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És a nossa Fé!

Penálti de contrafacção

«Todo o trabalho detalhista que o argentino Mauricio Pochettino possa ter efectuado na planificação do jogo ruiu quase antes de a final [da Liga dos Campeões] começar, quando Salah abriu o marcador aos 107 segundos, após um lance em que o esloveno Damir Skomina (que é compadre do presidente da UEFA) confirmou a tendência de os árbitros castigarem cada vez mais a imprudência do que a intenção, algo que me custa a habituar. Depois das demonstrações de sobrevivência frente ao City e ao Ajax, o Tottenham demorou uma eternidade a recuperar do abalo provocado pelo penálti de contrafacção.»

 

Bruno Prata, hoje, no Record

(confirmando, no essencial, o que escrevi aqui logo após a final)

Andámos para trás vários anos

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«Fez esta semana um ano sobre o momento mais negro da gloriosa história do Sporting Clube de Portugal. Um ataque ignóbil às próprias instalações e jogadores do clube, com a complacência dos então órgãos sociais, seguindo-se uma inenarrável sequência de actos que puseram em causa as mais elementares regras de funcionamento de uma instituição. Dividiu-se o clube, os adeptos, foram causados incalculáveis danos patrimonais, na imagem e reputação do clube. Andámos para trás vários anos e vimos os nosos rivais distanciarem-se de novo em termos financeiros e desportivos, depois de um investimento significativo (e incomportável) na equipa de futebol profissional. Um clube mais pobre, fragilizado e dividido foi a herança recebida por estes órgãos sociais. A memória colectiva sabe-se que é efémera, mas a minha não é.»

 

Samuel Almeida, na edição de ontem do jornal O Jogo

Aplauso, de pé

Cuscando o "Tu Vais Vencer" e relevando esta intervenção do presidente Frederico Varandas.

Claro que espero pelo defeso para o ver tomar posição firme sobre o assunto arbitragem e espero que a sua exigência, ou mero pedido tomem como quiserem, para a final da Taça de Portugal seja atendida. De valor era terem os tomates do orelhas e colocarem um árbitro, inglês por exemplo, a apitar esse jogo, mas não me parece que os tenham desse tamanho.

Aliás, o presidente disse o que disse ontem e já hoje um padre, no Futsal, tratou de fazer o resultado.

Respondam-me, são ou não uma cambada?

Leitura recomendada

«Esta época foram vendidas menos 2400 [gameboxes] que na época passada, o equivalente a cerca de um milhão de euros. O início de época periclitante, sem treinador, com a incerteza que havia sobre o plantel, o não estarmos na Champions, foram factores decisivos.»

 

«A redução das claques deve-se a dois factores: redução da emissão de bilhetes comprados e não utilização na totalidade dos convites gratuitos (no último jogo usaram menos de 50% dos bilhetes disponíveis). Apesar da redução significativa dos bilhetes comprados, os montantes recebidos este ano já estão acima do que o Sporting CP recebeu o ano passado.»

 

«O Sporting jogou a maior parte dos seus jogos depois das 19h00. Não é só o Sporting, todas as equipas que têm transmissão na Sport TV encontram-se nesta posição. FC Porto, SC Braga e Sporting CP jogam a maioria dos seus jogos depois das 19h00 ao fim-de-semana. O Sporting tem a agravante de ser o “Rei dos domingos à noite”; fez mais do que os outros dois grandes juntos.»

 

«Jogar num sábado à tarde é garantia de que teremos mais um milhar de Sportinguistas dos núcleos a assistir; estamos a excluir Portugal do nosso estádio devido aos horários actualmente aplicados.»

 

«Em Inglaterra os jogos estão disponíveis meses antes, em Portugal é frequente termos os bilhetes disponíveis apenas uma ou duas semanas antes. O futebol português assim não se consegue vender. E não ter pessoas no estádio é um verdadeiro tiro no pé de quem o lidera.»

