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És a nossa Fé!

O medo e os suspensórios

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Basta recordarmos o que aconteceu no último FC Porto vs. Sporting.

Eles têm medo, têm muito medo.

Têm medo de cumprir o que a justiça determinou: receberem o Sporting noutro estádio.

O Sporting não pode ficar quieto, o departamento jurídico leonino tem de pedir JÁ o adiantamento do jogo até existir uma decisão definitiva.

A suspensão da suspensão tem, realmente, de deixar tudo em suspenso, não pode favorecer os mesmos de sempre.

São quarenta anos de trafulhice, é suficiente.

Mais expressões novas para o vocabulário de futebolês

Penalti tecnológico!

Claro que a criatividade envolve o Sporting, quem mais poderia ser, designadamente o lance que envolveu Paulinho e o guarda redes do Paços de Ferreira, no recente jogo em Alvalade e que culminou na marcação de grande penalidade. Uns artistas da TV e dos jornais e ainda a newsletter de um certo clube (não há pior dor que a dor de...aquela tal...), apesar de toda a evidência das imagens, do levantar da bandeirinha do fiscal de linha, da chamada de atenção do VAR e da revisão da decisão pelo árbitro, enveredaram pelo caminho da desvalorização da vitória leonina e de tentar enlamear o que foi limpinho, criando o "penalti tecnológico": penalti, pelo toque no pé direito do Paulinho que lhe provocou a queda. No dia seguinte jornais houve que, na capa, titularam o que nas páginas interiores não era sustentado pelas opiniões de profissionais da arbitragem que neles avaliam as decisões arbitrais. Ainda hoje, no Record, o antigo árbitro espanhol Iturralde Gonzalez reforçava as opiniões dos seus colegas, na coluna Tira-Teimas, e que passo a citar: "Neste...lance não há muito a dizer. O Paulinho dribla o guarda redes que, com a perna esquerda, contacta e derruba o avançado do Sporting, cometendo penalti. Falta bem assinalada e cartão amarelo bem exibido...". Que chatice para as virgens ofendidas e viúvas do velho sistema!

O VAR veio mudar muita coisa no futebol (estou convencido que só com o VAR o Sporting foi campeão e está na luta este ano), mas ainda tem um caminho  a percorrer no sentido de ainda maior verdade desportiva. Pelo menos e para já, acabaram muitas das vergonhas que assistiamos nos campos pois agora alguns rapazes pensam duas vezes antes de saltarem o muro para ir à fruta ou de se sentarem à mesa para refeições grátis. Dá mais nas vistas a inclinação dos relvados... Mas como dizia, ainda há caminho, muito para percorrer (e os jogadores também têm de ajudar, quanto a disciplina e simulações, não são nadadores nem mimos). Veja-se o escândalo dos cartões amarelos ao nosso jogador Palhinha. Pelo menos 3 mal exibidos, dos 5 que o excluem do próximo jogo. A "field of play doctrine" não pode continuar a ser a vaca sagrada das leis do futebol, caso contrário transforma-se antes em reiterada doutrina de injustiça autoritária ou numa "reveange doctrine" como no caso Palhinha. Ainda que não se atualize as normas de intervenção corretora do VAR quanto a injustiças cometidas por um árbitro em campo (revertendo cartões amarelos manifestamente mal exibidos ou pontapés de canto mal assinalados e que podem resultar em golos, por exemplo), não há razão para que os diálogos entre os diversos intervenientes das equipas de arbritragem não sejam públicos. E que a justiça dos órgãos jurisdicionais competentes se demita de julgar e aplicar as leis de acordo com os factos subjacentes à realidade, preferindo continuar à sombra da bananeira da "field of play doctrine". Por uma questão de justiça e de verdade desportiva.

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(fotografia Jornal Record)

PS- Para complementar e até porque foi referido num comentário a questão dos especialistas não serem unânimes, aqui ficam os recortes dos principais opinadores especialistas: 

 

 

Estado de Direito?

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Frederico Varandas, segundo um comunicado oficial do SCP, foi alvo de uma espera à saída do Dragão com tentativa de agressão, seguida de roubo da sua carteira e telemóvel. Os autores terão sido: Vítor Baía, vice-presidente do FCP, Sérgio Conceição, treinador do FCP, e um tal de Rui Cerqueira, assessor do clube e ex-jornalista da RTP. A isto somam-se balas encontradas no relvado, jogadores do Sporting agredidos por ‘stewards’, cadeiras atiradas para cima de outros jogadores e por aí adiante. As autoridades e o Governo estão calados que nem ratos, ao contrário do que aconteceu no caso triste de Alcochete. Que País é este?

