Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

O que eles dizem

artworks-000361110330-okwguw-t500x500[1].jpg

 

«O Ministério Público pediu a absolvição de Bruno de Carvalho neste tristíssimo e dramático caso - o mais vergonhoso da história do Sporting Clube de Portugal - mas ele ainda não foi absolvido. Mas os brunistas mais empedernidos - aqueles que ainda existem, e são alguns - fizeram já disto uma razão suficiente para se acharem no direito de exigir o regresso dele não apenas à condição de sócio do Sporting, da qual foi expulso, mas também à reocupação do lugar do qual foi destituído. Os brunistas sabem o que estão a fazer: é mais um embuste, mais uma batotice, mais uma vigarice. Inflamam as massas com mais uma cortina de fumo para enganar toda a gente.

A expulsão de sócio e a destituição de Bruno de Carvalho não teve nada a ver com Alcochete. Rigorosamente nada. Ele até podia ter estado à porta de Alcochete a defender a honra do clube e a integridade física dos jogadores e dos técnicos que foram agredidos por aquela gentinha. Ele foi destituído e expulso por tentar impedir a realização da assembleia geral de 23 de Junho e pela violação da suspensão preventiva a que estava sujeito; pela usurpação de funções e pela tentativa de bloqueio das contas do Sporting;  pela criação de órgãos fantasmas completamente à revelia dos estatutos do clube; e pelo uso indevido de meios do clube.»

António Macedo, Sport TV+, 13 de Março

 

 

645790[1].png

 

«Espero que perante este comportamento do Ministério Público que, provavelmente, conduzirá à sentença de absolvição do ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, se não confunda a responsabilidade criminal com justa causa e responsabilidade disciplinar.

Os sócios do Sporting Clube de Portugal reunidos em assembleia geral fizeram justiça ao deliberarem a sua destituição com justa causa e a confirmação da pena de expulsão aplicada - deliberações com as quais [Bruno de Carvalho] se conformou. Não há que misturar absolvição de um crime público com destituição, ou expulsão e readmissão, no seio de uma associação privada. 

Uma coisa são os factos criminosos praticados em Alcochete; outra coisa são os desvarios e as infracções disciplinares praticadas em Alvalade. Aqueles foram testemunhados por menos de uma centena de pessoas; a estes assistiram milhões, estupefactos e incrédulos.»

Dias Ferreira, A Bola, 14 de Março

Ser Rambo não dá bom resultado

1q9a1424_770x433_acf_cropped[1].jpg

 

"Queria pedir desculpas aos jogadores, eles são as verdadeiras vítimas [...] prejudiquei gravemente as vítimas, a instituição Sporting e a própria Juve Leo."

É uma das frases a reter de todo este processo. 

Todas as vezes que estamos nas redes sociais a insultar tudo e todos. Todas as vezes que, numa discussão numa caixa de comentários, ameaçamos alguém com violência... Há sempre uma consequência.

Às vezes a realidade apanha-nos. E, a estes rapazes, apanhou da pior maneira. Quando deram por si, estavam a agredir jogadores do Clube que amam (acredito que o façam). Quando deram por si estavam a ser detidos e hoje, quase dois anos depois, estão sentados em tribunal. Provavelmente prestes a serem, e bem, condenados.

Estamos no século XXI, devíamos ser capazes de discutir sem chegar a este ponto. Devíamos ser capazes de verbalizar a nossa opinião sem agredir o nosso interlocutor.

Ser Rambo não dá bom resultado.

A morte do dragarto

img_920x519$2020_02_18_15_06_32_1665445[1].jpg

 

Foram estas as frases que ecoaram do testemunho de Pinto da Costa sobre Alcochete:

"Vou responder ao que me perguntarem. Ninguém falou comigo, recebi uma notificação para estar aqui, não faço ideia do que vou dizer porque não sei o que me vão perguntar. Tudo o que eu souber responderei. Não sei por que fui arrolado, não há problema nenhum"

"Lembro-me de todos os presidentes do Sporting e ainda hoje mantenho excelentes relações com alguns deles, como Sousa Cintra, Dias da Cunha, Soares Franco e Godinho Lopes"

"Lembro-me que Bruno de Carvalho tinha tido 90% numa AG e de repente começou a ser contestado por toda a gente." O presidente do FC Porto recorda uma troca de palavra entre Bruno de Carvalho e Jaime Marta Soares, que o deixou "chocado". Bruno de Carvalho disse que Jaime Marta Soares também era "croquete", "fui eu que o salvei". O presidente da MAG terá ripostado: "Deviam eram ser todos destituídos".

