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És a nossa Fé!

Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira

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«O presidente do Benfica juntou uma lista de 22 juízes que convidou para ver um jogo da Champions, na maior parte desembargadores nos Tribunais da Relação, à sua defesa no processo judicial Lex. Esta iniciativa de Luís Filipe Vieira procura demonstrar que convidar magistrados para os camarotes do estádio da Luz não é mais do que uma prática corrente.»

 

«Pinto da Costa foi sempre o mais inteligente. Sempre teve a seu lado meia Relação do Porto ou de Guimarães. Sempre utilizou as viagens ao estrangeiro, em competições da Champions ou da antiga Taça dos Campeões Europeus, para comprar cumplicidades selectivas. E teve-as sempre que precisou, nos tribunais, na polícia, na política.»

 

«Vieira fez, afinal, o que é uma evidência no futebol. Os 22 juízes do Benfica têm apenas a força metafórica de simbolizar a enorme atracção do futebol na classe mas, também, a enorme vulnerabilidade que isso gera em profissões que têm a sua matriz na independência e no distanciamento social.»

 

Eduardo Dâmaso, ontem, no Record

Tarda mas não falha?

 

 

Quem me lê por aqui, sabe da minha real confiança na justiça. Tenho-o afirmado e defendido que a justiça, sendo o conjunto de todos os que nela interferem e trabalham sérios e honestos, pode, aqui e ali padecer de um ou outro furúnculo que o corpo, sempre, se encarregará de esvaziar e expulsar.

Foram finalmente detidos uns membros (sete) daquela claque que não existe que responde por um nome que não tem e que o presidente do clube de que não fazem parte diz e muito bem que a esse respeito nada se passou se.

Quero realçar os termos com que as autoridades policiais e da justiça adjectivaram os crimes pelos quais esta gente foi detida. "Especial perversidade" foi o termo mais simpático, denotando que a premonição dos ataques aos alvos, quase sempre adeptos do Sporting, uns das claques outros só porque sim, era a ocupação principal dum grupo que se diz ser tresmalhado do grupo principal.

Tentativas claras de homicídio com espancamentos cruéis, visando a agonia e eventual morte dos agredidos, denota um perfil psicológico (digo eu que não sou da área) de assassino nato!

Vários de nós, autores do blogue, aqui fomos escrevendo contra a lentidão das polícias e da justiça no seu todo, neste-assunto-da-claque-do-Benfica-que-não-existe-e-sobre-a-qual-nada-se-pode-fazer, como diz aquele que se a justiça funcionar bem, em breve irá bater com os costados no xelindró, Luis Filipe Vieira, por alcunha D. Orelhas, o Grande. Finalmente os nossos gritos de revolta (e de muitos outros) foram ouvidos e eu só espero que esta demora angustiante por uma justiça clamada, se alicerce num caso de betão que não abra qualquer brecha causada por um qualquer advogado de defesa (no seu direito profissional, obviamente). Espero que a investigação criminal da PSP tenha actuado de forma muito profissional e tenha deixado em cima da mesa do Ministério Público material que permita que de uma vez por todas o Estado comece a tratar do assunto claques com a seriedade que ele merece e que quem mata uma, duas e tenta a terceira, quarta, quinta e perpetra outras mais, conforme se demonstra nas informações que possuiam sobre alvos a abater, seja definitivamente banido do desporto e por muito tempo da sociedade!

Agora a claque do Benfica tem rostos, não há mais desculpa para o beija-mão, o deixar andar, o laxismo, a deferência para com um clube que se vivêssemos num país de gente honesta, já teria sido extinto!

 

É ver na plataforma que nos aloja, nem uma nota de rodapé, até à hora a que este post foi publicado.

ImpuNNidade

Passaram-se 3 semanas desde que o autocarro do SLB foi apedrejado no final de um jogo. Episódio de que resultaram feridos dois jogadores, que tiveram de receber assistência hospitalar. Um deles, teve lesões numa vista. Na mesma noite, as casas de vários jogadores do SLB foram vandalizadas, bem como a do seu treinador. 

