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És a nossa Fé!

Balanço (20)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre JOVANE:

 

José Navarro de Andrade: «Desastrado Jovane (teve nos pés um golo antes dos 2' de jogo, mas a cabeça não deixou).» (28 de Agosto)

Luís Lisboa: «Mais uma vez provou que é um agitador para os finais dos jogos, não para titular.» (18 de Setembro)

- JPT: «O jovem Jovane está numa encruzilhada. Ou segue a Djaló ou continua para Gelson. É voluntarioso e é talentoso. Talvez seja tímido, talvez jogue amargurado.» (29 de Setembro)

Pedro Boucherie Mendes: «Feddal, Jovane estão também meio ausentes.» (4 de Outubro)

Eu: «Jovane, subitamente transformado no bombo da festa por vários adeptos leoninos, é simplesmente o nosso melhor marcador de penáltis. Como voltou a ficar evidente no desafio da Taça de Portugal frente ao Belenenses. Qualidade nada desprezível, atendendo à quantidade de grandes penalidades de que temos beneficiado esta época.» (19 de Outubro)

- Pedro Belo Morais: «Tendo o Sporting muito jogadores do tipo brinca-na-areia, porque dotados de uma técnica muito superior, controlar a bola, driblar, "sprintar" e travar a correria sobre terra seca é uma empreitada cuja técnica referida só atrapalha e prejudica - que o diga o Jovane Cabral.» (20 de Novembro)

Edmundo Gonçalves: «Nada contra o moço, mas meter em jogo um miúdo que não consegue fazer chegar a bola à área na marcação de um canto, define o que o rapaz ali andou a fazer. Nada!» (23 de Janeiro)

- Pedro Oliveira: «Um abraço para Jovane que seja muito feliz na Lazio. Gostava de o ver na Primavera a levantar o caneco da Liga Europa.» (1 de Fevereiro)

- CAL: «Maior das sortes, Jovane Eduardo. Possam, força bruta, raça, querer e paixão, trazer-lhe múltiplos sucessos.» (2 de Fevereiro)

- AHR: «Disse aqui, sujeitando-me a críticas, que o Jovane, por muita admiração que nutra pela sua humildade e entrega ao jogo, não tinha lugar neste Sporting. Curiosamente, pouco depois, o Jovane foi emprestado.» (30 de Abril)

Jovane quase de saída

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É com pesar que escrevo isto, mas parece que Jovane Cabral tem os dias contados no Sporting apesar de manter contrato até Julho de 2023. O avançado formado na Academia leonina, emprestado no último mercado de Inverno à Lazio, teve utilização escassa na Liga italiana: nem fica por lá nem consta dos planos de Rúben Amorim para a próxima temporada. A SAD tencionará colocá-lo no mercado por 6 milhões de euros.

O que pensam disto?

Jovane Cabral

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Jovane, subitamente transformado no bombo da festa por vários adeptos leoninos, é simplesmente o nosso melhor marcador de penáltis. Como voltou a ficar evidente no desafio da Taça de Portugal frente ao Belenenses. Qualidade nada desprezível, atendendo à quantidade de grandes penalidades de que temos beneficiado esta época.

Intriga-me que outros jogadores (Paulinho, Tiago Tomás, Pedro Gonçalves) não exibam esta característica.

Reforço também por isso a minha confiança em Jovane Cabral, sem o transformar em alvo. Como poderia, se o jovem luso-caboverdiano é neste momento o segundo maior marcador da nossa equipa?

O Sporting precisa de um jogador com as características dele - herdeiro directo do chamado "futebol de rua". Como eram Gelson Martins e Raphinha, por exemplo.

Nós, no Sporting, gostávamos de jogadores com estas características. Porém, no futebol aburguesado dos tempos actuais, a virtude transforma-se rapidamente em defeito: deixámos de apreciar os futebolistas menos formatados e mecanizados. E demonstramos intolerância máxima à menor falha.

O problema, se calhar, não é deles. É mesmo nosso.

Pódio: Jovane, Adán, Matheus Nunes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Braga-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Jovane: 19

Adán 19

Matheus Nunes: 19

Pedro Gonçalves: 18

Coates: 16

Esgaio: 16

Palhinha: 15

Feddal: 15

Vinagre: 14

Paulinho: 14

Gonçalo Inácio: 13

Nuno Santos: 12

Porro: 6

Tiago Tomás: 6

Matheus Reis: 5

Ugarte: 1 

 

A Bola  elegeu  Jovane  como melhor em campo. O Record  optou por  Matheus NunesO Jogo escolheu Adán.

