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És a nossa Fé!

Curvas e contracurvas

Há três anos, Bruno de Carvalho afastou Augusto Inácio do cargo de director desportivo para abrir caminho a Jorge Jesus.

Agora, age às avessas: traz Inácio para afastar Jesus.

Assisto a isto e questiono-me se é maneira séria e credível de gerir um clube.


Como em quase tudo o resto (desistir ou prosseguir no facebook, sentar ou não no banco, apoiar ou não as claques, defender ou atacar os jogadores, cortar relações ou reatá-las com o Porto, convidar e desconvidar Octávio para o casamento, aproximar-se e afastar-se de Ricciardi, garantir que não quer despedir treinadores que acaba por afastar...), o ainda presidente é capaz de tudo e do seu contrário. Desde que lhe dê jeito para se mantar agarrado com unhas e dentes ao umbral da porta.

 

O equivalente àqueles ministros que, contra todas as evidências, insistem em manter-se num Governo quando já não reúnem condições mínimas para continuarem em funções.

Jorge Jesus

Nota prévia: Nunca pensei escrever este texto.

 

Subscrevo todas as críticas que os meus colegas deste espaço escreveram sobre Jorge Jesus. Não posso esquecer uma deliciosa “conversa” numa destas caixas de comentários entre o Pedro Correia e, presumo eu, o José da Xã (peço desculpa não ter encontrado o link). Para além dos argumentos para a saída do Jorge Jesus discorriam sobre eventuais nomes para o substituir. Na altura, apeteceu-me entrar na conversa para dizer que o nome que gostaria de ver como treinador do nosso clube seria Frank Rijkaard. Não o fiz, não quis interromper tão deliciosa conversa.

Porém, concordando na altura com todos esses argumentos, creio que hoje Jorge Jesus não deva sair (daí a minha nota prévia).

Sim, repito que concordo com todas as críticas técnico-tácticas escritas neste espaço. Todas, faço-as minhas. Senti-me imensamente frustrado com muitas das suas opções, envergonhado com muito do seu egocentrismo, discordei algumas vezes do «11», etc., etc., etc.

Concordo com tudo isso, mas…

… e apesar disso, entendo que deva ser o treinador da nossa equipa na próxima época.

O seu comportamento nestes (como lhe hei-de chamar?) "infelizes tempos" tem sido irrepreensível e, presumo eu, será um elemento fundamental para evitar um possível “descarrilamento” total da nossa equipa de futebol sénior masculino.

O Sporting da Maria Alexandra

Agora descobriram a "Maria Alexandra", essa sim uma verdadeira sportinguista. Sabendo eu como são feitos estes programas em que a opinião pública expressa "espontaneamente" as suas ideias, a Maria Alexandra é uma sportinguista tão espontânea quanto o famoso Pedro "Fernando Santos" Guerra é um espontâneo benfiquista. De resto, os argumentos estão lá todos muito certinhos: a culpa é dos jogadores, o presidente é que dá o corpo às balas.

Esta coisa da culpa dos jogadores realmente cansa e é trágico: os jogadores são a mesma coisa aqui ou no Porto e no Benfica. Se não rendem o mesmo do que lá, o problema não é deles, é da organização. E o responsável principal pela organização é o treinador, seguindo-se a ele o presidente. Não venham com a história dos "mercenários": "mercenários" são o Ronaldo, o Messi, o Salah, mas não é isso que leva ninguém a deitá-los abaixo. Mudem os jogadores todos e ponham lá uns novos, se a organização não muda, o resultado é o mesmo.

Quanto ao presidente que dá o corpo às balas, importa saber que balas são essas e quais as balas que ele próprio atira. Para mim, já seria suficiente vê-lo a dar o corpo às balas na véspera da Taça de Portugal a dizer que a culpa de os jogadores terem levado porrada em Alcochete tinha sido deles próprios; assim como seria suficiente vê-lo na mesma ocasião a dizer mal do Rui Patrício. Do Rui Patrício? A sério? Mas a isto soma-se a entrevista ao Expresso uma semana antes do jogo da Madeira e uma série de intervenções do mesmo género, ao longo dos anos, que sempre deram imenso jeito aos rivais do Sporting. O ano passado, por exemplo, lembrou-se de atacar os adeptos. Este ano, lembrou-se de suspender os jogadores uns dias antes do jogo com o Atlético de Madrid. Um clássico sportinguista é dizer que a Comunicação Social é benfiquista e só dá destaque positivo ao Benfica e negativo ao Sporting. Pois esta época o presidente do Sporting conseguiu sempre retirar o Benfica da luz negativa da Comunicação Social e pôr lá o Sporting. Até chegarmos a esta semana horrível. Na crise (mais uma) de Janeiro-Fevereiro de 2017, ainda acreditei que tanto o treinador como o presidente corrigissem estes aspectos que poderiam ser fatais. Um pouco mais tarde, nas eleições, ainda esperei uma mudança. Nada mudou. Já dei para o peditório.

