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És a nossa Fé!

Um pequeno parêntesis

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Morreu hoje um génio do futebol português e mundial.

Tão precocemente e lembrando-nos que o que por aqui passamos são apenas umas férias, para uns agradáveis, para outros nem tanto.

Creio que poderei incluir todos os autores do És a Nossa Fé na prestação da merecida homenagem e das condolências à família.

Desta vez o drible com que enganavas os adversários, não resultou.

Descansa em paz, Fernando.

Jorge Sampaio em Maputo

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(Hilário, Chissano, Sampaio, ColunaAcúrsio, Eusébio, Vicente, Maputo, Abril 1997, fotografia de Jorge Brilhante)

Em 1997 o Presidente Jorge Sampaio visitou Moçambique, fazendo-se acompanhar de uma grande comitiva. A viagem foi uma assinalável sucesso, muito potenciando as relações entre os dois países, então ainda algo maceradas pelo processo de descolonização e pelos constrangimentos do subsequente processo político moçambicano. Nessa comitiva presidencial iam 4 futebolistas nascidos em Moçambique - também servindo de representantes simbólicos dos "4 grandes" clubes: Hilário, Acúrsio, Eusébio, Vicente. E, claro, logo se lhes juntou Mário Coluna, o "Monstro Sagrado" - então presidente da Federação Moçambicana de Futebol. 

Nesse momento tive o privilégio de acompanhar esse magnífico Quinteto. E desde então não só reencontrei algumas vezes o nosso Hilário e o "King", Eusébio, como tive o privilégio de criar amizade, não íntima mas bastante convivencial, com o "Monstro", Coluna. Conheci-os num almoço na popular cervejaria Piripiri, prévia a uma passeata pela Baixa da cidade na qual acompanharam o presidente Sampaio. Pude então perceber algumas das características do político: eu já vira Soares em Luanda, num notável desempenho patenteando uma extroversão verdadeiramente carismática. E viria a ver Cavaco Silva em Moçambique, num perfil público muito mais rígido, o qual sempre me pareceu muito mais o de um homem em luta com a sua timidez do que efeitos de uma concepção hierática da sua função. Sampaio era diferente, não exactamente um homem de rua ou de palco, pois não um carismático. Mas apresentando uma bonomia tão explícita que era recebida pela população como uma simpatia natural, à flor da pele. Assim encarnando a confiança.

Voltou a Maputo em 2001 para uma das cimeiras da CPLP, numa era em que estas congregavam mesmo os chefes de Estado. No nosso caso numa chefia bicéfala, pois para o efeito agregávamos o PR e o PM, naquele tempo Guterres. (Re)Vi Sampaio numa recepção à comunidade portuguesa, à qual acorreram cerca de 3000 pessoas. Enquanto ele circulava entre nós fui rodeado por vários compatriotas. Ocorrera-lhes que seria aquele o bom momento para fazer chegar ao presidente um ror de preocupações que tinham - impostos aos emigrantes, taxas de importação de veículos, apoios à comunidade, etc. E passara-lhes pela cabeça que seria eu um bom porta-voz para as colocar, dado que conhecia algumas das pessoas que ali o circundavam. Resisti, num "era só o que me faltava...", insistindo que "isso são coisas para colocar aos deputados, ao secretário de estado, ao cônsul..." mas não os consegui desiludir, insistentes num "vá lá, Zé Teixeira" e sem de mim se apartarem.

Passado algum tempo, mantendo-me eu de copo de vinho na mão e tasquinhando o queijo da serra e o presunto gentilmente disponibilizados, o Presidente Sampaio foi-se aproximando da nossa zona. Recrudesceram os patrícios nos seus incentivos à minha capacidade reivindicativa. Assim sendo, e ao estar aquele Grande Sportinguista já à distância de apenas duas braçadas roguei-lhe "dá-me licença?, Senhor Presidente, posso-lhe fazer um pedido?", ao que ele, arvorado com um sorriso aberto, logo ripostou "claro, em que lhe posso ser útil?".

