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És a nossa Fé!

A sorte ditou

Realmente quando as coisas têm de correr mal correm em todo lado, não apenas em Portugal. Este sorteio da UEFA foi um exemplo disso mesmo.

Mas, pelo menos para mim, entre o primeiro e o segundo sorteio, o Sporting saiu a ganhar.

A "Vecchia Signora" não está a passar bem na Liga italiana, mas conta com um treinador muito experiente, e vai apostar na Champions para salvar a temporada. E na última vez que o Sporting teve a Juventus como adversário, e foi com este treinador, o Sporting saiu a perder.

O Man. City está no topo da Premier League, conta com o celebrado melhor treinador do mundo, mas vai ter um desgaste tremendo até Fevereiro. E, na última vez que o Sporting o teve como adversário, o Sporting saiu a ganhar.

Em termos de modelo de jogo e características das duas equipas, o Sporting encontrou um conjunto muito mais técnico do que físico, que joga e deixa jogar, com Rúben Dias, Cancelo e Bernardo Silva, que nada têm de estranhos para o plantel do Sporting. Muito pior seria com equipas como o Bayern ou Liverpool pela intensidade que colocam em jogo os muitos jogadores de excelência de que dispõem, ou o Real Madrid, pela época de reconquista que está a efectuar e a efectividade que costuma colocar em campo.

Do ponto de vista financeiro, defrontar uma equipa do maior mercado comprador, duma Premier League cujos maiores clubes tem plantéis que valem cinco ou seis vezes o que vale o plantel do Sporting, saiu-nos o "jackpot".

Francamente, mas apenas por motivos egoístas, de poder ir ao mítico Old Trafford, eu teria preferido o Man. United. Mas com Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo do outro lado, iria ser uma sensação complicada de gerir. Depois lembrei-me que se calhar...

Porque não ver o Man. United em Old Trafford para a Premier League e estar no Ethiad Stadium (bahh) logo antes ou logo depois a ver o Sporting qualificar-se para a fase seguinte?

Vamos nessa, ò Vanessa.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Contas certas

O Sporting acabou esta fase com três vitórias e três derrotas, marcando 14 golos e sofrendo 12 (9, do Ajax). Foi a equipa portuguesa que mais pontuou e que mais marcou. O Benfica fez 8 pontos, resultado de 2 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Marcou 7 golos (3 ao Barcelona) e sofreu 9. Já o FCP, somou apenas 5 pontos, tendo 1 vitória, 2 empates e 3 derrotas. Ficou-se pelos 4 golos marcados versus 11 sofridos.

Pódio: Tabata, Esgaio, Sarabia

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Ajax-Sporting pelos diários desportivos:

 

Tabata: 18

Esgaio: 14

Sarabia: 13

Gonçalo Esteves: 13

Ugarte: 13

João Virgínia: 13

Matheus Reis: 13

Neto: 13

Nazinho: 12

Paulinho: 12

Daniel Bragança: 12

Pedro Gonçalves: 11

Nuno Santos: 11

Tiago Tomás: 11

Gonçalo Inácio: 9

Dário: 6

 

Os três jornais elegeram Tabata como melhor jogador em campo.

Quente & frio

Gostei muito que o Sporting transitasse para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o que aliás já era garantido antes do desafio desta noite contra o Ajax. O que nos situa entre as 16 melhores equipas do futebol europeu nesta temporada 2021/2022, ao contrário do que sucedeu com o FC Porto, eliminado em casa pelo Atlético de Madrid.

