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És a nossa Fé!

Como se fosse uma resposta de Thierry Rendall

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Não te rias demais, João

Caro João Querido Manha,

Antes de começar a responder-te parágrafo por parágrafo, vê o que está ali em cima um R, pensavas que era um R de coRReia mas não, João, é um R de Rendall.

Dizes: Foi com muita curiosidade que observei a tua estreia na equipa principal do Sporting, no lugar de defesa lateral direito, por causa dos impedimentos dos três craques que o clube adquiriu para  a posição nos últimos dois anos por valores cada vez maiores: dos dois milhões de Ristovski para os 4,5 de Bruno Gaspar e para os 8 de Rosier, em três verões consecutivos.

Se estivesses mais atento terias reparado que a minha estreia na equipa principal do Sporting foi contra o Karabakh fora, vencemos por 6-1, no dia 29 de Novembro de 2018, mais tarde, joguei, também, frente ao Vorskla em Alvalade, no dia 13 de Dezembro de 2018, vencemos, 3-0, até ontem, tinha dois jogos na equipa principal, nove golos marcados e, apenas, um sofrido (mesmo com o resultado de ontem o meu saldo continua positivo).

Ao todo, portanto, serão cerca de 15 milhões de euros atirados ao vento numa lógica antagónica à matriz formadora do Sporting. Ontem, quando subiste ao relvado do estádio Algarve, levavas a bandeira de Alcochete, como um último moicano a fazer acreditar na sobrevivência da “espécie”, por contraponto ao adversário, todo orgulhoso dos seus Rubens & Florentinos.

Isto não faz sentido, como já te expliquei, eu fui uma aposta antes, estavas desatento, temos pena ou melhor tens penas, tu, eu tenho juba, uma juba orgulhosa.

O Nuno Tavares, teu amigo do Benfica e das selecções, também estreou na mesma noite e ficou com a coroa da moeda que tem sempre esta face obscura do lado de baixo. Ele ganhou estrondosamente e festejou muito, tu perdeste copiosamente e choraste até meteres dó. É a vida, meu caro Thierry, e a aventura só agora está a começar.

O Nuno é meu amigo, sim, repara fui campeão nacional de juniores B, lembro-me na altura do Nuno ter chorado no meu ombro por nunca ter conseguido essa vitória, fui campeão de juniores A e o Nuno também, em anos diferentes, claro, rimo-nos os dois, fui campeão europeu de sub-17 e de sub-19, o Nuno nem foi convocado, e o que ele chorou, João, nem queiras saber, eu sempre a apoiá-lo, e ele a dizer-me que se fosse do Sporting tinha ido à selecção, foram tempos difícieis, João, mas confortei-o.

Sei que não te iludes e que estás consciente dos erros cometidos neste jogo. Dizem os chineses que, escapando ao perigo de morte, acordamos mais fortes. Por isso, jovem Thierry, seca as lágrimas e segue o teu destino.

Fiquei sem paciência para te responder a tudo, João, vocês benfiquistas, estão sempre a falar de morte, ou porque matam um leão por dia, ou nas bancadas do Jamor, ou atropelado nas imediações do estádio da Luz, deixa-te disso João, falemos de vida, não de morte.

Um dia melhor, outro dia pior mas não me tentes traçar o destino, percebi o que querias dizer com esta frase: «até ao dia em que a frustração dos campeonatos perdidos os leve a transferir-te também» estou bem onde estou, sinto orgulho no Leão que carrego no peito. 

Correio da Manha

Numa impagável nota do dia hoje publicada no Record, o seu patusco director, João Querido Manha, vem tentar explicar-nos os motivos por que este periódico coloca o Benfica à frente do Sporting na classificação do campeonato. Começando, a dado passo, por exercitar, descomplexadamente, a sua vis comica, ao informar-nos de que O Record nunca foi nem será um jornal seguidista ou acéfalo, conclui o nosso faceto plumitivo que este mesmo jornal considera o aditamento regulamentar uma aberração sem sentido. Depois de reconhecer que se trata de matéria regulamentar - é o próprio jornaleco que o diz, podemos abster-nos de argumentar sobre o assunto - vem o jornalista, astuciosamente, confidenciar-nos a sua esperança em que a Liga reconheça este erro de facto, reponha o bom senso e, permito-me imaginar, pratique uma longa série de actos de contrição pela despromoção do Benfica ao 2º lugar. O que o Record devia fazer era corrigir o que, quanto ao seu pitoresco director, são erros de facto do regulamento -  a confusão de conceitos é deliciosa - e apresentar-nos uma classificação depurada de todos os vícios e defeitos com que a tabela transtorna os seus anseios, modificando, por exemplo, o número de pontos correspondentes a vitória e empate, alterando radicalmente os critérios de desempate e, em geral, manipulando todos os dados pertinentes, por forma a dar a vitória às suas cores.