"- Ó Senhor Presidente, por favor, use a sua influência para fazer as pazes entre o dr. Roquette e o dr. Luís Duque" (então desavindos na nossa Direcção). Riu-se, abertamente, elevando as mãos em sinal de impotência e ripostou "Ó Homem, isso está bem acima dos meus poderes...". E deixou-nos uma dúzia de palavras de circunstância, logo seguindo na sua ronda entre nós, aqueles milhares de convivas.

Os meus vizinhos, enfim, resmungaram um bocado comigo...

Jorge Coelho, Leão de sempre

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Cheguei a sugerir aqui que ele daria um bom presidente do Sporting. Já lá vão oito anos. Um dia, depois disso, perguntei-lhe se não estaria nos seus planos ser líder leonino. Respondeu-me de imediato: «Meu amigo, nem pense nisso... para desgaste rápido, já me bastou andar tantos anos na política activa.»

Mas vibrava e sofria pelo nosso clube: era um Leão de gema. Integrou o Conselho Leonino até à extinção deste órgão e nunca deixou de ter lugar na bancada em Alvalade. 

Escrevo estas linhas apressadas ainda em choque ao tomar conhecimento da morte súbita de Jorge Coelho, que conhecia desde 1988 e com quem convivi de perto em dois continentes, nas mais diversas circunstâncias que sempre nos aproximaram e nunca afastaram. Presto sentida homenagem à sua memória, convicto de que no lugar onde estiver, a partir de agora, não deixará de celebrar também a próxima conquista deste nosso emblema a que jurámos amor para a eternidade.

Dez anos sem Artur Agostinho

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Faz hoje dez anos, morria em Lisboa um dos mais carismáticos sportinguistas de todos os tempos - o grande Artur Agostinho, figura popularíssima do desporto, do cinema, da rádio e da televisão. Além de se distinguir na imprensa desportiva: durante mais de uma década, entre 1963 e 1974, dirigiu o jornal Record. Também esteve à frente do jornal do nosso clube. Que era o clube dele. Leão de gema, com o coração verde e branco.

Muitos de nós recordaremos para sempre os seus vibrantes relatos radiofónicos em tardes de futebol e os programas em que deu a cara anos a fio na RTP - concursos, festivais da canção, séries, telenovelas e a apresentação do saudoso Domingo Desportivo, onde se falava da modalidade que mais nos apaixona mas sem insultos nem gritos. Ao contrário do que hoje sucede, serão após serão, em canais nada recomendáveis.

No papel mais memorável de todos quantos protagonizou durante uma carreira profissional que se prolongou por sete décadas na comunicação e no espectáculo, fazia de motorista. Contribuindo para o êxito d' O Leão da Estrela original, realizado em 1947 por Arthur Duarte. Nesse filme, cheio de cenas hilariantes, há um diálogo delicioso entre António Silva, que fingia ser seu patrão, e Artur Agostinho, que fingia ser chofer do outro. 

Discutem. Às tantas, o primeiro agarra-lhe no casaco e descobre um emblema do Sporting. E logo a discórdia dá lugar a um abraço cúmplice. Com o genial António Silva (também sportinguista na vida real) a rematar assim: 

«Se é Leão, é um homem de bem!»

 E era mesmo.

 

Forever and ever

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Felizmente Maria José Valério (hoje falecida, vítima do malfadado coronavírus que há um ano nos virou a vida do avesso) foi várias vezes mencionada neste blogue. 

 

Só alguns exemplos:

A 16 de Janeiro de 2012, ela viu-se brindada com este postal

A 13 de Fevereiro de 2012, foi incluída na rubrica «Leões de Sempre» . Uma leoa, neste caso.

A 7 de Maio de 2013, recebeu os merecidos parabéns pelas suas 80 primaveras.

