Penso que ninguém no Sporting percebeu muito bem na altura porque falhou João Pereira de forma tão clamorosa como sucessor de Rúben Amorim.
Primeiro, porque era público e assumido que ele estava a ser preparado para sucessor. O próprio Rúben Amorim o tinha revelado, ainda há pouco tinha feito parte do plantel, era conhecido de quase todos e de certeza amigo de alguns.
Segundo, porque estava a replicar na equipa B com sucesso o mesmo modelo de jogo de Amorim, com algumas nuances é certo, de onde podiam sair como saíram novas caras para a equipa A.
Terceiro, porque estava motivado e era-lhe reconhecida aquela raça que podia fazer esquecer o Rúben, empolgar o plantel e conduzi-lo aos sucessos.
Tudo saiu ao contrário. A derrota pesada com o Arsenal minou-lhe a confiança, colou-se a ele e confundiu a equipa, tentou vencer com a sua cabeça e deixar a sua marca, as lesões sucederam-se e aconteceram duas derrotas seguidas que destruiram a vantagem adquirida na Liga.
Logo a seguir, Frederico Varandas, na gala dos Stromps, deu o sinal de que o reinado do João Pereira estava por dias. O empate em Barcelos pôs ponto final na questão.
Nas recentes entrevistas, vários jogadores do Sporting vieram agora tentar responder à questão. Daniel Bragança terá sido o mais assertivo.
Disse ele:
«Com a saída do míster, as coisas começaram a abanar um bocadinho, perdemos dois jogos, andámos um bocadinho a desconfiar de nós, mas conseguimos aguentar o barco e seguimos em frente. A verdade é que as coisas começaram a melhorar outra vez e conseguimos ser campeões.»
Não me lembro de equipas que, a meio da época, fiquem sem treinador por as coisas estarem a correr muito bem. Às vezes, quando as coisas correm mal, vem outro treinador e tudo passa a correr melhor. Aqui foi diferente: o choque foi outro. Perdemos um treinador que estava há cinco épocas, que mudou a história e a vida do Sporting. Foi um choque para nós. Aceitámos e compreendemos.
Ficámos um bocado desemparados, sem saber bem o que estava a acontecer, com dúvidas sobre como seria sem ele. A verdade é que depois de tantas saídas importantes - o Seba (Coates), o Paulinho, o Adán, que eram capitães, o Neto também... - o grupo abanou um bocadinho. E Amorim, no início do ano, fazia o papel de treinador e de capitão. Nunca sentimos a falta disso até ele sair. Quando vai embora, o grupo abana, e tivemos de puxar mais por nós. Morten (Hjulmand) foi importante nisso. Acho que nem foi tanto por causa do João Pereira que as coisas começaram a correr mal, acho que o nosso psicológico abanou um bocadinho.
Lesões atrás de lesões, perante a vontade de contrariar os acontecimentos, também não foram ajuda.
Tudo começa a ser uma bola de neve. Mas a verdade é que, quando o míster Rui Borges chega, trouxe-nos a calma, serenidade e a confiança de que o grupo precisava naquele momento. Chegou na hora certa. Não teve uma vida fácil (...), conseguiu superar todas as dificuldades que teve ao cair aqui de chapa e tem muito mérito neste campeonato. Apareceu na altura certa, quando o grupo mais precisava, e as coisas correram muito bem porque ele fez muito bem o trabalho dele e tem muito mérito nesta conquista.»
Assim ficou tudo mais claro.
No fundo, Rui Borges foi o "padastro" amigo e confidente que ajudou a equipa ultrapassar o abandono súbito do "pai", enquanto João Pereira foi apenas um "parente próximo" que apareceu para ajudar.
Se não fosse João Pereira estaríamos neste momento com 58 pontos e afastados do título, se não fosse João Pereira estaríamos fora da Taça de Portugal, esta é a realidade.
Na Taça de Portugal, João Pereira goleou e passou à eliminatória seguinte.
No Campeonato perdeu pontos em três jogos, com o Santa Clara numa arbitragem inqualificável de Cláudio Pereira. "Pereira trama Pereira" noticiava o Record no dia seguinte. Perdemos três pontos graças a Pereira, ao outro.
