grande jogador era um verdadeiro capitão. 

Estes grandes jogadores foram substituídos por quem? Bolasie. Jese, o "avançado centro". Fernando, o craque brasileiro que não chegou a pisar Alvalade. Vietto alterna bons jogos com outros em que pouco se vê. É verdade que Plata ainda pode vingar, mas é cedo para lhe por sobre os ombros a responsabilidade de referência da equipa - como o "marketing" do Clube precipitadamente parece querer fazer ao fim de apenas 2 jogos ("Plata o Plomo"...). 

Não há volta a dar e não tenhamos ilusões: temos hoje um plantel medíocre. Tenho sérias dúvidas de que o nosso plantel seja melhor do que o do Braga, cujo orçamento de um terço ou um quarto do nosso. Um clube sem historial, que tem umas poucas dezenas de milhar de adeptos.

Há dias, só a muito custo conseguimos empatar em Vila do Conde.

Mediocridade é o melhor caracteriza o Sporting da era Varandas. E amadorismo. Isto e uma mistura de miserabilismo e falta de noção cunhada pelo tecnocrata da direcção, quando disse há dias em entrevista ao Expresso que o clube era uma "roulote" antes de chegar a iluminada equipa de Varandas. "Roulote" essa que esteve dois anos seguidos na Champions. A bater-se com Real Madrid, Juventus, Dortmund. O lugar do Sporting. "Roulote" que deu 3-0 ao SLB na Luz. Que ganhou uma Supertaça aos vermelhos. Que se batia por campeonatos até à última jornada. Que enchia um estádio vibrante, que hoje está a meio-gás e terminará a época vazio. Acharão mesmo eles que a nossa memória é assim tão curta?

Despedir, num mau momento no início da época, um treinador que tinha posto o Sporting a jogar bem (Keizer) e ganho dois troféus, sem ter alternativa à altura ou melhor foi, como se vê hoje, um total disparate desta direcção. Silas acabou por aguentar tanto quanto pode e conseguiu levar a equipa à "final four" da Taça da Liga e às eliminatórias da Liga Europa. A véspera de jogos decisivos para o campeonato (SLB, FCP, Braga), Taça da Liga e Liga Europa, Varandas passou-os a negociar (na companhia do "superagente" Mendes) a venda do melhor jogador do plantel. E depois a dar entrevistas, ufano, a dizer que foi "a melhor venda de sempre" do clube (o que só pode ser um elogio ao seu antecessor e rival, que o contratou por menos de 1/6 desse valor).

O Sporting não precisa de um novo treinador. Nem mesmo de novos jogadores. Precisa de uma coisa que perdeu com esta direcção - ambição. Vontade de ganhar jogos e de honrar a camisola de Peyroteo, Yazalde, Damas, Balakov ou Acosta. Respeito próprio. Respeito dos adeptos. União. 

Para mim, é claro como a água que, com Varandas, não passaremos da mediocridade e das justificações (ora é a "herança", ora é "o clube de malucos" e os "esqueletos"). Isto nem é desporto, nem é de gente digna.   

Que venha alguém que possa devolver essa união e essa ambição ao clube.

Dia 8 lá estarei!

Leio n' A Bola que houve quatrocentos malucos, nos precisos termos utilizados por Frederico Varandas que ainda preside ao CD do Sporting, que se deslocaram à Turquia para apoiar o Sporting. Gabo-lhes o espírito, diria de missão, de terem feito uma deslocação a país tão longínquo para proporcionar algum conforto aos nossos jogadores.

Extraordinário é que, a determinada altura, a polícia lá do sítio irrompeu pela bancada e desatou a retirar toda a parafernália de material de apoio aos nossos rapazes.

Não me parecendo que sejam os turcos avessos ao verde, concluiu quem lá estava que terá sido após uma assobiadela à UEFA de quem dirige o Sporting que a "bófia" confiscou tudo o que era bandeira, tarja, etc. Eu penso que como não seria possível meter a música em altos berros, como usa fazer em Alvalade para calar as manifestações contra, o sôtor achou que pelo menos as televisões e os jornais não mostrariam as manifestações de apoio... à equipa!

Triste! É um momento de enorme tristeza e revolta quando alguém e esse alguém só pode ser o presidente, manda retirar bandeiras de apoio ao clube num jogo, internacional, fora de casa.

É por tudo o que de mau até agora tem feito, com uma cadência regularíssima a bater records negativos, mas também por (mais) esta manifestação de enorme prepotência e irresponsabilidade e desrespeito para quem se deslocou tão longe, que lá estarei dia 8 de Março, conjuntamente com muitos milhares de outros sócios, a exigir a demissão imediata de Frederico Varandas.

 

Os sete pecados de Silas

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1

Fez entrar a equipa no estádio de Istambul em pose retraída, apenas para gerir o resultado da primeira mão (3-1) desde o apito inicial. Princípio errado, que transmitiu incentivo e confiança ao adversário: o Basaksehir foi acreditando na possibilidade de virar a eliminatória. E afinal bastaria ao Sporting marcar um golo fora, de preferência no quarto de hora inicial, para rumar com segurança à fase seguinte da Liga Europa.

