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És a nossa Fé!

Reforços ou nem tanto (parte 2)

Mais algumas novidades se vão sabendo. Demirel, J.Silva, T.Djaló e Kiki (B/Sub23) estão de saída a título definitivo, Lumor a título de empréstimo com opção de compra, podendo render no conjunto uns 10 milhões de Euros. Pouco, muito, assim assim, não faço ideia.

Dos reforços, Luiz Phellype demonstrou ontem que tem valor mas ainda está muito aquem das necessidades do Sporting, se calhar como Doumbia e F.Geraldes. Veio mais um médio brasileiro de 20 anos para os sub-23, ou talvez para a futura equipa B.

Uma boa notícia é mesmo essa, o Sporting está a tentar retomar a equipa B na próxima época, à luz de algum protocolo de excepção. Foi mais uma decisão desastrosa do destituido, que nos colocou fora duma competição que é uma importante rampa de lançamento para a primeira equipa, como se viu no passado no Sporting e se pode ver no Benfica de hoje com R.Dias, Gedson e J.Felix.

A pior notícia será mesmo a saída de Acuna, mais uma assistência para golo, e uma raça que não tem mesmo equivalente no plantel, plantel esse muito carente de estrutura e intensidade física, pelas razões que conhecemos.

A grande interrogação é o que se passa com Jovane e Miguel Luís. Empenho? Empresários? Que se passa exactamente? 

SL

2018 em balanço (9)

 

 

GOLO DO ANO

Felizmente não podemos queixar-nos da falta de muitos e bons golos em 2018. De tal maneira que o mais difícil é escolher só um. O meu critério foi seleccionar não apenas um golo bonito ou até magistral, mas que resultasse do esforço colectivo, da nossa organização ofensiva, desta imensa vontade de vencer que o Sporting de Frederico Varandas transporta consigo, sobretudo desde a contratação de Marcel Keizer.

Poderia ter elegido grandes golos de Bruno Fernandes e Nani, aliás já representados nesta antologia anual do És a Nossa Fé. Mas decidi seleccionar o golaço de Jovane que confirmou a nossa vitória por 3-1 contra o Rio Ave, a 3 de Dezembro, no estádio dos Arcos - um dos mais difíceis da Liga portuguesa, como bem sabemos. De tal modo que não ganhávamos lá desde 2004 por dois de diferença.

Escolhi este golo também porque 2018 foi o ano de Jovane, júnior da formação de Alcochete promovido ao primeiro escalão e estreado na equipa principal do Sporting, para o campeonato, durante o curto período em que José Peseiro comandou o plantel leonino. Keizer tem reiterado esta aposta, traduzida em resultados: Jovane continua a funcionar como uma espécie de talismã. Quando entra, geralmente a sorte vira-se a nosso favor.

Foi, uma vez mais, o que aconteceu aqui. O jovem caboverdiano entrou aos 69' e três minutos volvidos já estava a marcar este belíssimo golo, que vale a pena ver e rever. Corolário de uma jogada de insistência do onze leonino, inicialmente conduzida por Nani na ponta esquerda. A bola sobrou para Bruno Fernandes, autêntica inteligência em movimento, que numa fracção de segundo resistiu à tentação do remate, percebendo que o colega à direita estava solto de marcação, endossando-lhe a bola. Mal a recebeu, Jovane desferiu um potente remate com o pé esquerdo, sem tomar balanço, conduzindo a redondinha ao canto superior mais distante da baliza do Rio Ave: nenhuma guarda-redes seria capaz de travá-la.

Fez-nos vibrar de alegria. Com golos destes, o céu é o limite. Tudo se torna possível neste Sporting 2018/2019.

 

 

Golo do ano em 2012: Xandão, contra o Manchester City

 Golo do ano em 2013: Montero, contra a Fiorentina

Golo do ano em 2014: Nani, contra o Maribor

Golo do ano em 2015: Slimani, na final da Taça de Portugal

Golo do ano em 2016: Bruno César, contra o Real Madrid

Golo do ano em 2017: Bruno Fernandes, contra o V. Guimarães

2018 em balanço (3)

jovane2[1].jpg

 

 

PROMESSA DO ANO: JOVANE

Se há jogador da formação leonina que merece sem discussão o título de Promessa do Ano é este: Jovane Eduardo Borges Cabral, jovem extremo de 20 anos nascido em Cabo Verde. Lançado pelo treinador José Peseiro no campeonato, entrou aos 69', no jogo inaugural da Liga, frente ao Moreirense, e três minutos depois já estava a ser derrubado dentro de zona proibida, valendo uma grande penalidade ao Sporting que permitiu desfazer o empate: acabaríamos por vencer essa partida por 3-1. Na jornada seguinte, entrou aos 59' e bastaram-lhe sete minutos para fazer a assistência para o golo da vitória frente ao V. Setúbal em Alvalade. Duas jornadas adiante,  foi ele próprio a marcar, também no nosso estádio, conseguindo o solitário golo que nos valeu três pontos frente ao Feirense.

Jovane, símbolo actual da excelência da Academia de Alcochete, estreou-se no onze titular a 30 de Setembro frente ao Marítimo, em desafio que vencemos por 2-0. Foi dele o passe vertical decisivo para Raphinha, aos 10', de que resultou o penálti e o nosso primeiro golo. E foi também ele quem, aos 34', ganhou a falta que originou o livre de que nasceria o segundo. A 4 de Outubro, actuando de verde e branco na Liga Europa, saltou do banco aos 70' e já no tempo extra marcou o golo da nossa vitória por 2-1 perante o Vorskla.

Há males que vêm por bem: a partida de Gelson Martins, na sequência do dramático assalto a Alcochete, permitiu a ascensão do jovem extremo, que adquiriu entretanto a dupla nacionalidade e renunciou a alinhar na selecção A caboverdiana, mantendo a justa esperança de que acabará por ser convocado para a equipa das quinas. Este foi um ano de sonho para Jovane, que a 3 de Dezembro marcou  um golo de antologia frente ao Rio Ave e tem feito a diferença sempre que é lançado do banco quando há necessidade de desbloquear a partida. Veloz, com grande capacidade física, inegável poder de finta, capacidade de transportar a bola em distâncias longas e força no remate de meia-distância.

Há-de ir longe, tudo o indica. Basta-lhe trabalhar para isso, com a humildade indispensável a qualquer profissional que sonha sagrar-se campeão.

 

 

Promessa do ano em 2012: Eric Dier

Promessa do ano em 2013: William Carvalho

Promessa do ano em 2014: Carlos Mané

Promessa do ano em 2015: Gelson Martins

Promessa do ano em 2016: Francisco Geraldes

Promessa do ano em 2017: Rafael Leão

Comemorar

Não vi o jogo ontem. Melhor, fui vendo a espaços no telefone e fui recebendo notificação do resultado, por "culpa" da comemoração do aniversário da minha neta Joana, o quinto, que ela fez questão de ser num determinado restaurante de comida italiana que serve sandes redondas sem a parte de cima do pão, a que vulgarmente chamam pizzas. Cinco anos e já decide onde comemora o aniversário, senhores, onde é que isto vai parar?... 

Bom, entre umas dentadas numa coisa com queijo manhoso e um chouriço meio-picante (fizeram tanta propaganda à "potência" da malagueta que estava na carta que eu mandei vir de rajada duas imperiais, não fosse ficar "ensebucado", mas foi nitidamente publicidade enganosa), lá fui acompanhando o jogo e com tanto azar que não vi nenhum dos golos.