Vamos então para Moreira de Cónegos, jogo com o Moreirense.
Parece óbvia a razão pela qual perdemos, azar. Tivemos, também, azar com o nosso guarda-redes, um tal Vladan contratado por Ruben Amorim.
E vão seis pontos perdidos.
Os outros dois foram perdidos a jogar fora, em Barcelos com o Gil Vicente. Harder a titular, com Viktor a jogar a passo, com João Simões como maestro e com Mauro Couto como suplente utilizado. Mesmo assim é só ver a estatística desse jogo:
O melhor elogio que posso fazer a Rui Borges, e que nunca consegui fazer a João Pereira, é que o Sporting de ontem em Alvalade, perante um Nacional que ali montou um autocarro de três andares, parecia ser aquele de Rúben Amorim frente ao Casa Pia no mesmo estádio.
O mesmo ritmo pausado, a mesma obsessão pelo controlo, a prioridade à eficácia sobre o espectáculo. Agora num contexto de desgaste acumulado e de lesões que Amorim não teve tempo esta época para vivenciar.
Se calhar o futebol desejado de Rui Borges é o dos primeiros 10 minutos e não os dos outros 80, mas os campeões fazem-se com eficácia e controlo do desgaste, ou seja, com jogos como os dos outros 80.
Neste jogo, o Sporting foi sempre muito competente a construir e a recuperar a bola na perda, mas com muitos problemas pelo ritmo baixo em que caiu em ultrapassar uma defesa a 11 do Nacional que deixava poucos espaços, onde o centro ou o remate sempre se perdia na floresta de pernas contrária.
Foi preciso Trincão, agora na posição dele que o Catamo não está a merecer ocupar, ter um remate cruzado portentoso e conseguir um golo de bandeira no final da 1.ª parte para desbloquear o jogo.
A 2.ª parte ficou bem mais tranquila. O Nacional teve de jogar à bola e não investir na palhaçada à moda do Santa Clara, e jogando à bola sujeitou-se a perder por mais, o que esteve por acontece várias vezes antes do recém-entrado João Simões aproveitar um centro interceptado de Catamo.
Foram mais três pontos numa jornada em que o Benfica fracassou com o Casa Pia e o Porto vamos ver como acabará com o tal Santa Clara. E é o que mais interessa. Isto não está para jogar como nunca e perder como sempre, está para ganhar e logo se vê o resto.
Melhor em campo? Trincão, golaço. A sociedade dele com Fresneda tem muito por onde crescer, digamos que a dupla enquanto tal está a 10% do que pode render. Quenda e Maxi combinam muito melhor do outro lado.
Arbitragem? Tem enorme dificuldade em distinguir jogo duro leal do malandro e em protreger quem joga a bola, mas pelo menos não estragou o jogo, o que já não é mau.
E agora? Despachar o Bolonha na quarta-feira, que vem aí o Farense. Jogo a jogo.
PS: Mesmo sem os três ou quatro miúdos da B que foram suplentes ontem em Alvalade, João Pereira conseguiu com um empate nos Açores a passagem à fase de subida da Liga 3. Os meus parabéns a um treinador que com tempo no banco e na credenciação pode ter uma bela carreira apesar do fracasso recente que todos lamentamos.
Tantas vezes o elogiei aqui - é com mágoa que escrevo hoje estas linhas. Mas não tenho alternativa: Marcus Edwards foi para mim a maior decepção do plantel leonino em 2024. Prometeu muito, deu quase nada. E deixou de contar para o novo treinador. Rui Borges não esgotou substituições contra o Benfica nem contra o Vitória, mantendo-no banco.
Marcus Edwards chegou há quase três anos ao Sporting com aura de craque. Fruto da formção do Tottenham, fez toda a aprendizagem entre os spurs e chegou a alinhar no onze principal, num desafio da Taça da Liga inglesa. Acabou por não ter espaço, rumando no Verão de 2019 a Guimarães, onde rapidamente deu nas vistas. Em Janeiro de 2022, a administração leonina pagou 7,5 milhões de euros para contratá-lo: o atacante esquerdino assinou contrato por cinco anos, com 60 milhões como cláusula de rescisão. Inicialmente o Tottenham manteve metade do seu passe.