 

2

Escalou de forma deficiente o onze titular para este embate na maior cidade turca ao deixar no banco aquele que tinha sido o elemento mais desequilibrador no jogo da primeira mão, votado por unanimidade como melhor em campo nesse desafio: Gonzalo Plata. Em vez de recompensar o jovem equatoriano pelo mérito, manteve-o uma hora sentado no banco de suplentes - emitindo assim outro sinal negativo aos seus pupilos.

 

3

Demorou imenso tempo a rectificar os erros gritantes de movimentação dos jogadores, que tremiam em cada bola parada, falhavam passes com uma displicência aterradora e se mostravam incapazes de construir um lance ofensivo digno desse nome. A entrada de Plata, significativamente, coincide com o melhor período do Sporting, culminado oito minutos depois, aos 68', com o golo de Vietto - a passe de Acuña, municiado pelo equatoriano - que parecia relançar a eliminatória.

 

4

Vendo a equipa em vantagem no conjunto das duas partidas, embora a perder 1-2 em Istambul, Silas toma outra decisão errada, como se gritasse aos jogadores que era o momento de se retraírem novamente em campo. A troca de Jovane por Doumbia, aos 73', produziu resultados desastrosos: o Sporting, que pouco antes subira com perigo à baliza adversária, baixou então os braços, abdicando da manobra atacante, quando ainda faltavam 20 minutos.

 

5

Em consequência desta substituição, fez deslocar Vietto do corredor central para a ala esquerda, onde o argentino rende muito menos, deixando assim de canalizar jogo para Plata e Sporar. A equipa partiu-se e perdeu a fluidez ofensiva que vinha demonstrando nos dez minutos anteriores.

 

6

Conhecendo a fragilidade da equipa nos lances de bola parada (os quatro golos sofridos neste jogo de má memória resultaram de dois cantos, um livre e um penálti), lembrou-se de fazer uma substituição para queimar tempo no instante mais inoportuno: aos 90', quando o Basaksehir se preparava para cobrar um canto. Esta troca de Wendel por Eduardo desconcentrou os jogadores num momento crucial: daqui nasceu o terceiro golo dos turcos e a consequente meia hora de prolongamento, que terminou como sabemos.

 

7

Acaba este jogo em que precisávamos de marcar mais um golo com três médios de contenção: Battaglia, Doumbia e Eduardo. Como timoneiro de equipa pequena, com o autocarro estacionado, perante uma banalíssima turma turca sem pedigree europeu. Convém recordar, a propósito, que os adeptos do Sporting pressionaram - com sucesso - Frederico Varandas a despedir José Peseiro porque este treinador punha a equipa a jogar num sistema com duplo pivô. Mal imaginariam muitos deles que, ano e meio depois, passaríamos a actuar com três trincos em vez de dois.

"E o Varandas é o nosso grande amor"!

Exmo. senhor presidente do Sporting Clube de Portugal, faça um favor a todos nós, mas principalmente ao clube: Demita-se! Hoje ainda, se o Exmo. senhor presidente da Mesa da Assembleia Geral achar, na sua pessoalíssima interpretação dos estatutos, que o senhor se pode demitir.

É que pode não saber, ou não achar, mas é muito mais fácil pedir a demissão que coordenar o futebol.

Despeço-me com a convicção de que se houver mais algum record negativo para bater até final da época, se não se demitir, porfiará até que o bata!

Como se diz lá na terra, finja que vai ali (o verbo é outro) e não volte.

Desgaste total

Penso que todos os que gostam de uma maneira livre escrever umas linhas sobre o Sporting neste blog estão a atingir o estado de saturação e de desmotivação total. Começa a ser saturante, quer de quem escreve, quer de quem lê, o carpir constante de mágoas, as tristezas que nos invadem durante os jogos, o assistir a um conjunto de jogadores da "bola" (não jogadores de futebol) que, "desorientados" por um pseudo-treinador de futebol, vestem uma camisola com um símbolo que deveria merecer mais respeito.

Foi mau demais o que se passou hoje na Turquia. Não tenho vontade de dizer mais nada. Chega. 

R & B, na Europa a música é outra

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O R, a primeira letra do título é de Ricardo, Ricardo Sá Pinto.

O R, a primeira letra do título é de Rúben, Rúben Amorim.

Rúben ou Ricardo?

Um tocou a melhor música de sempre do Braga na Europa (comparar com os resultados de Domingos), o outro a pior.

O percurso de Sá Pinto na qualificação para a Liga Europa é esmagador. Quatro jogos, quatro vitórias, dez golos marcados e, apenas, quatro sofridos.