Rodrigo, Nazinho e Dário, além de Jovane

Sporting, 2 - Belenenses SAD, 1 (jogo-treino)

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Chamado a converter penálti, Jovane não perdoou

 

Dois jogos em dias consecutivos, dois onzes totalmente diferentes. Ontem Rúben Amorim experimentou jogadores com uma equipa totalmente renovada face à partida da véspera, tendo desta vez o Belenenses SAD como adversário, no Estádio Algarve. Mas mantendo intacto o sistema táctico que elegeu - precisamente aquele que permitiu ao Sporting tornar-se campeão após 19 anos de jejum.

Desta vez, porém, o treinador leonino viu-se forçado a fazer alterações ao onze inicial. Pelo pior dos motivos: Porro teve de sair logo aos 8', lesionado. Substituído por Vinagre, em estreia absoluta de verde e branco. Pálida estreia, jogando de pé trocado no corredor direito, sem exuberância no plano físico, acabando por sair antes do fim.

Antes da lesão, Porro teve tempo de contribuir para o nosso golo inicial, aos 4', com um forte disparo à baliza. Da defesa incompleta do guarda-redes resultaram dois ressaltos, com autogolo de um defesa azul. Estrelinha de campeão neste lance.

Feddal, Nuno Santos e Tiago Tomás completavam o quarteto de habituais titulares do Sporting nesta partida. Que contou com Rodrigo e Nazinho no onze inicial - dois jogadores oriundos da equipa B, o segundo, com apenas 17 anos, em estreia ao primeiro nível perante os adeptos que puderam acompanhar a partida pela televisão.

Jogo bem disputado na primeira parte, com o triunfo leonino a ser construído nesse período - o segundo por Jovane de penálti, aos 31', castigando falta cometida sobre Tiago Tomás. O jovem luso-caboverdiano foi o elemento mais em destaque. Na segunda parte, já com os "astros" Palhinha e Pedro Gonçalves em campo, o tédio instalou-se no Estádio Algarve, em parte devido ao calor que se fazia sentir.

Houve ainda tempo para ver Nuno Mendes actuar no corredor oposto ao que costuma ser seu. Com a eficiência habitual. O jovem campeão é esquerdino mas não "cego" do pé direito. Em situação de emergência, pode actuar perfeitamente naquela ala. 

 

Análise muito sumária do desempenho dos jogadores:

MAX. Bom jogo de pés. Atento, rápido de reflexos. Aos 72', saiu muito bem aos pés de Ndour, o melhor do Belenenses SAD. Nada podia fazer no golo sofrido, aos 21', num belo remate, indefensável, do mesmo jogador.

NETO. O golo adversário aconteceu numa perda de bola do capitão, apanhando-o fora de posição. Foi o principal deslize numa partida em que procurou, nem sempre com sucesso, começar a construir com passes longos.

FEDDAL. Com Coates ainda ausente, actuou no centro da defesa. Faltam-lhe automatismos na posição que costuma estar confiada ao uruguaio. No lance do golo, tentou a dobra a Neto sem conseguir travar Ndour.

RODRIGO. É médio de raiz, mas cumpriu como central mais à esquerda, revelando disciplina táctica e capacidade de compensar as subidas de Nazinho. O melhor passe longo da primeira parte saiu dos pés dele.

PORRO. Entrou com a genica e o dinamismo habituais, prometendo manter os índices competitivos que lhe conhecemos da época anterior. Participou na construção do golo, mas saiu por lesão quatro minutos depois, aos 8'.

DÁRIO. O jovem médio defensivo fez toda a primeira parte num lugar muito especial: o que costuma estar entregue a Palhinha. Cumpriu no essencial, actuando sem complexos. Por vezes esquecemo-nos que só tem 16 anos.

TABATA. Uma das melhores exibições leoninas. Fez parceria inédita com Dário, actuando como médio de construção. Boa tabelinha com o colega aos 13'- quase marcou. Aos 64', lançou muito bem Tiago Tomás.

NAZINHO. Tem apenas 17 anos, mas revela bom toque de bola. Fez de Nuno Mendes, como lateral projectado na ala esquerda. Deu nas vistas: capacidade de acelerar e temporizar o jogo conforme as circunstâncias pediam.

