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És a nossa Fé!

Um par de piretes para este futebol

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O senhor Miguel Cardoso, treinador do Rio Ave, recebeu um jogo de suspensão por fazer estes lindos gestos no recente embate com o Boavista, dirigido ao banco da equipa axadrezada e ao seu colega Jesualdo Ferreira em particular. 

O país inteiro viu a requintada linguagem gestual do referido técnico, que cultiva o pirete em dose dupla como afirmação de personalidade.

O que faz o Conselho de Disciplina? Aplica-lhe oito dias de suspensão, punição fofinha: Cardoso ficará um joguinho sem se sentar no banco.

No mesmo dia, o mesmíssimo órgão decide punir o treinador do Sporting com 15 dias de suspensão, impedindo-o de orientar a equipa nos próximos três desafios - contra Farense, B-SAD e Braga - em fase crucial do campeonato. O dobro do tempo de castigo aplicado a Cardoso e o triplo dos jogos na comparação com o mesmo técnico.

 

Qual foi o pecado de Rúben Amorim? Ter dito dois palavrões, dos mais usuais em estádios de futebol, o que parece ter ferido os delicados tímpanos do quarto árbitro no final do Sporting-Famalicão.

Toma e embrulha, Rúben: esta é a "disciplina" do futebol que temos.

 

Entretanto, o treinador do FC Porto, principal rival do Sporting na corrida ao título 2020/2021, continua sem ser punido apesar das cenas vergonhosas que protagonizou na partida contra o Portimonense, em que injuriou e ameaçou Paulo Sérgio, seu colega de profissão, e esteve a um curto passo de se envolver em confrontos físicos com ele, acabando impedido por jogadores da sua própria equipa. 

Isto aconteceu a 20 de Março. Sonolento, o Conselho de Disciplina ainda nada deliberou sobre isto, ocorrido há quase um mês: Sérgio Conceição permanece impune, aguardando o desfecho dum processo disciplinar sem prazo à vista. Enquanto a coisa faz que anda mas não anda, solicitaram-lhe que se dignasse pagar uma "multa" de... 2.040 euros

Dois pesos, duas medidas, "justiça desportiva" mais vergonhosa que nunca. Apetece brindá-la com um monumental pirete e mandá-la para onde Rúben Amorim mandou o outro. Com bilhete sem retorno.

Outro futebol

Como todos sabemos, o futebol também se joga fora das quatro linhas. Se o Sporting não ganha um campeonato há 18 anos, também há muito que pouco ou nada ganhava fora das quatro linhas. Podemos até dizer que éramos devidamente toureados, com bandarilhas e tudo, e ficava apenas a tal atitude de protesto que apenas serve para entreter o pagode.

Mas tal como no relvado estamos a ganhar, com o adversário mais próximo já a 10 pontos de distância, fora dele estamos a ganhar também. 

Veio então agora o TAD nacional fazer justiça no caso do cartão amarelo mostrado a Palhinha por uma árbitro que reconheceu o erro junto do CD da FPF e julgar a favor dele o recurso efectuado. Obviamente que a FPF irá recorrer, mas ela própria já corrigiu o erro processual que abriu a porta ao recurso. Sobre a matéria em questão, a Drª Cláudia Santos, deputada do PS e adepta do Benfica, bem podia pedir a demissão, por acentuada incompetência e falta de isenção para exercer o cargo, e os deputados da Nação que autorizaram esta acumulação de funções bem podem arrepender-se pela decisão completamente atentatória do que deve ser o Serviço Público. 

Há poucos dias o mesmo TAD deu razão ao Sporting num processo contra a FPF devido a mais uma decisão do CD, de 4 de Setembro de 2018, que obrigava o Sporting ao pagamento de uma multa de 3 mil e tal euros, por alegado mau comportamento dos adeptos (arremesso de moedas contra o árbitro assistente) num jogo em Portimão da época 2017/18.

Já tinha também o mesmo TAD dado razão ao Sporting no caso Rafael Leão obrigando-o a pagar 16,5M€ por rescisão ilícita do contrato.

Passando para a FIFA, também ela deu razão ao Sporting e obrigou o Sport Recife a pagar 900 mil Euros pela transferência do André "Balada", que está a ser paga agora mesmo.