Na fase de grupos, apanha tubarões como o Besiktas e Wolverhampton e um tubarãozinho, o Slovan de Bratislava (de Sporar, um dos três melhores marcadores na Liga Europa). Apesar disso, Sá acaba em primeiro do grupo.

O desafio seguinte?

Um clube que em 2012/2013 foi campeão.

Campeão? Na Liga dos Campeões? Não, não foi o caso, foi campeão da quarta divisão escocesa.

Foi esse clube que Salvador (o presidente do Braga) não deixou que Sá Pinto defrontasse.

Foi esse clube (o tal campeão da quarta divisão escocesa) que eliminou o futuro treinador do Sporting (rir) Rúben Amorim. 

Bem, já falámos do R e o B?

O B é de Bruno, não o Fernandes, que brilha em Manchester, não o outro, o das ecografias que vai à boleia para Monsanto. O Bruno deste texto é o Bruno Nascimento (Lage). Amanhã será um (re)nascimento ou uma lage em cima da participação europeia?

A segunda parte é a que nos interessa, somos nós, o Sporting.

De triunfo em triunfo até ao triunfo final; na Europa a música tem de ser outra.

 

(a imagem é de Ray Charles mas sobre música, este tipo de música, deixo-vos com um excelente texto dum camarada/colega de "blog"; José Navarro de Andrade)

Amanhã à tarde em Istambul

Amanhã à tarde, na maior cidade da Turquia, a equipa do Sporting Clube de Portugal entra em campo para defender a vantagem obtida em Alvalade e tentar a passagem à fase seguinte da Liga Europa.

Silas convocou os seguintes jogadores (foi publicada a seguinte lista, onde Vietto continua a figurar como avançado, só pode ser mesmo teimosia de alguém):

Guarda-redes: Luís Maximiano, Hugo Cunha e Diogo Sousa;
Defesas:  Ilori, Coates, Acuña, Ristovski, Rosier e Borja;
Médios: Eduardo, Battaglia, Wendel e Doumbia;
Avançados: Rafael Camacho, Vietto, Plata, Pedro Mendes, Jovane, Bolasie e Sporar.

Assim, gostaria de vos perguntar o seguinte:

Silas à parte, e com os jogadores convocados, qual seria o vosso onze e qual a disposição do mesmo em campo?

No meu entender, procurava mexer o mínimo na equipa que ganhou em Alvalade, e entrar com dois extremos com presença física, atacando e defendendo com critério. Plata e Jovane as armas secretas. Seria assim:

Max; Risto, Coates, Ilori e Borja; Battaglia, Wendel e Vietto; Bolasie, Sporar e Acuna.

SL

Armas e viscondes assinalados: Disseram sim à vida enquanto aprovavam a eutanásia

Sporting 3 - Basaksehir 1

Liga Europa - 1.ª mão dos dezasseis-avos de final

20 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Passou quase toda a primeira parte como um espectador, sendo praticamente o único naquele sector do estádio que conseguiu presenciar o jogo desde o apito inicial – e presumivelmente sem lhe revistarem as chuteiras. A segunda parte foi mais parecida com o registo da equipa leonina nos tempos mais recentes, e fez uma defesa providencial antes de não conseguir travar o pontapé de pénalti que tornou ligeiramente menos certo que a melhor exibição do Sporting nesta temporada garanta que não haverá Alvaladexit após a viagem à Turquia.

 

Ristovski (3,5)

Além da assistência que terminou a seca de golos de Sporar, o macedónio destacou-se pelo contributo na construção de ataques, provando conseguir ser mais perigoso no 4-3-3 ou 4-2-3-1 ou lá o que é do que no 3-5-2. Do ponto de vista defensivo viu-se acossado com a presença de muita actividade subversiva no seu quadrante ao longo da segunda parte. Mas não foi por aí que os turcos chegaram ao cuscuz.

 

Coates (4,0)

O Sporting estava à beira do abismo e o central uruguaio deu o passo em frente. No sentido em que se adiantou aos adversários, esticou a perna e desviou o pontapé de canto cobrado de forma irrepreensível por Acuña. Colocou a equipa em vantagem logo no arranque e depois esmerou-se nos passes longos e na custódia da sua grande área, acumulando mais triunfos nos duelos aéreos com os turcos do que a aviação do regime sírio. Próximo desafio, depois de não poder ajudar na recepção ao Boavista: garantir que os leões passam aos oitavos de final da Liga Europa com Tiago Ilori no onze titular.

 

Neto (2,5)

Realizou dois ou três cortes importantes “à queima”, fruto da contra-ofensiva turca na segunda parte, pelo que não deixa de ser irónico que lhe tenha sido assinalada uma grande penalidade num lance em que está muito longe de ser evidente que tenha cometido qualquer infracção. Assustou os adeptos que puderam entrar a tempo em Alvalade ao parecer tocado durante o aquecimento, numa antecipação do que será ver Ilori elevado à titularidade nos próximos dois jogos.

