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És a nossa Fé!

Ennio Morricone

Faleceu hoje o compositor italiano Ennio Morricone, autor de inúmeras bandas sonoras inesquecíveis que fazem parte do nosso imaginário.

Destaco esta, o tema de abertura da série italiana «La piovra», em português «O polvo» - transmitida em Portugal nos finais dos anos ’80 e retrata a luta de um inspector de polícia e a sua luta contra a máfia.

Creio que esta banda sonora seja a que melhor se adequa ao futebol português.

 

Foi com a música deste compositor e a voz de Dulce Pontes que o novo Estádio de Alvalade foi inaugurado.

A nossa homenagem!

Seninho

As décadas passam e vamos esquecendo. Seninho foi um magnífico extremo, rapidissimo e codicioso, com o grande defeito de jogar no F.C. Porto, quando este começou a ganhar títulos no final dos anos 1970. Foi um dos primeiros grandes emigrantes do futebol português, directo ao topo mundial de então - o milionário New York Cosmos, quando se começou a disseminar o futebol nos EUA. Era uma colecção de estrelas, na maioria já veteranas mas ele ainda no apogeu. Aqui está Seninho a marcar um grande golo após um toque genial do monumento Cruyff, num jogo contra uma selecção mundial.

Seninho morreu hoje. As minhas condolências a todos que, como eu, dele foram admiradores. E, claro, de modo especial, à sua família e amigos.

Pedro LEÃO Lima

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Estou (acho que estamos todos, sportinguistas ou não) consternado.

Partiu um dos nossos.

Partiu um dos que vibravam na bancada com as nossas vitórias, um que como nós chamava uns nomes queridos aos árbitros, mas acima de tudo um indefectível LEÃO.

Um actor multifacetado, um atleta medalhado e olímpico, um homem com valores.

Não quero alongar mais este postal.

Pedro Lima, meu amigo LEÃO, a cada um que cair, outro se levantará! Tu entendes.

Teresa Machado

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Com apenas 50 anos morreu Teresa Machado, ímpar figura do atletismo nacional e, sem qualquer dúvida, uma das grandes figuras da secular história do Sporting. O nosso És a Nossa Fé já como tal a havia consagrado, num belo texto de João Paulo Palha (em 26.8.2014). Aqui o reproduzo parcialmente, forma de comovida homenagem à nossa extraordinária campeã, por duas vezes galardoada com o Prémio Stromp, a forma máxima do clube reconhecer os que reclama como seus.

[É] um dos mais altissonantes nomes dos anais do Sporting Clube de Portugal e deste fabuloso desporto no nosso país: Teresa Machado. Não fora o esmagamento a que o futebol sujeita qualquer outra actividade desportiva em Portugal e escrever um texto sobre esta fantástica atleta seria bem mais exigente, já que obrigaria a um esforço suplementar de pesquisa e a um especial vigor da imaginação. Seria como escrever sobre Luís Figo, Cristiano Ronaldo, Mário Coluna ou Eusébio, saber-se -ia  quase tudo sobre ela e eu seria forçado a procurar estes e aqueles detalhes mais incógnitos ou obscuros.

Assim, com a vida facilitada pelo desconhecimento geral de um nome que não está ligado ao futebol - não quero com isto dizer que o mal esteja radicado nos leitores ... ele está, antes, no clima criado, acima de tudo, pela imprensa desportiva, cujos critérios mercantilistas, muito mais do que quaisquer outros, se é que estes existem, trucidam implacavelmente tudo o que escape ao dia a dia em redor do sacrossanto e adorado esférico - basta-me fazer uma resenha dos triunfos e resultados obtidos por esta nossa inacreditável atleta para que qualquer interessado fique, como eu, imediatamente convencido da elementar justiça de a colocar entre as grandes figuras da história do Sporting Clube de Portugal.