Luís Filipe e Jorge Nuno

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Jorge Nuno Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira fizeram, durante largos anos, um percurso comum no futebol. Com muito mais encontros do que desencontros. Houve até um tempo em que Vieira foi sócio do FC Porto: para onde ia um, seguia o outro. Depois amuaram, fizeram birrinha, houve uns arrufos entre eles. Coisa sem grande importância. A prova é que voltaram a ser compinchas e a partilhar suculentos repastos de leitão na Mealhada. 

Seguem linhas tão convergentes que até recebem visitas da Polícia Judiciária e do Ministério Público com poucos meses de intervalo. Em Julho, Vieira foi detido no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais - juntamente com o filho, o Rei dos Frangos e o "empresário" Bruno Macedo. A operação Cartão Vermelho, como lhe chamou a Judiciária - nome bem apropriado.

 

Ontem houve buscas policiais à sede da SAD portista e à residência de Pinto da Costa. Cumprindo 33 mandados de busca numa operação conjunta da PJ e da Autoridade Tributária. Por suspeitas da prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento relacionados com transferências de jogadores de futebol e com circuitos financeiros que envolvem os intermediários nesses negócios. Que, segundo o Expresso, envolverão pelo menos 40 milhões de euros. Revela o Observador que Pinto da Costa é suspeito de desviar fundos da SAD e o filho, Alexandre, também está sob mira das autoridades. Além do tal "empresário" Bruno Macedo, que parece estar em todas. Será coincidência?

 

Unidos na prosperidade e no infortúnio: parece uma fórmula matrimonial. Um já caiu, o outro está em vias disso. Até nisto estão próximos. É mais que tempo.

Alguns capangas podem lamentar, mas nenhum deles faz falta ao futebol português. O desporto não se quer obscuro e trapaceiro: quer-se limpo. Dentro e fora dos relvados, agora e sempre.

Dura lex, sed lex

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A lei é dura, mas é lei. A justiça tarda, mas não falha. Os romanos já tinham percebido tudo isto há muitos séculos, bem antes da Itália ganhar à Espanha e estar prestes a ganhar o Euro.

E estamos a ver isso mesmo no futebol português. Não me refiro ao presidente do Benfica andar a dormir fora de casa, à conta de pequenas, médias e grandes vigarices, que ainda nem percebi bem quais foram, nem ao presidente do Porto andar numa corrida entre a lei da vida e a demora dessa mesmo justiça, não sei se quando forem à procura dele estará de novo em viagem para Vigo, nem ao ex-presidente do Sporting se ter safado da caldeirada alcocheteana que conduziu o seu colega de conversas pela noite fora Fernando "Mendes" Barata à prisão, nem ao presidente da JuveLeo que agora se vê também condenado por actividades nocturnas à boleia dum ex-director do tempo do Godinho Lopes.

 

Refiro-me à pena exemplar para o presidente do Sporting em exercício, 60 dias de suspensão e 15300€ de multa, por actos hediondos (onde é que já ouvi isto?) cometidos a 5 de Dezembro do ano passado. Na prática, indignou-se com o o golo anulado a Coates no final do jogo com o Famalicão e disse: "Este golo jamais seria anulado aos nossos rivais." Parece que se tratou da lesão da honra e da reputação dos órgãos da estrutura desportiva e dos seus membros. Membros esses escolhidos a dedo pelos... nossos rivais.

Ou seja, o nosso presidente foi duramente punido por ter dito o óbvio.

