Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

De Jorge a José, os factos

No futebol como na vida há alturas que temos de olhar para factos.

Comparar.

Jorge Jesus vs. José Peseiro, que comecem os jogos.

Taça de Portugal: último resultado de Jorge Jesus, derrota com o Aves; último resultado de José Peseiro, vitória com o Loures.

Taça da Liga: último resultado de Jorge Jesus, empate com o Vitória Futebol Clube (Setúbal) [venceria em penaltys 5-4 um jogo que estivera a perder desde os quatro minutos e que seria empatado num penalty convertido por Dost aos oitenta minutos]; último resultado de José Peseiro, vitória com o Marítimo.

Liga Europa:  dois últimos resultados de Jorge Jesus, uma vitória e uma derrota; dois últimos resultados de José Peseiro, duas vitórias 

Campeonato Nacional (Liga NOS): comparando os últimos sete jogos de Jorge Jesus com os primeiros sete de José Peseiro estão, precisamente, iguais, duas derrotas e um empate, com a diferença de que Peseiro foi empatar com o Benfica à Luz e Jesus deixou-se empatar em Alvalade.

"Contra factos não há argumentos", diz-se mas eu gostava que argumentassem... queremos mesmo mudar de treinador?

Armas e viscondes assinalados: Suspeitos do costume superam terceiro escalão

Loures 1-Sporting 2

Taça de Portugal - 3.ª Eliminatória

20 de Outubro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Foi titular pela primeira vez, apesar de Salin estar recomposto do susto de Portimão, e num jogo inteiro sofreu apenas metade dos golos que havia sofrido em pouco mais de metade do anterior. Para tal contribuiu uma boa defesa com os pés perto do final, quando um avançado do Loures, equipa não muito pontuada do terceiro escalão do futebol nacional, lhe apareceu isolado à frente. Não conseguiu repetir o feito minutos mais tarde, em circunstâncias parecidas. Resta-lhe a esperança, se o francês não voltar ao pré-Algarve ou se Viviano não puder estrear-se frente a uma das suas antigas equipas, de que os avançados do Arsenal sejam menos velozes e eficazes na tarde de quinta-feira.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Logo no início da segunda parte protagonizou um lance que, com a equipa de edição de imagem certa, poderia justificar a sua contratação. Pegou na bola e ganhou a linha em velocidade, executando um cruzamento rasteiro para o coração da área que só não deu bingo porque Bruno Fernandes chegou um pouco atrasado. Pena é que no resto do jogo tenha primado pela inconsequência é permitido a mesma liberdade ao ex-Alcochete Luís Eloi que Ristovski outorgou ao ex-Alcochete Wilson Manafá. 

 

André Pinto (2,5)

Promovido a improvável patrão da defesa na ausência de Coates, quase sempre chegou e sobejou para os adversários - de uma equipa não muito pontuada do terceiro escalão do futebol nacional -, tendo ainda a sorte de Renan resolver o problema na jogada em que deixou escapar um avançado do Loures. Mas não foi desta vez que chegou ao fim do jogo sem ver uma bola alojada nas suas redes.

 

Marcelo (2,0)

Estreou-se antes de Viviano ter oportunidade de o fazer, aproveitando o descanso concedido a Coates. E sentiu de tal forma a responsabilidade que imitou o uruguaio numa incursão descabelada pelo meio-campo contrário - ainda que com menos suspense, decidindo-se por um lançamento longo para a linha de fundo, o que tem o mérito de impedir contra-ataques perigosos - e num cabeceamento executado de costas ao acorrer a um pontapé de canto - ainda que a bola tenha saído acima da barra e não ao lado do poste. Encaminhava-se para uma noite sossegada, daquelas em que ninguém se recorda do paradeiro de Demiral ou de Domingos Duarte, quando deixou em jogo o marcador do golo tardio do Loures.

 

Jefferson (3,0)

Tão perturbador quanto o dilema “que barulho faz uma árvore a cair na floresta se ninguém lá estiver para ouvir?” só o “para que serve encaminhar a bola em condições para a grande área se lá estiver Castaignos em vez de Bas Dost?”. O brasileiro passou o jogo a fazer belíssimos cruzamentos, os quais chegariam para uma goleada que evitasse assobios e cânticos depreciativos dirigidos à equipa após o apito final. Assim não aconteceu, não por culpa dele.

 

Gudelj (2,5)

Foi um dos poucos mártires de Portimão a repetir a titularidade e, perante uma equipa não muito pontuada do terceiro escalão do futebol nacional, saiu-se relativamente bem. Para o mesmo bem seria necessária pontaria nos recorrentes remates de média e longa distância, certamente poupada para o encontro com o Arsenal.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Permitiu que o guarda-redes defendesse o pénalti que teria sossegado os adeptos logo aos 50 minutos de jogo, mas no final da primeira parte conseguiu finalmente acertar nas redes com um dos seus mísseis teleguiados. Recuado no terreno para ajudar a construir jogadas na zona central do meio-campo, acabou o jogo no habitual papel de apoio ao ponta de lança, sendo que neste caso isso tinha o seu quê de missão impossível. Mesmo assim foi um dos suspeitos do costume que impediram Peseiro de explicar aos sportinguistas as vantagens de ficar com o calendário de jogos menos sobrecarregado ainda antes do Natal.

 

Nani (3,0)

Desviado das alas para o centro do terreno, lutou muito, fez o passe que Bruno Fernandes aproveitou para inaugurar o marcador e, já na segunda parte, aproveitou a defesa incompleta a um remate de Jovane Cabral para, numa recarga com elevada nota artística, marcar o 2-0. O capitão ainda esteve perto, numa jogada tão confusa quanto tudo aquilo que tenha toque de Castaignos, de marcar um segundo golo, certamente poupado para o encontro com o Arsenal.

 

Carlos Mané (1,5)

Numa semana em que muito se falou do regresso do Sporting ao basquetebol é impossível não reparar que o extremo fez a sua terceira falta ofensiva antes da meia hora, o que no desporto das tabelas e dos cestos o deixaria bem perto da exclusão. Muita falta de ritmo e de confiança impediram Mané de ter uma boa noite em tudo o que não envolveu passar a bola a Jovane Cabral para este ser derrubado na grande área do Loures. Foi o primeiro sair, cedendo o lugar a Petrovic.

