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És a nossa Fé!

Os jarretas (antologia 2016/17)

 

- Vou candidatar-me contra ele.

- Contra quem?

- Contra o Bruno, pá! Vê lá se tomas atenção.

- Então se vais candidatar-te para quê guardar segredo?

- Porque ainda estou à espera.

- De quê?

- Da vaga de fundo. Vai acabar por surgir.

- Mas olha: diz à vaga que se despache. As eleições no Sporting já foram marcadas para 4 de Março. E onde é que fizeste as tais "críticas frontais"? Garanto-te que não dei por elas.

- Pois, mas isso é porque tu andas sempre muito distraído. Nem percebeste que eu arrasei o gajo.

- Arrasaste?! Mas eu ainda ontem vi o Bruno na televisão e ele não parecia nada arrasado.

- Deixa-te de piadas parvas. O fulano comigo foi ao tapete. Durante três anos não o poupei. Levou pancada de criar bicho.

- Mas onde?

- No meu blogue, pá!

- Desde quando é que tens um blogue? Não fazia a menor ideia. Nunca associei o teu nome a um blogue...

- Achas que eu ia desgastar e conspurcar o meu extenso nome, que é aquilo que eu tenho de mais precioso, misturando-o com o do Bruno? Nem por sombras. Dei-lhe porrada com pseudónimo.

 

(...)

 

- O Bruno passou a contar cada espectador a dobrar, só para dar ideia de que há muito mais gente no estádio do que realmente há.

- A sério?!

- Juro. Sei isto de fonte limpa. Aliás, sei de duas fontes. Nunca digo nada sem antes me informar devidamente junto de duas fontes.

- Mas ao certo o que é que se passou?

- Olha, ainda agora na última jornada aconteceu. Ele mandou dizer que estavam 43.843 pessoas em Alvalade e estavam muito menos que isso. Trinta mil, não mais. Muitas clareiras, muito buraco - sem contar com o fosso. O gajo é um aldrabão.

- Mas olha lá: como sabes tu isso se há meses não pões os pés no estádio?

- Já te disse que sei! As minhas fontes garantem.

- E pode saber-se quem são as tuas fontes?

- A ti posso dizer, sem problema. Um delas é o Pedro Madeira Rodrigues. Homem sério, respeitável, incapaz de enganar. Assume sempre o que diz. Aprecio-o tanto que sou até capaz de voltar a pagar quotas só para poder votar nele no dia 4 de Março.

- Tenho as minhas dúvidas. Dizem que ele nem contribuiu para a Missão Pavilhão...

- E que mal há nisso?! Mais um motivo para eu o admirar. Também não pus um tostão nesse elefante branco, nessa peça de propaganda do brunismo! Já viste como aquele mamarracho veio desfigurar a paisagem?

- Mas disseste que tinhas duas fontes. Quem é a segunda?

- É o outro Pedro.

- Qual Pedro?

- O Pedro Guerra. Ele também disse que o Bruno anda a martelar os números de espectadores. 

Os jarretas (41)

 

- Tenho-te visto pouco pelo estádio... 

- Deixei de ir. Há meses que não vou.

- Então porquê?

- É uma forma de protesto.

- Protesto? Contra quem? Contra os lampiões?

- Deixa lá estar os lampiões que não chateiam ninguém. Muitos até são simpáticos e fofinhos. O protesto é contra o Bruno.

- O que fez ele agora?

- Então tu não sabes? Ele passou a contar cada espectador a dobrar, só para dar ideia de que há muito mais gente no estádio do que realmente há.

- A sério?!

- Juro. Sei isto de fonte limpa. Aliás, sei de duas fontes. Nunca digo nada sem antes me informar devidamente junto de duas fontes.

- Mas ao certo o que é que se passou?

- Olha, ainda agora na última jornada aconteceu. Ele mandou dizer que estavam 43.843 pessoas em Alvalade e estavam muito menos que isso. Trinta mil, não mais. Muitas clareiras, muito buraco - sem contar com o fosso. O gajo é um aldrabão.

- Mas olha lá: como sabes tu isso se há meses não pões os pés no estádio?

- Já te disse que sei! As minhas fontes garantem.

- E pode saber-se quem são as tuas fontes?

- A ti posso dizer, sem problema. Um delas é o Pedro Madeira Rodrigues. Homem sério, respeitável, incapaz de enganar. Assume sempre o que diz. Aprecio-o tanto que sou até capaz de voltar a pagar quotas só para poder votar nele no dia 4 de Março.

- Tenho as minhas dúvidas. Dizem que ele nem contribuiu para a Missão Pavilhão...

- E que mal há nisso?! Mais um motivo para eu o admirar. Também não pus um tostão nesse elefante branco, nessa peça de propaganda do brunismo! Já viste como aquele mamarracho veio desfigurar a paisagem?

- Mas disseste que tinhas duas fontes. Quem é a segunda?

- É o outro Pedro.

- Qual Pedro?

- O Pedro Guerra. Ele também disse que o Bruno anda a martelar os números de espectadores. 

- Mas esse gajo é lampião!!

- E que tem isso? Deixa lá estar os lampiões que não chateiam ninguém. Muitos até são simpáticos e fofinhos.

Os jarretas (40)

 

- Olá, tu por aqui!

- É verdade. Há quanto tempo...

- Então o que é que tens feito?

- Muita coisa. [Baixando o tom de voz] Tenho feito oposição activa ao presidente. Com críticas frontais.

- Ai sim? Muito me contas! Mas que "críticas frontais" são essas, que me passaram despercebidas?

