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És a nossa Fé!

Amorim falhou nas opções que fez

Texto de Luís Barros

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Aqui está um dos fulcrais destes dois resultados menos positivos: deixamos de jogar pelas alas. Quando temos um ponta de lança, deixamos de "fazer" jogo para a área.

Ontem [anteontem] vi um defesa/ala esquerdo com 18 anos a jogar sozinho contra três adversários e mesmo assim sem comprometer. Vi igualmente um defesa/ala direito, sozinho, sem chama e descoordenado, que depois de ser chamado à seleção desaprendeu de jogar e que comprometeu. Foi a segunda vez em dois jogos seguidos que sofremos golos a partir do lado direito.

Vi também um João Mário a jogar naquele estilo muito peculiar de não se querer gastar muito nem sujar os calções.

Por último, vi uma defesa completamente perdida a sofrer um golo de forma indesculpável.

 

Já afirmei mais do que uma vez: neste momento o Sporting não tem ninguém além de Plata que faça a diferença no um-para-um e para desbloquear jogos precisam-se de artistas. Jovane, mais uma vez, não aproveitou para fazer a diferença e mostra que o caminho em Alvalade já não deve ser muito mais longo.

Continuo a não perceber o súbito desaparecimento de Matheus Nunes, um dos poucos que seguram e transportam a bola em condições.

Pedro Gonçalves, com uma das melhores exibições dos últimos tempos, jogando solto sem ficar amarrado a uma posição no terreno, fez-me lembrar um pouco o Adrien mas com mais golo.

 

Concluíndo. Amorim falhou pela segunda vez nas opções que fez e demonstrou algum nervosismo durante quase todo o jogo.

Se é verdade que ainda estamos à frente por seis pontos, também é verdade que vejo os principais adversários a jogar com mais atitude e contando ainda com mais soluções no banco.

 

Nota final. Pela primeira vez não gostei do discurso de Amorim. A ideia de que o Sporting já "ganhou" o campeonato com a valorização de alguns jogadores e, se o perder efectivamente, é o treinador que o perde, não me parece a política mais correcta. Na prática nada está ganho: o Sporting e seus jogadores só ganham se forem campeões e chegarem à liga milionária.

 

Texto do leitor Luís Barros, publicado originalmente aqui.

"Olh´ó Jovane baratinho"

Um dos golos mais fabulosos que pude celebrar em estádio nos últimos anos é o de Jovane contra o Rio Ave há duas épocas. Um tiro de pé esquerdo, fora da área, seco e colocadíssimo. Daqueles momentos, raros, em que a Liga portuguesa parece a Premier League. Juntamente com outas obras de arte, esse golo pode ser visto ao segundo 19 deste vídeo:

 

Atenção neste vídeo também para os livres diretos de Jovane. No ano passado, foi juntamente com Mathieu quem mais se destacou neste capítulo.

Jovane não é um jogador vulgar. Pela audácia, pela alegria de jogar. Pelos golos, pelas assistências. 

Estes números do Pedro Azevedo n´O Castigo Máximo demonstram também outra qualidade pouco reconhecida a Jovane: eficácia. Precisa de poucos minutos em campo para fazer a diferença, seja com um golo ou uma assistência.

Jovane é... jovem. Falha, e no passado decidia mal. Tem melhorado nesse aspeto, visivelmente. O jogo com o Porto desta semana mostrou um Jovane com a audácia de sempre, mas com muito melhor decisão e colocação de remate.

Não temos mais nenhum Jovane no plantel. E temos poucos jogadores no plantel capazes de partir para cima de uma defesa e colocar a bola no fundo das redes adversárias. 

Pasmo, portanto, com a aparente abertura da direção em vender Jovane:

https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/sporting/detalhe/sad-do-sporting-recetiva-a-ouvir-propostas-por-jovane-cabral

Admito que seja apenas especulação. Espero que seja apenas especulação.

Porque vender Jovane - ainda por cima baratinho, como agora vendemos jogadores (Matheus Pereira, Acuña, Vietto...) - seria talvez das decisões de mercado mais imbecis já tomadas por esta direção. E, como somos diariamente recordados pelo camião de contratações sem préstimo que se arrastam pelo Clube, não são poucas as compras e vendas estapafúrdias a que assistimos nos últimos anos.

Jovane Cabral, o herói de Leiria

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Jovane Cabral chega ao Sporting e à Academia de Alcochete em 2015 vindo do Grémio Nhagar de Cabo Verde, com apenas 16 anos de idade, sendo integrado na equipa de Juvenis, estreando-se logo com 4 golos marcados, num jogo em que o Sporting ganhou por 15-0 ao GRAP.

Chega ao fim da época de 2016/2017 já integrado na equipa B com números relativamente modestos, 53 jogos, 16 golos marcados, muito por causa das lesões que foram surgindo.

No dia 28 de Março de 2017 estreou-se pela Seleção Nacional A de Cabo Verde, entrando no decorrer da 2ª parte de um jogo amigável onde a sua equipa ganhou por 2-0 no Luxemburgo.

No inicio da época de 2017/18 foi chamado por Jorge Jesus para integrar o estágio da equipa principal na Suíça, onde participou em dois jogos, sendo depois devolvido à Equipa B. Pouco depois, a 12 de Outubro estreou-se pela equipa principal ao entrar para o lugar de Mattheus Oliveira, no decorrer da 2ª parte de um jogo a contar para a Taça de Portugal, em que o Sporting derrotou o Oleiros por 4-2. Foi a primeira e a única oportunidade que Jorge Jesus lhe deu, deve ter-lhe posto o mesmo selo na testa de Palhinha, Matheus Pereira e Esgaio. Para além deste jogo, nesse ano conta apenas com 14 jogos pela B e 1 golo marcado.

Quando Sousa Cintra assumiu a SAD, para juntar os cacos causados pela irresponsabilidade de alguns e a cobardia de outros, deparou-se com um jovem a ganhar muito pouco para o que valia, renovou-lhe o contrato que terminava no final dessa época até 2023, deu-lhe um salário digno de primeira equipa e diz ele, "Ainda lhe dei 100 mil euros para ele ir comprar uma casa, para ele e para a mãe. Para ter condições dignas, de acordo com o pergaminhos do clube e com aquilo que o jogadores devem ter: paz, um ambiente tranquilo". Jovane Cabral retribuiu com um bom arranque de campeonato, sendo distinguido no final desse ano com o Prémio Stromp na categoria Revelação. Diz quem lá esteve que é um rapaz inteligente e de muito bom trato. Para além disso uma vontade sem limites de treinar e de aprender, como testemunham Bruno Fernandes e Tiago Fernandes. 

Nestas últimas duas épocas e meia, Jovane continua a apresentar números modestos para o protencial que demonstra, cerca de 60 jogos e 15 golos, mas já conseguiu marcar alguns golos completamente fora-de-série como o primeiro de Leiria. 