 

Jovane Cabral (3,0)

Demorou a engrenar, como tende a suceder quando lhe fazem a maldade de pôr a jogar de início, mas no habitat natural a que chamam segunda parte conquistou o pénalti falhado por Bruno Fernandes e fez o remate que permitiu a Nani subir a parada para 2-0. É o acelerador por excelência do futebol leonino na ausência de Raphinha, o que permite perdoar os habituais disparates: desta vez foi um corte disfarçado de assistência para um avançado do Loures.

 

Castaignos (0,5)

Caberá aos arqueólogos do século XXV encontrar o registo do famoso jogo de treino realizado há poucos dias em que o avançado holandês que não se chama Dost marcou quatro golos. Lançado como titular para poupar Montero para o encontro com o Arsenal, Castaignos passou mais de 90 minutos, decerto tão penosos para ele quanto para os sportinguistas, como a personificação do gato de Schrödinger, pois tal como o felino podia estar vivo ou morto, também o avançado podia estar ausente ou presente no relvado. Bem vistas as coisas, melhor foi quando deixou a equipa a jogar com dez, fruto de movimentações indecifráveis, pois todos os momentos de contacto com a bola foram bastante mais aterradores. Menos do que péssima só uma desmarcação oportuna culminada com remate ao lado.

 

Petrovic (1,5)

Entrou para segurar o resultado favorável contra o poderoso Loures. E o certo é que esses minutos coincidiram com algum domínio por parte de uma equipa não muito pontuada do terceiro escalão do futebol nacional. Eis um caso extremo de culpa por associação.

 

Miguel Luís (-)

Teve direito a estrear-se pela equipa principal do Sporting ao minuto 90. Logo a seguir o Loures reduziu. Melhores dias virão, decerto, até porque mesmo o terror dos jovens da formação utilizou Jovane, Rafael Leão e Demiral contra o Oleiros.

 

José Peseiro (2,0)

Poupou Coates, Acuña, Battaglia e Montero, recuou Bruno Fernandes e ficou à espera de que algo de bom acontecesse. Demorou a ver luz ao fundo do túnel, mas logo conseguiu vislumbrá-la e, talvez encadeado pela claridade, voltou a investir no duplo pivot defensivo que começa a revelar-se o primo maléfico do losango de Paulo Bento. Sem os suspeitos do costume - Bruno Fernandes e Nani, mas também Jovane Cabral e também Jefferson -  e com mais alguns minutos de tempo de compensação era bem capaz de ser tão histórico em Alverca quanto foi em Portimão.

 

Demasiado fraco...

Já defendi anteriormente a continuidade de José Peseiro à frente da nossa equipa de futebol, posição que mantenho, até porque uma eventual substituição deverá ser ponderada e resultando numa aposta para futuro, não acredito em chicotadas psicológicas e treinadores de transição até final da época, porque ainda guardo memória dos tempos em que tal prática foi usual no Sporting sem ganhos assinaláveis, ao que recordo.

Mas também começa a ser difícil defender José Peseiro e principalmente compreender a sua lógica. O duplo pivot não resulta, retira jogo interior, a solução de lançar constantemente bolas para as alas de tão previsível, já não resulta. Também não percebo que se lance um jovem para a estreia na equipa principal aos 90 minutos, para jogar apenas o tempo de compensação. Principalmente diante de adversário tão poderoso como o Loures. À semelhança da época anterior, Bruno Fernandes não tem descanso, seja na taça da carica, na taça de Portugal ou liga Europa, vai sempre a jogo. Todos lembramos o quão penoso foi o final da época passada para alguns jogadores, ninguém de bom senso pode esperar repetir (más) práticas e obter resultados diferentes.

Bem sei que a equipa se tem ressentido da falta de Bas Dost ou Mathieu, agora Raphinha que vinha ganhando espaço também se lesionou, Sturaro será previsivelmente um grande reforço se recuperar totalmente da grave lesão. Mas o quadro clínico não justifica tudo, e que apesar da falta de qualidade evidente de alguns jogadores do plantel, é preocupante a falta de dinâmica que o Sporting vai mostrando nos últimos jogos. A vida é o que é, se não convencermos nos próximos jogos em Alvalade diante do Arsenal e Boavista, muita coisa terá que ser repensada. Não consigo perceber por que razão no início da época, quando as expectativas estavam baixas, conseguimos vencer alguns jogos e agora, após 3 meses do início da competição oficial, parecemos regredir. O duplo pivot não funciona, é urgente recuperar jogo interior sem deixar obviamente de jogar pelas alas, para conseguirmos chegar à reabertura do mercado em posição de discutir a época. Tem a palavra José Peseiro, por enquanto ainda treinador do Sporting, mas que terá que deixar de ser teimoso, ler com humildade algumas críticas, se quiser continuar à frente da equipa. Só os burros nunca mudam…

Responda quem souber

Garantem-me que José Peseiro exigiu à administração da SAD leonina, como reforços de Inverno, um defesa central, um lateral esquerdo e um avançado.

Cada vez percebo menos. Se detectou estas lacunas no plantel, por que motivo o treinador terá autorizado os empréstimos de Demiral e Domingos Duarte em simultâneo? E porque deixou sair Gelson Dala, também por empréstimo, para o Rio Ave? E porque terá vetado o regresso de Fábio Coentrão?

Dado o contexto, estas perguntas impõem-se. Responda quem souber.

Mete o Nani, Peseiro

Em boa verdade, José Peseiro - que aqui tenho defendido - já cometeu vários erros. Os empréstimos de Geraldes e Gelson Dala (que marca pelo Rio Ave e nos daria muito jeito lá à frente, perto da baliza). A dispensa de Matheu Pereira, sem conseguir superar o contencioso com o jogador. A exagerada reacção à insatisfação demonstrada por Nani quando foi substituído em Braga - no jogo de Portimão, como se viu, foi absurdo deixá-lo fora do onze titular.
Caramba, Nani é o único campeão europeu em título que resta no plantel leonino. Se ele não serve, quem serve? O errante Battaglia? O dúbio Gudelj? O imberbe Ristovski?

