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És a nossa Fé!

Os nossos comentadores merecem ser citados

«É incrível que em Portugal o torneio de futebol olímpico, onde deveríamos ter presença constante e em que poderíamos arrecadar sucessivas medalhas, não seja encarado com um mínimo de seriedade em decorrência de mesquinhos interesses de vistas curtas, como uma vez mais se viu no Rio em que nos apresentámos com uma equipa de segundas e terceiras escolhas.»

José Lima, neste texto do Edmundo Gonçalves

Jogos Olímpicos

No meu tempo chamava-se Ginástica.

Havia uma classificação qualitativa ( de Mau a Muito Bom ) e confesso que não tenho memória se afectava a classificação final geral.

De qualquer modo, era disciplina obrigatória e numa altura em que o dinheiro não abundava, e francamente não havia a qualidade e quantidade de oferta que há hoje, o equipamento, fato de treino de flanela verde incluído, era costurado pela mãe e as sapatilhas, hoje eufemisticamente apelidadas de ténis, sejam para a prática desse desporto ou não, eram as verdadeiras sapatilhas de ginástica, que serviam para tudo, até para correr. Mais tarde haveriam de chegar as Sanjo e depois as Adidas...

 

Serve o intróito para falar da importância da educação física em geral e do currículo escolar em particular.

Em todos os países onde o desporto ( e não só a corrida ) é encarado como parte essencial do desenvolvimento dos jovens e do bem-estar dos menos jovens, quando em competição os resultados positivos aparecem quase que naturalmente. Entendam como "naturalmente" um trabalho cuidado desde a pré-primária com objectivos definidos: Proporcionar uma melhor qualidade de vida aos cidadãos e por arrasto proporcionar aos que se distingam a possibilidade de se transcenderem e em competição demonstrarem as suas aptidões. Em regra, os atletas destes países têm mais possibilidades de conquistar medalhas em competições de alto nível.

É certo que o universo de escolha é importante, mas se fosse esse o caso os atletas da União Indiana, p.e., estavam carregados de medalhas e isso não acontece. Então, provavelmente, a qualidade do ensino é factor essencial para a obtenção de resultados. Basta ver as grandes potências da modalidade, como tratam a educação física e o desporto em geral. Há países que até atribuem bolsas universitárias aos melhores atletas, vejam bem! As universidades disputam os melhores atletas, coisa extraordinária.

É verdade que no meu tempo, quando a Ginástica era obrigatória, os resultados eram medíocres, exceptuando talvez uma medalha olímpica no hipismo, muitos anos antes e as vitórias no hóquei em patins, que não se percebe como não é modalidade olímpica, a propósito.

Os resultados começaram a aparecer nos finais dos anos setenta, resultado de uma democratização do desporto e porque correr não custava dinheiro.

Outros desportos foram-se desenvolvendo, fruto do investimento dos clubes e duma saudável rivalidade entre eles, o que fez com que de lá para cá, em pouco mais de quarenta anos, conquistássemos vários títulos europeus, mundiais e olímpicos a nível individual e colectivo. O palmarés do nosso país, longe de ser glorioso, enobrece quem se dedicou de corpo, alma e coração a um objectivo maior, que foi o de elevar o nome de Portugal ao mastro mais alto. Sem referência a nomes, pessoas houve que deram tudo de si a esta missão que tomaram como sua e levaram a água ao seu moínho.

 

Dizem por aí que os resultados dos portugueses nestes Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, foram fracos e muito aquém do esperado.

Discordo em absoluto! Senão, tomem lá uns números para reflexão: 

Melhor prestação de sempre em termos de resultados nos seis primeiros: Dez atletas conseguiram-no.

19 classificações no 'top 10', e mais 13 até aos 16 primeiros. Dos 91 atletas, 29 regressam a casa com diploma, 38 estão no 'top 10' e 50 na posição de semifinalistas.

