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És a nossa Fé!

Jesus "sofre com" Vieira

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Ao ser contratado para técnico principal do Sporting, em Junho de 2015, Jorge Jesus fez profissão de fé verde-e-branca. Com o sentido de marketing pessoal que lhe é inato e beneficiando do facto de ser o treinador com melhor imprensa em Portugal, reinventou-se em parangonas como sportinguista. Invocou o nome do pai, Virgolino, contemporâneo de Peyroteo e Jesus Correia na época de ouro do futebol leonino, e fez vibrar as emoções dos adeptos prometendo títulos que não chegaram.

Agora, no regresso ao Benfica, adopta o mesmo padrão: a irresistível atracção pelo show off mediático e o culto imoderado da frase demagógica nunca o abandonam. Este é um dos motivos que levam tantos jornalistas a idolatrá-lo: ele proporciona sempre boas frases para enfeitar manchetes.

Mas desta vez foi longe de mais. Ao colar-se sem sombra de pudor ao homem que há cinco anos correu com ele da Luz, o acusou de roubo informático e lhe moveu um processo milionário em tribunal, reclamando 14 milhões de euros.

Vencendo em Famalicão, numa espécie de jogo amigável que não fez esquecer o desastre de Salónica, o sucessor de Rui Vitória, Bruno Lage e Nelson Veríssimo achou por bem dedicar este triunfo ao chefe máximo.

«Todos nós nesta casa estamos solidários com o presidente e sofremos com ele, com a família e os amigos dele. Esta vitória é do grupo todo para ele. Há cinco anos, quando saí, o Benfica já era grande, mas hoje é ainda maior», declarou após o jogo. Com um excesso de zelo que transcende largamente os seus deveres contratuais.

Não havia necessidade. Mas Jesus é mesmo assim: volúvel como o vento, "sofre" sempre entre aspas, sem amor nem apego a camisola alguma. Enquanto vai coleccionando títulos. Pelo menos nas primeiras páginas dos jornais.

Funchal V2.0

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Sendo orgulhosamente Português, torço sempre pelos êxitos das nossas selecções, sejam quem forem os treinadores e jogadores envolvidos, e mesmo quando outras equipas que não o Sporting estejam envolvidas em competições internacionais tendo também a desejar o melhor e a ficar contente com as vitórias alcançadas.

Obviamente quando estão em causa situações cujos sucessos de outrem se irão forçosamente traduzir em prejuízo ou ajudar ao achincalhamento e rapinagem para com o meu clube a coisa muda de figura, e por isso mesmo tenho de confessar que não fiquei nada triste com o desfecho do jogo ocorrido ontem em Salónica.

Mas ainda menos triste fiquei quando me recordei da forma como perdemos há pouco mais de dois anos, no Funchal, o acesso à Champions com benefício do vencido de ontem, com o mesmo treinador no banco nas duas situações e a repetir as mesmas asneiras. A única coisa diferente, no Funchal, foi o nosso ex-presidente ter desertado e deixado o grande mestre da táctica em roda livre.

Que asneiras foram essas? Jogo aberto e despreocupado, pouca objectividade no ataque, falta de capacidade física para aguentarem 90 minutos no modelo de jogo proposto, um ou outro jogador a vir de lesão, no fundo uma equipa a colocar-se a jeito para o infortúnio às mãos doutra equipa substancialmente inferior mas muito bem preparada por um treinador conhecedor, que corria, comia a relva e fazia pela vida sem parar.

Foram uns 50 milhões pela borda fora, mas para Jorge Jesus a questão é simples. Sem ovos não se fazem omeletas e quem quer um grande treinador tem que abrir os cordões à bolsa. E quanto à formação, dos jovens da formação que existem no plantel do Benfica, tirando Ruben Dias, ontem jogaram... ZERO. 

Nada que nós não saibamos. Infelizmente.

