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És a nossa Fé!

2020 em balanço (7)

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DERROTA DO ANO: 1-4 CONTRA O LASK LINZ EM CASA

Os profetas da desgraça, que nunca escasseiam por Alvalade, já tinham avisado: tudo iria começar da pior maneira. E começou mesmo, com uma derrota em casa frente ao Lask Linz, actual terceiro classificado do campeonato austríaco. Derrota amarga, frustrante, inaceitável, que nos colocou fora da Liga Europa ainda na fase das pré-eliminatórias.

Aconteceu a 1 de Outubro, com o nosso estádio despido de público: quase sete meses antes fora emitida pelas autoridades sanitárias a ordem geral de evacuação de recintos desportivos. Que ainda hoje vigora, em contramão com o que sucede na quase generalidade de todos os outros espectáculos, configurando uma inaceitável discriminação do futebol.

Conhecíamos bem a equipa adversária, que havíamos vencido um ano também antes em casa, na fase de grupos da Liga Europa, por tangencial 2-1 (golos de Luiz Phellype e Bruno Fernandes). Num jogo pautado pela mediocridade da nossa exibição, muito inferior ao resultado, e pelos contínuos assobios dos adeptos aos jogadores - o que viria a ser uma das mais lamentáveis características do público presente nas partidas em Alvalade.

 

Naquele frustrante Outubro de 2020 não houve assobios. Mas eles teriam sido merecidos, no final do jogo: perdemos por 1-4 numa partida em que apenas Tiago Tomás - marcador do golo solitário, após assistência de Nuno Santos - mereceu nota positiva. Com naufrágio colectivo na segunda parte, quando ao intervalo se registava 1-1.

«Adán orientou uma barreira como se estivesse num interturmas. Neto viu o clássico cartão amarelo que o condiciona para o resto do jogo. Sporar, apesar de ter entrado tarde, ainda conseguiu falhar dois golos fáceis», reclamou o José Cruz num texto deste blogue intitulado Imaturidade total.

«A equipa tentava sair a jogar, perdia a bola e levava com os contra-ataques do adversário. O individualismo veio ao de cima, e Wendel fazia piscinas até perder a bola num choque qualquer e deixar a equipa descompensada atrás. O segundo golo do Lask surgiu assim, o desarme de risco de Coates que levou ao terceiro também, o quarto a mesma coisa, e o quinto e o sexto não apareceram porque não calhou», desabafou o Luís Lisboa, sob o título Uma derrota humilhante.

 

Naquela quinta-feira de má memória falhávamos o acesso à Liga Europa. Os profetas da desgraça exultaram, as nossas caixas de comentários encheram-se de anónimos a rasgar as vestes, Rúben Amorim foi insultado de "lampião" para baixo, choveram pedidos de destituição imediata dos órgãos sociais leoninos.

E  a equipa? Passou a concentrar-se em exclusivo nas competições internas. Acabou por ser um daqueles males que vêm por bem: no final do ano comandávamos isolados o campeonato nacional de futebol, algo que não acontecia desde a época 2001/2002.

 

Derrota do ano em 2012: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

Derrota do ano em 2013: 0-1 em casa contra o Paços de Ferreira (5 de Janeiro)

Derrota do ano em 2014: 3-4 contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen (21 de Outubro)

Derrota do ano em 2015: 1-3 contra o CSKA em Moscovo (26 de Agosto)

Derrota do ano em 2016: 0-1 contra o Benfica em casa (5 de Março)

Derrota do ano em 2017: 1-3 contra o Belenenses em casa (7 de Maio)

Derrota do ano em 2018: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

Derrota do ano em 2019: Supertaça (4 de Agosto) 

Pódio: Tiago Tomás, Nuno Santos, Wendel

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Lask Linz pelos três diários desportivos:

 

Tiago Tomás: 15

Nuno Santos: 13

Wendel: 13

Nuno Mendes: 12

Neto: 11

Pedro Gonçalves: 10

Vietto: 10

Matheus Nunes: 10

Adán: 10

Feddal: 10

Antunes: 9

Sporar: 9

Coates: 9

Porro: 9

 

Os três jornais elegeram Tiago Tomás como melhor jogador do Sporting em campo.

Vamos lá cambada

Uma boa pergunta é que se preferíamos passar a eliminatória jogando al la Lito Vidigal, com os jogadores a rebolar no chão e a perder tempo. Pensemos nisso.
O que se viu ontem foi uma equipa forte fisicamente, mais avançada na preparação, que estudou muito bem a lição, contra uma equipa de garotos, em construção.
O Lask é uma equipa do ‘nosso campeonato’. Porque não haveria de vir cá ganhar?
Lutaríamos para não descer em Espanha, Itália, Alemanha ou Inglaterra. Acho até que, numa época que começasse coxa, acabaríamos por descer de divisão.
Benfica e Porto lutariam para ir à Liga Europa. Nunca por nunca seriam campeões.
O nosso campeonato europeu será o belga, húngaro, austríaco, escocês, croata, etc.
Não é culpa do Rúben ou do Varandas, nem é de ninguém. Talvez seja dos árabes, russos e chineses, que compram clubes na Europa e investem milhares de milhões de euros.
Mas a vida é mesmo assim. Portugal é pequeno, não tem Economia, estavam à espera de quê? 
Talvez o que deva ser melhorado deva ser a observação dos adversários – o primeiro golo, de canto, deles, é bom exemplo de maus trabalhos de casa. De resto são coisas que acontecem.
É esperar que os jogadores entrosem, cresçam fisicamente, ganhem músculo e ambição e rezar para que não estejam sempre a sonhar com a transferência para um clube do meio da tabela dos big 5.
Estou convicto que a época interna será bem melhor que a anterior. Não estar na Liga Europa só ajudará o Sporting a estar mais bem preparado para aproveitar uma brecha na competitividade de Porto e Benfica.