JOVANE. Desequilibrador. Converteu aos 31' o penálti da vitória, punindo falta cometida sobre TT. Aos 37', grande passe de trivela, isolando Nuno Santos: foi golo, invalidado por fora-de-jogo. Melhor da primeira parte, única em que jogou.

NUNO SANTOS. Cumpriu no essencial, sem brilhantismo. Alvo de sucessivas faltas adversárias. Nem sempre os centros lhe saíram com a eficácia habitual. Chegou a marcar, mas viu o golo anulado pelo VAR por deslocação.

TIAGO TOMÁS. Fez de ponta-de-lança. Nem um remate na primeira parte: a bola não lhe chegava. Esteve mais em evidência no segundo tempo, com fortes pontapés a visar a baliza, aos 59' e 76', para defesas apertadas do guarda-redes.

VINAGRE. Entrou em campo quase sem aquecer, aos 11', cabendo-lhe render Porro. Está como peixe fora de água no corredor direito, sobretudo no momento de centrar. Viria a sair aos 57', substituído por Nuno Mendes.

PALHINHA. Fez a segunda parte, substituindo Dário, num momento de menor pressão azul devido ao calor algarvio. A diferença notou-se sobretudo ao nível dos passes longos e na capacidade de verticalizar o jogo.

PEDRO GONÇALVES. Todo o segundo tempo em campo, substituindo Jovane. Menos velocidade, mais passes curtos, como interior sobretudo no lado direito. A posição em que marcou 23 golos na temporada anterior.

NUNO MENDES. Receava-se que viesse de férias, e de lesão, em menor condição física, mas desfez as dúvidas mal saltou do banco, aos 57', rendendo Vinagre. Na ala direita, fazendo logo a diferença no passe e no remate.

 

Notas finais:

- Mantém-se a aposta de Rúben Amorim na prata da casa: seis dos iniciais são da nossa formação. E só três dos 14 que jogaram são estrangeiros (Feddal, Porro, Tabata).

- Nazinho, nome a reter pelos adeptos. Exibição muito positiva do jovem ala esquerdo, outro valor em evidência da nossa Academia.

- Rodrigo (90' em posição adaptada, como central) e Dário Essugo (como médio defensivo, embora só tendo jogado 45') também com desempenhos positivos.

- Rúben Vinagre: estreia imprevista como pronto-socorro para uma ala em que se sente pouco à-vontade. Muito cedo para concluir o que quer que seja.

- Continua em aberto a discussão para o lugar de João Mário. Será de Matheus Nunes? Será de Daniel Bragança? Tabata mostrou ser também candidato.

- Tem-se discutido se Pedro Gonçalves deverá recuar no terreno, actuando como 8. Faz pouco sentido. Deve jogar na posição em que brilhou no campeonato. 

Balanço (20)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre JOVANE:

 

- Luís Barros: «É um jogador com características mais adaptadas a extremo. Mais um jogador sem jogo aéreo, inconstante nas suas exibições e que por diversas demonstra problemas físicos.» (30 de Setembro)

- JPT: «A compor uma equipa sem avançado centro, que é coisa que Jovane Cabral não é nem será.» (19 de Outubro)

João Goulão: «Esquecia-me do Jovane, pudera parece que já não contamos muito com ele.» (29 de Outubro)

José Navarro de Andrade: «Regressado de uma lesão, marcou um golo e todos o festejaram, cada um como se fosse seu. Uma dinâmica destas chega ser comovente, sobretudo num Sporting com um balneário famosamente descortês.» (8 de Janeiro)

- Sol Carvalho: «A comemoração do golo de Jovane é um hino à união de um equipa e ao "onde vai um vão todos".» (9 de Janeiro)

- Francisco Chaveiro Reis: «Viva a Zaragatoa Jovane.» (19 de Janeiro)

Eu: «Trouxe golo, bisando contra o FCP neste clássico em que se estreia como goleador e se sagra como figura da partida.» (20 de Janeiro)

- Pedro Belo Morais: «(...) da magia que saiu do pés de Jovane.» (20 de Janeiro)

Paulo Guilherme Figueiredo: «Não é um jogador vulgar. Pela audácia, pela alegria de jogar. Pelos golos, pelas assistências.» (22 de Janeiro)

