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És a nossa Fé!

Competência, tempo e paciência

Mesmo não tendo sido campeão na época de estreia, era claro para os sportinguistas minimamente racionais que era uma questão de tempo até o Sporting ser campeão com o Jorge Jesus. Qualquer pessoa via que, com Jesus, o Sporting voltaria a ser campeão. Pela forma como abordava cada jogo, pela confiança e mentalidade ganhadora - que era incutida pelo treinador. Era uma questão de tempo e de paciência. Não funcionava sempre. Era natural que custasse a implementar - ainda mais no Sporting. No Benfica, Jesus numa época perdeu tudo para Vilas Boas, tendo sido eliminado em casa da taça e perdido por 5-0 no Dragão para o campeonato. Na época seguinte também não ganhou nada de jeito, e na outra perdeu tudo numa semana, incluindo a final da taça para o Guimarães. Mas havia uma avaliação da forma de jogar da equipa e houve paciência para deixar que o ciclo do adversário chegasse ao fim para começar a ganhar. E o Benfica ganhou com Jesus. No Sporting a história poderia ter sido semelhante. A confirmação veio na noite de hoje.
A qualidade da Liga Portuguesa tem vindo a baixar significativamente nos últimos anos. Têm emigrados muitos bons jogadores, têm emigrado sobretudo muitos bons treinadores, a um ritmo muito elevado, e os que ficaram não estão à altura. Esse decréscimo de qualidade não é só no Sporting. Só que no caso específico do Sporting ele é particularmente evidente, com a onda de rescisões de 2018 pelas razões que são bem conhecidas. A queda do Sporting é bem mais acentuada. E o resultado é este: o Sporting está muito pior do que os seus rivais, quando poderia estar muito melhor. Tivesse havido mais paciência com quem tinha provas dadas e estava a fazer um bom trabalho (e continuou a fazê-lo nos clubes por onde passou). Em circunstâncias normais, a equipa hoje não seria a mesma de 2018 (pelo menos Rui Patrício e William, e quase de certeza Gelson, já teriam saído), mas teria sido possível manter a mesma base e dar continuidade a um trabalho. E creio que ninguém duvida que, com a mesma estrutura de 2018, o Sporting nesta época seria melhor que este Benfica e este FC Porto e seria campeão sem dificuldade. Só que tudo começou a ir por água abaixo com uma célebre postagem no facebook após um jogo em Madrid, a que se seguiram muitas outras até tudo acabar com a consequência dessas postagens que foi a invasão à Academia.
Não venho aqui e agora defender a atual estrutura diretiva e no futebol, que cometeu muitos e enormes erros. Só estou a pensar nos erros dos outros. Também convém. Um clube como o Sporting tem que saber aproveitar os erros dos outros. E tem que ser servido por pessoas competentes. Pessoas competentes é o que eu não vejo na atual estrutura do futebol, de alto a baixo. Mas não basta ter pessoas competentes. Há que lhes dar tempo e ter paciência.

Como nascer um furúnculo no rabo

"Em 26 anos, nunca pensei assistir a uma coisa daquelas. Resumindo, fomos motivo de chacota. O sr. presidente chegou a dizer-nos, mais propriamente ao meu treinador, que não estava preocupado com a Taça de Portugal. 'Oh Jorge, estás preocupado com a Taça de Portugal? A Taça de Portugal, para mim, é como nascer um furúnculo no rabo'", terá dito Bruno de Carvalho, de acordo com Mário Monteiro.

É claro que as coisas têm que ser contextualizadas e tínhamos acabado de ficar fora da Liga dos Campeões mas, para o Sporting, ganhar a Taça de Portugal não pode ser tão pouco apetecível como nascer um furúnculo no rabo. Nunca.

Um manicómio em autogestão

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Os promotores do movimento Dar Futuro ao Sporting entregaram ontem ao presidente da Mesa da Asembleia Geral o conjunto de assinaturas que recolheram com vista à destituição imediata dos órgãos sociais eleitos para um mandato de quatro anos faz hoje 16 meses, em 8 de Setembro de 2018.