Uma derrota humilhante

Quaisquer que sejam as razões, e já lá vamos, o Sporting inicia esta época de forma ainda pior do que iniciou a última, de novo vergado a uma derrota humilhante, mas que neste caso afasta a equipa das competições europeias, e dos encaixes financeiros e valorização dos jogadores daí decorrentes.

Tal como na Supertaça do ano passado, foi um jogo com duas partes bem distintas. O Sporting chega ao intervalo com igualdade no marcador, a jogar melhor e a criar mais oportunidades.  O perigo criado pelo Lask resumiu-se a cantos e lançamentos com a mão da lateral que contaram com intervenções desastradas de Nuno Mendes. Já o Sporting, para além do golo, o "pé-frio" Vietto desperdiçou uma ocasião flagrante e Nuno Santos não conseguiu definir duas boas incursões pela esquerda com jogadores soltos na área para encostar. Teve o Sporting nessa primeira parte capacidade para ultrapassar a primeira linha de pressão do Lask, acelerar no meio-campo e colocar em dificuldades a defesa em linha dos austríacos. O golo marcado foi uma bela jogada que envolveu Matheus Nunes, Porro e Nuno Santos, que centrou com precisão para uma bela cabeçada de Tiago Tomás.

Na segunda parte, o Lask entrou de novo a pressionar e a correr, e o Sporting... desconjuntou-se completamente. Os jogadores foram perdendo dinâmica, os duelos a meio-campo eram invariavelmente perdidos, os passes transviados, a equipa tentava sair a jogar, perdia a bola e levava com os contra-ataques do adversário. O individualismo veio ao de cima, e Wendel fazia piscinas até perder a bola num choque qualquer e deixar a equipa descompensada atrás. O segundo golo do Lask surgiu assim, o desarme de risco de Coates que levou ao terceiro também, o quarto a mesma coisa, e o quinto e o sexto não apareceram porque não calhou. Entretanto entrou um Sporar desmoralizado que, desmarcado, passou ao guarda-redes.

E foi assim, o Sporting, tal como o Rio Ave, fora da Liga Europa. Como o Benfica ficou fora da Champions. 

 

Vamos lá então às razões:

1. Além de o Lask estar numa fase mais avançada da época, o Sporting teve uma das piores pré-épocas da sua história, com um surto de Covid que afectou meia equipa, treinador e médico incluidos, e confinou os restantes, ficando dois jogos por disputar e condicionando os treinos. Não deixa de ser estranha esta questão. Vietto e Battaglia vieram de Ibiza contaminados. Algumas semanas depois fica meia equipa. Palhinha anuncia casamento e contamina-se a seguir. Pelos vistos, o médico ainda não está curado. Que se passou exactamente? 

2. Se para Jorge Jesus a prioridade máxima é sempre encontrar um grande ponta-de-lança, daqueles que se sentem como peixes na água na pequena área, para Hugo Viana parece que é mesmo a última, e depois da venda de Bas Dost por um valor irrisório só meia época depois veio Sporar, mesmo assim mais um avançado móvel do que um ponta-de-lança de área, e nesta época veio Pedro Gonçalves, veio Nuno Santos, vem agora Tabata, são 15M€ no total, mas ponta de lança, zero. E ontem nem com Sporar alinhámos no início. A verdade é que um bom e alto ponta de lança é fundamental não apenas ofensivamente mas também defensivamente no que respeita às bolas paradas. E tal como contra o Benfica e o Porto no final da época passada, o Sporting continua a ser castigado com golos nesse tipo de lances.

3. O Sporting não se pode dar ao luxo - e muito menos nesta fase de grande dificuldade que o clube e o futebol atravessam - de contratar muito e mal, de fugir ao princípio de quem vem tem de ser bem melhor do que o que existe dentro de casa, de não ter uma estrutura de scouting que descubra qualidade a baixo preço. O Sporting continua com demasiados jogadores encostados, que ninguem quer, frutos de erros de casting desta Direcção e da anterior. Por outro lado, continuam a sair jogadores que faziam coisas que os que vieram não fazem. Por exemplo, Gelson Dala teve a sua oportunidade e marcou, o Vietto também a teve e não marcou. Se para mim Nuno Santos foi o melhor em campo do lado do Sporting, Porro falhou no segundo golo mas fez um jogo aceitável, Adán idem no terceiro, Pote entrou já  com o jogo perdido mas falhou no quarto, já Feddal, que vinha para fazer esquecer Mathieu, esteve ao nível do Ilori, com sucessivos erros crassos de posicionamento e reacção ao lance. E custou 3M€. Como é possível? E onde está o ponta-de-lança?

4. Amorim é um jovem treinador de grande potencial. O que custou agora pouco importa, o que importa é ter condições para que as suas qualidades venham ao de cima, em termos de vitórias no campo e na valorização de jogadores, e ontem mais uma vez tivemos 6 sub-23 em campo, um miúdo de 18 anos marcou o golo. Enquanto houve pernas, o seu 3-4-3, erros individuais à parte, deu conta do recado. O problema foi depois. 

 

E assim voltamos à época Leonardo Jardim, depois de uma das piores temporadas de sempre, fora das competições europeias e um plantel quase sem craques, baseado na prata da casa, substancialmente inferior aos dos dois rivais. Obviamente que, com mais ou menos justificações, a responsabilidade deste estado de coisas é de Frederico Varandas e Hugo Viana, mas o Sporting tem de deixar treinador e plantel de fora da guerra civil instalada, de forma a andar para frente, recuperar os ainda contaminados, fazer os últimos ajustamentos no plantel, focalizar-se na Liga e ir a Portimão garantir os três pontos. 

