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És a nossa Fé!

A Liga e as multas

A gente sabe que a liga de futebol profissional tem algumas dificuldades financeiras.

A gente também sabe que uma das suas maiores fontes de financiamento são as multas aplicadas, jornada após jornada, aos actores dos jogos que por esta ou aquela razão, infringem os regulamentos. Nada mais justo e legal!

O pior é quando não bate a bota com a perdigota, e os castigos aplicados sobre supostas infracções, afinal não têm razão de existir.

Eu, em jeito de ajuda, dava até uma sugestão: A liga institui uma vaquinha entre todos, jogadores, treinadores, dirigentes, roupeiros, apanha-bolas, bombeiros e maqueiros e mais alguém que por lá apareça, deixa de fazer figuras ridículas e acaba por amealhar o mesmo. Que tal, Pedro, meu querido?

A largueza do poder

Ontem no programa O dia seguinte, na Sic-Notícias, Guilherme Aguiar, representante portista aludiu a um almoço que existiu para decidir a escolha do árbitro para o jogo da supertaça no domingo.

Pelas redes sociais a notícia correu célere e soube-se também que este suposto almoço foi entre Rui Gomes da Silva, representante do Benfica nesse mesmo programa, Vítor Pereira, o nomeador mor dos homens do apito e... Luís Duque, sim, o ex-presidente da Liga de Clubes. Em Portugal há pessoas que demoram a entender o que é isso do voto democrático. Os seus tentáculos continuam activos. E temos do outro lado pessoas fracas que não são de todo imunes a pressões e ao famoso jeitinho português para desenrascar o amigo de longa data. Temos assim o começo de época tal e qual como nos habituamos, feito por compadres e compadrios. 

Vamos ver se será Jorge Sousa o árbitro ou se terão o descaramento de nomear outro qualquer, como o Capela por exemplo.

A Liga está bem entregue

Tiago Rodrigues, jogador do porto emprestado ao Nacional, completou convenientemente uma série de cinco cartões amarelos, o que o impede de defrontar na próxima jornada o... porto. Tudo estava a bater certo até que, contra a vontade de todos os intervenientes, a lista que saiu dos castigados do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol não o incluiu.

Ora então vamos lá apostar: 

A) A lista vai ser de imediato corrigida

B) O jogador no próximo treino vai sofrer uma lesão no adutor esquerdo

C) O jogador vai ser opção para o jogo contra o porto

Investimentos estratégicos

No outro dia ouvi Rui Gomes da Silva dizer que o financiamento da Liga pelo Benfica nunca se iria verificar porque os sócios não compreenderiam que se prescindisse de milhões que poderiam ser usados a comprar jogadores ou a fazer outras despesas essenciais para financiar uma instituição falida. Aí está um raciocínio errado: que melhor despesa poderá haver do que um investimento estratégico em todos os outros clubes mais arbitragem? Estamos a falar da tal fantástica Liga Benfica/Porto. O que vale é que temos um sportinguista como presidente da Liga, que evitará a concretização do cenário...

A mim começa-me a parecer que o que está a acontecer nas arbitragens do Benfica não será independente disto. A coisa começa a ser anedótica: não há um único jogo do Benfica em que não haja um favorecimento decisivo. Até na Taça. Ontem, por exemplo, foi poupado mais um penálti contra o Benfica que muito provavelmente colocaria o Moreirense a perder por 2-3 no final da 1ª parte, depois de ter estado a perder 0-3. Eis algo que se pareceria com uma reviravolta deixando o resultado em aberto para a 2ª parte.

Não sei sequer se nos tempos de domínio do Porto sobre as arbitragens o despautério foi tão grande.