 

«O desporto antes da crise tinha a taxa mínima de IVA. Durante a crise, tal como outros sectores, contribuímos para ajudar as finanças públicas. Ao contrário do que aconteceu com a restauração, cinema, concertos ou teatro, que viram as taxas de IVA a serem reduzidas, o desporto não teve o mesmo tratamento. Uma redução de IVA iria permitir vender os bilhetes mais baixos e assim promover a vinda ao futebol.»

 

«A venda de cerveja nos estádios permitiria que todos chegassem mais cedo, que a festa fosse além do futebol e até aumentar a segurança. (...) É muito estranho que um concerto, ocorrido nos mesmos recintos, com a mesma massa de gente, com provavelmente até as mesmas pessoas, tenha um tratamento diferente. Mais uma vez em prejuízo do futebol.»

 

«Queremos premiar quem é mais fiel. Iremos introduzir um conjunto de iniciativas para que estes Sócios se sintam reconhecidos e recompensados por estarem sempre presentes, desde conhecerem os jogadores a irem à Academia ou ao relvado. (...) Já o testámos no Pavilhão João Rocha com excelentes resultados.»

 

De um artigo de Miguel Cal no jornal Sporting: Via Tasca do Cherba.

Claques

«Foi com enorme estranheza e até, admito, vergonha alheia que assisti, no jogo entre o Sporting e o Sp. Braga, ao silêncio total, durante os primeiros 12 minutos, das claques leoninas. Meus senhores, desculpem-me a sinceridade, mas aquilo é tudo menos futebol Portanto, não deveria estar dentro de um recinto desportivo no qual pais e avós gostariam de levar, em segurança, filhos e netos. O apoio dos adeptos (clubes ou não) é importante? É essencial. Mas o que aconteceu em Alvalade foi um acto político. Por isso, mais valia fazerem um dia inteiro de silêncio à porta da SAD. Em "território sagrado" é que não.»

 

Alexandre Carvalho, na edição de hoje do Record

Para reflectir

Recomendo a leitura deste texto, que nos fornece ampla matéria para reflectir sobre as causas do insucesso recente da formação leonina. Desde logo a absurda decisão de pôr fim à equipa B tomada por Bruno de Carvalho, num dos seus momentos de fúria intempestiva, e a disparatada obsessão com a acumulação de "títulos" nos escalões pré-profissionais, impedindo a ascensão precoce dos jovens mais talentosos às etapas seguintes do final da formação.

O pudor, o decoro, a vergonha

«A equipa não jogou bem, é um facto. Peseiro ainda não encontrou forma de colocar o Sporting a jogar bom futebol, outro facto. Mas não merecerá uma equipa remendada mais algum apoio? Mais, não há ali naquela bancada pelo menos um grupo organizado de adeptos que esta época devia ter o pudor, para não dizer a vergonha, de não assobiar a equipa? É que há quatro meses estavam a atacar o plantel e o treinador em Alcochete, na que foi a maior vergonha de sempre do clube em mais de 100 anos de história. Não fazia mal ter um pingo de decoro e pensar no que andam a fazer os grupos de... apoio. É grande a desunião e poucos os que realmente pensam no que dizem amar.»

 

Bernardo Ribeiro, hoje, no Record

Tiro ao alvo interno

Fake News Clube de Portugal. Recomendo a leitura deste postal do Mestre de Cerimónias, n' O Artista do Dia. Um texto que desmente, de forma exemplar, as atoardas que já por aí circulam e confirmam o Sporting como um clube originalíssimo: cada dirigente que chega, começa a levar chumbro grosso não de fora mas de dentro. Agora com a agravante de o alarido ser posto a circular no vespeiro das redes sociais, com boatos travestidos de "notícias": em poucos minutos, os mexericos e as alcoviteirices chegam a milhares de destinatários, que espalham rumores em série como se fossem verdades.

A história repete-se. E explica, em larga medida, por que motivo vemos o título de campeão nacional de futebol fugir-nos há 16 anos. Nos momentos cruciais, os outros unem-se. Nos momentos cruciais, nós desatamos a fazer tiro ao alvo interno.