Teresa Machado veio para o Sporting aos 17 anos de idade, em 1986, ano em que, representando o Galitos - centenário clube e relevantíssima instituição aveirense, em que vale a pena pôr os olhos - foi pela primeira vez campeã nacional de lançamento do disco. Até ao final da sua carreira, foi campeã nacional de peso e disco por cinquenta e três vezes (53!), dezasseis vezes no lançamento do disco, dezoito no do peso e dezanove no do peso em pista coberta. No decurso dos dezassete anos em que representou o Sporting, entre 1986 e 2003 - a excepção foi 1994, ano em que os muitos problemas financeiros que afectaram o clube a levaram a praticar o atletismo ao serviço da Junta de Freguesia de São Jacinto - Teresa Machado conquistou quarenta e quatro títulos nacionais. A lista  das suas vitórias, recordes nacionais e participações em competições internacionais não pode ser minimamente exaustiva num texto deste género. Aconselho, por isso, os mais interessados a recorrerem à WikiSporting, cuja involuntária ajuda muito agradeço, para se porem a par de um historial de tirar a respiração.

Teresa Machado, além da conquista dos campeonatos nacionais acima referidos, participou nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Atlanta, Sidney e Atenas,  em sete Campeonatos do Mundo, em três Campeonatos da Europa, em cinco Campeonatos Ibero-Americanos, em cinco Challenges e Taças da Europa de Lançamentos, em dezoito Taças da Europa (em Peso e Disco), num Campeonato do Mundo de Juniores e num Campeonato da Europa de Juniores. Tudo isto,é claro, sem falar de uma grande série de importantes eventos desportivos internacionais que, no currículo de qualquer atleta, serão mencionados com justificadíssimo alarde.

Se nos campeonatos Ibero-Americanos Teresa Machado nos brindou com excelentes vitórias, tendo ganho a medalha de ouro do lançamento de disco em 1990, em Manaus, a medalha de ouro, também do lançamento do disco, em 1994, em Mar del Plata, a medalha de ouro, ainda do lançamento do disco, em 1998, em Lisboa, e a medalha de bronze do lançamento do peso, igualmente em 1998, em Lisboa, já nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos do Mundo pareceu, quase sempre, atingida por síndrome idêntica à que travou a, mesmo assim, extraordinária carreira internacional de outro dos maiores nomes da história do Sporting, o do inesquecível Fernando Mamede. Apesar desta limitação, Teresa Machado conseguiu um 10º lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta e um 11º nos de Sidney, um 6º no Mundial de Atenas e um 10º no de Paris e, ainda, um 7º e um 9º lugares nos Europeus de Munique e Budapeste, respectivamente. Repare-se que estamos a falar dos lançamentos do disco e peso, provas de enorme dificuldade técnica que, muito mais do que hoje, levantavam grandes problemas aos atletas nacionais.

 

 

Se nos propusermos falar de recordes nacionais, salientemos, não nos preocupando com os tantos e tantos que Teresa Machado bateu ao longo da sua carreira e já passaram à história, os que ainda estão em vigor: peso, 17,18 m, em 1996; peso em pista coberta, 17,26 m, em 1998; disco, 65,40, em 1998; peso, sub 23, 16,46, em 1991; peso, juniores, 15,54, em 1988; peso em pista coberta, sub 23, 16,41, em 1990 e peso em pista coberta, juniores, 15,69, em 1988. Repito, trata-se de recordes que ainda perduram, como os mais desconfiados ou incrédulos podem verificar no site da Federação Portuguesa de Atletismo. Sublinho, já que estou a falar em recordes nacionais, que Teresa Machado também chegou a ter o do lançamento do martelo. Quase me esquecia de o mencionar, por aqui se vendo a importância que mais um ou outro máximo vem a ter na avaliação final da carreira da atleta.

A vida de Teresa Machado dava um filme. Os interessados podem vê-lo no site Atletismo Estatística, em que Manuel Arons de Carvalho desenha com brevidade a história desportiva da nossa grande atleta. Como conta este jornalista, em toda a sua carreira, aqui se incluindo os dezassete anos no Sporting, Teresa Machado manteve-se sempre em Aveiro, onde, inicialmente trabalhava numa fábrica de confecções, sem nunca deixar de ser orientada pelo seu primeiro e único treinador, Júlio Cirino. Chegou a treinar-se num jardim público, a tomar cuidado com os seus utentes, treinou-se num parque de estacionamento, com Júlio Cirino a dar-lhe orientações pela janela do seu escritório, e conseguiu, finalmente, que lhe cedessem um areal vedado, ao pé da lota do peixe da Gafanha da Nazaré.