Quando Bruno de Carvalho, para travar a contestação decorrente do despedimento do Marco Silva depois de acabar de ganhar a Taça ao Braga, resolveu ir buscar Jorge Jesus, vaticinei por aqui que ia ser o fim dele. O dele, Bruno de Carvalho. E foi.

Quanto ao Vieira, não vaticino nada nem tenho nada que vaticinar, o meu clube é outro, mas estou curioso para ver o que acontecerá.

SL

O fracasso de Jesus

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1

O Benfica foi atirado borda fora do acesso à Liga dos Campeões pelo PAOK treinado por Abel Ferreira, apesar de a equipa grega custar oito vezes menos do que a de Lisboa. Derrotado em campo, o neobenfiquista Jorge Jesus apressou-se a fazer aquilo em que é exímio: exigir mais jogadores. Aproveitou a conferência de imprensa em Salónica para reivindicar mais um defesa e mais um avançado: sabe que Luís Filipe Vieira, em desespero perante o cenário de perder as próximas eleições no Benfica e de ser constituído arguido noutro processo-crime, lhe fará todas as vontades. Isto apesar de o SLB já ter contratado "reforços", com ou sem aspas, avaliados em 83 milhões de euros, sem ter vendido um só jogador. O que o torna no segundo clube europeu mais gastador neste primeiro mercado de transferências da era Covid, só ultrapassado pelo milionário Chelsea.

A fama deste treinador deve-se, acima de tudo, à sua capacidade reivindicativa: é incapaz de treinar um plantel barato - como fizeram, por exemplo, Leonardo Jardim e Marco Silva, que o antecederam no comando técnico do Sporting. Espreme ao máximo os recursos financeiros dos emblemas por onde vai passando, cada vez mais ao estilo toca-e-foge. Detesta a expressão "formar jogadores" e é-lhe indiferente qualquer perspectiva de lançar alicerces sólidos num clube, seja ele qual for.

Vendo os que ele ontem colocou em campo contra o PAOK confirma-se que em poucas semanas mandou às urtigas o "projecto formador" de que falava até há pouco o seu neopatrão Luís Filipe Vieira: os tais miúdos-maravilha saídos da incubadora seixalense ficaram no banco ou na bancada ou nem tiveram lugar no avião para a Grécia. De caminho, mandou às malvas o "projecto europeu" de Vieira, que ontem viu voar pelo menos 38 milhões de euros a que teria acesso só por disputar a Champions.

 

2

Para nós, sportinguistas, nada disto é novidade. Jesus passou três anos no Sporting a torrar dinheiro e queimar jogadores. Para vencer apenas um título: a Taça da Liga 2018, logo revalidada no ano seguinte por Marcel Keizer, técnico incomparavelmente mais barato.

Não há volta a dar: o balanço de Jorge Jesus no Sporting é negativo. Sobretudo no menosprezo que revelou por jovens jogadores. Em três anos, lançou com regularidade na equipa principal apenas dois: Gelson Martins e Rúben Semedo. Daniel Podence estava em vias de se tornar no terceiro nas vésperas do assalto a Alcochete. Muito pouco, para honrar a matriz formadora do nosso clube. 

A verdade é que Jesus deixou pelo caminho ou empurrou para a borda do prato jogadores como Ricardo Esgaio, João Palhinha, Matheus Pereira, Iuri Medeiros, Francisco Geraldes, Gelson Dala, Domingos Duarte, Ryan Gauld, Carlos Mané e Merih Demiral. Quase toda uma geração da formação leonina desprezada pelo "mestre da táctica". Vários deles não tiveram sequer oportunidade de jogar um só minuto sob a sua orientação na equipa principal. Teriam talvez de nascer "dez vezes", como o neobenfiquista chegou a dizer noutro contexto.


3
Agrada-me saber que esta aversão pelos miúdos oriundos da Academia parece ser coisa do passado. Confio em jovens como Luís Maximiano, Jovane Cabral, Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Joelson Fernandes como futuras figuras da selecção nacional. Aliás já com reflexos na mais recente convocatória para a selecção sub-21, em que o Sporting foi de longe o clube mais representado.