 

A lei é dura, mas é lei. A justiça tarda, mas não falha. Mas estes juízes mereciam estar a fazer companhia ao Vieira.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Sorte e merecimento

A capa de "A Bola" que o Pedro Oliveira nos trouxe aqui, anunciando o fim do primeiro grande jejum de títulos do futebol do Sporting, em 2000, tem como título "Merecem". Creio que era esse o sentimento generalizado na altura relativamente ao título do Sporting, como era em 2002 e é em 2021. Na maior parte dos casos que eu conheço, e na generalidade da opinião pública, é reconhecida a justiça do título leonino. Com os nossos rivais nem sempre é assim. Não são raras as vezes em que ganham com sorte, sem convencerem, e em que a crítica se divide sobre o seu mérito. Não é sempre, atenção: obviamente, muitas vezes são campeões com reconhecimento geral. Mas nos anos mais recentes, pode dizer-se que pelo menos o Benfica em 2005 e o FC Porto em 2007 foram campeões sem convencerem, e outros poderiam perfeitamente ter sido os campeões. Mesmo o FC Porto em 2013 e o Benfica em 2016 terão tido mérito, mas não me parece que fossem as melhores equipas daqueles campeonatos. É uma sensação que é estranha para um sportinguista. São muito mais as vezes que o Sporting tem azar do que as que tem sorte. Mesmo assim, às vezes o Sporting tem sorte, mas é raro essa sorte dar troféus. O único troféu que eu me lembro de o Sporting ter ganho com sorte foi a taça da Liga de 2019, com Keizer (e mesmo assim teve o azar de ter uma equipa bem desfalcada nessa final). Nunca ganhou assim um campeonato.

Pode ter-se sorte numa eliminatória ou mesmo numa final, mas para se ter sorte numa prova de regularidade como um campeonato é preciso dominar o "sistema". E isso sabemos que não é com o Sporting. Provavelmente vamos continuar, portanto, sem saber o que é ganhar um campeonato "com sorte". O que é preciso é que os vamos ganhando com frequência.

Um par de piretes para este futebol

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O senhor Miguel Cardoso, treinador do Rio Ave, recebeu um jogo de suspensão por fazer estes lindos gestos no recente embate com o Boavista, dirigido ao banco da equipa axadrezada e ao seu colega Jesualdo Ferreira em particular. 

O país inteiro viu a requintada linguagem gestual do referido técnico, que cultiva o pirete em dose dupla como afirmação de personalidade.

O que faz o Conselho de Disciplina? Aplica-lhe oito dias de suspensão, punição fofinha: Cardoso ficará um joguinho sem se sentar no banco.

No mesmo dia, o mesmíssimo órgão decide punir o treinador do Sporting com 15 dias de suspensão, impedindo-o de orientar a equipa nos próximos três desafios - contra Farense, B-SAD e Braga - em fase crucial do campeonato. O dobro do tempo de castigo aplicado a Cardoso e o triplo dos jogos na comparação com o mesmo técnico.

 

Qual foi o pecado de Rúben Amorim? Ter dito dois palavrões, dos mais usuais em estádios de futebol, o que parece ter ferido os delicados tímpanos do quarto árbitro no final do Sporting-Famalicão.

Toma e embrulha, Rúben: esta é a "disciplina" do futebol que temos.

 

Entretanto, o treinador do FC Porto, principal rival do Sporting na corrida ao título 2020/2021, continua sem ser punido apesar das cenas vergonhosas que protagonizou na partida contra o Portimonense, em que injuriou e ameaçou Paulo Sérgio, seu colega de profissão, e esteve a um curto passo de se envolver em confrontos físicos com ele, acabando impedido por jogadores da sua própria equipa. 

Isto aconteceu a 20 de Março. Sonolento, o Conselho de Disciplina ainda nada deliberou sobre isto, ocorrido há quase um mês: Sérgio Conceição permanece impune, aguardando o desfecho dum processo disciplinar sem prazo à vista. Enquanto a coisa faz que anda mas não anda, solicitaram-lhe que se dignasse pagar uma "multa" de... 2.040 euros

Dois pesos, duas medidas, "justiça desportiva" mais vergonhosa que nunca. Apetece brindá-la com um monumental pirete e mandá-la para onde Rúben Amorim mandou o outro. Com bilhete sem retorno.

Outro futebol

Como todos sabemos, o futebol também se joga fora das quatro linhas. Se o Sporting não ganha um campeonato há 18 anos, também há muito que pouco ou nada ganhava fora das quatro linhas. Podemos até dizer que éramos devidamente toureados, com bandarilhas e tudo, e ficava apenas a tal atitude de protesto que apenas serve para entreter o pagode.

Mas tal como no relvado estamos a ganhar, com o adversário mais próximo já a 10 pontos de distância, fora dele estamos a ganhar também. 