Outros assuntos e outras questões continuam por julgar. Esta Direcção apanhou o futebol destroçado pelo assalto a Alcochete e pelas decisões irresponsáveis do ex-presidente na véspera de ser destituído. Por isso aconteceram algumas decisões desfavoráveis ao Sporting, nomeadamente a daquele treinador sérvio, com muitas responsabilidades de Inácio e Sousa Cintra na decisão final que foi tomada no TAD de Lausanne.

Poderíamos juntar aqui outros processos e outras decisões a nosso favor ou desfavoráveis. Podemos ir buscar o caso Unilabs ou os negócios fechados a contento de ambas as partes que conseguimos fazer com grandes clubes europeus e clubes nacionais, mas fica feito um retrato do que é hoje o Sporting fora das quatro linhas. Muito diferente para melhor do que há poucos anos, quando tudo era confusão, onde tudo era estardalhaço. Falta ainda muito, falta o Sporting estar devidamente representado nos centros de decisão do futebol português, mas como diz o Pedro Correia o caminho faz-se caminhando.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Lamentável e vergonhoso

 

«Seria lamentável que o sistema de justiça desportiva, chamemos-lhe assim, viesse a punir o Sporting por uma prática que é reiterada por toda a gente no futebol português há pelo menos quase duas décadas. E que essa punição ignorasse o facto de a inscrição como treinador principal sem ter o IV nível de formação, indispensável para tal reconhecimento profissional, ter sido adoptada com o conhecimento formal e informal de toda a gente - da associação de árbitros aos clubes, da Liga ao Governo.

Transformar esta questão numa querela jurídica, numa altura em que o trabalho de Rúben Amorim, dos jogadores e do clube está a muito pouco de atingir os objectivos de uma época é, no mínimo, vergonhoso. Visa meramente trazer instabilidade ao treinador e aos jogadores quando, na verdade, se trata de uma questão que poderia ser sanável a qualquer tempo, em particular quando não causasse um dano maior do que o vício em causa. De resto, será sempre uma ilicitude gasta pelo tempo decorrido e pelo evidente consentimento generalizado dado aos muitos casos anteriores.»

 

Eduardo Dâmaso, ontem, na sua coluna semanal no Record

Assim tornam o Sporting ainda mais forte

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Não vale a pena gastar muitas palavras. A questão é esta: como são incapazes de nos derrotar em campo, tentam vencer-nos na secretaria.

São "casos" atrás de "casos": o da Unilabs, com os falsos testes positivos à Covid que deixaram de fora Nuno Mendes e Sporar antes do clássico do Dragão; o da ameaça de perda de pontos ao Sporting por João Palhinha ter usado um direito, que a Constituição e a lei geral do País lhe conferem, de recorrer para a justiça civil de uma decisão considerada injusta no âmbito desportivo; é agora a Comissão de Instrutores da Liga a dar provimento, um ano depois, a uma queixa do órgão profissional dos treinadores contra Rúben Amorim, sob a acusação de fraude. Tese delirante da instrutora Filipa Elias, supostamente com base no depoimento dum jogador que já não integra o plantel leonino, estando agora ao serviço de outro emblema.

 

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Há incontáveis precedentes de treinadores que orientaram ou ainda orientam equipas de futebol da I Liga portuguesa sem possuírem o título profissional, quase tão difícil de obter como um segredo de alquimia: Paulo Bento, Sérgio Conceição, Nuno Espírito Santo, Marco Silva, Paulo Fonseca, Jorge Costa, Petit, Silas, Pepa, Pedro Emanuel, Sandro Mendes, Filipe Martins, Tiago Mendes, Sérgio Vieira, Mário Silva, Carlos Pinto, Rui Borges, Luís Freire, João Henriques... 

Espantosamente, a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), entidade queixosa neste processo, só investe contra Amorim - aliás com reincidencia, pois já havia procedido assim quando o actual treinador do Sporting orientava o Casa Pia, embora tenha silenciado qualquer protesto quando ele conduzia a equipa do Braga.

Existe, portanto, perseguição ad hominem. Espantosamente, por parte da associação que devia defender os treinadores, em vez de os acusar fosse do que fosse. A ANTF - liderada há oito anos ininterruptos pelo mesmo indivíduo, um antigo director desportivo do Vitória de Guimarães que nunca se distinguiu nos campos de futebol - faria bem melhor em actualizar o seu organigrama oficial na Internet, que apresenta como segundo vice-presidente da Direcção alguém que há um ano deixou de exercer aquelas funções. Afinal a transparência, que tanto apregoam, não é aplicada lá em casa.