- Eh pá, andas distraído! [Olhando rapidamente para os lados e levantando de súbito a gola da gabardina] Prometes que não contas a ninguém?

- Tu andas bem de saúde?! Estás afogueado, com as bochechas encarnadas... Queres que eu prometa o quê?

- Prometes guardar segredo?

- Prometo, prometo. Conta lá o teu segredo.

- Vou candidatar-me contra ele.

- Contra quem?

- Contra o Bruno, pá! Vê lá se tomas atenção.

- Então se vais candidatar-te para quê guardar segredo?

- Porque ainda estou à espera.

- De quê?

- Da vaga de fundo. Vai acabar por surgir.

- Mas olha: diz à vaga que se despache. As eleições no Sporting já foram marcadas para 4 de Março. E onde é que fizeste as tais "críticas frontais"? Garanto-te que não dei por elas.

- Pois, mas isso é porque tu andas sempre muito distraído. Nem percebeste que eu arrasei o gajo.

- Arrasaste?! Mas eu ainda ontem vi o Bruno na televisão e ele não parecia nada arrasado.

- Deixa-te de piadas parvas. O fulano comigo foi ao tapete. Durante três anos não o poupei. Levou pancada de criar bicho.

- Mas onde?

- No meu blogue, pá!

- Desde quando é que tens um blogue? Não fazia a menor ideia. Nunca associei o teu nome a um blogue...

- Achas que eu ia desgastar e conspurcar o meu extenso nome, que é aquilo que eu tenho de mais precioso, misturando-o com o do Bruno? Nem por sombras. Dei-lhe porrada com pseudónimo.

- Com pseudónimo? Mas isso é que são "críticas frontais"?! [Imita o Jorge Palma a cantarolar] "Deixa-me riiiir....."

- [Declama Shakespeare, com ar desdenhoso e entoação característica da upper class britânica] "By the pricking of my thumbs, something wicked this way comes.”

- Eheheh... Agora também falas a língua dos bifes?

- Oh yes. Tirei um curso intensivo por correspondência. Para condizer com o meu pseudónimo.

- Condizer como?

- [Volta a levantar a gola da gabardina, a olhar rapidamente em redor e a falar em sussurro] Não digas a ninguém: o meu pseudónimo é inglês. Foi um expediente que eu arranjei para contratar com mais facilidade o próximo treinador do Sporting. Vai ser o meu grande trunfo eleitoral.

- Mas olha lá...

- Não tenho tempo para mais conversa. Vou telefonar ao Mourinho para Old Trafford. Bye bye!

 

Os jarretas (antologia 2015/16)

 

Vejo que ainda não te passou a azia devido à contratação do Jesus.

- Nem vai passar. Detesto ver lampiões a treinar a minha equipa.

- Mas Jesus é sportinguista, com cartão de sócio e tudo! Nunca foi lampião.

- Queres comparar com o Marco Silva?

- Sim, quero. O Jesus é muito melhor. E a propósito: o Marco Silva é que é lampião.

- Isso agora não interessa nada. O que interessa é que o Marco era um cavalheiro, não um lambrego como este. Já o viste a mascar chiclete de boca aberta? Aquilo até parece a gruta do Ali Babá...

- Quero lá saber da chiclete! Quero é que ele oriente bem a equipa, como tem acontecido.

- E eu quero lá saber da forma como ele orienta a equipa! Quero é que ele feche a boca enquanto masca.

 

(...)

 

- Apesar de a concorrência ser forte lá vamos somando pontos.

- Dizes bem. Grão a grão, enche a galinha o papo...

- Isto deve-se, em boa parte, aos jogadores.

- Longe de mim discordar disso.

- Mas deve-se sobretudo à qualidade do treinador, que é inegável.

- Cada vez concordo mais contigo. Sobretudo na importância do treinador, que é o aspecto mais decisivo para revelarmos tão boa forma.

- Sim, senhor. Hoje nem parecemos nós. Estamos de acordo em tudo!

- Algum dia haveria de ser. Mas eu estou mais admirado que tu.

- Porque é que te admiras que eu esteja a fazer estes merecidos elogios à nossa equipa?

- Porque dantes criticavas o nosso treinador.

- Criticava o treinador? Quando é que me ouviste criticar o Jorge Jesus?

- Jesus? Quero lá saber do Jesus! Eu estava a falar do nosso treinador, o Marco Silva. Já reparaste bem no excelente trabalho que ele tem vindo a fazer no Olympiacos?

 

(...)

 

- Nunca se tinha visto coisa assim.

- Falas de quê?

- Da nossa vitória frente ao Benfica, claro. Por números que jamais tinham acontecido. Houve festa rija lá em casa. E na tua?

- Na minha não houve festa.

- Não me digas que não celebraste a vitória da nossa equipa...

- Festejei à minha maneira. Celebrei para dentro.

- E por fora?

- Mantive-me impassível. Aliás não queria incomodar os vizinhos.

- Eu estive-me nas tintas para isso. Até porque os meus vizinhos são todos do Sporting! E ao menos bebeste umas cervejolas?

- Não. Bebi meio copo de água com um comprimido de Alker Seltzer dissolvido. Estava sem sede e sentia alguma azia: devo ter abusado dos croquetes ao almoço.

 

(...)

 

- Tu agora, com essa idade, viraste tripeiro? Nunca te imaginei na mesma trincheira do Pinto da Costa... Mas ainda agora dizias que o clássico vai ser decisivo!