Foi-se destacando com Ruben Amorim, espalhando magia nos relvados. Em 2022 mereceu aqui destaque: elegi-o como confirmação do ano. Ele fez por isso, sobretudo nos dois desafios da eliminatória com o Tottenham para a Liga dos Campeões, sobretudo o golaço que marcou na partida decisiva, ao fixar o nosso empate 1-1 em Londres. Quando o histórico emblema inglês seguia em terceiro na Premier League.
Fixámos-lhe o movimento favorito: incursões ofensivas do lado direito para o interior, com notável capacidade de drible e algumas fintas de corpo que dificilmente se apagarão da memória dos adeptos. Mas também fomos descobrindo que se trata de um futebolista sujeito a apagões periódicos, infelizmente cada vez mais frequentes. Reservado, pouco expansivo e nada falador, foi ficando mais triste, foi aparecendo menos, parece deslocado no plantel.
Outros jogadores surgiram, remetendo-o para um plano inferior na hierarquia dos talentos em Alvalade. Na temporada 2023/2024 viu cinco colegas ultrapassá-lo na lista dos artilheiros da equipa: Gyökeres, Paulinho, Pedro Gonçalves, Trincão e até Nuno Santos. Ele só marcou seis no conjunto da temporada - incluindo um ao Olivais e Moscavide, na Taça de Portugal.
Pouco, para quem tanto prometia.
Já na época em curso, o apagão acentuou-se. O último golo de Edwards para o campeonato ocorreu em Agosto, na goleada por 5-0 ao Farense. Com Amorim, não mais marcou - e pouco já calçava. No breve interlúdio de João Pereira em Alvalade, o técnico confiou nele e começou por ser recompensado: o inglês bisou contra o modestíssimo Amarante, equipa amadora da terceira divisão, em desafio da Taça de Portugal.
O inglês foi posto à margem. Por demérito próprio. Há um mês que não joga. Fala-se agora dele como um dos prováveis excluídos do plantel em Janeiro. Aos 26 anos, ainda encontrará mercado. Mas o seu destino já não parece passar por Alvalade. Com pena minha, reconheço. As coisas são o que são.
Gyökeres tentou sem conseguir: ficou em branco contra equipa de Barcelos. A culpa não foi dele
Foto: Manuel Fernando Araújo / EPA
Este foi o jogo que apressou a inevitável queda de João Pereira, que vários de nós antecipámos aqui com a devida antecedência. Quase todos reconhecem agora que o ex-técnico da nossa equipa B - sem um minuto de experiência anterior no plantel principal nem habilitação para o efeito - nunca devia ter sido apresentado nos moldes em que o foi pelo presidente do Sporting. Nem estava qualificado para o efeito, nem tinha sido preparado para isso, nem revelou qualquer atributo que o recomendasse para o cargo.
João Pereira, logo na primeira declaração à imprensa, aludiu a «erro de casting», numa declaração que poucos entenderam. Estaria, no fundo, a falar de si próprio.
Como os números tornam evidente. Em oito desafios sob a sua orientação, a equipa principal do Sporting só conseguiu ganhar dois ao fim dos 90 minutos: goleada ao Amarante, equipa da terceira divisão composta por jogadores não-profissionais, e triunfo tangencial e muito esforçado em Alvalade ao débil Boavista que parece condenado à descida de divisão.
Nenhuma vitória fora de casa.
Alguns adeptos - cada vez menos - pareciam continuar a apostar nele, com fé cega nesta opção errada de Frederico Varandas. Mas nem árbitros, nem postes, nem infortúnio, nem jornalistas ou comentadores e muito menos a "pesada herança" de Amorim podem explicar a pobreza técnica, táctica, física e anímica da equipa principal do Sporting neste mini-ciclo que não deixa a menor saudade.
