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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

 

De perder dois pontos em Moreira de Cónegos. Empate 1-1 perante uma equipa habitualmente difícil nos confrontos que ali travamos. Nas últimas quatro épocas só vencemos uma vez o Moreirense no seu terreno.

 

De termos sofrido o empate mesmo ao cair do pano. A celebrada "estrelinha", desta vez, funcionou a nosso desfavor. Com o golo da equipa anfitriã marcado por Walterson ao minuto 90. E também nos terrenos onde os nossos principais adversários actuaram nesta jornada: o FC Porto venceu 2-1 o Santa Clara, no Dragão, com o golo que lhes valeu três pontos apontado no minuto final do tempo extra. E o Benfica viu-se aflito para derrotar o Marítimo na Luz, por 1-0, com um penálti mais que duvidoso e outro evidente perdoado à turma da Luz. Que já anda a ser levada ao colo para aceder aos milhões da Champions.

 

Da atitude da equipa na segunda parte. Começámos cedo a ganhar vantagem, podíamos ter marcado o segundo (e marcámos mesmo) aos 45', e após o intervalo adquirimos a convicção de que bastaria gerir o resultado para virmos do Minho com os três pontos. Nos 20 minutos finais, a equipa usou e abusou das trocas de bola entre os centrais e dos atrasos ao guarda-redes, atitude imprópria de um emblema que sonha ser campeão nacional. Tentar segurar 1-0 com tão estéril "posse de bola" conta apenas para as estatísticas. E basta um deslize para correr mal. Foi precisamente o que aconteceu.

 

De Feddal. Nem estava a fazer má exibição, apesar de não lhe saírem bem os passes verticais a queimar linhas, mas no mesmo minuto falha o 2-0 ao cabecear para fora na sequência de um canto e acaba por oferecer o golo ao Moreirense com um alívio mal concretizado na nossa grande área. A pausa para jogos de selecção parece ter sido prejudicial ao internacional marroquino.

 

Do árbitro João Pinheiro. Este nosso velho conhecido, oriundo da Associação de Braga mas adepto confesso do Benfica, deixou passar incólume uma entrada assassina sobre Nuno Mendes que lesionou o jovem jogador e poderia tê-lo inutilizado para a prática do futebol. Forçando Rúben Amorim a queimar uma substituição logo aos 39', trocando-o por Matheus Reis. O jogador do Moreirense, um tal Gonçalo Franco, devia ter visto vermelho directo, mas nem amarelo recebeu por esta conduta lesa-desporto. Com a chancela do mesmo árbitro que no recentíssimo Braga-Benfica expulsou Fransérgio aos 39' por acumulação de amarelos, sancionando por duas vezes o jogador braguista em lances de gravidade muito inferior a este.

 

De ver dois golos anulados ao Sporting. O primeiro, marcado por Paulinho ainda na primeira parte, por alegada deslocação de Pedro Gonçalves que ninguém conseguiu ver nas imagens da Sport TV: seria o 2-0 num momento crucial do jogo, acabando praticamente por decidir o destino da partida. O segundo, por suposta deslocação ao mesmo jogador, autor do golo, que o VAR Bruno Esteves considerou estar 2 cm - dois centímetros! - fora de jogo. Estes árbitros e estes vídeo-árbitros andam a fazer tudo para matar o futebol em Portugal.

 

De ver o FC Porto menos distante. A turma azul-e-branca, segunda classificada da Liga, tem agora menos oito pontos que o Sporting. Quando faltam cumprir nove jornadas.

 

 

Gostei

 

De Paulinho. Merece ser designado como melhor em campo. Pelos dois golos que marcou, aos 21' e aos 45', embora só o primeiro tivesse sido validado. O segundo, anulado pelo VAR por motivos que ninguém entendeu, foi um prodígio de requinte técnico, ao picar a bola no momento crucial quando o guarda-redes Pasinato já lhe havia reduzido margem de manobra. Quebrou enfim um jejum de nove jogos oficiais sem marcar, ainda pelo Braga e já pelo Sporting, e estreou-se como artilheiro de Leão ao peito. Faço votos para que tenha sido o primeiro de muitos.