Bem hajas, meu fidalgo

A filantropia é uma digníssima actividade que pressupõe duas condições: generosidade e rendimentos. A Sra. D. Tita Balsemão pode dedicar-se de corpo e alma à SIC Esperança sem sombra de suspeita, porque todos sabemos que ela "está bem na vida", mesmo que haja, injustamente, diga-se, quem possa duvidar das suas boas intenções. Além disso a Sra. D. Tita Balsemão é magra, vê-se logo que aquele corpinho não é de muito sustento. Compare-se isto com o gesto daquele cavalheiro muito cevado que puseram à cabeça da Liga. Sem ter dado sinais de conversão à ordem dos carmelitas descalços, eventualmente arrependidíssimo de seus pecados, ei-lo que num gesto magnânimo prescinde do salário, dizem que simpático, inerente ao cargo de Presidente de tão humanitária instituição. O senhor terá meios de fortuna pessoal até aqui ignotos e que o seu público currículo profissional não deixaria prever? Estará subtilmente a contestar a pesada carga fiscal do Estado português sobre os rendimentos do trabalho? Bastar-lhe-á sobreviver com despesas de representação, mesmo aceitando que o valor das facturas de almoços e jantares será sempre plausível? Irá trabalhar à percentagem ou à comissão? O Sr. Arménio Santos não tem uma palavra de profundo repúdio acerca desta ignóbil exploração? É verdade que o Papa também não tem salário, mas o seu serviço é muito menos atroz que o de presidente da Liga Portuguesa de Futebol e, para mais, pode contar com o patrocínio do Espírito Santo, o vero e autêntico.

Alguém a explicar em que é que um presidente da Liga pode beneficiar ou prejudicar um clube

Bom, um visitante desconhecido, ali num post do Pedro Correia fez esta observação, e disse ter-se sentado a esperar.

Pois como aqui no És a Nossa Fé não queremos que nenhum dos nossos amigos visitantes fique com qualquer mazela na coluna, ou até mesmo no sim senhor, vou tentar esclarecer, dentro das minhas modestas possibilidades:

- O presidente da Liga é o tipo que negoceia contratos de sponsorização com eventuais patrocinadores; conhecendo os meandros, haverá por aí umas luvas, umas comissõezitas, e nestas coisas, quem se lixa sempre é o mexilhão, neste caso os pequenitos, que já se terão contentado com uns empréstimos de jogadores (lesionados nos momentos convenientes, claro está!), para apoiarem o Duque;

- O presidente da Liga é quem paga aos árbitros profissionais (estão com ordenados em atraso, ao que consta), e se nós bem sabemos o que o dinheiro nos faz falta e os factores "psicológicos" que isso  pode afectar;

- O presidente da Liga pode influenciar resultados, ainda que "à sorrelfa", porque "ou tratas bem dos meus amigos, ou a profissionalização (árbitro) no teu caso, já era!"

- O presidente da Liga pode prejudicar uns clubes em detrimento de outros, basta-lhe decidir proceder numa queixa, ou não, dum clube contra outro, ou contra um árbitro.

- O presidente da Liga pode prejudicar ou beneficiar, basta-lhe concertar as datas dos jogos com o(s) clube(s) da sua simpatia.

E por aí fora...

 

Claro que estamos a falar dum presidente da Liga sem coluna; e o Duque é tão balofo que coluna, ali, é muito difícil encontrar!

 

Se precisar de mais exemplos, lá mais para a frente e com tempo, trarei aqui mais alguns.

O traço de união entre Porto e Benfica

«Sou muito amigo do Luís Duque. É a pessoa susceptível de ser a lufada de ar fresco que era necessária no futebol português. Será um grande presidente da Liga de Clubes.»

Rui Gomes da Silva (SLB), há pouco, na SIC Notícias

 

«Também sou amigo pessoal do doutor Luís Duque. Tem um know how e um conhecimento muito grandes.»

José Guilherme Aguiar (FCP), há pouco, na SIC Notícias

As eleições para a Liga, o tipo das águas...

...ou como não se ganha um campeonato por não se querer pagar a propina.

 

Contada por amigo comum (benfiquista ferrenho), passada numa futebolada que faziam com alguma regularidade:

Era Cintra o presidente do Sporting e numa dessas futeboladas, um dos candidatos à Liga, no decorrer duma conversa onde o presidente falava na vontade de ser campeão e na dificuldade de o ser, por os árbitros em regra prejudicarem o Sporting, o candidato terá proferido estas palavras: "só não ganhas se não queres, pagas trinta mil contos..."