Veio então agora o TAD nacional fazer justiça no caso do cartão amarelo mostrado a Palhinha por uma árbitro que reconheceu o erro junto do CD da FPF e julgar a favor dele o recurso efectuado. Obviamente que a FPF irá recorrer, mas ela própria já corrigiu o erro processual que abriu a porta ao recurso. Sobre a matéria em questão, a Drª Cláudia Santos, deputada do PS e adepta do Benfica, bem podia pedir a demissão, por acentuada incompetência e falta de isenção para exercer o cargo, e os deputados da Nação que autorizaram esta acumulação de funções bem podem arrepender-se pela decisão completamente atentatória do que deve ser o Serviço Público. 

Há poucos dias o mesmo TAD deu razão ao Sporting num processo contra a FPF devido a mais uma decisão do CD, de 4 de Setembro de 2018, que obrigava o Sporting ao pagamento de uma multa de 3 mil e tal euros, por alegado mau comportamento dos adeptos (arremesso de moedas contra o árbitro assistente) num jogo em Portimão da época 2017/18.

Já tinha também o mesmo TAD dado razão ao Sporting no caso Rafael Leão obrigando-o a pagar 16,5M€ por rescisão ilícita do contrato.

Passando para a FIFA, também ela deu razão ao Sporting e obrigou o Sport Recife a pagar 900 mil Euros pela transferência do André "Balada", que está a ser paga agora mesmo.

Outros assuntos e outras questões continuam por julgar. Esta Direcção apanhou o futebol destroçado pelo assalto a Alcochete e pelas decisões irresponsáveis do ex-presidente na véspera de ser destituído. Por isso aconteceram algumas decisões desfavoráveis ao Sporting, nomeadamente a daquele treinador sérvio, com muitas responsabilidades de Inácio e Sousa Cintra na decisão final que foi tomada no TAD de Lausanne.

Poderíamos juntar aqui outros processos e outras decisões a nosso favor ou desfavoráveis. Podemos ir buscar o caso Unilabs ou os negócios fechados a contento de ambas as partes que conseguimos fazer com grandes clubes europeus e clubes nacionais, mas fica feito um retrato do que é hoje o Sporting fora das quatro linhas. Muito diferente para melhor do que há poucos anos, quando tudo era confusão, onde tudo era estardalhaço. Falta ainda muito, falta o Sporting estar devidamente representado nos centros de decisão do futebol português, mas como diz o Pedro Correia o caminho faz-se caminhando.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Lamentável e vergonhoso

 

«Seria lamentável que o sistema de justiça desportiva, chamemos-lhe assim, viesse a punir o Sporting por uma prática que é reiterada por toda a gente no futebol português há pelo menos quase duas décadas. E que essa punição ignorasse o facto de a inscrição como treinador principal sem ter o IV nível de formação, indispensável para tal reconhecimento profissional, ter sido adoptada com o conhecimento formal e informal de toda a gente - da associação de árbitros aos clubes, da Liga ao Governo.

Transformar esta questão numa querela jurídica, numa altura em que o trabalho de Rúben Amorim, dos jogadores e do clube está a muito pouco de atingir os objectivos de uma época é, no mínimo, vergonhoso. Visa meramente trazer instabilidade ao treinador e aos jogadores quando, na verdade, se trata de uma questão que poderia ser sanável a qualquer tempo, em particular quando não causasse um dano maior do que o vício em causa. De resto, será sempre uma ilicitude gasta pelo tempo decorrido e pelo evidente consentimento generalizado dado aos muitos casos anteriores.»

 

Eduardo Dâmaso, ontem, na sua coluna semanal no Record

Assim tornam o Sporting ainda mais forte

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1

Não vale a pena gastar muitas palavras. A questão é esta: como são incapazes de nos derrotar em campo, tentam vencer-nos na secretaria.

São "casos" atrás de "casos": o da Unilabs, com os falsos testes positivos à Covid que deixaram de fora Nuno Mendes e Sporar antes do clássico do Dragão; o da ameaça de perda de pontos ao Sporting por João Palhinha ter usado um direito, que a Constituição e a lei geral do País lhe conferem, de recorrer para a justiça civil de uma decisão considerada injusta no âmbito desportivo; é agora a Comissão de Instrutores da Liga a dar provimento, um ano depois, a uma queixa do órgão profissional dos treinadores contra Rúben Amorim, sob a acusação de fraude. Tese delirante da instrutora Filipa Elias, supostamente com base no depoimento dum jogador que já não integra o plantel leonino, estando agora ao serviço de outro emblema.