Não nos precipitemos, cada coisa a seu tempo...

José Peseiro não é um treinador querido junto dos sportinguistas, não foi preciso chegar à 7ª jornada para o perceber, logo no momento da contratação foram várias as vozes que manifestaram discordância, incluindo a minha, embora com a ressalva que uma vez contratado, José Peseiro é o meu treinador, posição que mantenho sem alterar uma vírgula. Até hoje está atravessada na nossa memória colectiva a sofrível época de 2004/2005, quando perdemos numa semana o campeonato, a final da taça UEFA em nossa casa e até o acesso à champions. Não existem duas hipóteses para causar uma boa primeira impressão e José Peseiro sabe-o, qualquer outro treinador que tivéssemos contratado estaria agora a beneficiar do chamado “estado de graça”, algo que o actual treinador leonino não teria logo à partida, pese embora os condicionalismos que muitos sportinguistas parecem ter esquecido, até os compreendo, também eu quero deitar para o baú do esquecimento o penoso final da época passada e principalmente o pesadelo em que o clube mergulhou no final do consulado da direcção anterior.

A contratação de Peseiro também se explica, é bom que se tenha memória, pela recusa que vários técnicos abordados foram manifestando. Face à incerteza que vivemos, poucos ousariam enfrentar o desafio e Peseiro aceitou, o que abona a seu favor. Certo que tem algo a provar, talvez seja mesmo a última oportunidade que venha a ter em Portugal, pelo menos nos principais clubes do nosso campeonato.

Mas aqui chegados, para decidir substituir Peseiro, é fundamental perceber o que ganharíamos com a eventual troca. Uma fortalecida candidatura ao título? Porque a não ser assim, não vejo motivos para uma substituição. Vejamos, José Peseiro tem contrato por um ano, com mais um de opção. Parece lógico que chegados ao fim da época a opção não seja exercida, tudo seja comunicado ao treinador dentro do prazo e que se comece no mais curto espaço de tempo possível a preparar a próxima época. Para José Peseiro permanecer no Sporting teria que ganhar o campeonato, ou no mínimo a Liga Europa, o que poucos nesta altura acreditam. Opções não faltam, algumas bem interessantes, andar em constantes chicotadas é que não nos leva a lado algum. Imagine-se despedir agora Peseiro, contratar alguém que trabalhando com todos os condicionalismos da falta de preparação da época em curso, mesmo que queiramos, o tempo não volta atrás, se porventura o resultado produzido não fosse imediato, lá estaríamos daqui a meia-dúzia de meses a avançar para um terceiro treinador no espaço de um ano.

Antes de pensar na próxima época e na substituição do plantel, mesmo até de ajustes com entrada de jogadores em Dezembro, o clube precisa resolver os graves problemas estruturais e financeiros em que mergulhou. O recém eleito presidente Frederico Varandas e restantes membros do Conselho Directivo sofrem constantes ataques de saudosistas do passado, mas também dos ressabiados candidatos a salvadores do presente, que se julgando iluminados, visionários acima das massas, não compreendem a injustiça dessa coisa chamada democracia. Trabalho duro pela frente, mas que a direcção precisa levar a cabo, mantendo o rumo, seguindo o programa que os sócios sufragaram, sem atender aos inúmeros oráculos e pitonisas que orbitam o Sporting.

Uma pergunta de fácil resposta

mw-860[1].jpg

 

Há dois problemas a exigir resolução premente no Sporting: os casos dos jogadores que rescindiram e o empréstimo obrigacionista. A resolução de ambos será crucial para superar os sérios problemas financeiros actuais na SAD leonina.

 

Mas alguns adeptos consideram que a questão fundamental, decorridas sete jornadas do campeonato, é despedir o treinador. À boa maneira do "tribunal de Alvalade", porém, esquecem-se de dizer quem poriam no lugar de José Peseiro e se esses anseios têm hipótese mínima de serem exequíveis.

Lanço, portanto, um repto a tais adeptos: quem gostariam de ver no comando técnico do Sporting?

 

Há outras perguntas, eventualmente mais difíceis, associadas a esta:

- Com que plantel contaria o novo treinador?

- Quanto ganharia a nova equipa técnica?

- Quanto ficaríamos a pagar ao treinador despedido?

- De onde viriam tais recursos financeiros adicionais?

- E se o treinador seguinte perdesse dois jogos seguidos daria o lugar a quem?

 

Mas retiro as perguntas difíceis. Fico-me pela mais fácil: a primeira. Esperando resposta de todos aqueles que já agitam os lenços brancos.

Convém lembrar

Faz hoje um mês, os sportinguistas votaram em massa para escolher um novo presidente. Houve seis candidatos. Todos declararam alto e bom que iriam manter José Peseiro como treinador da equipa principal de futebol.

Por ironia, o único que defendeu o despedimento de Peseiro foi um sétimo - o candidato que fugiu das urnas. Pelos vistos há hoje quem esteja em sintonia com ele. Foi pena Madeira não ter ido a votos. Talvez Ranieri fosse hoje o nosso treinador e andássemos todos muito contentes.

Dar o benefício da dúvida

Vem aí nova paragem na Liga.

Depois, a competição retoma, com mais três partidas, das quais duas serão em casa, até nova interrupção.

Pela parte que me toca, José Peseiro deverá continuar no comando técnico. As aspirações mantêm-se em todas as frentes, será uma precipitação mudar agora de treinador. Os próximos seis jogos (os referidos 3 da Liga, mais 2 da Liga Europa e 1 da taça da Liga) serão um exame mais do que suficiente à equipa e, de modo especial, à equipa técnica. Se, nessa altura, concluírmos que as coisas não evoluíram, então, aí sim, concedo a "chicotada". Neste momento, ao arrepio do sentimento dominante, julgo não ser oportuno, nem benéfico, trocar de treinador.

O que diz Peseiro

Sou adepto da última tese de Wittgenstein  no seu "Tratactus": "Acerca daquilo que não se pode falar, tem que se ficar em silêncio."