 

Gostei que tivéssemos marcado dois golos: o primeiro aos 22' por Nuno Santos, o segundo aos 78' por Tabata. Este, que selou o resultado em 4-2, resultou de um vistoso disparo do pé canhoto do brasileiro, que elejo como melhor Leão em campo: já tinha sido dele a assistência para o nosso golo inaugural. Por ironia, mesmo derrotado, o Sporting consegue ser a única equipa a bisar até agora contra o Ajax numa época imparável para o campeão da Holanda, que em 15 jogos do campeonato ainda só sofreu dois golos. Gostei também que nos tivéssemos apresentado em campo com a nossa mais jovem equipa de sempre na principal prova organizada pela UEFA a nível de clubes. Quatro estreantes na Liga dos Campeões: João Virgínia (22 anos), Ugarte (20 anos), Gonçalo Esteves (17 anos) e Dário (16 anos). Nenhum deles esquecerá o dia de ontem. Para os jogadores, é importante ganhar experiência. Para o clube, é fundamental apostar no futuro.

 

Gostei pouco de ver tantas alterações à equipa titular promovidas pelo nosso treinador. Entrámos em campo com apenas dois dos habituais onze: Gonçalo Inácio e Matheus Reis. João Virgínia, Neto, Gonçalo Esteves, Esgaio, Bragança, Ugarte, Tabata, Nuno Santos e Tiago Tomás têm sido suplentes em grande parte dos jogos. Algumas poupanças foram forçadas, por lesão (Feddal, Palhinha) ou covid-19 (Coates). Outras para prevenir acumulação de amarelos (Matheus Nunes e Porro), o que também se justifica. Menos compreensíveis as ausências iniciais de Adán, Paulinho, Pedro Gonçalves e Sarabia - aliás os três últimos acabaram por saltar do banco entre os minutos 60 e 73, quando a pressão do Ajax ameaçava tolher por completo a nossa equipa. As mudanças produziram efeito: marcámos o segundo golo e podíamos até ter marcado um terceiro, por Bragança, a passe de Tabata (76').

 

Não gostei dos excessivos erros individuais contra o Ajax. Aos 8', Daniel Bragança falha a intercepção na grande área e comete penálti infantil sobre Haller, logo convertido no primeiro golo contra nós. Aos 42', Gonçalo Inácio entrega literalmente a bola a Antony em zona proibidíssima, quando a partida estava empatada 1-1, ditando assim o destino do Sporting em Amesterdão. Aos 58', Nuno Santos culmina uma noite de desacerto (apesar do golo que marcou) perdendo a bola no meio-campo defensivo, o que abriu uma avenida para o terceiro da turma holandesa, marcado por Neres. Tiago Tomás mostrou-se perdulário, desligado do conjunto e com fraquíssima pontaria. Tudo isto tem um preço elevado quando se disputa um desafio da Champions. Enfim, terminou um notável ciclo de 12 vitórias consecutivas da nossa equipa em diversas competições.

 

Não gostei nada das bancadas vazias e do deprimente silêncio no estádio Johan Cruyff que até parecem ter contagiado quem narrava e comentava o jogo na TVI. Picou-se o ponto mas a festa esteve ausente, confirmando que o pesadelo da Covid-19 continua a marcar o quotidiano europeu em geral e o futebol em particular. Andamos há quase dois anos nisto.

Pensar positivo

Deixando de lado o discurso miserabilista do tipo que perde, mas perde por poucos e que até foi o único que marcou dois golos ao Ajax, o jogo de hoje custou-nos caro em Euros (se porventura tivéssemos ganho ou empatado, o encaixe seria substancial), mas tenho p'ra mim que foi um excelente investimento para o futuro.

À parte algumas paragens cerebrais de Neto, Inácio e Nuno Santos, que nos custaram o encaixe de três golos, numa boa parte do tempo de jogo até nos batemos de igual para igual com os holandeses (eu sou antigo), que jogaram quase na força máxima, ao invés de nós, que abrimos o jogo com um rol de malta que ainda usa cueiros.

A pergunta a fazer é tão simples quanto esta: Valeria a pena jogar na máxima força tentando ganhar o jogo e com isso amealhar, como disse Amorim, o capital que nos permitiria segurar uma pérola - uma aposta incerta - ou dar minutos de jogo a bebés que estão a crescer e que tiveram aqui uma oportunidade de se mostrar no maior palco do Mundo e mais do que isso, de viverem de moto proprio a experiência e com ela evoluirem?

