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És a nossa Fé!

A troca de Peseiro por Keizer em pontos

O Observatório do Futebol da Universidade Europeia fez as contas às pontuações das equipas da Liga 2018/2019 antes e depois das oito "chicotadas psicológicas" já registadas na actual época futebolística.

Conclusão deste estudo, hoje revelado no jornal A Bola: cinco melhoraram a pontuação, uma ficou na mesma e três pioraram. 

Em melhor posição está o Benfica: com Rui Vitória, o presente líder do campeonato tinha uma média de 2,13 pontos por jogo; com Bruno Lage, subiu para 3 pontos.

Seguem-se Boavista (0,89 com Jorge Simão, 2 com Lito Vidigal), Aves (0,71 com José Mota, 1,67 com Augusto Inácio) e Chaves (0,58 com Daniel Ramos, 1,09 com Tiago Fernandes).

A meio está o Marítimo: tinha só um ponto por golo com Cláudio Braga, manteve esta média com Petit.

Surgem enfim as equipas que, neste aspecto, mudaram para pior. E entre elas, lamento verificar, inclui-se o Sporting. Que com José Peseiro tinha 2 pontos em média por cada jogo e agora, sob a batuta de Marcel Keizer, baixou para 1,85.

Resta a fraca consolação de vermos duas equipas "chicoteadas" pior que nós: o V. Setúbal, que tinha 1,06 com Lito Vidigal e baixou para 0,8 com Sandro Mendes; e o quase despromovido Feirense (0,7 com Manta Santos e zero com Filipe Martins).

As coisas são o que são.

Factual

Balanço dos 14 jogos orientados por José Peseiro antes de ser despedido:

 

9 vitórias

Contra Marítimo (2), Moreirense, V. Setúbal, Feirense, Qarabag, Vorskla, Loures, Boavista

1 empate

Contra Benfica

4 derrotas

Contra Braga, Portimonense, Arsenal, Estoril

 

24 golos marcados, 14 sofridos

 

..............................................

 

Balanço dos mais recentes 14 jogos orientados por Marcel Keizer:

 

5 vitórias

Contra Feirense (3), Moreirense e Belenenses

4 empates

Contra FC Porto (2), V. Setúbal e Braga

5 derrotas

Contra Benfica (2), V. Guimarães, Tondela e Villarreal

 

20 golos marcados, 17 sofridos

Mudar...

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Foto Jornal de Notícias

 

Fui dos que criticaram o despedimento de José Peseiro, não por ser um entusiasta do treinador português, que demasiadas vezes tem sido um perdedor ao longo da carreira, mas porque entendo que apenas devemos promover uma troca se houver algo a ganhar com a mesma. O tempo veio dar-me razão, apesar do inesperado sucesso inicial de Marcel Keizer, ao qual também eu me rendi, afinal quem não gosta de futebol espectáculo? Só que foi sol de pouca dura, após a inevitável primeira derrota, que aconteceu na deslocação a Guimarães, não mais o Sporting se reencontrou, acumulando derrotas ou empates em jogos de médio ou elevado grau de dificuldade.

Bem sei que tivemos um penoso virar de página no final da época passada, ao qual os sócios não querem voltar, por mais que as viúvas do destituído pairem como abutres sobre as péssimas exibições que o Sporting vem acumulando, rosnando que no tempo do lunático estávamos melhor, se um destes dias e espero que tal não aconteça, formos obrigados a repensar a liderança directiva, o passado de triste memória não poderá fazer parte da equação, porque esteve na raiz do problema.

Mas a pesada herança não explica tudo, Frederico Varandas fez uma aposta de risco ao escolher um treinador sem currículo e tendo arriscado, há que perceber que perdeu a aposta. Marcel Keizer não consegue colocar os jogadores a praticar bom futebol, pior, não tem hoje sequer uma ideia de jogo, é bola para o Bruno Fernandes à espera que o nosso melhor jogador resolva individualmente o que a equipa se revela incapaz jogo após jogo. Aqui chegados há que jogar os próximos dois jogos e tirar conclusões, recepção ao Braga e deslocação ao Villareal. Caso não vençamos o Braga e sejamos eliminados na Liga Europa, Marcel Keizer não pode continuar a treinar o Sporting, espero que Frederico Varandas o perceba, errar é humano, não corrigir um erro é burrice. Mas que não se cometa novo erro para corrigir um erro anterior, quando Peseiro foi despedido, talvez Tiago Fernandes pudesse ter continuado, para substituir Marcel Keizer, julgo que deveríamos apostar em Raul José, que conhece o clube.

Esgotou-se a paciência

Os leitores deste blogue conhecem a minha opinião sobre José Peseiro. Achei um erro a sua contratação desde o primeiro minuto, no tempo de Dias da Cunha, e achei uma insanidade o seu regresso. Já o afirmei e justifiquei várias vezes, em vários textos. Nunca acreditei nele para treinador, e sempre fui favorável à sua saída. Continuo a ser: isto não é uma manifestação de saudades - não tenho nenhumas do anterior treinador. Agora, depois do que vimos hoje, definitivamente me convenci de que, se era para isto, seria melhor o Peseiro não ter saído. Afirmei e mantenho que o Peseiro para mim era uma espécie de Tiririca - pior do que ele não ficaria. Mas hoje convenci-me de que se ele tivesse ficado o futebol do Sporting de certeza não estaria pior do que está. Perder em casa com o penúltimo classificado da Liga Espanhola, nesta que é uma competição importante (o treinador parece não saber) é pior do que perder em casa com o Estoril para a Taça da Liga. Marcel Keizer perdeu hoje todo o pouco crédito que tinha junto dos adeptos sportinguistas. É bom que o presidente se convença disto, e que cometeu um enormíssimo erro ao contratá-lo.

