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És a nossa Fé!

Os primeiros campeões da democracia

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Conquistadores da quarta dobradinha do SCP, após o derrube da ditadura

 

«Nessa época de 1973/74, a grande equipa do Sporting, comandada pelo grande Mário Lino (e seu adjunto, o saudoso Osvaldo Silva), conquistou a dobradinha, ganhando o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal. Portanto, os leões foram os primeiros campeões da democracia. Era também a estreia gloriosa do presidente João Rocha, no seu primeiro ano de mandato.»

Vítor Cândido, leão assumido e um dos sobreviventes dos melhores anos d' A Bola, hoje em artigo neste jornal

Guerra contra a liberdade de expressão

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Varandas: «Durante anos ouvi um discurso divisionista, discriminatório e xenófobo»

 

Como já escreveu o Filipe Moura, é um absurdo querer responsabilizar o Sporting pelas opiniões pessoais que qualquer comentador possa exprimir na Sporting TV. Em espaços de comentário, diferentes das rubricas noticiosas, essas opiniões só vinculam quem as exprime - nem os responsáveis editoriais da estação e muito menos a direcção do clube ou a administração da SAD. Não pode haver outra interpretação num país onde a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa estão protegidas pela Constituição da República.

Tentar vislumbrar relação de causa-efeito entre o que Carlos Xavier afirmou sobre Taremi e o Sporting é uma anomalia, possível num regime ditatorial (como o do Irão, onde vigora uma brutal tirania) mas totalmente fora de propósito num quadro democrático. Como se as opiniões tivessem tutela. Como se não houvesse distinções entre um profissional do futebol no activo ou um dirigente clubístico e um comentador televisivo no uso integral da sua liberdade de expressão - que é um direito mas também lhe impõe deveres de urbanidade e cidadania, no pleno respeito pelas normas legais. 

O anúncio de um processo disciplinar ao Sporting, com menção ao artigo 113.º do Regulamento Disciplinar da Liga «relativo a processos discriminatórios», é uma entorse que até um jurista de vão de escada está habilitado a contestar com êxito. Numa competição desportiva sujeita às regras da equidade não pode valer de tudo invocando a despropósito leis e regulamentos que neste caso só beneficiam os rivais directos do nosso clube.

 

Frederico Varandas esteve ontem muito bem ao recordar: «Durante anos ouvi pessoas tratarem as pessoas de Lisboa como mouros, um discurso divisionista, discriminatório e xenófobo, alimentando a divisão.» Na altura, os responsáveis federativos, da Liga e do Conselho de Disciplina nem pestanejaram. Muito menos entidades que parecem entrar agora neste filme, aos gritos, como se estivesse em causa algum delito de lesa-majestade. Incluindo - confesso que pasmei - a Amnistia Internacional. Só faltou convocarem de emergência o Conselho de Segurança da ONU.

Se o FC Porto pretende superar o Sporting, que o vença em campo. Nunca à boleia de um regulamento que no limite pode condenar o nosso clube a disputar cinco jogos à porta fechada como punição pela opinião de um comentador.

Algo nunca visto no futebol português, tão fértil em aberrações. 

 

Tudo isto dá razão ao que Mike Hume escrevia em 2015 a propósito das fortíssimas restrições à liberdade nas sociedades contemporâneas em geral e no desporto em particular. «A cruzada para domar o monstro do futebol e transformá-lo num gatinho que joga à bola tem ganhado força nas últimas épocas. (...) Como noutras vertentes da guerra contra a liberdade de expressão, as movimentações vão além da lei. Há também uma vaga de censura e reprovações informais em todo o futebol inglês, apoiada pela federação, pelos clubes, por grupos de interesse e até pelos adeptos.» Palavras deste jornalista britânico num livro excelente, que muito recomendo: Direito a Ofender (Tinta da China, 2016, tradução de Rita Almeida Simões).

Quem imagina não haver relação entre uma coisa e outra, está profundamente equivocado.