Eu, com Amorim, tendo a pensar positivo e a retirar ilações do que correu bem e do que correu menos bem. E mal, vá... E parece-me que apesar do resultado negativo, não há que escondê-lo, estes "putos" aprenderam mais hoje do que num campeonato da equipa B, ou sub-23 em dois anos.

É também por aqui que se semeia. Para colher.

Amanhã à noite em Amsterdão

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O Sporting volta a defrontar amanhã na casa dela aquela equipa, o Ajax, que lhe infligiu a pior derrota da temporada. Com imensa pena minha, que estive em Alvalade e andei a conter-me para não comprar a passagem aérea antes da garantia de bilhetes, não vou poder lá estar. A ironia da questão é que, com tudo isto, a família que tenho naquele país que mudou de nome está a chegar à Portela à hora a que o Sporting entra em campo lá no sítio. Enfim.

Mas vamos ao essencial. Muito ao contrário do esperado, o jogo serve apenas para disputar o prémio do mesmo e festejar o sucesso das duas equipas na fase de grupos. Dum lado e doutro vão existir ajustamentos, poupando-se jogadores que estão à beira da exclusão por amarelos, e dando-se oportunidade a outros para demonstrarem do que são capazes.

Amorim já veio dizer que Virgínia e Gonçalo Esteves (ou Nazinho) entrarão de início, Porro e Matheus Nunes ficarão de fora, mas isso não quer dizer que o jogo seja para perder e muito menos pelo score registado em Alvalade.

 

Sendo assim, o onze inicial será qualquer coisa como:

Virgínia; Neto, Inácio e Matheus Reis; Gonçalo Esteves, Ugarte, Daniel Bragança e Esgaio; Pedro Gonçalves, Paulinho e Sarabia.

Quanto vale este onze? O futebol é o momento. No princípio da época poderia dizer-se que não servia para ganhar sequer ao Braga, pior ainda depois da derrocada em Alvalade com este Ajax. Na altura Sarabia rimava com Jesé, Ugarte com Doumbia, Matheus Reis com Bruno Gaspar. Agora as coisas são bem diferentes. Em suma, não se confunde ouro com pirite. Nem tudo o que luz é ouro.

Depois dos ultimos êxitos, da vitória contra o Dormund e da vitória na Luz, alguns já imaginam que estes e os outros que agora não podem alinhar servem para ganhar a Champions.

Algures no meio estará a verdade. E este Ajax pode muito bem pôr a verdade a nu. Vai ser uma prova de fogo para todos quantos alinharem mostrarem do que são feitos e a categoria que têm para estar no plantel.

 

Mais que perguntar que onze vai jogar, perguntava que jogadores vão aproveitar a oportunidade sob os holofotes da Champions para, entrando no início ou mais tarde, se destacarem em campo e até, se calhar, darem um salto substancial na carreira, qualquer que seja o estado actual da mesma.

Quais são os vossos palpites? Quem se vai destacar?

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Quatro portugueses

Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo, José Fonte e Pedro Gonçalves: quatro compatriotas que mereceram destaque da UEFA como homens do jogo nas partidas da Liga dos Campeões em que intervieram. Com a vantagem acrescida, para Pedro Gonçalves, de ter sido eleito também o melhor futebolista desta semana europeia.

Fazem-nos sentir ainda mais orgulhosos do futebol português.

Parabéns a dois leitores

Lancei ontem um repto aos leitores do És a Nossa Fé, desafiando-os a antecipar quantos golos marcaria o Sporting na recepção ao Borussia Dortmund e quem seriam os artilheiros de serviço.

Houve muitas respostas, para os mais diversos gostos. Mas só dois acertaram no 3-1 final, antecipando também Pedro Gonçalves como um dos marcadores: João Rafael e Luís Barros. Aqui fica o merecido destaque: ambos estão de parabéns.