- Vai ser, claro. Decisivo para correr com o Bruno do Sporting. Esse deve ser o objectivo supremo de todos os verdadeiros sportinguistas, aqueles que a todo o instante sentem o clube a vibrar nas veias e no coração, como acontece comigo.

- Correr com o Bruno?!

- Sim. Para que ele seja corrido o Sporting tem de perder tudo, não percebes? O meu campeonato é este. Ainda não tinhas entendido, meu grande morcão? Anda daí: vamos comer uma francesinha.

Os jarretas (39)

 

- Começa a ficar calor.

- É verdade.

- Mas tu pareces andar com frio. Vejo-te com dois cachecóis...

- Não tem nada a ver com a temperatura ambiente. E não trago dois cachecóis: trago três. Tem a ver com o clássico do próximo sábado.

- Ah, muito bem. Vais também lá ao Dragão?

- Vou. Este jogo significa muito para mim. É o jogo que vai decidir tudo.

- Pois vai. Temos dois terços do País contra nós. Andrades e lampiões estão unidos como nunca a torcer para que o Sporting se enterre lá e diga mesmo adeus ao título. Não leste o artigo do portista Sousa Tavares, já a atribuir as faixas antecipadas ao Benfica, como se o Vitória de Guimarães e o Marítimo e o Nacional nem sequer existissem?

- Sim, li. Por acaso achei o artigo muito interessante.

- Vejo-te com pouca confiança. Que se passa? Já não acreditas?

- Não, pelo contrário. Acredito muito. E vou puxar ao máximo pela equipa, nem que fique afónico durante toda a semana que vem.

- Mas olha lá: o terceiro cachecol que aí tens, debaixo dos outros dois, não é azul e branco?

- É, pá. Mas não digas a ninguém. Vou incógnito ao Dragão.

- Vais incógnito?!

- Sim. Como adepto portista na clandestinidade. Com dois cachecóis do Sporting a tapar o do Porto. Tiro o primeiro depois de passar por Coimbra e o segundo vai para o porta-luvas assim que atravessar o Douro e sentir enfim aqueles belos ares do Norte. Vou puxar pelo FCP. Até já ando a aprender o hino deles. [Trauteia, muito desafinado] «Oh, campeão, o teu passado / É um livro de honra de vitórias sem igual / O teu brasão abençoado / Tem no teu Porto mais um arco triunfal...»

- Não me digas uma coisa dessas! Tu agora, com essa idade, viraste tripeiro? Nunca te imaginei na mesma trincheira do Pinto da Costa... Mas ainda agora dizias que o clássico vai ser decisivo!

- Vai ser, claro. Decisivo para correr com o Bruno do Sporting. Esse deve ser o objectivo supremo de todos os verdadeiros sportinguistas, aqueles que a todo o instante sentem o clube a vibrar nas veias e no coração, como acontece comigo.

- Correr com o Bruno?!

- Sim. Para que ele seja corrido o Sporting tem de perder tudo, não percebes? O meu campeonato é este. Ainda não tinhas entendido, meu grande morcão? Anda daí: vamos comer uma francesinha.

Os jarretas (38)

 

- Se o Benfica não perder pontos o Sporting não é candidato...

- E já me ouviste dizer eu achar que o Benfica vai perder pontos?

- Achas que não vai?

- Acho que não.

- Então as faixas estão entregues?

- Eu acho que sim.

- Estás a atirar a toalha ao chão?

- Não estou a fazer nenhum título para jornal tablóide para atirar a toalha ao chão...

- Acho extraordinário. Tu estás a dois pontos e estás a dizer-me que o Sporting não pode ser campeão?!

- Se o Benfica ganhar os jogos todos, que eu acho que vai ganhar, o Sporting não pode ser campeão! Então eu agora vou dizer o contrário daquilo que eu acho?!

- É a primeira vez que eu te vejo reservar o Marquês para o Benfica...

- Nada disso. É uma análise objectiva. É evidente que quem vai à frente tem mais hipóteses de ser campeão.

 

NOTA: Ao contrário de todos os outros textos desta série, produto exclusivo da minha imaginação, este diálogo existiu mesmo. Foi ontem à noite, no programa Trio d' Ataque, da RTP 3. Sendo o primeiro interlocutor Miguel Guedes, adepto portista, e cabendo as frases de réplica ao inefável Rui Oliveira e Costa 

Os jarretas (37)

 

- Nunca se tinha visto coisa assim.

- Falas de quê?

- Da nossa vitória frente ao Benfica, claro. Por números que jamais tinham acontecido. Houve festa rija lá em casa. E na tua?

- Na minha não houve festa.

- Não me digas que não celebraste a vitória da nossa equipa...

- Festejei à minha maneira. Celebrei para dentro.

- E por fora?

- Mantive-me impassível. Aliás não queria incomodar os vizinhos.

- Eu estive-me nas tintas para isso. Até porque os meus vizinhos são todos do Sporting! E ao menos bebeste umas cervejolas?

- Não. Bebi meio copo de água com um comprimido de Alker Seltzer dissolvido. Estava sem sede e sentia alguma azia: devo ter abusado dos croquetes ao almoço. Já sabes que é o meu petisco favorito: ao menos nisto não mudei.

- Somos muito diferentes. As vitórias secam-me a garganta, preciso de umas geladinhas para acabar com a secura. Mas olha: nem te reconheço. Tu dantes festejavas tudo, até empates e derrotas!

- Tornei-me uma pessoa muito mais contida. Confesso-te que o meu sportinguismo arrefeceu. Este presidente conseguiu tirar-me o gosto de ver futebol em Portugal. Não vou ao estádio, deixei de usar cachecol, enjoei aqueles documentários sobre a natureza por estarem sempre a mostrar leões.