Palhaço, javardo, imbecil

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Francisco Seixas da Costa, reconhecido adepto do Sporting, acaba de ser condenado por ter escrito em 2019, numa rede social, um vocábulo visando o treinador do FC Porto. Sérgio Conceição sentiu-se difamado, tendo accionado um processo contra o embaixador para efeitos de reparação na justiça civil. 

A condenação foi tornada pública no Tribunal do Portoque deu como provado o delito de difamação agravada, condenando agora o antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus a uma reparação ao técnico portista em forma de multa. 

 

Tomo conhecimento da notícia com preocupação. Por concluir que configura um recuo da liberdade de expressão em Portugal.

À luz da lógica perfilhada pela juíza do Porto, vários textos já publicados neste blogue estariam eventualmente sujeitos a condenação: o técnico que se sentiu difamado por Seixas da Costa já terá sido aqui contemplado com expressões tão ou mais duras.

E o que dizer do presidente da Câmara Municipal da Cidade Invicta, Rui Moreira, que sendo em simultâneo membro do Conselho Superior do FC Porto, brindou há poucos dias um jornalista da Sport TV com a elegantíssima expressão «perfeito imbecil»?

Será mais benigna do que «javardo»?

 

A sentença que condena Seixas da Costa não transitou em julgado: seguirá para apreciação em recurso. Onde - estou convicto - vai imperar a jurisprudência que vigora, em larga medida, nos nossos tribunais.

Recordo que em Maio de 2013 um notório adepto portista, Miguel Sousa Tavares, chamou «palhaço» a Cavaco Silva, à época Presidente da República. Fê-lo em afirmação reproduzida em letras garrafais, na manchete dum jornal diário. Dias depois deixou claro que não tencionava pedir desculpa por tal frase.

O processo nem chegou a prosseguir: foi arquivado à nascença pelo Ministério Público.

 

Há também jurisprudência estabelecida neste domínio no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Que tem sancionado o Estado português por sentenças judiciais que vêm comprimindo a liberdade de expressão entre nós. Foi o que se verificou aquiaqui, aqui e aqui - só a título de exemplo.

Tudo isto, que ultrapassa em larga medida a questão clubística ou o universo do futebol, justifica atenção. Pela minha parte, assim o farei. Fica prometido.

Liberdade para recordar

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Cada época desportiva tem quatro competições internas que se decidem por esta ordem:

1. Super Taça

2. Taça da Liga

3. Campeonato Nacional / Liga

4. Taça de Portugal

O actual campeão, Sporting Clube de Portugal, já venceu duas destas provas.

"FC Porto pode ser campeão hoje" massacram-nos nas notícias, importa saber é campeão como, campeão graças a quê.

O ainda presidente do FC Porto cumpre 38 anos (esteve suspenso dois anos) de trafulhices e ignomínia.

Um bandido ser campeão, especialmente, neste dia poderá ser motivo de orgulho para alguns, não é essa a minha opinião.

Se o FC Porto fracassar, se não for campeão hoje, espero que os jornais de amanhã contem em letras bem grandes esse desaire.

A ver vamos.

Há coisas mais importantes do que os golos

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Na sequência do assassinato do professor francês Samuel Paty, devido a ter mostrado caricaturas aos seus alunos, a pastora da Igreja Protestante de Roubaix, Sandrine Maurot, convidou os crentes de todas as religiões a "publicarem uma caricatura na sua própria religião, defendendo a liberdade de expressão".

(O meu muito laico sportinguismo é o meu sentimento mais próximo, ainda que imensamente distante, da religiosidade. Ou seja, resta-me isto ...)

Os almofadinhas

Vou ser curto.

Se há seres que detesto são aqueles que quando numa situação de saudação com aperto de mão ( agora proibido, mas que um dia voltará ) a estendem e a gente quando a aperta sente que está mais mole que a almofada que usa para repousar a cabeça.

Eu sou daqueles que gosta de apertar a mão com força, de fazer sentir ao outro que ele está do outro lado e eu lhe reconheço a importância que ele tem como pessoa e ele retribui.