Pódio: Pedro G., Coates, Matheus Nunes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Borussia Dortmund pelos três diários desportivos:

 

Pedro Gonçalves: 21

Coates: 20

Matheus Nunes: 18

Porro: 18

Adán: 17

Feddal: 17

Palhinha: 17

Gonçalo Inácio: 16

Nuno Santos: 15

Paulinho: 15

Matheus Reis: 14

Sarabia: 14

Esgaio: 13

Tiago Tomás: 12

Ugarte: 6

Nazinho: 5

 

Os três jornais elegeram Pedro Gonçalves como melhor jogador em campo.

Fui ao Sporting-Borussia

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Devido a um inesperado impedimento do consagrado espectador titular - felizmente pouco gravoso pois, e para descanso do nosso "mister", isso não o afastará do próximo episódio desta bela senda de "jogo a jogo" - fui convocado à última hora para assistir ao decisivo embate com os teutões de Dortmund. Para o efeito tive de tratar, in extremis, dos trâmites burocráticos necessários à compita, um verdadeiro "frisson" ao imaginar-me qual Adrien barrado por minutos. Mas que muito me foi matizado pela simpaticíssima ajuda telefónica que obtive da funcionária da Federação Portuguesa de Espectadores que, paciente e eficientemente, me ajudou a obter um "Certificado de Vacinação Digital", documento que até à data me fora desnecessário para as competições regionais em Nenhures.

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Logo, e ainda alvoraçado, mergulhei no metropolitano na rota do Sacro Recinto, já pejada de adeptos em trânsito, entre os quais era notória a extrema concentração competitiva, discernível no silêncio nada ululante que reinava nas carruagens e estações. Exultante de "ir a jogo" disso dei notícia por via telefónica, mostrando-me nestes preparos, à panóplia de familiares e amigos mais futeboleiros. Disso recebi ecuménicas saudações e votos de alento para o embate. A surpresa era geral, sabendo-se que este veterano há muito pendurara as almofadas de bancada. E antes do Campo Grande já dois grandes amigos, viscerais sportinguistas - desses do lugar cativo no velho e para sempre "o" nosso José de Alvalade, adquirido depois das nossas juvenis pelejas no peão, da ascensão às superiores e da comoção com o fecho de estádio - me questionavam "porra, estás com guito para isso?", num óbvio "estás a tirar do rancho para ir à bola!?". Questão assisada que só à nós surgirá, aos encanecidos naúfragos desta tormenta que é a crise vivida em idade avançada, ainda para mais decorrida sob desajustados rumos profissionais, tudo isso que neste Outubro da vida nos tornou proibitivo o que nos fora um mais que acessível jovem hábito prazeroso. Lá me legitimei, expressando o convite de que fora alvo, e logo acolhendo um duplo sms similar: "ainda há gente caridosa!". E há. Chamar-se-á agora "solidariedade (social)". Ou, melhor dizendo, gajos porreiros...

Aportado ao estádio constatei o fervilhar de gente, filas gigantes placidamente serpenteando, prenúncio de "casa cheia". A aproximação da hora do apito inicial causou-me o dito "stress", o desajuste à situação, no verdadeiro pavor de perder o apito inicial... Já na cercania dos acessos ao interior do estádio amalgamámo-nos, em magotes de centenas... Lembrei-me então, saudoso, dos bons velhos tempos antes desta era Covidocena, em que tais momentos nos eram até normais, ainda que talvez um pouco desconfortáveis. Escoaram-se minutos naquele ombrear literal, no constante roçagar rizomático, em até encontrões pacíficos, na miríade de bafos d'associados e alguns solos de pragas perdigotantes. Mas a fé sportinguista impõe alento e crença, e em momento algum invoquei a sanitária protecção da dra. Freitas ou da "super-Marta", nem mesmo a do dr. Sousa Martins, pois limitei-me a rogar que me fosse concedida a via aberta até ao hino da "Champions". E, para nosso júbilo, assim aconteceu - fiquei apenas, já no meu belo lugar Central, num breve resmungo disto de que sendo o futebol um espectáculo tão caro talvez fosse de tratar melhor a gentrificada assistência...