- A sério?!

- Sim. Vinho, só maduro. E até abdiquei de usar a via verde na auto-estrada.

- E Jesus?

- Nem me fales de religião. Perdi a fé. Tornei-me agnóstico.

- Muito me contas... Por esta é que eu não esperava. Olha lá: e nada mais te interessa?

- Interessa, sim. Este fim de semana, por exemplo, interessou-me derrotar o Atromitos.

- Atromitos?! Que é isso?

- O clube grego que perdeu com o Olympiacos. Fui logo pôr um like no facebook do Marco Silva. E já tenho cachecol com riscas verticais vermelhas e brancas. Havias de usar um também: é muito giro. No Natal, se quiseres, ofereço-te um.

Os jarretas (36)

 

- Nada mal. À terceira jornada vamos na segunda posição, em igualdade pontual com o primeiro...

- Pois.

- E a equipa está a jogar com mais intensidade, com mais intenção atacante.

- Lá isso é verdade.

- Não receia os adversários e vai marcando golos.

- Sem a menor dúvida.

- Reforçou-se bem neste defeso e demonstra aos adeptos que é bem capaz de ir longe.

- Plenamente de acordo contigo.

- E apesar de a concorrência ser forte lá vai somando pontos.

- Dizes bem. Grão a grão, enche a galinha o papo...

- Isto deve-se, em boa parte, aos jogadores.

- Longe de mim discordar disso.

- Mas deve-se sobretudo à qualidade do treinador, que é inegável.

- Cada vez concordo mais contigo. Sobretudo na importância do treinador, que é o aspecto mais decisivo para revelarmos tão boa forma.

- Sim, senhor. Hoje nem parecemos nós. Estamos de acordo em tudo!

- Algum dia haveria de ser. Mas eu estou mais admirado que tu.

- Porque é que te admiras que eu esteja a fazer estes merecidos elogios à nossa equipa?

- Porque dantes criticavas o nosso treinador.

- Criticava o treinador? Quando é que me ouviste criticar o Jorge Jesus?

- Jesus? Quero lá saber do Jesus! Eu estava a falar do nosso treinador, o Marco Silva. Já reparaste bem no excelente trabalho que ele tem vindo a fazer no Olympiacos?

Os jarretas (35)

 

- Ora viva. Mas que cara é essa?

- A cara que tenho hoje corresponde ao jogo de ontem do Sporting.

- Então devias estar com cara alegre, pá!

- Cara alegre como? Só ganhámos 2-1!

- E achas pouco? Foi a nossa primeira vitória frente a uma equipa russa nas competições europeias. Nunca antes tinha sucedido nada semelhante.

- Vitória tangencial para mim não é vitória. Equivale a empate.

- Essa deve ser uma nova regra do futebol que só tu descobriste. Então não partimos com vantagem para Moscovo?

- Vantagem nenhuma. Eles vão anulá-la logo nos primeiros minutos e podemos sair de lá cilindrados, com uma derrota humilhante.

- É essa a tua previsão?

- É. Faço minhas as palavras do meu amigo Ribeiro Cristóvão, aqui há uns anos, antes de o Sporting ter ido jogar com o Manchester City. Dizia ele: "O Sporting vai ficar por aqui. Oxalá não acabe por ser ser triturado por números que envergonhem o futebol português e deixem no seu historial uma mancha muito complicada. As coisas terminam aqui porque o adversário é muito complicado e não vai dar hipóteses".

- Mais me ajudas! Esse prognóstico foi desmentido pelos factos. O Sporting ultrapassou o Manchester City e seguiu adiante.

- Isso agora não interessa nada. A verdade é que não temos jogadores com categoria suficiente para vencer jogos.

- De que jogadores é que falas?

- O Slimani e o Teo Gutiérrez, por exemplo.

- Mas eles marcaram ontem em Alvalade!

- Tiveram sorte. Jogadas fortuitas. A bola sobrou-lhes e eles meteram o pé, nada mais. Desses até eu marcava, com a minha barriguinha.

- Isso é injusto. Vejo que ainda não te passou a azia devido à contratação do Jesus.

- Nem vai passar. Detesto ver lampiões a treinar a minha equipa.

- Mas Jesus é sportinguista, com cartão de sócio e tudo! Nunca foi lampião.

- Queres comparar com o Marco Silva?

- Sim, quero. O Jesus é muito melhor. E a propósito: o Marco Silva é que é lampião.

- Isso agora não interessa nada. O que interessa é que o Marco era um cavalheiro, não um lambrego como este. Já o viste a mascar chiclete de boca aberta? Aquilo até parece a gruta do Ali Babá...

- Quero lá saber da chiclete! Quero é que ele oriente bem a equipa, como tem acontecido.

- E eu quero lá saber da forma como ele orienta a equipa! Quero é que ele feche a boca enquanto masca. E que tenha maneiras. Até o imagino a comer sardinhas com a mão!

- Porquê? Tu não comes sardinhas com a mão?!

- Por quem me tomas? Aliás odeio sardinhas. Tu já sabes: eu gosto é de croquetes.

- E não comes os croquetes com a mão?

- Nada disso. Com um palito, sempre com um palito. Aliás, com dois palitos. Porque um croquete nunca vem só.

Os jarretas (antologia 2014/15, parte IV)

 

- O Bruno deixou sair os bons jogadores, como o Bruma e o Ilori e o Rojo e o Dier, e agora não temos uma equipa que se apresente. Fomos humilhados em casa pelos lampiões: bastou-lhes estacionar o autocarro para a equipa ficar à rasca.

