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És a nossa Fé!

O paradoxo do futebol a triplicar

Dia triste para o futebol nacional. O Benfica foi afastado do acesso à pré-eliminatória que lhe daria o acesso à fase de grupos, que lhe daria o acesso à fase a eliminar, que lhe daria acesso à final da Liga dos Campeões e a ter acesso a conquistar um troféu que por mor de uma maldição (dizem) lançada por um húngaro que os treinou há cerca de setenta anos, tem visto por um canudo (ufff, que quase tive um acesso de falta de ar).

A propósito de canudo, de Braga saiu o treinador da equipa que confirmou que Béla Guttmann ainda tem os orixás em alta. Tão em alta que os três golos da desgraçada derrota (2-1 para o adversário numa eliminatória de um só jogo) foram marcados por jogadores do... Benfica! Bom, um deles já não é do Benfica, foi dispensado para se poupar dinheiro. Saiu no jornal oficial do clube, A Bola, que com a saída do marcador do segundo golo dos gregos (com gregos a tarefa é sempre árdua, a malta vê-se grega para lhes ganhar, desculpem a piada fácil) o Benfica poupou pouco mais de um milhão de Euros (1,3M€), demonstrando uma capacidade de gestão extraordinária ao rescindir com o sérvio Zivkovic. Ora, fazendo aqui umas contas rápidas de merceeiro, aquela rescisão custou à volta de 40 milhões aos cofres da lampionagem. Não faz mal, eles vão ali ao Novo Banco outra vez e resolvem!

 Ontem o Benfica arrasou na primeira parte, falhou até pelo menos dois golos feitos, mas o galo deixado atrás da baliza (agora dava jeito que o homem tivesse nascido em Barcelos e não em Penafiel) por Abel Ferreira com o intuito claro, todos percebemos, de se vingar das humilhações que por cá foi obrigado a sofrer sempre que defrontou os encarnados enquanto treinador do Braga, não deixou que o futebol avassalador dos portugueses fosse abrilhantado pelo sal do jogo. 

E como quem não marca sofre, na segunda parte primeiro por Verthongen na própria baliza (não evitaria o golo, já que havia um grego a quem se antecipou que o faria) e depois pelo tal sérvio da poupança, o Benfica encaixou dois no bornal e se desorientados andavam com o primeiro golo sofrido, com o segundo o rolo compressor, o futebol tríplice do Benfica (olá Jorge Jesus, bem vindo à realidade do futebol sem favores e colinho), transformou-se num grupo de casados, alguns barrigudos como eu e cheios de mazelas nos joelhos, que não mais se encontraram e o golo apontado por Rafa já nos descontos não veio acrescentar nada, o jogo estava mais que controlado pelos do PAOK de Salónica.

Eu não tenho dúvidas que a nível interno, se entretanto Vieira ganhar as eleições como está cozinhado, o investimento de 100 milhões (calma, as contas estão certas, o novo Guttmann ainda quer que lhe comprem mais gente para a defesa, portanto não andará longe disso no final do dia) dará frutos, perdão, fruta limpinha pronta a comer e só uma pandemia lhes retirará o primeiro lugar. Mas o que fazer então àquele rapaz Uruguaio e ao outro brasileiro que vieram para ser campeões europeus pelo Benfica? Olha, se calhar atrevo-me aqui a dar um conselho a Vieira: Que rescinda com eles para poupar uns cobres, ou que os venda ao PAOK. Assim pelo menos sempre têm uma vaga hipótese...

Espera-os a Liga Europa, onde corremos o risco de não chegar, porque temos uma pré-eliminatória para disputar e porque temos mais de meia equipa infectada com Covid, havendo a possibilidade de sermos eliminados sem sequer jogar, mas se tudo correr como desejamos, seria interessante disputar a final com o Benfica. É que temos umas continhas a ajustar com Jorge Jesus...

Bayern, PSG, Sporting e mais alguns clubes

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Jogadores do Bayern celebram conquista da Champions em Lisboa

 

Devo confessar-vos uma coisa: adorei a campanha do Bayern de Munique nesta Liga dos Campeões.

Por três motivos que passo a detalhar.