Já arrumados nos lugares devidos fui perguntado pelo meu prognóstico e saio-me com aquilo que venho repetindo, a ver se pega: "três secos, tricórnio do Paulinho". Logo o vizinho da frente se volta, sorrindo, "não, três do Pote!", ao que lhe deixo "que seja assim, até se forem autogolos, pouco importa". Mas ele esclarece, orgulhoso, e abarcando os dois amigos - um talvez dele filho - que o acompanham: "ele é da nossa terra!", e estão eles aqui também para o apoiar, com particular desvelo. E logo ficamos comungados com o trio transmontano - porventura de Vidago onde o jogador cresceu - no redemoinho de comentários verbais e faciais que se seguirá ao longo do jogo... O estádio está quase cheio, espectadores apoiantes, entusiastas mas não eufóricos, a apreensão diante do colosso teutónico é adivinhável. Ainda assim noto, com surpresa, que atrás da mítica baliza "Vítor Damas" está um grande espaço vazio de espectadores, talvez devido a razões de segurança. Mas não, explicam-me que é a zona reservada aos portadores do deficiente "Cartão de Adepto", uma imposição legal postulada pelo governo, que colheu total inutilidade. Ou seja, se estão ali 41 mil espectadores, como viremos a ser informados, a empresa desportiva SCP foi prejudicada nas receitas provenientes da venda de alguns milhares de bilhetes. E isto é já hábito antigo, ao que me garantem. Enfim, uma peculiar noção de exercício governativo, estava eu pronto a resmungar, atascando-me em politiquices, quando me perguntam "sabes de onde é o árbitro?" - espanhol, anunciou um vizinho -, a sacramental pergunta que antecede o apito inicial do jogo, como é consabido. "Pelo menos não é russo nem turco", suspiro, lembrando as roubalheiras indecentes que na Liga dos Campeões sofremos às mãos desse tipo de agentes durante consulados anteriores.

O jogo começou em breve fogacho dos nossos. Mas logo se impôs um ritmo que se anunciou como o que iria vigorar durante a hora e meia. "Isto vai ser sofrer muito", foi-me sentenciado enquanto eu, trémulo, desperdiçava molhos de tabaco ao tentar enrolar um cigarrito. O Sporting entrou tenso, os jogadores algo apreensivos, ultrapassados pela rapidez dos de Dortmund, e a equipa manietada pela melíflua envolvência do adversário, num rendilhado de meio-campo, com tenazes em forma de interiores perfurantes, com aparência de viperino. A meu lado decide-se que a culpa de tudo aquilo é do Matheus Nunes, rapaz algo jeitoso mas incapaz de imprimir ritmo ao jogo e de exercer múltiplas tarefas em campo, uma penosa inutilidade que castra o futebol do nosso "team". Na fila de trás o parecer é diferente, o culpado - com sentença já transitada em julgado - é Saravia, o qual não corre, não defende, não pressiona, um verdadeiro mono por assim dizer. Opinião que me é contestada, quase em surdina, por um adepto incondicional do mesmo Saravia, o qual, afiança-me, "faz tudo bem". Neste ambiente de contornos cáusticos tento argumentar que aquela lentidão dos nossos talvez se deva a instruções de Amorim, um comando de que entrassem eles com cautelas miles, não fosse o caldo entornar-se ainda morno, como já acontecera. Enfim, lá consigo enrolar o cigarrito, marca Amber Leaf, e fumá-lo. Entretanto olho para o relógio e algo sossego, dez minutos já passaram, nem Saravia nem Nunes, ou outro qualquer, afundaram a equipa, e posso sentenciar: "pelo menos estamos melhor do que contra o Ajax" - lembrando que os agora neerlandeses nos meteram 2 golos logo até aos 9 minutos.