"Não percebi por que vim cá. A sra juíza agradeceu a minha apresença e disse que não era da responsabilidade dela eu ter sido chamado, sentiu que eu não podia adiantar muito. Felizmente desconheço este processo. Nem sei onde é Alcochete... O tempo foi uns 5 minutos, o resto foi de espera. Eu não podia dizer nada porque felizmente deste processo só sei que foi dia 15 de maio"

 

Que isto sirva para abrir os olhos a todos os que acham que estamos bem sendo uma bengala do Porto. O Sporting vale muito mais que uma mantinha nas pernas.

«E achavam que era com medo que os jogadores iam começar a jogar mais, era isso?»

«– Mas entraram lá de cara tapada e com essa atitude numa de dar o tal ‘aperto’, para criar medo. E achavam que era com medo que os jogadores iam começar a jogar mais, era isso?
– Hoje em dia tenho a certeza que o medo não motiva as pessoas. Na altura o que podia pensar, e que é estúpido, era que os jogadores teriam de dar o máximo mas de facto não tenho direito de pedir satisfações a ninguém…
– Sim mas o medo, o bato, o ameaço, o vou a casa, o que é que isso pode motivar?
– Sim, tem toda a razão…
– Porque isso do estamos muito ofendidos são balelas… Sabe, guardei aqui duas frases da conversa: ‘Honra a quem foi a Alvalade’ e ‘Deus perdoa, a Juve Leo não’… Portanto, ainda foram glorificados até perceberem que tinha dado barraca… O que é que motivava? Um pai dá uma grande tareia um filho porque em vez de passar teve muito bom, ajuda alguma coisa? Motiva?
– Acho mesmo que na altura… Não queria de todo amedrontar os jogadores… Ia pedir justificações…
– Mas pelo que ouvimos aqui ninguém perguntou nada, foi logo a virar… Foi entrar, agir e sair…
– Falo por mim, só queria mesmo encontrá-los no campo e falar… Sei que as vítimas aqui são eles, não sou eu. Como tem dimensão, quero pedir desculpa e às vezes meto-me no lugar deles e pensar… Quando fui preso pensei nisso, nas conversas que tive com a minha família, comentava com a minha tia, que é médica, porque tem casos desses… Não querendo voltar atrás que não posso, que me mudou a vida, a única coisa que posso fazer é pedir desculpa e afastar-me destes fenómenos. Não venho aqui dizer que sou inocente, participei nos grupos, estive lá…»

Não me recordo se alguma vez cheguei a escrever sobre o que aconteceu em Alcochete. Na verdade, durante algum tempo creio que fiz tudo para ignorar ou tentar esquecer o que fui lendo nos jornais e redes sociais e vendo na televisão. É complicado, as notícias (fruto da exploração jornalística) foram e têm sido permanentes. E tentar ignorar não permite apagar o que aconteceu.

As declarações de Tiago Neves (um dos arguidos do processo Alcochete) que li reproduzidas no jornal Observador são um retrato, não apenas na sua experiência individual, mas de um modo de estar em sociedade. A juíza que o interroga pergunta de forma lapidar «E achavam que era com medo que os jogadores iam começar a jogar mais, era isso?» Quão fanáticos temos de ser para acreditar numa coisa destas? Quão alienados da realidade temos de estar para nos transformarmos em mitomanos? Quem acredita que este é um fenómeno exclusivo do futebol ou sequer do desporto?

A minha relação com o futebol (e de certa forma, com o próprio Sporting) mudou naquele dia. Não consigo deixar de ir a Alvalade ou de seguir os jogos na televisão quando jogamos fora de casa, mas sinto que perdi a alegria e a paixão pelo jogo. Comecei a ver futebol na televisão em 1991 (campeonato do mundo de júniores em Lisboa) e a frequentar estádios de futebol em 1992 (no estádio da Medideira a ver o Amora). Alvalade, acompanhado pelo meu pai e, mais tarde, pelo meu irmão, começou a ser uma visita quinzenal a partir de 1999. O meu avô, que nunca conheci, era um apaixonado tão grande pelo seu Piedade que faleceu enquanto assistia a um jogo.