- Mas...

- Não queiras tapar o sol com a peneira! Ando farto de vitórias morais: não dou mais para esse peditório. Queres analisar a qualidade dos jogadores? Então vamos lá. O Paulo Oliveira podia chamar-se Pedro Mendes: não é melhor que ele, completamente banal. O Jefferson corre muito mas faz pouco para aquilo que corre. O Nani está com saudades de Manchester, isso percebe-se muito bem. O William Carvalho continua a falhar muitos passes, nisso só posso estar de acordo com o Ribeiro Cristóvão.

- Mas...

- Estás sempre a interromper-me! Que tens tu afinal assim tão importante para dizer sobre o jogo de domingo?

- Sobre o jogo não tenho para dizer. Só queria chamar-te a atenção para essa nódoa que tens aí na gravata. Parece-me nódoa de croquete.

 

(...)

 

- Foste ao estádio?

- Não costumo, porque não há lá Sagres, a minha cerveja preferida. Mas desta vez fui.

- E que tal? Mataste saudades?

- Matei saudades de um protesto bem sonoro. Fartei-me de assobiar os jogadores. Porcaria de equipa aquela.

- O Penafiel, de facto, vale muito pouco...

- Qual Penafiel? Eu assobiei o Sporting.

- O Sporting?!

- Sim, claro. Só assobiaria o Penafiel se fosse penafidelense.

 

(...)

 

- Que tal? Lá ganhámos o caneco! Ao contrário do que tu dizias...

- Sorte. Duas chouriçadas, dois golos.

- Mas viste o jogo?!

- Só até ao minuto 80. Depois mudei de canal porque imaginei logo que íamos sair dali com mais uma cabazada.

- Então não viste o melhor...

- Não perdi nada. Depois vi o resumo do jogo enquanto fazia horas para me deitar. Bastou.

- E que tal?

- Sorte, já te disse. Exibição medíocre. O Braga esteve sempre por cima, a controlar o jogo. Equipa organizada, madura, que sabia muito bem o que queria. Ao contrário do Sporting, que andou ali aos papéis.

- Nada a realçar de positivo?!

- Só os dois chouriços. O resto foi uma lástima.

Os jarretas (antologia 2014/15, parte III)

 

- Lá vamos para a Liga Europa...

- E que interesse tem isso? Devíamos ter continuado na Champions. Não me conformo com este salto no abismo.

- Eh pá, não exageres. Ir à Liga Europa não é nenhum salto no abismo.

- Então não é?! Se ultrapassarmos a actual fase recebemos só 200 mil euros em vez dos 3,5 milhões que recebíamos se tivéssemos continuado.

- Abismo, para mim, aconteceu há dois anos quando não nos classificámos para nenhuma competição europeia. E nessa altura não me lembro de te ter visto tão mal disposto.

- Mas nessa altura também não tínhamos um presidente que ia para o Facebook escrever que os jogadores não tinham dignificado a nossa camisola, como fez o Bruno após o jogo com o V. Guimarães!

- A verdade é que o Chelsea era um adversário de respeito. E a nossa equipa, como sabemos, tem falta de rodagem na Liga dos Campeões. Dificilmente poderíamos ter empatado. E já nem falo em ganhar o jogo...

- Falta de ambição, foi o que houve. O treinador não fez alinhar a equipa com o dispositivo táctico que se impunha. Jogou para o empate e, como sempre acontece quando se ambiciona apenas o empate, acabou por perder.

- E gostaste do desempenho de algum jogador?

- Gostei do Nani.

- Do Nani? Mas ele não jogou!

- Claro. Estava a ser irónico. Aquilo foi tudo para esquecer...

 

(...)

 

- Digo-te sem rodeios: todos os lances do Sporting foram feios.

- E nem gostaste do Tobias?

- O Tobias? Batatas com enguias...

- E ao menos gostaste do Mané?

- O Mané? Borras no café...

- E do William Carvalho?

- Carta fora do baralho...

- E os golos, que foram tão bonitos?

- Bonitos coisa nenhuma: isso não passou de espuma. Bonito, bonitão... foi aquele golo do Quaresma no Dragão. Bela trivela. Por mais que me apeteça, nunca esse golo me sairá da cabeça.

- Ó pá, mas porque é que agora falas o tempo todo em verso?!

- Aprendi com o grande Pinto / Da Costa a declamar / E cada vez mais me sinto / Com ânsia de versejar.

Os jarretas (antologia 2014/15, parte II)

 

- O Montero voltou aos golos...

- Eh pá, aquele até eu marcava com pubalgia na virilha e rotura de ligamentos no joelho esquerdo. Foi só correr um pouquinho e encostar o pé!

- E o Slimani, que até bisou no 25 de Abril?

- Não me convence. Só é bom a saltar. Mas é muito limitado tecnicamente. Não tem técnica de cabeceamento. Quando acerta na bola enquadrada com a baliza isso só acontece por mero acaso.

- Quem é que tu punhas no lugar dele?

- O Tanaka. Custa-me tanto ver o rapaz na bancada. Não é por acaso que tem vindo a ser convocado para a selecção do Japão.

- E quem punhas no lugar do treinador?

- O Paulo Fonseca. Ou o Sérgio Conceição. Ou o Rui Vitória. Mas quem eu queria mesmo era o Jorge Jesus.

- E o José Couceiro?

- Também o queria. Mas como presidente.

 

(...)

 

- Foste a Alvalade na quarta-feira ver a nossa grande vitória frente ao Schalke?