Não assisto aos treinos, não estive na sala quando se decidiram as contratações, nem sequer sei como funciona esse mercado, desconheço os meandros internos das relações de forças do futebol português. Assuntos, portanto, sobre os quais me devo abster de pronunciar para não dizer disparates desligados da realidade das coisas.

Mas fiquei intrigado com as declarações de Peseiro no final do jogo. A interpretação que ele fez do jogo que se viu - e é suposto eu não saber ver o jogo tão bem como ele, ou melhor seria que trocássemos de lugar - levanta questões.

Acerca da primeira parte Peseiro disse que a equipa não jogou coesa como devia e "esqueceu-se" (palavra minha) de fazer os triângulos defensivos. Ora se algum defeito se apontava a Jesus era o de prender os jogadores a um sistema táctico caracterizado por uma coesão (demasiado) rígida. É verificável que o Sporting jogava em 30 metros numa teia inabalável. Pergunta: porque diabo os jogadores, habituados a este modelo durante as 3 últimas épocas, se espalham agora no campo, muito à toa e sem conexão?

Acerca da segunda parte Peseiro declarou que a equipa veio para a frente na raça, cheia de vontade e de brio. Isto explica perfeitamente que tenha levado 2 golos em contra pé, ou, como parece que se diz em futebolês, se tenha desmantelado defensivamente na transição ofensiva. Também explica por que motivo os jogadores tenham entrado num espírito anárquico, cada um por si, com correrias malucas (aliás numa delas, de Acuña, resultou o primeiro golo) Porque sucedeu isto, numa equipa supostamente rotinada em nunca desguarnecer a retaguarda e que há um ano abusava da prudência?

As declarações de Peseiro dão assim lugar a algumas interrogações:

Se Peseiro sabia o que se devia fazer porque não fizeram os jogadores o que era devido? Por que razão os jogadores no mínimo informados de uma certa disciplina táctica a abandonaram por completo num trimestre? Entrando em terrenos um pouco mais especulativos: se Peseiro sabe, porque o diz, qual é a boa forma de jogar (qualquer que ela seja), porque não joga a equipa como ele diz?

Há uma resposta que parece óbvia (e alarmente), ainda por cima com fundamento histórico, mas talvez seja demasiado cedo para a considerar. Ou não?

Os lenços brancos

1293158[1].jpg

 

Já se agitam lenços brancos, fenómeno cíclico no Sporting. Mas é de elementar bom senso que o presidente aguarde para ver o que este treinador vale com o plantel completo. Ou seja, com Mathieu e Bas Dost ifinalmente de regresso.
Frederico Varandas tem duas prioridades imediatas, ambas pelo mesmo motivo: chegar a acordo com ingleses e espanhóis sobre as rescisões de Rui Patrício e Gelson por valores considerados aceitáveis pelo Sporting e preparar o novo empréstimo obrigacionista, para que não redunde em novo fiasco.
O motivo é o mesmo: o Sporting precisa de uma robusta injecção financeira de curto prazo. Só assim a SAD leonina pode atacar o mercado de Inverno para colmatarmos as evidentes falhas neste plantel. E negociar enfim a saída de jogadores que não interessam: Viviano, Misic, Castaignos, Bruno César, Petrovic, Marcelo, Lumor, Ristovski, talvez Wendel (8,5 milhões e continua sem jogar?), provavelmente Bruno Gaspar. Já sem falar noutros casos que permanecem enguiçados, como os de Douglas e Alan Ruiz. Alguém acredita que com o actual plantel outro treinador faria muito diferente?
Altura também para trazer de volta Gelson Dala, que nesta jornada marcou um grande golo pelo Rio Ave, impondo um empate ao Braga na Pedreira - a passe de Fábio Coentrão, outro que recusámos. Passamos o tempo a disponibilizar talentos à concorrência enquanto insistimos em importar jogadores que não valem nada. Ou em mandá-los para o banco, como José Peseiro fez ontem durante toda a primeira parte com Nani, capitão da equipa e único campeão europeu que permanece em Alvalade. Aqui, sim, acredito que com outro treinador seria bem diferente: se o plantel realmente válido é curto, não há a menor justificação para o encurtarmos mais ainda.

Armas e viscondes assinalados: Haraquíri perante o samurai do Barlavento

Portimonense 4 - Sporting 2

Liga NOS  - 7.ª Jornada

7 de Outubro de 2018

 

Salin (2,0)

Noite de extrema desgraça para o guarda-redes francês, até agora titular acidental do Sporting. Pouco fez para evitar o 1-0 e melhor seria se nada tivesse feito para tentar evitar o 2-0, primeiro dos dois golos com que o japonês Nakajima (também autor de duas assistências) destroçou os leões. Salin embateu de forma violenta com a cabeça no poste e saiu de maca, directo para o hospital. Que as consequências sejam menos graves do que aparentam e que a recuperação seja rápida.

 

Ristovski (1,0)

Nada de positivo fez no ataque e a defender tornou-se presa fácil para Nakajima e para Manafá, que ainda há pouco tempo era suplente na equipa B do Sporting. Parece impossível, mas fez com que os adeptos sentissem falta de Bruno Gaspar. Ou de figuras de papelão com o rosto de Piccini ou de Schelotto.

 

Coates (2,5)

No lance do 1-0 ficou mal na fotografia, permitindo a Manafá rematar pelo meio das pernas, e a noite do seu 28.° aniversário fica manchada pela inaudita hecatombe leonina. A seu favor, o verdadeiramente importante (a forma como socorreu de imediato Salin ao ver o estado em que o colega ficara) e o tardio golo de cabeça (já estivera perto disso na primeira parte) que pôs o resultado em 3-2 e permitiu sonhar com o empate ou até com a reviravolta. Mas sempre que o uruguaio é chamado a fazer de ponta de lança - acontecia muito na fase senil do jorgejesuísmo e também sucede na fase inqualificável do peseirismo - coloca-se aquele problema que os físicos designam por impossibilidade de um futebolista ocupar duas posições no terreno ao mesmo tempo.

 

André Pinto (2,0)

Longe de ter cometido os piores erros defensivos, também nada de bom trouxe para juntar ao currículo na aziaga deslocação ao Algarve. O próximo jogo do Sporting será contra o Arsenal, daqui a duas semanas e meia, e é possível que Mathieu já esteja recuperado. 