 

Nada disto, como é bom de ver, interessa para o que quer que seja. A mim tanto se me dá como se me deu que o Sporting esteja agora à frente ou em segundo, por mero efeito de um regulamento. O que eu quero saber é como é que isto vai estar depois da última jornada. O mais relevante de tudo parece-me ser a atitude do Record e do seu director, que se permitem considerar aberrantes determinadas normas regulamentares e, em consequência, se julgam no direito de prestar aos leitores informação que sabem não ser verdadeira.

 

Já agora e num esforço por seguir a artimanha de Querido Manha, sempre direi que, em minha opinião,a sua argumentação só colhe a partir do momento em que já tiverem sido disputados os dois jogos entre as equipas empatadas. De qualquer maneira, nem vale a pena discutir, a questão é regulamentar e, enquanto as disposições respectivas não forem alteradas, bem pode o panfleto vociferar que só cai no ridículo. E o que nós estamos a precisar de rir.

 

P.S. Só agora, depois de escrito este post, reparei que o José Navarro de Andrade tinha publicado um outro, muito semelhante no conteúdo e nalguns aspectos do estilo, sobre o mesmo tema. Depois de pensar um pouco, concluí que, atendendo, entre outras coisas, à completa independência dos co-autores do blogue, não haverá mal de maior em insistir nestas manhosices, excepto no que respeita à possível falta de paciência dos leitores para suportarem o meu texto depois de se deliciarem com o do José Navarro de Andrade. Portanto, imprimi potest. 

O bobo

João Querido Manha, um dos mais burlescos opinadores do ludopédico nacional (título arduamente conquistado dada a feroz competição), justifica-se aqui acerca dos singularíssimos critérios da sua folha de couve no arrumo da tabela classificativa. A questão é, em si mesma, um bocadinho idiota, pois o moço pode dizer o que quiser que dará igual ao mundo, como no velho provérbio berbere. Idiota, mas de grande valor anatómico para aquilatar a espessura mental de JQM. Assim é que, após uma explicação atabalhoada (sempre teve pouco jeito para a escrita, o coitado), sobra uma petulância só comparável à do bêbado que entra em contramão na autoestrada e protesta por virem todos em sentido contrário. Ou seja: O Querido está certo, o Manha é que sabe, os outros todos, todos mesmo, a começar pelos regulamentos da Liga até à tabela ordenada decorrente da boa leitura desses regulamentos, é que estão errados; "uma aberração sem sentido" verbera o João, tão cheio de si e de jactância, tão vermelhusco e congestionado que quase rebenta. haverá maior charlatão? Vai JQM, só mais um esforço e hás-de reposicionar o Record debaixo da Bola, que já está onde queres chegar...

O Sporting irrita tanto certos iluminados corados... que até se esquecem do que dizem e do que escrevem!

O Director do Record, por entre a colossal campanha de promoção dos jogadores da formação do carnide e as notícias maliciosas acerca do Sporting, lá arranjou tempo para explicar no Facebook qual o critério que determina a classificação das equipas que disputam a Liga Zon no cabeçalho do site do jornal, o mesmo critério da Federação Portuguesa de Futebol, escreveu João Querido Manha aqui há algum tempo.

Pois bem!

 

Este é o cabeçalho do dito site do citado jornal:

 


 
Esta é a classificação no site da Federação Portuguesa de Futebol:


 
Eu sei que doi, mas sejam coerentes e intelectualmente honestos!

Se só contasse o que está à vista de todos...