Como já disse aqui há uns dias, a NOS teve a cortesia de me oferecer um mês de sportv grátis, de modo que quando cheguei a casa, lá liguei a tv e procurei ver pelo menos os golos. Ainda estavam no rescaldo do jogo, a analisar os lances, três pessoas, um indivíduo que confesso não ter percebido qual o seu papel, a não ser que fazia perguntas, um técnico de vídeo presumo, porque era quem andava para a frente e para trás com a imagem, os "frames" que outro, que é um rapaz ex-árbitro que até era dos melhorzinhos, que usa o cabelo assim rapado dos lados e uma crista à moicano no meio, lhe mandava avançar ou recuar "aí, aí, mostra a bola colada ao pé". Confesso que, danado comigo próprio, consegui ver aquilo durante cerca de 15 minutos e pareceu-me entender que não foi marcado um penalti contra o Sporting (que também podia não ter sido marcado, como não foi) por causa do protocolo. O mesmo protocolo que não permitiu que um gajo do Rio Ave fosse engavetado logo ali, quando tentou arrancar uma perna ao Jefferson (e logo aquela que ainda vale qualquer coisinha, a esquerda). Fiquei portanto a saber que agora se a coisa correr mal, já não temos que culpar o árbitro, os fiscais-de-linha (eu se fosse oficial do ofício, preferia ser chamado de fiscal-de-linha do que assistente do árbitro!), ou o video-árbitro, temos é que chatear a cabeça ao protocolo. A ver pelas vezes que foi ontem falado, deve ter uma cabeçorra tipo gigantone em arraial minhoto...

Ia a coisa bastante animada e via-se que estava para durar e eu, que queria era ver os golos, fiz um FFR (fast for rear) naquilo e acabei por ver mais que os golos, fui vendo partes do jogo onde se viu que foi muito bem disputado e que poderia também ter outro resultado, não fora a grande exibição do nosso goleiro, que safou duas ou três com selo de golo (também meteu água, mas não a suficiente para afundar a barca). Bom, do outro lado também teve oposição à altura, que evitou dois ou três golos dos nossos, lembro-me de B. Fernandes e Dost e Diaby, assim de repente, que poderiam ter facturado.

Não sei se é das túlipas (de superbock), mas o B. Fernandes parece outro. Vejam bem que até me pareceu o melhor, ontem, seguido de perto pelo Nani e pelo Wendel e pelo Cabral que descobriu o caminho aéreo (só pra chatear o seu homónimo) para o canto superior direito da baliza vilacondense com um remate de tal forma simples(?) que aquilo parece coisa que o rapaz faz a todo-o-pé-passado.

É assim, a gente fez um jogo do outro Mundo? Não, seguramente que não, a determinada altura vi que o Rio Ave até tinha mais posse de bola, não foi um jogo por aí além, mas foi intensamente disputado, com muito bons apontamentos de ambos os lados e onde a qualidade individual acabou por ditar o resultado e quando assim acontece, os resultados acabam por ser justos, o que me parece ter sido o caso. Neste Sporting, por enquanto, o que mudou mesmo foi a disposição táctica e com isso vieram ao de cima as qualidades de alguns jogadores que estavam aferrolhados; Bruno Fernandes começa a ser o melhor jogador da liga do ano passado, estimo que não demorará muito a conseguir chegar lá, Gudelj, aquele cepo em quem eu próprio vim aqui descascando algumas porradas, está transformado e parece ser jogador (então se alguém lhe disser ao ouvido que joga futebol e não football, que a baliza fica abaixo da trave e não acima, poderá vir a ser um caso sério). O treinador teve também a felicidade, para além daquela que é vir treinar o clube mais eclético do Mundo, de ter à disposição Bas Dost, um gajo que marca sempre o ponto, tão regular como um Omega, ou como antigamente a CP. Mas que é diferente para melhor o próprio espírito dos jogadores em campo, ai isso é inquestionável e que o caminho parece ser o correcto, parece, pelo menos já se vê jogar à bola, que era coisa por que todos andávamos a salivar.

Se é motivo para comemorar? Talvez ainda não, que parece que dá azar contar com o ovo no cu (cloaca para os mais sensíveis) da galinha e deitar foguetório antes da festa, mas olhem, depois da comemoração do aniversário da minha neta Joana, também me deu vontade de comemorar esta volta que parece estar a dar-se no futebol leonino. Que sejam ambos muito felizes, não posso ter outro sentimento! 

Armas e viscondes assinalados: Seguro dos três pontos saiu do banco

Rio Ave 1 - Sporting 3

Liga NOS - 11.ª Jornada

3 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Duas defesas apertadas consecutivas (uma delas com a cara) que impediram o empate a 2-2 e uma estirada felina que roubou o 2-3 a Fábio Coentrão limparam uma noite de calafrios auto-infligidos. Mal o jogo tinha começado e já o guarda-redes emprestado pelo Estoril-Praia demorou tempo infinito a despachar uma bola, ficando perto de oferecer o golo ao Rio Ave. Embora pouco pudesse fazer no golo do empate, tão boa foi a execução do livre directo, não recolheu aos balneários sem antes sair dos postes de forma atabalhoada e hesitante, coroada com um alívio disparado contra o corpo de Acuña que só por sorte não foi aproveitado pelos adversários. Na segunda parte melhorou bastante, ao ponto de não fazer nada mais grave do que ceder um canto quando a bola se dirigia tranquilamente para a linha de fundo.

 

Bruno Gaspar (2,5)

O lateral-direito oriundo da Florentina difere de Winston Churchill no que toca a promessas de sangue e de lágrimas, embora os adeptos possam chorar ao recordarem-se de César Prates, de Abel, de Cédric Soares e mesmo de Schelotto e de Piccini. Uns poucos cruzamentos bem medidos, tristemente desaproveitados, são tudo o que de bom tem para mostrar em mais um jogo de muito suor, pois enfrentou adversários de grande talento a atacar e a defender, e em que deu o que tem. A mais não é obrigado, infelizmente.

 

Coates (3,5)

A forma acelerada como marcou o livre que permitiu inaugurar o marcador foi a expressão ofensiva das muitas antecipações que evitaram males maiores às balizas do Sporting. Juntou mais dois grandes cortes à colecção permanente do seu museu, esteve mais uma vez perto de marcar com a mesma cabeça com que serviu Diaby para uma ocasião que só não deu golo devido a uma grande defesa do guarda-redes adversário. E não se intimidou por ter sido um dos muitos sportinguistas contemplados com um amarelo por travar o irrequieto extremo Galeno.

 

Mathieu (3,5)

Mostrou o que é ter experiência e velocidade ao fazer um corte de carrinho na grande área tão arriscado que deveria ser antecedido por um aviso aos cardíacos. Também esteve perto de marcar de cabeça, mas teve mais pontaria com as mãos que deram o chega-para-lá ao adversário que cacarejava junto a Jefferson depois de o brasileiro ter sofrido uma entrada punida com um vermelho desbotado ao ponto de ficar amarelo.

 

Acuña (3,0)

Amarelado desde o primeiro quarto de hora de jogo, por culpa de José Peseiro e do amigo de Sousa Cintra que sabe tudo acerca de futebol, presumíveis culpados por Fábio Coentrão não poder terminar a carreira no clube do seu coração, o argentino teve um jogo atípico. Claro que somou mais uma assistência com um cruzamento perfeito para Bas Dost fazer o 1-2, mas nem sempre conseguiu expor o seu futebol e teve como segundo maior mérito o relativo controlo emocional que o impediu de juntar-se ao clube de amarelados por influência directa de Galeno. Após ficar a um xistrésimo de segundo de ser expulso por acumulação de amarelos foi substituído pelo cauteloso Marcel Keizer.

 

Gudelj (2,5)

Muitas vezes assoberbado pela avalancha ofensiva da equipa da casa, o sérvio ficou uns bons furos abaixo das exibições anteriores na contenção de danos e na construção de jogo. Já nos abundantes remates demonstrou coerência, mantendo o hábito de apontar para a baliza imaginária que só ele vê a pairar cinco metros acima do relvado.

 

Wendel (3,5)

Voltou a ser a formiga incansável do meio-campo leonino, batalhando em cada lance para ganhar posse de bola ou tecer a sucessão de passes rápidos em que assenta o regime keizeriano. Viu tanto esforço recompensado com uns minutos de descanso após a vitória ficar praticamente garantida.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Começou por marcar o primeiro golo do jogo, com um remate em diagonal perfeita após excelente desmarcação dentro da grande área. Só não bisou com um dos remates que são a sua marca registada, disparados de longe com muita força, direcção e efeito, porque Léo Jardim resolveu ser um desmancha-prazeres e desviou para canto. Quase sempre mais recuado do que Wendel, assumiu o transporte criterioso da bola e tentou ajudar Gudelj a ajudar-se, assim permanecendo até ao fim de um jogo facilitado pelo instante em que poderia rematar em posição frontal mas viu o recém-entrado Jovane Cabral à sua direita e permitiu que outros fizessem arte.