- CAL: «Depois de hoje talvez fosse de olhar para Jovane como o sucessor de alguém na equipa. Merece-o.» (21 de Abril)

- Edmundo Gonçalves: «É melhor contarmos com Jovane. Com muito menos espalhafato, resolve-nos o problema.» (22 de Abril)

Zélia Parreira: «Há jogadores talismã... e um deles é Jovane.» (1 de Maio)

Pedro Boucherie Mendes: «Os heróis são escassos, um Jovane aqui, um Pote acolá, um Coates sempre de topo, mas com aparência calma e zen. A equipa vale por todos.» (6 de Maio)

Luís Lisboa: «Esteve muitíssimo bem, com arranques poderosos e muito mais empenhado no jogo colectivo, e aquele passe para o terceiro golo de Pedro Gonçalves é deveras magistral.» (20 de Maio)

O dia seguinte

O Sporting encerrou da melhor maneira este campeonato, com uma vitória concludente contra a equipa que meses antes nos tinha eliminado da Taça e levando Pedro Gonçalves ao topo dos melhores marcadores.

Com um onze muito diferente do habitual, o Sporting entrou rápido e pressionante, os lances de perigo sucediam-se e rapidamente se chegou ao 3-0. Enquanto isso no Marítimo os jogadores caíam a bom ritmo agarrados a tudo o que podia doer, na tentativa de quebrar o ritmo e escapar à goleada. Na 2.ª parte o Sporting tentou voltar ao ritmo inicial mas já foi um jogo mais dividido, ainda chegou ao 5-1 com um golão de Plata mas cedeu o "ponto de honra" ao cair do pano.

Além da noite mágica de Pedro Gonçalves, com três golos plenos de oportunidade e frieza na concretização, Jovane esteve muitíssimo bem, com arranques poderosos e muito mais empenhado no jogo colectivo, e aquele passe para o terceiro golo de Pedro Gonçalves é deveras magistral. Paulinho como de costume a fazer tudo bem menos marcar nas oportunidades que vão aparecendo, em jeito não acerta na baliza, em força bate em alguém, todos os outros em plano bastante aceitável. O meio-campo com Matheus Nunes e Bragança funciona só num sentido, qualquer dos dois precisa dum jogador mais posicional nas costas. E lá teve que voltar Palhinha para pôr ordem na casa.

Percebe-se bem o discurso de Amorim. Saindo Nuno Mendes e João Mário, para equilibrar as contas e ter capacidade de investimento em novos craques, não pode sair mais ninguém do núcleo duro da equipa. E mesmo assim vai ser difícil substituir esses dois: a intensidade e os cruzamentos mortíferos do primeiro e a capacidade de comando do segundo vão fazer muita falta. Mas o mercado é que manda: jogadores inegociáveis é coisa que não existe, e se alguns colossos europeus se chegarem à frente eles irão mesmo. Mas quem trocaria a situação de hoje, com o Sporting campeão, um treinador vencedor e uma equipa estruturada com a situação de um ano atrás, um Sporting em 4º lugar, um treinador acabado de chegar, e uma equipa onde os miúdos eram mesmo miúdos e os melhores dos outros estavam de partida?

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Pódio: Jovane, Feddal, Luís Maximiano

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Nacional pelos três diários desportivos:

 

Jovane: 20

Feddal: 18

Luís Maximiano: 17

Daniel Bragança: 16

Pedro Gonçalves: 16

Neto: 16

Porro: 15

Coates: 15

Nuno Santos: 14

Nuno Mendes: 14

Paulinho: 14

Palhinha: 13

Plata: 12

Matheus Reis: 11

Matheus Nunes: 10

 

Os três jornais elegeram Jovane como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De vencer o Nacional em casa. Triunfámos por 2-0 - a mesma marca do épico desafio da primeira volta, realizado na Choupana, em noite de vendaval. Vitória categórica contra três equipas: o onze adversário (reduzido para dez aos 67'), o árbitro que fez vista grossa a uma grande penalidade cometida sobre Paulinho logo aos 7' e o vídeo-árbitro Luís Ferreira, incapaz de detectar um murro na cara de Daniel Bragança aos 45'+1 e um ostensivo agarrão a Coates aos 80'. 