Quero ver estes - e outros, como Daniel Bragança, Matheus Nunes, Tiago Tomás e Gonçalo Inácio - com oportunidades reais, sabendo-se que o futuro começa a ser construído hoje e estes anos são decisivos para lançar carreiras. Faço votos para que esta geração de jovens jogadores consiga singrar de verde e branco, ao contrário da geração precedente.

Basta encontrarem o treinador certo, que aposte neles. Ou seja: que proceda exactamente ao contrário do que fez Jesus.

A voz do leitor

«Chega a ser comovente vermos a lampionagem reconciliada com JJ, na hora do regresso, com requintes de luxo VIP. Trazido pela mão do mesmo homem que em 2015 o quis despachar, por não ser treinador que assumisse a "dimensão europeia do clube" e que mandou apagar-lhe a cara das fotos oficiais, na melhor tradição estalinista. Comparado com o déspota georgiano, Vieira não apresenta apenas similitudes de fisionomia, também lhe é semelhante nas piores expressões do carácter...»

 

Francisco Ribeiro, neste meu texto

Daria para rir se não fosse obsceno

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Esta imagem mostra o requintado interior do Bombardier Global 5000, o jacto privado com 16 lugares utilizado por Luís Filipe Vieira para ir buscar ao Brasil a mais recente equipa técnica contratada para o futebol do seu clube. 

Este "saltinho" ao Rio de Janeiro - por mero capricho do presidente encarnado, em desespero perante a perspectiva de ser derrotado nas urnas em Outubro - terá custado a Vieira a módica quantia de 230 mil euros. Ou antes: terá custado ao clube, pois a verba há-de ser inscrita numa qualquer rubrica do orçamento chumbado pelos sócios da agremiação encarnada. 

Transformado em mordomo do novo técnico, Vieira promete pagar-lhe - apesar do chumbo orçamental - uns modestos 7 milhões de euros só em salário bruto anual, acrescidos de pelo menos 100 milhões de euros em jogadores que constam da lista de compras do treinador, sempre extensa e muito dispendiosa. Tudo isto, note-se, em tempos de grave crise pandémica e num cenário de abrupta quebra de receitas geradas pelo futebol, num país mergulhado na maior queda do PIB alguma vez registada em ciclo trimestral.

Mesmo assim, Vieira ainda se atreve a proclamar que o Benfica «é um clube do povo», em jeito de slogan eleitoral. Daria até para rir se não fosse obsceno.

Jesus foi o pior aspecto na minha gestão

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Disse um dia destes o nosso ex-presidente.

A sério? Ninguém diria... Enfim... eu e outros por acaso aquando da contratação dissemos que a coisa tinha tudo para acabar mal. E acabou... para ele e para o Sporting.

Já agora:

1. O que é que disse ao Jesus quando soube do tratado de paz deste com o Vieira no final de 2017, se calhar já a criar as bases para um regresso posterior?

2. Porque é que lançou a braçadeira ao chão no final do jogo com o Benfica quando viu o Jesus em amena cavaqueira com os jogadores do Benfica?

3. Porque é que não foi ao Funchal, um jogo em que estavam em disputa com o tal clube 40M€, e onde poderiam existir fortes suspeitas de que o mestre da táctica metesse folga?

SL

Da absoluta falta de vergonha

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Foto: Manuel de Almeida / Lusa

 

Há cinco anos, Jorge Jesus chegou ao termo da relação contratual que mantinha com o Benfica: a entidade patronal decidiu não lhe renovar o vínculo apesar de se ter sagrado campeão nacional de futebol. Em articulação estreita com Jorge Mendes, empresário do treinador, "ofereceu-lhe" um longínquo desterro no emirado do Catar que culminaria numa hipotética transferência para o PSG - tudo à revelia do técnico, apanhado de surpresa neste fim de linha quando pretendia permanecer na Luz.