A 6 de Maio de 2015, nova menção especial, a pretexto do seu 82.º aniversário.

A 6 de Maio de 2017, recebeu aqui "um beijo muito especial", também em dia de aniversário.

 

Como sempre pensei, as homenagens devem ser feitas em vida. Ao contrário do que sucede em Portugal, onde calamos elogios quando as pessoas estão connosco e só decidimos enaltecê-las quando já cá não se encontram.

Ela deixou-nos, mas a marcha que imortalizou permanecerá connosco. Para sempre.

Um beijo eterno, querida Maria José.

 

Eu odiava este gajo

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Sigo esporadicamente o andebol do Sporting, mas não perco um clássico.

Não acompanho as contratações e movimentos de jogadores no Sporting e noutros clubes.

"Em verdade vos digo" que nem sequer conheço todos os jogadores de andebol do Sporting e se calhar até me fica mal dizê-lo aqui, em público, mas no início da década passada, dava-me cá uns nervos, de cada vez que defrontávamos o Porto... Os gajos apresentaram um redes alto e esguio que fazia defesas impossíveis e aqueles remates que a gente gritava "golooooo", o gajo ia lá buscar a bola como que por artes mágicas. E se perdemos jogos só pelas defesas daquele mulato, caramba!

E eu durante uma hora chamava-lhe tudo, mas cá com uma inveja de ele não ser dos nossos...

O que é certo é que passados uns anos passou a ser mesmo dos nossos, de Portugal, e passeou classe por esses pavilhões onde a nossa selecção convenceu, mesmo às vezes não vencendo.

Eu odiava aquele gajo durante o tempo de jogo em que nos defrontava. Mas o gajo era mesmo bom. Consta que como pessoa era também um rapaz bom, ou não fosse cubano (desculpem-me, mas tenho muitos amigos cubanos e a bondade e a simpatia são uma qualidade associada).

E assim, sem mais nem menos, partiu. De forma estúpida, sem sentido, quando tinha a vida pela frente. Tem(tinha) a idade do meu filho mais novo.

Morreu numa idade em que deveria ser proibido morrer.

Que descanse em paz, com toda a minha admiração e a revolta da enorme injustiça que é privar-nos da sua magia em campo.

A minha enorme vénia e pesar, Alfredo Eduardo Quintana Bravo.

Alberto Matos

Tarde soube da morte de Alberto Matos. Hoje teria sido um atleta de craveira mundial, mas naqueles tempo ante-diluvianos, abeirava-se do fim a era amadora do atletismo, a sua formidável estampa física, o seu determinado espírito competitivo e uma imperturbável capacidade para enfrentar os desafios com descontração e prazer (como se sabe a excelência é inacessível aos tensos e ansiosos) bastaram para que fosse o incontestado soberano dos 110 barreiras sem prescindir de ser boémio e dandy. Um exemplo de atleta, portanto.
Entre Alberto Matos e até que chegasse outro de igual nível como João Lima os 110m barreiras ficaram entregues a um junior já com a cabeça noutras andanças  e não muito decidido a tentar realizar as promessas que viram nele.
A modalidade evoluiu, talvez não tão proveitosamente como outras do atletismo português, mas nada tirará a Alberto Matos a proeza de por nove vezes consecutivas ter batido o record nacional.

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Ennio Morricone

Faleceu hoje o compositor italiano Ennio Morricone, autor de inúmeras bandas sonoras inesquecíveis que fazem parte do nosso imaginário.

Destaco esta, o tema de abertura da série italiana «La piovra», em português «O polvo» - transmitida em Portugal nos finais dos anos ’80 e retrata a luta de um inspector de polícia e a sua luta contra a máfia.

Creio que esta banda sonora seja a que melhor se adequa ao futebol português.

 

Foi com a música deste compositor e a voz de Dulce Pontes que o novo Estádio de Alvalade foi inaugurado.

A nossa homenagem!

{ Blog fundado em 2012. }

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