 

1

Em primeiro lugar, por ter sido a vitória do modelo clássico de clube desportivo baseado na vontade livremente expressa dos sócios contra o modelo da SAD escancarada a investidores externos, por vezes de proveniência muito duvidosa, como tem sucedido em velhas agremiações do futebol europeu, como Chelsea, Manchester City, Valência e Milan. Ou o próprio Paris Saint-Germain, finalista derrotado nesta Champions disputada em Lisboa, que é, na prática, propriedade de um Estado estrangeiro: o emirado do Catar, que nos últimos nove anos terá investido cerca de 1,3 mil milhões de euros no emblema parisiense (incluindo as contratações de Neymar por 222 milhões e Mbappé por 180 milhões) sem com isso garantir o mais cobiçado título do futebol mundial. O dinheiro ajuda muito, mas não faz milagres.

 

2

Em segundo lugar, por representar o triunfo absoluto do mérito, também em moldes clássicos. A melhor equipa do continente europeu nunca evidenciou qualquer dúvida existencial sobre a essência do futebol: estamos perante um desporto colectivo, que excede a mera soma de talentos individuais. Por mais virtuosos que sejam um Neuer, um Thiago Alcântara, um Kimmich, um Alaba, um Müller, um Pavard ou um Lewandowski, todos eles se reconhecem como parcelas de um todo. O que logo os torna mais fortes.

Ficou a lição para todos quantos ainda não haviam aprendido esta verdade elementar. Começando por aquelas estrelas do relvado que adoram ostentar penteados, exibir tatuagens e coleccionar supostas conquistas amorosas, incapazes de perceber que ninguém ganha sozinho.

 

3

Finalmente, porque esta campanha cem por cento vitoriosa da equipa bávara na Liga dos Campeões 2020 - onze jogos, onze vitórias sem discussão - encerra em definitivo aquelas piadas que dirigiam aos sportinguistas por termos sido duas vezes derrotados frente ao Bayern para a Liga dos Campeões, na temporada 2008/2009, sob o comando de Paulo Bento: 0-5 em casa, 1-7 na Alemanha. «Humilhação histórica», titularam à época os jornais, alguns deles inchados de gozo. Por causa disso, andámos anos a ouvir bocas dos lampiões.

Até agora. É caso para dizer que o Sporting está muito bem acompanhado em matéria de «humilhações históricas» frente ao Bayern, que nesta escalada triunfante espetou 7-2 ao Tottenham, esmagou o Estrela Vermelha por 6-0 fora de casa, dobrou o Chelsea por 7-1 no conjunto das duas mãos e humilhou o Barcelona nos quartos-de-final por uma marca inédita: 8-2. Ao ponto de ter levado Messi a fazer birrinha, ameaçando abandonar a capital catalã.

 

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Página virada, pois.

De uma coisa podemos gabar-nos: nunca levámos sete secos do Celta de Vigo, essa potência do futebol.

Sonho de uma noite de Verão

Ontem, como milhões de pessoas no Mundo inteiro, assisti à final da Liga dos Campeões disputada no nosso país, ali naquele estádio junto ao Colombo.

Frente a frente dois conceitos de clube completamente antagónicos: O Bayern de Munique um clube dos sócios, há muito dirigido por ex-jogadores (deve ser coisa quase inédita no mundo do futebol), agora por Karl-Heinz Rummeningge e antes por Franz Beckenbauer e o Paris Saint-Germain, propriedade de um magnata do Qatar, que diziam os papagaios da TVI ter investido nos últimos anos 1,2 mil milhões de Euros em aquisições (alô fair-play financeiro!).

Nem sempre se pode ganhar por oito golos e mesmo que os golos sejam o sal do jogo, a final de ontem pareceu-me muito bem disputada, principalmente até ao golo dos alemães, curiosamente marcado por um miúdo que começou nos franceses, pelo qual foi duas vezes campeão, até. Depois disso, veio ao de cima o factor "equipa" do Bayern, e foi por aí abaixo o factor "conjunto" do PSG, que passou a praticar um futebol desgarrado, à procura do milagre Neymar que não apareceu.

Ganhou quem eu gostava que ganhasse. Não por ter uma simpatia por aí além com os bávaros, mas porque plasmam o que eu entendo dever ser um clube de futebol, nesta época mercantilista e da ditadura do dinheiro associada ao desporto. Um clube detido pelos sócios, terá sempre mais "um bocadinho assim" de energia na hora da verdade, porque a força dos seus associados está também lá dentro, onde os onze lutam pelo emblema. E porque o futebol é paixão e por uma questão de princípio, não me estou a ver um dia a torcer por um clube propriedade dum fulano qualquer, ou duma sociedade por quotas qualquer.