Olha-se para Jovane e vê-se um pequeno Hulk, um corpo super-trabalhado em ginásio, uma potência física tremenda. Mas tudo isso tem tido custos para um jovem que não chegou assim de Cabo Verde, e as lesões tem sido recorrentes. Quando regressa das lesões depara com uma equipa formatada e tem de se encaixar nas necessidades imediatas da equipa, às vezes bem diferentes daquelas que eram quando se lesionou. Se calhar por isso mesmo, rende bem mais quando vem do banco com liberdade para desequilibrar do que quando tem de entrar de início e cumprir um programa táctico exigente a defender e a atacar.

Como tem feito com outros jovens, Frederico Varandas tem tentado o prolongamento de contrato com reforço de cláusula de rescisão, mas o Jovane e os seus representantes tem resistido, pelo interesse que veem noutras latitudes. E assim, tem vindo a lume que o Sporting aceitaria a sua saída por um valor mínimo apreciável, mas longe do que ele pode vir a render no futuro. Não nos esqueçamos porém que hoje em dia muitos jogadores/empresários preferem esgotar os contratos e sair depois embolsando eles mesmo a compensação devida ao clube, como tem acontecido e está a acontecer com o Porto. Por isso mesmo, é melhor vender por menos antes do que por zero depois.

Com tudo isto, Jovane continua a ser uma incógnita, nem ele nem o Sporting sabem com o que podem contar. Se as lesões o deixarem em paz, se o trabalho dedicado da estrutura médica e de alto rendimento do clube conseguir ajudar a resolver o problema, vai ser sem dúvida o nosso melhor reforço da 2ª metade da época.

Mas para já foi e será para sempre o nosso herói de Leiria como Miguel Garcia o é de Alkmaar. 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Pódio: Jovane, Pedro Gonçalves, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-FC Porto (meia-final da Taça da Liga) pelos três diários desportivos:

 

Jovane: 22

Pedro Gonçalves: 17

Coates: 16

Matheus Nunes: 15

Feddal: 15

Palhinha: 14

Nuno Santos: 14

Antunes: 12

João Mário: 11

Adán: 11

Gonçalo Inácio: 11

Porro: 11

Tiago Tomás: 10

Daniel Bragança: 6

Plata: 6

 

Os três jornais elegeram Jovane como melhor jogador em campo.

Ceição, Ceição, rima com... melão

 

A gente não jogou grande coisa, é verdade.

Eles marcaram um golo daqueles que nem nos distritais se sofre, que o Marega era logo ceifado a meio daquela corrida toda. E deram a coisa como arrumada e encostaram-se lá atrás.

O Amorim demorou meia parte para tirar o João Mário, que parece que tem cola nas pantufas ultimamente e desta vez meteu o Jovane Cabral, que rima com... festival, que foi aquele primeiro golo, a passar por um carreiro deixado limpo pela defesa e se virem, até parece ter sido desenhado a régua e compasso e foi executado com tal maestria que me fez lembrar o grande tomarense Fernando Lopes-Graça, a dirigir uma qualquer orquestra, ou os seus cantores da Academia dos Amadores de Música, numa das Canções Heróicas, como herói foi ontem o nosso menino Jovane, como que a cantar bem alto o "Acordai" para os colegas. Que bem lhe souberam, certamente, aquelas lágrimas no final do jogo. Houvesse público e a ovação teria sido de pé.

E depois,  logo a seguir, ainda o Ceição estava a guardar o primeiro melão, o Jovane deu-lhe cabo do coração!

A gente não jogou grande coisa, é certo, mas o que conta são as que batem lá dentro e assim sendo, Ceição, toma Kompensan que isso ajuda. Ou ouve Lopes-Graça, que relaxa.

«Jovane é fisicamente 'anormal' para a idade que tem»

Estrutura visível

João de Deus vinca que o desenvolvimento de Jovane se deve, em grande parte, ao trabalho de Carlos Bruno, preparador físico dos leões e responsável pelo laboratório de otimização do rendimento da Academia. "Tem muito mérito. Ele trabalha na sombra, mas na verdade é, talvez, o maior responsável pelo Jovane ser o que é hoje", sublinhou João de Deus.

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Chama-se Carlos Bruno Charrua, foi preparador físico do Sporting Clube de Portugal desde 1998 até ao mais recente despedimento colectivo.

Parabéns, caro Carlos Bruno. Muito obrigada pelo EsforçoDedicação e Devoção ao longo dos últimos 23 anos e os meus sinceros votos de boa sorte nesta nova etapa.

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Ficam as palavras de quem melhor o conhece e a certeza de que muita da Glória da última noite, é sua. 

 

Imagem de Carlos Bruno daqui

Perfil IG Francisco Geraldes

O dia seguinte

Dizem que Sérgio Conceição nasceu e cresceu Sportinguista, o clube da aldeia dele é o Ribeirense, uma filial do Sporting. Se calhar por isso mesmo, sempre com o cérebro meio baralhado por tantas emoções do passado ou a antecipar excursões futuras a Lisboa na reforma, tem sido um contribuinte fiel e dedicado de taças para o museu do Sporting. Foi a Taça de Portugal no tempo do Marco Silva, a Taça da Liga e a Taça de Portugal no tempo do Marcel Keizer, e agora com Rúben Amorim fez o que estava ao seu alcance para levar para lá mais uma, especialmente quando tirou o Marega do campo para pôr lá o Tony, o Jovane encarregou-se do resto. Depois lá disfarçou na flash-interview como pôde: falou dum jogo que só ele viu, à moda do tal papagaio vermelho, falou num clube regional sempre a lutar contra tudo e contra todos, enfim, lá disfarçou a coisa. Agora tem de ser o Sporting a concluir a tarefa, temos de ganhar a final ao Benfica A ou B (este distingue-se pelas mangas brancas), mas acredito que vamos conseguir, até para não deixar mal o nosso Serginho.

Foi interessante ver o jogo ouvindo o ex-treinador Vitor Pereira a preparar o terreno para o regresso, e a explicar porque é que o Porto joga tão pouco, diz ele que faltam muitas entrelinhas e momentos de superioridade a meio-campo. Realmente o Porto de ontem realmente quase se resumiu aos momentos de inspiração de Corona e de Marega, este último consegue até marcar um golo num raide de 1 contra 5. Mas isso também aconteceu porque o Sporting não deixou. Não é nada fácil ganhar a este Sporting sub-23 reforçado.

Se calhar alguns Sportinguistas ainda não se deram bem conta da qualidade do treinador que têm. O Sporting venceu ontem o Porto não com Maregas e Coronas, mas com Gonçalo Inácio (18), Tiago Tomás (18),  Plata (20), Porro (21), Daniel Bragança (21), Pedro Gonçalves (22), Jovane Cabral (22) e Matheus Nunes (22). Todos eles, naturalmente falhando um lance ou outro, estiveram a um nível elevado, adultos e concentrados, interpretando muito bem o 3-4-3 de Amorim. Conjuntamente com os mais velhos,  Adán, Coates, Feddal, Antunes, Palhinha, João Mário, Nuno Santos, conseguiram aguentar o Porto, e estando a perder a 15 minutos do fim, tiveram a confiança e a audácia para ir para cima deles e reverter o resultado. Como quase fizeram em Alvalade, recordam-se que o Vietto falhou aquele golo de cabeça mesmo a terminar a partida? 