 

De João Mário. O campeão europeu cumpriu com a eficácia habitual, assegurando a ligação entre o meio-campo e o ataque. Todas as acções ofensivas passaram pelos pés deste jogador, o terceiro maior recuperador e quarto médio da Liga portuguesa em eficácia de passe. Transmite segurança à equipa no transporte de bola, que nos pés dele nunca é desperdiçada. Muito bom também na marcação de cantos.

 

De Daniel Bragança. Enquanto teve pernas, foi um dos nossos melhores em campo. Não precisa de correr com a bola: a sua melhor arma é colocá-la no sítio certo. Assim foi na primorosa assistência para o golo leonino, num passe longo com precisão cirúrgica para o coração da grande área, onde estava Paulinho. Como se jogassem juntos há muito tempo. Este jovem oriundo da nossa formação merece figurar no onze titular, mesmo que isto implique alterar o sistema habitual de Rúben Amorim de 3-4-3 para 3-5-2, como ontem aconteceu. Com missão cumprida mas já desgastado fisicamente, Daniel deu lugar a Tiago Tomás aos 60', voltando a equipa ao molde clássico embora sem vantagem aparente para a eficácia colectiva.

 

De ver o Sporting ainda imbatível. Concluimos a 25.ª jornada sem derrotas. Somos a equipa com melhor registo defensivo não apenas de toda a história leonina mas também ao nível do futebol europeu actual: apenas 12 golos encaixados nas nossas redes. Balanço até ao momento: 20 vitórias e cinco empates. 

 

Dos 65 pontos já somados. Oito de avanço face ao FC Porto de Sérgio Conceição, 11 ao Benfica de Jorge Jesus e 12 ao Braga de Carlos Carvalhal. 

João Mário merece regressar à selecção

Texto de Ângelo

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Gonçalo Inácio podia ter uma oportunidade [para integrar a selecção], os nossos centrais têm muita experiência, mas a idade não perdoa. O Gonçalo poderia dar-nos mais velocidade lá atrás, além de ser um central que sabe passar a bola e construir jogadas. Mas compreendo que o seleccionador o possa achar ainda demasiado verde para convocá-lo já, em detrimento de outros com mais estatuto.

 

João Mário seria uma opção mais que válida. Já nos ajudou a ganhar o Euro, acho que merecia regressar à selecção.

 

De resto, para já, acho que mais ninguém [do Sporting] se adequa [além de Palhinha e Nuno Mendes].

Antunes, mesmo quando jogava mais regularmente, nunca me convenceu.

Jovane não sei se optou pela selecção portuguesa ou caboverdiana. Mas tem tido pouco jogo e a concorrência é de peso.

Tiago Tomás ainda está um pouco verde, mas para jogar com selecções mais fortes, que podem abrir mais espaços, poderia ser mais-valia. Mas André Silva tem estado a marcar muitos golos na Alemanha, senão era ele que tirava para entrar TT.

Nuno Santos tem perdido um pouco de gás, não tem sido tão decisivo ultimamente, agora que as equipas fecham-se mais quando jogam contra o Sporting. Mas a sua velocidade e garra poderiam ser úteis, mais úteis que João Félix... Mas não deve ter hipóteses para já.

 

Depois temos Pedro Gonçalves. Em boa forma mereceria ser chamado à selecção principal. Pelo menos era mais um criativo com instinto goleador, o que às vezes faz falta nestes jogos.

 

Daniel Bragança irá ter uma oportunidade, quando Rúben Amorim lhe confiar a titularidade. Até lá, não faz sentido Fernando Santos chamar alguém que nem é titular no clube onde joga. Mas ajudaria a selecção a acelerar o jogo, quando começa a "pastelar" contra as selecções mais fechadas.

 

Texto do leitor Ângelo, publicado originalmente aqui.