Conseguiu-se uma medalha de bronze. Mas convém não esquecer que em termos de medalhas, sendo Telma Monteiro a única a consegui-lo, Portugal só conseguiu duas medalhas por cinco vezes e três em duas ocasiões.

 

Ouviram-se algumas críticas de atletas e treinadores ao Estado e à forma como apoia o alto rendimento, não tanto pela falta de apoio, pareceu-me, mas pela qualidade do apoio prestado. Há hoje novas técnicas e equipamentos auxiliares de treino que urge colocar ao dispor e que provavelmente não implicarão um investimento por aí além. Haja vontade política para dedicar ao desporto, começando pelo desporto escolar, a atenção que ele merece. A maioria dos autarcas deste país já deu o seu contributo e foram nascendo como cogumelos pavilhões, polidesportivos, piscinas, pistas de atletismo, etc, que se encontram, parte deles, às moscas. Senhores decisores, é favor encontrar forma legal de os colocar ao serviço dos atletas e procurar rentabilizar o investimento.

Uma certeza tenho, se não houver vontade política (este chavão serve para tudo), o esforço dos nossos atletas, treinadores e dirigentes, não sendo em vão, difícil e raramente atingirá o topo, como é desejo de todos, a começar por eles próprios. 

 

Por fim, em jeito de desafio, compare-se os apoios dados a estes atletas e os apoios dados às empresas, para se internacionalizarem.

Compare-se também os resultados.

 

Estão a brincar

Rui Jorge lamentou - embora diga "compreender" - as recusas dos clubes em ceder jogadores para a Seleção Olímpica. Façam-se umas contitas.

Da defesa do Sporting iriam Paulo Oliveira, Ruben Semedo e Ricardo Esgaio. Ou seja, levar-se-ia quase metade dos centrais. Esgaio vai, o que prova não haver a mínima má-fé do Sporting.

Dos médios pretendia João Mário e William Carvalho. Quer isto dizer que após um campeonato esgotante, culminado com mês de Junho onde entraram em 7 jogos "a matar", teriam umas semanas de férias em Julho (enquanto a equipa já roda na pré-época) após as quais embarcariam durante o mês de Agosto para os Jogos Olímpicos ao serviço da Federação até ao dia 20, se chegassem à final. Só pode ser uma brincadeira de mau gosto...

Queria também Gélson Martins, Iuri Medeiros e Carlos Mané, os dois primeiros em fase de integração e crescimento numa equipa carente de extremos, que se prepara para enfrentar a Champions. (Carlos Mané vai.)

Só por loucura ou estultícia o Sporting cederia mais jogadores do que cedeu. E, neste caso, também a política de outros clubes não parece insensata.

A selecção olímpica

Respondam-me, se souberem, para que andam as selecções a tentar resultados, nomeadamente o apuramento para os Jogos Olímpicos (o que só prestigia o futebol português), se depois o seleccionador se vê em "palpos-de-aranha" para arranjar 18 para levar para o Rio de Janeiro?

Eu sei que os interesses dos clubes e tal, mas não interessará também aos clubes? E à federação? E aos jogadores?

Que tal tratarem de prever estas coisas nos calendários, que por acaso só acontecem de quatro em quatro anos?

Bom, resta-nos esperar que os escolhidos dignifiquem a camisola e não envergonhem.

Heróis do Sporting, heróis portugueses

 

Foi há 30 anos! Lembro-me tão bem!

Mas quase tão bom como a chegada de Carlos Lopes à meta foi a cerimónia de encerramento das Olimpíadas de Los Angeles 1984 se ter dado logo a seguir. O Estádio a rebentar pelas costuras, o mundo inteiro de olhos postos no ecrã televisivo, a esperar pelo espetáculo, a esperar por Lionel Ritchie. E, mesmo antes de ele começar a cantar, ouviu-se... o hino português! A nossa bandeira subia, Carlos Lopes no pódium com a medalha! Viva!

