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És a nossa Fé!

Superlativo, único, inimitável

Texto de Francisco Gonçalves

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Luanda, 19 de Novembro de 2013.

 

Tinha acabado, há poucos minutos, aquela que, para mim, foi a melhor exibição de Cristiano Ronaldo ao serviço da seleção nacional.

Na Friends Arena, nos arredores de Estocolmo, na Suécia, a selecção portuguesa acabara de vencer os suecos, por 3-2, e dessa forma, acabara de carimbar a passagem para a fase final do Mundial que iria realizar-se no ano seguinte, no Brasil.

Cristiano Ronaldo rubricou uma exibição épica e, por três vezes, disse ao estádio inteiro que estava ali para mostrar ao mundo que nem só de Descobrimentos vive a História de Portugal.

Aquele hat-trick foi, porventura, a melhor obra-prima que vi ser cinzelada, diante dos meus olhos. Como um cirurgião que maneja, habilmente, o bisturi, como um pintor que escolhe, criteriosamente, as cores que embelezam a sua tela, Cristiano Ronaldo emprestou àquele jogo toda a sua classe ímpar e encheu de orgulho todos os protugueses que, lá no Estádio em Estocolmo, ou no mundo inteiro, através da televisão, puderam confirmar a destreza única daquele que, hoje, é o melhor marcador mundial ao nível de selecções e o jogador europeu com mais internacionalizações.

 

Cristiano Ronaldo é superlativo. Cristiano é único. Cristiano Ronaldo é inimitável.

 

Assisti a esse momento inolvidável, via televisão, em Angola, com meia dúzia de amigos portugueses. O final do jogo trouxe uma euforia geral que foi aumentando à medida que as Cucas – muitas saudades da cerveja Cuca – iam encontrando aconchego nas gargantas de todos aqueles que não se pouparam a esforços para, ao seu jeito, apoiarem os nossos jogadores.

E o inevitável aconteceu: os constantes elogios ao nosso craque, nos quais vinham à baila a sua escola de formação, levou a que alguns benfiquistas, ali presentes, entendessem que havia espaço para comparações. Comparações estéreis, já se vê. Não havia necessidade, era um momento de festa, mas, diga-se, o despropósito da conversa não encontra culpas exclusivas naqueles benfiquistas.

Um dos benfiquistas presentes – amigo de longa data e do qual guardo momentos de indesmentível amizade – lembrou-nos o jogo da Coreia do Norte, do Mundial de 66, para enaltecer a qualidade de Eusébio e eu afiancei-lhe que o momento Coreia, de Cristiano Ronaldo, tinha acabado de acontecer.

As comparações iam-se acentuando e, no calor da conversa, são chamados à colação o número de golos de Eusébio, na selecção nacional (41 golos) – nessa noite de Estocolmo, Cristiano Ronaldo tinha acabado de igualar Pauleta, com 47 golos –, e as internacionalizações de Rui Costa (94 vezes internacional).

 

A argumentação e a contra-argumentação iam surgindo à mesma velocidade que a cerveja ia arrefecendo o calor daquela inofensiva refrega.

– O Rui Costa é dos jogadores portugueses mais internacionais! - asseverava o meu amigo benfiquista, todo entusiasmado com tal façanha e exigindo respeito pela singularidade daquele feito.

– Caro amigo, o Cristiano Ronaldo há de duplicar isso! – respondi-lhe, com a convicção de quem não tem certeza de nada, mas quer dar ênfase ao jogador formado em Alvalade.

– O Eusébio marcou 41 golos. Foi uma marca muito importante para o futebol português, ou não foi? – insistia o meu amigo benfiquista, numa tentativa de inverter o entusiasmo que pairava nos sportinguistas.

– O Cristiano Ronaldo há de triplicar isso! – arremessei eu, com a mesma convicção da resposta acerca das internacionalizações de Rui Costa.

 

E foi nesse momento que a coisa se deu. O meu amigo benfiquista olhou-me nos olhos, meio incrédulo, meio abananado, os olhos arregalados e os cantos da boca com uma ligeira baba que atribuí ao destempero da conversa. Cheguei a recear uma síncope, o que não vinha nada a propósito, dado tratar-se de um excelente amigo.

Os seus olhos foram franzindo como quem não está a enxergar bem e, após um momento de acalmia, disparou, muito baixinho, mas com muita convicção:

– O Cristiano Ronaldo vai duplicar as internacionalizões do Rui Costa e triplicar os golos de Eusébio?

– Podes ter a certeza. – retorqui, para não dar parte de fraco e, afinal, correndo bem, na manhã seguinte, ninguém se lembraria dos pormenores da conversa.

– E quanto queres apostar? – O tom de voz transportava, agora, uma carga formal, como se naquela proposta de aposta tivesse a prova – sim ou não – da genialidade de Cristiano Ronaldo.

A pergunta apanhou-me de surpresa, mas o momento não recomendava recuos e como, à época, Cristiano Ronaldo ainda tinha muitos anos pela frente, para marcar golos pela selecção – a confirmação do vencedor da aposta ainda iria demorar alguns anos –, respondi com toda a convicção possível para aquele momento de surpresa.

– Aposto o que tu quiseres, caro amigo.

– Fica apostado um jantar, em Lisboa. Quem ganhar escolhe o restaurante e não há constrangimentos na despesa! – impôs o meu amigo benfiquista.

Selámos a aposta com um aperto de mão e como bons amigos que éramos – continuamos a ser, obviamente –, continuámos a refrescar as gargantas, mantendo aquelas conversas que caracterizam os amigos divergentes nas opções clubísticas e que o tema selecção bem poderia dispensar.

 

Faltam seis jogos e oito golos.

Ai, vou jantar, vou. E quando chegar o menu, irei lembrar-me de que não há constrangimentos na despesa.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui e aqui.

O que importa é que ganhámos bem

Texto de Carlos Oliveira

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Se não ganhássemos [contra o Belenenses, no Restelo, para a Taça de Portugal], era porque jogámos com a segunda equipa e devíamos jogar com a A, mas ganhámos, então é porque o adversário é da 3.ª ou 4.ª divisão... por alma da Santa.