Bom, agora lá se vai a ideia de fazer descansar os mais utilizados, e por exemplo João Mário e Nuno Santos precisam mesmo duma pausa. Chegados aqui agora só pode ser mesmo para entrar com tudo e levar a Taça.

Acreditemos neste treinador, nesta equipa e nestes jogadores, mesmo quando as coisas não correm tão bem como ontem.

 

PS1: Brilhante Jovane. Mereces uma estátua algures em Alvalade. O que seria da tua carreira se não passasses metade dela na enfermaria? Isso tem de acabar, duma vez por todas.

PS2: Muito bem Frederico Varandas. Pode não se gostar da pessoa ou do seu estilo de comunicação, mas esteve ontem também ele brilhantemente na defesa da ética médica, da verdade desportiva e do Sporting Clube de Portugal, contra o sistema mafioso por demais enraizado no futebol português.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Quente & frio

Gostei muito da vitória do Sporting esta noite, no estádio municipal de Leiria: eliminámos o FC Porto na meia-final da Taça da Liga e disputaremos a final no próximo domingo contra Benfica ou Braga. Foi um triunfo sofrido, esforçado, mas que revelou o melhor da dinâmica leonina e da entreajuda de uma equipa que sabe funcionar em bloco, fazendo das fraquezas força quando é necessário. Mesmo a perder por 0-1, após uma rosca bem sucedida de Marega que traiu Adán aos 80', soubemos ir para cima deles e acreditar até ao fim. Tornando ainda mais saborosa a vitória, conseguida com dois extraordinários golos de Jovane em oito minutos: o primeiro aos 86', com um remate colocadíssimo, em arco, que sobrevoou toda a defesa adversária; o segundo aos 90'+4, coroando um rápido contra-ataque lançado por Coates e prosseguido com assistência de Pedro Gonçalves, a escassos segundos do apito final, fixando o resultado. Desta vez não houve necessidade de apurar o finalista por grandes penalidades. E ultrapássamos um mini-ciclo de dois jogos sem ganhar (derrota contra o Marítimo, na Madeira, para a Taça de Portugal e empate em casa com o Rio Ave para o campeonato).

 

Gostei das substituições feitas por Rúben Amorim, insatisfeito com o ritmo do nosso jogo - e sobretudo com a nossa incapacidade de ganhar bolas divididas a meio-campo. O treinador acertou nas alterações produzidas, confiando nos jogadores vindos do banco e no brilho da sua estrelinha da sorte, que voltou a funcionar. Matheus Nunes (que entrou aos 69', substituindo João Mário) trouxe adrenalina e velocidade à nossa zona intermédia, impondo-lhe dinâmica ofensiva. Jovane (que entrou aos 78', para o lugar de Tiago Tomás) trouxe golo, bisando contra o FCP neste clássico em que se estreia como goleador e se sagra como figura da partida. Daniel Bragança (que entrou aos 85', rendendo um fatigado Palhinha) veio reforçar a qualidade técnica no corredor central e Plata (que entrou aos 85', substituindo Antunes) causou desequilíbrios lá na frente, sacando um livre muito perigoso aos 90'+2. Também gostei da eficácia que revelámos: em três ocasiões de golo, aproveitámos duas. Quantas vezes podemos gabar-nos disto?

 

Gostei pouco de algumas exibições da nossa equipa. Sobretudo de João Mário, que voltou a pecar por falta de intensidade. O campeão europeu perdeu quase todos os duelos individuais: muito passivo, foi incapaz de dar verticalidade ao jogo leonino. Também Antunes, que desta vez alinhou a titular, ficou muito aquém daquilo que o Sporting necessita no corredor esquerdo: parece muito mais um lateral à moda antiga, especializado em anular o jogo adversário, do que o ala dinâmico exigido pelo sistema táctico de Amorim. Incompreensível a incapacidade que revelou em dominar bolas que lhe iam chegando ou de fazer um cruzamento bem medido.

 

Não gostei das ausências de quatro jogadores nossos por Covid-19: Neto, Nuno Mendes, Sporar e Tabata. E ainda gostei menos que dois deles - Nuno e o esloveno - tenham continuado sem ir a jogo mesmo após o laboratório de análises ter admitido um lapso nos testes efectuados e logo desmentidos por dois outros, que se revelaram negativos. Estranho lapso que merece ser investigado até à exaustão, até porque o director-geral da Unilabs é um fervoroso adepto portista. Incompreensível, a decisão tomada pela Direcção-Geral de Saúde de proibir quase à última hora aqueles dois jogadores de disputarem esta meia-final apesar de não haver qualquer indício de que estejam infectados. Cedendo aparentemente à chantagem do FC Porto, que fez birra ao ponto de ameaçar não entrar em campo. Como se fosse Dono Disto Tudo.

 

Não gostei nada da falta de fair play revelada por Sérgio Conceição, confirmando que continua sem saber perder. Em vez de dar os parabéns ao Sporting por ter vencido, o treinador campeão nacional foi à zona de entrevistas rápidas, logo após o fim da partida, dizer que «o adversário [Sporting] não fez nada para conseguir» este triunfo, que a seu ver terá «caído do céu». O técnico portista tinha motivos para sentir azia: esta derrota frente ao Sporting quebrou-lhe uma sucessão de 17 jogos sem perder. É um facto que jogou sem vários titulares: Marchesin, Otávio, Sérgio Oliveira, Luis Díaz e Taremi estiveram ausentes por castigo, por Covid ou por opção técnica. Mas também é verdade que três dos nossos ficaram igualmente de fora. E fica-lhe muito mal tamanha falta de desportivismo, imprópria de um verdadeiro líder.

A táctica do martelo

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Na conferência de imprensa de antevisão do jogo de ontem, quando lhe pediram para comentar a escolha de Jovane em detrimento de Sporar para o jogo inicial, Rúben Amorim disse o seguinte: «São jogadores de características diferentes. Estamos a apostar de início no Jovane que com a sua indisciplina tática cria espaço e depois temos dois jogadores, como o Pedro Gonçalves e o Nuno Santos, que estão a saber ler bem as movimentações do Jovane. Quando é o Sporar é porque escolhemos ter uma pessoa mais fixa no centro e que apareça mais vezes na área do que o Jovane. Depende muito do que o jogo está a pedir. Aliás, tem-se visto que nos últimos jogos tenho substituído sempre o Jovane pelo Sporar. Não porque um está a jogar mal, mas porque é o que o jogo está a pedir».

Quando as coisas não estão a funcionar, Amorim, mantendo o sistema táctico, mas trocando jogadores e alterando posições, ao mesmo tempo que coloca o tal ponta de lança que ocupa o espaço, parece de alguma forma também apostar na tal indisciplina táctica como forma de desmontar bloqueios e marcações, e fazer com que o talento dos jogadores resolva os problemas que o modelo de jogo definido não consegue resolver.