Por motivos que desconheço, Teresa Machado, ao fim de dezassete anos no Sporting, acabou por ir parar aos Açores, onde, durante quatro anos, representou o Clube Operário Desportivo. No final da carreira, ainda esteve um ano no F.C. Porto, ao serviço do qual, já com quarenta anos, ainda foi a terceira melhor portuguesa no lançamento do disco.

Não tenho quaisquer dúvidas sobre o que está reservado, na história do Sporting Clube de Portugal, para esta  excepcional desportista, que foi distinguida, entre outras honrarias, com dois Prémios Stromp, em 1988 e 1997. Um lugar dos mais altos, como é óbvio.

No país das maravilhas

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"Não há eleições!

D. Sebastião volta para a semana!"

Esta é a capa de um dos primeiros livros de Vasco Pulido Valente (VPV), estava (estou) a relê-lo.

A notícia de hoje apanhou-me de surpresa.

Todas as mortes nos apanham nos apanhavam de surpresa (a partir de ontem vamos poder morrer com hora marcada e convidar familiares e amigos para a festa).

Conheço o Vasco desde que comecei a ter uma opinião política, muito cedo, tenho irmãos mais velhos e o 25 de Abril para os miúdos que nasceram nos anos sessenta era um Benfica vs. Sporting; muita paixão, muita luta, sem cinzentos. Branco, negro, a favor, contra.

Vasco foi um dos que me ensinou a ver outros caminhos, ainda criança, oito, nove anos já recortava artigos dele no Diário de Notícias, mais tarde, lia-o n' O Independente e na K (capa), no Público, também.

O que tem isto a ver com desporto, nada. Ou então; tudo! (hesitei na pontuação, não é canónica, é a que melhor expressa o que quero dizer e faz "pendant" com a pichagem).

Vasco queixava-se muito dos jogos do Benfica, dos vândalos, suevos e hunos que estacionavam em cima dos passeios e lhe bloqueavam a garagem nos dias de jogo do "glorioso" na Luz; enfim, não seria racismo lampiónico mas era má educação.

Deixo-vos com um extracto de um texto de VPV publicado no Diário de Notícias em 17 de Junho de 1977, chamado: Ressaca de Feriados.

«Neste bem merecido repouso dos insanos trabalhos da revolução, da democratização e da produção, a vida política séria e dura ficou suspensa.

O Portugal oficial reconquistou Camões à reacção e falou de História com H grande.

É, de facto, curiosa esta obsessão da retórica dominante com a História maisculada, imaginária ou ideológica, quando a conhece tão mal, despreza tanto o seu passado e o estuda tão pouco.»

Para terminarmos e num apelo ao civismo neste fim-de-semana, ponte, "feriado", o último parágrafo da referida crónica de Vasco:

«E lamentemos também aquele País que se precipitou para as estradas, na ânsia de gozar, com feridos e mortos, os absurdos "feriados de Junho". Nestes loucos anos setenta, já não se distingue bem o que é pura irresponsabilidade e o que é o medo dos dias que hão-de vir.».

Duas ideias fortes:

- Eleições, não. Dom Sebastião volta para a semana.

- Já não se distingue bem o que é pura irresponsabilidade e o que é o medo dos dias que hão-de vir.

Jordão.

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Obrigado, Rui Jordão (Benguela, Angola, 9/8/1952; Cascais, Portugal, 18/10/2019). Um verdadeiro craque que nos deu muitas alegrias e que manteve sempre uma postura impecável depois do adeus ao futebol. Sem manchar a sua carreira, sem entrar em polémicas e sem sujar o nome e os valores do clube. Será sempre uma lenda para nós, Sportinguistas.

Cresci a vê-lo jogar com a nossa camisola e a marcar dezenas de golos, sempre com muita elegância e sobriedade. Fui a Alvalade muitas vezes por causa dele, tenho algures o seu autógrafo recolhido à porta da 10A.