O que me importa é que ganhámos bem, merecido e folgado. O treinador aproveitou para ver outra parte do plantel. E nós também.

 

Só um apontamento ao onze inicial:

Virgínia, mesmo pelo pouco que fez, não demostrou algum nervosismo.

Esgaio, sempre competente.

Inácio, muito competente.

Feddal parece-me cansado eternamente.

Esteves parece-me o contrário de Feddal: pilhas duracell. Excelente exibição.

Ugarte, se pudessem jogar doze... Excelente exibição.

Bragança é um maestro. A bola sai sempre redondinha. Está mesmo a um "declic" da explosão no onze.

Vinagre esteve muito bem. Desta vez foi competente nos cruzamentos e deu assistências válidas.

Jovane: eu gosto do rapaz, mas tem ausências assustadoras. Ontem [anteontem], entre essas, achei que esteve bem.

TT super-competente porque marcou, mas falhou também tantos outros.

Gonçalves: muito perfume, de realçar que o primeiro golo tem origem num seu passe magistral para Vinagre.

 

Texto do leitor Carlos Oliveira, publicado originalmente aqui.

O meu onze ideal saído da Academia

Texto de Daniel Borges

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Sou algo ambivalente no que toca a estas escolhas de "melhores equipas". Por um lado acho extremamente injusto para muitos atletas, já que cada época tem as suas especificidades, cada plantel as suas próprias dinâmicas, etc, mas por um outro lado é sempre uma maneira bonita de relembrar velhos tempos e grandes jogadores.

Neste caso, o período de tempo nem é assim tão vasto, e daí a comparação é aceitável (o Peyroteo, por exemplo, não tinha, nem de longe, as mesmas condições de os jogadores de hoje).

 

Antes de começar, gostava de explicar o meu modus operandi:

- Só considerei jogadores que em 2002, altura da inauguração da Academia, ainda faziam, de qualquer maneira, parte da formação. Mesmo podendo já dar uma ajuda aos seniores.

- Só considerei o valor do jogador e o êxito que conseguiu até hoje, sem levar em conta se saiu a bem ou a mal do Sporting. Nada de politicas, só futebol.

- Não fiz distinção entre jogadores que jogaram na nossa primeira equipa de seniores ou que nunca chegaram a jogar na nossa equipa A de seniores.

- Só considerei jogadores que já têm alguns anos de futebol profissional "nas costas" (Nuno Mendes, por exemplo, não entrou nessa consideração).

- Em caso de igualdade de qualidade (subjectiva, lógico), dei mais valor à carreira internacional (êxitos e aparências em outros campeonatos, competições europeias ou selecções).

 

Táctica 4-3-3

Rui Patricio; Cédric Soares, Rúben Semedo, Eric Dier, Mário Rui; William Carvalho, João Mário, João Moutinho; Nani, Cristiano Ronaldo, Ricardo Pereira.

Explicação:

GR: Não necessita de explicação.

LD: Hesitei entre Cédric e R. Pereira. Optei por Cédric por ter tido mais êxito a nível nacional (no Sporting e na Académica) como internacional (a nível de clubes e de selecções).

LE: Pensei bastante quem podia ser o melhor nesta posição que saiu da Academia, mas não me lembrei de ninguem, excepto de Mário Rui. Ele joga há épocas ao mais alto nível num campeonato tão exigente como o italiano.

DC: Eric Dier veio-me logo à cabeça, mas em relação à segunda vaga tive de pensar mais tempo. No fim, optei por Rúben Semedo em detrimento de Domingos Duarte. Rúben Semedo e Domingos Duarte apresentam muitas semelhanças em relação aos seus números (vejam a comparação no Transfermarkt), mas acredito que Rúben Semedo tinha tido muito mais sucesso na sua carreira se não tivesse a vida privada instável que parece ter. Além disso, já ganhou alguns titulos (embora na Grécia) e tem uns impressionantes 18 jogos na Champions.

MDC: William Carvalho, porque em relação a Palhinha já foi campeão europeu por Portugal e apresentou o Sporting nas competições europeias durante algumas épocas, fazendo bons jogos a alto nível (Champions e Liga Europa).

MC: Os dois Joãos, o Mário e o Moutinho, aparecem aqui, não por eu ter muita simpatia por eles (o Mário nem me interessa tanto, mas o Moutinho foi uma desilusão tremenda quando pediu para sair para um rival directo), mas porque foram, em minha opinião os dois melhores médios-centro a sair da nossa Academia. Irão muitos perguntar porque não optei por Adrien, também esse campeão europeu, um jogador que sempre deu tudo o que tinha pela nossa camisola e que foi um digno capitão. Como mencionei na introdução, em caso de dúvida, optei por aqueles jogadores que mais êxito tiveram ao longo da carreira. Moutinho ganhou muito mais que Adrien e J. Mário, além de ser dos jogadores com mais internacionalizações de sempre ao serviço da Selecção Nacional. A dúvida maior estava então entre Adrien e João Mário. A escolha caiu sobre J. Mário porque tem mais jogos internacionais e ainda pode acrescentar alguns jogos na Champions e na Selecção, coisa que Adrien dificialmente atingirá. A nível emocional, optaria, claramente, por Adrien, sem dúvida.

ED/EE: Se Nani não necessita muito tempo para pensar, então o resto merece algum tempo. Saíram da Academia jogadores como Bruma, Podence e Gelson Martins, mas nenhum tem a regularidade ao mais alto nível como Ricardo Pereira. Ele hoje é lateral, mas a sua raiz de extremo ainda se faz notar e de todos os que mencionei (já nem incluí Yannick), é o que mais êxito teve ao longo dos anos. Só uma nota final: não considerei Ricardo Quaresma porque saiu em 2001 para os seniores e já não chegou a conhecer a Academia como jogador da formação. Se não, era claramente o segundo extremo juntamente com Nani.

PL: Já que não abundamos de avançados-centro, optei pela estrela da companhia nesta posição, Cristiano Ronaldo. Ao contrário de Quaresma, Ronaldo ainda conheceu a Academia como jogador de formação. Não esteve lá muito tempo, mas ainda foi o suficiente para ser considerado.