Só para relembrar

O futebol apresentado pelo Sporting esta época foi na maioria dos jogos medíocre. Futebol previsível, chutos para o ar, uma enormidade de golos sofridos, banhos de bola dos 3 principais rivais, etc...

Jorge Jesus voltou a demonstrar que é um treinador medroso e que, apesar de ter um dos melhores plantéis da história do Sporting (100% escolhido por ele), e, provavelmente, o melhor do campeonato, só conseguiu ficar em 3o lugar.

A gestão do esforço da equipa ao longo da época foi do mais absurdo que tenho visto e só há um responsável por isso que é o próprio treinador.

A abordagem ao mercado de Janeiro foi completamente ridícula e a única coisa que acrescentou foi despesa...

Convém não nos esquecermos desta realidade.

Canalhice

Dois dias depois de Jorge Jesus ter sido barbaramente agredido no campo de treinos do Sporting, o ainda vice-presidente Carlos Vieira veio ontem à noite lembrar ao País que ele é «o treinador mais bem pago do País.»

Isto temos nós acentuado dezenas de vezes ao longo dos últimos anos aqui no blogue. Para exigir sempre mais da prestação da equipa técnica e dos jogadores.

Mas dito da boca de um vice-presidente no momento em que ocorreu, e no contexto específico em que a frase foi lida (sublinho: lida, não proferida de improviso), é pura canalhice.

Vieira, número dois de Carvalho, faz parte do problema. Não pode fazer parte da solução.

O papá já não gosta da nora

Vão jogar assim ao Jamor vão...

Entretanto, deixei de perceber onde é que ficamos naquele famoso argumento segundo o qual estas intervenções inopinadas do presidente "adepto-maluco", ou lá como é que ele se define, serviam era para pôr os jogadores a jogar à grande e a ganhar os jogos todos.

Outra coisa que não percebo é esta coisa de criticar os jogadores. Vamos lá a ver: desculpem o truísmo, mas os jogadores são só jogadores; juntem-se 10, 20, 30 jogadores e não passarão disso mesmo: um conjunto de jogadores. O que faz uma equipa é a organização. E o responsável pela organização é o treinador - e a seguir é a direcção, que oferece as condições ao treinador e aos jogadores. Haviam de ter vindo calhar ao Sporting os piores e mais preguiçosos de todos os jogadores? Os do Porto são muito melhores? Claro que não. A organização é que foi melhor. A este respeito, já tive a oportunidade de escrever há um ano sobre aquele que acho ter sido um dos maiores erros de Bruno de Carvalho (e que muitos adeptos infelizmente seguiram): o deslumbramento parolo com o "Jorge" - escuso de elaborar, já o fiz antes. Estava-se mesmo a ver que o romance ia acabar aqui: com o pai do menino a dizer que a nora (como todas as noras) é que levou o menino por maus caminhos.

Ajoelhou-se há uns anos... hoje sentou-se

Não. Não dá. Como é possível um treinador, quase só no final, ver que jogámos o jogo todo com dez jogadores? Sim, porque Piccini, já no último jogo de Alvalade, mostrou que não está minimamente em condições e ter apostado nele para um jogo que precisávamos de ganhar... francamente, não percebo. E depois, cada vez que mexe na equipa, é um descalabro. Porque saiu Fábio? Que melhoria trouxeram Bryan, Montero ou Doumbia? Este, então, veio passar um ano de férias com uns milhões pagos pelos sócios do Sporting e a precisar sempre de um tradutor. Bom e então aquela opção de fazer recuar Gelson quando precisávamos de ganhar (se calhar ainda sonhava com um golo do Moreirense na Luz...) e era bom defender o empate? Por favor, não defendam Jesus. Vejam todas as vezes em que fez substituições se conseguimos algo de positivo.

Ah, e já me esquecia de uma coisa... o clima da Madeira também teve influência nos jogadores (palavras de Jesus na conferência de imprensa). Ha uns anos, no Dragão, ajoelhou-se; hoje, nos Barreiros, sentou-se... a continuar, ainda o veremos deitar-se noutro jogo decisivo.