Pelos resultados, verifica-se que a resposta à Cintra terá sido mesmo esta: "pagar pra esses fdp? nem morto!"

É certo que o próprio (conhecido entre os pares por "Fala Barato") não revelou se seria ele mesmo a tratar do assunto, se sabia de quem tratava, ou se sabia apenas em quanto estava o preço do campeonato...*

Por via das dúvidas, para o bom nome da Liga e apesar do C. Arbitragem ser um órgão federativo (local que se sabe ser muito mal frequentado), melhor foi que o candidato não tivesse sido eleito!

 

 

* - e também é certo que Cintra tratou de evitar ser campeão, ao despedir Bobby Robson! Resta em seu favor o facto de não querer jogar sujo, o que não é de todo desprezível.

Lockout à portuguesa

Parece que ontem houve eleições na liga. Mas não há bem a certeza. Votaram uns quantos (dez?) e dos vários candidatos sobrou apenas um, precisamente aquele que queriam que fosse corrido. As outras candidaturas foram anuladas, parece, por questões formais. Fala-se pelos corredores do suposto poder que foi a forma de o actual presidente garantir a sua eleição. Já se fala em greve aos jogos. Será uma greve muito peculiar, os patrões ordenam aos empregados que não compareçam no seu local de trabalho. Lá fora, no mundo real, podemos imaginar a administração do Metro de Lisboa a ordenar aos seus trabalhadores, perdão colaboradores, para não pegarem ao serviço. O futebol português no seu melhor. 

O Sporting sob ataque: o Tratado de Tordesilhas...

O patrocínio de SLB e FCP a uma candidatura para a Liga de Clubes, só de ser comum, seria estranho. Sendo as coisas o que são, é muito perigoso. É uma declaração de guerra ao nosso clube. As declarações do Bruno de Carvalho - que poderiam decerto ser mais contidas, na forma - espelham uma realidade que, não sendo nova, deixa de ser ponta de "iceberg" para se transformarem em "iceberg". O que parece (e, em política, o que parece, é) é terem FCP e SLB uma agenda que deixou de ser secreta para se tornar pública: prensar o Sporting e reduzi-lo a um Sp de Braga mais. A convergência de apoios a uma candidatura para a presidência da Liga de Clubes confirma o Tratado de Tordesilhas. Já existente, pela força das coisas, a nível de órgãos fundamentais da FPF (arbitragem, disciplina e justiça) e extensível agora à direção da Liga. Trata-se, a meu ver, de uma cumplicidade útil para instaurar um rotativismo dos «dois grandes» (as duas bochechas de que falou BC e o resto), na luta pelo acesso direto à Champions - deixando, habitualmente, para Sporting e Braga a luta pelo lugar do "play off" (e enquanto ele houver). Uma cumplicidade de interesses desportivos e financeiros, também no que respeita à negociação de facto com a banca dos enormes passivos dos «dois grandes». A entrevista de Vieira à RTP e as alusões ao passivo do Sporting e ao diálogo com o FCP (não lhe caíriam os pelos das mãos, se falasse com Jorge Nuno, e eles já falaram tanto no passado!) foram o virar de página de uma «rivalidade» histórica. Vamos lá resolver os nossos interesses entre nós: passivo, diálogo forte com a banca, Champions e domínio do futebol português, sem alianças com terceiros - disse Vieira a Jorge Nuno. Este deu uma cúmplice gargalhada, de resposta a BC. Na verdade, o nosso presidente disse apenas «o rei vai nu», volta o "sistema" como Tratado de Tordesilhas. Já abordei este tema, em post recente, quando li as declarações do Vieira. Parece que alguns sportinguistas estão desfazados da nova realidade. O Bruno reagiu com violência verbal, retratando à sua maneira o que se desenha - talvez tenha feito de Bocage. Mas o Bocage era um grande poeta e dizia coisas que são verdades. Na crueza das palavras, relatava a realidade do «debaixo dos panos». Bruno fez o mesmo.

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