Olímpicos (10)

 

O Brasil tem de ir à bruxa: ainda não foi desta que conseguiu sacudir a maldição olímpica em matéria de futebol. Hulk ainda marcou um golo, na final contra o México. Mas não chegou para impedir a derrota brasileira (1-2) contra uma selecção onde brilhou Oribe Peralta, goleador já a sonhar com a Europa.

"É muito triste", lamentou Neymar. Tudo dito em três palavras.

Os lamentos brasileiros não se confinam ao futebol. Também na final de voleibol masculino de nada valeu a vantagem inicial: a Rússia acabou por se impor, conquistando o ouro. A fazer lembrar antigas proezas soviéticas noutras Olimpíadas, em tempo de Guerra Fria.

Podem gabar-se os brasileiros ao menos do primeiro lugar no pódio obtido pela sua selecção feminina de voleibol, que revalidou o ouro olímpico. Já os espanhóis contentam-se com pouco. Bastou-lhes a prata na final de basquetebol (masculino) contra os Estados Unidos, há um par de horas, para desencadear torrentes de hipérboles na imprensa do país vizinho. "Uma prata para a eternidade", dispara o El País. "Medalha de prata, selecção de ouro", sintetiza a Marca, apesar de tudo mais comedida.

Leio estes títulos, bem ao estilo espanhol, e interrogo-me: o que sucederia se o país vizinho tivesse derrotado nesta final as estrelas da NBA?

Com menos hipérboles mas melhores resultados, os norte-americanos garantiam o 14º título em 18 Jogos Olímpicos em basquetebol. E podem gabar-se de ter sido o país mais medalhado em Londres - mais 17 medalhas que a China, no segundo posto.

Portugal só vem com uma. Mas traz uma consolação: foram dois a conquistá-la.

Olímpicos (9)

 

A poucos segundos do arranque da prova, o atleta vestido de amarelo pede silêncio às bancadas. Depois, no seu lugar, benze-se num gesto rápido. E parte imparável para a conquista de mais uma medalha olímpica. Foi assim que há poucos minutos Usain Bolt conquistou o ouro nos 200m - repetindo a marca alcançada há quatro anos, nos Jogos Olímpicos de Pequim. Nunca antes deste jamaicano de 25 anos atleta algum especializado em velocidade havia duplicado medalhas em Olimpíadas sucessivas. Bolt acaba de o fazer, numa final acompanhada por centenas de milhares de pessoas em todo o globo, disputada a uma velocidade estonteante. Três vezes medalha de ouro em Pequim (100m, 200m e 4x100m), duas já obtidas em Londres. Apenas o seu compatriota Yohan Blake procurou dar-lhe alguma réplica, embora sem sucesso. Bolt deu-se ao luxo de voltar a mandar calar alguém (certos críticos, presume-se), a poucos metros da meta, enquanto corria, como se lhe fosse indiferente o tempo efectuado: 19.32 (com o recorde do mundo em 19.19).

Depois do máximo olímpico obtido nos 100m, percorridos em 9.63 (segunda melhor marca de sempre, após o recorde de 9.58 estabelecido pelo próprio astro jamaicano nos mundiais de atletismo em Berlim, há três anos), Bolt arriscava-se a sair de Londres como uma das duas figuras cimeiras destas Olimpíadas - a outra, naturalmente, era o campeoníssimo Michael Phelps. Sublinhei isso mesmo aqui, com a devida antecedência. Os factos deram-me razão, comprovando que a tradição ainda é o que era. Vencer na piscina e vencer na pista, superando barreiras de velocidade, vem ao encontro do genuíno espírito olímpico, que nos interpela a ultrapassar todas as certezas antes afirmadas.

Com Phelps e Bolt, a distância entre o que era e o que passou a ser tornou-se ainda mais curta. Primeiro em Pequim, agora em Londres. Ambos entraram na lenda, podendo proclamar a plenos pulmões: Citius, altius, fortius. Imprima-se a lenda, pois.