Estes sócios querem abrir um novo processo eleitoral no clube alegando haver «justa causa» para a destituição. Esforcei-me por entender qual é, mas as confusas declarações do porta-voz do movimento não me esclareceram. «A violação de estatutos, a relação tripartida entre a direcção e os sócios, e os últimos conflitos que não têm trazido paz ao clube são razões que podem levar à justa causa», declarou António Delgado.

Dizer isto ou não dizer nada, parece-me, é rigorosamente igual.

 

Por notável coincidência, a formalização da entrega destas assinaturas a Rogério Alves ocorreu no mesmo dia em que Jorge Jesus prestou o seu impressionante depoimento em tribunal sobre o assalto a Alcochete.

Um depoimento que, culminando o que já ficara dito em audiência por testemunhas anteriores, comprovou que na recta final do seu mandato o presidente Bruno de Carvalho estava de relações cortadas com o treinador e toda a equipa técnica, com os capitães do plantel profissional de futebol e praticamente com todos os jogadores.

 

As declarações já prestadas perante o colectivo de juízas permitem fixar um doloroso retrato do que era o nosso clube em Maio de 2018: um manicómio em autogestão, onde um mitómano irresponsável dava rédea solta a um bando de criminosos.

Os efeitos traumáticos desta situação caótica deixaram um rasto demolidor, contaminaram fatalmente o período que ainda vivemos e vão demorar muito tempo a extinguir-se de vez. Quem queira "dar futuro ao Sporting", chame-se como se chamar, deve ter a noção exacta disto.

 

ADENDA

Ao que me garantem, um dos promotores desta acção de destituição, Carlos Mourinha, distinguiu-se na assembleia geral de 10 de Outubro por ter concluído a sua intervenção desta forma: «Presidente, vá para o car**** que o fo**!».

Fico elucidado quanto ao nível intelectual de alguns mentores do movimento agora posto em marcha.

Da idolatria

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Reparem no que acaba de acontecer no Brasil: em dois dias consecutivos o Flamengo conquistou a Taça Libertadores e sagrou-se vencedor do campeonato desse país. Em ambos os casos pondo fim a jejuns muito prolongados.

Na hora de celebrar estes triunfos, quem foi vitoriado e aplaudido com toda a energia do mundo pela massa adepta? Os jogadores do Fla, como Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta, Diego Alves, Arão e Rafinha. E, claro, o treinador Jorge Jesus.

Viram alguém andar com o presidente do clube ao colo? Claro que não: os dirigentes, nestes momentos, ficam sempre em segundo plano. As estrelas não são eles, mas os artistas do relvado e quem os orienta nos treinos e nos jogos.

É uma anomalia haver quem pense e aja de maneira diferente, idolatrando presidentes e relegando os jogadores para o fim da fila. Só vejo disso em Portugal.

Dum Jorge a outro

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Em pouco mais de um ano e com quatro treinadores de permeio (um deles vencedor de duas taças), o futebol do Sporting passou do comando do Jorge da esquerda para o Jorge da direita, um Jorge naturalmente menos experiente, menos credenciado, bem mais barato, e também menos habilitado para a função, não cumprindo sequer os mínimos exigíveis.

Pelo que se sabe, e profissionalismo à parte, são adeptos do Sporting desde há muito, que vieram bater à porta do clube para integrar as camadas de formação, o mais velho até integrou a primeira equipa, depois fizeram a carreira em clubes menores, o mais novo chegou à selecção nacional.

Dizem que Jesus quando começou a treinar tinha Cruijff como grande referência, não faço ideia qual é a referência de Silas. Tendo tido Jesus como treinador, e para além das diferentes personalidades e estilos de liderança, seria natural encontrar pontos comuns no trabalho dos dois, filosofia de jogo e consequentemente reflexo nas exibições e resultados alcançados.