Ontem, depois de nova derrota, o autocarro foi visado por adeptos, segundo a comunicação social. Felizmente, sem consequências de maior.

Entretanto, já passou um mês desde as bárbaras e cobardes agressões que resultaram em ferimentos graves em adeptos do Sporting.

Já passaram muitos meses desde a última vez que as claques (perdão, GOAs) do Benfica (NN Boys) que entoaram o cântico do "very light", glorificando a violência contra um inocente assassinado? Está tudo gravado, não deve ser difícil identificar um ou outro...  

Resultados disto tudo? 

Zero. É a impuNNidade total.

Parece que "foram identifiados" os autores do ataque ao autocarro. Nada mais. 

Para um sportinguista, que viu o seu clube associado ao "terror" nos últimos anos, tudo isto é absolutamente extraordinário.

Onde estiveram na últimas semanas os comentadores histéricos das TV, a exigir a demissão do presidente do SLB e a responsabilizá-lo "moralmente" (ou mais...) pelo ataque? 

E as primeiras páginas, dia após dia, sobre o "terror", "terrorismo" e etc, semanas a fio?

E os directos à porta do Seixal? 

E os agentes a ameaçar a rescisão de contratos de jogadores?

Onde estiveram o Presidente, o Primeiro Ministro e o Presidente da Assembleia da República, a condenar veementemente estes actos? (O secretário de Estado do Desporto, esse reagiu uma semana depois, quando pressionado pelo FC Porto...)

Onde está a Polícia? 

Onde está o Ministério Público e as acusações de "terrorismo"? 

É que os vândalos das claques do Sporting foram acusados de terrorismo e privados de liberdade durante quase dois anos - e, grande parte deles, libertados no final - enquanto que os vândalos das claques do SLB andam à solta!

Tudo põe a nu o que já sabíamos - que, no futebol, há uma justiça para o SLB e outra para SCP. 

Mas põe também a nu algo muito mais grave - que as instituições do Estado (não do futebol, as do Estado...) agem em conformidade com os interesses do SLB. Se é preciso varrer para debaixo do tapete... varre-se. 

E um incidente gravíssimo como o do ataque ao autocarro do SLB é pura e simplesmente esquecido. 

Mais do que o futebol (ainda há esperança para esse pobre coitado?) está em causa hoje o Estado de Direito. É preciso defendê-lo contra os Donos Disto Tudo. E o pior que podemos fazer é contribuir com a nossa indiferença.

Os crimes de Alcochete

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«Isto não é amor ao clube. É crime. É crime.»

Sílvia Pires, presidente do colectivo que julgou os arguidos de Alcochete

 

Confiar na justiça.

Esta é a atitude certa, em qualquer circunstância. Julgo que neste blogue, onde há pessoas que pensam de modo muito diferente em quase tudo quanto se relaciona com o Sporting, nunca houve ninguém que exprimisse opinião diferente desta: confiar na justiça.

Esta sexta-feira, dia 29, é, portanto, um dia tão bom como qualquer outro para reafirmar este princípio. O dia que se segue ao da sentença proferida, em primeira instância, pelo colectivo de juízas que determinou 41 penas condenatórias e três absolvições no chamado processo de Alcochete - investigado e concluído dentro dos prazos legais e com uma celeridade muito superior ao que estamos habituados.

 

Há dois aspectos neste acórdão - que ainda não li e, portanto, só consigo comentar a partir de notícias escritas com base na súmula lida na sessão de ontem pela juíza-presidente, Sílvia Rosa Pires - que convém salientar.