A voz do leitor

«Uma mistura de João Mário com o seu irmão, Wilson Eduardo, daria um jogador quase perfeito. O primeiro, de toque suave na bola, refinada técnica, mas de jogo miudinho e sem qualquer apetência para o golo, o que é pouco consentâneo com o exigido a médio moderno de uma equipa de primeiro plano. Talvez isto ajude a explicar o pouco sucesso que teve em outras equipas por onde passou. O segundo, sem a técnica do primeiro, mas bastante mais acutilante e com uma certeza de remate e faro para o golo que o distinguiram. Bem sei que jogam em posições diferentes, e que não se pode exigir a um irmão o que tem o outro. Dois irmãos, praticamente da mesma idade, que aprenderam a jogar juntos e evoluíram para campos de acção diferentes, mas que se completam.»

 

AHR, neste postal

A falta que um cérebro faz

Como disse Rúben Amorim na entrevista final o Sporting teve uma primeira parte pé de salsa e sobretudo carente de hemisfério cerebral esquerdo. Como disse Ricardo Soares, o treinador do Gil Vicente, a entrada de Bragança e depois de João Mário trouxeram a inteligência que tanto faltava. Os passes passaram a chegar ao destino porque já não eram enviados para o endereço errado e se na primeira parte os remates do meio-campo iam contra a muralha vicentina, na segunda a porta do castelo foi arrombada, não à força mas com jeito.
Esta primeira parte não é, portanto, para esquecer, mas para rememorar.  O Sporting tem sempre que alinhar com um daqueles dois clarividentes se quiser dominar o terreno e ter a bola por amiga. Ela depois lá saberá de que pés há-de partir para a baliza, nem que sejam de um defesa central com cabeça e tudo.
No fim do jogo começou outro. Terminada a época haveria um gramático de catalogar quantas formas se usaram para fazer a mesma pergunta. O prefácio da obra caberia a um psicólogo explicando que doença maníaca será esta de fazer sistematicamente uma pergunta já mil vezes respondida. 

Uma quadra de Aleixo

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No Governo Sombra deste fim-de-semana, quatro benfiquistas falavam acerca de um quinto benfiquista, dizia João Miguel Tavares: "não é por ser populista que é bom, Aleixo é um poeta popular mas não quer dizer que seja um poeta".

Eu gosto de António Aleixo.

Gosto da poesia de António Aleixo.

Gosto de quem coloca o dedo na ferida.

Gostaria que existisse um esclarecimento sobre os telefonemas que Rúben Amorim referiu, ocorreram ou não?

É algo fácil de provar.

Gostaria, também, que a decisão de punir ou não punir João Mário fosse tomada da seguinte forma; não se pune e está tudo bem, é castigado com um jogo que deverá ser cumprido num prazo igual aos jogos já disputados desde o "crime".

Concretizo, o delito de opinião ocorreu no Famalicão vs. Sporting, desde aí o Sporting disputou cinco partidas, pode, portanto, o clube escolher em qual das cinco partidas, após o castigo ser conhecido, a pena será cumprida.

Não houve pressa em castigar não deverá haver pressa no cumprimento do hipotético castigo ou será que está tudo a ser feito para o castigo sair e ter de ser cumprido no jogo com o Benfica?

Estaremos cá para ver.

Racismo em duas rodas

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A actual África do Sul será um país racista?

A equipa de ciclismo sul-africana (na imagem) que se apresentou na Volta à França deste ano não tinha nenhum ciclista negro.

O pelotão inteiro da Volta à França não tinha nenhum ciclista negro (não verifiquei com detalhe). Será racismo?

Na minha opinião nem tudo no desporto é racismo. A propósito do postal de Pedro Correia, eu, também, me lembro das duas selecções alemãs sem jogadores negros, a sociedade alemã dos anos oitenta seria mais racista que a actual?

Os russos são racistas?

Sim, não há um único negro nos onze da selecção que entram em campo para futebolar.

Não, claro que não, nos cinco da selecção que entram no pavilhão para futsalar, muitas vezes, dois são negros.

O racismo é um tema importante na sociedade em geral mas, infelizmente, algumas vezes levado ao exagero no desporto, especialmente, no futebol, o exemplo de Bernardo Silva é paradigmático.

Fazendo um pouco de humor, se João Mário apanhar algum castigo serei o primeiro a vir para rua gritar:

"Racistas! 25 de Abril sempre! Racismo, nunca mais!"