Impunha-se virar a página. E ela foi virada, creio que ainda a tempo. Mas só após oito pontos perdidos para o campeonato nacional, seis outros a voar para a Liga dos Campeões e a liderança da Liga 2024/2025 para já entregue ao Benfica, reeditando o pesadelo de Natais passados.
Todas as deficiências deste Sporting da brevíssima era João Pereira foram manifestas na nossa deslocação a Barcelos domingo passado, dia 22.
Incapacidade de criar dinâmicas, de ligar sectores, de jogar sem bola. Um central em má condição física, Eduardo Quaresma, escolhido para o onze inicial - e substituído ao intervalo por impossibilidade de continuar em campo. Um miúdo da B, Mauro Couto, passando à frente do inexperiente Edwards quando era necessário um criativo que desatasse o nó ainda com 12 minutos para jogar. Outro miúdo, João Simões, mantendo-se colado a Morten sem missão para romper linhas. Gyökeres perdido lá na frente, sendo quase só solicitado para jogo de cabeça, precisamente a menor das suas virtudes como atacante.
O onze leonino voltou a mostrar-se apático, triste, sem rasgo nem chama. Espelho afinal daquela alegada equipa técnica que se sentava no banco.
Chegou-se ao intervalo em branco: nenhuma verdadeira oportunidade de golo. Apesar do constante incentivo dos adeptos, presentes em grande número entre os cerca de 9 mil espectadores no estádio gilista.
Depois do intervalo, a equipa mostrou-se mais veloz. Mas a defesa adversária levou sempre a melhor. Aos 67', o guarda-redes Andrew voou para impedir o golo de cabeça de Harder, a passe de Trincão. Aos 81', o brasileiro voltou a brilhar esticando-se para desviar in extremis a bola tocada por Trincão que levava selo de golo.
Foi pouco, muito pouco.
Caiu o pano. Sobre um jogo de que não rezará a história. Foi apenas o quarto empate a zero do Sporting nas últimas 229 partidas - bem diferente da nossa goleada por 4-0, no mesmo estádio, há apenas oito meses, já na recta final do campeonato anterior.
Segundo jogo em branco, após a derrota em casa (0-1) frente ao Santa Clara.
Três jogos seguidos sem vencer fora de Alvalade - registo inédito nesta temporada.
Média de pontos acumulados nas últimas quatro partidas da Liga 2024/2025: apenas um. Doze em disputa, só quatro amealhados.
Israel (6) - Cumpriu, quase sem ser importunado. Bons reflexos aos 90'+4, a tiro de Félix Correia.
Eduardo Quaresma (3) - Missão de sacrifício pelo segundo jogo consecutivo. Saiu ao intervalo, com queixas físicas. Nem devia ter calçado.
Diomande (6) - Regressou ao onze titular, como se impunha. Domínio do jogo aéreo. Ganhou quase todos os duelos.
Debast (6) - Cortes eficazes as 17' e 44'. Qualidade evidente nos passes à distância. Serviu bem Gyökeres (18'), Araújo (36) e Geny (70').
Quenda (5)- Voltou à posição de ala direito. Excelente variação de flanco servindo Araújo, aos 10'. Menos bem em missões defensivas.
Morten (7) - Esteio no meo-campo, destacando-se em oito recuperações. Foi ele a orientar também as posições de alguns colegas. Controlou espaço, O melhor dos nossos.
João Simões (5) - Esforçado, mas insuficiente. Perdeu demasiadas vezes a bola. Abusa dos passes laterais. Tem muito a aprender com Morten.
Maxi Araújo (4) - Talvez funcione como extremo, não serve como ala. Acumulou más decisões. Chegou a escorregar quando transportava a bola. Tarda em impor-se.
Trincão (7) - Não está "morto", como disse Varandas. Apesar dos 2226' já jogados. Passe-assistência para Harder (67') e quase marcou ele próprio (81'). Fez Andrew brilhar.
Harder (5) - Quase marcou de cabeça, mas o guardião gilista não deixou. Pareceu peixe fora de água como interior esquerdo: não é Pedro Gonçalves quem quer.