 

Texto do leitor Daniel Borges, publicado originalmente aqui e aqui.

A porta da rua - e é do lado de fora

Texto de João Gil

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Jordão, um Príncipe do Sporting

 

Com a participação baixíssima que houve na AG não admira que os militantes anti-actuais dirigentes do clube tivessem feito vingar algumas das suas posições. Num contexto mais largo e de maior representatividade contam pouco ou nada.

A lista de nomes foi aprovada. Apesar da minoria de participantes, houve uma maioria que aprovou a ideia e a mesma passou.

Apesar de tudo houve alguma separação de assuntos que não tinham por que ser misturados. Sendo o actual estádio convertido exclusivamente ao futebol, é uma boa lista de nomes. (...) Custa-me perceber, entretanto e como já li, como é que há sócios que votariam contra a lista de nomes aprovada, pela presença do nome de Jordão, um dos maiores futebolistas portugueses de todos os tempos, sportinguista desde menino, desde sempre e para sempre.

Só mesmo a ignorância sobre a personalidade, o passado, a história pessoal de Jordão justificam uma posição negativa relativamente à inclusão do seu nome numa das portas do nosso estádio.

Se Eusébio foi o King, Jordão foi um verdadeiro Príncipe do futebol português e do Sporting. Enfim.

 

Tenho pena que hoje o estádio José Alvalade só tenha portas para o futebol e já não tenha portas da maratona por não haver pista de atletismo, ou de ciclismo, onde pudéssemos honrar da mesma maneira um Carlos Lopes ou um Joaquim Agostinho.

No Sporting não faltam nomes para honrar, faltam portas para tantos atletas (m/f) grandes e merecedores da admiração dos Sportinguistas.

 

Para os alarves que insultam dirigentes e consócios em AG e que ainda tentam impedir a normal vivência democrática do clube é que só há uma porta onde merecem estar. A porta da rua - e é do lado de fora.

 

Texto do leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

Jesus está muito bem fora de Alvalade

Texto de Francisco Gonçalves

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Não há outra forma de dizer o óbvio: Jorge Jesus, enquanto treinador do Sporting Clube de Portugal, foi um absoluto fracasso. E nada barato, diga-se.

Podem estabelecer-se muitas linhas de pensamento para tentar explicar a ineficácia de Jesus, nos três anos em que liderou a equipa técnica leonina. Naturalmente, os seus seguidores e admiradores hão-de arranjar espaço criativo para atribuir as culpas a tudo e a todos, poupando o técnico. Contudo, na avaliação final, o que conta são os factos e esses são indesmentíveis. Jorge Jesus ganhou quase nada, em três anos, em Alvalade.

 

Jorge Jesus tem vários problemas, na forma como vende a sua imagem. Além da sua colossal dificuldade em transmitir uma ideia – não quero de forma alguma enfatizar esse aspecto, mas ajuda a perceber algumas coisas – o vetusto treinador tem um ego maior do que o vencimento anual que auferia, em Alvalade, e que aufere, na Luz.

Jorge Jesus é bronco e, não raras vezes, exibe uma chocante desonestidade intelectual: basta lembrar o episódio do limpinho, limpinho.

Jorge Jesus tem a mania que é a última coca-cola do deserto: basta lembrar a sua convicção de que, depois dele, nem em cem anos outro treinador português ganharia a Taça dos Libertadores. Abel Ferreira está na final pela segunda vez consecutiva e, na primeira tentativa, ganhou a competição.

Jorge Jesus é completamente imodesto: basta lembrar como tratou Rui Vitória, na sua primeira época como treinador dos leões.

Jorge Jesus é mau gestor de balneário: só neste início de época, teve problemas com Filip Krovinović, Samaris e Gabriel, além da discussão, mais ou menos pública, com Gonçalo Ramos.

Jorge Jesus não sabe defender os seus jogadores: basta ver como lidou com o “herói” Odysseias e como, ontem [domingo], tratou João Mário.

 

Jorge Jesus não tem a noção da realidade e até diz que jogar contra o Vitória de Guimarães ou o Barcelona é a mesma coisa.

Jorge Jesus é lento a assumir qualquer responsabilidade e muito lesto a endossá-la.

Jorge Jesus é o maior gastador que o futebol lusitano conhece e essa particularidade já tem mais de uma dezena de anos. Nesta época, com cinco defesas centrais no plantel, ainda queria mais o David Luiz.

Jorge Jesus está a anos-luz da adjectivação que a imprensa lhe dedica.

Jorge Jesus está muito bem fora de Alvalade e espero que assim se mantenha.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

Deixem trabalhar quem trabalha

Texto de Francisco Gonçalves

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Enquanto os elementos que lucravam com a existência das claques tiverem consciência de que há uma hipótese, por remota que seja, de recuperar o negócio – situações de privilégio com o clube e, através delas, lucros de milhares de euros por ano, cujo destino nunca explicaram - o seu comportamento, nas Assembleias Gerais, não vai mudar. O seu objectivo é derrubar o presidente Frederico Varandas, pela singela razão de que este presidente já deu provas inequívocas de que não aceita a matriz das claques, conforme existiam no passado.

Tenho a mais profunda convicção de que a esmagadora maioria desses associados nem lê o que é sujeito a votação. A esses elementos foi-lhes dito que é para votar não e, de uma forma mecânica, obedecem aos seus patrões.

A Direcção do Sporting Clube de Portugal só tem um caminho para deixar de estar refém dessa percentagem insignificante de sócios: agendar Assembleias Gerais para dias de fim de semana, publicitá-las como se tratasse de actos eleitorais e criar, de uma forma legal, meios facilitadores do exercício de voto para todos os sócios do Sporting Clube de Portugal, em especial para aqueles que por razões profissionais, pessoais ou geográficas não podem deslocar-se ao recinto da Assembleia.

 

A essência de uma claque está longe daquilo que é o entendimento daqueles elementos que, anos a fio, quiseram ser os protagonistas do clube, vivendo à sombra do favorecimento de alguns presidentes, como recompensa da protecção que eles próprios garantiam a esses mesmos presidentes - qual força pretoriana, em pleno século XXI -, e estabelecendo negócios que, não raras vezes, tocavam as raias da ilicitude e, até, da ilegalidade.