Chegámos ao ponto: Adormecida com a época das contratações, que desta vez foram cautelosas e aparentemente acertadas, que isto sendo como os melões, há sempre uma probabilidade de dar certo e bem se os contratados não forem cromos do catálogo de um qualquer fornecedor e sim analizados por quem vai trabalhar com eles, adormecida, dizia eu, está a venda da maioria do capital da SAD do Sporting a investidores. A coisa por cá, com vários exemplos atrozes, não tem dado certo e como não estou a ver um Xeique do Qatar ou das vizinhanças que gaste o mesmo que o do PSG no Sporting, a venda do capital, tida por uns como inevitável, por outros como necessária e por outros vital para a sobrevivência do clube, não será mais que, salvo as devidas proporções, criar um PSG em Lisboa que precisou de mais de 400 jogos na era "qatarense" para chegar à final da LC (numa situação muito especial de pandemia), para a perder de forma clara para um clube poderoso. Já havia passado os "quartos" com alguma felicidade, no tempo suplementar. Tem ganho a nível interno, os factos demonstram-no, é inegável, mas será caso para perguntar a que custo. A sua superioridade evidente entre portas, ter-lhe-á retirado a competitividade e a rotina de enfrentar equipas da sua igualha e a questão que se coloca é esta mesmo: Haverá necessidade de gastar tanto dinheiro, "apenas" para ganhar campeonatos? Não será essa "gastança" uma necessidade de fazer rodar dinheiro com objectivos pouco claros a que inevitavelmente o nome do Sporting estaria associado, não apenas a comissões pagas a um sem número de abutres que pairam sobre o futebol, mas a lavagem de dinheiro oriundo de actividades ilícitas, algumas de crimes de sangue?

O PSG contorna o problema do fair play financeiro com pagamentos "em géneros", tanto nas transferências como nos vencimentos aos jogadores, numa manobra que de transparente não tem absolutamente nada. Eu não quero isto para o Sporting, porque para aqueles que defendem a venda da SAD, se não for para ganhar sempre como ganha o PSG, para quê então? Não, eu prefiro continuar a ter a ilusão (sim, nos tempos que correm é apenas ilusão dos sócios pensarem que mandam no clube, mas podem a qualquer momento decidir mandar, podem fazê-lo) de que posso contribuir para que o clube (por consequência a SAD detida maioritariamente por ele) seja uma entidade de bem.

E como é Verão e o tempo vai estando agradável, sonhar que um dia o clube tem dinheiro para pagar aos investidores privados e compre o capital da SAD que anda disperso e feche a porta da sociedade, assumindo-se como um Bayern! Sonhar não custa, pois não?

Robalo à Bulhão Pato

 

Passe a publicidade, o Terra Mar é um local em Ribamar onde se come divinamente. E até dá para ver a bola.

O jantarinho, escolhido depois das entradas, estava marcado para pouco depois das oito e eu disse ao meu amigo António que queria ver o Barça e a mesa lá estava, à nossa espera.

Quando marquei a hora, pensei que ia ver o jogo Barcelona vs Bayern Munchen nas calmas, mas quando me sentei e olhei para a pantalha a coisa estava muito negra para os "condais", conforme mostra o retrato tirado com o telefone.

E terminou com precisamente o dobro dos números.

Não me lembro de ter "ouvisto" o Braça ter uma derrota por tais números, seja qual for a competição e o presidente Bartomeu já diz que vai haver consequências. Mal fora...

Bom, lado positivo disto? Não é grande coisa, mas quando se falar no maior score dos de Munique na Champions, já não somos nós que aperecemos em primeiro, é um clube que rivaliza connosco em títulos, mas que nas últimas décadas está a anos-luz da nossa realidade. Para melhor, claro.

É chato, como diria o outro.

 

Ah! O título... foi o que nos aconchegou o estômago. Vão lá e experimentem.