Muito estranhamente, pelo menos para mim, quanto mais vejo este Sporting de Silas e me recordo do Sporting de Jesus, mais concluo que quase nada há de semelhante. 

Muito ao contrário de Jesus, Silas:

1. Não tem modelo de jogo nem onze base definido, é sempre uma surpresa saber como e com quem o Sporting vai jogar. Parece que nos poucos jogos que Silas tem à frente do clube já conseguiu apresentar oito sistemas tácticos distintos, e já tiveram minutos quase todos os jogadores do plantel mais uns quantos da equipa sub-23. É a formação "on-the-job" levada ao extremo, mas Silas fala em aumento da competitividade do plantel. Com Jesus o sistema era aquele e o núcleo duro jogava sempre ou quase sempre.

2. Não valoriza a função de ponta de lança, prefere avançados móveis, o único de que dispõe no plantel é substituido mesmo quando tem de ganhar o jogo. Com Jesus os pontas de lança jogam sempre e valorizam-se inacreditavelmente (Cardozo, Slimani, Bas Dost, Gabigol).

3. Não valoriza os craques do plantel e não os responsabiliza pelos resultados, antes prefere o colectivo e o respeito pela estratégia de jogo que vai na sua cabeça. Vide as declarações depois da derrota de Alverca.

4. Enquanto Jesus chegou ao clube, impôs um peso-pesado para controlar as "primas-donas" do balneário, mas respeitou a competência do Nelson como treinador de guarda-redes, Silas chega e traz a sua "corte", tanto ou mais inexperiente como ele e que deverá sair em bloco no mesmo dia, Beto fica onde está mas coloca Nelson de parte. Renan chega assim ao seu terceiro treinador em pouco mais dum ano... Magnífico para a sua evolução. Como não se conseguiu livrar de Gonçalo Álvaro, parece que contamos agora com dois preparadores físicos (!!!).

5. Chama aos trabalhos muitos jovens dos sub-23 e dá minutos a alguns, sem se perceber se está a resolver os problemas do presente ou a preparar o futuro. Ou a queimar os jovens num momento em que a equipa não tem condições de os ajudar (vide Rodrigo no jogo com o Belenenses). Jesus escolhia previamente a quem queria dar atenção, e os outros era melhor irem tratar da vida para outro lado (Dizem que terá dito qualquer coisa parecida como se Francisco Geraldes andava a estudar, que tirasse o curso primeiro e depois que viesse jogar à bola), poucas ou nenhumas oportunidades decentes dispunham. 

Além disso ou em consequência disso tudo, a verdade é que Jesus chega aos clubes e põe no imediato as equipas a jogar bom futebol: aconteceu isso no Sporting e revolucionou em quatro meses o Flamengo. Silas chegou e pôs o Sporting a jogar sistematicamente mal, nalguns momentos horrivelmente mal. De alguma forma os resultados, apesar da eliminação na Taça, com algumas vitórias conseguidas sabe Deus como contra equipas menores, têm vindo a mascarar esta realidade.

Silas lamenta-se com a falta de tempo para treinar e para pôr a equipa a jogar à sua maneira. Mas... qual é a sua maneira ? Não faço a mínima ideia. Se alguém souber que me diga.

Concluindo, pensava eu que tinha vindo para o Sporting um Jorge mais novo, menos teimoso, mais flexivel nas relações com os jogadores, mais inspirador, mais comprometido com o clube, e veio... Jorge Silas.

Obviamente este é o momento mais alto da carreira de Jorge Jesus (Mais uma vez parabéns, Jesus), o momento mais baixo se calhar foi a desgraçada final do Jamor perdida pelo Sporting, e é fácil endeusá-lo (como fizeram com a imagem do Redentor) esquecendo os seus defeitos e o que foi o seu percurso no Sporting. Para o Sporting, Jesus é passado. Mas quando quisermos discutir o presente e perspectivar o futuro, inevitavelmente nos iremos lembrar do último treinador que nos fez sonhar quase até ao fim com a conquista do título. Só que Bryan Ruiz não fez como o Gabigol.