Só espero que não seja no Sporting.

O pior

Para mim, o pior de tudo na noite de sábado foi ouvir no fim o treinador aludir à "festa do futebol" e esbanjar elogios ao árbitro. Num jogo que foi incapaz de vencer, em que o guarda-redes adversário não fez uma defesa, que começa com uma inadmissível agressão de uma claque leonina ao Rui Patrício e que termina num triste e medíocre 0-0.

Deixar fugir o título

Há várias maneiras de analisar a nossa prestação na Liga 2017/18, prestes a findar.
Eu acho inaceitável que uma equipa que pretende ser candidata ao título tenha 18 golos sofridos fora de casa (e ainda falta irmos à Madeira). Mais de um por jogo, em média.
Acho ainda pior sermos só a quarta equipa mais goleadora. Atrás do Porto (com menos 19 golos!), do Benfica (com menos 17!) e até do Braga (com menos 12!).

Acho inconcebível que, em 18 pontos possíveis com as restantes equipas que ficaram connosco nas quatro primeiras posições do campeonato, tenhamos apenas somado quatro.

Isto nada tem a ver com árbitros. Tem a ver com a "filosofia de jogo" do treinador e a sua aplicação prática pelos jogadores.
Não são números de equipa campeã. De tal maneira que, uma vez mais, deixámos voar o título - pela terceira vez com Jesus ao leme do plantel.

O melhor que aspiramos é ao segundo posto.
Como no tempo da saudosa época de Leonardo Jardim, quando tínhamos um orçamento para o futebol três vezes inferior ao actual.

Sonhos

Sonho com um Sporting mentalmente forte que entenda que só a vitória no campeonato faz uma época de sucesso. É preciso admitir que falhamos há 16 anos consecutivos. Mesmo que tenhamos vencido Taças, Supertaças e até uma Taça da Liga, esses são aperitivos e nunca uma refeição de leão. Hoje em dia, só a conquista da Liga Europa poderia substituir a conquista do campeonato. Aconteça o que acontecer nos próximos dois jogos esta é uma época falhada para o Sporting (equipa sénior de futebol, entenda-se) mas claro que desejo e acredito no segundo lugar e na Taça de Portugal.

 

Sonho com um dia em que um dos mais caros treinadores da Europa que orienta um belo plantel composto por muitos milhões e talentos (e tem outros tantos à espera de serem chamados) guie a equipa até à conquista do campeonato.

 

Sonho com o dia em que o Benfica não esteja na boca da direção, claques e adeptos do Sporting. O Benfica – mesmo que possa ali haver muita matéria para ser falada – deve ser apenas um das 17 equipas que devem ficar atrás do Sporting.

 

Sonho com o dia em que sejamos bem representados a nível institucional, na derrota e na vitória e que a palavra dada seja cumprida.

 

Sonho com um maio de festa e não balanços tristes e vitórias morais.  

Triste e sem solução

Foi dos jogos mais tristes que vi em Alvalade. Ou melhor, foi dos jogos em que me senti mais triste em Alvalade.

 

Como é possível entrar em campo contra uma equipa que vinha de uma derrota por 2-3 no seu estádio contra o Tondela e ser completamente manietado durante os primeiros 45 minutos, num jogo de máxima importância que poderia garantir a qualificação para a Champions?

 

Como é possível entrar em campo com dois jogadores semi-aptos, ou semi-lesionados, num jogo com esta importância e depois de 6 vitórias seguidas sem eles (com excepção de 72 minutos de Piccini no jogo com o Porto)? Que estratégia de condução de homens é esta?

 

Como é possível estar 90 minutos em campo sem criar uma oportunidade de golo e sem fazer um remate à baliza?

 

Como é possível ver tantos adeptos a sofrer nos minutos finais para segurar o 0-0 e a aplaudir efusivamente a equipa no final como se o objectivo deste jogo fosse não jogar nada e deixar tudo nas mãos do melhor guarda-redes do campeonato?

 

Sim, há 2 lances para penalty, mas isso não altera nada do que refiro sobre a sofrível e triste exibição.

 

Com um treinador que em 18 pontos possíveis com as equipas da frente apenas consegue fazer 4 pontos, duvido que alguma vez possamos vir a ser campeões. Este facto só demonstra o complexo de inferioridade que Jorge Jesus tem e que transparece para toda a equipa. É um treinador temeroso!