Gyökeres (5)- Muito condicionado pelo médio Gbane, que tinha a missão de o vigiar. Foi contra ele que cabeceou aos 10'. Sem oportunidades flagrantes.
Matheus Reis (5) - Substituiu Eduardo Quaresma após o intervalo. Com maior capacidade de transporte.
Geny (6) - Rendeu Quenda aos 66'. Remate a rasar o poste (70'). Desequilibrou na ala direita, talvez devesse ter entrado mais cedo.
Mauro Couto (4) - Entrou aos 87', rendendo Araújo. Esquerdino à direita, com Edwards no banco, atrapalhou-se com a bola aos 90'+2 quando pretendia rematar. Nada acrescentou.
De outro tropeção no campeonato. Mais dois pontos perdidos, desta vez em Barcelos. Cem minutos de jogo não bastaram à equipa ainda sob o alegado comando de João Pereira para desfazer o nulo num estádio onde em Abril, com Ruben Amorim ao leme, tínhamos goleado por 4-0. Que diferença brutal entre as duas partidas, no mesmo palco e perante o mesmo adversário. O que mudou? Sabemos bem de mais.
De termos sido incapazes de marcar ao menos um golo. Desde 5 de Abril de 2023 que não concluíamos um jogo com um empate a zero para a Liga portuguesa. Também em Barcelos, por coincidência.
Da nossa inoperância ofensiva. Duas oportunidades de golo em toda a partida - por Harder, aos 67', e por Trincão, aos 81'. Inviabilizadas por grandes defesas do guarda-redes Andrew, melhor jogador em campo. Muito pouco para uma equipa que mantém aspirações ao título. Quase nada.
Da nossa primeira parte. Lentidão de processos, falta de mobilidade, abuso até à náusea de passes lateralizados no meio-campo defensivo, incapacidade na criação de movimentos de ruptura e no preenchimento de espaços. Estéril "posse de bola". Chegou a dar sono. E provocou tristeza na grande maioria dos adeptos. O Sporting está irreconhecível.
Da entrada de Quaresma no onze. João Pereira teimou em incluí-lo entre os titulares. Erro: o jovem central acusou problemas musculares que já vinham de dois jogos anteriores, o que afectou muito o seu rendimento em campo. O técnico viu-se forçado a trocá-lo (por Matheus Reis) ao intervalo.
De Maxi Araújo. Vão-se sucedendo os jogos - e tarda em mostrar atributos que justifiquem a sua vinda para o Sporting, por um preço nada módico. Anteontem voltou a andar muito desaparecido do jogo, defendendo mal e atacando sem critério. Fez um bom cruzamento para Gyökeres logo aos 10' e depois eclipsou-se em movimentações inconsequentes no corredor esquerdo. Chegou a escorregar sozinho, algo que não se compreende.
De Mauro Couto. Incompreensível, a opção do técnico de deixar Edwards no banco para apostar aos 87' na entrada do ala esquerdino a jogar à direita (outro para a colecção). O jovem de 19 anos, oriundo da equipa B, quis mostrar serviço, mas sem conseguir. Aos 90'+2 atrapalhou-se sozinho com a bola, lá na frente, e falhou uma finalização em lance que parecia para os "apanhados".
De St. Juste. Figura aqui precisamente por não ter jogado. Numa equipa já muito fustigada por lesões, fez-se expulsar na partida anterior, encolhendo ainda mais as opções defensivas à disposição do técnico. Comportamento imperdoável: o holandês já não é nenhum garoto e tinha obrigação, muito mais do que outros colegas, de manter a cabeça fria para dar o exemplo. Infelizmente, fez ao contrário.
De ver Félix Correia contra nós. Esteve dez anos no Sporting, devendo toda a sua formação como futebolista à Academia de Alcochete. Um dia quis dar o passo maior do que a perna e recusou permanecer em Alvalade. Poderia ser hoje titular de leão ao peito, mas a ambição desenfreada virou-se contra ele. Consequência: anda a jogar no Gil Vicente.
Da equipa técnica. A mesma inoperância, a mesma incapacidade de reacção, a mesma deficiente leitura de jogo, a mesma ausência de ousadia, a mesma incompreensível gestão do esforço dos futebolistas. João Pereira queixa-se de jogar a cada três dias, mas voltou a não esgotar as substituições pelo terceiro desafio consecutivo.