 

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Temos, portanto, uma associação de classe agindo como perseguidora de membros da própria classe. Um deles, pelo menos. O que torna o caso ainda mais inaceitável.

Entendamo-nos: a ANTF não pode exercer medidas punitivas contra um dos seus membros por não estar equiparada a ordem profissional - para isso necessitaria de diploma outorgado pela Assembleia da República. Será mais adequada a sua equiparação a organismo sindical, o que torna ainda mais abjecta a denúncia feita em Março de 2020 contra Amorim, mal iniciou funções na equipa técnica do Sporting. Os sindicatos agem na defesa dos interesses sócio-profissionais dos associados, não agem contra eles.

O que dirá disto Domingos Paciência, primeiro vice-presidente da ANTF e portanto cúmplice do senhor José Pereira nesta senha persecutória contra Rúben Amorim? O facto de Domingos, actualmente inactivo enquanto treinador, se assumir como fervoroso adepto do FC Porto poderá ser a chave da questão?

 

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O caso agora vindo a lume suscita outras perplexidades, ligadas ao labiríntico processo de certificação profissional de um treinador de futebol em Portugal, mais complicado do que o de um médico ou de um engenheiro - ao ponto de os candidatos a treinadores de nível IV se verem forçados a concluir a formação em países estrangeiros. 

Mas o que agora importa é perceber qual será a decisão da Liga Portugal. Irá suspender Rúben Amorim negando-lhe o exercício da profissão por um período de um a seis anos, na linha do que propõe a respectiva Comissão de Instrutores? Atrever-se-ão a condenar Amorim por uma prática que sempre validaram com qualquer outro?

Uma certeza existe: a actual pontuação do Sporting no campeonato nacional não será afectada, seja qual for o desfecho do processo. Que vai demorar anos, pois o Clube - e muito bem - já anunciou a intenção de levar o caso às últimas instâncias, incluindo à justiça civil, culminando no Tribunal Constitucional

 

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Entretanto, não tenhamos ilusões: todas estas queixas e queixinhas visam um só objectivo: desestabilizar a nossa equipa nos 12 confrontos que ainda faltam.

Mas não conseguem. Pelo contrário: vão torná-la ainda mais forte. E nós estaremos com ela: onde vai um, vão todos.

Incompetência ou má-fé

Texto de Luís Barros

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Como podemos classificar a atitude peregrina do Conselho de Arbitragem, uma hora depois do fim do jogo [Famalicão-Sporting]? E o comunicado da APAF? Qual o resultado efectivo do Apito Dourado? E o processo E-toupeira com a história das missas, padres e classificações? E os vouchers na Catedral da Cerveja?

Se começarmos a escrever um livro sobre todas as situações escandalosas na arbitragem em Portugal, Os Lusíadas iriam parecer um volume da colecção Vampiro.

Nas últimas semanas, assistimos a erros clamorosos em vários campos, mas só um elemento da arbitragem foi para a "jarra", curiosamente, aquele que "errou escandalosamente" no golo do Pedro Gonçalves. Onde estava a APAF para defender o seu associado?

Só assistimos a estas atitudes deploráveis por parte dos elementos destas instituições, com determinados clubes. Isso demonstra incompetência ou má-fé.

Não quero que o Sporting seja beneficiado, mas também não admito que seja prejudicado. Tal como não pretendo que outros, poucos, sejam constantemente beneficiados em prol de outros, muitos, inúmeras vezes espoliados.

Uma vez por todas, quem está na arbitragem deve assumir equidistância e justiça e exigir competência e qualidade a quem a exerce. Só assim poderão sair do ambiente lodoso onde estão enterrados.

Não nos esqueçamos que a justiça portuguesa pode tardar, mas funciona.

 

Texto do leitor Luís Barros, publicado originalmente aqui.

A azia de Descartes

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A opinião acima é de Jorge Coroado, o árbitro que apanhou uma azia em Chaves (até hoje não lhe passou) contudo, apesar disso, viu o mesmo que qualquer pessoa que acredita na verdade desportiva.

Os lampiões queriam que o Sporting perdesse, queriam.

Os andrades queriam que o Sporting perdesse, queriam.

Os comentadores/paineleiros (e paineleiras que eu não sou como o JJ) queriam que o Sporting perdesse, queriam.

No entanto, o Sporting venceu, venceu bem, com justiça, com legalidade.