A voz do leitor

«Espero que se o João Mário tiver que se sentar no banco Amorim tenha coragem para uma decisão dessas. Não gostava nada de ver um João Mário, que vem com estatuto de vedeta, com lugar cativo na equipa por esse motivo, e assim tirar o lugar a um dos novos, com mais agressividade e sangue na guelra. Apesar de reconhecer que o João Mário é um tecnicista, joga com pezinhos de veludo e não tem golo. Ora, o nosso meio-campo precisa de gente com intensidade e boa meia distância. É preciso começar a marcar golos fora da área.»

 

AHR, neste texto do Luís Lisboa

Um passeio em Alvalade

Foi uma noite tranquila que tivemos ontem em Alvalade, contra um adversário que se espalhou pelo terreno todo libertando o talento dos nossos jovens, os lances de golo foram-se sucedendo, a falta de pontaria dos nossos e o engenho ou a sorte do guarda-redes deles ditaram o resultado final. A Bola conta 21 remates enquadrados do Sporting contra um do adversário. Tratou-se dum Tondela tenrinho, bem diferente para pior daqueles de Petit, Pepa ou do espanhol do ano passado que nos roubaram pontos preciosos, desde logo com aquele golo a cair do pano em Alvalade no primeiro ano de Jorge Jesus que deu o empate.

Teríamos sido campeões com esses dois pontos.

 

Mas também fizemos por isso. Rúben Amorim acudiu às nossas preces e voltámos a ter ponta de lança.

Numa simulação Sporar começou por dar o golo a marcar a Pedro Gonçalves que falhou na cara do guarda-redes, esteve no seu sítio no 1.º golo, se calhar teria sido penálti se o Pedro não tivesse marcado, assistiu para o 2.º, marcou o 4.º. Ainda falhou um golo que não devia falhar, mas lutou muito e foi a referência atacante que faltava. João Mário voltou aos tempos de voz de comando do meio-campo, como fazia na equipa B anos atrás, com a classe do campeão europeu que é (salvo no capítulo do remate), Tiago Tomás foi um operário muito útil na faixa direita, e Pedro Gonçalves (a melhor aquisição do Sporting depois de Bruno Fernandes?) mais uma vez fez a diferença.

 

Todos os outros estiveram mais ou menos bem, Porro e Palhinha mesmo muito bem, e os três defesas cumpriram a sua missão,  Coates conseguiu mesmo provocar o fora de jogo que evitou o golo contra.

Até nas bolas paradas estivemos bem, criando perigo nessas situações com Coates a falhar o alvo por muito pouco numa delas. Onde continuamos a não estar bem é nos remates de longe, ou por falta de sorte, ou de treino, ou de jeito ou doutra coisa qualquer.

Uma palavra para a arbitragem, sóbria e competente, nos antípodas dos artistas de apito na boca que sempre nos enviam. Nada a dizer sobre os amarelos. Completamente escusados nos casos de Matheus Nunes e Nuno Santos.

 

Enfim, há dias assim, têm sido é muito poucos. Aproveitemos o momento, mas não nos esqueçamos que o caminho é longo e difícil, a começar pelo Guimarães. E o Braga continua próximo.

2.ª feira, 2 de Novembro de 2020: o Sporting a liderar  a 1.ª Liga. Quem diria?

SL

Soube a pouco

Desculpem lá mas este resultado contra o Tondela foi escandaloso. Podia e devia ter sido 8 ou 9 a zero, pelo menos. 

Sporar, que foi maravilhoso nas 3 assistências que fez a Pedro Gonçalves, a primeira bastando abrir as pernas deixando-lhe a bola limpa e a baliza escancarada para Pote falhar, não pode desperdiçar tantas oportunidades e até o golo que acabou por marcar foi às 3 pancadas. João Mário, formidável de lucidez e visão como maestro, não pode atirar tantos remates para a cadeira 17 da fila 21 do topo norte.

O Tondela, fosse por uma táctica aparvalhada fosse por desmembramento provocado pelo carrossel sportinguista, ficou tão escachado como um peru de Natal - fizemos o que nos apeteceu dele. Aquilo por volta do minuto 60' já não era futebol, era matrecos, com tiro atrás de tiro ao boneco. Lembrava o BrasilxAlemanha do mundial de 2014.