De termos desperdiçado a larga vantagem de que dispúnhamos no final de Novembro. Ao quarto jogo do campeonato com João Pereira no banco, apenas quatro pontos conquistados em doze possíveis. Resultado: deixámos o FC Porto igualar-nos e o Benfica ultrapassar-nos na tabela classificativa. Desde Maio de 2023 que os encarnados não lideravam isolados o campeonato. A "pesada herança" recebida de Ruben Amorim foi desperdiçada em apenas um mês.
Gostei
De Morten, o melhor leão. Verdadeiro capitão de equipa, aquele que revela nervos de aço mesmo nos momentos mais complicados. Procurou sempre orientar os colegas - designadamente João Simões, de apenas 17 anos, seu parceiro no meio-campo - em movimentações com bola e sem ela. Dando ele próprio o exemplo: protagonizou oito recuperações.
De Trincão. Anda esgotado, o que não admira: ainda não falhou um jogo desde o início da temporada, já soma 2226 minutos. Mesmo assim foi tentando remar contra a maré, procurando soluções criativas para romper a muralha defensiva do Gil Vicente. Aos 78' chegou a introduzir a bola na baliza, mas não valeu porque o árbitro André Narciso havia apitado dois segundos antes para assinalar um penálti que afinal não existia (revertido pelo VAR em monumental trapalhada que volta a desacreditar a arbitragem). Três minutos depois, num remate cruzado de ângulo apertado, deu o rumo certo à bola, desviada in extremis para canto pelo guardião gilista.
De Diomande. Desta vez foi titular, o que faz todo o sentido. Não pode ficar de fora, excepto por castigo ou lesão: é o nosso melhor central do momento. Único com capacidade para comandar o reduto defensivo. Foi o que fez nesta partida, ganhando quase todos os duelos e articulando-se de forma eficaz com os companheiros.
Da boa "moldura humana". Quase dez mil espectadores num estádio com lotação máxima para 12 mil. Muitos dos que compareceram apoiaram sem cessar os nossos jogadores. E mesmo no fim foram escassos os assobios e os lenços brancos. Conclusão: de falta de apoio não pode esta equipa queixar-se.
Segundo parece, no seguimento da impossibilidade de contar com Abel Ferreira e de mais um desaire em Barcelos sob o comando do João Pereira, Hugo Viana meteu-se em campo e o actual treinador do V. Guimarães estará mais ou menos assegurado como treinador do Sporting.
No fundo, será o quarto treinador "efectivo" escolhido por Frederico Varandas, depois de Marcel Keizer, Jorge Silas e Rúben Amorim. Tiago Fernandes e Leonel Pontes não passaram de treinadores interinos, como agora acabou por ser o João Pereira. Só a passagem de Silas para Amorim foi directa.
O grande problema não foi o nosso presidente ter apostado em João Pereira para dar seguimento imediato ao trabalho de Amorim: foi ter dado a ideia que tudo tinha sido previsto e controlado, e que estava ali um novo Amorim para conduzir o Sporting a novos sucessos. Como ninguém conhecia bem João Pereira enquanto treinador, também não havia ninguém que pudesse dizer do disparate da afirmação.
Mas os resultados foram o que foram. Já na semana passada, a terminar o seu discurso nos Prémios Stromp, o presidente deixou bem claro que, com o plano A, B C, ou qualquer outro, o Sporting iria lutar pelo bicampeonato. Rui Borges entra agora como plano C (?) para lutar por isso mesmo.
João Pereira sai muito mal desta sua aventura. Se calhar perdemos um treinador que estava a fazer bom trabalho na equipa B e que no futuro poderia servir de solução de recurso para situações como esta duma saída abrupta do treinador principal.
Mas sai assim também por responsabilidade sua, por excesso de confiança nas suas capacidades e da sua equipa técnica, por não ter respeitado o modelo de jogo de Rúben Amorim, tentando implementar um 3-4-3 "losango" castrador para a valia dos jogadores ao dispor.