Venço logo existo (como diria René).

Seguir o exemplo de Itália

«Por estes dias e neste ambiente judicial recordei-me como a Justiça italiana resolveu os seus problemas com o futebol. Por exemplo, quando eclodiu o escândalo de corrupção desportiva (e não só) conhecido por "Calciopoli". A Federação Italiana de Futebol foi buscar o juiz Francesco Borrelli, que se tinha reformado há pouco tempo e em menos de um ano investigou o processo com consequências dramáticas para alguns dos principais clubes italianos. Uns desceram de divisão, outros receberam outras punições severas, tanto na justiça desportiva como na penal. Por cá, já vai sendo tempo de não ficar apenas pelas buscas e de serem extraídas verdadeiras consequências dos processos que aí andam. Enquanto isso não acontecer, a culpa irá morrendo solteira, num ambiente geral de degradação da imagem do futebol e das instituições. E isso é o pior que pode acontecer.»

 

Eduardo Dâmaso, hoje, no Record

Vieira

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«Segundo um email trocado entre Ana Paula Godinho [responsável pelo departamento de relações públicas do Benfica] e Luís Filipe Vieira (em Novembro de 2016, apenas dois anos antes do aparecimento das primeiras investigações judiciais), de uma assentada, o camarote presidencial [do estádio da Luz] chegou a ter 11 magistrados (dez juízes e um procurador) sentados para assistirem ao jogo entre Benfica e Moreirense. Celso Manata (procurador, na altura, director-geral dos serviços prisionais), os juízes conselheiros António Grandão e José Nunes Lopes; os juízes desembargadores Rui Rangel, António Ramos, Frederico Cebola, Calvário Antunes, Carlos Benido e o juiz de primeira instância António Gaspar.»

 

«Luís Filipe Vieira diz que apenas falou uma vez com os juízes que iam a um pavilhão no Estádio da Luz para "dar uns chutos na bola", como refere um email do juiz Pedro Mourão para o presidente do Benfica, em Março de 2014, pedindo-lhe que autorizasse a utilização de um pavilhão para a futebolada judicial de um grupo de magistrados do Supremo Tribunal de Justiça. Porém, o email de Ana Paula Godinho para o presidente termina afirmando que o juiz desembargador Pedro Mourão "ficou de lhe apresentar os magistrados que, eventualmente, não conhece pessoalmente".»

 

«Outro juiz cujo trajecto profissional se tem cruzado com o Benfica é Antero Luís, actual secretário de Estado adjunto da Administração Interna. Em 2014, vestindo o fato de secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, o juiz assistiu a vários jogos do SLB, ora na qualidade de convidado, ora a "fazer-se" ao bilhete: o primeiro registo refere-se a 2012 e a um jogo Benfica-Barcelona, quando Antero Luís integrou uma task force entre segurança e espionagem: a acompanhar o então secretário-geral estiveram os directores do Serviço de Informações e Segurança (SIS), o também juiz Horácio Pinto e o adjunto Luciano Oliveira.»

 

«Antero Luís regressou ao Estádio da Luz em 2014, juntamente com Horácio Pinto e Neiva da Cruz, este último actual director do SIS, para assistir ao Benfica-PAOK. Uma vez mais, o clube tinha-o convidado, mas o secretário-geral da segurança interna ainda pediu mais um bilhete para o seu chefe de gabinete, Alexandre Coimbra, intendente da PSP. (...) Em Abril de 2014, novo pedido: Benfica-AZ Alkmaar. Desta vez, Antero Luís não levou o chefe de gabinete, mas pediu credenciais de acesso para o segurança pessoal e para o motorista.»

 

«É nos ficheiros apreendidos na Operação Lex (...) que se encontra o nome do antigo vice-procurador-geral da República, Agostinho Homem, como um dos convidados frequentes do SLB, seja para jogos em casa seja para integrar a comitiva oficial do Benfica em disputas europeias. Agostinho Homem integrou, por exemplo, a comitiva oficial dos encarnados a Moscovo para o jogo com o CSKA, uma viagem com um custo-pessoa superior a mil euros.»

 

«No que diz respeito às forças de segurança/justiça, a distribuição de bilhetes arrastou-se ainda, durante vários anos, à PSP, GNR, SEF e Polícia Judiciária. Nesta última, o contacto permanente dos encarnados estava identificado como Carlos Elias, um inspector que, segundo informações recolhidas pela Sábado, já está reformado, tendo trabalhado durante vários anos na investigação de crimes económicos.»