 

Acuña (4,0)

Executou o canto que arrombou o marcador “à patrón” e nunca mais deixou de fazer coisas acertas e de pôr tudo aquilo que é nas mais pequenas coisas que faz. Intratável apenas na conquista, manutenção de posse e endosse de bola, pareceu possuído pelo espírito de Maradona (é possível que qualquer familiar de Diego que estivesse a ver o Sporting-Basaksehir tenha corrido a aproximar um espelho da sua boca para verificar se este se havia finado) numa arrancada junto à linha. Ter o lateral-esquerdo, médio, extremo e tudo no plantel é uma das maiores alegrias que restam aos sportinguistas que preferem vencer as equipas adversárias a derrotar as suas próprias claques.

 

Battaglia (3,5)

Vincou a sua principal diferença em relação à concorrência interna: sabe o que fazer com uma bola de futebol. Mais do que ser uma primeira barreira ao ataque turco – incipiente na primeira parte, mas cada vez mais constante na segunda –, revelou-se um primeiro urdidor de futebol ofensivo, no sentido da palavra que não gera assobiadelas. E ainda voltou a ficar perto de marcar, num remate dentro da grande área que foi desviado pelo guarda-redes turco.

 

Wendel (3,0)

Foi o mais discreto da equipa na fulgurante primeira parte, sem por isso deixar de cumprir na circulação criteriosa de bola que foi uma das chaves do sucesso depois de sucessivos jogos feitos de marasmo. E o certo é que tirou proveito das reservas de energia de que ainda dispunha no final da segunda parte, altura em que diversos colegas já davam sinais de desgaste preocupantes.

 

Vietto (4,0)

Regressou à equipa titular com intenção de deixar marca e assumiu-se como o substituto de Bruno Fernandes que teria sido desde o início da temporada caso a transferência do capitão tivesse ocorrido em Agosto e Raphinha e Bas Dost ainda trajassem de leão ao peito. Rei do meio-campo ofensivo e municiador dos colegas, ficou perto de marcar logo no início do jogo, sendo atrapalhado por Bolasie. Nem por um instante esmoreceu, impondo a sua construção, tijolo por tijolo, para gáudio das bancadas e desconforto dos visitantes. Quando na segunda parte chegou a hora de marcar, vendo-se frente a frente com o guarda-redes, agiu com uma frieza difícil de encontrar em quem tantas vezes se vê legitimamente acusado de “não ter golo”. Provou que não teria de ser necessariamente assim e agradeceu com uma vénia aos milhares que o aplaudiram, sem distinguir entre “croquetes” e “escumalha”. Mantenha a qualidade de jogo, a assertividade de decisão, e a inteligente leitura do ambiente que o rodeia e poderá ser uma das chaves para um Sporting mais saudável. Juntou-se, para já, a Coates na equipa da semana da Liga Europa e, tendo até em conta que a sua transferência é desaconselhada pelo acordo que Jorge Mendes engendrou, convém que por Alvalade se mantenha por muitos e bons.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ciente de que a aura de “arma secreta” o condena a longos minutos de banco e aquecimento, acelerou o futebol leonino desde o primeiro instante, em absoluto contraste com a contemplativa placidez demonstrada por Rafael Camacho enquanto titular recorrente. Sendo verdade que nem sempre decide da forma mais perfeita, ao ponto de o seu melhor remate ter sido precisamente a recarga para o golo apenas anulado por ter sido antecedido por fora de jogo de Sporar, teve o condão de nunca se esconder e de fazer tudo para resolver a eliminatória. Detalhes como o toque de calcanhar que serviu de alicerce ao terceiro golo do Sporting impõem que seja a primeira opção, ainda que o seu tipo de desgastante movimentação desaconselhe que permaneça em campo muito mais do que uma hora.

 

Bolasie (3,0)

O “trapalhonismo” que dele irradia custou um golo cantado que teria ampliado o marcador nos primeiros minutos de jogo, pois não aproveitou a assistência de Sporar e não deixou que Vietto a aproveitasse. Também voltou a enredar-se na sua afamada finta, quase tão autofágica quanto a incapacidade de voar foi para os extintos dodós, e até a assistência que assinou para o terceiro golo teve o seu quê de mal-amanhada. Dito isto, voltou a dar o seu melhor, a impor a estampa física e a recorrer à velocidade em prol da equipa, numa exibição a todos os níveis positiva, ainda que nada se tivesse perdido caso tivesse saído mais cedo, permitindo a progressão daquele moço Gonzalo Plata que por Alvalade continuará se não for entretanto trocado por um punhado de feijões mágicos. Aquele seu remate que estremeceu os ferros da baliza como nenhuma pirotecnia conseguiria simboliza a falta de sorte que Bolasie carrega nos ombros.