SL

Imaturidade total

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O Sporting perdeu com o Lask mas não perdeu de uma maneira qualquer. Perdeu humilhado por imaturidade dos seus dirigentes, técnicos e jogadores.

Comecemos pelos menos culpados, os jogadores. Há bolas que entram e bolas que não entram. Há erros em campo que até se compreendem. Mas não se compreende a desconcentração total após a expulsão de Coates. Se os jogadores do Sporting não são capazes de manter a cabeça limpa com um mau árbitro, o campeonato vai ser terrível. É que este árbitro não é diferente de um João Pinheiro ou de um Hugo Miguel.

A imaturidade dos jogadores não se limitou aos mais novos. Adán orientou uma barreira como se estivesse num interturmas. Neto viu o clássico cartão amarelo que o condiciona para o resto do jogo. Sporar, apesar de ter entrado tarde, ainda conseguiu falhar dois golos fáceis. Quando Jorge Jesus chegou ao Sporting trouxe um psicólogo que fez maravilhas na cabeça dos jogadores. O aspecto mental é cada vez mais importante no futebol moderno e o Sporting parece não estar minimamente preparado para a mínima adversidade.

Avançando para a equipa técnica. Inicío de época e os mesmos onze jogadores (com excepção de Jovane) em três jogos numa semana. Equipa fisicamente de rastos, como seria de esperar, a jogar contra gajos que punham  qualquer um dos nossos debaixo do braço. Mesmo aceitando que este é o melhor onze para Rúben Amorim, ao intervalo já devia ter percebido que estávamos muito longe de controlar o jogo. A inoperância, que já se viu em jogos da época passada (Setúbal e Moreirense), agravou toda a situação. Amorim tem uma excelente ideia de jogo mas não consegue (ainda?) mexer convenientemente na equipa.

Já sobre a direção há tão mais a dizer. Até se pode compreender que não valorizem a Liga Europa, principalmente em ano de COVID, mas a gestão dessa hipotética decisão é para lá de ridícula. Também não se compreende como é que ninguém dá a cara depois duma derrota com o estrondo desta. Frederico Varandas tem obrigação de aparecer, no final do jogo, a pedir desculpa a todos os adeptos do Clube pelo que aconteceu. Os Presidentes não são necessários para cortar fitas. São necessários para dar a cara em alturas como esta.

Mas não foi só nisso que a direção falhou. Falta menos de uma semana para o final do mercado e vamos começar a época, tal como a anterior, só com um ponta de lança operacional. Piora se considerarmos que nos três jogos oficiais, esse ponta de lança nunca foi titular. Parece óbvio que Rúben Amorim está a querer passar uma mensagem. Infelizmente estão mais preocupados em vender Wendel ou Jovane.

Nesta época, ou todos começam a perceber que trabalham para o Sporting Clube de Portugal ou vamos ainda sofrer muitos dissabores. Não peço a demissão, peço coragem para falar aos adeptos e competência para gerir o Clube. Será que eles as têm para dar?

Francisco Geraldes e Gelson Dala

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O Rio Ave esteve a um passo de entrar na fase de grupos da Liga Europa. Enfrentou em Vila do Conde, nesta noite chuvosa, o Milan - um dos gigantes do futebol europeu e mundial. Só caiu após a marcação de 24 penáltis, no termo do prolongamento: ao minuto 119 vencia por 2-1. Com dois golos marcados por jogadores da formação leonina dispensados por Frederico Varandas, Hugo Viana e Rúben Amorim. Este triste trio considerou que Francisco Geraldes e Gelson Dala não tinham qualidade para integrar o plantel leonino.

Erro crasso. Mais um, entre tantos outros.

 

Na mesma noite em que o futebol leonino naufragou às portas da mesma prova frente ao Lask Linz: desde 2005 que não saíamos tão cedo de uma competição europeia, ainda na fase das pré-eliminatórias da Liga Europa. Desta vez em clima de pesadelo, goleados em casa por 1-4 pela mesma equipa que tínhamos vencido à tangente há um ano, também em Alvalade, ainda sob o comando de Silas. Antes de Varandas ter sacado Amorim da cartola.

Parabéns, em qualquer caso, ao Rio Ave e aos vilacondenses. Parabéns aos "nossos" Geraldes, Dala - e Carlos Mané (que integrou o onze titular no estádio dos Arcos). Jogadores formados na Academia de Alcochete e que o Sporting despachou, em épocas diferentes, como se não prestassem. Enquanto íamos comprando inútil entulho (de)formado sabe-se lá onde.

 

Quanto ao Sporting, não é tempo para felicitar ninguém, muito pelo contrário. Excepto o benjamim da equipa, com apenas 18 anos e três meses: Tiago Tomás, marcador do nosso golo solitário nesta noite catastrófica. Único que merece nota positiva dos 14 que alinharam em Alvalade.

Não me admirava nada que um dia destes vá jogar para o Rio Ave...

Pódio: Tiago Tomás, Coates, Porro

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Aberdeen pelos três diários desportivos:

 

Tiago Tomás: 17

Coates: 17

Porro: 17

Neto: 15

Vietto: 15

Wendel: 14

Adán: 14

Feddal: 14

Jovane: 13

Nuno Mendes: 13

Matheus Nunes: 12

Sporar: 11

Daniel Bragança: 6

Plata: 1

 

A Bola e o Record elegeram  Tiago Tomás  como melhor jogador em campo. O Jogo optou por  Coates.

Vencemos uns padeiros escoceses

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Uns padeiros com oitos jogos oficiais nas pernas, que fazem do físico a sua grande arma e que se fecharam lá atrás mesmo estando a perder desde o minuto cinco. 