 

«O charme benfiquista alastrou ao mundo empresarial e financeiro. Os antigos administradores executivos da PT e da Central de Cervejas, Zeinal Bava e Alberto da Ponte, respectivamente, foram convidados para a final da Liga Europa, em 2014, que opôs o Benfica ao Sevilha. Mas era com Amílcar Morais Pires, que integrou a comitiva de convidados às finais da Liga Europa em 2013 e 2014, antigo administrador do Banco Espírito Santo, que Luís Filipe Vieira mantinha uma relação de maior proximidade, como documentam vários emails apreendidos no processo da Operação Marquês. Uma das mensagens, aliás, revela a paixão de Frederico Morais Pires, um dos filhos do antigo banqueiro, pelo Benfica.»

 

«A área das figuras públicas/celebridades também não foi descurada pelo departamento de Relações Públicas do Benfica. Uma extensa base de dados com contactos de actores, cantores, bloggers, instragramers, etc, foi criada para alimentar uma estratégia de convites para jogos. Ricardo Araújo Pereira, hoje apoiante da candidatura de João Noronha Lopes, foi um dos contemplados com uma "carta-mistério" enviada a várias figuras públicas. (...) Esta estratégia foi utilizada também, por exemplo, com Teresa Guilherme, Isabel Angelino, Ricardo Pereira, Jorge Corrula, etc.»

 

Excertos de uma investigação do jornalista Carlos Rodrigues Lima, publicada na Sábado a 29 de Outubro

Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira

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«O presidente do Benfica juntou uma lista de 22 juízes que convidou para ver um jogo da Champions, na maior parte desembargadores nos Tribunais da Relação, à sua defesa no processo judicial Lex. Esta iniciativa de Luís Filipe Vieira procura demonstrar que convidar magistrados para os camarotes do estádio da Luz não é mais do que uma prática corrente.»

 

«Pinto da Costa foi sempre o mais inteligente. Sempre teve a seu lado meia Relação do Porto ou de Guimarães. Sempre utilizou as viagens ao estrangeiro, em competições da Champions ou da antiga Taça dos Campeões Europeus, para comprar cumplicidades selectivas. E teve-as sempre que precisou, nos tribunais, na polícia, na política.»

 

«Vieira fez, afinal, o que é uma evidência no futebol. Os 22 juízes do Benfica têm apenas a força metafórica de simbolizar a enorme atracção do futebol na classe mas, também, a enorme vulnerabilidade que isso gera em profissões que têm a sua matriz na independência e no distanciamento social.»

 

Eduardo Dâmaso, ontem, no Record

Tarda mas não falha?

 

 

Quem me lê por aqui, sabe da minha real confiança na justiça. Tenho-o afirmado e defendido que a justiça, sendo o conjunto de todos os que nela interferem e trabalham sérios e honestos, pode, aqui e ali padecer de um ou outro furúnculo que o corpo, sempre, se encarregará de esvaziar e expulsar.

Foram finalmente detidos uns membros (sete) daquela claque que não existe que responde por um nome que não tem e que o presidente do clube de que não fazem parte diz e muito bem que a esse respeito nada se passou se.

Quero realçar os termos com que as autoridades policiais e da justiça adjectivaram os crimes pelos quais esta gente foi detida. "Especial perversidade" foi o termo mais simpático, denotando que a premonição dos ataques aos alvos, quase sempre adeptos do Sporting, uns das claques outros só porque sim, era a ocupação principal dum grupo que se diz ser tresmalhado do grupo principal.

Tentativas claras de homicídio com espancamentos cruéis, visando a agonia e eventual morte dos agredidos, denota um perfil psicológico (digo eu que não sou da área) de assassino nato!