 

Nani (3,5)

Assistiu Bruno Fernandes no lance do 0-1 com a mesma mestria serena que lhe permitiu armar jogo, vigiar os adversários e até queimar tempo nos minutos que antecederam o apito final. Assenta-lhe mesmo bem aquela braçadeira.

 

Diaby (2,5)

Raphinha já treina e será uma questão de tempo até recuperar aquilo que é legitimamente seu. Enquanto esse dia não chega, cabe ao maliano ocupar-se de demonstrar que não cumpre os mínimos para seguir as pisadas de Figo, Quaresma e Cristiano Ronaldo. Melhor enquanto segundo avançado, ficou perto de marcar pelo terceiro jogo consecutivo, o que poderia ser encarado como um sinal de iminência do apocalipse.

 

Bas Dost (3,0)

Lutou com ninguém, demonstrou que deve ser o melhor colega que qualquer um pode desejar, mas a triste realidade é que não foi, nem por sombras, tão eficaz e letal quanto é seu bom hábito. Acumulou oportunidades desperdiçadas nos seus primeiros remates até que viu Acuña a preparar a mira, antecipou-se ao central e fez um magnífico cabeceamento que elevou para a meia-dúzia a sua contabilidade de golos na Liga NOS. Mais discreto na segunda parte, como quase toda a equipa, ‘limitou-se’ a ganhar duelos aéreos e a trocar cada vez melhor a bola com os colegas.

 

Jefferson (2,5)

Entrou para poupar o Sporting a jogar com menos um, numa noite em que Acuña não esteve tão inspirado e a comparação directa foi menos cruel. Resolveu alguns problemas na defesa, fez um cruzamento que Léo Jardim encaixou antes de Bas Dost lá chegar e sofreu o tipo de entrada que poderia tê-lo desconjuntado e daria à equipa médica leonina a hipótese de fazer aquilo que uma empresa sinistra fez ao polícia Murphy no clássico de ficção científica ‘Robocop’.

 

Jovane Cabral (3,5)

Recebeu com o pé a bola como se esta fosse colorida nas mãos de uma criança e fez o arco em ogiva que sossegou o espírito dos sportinguistas que tremiam com a desvantajosa vantagem do 1-2 que parecia eterno enquanto durasse. O golo que marcou fica como o melhor momento de um jogo movimentado e torna menos ridícula a ladainha do “para quem gosta verdadeiramente de futebol” que se ouvia na televisão. Ao seguro dos três pontos que saiu do banco só faltou bisar num contra-ataque em que permitiu o desvio para canto quando poderia flectir para o centro da grande área.

 

Bruno César (2,0)

Escassos minutos em campo serviram para fazer prova de vida, com bom toque de bola misturado com perdas de bola evitáveis. 

 

Marcel Keizer (3,5)

Teve uma boa estreia na Liga NOS e viu os seus jogadores interpretarem bem uma filosofia de aceleração do processo ofensivo e outras expressões utilizadas por quem gosta verdadeiramente de ganhar o sustento a falar de futebol. Compensou a entrada mais fraca na segunda parte com as substituições, tirando Acuña por cautela, Diaby por oportunidade e Wendel por cansaço, permitindo que Jefferson, Jovane Cabral e Bruno César assegurassem a conquista dos três pontos que mantêm o Sporting a dois pontos da liderança e com dois jogos teoricamente fáceis em Alvalade antes da deslocação a Guimarães.

Assuntos internos

 

O Sporting vai poder emitir o empréstimo obrigacionista, tendo ultrapassado ontem a fasquia dos 19 milhões de euros em ordens subscritas.

 

Rui Patrício, William Carvalho, Nani, Carlos Mané, Raphinha, Wendel, Ristovski, Luís Maximiano, Adrien, Cédric e Carriço incluem-se entre os jogadores e ex-jogadores que compraram obrigações do Sporting.

 

Marcel Keizer estreia-se como treinador leonino depois de amanhã, no jogo Lusitano Vildemoinhos-Sporting, para a Taça de Portugal.

 

Receita do desafio de sábado será entregue, na íntegra, ao clube de Vildemoinhos por decisão da Direcção do Sporting.

 

SAD leonina prepara regressos imediatos de Francisco Geraldes e Matheus Pereira a Alvalade.

 

Eustáquio, médio do Chaves e internacional sub-21, pode ser um dos nossos reforços de Inverno.

 

Jovane Cabral, já naturalizado cidadão português, diz-se preparado para vir a representar o nosso país na selecção nacional.

 

Armas e viscondes assinalados: Penálti duplo derrotou ciclone dos Açores no adeus ao duplo pivot defensivo

Renan Ribeiro (2,5) 

Ainda foi o menos culpado de todos no lance do golo do Santa Clara. Nada pôde fazer, tal como nada pôde fazer noutras ocasiões que puseram em causa três pontos que tanto trabalho deram a amealhar. Sucede que a pontaria de um dos melhores ataques da Liga não esteve nada calibrada e a defesa mais vistosa do brasileiro terá sido encaixar um livre desviado pela cabeça de Nani.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Conseguiu ser o elo mais fraco de uma defesa leonina em que outro elemento fez o primeiro jogo do princípio ao fim nesta temporada. Capaz de fazer arrancadas em que nem ele acredita, e úteis sobretudo para apressar os pontapés de baliza do Santa Clara, só não esteve pior porque teve muito boa companhia na maior parte do jogo. Thierry Correia, que foi aos Açores e viu o jogo da bancada, perdeu uma oportunidade para se candidatar ao lugar.

 

Coates (3,0)

Viu o amarelo aos 14 minutos, na primeira falta que fez, perto da linha de meio-campo. Talvez por ter a espada de Damocles (nome que não destoaria no onze multinacional do Santa Clara) suspensa sobre a cabeça mostrou alguma contenção, patente na ausência de dois dos seus traços habituais - mais precisamente, a ofensiva inconsequente no meio-campo contrário e o remate de cabeça ligeiramente acima ou ao lado. Mas nem assim deixou de fazer cortes decisivos e zelar pela superioridade aérea.

 

Mathieu (3,0)

Divide responsabilidades pelo golo do Santa Clara com Lumor, pois Zé Manuel recebeu a desmarcação perfeita de Osama Rachid no meio dos dois. Tirando esse pequeno detalhe fez um jogo à sua imagem, juntando à segurança defensiva o critério no passe longo. Quase todas as jogadas do Sporting começaram nele na segunda parte, até porque os fortes ventos contrários que fazem daquele estádio um fenómeno meteorológico exigiam a potência das pernas do francês.

 

Lumor (3,5)

Só as culpas no golo da equipa da casa impedem que concorra com Acuña pelo título de homem do jogo. Aproveitou a oportunidade que lhe foi dada pelo interino Tiago Fernandes, que fez da sua titularidade uma espécie de ‘signature dish’, demonstrando ter um pulmão inesgotável e vontade de fazer a diferença. Poderia tê-la feito logo na primeira parte, ao desferir um remate poucos passos à frente da meia-lua, mas a bola saiu ligeiramente ao lado. Teve participação directa nos dois golos do Sporting, combinando bem com Jovane Cabral.

 

Battaglia (2,5)

Tinha a responsabilidade de protagonizar a morte do duplo pivot defensivo perante um dos melhores ataques da Liga e não se estava a dar nada mal. Mas saiu lesionado ainda na primeira parte e quando um duro como o argentino exibe a dor que deveras sente há que temer uma longa ausência.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Aproveitou o vento ciclónico que foi o 23.° jogador em campo (passou a 22.° quando o Santa Clara passou a jogar com dez) para lançar um dos seus mísseis de longa distância. Estava em posição frontal, conseguiu que a bola subisse e descesse no momento certo, mas o guarda-redes dos açorianos não lhe permitiu ser herói. Num jogo em que lhe foram pedidos maiores cuidados defensivos, sobretudo após a entrada de Gudelj para o lugar de Battaglia, nunca deixou de ser muito rematador e de procurar servir os colegas, embora uma das suas tentativas de marcar pudesse ser convertida com grande benefício em assistência para o desmarcado Bas Dost.