Nestes três últimos jogos, não há dúvida que a fórmula da tal indisciplina táctica funcionou. Foram um empate e duas vitórias conseguidas nos últimos minutos das partidas, sinal que os jogadores estão com ele e acreditam na mensagem que lhes é passada. Nunca é de mais lembrar que muitos desses jogadores são jovens nados e criados em Alcochete, não são Alans nem Bryans Ruizes (que me perdoe o Bryan pela companhia), vindos de longe e pagos a peso de ouro.

No entanto, cada vez mais se nota que os adversários estudam a forma de jogar do Sporting, sabem como anular as suas dinâmicas e falta a tal via alternativa ou a "táctica do martelo", ou seja, ter a capacidade de num remate de longe, na sequência dum canto, dum livre frontal ou lateral, num lançamento de bola lateral, pôr a bola lá dentro e assim, meio do nada, dar uma martelada forte na moral do adversário. Pelo contrário, as tais marteladas temos sofrido nós: logo com o Lask levámos uma e ainda ontem, num desvio de classe do gilista, que deixou Adán sem reacção, levámos outra que nos ia custando a derrota. Sem resolver esta questão nas duas áreas, marcar assim e não sofrer assim, não podemos ter grandes veleidades. 

Para isso, além do treino específico que Palhinha, Coates, Feddal e Neto terão de fazer,  bem como os especialistas do remate de meia distância, há uma coisa que me parece essencial: entrarmos em campo com um ponta de lança.

E como Acosta, Jardel, Liedson, Slimani ou Bas Dost não podem, já cá não estão, então temos de entrar em campo com... Sporar. 

SL

Balanço (35)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - V

 

Jovane, no Sporting-Paços de Ferreira

(12 de Junho de 2020)

 

Jovane já tinha sido crucial na jornada anterior, com uma assistência para golo e ao sofrer uma falta que fez expulsar um adversário. Desta vez não teve rival em campo: foi mesmo ele o melhor, fazendo a diferença. Marcou um golão, de livre directo, aos 65': a bola embateu na barra, cheia de colocação e força, entrando de seguida.

 

Balanço (22)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre JOVANE:

 

- Edmundo Gonçalves: «Um regresso que se saúda e em grande. Oxalá seja aposta.» (27 de Janeiro)

- José Cruz: «A melhor maneira de calar os idiotas não é com palavras idiotas, é com trabalho e talento. E isso Jovane tem de sobra.» (19 de Junho)

- Luís Lisboa: «Jovane Cabral, Coates e Wendel, simplesmente irreconhecíveis para melhor.» (19 de Junho)

- Paulo Guilherme Figueiredo: «Um jogador raçudo, sempre à procura da bola e a melhorar no momento da decisão.» (27 de Junho)

Eu: «O jovem caboverdiano fez a diferença não apenas neste lance decisivo mas ao longo de todo o desafio, em que foi sempre o mais criativo e o maior desequilibrador. Soma e segue.» (10 de Julho)

Leonardo Ralha: «Conquistou os três pontos na raça, ganhando posição na grande área e esticando a perna para desviar a bola para as redes mesmo com a ponta da chuteira. Bastaria para ser o homem do jogo, mas também foi o mais rematador, o mais intenso e o mais capaz de ser ídolo de adeptos cada vez mais órfãos de referências.» (15 de Julho)

- António de Almeida: «Vai agitando as águas, mas é curto.» (26 de Julho)

- Eduardo Hilário: «Tem o ADN do Sporting e [deve] ficar por cá mais alguns anos.» (5 de Agosto)

Armas e viscondes assinalados: Três pontos ali mesmo na ponta da chuteira

Sporting 1 - Santa Clara 0

Liga NOS - 31.ª Jornada

10 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

O Santa Clara teve três ocasiões flagrantes de golo, chegando a levar a bola a entrar na baliza num golo invalidado por evidente posição irregular, mas os açorianos desterrados deixaram a eficácia na Cidade do Futebol. Sem grandes defesas para executar, Maximiano revelou-se bem melhor no jogo de pés, ao ponto de deixar de ser arriscado atrasar-lhe a bola. Terá certamente mais trabalho na recta final do campeonato, a começar na visita ao FC Porto, e espera-se que dê boa conta de si.

Eduardo Quaresma (3,0)

Retomou a titularidade que se tornou garantida, somando boas acções defensivas e qualidade aliada à precisão na hora de lançar jogo. Há um "golden boy" a nascer em Alvalade.

Coates (3,0)

Além dos cortes e da voz de comando ainda teve ensejo de cabecear com muito perigo num canto, levando a que Idrissa Doumbia encaminhasse a recarga para o fundo das redes já depois de o árbitro assinalar uma falta na área do Santa Clara bem difícil de discernir.

Acuña (3,0)

Interpretou muito bem o papel de terceiro central descaído para a esquerda, mostrando-se intratável no desarme e na posse de bola. Só se esqueceu daquilo que está nas tábuas da lei: qualquer jogador do Sporting que esteja “à calha” em véspera de jogo com o FC Porto ou Benfica verá um cartão amarelo.

Ristovski (3,0)

Sempre muito criticado por não ser um César Prates, um Abel, um Cédric Soares ou sequer um Piccini, muito se esforça quem não tem culpa de que contratações que custaram mais aos cofres leoninos lhe ofereçam a titularidade. Boa recuperação de bola e lançamento de Gonzalo Plata para uma das maiores oportunidades de golo da primeira parte, já agora.

Idrissa Doumbia (2,5)

Chutou para a baliza já depois de o árbitro apitar, impedindo o videoárbitro de esclarecer quem raio fez o quê antes do cabeceamento de Coates. Com o jogo a decorrer não fez melhor, permitindo apenas que o também nada resplandecente Matheus Nunes pudesse repousar.

Wendel (3,5)

Inventou uma nesga de relvado para assistir Jovane Cabral no lance do golo que alimenta as esperanças de manutenção do terceiro lugar. Foi o melhor momento de um jogo de esforço intenso, impondo clarividência no meio-campo e juntando-se sempre que possível ao esforço ofensivo dos extremos endiabrados que jogam à sua frente.

Nuno Mendes  (3,0)

Incansável e inesgotável, voltou a combinar bem com Jovane Cabral, ainda que o ascendente que o novo patrão da equipa exerce sobre o lateral-esquerdo tenha impedido que este rematasse para golo depois de se apoderar da bola na grande área do Santa Clara. O caminho faz-se caminhando.

Jovane Cabral (3,5)

Conquistou os três pontos na raça, ganhando posição na grande área e esticando a perna para desviar a bola para as redes mesmo com a ponta da chuteira. Bastaria para ser o homem do jogo, mas também foi o mais rematador, o mais intenso e o mais capaz de ser ídolo de adeptos cada vez mais órfãos de referências.

Gonzalo Plata (3,0)

Num belo remate no primeiro tempo, bem servido por Ristovski, ficou perto de inaugurar o marcador. No resto do jogo foi mexido, como é de seu timbre, mas não tão desequilibrador como se lhe pede que seja.