Vários de nós, autores do blogue, aqui fomos escrevendo contra a lentidão das polícias e da justiça no seu todo, neste-assunto-da-claque-do-Benfica-que-não-existe-e-sobre-a-qual-nada-se-pode-fazer, como diz aquele que se a justiça funcionar bem, em breve irá bater com os costados no xelindró, Luis Filipe Vieira, por alcunha D. Orelhas, o Grande. Finalmente os nossos gritos de revolta (e de muitos outros) foram ouvidos e eu só espero que esta demora angustiante por uma justiça clamada, se alicerce num caso de betão que não abra qualquer brecha causada por um qualquer advogado de defesa (no seu direito profissional, obviamente). Espero que a investigação criminal da PSP tenha actuado de forma muito profissional e tenha deixado em cima da mesa do Ministério Público material que permita que de uma vez por todas o Estado comece a tratar do assunto claques com a seriedade que ele merece e que quem mata uma, duas e tenta a terceira, quarta, quinta e perpetra outras mais, conforme se demonstra nas informações que possuiam sobre alvos a abater, seja definitivamente banido do desporto e por muito tempo da sociedade!

Agora a claque do Benfica tem rostos, não há mais desculpa para o beija-mão, o deixar andar, o laxismo, a deferência para com um clube que se vivêssemos num país de gente honesta, já teria sido extinto!

 

É ver na plataforma que nos aloja, nem uma nota de rodapé, até à hora a que este post foi publicado.

ImpuNNidade

Passaram-se 3 semanas desde que o autocarro do SLB foi apedrejado no final de um jogo. Episódio de que resultaram feridos dois jogadores, que tiveram de receber assistência hospitalar. Um deles, teve lesões numa vista. Na mesma noite, as casas de vários jogadores do SLB foram vandalizadas, bem como a do seu treinador. 

Ontem, depois de nova derrota, o autocarro foi visado por adeptos, segundo a comunicação social. Felizmente, sem consequências de maior.

Entretanto, já passou um mês desde as bárbaras e cobardes agressões que resultaram em ferimentos graves em adeptos do Sporting.

Já passaram muitos meses desde a última vez que as claques (perdão, GOAs) do Benfica (NN Boys) que entoaram o cântico do "very light", glorificando a violência contra um inocente assassinado? Está tudo gravado, não deve ser difícil identificar um ou outro...  

Resultados disto tudo? 

Zero. É a impuNNidade total.

Parece que "foram identifiados" os autores do ataque ao autocarro. Nada mais. 

Para um sportinguista, que viu o seu clube associado ao "terror" nos últimos anos, tudo isto é absolutamente extraordinário.

Onde estiveram na últimas semanas os comentadores histéricos das TV, a exigir a demissão do presidente do SLB e a responsabilizá-lo "moralmente" (ou mais...) pelo ataque? 

E as primeiras páginas, dia após dia, sobre o "terror", "terrorismo" e etc, semanas a fio?

E os directos à porta do Seixal? 

E os agentes a ameaçar a rescisão de contratos de jogadores?

Onde estiveram o Presidente, o Primeiro Ministro e o Presidente da Assembleia da República, a condenar veementemente estes actos? (O secretário de Estado do Desporto, esse reagiu uma semana depois, quando pressionado pelo FC Porto...)

Onde está a Polícia? 

Onde está o Ministério Público e as acusações de "terrorismo"? 

É que os vândalos das claques do Sporting foram acusados de terrorismo e privados de liberdade durante quase dois anos - e, grande parte deles, libertados no final - enquanto que os vândalos das claques do SLB andam à solta!

Tudo põe a nu o que já sabíamos - que, no futebol, há uma justiça para o SLB e outra para SCP. 

Mas põe também a nu algo muito mais grave - que as instituições do Estado (não do futebol, as do Estado...) agem em conformidade com os interesses do SLB. Se é preciso varrer para debaixo do tapete... varre-se. 

E um incidente gravíssimo como o do ataque ao autocarro do SLB é pura e simplesmente esquecido. 

Mais do que o futebol (ainda há esperança para esse pobre coitado?) está em causa hoje o Estado de Direito. É preciso defendê-lo contra os Donos Disto Tudo. E o pior que podemos fazer é contribuir com a nossa indiferença.

Os crimes de Alcochete

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«Isto não é amor ao clube. É crime. É crime.»

Sílvia Pires, presidente do colectivo que julgou os arguidos de Alcochete

 

Confiar na justiça.

Esta é a atitude certa, em qualquer circunstância. Julgo que neste blogue, onde há pessoas que pensam de modo muito diferente em quase tudo quanto se relaciona com o Sporting, nunca houve ninguém que exprimisse opinião diferente desta: confiar na justiça.

Esta sexta-feira, dia 29, é, portanto, um dia tão bom como qualquer outro para reafirmar este princípio. O dia que se segue ao da sentença proferida, em primeira instância, pelo colectivo de juízas que determinou 41 penas condenatórias e três absolvições no chamado processo de Alcochete - investigado e concluído dentro dos prazos legais e com uma celeridade muito superior ao que estamos habituados.