 

PS: Não sei o que aconteceu à outra versão, esta saiu assim sem grandes acabamentos, espero que gostem e conto desde já com os vossos comentários.

SL

Cheira-me que vive os dias mais felizes da sua vida.

Jorge Jesus é uma bela súmula do que é ser o português ferrabrás. Alma até Almeida, coração enorme, mas também fezada, improviso, mania das grandezas, alguma arrogância até e soberba provocatória a disfarçar a fragilidade ou (como se diz agora) autoestima lá em baixo. Português, o maior, mas mortal ainda assim.
Jorge Jesus é obcecado com o que faz, meticuloso e em constante auto-melhoramento. Sendo de geração diferente da de Mourinho, é mais da rua, da fábrica, do café, da sueca, da chicla e da caneta Parker que do Moleskine ou da Montblanc.
JJ será ainda muito persuasivo e impositivo, em especial junto daqueles que são emocionalmente frágeis como ele, como os jogadores de futebol portugueses, sul-americanos e latinos e alguns dirigentes. É aí que é Mister: Comes as sandes de courato que quiseres mas fazes como eu quero e se é para chegar todos os dias às 6 da manhã é porque é mesmo para chegar todos os dias às 6 da manhã. É homem do calduço mas também da festinha. Seria um fantástico pastor evangélico no Sul dos EUA, como seria um magnífico senador no Brasil ou um líder de agricultores em França. É um personagem com poucas dúvidas e que raramente se engana.
Como qualquer um de nós, JJ quer ser amado e admirado, e, muito à portuguesa, numa dinâmica que parece ser perpétua, vê na teimosia e na casmurrice qualidades superiores.
Fiquei muito contente com a dupla conquista brasileira de JJ porque o amadorense – homem com defeitos e qualidades – me parece ser muito grato e disponível para aqueles que o aplaudem. Ora isso é uma enorme qualidade e bastante rara. Jesus é um genuíno e entusiasta protagonista numa atividade (o futebol ao mais alto nível) que consumimos com a avidez de crianças. Não se esconde e fala, gesticula, explica, partilhando connosco o que lhe vai acontecendo. Acho esse pacto que fez connosco, os adeptos, uma coisa fantástica e por isso muitos vibramos com uma vitória que lhe caiu do céu (mas essa parte não é para dizer).
JJ é uma espécie de ator de um filme que ele próprio tem criado na carreira, desde que subiu lá acima, quando foi para o Benfica. Habilíssimo na relação com jornalistas e influencers (os mais velhos, malta do Solar dos Presuntos), passou a fase do amealhar dinheiro e aspira agora à admiração, à glória e à imortalidade. Sempre com fezada. Cheira-me que vive os dias mais felizes da sua vida.  Parabéns!

Jesus

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Como ontem Jesus disse, e repetidas vezes, a final da Libertadores é um acontecimento mundial, "transmitida em 176 países". E mais disse, que esta final foi em termos "tácticos e técnicos"  melhor do que a última final da Liga dos Campeões. Ou seja, não só catapultou o enorme Flamengo como faz por catapultar o contexto futebolístico em que está, é ele que "faz peito" à supremacia da imagem do futebol europeu. Não é só o Flamengo que lhe deve estar agradecido, é todo o mundo do futebol sul-americano que lhe deve, dívida de gratidão por tanta firmeza, até arrogância.

Nos últimos dias todos à minha volta, mais ou menos do futebol, estiveram com Jesus. Os benfiquistas - que o abominaram aquando da passagem para o Sporting, que lhe negaram as qualidades técnicas e a decência de carácter. Os sportinguistas - que o abominaram aquando do pérfido "lhimpinho, lhimpinho" e depois tanto nos cansámos de um projecto assente em opções demasiadamente dispendiosas para o clube, sem que chegassem os títulos (certo, esteve por uma "unha negra" mas isso não conta, como bem Jesus diz, pois o que interessa são os títulos). E todos os outros. A vitória de Jesus foi um pouco a vitória de quase todos nós (excepto os do fel mais empedernido). E acredito que foi excepcional para todos os nossos patrícios emigrados no Brasil (e na América Latina).