 

2

Há incontáveis precedentes de treinadores que orientaram ou ainda orientam equipas de futebol da I Liga portuguesa sem possuírem o título profissional, quase tão difícil de obter como um segredo de alquimia: Paulo Bento, Sérgio Conceição, Nuno Espírito Santo, Marco Silva, Paulo Fonseca, Jorge Costa, Petit, Silas, Pepa, Pedro Emanuel, Sandro Mendes, Filipe Martins, Tiago Mendes, Sérgio Vieira, Mário Silva, Carlos Pinto, Rui Borges, Luís Freire, João Henriques... 

Espantosamente, a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), entidade queixosa neste processo, só investe contra Amorim - aliás com reincidencia, pois já havia procedido assim quando o actual treinador do Sporting orientava o Casa Pia, embora tenha silenciado qualquer protesto quando ele conduzia a equipa do Braga.

Existe, portanto, perseguição ad hominem. Espantosamente, por parte da associação que devia defender os treinadores, em vez de os acusar fosse do que fosse. A ANTF - liderada há oito anos ininterruptos pelo mesmo indivíduo, um antigo director desportivo do Vitória de Guimarães que nunca se distinguiu nos campos de futebol - faria bem melhor em actualizar o seu organigrama oficial na Internet, que apresenta como segundo vice-presidente da Direcção alguém que há um ano deixou de exercer aquelas funções. Afinal a transparência, que tanto apregoam, não é aplicada lá em casa.

 

3

Temos, portanto, uma associação de classe agindo como perseguidora de membros da própria classe. Um deles, pelo menos. O que torna o caso ainda mais inaceitável.

Entendamo-nos: a ANTF não pode exercer medidas punitivas contra um dos seus membros por não estar equiparada a ordem profissional - para isso necessitaria de diploma outorgado pela Assembleia da República. Será mais adequada a sua equiparação a organismo sindical, o que torna ainda mais abjecta a denúncia feita em Março de 2020 contra Amorim, mal iniciou funções na equipa técnica do Sporting. Os sindicatos agem na defesa dos interesses sócio-profissionais dos associados, não agem contra eles.

O que dirá disto Domingos Paciência, primeiro vice-presidente da ANTF e portanto cúmplice do senhor José Pereira nesta senha persecutória contra Rúben Amorim? O facto de Domingos, actualmente inactivo enquanto treinador, se assumir como fervoroso adepto do FC Porto poderá ser a chave da questão?

 

4

O caso agora vindo a lume suscita outras perplexidades, ligadas ao labiríntico processo de certificação profissional de um treinador de futebol em Portugal, mais complicado do que o de um médico ou de um engenheiro - ao ponto de os candidatos a treinadores de nível IV se verem forçados a concluir a formação em países estrangeiros. 

Mas o que agora importa é perceber qual será a decisão da Liga Portugal. Irá suspender Rúben Amorim negando-lhe o exercício da profissão por um período de um a seis anos, na linha do que propõe a respectiva Comissão de Instrutores? Atrever-se-ão a condenar Amorim por uma prática que sempre validaram com qualquer outro?

Uma certeza existe: a actual pontuação do Sporting no campeonato nacional não será afectada, seja qual for o desfecho do processo. Que vai demorar anos, pois o Clube - e muito bem - já anunciou a intenção de levar o caso às últimas instâncias, incluindo à justiça civil, culminando no Tribunal Constitucional

 

5

Entretanto, não tenhamos ilusões: todas estas queixas e queixinhas visam um só objectivo: desestabilizar a nossa equipa nos 12 confrontos que ainda faltam.

Mas não conseguem. Pelo contrário: vão torná-la ainda mais forte. E nós estaremos com ela: onde vai um, vão todos.

Incompetência ou má-fé

Texto de Luís Barros

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Como podemos classificar a atitude peregrina do Conselho de Arbitragem, uma hora depois do fim do jogo [Famalicão-Sporting]? E o comunicado da APAF? Qual o resultado efectivo do Apito Dourado? E o processo E-toupeira com a história das missas, padres e classificações? E os vouchers na Catedral da Cerveja?

Se começarmos a escrever um livro sobre todas as situações escandalosas na arbitragem em Portugal, Os Lusíadas iriam parecer um volume da colecção Vampiro.