Sabe-se o que aconteceu depois. Jesus recusou o emirado e atravessou a Segunda Circular, convidado por Bruno de Carvalho para treinar o Sporting. Vieira, furioso, declarou guerra ao seu "melhor amigo". O treinador e a sua equipa técnica foram impedidos de entrar nas instalações do Seixal para esvaziarem os cacifos com os seus pertences, a fotografia de Jesus no bicampeonato foi de imediato retirada da "megaloja" benfiquista e logo os papagaios tarefeiros (incluindo um fulano que é agora deputado) começaram a denegri-lo serão após serão nas pantalhas onde lhes dão tempo de antena.

Valeu de tudo. Acusaram-no de roubar software do clube em benefício do Sporting, negaram-lhe o pagamento do último salário na Luz e moveram-lhe até um processo-crime exigindo uma inédita indemnização de 14 milhões de euros por supostos prejuízos jamais confirmados, sempre com o incentivo nada desinteressado dos cartilheiros de turno, especialistas em danos reputacionais.

A 7 de Setembro de 2016, em entrevista à TVI, Vieira foi peremptório: «Jorge Jesus não serve para este Benfica.»

 

Pois o indivíduo que há cinco anos colocou os patins a Jorge Jesus e atiçou a matilha contra ele é o mesmo que agora, acossado por uma sucessão de escândalos judiciais e vergado a uma humilhante derrota em recente assembleia geral, vai buscar o treinador ao Rio de Janeiro, como se fosse mordomo dele, e lhe oferece boleia em jacto privado, prontificando-se a pagar pelo menos 25 milhões de euros só para o trazer de volta e prometendo-lhe «o maior investimento da história do Benfica». Ridicularizando o administrador financeiro da SAD benfiquista, que em recentes declarações avisara: «Provavelmente haverá uma travagem em termos de investimento, admito que haja uma redução, este ano investimos cerca de €60 milhões.»

O motivo é só um: daqui a três meses haverá eleições no clube. Vieira, presidente desde 2003 e tendo visto fugir para o FC Porto o segundo campeonato em três anos, está apavorado com a hipótese de ser chumbado nas urnas.

Até onde chega o desespero. E, sobretudo, até onde chega a absoluta falta de vergonha.

Jorge Jesus no Benfica

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Como com quase todos acontecerá, sigo com vários familiares e amigos, além de inúmeros conhecidos, que são adeptos do Benfica. Têm eles agora, no âmbito destas nossas paixões clubísticas, toda a minha solidariedade e carinho. Bem lembro a raiva com que vituperaram o treinador de futebol, sentindo-o e sabendo-o desonrado traidor dos seus elevados sentimentos, no desprezo pelo Benfica que adoram, mas também como incompetente, incapaz de valorizar os recursos do clube, decerto também porque até homem e profissional de comportamentos desviantes, bem como imoral agente  ... Bem lembro a ânsia, ao que me diziam totalmente justificada, de ver o tribunal fazê-lo pagar bem caro as aleivosias que praticara contra o popular clube do qual são adeptos.

E agora, passado nem tanto tempo assim, encontram tal homem a regressar ao clube que é deles, a que tanto se dedicam e amam. E regressa pela "porta grande", como que se em triunfo. O futebol é assunto de rivalidades mas não pode ser estufa de inimizades. Por isso neste estranho e injusto momento os benfiquistas, meus amigos reais, meus familiares, meus conhecidos, e todos os outros, têm a minha sentida, profunda, humanitária, solidariedade ...

Dar a outra face

Mesmo adorado no Brasil por uma das “torcidas” mais fanáticas do mundo, Jorge Jesus está a horas de regressar ao Benfica, para cumprir um contrato de três anos. Sem convites das maiores ligas europeias e sem grande espírito de emigrante, Jesus regressa ao conforto de Lisboa, onde tem família e amigos e a um clube, que já se quis livrar dele e até o perseguiu na justiça. Mas, Jesus que é Jesus, dá a outra face e perdoa.