Sporar (2.0)

Começou por falhar a emenda de cabeça a um excelente livre indirecto de Jovane Cabral, desviando-a com as costas por cima da barra. E há que reconhecer que o mais perto que esteve de marcar sucedeu quando o guarda-redes do Santa Clara chutou contra as suas pernas, levando a bola a sair caprichosamente ao lado. Muito escasso para quem é titular do Sporting e não saiu propriamente de brinde na compra de um pacote de corn flakes.

Tiago Tomás (2,0)

Tão insuficiente foi o avançado esloveno que Rúben Amorim o substituiu por mais um adolescente, tendo este procurado combinar com os colegas sem consequências particularmente palpáveis.

Matheus Nunes (2,5)

Entrou para retomar o lugar que deverá ser seu nos últimos desafios desta Liga de má memória. Muito do futuro imediato do jovem brasileiro recrutado na Ericeira jogar-se-á no Dragão e na Luz.

Borja (2,5)

Acuña já ficara de fora do jogo seguinte e uma lesão muscular retirou-o também deste. Coube ao internacional colombiano, agora e sempre apavorado como o coiote dos desenhos animados, reocupar o lugar que deixou de ser de Mathieu e deverá passar a pertencer a um marroquino trintão.

Rúben Amorim (3,0)

Mais três pontos para o Sporting, mais uma ou outra experiência, mais uma constatação de que tem graves problemas para resolver no centro do terreno e no centro do ataque. Toda a sua estratégia fica bloqueada pelo fraco desempenho de elementos-chave e as opções no banco são limitadas, por muito que Francisco Geraldes e Pedro Mendes pudessem merecer maior confiança. Certo é que chegou ao fim da fase tranquila do futebol pós-pandemia com vitórias em todos os jogos que não implicaram deslocações ao Minho e sem conhecer a experiência de perder. Caso consiga manter-se assim na visita ao Dragão adiará a festa do FC Porto por uns dias e aumentará as hipóteses de não perder o terceiro lugar que em muito facilitaria, pela entrada directa na fase de grupos da Liga Europa, a preparação da incerta temporada seguinte.

O seu a seu dono

A/C de um certo e manhoso tipo de treinador de bancada

 

É fácil acertar no Totobola às segundas, não é?

Oh... não fiques nesse estado. Respira fundo. Conta até dez e enquanto isso esvazia essa indignação inflamada. Mas, sim, leva lá a bibicleta. Tens razão. Não é às segundas-feiras, pois não. Agora, é a qualquer dia da semana que se pode acertar no Totobola. Afinal, para a Covid-19 ainda não se arranjou treinador à altura, menos ainda de bancada.

Mas, tens razão, toda a razão. Enfim, não nos chateemos por causa disto. Adiante.

Posto isto, diz-me lá, confessa, sff, quantas vezes chamaste nomes ao Wendel? Não te pergunto se o renomeaste, se o rebaptizaste, não quero saber se no decorrer do jogo gritaste qualquer coisa do tipo: "Passa a bola, Wanderlei! Não mastigues o jogo, Wanilson! Não fintes mais, Wanderson!"

Nada disso. Nomes do tipo palavrão é sobre esses que indago. Peço-te que partilhes connosco do alto da cátedra que tiraste no lugar que tens no primeiro ou no segundo anel de Alvalade, no aconchego do teu sofá ou da lamuriosa mesa de um qualquer café com Sporttv que frequentas; diz-nos lá: Quantas vezes chamaste nomes ao Wendel e à mãe dele, já agora? 

Muitas, calculo. Muitas mesmo. Tantas que parecerão ainda mais quando comparadas com as nulas vezes em que vislumbraste no brasileiro o maestro da orquestra que ele é hoje. Mas tu podias lá vislumbrar esse talento. Podias lá fazê-lo quando talento para o futebol só tens o de dizer mal. A mesma estafada maledicência que não reconhece que foi preciso chegar a Alvalade alguém que é mesmo treinador, e que é visto da bancada, para revelar um Wendel de batuta nas botas. 

E ao Jovane? Ainda a ele não lhe passava pela cabeça descolorá-la e tu o que dizias que ele tinha nela? Nada, não era? Não gritavas tu que a cabeça do caboverdiano era incapaz de ordenar dribles imparáveis ou sprints de bola dominada no pé rumo à baliza adversária? Não sentenciavas tu que a cabeça do Jovane não tinha capacidade para executar rápido a jogada mais improvável ou o remate mais certeiro? Não declaravas tu que ele era mais um brinca-na-areia inconsequente? 

Tenho a certeza que tudo isto que gritavas, às vezes urravas, do alto do teu douto desconhecimento do esférico, o repetias para o Plata. 

Os três já estavam em Alvalade antes de cá chegar Rúben Amorim, não estavam? Mas ninguém os pôs a jogar bem, verdadeiramente bem, pois não? 

No entanto, mesmo que esta tripla encante o verdadeiro adepto de futebol com o belíssimo futebol que nos oferece, tu continuas a dizer mal. Dos três jogadores e de tudo o resto.

Talvez o faças, afinal, roído de inveja. Inferior ao facto de que quem revela os fantásticos dotes futebolísticos dos três craques acima enunciados é um treinador que custou uma fortuna, que tem pouco currículo e ainda uma costela do grande rival. Todos estes rótulos para ti serão sempre mais fortes, relevantes e importantes do que a evidência da qualidade técnica-táctica e de liderança do treinador que chegou ao clube pela mão de um presidente que tu reprovas. E reprovarás sempre, mesmo que o Sporting venha a ser campeão durante o seu mandato. O mesmo presidente que parece estar a acertar o passo e a apostar definitivamente na formação. Essa mina de coisa preciosa achada em Alcochete e que põe ainda em campo craques como Eduardo Quaresma, Matheus Nunes ou Nuno Mendes. 

Já sei, já sei...! Já os conhecias a todos. Pois, olha, humildemente te digo, que eu passei a conhecê-los pela batuta do Rúben Amorim, durante a presidência de Frederico Varandas.

O seu a seu dono.

Pódio: Jovane, Wendel, Eduardo Quaresma

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Santa Clara pelos três diários desportivos:

 

Jovane: 18

Wendel: 17

Eduardo Quaresma: 15

Acuña: 14

Coates: 14

Luís Maximiano: 14

Nuno Mendes: 14

Plata: 13

Ristovski: 13

Matheus Nunes: 12

Idrissa Doumbia: 12

Borja: 11

Tiago Tomás: 10

Sporar: 10

 

Os três jornais elegeram Jovane como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

De vencer o Santa Clara. Não esteve fácil, mas derrotámos a turma açoriana que "emigrou" há um mês para o continente, instalando-se na chamada Cidade do Futebol. Por um tangencial 1-0 que fixou o resultado desta partida em Alvalade, contra uma equipa que em Junho derrotou Braga e Benfica.