 

Acuña (2,0)

O extremo portimonense Tabata fez literalmente o que quis dele numa primeira parte em que nada lhe correu bem. Depois de ambos serem amarelados, na sequência de uma rixa junto à bandeirola de canto, libertou-se mais e conseguiu fazer a arrancada que culminou no primeiro golo do Sporting.

 

Battaglia (2,0)

Pouco mais ofereceu do que algum poder de choque, sem demonstrar ter as baterias recarregadas depois de ser poupado aos últimos jogos. Na construção de jogo levou a que os adeptos sentissem falta de William Carvalho e, no limite, até de Petrovic.

 

Gudelj (1,5)

Deu-se pela sua presença em campo a meio da segunda parte, quando teve a hipótese de fazer o 2-2, beneficiando de uma sequência sobrenatural de ressaltos, e em vez disso rematou contra a cara do guarda-redes. Chegou a temer-se pela saúde do agredido, mas até ao apito final este foi espectador privilegiado da incapacidade do duplo pivot do meio-campo leonino para construir jogo e para suster contra-ataques dos seus colegas.

 

Bruno Fernandes (2,0)

Melhorou na segunda parte, ao assumir a esquerda, sem que os deuses responsáveis pela trajectória das bolas rematadas de longe se tenham reconciliado consigo. Talvez não fosse má ideia fugir à convocatória de Fernando Santos e aproveitar as próximas semanas para fazer terapia regressiva. Até à época passada, de preferência.

 

Raphinha (1,5)

Foi uma sombra do extremo decisivo que tem feito sonhar os adeptos e faz salivar os entusiastas de História Alternativa que adivinham o que teria sucedido na época passada se tivesse sido ele a chegar em Janeiro em vez de Rúben Ribeiro. Saiu lesionado ao intervalo, abrindo caminho para o único verde e branco com nota positiva. Que volte depressa e bem.

 

Jovane Cabral (1,0)

Mais uma vez ficou provado que o ainda apenas cabo-verdiano é o tipo de profissional que trabalha melhor com prazos apertados. A titularidade parece não lhe assentar bem nos ombros e os demasiados minutos que esteve em campo foram uma sucessão de disparates para mais tarde recordar. Pior de todos: o remate para as bancadas, tendo a baliza aberta, desperdiçando o melhor cruzamento de Bruno Fernandes.

 

Montero (2,0)

Perdido entre os centrais e rodeado de gente desinspirada por todos os lados, esteve no sítio certo à hora certa na jogada em que assinou o 2-1. O resto da noite foi uma caça aos gambozinos.

 

Renan Ribeiro (1,5)

Estreou-se na equipa devido à lesão de Salin, pouco antes do intervalo. Na segunda parte sofreu dois golos, sem grandes culpas e também sem qualquer intervenção relevante. Talvez tenhamos chegado ao momento de apurar se Viviano é mais do que um sósia de actor de filmes pornográficos ou de apostar de uma vez por todas no jovem Luís Maximiano.

 

Nani (3,0)

Entrou ao intervalo e terminou o jogo com duas assistências para golo, numa jogada de insistência dentro da grande área e num cruzamento em que ludibriou o defesa que o tentava marcar. Nem sempre conseguiu ser o patrão que o meio-campo necessitava, mas foi o único a cumprir com o que se espera de um jogador do Sporting.

 

Diaby (1,0)

Foi tão nulo em 15 minutos quanto Ristovski no jogo inteiro. Na retina ficou apenas uma queda na grande área adversária. Desafio de História Alternativa: e se Marcelo tivesse entrado em vez do avançado maliano, ficando Coates fixo no ataque sem desguarnecer a defesa?

 

José Peseiro (1,0)

Mais um marco histórico ao comando do Sporting, pois sofrer quatro golos do lanterna vermelha não é para qualquer um. Conseguiu não perceber que o duplo pivot do meio-campo foi incapaz ao longo de todo o jogo e das suas declarações depois do desaire não se denota consciência da gravidade daquilo que sucedeu. A seu favor só a pausa nas competições que poderá devolver-lhe Bas Dost e Mathieu. E o elevado salário que torna José Mourinho e Leonardo Jardim sonhos impossíveis.

Pé frio, mão pesada

Perder com o Braga e depois com o Portimonense é muito mau. Eu sei que Peseiro é um “pé frio”, mas o que se passou hoje no Algarve foi um escândalo (4-2). Estamos em quinto lugar, a equipa de Portimão não ganhava ao Sporting desde 1989 e não jogámos absolutamente nada.

 

É preciso “mão pesada” para acabar com isto, chega de humilhações e onzes de segunda ou terceira categoria. Temos que ir ao mercado em Janeiro e precisamos urgentemente de um treinador com outro nível. Peseiro não serve.

Armas e viscondes assinalados: Traumatismo para os ucranianos

Vorskla 1 - Sporting 2

Liga Europa - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Outubro de 2018

 

Salin (2,5)

Nada pôde fazer no lance do golo madrugador que deu vantagem aos ucranianos até aos 90 minutos, e cedo percebeu que não se podia fiar no quarteto à sua frente. Evitou o 2-0 apressando-se a desarmadilhar um atraso que prometia ser a segunda assistência para golo alheio de jogadores do Sporting. Depois disso teve tempo para recordar outros franceses que não se deram bem no Leste, pois o único remate enquadrado do Vorskla já fizera os estragos que tinha de fazer.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Saltou para a titularidade da mesma forma que alguns estados falhados saltaram para a independência. Permeável a defender e emperrado a atacar, aumentou as legítimas esperanças de quem espera ver Thierry Correia a concorrer ao lugar de Ristovski no decorrer desta temporada.

 

André Pinto (2,5)

Fica marcado pelo ‘ammorti’ que permitiu manter a tradição leonina de não regressar a Portugal sem pelo menos um golo nas redes. Tão perfeita foi a disponibilização da bola para o remate que, havendo justiça, ser-lhe-ia reconhecida a assistência. No resto do jogo mostrou aquela competência interina que o torna invisível. Até aos olhos do selecionador nacional.