Não tenho filhos, mas se algum dia os tiver não estou certo que os queira ver num estádio de futebol. Tudo isto porque leio e oiço diariamente gente que não só acredita em teorias da conspiração, como defende que um jogador de futebol com medo joga mais.

O Sporting somos nós

bas dost.jpg

 

Sou do tempo em que o Sporting eram aqueles que nos estádios, nos pavilhões e nas pistas conduziam a camisola do clube às conquistas e aos triunfos. Os Yazaldes, Damas, Agostinhos, Lopes, e muitos outros. Os nosso ídolos. Tudo o resto era acessório.

Os tempos são outros, mas em todo o caso é completamente inadmissível e uma vergonha para o Sporting o número de dirigentes, treinadores e jogadores que foram agredidos fisicamente nas instalações do clube nos últimos tempos, com ovos, murros, pontapés, tochas, cintos, e garrafões de água. Foram mais de uma dúzia entre dirigentes, treinadores e jogadores, entre eles capitães de equipa.

Hoje no tribunal de Monsanto, um rapaz de 29 anos que participou no assalto à academia do próprio clube e que trocou mensagens onde manifestou a intenção de "ir bater" veio dizer que "Queria ir lá dar uma espécie de 'aperto', mas nunca foi minha intenção agredir, era mais pedir justificações. A minha intenção nunca seria ir lá agredir jogadores, a minha intenção era assustá-los e fazer com que eles percebessem que deviam ter dado mais no campo, deviam ter ganhado". Pois.

Diz ele também que "É tudo condenável, não me revejo nisto, não sei o que me passou pela cabeça na altura. Percebo que isto chocou o país. Isto, se calhar, era um vício que eu tinha, o Sporting e as claques". Pois.

Mas o que impressiona ainda mais é a quase indiferença de alguns Sportinguistas perante este estado de coisas. Se calhar é um pouco como a violência doméstica. Se eles apanharam, então é porque mereciam. E se a filha menor dum deles foi insultada e cuspida, paciência.

A pergunta que deixo é como é que o Sporting poderá atrair os melhores dirigentes, treinadores, capitães e jogadores, quando o que lhes pode muito bem acontecer é serem agredidos nalgum canto escuro por quem se julga dono do clube. 

SL

Quando já pensávamos ter visto tudo…

«"Fui repreendido por suturar Bas Dost",

recorda enfermeiro do Sporting.

 

Carlos Mota, enfermeiro do Sporting, marcou presença esta quarta-feira no Tribunal de Monsanto, onde testemunhou no julgamento do processo do ataque à Academia de Alcochete, a 15 de maio de 2018.

Mota recorda ter suturado Bas Dost depois das agressões ao avançado holandês, medida que conduziu a uma repreensão, revelou: "Não vi a agressão ao Bas Dost. Fui eu que o suturei, fui repreendido porque achavam que tinha de esperar que chegasse o médico que vinha de Lisboa para suturá-lo. (...) Frederico Varandas estava lá. Só sei que o homem estava a sangrar, a chorar deitado, e eu propus-me a suturá-lo. Fui repreendido, dizendo eles que era um ato médico. Fiquei surpreendido, porque se tinha de chamar um médico que estava em Lisboa e ia demorar a chegar a Alcochete", relatou o enfermeiro, que garante não ter sentido medo.

"Andei em enfermagem para servir quem necessita. Não tive medo, fui agredido, mas não tive medo", acrescentou Carlos Mota, recordando também a chegada de Bruno de Carvalho à Academia após a invasão:

"Chegou de semblante triste, naturalmente. Acho que foi uma vergonha para o Sporting. Recordo [o ataque] com tristeza, porque sou enfermeiro e sportinguista desde que nasci. É triste que se aproveitem estas situações para denegrir e dar cabo do Sporting. Ele era presidente na altura, bem ou mal, era o presidente, eu respeitava-o por isso", rematou Carlos Mota.»