Escusávamos de ter chegado aqui

Estou cansado, por isso tenho pouco a acrescentar ao que aqui escrevi há três meses, antes de sabermos quem seria o sucessor de Peseiro. Highlights: "Em algum momento Peseiro tinha de ir. O que já não percebo é o timing da saída: depois de uma derrota a jogar com a equipa Z para uma taça sem interesse (ganhámos uma vez: acho que basta para picar o ponto), depois de duas exibições convincentes, uma contra o Boavista e outra contra o Arsenal (alguém legitimamente estava à espera de ganhar ao Arsenal com esta equipa, mesmo em Alvalade?), a um ponto do Benfica, com possibilidade de o ultrapassar este fim-de-semana, a dois dos líderes do campeonato. Porquê agora? Sobretudo quando se percebe que não foi pensada nenhuma alternativa. Lá voltámos ao nosso fétiche, que é arranjar treinadores com nome holandês que ninguém sabe o que valem (e em geral não valem um caracol; a propósito, alguém me explica esta fixação: é porque os nomes soam bem? Vercauteren, por exemplo, soa tão bem). Ora, se é para arranjar um qualquer Peseiro holandês, não se percebe para que foi isto tudo. Esperemos que Frederico Varandas não tenha cometido aqui o seu primeiro erro grave".

A isto acrescentaria apenas que julgo que, com Peseiro, por medíocre que ele seja, não teríamos sofrido a humilhação de ontem e estaríamos mais acima na tabela.

 

A peseirização em curso

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Marcel Keizer anda a decepcionar os adeptos leoninos desde os erros cometidos em Tondela, que nos valeram a derrota com a humilde turma local.

Não apenas por ter perdido dez pontos em nove jogos do campeonato, mas pelo abrupto abandono da "ideia de jogo" que proclamou ao chegar a Alvalade, quando fez a apologia do futebol de ataque, com a bola a rolar ao primeiro toque. E também por não acolher um dos princípios enunciados por Frederico Varandas na recente campanha eleitoral leonina, quando o então candidato assegurou que iria ser dada prioridade total ao futebol de formação: acabamos, pela primeira vez desde 2007, de entrar em campo sem um só elemento formado na Academia de Alcochete.

 

Não compreendo e dificilmente aceito a marginalização de Jovane e Miguel Luís, lançados no campeonato por José Peseiro e Tiago Fernandes.

Nem a contínua falta de aposta em Francisco Geraldes, que permanece sem calçar, limitando-se a aquecer o banco de suplentes.

Nem a persistente não-utilização de Luis Phyllipe, avançado que o holandês avalizou como reforço de Inverno.

Nem o recurso sistemático a Petrovic como suplente utilizado, até para posições em que o sérvio não revela qualquer rotina (caramba, não haverá um defesa na Liga Revelação com possibilidade de transitar para a equipa principal?).

Nem a insistência do técnico em não esgotar substituições com os jogadores claramente à beira da exaustão física.

 

Também o discurso conformista do treinador não cola com as legítimas ambições de sócios e adeptos.

Quando íamos a cinco pontos do FC Porto, na véspera do Natal, limitou-se a comentar: «Claro que cinco pontos é muito, portanto teremos de ver.»

Agora, a dez pontos de distância, observa após o empate no Bonfim: «Devíamos ter ganho, só podemos culpar-nos a nós próprios

Nada motivador.

 

É sem o menor agrado que deduzo isto: a presente "peseirização" do Sporting, a persistir, levará Keizer a ter um destino semelhante ao de Peseiro: já faltou mais para haver lencinhos brancos a esvoaçar nas bancadas.

Eu não gosto, mas quando se toleram comportamentos destes numa fase do campeonato, o mais provável é que tais gestos se repitam em fases posteriores. Tudo isto é tão previsível como os movimentos da nossa equipa na medíocre primeira parte que nos custou a perda de dois pontos frente ao V. Setúbal.

Peseiro para a rua, já!

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O Vitória (de Setúbal) é a minha segunda equipa. Com pouco afã mas é. Não, não é por causa do verde-e-branco (ainda que ajude). Nem nunca "fui muito feliz em Setúbal". É mesmo por causa do Allison, do Manel e do Rui Manuel Trindade Jordão (e não me venham para aqui uns putos falar da rábula do Gauld e do Geraldes, que não sabem nada da história ...). Dito isto, avante.

O Vitória tem um plantel muito curtinho, valha-lhes Deus Nosso Senhor. Pois "não há dinheiro, não há palhaços" (não, não é insulto, o dito refere-se a artistas). Como não há dinheiro parece que os jogadores têm o taco em atraso. Nem começaram mal o campeonato mas estão a afundar. Os golos mais que rareiam, os pontos já nem os alcançam. Está o clube tão mal que na semana passada o treinador foi à vida - não foi uma "chicotada psicológica", o homem fez-se à estrada para onde lhe pagassem, seguiu para a Arábia Saudita mas afinal parou no Bessa. Ficou o director do futebol a tratar do assunto enquanto não arranjam alguém que se queira meter na boca do sado nestas condições.