Olímpicos (8)

 

Não deixa de ser tristemente irónico que a única medalha portuguesa até agora alcançada em Londres - a prata conquistada esta manhã pela dupla de canoístas Emanuel Silva-Fernando Pimenta em K2 1000m - distinga uma modalidade totalmente ignorada nas páginas da nossa imprensa desportiva. Quem é Emanuel Silva? Quem é Fernando Pimenta? Medalhados em Londres, enaltecidos nas notícias de hoje, mas dois ilustres desconhecidos da opinião pública nacional.

A imprensa desportiva, com a sua obsessão monotemática pelo futebol, tem grande responsabilidade neste divórcio entre os portugueses e alguns dos atletas que mais prestigiam as cores nacionais no palco das Olimpíadas. Como leitor atento dos jornais e adepto de diversas modalidades, gostaria que esta medalha que tanto nos orgulha pudesse contribuir para mudar mentalidades. As sociedades mais evoluídas são plurais em matéria desportiva. E desporto não é só futebol.

Quando a presença na final vale por uma medalha


Clarisse Cruz é atleta olímpica. Com 34 anos, tem ocupação profissional a tempo inteiro e ainda consegue compaginar a sua actividade com os treinos como atleta do Sporting. Hoje, na eliminatória dos 3.000 obstáculos caiu. Ainda assim, arranjou forças para recuperar e para se classificar em 5º lugar, logo atrás de Marta Dominguez que já foi campeã olímpica. A respescagem por tempos para a final é a primeira medalha para atletas portugueses. Não é de ouro, nem de prata, nem de bronze. É uma medalha especial para os que nunca se deixam derrotar.

Olímpicos (7)

                             

 

1. Um duelo fantástico em perspectiva nos Jogos de Londres: Maria Sharapova e Serena Williams enfrentam-se amanhã na final olímpica de ténis feminino, em Wimbledon.

 

2. A figura do ano em Espanha é desde já Mireia Belmonte: segunda medalha de prata em dois dias consecutivos. Desta vez nos 800m livres. Não custa vaticinar que a natação será a partir de agora uma modalidade em expansão no país vizinho.

 

3. Michael Phelps soma e segue: acaba de conquistar a sua 21ª medalha olímpica, desta vez obtendo o ouro nos 100m mariposa - a sua modalidade favorita. Como termo de comparação, registe-se o seguinte: o supernadador norte-americano tem apenas menos uma medalha do que todas as que Portugal já conquistou em cem anos de participação nas Olimpíadas.

 

4. O atletismo começa enfim a marcar presença nestes XXX Jogos Olímpicos. Com más notícias para os portugueses: Marco Fortes falhou o acesso à final do lançamento de peso e Patrícia Mamona está fora da final do triplo salto. Nada demasiado surpreendente.

 

5. E acabo como comecei, chamando a atenção para outro duelo que promete emoções fortes: o confronto entre dois jamaicanos. Usain Bolt e Yohan Blake correm amanhã os 100m no estádio olímpico de Londres. O primeiro sagrou-se campeão nas Olimpíadas de Pequim e é recordista mundial, o outro tem a melhor marca do ano - correu a distância em 9,75 segundos. Os Jogos Olímpicos no seu melhor.

Olímpicos (6)

São uns exagerados, estes espanhóis: passam num ápice do oito para o oitenta. E vice-versa. Ainda há três dias mencionava eu aqui a depressão nacional que parecia ter-se abatido sobre nuestros hermanos por carência absoluta de pódio em Londres. Saltaram logo da depressão para a euforia com as duas primeiras medalhas entretanto ali obtidas. Nenhuma foi de ouro, mas bastou para soltar as hipérboles tão características do país nosso vizinho. Mireia Belmonte obteve a prata nos 200m mariposa e a canoísta Maialen Chourraut alcançou o bronze, proezas imediatamente classificadas de "históricas" pela entusiasmada imprensa espanhola.