Não se pode queixar do empenho e do esforço dos jogadores, nem da atitude dos capitães. Só mesmo de si e de quem se fez acompanhar, para além da sorte, das lesões e dos APAFs.
Não faço ideia do que vale Rui Borges como treinador. É transmontano como o Pote, jogou até tarde, tem sete ou oito anos de treinador, dois apenas na 1ª Liga. Não seria alguém com o seu perfil a minha escolha, mas é a solução possível no momento presente. Os melhores treinadores portugueses estão indisponíveis, qualquer treinador estrangeiro teria enormes dificuldades em conseguir resultados na Liga Portuguesa pegando na equipa nesta fase da temporada.
Se fazer melhor do que Rúben Amorim é quase impossível, pior do que João Pereira também será. Entre o 80 e o 8 algures, Rui Borges irá estar.
Vamos aguardar para ver, a começar pelo dérbi do próximo domingo.
Para já, e acreditando que virá mesmo, bem-vindo, Rui Borges.
A melhor equipa de Portugal precisa de treinador.
PS: Diz o António Tadeia: "O problema deste Sporting não é de falta de ideias. É de ideias a mais." Amorim deixou uma máquina oleada, não vale a pena meter serradura na engrenagem. Gyökeres agradece e nós também.
O óbvio ululante impôs-se aos olhos da administração da SAD, dando razão àquilo que tantas vezes vários de nós escrevemos aqui nas semanas mais recentes.
Devia ter saído antes. Ou antes: nem devia ter entrado como substituto de Ruben Amorim.
Bem-vindos à 6.ª edição da nossa rubrica, onde vamos saber se João Pereira ainda é treinador do Sporting.
Estamos de volta uma semana antes do previsto, graças a um estimado conjunto de novos patrocinadores (e não devido a mais um jogo miserável sob a orientação de João Pereira).
Vamos saber a resposta já de seguida, após este momento de publicidade.
Até agora, em oito jogos no banco, João Pereira só conseguiu ganhar dois aos 90 minutos. Contra o amador Amarante da terceira divisão (primeiro desafio pós-Amorim) e o falido Boavista, há dois anos proibido de contratar jogadores.
Neste mês e meio, só para a Liga, disputou quatro jogos, tendo vencido apenas um. Ontem empatou com o modesto Gil Vicente que havíamos goleado por 4-0, no mesmo estádio, para o campeonato anterior.
Doze pontos em competição, oito perdidos. Média: dois pontos atirados às urtigas em cada jogo. Merece registo? Claro que sim. Pela negativa.
Frederico Varandas tem certamente um plano para manter Pereira colado ao banco de treinador da equipa A. Mas é um plano tão oculto que ninguém consegue vislumbrá-lo. Talvez nem ele.
"A nível defensivo estamos muito mais fortes", declarou hoje João Pereira após empatar a zero com o Gil Vicente. No mesmo estádio onde no campeonato anterior goleámos por 4-0.
Tem razão. Agora, ao menos, conseguimos perder pontos sem sofrer golos. Será motivo para festejar?
"João Pereira é um equívoco que vai sobrevivendo à conta de titubeantes e sofridas vitórias. Ganhar 3-2 ao débil Boavista é cartão de visita para alguém? O Sporting desaprendeu de jogar, os jogadores precisam de se deitar no divã de um psicanalista. Olhar para o treinador no banco é um filme de terror e ouvi-lo numa conferência de imprensa é um calvário. Alvalade vive uma via-sacra de nervosismo até ao estalar do chicote que está escrito nas estrelas. (...)
O Sporting arrasta-se, tal como João Pereira. Nenhum sportinguista tem fé com tão fraco timoneiro."
Ao quinto jogo (em sete) sem conseguir ganhar no tempo regulamentar (sendo que uma das vitórias foi contra o... Amarante), João Pereira conseguiu manter-nos intactos na Taça de Portugal e, com isso, ganhar mais algum tempo de vida no banco do Sporting.