Quem apoia o Sporting Clube de Portugal com absoluto desinteresse material não vai para as Assembleias Gerais votar, de forma acéfala, dispensando-se, até, de entender as consequências que o seu voto pode significar na vida do clube.

 

O Sporting Clube de Portugal necessita do apoio de todos os seus sócios, adeptos e simpatizantes. É verdade que Alvalade cheio, remando num só sentido, pode significar aquela ajuda suplementar que a equipa, algumas vezes, necessita para desbloquear o resultado; é verdade que, nos jogos fora de casa, é reconfortante ver os símbolos do clube nas bancadas, banhando de verde as bancadas e, dessa forma, dando alento à equipa; é verdade que é muito importante a militância dos sportinguistas, no tempo e no espaço próprios; é verdade que o Sporting Clube de Portugal, enquanto Instituição de Utilidade Pública e com a sua envergadura eclética, precisa de todos.

Do que o Sporting Clube de Portugal não necessita é de quem o apoia com o intuito de fazer do clube a sua fonte de rendimento e, mais grave, mantendo uma conduta que compromete os valores que sempre foram o guião do clube de Alvalade.

 

O presidente Frederico Varandas tem toda a legitimidade para dirigir os destinos do clube e quem não concordar com a sua presidência deve expressá-lo, no próximo ano, em sede de eleições.

Até lá, desamparem a loja e deixem trabalhar quem trabalha.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

Já andam todos a imitar Amorim

Texto de Francisco Gonçalves

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Aos seus detractores, aos nostálgicos de outros momentos vividos no Templo do “foi quase”, aos apologistas de “um presidente acima do clube”, ou aos eternos insatisfeitos, Rúben Amorim causa comichão. Claro que sim. Para esses, é quase ultrajante que um indivíduo jovem, inexperiente nas funções e, ainda por cima, adepto confesso do clube rival, possa ficar na História do Sporting Clube de Portugal ao fim de quase nada. Sim, quase nada, em espaço temporal, mas quase tudo, em conquistas. Mas já lá está e lá há de ficar. Aos mais inconformados, uma só palavra: habituem-se.

Para os sportinguistas, é fácil encontrar uma diferença abismal entre Rúben Amorim e a maior parte dos treinadores leoninos, nos últimos cinquenta anos: foi campeão nacional.

 

Mas, além disso, Rúben Amorim tem sido uma pedrada no charco, no panorama do futebol nacional. As suas conferências de imprensa começaram por ser escutadas pelos seus colegas de profissão. Hoje, são imitadas. Nunca, antes de Amorim, ouvi Sérgio Conceição dizer “jogo a jogo”. Essa quebra de arrogância e petulância no treinador do FC Porto revela a influência que a forma de estar de Rúben Amorim teve nos outros treinadores e essa evidência é boa para o ambiente do futebol em Portugal.

O sistema táctico 3-4-3 vai fazendo o seu caminho e já há outros treinadores portugueses convencidos disso.

 

Rúben Amorim incutiu um cunho de credibilidade ao seu discurso.

Se for necessário reconhecer que o seu guarda-redes foi o melhor em campo, mesmo que isso signifique reconhecer alguma sorte no resultado obtido, fá-lo sem hesitações.

Se for necessário atribuir os méritos de um jogo ao adversário, não tem pruridos em fazê-lo. Assim como não hesita em atribuir aos seus jogadores o mérito maior nas conquistas e a si próprio a maior responsabilidade nas derrotas.

 

A descontracção que Rúben Amorim coloca nas suas intervenções públicas desconcerta e irrita o cinzentismo do futebol nacional, incluindo-se, aqui, um certo tipo de sportinguistas. À descontracção adiciona bom humor e quanto mais bom humor coloca nas suas palavras, mais irritação provoca nos seus detractores.

Rúben Amorim foi o primeiro treinador que vi verter uma lágrima de emoção, quando nada ainda estava ganho a não ser o seu grupo de trabalho, do qual ele se orgulhava e que o fazia suspeitar, sem ainda ter admtido em público, que aqueles leões seriam campeões nacionais e não havia de demorar muito tempo.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

Defendo a refundação das claques

Texto de Ulisses Oliveira

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Rúben Amorim sem dúvida que merece todo o crédito. Tem feito um trabalho extraordinário. Não nos esqueçamos que temos um plantel muito menos valorizado, em termos de orçamento, que os dos rivais. E mesmo assim, somos campeões! E mesmo assim, esta época não estamos a jogar pior que qualquer equipa em Portugal.

Falta-nos apenas experiência europeia. E aí, o nosso treinador também vai evoluir. Terá de ver que na Europa as equipas são mais audazes (e capazes) e atacam mais facilmente os nossos pontos fracos. Tem sido esta a única falha (se é que é falha) do trabalho de Amorim.

 

Além disso, falando de adeptos, por natureza, o acto de criticar, desde que feito de forma construtiva, não é algo que mereça reparo. Felizmente todos temos a nossa forma de pensar e de ver as coisas, e temos o direito de não estar sempre de acordo uns com os outros. Agora, durante o jogo, durante aqueles 90 e tal minutos em que o objectivo é ganhar, seja lá quem for o presidente, seja lá quem for o treinador, aí não se pode aceitar a crítica ao Clube ou à Direção. É talvez o único momento em que a liberdade de expressão deve ser deixada de lado, por um bem maior.

Há outros momentos em que quem não gosta pode dar voz à sua opinião. Mas ali, quando são 11 vs 11, os nossos têm de estar acima de tudo. Nós somos a retaguarda, somos o empurrão que tantas vezes nos faz um clube ímpar.

Por isso digo que o que se passou na pré-pandemia foi péssimo. Assistimos a um momento histórico de rebelião que podia bem ter aniquilado o nosso clube.

 

Posto isto, sou a favor da regeneração - leia-se, refundação - das claques. Pode ser controverso, mas se for possível que uma claque tenha apenas por missão apoiar incondicionalmente a sua equipa, sem interesses pessoais, então as claques são uma arma poderosa para o clube e que pode ajudar as equipas a sentirem-se em casa em todos os combates.