Antes isso que nada, dirão alguns. Mas sobre a simpática nadadora de 21 anos (que podemos ver na fotografia que acompanha este texto) talvez não houvesse necessidade de escrever frases como estas, que recolhi de jornais embalados pela onda da euforia colectiva: "Uma rapariga de Badalona converteu-se na pessoa mais famosa de Espanha por causa de uma medalha, a primeira e mais desejada por nós, que premiava um heroísmo sem vítimas"; "Mireia é nossa madrinha de guerra, da nossa guerra"; "A sua forma de nadar deixou claro que a estratégia era uma e só uma: glória ou naufrágio".

Releio estas frases e questiono-me o que sucederia em Espanha se tivessem um Michael Phelps no lugar da loura Mireia. É que o campeoníssimo norte-americano acaba de conquistar na capital britânica a sua vigésima medalha obtida em Olimpíadas - desta vez o ouro em 200m estilos. Subiu mais uns degraus no Olimpo, pois. Cada vez mais inalcançável.

Olímpicos (5)

 

Já se escreveu história em Londres: Michael Phelps é desde hoje o atleta mais medalhado de sempre nos Jogos Olímpicos. Depois da prata conquistada domingo na estafeta 4x400m livres (com vitória da equipa francesa), o campeão norte-americano de natação subiu hoje ao pódio por duas vezes. Com outra medalha de prata, nos 200m mariposa, e a sua primeira de ouro neste torneio, graças a uma brilhante prestação na estafeta 4x200m livres.

Oito medalhas em Atenas, outras oito em Pequim, agora três na capital britânica: a 'Bala de Baltimore' ultrapassa o máximo que fora estabelecido nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, pela ginasta soviética Larissa Latynina, detentora de 18 medalhas conquistadas em três Olimpíadas.

Cada vez mais alto, cada vez mais rápido, cada vez mais longe.

Olímpicos (4)

 

Portugal permanece em branco quanto a medalhas olímpicas sem se registar nenhuma comoção nacional. Foi algo a que nos habituámos durante demasiadas edições das Olimpíadas e conseguimos sobreviver a isso. Mas basta dar um pulo a Vigo, Badajoz ou Ayamonte para se perceber que entre nuestros hermanos é tudo bem diferente. O fracasso da selecção olímpica de futebol espanhola, à qual resta agora apenas a hipótese de um resultado honroso contra Marrocos antes de fazer as malas, está a causar quase tanta polémica como a contínua subida do montante da dívida e das taxas de juro. O saldo não podia ser pior, apesar de os olímpicos espanhóis contarem com estrelas como Jordi Alba, Juan Mata e Javi Martínez: duas derrotas consecutivas, contra essas irrelevâncias do futebol mundial que são o Japão e as Honduras, e nem um golito marcado para animar a malta. O Guardian conseguiu resumir tudo numa frase atirada aos futebolistas espanhóis: "São mortais."

Por estes dias, só falta ao treinador que é o rosto mais visível destas derrotas, Luis Milla, ser açoitado na praça pública: está a ser mais criticado do que o presidente do Governo, Mariano Rajoy. Mas o governante espanhol também não tem motivos para respirar fundo: se contava com eventuais medalhas olímpicas para anestesiar a opinião pública, já certamente se desiludiu. Nesta matéria Espanha permanece em branco. Ao contrário de países como a Mongólia, a Moldávia, o Azerbaijão, a Lituânia, a Geórgia e o Catar.

A crise começou ainda antes das Olimpíadas, ao ser anunciado que o campeoníssimo Rafael Nadal, por lesão, não compareceria em Londres: era o adeus antecipado à mais que provável medalha de ouro no ténis. Depois foi o que se sabe. Além do desaire no futebol, também a nadadora Mireia Belmonte, que chegou a ser apontada como esperança para um lugar no pódio, fracassou nas meias-finais dos 200 metros estilos. De tal maneira que as atenções até já se viram - vejam lá - para o pólo aquático. Mas nem aí as coisas estão a correr bem.