 

Nani (3,0)

Bem pode agradecer aos sportinguistas minhotos que costumam partir as montras dos talhos do árbitro Manuel Mota, pois a sua entrada às pernas de Candé, vingando-se de uma falta não assinalada do lateral, dificilmente mereceria menos do que aquela cor mais rubra do que laranja. Nani viu apenas o cartão amarelo e, mesmo assim, pareceu-lhe boa ideia empurrar um defesa do Santa Clara pelas costas minutos depois. Afastado para a ala esquerda, onde evitou encontros imediatos com o seu nemesis, muito correu, literalmente atrás do prejuízo, devendo-se-lhe o cruzamento para Bas Dost que esteve na origem da grande penalidade capaz de virar o Totobola de 1 para 2.

 

Acuña (4,0)

Poupado à catástrofe da Taça da Liga que foi o canto do cisne do homem dos touros, o lateral-esquerdo da selecção argentina foi o homem do jogo. E como extremo-direito, naquela posição 7 que em tempos foi de Luís Figo e de Cristiano Ronaldo. Antes de fazer o 1-2 - e de ca-be-ça, meus amigos - esteve sempre um passo à frente do resto da equipa e mereceu os aplausos que recebeu ao sair minutos antes do apito final. Tivesse mais pontaria nos vários remates de média e longa-distância e até receberia as chaves do estádio.

 

Diaby (1,5)

Quem acredita que o comunismo é um belíssimo modelo político, social e económico que foi mal executado vezes sem conta retirará conforto da ideia de que o 4-4-2 é um belíssimo modelo táctico que apenas teve o azar de ser executado por Diaby. O maliano repetiu as más indicações do jogo anterior, as quais contrariavam a exibição frente ao Boavista, mas desta vez esteve ainda mais perdido no relvado. Foi outro dos co-autores do golo do Santa Clara, preferindo cobrir Osama Rashid com os olhos enquanto o iraquiano fazia o passe de morte para Zé Manuel. Já não voltou após o intervalo e ficou a leve impressão de que tinha ido tarde.

 

Bas Dost (3,5)

Voltou aos golos, e fez balançar as redes duas vezes, mas na ficha de jogo só se encontra uma referência. Sucede que o holandês não esperou por Manuel Mota e marcou uma primeira vez o pénalti que castigava uma falta cometida sobre ele próprio. Repetiu, depois de ouvir o apito, e rematou para o mesmo lado, iniciando uma reviravolta facilitada pela expulsão de Patrick Vieira, o qual resolveu aplaudir o árbitro minhoto. Para trás ficou uma bola cabeceada ao lado, mesmo antes do intervalo, e uma assistência desaproveitada por Nani. E, claro está, a capacidade de atrair atenções de defesas que facilitou o golo de Acuña.

 

Gudelj (3,0)

Entrou no jogo a frio, devido à lesão de Battaglia, conseguindo uma exibição uns bons furos acima das anteriores. Manteve o adversário em sentido na sua zona de acção, valendo-se do físico e da técnica, mas não foi desta que aproveitou as segundas bolas para marcar.

 

Jovane Cabral (3,5)

Entrou ao intervalo com o mesmo fulgor de quem tem 10 ou 15 minutos para dar a volta aos acontecimentos. Forte no drible e nas combinações com Lumor, o jovem esqueceu-se dos dois jogos sem sair do banco que encerraram o consulado de José Peseiro e cruzou para o golo de Acuña, que minutos antes lhe oferecera igual oportunidade de marcar, desperdiçada pelos fracos dotes de cabeceador de Jovane. Ficou mais perto do golo num remate à entrada da área, ao qual só faltou uma rajada de vento que o desviasse das mãos do guarda-redes.

 

Miguel Luís (-)

Teve direito a uma segunda oportunidade envenenada de jogar pela equipa principal depois do minuto 90. Entrou quando o Santa Clara pressionava com garra e desespero, sendo-lhe impossível fazer seja o que for.

 

Tiago Fernandes (3,0)

O treinador interino enterrou o duplo pivot defensivo de José Peseiro e correu riscos ao apostar na titularidade de Lumor (bem) e de Diaby (mal, pois a qualidade de Montero teria sido melhor complemento a Bas Dost). Salvou Nani de si próprio ao desviá-la para a esquerda e fez bem ao não perder tempo a pôr Jovane Cabral no relvado. Viu os seus escolhidos darem a volta ao resultado e somarem três pontos preciosos, mas o sufoco dos últimos minutos é a prova cabal de que os problemas do Sporting não desaparecem à primeira chicotada psicológica, por muita ambição e talento que Tiago Fernandes tenha. Se ainda estiver à frente da equipa na difícil deslocação a Londres será interessante perceber o que aprendeu nos Açores e como o aplicará frente ao Arsenal.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sarilhos pequenos (os leões, um a um)

Renan Ribeiro - Vendo Santa Clara a debater-se com o vento, usou de caridade cristã e ofereceu uma esmola aos açorianos. Na etapa complementar, manteve-se recluso no seu Mosteiro, dada a pobreza franciscana das ofensivas insulares. 

Nota: Mi

 

Bruno Gaspar - Tem nome de Rei Mago (Gaspar, não Bruno), mas continua muito contido, meio envergonhado e ansioso, como um miúdo antes de um primeiro exame. E que exame! É que o peso da listada verde-e-branca não é para qualquer um, facto que é do "incenso" comum para Gaspar. 

Nota:

 

Coates - Cumpriu sem brilhantismo, mas teve uma preocupação com a segurança digna de um Ministro da Defesa, solenidade que o fez aventurar-se menos em terrenos inimigos.

Nota: Sol

 

Mathieu - No lance do golo açoriano, procurou o "pas de deux" com Coates e deixou entrar Zé Manuel nas suas costas. Inconformado, realizou algumas investidas ao último reduto adversário e distribuiu jogo essencialmente pela esquerda, fixando o ala insular e procurando a posição mais avançada de Lumor em relação à restante defesa leonina. 

Nota:

 

Lumor - Enganado pelo vento ou confiante de que Renan far-se-ia à bola, deixou Zé Manuel entrar pela sua frente no lance do golo do Santa Clara. Insuperável nos duelos individuais pelo chão (10 em 10), procurou sempre municiar o ataque. Mostrou velocidade e remate potente. Tem g(h)ana de vencer, o miúdo.

Nota:

 

Battaglia - "Gone with the wind". Uma lástima para a equipa. Que volte depressa e bem!

Nota:

 

Bruno Fernandes - Anda com a transmissão avariada. Patina, quando põe a mudança e as suas desmultiplicações não saem. Não está a ficar bem no retrato ou, no caso, no PASSE-partout...

Nota: Mi

 

Acuña - Cresceu muito no segundo tempo. Com o argentino em campo, o Rei Leão entoou "Acuña" (no original, Hakuna) Matata, que em dialecto suaíle significa "sem problemas".

Nota: Lá (Melhor em campo)

 

Nani - Procurou o espaço entrelinhas e deixou a sua marca no jogo (e não, não me refiro só às pernas de Mamadu). Foi um verdadeiro capitão e nunca se rendeu.

Nota:

 

Diaby - No "Convento" de Santa Clara não há lugar para o Diaby...

Nota: (u)

 

Bas Dost - Procurou a bola em toda a primeira parte e, quando ela finalmente lhe chegou, deslumbrou-se e falhou um golo fácil. Dostou exemplarmente de (re)paradinha, após "(re)falta" (foram dois insulares...) cometida sobre ele. 

Nota: Sol

 

Gudelj - Entrou ainda na primeira parte para render Batman e o mínimo que se pode dizer é que fez jus à condição de novo Vigilante dos de Alvalade. Necessita de maior tracção à frente.

Nota: Sol

 

Jovane - Já se sabia que Cabral era nome de navegador intrépido e Jovane não foge à regra. Mudou por completo o cariz do jogo, descobrindo novos caminhos para a nau leonina, entre ventos e marés adversos. 

Nota:

 

Miguel Luís - Tempo apenas para se estrear pelo Sporting em jogos a contar para o campeonato nacional.