 

Sporar (3,5)

A persistente seca de golos parecia destinada a terminar logo após o apito inicial, mas o esloveno preferiu contornar o guarda-redes e servir os colegas, tendo o supremo azar de haver demasiados pés para uma só bola. Mas o recado estava dado: Sporar consegue render quando a equipa agrega talento suficiente para carrilar jogo ofensivo que, mais do que cruzamentos para a cabeça (como nos tempos de goleadores trocados por feijões mágicos), assenta na bola a rolar na relva. Começou por atirar ao lado, depois rematou ao poste (em posição ligeiramente irregular, o que invalidou a recarga certeira de Jovane) e finalmente marcou o que se espera ser o melhor de muitos, tirando o melhor proveito de um cruzamento em esforço de Ristovski. Quebrado o encanto, o que lhe permitiria apanhar o melhor marcador da Liga Europa, graças aos cinco golos marcados pela anterior equipa, permaneceu envolvido nos muitos contra-ataques até ser poupado por Silas para o jogo de domingo em que poderá perceber-se quais são as hipóteses de Bruno Fernandes vir a ser suplantado como melhor marcador do Sporting na Liga NOS.

 

Pedro Mendes (2,5)

Teve direito a mais de duas dezenas de minutos para demonstrar a sua arte. Pena é que esses minutos tenham coincidido com a pior fase do Sporting, pelo que o jovem avançado teve sobretudo de ser o primeiro factor dissuasório das incursões turcas. Esteve à altura da missão, e tratou de apoiar os colegas, de costas para a baliza, a levar perigo aos visitantes.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para tentar travar o avanço do Basaksehir e não se pode dizer que tenha sido particularmente incompetente nessa missão. Mas não restam dúvidas de que não deve ser considerado como mais do que um suplente de Battaglia ou, se tudo correr melhor para o ano, de João Palhinha.

 

Gonzalo Plata (3,0)

Há que ovacionar o aproveitamento dos poucos minutos a que teve direito. Diversas acções em que mostrou velocidade e capacidade de finta serviram de aperitivo para um belíssimo remate que o desmancha-prazeres turco evitou que se convertesse num merecido 4-1.

 

Silas (3,0)

Retirou dividendos imediatos de uma ideia muito louca e inovadora chamada colocar os melhores jogadores disponíveis na equipa titular (só Bolasie poderia ter tal estatuto posto em causa pelo jovem Gonzalo Plata). É uma incógnita que tenha dado conta disto, por muito que seja difícil não reparar na diferença entre o futebol castrado e lamentável demonstrado em Vila do Conde e as jogadas empolgantes testemunhadas pelos compradores de bilhete e receptores de borlas presentes em Alvalade na tarde de quinta-feira, agarrando a equipa à vida ao mesmo tempo que a despenalização da eutanásia era aprovada na Assembleia da República. Bafejado pelo talento dos bons jogadores que restam no plantel (faltava Mathieu, mas Neto esteve à altura até ter que a arbitragem vislumbrou o pénalti sem falta que culminou no tento de honra do Basaksehir), ainda que não pela sorte (outros tantos golos ficaram por marcar), tardou a refrescar a equipa na segunda parte, o que resultou num ascendente do adversário que se vai tornando natural em quem enfrenta o Sporting. Continua, assim, na corda bamba e com a garantia de que será o próximo saco de areia a atirar por Frederico Varandas para manter acima do solo (e ao sabor do vento) o balão de uma presidência feita de ar quente.

Pódio: Vietto, Bolasie, Sporar, Jovane

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Basaksehir pelos três diários desportivos:

 

Vietto: 20

Bolasie: 19

Sporar: 18

Jovane: 18

Coates: 18

Ristovski: 18

Acuña: 17

Luís Maximiano: 17

Plata: 16

Battaglia: 16

Wendel: 14

Pedro Mendes: 12

Neto: 12

Idrissa Doumbia: 10

 

Os três jornais elegeram Vietto como melhor jogador em campo.

Quente & frio

Gostei muito  da vitória concludente do Sporting, ontem em Alvalade, frente à equipa do Istambul Basaksehir, segunda classificada da liga turca que vinha de uma série de 15 jogos em que só havia perdido uma vez. Agradou-me não apenas o resultado (3-1, com 2-0 ao intervalo) mas sobretudo a exibição. Especialmente na primeira parte, em que o onze leonino teve um domínio avassalador, sem dar a menor hipótese aos adversários. Foram os nossos melhores 45 minutos iniciais nesta época, confirmando a Liga Europa como a excepção à regra das más exibições e dos péssimos resultados da temporada em curso. Grande dinâmica ofensiva leonina, bom jogo colectivo: parecia um Sporting de outros tempos, em que vencer e convencer era o mais comum para as nossas cores.