 

Coates (3,0)

Atormentado pela desvantagem madrugadora, para a qual pouco ou nada contribuiu, dedicou-se a ganhar duelos aéreos nas duas grandes áreas. Como é tradição, não se furtou a duas incursões (como sempre mal sucedidas) com a bola nos pés naquela fase da segunda parte em que a viagem de regresso a Lisboa prometia ser ainda mais longa e silenciosa. No universo alternativo em que já existe videoárbitro na Liga Europa sofreu um pénalti quando o resultado ainda estava 1-0.

 

Jefferson (3,5)

Mais insólito do que o equipamento branco que a UEFA forçou os leões a envergar só o facto de o brasileiro ter sido o melhor da defesa. Regressado à titularidade, o lateral-esquerdo arrancou o jogo com cruzamentos displicentes que chegavam a parecer combinados com os adversários. Sucede, porém, que no final da primeira parte calibrou as chuteiras, oferecendo um golo a Nani que a haver justiça contaria como assistência, fartou-se de ganhar espaço no corredor que tinha a seu cargo e municiou o ataque com bolas nem sempre bem compreendidas. Até ao momento em que Montero recebeu um cruzamento longo no peito e...

 

Petrovic (3,0)

Enquanto não há Battaglia continua a ir à guerra. Começou mal, reagindo tarde e a más horas à oferta de André Pinto aos anfitriões, mas cedo conquistou espaço no meio-campo com o estilo forte, feio e formal que as suas limitações aconselham. Assim se manteve, muitas vezes tomado pela angústia do futebolista no momento em que tem a bola nos pés, até ser devolvido ao banco de suplentes.

 

Acuña (3,5)

Voltou para o meio-campo com o ímpeto de quem já estava a ser avisado pelo árbitro ao quarto de hora de jogo. Foi o sportinguista mais focado na primeira parte, depois do intervalo fez um remate em arco que merecia ser desviado para a ‘gaveta’ da baliza por um fenómeno meteorológico e iniciou o contra-ataque que selou a reviravolta. Nem o amarelo que acabou por levar, tão natural quanto a própria sede, retira mérito ao argentino.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Abriu as hostilidades com um passe de 30 metros para Diaby e empenhou-se sempre na batalha do meio-campo, testando o remate de longa distância em mais do que uma ocasião e com mais do que um defeito de execução. Mesmo no final esteve à beira de marcar o golo que valeu os três pontos, cedendo a honra ao suspeito do costume.

 

Nani (2,5)

Recuperou a titularidade, a braçadeira de capitão e a tendência para desacelerar os ataques. Particularmente infeliz na finalização, teve a baliza contrária a seus pés no final da primeira parte, perdendo uma excelente oportunidade de causar uma boa primeira impressão nas redes. Ficou até ao fim em campo, o que terá contribuído para uma quebra nos rendimentos dos especialistas em leituras de lábios que prestam serviços aos canais de televisão.

 

Carlos Mané (2,0)

Mais uma novidade na deslocação à Ucrânia, após um minuto inteiro no relvado de Alvalade. Alternando entre a faixa e o miolo do terreno, pecou pela falta de pragmatismo (e por ter feito um remate com a canela) apesar de ter demonstrado, numa ou noutra jogada, que ainda sabe ludibriar quem lhe vem tentar tirar a bola. Mas quando saiu para dar lugar a Montero houve a leve impressão de que já ia tarde.

 

Diaby (2,0)

Desta vez já conseguiu demonstrar as qualidades de velocista, ficando a faltar outro tanto no que diz respeito à arte de marcar golos. Teve boa oportunidade logo a abrir o jogo, mas chutou tão mal quanto combinou com os colegas nas jogadas de ataque em que se envolveu. Saiu aos 70 minutos para dar lugar a quem, até ver, resolve.

 

Montero (4,0)

Saltou para o relvado com a convicção de que iria salvar a equipa de um traumatismo ucraniano. E se de início manteve a tendência de criar jogo longe da zona de perigo, quase sem se dar por isso fez um belo pontapé de bicicleta que poderia ter valido o empate. Redimiu-se logo a seguir, com uma sequência de decisões correctas que permitiram festejar o empate e transformaram os cinco minutos de compensação numa auto-estrada para a reviravolta.

 

Raphinha (3,5)

Assumiu o jogo ofensivo do Sporting desde o instante em que entrou em campo. Entre muitas intervenções preciosas destaca-se o passe para Bruno Fernandes que, por linhas tortas, permitiu que houvesse festa no final de tarde.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser talismã tem destas coisas. Demora-se mais a entrar no jogo do que o colega da direita, vai-se ganhando confiança e está-se à hora certa no lugar certo. Assim se fez o golo da vitória e começa a ser difícil acreditar que todas estas intervenções decisivas não passam de uma sucessão de coincidências.

 

José Peseiro (3,0)

Descansou uns quantos titulares, o que se torna compreensível devido à deslocação à Portimão na noite de domingo. Mas recebeu pouco em troca da confiança depositada em Bruno Gaspar, Carlos Mané e Diaby, viu uma falha tremenda da defesa adiantar o Vorskla, e até ao último minuto do tempo regulamentar viu-se metido em grandes sarilhos. Que por uma vez o universo tenha conspirado a favor do Sporting deve-se em grande parte às substituições acertadas que fez no decorrer da segunda parte, ciente de que, para mal dos seus pecados e do departamento médico, o plantel que orienta não se dá assim tão bem com poupanças.

Comparações

O futebol é sempre feito de comparações. Há dois meses, por exemplo, o Sporting tinha um plantel destroçado, com nove jogadores a rescindirem unilateralmente. Incluindo o guarda-redes titular do clube e da selecção nacional, campeão europeu, entretanto substituído por um aleijado italiano que se apresentou em Alvalade com seis quilos a mais e está arrumado numa arrecadação qualquer.
Isto tem de funcionar como elemento de comparação. Claro que melhorámos de então para cá. Claro também que ninguém consegue, em tão pouco tempo, transformar um plantel destroçado em potência do futebol nacional. É de elementar honestidade intelectual reconhecer tal facto.