A máxima do Liverpool é muito isso: you'll never walk alone… lembra o "onde vai um vão todos’" É isso que uma claque deve ser. Mesmo no estádio mais longínquo, mesmo na cidade mais remota, a claque serve para dizer presente e fazer lembrar que representa milhões de adeptos.

 

Por isso, tenho para mim que o nosso Presidente devia resolver este problema de uma forma diferente do que simplesmente eliminar as claques. Há muita gente muito válida dentro da Juve Leo e do Directivo XXI. Os que forem meros aproveitadores, esses sim devem ser expurgados. O estatuto das claques deve ser o mais claro possível e a linha entre o que a claque pode e não pode fazer deve estar bem vincada. Atropelos, aproveitamentos, incitamentos à desordem, negócios laterais e ilícitos, são tudo actos não próprios do espírito de uma claque e portanto, à cabeça, devem ser listados como motivos para expulsão e exclusão.

Não sei se é possível o que estou aqui a propor, mas o momento é o ideal. O clube está vencedor, há alguma união, e há que aproveitar esta onda (lembra-se da Onda Verde? Era outra claque, certo?).

 

Texto do leitor Ulisses Oliveira, publicado originalmente aqui.

Vamos ver um Sporting lutador

Texto de Daniel Borges

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Sarabia necessita mais treinos com a equipa. Só há pouquíssimos jogadores que podem entrar numa equipa e jogarem logo. Um deles chama-se Cristiano Ronaldo.

Mas o nosso sistema táctico necessita de muito entrosamento e por isso acho que se devia confiar nos que já estavam há mais tempo com a equipa. Viu-se no jogo contra o Porto: não nos ajudou muito e a culpa nem é dele, mas da falta de treinos, como já referi.

 

A minha maior dor de cabeça é a questão do Gonçalo. Na minha opinião, o eixo defensivo é onde temos os maiores problemas.

Matheus Reis já provou mais que uma vez que não é jogador para vestir a gloriosa Verde-e-Branca, muito menos naquela posição. Se Gonçalo não puder jogar, até preferia outras soluções, como Esgaio. No meu ver, até Palhinha podia passar para central, só que não sei se Ugarte já está pronto para ser titular num jogo desta importância [hoje, contra o Ajax].

Daniel Bragança não é 6, por isso, se entrar, só no lugar de Matheus, caso este não recupere. Bragança ou Tabata a 8. Fica aí mais uma dúvida. Se Matheus recuperar, até pode fazer ele de 6, Palhinha recuar para central e um dos dois referidos jogar na posição 8.

 

Portanto, o Míster disse que queria o plantel curto e que se corresse mal, que a culpa seria dele. Agora que arranje soluções adequadas.

Em todo caso, os nossos jogadores vão ter de comer relva, já que a atitude dentro de campo pode ultrapassar muitas adversidades. No que toca a isto, não tenho dúvidas de que vamos ver um Sporting lutador à procura da vitória.

 

Texto do leitor Daniel Borges, publicado originalmente aqui.

Faltam um defesa, um ala e um avançado

Texto de Pedro Sousa

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Creio que é consensual que falta a este plantel um defesa central, um ponta-de-lança e, desde o último dia de mercado, um ala esquerdo, que até pode ser Gonçalo Costa (gosto), Nazinho ou Marco Cruz.

Apesar de o processo defensivo ser o forte deste Sporting não desdenharia ver outros nomes nos lugares de Matheus Reis, Feddal e Neto.

 

Estou em completo acordo com Rúben Amorim quando prefere lançar um miúdo da formação em vez de aceitar no plantel uma contratação para fazer número. Por outro lado, não acredito que o treinador do Sporting não gostasse de ter mais opções de qualidade no plantel, principalmente no centro da defesa e no centro do ataque. As suas afirmações sobre dois jogadores por posição e competitividade, não sendo mentira, são mais o adequar das palavras à realidade e àquilo que o Sporting consegue oferecer ao seu treinador, neste momento. Solidariedade.

Não sendo o ideal, porque isso seria ter Ronaldo(s) e Messi(s), este plantel bastaria para disputar o Campeonato e a Taça da Liga. Com Liga dos Campeões, Taça de Portugal e selecções (consequência do sucesso individual e colectivo dos jogadores), o plantel é curto. Tenho a certeza que o Rúben sabe isso.

 

Ao observar os jogos desta temporada e compará-los com a época anterior facilmente percebemos que existe uma evolução, quer na equipa, quer nos jogadores, mais confiantes, adultos, com melhor qualidade exibicional, melhores jogadores.

Porque não disputamos as competições sozinhos, pela maior responsabilidade, pelo desgaste de disputar mais jogos, pelo factor surpresa eliminado, pode acontecer os sucessos da época passada não serem repetidos.

Contudo, os Sportinguistas também têm a certeza que existe uma equipa capaz de lutar por todos os jogos, independentemente de quem entra em campo, que lutam até à exastão pelo melhor resultado. Total mérito do treinador, que acredita e faz acreditar.

 

O Ajax é o verdadeiro clube formador. Tem uma filosofia que é transversal nas pessoas (e diferentes cargos) e no tempo. Forma-se e aposta-se em treinadores e jogadores. Apesar de Aurélio Pereira, apesar de o Sporting ser o clube português que mais jogadores diferenciados formou em Portugal, aqui nunca existiu uma filosofia ou estratégia de aposta na formação contínuas. Tudo depende dos "cofres do clube" e a maior ou menor capacidade de contratar e do treinador que está à frente do futebol profissonal.

Apostar na formação depende muito mais do perfil de treinador que se tem na equipa A do que de uma "boa fornada" de jovens jogadores. Basta ver o Porto, que tem a melhor "fornada" de 99/00 e dificuldade da sua afirmação no plantel A.

 

Caso se confirmem todas as ausências anunciadas penso que o Sporting poderá alinhar [amanhã, contra o Ajax] com Adán; Neto, Feddal e Matheus Reis; Porro, Palhinha, Ugarte (Tabata) e Vinagre; Sarabia, Paulinho e Nuno Santos.