Encontrará um clube diferente. Luís Filipe Vieira, que o quis processar, mas afinal é seu amigo de sempre, está a braços com diversos processos na justiça e é mais contestado do que nunca. O regresso que serve como trunfo, não é uma opção unanime entre os adeptos e, acredito, entre a “estrutura”. Tanto já tinha sido equacionado mais do que uma vez.

Depois da aposta na prata da casa, com Vitória e Lage, é de crer que o Benfica intensifique o seu papel como entreposto comercial de jogadores, que pouco ou nada jogarão de vermelho. A partir de agora, os mais variados craques brasileiros vão ser ligados ao Benfica e é bem possível que o próprio Flamengo fique com uns milhões de euros portugueses. Não custa acreditar que Bruno Henrique, por exemplo, ainda queira brilhar na Europa, aos 29 anos.

Em termos técnicos, Jesus irá sempre melhorar o Benfica. É um dos melhores na sua função. Mas acaba de perder a admiração de muitos adeptos do futebol. Dos do Flamengo, dos do Sporting (onde foi um Paulo Bento, muito mais caro, não passando do segundo posto) e de parte dos do Benfica. Mas o seu perdão a que o ofendeu, é tocante.

A "chama imensa" por Jesus

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Bruno Lage, que alguns pândegos de fanática militância encarnada há uns meses proclamavam como «novo Mourinho», foi de queixo ao chão no Funchal: duas derrotas consecutivas no campeonato, em casa contra Santa Clara e fora contra o periclitante Marítimo, afastaram o antigo menino prodígio do comando técnico do SLB.

Aliás o malogrado treinador começou por ser afastado da conferência de imprensa posterior ao jogo, dando lugar ao presidente do clube, que com suprema hipocrisia fez de porta-voz do técnico, proclamando que este assalariado é que tomara a iniciativa de cessar funções. Assim, em vez de «Vieira demite Lage», como de facto aconteceu, o título noticioso passou a ser «Vieira aceita demissão de Lage». Não concebo forma mais cobarde de gerir um clube: eis o futebol a imitar o pior da política.

É caso para dizer que foi literalmente corrido a pontapé: negam-lhe, por esta via, o direito à indemnização a que tinha direito por contrato renovado apenas há sete meses e chegam ao ponto de lhe negarem até o direito à palavra. Mais uma página vergonhosa no futebol do Benfica, que acaba de correr com o segundo treinador em ano e meio: espero que mereça o repúdio da associação profissional do sector.

 

Jorge Jesus - garante a imprensa da especialidade - é o preferido do ainda presidente benfiquista, que lhe terá dito de Lisboa para o Rio de Janeiro: «Anda-te embora e depois falamos».

É conhecido o carinho que ambos dedicam um ao outro, ao ponto de Jesus, há cerca de um ano, ter chamado «meu presidente» a Vieira numa sessão pública. Para que ficasse devidamente registado.

Longínquos são já os tempos em que ele e a sua equipa técnica custaram 25 milhões de euros em três épocas no Sporting que se saldaram pela conquista de uma Taça da Liga - a mais cara do futebol português. Aliás ele nunca escondeu por que motivo trocou a Luz por Alvalade, em 2015: «Mudei, porque fui obrigado.»

 

E se ele acabar mesmo por regressar ao SLB? Devemos ter receio de enfrentá-lo como adversário? São questões que deixo à consideração dos leitores. Responda quem quiser.

De pedra e cal - Gente que foi do Sporting

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A 5 de Janeiro de 1980 este grupo de ex-jogadores do Sporting reuniu-se em Leiria, treinou e, presumivelmente, jogou.