Ingratidão do rival vs. serenidade leonina

Ler queixas de benfiquistas sobre o árbitro João Capela, o tal que lhes perdoou várias grandes penalidades no derby do limpinho, limpinho, equivale a ler uma dissertação de Cicciolina sobre a perda da virgindade. O clube da Luz, que foi amplamente beneficiado anos a fio, a ponto de jocosamente se apelidar um campeonato de Liga Capela, mostra ingratidão face aos serviços anteriormente prestados. Obviamente que este clamor visa desviar atenções da qualidade do futebol praticado, da prestação das principais aquisições na presente época, face ao investimento, das críticas de adeptos a Rui Vitória e até da inenarrável explicação sobre o like de Jonas no Instagram, com a bizarra teoria da conta ter sido pirateada.

Felizmente que os tempos são calmos no Sporting, apesar da controvérsia sobre a não convocação de Nani para o jogo com o Marítimo. No entanto José Peseiro falou demais, compreendo o interesse mediático, mas os problemas de casa, decidem-se internamente, à porta fechada. Claro que a vitória ajudou a serenar os ânimos, acredito que Nani volte a ser titular e receber a braçadeira muito em breve, quiçá na próxima quinta-feira. A bem do clube.

Armas e viscondes assinalados: Só fez falta quem lá esteve

Sporting 2 - Marítimo 0

Liga NOS 6.ª Jornada

29 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

Perdeu uma excelente oportunidade para reler clássicos da literatura gaulesa, ou para aliviar a caixa de correio electrónico, tão pouco foi o trabalho que o ataque do Marítimo lhe deu. Ainda assim poderia ter sofrido um golo mesmo antes do intervalo, mas teve a felicidade de um certo argentino ter sido adaptado a lateral-esquerdo.

 

Ristovski (2,5)

Diga-se, em sua justiça, que qualquer um se arrisca a parecer um Robin se tiver um Batman ao lado. Muito solicitado por Raphinha, que criou espaço à direita suficiente para mais três novos partidos como o de Santana Lopes, o macedónio executou todo o género de cruzamentos para a grande área adversária tirando os cruzamentos eficazes. A defender também esteve algo permeável, devendo-se-lhe a melhor ocasião do Marítimo em toda a noite, mas foi salvo pelo colega da esquerda. Na segunda parte, enquanto o colectivo colapsava, melhorou na travagem das ofensivas madeirenses e ainda  tentou o golo com um remate forte o suficiente para criar aflições.

 

Coates (3,0)

Voltou a perder a bola para um adversário na zona de perigo, tendo o mérito de resolver a sua malfeitoria com um corte arriscado. Mas no resto do jogo foi o muro que ajuda a manter a equipa na corrida, sendo que a habitual arrancada pelo meio-campo contrário teve desta vez consequências de somenos: um contra-ataque facilmente resolvido pelos colegas da linha defensiva menos obcecados em subir na vida.

 

André Pinto (3,0)

Tal como sucede com os árbitros, acaba por ser meritório que não se dê muito pela presença do substituto de Mathieu. Tanto assim foi que se fez notar pela primeira vez ao ser-lhe mostrado o cartão amarelo, pois agarrou um adversário que o deixara mal ao fazer passar a bola por cima de si. Desse momento em diante regressou para um estado de invisível eficiência que é a sua imagem de marca.

 

Acuña (3,5)

O corte providencial que impediu o Marítimo de reduzir para 2-1 foi a cereja no topo do bolo constituído por mais uma exibição repleta de raça nas bolas divididas (e nas bolas confiscadas), de clarividência no lançamento do contra-ataque e de brilho no posicionamento.    Talvez fosse boa ideia fazer um clone para precaver lesões ou castigos internos por insultar o treinador.

 

Petrovic (3,0)

Recebeu audíveis aplausos das bancadas ao fazer a versão adriática da roleta marselhesa para salvaguardar a posse de bola perante a cobiça de dois fulanos vindos da pérola do Atlântico. Titular devido à gripe de Battaglia, superou as baixas expectativas dos adeptos, sem nunca comprometer a segurança da baliza leonina. Ainda se aventurou em lances de ataque, mas a sua técnica muito particular de ganhar lances (avançar a bola e atirar-se para cima do adversário) ainda carece de ser aprimorada.

 

Gudelj (2,5)

Viu o cartão amarelo muito cedo, o que poderá muito bem explicar que tenha estado ligeiramente mais calmo. Na segunda parte foi parte integrante da perda gradual do meio-campo, chegando-se ao paradoxo de o Sporting ter menos posse de bola num jogo que pareceu controlar desde o início.

 

Raphinha (3,5)

Sofreu a falta para grande penalidade tirando partido da velocidade com que se desmarca e marcou o livre que permitiu a Montero fazer o resultado final. No resto do jogo combinou (bem) com Bruno Fernandes e (nem por isso) com Ristovski, quase conseguiu oferecer o 3-0 ao capitão e reforçou a ideia de que aqueles 6,5 milhões de euros irão multiplicar-se mais tarde ou mais cedo.

 

Jovane Cabral (3,0)

Eis os factos: o ainda apenas cabo-verdiano fez o passe de ruptura para Raphinha que originou o pénalti do 1-0 e sofreu a falta junto à linha lateral que abriu caminho para o 2-0. Mas tal como Narciso se deixou enfeitiçar pela sua imagem reflectida na água, também Jovane está demasiado apaixonado pela capacidade de driblar, sucedendo-se jogadas em que enfrentou um trio de adversários, perdendo invariavelmente a bola para o terceiro. Se o olhar de Acuña pudesse matar estariam os sportinguistas de luto pela funesta consequência da segunda tentativa de penetração na grande área que o habitual suplente culminou deixando sair o esférico pela linha de fundo...

 

Bruno Fernandes (3,5)

Capitão de equipa devido ao castigo imposto a Nani, poupou-se às discussões com homens do apito que lhe têm valido a maioria dos recorrentes cartões amarelos que recebe. Preferiu gastar energias na construção de jogadas e mesmo que os remates de longe insistam em não sair, o certo é que voltou a marcar, de pénalti, sem apelo nem agravo. Eleito homem do jogo, teve atitude de capitão e ofereceu o troféu ao regressado Carlos Mané.