O primeiro é o facto de cerca de quatro dezenas de adeptos do Sporting - vários deles igualmente sócios, ao que presumo - terem ousado invadir e destruir as instalações da Academia leonina, até há poucos anos considerada um centro de excelência máxima em matéria de formação no futebol. Estes indivíduos protagonizaram um "ataque bárbaro" (palavras da magistrada) a um local que devia ser uma espécie de santuário para toda a massa adepta. Ali cometeram-se crimes graves - e não foram provocados pelos habituais "inimigos do Sporting", mas por sportinguistas. Com imagens que voltaram a colocar a Academia literalmente nas bocas do mundo, desta vez não por motivos de excelência mas de indecência.

A partir deste acórdão, portanto, deixaremos de falar em "alegados crimes" relacionados com Alcochete: a palavra "alegados" cai com esta sentença condenatória. Houve mesmo ilícitos penais, agora punidos com penas diversas - incluindo nove casos de prisão efectiva.

Entre os que cumprirão pena de prisão inclui-se o líder histórico da Juventude Leonina que permaneceu cerca de duas décadas à cabeça desta claque. Que, de algum modo, fica assim simbolicamente decapitada. Não por capricho de comentadores ou arbítrio de jornalistas, mas por solene decisão judicial.

 

Além dos 41 arguidos que acabaram condenados em graus diversos, o acórdão determina ainda três absolvições, considerando que nas audiências de julgamento foi impossível fazer prova da suposta "autoria moral" dos crimes de Alcochete, invalidando a controversa tese inicial do Ministério Público. Neste reduzido número de arguidos agora absolvidos incluem-se o ex-presidente Bruno de Carvalho e o actual dirigente máximo da JL, Mustafá. Também aqui, como no resto, imperou o princípio que nunca deixámos de defender: acreditar na justiça. Por ser uma das traves mestras do sistema democrático que nos rege.

Numa longa entrevista ontem concedida ao Jornal das 8 da TVI, perante um interlocutor impreparado, timorato e gaguejante, o antigo presidente leonino admitiu a possibilidade de instaurar um processo por indemnização ao Estado português que pode chegar às instâncias jurídicas internacionais. É inteiramente livre de proceder assim, no exercício de um direito de cidadania, se considerar que não lhe foi feita justiça, o que não parece muito consentâneo com a absolvição que acaba de lhe ser decretada.

Entretanto, não deixa de ser irónico ver agora vários dos seus apoiantes mais indefectíveis - com a linguagem incendiária que todos lhes conhecemos, integrada no caldo de cultura que degenerou nos crimes de Alcochete - celebrarem nas redes sociais a "vitória da justiça" depois de andarem anos a alimentar teses conspiranóicas contra o poder judicial, que seria parte integrante de uma vasta operação universal destinada a derrubar aquele que continuam a venerar com cega idolatria. 

 

Afinal não havia conspiração alguma: houve crimes, houve punições, houve absolvições, haverá recursos para outros patamares judiciais se assim for decidido por advogados e Ministério Público.

Prevaleceu a justiça. Confirmando assim que devemos acreditar nela. Não apenas quando nos é conveniente, mas em todas as circunstâncias. Antes, durante e depois.

Quem não acredita na justiça, não acredita na democracia. Já passou para o lado de lá ou nunca de lá saiu.

Nesse lado eu jamais estarei.

Decisão do Tribunal é boa para o Sporting

Desde a primeira hora que considerei uma vergonha todo o processo de rescisões. Na minha opinião, nenhum jogador pensou no clube e nos seus adeptos. Escolheram o seu dinheiro e as suas carreiras em detrimento da nossa paz, do nosso sossego, do nosso amor. Não pestanejaram quando nos desiludiram, não se importaram com milhares de crianças que os viram partir sem olhar para trás. Quem rescindiu procurou melhor, quem ficou teve medo de arriscar e quem voltou fê-lo porque não encontrou o que procurava. Para mim, foi isto. Simples e frio.

Que fique claro, quando os jogadores do Sporting decidiram rescindir o contrato, fizeram-no com o clube, não com o presidente, apesar de se terem servido de Bruno de Carvalho para o fazer.