E nisto tudo, para piorar, são visitados pelo campeão de inverno. Ok, o árbitro inventou ali na história do Ristovski. Mas não chega para esta miséria. Certo, se houvesse penalties no fim, para o desempate, teríamos ganho. Mas no campeonato não há. Há só isto. Uma equipa que vai a Guimarães e leva um banho de bola e uma derrota. Que vai a Tondela e leva umas arroxadas e uma derrota. Que empata em casa com o Porto, a jogar o q.b. para empatar (as pessoas terão visto o tempo que o Renan levava a devolver a bola para o jogo?, o que isso mostrava da disposição mental dos jogadores? E se calhar das instruções?). E que agora empata com o medíocre Setúbal, sem jogar a ponta de um chifre. Eu vou repetir o notório: derrota com o Guimarães, derrota com o Tondela, empate com o Setúbal. 

É certo que olho para a equipa e há coisas que não percebo. O campeão de Inverno só tem 3 centrais no plantel, durante o Janeiro que é sempre difícil? Mas não há equipas sub-isto e sub-aquilo, cujos jogadores são para fazer subir à equipa principal quando necessário? Ainda para mais agora que se fez uma sub-23, jogadores já graúdos? E aquele Diaby joga sempre porquê se nunca joga? E os miúdos da Academia, que o Jesus não lançava apesar de tão talentosos, e que um treinador da escola Ajax tornaria estrelas, onde andam eles? Aquele Jovane, aquele outro rapaz que o avô, tão simpático, foi "apanhado", comovido, quando o neto marcou um golão? E úo leitor de Saramago, que não deixaram ficar em Setúbal, onde jogava, e agora também não na Alemanha, onde talvez viesse a jogar? E outros que devem se calhar andar por lá? Quando é que virá um holandês voador da escola Ajax, para lançar os miúdos? 

Eu vou repetir, caso não tenham lido com atenção. Derrota em Guimarães, derrota em Tondela, empate com o Setúbal (e o Setúbal nestas condições, imagine-se que estava um bocadinho melhor ...). 

O presidente Varandas está a dormir? A massa adepta, o "Universo Sporting", emigrou? Francamente, dr. Varandas, não há volta a dar-lhe: demita o Peseiro, já! O homem não tem mãos para isto.

De Peseiro a Keizer

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No tempo de José Peseiro, quando surgiu a enorme contestação dos adeptos, escrevi aqui várias vezes que a responsabilidade principal das más exibições e dos resultados insatisfatórios estava longe de ser exclusiva do treinador.
A culpa foi da atribulada pré-temporada, com as vissitudes que sabemos. E do plantel formado às três pancadas, ao sabor dos palpites do momento, dos humores dos jogadores que haviam rescindido e dos respectivos empresários. E também da perda dos automatismos que haviam sido criados nos três anos anteriores. E ainda da falta de liquidez financeira para contratar profissionais de elevadíssimo nível.

Enfim, Peseiro foi despedido mal os lenços brancos se agitaram nas bancadas.
O despedimento gerou incontidas manifestações de euforia. Até neste blogue.

 

Acontece que, três meses depois, temos o seu sucessor a jogar... à Peseiro.
Não falta sequer o duplo pivô defensivo para ajudar a estacionar o autocarro frente a colossos do futebol como o Moreirense.
Não falta também o novo técnico vangloriar-se, em conferência de imprensa, que a equipa «sabe defender bem».

Pormenor adicional: Keizer orientou até agora a equipa em oito jogos do campeonato. Com o seguinte balanço: cinco vitórias, um empate (com o FC Porto em Alvalade) e duas derrotas (com V Guimarães e Tondela). Precisamente os mesmos números de Peseiro nos oito jogos em que comandou o Sporting na Liga 2018/2019 - também cinco vitórias, um empate (com o Benfica na Luz) e duas derrotas (com Braga e Portimonense).

Ironias do destino...

 

Questiono-me agora quanto tempo demorará até começarem a agitar-se de novo lencinhos brancos em Alvalade.

O problema, nestas coisas, é criar-se um precedente. Se acontece com um, porque não há-de suceder com outro?

Lacunas

Há lacunas graves no plantel leonino. Eis o que agora todos reconhecem.
É curioso: durante a breve passagem de José Peseiro pelo Sporting, muitos dos que agora assim falam recusavam reconhecer tal evidência. Foram sempre dizendo que a culpa era do treinador. Foram sempre insistindo que bastaria mudar o técnico para nascer em Alvalade um plantel pujante, capaz de conquistas formidáveis.
Acontece que agora ficou bem à vista qual é o problema. «Alguém acredita que com o actual plantel outro treinador faria muito diferente?», escrevi aqui a 8 de Outubro.

Caramba, perceberam finalmente. Três meses depois.

Um futebol museológico

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Escrevi - museológico - no sentido que é nos museus que arrumamos/guardamos as nossas memórias, no caso do Sporting, faz sentido falar de futebol, de museu e de música.

Museu e música têm o mesmo étimo, o museu é o templo das musas e a música é a arte que nasce da inspiração das musas, quando falamos de sinfonia nos relvados lembramo-nos de quem?

Dos Cinco Violinos, obviamente.

Ontem começamos a ver realizado este meu desejo: Que venha para ensinar e para vencer... o professor Marcel; embora seja cedo para conclusões definitivas, assistimos a algumas movimentações diferentes, para melhor.

Espero que, também, se tenha colocado um ponto final na "maldição do 37".

O primeiro capítulo dessa maldição aconteceu no dia 18 de Maio de 2005, primeiro golo marcado pelo 37, "remontada" do opositor e despedimento de Peseiro, o segundo capítulo foi mais recente, 31 de Outubro de 2018, primeiro golo marcado pelo 37, "remontada" do opositor e despedimento de Peseiro.