 

E mesmo nos 4 míseros pontos conquistados, fomos inferiores em todos os jogos e merecemos perdê-los!

 

Estou ciente de que a opinião generalizada é de que Jorge Jesus é a melhor solução e não há melhor que ele em Portugal, mas confesso que essa não é a minha opinião. Comentários como: "Mas quem é que ias buscar melhor que ele?" nada mais significam que a aceitação tácita da inferioridade. Se assim não fosse, Sérgio Conceição não seria campeão!

 

Cá estaremos, em 2018/2019, para mais um ano de Jorge Jesus, na esperança de que na época seguinte venha um treinador com ambição, que é coisa que Jorge Jesus não tem.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Comunicado

As equipas entram no relvado e Jorge Jesus já está no banco, de calculadora na mão. Ao seu lado, Bruno Carvalho sabe que está proibido de emitir sinais de fumo (pois não está na Tribuna). Os jogadores do Sporting iniciam a redacção de um Comunicado, com o fogo de artifício lançado pelas claques como pano de fundo.

 

O Benfica toma a iniciativa e Rui Patrício mostra que comunica bem com os postes. A vítima desta vez é Rafa. Bryan Ruiz escreve um bom primeiro parágrafo, Mathieu tenta complementá-lo e Ruben Dias impede-o, agarrando-o, mas Carlos Xistra acaba por rasurar tudo. Jesus diz que foi uma "chave, um termo de luta técnica(!)", ficando o público sem entender se estaria a falar grego, romano ou mesmo greco-romano. O que o público também não vai percebendo é quem é o trinco e quem é o "box-to-box" da equipa leonina. Aparentemente, JJ tentou confundir Rui Vitória, mas acaba por estar a confundir só os adeptos do Sporting com as suas ideias "fora da caixa"...

 

Piccini anda às aranhas com Rafa, Grimaldo e o "Zokovic", ou lá o que é, a entrarem pelo seu corredor e o ex-bracarense volta a testar a confiança de São Patrício nos ferros. Rui, que ainda toca na bola, agora fala com o direito, antes tinha sido com o esquerdo. O Sporting reage, numa ideia de Bruno Fernandes que Coentrão não consegue finalizar eficazmente. Depois, é Bas Dost que tem aquela que o treinador leonino diz que é a melhor oportunidade de golo. Sai-lhe a roleta e, quase a alinhavar os 3 pontos do Comunicado, pára e pede a Gelson para o terminar. Um jogador do Benfica, com mais "canetas", intromete-se e não lho permite. Pelo meio, Patrício (sempre ele) impede, por duas vezes, os benfiquistas de saírem à frente no marcador.

 

Intervalo para café ("Coffee-Break") e os atletas abandonam a "sala de espectáculos" por momentos. Ansiosos, os espectadores aguardam por novidades, divididos entre os que verificam o funcionamento do seu pacemaker e os que se fazem munir de um desfibrilador, o equipamento electrónico que substituiu o telemóvel no reino do leão. É que não há Facebook ou Instagram que (não) valham uma boa descarga...

 

Recomeça a segunda parte. Há fumo negro e cabos soltos no relvado ou cabos negros e fumos soltos no relvado, tanto faz, pormenores que por alguns minutos atrapalham a comunicação. Mormente após a substituição de William por Acuña, e consequente passagem de Ruiz para o meio, finalmente o Sporting estabiliza as posições no meio campo. Batman emerge como o médio mais recuado e começa a dominar as investidas adversárias. O vigilante de Alvalade City recupera inúmeras bolas e a equipa parece readquirir a sua confiança. O Benfica ainda lança Sálvio e este dá a Jimenez a oportunidade de decidir o jogo, mas o mexicano não a remata da melhor maneira. Bruno Fernandes tem uma boa ideia e transmite-a a Dost, mas Ruben Dias, uma vez mais, põe-lhe a mão em cima e não o deixa escrever. Xistra nada diz e o vídeo-árbitro já deverá estar a jantar. Bryan Ruiz ainda propõe redigir algo, mas infelizmente da cabeça do costa-riquenho não saem melhores ideias do que aquelas que já conhecíamos que produz com os pés. Pelo menos nos jogos com o Benfica.

 

O jogo termina e o Comunicado é uma folha em branco. À saída, um amigo diz-me que o Benfica tem melhores jogadores. Confronto-o, pedindo-lhe para enumerar qual é o jogador dos 5 de trás que joga numa selecção (para além daqueles, do meio campo para a frente que jogam nas "potências" Sérvia, Grécia e México e dos portugueses que são suplentes do suplente da "equipa de todos nós"...). Acrescento que no Sporting, agora que Battaglia está nos planos de Sanpaoli, só Piccini não é chamado às selecções. O meu amigo acaba por anuir.