 

Gostei  que tivéssemos inaugurado o marcador bem cedo, logo aos 3', com um remate certeiro de Coates, na sequência de um canto apontado por Acuña. O segundo surgiu aos 44', marcado por Sporar, a centro de Ristovski: o internacional esloveno estreou-se como goleador pelo Sporting ao quinto jogo de verde e branco. O nosso terceiro, aos 51', ficou a cargo de Vietto, coroando um rápido lance de contra-ataque, com assistência de Bolasie. O franco-congolês é um dos que merecem nota mais elevada - e quase marcou, num tiro à barra, aos 84'. Mas o melhor, para mim, foi Jovane, novidade como titular em jogo europeu desta época: durante uma hora, o jovem formado em Alcochete marcou o ritmo e o compasse do ataque leonino, com excelentes passes a desmarcar colegas (Sporar aos 6', Vietto aos 32'). O lance do terceiro golo nasce de um toque de calcanhar dele, a justificar elevada nota artística. Só não marcou ele próprio, aos 15' e aos 58', devido a excelentes intervenções do guarda-redes. Chegou até a metê-la lá dentro, com um tiro aos 28', mas o lance foi anulado por fora de jogo milimétrico de Sporar.

 

Gostei pouco  de ver tantas oportunidades desperdiçadas. Podíamos ter ido para o intervalo a ganhar por quatro ou cinco se não fosse algum azar e sobretudo a grande exibição do guarda-redes turco. Bolasie, isolado, atrapalhou-se com Vietto e falhou o remate aos 4'. Sporar permitiu a intercepção aos 6' após ter sido isolado por Jovane. Battaglia esteve perto de marcar, aos 15', na sequência de um canto. Vietto falhou aos 21', Sporar desperdiçou aos 41'. Já no tempo extra, pouco antes do apito final, mais duas oportunidades goradas - uma por Vietto (90'+1), outra pelo recém-entrado Plata (90'+3), esta só travada por uma magnífica defesa do guardião Gunok. Pena: teria sido um golaço.

 

Não gostei  que tivéssemos sofrido um golo, marcado aos 77' de grande penalidade, por suposta infracção de Neto que as imagens não conseguem comprovar sem margem para dúvidas. Max, que tinha feito uma grande defesa aos 60', foi incapaz de travar a bola no momento do penálti. Por acumulação de cartões, Neto não poderá disputar o desafio da segunda volta, no próximo dia 27, em Istambul - o que significa o regresso de Ilori ao onze titular. Teme-se o pior.

 

Não gostei nada  que os imbecis do costume, lá na curva sul, se tivessem posto aos gritos contra o presidente do Sporting neste jogo sob a égide da UEFA, mandando Varandas para um destino que rima com Carvalho. Estavam decorridos 37 minutos, o Sporting vencia por 1-0 e fazia uma excelente exibição, o que não impediu os energúmenos de entrar em histeria. O mesmo sucedeu à beira do fim da primeira parte, quando berraram «Demissão!» Num caso e noutro, foram prontamente silenciados com uma monumental vaia pela maioria dos 27.392 adeptos que se encontravam em Alvalade neste fim de tarde que decorreu sob o signo da vitória. Felizmente neste jogo as medidas preventivas desencadeadas pela PSP funcionaram: não rebentou qualquer petardo nem foi lançada qualquer tocha, salvaguardando a segurança e valorizando o espectáculo desportivo. Os artefactos incendiários desta vez estiveram ausentes, para natural satisfação dos sportinguistas que se deslocam ao estádio para ver jogos e não para aturar birras de pirómanos.

Ganhámos, porra!

Eu que sou tão lesto a desancar quando as coisas não correm bem, tenho que vir aqui deixar a minha satisfação por um excelente resultado numa exibição quase perfeita, esta noite em Alvalade.

Uma primeira parte muito bem conseguida no talvez melhor jogo desta época.

Estivemos assim a um bocadinho de encher o cabaz dos turcos, mas não sei se por ordem de Silas, se por iniciativa própria, a equipa retraiu-se depois do 3-0 e andou ali uns tempos largos aos papeis, até que num lance fortuito e muito discutível cometeu um penalti, que deu o golo que fechou o resultado.

Como é hábito o Sporting marcar fora nestas competições, desta vez não fugirá à regra, espero e certamente voltaremos a Alvalade para mais um jogo da Liga Europa.

Pena realmente o resultado não ter sido mais dilatado, que poderia muito bem ter sido, para dar um banho de energia positiva ao grupo.

Haverá quem aqui analisará os jogadores um a um, mas quero realçar o trabalho de Jovane. Excelente!

 

Nota à margem: Vi um "twitt" da revista dos espectadores à entrada para o estádio, presumo que na entrada que serve o sector das claques. Afirmo sem pudores que sou frontalmente a favor do que foi hoje levado a cabo, mas quem o faz tem que ter algum senso e noção do ridículo. Naquele "twitt" está um homem de cerca de 70 anos que foi obrigado a descalçar-se. Tenham dó!

Entretanto, no reino do Leão...

joga-se para a Liga Europa.

A partida começa às 17:55 da próxima quinta-feira e é para ganhar. O momento da equipa é o que todos conhecemos. Face ao vazio deixado pelo silêncio institucional na sequência daquela que é globalmente aceite como a pior exibição da época, pergunto, sentimo-nos com vontade de não ficar em casa?