 

De Jovane. Foi o homem do jogo, repetindo a excelente exibição daquela partida na Choupana, em que também fez o gosto ao pé. Rúben Amorim deu-lhe ordem de entrada para render Palhinha aos 62'. Fazia todo o sentido: mantinha-se o zero-a-zero inicial, a turma madeirense já estava remetida ao seu reduto, não precisávamos de um médio com características defensivas mas de um desequilibrador lá na frente. O jovem luso-caboverdiano cumpriu a missão com brilho: esticou o jogo, verticalizou o passe (notável, lançando Porro aos 65'), sofreu falta para expulsão já tardia de um dos sarrafeiros do Nacional. Fez magnífica assistência para golo, aos 83', picando a bola que sobrevoou a área e foi ter com Feddal, que lhe deu a melhor direcção: vinham mais três pontos a caminho. Cereja em cima do bolo: derrubado à margem da lei, na grande área, Jovane converte o penálti e sela o resultado aos 90'+2. Mostrando a alguns colegas como se faz. Parece fácil, mas é fruto de muito trabalho físico e mental.

 

De Coates. Cometeu um lapso defensivo aos 46', perdendo a bola em zona proibida. Mas em tudo o resto voltou a ser o líder de que a equipa tanto necessita nos mais diversos momentos do jogo. Foi ele a servir os colegas com diversos passes à distância bem calibrados (aos 42' e aos 43', por exemplo). Um desses passes, já no tempo extra, funcionou como autêntica assistência para golo: a bola é recolhida lá na frente por Jovane, derrubado em falta - de que decorreu o penálti e o nosso segundo. Nova missão de sacrificio e demonstração da versatilidade táctica do gigante uruguaio, que voltou a actuar como ponta-de-lança entre os minutos 80 e 87.

 

De Feddal. Como aqui escrevi no rescaldo da jornada anterior, funciona como complemento perfeito de Coates: o excelente rendimento de um não consegue ser explicado sem o sólido desempenho do outro. É uma das mais perfeitas parcerias defensivas alguma vez existentes no futebol leonino. Ao central marroquino só vinha faltando algum faro de golo nos lances ofensivos de bola parada, imitando o uruguaio. Também nisso evoluiu: é ele a abrir o marcador, de cabeça, aos 83'. Começa a tornar-se num segundo gigante, a justificar aplauso prolongado.

 

De Pedro Gonçalves. Desta vez não marcou. Mas jogou imenso, a merecer nota muito elevada. Parecia andar em todas as partes do terreno, abrindo linhas de passe, evitando marcações, sem nunca virar a cara a um confronto individual. Volta a estar em excelente forma. Ofereceu três golos a Paulinho: aos 70', aos 79' e aos 90'. E ele próprio esteve quase a marcar, num disparo aos 21', isolado perante o guarda-redes António Filipe, que lhe impediu o golo com bons reflexos.

 

De Luís Maximiano. Suplente de luxo para o nosso guardião titular, desta vez ausente por acumulação de amarelos(!), algo que só acontece ao Sporting com este sistema de arbitragem. Max estreou-se entre os postes nesta Liga 2020/2021 e correspondeu muito bem ao repto. Não porque tivesse muito trabalho, mas porque manteve sempre a concentração e demonstrou reflexos em momentos de apuro, como quando saiu sem hesitar, aos 46', neutralizando um lance perigoso. Ninguém diria que o seu anterior jogo para o campeonato havia sido a 25 de Julho de 2020.

 

Das oportunidades de golo. Doze, no total. Este foi o desafio em que dispusemos de mais claras oportunidades de fuzilar as redes adversárias. Objectivo que ficou por concretizar devido à boa exibição do guarda-redes adversário e a uma certa imperícia ou falta de sorte dos rematadores - com destaque para Paulinho. Além das grandes penalidades que ficaram por assinalar.

 

De outro jogo a marcar tarde. Sofre-se mais, mas assim o desfecho é duplamente saboroso. Esta foi a 12.ª partida em que conseguimos golos e pontos após o minuto 80. Confirmação inequívoca de que o Sporting está muito longe de ser uma equipa "com défice de estofo emocional", contrariando o bitaiteiro Joaquim Rita numa das suas "pérolas" mais desajustadas da realidade.

 

Do apoio vibrante dos adeptos. Largas centenas de sportinguistas acorreram ao encontro da equipa, saudando-a no trajecto entre Alcochete e Alvalade. E muitos, mesmo ainda impedidos de ver o jogo ao vivo apesar do fim do estado de emergência, foram incentivando os jogadores na garagem do estádio enquanto a partida decorria. Adoptando o lema que Amorim lançou: «Para onde vai um, vão todos.»