Nota:

 

(notas de Dó Menor a Dó Maior)

 

acuña2 santa clara.jpg

 

Armas e viscondes assinalados: Traumatismo para os ucranianos

Vorskla 1 - Sporting 2

Liga Europa - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Outubro de 2018

 

Salin (2,5)

Nada pôde fazer no lance do golo madrugador que deu vantagem aos ucranianos até aos 90 minutos, e cedo percebeu que não se podia fiar no quarteto à sua frente. Evitou o 2-0 apressando-se a desarmadilhar um atraso que prometia ser a segunda assistência para golo alheio de jogadores do Sporting. Depois disso teve tempo para recordar outros franceses que não se deram bem no Leste, pois o único remate enquadrado do Vorskla já fizera os estragos que tinha de fazer.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Saltou para a titularidade da mesma forma que alguns estados falhados saltaram para a independência. Permeável a defender e emperrado a atacar, aumentou as legítimas esperanças de quem espera ver Thierry Correia a concorrer ao lugar de Ristovski no decorrer desta temporada.

 

André Pinto (2,5)

Fica marcado pelo ‘ammorti’ que permitiu manter a tradição leonina de não regressar a Portugal sem pelo menos um golo nas redes. Tão perfeita foi a disponibilização da bola para o remate que, havendo justiça, ser-lhe-ia reconhecida a assistência. No resto do jogo mostrou aquela competência interina que o torna invisível. Até aos olhos do selecionador nacional.

 

Coates (3,0)

Atormentado pela desvantagem madrugadora, para a qual pouco ou nada contribuiu, dedicou-se a ganhar duelos aéreos nas duas grandes áreas. Como é tradição, não se furtou a duas incursões (como sempre mal sucedidas) com a bola nos pés naquela fase da segunda parte em que a viagem de regresso a Lisboa prometia ser ainda mais longa e silenciosa. No universo alternativo em que já existe videoárbitro na Liga Europa sofreu um pénalti quando o resultado ainda estava 1-0.

 

Jefferson (3,5)

Mais insólito do que o equipamento branco que a UEFA forçou os leões a envergar só o facto de o brasileiro ter sido o melhor da defesa. Regressado à titularidade, o lateral-esquerdo arrancou o jogo com cruzamentos displicentes que chegavam a parecer combinados com os adversários. Sucede, porém, que no final da primeira parte calibrou as chuteiras, oferecendo um golo a Nani que a haver justiça contaria como assistência, fartou-se de ganhar espaço no corredor que tinha a seu cargo e municiou o ataque com bolas nem sempre bem compreendidas. Até ao momento em que Montero recebeu um cruzamento longo no peito e...

 

Petrovic (3,0)

Enquanto não há Battaglia continua a ir à guerra. Começou mal, reagindo tarde e a más horas à oferta de André Pinto aos anfitriões, mas cedo conquistou espaço no meio-campo com o estilo forte, feio e formal que as suas limitações aconselham. Assim se manteve, muitas vezes tomado pela angústia do futebolista no momento em que tem a bola nos pés, até ser devolvido ao banco de suplentes.

 

Acuña (3,5)

Voltou para o meio-campo com o ímpeto de quem já estava a ser avisado pelo árbitro ao quarto de hora de jogo. Foi o sportinguista mais focado na primeira parte, depois do intervalo fez um remate em arco que merecia ser desviado para a ‘gaveta’ da baliza por um fenómeno meteorológico e iniciou o contra-ataque que selou a reviravolta. Nem o amarelo que acabou por levar, tão natural quanto a própria sede, retira mérito ao argentino.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Abriu as hostilidades com um passe de 30 metros para Diaby e empenhou-se sempre na batalha do meio-campo, testando o remate de longa distância em mais do que uma ocasião e com mais do que um defeito de execução. Mesmo no final esteve à beira de marcar o golo que valeu os três pontos, cedendo a honra ao suspeito do costume.

 

Nani (2,5)

Recuperou a titularidade, a braçadeira de capitão e a tendência para desacelerar os ataques. Particularmente infeliz na finalização, teve a baliza contrária a seus pés no final da primeira parte, perdendo uma excelente oportunidade de causar uma boa primeira impressão nas redes. Ficou até ao fim em campo, o que terá contribuído para uma quebra nos rendimentos dos especialistas em leituras de lábios que prestam serviços aos canais de televisão.

 

Carlos Mané (2,0)

Mais uma novidade na deslocação à Ucrânia, após um minuto inteiro no relvado de Alvalade. Alternando entre a faixa e o miolo do terreno, pecou pela falta de pragmatismo (e por ter feito um remate com a canela) apesar de ter demonstrado, numa ou noutra jogada, que ainda sabe ludibriar quem lhe vem tentar tirar a bola. Mas quando saiu para dar lugar a Montero houve a leve impressão de que já ia tarde.

 

Diaby (2,0)

Desta vez já conseguiu demonstrar as qualidades de velocista, ficando a faltar outro tanto no que diz respeito à arte de marcar golos. Teve boa oportunidade logo a abrir o jogo, mas chutou tão mal quanto combinou com os colegas nas jogadas de ataque em que se envolveu. Saiu aos 70 minutos para dar lugar a quem, até ver, resolve.

 

Montero (4,0)

Saltou para o relvado com a convicção de que iria salvar a equipa de um traumatismo ucraniano. E se de início manteve a tendência de criar jogo longe da zona de perigo, quase sem se dar por isso fez um belo pontapé de bicicleta que poderia ter valido o empate. Redimiu-se logo a seguir, com uma sequência de decisões correctas que permitiram festejar o empate e transformaram os cinco minutos de compensação numa auto-estrada para a reviravolta.

 

Raphinha (3,5)

Assumiu o jogo ofensivo do Sporting desde o instante em que entrou em campo. Entre muitas intervenções preciosas destaca-se o passe para Bruno Fernandes que, por linhas tortas, permitiu que houvesse festa no final de tarde.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser talismã tem destas coisas. Demora-se mais a entrar no jogo do que o colega da direita, vai-se ganhando confiança e está-se à hora certa no lugar certo. Assim se fez o golo da vitória e começa a ser difícil acreditar que todas estas intervenções decisivas não passam de uma sucessão de coincidências.

 

José Peseiro (3,0)

Descansou uns quantos titulares, o que se torna compreensível devido à deslocação à Portimão na noite de domingo. Mas recebeu pouco em troca da confiança depositada em Bruno Gaspar, Carlos Mané e Diaby, viu uma falha tremenda da defesa adiantar o Vorskla, e até ao último minuto do tempo regulamentar viu-se metido em grandes sarilhos. Que por uma vez o universo tenha conspirado a favor do Sporting deve-se em grande parte às substituições acertadas que fez no decorrer da segunda parte, ciente de que, para mal dos seus pecados e do departamento médico, o plantel que orienta não se dá assim tão bem com poupanças.

Armas e viscondes assinalados: Só fez falta quem lá esteve

Sporting 2 - Marítimo 0

Liga NOS 6.ª Jornada

29 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

Perdeu uma excelente oportunidade para reler clássicos da literatura gaulesa, ou para aliviar a caixa de correio electrónico, tão pouco foi o trabalho que o ataque do Marítimo lhe deu. Ainda assim poderia ter sofrido um golo mesmo antes do intervalo, mas teve a felicidade de um certo argentino ter sido adaptado a lateral-esquerdo.

 

Ristovski (2,5)

Diga-se, em sua justiça, que qualquer um se arrisca a parecer um Robin se tiver um Batman ao lado. Muito solicitado por Raphinha, que criou espaço à direita suficiente para mais três novos partidos como o de Santana Lopes, o macedónio executou todo o género de cruzamentos para a grande área adversária tirando os cruzamentos eficazes. A defender também esteve algo permeável, devendo-se-lhe a melhor ocasião do Marítimo em toda a noite, mas foi salvo pelo colega da esquerda. Na segunda parte, enquanto o colectivo colapsava, melhorou na travagem das ofensivas madeirenses e ainda  tentou o golo com um remate forte o suficiente para criar aflições.

 

Coates (3,0)

Voltou a perder a bola para um adversário na zona de perigo, tendo o mérito de resolver a sua malfeitoria com um corte arriscado. Mas no resto do jogo foi o muro que ajuda a manter a equipa na corrida, sendo que a habitual arrancada pelo meio-campo contrário teve desta vez consequências de somenos: um contra-ataque facilmente resolvido pelos colegas da linha defensiva menos obcecados em subir na vida.