 

Há dois aspectos neste acórdão - que ainda não li e, portanto, só consigo comentar a partir de notícias escritas com base na súmula lida na sessão de ontem pela juíza-presidente, Sílvia Rosa Pires - que convém salientar.

O primeiro é o facto de cerca de quatro dezenas de adeptos do Sporting - vários deles igualmente sócios, ao que presumo - terem ousado invadir e destruir as instalações da Academia leonina, até há poucos anos considerada um centro de excelência máxima em matéria de formação no futebol. Estes indivíduos protagonizaram um "ataque bárbaro" (palavras da magistrada) a um local que devia ser uma espécie de santuário para toda a massa adepta. Ali cometeram-se crimes graves - e não foram provocados pelos habituais "inimigos do Sporting", mas por sportinguistas. Com imagens que voltaram a colocar a Academia literalmente nas bocas do mundo, desta vez não por motivos de excelência mas de indecência.

A partir deste acórdão, portanto, deixaremos de falar em "alegados crimes" relacionados com Alcochete: a palavra "alegados" cai com esta sentença condenatória. Houve mesmo ilícitos penais, agora punidos com penas diversas - incluindo nove casos de prisão efectiva.

Entre os que cumprirão pena de prisão inclui-se o líder histórico da Juventude Leonina que permaneceu cerca de duas décadas à cabeça desta claque. Que, de algum modo, fica assim simbolicamente decapitada. Não por capricho de comentadores ou arbítrio de jornalistas, mas por solene decisão judicial.

 

Além dos 41 arguidos que acabaram condenados em graus diversos, o acórdão determina ainda três absolvições, considerando que nas audiências de julgamento foi impossível fazer prova da suposta "autoria moral" dos crimes de Alcochete, invalidando a controversa tese inicial do Ministério Público. Neste reduzido número de arguidos agora absolvidos incluem-se o ex-presidente Bruno de Carvalho e o actual dirigente máximo da JL, Mustafá. Também aqui, como no resto, imperou o princípio que nunca deixámos de defender: acreditar na justiça. Por ser uma das traves mestras do sistema democrático que nos rege.

Numa longa entrevista ontem concedida ao Jornal das 8 da TVI, perante um interlocutor impreparado, timorato e gaguejante, o antigo presidente leonino admitiu a possibilidade de instaurar um processo por indemnização ao Estado português que pode chegar às instâncias jurídicas internacionais. É inteiramente livre de proceder assim, no exercício de um direito de cidadania, se considerar que não lhe foi feita justiça, o que não parece muito consentâneo com a absolvição que acaba de lhe ser decretada.

Entretanto, não deixa de ser irónico ver agora vários dos seus apoiantes mais indefectíveis - com a linguagem incendiária que todos lhes conhecemos, integrada no caldo de cultura que degenerou nos crimes de Alcochete - celebrarem nas redes sociais a "vitória da justiça" depois de andarem anos a alimentar teses conspiranóicas contra o poder judicial, que seria parte integrante de uma vasta operação universal destinada a derrubar aquele que continuam a venerar com cega idolatria. 

 

Afinal não havia conspiração alguma: houve crimes, houve punições, houve absolvições, haverá recursos para outros patamares judiciais se assim for decidido por advogados e Ministério Público.

Prevaleceu a justiça. Confirmando assim que devemos acreditar nela. Não apenas quando nos é conveniente, mas em todas as circunstâncias. Antes, durante e depois.

Quem não acredita na justiça, não acredita na democracia. Já passou para o lado de lá ou nunca de lá saiu.

Nesse lado eu jamais estarei.

Decisão do Tribunal é boa para o Sporting

Desde a primeira hora que considerei uma vergonha todo o processo de rescisões. Na minha opinião, nenhum jogador pensou no clube e nos seus adeptos. Escolheram o seu dinheiro e as suas carreiras em detrimento da nossa paz, do nosso sossego, do nosso amor. Não pestanejaram quando nos desiludiram, não se importaram com milhares de crianças que os viram partir sem olhar para trás. Quem rescindiu procurou melhor, quem ficou teve medo de arriscar e quem voltou fê-lo porque não encontrou o que procurava. Para mim, foi isto. Simples e frio.