 

De Jovane. Novamente o melhor em campo. Voltou a valer-nos três pontos ao metê-la lá dentro, dando a melhor sequência a um magnífico passe vertical de Wendel, empurrando a bola para a baliza com o pé esquerdo sem a deixar cair no chão. Estavam decorridos 67'. O jovem caboverdiano fez a diferença não apenas neste lance decisivo mas ao longo de todo o desafio, em que foi sempre o mais criativo e o maior desequilibrador. Soma e segue.

 

De Wendel. Outra partida de grande nível do jovem brasileiro, que em boa hora regressou ao onze titular depois de ter ficado no banco contra o Moreirense. Erro que o técnico corrigiu: este é um jogador que deve actuar sempre de início. Ninguém como ele neste Sporting transporta a bola com tanta qualidade nem exibe tanta precisão de passe, como ficou bem evidente na preciosa assistência dele para o golo.

 

De Nuno Mendes. Outro regresso ao onze titular. Menos exuberante do que os seus colegas já mencionados mas nem por isso menos útil na manobra colectiva da equipa, como médio-ala. Foram dele os melhores cruzamentos (superiores aos de Ristovski, na ala oposta) e protagonizou várias tabelinhas com Jovane que levaram sempre perigo ao reduto açoriano. Pena ter desperdiçado uma soberana oportunidade de ampliar a vantagem, de frente para a baliza, aos 75': lateralizou em vez de disparar, como se impunha. De qualquer modo, vai consolidando a presença na equipa principal depois de se ter destacado na Liga Revelação. Não custa vaticinar-lhe um futuro muito promissor.

 

De Plata. Esteve longe de uma exibição perfeita, mas volta a merecer nota muito positiva. Por ser combativo, veloz e criativo, sobretudo nas movimentações da linha para o centro do terreno, baralhando as marcações adversárias: a qualquer momento pode criar perigo e fazer a diferença. Ao minuto 90', foi claramente derrubado à margem das regras dentro da grande área do Santa Clara. Era penálti, que o árbitro não assinalou.

 

Da nossa organização defensiva. Amorim continua a formatar a equipa de acordo com as suas ideias, construindo-a de trás para a frente. É no reduto mais recuado que já mais se nota a intervenção do técnico: o Sporting deixou de ter os desequilíbrios defensivos que antes evidenciava, nomeadamente nos lances de bola parada, que provocavam calafrios nos adeptos (mesmo em dias quentes, como este foi). Os números confirmam: nos últimos oito jogos, sofremos apenas quatro golos. Nos oito anteriores, tínhamos encaixado nove. As actuais exibições podem não ser ainda muito vistosas, mas são bastante mais seguras.

 

Da contínua aposta em jovens. Terminámos o jogo com oito jogadores sub-23: Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Wendel, Nuno Mendes, Jovane Cabral, Gonzalo Plata, Matheus Nunes e Tiago Tomás. Um facto que merece registo: está a nascer o Sporting do futuro.

 

Da "estrelinha" do treinador. Rúben Amorim, técnico com fama de sortudo, soma agora dezassete jogos sem perder no campeonato. Só é pena que nove desses jogos tenham sido ao serviço do Braga. No Sporting, regista seis vitórias (Aves, Paços de Ferreira, Tondela, Belenenses SAD, Gil Vicente e Santa Clara) e dois empates (em Guimarães e Moreira de Cónegos). Mantém-se invicto.

 

 

Não gostei
 
 

Do empate a zero ao intervalo. O Santa Clara aferrolhou os caminhos para a sua baliza, montando uma dupla linha de três defensores que foi neutralizando os cruzamentos leoninos. Os dois guarda-redes tiveram pouco trabalho durante toda a primeira parte, muito empastelada e com raros momentos de emoção.

 

De Sporar. Quarto jogo consecutivo do internacional esloveno sem marcar. Persiste em estar no local errado à hora errada, sem abrir linhas de passe, incapaz de se libertar das marcações. Como se lhe faltasse instinto goleador. Quando a bola vai ao primeiro poste, ele está junto do segundo - e vice-versa. Parece chegar sempre ligeiramente antes ou ligeiramente depois do preciso instante em que é necessário para a meter lá dentro. E continua sem ganhar lances aéreos, algo pouco recomendável num ponta-de-lança.

 

De Idrissa Doumbia. O técnico deixou desta vez Battaglia no banco, voltando a dar talvez a última oportunidade ao marfinense, que não soube aproveitá-la. Pareceu um elemento estranho à dinâmica da equipa, congelando os lances quando devia acelerá-los. Incapaz de transportar a bola ou de ligar o meio-campo às zonas mais adiantadas, prefere lateralizar as jogadas ou abusar dos atrasos, como voltou a acontecer. Continua a exibir evidentes deficiências técnicas, nomeadamente no posicionamento defensivo. É um sério candidato a abandonar o Sporting no final da época.

 

Do amarelo exibido a Acuña. O internacional argentino, que estava tapado com cartões, falhará o decisivo jogo da próxima semana contra o FC Porto: foi amarelado aos 64', num lance dividido, nesta partida em que actuou como improvisado central esquerdino até ser rendido por Borja, aos 84'. Vai fazer-nos falta no Dragão.

 

Do árbitro. Chama-se António Nobre: apesar de ter nome de poeta, jamais o imaginaríamos a escrever um soneto de amor ao Sporting. Muito pelo contrário, teve um duplo critério no plano disciplinar, contemporizando com o jogo faltoso da turma visitante, e errou em toda a linha ao perdoar um penálti ao Santa Clara por derrube de Plata no minuto 90. Foi a terceira grande penalidade favorável ao Sporting que ficou por assinalar em dois jogos consecutivos. Só por manifesta ingenuidade alguém acreditará que é mera coincidência.

Armas e viscondes assinalados: Em equipa que mexe não se ganha

Moreirense 0 - Sporting 0

Liga NOS - 30.ª Jornada

7 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

A principal intervenção do jovem guarda-redes consistiu em resolver um atraso mal calculado de Gonzalo Plata que o apanhou em contramão. Houve momentos de maior perigo, devido à inquietante superioridade aérea do Moreirense na grande área do Sporting, mas nesses lances Maximiano pouco ou nada poderia fazer e coube à sorte que ninguém dirigisse a bola para o fundo das redes, limitando-se numa ocasião a acertar nas redes laterais.

Neto (3,0)

Resgatado do esquecimento a que foi votado enquanto suplente de Coates, aproveitou a necessidade imperiosa de fazer descansar um fatigado adolescente para voltar a jogar. Sem a desenvoltura na saída com bola demonstrada por Eduardo Quaresma, há que reconhecer que o veterano internacional português esteve bastante acertado no passe longo, nada catastrófico na construção de jogo e razoavelmente eficiente nas tarefas defensivas.