Depois de ter sido o melhor em campo no último jogo de Peseiro, Wendel voltou a ser um dos melhores, ontem... que seja para continuar. 

Patetices

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(Varandas a caminho da Holanda, em busca de um treinador)

 

Nunca tive nem tenho grandes esperanças em Varandas. Sem rodeios, dele tenho a ideia de que é um pateta emproado. Será um excelente médico, não ponho sequer em dúvida, mas para tocar rabecão não lhe detecto talento. As suas repetidas e estuporadas declarações sob retórica militarista - conhecidos bloguistas aventaram-me que isso lhe fora proposto pela empresa de publicidade (a qual ficou agora a fazer o jornal do clube, qu'isto uma mão lava a outra, e as duas lavam as partes pudendas) que lhe enquadrou a candidatura - arrepiaram-me, pelo vácuo intelectual que anunciavam (e escrevi-o aqui). A esperança que tenho é que este meu cenho franzido se venha a provar descabido, e que o homem e a sua equipa venham a ter algum sucesso.

 

Dito isto, vamos ao Peseiro. O novo presidente teve tempo suficiente para se preparar para a substituição do treinador. Durante a campanha, no qual congregou a sua equipa. E/ ou depois de ser eleito. Há muito pouco tempo deu uma entrevista (presumo que sob instruções da tal empresa de publicidade que lhe enquadrou a candidatura, a qual ficou agora a fazer o jornal do clube, qu'isto uma mão lava a outra, e as duas lavam as partes pudendas) a desvalorizar o treinador. Agora demitiu-o, da noite para o dia. Peseiro não chega como treinador? Então substitua-se. Mas o que é que aconteceu, o que causou toda esta urgência? Perdeu com as reservas? Depois de ter feito o melhor jogo até agora, com a vitória por 3-0? Ok, está decidido. Peseiro não era o treinador do presidente, este quis mudar.

 

Mas  há algumas coisas que me surpreendem. Se Peseiro não servia porque o manteve, quando de facto nunca o encarou como alternativa viável? Podia tê-lo substituído antes, como factor do seu projecto presidencial. E se Peseiro se disponibilizara para sair sem custos (Sousa Cintra dixit), o seu progressivo destratamento pelo presidente provocou o pagamento ao desrespeitado técnico de uma grossa maquia contratualizada. Será verdade? Ou a boa-vontade do treinador é uma mentira de Cintra? Pois se é verdade conviria perguntar a cada um dos sportinguistas se não acha que este destratamento de Peseiro, tendo sido tão custoso ao clube (centenas de milhares de euros), não é um óbvio caso de gestão com os pés. Chama-se a isto administrar o dinheiro dos outros?

 

E, mais do que tudo, e isto torna-se evidente, é esta precipitação de despedir um treinador nas vésperas de um jogo, porque perdeu com as reservas e foi apupado pela bancada. E, apesar de ter tido todo o tempo para preparar a sua substituição, não conseguir desenrascar a coisa, anunciar o seu substituto, até ao dia do jogo seguinte. 

 

Um conjunto de patetices. Ou seja, a primeira intervenção de fundo de Varandas está a ser muito fraca. Se isto continuar assim até segunda-feira deverá dizer-se lastimável. Se se passarem mais dias neste limbo já faltarão os adjectivos qualificativos. Se continuar neste registo irresponsável para a próxima Primavera-Verão lá haverá outra eleição no Sporting.

Deve ter sido por isso que ele desta vez quis a indemnização toda

O até anteontem técnico do Sporting foi retratado de forma magistral neste blogue, num texto antigo de José Navarro de Andrade cuja leitura eu sugiro aos nossos leitores. Farto-me de rir com as notícias de que foram o Beto e, principalmente, o Hugo Viana a comunicarem ao José Peseiro o seu despedimento, e questiono-me se o diálogo terá sido como o relatado no texto que referi.

Venha o próximo (desde que não seja o mestre da táctica)

Não vi o jogo para a taça da carica. Regra geral não vejo a maior parte dos jogos a contar para esta prova desprovida de qualquer interesse. Fiquei pois surpreendido com o despedimento de José Peseiro após desaire num jogo ligeiramente menos informal que um treino. O lado positivo será uma eventual não ida à final-four da taça Lucílio Baptista, possibilitando ao nosso plantel algum descanso, tão necessário para enfrentar as provas que interessam, para mais face ao previsível apuramento para a fase eliminatória na Liga Europa.

Apesar de ter defendido anteriormente a manutenção do ex-treinador, reconheço que a qualidade do futebol praticado não estava a evoluir no bom sentido, os resultados eram intermitentes, faltava empatia entre adeptos e equipa técnica, a maioria dos jogadores com rendimento abaixo do seu valor, teimosia do técnico na manutenção do mal-amado duplo pivot, deficiente leitura dos jogos e sucessivas substituições de sentido defensivo, deixavam antever a possibilidade deste desfecho a curto ou médio prazo.