Campeonato: o que vai seguir-se

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Tudo é diferente nos dias de hoje. Tudo está a mudar a um ritmo impressionante. O futebol - o mais importante das coisas menos importantes - está adiado até mais ver. Desde logo, a final da Liga dos Campeões, agora reagendada para 27 de Junho, embora persistam incógnitas em torno desta data, que depende da evolução do coronavírus. E também o Campeonato da Europa, adiado para 2021, o que permitirá a Portugal manter-se como campeão em título pelo menos durante mais um ano.

Um adiamento inevitável, ditado pela pandemia que abala o mundo, e que acaba por ser uma boa notícia para jogadores como Lloris, Hazard, Rashford, Kane, Süle e Dembélé, que estariam ausentes se o certame ocorresse na data aprazada. Mas pode ser uma péssima notícia para outros, que por limite de idade poderão ficar fora do Euro-21. O jornal Marca enumera alguns: Neuer, Modric, Kroos, Giroud, Chiellini, Bonucci, Rakitic e Pepe

 

Este adiamento do Europeu, tornado inevitável pela dramática progressão da pandemia, abre novas perspectivas para a resolução do impasse nos campeonatos nacionais. O presidente da Real Federação Espanhola de Futebol forneceu ontem algumas pistas: as jornadas que faltam poderão cumprir-se para além da data limite de 30 de Junho, encurtando-se as férias de Verão e a pré-temporada. 

Este é o modelo que poderá vigorar também no campeonato português. Abrindo-se desde já a porta à redução do número de jornadas da Liga 2020/2021, que até poderá disputar-se em moldes diferentes, com apenas uma volta ou em sistema de play-off, como Luis Rubiales também admitiu nas suas declarações de ontem. Deixando claro: «A competição tem de ser vencida em campo», não através de expedientes administrativos.

 

Eis a pergunta que deixo: estaremos preparados para acolher medidas semelhantes no futebol português?

 

Penálti de contrafacção

«Todo o trabalho detalhista que o argentino Mauricio Pochettino possa ter efectuado na planificação do jogo ruiu quase antes de a final [da Liga dos Campeões] começar, quando Salah abriu o marcador aos 107 segundos, após um lance em que o esloveno Damir Skomina (que é compadre do presidente da UEFA) confirmou a tendência de os árbitros castigarem cada vez mais a imprudência do que a intenção, algo que me custa a habituar. Depois das demonstrações de sobrevivência frente ao City e ao Ajax, o Tottenham demorou uma eternidade a recuperar do abalo provocado pelo penálti de contrafacção.»

 

Bruno Prata, hoje, no Record

(confirmando, no essencial, o que escrevi aqui logo após a final)

O árbitro estragou a festa

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A final da Liga dos Campeões, que ontem à noite opôs em Madrid o Liverpool ao Tottenham, foi das mais fracas que tenho visto. Numa demonstração clara de que o futebol inglês já não é o que era. Desde logo porque a esmagadora maioria dos jogadores nem são ingleses: dos 22 que iniciaram a partida, só havia seis súbditos de Sua Majestade ontem em campo, três para cada lado. E também porque um treinador inglês vai-se tornando raridade: o Liverpool é orientado pelo alemão Jürgen Klopp e o clube londrino tem como técnico o argentino Mauricio Pochettino. 

Confesso que torcia pelo Tottenham: basta ser o clube actual do nosso Eric Dier para tomar esta opção, embora Pochettino tenha deixado no banco o excelente defesa (agora mais médio defensivo) formado em Alvalade: quando entrou para render Sissoko, aos 74', já a sorte do jogo parecia quase lançada - ainda assim, correspondeu ao melhor período da sua equipa, que viria a sofrer o segundo golo em contra-corrente, aos 87', marcado por Origi. Também me pareceu demasiado tardia a entrada de Lucas Moura, um dos melhores brasileiros a actuar em Inglaterra.

Outro brasileiro, o guarda-redes Alisson, foi a figura da noite ao defender pelo menos dois disparos dos spurs que levavam selo de golo - primeiro do coreano Son, depois do dinamarquês Eriksen. Outra estrela em foco foi o holandês Virgil van Dijk, a quem o Liverpool muito deve nesta final: é talvez hoje o melhor central do mundo. Mas foi quase sempre uma partida muito táctica, em diversos momentos bastante mal disputada, com a bola sempre no ar, num desmentido vivo da festa do futebol. Uma partida em que o Tottenham teve a posse do esférico durante cerca de dois terços do tempo, o que desmente (uma vez mais) aqueles que adoram analisar os jogos apenas em função das estatísticas.