 

Montero (3,5)

Pôs termo ao seu pequeno jejum (desde a aziaga final da Taça de Portugal) com um toque pleno de oportunidade, a mesma que demonstrou ao roubar uma bola logo no início do jogo, forçando o espoliado do esférico a agarrá-lo antes que fugisse para a baliza. Lutador incansável, rematou muito e só não teve grande taxa de sucesso nos duelos aéreos com os defesas.

 

Misic (2,0)

Entrou aos 77 minutos para o lugar de Jovane, numa substituição que colocou três médios defensivos oriundos de países balcânicos no relvado em simultâneo - e isto sem contar com o macedónio Ristovski ou com o argentino Acuña, que facilmente obteria cidadania honorária de um desses países. E o certo é que o Marítimo não marcou.

 

Diaby (=)

Mais cinco minutos em campo. Mas a acreditar nos jornais a culpa é da selecção do Mali, cuja convocatória atrasou a integração no grupo.

 

Carlos Mané (-)

Um dos raros representantes da Academia de Alcochete no actual plantel regressou a Alvalade e aos relvados após prolongada ausência por lesão e empréstimos decididos por Jorge Jesus. Merecia mais do que um mísero minuto.

 

José Peseiro (2,5)

Tinha tudo para ser uma noite relaxada. Mesmo com Nani na bancada, e apenas três titulares da época passada no onze titular, viu-se a vencer cedo, recebeu o golo da tranquilidade antes do intervalo e... deixou-se adormecer. O Marítimo ganhou espaço e bola, vários jogadores estavam esgotados (Jovane ficou a dever uns bons 20 minutos ao banco de suplentes) e mesmo assim esperou aos 77 minutos para mexer na equipa, acrescentando mais um médio defensivo aos dois já existentes. Será que o treinador do Sporting protelou as substituições com medo de que mais algum substituído o mandasse para um lugar desagradável?

Dois erros

Um erro não se corrige com outro erro. Nani cometeu o primeiro, ao sair do campo em Braga como saiu. Mas o treinador também errou ao pronunciar-se publicamente sobre o assunto, que envolve o capitão da equipa.

Estas questões resolvem-se entre as quatro paredes do domicílio profissional, dispensando bravatas na praça pública. Não há que inventar nada: muitas fragilidades ao nível da comunicação dos clubes poderiam ser solucionadas com o recurso ao mais elementar bom senso.

Castanholas

Há treinadores assim, como o Peseiro e o Jesus e outros, que fazem uma equipa-tipo e insistem até à exaustão com os mesmos onze mais três suplentes, sempre os mesmos, excepto se algum se lesiona e fica impedido.

Depois há aqueles como o Abel, que joga com os que estão em melhor condição e os muda consoante o esquema táctico do adversário, normalmente com êxito.

Eu diria que os primeiros são caguinchas e os segundos são ousados, ou melhor, os primeiros são incompetentes e os segundos nem por isso.

Ontem vimos aquela táctica que tem dado resultado contra adversários de segunda linha (sim, o Benfica também), mas que não tem entusiasmado por aí além. Pode dizer-se que o que era necessário era estabilizar a equipa e se com resultados positivos, tanto melhor. Aconteceu e ainda bem. No entanto continuo sem perceber por que carga de água prescinde o nosso treinador de um espaço que não andará muito longe dos 25/30 metros no meio do terreno, onde normalmente os adversários passeiam e constroem o seu jogo ofensivo.

Continuo sem perceber porque se há um ponta de lança na equipa, Diaby, se insiste em Montero com o impedimento de Bas Dost.

Continuo sem perceber porque insiste em colocar o Bruno Fernandes na equipa, ou pelo menos a 10, já que está em nítida baixa de forma. Porque não a 8, diminuindo aquele deserto no meio do campo?

E continuo sem perceber porque insiste em jogar com Battaglia e mais um (desta vez, como com os azeris, com Gudelj) ali mesmo à frente da defesa, provocando depois aquele fosso até Bruno Fernandes.

E porque não tem um golpe de asa e coloca Nani a 10, retirando dele toda a capacidade de drible curto e passe milimétrico, dando espaço a Jovane.

E já agora, porque só utiliza Jovane a espaços?

Peseiro é medroso (não confundir com merdoso, que eu não tenho nada contra o homem), sempre foi, apesar de quando era novo ter a audácia de colocar quem estava melhor e as suas equipas, o Sporting é disso exemplo na sua primeira passagem pelo nosso clube, praticarem um bom futebol e se no Sporting esse bom futebol não teve êxito, pode dizer-se que foi por puro azar e por alguma indisciplina no balneário (porque foi irreverente e apostou nos que estavam em melhor condição, em detrimento de algumas vacas sagradas do balneário, precisamente, que lhe fizeram a "folha").

Eu gostava de terminar o campeonato com todos os jogos contados por vitórias, seria inédito, mas sabemos que o campeonato é uma prova de regularidade, ganha quem chegar ao fim com mais pontos, independentemente do número de derrotas, o que quer dizer que, tendo ficado chateado com a derrota de ontem em Braga, sobretudo porque estávamos a jogar com uma equipa que vai andar fresca uma boa parte do campeonato (não tem Liga Europa) e agora ainda tínhamos apenas um jogo a mais e sobretudo por isto mesmo, vai ser um directo competidor, sendo talvez quem melhor futebol pratica neste momento na primeira liga. Fiquei chateado, dizia, mas haverá sempre percalços num campeonato tão longo, por isso uma derrota em Braga, onde provavelmente os nossos dois directos adversários também terão dificuldades, não é morte de ninguém.  Como disse, preocupa-me mais o conservadorismo de Peseiro, que pode levar a que esta derrota não seja caso único e contra adversários de bem mais fraca valia. E como sabemos bem, é contra esses que se ganham e perdem campeonatos.

 

Ah! o título do post, que já me esquecia. Só uma mente muito à frente consegue vislumbrar em Castaignos uma possibilidade de dar volta a um jogo que estamos a perder. E isto tendo Diaby no banco, o tipo que veio para ser substituto de Bas Dost. Sim senhor, ó Peseiro, limpa-te a esse guardanapo, pá!

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D