 

André Pinto (3,0)

Tal como sucede com os árbitros, acaba por ser meritório que não se dê muito pela presença do substituto de Mathieu. Tanto assim foi que se fez notar pela primeira vez ao ser-lhe mostrado o cartão amarelo, pois agarrou um adversário que o deixara mal ao fazer passar a bola por cima de si. Desse momento em diante regressou para um estado de invisível eficiência que é a sua imagem de marca.

 

Acuña (3,5)

O corte providencial que impediu o Marítimo de reduzir para 2-1 foi a cereja no topo do bolo constituído por mais uma exibição repleta de raça nas bolas divididas (e nas bolas confiscadas), de clarividência no lançamento do contra-ataque e de brilho no posicionamento.    Talvez fosse boa ideia fazer um clone para precaver lesões ou castigos internos por insultar o treinador.

 

Petrovic (3,0)

Recebeu audíveis aplausos das bancadas ao fazer a versão adriática da roleta marselhesa para salvaguardar a posse de bola perante a cobiça de dois fulanos vindos da pérola do Atlântico. Titular devido à gripe de Battaglia, superou as baixas expectativas dos adeptos, sem nunca comprometer a segurança da baliza leonina. Ainda se aventurou em lances de ataque, mas a sua técnica muito particular de ganhar lances (avançar a bola e atirar-se para cima do adversário) ainda carece de ser aprimorada.

 

Gudelj (2,5)

Viu o cartão amarelo muito cedo, o que poderá muito bem explicar que tenha estado ligeiramente mais calmo. Na segunda parte foi parte integrante da perda gradual do meio-campo, chegando-se ao paradoxo de o Sporting ter menos posse de bola num jogo que pareceu controlar desde o início.

 

Raphinha (3,5)

Sofreu a falta para grande penalidade tirando partido da velocidade com que se desmarca e marcou o livre que permitiu a Montero fazer o resultado final. No resto do jogo combinou (bem) com Bruno Fernandes e (nem por isso) com Ristovski, quase conseguiu oferecer o 3-0 ao capitão e reforçou a ideia de que aqueles 6,5 milhões de euros irão multiplicar-se mais tarde ou mais cedo.

 

Jovane Cabral (3,0)

Eis os factos: o ainda apenas cabo-verdiano fez o passe de ruptura para Raphinha que originou o pénalti do 1-0 e sofreu a falta junto à linha lateral que abriu caminho para o 2-0. Mas tal como Narciso se deixou enfeitiçar pela sua imagem reflectida na água, também Jovane está demasiado apaixonado pela capacidade de driblar, sucedendo-se jogadas em que enfrentou um trio de adversários, perdendo invariavelmente a bola para o terceiro. Se o olhar de Acuña pudesse matar estariam os sportinguistas de luto pela funesta consequência da segunda tentativa de penetração na grande área que o habitual suplente culminou deixando sair o esférico pela linha de fundo...

 

Bruno Fernandes (3,5)

Capitão de equipa devido ao castigo imposto a Nani, poupou-se às discussões com homens do apito que lhe têm valido a maioria dos recorrentes cartões amarelos que recebe. Preferiu gastar energias na construção de jogadas e mesmo que os remates de longe insistam em não sair, o certo é que voltou a marcar, de pénalti, sem apelo nem agravo. Eleito homem do jogo, teve atitude de capitão e ofereceu o troféu ao regressado Carlos Mané.

 

Montero (3,5)

Pôs termo ao seu pequeno jejum (desde a aziaga final da Taça de Portugal) com um toque pleno de oportunidade, a mesma que demonstrou ao roubar uma bola logo no início do jogo, forçando o espoliado do esférico a agarrá-lo antes que fugisse para a baliza. Lutador incansável, rematou muito e só não teve grande taxa de sucesso nos duelos aéreos com os defesas.

 

Misic (2,0)

Entrou aos 77 minutos para o lugar de Jovane, numa substituição que colocou três médios defensivos oriundos de países balcânicos no relvado em simultâneo - e isto sem contar com o macedónio Ristovski ou com o argentino Acuña, que facilmente obteria cidadania honorária de um desses países. E o certo é que o Marítimo não marcou.

 

Diaby (=)

Mais cinco minutos em campo. Mas a acreditar nos jornais a culpa é da selecção do Mali, cuja convocatória atrasou a integração no grupo.

 

Carlos Mané (-)

Um dos raros representantes da Academia de Alcochete no actual plantel regressou a Alvalade e aos relvados após prolongada ausência por lesão e empréstimos decididos por Jorge Jesus. Merecia mais do que um mísero minuto.

 

José Peseiro (2,5)

Tinha tudo para ser uma noite relaxada. Mesmo com Nani na bancada, e apenas três titulares da época passada no onze titular, viu-se a vencer cedo, recebeu o golo da tranquilidade antes do intervalo e... deixou-se adormecer. O Marítimo ganhou espaço e bola, vários jogadores estavam esgotados (Jovane ficou a dever uns bons 20 minutos ao banco de suplentes) e mesmo assim esperou aos 77 minutos para mexer na equipa, acrescentando mais um médio defensivo aos dois já existentes. Será que o treinador do Sporting protelou as substituições com medo de que mais algum substituído o mandasse para um lugar desagradável?

Mais um

Jogou até agora menos de 200 minutos na equipa principal do Sporting. Dois golos marcados, uma assistência, dois penáltis conquistados - de que resultaram golos.

Difícil começar melhor do que começou este miúdo já com pedalada de craque. Produto da Academia leonina, que tantos valores tem dado ao futebol português. Eis mais um, com a nossa marca inconfundível.

Armas e viscondes assinalados: O azeri só bateu à porta de Mathieu

Sporting 2 - Qarabag 0

Liga Europa - Fase de Grupos 1.ª Jornada

20 de Setembro de 2018

 

Salin (3,5)

Passam os jogos e o francês insiste em não dar motivos para a perda da titularidade acidental, conquistada no aquecimento para o primeiro jogo da temporada. Sendo verdade que os azeris aparentam guardar a agressividade para os arménios, erros surrealistas de colegas deram origem a ocasiões de golo para o Qarabag que permitiram a Salin cumprir a quota necessária de defesas providenciais. Segue-se novo teste de fogo em Braga, na próxima segunda-feira.

 

Ristovski (3,5)

Integrou-se bem no ataque e nas missões defensivas não se deixou abater pela perda de titularidade de Jefferson, que está mais ou menos para si como Rui Rio está para António Costa. Esteve perto de marcar em duas ocasiões: primeiro ao obrigar o guarda-redes a desviar para canto a bola que lhe sobrou no ressalto de um remate de Bruno Fernandes e depois através de um cabeceamento no coração da grande área. Dir-se-ia que o lateral-direito ficou a centímetros de igualar um certo Alexandre como o maior macedónio de todos os tempos.

 

Coates (3,0)

Várias falhas no início da partida, uma das quais esteve quase a adiantar os visitantes, criaram a ideia nas bancadas que entrara em campo o gémeo menos talentoso do gigante uruguaio. Com o avançar do cronómetro retomou o indicador de confiança, mas é aconselhável que tome vitaminas: se a nova lesão de Mathieu for grave arrisca-se a não ter descanso até Maio de 2019.

 

Mathieu (4,0)

Jacques Brel, que era belga (embora não tivesse um apelido típico do país plano, assim como Lukaku, Nainggolan ou Fellaini), escreveu uma canção chamada ‘Mathilde’, acerca do regresso de uma mulher fatal. Também a vinda de Jeremy Mathieu a Alvalade levou os adeptos a trautearam belas melodias, pese embora o central francês não tenha chegado a ser letal para os visitantes. Mas não por falta de tentativa, pois Mathieu testou o guarda-redes num livre directo, rematou (bem) e cabeceou (mal) em jogadas consecutivas, e até fez uma assistência para Montero que deveria, havendo justiça antes daquela que nos esperará no reino dos céus, contar para as estatísticas apesar de não ter sido concretizada pelo colombiano, alegadamente em posição irregular. Sucederam-se ainda as antecipações em velocidade aos esforçados avançados azeis, os passes para colegas a 30 ou 40 metros e toda a classe que tornou ainda mais doloroso aquele momento em que caiu à relva para ser substituído. 