Uma festa que começou a ser estragada aos 28 segundos, quando o árbitro esloveno Damir Skomina assinalou grande penalidade contra o Tottenham por bola na mão (e não mão na bola) de Sissoko. Chamado a convertê-lo, o egípcio Salah não falhou. O destino compensou-o após a final do ano passado em que se viu forçado a abandonar mais cedo devido à lesão que lhe foi provocada pelo sarrafeiro Sergio Ramos no confronto com o Real Madrid.

Fica a lição para todos aqueles que em Portugal suspiram pela importação de árbitros estrangeiros. Como se lá fora não houvesse roubos de catedral nos campos de futebol. 

Liga dos Campeões? Ricos clubes!

Li que a UEFA se prepara, a partir de 2024, para alterar o modelo das competições europeias, deixando de fora os campeões de países como a Holanda, Bélgica e Portugal, de acesso directo à LC.

Assim de repente descubro que os interesses financeiros da UEFA estão muito acima dos interesses desportivos.

Cabe então aos nossos dirigentes desportivos, nomeadamente os da FPF com assento naquele organismo, tentar dissuadir a UEFA deste erro crasso, que prejudicaria o futebol de forma evidente.

Se esta ideia (e vontade!) já tivesse sido implementada este ano, por exemplo, jamais o Ajax teria eliminado a Juventus.

Criar em compensação uma espécie de terceira divisão nas competições europeias parece algo sem sentido, tanto mais que as equipas já têm muitos jogos intramuros (Campeonatos, taças dos países e taças da Liga), alguns a duas mãos.

Já não gosto que os campeões de países menos cotados não entrem directamente, quanto mais colocar os campeões a jogar somente a Liga Europa…

Sinceramente no futebol, tal como na vida, o dinheiro nem sempre é o mais importante.

Melhor… nunca é!

Barça pouco Messiânico

Nunca gostei de Messi. E a culpa, assumo, nem é dele, mas unicamente daquele entidade chamada UEFA que tem um asco de morte a CR7 e que vibra com as derrotas do novo campeão italiano.

Mais… ainda antes do jogo contra o Liverpool li algures que o avançado argentino preparava-se para ganhar a sexta bola de ouro. O marketing no seu... pior!

Mas Messi é muito certinho… falha sempre. Foi o ano passado contra a Roma e este ano contra a equipa da cidade dos “The Beatles”.

Nem imagino como se sentirão alguns dirigentes “uefeiros” com esta eliminação. Da euforia para a depressão em 45 minutos.

Não vi o jogo. Não tenho o canal subscrito, pois não alimento gulosos, e também não vejo na televisão pirata, por uma questão de princípio.

Portanto ontem à noite distraí-me a ler e já era perto da meia-noite quando na aplicação que tenho no telemóvel percebi que o Barça… já era!

Vi entretanto hoje nas redes sociais os golos ingleses. E deixem-me que vos diga… aquela defesa do Barcelona parecia a do Belenenses no passado domingo.

Conheço bem a cidade condal. Visitei-a amiúde e sei como os catalães vibram com o futebol e com os clubes de região, seja o Barça, seja o Espanhol. Recordo mesmo há uns anos no dia da Catalunha, que é a 11 de Setembro, a forma como a cidade estava engalanada. Depois à noite e coincidentemente havia dérbi. Uma verdadeira festa.

Deste modo calculo a depressão que rondará perto do “Nou Camp” ou as discussões acesas nas casas de "tapas" no bairro gótico.

Pois é… a equipa de Barcelona com o seu capitão Messi devem reflectir na forma e na postura que colocam em campo, pois só quando o árbitro apita para o final do jogo é que o resultado está feito… Até lá tudo pode acontecer!

Campeões europeus de futsal

Tinha de ser. E foi desta. Somos, pela primeira vez, campeões europeus de futsal. Vencemos o Kairat Almaty por 2-1, em casa da equipa adversária, no Cazaquistão. Com golos de Cavinato e Merlim. 

Foi arrepiante ouvir, há minutos, "O mundo sabe que" entoado a plenos pulmões no Arena Almaty pelos novos campeões do continente. Com a sensação, sempre renovada, de que somos tão grandes como os maiores da Europa.