Mas este é um remake de um filme que já vimos, por exemplo, nas segundas épocas de Sá Pinto ou Marcel Keizer ao nosso leme. As suas equipas não convenciam, as vitórias a muito custo iam aguentando os treinadores, até que a Direção se viu forçada a usar da chicotada que os adeptos há muito reclamavam.
Estas duas últimas vitórias (ambas sofridas) empurraram João Pereira para os jogos contra o Benfica e o Vitória de Guimarães. E não sei se isso é coisa boa... oxalá me engane!
The Good, the Bad and the Ugly é um dos meus filmes preferidos de Clint Eastwood, na fase do Western Spaghetti de Sergio Leone, filmado algures em Espanha em 1966.
E foi com um italo/argentino que estive em Alvalade a ver este jogo, que por acaso acabou bem. Podia ter acabado muito mal. O mesmo que levei na época passada a ver uns jogos com Rúben Amorim.
Que ao longo do jogo me foi perguntando que Sporting era este, como é que tínhamos chegado a este ponto. Não soube que responder, quem se sentava próximo também pouco ajudava.
Recordando o filme, o Ugly vai para Vasco Matos. A canalhice tem limites, o aproveitamento das regras do jogo e da estupidez arbitral, para deitar guarda-redes e jogadores para quebrar o ritmo ao adversário e gastar tempo de jogo tem limites. Um ex-jogador do Sporting ser mais rafeiro que o rafeiro Conceição, é inadmissível. E fico-me por aqui, podia dizer pior.
O Bad é mesmo o idiota do Malheiro. Como um idiota destes, não merece a pena ofender a mãe e o pai porque a estupidez vem mesmo da criatura, incapaz de perceber a diferença entre quem quer destruir jogo e quem quer criar, e pensar que afundando o Sporting em Alvalade vai ter uma medalha da APAF, é escolhido para um jogo destes, realmente aqueles apitos dourados / polvos encarnados continuam a pensar que fazem o que querem no CA.
O Good gostava que existisse mas não, quem brinca com o fogo acaba queimado, ou então tem a sorte que o João Pereira teve hoje em Alvalade.
Este Sporting de João Pereira pouco tem a ver com o Sporting do Rúben Amorim: onze inicial, forma de jogar, ritmo de jogo, transições, substituições, tudo. Quem tiver alguma dúvida reveja um jogo da época passada de que o meu parceiro se lembrava. Pouco que ver. É outra coisa qualquer que ainda nem eu nem os jogadores perceberam bem de que se trata.
Na Sport TV ouvi que o Sporting ganhou ao Santa Clara nas oportunidades de golo por 4-3. Porreiro. Para quem ganhou por 4-1 ao Man.City não está mal...
Enfim, não vou dizer mais nada. O mais importante são os resultados, ainda mais nesta fase de enorme desgaste dos jogadores, passámos à fase seguinte da Taça de Portugal.
Hip Hip Hurra !!!
Viva o Sporting !!!
E vivam os enormes jogadores que hoje entraram em campo em Alvalade. Que valem muito mais do que demonstraram, mas a culpa não é deles.
Não ter deixado Ruben Amorim sair no momento próprio. Saía campeão, com a maior pontuação de sempre, após quatro anos muito exigentes no Sporting.
2
Deixar Hugo Viana sair em diferido. Anúncio feito em Outubro, mas para vigorar só em Maio. Incompreensível. Entretanto, ia andando cá e lá. Não faz sentido.
3
Preparar João Pereira como sucessor. Mas porquê ele? Não havia outros no mercado, com habilitação específica? O que revelou este técnico de extraordinário no trabalho com os sub-23 e a equipa B? Percebe-se agora: foram reduzidos os contactos com Amorim. Pouco prolongamento entre um e outro, como não tardou a notar-se em campo.
4
Deixar sair Amorim mas aguentá-lo mais duas semanas, orientando outros três jogos. Assim deu-se um péssimo sinal ao plantel: quem vai seguir-se não tem plena confiança da direcção, é solução precária, não assegura verdadeira continuidade.
5
Varandas atravessar-se por Pereira com palavras descabidas que o aprisionam ao futuro do técnico. Não faz o menor sentido.
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