«Se entrar em campo no Estádio Poljud, em Split, na segunda-feira, Quenda vai estrear-se com 17 anos e 202 dias, superando Futre, que estreou em 21 de Setembro de 1983, com 17 anos e 205 dias.»
«Roberto Martínez deu minutos a todos os jogadores convocados para o duplo compromisso com Polónia e Croácia para a Liga das Nações, excepto para Geovany Quenda, o único jogador de campo a ficar em branco.»
«Foi uma maldade. Martínez sabia que ele podia bater o recorde do Futre. Levou-o para o banco, podia tê-lo deixado na bancada, por isso o normal seria entrar. Por dois dias... Por que é que não entrou? Porque defende mal? Joga como ala no Sporting, num sistema de três centrais.»
Pedro Santana Lopes (ontem, n'O Jogo), indignado por ter visto Quenda chamado à selecção A para não jogar
«É desonestidade intelectual. Não escolhe os jogadores porque são do Sporting. Há manifestamente uma perseguição. Diz muito bem deles, são todos uns craques e são os jogadores da equipa que vai à frente e ganhou o campeonato, mas, depois, nada disto serve para o senhor Martínez.»
«Apetece-me dizer isto: ele [Quenda] foi convocado pelo Roberto Martínez mas não foi o Roberto Martínez quem decidiu que ele não devia jogar. Isto é extraordinário. Noutro país qualquer não tenho dúvidas de que seria utilizado e se calhar em alguns casos até como titular.»
Jorge Baptista (ontem, na SIC N), surpreendido ao ver Quenda permanecer no banco contra a Croácia
Há homens com uma natureza tão incerta que sentimos dificuldade em caracterizá-los. Por exemplo: o polémico D. Carlos dividiu a Nação, mas os polemistas da época concordaram (apesar de tudo) que o rei era provavelmente o homem mais gordo do País. Uma opinião larga e que permitiu a Guerra Junqueiro ir um pouco mais longe e tratar o monarca como "um gordo hereditário". É chato, eu sei, mas continuava a permitir algum tipo de consensos na avaliação. Eu já disse o que achava deste Batatinha há uns meses, mas hoje até almocei mais depressa para vir aqui dizer que, não sendo tão consensual quanto um "gordo hereditário", este Batatinha continua a ter a virtude de não falar do que não sabe: futebol. Eu também, e posso jurar aqui, eu também gosto de pessoas que não falam do que não sabem. Mesmo quando o cérebro parece ser o seu segundo órgão favorito.
Jorge Baptista apresenta-se na SIC como comentador futebolístico e eu tive o privilégio de o ouvir nas últimas duas ou três vezes em que falou do Sporting. Eu sei, não falou de futebol, divertiu-se com o Sporting. Está bem, gozou à grande com o Sporting. Sim, quis humilhar o Sporting. É verdade, riu-se muito e nem sequer falou sobre os resultados dos jogos - como se o Sporting tivesse perdido os jogos que, de facto, ganhou. Já chegámos onde eu queria: isso faz dele um mau profissional? Não, pelo contrário. Jorge Baptista tornou-se num profissional do humor e isso só pode merecer o meu elogio. Eu gosto de pessoas que sabem rir. Ao não falar do que não sabe, futebol, o profissional do humor Jorge Baptista brilha no que sabe, humor. Eu não estou em condições de criticar uma pessoa que tem a sabedoria de evitar falar do que não sabe. Este profissional do humor tem futuro. O Batatinha começou bem pior: lembram-se que começou como profissional do Batatoon da TVI com o Companhia? Agora digam lá se não acabou em grande ao fazer um programa com o Bruno Nogueira. Jorge Baptista tem futuro.
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