Jorge Jesus e Ruben Dias são as grandes figuras da época, conseguindo passar entre os "pingos da chuva": o treinador leonino, porque está há sete jogos para o campeonato sem vencer um "grande" e mantém a sua áurea - é o que se chama "comunicar bem"; o benfiquista, porque consegue fazer toda uma panóplia de faltas sem que os árbitros o sancionem. Deve ser a isto que a Comunicação encarnada se refere quando fala de "campeonato sujo"...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

sportingbenfica.jpg

 

O egomaníaco e alguns epígonos

Alguns pequenos e médios epígonos de Bruno de Carvalho, estimulados pela recente aversão que o presidente parece sentir pelo plantel leonino, desataram nos últimos dias a chamar "funcionários" aos jogadores nas mais variadas e desvairadas caixas de comentários, incluindo neste blogue.
Nunca vi nada assim.
Os tais que agora disparam contra quem enverga a nobre camisola verde e branca no momento em que o Sporting discute em campo o acesso à Liga dos Campeões 2018/2019 e a conquista da Taça de Portugal esquecem uma verdade elementar que, num louvável parêntesis ao sopro de manicómio que vai varrendo este consulado, foi há dias recordada por Jorge Jesus: «Quem faz crescer os clubes são os jogadores.»

Se a SAD leonina prescindisse destes "funcionários", como lhe chama a mais fanática falange presidencialista, ficaria com quem para marcar golos, empolgar os adeptos, encher os estádios e gerar receitas?
Num triste cenário desses, talvez algum egomaníaco, esquecido de que o futebol é um desporto colectivo, descesse solitário ao relvado e marcasse mil golos fantasmáticos em tardes de pseudo-glória contra rivais imaginários...

O divórcio

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O presidente do Sporting fez questão em sentar-se ontem no banco dos suplentes - num novo erro de estratégia comunicacional, somado a tantos outros que tem cometido a um ritmo alucinante.

Ficou assim evidente aos olhos de todos que está divorciado da massa adepta, que o insultou pela primeira vez e fez apelos públicos à sua demissão.

Ficou evidente que está divorciado da equipa - daí a sua atitude gélida em ambos os golos leoninos, como se não estivesse a torcer pela vitória do clube, algo inaudito.

Ficou ainda evidente que está divorciado da equipa técnica, exibindo uma crise de lombalgia no preciso instante em que Jorge Jesus mobilizava os jogadores para darem em conjunto a volta ao estádio, merecendo uma entusiástica ovação dos espectadores.

A comunicação vive de símbolos - e este foi desastroso para um dirigente que adora exibir-se na ribalta.

 

Mas o maior sintoma deste divórcio ocorreu depois, quando fez questão de se deslocar à sala de imprensa, sozinho, para falar durante quase meia hora do seu tema preferido: ele próprio. Misturando - como sempre faz - alusões à sua vida familiar com os problemas do clube. Como se não lhe bastasse o texto com mais de dez mil caracteres que publicara três horas antes do desafio de Alvalade na sua rede social favorita com críticas ferozes a jogadores muito acarinhados pela massa adepta leonina - desde logo os campeões europeus Rui Patrício e William Carvalho - e em que aludia a si como "o Presidente".

Falou imenso e não disse nem escreveu uma só palavra para unir, congregar ou mobilizar: só para dividir, incendiar e lançar novos anátemas, em círculos cada vez mais concêntricos. Visando desta vez os restantes membros dos órgãos sociais e os próprios adeptos, incluindo muitos daqueles que o elegeram duas vezes e perante os quais ele forçosamente responde.

 

Podia ter aprendido com Jorge Jesus, que logo a seguir - também na sala de imprensa - falou pouco mas disse o essencial. "A minha responsabilidade é defender os interesses do Sporting. Sei que o barómetro de qualquer clube são os jogadores. Os clubes crescem em função dos jogadores - depois há o treinador, há os presidentes... Jogadores e massa associativa são as duas pedras fundamentais, uns dentro do campo e outros fora do campo."

Quando Jesus dá lições de bom senso, realismo e humildade ao presidente, fica tudo dito sobre a perturbante derrapagem emocional de Bruno de Carvalho, que deixou de ser lesiva só para ele. Já se tornou também lesiva para o Sporting.

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