A de 1 Maio de 2020, no Dia do Trabalhador, aqui estão: Gente que foi do Sporting

Talvez não ambicionasse à data, talvez nem sonhasse que viria um dia a ser nosso treinador. Jorge Jesus, homem que desperta ódios e paixões, faz parte da história passada e recente do Sporting Clube de Portugal. 

À sua maneira, cada um destes homens contribuiu para o que o Sporting Clube de Portugal hoje é.

Legenda recorte: GENTE QUE FOI DO SPORTING - incluindo Fernando Peres, nada menos de dez unionistas já passaram pelo Sporting. Antes do treino de conjunto, os ex-leões: Jesus, Quaresma, Pinhal, Garcês, Fernando Peres, Espírito Santo, Dinis II, Tomé, Padrão e Dinis.

Comentários Facebook:
Carlos Padrão: LOL... o tempo volta para trás, boaaaaaaaaaaaa LOL

Fernando Massano Tomé: Do passado vivem os museus como alguém já disse, mas é tão bom recordar velhos tempos, irmanados no mesmo sentimento e amizade, um grande abraço para todos os da foto e para os outros.  

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

Competência, tempo e paciência

Mesmo não tendo sido campeão na época de estreia, era claro para os sportinguistas minimamente racionais que era uma questão de tempo até o Sporting ser campeão com o Jorge Jesus. Qualquer pessoa via que, com Jesus, o Sporting voltaria a ser campeão. Pela forma como abordava cada jogo, pela confiança e mentalidade ganhadora - que era incutida pelo treinador. Era uma questão de tempo e de paciência. Não funcionava sempre. Era natural que custasse a implementar - ainda mais no Sporting. No Benfica, Jesus numa época perdeu tudo para Vilas Boas, tendo sido eliminado em casa da taça e perdido por 5-0 no Dragão para o campeonato. Na época seguinte também não ganhou nada de jeito, e na outra perdeu tudo numa semana, incluindo a final da taça para o Guimarães. Mas havia uma avaliação da forma de jogar da equipa e houve paciência para deixar que o ciclo do adversário chegasse ao fim para começar a ganhar. E o Benfica ganhou com Jesus. No Sporting a história poderia ter sido semelhante. A confirmação veio na noite de hoje.
A qualidade da Liga Portuguesa tem vindo a baixar significativamente nos últimos anos. Têm emigrados muitos bons jogadores, têm emigrado sobretudo muitos bons treinadores, a um ritmo muito elevado, e os que ficaram não estão à altura. Esse decréscimo de qualidade não é só no Sporting. Só que no caso específico do Sporting ele é particularmente evidente, com a onda de rescisões de 2018 pelas razões que são bem conhecidas. A queda do Sporting é bem mais acentuada. E o resultado é este: o Sporting está muito pior do que os seus rivais, quando poderia estar muito melhor. Tivesse havido mais paciência com quem tinha provas dadas e estava a fazer um bom trabalho (e continuou a fazê-lo nos clubes por onde passou). Em circunstâncias normais, a equipa hoje não seria a mesma de 2018 (pelo menos Rui Patrício e William, e quase de certeza Gelson, já teriam saído), mas teria sido possível manter a mesma base e dar continuidade a um trabalho. E creio que ninguém duvida que, com a mesma estrutura de 2018, o Sporting nesta época seria melhor que este Benfica e este FC Porto e seria campeão sem dificuldade. Só que tudo começou a ir por água abaixo com uma célebre postagem no facebook após um jogo em Madrid, a que se seguiram muitas outras até tudo acabar com a consequência dessas postagens que foi a invasão à Academia.
Não venho aqui e agora defender a atual estrutura diretiva e no futebol, que cometeu muitos e enormes erros. Só estou a pensar nos erros dos outros. Também convém. Um clube como o Sporting tem que saber aproveitar os erros dos outros. E tem que ser servido por pessoas competentes. Pessoas competentes é o que eu não vejo na atual estrutura do futebol, de alto a baixo. Mas não basta ter pessoas competentes. Há que lhes dar tempo e ter paciência.