A minha maior dúvida está em Esgaio por Matheus Reis, ficando o trio central com Esgaio, Neto e Feddal.

 

Texto do leitor Pedro Sousa, publicado originalmente aqui.

Quando Portugal joga, também estamos lá

Texto de Francisco Gonçalves

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Vale a pena olhar a forma como a nossa selecção tem conseguido impor-se no futebol mundial e, nessa perspectiva, estabelecer a diferença como éramos olhados antes e como somos, actualmente: antes, éramos uns coitados que, de vez em quando, mas muito raramente, se transcendiam; actualmente, somos uns favoritos que, também, falham.

 

Imaginando um palácio chamado selecções, constituído pelo salão nobre, por salas laterais, pelo quarto dos fundos e por outras divisões de apoio logístico aos residentes, diria que o residente Portugal teve dois períodos muito distintos, sendo que o primeiro coincide com o século XX e o segundo com o século XXI.

No século XX, Portugal sempre habitou as salas laterais e, de vez em quando, espreitou o salão nobre (Mundial de 66, Europeu de 84 e Europeu de 96). Em 1966, foi até convidado a entrar no salão nobre, mas os residentes daquele espaço não hesitaram em, rapidamente, remetê-lo, novamente, à lateralidade das tais salas.

Houve, até, uma situação pouco dignificante que empurrou Portugal para o quarto dos fundos (Mundial de 86 - caso Saltillo).

No dealbar deste século, Portugal aventurou-se, espreitando, primeiro, o salão nobre (Europeu de 2000) e, depois, foi convidado a tornar-se residente daquele espaço (Europeu 2004 e seguintes), donde nunca mais saiu. Além de frequentar o salão nobre, Portugal começou a sentar-se na mesa principal, com os ilustres convidados que acedem a tal privillégio (ranking de selecções).

 

No ranking das selecções, imediatamente antes do Europeu 2020, Portugal ocupava o quinto lugar.
Esta diferença de espaço habitado, no palácio chamado selecções, no século XX e no século XXI, deixa poucas dúvidas sobre a forma como a comunidade mundial do futebol olhava a selecção de Portugal, no século passado, e como a olha, na atualidade.

O apoio à selecção portuguesa de futebol não merece discussão, como nunca mereceu, mesmo quando prevaleciam as vitórias morais e escasseavam as vitórias materiais.

A selecção nacional é de todos nós. Qualquer posicionamento inteligente, em relação ao que pensamos da nossa selecção, saberá estabelecer a diferença entre a crítica, que deve ser de natureza conjuntural, e o apoio que deve ser estrutural.

 

Independentemente de quem joga e de quem dirige a selecção nacional, os portugueses devem prestar todo o apoio àqueles que nos representam.

Quando Portugal joga, é um bocadinho de cada um de nós que ali está. O apoio deve ser entusiasmante e capaz de transmitir aos jogadores a nossa convicção de que acreditamos neles e desejamos que eles sejam o veículo da nossa ambição: ser melhor do que o adversário.

Portugal é um país de futebol. É insane que um português, adepto de futebol, não apoie aqueles que nos representam.

 

Tenho amigos que não ligam patavina ao futebol e, no entanto, nos dias em que joga a selecção nacional lá estão eles, diante do televisor, apoiando aquilo que os identifica, não como adeptos “da bola”, mas como portugueses.

Eu apoio a selecção nacional de futebol. Claro que sim. Incondicionalmente, esteja lá o Santos ou outro santo qualquer.

Vamos com tudo, Portugal. Vamos ganhar ao Azerbaijão.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui

Três perguntas sobre Paulinho

Texto de António Pereira

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Em relação a Paulinho, e sendo evidente que como goleador não está a atravessar um bom momento, gostava de deixar aqui algumas reflexões:

- Paulinho. Tem carácter, empenha-se, dá tudo, para além do que ajuda a equipa noutras tarefas, esforça-se, luta, aparece, dá a cara, para tentar inverter o ciclo negativo em que está como goleador;
- Rúben Amorim. Escolheu Paulinho: é um jogador que conhece, que seleccionou para aquela posição porque considera que é o que se encaixa melhor na forma de jogar do Sporting. Rúben confia em Paulinho, eu confio em Rúben;

Direcção. Confia no treinador, nas suas escolhas e decisões. Um treinador que na altura, com uma equipa baseada na formação, já tinha ganho a Taça da Liga e ia em primeiro no campeonato. Fez um esforço para lhe dar o jogador que ele queria: custou 16 milhões (13, se abatermos os 3 de Borja, que para mim valia zero, era um custo em salários). Satisfez o pedido do treinador com o melhor negócio possível.

 

Deixo as seguintes questões:

- Se Paulinho tivesse custado 8 ou 10 milhões em vez dos 13/16 milhões, já podia falhar golos? O problema do Sporting ficava resolvido?

- Se fossem um dos dos três envolvidos, Paulinho, Rúben e Direcção, o que faziam de diferente?

 

Texto do leitor António Pereira, publicado originalmente aqui.

Que boas dores de cabeça!

Texto de Pedro Sousa

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Estou muito curioso em perceber o que [Rúben] Amorim pretende de Pablo Sarabia.

Antes de mais, Sarabia é um grande jogador e caberá sempre no 11 do Sporting. Costumo dizer que mais vale ter bons jogadores que fazem vacilar as convicções de um treinador (relativamente ao modelo de jogo) do que maus jogadores e um treinador sem dúvidas.

Isto para dizer que Sarabia é um jogador diferente e diferenciado dos seus novos companheiros de equipa. Quem não o conhecia teve ontem [anteontem] a oportunidade de ver o Pedro Bouças, do Canal 11, mostrar algumas das suas principais características e movimentos: jogador inteligente, tem uma recepção orientada que elimina adversários e o faz ficar de frente para o jogo, rápido com a bola nos pés e não tanto em corrida livre, boa visão de jogo que eleva a sua capacidade de decidir e assistir, bom finalizador (como demonstram os números da sua carreira), decisivo no espaço entrelinhas, gosta de partir da direita para o centro do terreno, sendo esquerdino.