- Não, pá. Ando chateado com tudo isto, não me apeteceu ir ao estádio. Vi a bola em casa.

- Ah, preferiste a transmissão directa...

- Sim, vi o Bilbau-FC Porto em directo. O Sporting-Schalke vi depois, no resumo. Dou razão ao Ribeiro Cristóvão: "Não foi um Sporting muito superior à equipa alemã, que não tem grande qualidade."

 

(...)

 

- Viste hoje o jornal?

- Vi. Dizia que «a relação entre Bruno de Carvalho e Nani já viveu melhores dias, por muito que a estrutura leonina se esforce em desmentir qualquer notícia que dê conta desta relação tensa».

- E então?

- Nada que me surpreenda. Sempre disse que isto ia acabar mal.

- Também a mim não me surpreende. Já estava à espera disto. Aliás, aqui entre nós, posso confidenciar-te que fui uma das fontes anónimas da notícia.

Os jarretas (antologia 2014/15, parte I)

 

- Com o Bruno de Carvalho, o Sporting deixou de apostar na formação.

- Estás a confundir o Sporting com o Benfica, que despacha para outros clubes os jogadores todos da formação mal começam a destacar-se. O Sporting, pelo contrário, ficou em segundo lugar no campeonato com vários jogadores da formação no onze-base. E apostou no William Carvalho, no Carlos Mané...

- Lá vens tu com esse argumento do segundo lugar! Já falámos imensas vezes disso. Foi sorte, nada mais.

- Preferias ter ficado em sétimo, como no ano anterior?

- Preferia ter ficado com o Dier, o Ilori e o Bruma.

- Mas estes três jogadores, ao menos, ainda nos renderam 22,5 milhões de euros. Enquanto antes deixámos sair jogadores da nossa formação, como o Pedro Mendes e o Carriço, por nada ou quase nada.

- O que tem uma coisa a ver com outra? Nesses tempos, ao menos, os jogadores eram tratados com a devida consideração pelo presidente do clube. Agora, diz aqui o Eric na entrevista, o Bruno só lhe apertou a mão e nem sequer lhe desejou boa sorte.

 

(...)

 

- Então temos o Nani de novo entre nós. Que tal?

- Gostei.

- Só isso? Vejo aí alguma falta de entusiasmo.

- Reconheço que é bom jogador. Mas...

- Mas o quê?

- Toda a gente sabe que ele não é um jogador completo. Cruza muito mal, tem notórias dificuldades no jogo aéreo e é pouco consistente no processo ofensivo junto à linha, tem sempre tendência para invadir zonas centrais. Desposiciona-se com demasiada facilidade.

- Não acredito que estejas a criticá-lo dessa maneira...

- Há quanto tempo não vês jogar o Nani? Em cada dez cruzamentos ele falha nove!

 

(...)

 

- Criticas praticamente os nossos jogadores todos. Não há mais ninguém de quem digas mal?

- Há. Digo mal do Bruno, que nunca devia ter assumido a candidatura ao título. E digo mal do treinador, que nunca devia ter ido na conversa fiada do presidente.

- Mas afinal que reforços é que tu gostavas de ver no Sporting?

- Gostava do Enzo. E do Gaitán. E do Salvio. E do Amorim. E do Maxi. E do Eliseu.

- E na baliza?

- O Júlio César, claro. Já reparaste que o Rui Patrício não sabe jogar com os pés?

- Só esses?

- Talvez também o Talisca. Pelo menos tem um nome mais giro do que o Rabia.

- Mais algum?

- O Pizzi, o Jara, o Ola John, o Shikabala...

- Mas o Shikabala é do Sporting!

- Ah, claro, tens razão. Péssimo jogador, esse que tal. Nem para futebol de praia o queria.

Os jarretas (34)

 

- Foste ao Jamor?

- Sabes que não costumo ir aos estádios. Não suporto ver tanto povo nem aguento o cheiro a couratos. Vi na televisão.

- E que tal? Lá ganhámos o caneco! Ao contrário do que tu dizias...

- Sorte. Duas chouriçadas, dois golos.

- Mas viste o jogo?!

- Só até ao minuto 80. Depois mudei de canal porque imaginei logo que íamos sair dali com mais uma cabazada.

- Então não viste o melhor...

- Não perdi nada. Depois vi o resumo do jogo enquanto fazia horas para me deitar. Bastou.

- E que tal?

- Sorte, já te disse. Exibição medíocre. O Braga esteve sempre por cima, a controlar o jogo. Equipa organizada, madura, que sabia muito bem o que queria. Ao contrário do Sporting, que andou ali aos papéis.

- Nada a realçar de positivo?!

- Só os dois chouriços. O resto foi uma lástima. O Cédric a fazer um penálti daqueles logo no início: suspeito que ele queria fazer-se expulsar para ver o jogo sossegadinho... O Carrillo parecia que estava na praia a apanhar sol. O Nani agarrado à bola, sem a passar: devia querer levá-la para Manchester. O Miguel Lopes, um susto: entrou e saiu, mais valia nem ter entrado. O William perdeu quase sempre as segundas bolas. O Jefferson arrastava-se, mal o vi em campo...

- Mas não destacas a actuação de nenhum jogador?

- Destaco. O Rafa. E o Ruben Micael. E o Djavan. E o Pardo. E o Éder, apesar de ter falhado o penálti no fim. Grandes jogadores.

- Nem o Slimani?!

- Esse remata para onde está virado. E está sempre virado para Meca. Calhou ter acertado na bola.

- Nem o Montero?