O que veio a seguir é por todos consabido. A minutos tantos o capitão Coates - infatigável e sábio durante todo o jogo, numa actuação espantosa - faz um passe longo para a frente avançada, fazendo-me reviver Polga nos tempo de Paulo Bento, em manobra que eu tanto abominava, e Pedro Gonçalves, o tal "Pote" de ouro, aproveita uma fífia alheia e abre o activo. Nem foi com a celebrada codícia, aquilo é mesmo... placidez. Pois o homem chuta à baliza com muito mais calma do que eu teclo para blog. Não haja dúvidas, é um predestinado... psicológico. E logo de seguida, quase à minha frente, dispara um "toma lá pinhões" mas mesmo esse à sua maneira, quase só em jeito. Caíramos antes, e caímos de novo nos braços dos transmontanos, eu lembrando-de de também o ser, na minha via materna, gente rija de Mogadouro e Gimonde.  E, de repente, estamos nos oitavos-de-final, arrumámos os alemães. Agora é só preciso aguentar! É certo que os malvados reagem a cada golo que sofrem, e sempre têm uma hipótese após lhe termos afagado as redes. Uma só de cada vez, sublinho-o, e após o nosso segundo golo valeu-nos a experiência do veterano Inácio, a saber dobrar o guarda-redes e a impedir o golo alheio.

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Chegado o intervalo fui invadido pela angústia. Pois se é sabido que o futebol é um jogo com bola, de onze contra onze e no qual a Alemanha ganha, a derrota seria ainda mais custosa depois de tanta ilusão e alegria, é a minha dor. A minha filha, sabendo-me no estádio, faz-me uma videochamada, lá da Inglaterra onde vive: "Querida, não te consigo ouvir", despacho-a, apesar de pai tão saudoso, incapaz de conter a ansiedade. Nesse intervalo doloroso o meu  aspecto, envelhecido, timorato, era este que aqui comprovo.

De seguida, os Dortmundos entraram ao ataque, empurrando-nos para as trincheiras. E, para piorar o estado aterrorizado em que me sentava, o Sporting tem alguns contra-ataques perigosos, coisa que na primeira parte não conseguira, criando hipóteses para mais um golo, em especial na sequência de um belo safanão do inquieto "Pote" desperdiçado por Saravia - esse "que faz tudo bem", insistia  o meu vizinho, vero anfitrião, em desespero com aquele falhanço. Ora, como é sabido, "quem não marca sofre" e nisso estava eu já em desesperança.

O jogo lá continuou, vigorando uma defesa sportinguista de grande valia, exímia em atirar os dortmundos, cada vez mais minúsculos, para o charco do fora-de-jogo. De súbito há uma trapalhada qualquer mesmo à minha frente, nem percebi o quê pois distraído a olhar o rumo da bola, seguido de um inusitado, e saudoso, sururu à latino-americanos. E nisso uma ronda de amarelos e a expulsão de um dos deles, saudada como se golo nosso fosse. Pois, mas "jogar contra dez é muito difícil!", lamento, prenunciando o agigantar adversário. Com sarcasmo, resistente, o sábio vizinho remata "e jogar com dez também", mostrando uma crença menos quebradiça do que a minha. Entretanto, e se Matheus Nunes havia já sido remetido para uma pena suspensa, com o alfobre das invectivas que lhe serão dedicadas reservado para o próximo "jogo a jogo", o juiz atrás de mim ia causticando, ainda que menos veemente, o Saravia, o tal que não se mexe. Ficou um pouco desasado com as substituições, pois agora quem iria ele criticar? Substituo-o, resmungando constantemente com esse Paulinho - o qual tanto defendo em blog - que não corre, não joga, não se desmarca, não recebe a bola, não a passa, e segue em constante footing, etc. E que, pior do que tudo, se atira para o chão, a pedir faltas sem perceber que o árbitro não vai naqueles trinados. O Amorim, que é nosso óbvio vice-almirante, que meta o TT, deixe jogar o puto. Tanto insisto nesta via analítica que o Paulinho lá saca um penalti. E surge um tricórnio possível, ainda que afinal do Pote? Certo, acaba por não ser assim, mas que Porro, que Porro.