Diferente de Jovane e Nuno Santos, a quem tomará o lugar no 11, tornará o jogo mais associativo e não tanto de esticões na frente de ataque, algo muito característico deste Sporting do Rúben, que sempre precisou de fazer das fraquezas forças, daí a minha curiosidade em ver o que irá acontecer.

 

Poderemos voltar ao 3-4-1-2 com Sarabia no apoio aos dois da frente ou manteremos o 3-4-3 com Sarabia sobre a direita do ataque?

Passará Pedro Gonçalves para a esquerda ou empurrará Sarabia para a mesma esquerda?

Poderemos ver Sarabia, nos jogos mais importantes, ocupar o lugar de Paulinho, ficando o Sporting com um ataque muito mais móvel e imprevisível?

Que boas dores de cabeça!

 

Texto do leitor Pedro Sousa, publicado originalmente aqui.

Não estou arrependido

Texto de Luís Barros

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Embora tenha votado em Frederico Varandas e não tenha gostado de algumas decisões do seu mandato, neste momento não estou arrependido da opção que tomei. Curiosamente, quando vejo tantos comentadeiros a falarem em vitórias e do longo reinado de Pinto da Costa, esquecem-se ou não sabem que este só foi campeão no futebol ao fim de três anos de presidência, embora já tivesse ligações como dirigente há quase duas décadas.

Pelos vistos, a falta de memória também se verifica em relação ao dirigismo da agremiação de Carnide. O Benfica só foi campeão ao fim de quatro épocas com o ex-presidente Vieira como responsável desportivo e presidente, no famoso campeonato Trapattoni em que o Sporting foi espoliado.

 

Claro que se torna difícil imitar João Rocha que, chegado à presidência do Sporting em Setembro de 1973, sagra-se campeão ao fim de alguns meses e uma revolução pelo meio.

Deixemos a direcção trabalhar e, porque o Clube não é só futebol, temos de reconhecer que estes últimos três anos têm sido bastante positivos. Creio mesmo que nenhuma presidência sportinguista ou adversária ganhou tanto em tão pouco tempo e sem fazer gala disso.

Se acho que está tudo bem? Não. Definitivamente não.

Mas creio que as metas traçadas e os caminhos escolhidos podem ser muito positivos e de um futuro seguindo o lema do fundador do Sporting.

 

Texto do leitor Luís Barros, publicado originalmente aqui.

Matheus Nunes, Daniel Bragança, Tabata

Texto de David Rodrigues

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Posso estar enganado, mas a posição do jogador que irá jogar ao lado do Palhinha não é bem a do tradicional 8. Será uma mistura de 8 com 10.

Um verdadeiro box-to-box com golo. Que ligue a equipa, o maestro da equipa.

 

Nem Palhinha é um verdadeiro 6 neste sistema de jogo. A posição 6 começa a ser feita pelo defesa central do meio.

Palhinha também tem liberdade para ligar a equipa e tentar o golo.

Ou seja, neste sistema de jogo cada posição é feita por dois jogadores. Ou, visto outra forma, cada jogador faz mais do que uma posição dentro do campo de jogo. A razão da preferência de jogadores polivalentes por Rúben Amorim.

 

Na época 2015/16 tínhamos:
6 - William Carvalho
8 - Adrien Silva
10 - João Mário

O meio-campo da seleção campeã da europa.

 

João Mário foi um excelente jogador na época passada. Só tinha um problema: não tinha velocidade nas pernas para fazer o papel de 8. Mas tem pantufas e inteligência para perfumar o futebol paciente. E tinha a sorte de ter Palhinha que fazia, também, a parte das funções dele libertando-o.

Na sua nova equipa, ou o reforço francês permite-lhe ter a mesma capacidade no sistema de três centrais, ou caso contrário, Jorge Jesus comprou lenha para se queimar, pois tem que jogar em 4-4-2, e apenas neste sistema táctico, para tirar o máximo rendimento do jogador.

 

Daniel Bragança é um 10, um mágico com a bola nos pés. Não é um tradicional 8.

Rúben Amorim tentou variar o sistema tático, usando um 3-5-2, com Daniel Bragança a 10. O resultado não foi muito famoso.

Daniel Bragança vai ser muito útil quando precisarmos marcar golos na segunda parte, esticando a equipa na frente, com o adversário fechado.

 

Palhinha não tem substituto no Sporting.

Ugarte é um misto de 6 e 8 raçudo e bom tecnicamente. A ser contratado, permite dar fôlego e descanso a Palhinha; e nos jogos com adversários fortes fazer dupla com ele.

Matheus Nunes, se se libertar ainda mais, será um box-to-box de altíssimo quilate com golo nos pés. Não pode falhar tantos passes, como em alguns jogos o fez.

Tabata é um bocado incógnita. Tem muito golo nos pés e é tecnicamente desinibido também. Terá a raça e o poder de choque do Matheus Nunes?

 

O tempo responderá e é nos treinos, em função das características do adversário, das lesões, da forma, e dos castigos, que será dada resposta.

 

Texto do leitor David Rodrigues, publicado originalmente aqui.

Não há um onze titular indiscutível

Texto de Francisco Gonçalves

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A fórmula usada por Rúben Amorim na época passada, e que tão bons resultados produziu, deverá ser repetida nesta época prestes a iniciar-se.

Não há um onze titular indiscutível. Há adversários que são analisados previamente e que, face à análise, implicam a escolha deste ou daquele onze inicial do Sporting Clube de Portugal.

Não é só na questão da pontuação que Rúben Amorim defende a teoria do jogo a jogo. Também na selecção do onze inicial nota-se que o treinador escolhe aqueles que, face a determinadas circunstâncias, serão os melhores para aquele tipo de exigência.

Na última época, vimos jogadores a saltar, com alguma surpresa, para o onze inicial. Por norma, essas alterações prendiam-se mais com as características do adversário do que com algum abaixamento de forma do jogador que saía do onze.

 

Para a posição 8, o Sporting Clube de Portugal possui jogadores de excelente qualidade. Estou convencido de que Rúben Amorim há-de saber encontrar aquele que, entre os candidatos ao lugar, melhor se adapte ao adversário. Hoje, pode ser Matheus Nunes; amanhã, pode ser Tabata; depois de amanhã, pode ser Daniel Bragança.