Nada mau para uma equipa que perdeu nove jogadores e um treinador para o COVID19. Nada mau para uma equipa que não fazia um jogo há quase três semanas.

Sim, apenas vencemos uns padeiros. Mas em jogos a uma mão tudo pode acontecer. O PAOK que o diga.

Vencemos também com um golo de Tiago Tomás numa bela jogada de Vietto. Venha o Lask!

Já sobre a AG, parece que há uma recolha de fundos para uma providência cautelar que ainda não foi apresentada. Como é que se dizia? Ah! "É seguir o dinheiro..."

A rede

Sem argumentos físicos para aguentar com os matulões escoceses durante 90 minutos, o Sporting lançou-lhes uma rede feita de passes e temporizações de que eles quase nunca se souberam libertar.

Assim Adán chegou ao fim sem qualquer intervenção digna desse nome, se excluirmos ter enviado para canto um centro de longe, mais ou menos transviado, que se dirigia para o canto superior direito da baliza.

Já o Sporting teve quatro oportunidades flagrantes. Tiago Tomás concretizou uma e falhou outra na sequência dum grande centro de Porro (jogo de cabeça precisa-se), e Jovane desperdiçou ingloriamente as duas que teve.

O melhor em campo do Sporting foi mesmo Porro. Bem a defender, incisivo a atacar, centros por alto e por baixo bem medidos, temos finalmente um defesa/ala direito em condições.

Coates, "el patrón", esteve imperial. Sempre o considerei como um dos craques do plantel, andou sempre num enquadramento que muito o prejudicava, sempre a ter de sair da posição para dobrar um defesa direito ausente em parte incerta, sem rins para aguentar a velocidade dos extremos contrários. Agora bem no meio da defesa é simplesmente imprescindível.

Tiago Tomás, mau jogo de cabeça à parte, continua a surpreender. Não se dá muito por ele, mas naquela posição de interior direito luta, assiste e marca. E neste sistema do Amorim é isso que se pede àqueles dois jogadores mais próximos do ponta de lança.

Depois deles, e com tudo o que tem acontecido, muita gente sem ritmo competitivo para os 90 minutos, jogadores que já vimos fazer bem melhor. Vietto é o melhor exemplo. 

Depois do Paços vem já aí o Lask, e muito há que melhorar para ultrapassarmos os austríacos, basta lembrarmo-nos daquela primeira parte em Alvalade na época passada onde nos livrámos por pouco de ir para o intervalo com três ou quatro golos sofridos. Depois acabámos por dar a volta ao resultado e ganhar o jogo, e na Áustria foi o que se conhece, muito por culpa da rotação de jogadores que Silas resolveu promover.

Mas esta equipa do Sporting não é a barata tonta desse tempo, mesmo desfalcado dos melhores jogadores de então entra em campo com a lição bem estudada, sabe o que quer fazer e o que não quer deixar o adversário fazer, e luta pela vitória. E acredito que vamos conseguir entrar na Liga Europa.

Finalmente, chamou-me a atenção a entrada de Plata para render Porro. Ristovski cada vez mais está na porta de saída? Porque também acho que o melhor lugar para Plata é mesmo esse, e não em zonas mais interiores do terreno. Tem o físico e a concentração que Camacho não tem. Com Porro a jogar assim e Plata a especializar-se na posição se calhar estamos finalmente bem servidos à direita. Um tema a acompanhar.

SL

Quente & frio

Gostei muito  que tivéssemos começado a época oficial de futebol 2020/2021 com uma vitória, ao contrário do que aconteceu na temporada anterior. Ontem, em Alvalade, contra o Aberdeen: vencemos por margem mínima, mas bastou para superarmos esta pré-eliminatória de acesso à Liga Europa. Segue-se, no próximo dia 1, um embate com o Lask Linz, equipa bem nossa conhecida. Este triunfo foi importante não apenas por motivos financeiros e reputacionais, mas sobretudo para criar motivação e sedimentar espírito de equipa num grupo que teve só agora o primeiro confronto a sério - incluindo jogadores em estreia absoluta nas competições europeias, como Tiago Tomás (marcador do golo solitário do Sporting), Matheus Nunes, Nuno Mendes, Daniel Bragança e Gonzalo Plata.

 

Gostei  das exibições de vários jogadores. Desde logo, Tiago Tomás, que sentenciou o resultado logo aos 7 minutos, a passe de Vietto: com apenas 18 anos, jogou solto e descomplexado, revelando ambição de agarrar um lugar no onze titular. Mas também Pedro Porro, em estreia oficial na nossa equipa, confirmando que é realmente um reforço na nossa ala direita: fez excelentes cruzamentos aos 18', 56' (quase originou o segundo golo, para a cabeça de Tiago Tomás) e 59', além de um espectacular slalom de 50 metros, na ala oposta à sua, que permitiu travar uma perigosa ofensiva escocesa aos 72'. Coates foi capitão não só de braçadeira mas também de todo o sector defensivo, sempre muito sincronizado na linha de fora de jogo, desposicionando os adversários, e fez cortes impecáveis aos 66', 90' e 90'+1. Destaque ainda para Wendel: foi ele quem recuperou a bola no lance de golo, entregando-a para a assistência de Vietto, e também soube pensar o jogo, articular sectores e criar desequilíbrios a meio-campo. Também apreciei a contínua aposta na formação (Matheus Nunes, Nuno Mendes, Tiago Tomás e Jovane no onze titular, Bragança e Plata suplentes utilizados) e na juventude (os nossos sete jogadores mais avançados no terreno tinham apenas 21,5 anos de idade média).