Hoje a justiça mostrou que não tinham razão. Nem Carvalho e nem Jacinto, ambos funcionários do clube à data, foram condenados. O Sporting não teve, por isso, qualquer tipo de ligação ao acto que alguns energúmenos cometeram.

Como Sportinguista, esta absolvição ao antigo presidente é um alívio. É uma página negra que não foi escrita, apesar de muitos a ditarem.

VIVA O SPORTING

O tribunal falou!

Dois anos e quase 15 dias depois, o tribunal pronunciou-se sobre o ataque vil, soez e cobarde à Academia Sporting, em Alcochete.

Sempre aqui fui dizendo, neste como noutros casos, que confio na justiça e confio que ela continue sendo cega e que ela própria se vai regulando, expurgando-se de elementos que a possam colocar em situação delicada.

Para que fique claro, para o tribunal, as sentenças são ou "culpado", ou "inocente", por muitas voltas que algumas pessoas, desagradadas com as sentenças, umas e outras, dêem. Não há "culpado mas..." ou "inocente mas..." Assim o ex-presidente foi considerado inocente dos crimes de que ia acusado, tendo-se provado a inocência na participação interessada de Bruno de Carvalho naquele assalto.

Tal sentença não o exime do descalabro que foi o final do seu mandato, mas é justo questionarmo-nos se não tivesse aquela acusação em cima, as coisas teriam corrido daquela forma desastrosa, no mínimo. Não saberemos nunca, já passou e o tempo nunca volta.

Terminado que está este capítulo negro da história longa e a maior parte das vezes gloriosa do Sporting, será tempo de seguirmos em frente.

A justiça pronunciou-se, a justiça está feita. Já não há desculpas para continuarem a adiar o Sporting.

O lampião

O problema com este juiz que por caprichos do sorteio integra o colectivo de magistrados que julgará o processo e-toupeira (do qual não voltámos a ouvir nada, provavelmente devido à pandemia em curso) e foi indicado como titular do processo contra Rui Pinto não é ele ser benfiquista.

Vivemos, felizmente, num país livre. Cada qual é livre de ser sócio da associação de bairro que muito bem entender.

O problema com este juiz é ele ser lampião.

 

Há uma diferença enorme entre um lampião e um benfiquista. 

O lampião é o que odeia os rivais, o que insulta quem discorda dele, o que é indiferente aos meios para atingir os fins, o que festeja o "golo do Vata" e faz dele manchete trinta anos depois.

 

Este juiz não deve julgar Rui Pinto no âmbito do processo Football Leaks porque levantou o polegar para cima quando chamaram "pirata" ao arguido nas redes sociais. Porque mostrou "gostar" quando um asnónimo chamou "cabrão" ao presidente do Conselho de Arbitragem, José Fontelas Gomes. 

Porque é um juiz não apenas de emblema mas de cachecol - e, tendo cachecol clubístico e exibindo fervor por um clube que é parte interessada nestes processos, não tem isenção para julgar qualquer deles. Como é manifesto para qualquer cidadão de boa fé que persiste em acreditar na justiça como pilar do sistema democrático.

 

Este juiz, garantem jornais e televisões, pediu escusa do processo. Isto não significa, porém, que seja afastado. Pode ser apenas um gesto momentâneo para conter danos e aliviar pressão mediática.

Só espero que a presidente do Tribunal da Relação de Lisboa faça o que o mais elementar bom senso recomenda, afastando-o em definitivo do processo que levará Rui Pinto ao banco dos réus.

Noites de pesadelo

Estão a ser noites de pesadelo para os corruptos no futebol. Motivo: após mais de um ano de prisão preventiva, um ás da informática chamado Rui Pinto passou a estar em regime de detenção domiciliária, a pretexto da pandemia em curso, e os seus advogados anunciaram que o rapaz vai prestar toda a colaboração à Polícia Judiciária, nomeadamente à Unidade Nacional de Combate à Corrupção que também investiga o mundo obscuro das práticas ilícitas associadas aos meandros dos negócios da bola. 