 

Acuña (4,0)

Cumpriram-se as profecias e ocupou a posição em campo que lhe permite integrae uma selecção onde por vezes passa Messi. Do retrato do artista enquanto lateral-esquerdo constam o perfeito timing no desarme de adversários, só comparável à dificuldade que estes demonstraram na hora de tentar tirar-lhe a bola. E a técnica de quem sabe muito bem tratar a bola - e tem energia para tratá-la a noite inteira.

 

Battaglia (3,5)

Nunca seria escolhido para prémios de simpatia se o colégio eleitoral fosse constituído por aqueles que encontra no meio-campo. Voltou a especializar-se na resolução de problemas por meios vigorosos, lamentando-se apenas alguns inconseguimentos nos contra-ataques. Particularmente notória a falha que transformou em pontapé de baliza aquilo que dava ares de ser o 3-0.

 

Gudelj (3,0)

Noventa e tal minutos em campo sem uma única roleta marselhesa - ou então, caso não quisesse repetir a homenagem a Zidane, uma mão de Deus ao estilo de Maradona? Assim foi a titularidade do sérvio, capaz de oferecer poder de choque mas também autor de um episódio de diletantismo com bola que garantiu a maior ocasião de perigo do Qarabag na segunda parte.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Mais uma vez encheu o relvado com jogadas de fino recorte, mantendo-se na retina uma arrancada pela direita com cruzamento que merecia cabeça mais rotinada nesse ofício do que a de Ristovski. Que o regresso aos golos-bomba ocorra já em Braga é o que todos os sportinguistas auguram...

 

Nani (4,0)

A assistência de longa distância que permitiu a Raphinha inaugurar o marcador merece uma sala no Museu do Sporting. Mas não se esgota nesse instante de génio o mérito do capitão, ovacionado aquando da substituição por outro cabo-verdiano de elevadíssimo potencial.

 

Raphinha (4,0)

Limitou-se a estar no sítio certo para encostar a assistência de Nani para o fundo das redes, limitou-se a estar no sítio certo para receber a bola de Montero e encaminhá-la para o ponto da grande área do Qarabag para onde Jovane Cabral se dirigia a alta velocidade. Se o extremo brasileiro continuar assim é possível que, no limite, chegue mesmo à selecção brasileira.

 

Montero (3,5)

Mantém a seca de golos como alguns religiosos prescindem disto ou daquilo ao fazerem os votos. Só assim se explica o artístico toque de calcanhar com que testou os reflexos do guarda-redes adversário, pois o passe de Mathieu o deixou completamente isolado junto à linha de golo, valendo-lhe a bandeirinha levantado do árbitro assistente para o escândalo não ser maior. Mais cintilante foi o colombiano na construção de jogo, esmerando-se aquando de costas para a baliza. E superlativo se mostrou ao servir-se de uma bola sinalizada pela Comissão de Protecção de Esféricos, abandonada junto a uma bandeirola de canto, para fazer um túnel ao defesa azeri que deu origem ao tardio e desejado 2-0.

 

André Pinto (3,0)

Voltou ao relvado para o lugar do neolesionado Mathieu, mostrando-se um central de confiança que joga seguro e, sem ser um ex-Barcelona, serve de barreira à entrada de Marcelo ou Petrovic para o eixo defensivo.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser um talismã é... saltar do banco aos 87 minutos e marcar um golo no minuto seguinte. Talvez para disfarçar, o jovem que não recorre às redes sociais quando espoliado da titularidade fez alguns disparates, incompreensíveis mas sem consequências de maior. Contam-se os segundos até alguém registar a expressão “15 minutos à Jovane”.

 

Diaby (2,0)

Voltou a somar minutos, embora cheguem os dedos das mãos para a operação matemática. Chamado para refrescar o ataque, com o resultado final feito e o tempo de compensação a contar, o renomado velocista pouco mais fez além de atrapalhar-se (e a Raphinha) num contra-ataque.

 

José Peseiro (3,5)

Nunca se cansa de salientar que o Sporting joga cada vez melhor e os factos não o desmentem. Resistiu a poupanças em vésperas de uma deslocação difícil a Braga, colocando em campo o onze tipo (menos Bas Dost) e pouco há a apontar tirando alguma hesitação nas substituições. Algo que não deixa de ser compreensível, pois a entrada de Jovane Cabral é o tipo de decisão que implica a saída de Nani ou de Raphinha.

Jovane Cabral

 

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Entrou em três jogos. Foi decisivo em todos: conquistou um penálti contra o Moreirense, fez assistência para golo contra o V. Setúbal e marcou contra o Feirense.

Prioridade para a futura administração da SAD: rever-lhe o contrato. Com máxima urgência, para evitar o que aconteceu com Dier e Bruma, lançados na equipa principal quando ganhavam tuta e meia.

Pódio: Jovane, Raphinha, Nani

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Feirense pelos três diários desportivos:

 

Jovane: 18

Raphinha: 17

Nani: 15

Acuña: 15

Battaglia: 15

Coates: 15

Ristovski: 15

Salin: 15

André Pinto: 14

Bruno Fernandes: 14

Montero: 13

Castaignos: 12

Jefferson: 11

Petrovic: 1

 

Os três jornais elegeram Jovane como melhor jogador em campo.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O jovem Cabral

Ontem, em Alvalade, o Sporting mostrou os problemas já habituais, que nos fazem antecipadamente rezar um terço composto por cinquenta avé-marias intercaladas por cinco padre-nossos, face a um treinador do Feirense que com um orçamento para aí umas dez vezes inferior, mesmo numa noite quente, soube estender a Manta o mais que pôde, sem entrar em "burn-out". Manietados os nossos dois laterais, que revelaram as dificuldades já conhecidas em dar profundidade ao jogo ofensivo, e sem Bas Dost para ocorrer aos cruzamentos de Nani, Raphinha ou Bruno Fernandes, a equipa leonina não mostrou soluções alternativas de jogo interior (combinações 2x1, usando Montero) que permitissem encontrar espaços na área feirense. Restou o remate de fora da área, mas a mira esteve desafinada.

 

O nosso meio campo teve grandes dificuldades na organização do jogo: Bruno Fernandes, chegado mais tarde, está fora dela, "Muttley" Acuña, embora "morda as canelas" aos adversários, é mais jogador de passe e centro do que do arrastamento de bola típico de um box-to-box e Battaglia tem muita vontade, presença física, mas não tem "timing" de passe. Mais uma vez, os centrais tentaram compensar, nomeadamente André Pinto (agradável exibição), que nunca se coibiu de subir no terreno.

 

No ataque, Raphinha criou mais dificuldades à equipa fogaceira que Nani, mostrando velocidade e maior imprevisibilidade de movimentos, mas foi Jovane Cabral - um produto da nossa Formação -, saído do banco (substituiu o inoperante Jefferson, recuando Acuña para lateral), que acabaria por resolver o jogo, correspondendo a um bonito detalhe técnico de Raphinha, bem complementado por uma assistência de Ristovski, numa das poucas vezes que o macedónio se libertou. 

 

No final da partida, Peseiro, em conferência de imprensa, usou uma versão pós-moderna da "palavra" inspirada em alguns versículos bíblicos dedicados aos jovens, nomeadamente estes: "é bom que o homem suporte o jugo enquanto é jovem" (lamentações 3:27) e "ninguém o despreze pelo facto de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza" (Timóteo 4:12).

"Dão tudo e não escrevem nada", dito por três vezes, foi a frase encontrada pelo coruchense para, simultaneamente, elogiar o jovem Cabral e dar uma alfinetada a outros produtos da nossa Formação. Mesmo repetida é bem mais económica que o terço, que ameaça vir a ser um rosário, orado pelos adeptos sempre que se avizinham de Alvalade. Parece que Jovane não escreve. Não que não tenha formação para isso. Mas não escreve. Ainda. Estivesse ele há 4 anos para ter uma oportunidade na equipa principal como Palhinha ou Geraldes e, se calhar, até escreveria alguma coisita. Para já, escreve no campo e ajuda a aquecer a garganta de José Peseiro - que tem o mérito de nele ter apostado - da mesma forma que Palhinha também vai escrevendo em Braga. E, se pensarmos bem, se um Jovane ajuda muita gente, mais Jovanes ajudariam muito mais. 