Nos Jogos de Barcelona, em 1992, Espanha recolheu 22 medalhas. Há quatro anos, em Pequim, os nossos vizinhos voltaram a transbordar de orgulho: subiram 18 vezes ao pódio. Desta vez, está visto, não sucederá nada semelhante. Os resultados estão a ser inversamente proporcionais ao investimento: Espanha enviou a Londres um contingente de 281 atletas - é o nono país nas Olimpíadas em termos de participantes. Até por isso o mau humor dos espanhóis é mais compreensível. E neste caso nem podem atirar as culpas para cima de Angela Merkel...

Olímpicos (3)

 

Os adeptos das restantes modalidades que me perdoem, mas os desportos olímpicos para mim são essencialmente dois: atletismo e natação. As anteriores Olimpíadas demonstraram isso mesmo revelando ou confirmando ao mundo dois nomes de excepção, dignos dos heróis da Grécia antiga. Refiro-me ao norte-americano Michael Phelps e ao jamaicano Usain Bolt: em conjunto, trouxeram de Pequim 11 medalhas, recordes mundiais e recordes olímpicos.

O atletismo pode esperar, concentremo-nos agora nas provas de natação que decorrem em Londres. Faltam poucas horas para se produzir um dos raros acontecimentos desportivos dignos de provocar manchetes mundiais: a 18ª medalha olímpica da 'Bala de Baltimore', na final dos 200 metros mariposa - o seu estilo de eleição. Se subir ao pódio, como se aguarda, Phelps igualará o número de medalhas conquistadas pela ginasta soviética Larissa Latynina, distinguida nas Olimpíadas de Melbourne (1956), Roma (1960) e Tóquio (1964) - proeza nunca alcançada até agora. E o norte-americano poderá mesmo ultrapassá-la já quinta-feira, na final dos 200 metros estilos.

Isto sim, é fazer história.

A natação tem ainda a vantagem sobre o atletismo de ser uma modalidade em que os recordes são batidos com muito mais frequência, contrariando todos quantos anteviam a existência de um suposto limite impossível de transpor nesta modalidade. Em Londres já foram ultrapassados três máximos mundiais. Pela chinesa Ye Shiwen, que aos 16 anos arrebatou o ouro (e o recorde) em 400 metros estilos. Pelo sul-africano Cameron van der Burgh, em 100 metros bruços. E pela norte-americana Dana Vollmer, espectacular vencedora dos 100 metros mariposa apesar de ter uma insuficiência cardíaca, o que a obriga a utilizar um desfribilhador.

"Se tiver que morrer, que seja na piscina", declarou em recente entrevista à NBC. O barão Pierre de Coubertin teria certamente gostado de conhecer esta mulher de 25 anos. Campeã no desporto e na vida.

Olímpicos (2)

 

Os Jogos Olímpicos de Londres têm já, aparentemente, a sua primeira superestrela: o norte-americano Ryan Lochte, de 27 anos, cometeu a proeza de derrotar o campeoníssimo Michael Phelps - herói das Olimpíadas de Pequim, há quatro anos - na final dos 400 metros estilos, em natação. Com a marca de 4:05.18, Lochte conquistou a medalha de ouro, ficando a de prata para o brasileiro Thiago Pereira e a de bronze para Kosuke Hagino, do Japão.

Phelps, ao contrário do que é costume, nadou numa das alas da piscina. Terá sido isso que o desconcentrou ao ponto de estar já a ser questionada a sua forma? Em alta competição, o factor psicológico é fundamental. O campeão de Atenas e Pequim (14 medalhas de ouro e duas de bronze nas duas Olimpíadas) terá outras oportunidades para ser aclamado. Mas desta vez, classificando-se em quarto lugar, o pódio fugiu-lhe - algo que não lhe sucedia desde 2004. Eis um homem de extremos: ou ganha ou perde com estrondo.

Fora das piscinas, a rivalidade entre os norte-americanos termina: Lochte e Phelps são amigos. O verdadeiro espírito olímpico passa por aqui.

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