Este é o melhor Sporting dos últimos 5 anos, mesmo com jogadores que aparentemente chegaram ao limite das suas capacidades como Jovane ou Matheus (comparável à homeopatia: gosta-se dele por crença não por prova) e um TT que ainda está aquém da média do colectivo (mas a este tudo se perdoa, pois se não jogar não evoluirá como promete.)

A diferença que um Palhinha faz: por ali não passa nada, ali tudo começa. E a surpresa que Nuno Santos é: parecia ter vindo para ser suplente e conquistou o lugar de maneira indiscutível, mesmo que só jogue 20'.

Por fim comprova-se que ser sportinguista é mesmo maldição: agora que daria tanto gozo ir aos jogos é quando não podemos.

Bem-vindo, João Mário

Foi a melhor notícia para os sportinguistas nesta recta final do mercado de transferências: João Mário regressa ao Sporting. Vem por empréstimo do Inter, que lhe pagará parte do salário até ao final da temporada. 

«Quis sempre voltar onde me sinto bem e onde fui feliz e onde quero voltar a ser. É uma grande honra voltar a esta casa», disse o jogador à Sporting TV, logo após a formalização do seu ingresso no plantel leonino.

 

Aproveito para lembrar o que aqui escrevi sobre ele quando vestia de verde-e-branco, em dois inesquecíveis clássicos que vencemos e em que convencemos - o primeiro na Luz, o segundo no Dragão.

 

25 de Outubro de 2015 (Benfica, 0 - Sporting, 3): 

«Boa parte do êxito do Sporting tem a ver com o desempenho deste jovem médio, que Jesus voltou a colocar na posição em que mais rende: junto à ala direita, como falso extremo, apoiando o ataque com sucessivas incursões para o eixo do terreno. Pondo a render a sua qualidade técnica, manteve a defesa encarnada continuamente em sentido com estes movimentos rápidos. Para mim foi o melhor em campo.»

 

30 de Abril de 2016 (FC Porto, 1 - Sporting, 3):

«Exibição superlativa, coroada com duas assistências para golo - aos 23', servindo Slimani com um cruzamento perfeito, e aos 85', lançando Bruno César com sucesso. Podia ter marcado logo aos 5'. Próximo da perfeição.»

 

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Aos 27 anos, João Mário regressa a um lugar onde já foi feliz. E em que soube fazer-nos felizes enquanto adeptos do excelente futebol a que nos habituou.

Vem na idade certa. Para incutir experiência num plantel muito jovem e constituir uma evidente mais-valia no onze titular ao serviço de um emblema que bem conhece, na casa onde nasceu para o futebol. Aureolado com o título de campeão europeu da modalidade, conquistado na histórica campanha de 2016 em França, mas com a modéstia que sempre lhe conhecemos, sem deslumbramentos de qualquer espécie.

 

Bem-vindo de volta, caríssimo João Mário.

Todos esperamos que se concretize o teu sonho: mereces ser feliz no clube que nunca deixou de estar no teu coração.

Adrien, Cédric, João Mário, Slimani, Veloso

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A SAD do Sporting, segundo notícias credíveis, está apostada em trazer de regresso a Alvalade pelo menos dois deste grupo de cinco jogadores: Adrien, Cédric, João Mário, Miguel Veloso e Slimani. Três dos quais, como sabemos, são campeões europeus em título.

Gostava de saber o que pensam destes eventuais regressos.

João Mário e Bruno Fernandes em foco

Bruno Fernandes deu na noite de ontem o primeiro passo para chegar ao Mundial de 2018 na Rússia: teve uma estreia promissora na selecção nacional A, num jogo em Viseu em que derrotámos a Arábia Saudita por 3-0. Nada que admire: surge na sequência das suas boas prestações na selecção sub-21, em que chegou a ser capitão.

Destaque também, neste desafio particular de ontem, para as exibições do regressado Manuel Fernandes (marcador do primeiro golo e também presença muito provável no próximo Mundial), Ricardo Pereira, Gonçalo Guedes e sobretudo do "nosso" João Mário, autor do mais espectacular golo desta vitória, o terceiro, fuzilando a baliza saudita com um forte pontapé de meia-distância, com assistência de Gelson Martins. E ainda mandou uma bola ao poste neste jogo, em que se estreou como capitão do onze nacional.