 

In: Jornal «O Jogo» acedido em 29/01/2020

O que se julga em Monsanto

Texto de Sol Carvalho

Tenho lido inúmero comentários sobre o julgamento. Dum lado, o aumento e o detalhe das provas de um ato de violência gratuita e a clarificação, no mínimo, da existência de um clima que o permitiu. Do outro, já que a defesa do ato em si é muita fraca, a linha da defesa de que BC não foi o organizador do mesmo.


Ora, precisamente essa dicotomia me parece estranha e desfasada do essencial. Há um julgamento em curso. Do ponto de vista judicial, pode haver interesse em saber se o presidente foi mandante ou não, mas eu acho que esse rumo é precisamente o que serve os interesses de quem quer fugir às responsabilidades. Nenhum presidente (ia a dizer “no seu perfeito juízo” mas de repente apercebi-me da ironia da coisa) daria uma ordem direta para um ataque. Dou de barato esperteza suficiente a BC para não o fazer. Ou seja, a culpa material será, no mínimo, muitíssimo difícil de obter. E isso abre espaço para o contra-ataque de BC e seus acólitos e empregados a que temos assistido.


A segunda questão do julgamento acho que tem a ver com as responsabilidades específicas e com o tamanho de cinturadas e socos que cada um cometeu o que é valido para considerar atenuantes e tempo de pena.
Mas o que julgo essencial e, para mim, esse é o verdadeiro julgamento, é o segundo apuramento das responsabilidades morais e políticas dos intervenientes. Ou se quiserem, a confirmação da responsabilidade moral que já teve decisão e pena na Assembleia Geral do Sporting.


Não vejo os jogadores todos por igual (Bata e Acuña eram alvos e ficaram, Rafael Leão até foi saudado e “pirou-se”) não considero “santos” os seus conselheiros e agentes. Não vejo as claques também todas por igual, embora no caso, a claque em causa (ou pelo menos parte dela) assumiu publicamente a cumplicidade do ato e se a instituição não estava de acordo, só teria de expulsar os prevaricadores (ou na Juve Leo não havia estatutos?).
Resta o topo da pirâmide e referimo-me a BC e à sua direção. O que já ouvi e li neste julgamento me dá o direito e a liberdade de fazer desde já de confirmar um julgamento moral e político. E se Varandas tem de assumir responsabilidades “pelo que fez à equipe de futebol” (e acho que tem mesmo de o fazer) também BC tem de assumir responsabilidades “pelo que fez à equipe de futebol” (afinal não têm de comer todos por igual?).


Ora, a deslocação para a tecnicidade de ter sido o mandante ou não, pode ser muito importante para a justiça mas para mim enquanto Sportinguista é secundária. E estamos a repetir um truque antigo: PC falou e fez corrupção mas como as escutas eram ilegais, ele deixou de ser corrupto... Deixou? A sério?
Eu acho que o julgamento moral e o que nos interessa essencialmente já foi efectivado. E a pena já executada. Este julgamento não é, pois, para julgar a culpabilidade moral mas eventualmente a culpabilidade material do evento. Mas para o Sportinguista, a culpabilidade moral deveria ser, e foi, mais do que suficiente. Agora não passa de uma confirmação que se torna evidente em cada depoimento novo que aparece. Deixem então de nos atirar poeira aos olhos!

No banco dos réus (18)

img_920x519$2018_05_15_17_57_43_1398446[1].jpg

 

«Foi assim o dia 18 do julgamento de Alcochete: André Pinto recorda em depoimento tudo quanto viu e ouviu: "Disseram que nos matavam se não ganhássemos o próximo jogo." Agressores iam sobretudo à procura de Battaglia e Acuña.»

 

O dia 18 do caso de Alcochete: pontapés a Bas Dost, Taça como um furúnculo numa reunião surreal, bilhetes no OLX e uma saída emocionada. «Em 26 anos de profissional, nunca vi nada assim», disse Mário Monteiro, preparador físico.

 

Um manicómio em autogestão

6f43b5263fbba79c5962514b85d34738_XL[1].jpg

 

Os promotores do movimento Dar Futuro ao Sporting entregaram ontem ao presidente da Mesa da Asembleia Geral o conjunto de assinaturas que recolheram com vista à destituição imediata dos órgãos sociais eleitos para um mandato de quatro anos faz hoje 16 meses, em 8 de Setembro de 2018.