Espero que o Sporting Clube de Portugal, mesmo estando a passar por um dos períodos mais tristes da sua História, saiba reconhecer o verdadeiro valor deste homem. E honrar a sua memória.

A queda de um Leão

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Hoje não escrevo sobre futebol, jogadores, treinadores ou presidentes, mas sim sobre o Clube, a associação de pessoas para um fim comum ou com um interesse partilhado.

Sempre defendi que nem todos estão à altura de serem adeptos do Sporting Clube de Portugal porque é um clube onde imperam os princípios básicos de respeito pela sociedade.

O princípio do ganhar a qualquer custo ou do vale tudo não está no nosso ADN. Também não somos arrogantes, elitistas ou pedantes, apenas olhamos para o desporto da única forma possível, a correta.

É um Clube aberto a todas as classes sociais, onde gravitam ilustres conhecidos e desconhecidos, mas todos dão o seu contributo para a riqueza da sociedade e da instituição.

Hoje despeço-me de alguém que não conheci, mas que sempre demonstrou o que significa o espírito do Sporting Clube de Portugal.

Saudações Leoninas para o eterno Leão Alexandre Soares dos Santos.

Morreu Waseige

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Sabemos hoje da morte do senhor Robert Waseige, com longa carreira em clubes belgas e na seleção (orientou a Bélgica no Mundial de 2002 que contava com o ex-leão campeão Mpenza). Cruzou-se com o nosso Sporting no verão de 1996, altura em que o presidente José Roquette e o diretor desportivo, Luís Norton de Matos, acharam boa ideia ir buscar o treinador de 57 anos ao Charleroi. Trouxe De Wilde e Missé Missé. Mas mais importante do que tudo, trouxe o marroquino Hadji e lançou Beto (contra o Metz de Didier Lang, para a Taça UEFA), capitão e figura central, anos a fio e hoje, team manager. As minhas condolências.

Doutor Peres

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Quando regressou a casa após um "exílio" na Académica Peres recebeu da bancada de Alvalade a alcunha de "Dr. Peres." Como de costume na ironia resguarda-se a verdade. A sua atitude assertiva dentro e fora do campo, a frieza que trazia ao jogo, faziam dele uma figura dominante e doutoral, que percebia tudo e punha tudo a funcionar. Isto não desencadeava paixões mas poucos terão sido mais respeitados do que ele. O título de "Dr. Peres" exprimia a distância e a consideração que havia entre ele e os adeptos. Com Peres era claro: não era ele que tinha de nos agradar, nós é que tínhamos que lhe agradecer. E a verdade é que havia quase sempre razão para isso e Peres nunca nos ficou a dever.

Que saudades desse Sporting. 

Hóquei em patins 1977

A minha homenagem a João Sobrinho, enorme atleta do Sporting recentemente falecido, que poderemos ver em acção neste resumo da mítica 2ª mão da final da taça dos campeões europeus em 1977, brilhantemente conquistada pelo nosso clube. Assisti ao vivo à primeira mão em Alvalade e pela RTP a esta transmissão que encheu de alegria todos os sportinguistas. Vale a pena recordar.

Silêncio ensurdecedor!

Vou a Alvalade há muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuitos anos.

De quando em vez lá temos que fazer um minuto de silêncio. Que eu sempre respeito.

Normalmente as claques não. Erradamente, afirmo eu!

Mas ontem o estádio ficou em silêncio durante 1 minuto. Todos. Sem excepção.

Acreditem que até me arrepiei ao escutar o silêncio de mais de 42 mil vozes.

Obrigado Sportinguistas!

In memoriam!

Se houve alguém que me marcou, foi ele.

Se houve alguém muito grande neste país, foi ele.

Se houve alguém que todos desejavam ser, foi ele.

Se houve alguém que amou o Sporting, foi ele.

Se houve alguém a quem o país mais deveu, foi ele.

Se houve alguém que foi o expoente máximo do lema do Sporting, foi ele!

Jamais o esqueceremos, Professor, jamais!

 

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