Acredito em Frederico Varandas, na sua capacidade para encontrar uma solução no mercado nacional ou internacional. De todos os nomes falados, agrada-me Leonardo Jardim, que não parece no entanto ser uma possibilidade real ou Paulo Sousa. Já um eventual regresso do mestre da táctica me provoca urticária, ouve-se que o rival da 2ª circular o tem como opção para um regresso no final da época, por mim que vá para onde quiser, desde que seja longe de Alvalade, porque um fanfarrão pago a peso de ouro durante 3 anos, que ganhou uma supertaça e uma taça da carica, não é alguém por quem possa sentir saudades…

Não deixa de ser curioso ver agora Pedro Madeira Rodrigues, qual abutre, surgir a criticar o despedimento, alertando para eventuais prejuízos financeiros da decisão. Logo ele, que havia anunciado a contratação de Claudio Ranieri, um verdadeiro pé-frio do futebol internacional, coleccionador de derrotas por onde passou, à excepção da histórica, mas atípica época da conquista do campeonato inglês no Leicester city. No ano seguinte à proeza logo tratou de confirmar que tudo não passara da excepção à regra na sua carreira e terminou despedido, como habitual. Mas há pessoas que não aprendem.

1 Milhão e Seiscentos mil por ano !!!!

Fiquei estupefacto. Um milhão e seiscentos mil euros era o ordenado anual de Peseiro. O que teria pensado Sousa Cintra para ter entrado nesta perfeita loucura? Estes quatro meses, desde Julho até agora, custaram ao Sporting e obviamente a todos os sócios, para pagar a esta equipa técnica, dois milhões de euros (com o despedimento). Elogiei aqui Sousa Cintra, mas estou a perceber uma coisa; quando se fizer a história destes quatro meses, talvez se percebam algumas contratações, feitas a rir, de jogadores sem a mínima categoria para jogar no Sporting... e de uma equipa técnica incapaz de pôr o Sporting a jogar bom futebol. 

Chicotada a meio é que não, sff

Confesso que fico dividido perante a demissão de Peseiro. Jogamos pouco, sem brilho, tantas e tantas vezes, praticamos um futebol desgarrado, mas... Mas há um mas.

 

E esse mas, caros, é que até podemos não jogar nada mas há uns meses, lembro, passou-nos a frota da Luís Simões por cima. Camião atrás de camião a andar para a frente e para trás e nós no chão, bem alinhados com o rodado dos TIR. O clube ficou feito em cacos, a equipa de futebol totalmente destruída. Apesar disso, jogando mal, muitas vezes muito mal, estamos agora a dois pontos da liderança do capeonato e continuamos em prova nas restantes taças, nacionais e europeia. 

 

Se é inegável que o mau futebol que pomos em campo é da responsabilidade da equipa técnica, com José Peseiro à cabeça, estamos nas frentes todas e com todas as hipóteses de sucesso em aberto, e isso é também fruto da obra do agora ex-líder do balneário. 

 

Posto isto, espero que Frederico Varandas tenha já para apresentar um novo treinador da equipa principal de futebol do Sporting.

 

Será inadmissível um vazio de poder na equipa principal do nosso emblema durante muito tempo. Se esta decisão de Varandas foi só para responder a uns poucos lenços brancos acenados da bancada, então, tenho de claramente aqui dizer que essa foi a maior asneira do seu ainda curto mandato. Tão disparatada e incompetente que pode bem vir a contaminar negativamente a presidência até ao seu desfecho. 

A chicotada em curso

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Frederico Varandas vai, enfim, escolher o seu treinador. Era óbvio, desde a entrevista do presidente ao Expresso, que José Peseiro estava a prazo. Foi opção transitória, decidida pela Comissão de Gestão interina: ninguém poderia ligar Varandas às más exibições da equipa.

Isso muda a partir de agora. Quem vier, será o homem do novo líder leonino. Já não o de Sousa Cintra, que passou à história.

Se for o nosso ex-jogador Paulo Sousa o escolhido, muito bem. Se regressar Leonardo Jardim, tanto melhor. Ambos estão neste momento sem clube. E ambos, obviamente, pesarão muito mais na folha salarial do Sporting do que Peseiro.

 

Ignoro os bastidores do despedimento do treinador, esta madrugada, na sequência de um jogo para a inútil Taça da Liga com oito segundas linhas no onze titular e a três dias da importante deslocação aos Açores, onde defrontaremos o Santa Clara para o campeonato. No momento em que escrevo, desconheço quem orientará a equipa em Ponta Delgada.

Mas cumpre referir que o Sporting segue a dois pontos do primeiro lugar na Liga 2018/2019 após o Verão mais negro de que há memória em Alvalade, perdemos alguns dos nossos melhores jogadores (Rui Patrício, William, Gelson) e outros vieram sem rodagem de pré-época. Disputaram-se oito rondas do campeonato e já jogámos em dois dos três estádios mais difíceis: Luz e Braga.

 

Enumero estes factos em benefício de inventário. E lembro outros líderes leoninos, que despacharam treinadores sob a pressão conjugada do peso da opinião de uns quantos influentes e de dúzia e meia de lenços brancos a esvoaçarem nas bancadas.

Deu certo em 1999/2000, quando uma chicotada semelhante à que está em curso - a primeira na Liga 2018/2019 - pôs Augusto Inácio ao leme da equipa e nos devolveu o título após 18 anos de amargo jejum.

Deu errado em vários outros casos - demasiados, como sabemos.

 

Não gosto deste futebol de retranca com a nova marca Peseiro nem de suportar quinze toquezinhos de bola protagonizados pelos nossos jogadores até conseguirem cruzar a linha de meio-campo, como ontem aconteceu na recepção ao Estoril - a mesma equipa que há um ano, ainda na primeira divisão, nos derrotou por 2-0, afastando-nos do primeiro posto, ao qual já não regressámos. 