Ora não sendo almofadinha, gosto de botar opinião própria. Opinião que mesmo aqui, num espaço colectivo, apenas me vincula a mim, sou eu que assino, a responsabilidade é só e apenas minha. Nos jornais, quando alguém não tem tomates para assumir o que escreve, subscreve-se a coisa com "a redacção". Aqui, em concreto neste blogue, cada autor é responsável pelo que publica e isso não compromete mais nenhum dos outros, portanto nenhum de nós, penso, se sentirá molestado com as publicações de outros, já que elas reflectem a visão de Sporting de cada um.

A razão para o êxito deste blogue é precisamente a diversidade de visões de clube, que não tenho dúvida que concorrem todas para o mesmo, o engrandecimento do Sporting. Fosse este um blog de autor e as visitas e comentários seriam bem menos, estou certo disso.

Sou por formação engajado, gosto de causas. Aceitei ser autor do És a Nossa Fé porque sentia que, perdoem a imodéstia, podia dar um contributozinho para ajudar o Sporting de outra forma que não ser "apenas" mais um associado.

Assumindo tudo o que escrevo e não vinculando com isso ninguém a não ser a mim próprio, continuarei, sempre que achar oportuno, a pugnar pela destituição do CD em funções e pelo aparecimento de um candidato que apresente uma proposta sólida que torne o Sporting um clube e uma SAD viáveis e ganhadoras. E defender que Pedro Azevedo personifica essa candidatura, uma vez mais só me compromete a mim.

 Com toda a liberdade de opinião. Não pisando ninguém. Pensando unicamente no Sporting.

De pedra e cal - Do passado que nos liberta para o Futuro

Antes ainda de pai e mãe “AL” namorarem – acontecimento que precede o meu nascimento em muitos anos –, já Sporting Clube de Portugal contava com mais de 60 anos de existência, fizera-se representar em diferentes recintos desportivos em Portugal e pelo Mundo, conquistando simpatizantes e mobilizando adeptos. Afiliando, naturalmente, todos aqueles que, reunindo condições para o efeito, quiseram formalmente assumir-se Sportinguistas.

Quem, como eu, nasceu na década de 80, descobre rapidamente que há uma riquíssima história que nos precede, que se desenhou com base na visão extraordinária de um conjunto de Homens e co-construiu (e constrói) graças à acção directa de outros tantos.

Esta história que nos precede a todos ganha vida de cada vez que homem, mulher ou equipa se apresentam competidores de Leão Rampante ao peito. A cada entrada num recinto desportivo, é o Sporting Clube de Portugal que projectamos para o futuro.

No dia em que celebramos a Liberdade, evoco uma memória ainda viva – porque feita de experiência vivida – para alguns dos Sportinguistas que por aqui passam. Abro espaço a que o glorioso passado seja trazido para o presente, para que nunca esqueçamos como aqui chegámos, onde deve, por isso, estar a tónica, qual é o fim último da acção directiva e quem são os verdadeiros protagonistas. Foi em torno de protagonistas como aqueles que aqui vos trago, que Sporting Clube de Portugal cresceu, expandiu-se e existe até aos nossos dias.

No dia em que celebramos a Liberdade, agradeço – especialmente – aos estimados Leão de Queluz, Fernando Albuquerque e (saudoso) Carlos Silva, pela riqueza inestimável de tantas partilhas, acontecidas a cada interacção. São a viva voz, no presente, do glorioso passado, e que muito contribuem para que todos nós saibamos garantir o futuro. E o futuro assegura-se de cada vez que sedimentamos o que realmente importa. É graças à acção combinada dos protagonistas de outros tempos, à vossa devotada presença que sabemos exactamente como estar - quem somos, de onde vimos – e como manter os olhos postos na Glória, projectando-nos para o futuro.

Feliz dia da Liberdade, Sportinguistas. Contem comigo para ser sempre parte da acção combinada que assegurará que o nosso Sporting é livre.