- Claro que não. Desmotivadíssimo. Percebe-se que não gosta de ser suplente e nem lhe apetecia ter jogado. A prova é que nem festejou o golo que resultou daquela charutada, como percebi depois ao espreitar o resumo.

- Não vimos o mesmo jogo...

- Claro que não. Já te disse que eu desisti aos 80 minutos.

- Viste ao menos os festejos?

- Odeio povo, odeio multidões, odeio festejos. Mudei para a TVI: queria ouvir o professor Marcelo. Esse sim, é que é o mestre da táctica. E deve gostar tão pouco de couratos como eu. 

Os jarretas (33)

 

- Foste ao estádio?

- Não costumo, porque não há lá Sagres, a minha cerveja preferida. Mas desta vez fui.

- E que tal? Mataste saudades?

- Matei saudades de um protesto bem sonoro. Fartei-me de assobiar os jogadores. Porcaria de equipa aquela.

- O Penafiel, de facto, vale muito pouco...

- Qual Penafiel? Eu assobiei o Sporting.

- O Sporting?!

- Sim, claro. Só assobiaria o Penafiel se fosse penafidelense.

- E assobiaste quem?

- Todos. O Patrício, o William, o Carrillo. Mas sobretudo o Nani.

- O Nani?! Mas ele até marcou!

- Casual. Calhou. Nem ele sabe como fez aquilo. Não é craque coisa nenhuma: é um novo Djaló, um novo Jeffrén, um novo Farnerud.

- Não podes estar a falar a sério.

- Estou, sim. Minutos antes desse golo estava eu a berrar contra o treinador por ter tirado o Mané em vez de mandar o Nani tomar duche. Faltou-lhe a coragem para isso. Aliás falta-lhe coragem para tudo, até para tirar as mãos dos bolsos durante os jogos. O Nani não acertava um passe...

- Agora deu-te para embirrar com o Marco Silva. Quem é que tu punhas no lugar dele?

- O Paulo Sérgio, o Vercauteren, o Quique Flores, o Domingos Paciência, o Rui Fonte, o Paulinho. Qualquer um. Todos menos ele. Não suporto vê-lo o tempo todo de braços cruzados. Só os descruza para beber um golinho de água mineral. Ele devia é beber bagaço, medronheira, carrascão!

- E não percebo essa tua fúria contra o Nani se ele até marcou o nosso golo da vitória! E voltou a fazer um duplo mortal, como há muito não fazia em Alvalade.

- Eu, se quisesse ver ginástica acrobática, não pagava bilhete para ir ao estádio: ia ao Circo Chen. Alguém devia inscrever o Nani no futsal do Sporting. Com aquela mania de fazer rendilhados, é capaz de ter mais jeito para um futsalzinho. Ou para bilhar de bolso, sei lá.

- E também bateste palmas depois do golo?

- Mas porque haveria eu de bater palmas, pá? Eles deviam é bater-me palmas a mim por ter-me dignado ir ao estádio, perder tempo, para ver aquela miséria. 

- Ao menos viste o jogo até ao fim?

- Nada disso. Deu-me a sede e saí mais cedo. Apetecia-me uma Sagres.

Os jarretas (32)

 

- Tivemos azar...

- Azar?! Tivemos foi sorte em não sair de Alvalade com uma derrota. Achas que podes considerar azarada uma equipa que faz o primeiro remate à baliza aos 71 minutos?

- Mas...

- Ainda não acabei! Falhou tudo neste dérbi. A começar nas opções tácticas do treinador, que foi superado pelo Jesus na organização da equipa. E temos que concluir que nos faltam jogadores de classe para sermos uma equipa com ambição.

- Mas...

- Nem mas nem meio mas. O Montero, coitado, não tem a menor vocação para ponta-de-lança. E o Tanaka parece uma figura dos desenhos animados. Quando nos falta o Slimani, como foi o caso, vamos ao tapete. Quem é que há de marcar golos?

- Mas...

- Deixa-te lá de mas! O Bruno deixou sair os bons jogadores, como o Bruma e o Ilori e o Rojo e o Dier, e agora não temos uma equipa que se apresente. Fomos humilhados em casa pelos lampiões: bastou-lhes estacionar o autocarro para a equipa ficar à rasca.

- Mas...

- Não queiras tapar o sol com a peneira! Ando farto de vitórias morais: não dou mais para esse peditório. Queres analisar a qualidade dos jogadores? Então vamos lá. O Paulo Oliveira podia chamar-se Pedro Mendes: não é melhor que ele, completamente banal. O Jefferson corre muito mas faz pouco para aquilo que corre. O Nani está com saudades de Manchester, isso percebe-se muito bem. O William Carvalho continua a falhar muitos passes, nisso só posso estar de acordo com o Ribeiro Cristóvão.

- Mas...

- Estás sempre a interromper-me! Que tens tu afinal assim tão importante para dizer sobre o jogo de domingo?

- Sobre o jogo não tenho para dizer. Só queria chamar-te a atenção para essa nódoa que tens aí na gravata. Parece-me nódoa de croquete.

Os jarretas (31)

 

- Boa vitória, aquela em Arouca.

- Fogo! Não devemos ter visto o mesmo jogo. Eu vi um espectáculo lamentável de duas equipas, muito desagradável. Posso-te jurar: nenhuma delas mereceu ganhar.

- O quê?! Como és capaz de dizer isso?

- Vou repetir: aquilo foi de fugir.

- Então e a nossa vitória por números categóricos?

- Não me deixes ainda mais chateado. Quero lá saber do resultado!

- Não queres?! Como assim?