 

De estarmos invictos há 30 jogos consecutivos. Novo recorde batido. Desta vez ultrapassando a marca de 29 desafios do Sporting sem derrotas estabelecida em duas épocas diferentes por Fernando Vaz, no período 1969-1970. Igualamos agora um máximo de 30 partidas invictas do Benfica que remonta à década de 70 (com Jimmy Hagan e John Mortimore ao comando da equipa) e em data mais recente pelo FC Porto (treinado por André Villas-Boas e Vítor Pereira). Recorde que pode ser superado já na quarta-feira, em Vila do Conde.

 

Do nosso palmarés defensivo. Apenas 15 golos sofridos nas 30 partidas já disputadas. Só um golo nas nossas redes a cada dois jogos. Dezoito partidas sem sofrer um só golo. Isto ajuda a explicar por que motivo lideramos isolados o campeonato há 24 rondas consecutivas - outro máximo absoluto neste Sporting orientado por Rúben Amorim. Nunca nos tinha acontecido com treinador algum.

 

Dos 76 pontos somados até agora. Falta-nos disputar quatro "finais". Mas estamos apenas a uma vitória de conseguir um lugar de acesso automático à Liga dos Campeões. E faltam-nos duas, acrescidas de um empate, para garantirmos o título. Só dependemos de nós, sabendo que os nossos rivais se defrontarão entre si na quinta-feira: em caso de empate ou derrota na Luz, o FC Porto ficará ainda mais longe. Por agora permanece a seis pontos, enquanto o Benfica segue com menos dez. O Braga, que no início tantos apontavam como "equipa sensação" deste campeonato, caiu a pique: está 18 pontos abaixo do Sporting.

 

 

Não gostei

 
 

Do árbitro Manuel Oliveira. Sendo o futebol português o que é, e estando a classificação como está, enviam-nos um apitador do Porto - e notório adepto portista - para arbitrar esta partida. Tinha tudo para dar mal. E deu mesmo. Oliveira autorizou o arraial de sarrafada posto em prática pelos pupilos de Manuel Machado em Alvalade. O Nacional fez 30 faltas (assinaladas, fora as restantes) neste jogo mas ao intervalo, já com 25 cometidas, só tinha um jogador amarelado - tanto como o Sporting, pois Paulinho vira o cartão aos 31', por mero protesto, farto de ser carregado sem qualquer advertência aos robocops da Madeira. O mesmo Paulinho que aos 7' foi alvo de falta grosseira na grande área do Nacional sem qualquer consequência contra o prevaricador, um tal Júlio César, que só à oitava falta viu enfim o amarelo. O apitador - acolitado pelo VAR Luís Ferreira - fez igualmente que não viu mais duas faltas que justificavam penálti, por agressão e derrube de Daniel e Coates à margem da lei. Uma vergonha. 

 

De Manuel Machado. Se o paradigma do treinador da "velha guarda" é este, longa vida aos jovens treinadores. Técnicos como o "professor Machado", que dão ordem aos jogadores para travar por qualquer meio - lícito ou ilícito - as equipas adversárias, recorrendo em exclusivo ao jogo faltoso, estão a mais no futebol português. Este Nacional que na primeira meia hora de jogo já tinha feito 17 faltas bem merece a descida de divisão - com bilhete só de ida. E Machado que vá com ele.

 

Do festival de golos falhados. Excessiva ineficácia ofensiva de alguns jogadores leoninos - com destaque para Paulinho, que continua em jejum de golos. Desta vez até marcou, aos 35', mas não valeu pois Pedro Gonçalves, autor da assistência, arrancara em fora de jogo. Aos 11' mergulhou bem de cabeça para defesa muito apertada de António Filipe. Aos 45'+1, acertou no poste. Aos 70' e aos 90', voltou a estar quase, sem conseguir. Falhanços também de Nuno Santos (62') e Porro (65'), entre outros. 

 

Do 0-0 ao intervalo. O nulo que se mantinha ao fim dos primeiros 45 minutos trazia um travo de injustiça, em nada reflectindo o que se passara em campo. Felizmente foi rectificado na etapa complementar. Tarde de mais, para alguns adeptos impacientes, que gostam de ver tudo resolvido logo de início. Muito a tempo para outros - entre os quais me incluo.