 

Gostei pouco  que Daniel Bragança não tivesse entrado mais cedo: Emanuel Ferro - ontem no comando efectivo da equipa por impedimento de Rúben Amorim, confinado com Covid-19 - só o mandou entrar para o lugar do esgotado Wendel aos 86'. Também me pareceu tardia a troca de Tiago Tomás por Sporar (aos 77'). E custou-me entender por que motivo Jovane - ontem o nosso jogador com sinal menos, ao ponto de se poder dizer que passou ao lado da partida - permaneceu em campo até ao apito final. Falhou a aposta de o colocar como avançado-centro, deixando Sporar no banco: aquele não é o terreno ideal para potenciar as qualidades do luso-caboverdiano.

 

Não gostei  da falta de ritmo competitivo da nossa equipa, em comparação com a turma escocesa, que fez agora o seu nono jogo oficial enquanto o Sporting não actuava sequer numa partida de preparação desde 9 de Setembro. Este notório défice de capacidade física começou a notar-se a partir da meia hora, forçando a nossa equipa a gerir com inteligência o ritmo de jogo e mantendo o controlo de bola, tanto mais que a iniciativa atacante competia ao Aberdeen, a perder desde o minuto 7. À falta de ritmo somaram-se as ausências forçadas, devido ao Covid-19: nove jogadores continuam de quarentena, incluindo Pedro Gonçalves, Nuno Santos e João Palhinha. Felizmente já poderemos contar com eles no confronto com a equipa austríaca.

 

Não gostei nada  de esperar 61 dias pelo regresso do futebol leonino aos jogos oficiais. E menos ainda que este tardio início da temporada tenha ocorrido sem público, à porta fechada, com os sócios banidos do estádio. Quando touradas, circos, comícios, celebrações políticas e religiosas, espectáculos teatrais, sessões de cinema, provas hípicas, corridas de automóveis, shows humorísticos e festarolas diversas já podem contar com público. O futebol - que gera tantas receitas fiscais para o Estado e cria pelo menos 80 mil postos de trabalho directos e indirectos em Portugal - continua a ser tratado como inaceitável filho de um deus menor.

Há por aí algum optimismo?

Façamos figas. No momento em que escrevo estas linhas, tudo indica que o Sporting realizará mais logo, a partir das 20 horas, o seu primeiro jogo oficial da nova temporada - o confronto em Alvalade com o Aberdeen, na pré-qualificação para a Liga Europa.

As reservas são naturais. Se houver mais algum caso de contágio com o novo coronavírus na nossa equipa, onde se registaram nove infectados, o jogo pode vir a ser cancelado pela Direcção-Geral da Saúde, podendo a UEFA atribuir a vitória à turma escocesa por falta de comparência do Sporting. Esperamos que nada disso aconteça.

Mas o que importa aqui é aferir do vosso estado de espírito. Por isso venho perguntar-vos como antevêem este embate com o quarto da Liga escocesa, já calejado por oito jogos oficiais. Reina por aí o optimismo ou prevalece o pessimismo, sabendo que a nossa equipa está sem jogar desde o dia 9? Vamos ultrapassar este importante teste no relvado ou ficar pelo caminho?

Digam de vossa justiça, pronunciem-se. Agora. Para analisar o jogo teremos outros espaços de debate.

Amanhã à noite em Alvalade

Finalmente vamos ter o primeiro jogo oficial da temporada, e logo uma partida decisiva no que diz respeito ao acesso à Liga Europa, contra o Aberdeen, uma equipa escocesa já com quatro ou cinco jogos oficiais realizados. Não vai ser fácil.

Vamos então recomeçar esta série de posts, ainda sem conhecimento dos convocados, sabendo que os recentemente afectados por este maldito vírus estarão de fora, incluindo o Rúben Amorim. Estão à vontade para alterar o vosso prognóstico conforme os imprevistos. Convocados esses que devem ser mais ou menos os seguintes, com as incógnitas de quem vão ser os da equipa B que se vão sentar no banco:

Guarda-redes: Adán e ?.

Defesas Centrais: Coates, Neto, Feddal e ?

Alas: Porro, Ristovski, Nuno Mendes, Antunes.

Médios Centro: Wendel, Bragança, Matheus Nunes e ?

Interiores: Jovane, Plata, Vietto e ?

Avançados: Sporar e Tiago Tomás.

Com tantos ausentes, não deve ser difícil adivinhar o onze, onde coloco o Risto, pela rodagem que foi tendo na sua selecção e esperando que seja desta que lhe deixe de chamar burro ou coisa pior:

Adán; Neto, Coates e Feddal; Ristovski, Matheus Nunes, Wendel e Nuno Mendes; Jovane, Sporar e Vietto.

 

Concluindo,

Amanhã à noite o Sporting entra em campo em Alvalade para ultrapassar o Aberdeen no acesso à Liga Europa.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

SL

Viking ou Aberdeen

Os noruegueses do Viking ou os escoceses do Aberdeen estarão no caminho do Sporting a 24 do mês que hoje se inicia. Os nórdicos já têm história com o Sporting. Em setembro de 1999, Peter Schmeichel encaixou três golos do modestíssimo clube norueguês (ficou em oitavo lugar na sua liga, nessa época). De nada serviu ao Sporting, campeão nacional dali a uns meses, ter no seu onze, homens como Quiroga, Beto, Duscher, Delfim ou Ayew. Quem brilhou nessa noite, foi um tal de Morten Berre, com dois golos. Quem? Pois…. Então, como hoje, o Viking é uma banal equipa de meio da tabela e a eliminatória deve ser do Aberdeen. Aberdeen, esse, que é a terceira equipa do futebol escocês, tendo tido no fim dos anos 70 e início dos 80, os seus anos de ouro, com a conquista de três campeonatos nacionais, quatro taças, uma Taça das Taças e uma Supertaça Europeia. Pelo banco, andava um tal de…Alex Ferguson. Sem grande foco de interesse, o Aberdeen seria, um adversário acessível, num jogo único, em casa. Veremos.