Será sempre graças à acção combinada dos verdadeiros protagonistas que o Sporting Clube de Portugal está de pedra e cal.

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Na legenda: A 24 horas de ir para férias, o Sporting tira a clássica foto que recorda uma época de trabalho. Em cima, o treinador-adjunto Osvaldo Silva, massagista Monteiro, Damas, Chico, Fraguito, Espírito Santo, Tomé, Caló, Yazalde, o treinador Mário Lino, o novo reforço Baltasar, Bastos Alhinho, Carlos Pereira, Pinhal, José Carlos e o massagista Manuel Marques. Ajoelhados: Gonçalves, Hilário, Joaquim Rocha, Moniz, Álvaro Jorge, Márinho, Dinis, Nelson, Manecas, Manaca, Vagner e Botelho.

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

No estio, não podemos estiolar

O tempo está quente e seco. Demasiado. As circunstâncias funestas dos últimos dias inibem-me de brincar e jogar com palavras relacionadas com fogo e incendiários. Por isso vou direto ao assunto. A par do grande orgulho no nosso novo pavilhão, com o reconhecimento e agradecimento à atual Direção do Sporting pelo seu empenho na realização desta obra, não posso deixar de exprimir certa inquietude por alguns tiques cesaristas, implícitos e explícitos, no discurso e na pose de  pessoas com responsabilidades na nossa instituição. Foi assim na inauguração do Pavilhão João Rocha e, por ecos que chegam através da imprensa, também na assembleia geral. A definição de inimigos internos não me parece compatível com a ideia de clube dos sócios, pois todos os inscritos e com quotas em dia, são iguais em direitos e deveres. O Sporting nasceu em 1906, tem história e herança, não renasce a cada direção eleita. A nossa sociedade é democrática e plural, e a liberdade é um bem inestimável, pelo que não pode, na esfera pessoal de cada sócio, haver ditames sobre escolhas assentes nos gostos, nas amizades, com quem se priva ao almoço, etc, etc. Julgo que nada disto está abrangido ou sob alçada dos estatutos do Sporting. Linchamentos e "fogueira", assim como apagar da fotografia, são práticas que a história já condenou. A liberdade individual não pode ser "criminalizada" ou sujeita a contraordenações, pelo que a palavra expulsão não deve constar do nosso léxico relativamente aos comportamentos referidos. É elementar, como asserção.

Todos somos poucos para engrandecer o nosso clube. Os próximos tempos vão ser exigentes pois a nossa imensa massa adepta vive um estado de ansiedade relativamente a ver o Sporting campeão. Urge, sobretudo quando vemos que as vitórias e os títulos são uma realidade na nossa dimensão eclética. E até no futebol, onde o Sporting ganhou quase tudo o que havia para ganhar, incluindo no feminino. Falta a cereja no topo do bolo, a liga principal. E é para isso que temos todos de trabalhar: atletas, treinadores, dirigentes, sócios e simpatizantes. E é agora no estio, sem estiolar, que se prepara as próximas estações. Com esforço, com dedicação, com devoção. 

É uma verdade "La Palissiana" que o Sporting é dos sócios, e tem de sê-lo sempre. Por isso mesmo os eleitos têm de exercer o poder, que temporariamente lhes é conferido por todos os sócios, os que votaram e os que não votaram neles, legitimando-se permanentemente em comportamentos e decisões que respeitem esse mesmo mandato. O mesmo é dizer que têm deveres especiais de unir e não dividir, de cumprirem com o que prometeram, em suma obterem resultados. No respeito dos princípios e valores inscritos no nosso ADN, sem cedência a discurso fácil. Os resultados são a melhor sustentação para o reconhecimento e avaliação de um mandato. É o que espero desta Direção, que é a minha Direção, e deste Presidente, que é o meu Presidente. Sem esquecer que todas as Direções e Presidentes são efémeros e perene só mesmo a instituição. O que importa verdadeiramente é o Sporting Clube de Portugal. Eterno!

 

{ Blogue fundado em 2012. }

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