 

De Daniel Bragança. Exibição modesta do nosso médio de construção, lançado por Amorim como titular em substituição de João Mário, que não saiu do banco. Mas o jovem formado em Alcochete não acelerou jogo, não criou desequilíbrios e desperdiçou o seu talento com passes lateralizados em vez dos lances de ruptura que o desafio exigia. Falta-lhe alguma robustez física para impor os seus inegáveis dotes técnicos.

Rescaldo do jogo de anteontem

Não gostei

 

 

Do resultado do Sporting-Belenenses SAD. Terminou empatado 2-2: foi o nosso terceiro empate nos últimos quatro jogos, indício evidente de quebra global da equipa. Mas pior foi a exibição: só por volta dos 70' os nossos jogadores parecem ter despertado da letargia que se apoderou deles em campo. Jogando sem ritmo, falhando passes, abusando dos atrasos ao guarda-redes, com lentíssima circulação de bola. Pareciam estar a cumprir uma tarefa burocrática na repartição. Como se não quisessem ser campeões. 

 

De Adán. Tinha brilhado no jogo anterior. Desta vez borrou a pintura, com um erro inadmissível, daqueles que podem custar campeonatos: apertado por Cassierra, hesitou quanto ao pé a utilizar na saída de uma bola e acabou por chutar no ar, desequilibrando-se. Ofereceu assim ao Belenenses SAD o segundo golo. Iam decorridos 54', passávamos a perder 0-2. Nos minutos imediatos instalou-se o descontrolo emocional na equipa. A partir daí foi tremideira até ao fim.

 

De João Mário. Exibição apática do campeão europeu, que abusou de jogar a passo e das lateralizações sem rasgo, incapaz de queimar linhas ou de um passe de ruptura. Pior ainda: ao ser chamado para converter um penálti, aos 42', permitiu a defesa de Kritciuk. Foi substituído aos 67', tendo saído tarde de mais.

 

De Gonçalo Inácio. O pior jogo do jovem central desde que ascendeu à nossa equipa principal. Está de algum modo envolvido nos dois golos: no primeiro, logo aos 13', deixou-se fintar por Miguel Cardoso, que colocou a bola na área; no segundo, quando o Sporting precisava de construir um rápido lance ofensivo, optou por mais um burocrático atraso a Adán num passe de risco, que precipitou o erro do guarda-redes.

 

De Tiago Tomás. Outra exibição para esquecer. Aos 4' já estava a ser amarelado por uma entrada negligente, por trás, no meio-campo defensivo do Belenenses SAD, sem qualquer necessidade. Depois falhou três vezes a possibilidade de atirar com sucesso às redes azuis: aos 18' chutou para a bancada; aos 23', saiu-lhe um remate frouxo; aos 28', bem servido, desperdiçou a melhor oportunidade. Péssimo no capítulo da finalização. Foi bem substituído ao intervalo.

 

De Paulinho. Uma nulidade. Sucedem-se as jornadas com o nosso ponta-de-lança sem demonstrar em campo as qualidades que fizeram dele a contratação mais cara do Sporting. Atravessa uma evidente crise de confiança: nunca está no sítio certo quando é necessário. Foi preciso Coates, um central, ir lá à frente mostrar-lhe como se faz. O ex-artilheiro do Braga já parece ter esquecido. E nem serve para marcar penáltis. Como se implorasse ao treinador para o deixar fora do onze titular.

 

De Palhinha e Porro. Dois dos nossos melhores jogadores nesta época 2020/2021 vieram irreconhecíveis da mais recente pausa para desafios das selecções A em que ambos se estrearam. Em nítida quebra de forma, contribuíram ambos para a apagada exibição da equipa. 

 

Dos ataques inconsequentes. Em remates, o desequilíbrio neste dérbi lisboeta dificilmente podia ter sido maior: 28 do nosso lado e apenas três do Belenenses SAD. Problema: os nossos foram quase todos muito ao lado ou resultaram em pontapés frouxos que o guarda-redes deles facilmente interceptou. 

 

Das substituições tardias. Este desafio, contra uma equipa que defende com linhas muito baixas, pedia desequilibradores e criativos. Mas eles estavam quase todos no banco. E só foram lançados na segunda parte, por esta ordem: Nuno Santos (46'), Tabata (61'), Jovane (67'), Daniel Bragança (67') e Matheus Nunes (77'). Foi quanto bastou para o empate, alcançado no último lance do desafio. Mas já não chegou para a reviravolta que se impunha: ficaram mais dois pontos pelo caminho.