A propósito da Liga Europa (com alguns parênteses)

[Senti-me muito bem-vinda!

Gostei de cá chegar. Gostarei de cá estar.]

 

Vi, na sexta-feira, a final da Liga Europa. Segui o jogo com interesse distraído: «rijamente disputado» (como ainda dizem alguns comentadores), frequentes simulações (equipas latinas e recheadas de sul-americanos), melhor a primeira parte (na segunda: força diminuída, ansiedade acrescida).

Fui torcendo, embora sem grande vigor, pelo Inter (desde que o Lukaku não marcasse!), apesar de, em Itália, no que a clubes respeita, só ter gostado da Juventus e do A.C. Milan.

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Da Juventus, inicialmente, nem sei bem porquê, mas, após o horrendo Heysel, não havia como não querer gostar da Juventus. Essa final da Taça dos Campeões Europeus (Liverpool vs Juventus, em 1985) é o grande exemplo de jogos que nunca se deveriam ter realizado, nem que fosse somente por relutante decência. Tal como outras duas finais, estas domésticas: as da Taça de Portugal de 1996 e de 2018.

Voltei a acompanhar a Juventus por causa do Ronaldo.

Pelo meio (final dos anos 80 e início dos 90), entusiasmei-me com o A.C. Milan dos extraordinários holandeses – Marco Van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard, tanto mais que este último chegou a ser, sem o ser, jogador do Sporting (temos, não raramente, queda para o burlesco…).

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Regressando a sexta-feira: fui torcendo, embora sem grande vigor, pelo Inter (e o Lukaku até marcou, mas não chegou) porque, mais do que antipatizar com o registo escandalosamente vitorioso do Sevilha, eu quereria ter visto a jogar o Bruno Fernandes!

Última verdadeira garra do leão, profissional modelo, futuro capitão da seleção nacional, que, no Sporting, por empenho próprio e ausência alheia, foi jogador, capitão, treinador em campo e espécie de porta-voz/diretor de comunicação do clube… Sovado em campo (usualmente sob o olhar displicente dos árbitros), assediado pelos jornalistas (ou aspirantes a sê-lo), Bruno teve grandeza dentro e fora do relvado, num clube e num campeonato (gosto mais do que «liga») que se tornaram pequenos para ele: no campeonato porque, de clube, vestia a nossa camisola…

Saudades do Bruno Fernandes! Se não era leão de pequenino, muitas vezes bem o pareceu…

Voltando a sexta-feira: ganhou o Sevilha. Não faz mal. Lá jogou o Daniel Carriço e lá joga o Gudelj (este, sim, joga rijamente e bem falta fez na última época).

O que interessa mesmo: Bruno Fernandes foi o melhor goleador da Liga Europa e mais de metade dos golos foram marcados de leão ao peito!

Parabéns ao Bruno!

Parabéns ao Sporting Clube de Portugal por o ter tido!

Armas e viscondes assinalados: Foram a Istambul e afogaram-se num dilúvio turco

Basaksehir 4 - Sporting 1

Liga Europa – 2.ª mão dos Dezasseis-avos de final da Liga Europa

27 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (2,0)

Ao longo dos séculos milhares de portugueses tiveram o azar supremo de atingir a maioridade em tempo de guerra, morrendo ou ficando estropiados nas trincheiras lamacentas europeias ou na curva de uma picada poeirenta africana. Mais afortunado, Luís Maximiano limitou-se a conquistar a titularidade na baliza do Sporting quando este é treinado por Silas, dirigido por Hugo Viana e presidido por Frederico Varandas. Algo que se traduz em 27 golos sofridos nos 21 jogos desta temporada em que lhe coube calçar as luvas, sendo as derrotas (9) quase tantas quanto as vitórias (11). Desta vez fica ligado a mais um recorde negativo da actual gerência, pois o Sporting nunca tinha perdido na Turquia, e com responsabilidades inegáveis no segundo golo, por muito que o livre directo tenha sido bem cobrado. Mas nem por isso deixou de ter intervenções que impediram o resultado de atingir proporções em que a humilhação pública da equipa superaria decerto a potente anestesia que leva os adeptos a convencerem-se de que o lema do clube é “esforço, dedicação, devoção (desde que bem-comportada, claro está) e miséria”. Assim foi no lance da segunda parte em que não só defendeu o remate de Demba Ba como também a recarga que o avançado – apenas um dos sete “trintões” que foram titulares no Basaksehir, juntando-se-lhe o veterano Robinho para as derradeiras estocadas ao leão assarapantado – teve liberdade de executar mesmo estando caído do relvado. Ou na forma como evitou um azarado autogolo de Tiago Ilori. Encontra-se entre os raríssimos jogadores que mereceriam uma passagem aos oitavos-de-final que só não aparentava estar garantida após o 3-1 trazido de Alvalade porque já toda a gente sabe do que este Sporting é capaz.

 

Ristovski (1,5)

Assenta sobre os seus ombros grande parte da responsabilidade pelo tardio terceiro golo turco que forçou o prolongamento, pois demorou a acercar-se do jogador que tinha a bola nos pés e concedeu-lhe ampla liberdade para o remate em arco que prenunciou um dilúvio no qual o Sporting voltou a ver-se sem arca. Fustigado ao longo de todo o jogo pelo caudal ofensivo do adversário, nem sempre esteve ao seu nível, tal como raramente contou com o auxílio de que necessitava, terminando o prolongamento em péssimas condições físicas. Ligeiramente melhor só mesmo em missões ofensivas, assinando um cruzamento com selo de golo que seria o 3-2, mas que Vietto carimbou para cima da barra.