O que gosto em Jesus, para além desta magnífica foto - noto que é absolutamente inusitado que um treinador de futebol faça isto, contrariamente ao que fazem os jogadores. Será que, nos últimos anos, Klopp, Zidane, Di Mateo por exemplo, o fizeram quando ganharam a Liga dos Campeões em clubes de países que lhes são estrangeiros? Gosto de JJ porque é um "gajo da bola", fala como nós, tropeça na conjugação, engana-se. Ou seja, não tem valor facial, vale pela sua enorme competência e não pelo que (a)parece.

E gosto de outra coisa, desta óbvia arrogância que a tantos incomoda. Ainda ontem num zapping via um comentador qualquer apoucá-lo e vi vários notarem que "não gosto do estilo". Os portugueses (e isso nota-se nos comentários na internet) continuam presos ao ideal do "respeitinho", do "chapéu na mão", da "humildadezinha". Quando se fala das grandes figuras do desporto que têm sucesso no estrangeiro logo chovem impropérios, a eterna inveja face ao sucesso alheio - e que mais fluída se nota nos constantes dichotes com os emigrantes (com os "avéques", como se goza agora com todos os que foram para países francófonos), num povo em que todas as famílias têm ou tiveram emigrados, nota máxima da inconsciente mediocridade da mentalidade nacional.

Ou seja, não é apenas essa inveja, generalizada, contra quem parte para melhorar algo. É a raiva mesmo contra quem não é "humildezinho", não se desfaz em mesuras diante do "destino", "Deus Nosso Senhor" (mesmo sendo católico fervoroso), "o senhor doutor" ou o "senhor morgado", etc. Gente que imenso triunfa e sabe que o deve ao seu trabalho e competência e o proclama, que não pede licença para ter sucesso? JJ, Mourinho, Ronaldo, Queirós? Muitos de nós, os sãos, rejubilamos com os seus percursos. E há outros, mas tantos também, que somam os deslizes, os erros, as falhas desses vencedores. Para assim, apoucando-os nos momentos de grandes triunfos ou no mero quotidiano, se sentirem gente. Sobreviverem à comparação, que pobremente sentem necessidade de estabelecer.

Jesus  não ganhou no Sporting? E depois ...? Grande triunfo agora, grande momento, grande episódio, épico na história do futebol. É arrogante? (É? será isso que esta foto mostra?) Que seja. Pode sê-lo.

Obrigado, míster.

Digno de Leão

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É empolgante vermos um sportinguista assumido como Jorge Jesus, sócio n.º 3.289 do Sporting Clube de Portugal, vencer a Taça Libertadores, como treinador do Flamengo, pondo fim a um jejum de 38 anos do clube carioca na conquista do maior troféu da América do Sul e a 13 anos consecutivos de eliminações neste torneio.

Digno de Leão. Com juba verdadeira.

É despachá-lo para o Flamengo

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Parece que o Alan Ruiz, após ano e meio de férias na Argentina, acaba de recusar um empréstimo a um clube turco, alegando que não está ao nível dele. 

Sabendo que este matreco não conta para o técnico do Sporting, como aliás se compreende, faria bem a Direcção leonina em remetê-lo ao Flamengo. É lá que está o treinador que exigiu trazê-lo para o Sporting.

Parabéns ao vencedor

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Como vários de nós, exprimi aqui críticas a Marcel Keizer, que tomou conta da equipa profissional do Sporting quando seguíamos a dois pontos do Benfica no campeonato nacional após termos ido empatar à Luz sob o comando de José Peseiro. Não sendo adepto das chamadas "chicotadas psicológicas", pareceu-me mal que Frederico Varandas tivesse despachado Peseiro a 31 de Outubro - sobretudo no contexto em que ocorreu, após uma derrota para a Taça da Liga em que o técnico apostara deliberadamente num onze de segundas linhas e vira esvoaçar dezenas de lenços brancos nas bancadas.