Mas, não sendo ingrato, deixo aqui uma palavra de apreço pessoal ao único treinador que na hora mais difícil se dispôs a encabeçar uma missão quase impossível enquanto outros assobiavam para o lado. Sai como bode expiatório da primeira etapa do pós-brunismo, agora encerrada. A que vai abrir-se - sem atenuantes nem desculpas - é toda do presidente, já sem o treinador de Cintra a servir-lhe de pára-choques.

 

Lenços nas bancadas, haverá sempre - ao menor pretexto. Faz parte da autofagia leonina, reforçada pelo contexto em que emergiu o actual elenco directivo no Sporting. Talvez num futuro próximo possam até multiplicar-se, encorajados pelo que sucedeu na madrugada de hoje, pouco depois de uns quantos acenos de despedida num estádio quase vazio para uma prova que nos é praticamente indiferente.

Varandas corre esse risco, que decerto não ignora. É nos momentos difíceis que se testam as lideranças.

Aprender com Peseiro

O mais divertido de Peseiro - mas não quando me toca vê-lo treinador do Sporting - sempre foi a sua capacidade de demonstrar quão torpes são os clichés.

Mente simples, Peseiro absorveu-os sem filtro de seu mestre, o inefável Prof. "Projectos" Queiroz, de modo que eles lhe saem com toda a sua esplendorosa imbecilidade à mostra.

Assim, após uma vergonhosa derrota dizem os manuais da comunicação que é de manter um "espírito positivo", reiterar a "confiança no rumo seguido",  desvalorizar os defeitos, como meros incidentes de percurso, enaltecer as qualidades, como provas do um "trabalho de fundo." 

Aquele arzinho sonso que Peseiro põe, aquele desbobinar tosco de frases feitas, para nos convencer que está tudo bem, depois de termos claramente visto que está tudo mal, apenas nos convence que ele é lunático e não percebe nada da poda.

Boas lições se tiram daqui: o "spin" é uma habilidade só alcance de grandes artistas da mistificação. Há muitos, mas Peseiro não é um deles.

Vá com Deus ou com o Diabo que para o caso tanto faz.

Armas e viscondes assinalados: O capitão afundou o navio à deriva e o comandante não resistiu

Sporting 1 - Estoril 2

Taça da Liga - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

31 de Outubro de 2018

 

Salin (2,5)

Estava a ser uma noite agradável para o francês, regressado à baliza do Sporting após a ocorrência hospitalar de Portimão, até porque Renan Ribeiro foi emprestado pelo Estoril, Viviano não andará longe de ser obrigado a sair à rua com uma estrela verde, e Luís Maximiano ainda não convenceu ninguém a torná-lo o futuro guarda-redes do Wolverhampton. Até à meia-hora final de jogo resolveu praticamente todos os problemas, incluindo aquele enorme problema que arranjou ao demorar a despachar a bola para longe, acabando por ser obrigado a atirá-la pela linha lateral com um adversário à ilharga. Depois foi o dilúvio, sem grandes culpas para ele.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Evitou o que poderia ter sido o primeiro golo do Estoril, possibilitado pela sua lentidão a subir no terreno, deixando em jogo um avançado do Estoril. A melhor arrancada pela direita foi travada por um agarrão que, por razões que a razão desconhece, não foi devidamente premiado com o cartão amarelo. Numa noite em que foi o melhor da linha defensiva tem ainda a atenuante de o parceiro de ala não ter dado grande ajuda.

 

André Pinto (1,0)

Passou a ser o capitão de equipa aquando da saída de Bas Dost, pois Bruno Fernandes, Coates e Nani estavam no banco de suplentes, e o mínimo que se pode dizer é que a braçadeira estaria amaldiçoada. No golo do empate perdeu o duelo directo com o mais veloz e mais despachado Sandro Lima, permitindo-lhe desfeitear Salin, e logo de seguida estabeleceu o resultado final com um autogolo de cabeça, na sequência de um pontapé de canto. Gabe-se-lhe a coragem de ter permanecido no relvado até ao apito final.

 

Marcelo (2,0)

Terminou o jogo como avançado, pois quem não tem Coates (nem fio de jogo) caça com Marcelo, sem conseguir a segunda reviravolta da noite. Até então estava a ser o menos culpado por uma desgraça (in)felizmente testemunhada por poucos milhares no estádio, executando alguns cortes de bom nível.

 

Jefferson (1,5)

No último jogo que fizera, contra o Loures, distinguira-se pela qualidade dos cruzamentos, desperdiçados devido à ausência de Bas Dost. Desta vez o holandês do ataque não se chamava Castaignos, mas o lateral-esquerdo brasileiro dedicou-se a demonstrar que errar não só é humano como também é uma hora. Aquela hora que passou no relvado, mais precisamente. Logo no início alheou-se de um passe de morte feito por Carlos Mané, num presságio do que estaria para vir.

 

Petrovic (2,5)

Coube-lhe quase sempre o início da construção das jogadas do Sporting, o que se revelou menos catastrófico do que seria de esperar. O sérvio juntou muita entrega e algum critério à presença física que lhe é intrínseca, apenas quebrando o encantamento ao ensaiar um remate que nem ao País de Gales valeria três pontos. Recuou para central na hora do tudo ou nada, sem que a derrota caseira se avolumasse.

 

Gudelj (2,0)

Procurou assumir o jogo em todas as suas vertentes, incluindo os lances de bola parada. Sem grande sucesso, há que referi-lo, pois os adversários conseguiram quase sempre travá-lo, mas com inteiro compromisso até a um final extremamente infeliz.