Viva o VAR, mas ...

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Jogo engraçado, ontem o Manchester City-Tottenham (vi-o pois aqui passou em canal aberto). Mal jogado, surpreendentemente mal jogado entre equipas destas e com tais jogadores. Erros de marcação, imensos passes errados, perdas de bola absurdas, um rol já nada usual em jogos de elite. Resultado? Espectacular. Não um jogo bom, mas um jogo espectacular. Divertidíssimo.

Torci pelo Tottenham, apesar de Bernardo Silva (já agora, porque não é ele tão relevante na selecção como o é no clube?). Torci pelo Tottenham muito pela minha tendência para torcer pelo desfavorito (o "underdog", ainda que "abaixo de cão" não seja bem aplicável ao duplo vice-campeão inglês nas 3 últimas épocas). Mas, e acima de tudo, pela minha falta de simpatia por estas grandes equipas europeias construídas com oleodutos de dinheiro, proveniente das economias paralelas e das apropriações das riquezas estatais ("oligarcas" russos, nobreza árabe, "tycoons" yankees, testas-de-ferro extremo-asiáticos, etc.), uma gigantesca lavandaria financeira que procura, mais do que tudo, comprar "portos seguros" para essa camada hiper-bilionária e, também, influência política - a nobreza qatariana despejando dinheiro para alegrar os parisienses mostra, acima de tudo, o quão incómoda é a vizinhança saudita, mas a gente fala é do Neymar e do Mbappé ... Processo este que conduzirá, mais cedo do que mais tarde, ao tal festival da Eurovisão do futebol, a liga europeia que será letal para os clubes dos países excluídos, a morte do futebol como o conhecemos. Enfim, deambulo, divago, apenas para sublinhar as razões pelas quais torci pelo Tottenham (um clube que não contratou jogadores para esta época, julgo que não estou em erro, mostrando o quão diferente vai o clube, que acabou de inaugurar um novo estádio).

Tudo isto é mero preâmbulo. Venho devido ao VAR, que foi influente no jogo. O 5-3 nos descontos finais, a suprema reviravolta, é a festa do futebol, o apogeu da ideia de clímax na bola. E depois anulado pelo VAR, o cume do anti-clímax. Ora isso está a acontecer imensas vezes, e é óbvio que vem retirando brilho, paixão, ao jogo. O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clube e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. 

Assim, as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. Ontem foi exemplo disso. Para que o VAR seja protegido dever-se-á pensar a aplicação das regras, refrear a tendência legalista que ele trouxe, uma verdadeira ditadura milimétrica promovida pela tecnologia. Urge regressar, e reforçar, duas tradições na jurisprudência futebolística, pois humanizadoras, cuja relevância ontem foi demonstrada: por um lado a velha questão da intenção de jogar com os braços. Agora, mal a bola bate lhes toca logo se clama ilegalidade. Ontem o golo de Llorente é paradigmático: é difícil comprovar se a bola bateu no braço do jogador mas assim parece. E depois? Salta com o braço encostado ao corpo, não tem intenção de o fazer actuar, até prejudica a sua acção saltadora com isso, e, quanto muito, a bola talvez lhe tenha também resvalado. Ainda bem que o árbitro validou um golo que não tem qualquer ilegalidade, mas muito clamam o contrário. Há que defender esta valorização da intenção, que cada vez mais é posta para trás. Em suma, os braços pertencem ao corpo, se não são agitados com o intuito de impulsionar (ou de cobrir espaço) não há infracção. Era assim dantes, deve continuar a ser e isso está a ser posto em causa com o frenesim do fotograma.

Mas o segundo ponto ainda mais relevante é o fora-de-jogo. Há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. Veja-se a imagem do tal 5-3, que beneficiaria o City: Aguero está em linha, de costas para a baliza tem apenas o rabo gordo à frente do defesa. Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá. 

Recado para CR7

Desde que foste para Turim andei sempre interessado na tua já longa carreira e por isso imagino que devas estar uma fúria.

Calculo que essa tua postura de campeão tenha levado um duríssimo golpe.

Prevejo que o prémio para o melhor do Mundo ficará novamente em Espanha.

Mas companheiro... já devias saber que nem sempre se pode ganhar!

E convenhamos... a Juventus hoje não jogou... um caroço!