Ao observá-lo ontem no Fontelo senti saudades do João Mário vestido de verde e branco. Gostava muito de voltar a vê-lo no Sporting.

Rapidamente e em força

A conversa da arbitragem é areia para os olhos. Não estavam habituados à normalidade de o Sporting ganhar clássicos. Pois é melhor habituarem-se. Rui Vitória, Nuno Espírito Santo, Casillas são verdadeiros gentlemen, na conversa habitual do comentário desportivo. Mas a verdade é que mal perdem (ou empatam) um jogo transformam-se em versões bem-falantes de José Mota, jorrando culpas para cima do árbitro. À terceira jornada, já vai um chinfrim sobre os árbitros que não acaba. E os calimeros somos nós.

 

O Porto perdeu porque não dá para mais. Começaram melhor, mas porque usaram uma táctica que ninguém aguenta 90 minutos contra equipas grandes: a pressão alta (altíssima). Toda a gente fala dos passes falhados do Sporting nessa altura. Não foram falhados. Foram interceptados pelos jogadores do Porto, que não deixavam o Sporting jogar. Pois, a pressão alta é muito gira, mas dá cabo do corpinho. Foi uma táctica tão boa no curto-prazo quanto péssima no longo-prazo. À meia hora de jogo estavam rebentados, tanto mais que já tinham feito uma coisa do género contra a Roma na terça-feira. Tal como no jogo com a Roma, ao fim de 20 minutos começaram a defender cá atrás e o Sporting começou a mandar. O Sporting joga melhor, tem mais rotinas. O Porto não tem. Os golos foram naturais e podiam ter sido mais, sobretudo na segunda parte. Na segunda parte, aliás, os jogadores do Porto não podiam com uma gata pelo rabo. Foi por causa disto, e duns jeitinhos que o Jesus deu no meio-campo, que perderam. Não foi por causa do árbitro.

 

Siga para bingo, que o pior está para vir: João Mário foi-se, Slimani foi-se e diz que Adrien também está a caminho. Jesus, agora é que é preciso mostrares o que vales: terás de montar um meio-campo novinho. Rapidamente e em força.

A mais valiosa transferência de sempre

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Já confirmado oficialmente: João Mário vai ser jogador do Inter, com um contrato de cinco anos. Consuma-se assim a mais valiosa transferência de sempre de um jogador português a actuar no nosso campeonato. João Mário Eduardo, um dos indiscutíveis valores forjados na Academia leonina, campeão europeu de futebol, transfere-se aos 23 anos para o histórico clube italiano por 45 milhões de euros - incluindo cinco milhões por objectivos.

Deixando a grande distância aquela que era até agora a mais proveitosa venda do Sporting: a de Nani, em 2007, por 26,5 milhões.

 

Gostaria que João Mário - que permaneceu 14 anos de verde e branco, desde as nossas escolinhas infantis - tivesse continuado em Alvalade. Mas reconheço que esta transferência ocorre nas melhores circunstâncias para as duas partes - jogador e clube. Terminou o tempo em que a Academia leonina formava jogadores e via-os partir demasiado cedo, quase sempre por tuta e meia, sem lucrar com eles nem no plano financeiro nem no plano desportivo.

Enfim, um monumental golo marcado por Bruno de Carvalho, que continua a defender com profissionalismo e competência os interesses do Sporting Clube de Portugal. Ao invés da gestão de Godinho Lopes, que em 2012 vendeu irresponsavelmente 25% do passe de João Mário por 400 mil euros a um fundo de investimento. A troco de tão modesta quantia, e sem nada ter feito de relevante pelo jogador, esse fundo prepara-se agora para empochar 11,25 milhões - como se lhe saísse o totoloto e o euromilhões ao mesmo tempo, graças aos préstimos da anterior direcção, que tanto fez para afundar o Sporting.

 

Boa sorte, João Mário: bem a mereces. Continuarás a ser Leão de corpo e alma.

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