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Desde então, dos 3-0, só me lembro de resmungar, alto e sonoro, "não há olés!!", quando os patetas começaram nesse sempre contraproducente ritmo, que tanto leva ao asneirar dos jogadores. E, depois, de passar os infinitos 7 minutos de descontos - ainda por cima durante os quais sofremos um golo de futebol de solteiros vs casados - num ladainha mais ou menos murmurada de "caralho, foda-se, acaba o jogo, foda-se, caralho, acaba o jogo, coño!". E acabou. "Eu nem acredito", diz um veterano ali vizinho, "andei décadas a ver merda aqui e agora vive-se isto", e comovo-me com isso, porque é verdade e lembro-me desse ror de dislates clubísticos, ainda que então vivendo longe, tão apartado do estádio.

E nisso seguimos às roulottes - há quantos anos não ia eu às roulottes! Fervilhantes, literal e metaforicamente, que foi dia histórico, arrombar alemães é coisa inédita, passar nas "champions" é coisa rara e já só quase memória. E queremos esta festa. Segue-se uma bifana e uma entremeada, alimentos rituais. E duas imperiais. "Queres mais uma?", pergunta. E eu "não, ganhámos por dois, bebemos duas!". Nisso, nessa recusa frugal, e quem me conhece logo o perceberá, proclamando que estou completamente exausto! Que grande festa!!! Até me comovi, cara...mba!

 

O Nosso Vice-Almirante

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Rúben Amorim tem vindo a fazer um trabalho superlativo. E a sua pertinência técnica é acompanhada - de modo que entendo até glorioso - pela total perspicácia das suas declarações. Algo tão notório após a grande vitória de ontem - ainda mais preciosa pois seguindo-se a anos tão convulsos no clube -, com a sua extraordinária, de rara e exemplar, conferência de imprensa final (já aqui colocada).

Se Gouveia e Melo - com o seu rigor, competência, ponderação e elevação - marcou este acabrunhado país durante 2021, este rumo magnífico de inteligente do nosso treinador torna-o o "nosso" Vice-Almirante. 

Devemos fruir e apoiar o seu trabalho, claro. Mas também por ele ser algo influenciados, coligir e fazer actuar as "lições aprendidas" que o nosso Vice-Almirante nos vem dando. Pelo menos nesta vertente de desdramatizar e de não "embandeirar em arco", pólos opostos tão comuns na mentalidade colectiva - e, em particular, no Universo Sporting.

Por isso também será desta forma desdramatizada que deveremos acolher esta notícia do jornal "A Bola". Não com enraivecidas invectivas ao periódico do nosso rival. Mas com um enorme sorriso, até carinhoso, animado pela iluminada postura de Rúben Amorim. Pois às 00.17 desta quinta-feira, 25.11.21, o jornal desportivo "A Bola" noticiava os apurados para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões (notícia inalterada pelo menos até às 9.13):

"Ou seja, em termos de acesso à próxima fase está tudo decidido no Grupo A (Man. City e PSG), no C (Ajax e Dortmund), no D (Real Madrid e Inter de Milão) e no H (Chelsea e Juventus). Já no B (Liverpool), E (Bayern) e F (Man. United) há apenas um apurado. Nota final para o grupo G, que parte para a última jornada sem qualquer definição no apuramento: Lille, Salzburgo, Sevilha e Wolfsburgo, qualquer um deles pode passar." Lampionice furibunda, como é óbvio. Enfim... Toca a rir. E a desejar-lhes saúde. E vacina para tamanho azedume.

Viva o nosso Vice-Almirante Amorim. E siga a Marinha...

 

Quente & frio

Gostei muito de quase tudo. Antes de mais nada, da histórica vitória contra o Borussia Dortmund, actual segundo classificado do campeonato alemão: vencemos por 3-1, com golos nossos apontados por Pedro Gonçalves (30' e 39') e Porro (81'). E do apuramento directo para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões quando ainda falta disputar uma jornada - algo que não nos sucedia desde a temporada 2008/2009 - já com três triunfos e 12 golos marcados em cinco desafios. E da nossa décima vitória consecutiva, em várias competições. E de termos cumprido o 32.º jogo seguido sempre a marcar em casa. 