REALmente o maior não está em MADRID!

Hoje ninguém quer saber de Brexit. Hoje em quase todo o lado só se fala e escreve sobre CR7. O menino que muito novo saiu da Madeira para vir para o Sporting, que o acarinhou e lhe ensinou os primeiros passos neste mundo do futebol.

Depois… bom, depois toda a gente sabe o que aconteceu. Títulos e mais títulos, a cada jogo era mais um record batido, quando era preciso CR7 estava sempre lá.

Quando no Verão passado trocou de península muitos "paineleiros especialistas” alvitraram que Ronaldo assumira a sua decadência. Até ontem à noite!

Por aquilo que vi e tenho assistido em Espanha, nos últimos tempos, a queda é Real em Madrid enquanto em Turim há um reJUVEnescimento.

O que tentaram fazer no Verão passado, denegrindo a imagem de Ronaldo com uma qualquer americana “aberta” às maiores trafulhices desde que “abiche” um punhado de dólares, não foi suficiente para deitarem o capitão da selecção abaixo. Conseguiram somente que não fosse eleito o melhor do Mundo.

Todavia é em campo, nos momentos mais importantes, que os grandes atletas verdadeiramente se revelam. E Cristiano Ronaldo não deixou os seus créditos por mãos alheias. Mostrou porque continua a ser um fora-de-série e tornar-se-á muito em breve a maior lenda viva do futebol (se o não for já!).

Que o digam as capas de muitos jornais europeus nesta manhã de 13 de Março. Obviamente que o realce é mais evidente nos desportivos, mas numa rápida busca vi referências, quase todas com foto de CR, à vitória da Juventus sobre o Atletico de Madrid.

Finalmente assumo que enquanto CR estiver em Turim a Juve tem mais um adepto porque CR7 é mesmo o maior jogador de todos os tempos.

Aumenta o fosso

Com a vitória de ontem contra a Roma, que o qualifica para os quartos-de-final da Liga dos Campeões, o FC Porto acaba de somar 78,5 milhões de euros recebidos esta época só da UEFA. Assim acentuando a diferença entre o Sporting e os principais rivais - neste caso, o rival situado mais a norte.

Nota a destacar: o excelente desempenho portista na prova máxima do desporto-rei acontece sob o comando de um treinador português.

O futuro foi ontem!

Vi ontem, com atenção, o debate entre os candidatos à presidência do nosso clube. Não vou sintetizá-lo, escrever o que penso sobre cada um, ou sequer afirmar publicamente o meu apoio a qualquer um deles. O objectivo, hoje, é ligeiramente diferente.

Para mim ficou ontem claro (talvez já o tivesse percebido, mas não daquela forma tão límpida) qual a grande justificação para o fenómeno de balcanização do nosso futebol. E parece-me também evidente que a generalidade dos candidatos também o percebeu.

O futebol mudou muito nas últimas duas décadas. É evidente, o futebol sempre foi um desporto de massas e apaixonante, capaz de arrastar multidões e de movimentar muito dinheiro. No entanto, a Lei Bosman (de 1995), a substituição da Taça dos Clubes Campeões Europeus pela Liga dos Campeões, a compra de clubes europeus por multimilionários, a trasmissão mundial de todas as competições, a aceleração da globalização, o desenvolvimento da Internet e das redes sociais amplificou de forma exponencial o negócio futebol. Hoje o futebol é uma das maiores indústrias do mundo e os seus intervenientes são figuras globais, geradores de fluxos de capital extraordinários. No entanto, apenas alguns, muito poucos, fazem parte dessa elite. Uma elite que está espalhada (principalmente) nos principais campeonatos europeus (Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália). Quando observamos a lista dos vencedores da Liga dos Campeões, o último que não pertenceu a um destes cinco campeonatos foi o F.C. Porto quando ganhou em 2003/2004. Mesmo no que ao campeonato francês diz respeito, o último campeão que produziu foi o Marselha em 1992/1993. A ideia de que pode haver um vencedor da Liga dos Campeões fora de um destes campeonatos é, hoje, quase um absurdo.