Basta lembrar que foi ele quem contribuiu recentemente para derrubar a mulher mais poderosa de Angola, também considerada a mais rica do continente africano.

Nada voltará a ficar como até aqui.

 

A responsabilidade criminal nem é o mais importante (2)

Nunca me pus a lançar palpites (coisa, aliás, que detesto) sobre este assunto, que pertence à justiça. Nunca acusei Bruno de Carvalho de ter estado diretamente envolvido com o ataque à academia de Alcochete. Conhecida a conclusão do Ministério Público, embora ainda faltando a decisão final dos juízes, digo que fico satisfeito se se confirmar que o então presidente nada teve a ver diretamente com o ataque. Se o ataque em si já constitui a página mais vergonhosa da história do Sporting Clube de Portugal, se se confirmasse o envolvimento do presidente a vergonha seria ainda maior.

O ataque a Alcochete foi um ato de loucura coletiva, para o qual houve seguramente responsáveis (alguns já assumidos) que terão que ser séria e exemplarmente punidos. E estou certo de que o serão. Agora reafirmo o que escrevi aqui: mesmo não lhe sendo imputada a responsabilidade do ataque, a Bruno de Carvalho será sempre imputada a responsabilidade de ter sido o principal criador e instigador daquele ambiente de loucura coletiva: desde posts no Facebook a entrevistas, passando pela suspensão e castigo de toda a equipa de futebol. Não é uma responsabilidade criminal, mas mesmo assim é uma responsabilidade muito grave. Que os sportinguistas nunca deverão esquecer.

R. Leão e R. Ribeiro - Ler quem sabe

Depois do comunicado emitido pelo Sporting Clube de Portugal, conheçamos o que diz Gonçalo Almeida, advogado especialista em direito desportivo, em entrevista a O Jogo:

1 - Quais os próximos passos que estes processos podem seguir?
- Partindo do princípio que a Sporting SAD não se conforma com as decisões em questão, os fundamentos deverão ser requeridos, correndo após a respectiva notificação um prazo de 21 dias para se intentar recurso junto do TAS, acrescido de outros 10 para se juntarem os fundamentos dos recursos [n.d.r.: o Sporting garantiu ter pedido à FIFA os fundamentos da decisão] . Posteriormente, e mesmo sendo difícil antecipar prazos, aponta-se para seis a oito meses até que as partes sejam chamadas ao TAS para uma audiência, contando-se pelo menos mais seis meses até que a decisão do TAS seja finalmente notificada - falamos num período total de aproximadamente ano e meio. Um último e eventual recurso para o Tribunal Federal Suíço versará meramente sobre questões formais, não se pronunciando tal Tribunal quanto a questões de facto ou de direito da decisão recorrida.

2 - Será difícil que o TAS possa reverter esta decisão?
- É complicado falar sobre estes processos, uma vez que não são conhecidos os fundamentos das decisoes, pese embora na sua maioria, e pela experiência que adquiri ao longo das últimas duas décadas e, nomeadamente, cinco anos na FIFA, o TAS, na maioria dos casos, confirmar as decisões FIFA recorridas. Contudo, existem inúmeras excepções a esta regra.

3 - A FIFA deveria ter enviado os fundamentos ao Sporting - e às outras partes - junto com a notificação?
- É um procedimento normal, este que foi aplicado - é a regra. A FIFA, por uma questão de economia processual, não redige de imediato as decisões dos seus tribunais. Envia, apenas, o corpo da decisão, um documento de três páginas onde resume o que foi decidido e, caso alguma das partes pretenda recorrer, então notifica os respectivos fundamentos, uma vez requeridos.

Estimo que Sporting Clube de Portugal, não se detenha, que pugne pelos seus interesses e que estes passem por levar ambos os casos até às últimas instâncias disponíveis.