Ler os outros

Sérgio Barroso, n' A Insustentável Leveza de Liedson: «O dano está consumado. Indemnização alguma, no futuro, evitará o dano sofrido. Dano financeiro, dano reputacional, dano desportivo, dano simbólico, dano afectivo. Não devemos esconder que estamos perante um desastre brutal, nunca visto no futebol português e apenas com paralelo nos desastres aéreos de Manchester, Torino ou Chapecoense. Só que desses desastres saíram clubes unidos, e deste suicídio presidencial não sai nada, nem ninguém.»

 

Cherba, n' A Tasca do Cherba«Entre ontem e hoje a saga continuou e foram às dezenas (centenas?) os adeptos que escreveram coisas como "ainda foram poucas as que levaram da Juve!" ou "os únicos atletas que interessam são os das modalidades!". Confesso-vos que, de cada vez que leio isto, dá-me vontade de meter mira técnica na Tasca. Parar. Respirar. Pensar se vale a pena continuar, quando cada vez menos me revejo em ti, em ti e em ti que não hesitaste em alimentar esta estado de ódios, de intolerância, de insulto fácil. Em ti, em ti e em ti que não aceitas que alguém pense 10% diferente de ti, que te achas mais Sportinguista que eu, que te queixas de darmos pouca atenção às conquistas e sucessos do clube e que, a cada post de celebração dessas mesmas conquistas, as aproveitas para ironizar ou para esfregar em caras imaginárias uma vitória que é de todos, mas que tu insistes em etiquetar em derrota para outros que sofrem como tu.»

 

Nuno N. Almeida, Sangue Leonino: «Bruno Carvalho cometeu demasiados erros, não soube gerir com pinças o coração do clube - o futebol profissional - desencadeando uma revolta colectiva e criando uma divisão insanável no seio da massa associativa, deixando-se inebriar pelo poder e pela sedução de um autoritarismo despropositado e anacrónico. Por tudo isto, e porque teima em não se demitir, reitero a pergunta: porquê tudo isto, Bruno?»

 

José Duarte, A Norte de Alvalade: «Aconteça o que acontecer, acredito na força dos Sportinguistas e no seu amor pelo clube como factor determinante para o sucesso daquela que será provavelmente a empreitada das nossas vidas. Mas para que ela tenha sucesso, é necessário a alteração do estado de fractura total em que se encontra a família leonina. Este é o momento mais do que nunca de pensar em primeiro lugar e acima de tudo no SPORTING CLUBE DE PORTUGAL e não no que é conveniente para uma pessoa, ou para um grupo ou facção.»

 

"Salvar o Sporting de Bruno de Carvalho"

Daniel Oliveira escreveu no Expresso um artigo cuja leitura recomendo vivamente, pois trata-se de um balanço (creio que justo) da presidência de Bruno de Carvalho por quem o apoiou, seguido da explicação dos motivos por que já não o pode apoiar.

A dada altura pode ler-se:

Como sportinguista, não quero alimentar os argumentos que possam favorecer rescisões unilaterais em que os clubes que levam jogadores ficam dispensados de compensar o Sporting pelo investimento feito. E não penso ser legítima a insinuação de que Rui Patrício (que justamente é e será para sempre um símbolo do Sporting) poderia desistir desta rescisão se Bruno de Carvalho se demitisse. Apesar de compreender a situação do jogador, ser solidário pelo que passou e até perceber o racional desta condição, não se pode abrir um precedente em que jogadores podem, de alguma forma, determinar quem é e quem deixa de ser o presidente do clube para o qual trabalha. Como trabalhador do Sporting, é livre de lutar pelos seus direitos e tem, como não podia deixar de ter, a minha total solidariedade. Ao Sporting cabe tentar minimizar os danos deste processo. E é evidente que outro presidente o fará em muito melhores condições do que Bruno de Carvalho. Mas uma coisa é ser eu a dizer isto, outra é ser Rui Patrício ou alguém por ele.

 

Concordo sem dúvida, mas não deixo de apontar que pelo menos alguns dos jogadores (e o anterior treinador) não são meros trabalhadores do Sporting: são também verdadeiros sportinguistas que desejam o bem do clube. Nessa qualidade, e conhecendo-o melhor do que ninguém, é natural que desejem o afastamento de Bruno de Carvalho. 

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