 

P.S.: Parece que para alguns, querer Palhinha e Geraldes significa não querer Battaglia ou Bruno Fernandes. Nunca ouvi tal entre amigos e sportinguistas em geral, mas já li por aí. Se quisermos dividir, é um bom caminho. A verdade é que a maioria dos sportinguistas quer apostar na Formação, na medida em que é o único caminho possível para garantir a sustentabilidade do clube, algo que funciona como um axioma, isto é, de tão evidente nem necessita de ser provado. Mas também quer Batta, Bruno e todos os bons jogadores que nos possam ajudar, obviamente. O que não quer são desperdícios e acumulação de stocks de jogadores não muito bons, contratados por treinadores que querem os cromos todos e acabam por não ter uma equipa e que desprezam a nossa cantera e deixam os cofres do clube depauperados. E não, a nossa Formação não é de Marte. Até porque Marte, para quem não sabe, é o planeta vermelho, da cor das camisolas daquele clube que nos últimos anos lançou Ederson, Lindelof, Ruben Dias, Renato Sanches, Gedson e João Felix, entre outros. Não, a nossa Formação é da Terra. E, um dia, quem tiver os pés bem assentes na Terra vai ter de apostar nela. Rather sooner than later, I hope...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral (Raphinha seria uma boa alternativa)

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Pressão alta

Bisoprolol é o que eu tomo diariamente para controlar a pressão arterial.

Estou desde já avisado que em dia de jogos do Sporting, terei que reforçar a dose.

Assisti hoje ao primeiro jogo ao vivo em Alvalade esta época e confesso que, satisfeito pela vitória obviamente, sinto um misto de satisfação e de inquietude, pelo que vi durante o tempo de jogo.

Conseguimos os três pontos, é um facto. A vitória é mais que merecida, sem qualquer dúvida, mas depois de 26 remates enquadrados com a baliza, marcar apenas um golo e quase no final do jogo, sabe a muito pouco.

Se é certo que quem não tem cão caça com gato, não havendo Bas Dost, não se percebe porque se conduz o jogo pelas alas, sabendo-se que Montero não é um homem de área e que Nani já não é o extremo de antigamente.

Aos sessenta e poucos minutos Peseiro percebeu isto e fez sair o inútil Jefferson, desfazendo o desnecessário duplo pivot ao fazer deslocar Acuña para a lateral esquerda, posicionando Nani atrás do ponta de lança e com Jovane em jogo a coisa começou a fluir e em pouco mais de cinco minutos tivemos outras tantas oportunidades de marcar, altura em que o guarda-redes deles deu em fazer de Salin (na Luz) e defendeu tudo e mais um par de botas. Apesar de tarde, Peseiro deu a volta ao jogo, o que abona em seu favor. Já não abonará tanto, o facto de olharmos para a miserável exibição de Bruno Fernandes e pensarmos que o seu substituto natural está agora em Nuremberga e que das três substituições que fez, a única que atingiu o objectivo foi a entrada de Jovane, já que se estava a jogar com um a menos com B. Fernandes em campo, com a entrada de Castaignos e depois de um dos ic's o Petrov, ficou a jogar apenas com oito. E se ganhar com oito ao Feirense é obra, provavelmente parte da culpa é sua.

 

Nota final: O golo solitário que nos deu a vitória foi apontado pelo único jogador da formação que actuou (descontemos Nani, que já tem muito Mundo). Deixem-me concluir que se porventura mais jogassem, talvez o resultado fosse a mesma vitória, mas com outro sabor.

Rescaldo do jogo de hoje

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Gostei

 

Da vitória, mesmo arrancada a ferros. Triunfo merecido do Sporting neste segundo jogo em casa, por 1-0, contra um Feirense muito compacto e bem organizado no terreno - e que só hoje sofreu o primeiro golo de bola corrida (o anterior havia sido de penálti) e a primeira derrota no campeonato. Exibição leonina com solidez colectiva, maturidade psicológica e exemplar cultura táctica. Uma equipa que está a ser moldada com muita eficácia pelo treinador José Peseiro.

 

Do nosso ímpeto atacante. Caudal ofensivo leonino do princípio ao fim. Entrámos em campo de pé no acelerador e nunca deixámos de pressionar. E esta dinâmica intensificou-se com a entrada de Jovane em campo. Entrada tardia, mas ainda a tempo de alcançar a vitória.

 

De Jovane. Foi ele a fazer a diferença. Quando enfim pisou o relvado de Alvalade, iam decorridos 66', esticou o jogo, deu-lhe intensidade e comprimento, criou desequilíbrios, trazendo mais acutilância ofensiva ao onze leonino. E foi também ele a destacar-se ao marcar o golo que nos valeu três pontos. Golo mais que merecido face à exibição da equipa em geral e do jovem caboverdiano em particular. Voto nele como o melhor dos nossos.

 

De Raphinha.  Impôs-se rapidamente como titular, numa confirmação clara do seu valor. O ex-vimaranense é um verdadeiro reforço, como hoje reiterou num excelente trabalho pelas alas. Sobretudo na ala direita, com destaque para o lance de golo, em grande parte construído por ele com uma arrancada veloz e um túnel que abriu na defensiva adversária.

 

De Salin. Voltou a actuar bem entre os postes: começa a transmitir a ideia de que será o guarda-redes titular durante a temporada. Saímos de campo não apenas com três pontos mas também sem golos sofridos, o que ajuda a moralizar ainda mais a equipa. E a ele isso se deve também: chamado a intervir, cumpriu sempre. E assim transmitiu confiança aos colegas.

 

Do balanço destes quatro jogos.  Dez pontos amealhados em 12 possíveis - e já fomos à Luz. Quem diria, no início da temporada, que seríamos capazes deste desempenho com um plantel destroçado e um clube afectado por graves convulsões internas nestes meses mais recentes? Apesar das lacunas ainda existentes na equipa, da falta de automatismos e das lesões de titulares fundamentais. Mérito para todos, a começar no treinador.

 

Da homenagem a Nelson Évora. O grande atleta leonino foi medalhado e ovacionado ao intervalo, recebendo calorosos aplausos dos 38 mil espectadores por se ter sagrado campeão europeu do triplo salto. Um enorme Leão que sabe rugir.

 

 

Não gostei

 

Das lesões de Bas Dost e Mathieu. Dois elementos nucleares do onze titular leonino estiveram novamente ausentes por se encontrarem ainda com problemas físicos. Ambos fazem falta, sobretudo o holandês: precisamos de um avançado posicional que Montero, o seu substituto, claramente não é.

 

Do sofrimento até aos 88'. Estamos muito habituados a isto: a nossa paciência está sempre a ser testada em cada jogo, sobretudo nos que se disputam em Alvalade. O empate nulo que se registava ao intervalo e se manteve tempo de mais começou a irritar os adeptos, o que muito se compreeende. Só não consigo compreender quando esta impaciência se traduz em assobios.

 

Dos cantos desaproveitados. Beneficiámos de muitos pontapés de canto, mas fomos incapazes de conseguir transformá-los em ocasiões de golo. Foi confrangedor ver tanto desperdício.

 

Do festival de golos falhados. Battaglia, Montero, Nani, Raphinha e até André Pinto tentaram o golo, sem conseguir. Graças à boa exibição de Caio Secco, guardião do Feirense. Mas sobretudo por notória e exasperante falta de pontaria: 26 remates, apenas um golo.

 

De Jefferson. O brasileiro voltou a demonstrar que está abaixo do patamar médio de qualidade da equipa. Não apenas no plano defensivo, onde se desposiciona com muita facilidade, mas também no défice da sua prestação ofensiva: hoje não lhe saiu um só cruzamento com qualidade. Foi bem substituído aos 66', quando Jovane entrou e Acuña recuou para lateral esquerdo.

 

Do árbitro Rui Oliveira. O senhor do apito fez tudo para estragar o espectáculo desatando a exibir cartões amarelos por tudo e por nada. É caso para perguntar-lhe se assistiu ao recente Mundial da Rússia: o seu critério disciplinar em nada coincidiu com o que vimos no maior certame planetário da modalidade. O futebol é um desporto de contacto físico, facto que o senhor Oliveira ainda não percebeu.

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