Nas últimas semanas, assistimos a erros clamorosos em vários campos, mas só um elemento da arbitragem foi para a "jarra", curiosamente, aquele que "errou escandalosamente" no golo do Pedro Gonçalves. Onde estava a APAF para defender o seu associado?

Só assistimos a estas atitudes deploráveis por parte dos elementos destas instituições, com determinados clubes. Isso demonstra incompetência ou má-fé.

Não quero que o Sporting seja beneficiado, mas também não admito que seja prejudicado. Tal como não pretendo que outros, poucos, sejam constantemente beneficiados em prol de outros, muitos, inúmeras vezes espoliados.

Uma vez por todas, quem está na arbitragem deve assumir equidistância e justiça e exigir competência e qualidade a quem a exerce. Só assim poderão sair do ambiente lodoso onde estão enterrados.

Não nos esqueçamos que a justiça portuguesa pode tardar, mas funciona.

 

Texto do leitor Luís Barros, publicado originalmente aqui.

A azia de Descartes

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A opinião acima é de Jorge Coroado, o árbitro que apanhou uma azia em Chaves (até hoje não lhe passou) contudo, apesar disso, viu o mesmo que qualquer pessoa que acredita na verdade desportiva.

Os lampiões queriam que o Sporting perdesse, queriam.

Os andrades queriam que o Sporting perdesse, queriam.

Os comentadores/paineleiros (e paineleiras que eu não sou como o JJ) queriam que o Sporting perdesse, queriam.

No entanto, o Sporting venceu, venceu bem, com justiça, com legalidade.

Venço logo existo (como diria René).

Seguir o exemplo de Itália

«Por estes dias e neste ambiente judicial recordei-me como a Justiça italiana resolveu os seus problemas com o futebol. Por exemplo, quando eclodiu o escândalo de corrupção desportiva (e não só) conhecido por "Calciopoli". A Federação Italiana de Futebol foi buscar o juiz Francesco Borrelli, que se tinha reformado há pouco tempo e em menos de um ano investigou o processo com consequências dramáticas para alguns dos principais clubes italianos. Uns desceram de divisão, outros receberam outras punições severas, tanto na justiça desportiva como na penal. Por cá, já vai sendo tempo de não ficar apenas pelas buscas e de serem extraídas verdadeiras consequências dos processos que aí andam. Enquanto isso não acontecer, a culpa irá morrendo solteira, num ambiente geral de degradação da imagem do futebol e das instituições. E isso é o pior que pode acontecer.»

 

Eduardo Dâmaso, hoje, no Record

Vieira

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«Segundo um email trocado entre Ana Paula Godinho [responsável pelo departamento de relações públicas do Benfica] e Luís Filipe Vieira (em Novembro de 2016, apenas dois anos antes do aparecimento das primeiras investigações judiciais), de uma assentada, o camarote presidencial [do estádio da Luz] chegou a ter 11 magistrados (dez juízes e um procurador) sentados para assistirem ao jogo entre Benfica e Moreirense. Celso Manata (procurador, na altura, director-geral dos serviços prisionais), os juízes conselheiros António Grandão e José Nunes Lopes; os juízes desembargadores Rui Rangel, António Ramos, Frederico Cebola, Calvário Antunes, Carlos Benido e o juiz de primeira instância António Gaspar.»

 

«Luís Filipe Vieira diz que apenas falou uma vez com os juízes que iam a um pavilhão no Estádio da Luz para "dar uns chutos na bola", como refere um email do juiz Pedro Mourão para o presidente do Benfica, em Março de 2014, pedindo-lhe que autorizasse a utilização de um pavilhão para a futebolada judicial de um grupo de magistrados do Supremo Tribunal de Justiça. Porém, o email de Ana Paula Godinho para o presidente termina afirmando que o juiz desembargador Pedro Mourão "ficou de lhe apresentar os magistrados que, eventualmente, não conhece pessoalmente".»

 

«Outro juiz cujo trajecto profissional se tem cruzado com o Benfica é Antero Luís, actual secretário de Estado adjunto da Administração Interna. Em 2014, vestindo o fato de secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, o juiz assistiu a vários jogos do SLB, ora na qualidade de convidado, ora a "fazer-se" ao bilhete: o primeiro registo refere-se a 2012 e a um jogo Benfica-Barcelona, quando Antero Luís integrou uma task force entre segurança e espionagem: a acompanhar o então secretário-geral estiveram os directores do Serviço de Informações e Segurança (SIS), o também juiz Horácio Pinto e o adjunto Luciano Oliveira.»