 

Das hesitações do treinador. Rúben Amorim, ausente do banco por castigo, demorou muito a desmanchar o sistema dos três centrais que já não fazia qualquer sentido com a nossa equipa a perder por 0-2 e o Belenenses SAD totalmente remetido ao seu reduto defensivo. Impunha-se reforçar as linhas dianteiras, o que só aconteceu aos 77', quando Coates - quase em desespero táctico - passou de central a ponta-de-lança improvisado. Lá atrás ficavam Gonçalo e Matheus Reis, que chegaram e sobraram. Não fazia falta mais nenhum.

 

 

Gostei

 

De Coates. Voltou a fazer a diferença, marcando o seu sétimo golo desta temporada. Este Sporting 2020/2021 - que já conquistou nove pontos no tempo extra - deve muito ao internacional uruguaio, não apenas no domínio defensivo, onde é um baluarte, mas também quando é preciso desatar os nós lá na frente. O nosso primeiro golo resultou de um forte cabeceamento do nosso capitão, elevando-se acima da muralha defensiva azul, aos 83'. Voto nele como melhor em campo.

 

De Jovane. Parece ser uma espécie de patinho feio no Sporting de Rúben Amorim. A verdade, porém, é que costuma corresponder quando é chamado. Voltou a acontecer: entrou aos 67', rendendo Palhinha, e funcionou como talismã leonino. Aos 90'+4 ganhou um penálti que ele próprio converteu num pontapé imparável. Valeu-nos um ponto e mostrou a João Mário como se faz. 

 

De Nuno Santos. Faltava quem soubesse cruzar com critério e qualidade. E foi do pé esquerdo dele que saiu esse centro que tanta falta nos fazia. Com precisão cirúrgica, a partir da linha, para a cabeça de Coates. Outra assistência para golo de um jogador que tão útil nos foi na primeira volta mas deixou de ser titular com a chegada de Paulinho. Tem de voltar ao onze inicial. O Sporting precisa dele em campo, não no banco.

 

De Nuno Mendes. Foi o único que na primeira parte sobressaiu da mediocridade e da mediania. Se alguém merecia a vitória, era ele. Bom nos duelos individuais, sem ter medo de transportar a bola, aos 41' foi ele a sofrer a falta que deu origem ao primeiro penálti de que beneficiámos neste jogo - o tal que João Mário foi incapaz de converter.

 

De termos cumprido o 28.º jogo seguido sem perder. Outro máximo ultrapassado: continuamos a ser a única equipa invicta na Liga 2020/2021. A seis jornadas do fim. 

 

Dos 70 pontos já atingidos. Estamos a três vitórias de conseguir o acesso directo à Liga dos Campeões.

 

De Nuno Almeida. Actuação impecável do árbitro algarvio, com critério largo e sem hesitar nos momentos potencialmente mais controversos, apontando duas vezes para a marca da grande penalidade. 

 

Da atitude da equipa nos 20 minutos finais. A perder por 0-2, os nossos jogadores encheram-se de brios, carregaram no acelerador e fizeram enfim enorme pressão sobre o Belenenses SAD, que passou a aliviar de qualquer maneira. Só foi pena terem esperado tanto tempo para mostrarem como se deve fazer. Não podiam ter despertado mais cedo?

 

De termos contrariado Petit. O benfiquista que treina o falso Belenenses, com a boçalidade que o caracteriza, tinha expressado na véspera do jogo o desejo de «tirar a virgindade» ao Sporting. A ele é que ninguém consegue tirar a grunhice. Trata-se de um caso irrecuperável.

Pódio: Jovane, Coates, Nuno Santos

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Belenenses SAD pelos três diários desportivos:

 

Jovane: 16

Coates: 16

Nuno Santos: 15

Nuno Mendes: 15

Tabata: 14

Daniel Bragança: 13

Tiago Tomás: 12

Palhinha: 12

Paulinho: 12

Matheus Nunes: 11

Matheus Reis: 11

Pedro Gonçalves: 11

Porro: 10

João Mário: 10

Adán: 10

Gonçalo Inácio: 10

 

A Bola e o Record elegeram Nuno Mendes como melhor jogador em campo. O Jogo optou por Jovane.

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