 

Coates (1,5)

Merece mais meio ponto pela forma como pediu desculpa a todos os adeptos na “flash interview”, e prometeu uma autocrítica da equipa, sobretudo porque o adjunto que a UEFA finge acreditar ser treinador principal do Sporting preferiu mergulhar de cabeça na “verdade alternativa”, cantando loas ao domínio leonino num jogo em que foi goleado e saiu de cabeça baixa da única competição em que lutava por algo mais do que um terceiro a quinto lugar. Mas o central uruguaio teve uma noite muito abaixo do seu valor, começando por uma verdadeira assistência para o primeiro golo do Basaksehir, e nunca transmitiu tranquilidade aos colegas.

 

Tiago Ilori (1,5)

Teriam a goleada e o afastamento da Liga Europa ocorrido se Mathieu estivesse a jogar em vez desta esperança cancelada da formação leonina? Dificilmente, ainda que a presença do veterano francês permitisse toda outra qualidade na saída com bola, pois o problema de raiz foi mais uma das tácticas suicidas com que Silas vai distribuindo alegrias aos adversários do Sporting. Seria a hora certa para ir buscar Jesualdo Ferreira, apostar nos sub-23 e, sobretudo, eleger dirigentes que tenham noção daquilo que andam a fazer...

 

Acuña (3,0)

Ninguém lhe consegue apontar semelhanças físicas com Gary Cooper, mas chegou a parecer o xerife Will Kane de “High Noon – O Comboio Apitou Duas Vezes”, lutando contra tudo e contra todos por um desfecho melhor do que o esperado. Pertenceram ao lateral-esquerdo os melhores remates do Sporting na primeira parte, sendo um deles antecedido por uma maravilha de domínio de bola e de inteligência nos pés dentro da grande área turca. Já na segunda, quando havia mais alguns braços e pernas a remar contra a corrente, cruzou com precisão milimétrica para Vietto reverter o Alvaladexit que se adivinhava. Mas quis o destino que não fosse o suficiente, pelo que o argentino fica contido ao rectângulo à beira-mar plantado e poderá muito bem ser a próxima solução da gerência para conseguir mais uns trocos que paguem comissões dos próximos génios incompreendidos a aterrar na Portela.

 

Battaglia (2,5)

Esteve quase a ser o herói da noite, tão oportuno e preciso foi no corte que adiou o 3-1 por alguns segundos. Antes, quando pareceu que o Sporting poderia empatar ou até vencer o jogo, tamanha era a desorganização dos turcos em busca do prolongamento, teve uma arrancada em que recordou os adeptos de que não tem o remate de longa distância entre os pontos fortes. Resta-lhe a escassa compensação de ter sido um dos menos responsáveis por mais um desastre da equipa.

 

Wendel (2,0)

Melhor a transportar bola do que os extremos titulares, esforçou-se para que o jogo corresse melhor. E, sem culpa nenhuma, fica ligado à perda da eliminatória no tempo regulamentar, pois o “timing” da sua substituição contribuiu para abrir a cratera no posicionamento da equipa que permitiu o 3-1.

 

Bolasie (0,5)

Displicente no primeiro lance em que foi solicitado, ao ponto de permitir um contra-ataque perigoso, nunca mais se reencontrou, oscilando entre as habituais trapalhices na hora de driblar ou rematar e uma falta de atitude competitiva para a qual seria perfeitamente ajustado reagir com o proverbial “pano encharcado nas fuças”. Ter ficado perto de uma hora em campo só poderá ser explicado pela pulsão suicida que é marca de água do futebol de Silas.

 

Jovane Cabral (1,5)

Muito interventivo, faltou-lhe apenas o detalhe de intervir bem ou, no mínimo, decentemente. Remates de pendor surrealista mostraram que não era aquele o seu dia, embora não andasse muito distante de uma terra há uns milénios surgiu outro salvador que também parecia improvável.

 

Vietto (1,5)

Impõe-se a pergunta: será que o Sporting estaria agora a preparar-se para os oitavos-de-final da Liga Europa, vencendo o desempate da eliminatória através da marcação de grandes penalidades se o avançado argentino não tivesse feito tão lamentável e desnecessária falta na sua grande área quando faltava muito pouco para o final do prolongamento? É bem possível que assim fosse, o que não apagaria mais uma exibição vergonhosa, daquelas que causam danos reputacionais. E neste momento todos estariam a elogiar o cabeceamento irrepreensível de Vietto a desviar o cruzamento de Acuña para as redes do Basaksehir. No entanto, apesar do mérito nesse golo e na leitura de jogo, manteve-se o tendencial desacerto que o impeliu a desperdiçar um belo cruzamento de Ristovski.

 

Sporar (1,0)

Recordou-se tarde e a más horas de que estava presente no relvado e fez um remate descalibrado. Feita esta relativa prova de vida, remeteu-se à contemplação.

 

Gonzalo Plata (2,5)

Pôs a mexer a equipa, vergada pelo 2-0 aquando da sua tardia entrada no jogo. Bom a driblar e a encontrar espaços, pior esteve no instante em que era preciso decidir.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Entrou para segurar o resultado, mas a sua intervenção mais relevante foi a participação num contra-ataque em que quase voltou a marcar.

 

Eduardo (1,0)

Não tem culpa de que a sua entrada, com o claro objectivo de queimar mais uns segundos antes do iminente apito final, tenha aberto o buraco na defesa leonina que permitiu o 3-1. Mas também pouco ou nada ajudou a equipa durante o prolongamento.

 

Pedro Mendes (-)

Pôde entrar como quarto substituto durante o prolongamento, adoptando um registo muito parecido com a contemplação de Sporar.