Que fique claro, quando os jogadores do Sporting decidiram rescindir o contrato, fizeram-no com o clube, não com o presidente, apesar de se terem servido de Bruno de Carvalho para o fazer.

Hoje a justiça mostrou que não tinham razão. Nem Carvalho e nem Jacinto, ambos funcionários do clube à data, foram condenados. O Sporting não teve, por isso, qualquer tipo de ligação ao acto que alguns energúmenos cometeram.

Como Sportinguista, esta absolvição ao antigo presidente é um alívio. É uma página negra que não foi escrita, apesar de muitos a ditarem.

VIVA O SPORTING

O tribunal falou!

Dois anos e quase 15 dias depois, o tribunal pronunciou-se sobre o ataque vil, soez e cobarde à Academia Sporting, em Alcochete.

Sempre aqui fui dizendo, neste como noutros casos, que confio na justiça e confio que ela continue sendo cega e que ela própria se vai regulando, expurgando-se de elementos que a possam colocar em situação delicada.

Para que fique claro, para o tribunal, as sentenças são ou "culpado", ou "inocente", por muitas voltas que algumas pessoas, desagradadas com as sentenças, umas e outras, dêem. Não há "culpado mas..." ou "inocente mas..." Assim o ex-presidente foi considerado inocente dos crimes de que ia acusado, tendo-se provado a inocência na participação interessada de Bruno de Carvalho naquele assalto.

Tal sentença não o exime do descalabro que foi o final do seu mandato, mas é justo questionarmo-nos se não tivesse aquela acusação em cima, as coisas teriam corrido daquela forma desastrosa, no mínimo. Não saberemos nunca, já passou e o tempo nunca volta.

Terminado que está este capítulo negro da história longa e a maior parte das vezes gloriosa do Sporting, será tempo de seguirmos em frente.

A justiça pronunciou-se, a justiça está feita. Já não há desculpas para continuarem a adiar o Sporting.

O lampião

O problema com este juiz que por caprichos do sorteio integra o colectivo de magistrados que julgará o processo e-toupeira (do qual não voltámos a ouvir nada, provavelmente devido à pandemia em curso) e foi indicado como titular do processo contra Rui Pinto não é ele ser benfiquista.

Vivemos, felizmente, num país livre. Cada qual é livre de ser sócio da associação de bairro que muito bem entender.

O problema com este juiz é ele ser lampião.

 

Há uma diferença enorme entre um lampião e um benfiquista. 

O lampião é o que odeia os rivais, o que insulta quem discorda dele, o que é indiferente aos meios para atingir os fins, o que festeja o "golo do Vata" e faz dele manchete trinta anos depois.

 

Este juiz não deve julgar Rui Pinto no âmbito do processo Football Leaks porque levantou o polegar para cima quando chamaram "pirata" ao arguido nas redes sociais. Porque mostrou "gostar" quando um asnónimo chamou "cabrão" ao presidente do Conselho de Arbitragem, José Fontelas Gomes. 

Porque é um juiz não apenas de emblema mas de cachecol - e, tendo cachecol clubístico e exibindo fervor por um clube que é parte interessada nestes processos, não tem isenção para julgar qualquer deles. Como é manifesto para qualquer cidadão de boa fé que persiste em acreditar na justiça como pilar do sistema democrático.

 

Este juiz, garantem jornais e televisões, pediu escusa do processo. Isto não significa, porém, que seja afastado. Pode ser apenas um gesto momentâneo para conter danos e aliviar pressão mediática.

Só espero que a presidente do Tribunal da Relação de Lisboa faça o que o mais elementar bom senso recomenda, afastando-o em definitivo do processo que levará Rui Pinto ao banco dos réus.

Noites de pesadelo

Estão a ser noites de pesadelo para os corruptos no futebol. Motivo: após mais de um ano de prisão preventiva, um ás da informática chamado Rui Pinto passou a estar em regime de detenção domiciliária, a pretexto da pandemia em curso, e os seus advogados anunciaram que o rapaz vai prestar toda a colaboração à Polícia Judiciária, nomeadamente à Unidade Nacional de Combate à Corrupção que também investiga o mundo obscuro das práticas ilícitas associadas aos meandros dos negócios da bola. 

Basta lembrar que foi ele quem contribuiu recentemente para derrubar a mulher mais poderosa de Angola, também considerada a mais rica do continente africano.

Nada voltará a ficar como até aqui.

 

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