Depois, naquela semana negra do início de Fevereiro, fiquei francamente decepcionado com o holandês ao perdermos duas vezes com o Benfica em dois jogos consecutivos - primeiro 2-4 em casa, para o campeonato, depois 1-2 na Luz, na primeira mão da meia-final da Taça.

 

Virou-se a página. Em tempo de balanços, neste defeso, é o momento de dar os parabéns formais ao sucessor de Peseiro - e, cumulativamente, ao presidente que o contratou. Em seis meses, com ele ao leme da nossa equipa principal de futebol, o Sporting venceu dois dos três troféus em competição - a Taça de Portugal (que não vencíamos desde 2015) e a Taça da Liga. Graças a ele também, qualificámo-nos para a Supertaça, pela primeira vez em quatro anos.

Nesses seis meses, portanto, Varandas conseguiu tantos títulos em provas de continuidade no futebol português como Bruno de Carvalho em mais de cinco anos como presidente. E Keizer superou o milionário antecessor: nas três épocas em que prestou serviço em Alvalade, Jorge Jesus apenas foi capaz de conseguir uma Taça da Liga - batendo o V. Setúbal, numa final sem vitória em campo, só conseguida na marcação de penáltis.

 

Keizer está longe de ser um prodígio na comunicação. Mas não foi para isso que Varandas o contratou. A verdade é que o holandês, num momento difícil da vida do Sporting, soube granjear o respeito dos jogadores e dos adeptos. Deve ser felicitado também por isso.

 

 

ADENDA: O Benfica sagrou-se campeão nacional de futebol. Manda o mais elementar desportivismo que saibamos dar os parabéns ao clube vencedor. Como sempre fiz aqui.

Auditoria forense (2)

Durante as três temporadas em que orientou o Sporting, Jorge Jesus tornou-se o terceiro treinador de futebol mais bem pago do mundo na proporção do peso do seu salário (mais de 20 milhões de euros) face ao total das receitas da SAD.

Jesus recebia 6% das verbas disponíveis na SAD, sendo ultrapassado apenas por Diego Simeone no Atlético de Madrid e por Carlo Ancelotti no Nápoles (ambos com percentagens de 8%).

Por contraste, o peso dos salários de Rui Vitória no Benfica e de Sérgio Conceição no FC Porto, relativamente às receitas das respectivas sociedades anónimas desportivas, não ultrapassava 1%.

Auditoria forense (1)

Durante a sua passagem pelo Sporting, entre 2015 e 2018, Jorge Jesus embolsou mais de 20 milhões de euros. No último ano, recebeu quase o dobro do que Sérgio Conceição e Rui Vitória juntos - sem ter conseguido sagrar-se campeão nacional de futebol, ao contrário destes seus colegas de profissão. 

Jesus e a sua equipa técnica custaram, nas três épocas em que permaneceram sob contrato com a SAD leonina, cerca de 25 milhões de euros. Muito acima do que haviam custado Leonardo Jardim e os respectivos adjuntos, que auferiram 844 mil euros em Alvalade na época 2013/2014, ou Marco Silva e a sua técnica, que receberam conjuntamente 872 mil euros pelo desempenho na época 2014/2015. 

De salientar que tanto Sérgio Conceição, no FC Porto, como Rui Vitória, no Benfica, não ultrapassaram 2 milhões de euros por temporada. Apesar de ambos se terem sagrado campeões nacionais, enquanto Jorge Jesus apenas conquistou uma Supertaça e uma Taça da Liga nas três épocas em que orientou o Sporting.

 

Dados hoje divulgados pelo jornal Record, que agora, sob a direcção de Bernardo Ribeiro, revela crescente dinamismo e capacidade de superar a concorrência.

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