 

Silas (0,5)

Ao contrário de Groucho Marx, Silas é capaz de mudar os seus princípios de jogo mesmo que gostem deles. Portanto, aquilo que fez depois de uma agradável exibição frente ao Boavista foi instruir os jogadores a darem a iniciativa ao adversário e retirar do onze titular Gonzalo Plata, que dias antes assinara a melhor exibição individual pós-Bruno Fernandes de que há memória. Vendo-se a perder e com a Liga Europa a fugir-se-lhe pelos dedos, teve a sanidade ao retardador de mexer na equipa à hora de jogo e quase de tal colheu agridoce fruto. Mas uma substituição pessimamente gerida ajudou a que o Basaksehir empatasse a eliminatória, servindo de prenúncio do dilúvio de água gelada que se iria abater. Este é mais um desaire que tem a marca de Silas, que provavelmente será mantido em lume brando para que as suas insuficiências sirvam de manto de ocultação de incompetências alheias. A não ser que seja goleado na visita a Famalicão, o que também já não espantaria ninguém...

Pódio: Acuña, Battaglia, Luís Maximiano

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Basaksehir-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Acuña: 15

Battaglia: 14

Luís Maximiano: 14

Ilori: 13

Idrissa Doumbia: 12

Plata: 12

Wendel: 12

Coates: 11

Ristovski: 11

Vietto: 11

Jovane: 10

Sporar: 10

Eduardo: 9

Bolasie: 8

Pedro Mendes: 5

 

O Jogo e A Bola elegeram  Acuña  como melhor sportinguista em campo. O Record optou por  Battaglia.

Jogadores medíocres, equipa técnica medíocre - e o presidente que os trouxe

O pior da derrota (1-4) na Turquia que sentenciou a época de 2019-20 como digna dos tempos de Godinho Lopes é que poderá ter sido o último jogo europeu do Sporting Clube de Portugal durante alguns anos. A dura realidade é que será muito difícil a este mal-orientado e depauperado plantel, o que resta das vendas de Varandas, superar Famalicão ou Rio Ave. E sim, terminaremos a 20 ou 30 pontos do primeiro lugar.

Com a venda de Bruno Fernandes, foram-se practicamente todos os nossos "anéis", em pouco mais de um ano. Ou, como se dizia no tempo de Sousa Cintra, "as garras do Leão". Restam-nos os veteranos Acuña, Mathieu e pouco mais.

Numa constante de perda de ambição e desinvestimento (uma espiral recessiva), já antes tinham ido Bas Dost e Raphinha. Estes dois e Thiery iam para que não fosse preciso vender Bruno Fernandes, disse Varandas. Agora, diz que se enganou. Antes destes, Nani, que além de ser um grande jogador era um verdadeiro capitão. 

Estes grandes jogadores foram substituídos por quem? Bolasie. Jese, o "avançado centro". Fernando, o craque brasileiro que não chegou a pisar Alvalade. Vietto alterna bons jogos com outros em que pouco se vê. É verdade que Plata ainda pode vingar, mas é cedo para lhe por sobre os ombros a responsabilidade de referência da equipa - como o "marketing" do Clube precipitadamente parece querer fazer ao fim de apenas 2 jogos ("Plata o Plomo"...). 

Não há volta a dar e não tenhamos ilusões: temos hoje um plantel medíocre. Tenho sérias dúvidas de que o nosso plantel seja melhor do que o do Braga, cujo orçamento de um terço ou um quarto do nosso. Um clube sem historial, que tem umas poucas dezenas de milhar de adeptos.

Há dias, só a muito custo conseguimos empatar em Vila do Conde.

Mediocridade é o melhor caracteriza o Sporting da era Varandas. E amadorismo. Isto e uma mistura de miserabilismo e falta de noção cunhada pelo tecnocrata da direcção, quando disse há dias em entrevista ao Expresso que o clube era uma "roulote" antes de chegar a iluminada equipa de Varandas. "Roulote" essa que esteve dois anos seguidos na Champions. A bater-se com Real Madrid, Juventus, Dortmund. O lugar do Sporting. "Roulote" que deu 3-0 ao SLB na Luz. Que ganhou uma Supertaça aos vermelhos. Que se batia por campeonatos até à última jornada. Que enchia um estádio vibrante, que hoje está a meio-gás e terminará a época vazio. Acharão mesmo eles que a nossa memória é assim tão curta?

Despedir, num mau momento no início da época, um treinador que tinha posto o Sporting a jogar bem (Keizer) e ganho dois troféus, sem ter alternativa à altura ou melhor foi, como se vê hoje, um total disparate desta direcção. Silas acabou por aguentar tanto quanto pode e conseguiu levar a equipa à "final four" da Taça da Liga e às eliminatórias da Liga Europa. A véspera de jogos decisivos para o campeonato (SLB, FCP, Braga), Taça da Liga e Liga Europa, Varandas passou-os a negociar (na companhia do "superagente" Mendes) a venda do melhor jogador do plantel. E depois a dar entrevistas, ufano, a dizer que foi "a melhor venda de sempre" do clube (o que só pode ser um elogio ao seu antecessor e rival, que o contratou por menos de 1/6 desse valor).

O Sporting não precisa de um novo treinador. Nem mesmo de novos jogadores. Precisa de uma coisa que perdeu com esta direcção - ambição. Vontade de ganhar jogos e de honrar a camisola de Peyroteo, Yazalde, Damas, Balakov ou Acosta. Respeito próprio. Respeito dos adeptos. União. 

Para mim, é claro como a água que, com Varandas, não passaremos da mediocridade e das justificações (ora é a "herança", ora é "o clube de malucos" e os "esqueletos"). Isto nem é desporto, nem é de gente digna.   

Que venha alguém que possa devolver essa união e essa ambição ao clube.

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