Estes sócios querem abrir um novo processo eleitoral no clube alegando haver «justa causa» para a destituição. Esforcei-me por entender qual é, mas as confusas declarações do porta-voz do movimento não me esclareceram. «A violação de estatutos, a relação tripartida entre a direcção e os sócios, e os últimos conflitos que não têm trazido paz ao clube são razões que podem levar à justa causa», declarou António Delgado.

Dizer isto ou não dizer nada, parece-me, é rigorosamente igual.

 

Por notável coincidência, a formalização da entrega destas assinaturas a Rogério Alves ocorreu no mesmo dia em que Jorge Jesus prestou o seu impressionante depoimento em tribunal sobre o assalto a Alcochete.

Um depoimento que, culminando o que já ficara dito em audiência por testemunhas anteriores, comprovou que na recta final do seu mandato o presidente Bruno de Carvalho estava de relações cortadas com o treinador e toda a equipa técnica, com os capitães do plantel profissional de futebol e praticamente com todos os jogadores.

 

As declarações já prestadas perante o colectivo de juízas permitem fixar um doloroso retrato do que era o nosso clube em Maio de 2018: um manicómio em autogestão, onde um mitómano irresponsável dava rédea solta a um bando de criminosos.

Os efeitos traumáticos desta situação caótica deixaram um rasto demolidor, contaminaram fatalmente o período que ainda vivemos e vão demorar muito tempo a extinguir-se de vez. Quem queira "dar futuro ao Sporting", chame-se como se chamar, deve ter a noção exacta disto.

 

ADENDA

Ao que me garantem, um dos promotores desta acção de destituição, Carlos Mourinha, distinguiu-se na assembleia geral de 10 de Outubro por ter concluído a sua intervenção desta forma: «Presidente, vá para o car**** que o fo**!».

Fico elucidado quanto ao nível intelectual de alguns mentores do movimento agora posto em marcha.

Vai chamar Joaquim a outro

21628055_dd2K2[1].jpg

 

 

Grande Bruno Fernandes.

Respondeste da melhor maneira, na entrevista ao Record, ao imbecil que no Tribunal de Monsanto fez de conta que não sabia quem eras ao atirar-te uma frase digna da pré-primária: «Boa tarde, Joaquim. Como se chama?»

A julgar que assim te amesquinhava - a ti, que és um símbolo do Sporting. Quando afinal só serviu para se cobrir de ridículo.

 

«O papel dele [advogado de Bruno de Carvalho] passa por tentar enervar-me. Talvez tivesse ordens de alguém para me tentar enervar chamando-me Joaquim. Mas eu também não sei o nome dele e, sinceramente, não estou muito interessado nem preocupado com o facto de ele me chamar Joaquim ou outro nome qualquer. Pelo que me disseram, estamos a falar de um sportinguista. Acho estranho um sportinguista não saber o meu nome. Se é assim tão adepto, deveria saber o nome dos jogadores que representam o seu clube.»

Assim te pronunciaste na entrevista.

Arrumando a questão, chutando para golo.

Dando uma lição de comportamento ao visado. Que, provavelmente, não conseguirá aproveitá-la. Por fugir ao código tribal a que obedece.

 

Tiveste uma atitude digna de capitão. Mais uma, entre outras que têm prestigiado o desporto português.

Por isso sou brunista. Digo e repito com muito orgulho.

Inqualificável

img_920x518$2019_09_11_16_54_33_1600528[1].jpg

 

O comportamento do destituído presidente do Sporting perante o colectivo de juízas que aprecia o caso de Alcochete no Tribunal de Monsanto é inqualificável.

Compareceu no início e depois, alegando não ter meios de subsistência, solicitou autorização para faltar às sessões. Tem estado quase sempre ausente.

Num caso que lhe diz directamente respeito e em que é parte interessada, até por estar acusado de quase uma centena de crimes, Bruno de Carvalho comporta-se em estado de negação. Recusando ouvir os depoimentos que têm desfilado, presencialmente ou através de câmaras televisivas, nas sessões de audiência.

 

Evitou assim, por exemplo, escutar Mathieu a dizer isto:

«Nunca mais esquecerei o medo que senti. Ainda hoje, no final dos jogos, penso nesse dia. Tenho medo que isto volte a acontecer.»