Coates (3,0)

Mais uns excelentes cortes e desarmes para a exposição permanente do Museu Sebástian Coates de Cortes e Desarmes, com posicionamento irrepreensível e serenidade quase irritante. Referência número 1 para os cruzamentos e bolas paradas, venceu nas alturas mas não nas trajetórias de cabeceamento, não conseguindo melhor contributo para o ataque leonino do que ser pública e notoriamente agarrado pela camisola na pequena área da equipa da casa em tempos de desconto. O videoárbitro Jorge Sousa chamou a atenção para o facto e o apitador Tiago Martins encarregou-se de ignorar a falta para grande penalidade que poderia valer os três pontos que manteriam o sonho do segundo lugar durante uns dias mais.

Borja (2,5)

Além do pânico que irradia quando tem a bola sob a custódia das chuteiras, pouco de errado fez durante os longos minutos que permaneceu no relvado. Não foi pelo colombiano que ficaram mais dois pontos esquecidos no Minho.

Ristovski (2,5)

Menos incisivo e eficaz no apoio ao ataque do que nos últimos jogos, o macedónio também esteve longe de ser a muralha capaz de conter um Moreirense que esteve melhor do que o Sporting em partes significativas do encontro. Quando foi substituído nem ele pareceu capaz de apresentar recurso da decisão para uma instância superior.

Matheus Nunes (2,0)

Faltou-lhe um terceiro remate em zona frontal para conseguir levar a bola a sair do estádio em vez de ficar nas últimas filas da bancada vazia. E na manobra do meio-campo também ficou longe de ser brilhante, reforçando a impressão de que as notícias acerca da futura venda que pagará a cláusula de rescisão de Ruben Amorim talvez sejam manifestamente exageradas.

Battaglia (2,0)

Mais um jogo excessivamente faltoso e desinspirado, demonstrando que o elenco do miolo do terreno é um calcanhar de Amorim no sistema táctico em implementação.

Acuña (3,0)

Regressou ao onze titular sem a disponibilidade física do adolescente que o substituiu nos últimos jogos, mas com a qualidade técnica e combatividade que lhe foram cozidas à pele. Não deixa de ser curioso que nos últimos minutos tenha sido mais útil à equipa enquanto terceiro central descaído para a esquerda. Ainda estamos a tempo, antes de o argentino ser vendido a preço de amigo, na sequência da notícia sobre o “apertão” que deu a Jovane Cabral, de experimentar o que valerá enquanto ponta de lança.

Jovane Cabral (3,0)

Pode muito bem padecer de excesso de individualismo, como tende a acontecer aos futebolistas que fazem muitos golos, assistências e são eleitos jogadores do mês, mas o regresso do extremo que aprecia flectir para o centro foi uma lufada de ar fresco no futebol do Sporting. Derrubado na grande área do Moreirense logo ao início, provavelmente quando o videoárbitro ainda degustava uma francesinha, procurou levar a equipa consigo, mas não raras vezes pareceu ressentir-se das ausências de Nuno Mendes e de Wendel. Quando um e outro saíram do banco de suplentes melhorou de rendimento, ainda que sem repetir a precisão nos livres directos, e mesmo depois do segundo pénalti sonegado ao Sporting ficou muito perto de desfazer a empate a zero no remate em arco que encerrou o jogo.

Gonzalo Plata (2,5)

A mesma velocidade que lhe permitiu marcar ao Gil Vicente em Alvalade forçou Halliche a derrubá-lo e a ver o cartão vermelho após perder a bola em zona proibida. Mago das fintas ainda com défice de pragmatismo, o jovem equatoriano acabaria por terminar o jogo como uma espécie de lateral-direito, funções nas quais não se distinguiu por aí além.

Sporar (2,5)

Ficou em posição em remate uma vez ao longo do jogo, disparando de ângulo complicado para defesa do guarda-redes caseiro. Sendo admissível que o sistema não privilegie quem ocupa a sua posição, é impossível não exigir mais a quem trabalha para a equipa e demais chavões.

Wendel (2,5)

Entrou tarde e não conseguiu impor completamente o seu jogo, mas a maior presença do Sporting no meio-campo contrário teve a ver, em partes iguais, com a superioridade numérica depois da expulsão de Halliche e com a influência do jovem-mas-já-não-tão-jovem brasileiro.

Nuno Mendes (3,0)

Foi um regalo ver entrar o recém-chegado à maioridade que joga como se pertencesse ao plantel principal há uns quantos anos, que centra como mais nenhum dos colegas – o que faria o Bas Dost pré-invasão com aqueles cruzamentos... – e que combina inteligência táctica e disponibilidade física. Com tantas lacunas no plantel é de pensar se Acuña não poderá ser aproveitado noutra posição.

Joelson Fernandes (2,0)

Alguns fogachos de quem poderá ter muito futuro e deverá ser gerido com cuidado, entrando sobretudo em jogos em que os três pontos já estejam no cofre.

Ruben Amorim (2,0)

Saberá melhor do que os observadores externos o motivo profundo para mexer tanto na equipa titular, retirando quem jogou mal e quem jogou bem, mas dificilmente poderá questionar que o resultado não foi brilhante. O regresso de Jovane Cabral até poderia ter garantido tranquilidade desde cedo, em vez do crescente domínio da equipa da casa, motivado pela superioridade numérica no meio-campo e desinspiração dos poucos que por lá andavam. Sem a inteligência do suplente Wendel ou dos lesionados Francisco Geraldes e Vietto, dependeu demasiado do individualismo dos extremos e nem ver-se com mais um em campo melhorou por aí além o desempenho da equipa. Nota final para o facto de só ter realizado 60% das substituições permitidas, o que diz bastante acerca da confiança que deposita num plantel construído de forma desastrosa e que foi perdendo pelo caminho alguns dos melhores (Bruno Fernandes, Raphinha e até o período azul de Bas Dost) e ainda está a criar alternativas. Certo é que, com ajuda do árbitro Tiago Martins e da saída de Bruno Lage do Benfica, o sonho do acesso à Champions esfumou-se e o Sporting de Braga ficou mais parte de recuperar o lugar no pódio que já foi seu.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos e dois golos com “lay-off” a 50%

Belenenses SAD 1 - Sporting 3

Liga NOS - 28.ª Jornada

26 de Junho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Sofreu um golo a seco, sem que Licá tenha colocado primeiro uma musiquinha ou atenuado a iluminação - muito pelo contrário, o jovem guarda-redes teve o sol a fustigar-lhe os olhos na primeira parte -, mas esse dissabor serviu de aviso e ficou atento a outros desvarios de uma linha defensiva que se ressentiu do infeliz pendurar de chuteiras de Mathieu. Conseguiu evitar piores sarilhos sempre que o Belenenses SAD avançava pelo terreno, contribuindo para a tranquilidade pós-reviravolta. Estima-se que aproveite os tempos livres para consultar todos os compêndios que encontre acerca da nobre arte de executar alívios com os pés.

Eduardo Quaresma (2,0)

Quando foi substituído terá sentido um alívio tão grande quanto o dos adeptos - engano ledo e cego desses últimos, como a entrada de Tiago Ilori se apresentou a demonstrar -, pois o prodigioso adolescente viveu uma final de tarde de pesadelo na Cidade do Futebol. Co-autor moral do golo da Belenenses SAD, pois não só colocou atabalhoadamente a bola nos pés de Nilton Varela como deixou Licá em posição regular, sentiu o peso do erro e não mais se reencontrou. Mesmo os cortes oportunos saíram imperfeitos e as tentativas de saída com bola não resultaram. Melhores dias virão, certamente.