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Imagem retirada da internet 

Estiveram bem

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Quase dois anos depois, como vários de nós já esperávamos, a FIFA pronunciou-se sobre o diferendo entre o Sporting e os jogadores Rafael Leão e Rúben Ribeiro, que haviam rescindido o contrato com o clube no rescaldo do assalto a Alcochete.

Não pode haver paliativos nesta matéria: trata-se de um rotundo fracasso para os interesses do Sporting. E que ajuda a firmar jurisprudência em casos desta natureza. 

O rombo, no entanto, podia ter sido bem pior se tivesse sido mantida a via litigiosa "até ao fim", como muitos advogavam em relação aos nove que saíram na sequência da agressão sofrida no próprio local de trabalho, transformado em cenário do faroeste. Uma agressão que as câmaras registaram e que todo o País pôde testemunhar através de imagens que deram a volta ao mundo.

 

Sousa Cintra e Frederico Varandas acertaram, portanto, ao optarem pela via do acordo com os clubes envolvidos: Wolverhampton, no caso de Rui Patrício; Bétis, no caso de William Carvalho; Atlético de Madrid, no caso de Gelson Martins; e Olympiacos, no caso de Podence. O dinheiro recebido foi inferior ao que valem estes jogadores formados pelo Sporting: terá rondado os 60 milhões de euros. Mas muito mais substancial do que seria caso tivesse vingado a tese daqueles que clamavam «Vamos dar-lhes luta em tribunal até ao fim.» Como se tivessem a certeza antecipada do teor das sentenças judiciais.

O ditame da FIFA comprova - de novo sem surpresa para vários de nós - que Sousa Cintra defendeu os interesses do Sporting ao ter negociado o regresso de Bruno Fernandes, Bas Dost e Battaglia. Sem a oportuna intervenção dele, qualquer destes jogadores teria continuado longe de Alvalade - e um deles, pelo menos, talvez rumasse a um dos nossos rivais directos - sem um cêntimo de receita para os cofres leoninos.

Gerir um clube também é isto: saber ponderar, a qualquer momento, entre a solução óptima mas sem viabilidade e a solução possível mas garantida. Cintra e Varandas estiveram bem.

«Mera aparência epidérmica, de superfície, que apenas num longinquamente formal e puramente teórico e preconceituoso, quiçá amedrontado, pode ter alguma leitura»

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O presidente do Tribunal da Relação do Porto, Nuno Ataíde das Neves, considera que o juiz desembargador que tinha pedido escusa do processo relativo à divulgação dos e-mails do Benfica deve afinal manter-se como relator do recurso da acção cível movida pelo clube da Luz ao FC Porto em que está em causa o pagamento de uma indemnização de cerca de dois milhões de euros.

Concluiu o ilustre magistrado que o facto de o seu colega desembargador Eduardo Pires ser «adepto fervoroso» e sócio do Benfica desde 1968, integrar a lista de galardoados com a "águia de ouro" concedida pelo clube, manter lugar cativo no estádio da Luz e possuir 250 acções da SAD do Sport Lisboa e Benfica não afecta a imparcialidade dos seus juízos quando o SLB é uma das partes em confronto.

Potencial conflito de interesses? Nem pensar. Tudo quanto fica escrito acima «não pode significar uma estreita ligação entre o juiz e o seu clube, que só por isso de todo inexiste, estando vedado a quem quer que seja daí retirar a conclusão que a sua imparcialidade e isenção como juiz possa estar minimamente em perigo». Até porque «a integridade de um magistrado não se pode considerar abalada por circunstâncias desta natureza, não pode resultar de uma mera aparência, uma aparência epidérmica, de superfície, que apenas num longinquamente formal e puramente teórico e preconceituoso, quiçá amedrontado, pode ter alguma leitura.»

Perceberam, apesar do português arrevesado? Eu também. Talvez até bem de mais.

Desporto mafioso

No desporto tuga, o que parece é. Existe um clube ao qual todos os poderes se vergam e tentam servir. Os dirigentes desportivos comportam-se como gangster de rua, procurando agradar ao padrinho, para subirem na hierarquia da famiglia...