Screenshot_20200217-145753.png

Imagem, daqui.

Bilhetes à venda, aqui.

Xô vaca! (ou talvez não...)

Calhou-nos em sorteio uns turcos de "Constantinopla" que seguem por agora em quarto do seu campeonato.

Venceram o seu grupo, onde parece que pontificava a ASRoma, o que pode querer dizer alguma coisa e sabemos como o futebol turco é raçudo, pelo menos "lá".

Estando à mercê de vários tubarões neste sorteio, calhou-nos em sorte um adversário que, se for encarado com a seriedade necessária, nos pode permitir subir mais um degrau nesta competição. Pelo menos não nos podemos queixar da (falta de) sorte.

Armas e viscondes assinalados: Foram à Áustria, levaram valsa e caíram no tanque dos tubarões

LASK Linz 3 - Sporting 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

12 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (1,0)

Inaceitável e indigna do profissional limitado mas competente que já demonstrou ser é a forma mais leve de qualificar a abordagem ao lance em que cometeu pénalti e foi expulso, com inteira justiça, pois derrubou o adversário que ficaria isolado frente à baliza. Até então não tivera ocasião de justificar o regresso à titularidade, pouco podendo fazer no lance do 1-0. Sendo certo que deixou a equipa com menos um e, na prática, com dois golos de desvantagem, é natural que muitos queiram vê-lo coberto de alcatrão e penas, mas há que reconhecer que não é o único culpado.

Rosier (1,5)

“Esteve” nos lances dos dois primeiros golos ao isentar-se de cobrir adversários directos que cabecearam para golo ou foram derrubados por Renan. Igualmente permeável a defender junto à linha, esteve menos mau no recurso à velocidade para tentar lançar as raríssimas jogadas de um Sporting que parecia empenhado em desprestigiar-se.

Coates (3,0)

Único dos quatro futebolistas acima de qualquer suspeita que restam no plantel chamado a jogo (Acuña ficou no banco, Mathieu foi resguardado para a visita ao Santa Clara e Bruno Fernandes cumpriu castigo), o uruguaio tentou manter os mãos no leme enquanto o navio naufragava. Decerto que sem ele teria sido pior, pese embora a incapacidade de evitar o 3-0 que antecedeu o apito final.

Tiago Ilori (2,5)

Muita boa gente, incluindo alguém que aparece no espelho quando o autor destas linhas faz a barba, preferiria que fosse Eduardo Quaresma a ser chamado para suprir a fadiga muscular de Mathieu e a hospitalização de Neto. Tal não sucedeu e o Sporting voltou a perder um jogo em que levou valsa do início ao fim. Convém, no entanto, reconhecer que Ilori teve pouca culpa, tendo cumprido no limite das suas capacidades. Na retina ficou um corte arriscado, ainda que providencial e feito com determinação, logo na primeira parte.

Borja (2,0)

Esforçou-se por cumprir os mínimos, numa tarefa complicada pela deriva experimentalista do treinador, nomeadamente na arrumação do flanco esquerdo. Esteve uns furos abaixo da exibição no jogo anterior, mas não comprometeu tanto quanto outros.

Rodrigo Fernandes (2,0)

A titularidade voltou a ser amarga para o promissor “made in Alcochete”. Estava a tentar ganhar o seu espaço no meio-campo do Sporting, com alguns erros à  mistura, quando a expulsão de Renan forçou que alguém saísse para voltar a haver guarda-redes na baliza.

Eduardo (1,5)

Chega a ser comovente observar como o brasileiro leva sempre o esforço demasiado longe, perdendo a bola depois de se desembaraçar de um ou dois adversários. Autor de um cruzamento dentro da grande área adversária que poderia ter rendido pontos noutra modalidade praticada em relvados que não o futebol, Eduardo tarda em provar que tenha qualidade mesmo para esta versão “redux” do Sporting que utiliza derrotas como resultados habituais.

Miguel Luís (2,0)

Mais uma oportunidade desperdiçada, reforçando a tendência negativa que aconselharia um empréstimo quanto antes ao jovem meio-campista a quem já apontaram o destino de ser o novo João Moutinho. Pouco conseguiu numa zona do terreno dominada pelos austríacos, e quando a bola lhe chegava aos pés não revelava engenho e arte bastantes para contrariar o destino.

Rafael Camacho (2,0)

Teve nos pés um 2-1 que poderia reanimar a equipa em busca do empate que chegaria para comandar o grupo, manter estatuto de cabeça de série nas eliminatórias e evitar a visita de um tubarão a Alvalade. Infelizmente perdeu ângulo após desviar-se do guarda-redes e rematou às malhas laterais. Num jogo em que serviu de “Joker” a Silas, tendo a liberdade de aparecer por onde queria, assinou um remate frouxo, denunciado e tristonho logo nos primeiros minutos. Talentoso e persistente quanto baste na circulação de bola, falta-lhe critério e qualidade de execução necessários para pôr fim à maldição da camisola 7. Acabou por terminar como uma espécie de avançado solto, mais ou menos como aquele moço trespassado para o Championship chamado Matheus Pereira, tirando a parte de marcar golos.