 "O Sporting enfrentou a eliminatória da Taça de Portugal com muito mais empenho do que os seus concorrentes directos. Às vitórias tangenciais e de mero calendário que Benfica e Porto cumpriram no sábado, respondeu a máquina de ataque de Leonardo Jardim com uma goleada das antigas."

 

"O que sobressai do triunfo leonino acaba por ser o respeito pelo opositor, num tempo em que o calculismo dos treinadores manda levantar o pé do acelerador sempre que o objectivo principal está atingido."

 

"Já se torna evidente que este Sporting assusta como não há memória recente o poder instalado no FC Porto."

 

"O Sporting está irreconhecível, a um nível que ninguém poderia antever, há três meses."

 

"Se só contasse o que está à vista de todos, o Sporting estaria perante uma oportunidade excepcional para marcar pontos na corrida ao título. É um caso para levar muito a sério."

 

Do editorial de ontem do Record, assinado por João Querido Manha.

Virar de página no 'Record'

Leio jornais desde criança. Em casa dos meus pais entravam pelo menos dois periódicos, dia após dia: de manhã o Diário de Notícias, à tarde o Diário Popular. Mais o Jornal do Fundão, uma vez por semana. E revistas - a Flama, o Século Ilustrado, às vezes a Vida Mundial.

Numa casa onde sempre se leu muito, havia espaço para tudo - livros e jornais. Onde não faltavam também os diários temáticos, com destaque para A Bola e o Mundo Desportivo. Ainda me recordo com orgulho dos recortes de textos do meu pai, como colaborador esporádico d' A Bola, então um dos monumentos da imprensa portuguesa.

Mantive-me como leitor d' A Bola durante a década de 80 e continuei a acompanhar o jornal até ao início da década seguinte, quando se assistiu à rotação geracional da direcção e da redacção, acompanhada da progressiva "benfiquização" da sua linha editorial.

 

Um dia, já não me lembro bem quando, cansei-me de vez. Foi um processo gradual, de crescente divórcio com aquele conteúdo que fui sentindo como permanente agressão a quem, como eu, não comungava da fé benfiquista.

O jornal perdeu um leitor assíduo, fiquei um par de anos sem acompanhar regularmente a imprensa desportiva. Até que, em meados de noventa, retomei o hábito, desta vez passando a ler com frequência o Record, que atravessava a sua melhor fase com um conjunto de jornalistas que pensavam bem, escreviam melhor, percebiam de futebol e abordavam o fenómeno desportivo sem prejuízo das convicções clubísticas de cada um.

Eram outros tempos, ainda longe da crise actual. Com grandes tiragens, presença contínua de enviados especiais nos mais diversos palcos desportivos e uma vontade indómita de conquistar leitores para destronar a monolítica liderança d' A Bola, que já então vivia sobretudo da inércia da fama, sem se adaptar aos novos desafios provocados pela radical alteração de hábitos de consumo.

Fui leitor regular do jornal durante seis ou sete anos - até essa equipa directiva se dissolver por circunstâncias várias e emergir uma outra que nunca me pareceu ter a mesma vitalidade. Mesmo assim, e na comparação com a concorrência, não tive dúvidas: o Record tornara-se o melhor título da imprensa desportiva portuguesa. E foi com essa certeza que voltei a comprar diariamente este periódico, nos últimos 18 meses.

 

Vem tudo isto a propósito do novo ciclo do jornal, hoje inaugurado, com João Querido Manha como director. Não me esqueço de que ele integrava a direcção que nos anos 90 me conquistou como leitor do Record - desde logo por não temer enfrentar aquele que era então, como ainda é hoje, o "papa" do futebol português.

Como leitor atento e regular, espero não ver doravante neste diário uma deriva benfiquista que desvirtue as solenes promessas hoje consagradas no novo estatuto editorial do jornal, que promete "abordar os acontecimentos exclusivamente pelo seu valor jornalístico", regendo-se por "critérios jornalísticos de rigor e isenção", e fazendo "uma distinção entre as notícias, a análise e a opinião".

É, portanto, uma saudação que aqui deixo ao novo director do Record. Com votos de bom trabalho e muito sucesso. E a certeza de uma exigente expectativa da parte de todos nós.

{ Blog fundado em 2012. }

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