- Tu e outros tolos analisam tudo em função dos golos porque não não percebem nada de bola, ao contrário de mim, que nisto sou mestre-escola. Eu estou-me nas tintas para os resultados e a classificação: interessa-me é a exibição. E a exibição do Sporting em Arouca foi menos que pouca.

- Mas marcámos três excelentes golos!

- Homessa! E o que é que isso interessa? Interessa é as jogadas envolventes pelo eixo do relvado de modo a desposicionar os jogadores do outro lado. Ora isso não aconteceu, garanto-te eu!

- Como querias tu jogadas envolventes se o relvado estava transformado num lamaçal?

- Lamaçal? Não me pareceu nada mal! O bom futebol, tal como eu sustento, só exige talento.

- E não te esqueças que jogámos desfalcados de três titulares. O Nani não jogou, nem o Jefferson. E o Slimani também não.

- Não esteve o Nani. Mas os que jogaram também eu não vi. No fundo, o Arouca teve o maior azar do mundo. Estou farto deste debate: o Arouca merecia pelo menos o empate.

- Que exagero! Os do Arouca atiraram-se para o chão o tempo todo, a simular faltas e a pedir penáltis...

- E penálti não foi aquele lance do Cédric, meu grande boi? Claro que sim: acredita em mim! E o Jonathan, aquele filho da mãe, cometeu penálti também. O árbitro foi muito nosso amigo ao não ter assinalado tal castigo. Digo-te sem rodeios: todos os lances do Sporting foram feios.

- E nem gostaste do Tobias?

- O Tobias? Batatas com enguias...

- E ao menos gostaste do Mané?

- O Mané? Borras no café...

- E do William Carvalho?

- Carta fora do baralho...

- E os golos, que foram tão bonitos?

- Bonitos coisa nenhuma: isso não passou de espuma. Bonito, bonitão... foi aquele golo do Quaresma no Dragão. Bela trivela. Por mais que me apeteça, nunca esse golo me sairá da cabeça.

- Ó pá, mas porque é que agora falas o tempo todo em verso?!

- Aprendi com o grande Pinto / Da Costa a declamar / E cada vez mais me sinto / Com ânsia de versejar.

Os jarretas (30)

 

- Lá vamos para a Liga Europa...

- E que interesse tem isso? Devíamos ter continuado na Champions. Não me conformo com este salto no abismo.

- Eh pá, não exageres. Ir à Liga Europa não é nenhum salto no abismo.

- Então não é?! Se ultrapassarmos a actual fase recebemos só 200 mil euros em vez dos 3,5 milhões que recebíamos se tivéssemos continuado.

- Abismo, para mim, aconteceu há dois anos quando não nos classificámos para nenhuma competição europeia. E nessa altura não me lembro de te ter visto tão mal disposto.

- Mas nessa altura também não tínhamos um presidente que ia para o Facebook escrever que os jogadores não tinham dignificado a nossa camisola, como fez o Bruno após o jogo com o V. Guimarães!

- A verdade é que o Chelsea era um adversário de respeito. E a nossa equipa, como sabemos, tem falta de rodagem na Liga dos Campeões. Dificilmente poderíamos ter empatado. E já nem falo em ganhar o jogo...

- Falta de ambição, foi o que houve. O treinador não fez alinhar a equipa com o dispositivo táctico que se impunha. Jogou para o empate e, como sempre acontece quando se ambiciona apenas o empate, acabou por perder.

- E gostaste do desempenho de algum jogador?

- Gostei do Nani.

- Do Nani? Mas ele não jogou!

- Claro. Estava a ser irónico. Aquilo foi tudo para esquecer... Os jogadores cometeram erros grosseiros. O William Carvalho está mais lento do que uma tartaruga. O Maurício foi mau como sempre. O Adrien e o João Mário arrastaram-se em campo. O Esgaio fez uma burrice imperdoável. O Slimani parecia um defesa central do Chelsea. O Capel devia ter saído logo aos 20 minutos...

- Então o problema foi...

- Foi que eles não dignificaram a camisola!

- Hum... Onde é que eu já terei lido uma frase igual a essa?

 

Os jarretas (29)

 

- Viste hoje o jornal?

- Vi. Dizia que «a relação entre Bruno de Carvalho e Nani já viveu melhores dias, por muito que a estrutura leonina se esforce em desmentir qualquer notícia que dê conta desta relação tensa».

- E então?

- Nada que me surpreenda. Sempre disse que isto ia acabar mal.

- Também a mim não me surpreende. Já estava à espera disto. Aliás, aqui entre nós, posso confidenciar-te que fui uma das fontes anónimas da notícia.

- Eheh. Estás em forma, meu caro.

- Olha que nem por isso.

- Então porquê?

- Nem tudo correu como eu esperava. Essa parte da notícia, por sinal redigida num excelente português, está muito boa. A outra parte é que não.

- Qual parte?

- A parte da mesma notícia que diz que «Nani está disposto a continuar em Alvalade».

- Ora bolas. Mas isso é de teor meramente especulativo, sem assentar na realidade!

- Talvez não. Parece ter fundamento. O tipo afinal é um ingrato.

- Em relação ao Sporting?

- Não. Em relação ao Manchester United. Logo agora, que por lá andam a precisar tanto dele.

- Pois andam. Com o clube em sétimo lugar na liga inglesa e fora das competições europeias, nem percebo por que espera o Nani para trocar Alvalade por Old Trafford.

- Sabes qual é o problema? Já não se pode confiar em ninguém.

- Tens razão. Infelizmente a ética anda cada vez mais arredada do mundo do futebol.

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