Como nascer um furúnculo no rabo

"Em 26 anos, nunca pensei assistir a uma coisa daquelas. Resumindo, fomos motivo de chacota. O sr. presidente chegou a dizer-nos, mais propriamente ao meu treinador, que não estava preocupado com a Taça de Portugal. 'Oh Jorge, estás preocupado com a Taça de Portugal? A Taça de Portugal, para mim, é como nascer um furúnculo no rabo'", terá dito Bruno de Carvalho, de acordo com Mário Monteiro.

É claro que as coisas têm que ser contextualizadas e tínhamos acabado de ficar fora da Liga dos Campeões mas, para o Sporting, ganhar a Taça de Portugal não pode ser tão pouco apetecível como nascer um furúnculo no rabo. Nunca.

Um manicómio em autogestão

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Os promotores do movimento Dar Futuro ao Sporting entregaram ontem ao presidente da Mesa da Asembleia Geral o conjunto de assinaturas que recolheram com vista à destituição imediata dos órgãos sociais eleitos para um mandato de quatro anos faz hoje 16 meses, em 8 de Setembro de 2018.

Estes sócios querem abrir um novo processo eleitoral no clube alegando haver «justa causa» para a destituição. Esforcei-me por entender qual é, mas as confusas declarações do porta-voz do movimento não me esclareceram. «A violação de estatutos, a relação tripartida entre a direcção e os sócios, e os últimos conflitos que não têm trazido paz ao clube são razões que podem levar à justa causa», declarou António Delgado.

Dizer isto ou não dizer nada, parece-me, é rigorosamente igual.

 

Por notável coincidência, a formalização da entrega destas assinaturas a Rogério Alves ocorreu no mesmo dia em que Jorge Jesus prestou o seu impressionante depoimento em tribunal sobre o assalto a Alcochete.

Um depoimento que, culminando o que já ficara dito em audiência por testemunhas anteriores, comprovou que na recta final do seu mandato o presidente Bruno de Carvalho estava de relações cortadas com o treinador e toda a equipa técnica, com os capitães do plantel profissional de futebol e praticamente com todos os jogadores.

 

As declarações já prestadas perante o colectivo de juízas permitem fixar um doloroso retrato do que era o nosso clube em Maio de 2018: um manicómio em autogestão, onde um mitómano irresponsável dava rédea solta a um bando de criminosos.

Os efeitos traumáticos desta situação caótica deixaram um rasto demolidor, contaminaram fatalmente o período que ainda vivemos e vão demorar muito tempo a extinguir-se de vez. Quem queira "dar futuro ao Sporting", chame-se como se chamar, deve ter a noção exacta disto.

 

ADENDA

Ao que me garantem, um dos promotores desta acção de destituição, Carlos Mourinha, distinguiu-se na assembleia geral de 10 de Outubro por ter concluído a sua intervenção desta forma: «Presidente, vá para o car**** que o fo**!».

Fico elucidado quanto ao nível intelectual de alguns mentores do movimento agora posto em marcha.

Da idolatria

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Reparem no que acaba de acontecer no Brasil: em dois dias consecutivos o Flamengo conquistou a Taça Libertadores e sagrou-se vencedor do campeonato desse país. Em ambos os casos pondo fim a jejuns muito prolongados.

Na hora de celebrar estes triunfos, quem foi vitoriado e aplaudido com toda a energia do mundo pela massa adepta? Os jogadores do Fla, como Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta, Diego Alves, Arão e Rafinha. E, claro, o treinador Jorge Jesus.

Viram alguém andar com o presidente do clube ao colo? Claro que não: os dirigentes, nestes momentos, ficam sempre em segundo plano. As estrelas não são eles, mas os artistas do relvado e quem os orienta nos treinos e nos jogos.

É uma anomalia haver quem pense e aja de maneira diferente, idolatrando presidentes e relegando os jogadores para o fim da fila. Só vejo disso em Portugal.

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