Coates (3,5)

Faltaram-lhe asas para impedir o golo do adversário, mas elevou-se nos céus para fazer o empate de cabeça e prestar homenagem ao francês que começou por ser colega e acabou por tornar-se amigo. Imperial como último reduto de uma defesa em dia não, o uruguaio ficou perto de bisar na segunda parte e assumiu como poucos seriam capazes a braçadeira de capitão e o estatuto de resistente, após as transferências de Bruno Fernandes e Bas Dost, o fim da carreira de Mathieu e a lesão de Acuña. Assim de repente, do alto dos seus 29 anos, agora é ele o “velhinho” do plantel.

Borja (1,5)

O adeus de Mathieu levou muitos (alguns dos quais nem sequer seus empresários) a reclamar a titularidade, o jovem central esquerdino com idade de júnior que poucos viram jogar, mas Ruben Amorim foi conservador e atribuiu um lugar no onze a Borja. Foi mais uma oportunidade de observar a falta de clarividência na abordagem dos lances, a escassez de critério com bola e as falhas escusadas de um profissional esforçado que não consegue fazer melhor. E que mais uma vez foi salvo pelo videoárbitro, o qual detectou fora de jogo antes de Borja ter cometido falta para grande penalidade.

Ristovski (3,0)

Muito sofreu no arranque do jogo, soterrado numa avalancha ofensiva da equipa da casa emprestada, mas logrou avançar no terreno e deixar marca no resultado. O cruzamento que permitiu a Jovane Cabral rematar de forma acrobática demonstra que o macedónio é bem melhor do que lhe dão crédito, repetindo a assistência na segunda parte, desta vez num cruzamento rente à relva para os pés de Francisco Geraldes, que quase elevou o resultado para 1-4.

Nuno Mendes (3,0)

Manteve a velocidade, maturidade e consistência que ameaçam fazer de si uma figura do futebol português. Mesmo afectado pela saída precoce de Jovane Cabral manteve-se em excelente ritmo, aproveitando a janela aberta pela lesão de Acuña.

Matheus Nunes (3,0)

Teve muito trabalho no arranque do jogo e reviengou por entre adversários como se nada fosse. Começa a ser claro que tem capacidade de sobreviver à hipérbole presidencial com que foi presenteado.

Wendel (3,0)

Voltou a ser maestro na construção de jogo, melhorando bastante depois do intervalo. Convém que assuma o estatuto de veterano prematuro do plantel, assumindo ter voz de comando.

Jovane Cabral (4,0)

Assume-se como o melhor jogador da Liga NOS no desconfinamento, acumulando exibições que estão longe de se explicar apenas com a boa condição física. Acelerador das partículas de futebol leonino, Jovane Cabral rematou de forma acrobática e espectacular no golo que selou a reviravolta e urdiu na perfeição a troca de bola com Sporar que resultou no pénalti marcado à segunda tentativa. Problemas físicos levaram a que fosse substituído ao intervalo (tal como farão com que fique de fora da recepção ao Gil Vicente), comprovando que se consegue ser muitíssimo produtivo mesmo estando em “lay-off” a 50%. Resta saber se o peso da sua ausência será tão sentido quanto a da sua presença.

Gonzalo Plata (3,0)

Fez por assumir mais o jogo após a saída de Jovane Cabral, mas ainda lhe falta objectividade e, no limite, golo nos pés. Já arriscou bastante, mas tem de arriscar mais para subir mais alguns degraus.

Sporar (3,0)

Surpreendentemente decisivo para um avançado que ficou em branco, o esloveno não só “sacou” um pénalti como desviou as atenções da defesa, permitindo a Jovane acorrer sossegado ao cruzamento de Ristovski. Mesmo quando se viu mais sozinho deu luta aos centrais da Belenenses SAD e fez sempre pela vida, abrindo espaços para os colegas.

Francisco Geraldes (3,0)

Teve direito a meio jogo e tirou partido do voto parcial de confiança, mostrando-se rematador e empenhado em deixar marca. Encontrou pela frente um excelente guarda-redes, o que impediu maior glória a recompensar o esforço, dedicação e devoção. Mas fez a pré-candidatura ao onze titular e à permanência no plantel na próxima temporada, curiosamente pouco depois de ter dado uma entrevista em que confessou ver o seu potencial demasiado irrealizado.

Tiago Ilori (1,5)

Regressou à equipa para salvar Eduardo Quaresma de si próprio, mas nada de melhor conseguiu fazer do que o adolescente no relvado, recordando os adeptos daqueles tempos infaustos em que era visto com maior frequência de leão ao peito. Salvo pelo videoárbitro num lance de contra-ataque da Belenenses SAD, mostrou que a porta de saída deveria ser serventia da casa.

Idrissa Doumbia (2,5)

Descomplicado e despretensioso, refrescou o meio-campo defensivo com pouco brilho e muito razoável eficiência. Talvez possa ser útil ao plantel, talvez possa evoluir, mas manter João Palhinha nos quadros do Sporting seria melhor ideia.

Rafael Camacho (1,5)

Conseguiu-se fintar-se a si próprio nas tentativas de envolvimento na manobra ofensiva. Ristovski poderá não ser um Zambrotta, mas Rafael Camacho não é, definitivamente, a aposta mais segura para pôr termo à maldição da camisola 7.

Battaglia (2,0)

Poucos minutos em campo, sem cometer erros graves ou justificar o estatuto de que goza no plantel desde o resgate pós-rescisão.

Ruben Amorim (3,5)

Resistiu a arriscar em Gonçalo Inácio e também não deu a estreia a Joelson Fernandes que muitos sportinguistas esperavam, preferindo jogar pelo seguro com a entrada do tecnicista Francisco Geraldes após Jovane Cabral dar sinal de problemas físicos. Aceita-se o conservadorismo do treinador, claramente insatisfeito com a forma como a equipa se deixou pressionar no arranque do jogo, tal como se deve salientar a estrelinha da sorte que o leva a observar o descalabro dos rivais directos, a jusante e a montante, ao ponto de uma vitória na recepção ao Gil Vicente (sem Mathieu, Acuña, Vietto e Jovane Cabral...) poder colocar o Sporting a nove pontos do Benfica e com cinco de vantagem sobre o Sporting de Braga.

Pódio: Jovane, Geraldes, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Belenenses SAD-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Jovane: 20

Francisco Geraldes: 17

Coates: 17

Ristovski: 16

Wendel: 16

Plata: 15

Luís Maximiano: 14

Sporar: 14

Matheus Nunes: 13

Borja: 13

Nuno Mendes: 13

Idrissa Doumbia: 12

Ilori: 12

Rafael Camacho: 11

Eduardo Quaresma: 11

Battaglia: 6

 

Os três jornais elegeram Jovane como melhor jogador em campo.

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