 

Carlos Mané (2,0)

Como as opiniões são livres e os factos sagrados, é um facto que o único ‘made in Alcochete’ em campo falhou duas ocasiões soberanas de golo. Na primeira parte rodou mal o corpo ao aproveitar uma assistência de Bas Dost e mesmo no final permitiu a defesa do guarda-redes tendo todas as condições para fazer o mal menor chamado 2-2. No resto do jogo, tirando uma assistência primorosa a que Jefferson se fez desentendido, teve demasiadas movimentações para nada.

 

Diaby (2,0)

Repetiu a titularidade e, com ela, tudo o que fez no domingo anterior tirando detalhes como assistências para golo e cruzamentos bem medidos. Ter ficado até ao apito final acabou por ser um castigo. Para ele e para quem precisava de refrear o entusiasmo quanto ao maior velocista da Liga.

 

Wendel (3,0)

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. O refrão de ‘Pra Não Dizer que não Falei das Flores’, de Geraldo Vandré, veio à cabeça quando ganhou a bola à entrada da área, puxou o pé para trás e desferiu o remate indefensável, mesmo junto ao poste, que inaugurou o marcador e parecia anunciar uma noite sossegada. O jovem brasileiro fez por isso, manobrando no meio-campo e combatendo a tendência para viver sem razão de alguns colegas, e em alguns momentos, talvez devido ao bigode, deu ares de versão ‘levezinha’ de William Carvalho. Pena que tivesse de sair, por notórios problemas físicos, levando José Peseiro a esgotar as substituições quando havia muitos em campo que mereceriam ser ajudados a acabar o mandato com dignidade.

 

Bas Dost (3,0)

Ainda não foi o holandês voador que ouve o estádio a cantar o seu nome quando marca golos, mas o neotitular tem enorme quota de responsabilidade no golo do Sporting, visto que a sua pressão sobre o jogador do Estoril ajudou Wendel a ganhar a bola, e assistiu de cabeça para o que deveria ter sido o 2-0. Num jogo em que recuou muito para ajudar os colegas teve uma hora para ganhar ritmo para outras competições, pois repetir a conquista da Taça da Liga estará praticamente ao nível das miragens.

 

Lumor (2,0)

Teve direito aos primeiros minutos de jogo nesta época, beneficiando do estado de calamidade de Jefferson e da ausência de Acuña e Mathieu. Começou nervoso e trapalhão, mas serenou e ainda fez uma boa triangulação que Montero não conseguiu transformar em golo.

 

Montero (2,5)

Melhor a construir jogo para os colegas do que no cara-a-cara com o guarda-redes, o colombiano foi o homem que mais lutou quando o jogo começou a correr terrivelmente mal ao Sporting. Uma das suas jogadas de insistência, quase sempre no limite da falta ofensiva, poderia ter permitido o mal menor - e talvez evitasse um despedimento a altas horas da madrugada -, mas o Diaby estava nos detalhes e Mané não teve pontaria.

 

Bruno Fernandes (1,5)

Entrou para o lugar de Wendel e não conseguiu pegar na batuta do futebol leonino. Talvez lhe faltasse a braçadeira que ia queimando os braços de André Pinto, talvez estivesse escrito que era noite para redefinir o rumo.

 

José Peseiro (1,0)

As suas declarações na conferência de imprensa, a última deste consulado e ainda mais penosa do que as anteriores, levariam a pensar que José Peseiro andará a perder tempo precioso a definir o seu voto nas eleições intercalares dos Estados Unidos, pois é evidente que vive no estado da Negação. Ninguém o poderá acusar de repetir onzes, pois fez entrar em campo tão poucos titulares do jogo anterior (Bruno Gaspar, Gudelj e Diaby) que alguns terão temido que o jogo fosse perdido na secretaria, devido aos regulamentos criativos da Taça da Liga. A noite até parecia bem encaminhada, mais controlada do que segura, quando resolveu resguardar Bas Dost e salvar Jefferson de si mesmo. Só não percebeu que o Estoril, equipa do segundo escalão que tem mais e melhor capital humano do que o Loures, começava a tomar conta do jogo, e esgotou as substituições para retirar o tocado Wendel. Seguiram-se quase 30 minutos de Halloween em Alvalade, mais em versão Michael Myers do que no registo “trick or treat”, com o ‘talismã’ Jovane Cabral e o nervoso Nani a assistirem no banco aos sucessivos inconseguimentos dos colegas que ocupavam as suas posições no relvado. Peseiro foi despedido de madrugada, podendo espalhar aos quatro ventos que deixou o Sporting a dois pontos da liderança da Liga, no segundo lugar do grupo da Liga Europa e apurado para a eliminatória seguinte da Taça de Portugal. Mas é, no mínimo, duvidoso que Frederico Varandas venha a pensar nele como Sousa Cintra pensa em Bobby Robson...

Pós-Peseiro

  

Cada um terá os seus nomes: uns alvitrarão nomes surpreendentes, palpites sobre "the next big thing"; outros quererão blindar-se com a pertinência, no recurso a nomes algo seguros; alguns clamarão pelo regresso de Jesus, esquecendo que, por muito que seja credor do nosso respeito pelo trabalho feito e devido aos tratos de polé que sportinguistas lhe dedicaram, o seu projecto estava esgotadíssimo e era prejudicial ao clube; e haverá utópicos, almejando gente de remunerações bojudas, sob contrato, ou sem vontade ou necessidade de se meter na "boca do leão". Ora o grande problema não é o treinador, é mesmo esta "boca do leão", o ronco dissonante, o bafo pestilento, esfaimada a besta, cada vez mais trôpega.