Estes cinco campeonatos são de países muito populosos (o menos populoso é a Espanha, mas ainda assim tem dois super clubes que extravasam a realidade espanhola) e extraordinariamente ricos. E por isso, os seus clubes têm orçamentos multimilionários, na ordem nas muitas centenas de milhões de euros por ano. Por conseguinte, conseguem contratar os melhores jogadores (Lei Bosman) e os melhores treinadores. A moderna Liga dos Campeões (devido à quantidade de dinheiro que gera e movimenta) veio amplificar esta realidade. Não há espaço para cento e cinquenta grandes clubes na Europa, apenas para uns dez ou quinze. Um pouco à semelhança do que acontece nos Estados Unidos da América com a NBA, a NFL ou a NHL.

Porque é que isto é importante para Portugal e para aquilo que se passa com o nosso futebol? Neste momento, no início de Agosto, Portugal tem apenas três equipas a participar nas competições europeias de clubes: Porto e Benfica na Liga dos Campeões e Sporting na Liga Europa. Braga e Rio Ave foram já eliminados. Ora, todos sabemos que a Liga Europa é a segunda divisão das competições europeias de clubes e que a diferença de dinheiro envolvido em comparação com a Liga dos Campeões é abissal. Daí a importância de participar na Liga dos Campeões. Não participar significa cavar um fosso cada vez maior em relação aos grandes clubes europeus.

Este é, estou em crer, um dos grandes motivos para a balcanização do nosso futebol. Ganhar, nos dias de hoje, não representa apenas a soma de mais um troféu para os museus. Representa a sobrevivência dos clubes (que estão brutalmente endividados). E para ganhar - pelo que temos visto nos últimos anos - vale tudo! 

É por tudo isto que, ao contrário do que tenho visto nos últimos dias a propósito da discussão sobre a acusação ao nosso maior rival no caso e-toupeira, que não considero absurdo (isto, sem conhecer, de forma rigorosa o teor da acusação e sem ignorar que o Benfica tem agora direito a apresentar a sua defesa e que o Ministério Público tem o ónus de fazer a prova) que o Benfica possa vir a condenado ao nível desportivo. A ser demonstrado que a SAD tinha conhecimento do conteúdo de processos judiciais que envolvem o próprio Benfica e os seus rivais, bem como informações sobre a vida de árbitros de futebol e que corrompeu funcionários judiciais para obter essa informação, não acho impossível que daí decorram sanções desportivas.

Mas, e finalmente, outro dos motivos para que valha tudo é a ausência de sanções. Todos conhecemos o conteúdo do processo Apito Dourado. Basta procurarmos no Youtube e podemos ouvir as escutas do processo. Não houve qualquer consequência. A ideia que transparece é a de total impunidade. Muitos pensarão: se não há penalização, porque não prevaricar?

Os candidatos à presidência perceberam o problema. Não sei é se têm uma solução para ele. Aliás, nem sequer sei se este problema tem solução. É que o futuro foi ontem! E nós ficámos fora dele!

Hoje giro eu - O pedal de Deus

São 21H05. Sob a luz dos projectores do antigo Delle Alpi, Cristiano Ronaldo, procurando corresponder a um passe atrasado de Carvajal, roda sobre si mesmo e, de costas para a baliza, inicia o vôo. O seu tronco está agora paralelo ao plano da relva, a uma altura aí de 1,70 m. Os jogadores à sua volta sustêm a respiração. A "máquina" começa a dar aos pedáis: primeiro o esquerdo para dar propulsão, logo o direito que vai de encontro ao esférico quasi perdido. Nunca uma bola foi tão redonda como aquela saída do pé direito de Ronaldo, cinquenta centímetros acima da cabeça de um já aí desesperado DiSiglio, também ele a subir e a procurar o Céu. Buffon, espectador privilegiado do lance, não se mexe, como que hipnotizado pela grandeza do gesto. A bola, obediente, entra inapelávelmente junto ao poste da sua baliza. Das bancadas do estádio irrompe um aplauso generalizado. Adeptos da Juventus e do Real, outrora rivais, levantam-se e batem palmas. Há um sorriso nas sua bocas. Estão agora unidos pelo mesmo sentimento: tocado por Deus, Cristiano (o nome será coincidência?) acaba de protagonizar um momento único, um sortilégio, uma recordação eterna na memória de todos. O resultado já pouco interessa. Mais do que a vitória do seu clube, todos em uníssono celebram o triunfo do futebol.

cristiano juventus.jpg

 

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