É ver os meses que decorreram desde os actos em causa, o tempo que demoraram a decidir o castigo e quem são os adversários que teremos que defrontar à porta fechada. Isto se o recurso para o Tribunal Arbitral não der razão ao Sporting, o que duvido possa acontecer. Mas que ninguém duvide que os membros do CD da FPF não tentam tudo para uma vez mais nos prejudicarem. Nada de novo, nojentos como sempre...

«Se quiseres, levo mais para vender»

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«Um e-mail enviado por uma funcionária do Sporting a dois dirigentes da então direcção de Bruno de Carvalho dava o sinal de alerta: "Pelas claques passam milhões e passam muitos criminosos do mundo da noite. Tráfico de droga, prostituição..."

O documento, enviado três dias depois da invasão de elementos da Juventude Leonina à academia leonina, está a ser investigado pelo Ministério Público e faz parte do extenso processo de Alcochete, que se encontra nas mãos da juíza Sílvia Rosa Pires, a que o Expresso teve acesso.

A referência ao tráfico e consumo de cocaína por elementos da principal claque do Sporting está longe de se resumir aos 15 gramas confiscados no sótão da sede da Juve Leo no Estádio José Alvalade, atribuídos ao líder da claque, Nuno "Mustafá" Mendes, e no apartamento de dois dos acusados, em rusgas realizadas pela GNR em Novembro do ano passado.

As trocas de mensagens através do WhatsApp entre arguidos do caso, todos eles ligados à Juventude Leonina, permitiu à GNR perceber os preparativos do ataque realizado contra jogadores e equipa técnica na tarde de 15 de Maio de 2018, mas também como funcionava o circuito de compra e venda de cocaína e haxixe entre os suspeitos.

Na semana que antecedeu a final entre o Sporting e o Desportivo das Aves, no Estádio Nacional, em Maio desse ano, as combinações multiplicaram-se. "Quero quatro gramas para mim. Se quiseres, levo mais para vender. Vou fazer a encomenda hoje, para o Jamor", escreveu um elemento da claque.

Outro adepto lamentava: "Só me sai sangue das narinas. Já bebi três minis e dois traços. Estou com vontade de dar, mas o fornecedor foi dentro."

Antes do jogo contra o Atlético de Madrid na capital espanhola, em Abril desse ano, um outro arguido dava directrizes: "Confirma as encomendas, Mano, quando puderes, 58 euros, 35 capeta, NIB 002..."

Juntamente com a frase foi enviada uma fotografia com um saco de cocaína e um ficheiro de áudio onde se ouve alguém a snifar algo. "Capeta" é um nome de código, muito repetido durante as conversas, sempre que alguém se refere à cocaína. Mas também há quem refira a mesma droga como "falupa".

O envio de números de identificação bancária via WhatsApp era recorrente entre os diversos grupos que contactavam entre si por telemóvel.

"Mandas-me o NIB para te transferir o dinheiro ou preferes que te dê em mão em Madrid?", pergunta outro membro da claque. (...)

A leitura das centenas de mensagens revela que o consumo e tráfico de cocaína parece uma banalidade entre estes adeptos. Um deles, que se encontrava numa festa de aniversário da afilhada, mostrou surpresa por nenhum dos 50 jovens convidados de 18 anos "dar na falupa".

No final da conversa, um sugere: "Temos de passar para o cavalo [heroína]", logo corroborado por outro: "Temos de passar de nível." (...)

Um dos apensos do processo [de Alcochete] é dedicado a elencar o número de crimes de que o grupo de arguidos foi já acusado ou condenado. Quase metade dos acusados tem historial com a polícia, os outros são primários e podem, por isso, ser beneficiados pela juíza, que irá ter em conta a idade precoce de alguns deles. Os crimes de que já foram indiciados são sobretudo de ameaça agravada, furto qualificado e tráfico de droga.»

 

Excerto de notícia do semanário Expresso de hoje

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