Muito importante para o Sporting Clube de Portugal é saber que existem várias opções para preencher a posição 8 e que todas elas convergem para superar as diferentes dificuldades que o clube irá encontrar em todos os jogos das diferentes competições em que vai participar.

 

Para o próximo sábado, contra um adversário que tem um meio-campo muito combativo – Sporting Clube de Braga -, apostaria no Matheus Nunes.

Para o jogo contra o Futebol Clube de Vizela apostaria no Tabata.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

Ingleses jogam quase sempre em casa

Texto de Francisco Gonçalves

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Assumindo que a Inglaterra chega à final do Europeu – embora eu aposte as fichas todas na Bélgica -, os ingleses irão realizar todos os jogos em casa, com excepção do jogo dos quartos de final, contra a Ucrânia e que será em Roma.

Numa primeira análise, poder-se-ia concluir que em todas as competições deste tipo há, sempre, uma selecção que joga em casa e que, embora evidencie alguma vantagem, não significa, inexoravelmente, o triunfo na competição.

É verdade. Dolorosamente, somos transportados, quase de imediato, para o Europeu de 2004. Contudo, neste Europeu, a vantagem da Inglaterra é muito diferente daquela que resulta dos pretéritos Europeus.

Enquanto que antes as selecções forasteiras só tinham de deslocar-se dentro do país anfitrião e, por norma, até mantinham os seus quartéis-generais durante toda a competição, neste Europeu algumas selecções andaram numa azáfama inusitada, com viagens para trás e para a frente, o que, obviamente, representa um cansaço acrescido.

Só para exemplificar o que precede, gostaria de referir que a Bélgica, só na fase de grupos, efectuou 9.157 km, enquanto a Inglaterra efectuou as idas ao supermercado.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

Hoje somos os favoritos que falharam

Texto de Francisco Gonçalves

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Renato Sanches e De Bruyne no Bélgica-Portugal de 27 de Junho

 

A base da selecção [portuguesa no Mundial de 1966] era a de uma equipa com cinco finais da Taça dos Campeões Europeus em oito anos e que, de facto, teve um brilhante comportamento em Inglaterra, [mas] falhou, estrondosamente, o apuramento para o Munudial de 62, para o Europeu de 64 e para o Europeu de 68.

 

Entretanto, ficámos em 4.º lugar no Mundial de 2008; fomos semi-finalistas, em 2000 e em 2012; vice-campeões europeus, em 2004; campeões europeus, em 2016; e vencemos a Liga das Nações em 2019.

Sem prejuízo do mérito que a nossa selecção revelou, o Mundial de 1966 foi visto, quase, como um milagre. Uma superação que só acontece(u) de vez em quando.

Hoje, Portugal frequenta os lugares das melhores selecções do mundo, com uma naturalidade que, naquele tempo, era uma miragem.

 

Naquele tempo, éramos os coitados que se transcenderam.

Hoje, somos os favoritos que falharam.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

Tantos jogadores em má forma física

Texto de Miguel

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Qualquer equipa pode perder com a Bélgica, a propósito disso nada a dizer.

O único remoque que faria ao engenheiro seria a propósito de uma certa falta de imaginação: não haveria maneira de alargar o jogo, conseguir fazer chegar à linha de fundo mais amiúde de modo a que os avançados recebessem a bola de frente para a baliza para, no mínimo, obter mais cantos

Juntar o Nuno Mendes e o Raphaël Guerreiro à esquerda, avançar o Dalot (bela estreia) no apoio ao Bernardo Silva ou outro, guardando uma linha de três defesas que ontem [anteontem] aliás fez um excelente final de jogo?

Bem, isto vale o que vale, é muito fácil mandar bitaites de fora.

 

De qualquer modo, com tantos dos jogadores principais em má condição física é muito difícil fazer valer o argumento de que esta equipa sendo tão forte devia fazer muito melhor do que fez.

A conclusão não segue da premissa. Ou alguém imagina a França a jogar pelo título com o Griezmann, o Kanté, o Pogba e o Mbappé sentados no banco e com os jogadores do Lille em campo?

 

Texto do leitor Miguel, publicado originalmente aqui.

Porque não joga quem está melhor?

Texto de João Rafael

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Fernando Santos levou-nos a uma conquista inédita em 2016, com um conjunto de jogadores muito inferior, em qualidade, quando comparado com o actual. Tivemos a sorte que não tivemos em 2000 e 2004; os deuses da bola já estavam em dívida para connosco. O que não lhe dá crédito infinito.

O Mundial de 2018 foi péssimo (para um campeão europeu) e o apuramento para este Euro também não foi espectacular: ficámos em segundo, atrás da Ucrânia, e isso colocou-nos na rota de Alemanha e França. Mas, muito honestamente, há coisas que não compreendo: porque não jogam os jogadores em melhor forma?

Bernardo, aos 15 minutos, estava cansado; William e Danilo parecem dois velhinhos de 80 anos; Bruno Fernandes, que comanda uma das melhores equipas do mundo, com números astronómicos, anda sempre perdido em campo porque é utilizado fora de posição.

 

O problema não está em perder com a Alemanha.

É alguma vergonha? Não, não é.

A questão tem a ver com a maneira como se perde, denotando, aqui e ali, falta de de organização e, sobretudo, de adaptação às vicissitudes do jogo.

Os quatro golos dos alemães foram praticamente iguais! Qual a razão para isto não ser corrigido logo após o primeiro golo, recuando Danilo para central e juntando Bruno Fernandes a William?

Temos dos jogadores que melhor tratam a bola, a nível mundial, e o nosso sistema de jogo passa por... não ter bola! Como se não bastasse, os dois médio-centros são pouco agressivos na recuperação da mesma. Nesta circunstância, Palhinha e Renato faziam um serviço muito melhor!

Bruno nas costas de CR7 para visar a baliza, como tanto gosta.

 

Mas concordo que há portugueses que gostam de torcer a faca e provavelmente até cantarão "A Marselhesa" na quarta-feira... 

 

Texto do leitor João Rafael, publicado originalmente aqui.

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