 

«Antero Luís regressou ao Estádio da Luz em 2014, juntamente com Horácio Pinto e Neiva da Cruz, este último actual director do SIS, para assistir ao Benfica-PAOK. Uma vez mais, o clube tinha-o convidado, mas o secretário-geral da segurança interna ainda pediu mais um bilhete para o seu chefe de gabinete, Alexandre Coimbra, intendente da PSP. (...) Em Abril de 2014, novo pedido: Benfica-AZ Alkmaar. Desta vez, Antero Luís não levou o chefe de gabinete, mas pediu credenciais de acesso para o segurança pessoal e para o motorista.»

 

«É nos ficheiros apreendidos na Operação Lex (...) que se encontra o nome do antigo vice-procurador-geral da República, Agostinho Homem, como um dos convidados frequentes do SLB, seja para jogos em casa seja para integrar a comitiva oficial do Benfica em disputas europeias. Agostinho Homem integrou, por exemplo, a comitiva oficial dos encarnados a Moscovo para o jogo com o CSKA, uma viagem com um custo-pessoa superior a mil euros.»

 

«No que diz respeito às forças de segurança/justiça, a distribuição de bilhetes arrastou-se ainda, durante vários anos, à PSP, GNR, SEF e Polícia Judiciária. Nesta última, o contacto permanente dos encarnados estava identificado como Carlos Elias, um inspector que, segundo informações recolhidas pela Sábado, já está reformado, tendo trabalhado durante vários anos na investigação de crimes económicos.»

 

«O charme benfiquista alastrou ao mundo empresarial e financeiro. Os antigos administradores executivos da PT e da Central de Cervejas, Zeinal Bava e Alberto da Ponte, respectivamente, foram convidados para a final da Liga Europa, em 2014, que opôs o Benfica ao Sevilha. Mas era com Amílcar Morais Pires, que integrou a comitiva de convidados às finais da Liga Europa em 2013 e 2014, antigo administrador do Banco Espírito Santo, que Luís Filipe Vieira mantinha uma relação de maior proximidade, como documentam vários emails apreendidos no processo da Operação Marquês. Uma das mensagens, aliás, revela a paixão de Frederico Morais Pires, um dos filhos do antigo banqueiro, pelo Benfica.»

 

«A área das figuras públicas/celebridades também não foi descurada pelo departamento de Relações Públicas do Benfica. Uma extensa base de dados com contactos de actores, cantores, bloggers, instragramers, etc, foi criada para alimentar uma estratégia de convites para jogos. Ricardo Araújo Pereira, hoje apoiante da candidatura de João Noronha Lopes, foi um dos contemplados com uma "carta-mistério" enviada a várias figuras públicas. (...) Esta estratégia foi utilizada também, por exemplo, com Teresa Guilherme, Isabel Angelino, Ricardo Pereira, Jorge Corrula, etc.»

 

Excertos de uma investigação do jornalista Carlos Rodrigues Lima, publicada na Sábado a 29 de Outubro

Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira

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«O presidente do Benfica juntou uma lista de 22 juízes que convidou para ver um jogo da Champions, na maior parte desembargadores nos Tribunais da Relação, à sua defesa no processo judicial Lex. Esta iniciativa de Luís Filipe Vieira procura demonstrar que convidar magistrados para os camarotes do estádio da Luz não é mais do que uma prática corrente.»

 

«Pinto da Costa foi sempre o mais inteligente. Sempre teve a seu lado meia Relação do Porto ou de Guimarães. Sempre utilizou as viagens ao estrangeiro, em competições da Champions ou da antiga Taça dos Campeões Europeus, para comprar cumplicidades selectivas. E teve-as sempre que precisou, nos tribunais, na polícia, na política.»

 

«Vieira fez, afinal, o que é uma evidência no futebol. Os 22 juízes do Benfica têm apenas a força metafórica de simbolizar a enorme atracção do futebol na classe mas, também, a enorme vulnerabilidade que isso gera em profissões que têm a sua matriz na independência e no distanciamento social.»

 

Eduardo Dâmaso, ontem, no Record

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