 

Gostei do desempenho de Pedro Gonçalves, que volta a bisar, algo que lhe sucede pela quarta vez nesta época: homem do jogo, foi ele o grande obreiro deste triunfo no plano individual, somando já quatro remates certeiros em três desafios da Liga dos Campeões. Gostei, uma vez mais, da exibição superlativa de Coates, autor do excepcional passe de 50 metros que funcionou como assistência para o primeiro golo, obra-prima da eficácia, construída com apenas dois toques na bola. Mas gostei sobretudo de ver a equipa consistente, compacta e muito bem organizada, sobretudo no plano defensivo. Sem esquecer o encaixe financeiro que este triunfo nos proporcionou: mais 12,4 milhões de euros entram de imediato nos cofres leoninos - 2,8 milhões pela vitória, 9,6 milhões pelo apuramento. Rúben Amorim está mais que pago: não restam dúvidas nem ao mais feroz militante antivarandista. 

 

Gostei pouco de ver a equipa desconcentrada, pela primeira vez, no longo tempo extra (sete minutos) concedido pelo árbitro quando vencíamos por 3-0 nos 90' regulamentares. E da aposta arriscada em excesso de Amorim, que estreou o ala esquerdo Flávio Nazinho aos 88'. É outro talento da formação lançado na equipa principal: merece aplauso. Mas talvez devesse ter ocorrido noutro palco. A verdade é que foi neste período que o Borussia marcou o golo de consolação, quando já estava reduzido a dez por justa expulsão de Emre Cam.

 

Não gostei da equipa alemã, que actuou sem ponta-de-lança e exibiu uma defesa precária e alas pouco acutilantes. A verdade é que o Borussia apresentou em Alvalade um onze muito desfalcado, com várias baixas: Haaland, Hummels, Thorgan Hazard e Raphael Guerreiro - em benefício da "estrelinha" deste Sporting treinado por Rúben Amorim. Mas alegados craques, como Reinier e Witsel, passaram ao lado do jogo.

 

Não gostei nada das "coreografias" com tochas e petardos que algumas claques insistem em exibir na topo sul do estádio, o que levará o Sporting - uma vez mais - a ser alvo de duras sanções pecuniárias da UEFA, que nestas coisas não perdoa. Nem do tapete verde, que continua a provocar perigosas escorregadelas mesmo após a intervenção de emergência ali ocorrida desde a recepção ao Varzim. Eram também escusados aqueles "olés" finais, muito mais apropriados para praças de toiros do que para estádios de futebol: acabaram por desconcentrar os jogadores num período crucial da partida e revelar uma arrogância mais própria de outros emblemas.

Foi só emPorrar... para os milhões!

O jogo entre Sporting e Borussia de Dortmund previa-se de grau de dificuldade elevada. Pelo resultado anterior (derrota da equipa leonina na Alemanha) e pela pressão dos euros da UEFA.

Os sportinguistas apareceram em grande número como se pode ver no pequeno filme que segue:

Depois aquele início de jogo com o meio campo leonino a ter dificuldade de manter a bola no pé resultado de um nervoso miudinho estranho e que passou paulatinamente para alguma plateia.

Finalmente vieram os golos e com isso equipa cresceu até ao intervalo,

A segunda parte mostrou uma turma alemã decidida a dar outro rumo ao jogo, mas aí o Sporting manteve-se competente a defender.

Até que aos 81 minutos num contra-ataque leonino o VAR indica grande penalidade sendo Pedro Gonçalves responsável para cobrar a falta. Não sei se foi mérito de um ou demérito de outro a verdade é que o guarda redes alemão travou o remate de Pote, para vir outro Pedro emPorrar com a cabeça para o véu da noiva fazendo o 3 a zero!

O filme supra não terá a melhor imagem, mas inclui tudo o resto!

Um golo que acabaria por ser muito importante carimbando o Sporting com ele o passaporte para os oitavos de final da competição.

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