Pedro Mendes (2,5)

Condenado à irrelevância e à solidão no início do jogo, ao ser colocado como extremo, o que em tese seria como se Sérgio Sousa Pinto passasse para a bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, viu-se condenado à irrelevância e à solidão na segunda parte, ao ser colocado como avançado ligeiramente mais fixo e em constante inferioridade numérica. Mesmo assim lutou contra as circunstâncias e chegou a fazer uma assistência magistral a que Rafael Camacho não deu o devido seguimento.

Jesé Rodríguez (1,5)

Teve nos seus pés lentos e indecisos a hipótese de marcar o golo que daria alguma incerteza a uma derrota anunciada. Demorou o tempo suficiente para que um defesa se interpusesse entre bola e baliza, impedindo que a atribuição de nova titularidade ao espanhol tivesse alguma consequência positiva. No resto dos quarenta e tal minutos foi igual a si próprio, o que diz tudo.

Luís Maximiano (3,0)

Nem teve tempo para aquecer, mas quase conseguia defender o pénalti que ditou a sua entrada em campo. Havendo uma conjugação de factores capaz de resultar numa humilhação histórica ao nível do 7-1 desferido por outra equipa que fala alemão, coube a Maximiano dizer que não seria esse o dia. Fez uma série de defesas que mantiveram o resultado em níveis meramente maus e não merecia sofrer aquele terceiro golo.

Idrissa Doumbia (2,0)

O mesmo treinador que retirara Rodrigo Fernandes resolveu colocá-lo no início da segunda parte, procurando desfazer o desequilíbrio no meio-campo que criara minutos antes. E se é verdade que o LASK Linz não embalou para uma goleada, deu a impressão de estar quase sempre desenquadrado em relação às ocorrências, tal como toda a equipa.

Luiz Phellype (1,5)

Entrou tarde e sem esperança de alterar o rumo dos acontecimentos. Tal como Pedro Mendes, não fez nenhum remate, o que não é propriamente o melhor de cartão de visitas de um ponta-de-lança.

Silas (1,0)

A tenebrosa atitude com que encarou o sexto e último jogo da fase de grupos da Liga Europa diz muito sobre o treinador, a estrutura que o sustenta e a direcção que escolheu uns e outros. Estando o Sporting apurado, e bastando um empate para assegurar a liderança do grupo que livraria a equipa dos “tubarões” oriundos da Liga dos Campeões, Silas pareceu empenhado em oferecer aos adeptos uma “masterclass” da Ciência do Insucesso. Além da poupança de praticamente todos os titulares (sendo que alguns deles já não são de si cintilantes), resultando num meio-campo que não convenceria se o verde e branco das camisolas fosse o do Vitória de Setúbal, planeou um trio de ataque com uma lógica cifrada e intrigante ao ponto de passar por aleatória. O resultado de tudo isto foi o esperado, as substituições erráticas e a entrada de Luiz Phellype, quando a dinâmica do jogo pedia a velocidade de Bolasie – ou, eventualmente, uma oportunidade para Gonzalo Plata –, deveria dar origem a uma junta médica para avaliar o estado de saúde do treinador leonino. Se houver um único adepto confiante e ansioso por ver a equipa jogar contra o Santa Clara na próxima segunda-feira já será um milagre.

Pódio: Luís Maximiano, Camacho, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Lask Linz-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Luís Maximiano: 17

Camacho: 15

Coates: 14

Idrissa Doumbia: 12

Ilori: 12

Pedro Mendes: 12

Jesé: 11

Borja: 11

Miguel Luís: 10

Eduardo: 10

Rodrigo Fernandes: 9

Rosier: 9

Luiz Phellype: 8

Renan: 6

 

O Jogo e A Bola elegeram  Max  como melhor em campo. O Record optou por  Rafael Camacho.

Silas, os titulares e a formação

Mudar nove titulares duma vez só não faz qualquer sentido. Como se este jogo que ontem perdemos contra o Lask Linz fosse a feijões. Não era. Estavam em jogo o primeiro lugar no grupo, pelo menos um milhão de euros e o prestígio internacional do Sporting.

Não é assim que se promove a formação. Os jogadores mais jovens devem jogar com os mais experientes: só assim aprendem, só assim evoluem.

Meter miúdos à molhada, também o ex-treinador Marcel Keizer fazia: pôs isso em prática durante a pré-temporada, como sabemos. Com os péssimos resultados que também sabemos.

Depois, de consciência aliviada por ter "apostado na formação", mandava os miúdos às malvas e recorria aos mesmos de sempre. Pelo menos em relação a Silas o holandês tinha essa vantagem: ser previsível.

Com Silas, ninguém consegue adivinhar quem são "os mesmos de sempre". Sou capaz de apostar que por vezes ele próprio também não.

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