Nasci em 1964. Nestes 54 anos o Sporting ganhou 7 títulos. Não tenho memória dos de 1966 e 1970. Ficam-me para 48 anos as memórias de 5 festas (e ainda lembro de cor a equipa titular de 1974). A minha filha está a acabar o liceu: nunca viu o Sporting campeão e até já sorri com os resmungos do pai. Esta escassez de títulos tem algum efeito na cabeça dos "leões"? Aquele óbvio "o Sporting não é candidato ao título"? Ixe, dizer isso é, para a turba alvaladiana, holigões brunistas ou doutores rogerianos, pior do que uma blasfémia, crime lesa-majestade, traição à pátria, até incesto pedófilo. 

Li há dias alguém do Real Madrid comentar a crise do seu clube, afirmando que num grande clube não há épocas de transição. Tem toda a razão. Acontece que o Sporting não é um grande clube. De futebol. É um grande clube desportivo, nos seus adeptos, no seu historial, no seu ecletismo. Nisso, no fundamental, é da nata do associativismo desportivo europeu. No futebol não é, pertence, com algum favor, à terceira divisão europeia. E está longe, muito longe, dos rivais nacionais. Gritarão, ralé das claques e prezadas famílias, que Porto e Benfica têm manipulado as competições. Sim. Mas a realidade é que são clubes de futebol muito mais fortes. 

A incompreensão disso, a ânsia até demencial da conquista do caneco levou a isto: desde os anos 90s uma série de presidentes empurrados pelos portadores de lenços brancos delapidaram por completo o riquíssimo património fundiário do clube, conduziram estranhíssimos e nada lucrativos negócios imobiliários. E na última década descuidaram e minaram o último grande património do clube, a sua escola de jogadores de futebol, sendo incapazes de desenvolver a única alternativa possível para um clube desta dimensão económica, o sector da prospecção (o que os ignorantes chamam scouting).

Enfim, neste pós-Peseiro (e após o terrível 2017/18) só há uma coisa a fazer: admitir que não se vai ser campeão, assumir isso, ter esse horizonte e querê-lo. Há alguns anos Jardim seguiu esse fito. E mostrou-o cabalmente num episódio: estando o Sporting junto ao Benfica na corrida para o título (apesar de não ser objectivo, de reclamar o treinador a preocupação "jogo a jogo"), no jogo anterior ao da Luz William Carvalho estava com quatro cartões, poderia ser poupado para não arriscar a suspensão para o grande confronto. Jardim não o fez, William jogou, foi punido e não foi à Luz. Porque, e muito bem, era "jogo a jogo". E é isso que é preciso. Assumir que esta é uma era (não um ano, trata-se de uma era) de transição.

E ao povo dos lenços brancos, que todo este caminho demencial e incompetente temos apoiado e sufragado? É dizer-lhe, dizer-nos, que nos assoemos às mangas. Ou à ponta dos dedos. E entretanto esperar que, devagar, haja quem coloque a jogar centrais formados no clube (há quantas décadas não se firma um?) e laterais, e avançados. E quem saiba ir buscar um Aloísio ou um Mozer ou Filipe, descobrir um Oblak ou Ederson. Pois, muito mais do que gritar "gatuno" e "este ano é que é", é preciso aprender com os adversários. A não nos encantarmos com Coates e Polgas, a não desperdiçarmos Leões, Carriços ou Cedrics.

E como é que se aprende com os adversários? O primeiro passo é simples, e até fácil: homenageando, em pleno estádio de Alvalade, o jogador Luís Boa Morte. Pois enquanto não houver a capacidade de colocar a ralé no exterior das decisões não haverá futuro vencedor, não haverá fim da "era da transição", nem desta história decadente. E não haverá verdadeira presidência, apenas prisioneiros de um passado tétrico e da abjecta marginalidade social. E da irracionalidade, discursiva e decisória.

Enfim, quem proponho para treinador pós-Peseiro? Para treinar este próximo futuro? Rui Jorge ou Luís Castro, se os empregadores os deixarem mudar. E nunca Jesus, por favor.

E para presidir este próximo futuro? Se a rábula com Luís Boa Morte foi péssimo sinal, com esta pérfida sucessão da entrevista presidencial ao Expresso e do despedimento de Peseiro - que esteve disponível para sair sem custos - Varandas amputa metade do seu "estado de graça" (os tradicionais 100 dias). Francamente, sem qualquer agoiro - o sucesso deste presidente é (parcela d)a minha felicidade - se continua com este estilo, melífluo e nada liso (nada condizente com um verdadeiro comandante de tropas, para glosar a pateta e patética retórica do doutor), julgo que no próximo Verão teremos mais umas eleições. Que venha homem.

Este está disponível

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Não sei onde andam os defensores da decapitação de José Peseiro que nas últimas duas semanas visitaram este blogue com pendular assiduidade, exigindo ver escorraçado o treinador do Sporting: parecem ter-se esfumado desde as dez da noite de ontem.

Ainda assim, venho aqui propor-lhes um nome alternativo para o nosso banco: é alguém que conhece por dentro o futebol português, fala bem nas conferências de imprensa, já treinou o clube detentor das últimas três Ligas dos Campeões e encontra-se disponível devido a momentânea situação de desemprego.

Estarão os fogosos militantes da Liga Anti-Peseiro dispostos a exigir a sua vinda para Alvalade? Eis a pergunta que me apetece fazer na ressaca da oitava jornada do campeonato, em que o Sporting foi a única equipa a marcar três golos.

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