 

Não teve ocasião de ouvir Palhinha dizer isto:

«Fiquei receoso pela minha integridade. Liguei logo ao meu pai, num estado de nervos… Só dizia que queria ir embora, que ia recolher as minhas coisas, chuteiras e afins, porque nunca mais queria voltar à Academia depois daquilo.»

 

Não se apercebeu, em primeira mão, de que Ristovski declarou isto: «Ficámos alojados num hotel nessa noite, mandei a minha esposa e filho menor para Macedónia e no dia seguinte saí do país.»

 

Nem ficou ao corrente, de viva voz, deste depoimento de Acuña perante o tribunal: «Disseram que me iam matar, que sabiam onde é que eu vivia e onde é que os meus filhos iam à escola.»

 

No fundo, age como na recta final do seu mandato enquanto presidente do Sporting. Nos momentos decisivos, nunca estava lá.

Não esteve no estádio do Estoril, quando o Sporting perdeu um jogo decisivo que nos custou o comando do campeonato.

Não esteve em Madrid, na primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa disputada frente ao Atlético.

Não esteve no confronto com o Marítimo, no Funchal, que nos custou a despedida do acesso à Liga dos Campeões.

Não esteve na final da Taça de Portugal, de tão má memória, contra o Desportivo das Aves.

 

Em todas essas ocasiões, não foi por "falta de meios de subsistência", como agora invoca: foi por elementar falta de coragem.

Inqualificável antes, inqualificável agora. É o comportamento de alguém com jeito para soltar uns bitaites mas que não nasceu com capacidade para liderar.

Alcochete nunca mais

assalto.jpg

 

Os jogadores começaram a ser ouvidos no Tribunal de Monsanto e os seus testemunhos permitem perceber a dimensão dos danos causados, bem como explicar em que condições chegaram ao Jamor para perderem ingloriamente uma final da Taça de Portugal e serem insultados nas escadarias por alguns adeptos do próprio clube.

Foi todo um plantel atacado, jogadores de diversas origens e idades, cada um reagiu à sua maneira, mas se calhar os jogadores da formação, os jogadores da casa, sentiram bem mais que os outros.

Por exemplo, João Palhinha revelou em tribunal que, após o acontecimento, desabafou ao pai que "não queria voltar mais à academia" e que só queria "ir embora" do clube.

Acrescentou: "Os primeiros tempos não foram fáceis. Tive pesadelos por causa desse ataque, mas agora está completamente ultrapassado. Mas esse ataque à academia retirou um pouco da segurança que tinha dentro daquele clube. Fica-se com receio de que as coisas voltem a acontecer."

E a verdade é que João Palhinha não voltou, seguiu emprestado para Braga. E diz-se que poderá ir fazer companhia a William no Bétis.

Como não voltaram, estes duma forma mais radical, Rui Patrício, William, Podence, Gelson Martins e Rafael Leão. Enquanto Sousa Cintra conseguiu convencer Bruno Fernandes, Battaglia e Bas Dost a voltarem, com os da casa que rescindiram não teve hipótese.

Como também depressa saíram emprestados - muitos também por vontade própria, com ou sem opção de compra - Matheus Pereira, Francisco Geraldes e até Demiral (o melhor dos sub-23). 

Não podemos saber o que sentiram os restantes jogadores dos sub-23 e das camadas jovens, os então emprestados que pensavam regressar ou os jovens craques em vias de optar pelo Sporting, bem como as respectivas famílias. Desses não há testemunhos em Monsanto.

O único jogador da formação ainda no plantel presente no balneário aquando do assalto é Max. No seu testemunho disse que ficou "bloqueado e sem acção".  Antes disso tinha comentado a sua admiração por Rui Patrício. Para alguns passou rapidamente de bestial a traidor. Nos Açores foi, como os restantes, ameaçado de que "as coisas poderão mesmo de novo acontecer". É caso para dizer: só ele sabe porque ficou no Sporting.

Concluindo, o assalto terrorista a Alcochete constituiu antes do mais um atentado sem precedentes à nossa Academia, concebido, facilitado e executado por gente do próprio clube, do qual o Sporting vai levar muito tempo a recuperar.

No meu entender e de quase todos os Sportinguistas, o dia mais negro da história do Sporting Clube de Portugal.

Que a justiça tenha mão pesada.

SL

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D