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És a nossa Fé!

Consistência

Poder-se-ia falar da desilusão de Ilori, um bailarino que não sabe onde se pôr ou quem marcar, como tão bem demonstrou no golo do Villareal. Ou de Phylippe, ou lá como ele se chama, que ainda não deixou de ser um jogador de 2ª divisão. Ou de Bas Dost que fez de Bryan Ruiz mesmo no final do jogo. Mas a verdade é que há coisas que não mudam, como Jefferson por exemplo. Dele saberemos sempre que será infinita e consistentemente estúpido.

 

Vamos lá deixar-nos de merdas ...

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Abaixo o António F. coloca esta foto num postal em que anuncia que está a brincar. Pois eu "roubo" a foto e aviso que não estou a brincar. Ilori despontou há alguns anos. Muito jovem foi promovido à equipa sénior e augurou-se-lhe uma bela carreira. De imediato quis sair do clube, e fez imensa pressão para isso. Dir-se-á que é normal, que os jovens são ambiciosos, que uma transferência para o campeonato inglês é apetecível. E que um convite do lendário Liverpool é (quase) irresistível. Concedo. E também concedo (e já o botei aqui) que algo se passa há largos anos no clube, pois é recorrente que os jovens da formação queiram sair a todo o custo, o que não acontece exactamente assim nos clubes rivais. Serão as perspectivas de futuro, a disposição de integração no plantel sénior, será o ambiente geral, será alguma discriminação (estatutária e económica) face a jogadores que chegam de fora. Não sei, são possibilidades. Mas o que é certo é que Ilori não saiu propriamente a bem. A carreira não lhe correu grande coisa. Passados anos o Sporting decide "repescá-lo". Há quem torça o nariz, será que se justifica, em termos futebolísticos? Outros resmungam, lembrando o tal desagradável processo de saída. Eu não tenho nada contra, já a Bíblia fala do regresso do filho pródigo, e como foi recebido de braços abertos.

Agora que um tipo que tem esta relação com o clube regresse e que no primeiro jogo, que é na Luz contra o "eterno rival", e logo depois de um muito aziago jogo em Alvalade contra o mesmo Benfica, não tenha sequer a sensibilidade, a amabilidade, o apreço pela simbologia do clube que o formou, viu partir e o fez regressar, e que se apresente calçado de vermelho? Dirão alguns que são pormenores. Outros falarão de "compromissos publicitários". Eu não aceito. Em boa linguagem de bola digo o que é verdade: Ilori está-se a cagar. E deixemo-nos de merdas, isto nunca aconteceria num F. C. Porto. É a tal mentalidade, aquela que permite estruturar instituições e levá-las ao sucesso (desportivo, neste caso). Começa por respeitá-las, mostrando-o com grandes gestos, de arreganho e entrega. E pequenos gestos, de gentileza e comunhão. Como mudar a cor das botas num primeiro jogo depois de todo este historial. 

A porta da rua é a serventia. De Ilori. Agora será no final da época. E é evidente que se em toda a estrutura do clube não há alguém o resmungão o suficiente para lhe dizer "Ó Ilori tem juízo, vai mas é calçar outras botas" há muita gente que terá que sair. Ou alguém que deverá entrar, para criar tino naquilo.

Quente & frio

Gostei muito do golo marcado por Bruno Fernandes na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, ontem à noite, frente ao Benfica no estádio da Luz. Foi o melhor golo do desafio, que perdemos por 1-2. Marcado de livre directo, a 30 metros das redes. Um tiraço do nosso capitão, sem defesa possível para o guarda-redes Svilar, dirigido ao canto superior mais distante da baliza. Um livre que nasceu de uma falta sobre o próprio jogador, que foi o nosso melhor em campo neste clássico em que saímos novamente derrotados: segundo desaire consecutivo perante o nosso mais velho e histórico rival.

 

Gostei de ver o Sporting em cima da baliza benfiquista no quarto de hora final, quando o treinador Marcel Keizer apostou sem complexos num 4-4-2, reforçando o ataque com a entrada de Bas Dost, que a partir dos 76' fez parceria com Luiz Phellype (e quando este saiu, aos 90', com Raphinha), completada por Diaby numa espécie de tridente. Foi nesse período que nasceu o nosso golo, marcado aos 82'. E poderia ter ocorrido outro, empatando-se a partida, se o árbitro não anulasse, mesmo à beira do fim, um lance ofensivo leonino por uma pretensa carga de Dost sobre Svilar que nunca existiu. Isto num jogo em que alinhámos sem Mathieu, Nani e Ristovski.

 

Gostei pouco da prestação do colombiano Borja, reforço de Inverno para a nossa lateral esquerda, em estreia absoluta de verde e branco no onze titular escalado por Keizer para este desafio. Naturalmente sem rotinas defensivas, teve responsabilidades directas nos dois golos encarnados: no primeiro, aos 16', foi incapaz de fechar o corredor por onde penetrou Salvio; no segundo, aos 63', estava muito mal posicionado e deixou João Félix centrar como quis. Apesar destes lapsos com indiscutível gravidade, revelou bons pormenores de ordem técnica, mostrando vocação atacante e capacidade de criar desequilíbrios. Merece o benefício da dúvida.

 

Não gostei de saber que a segunda mão desta meia-final, a disputar no nosso estádio, só vai realizar-se a 3 de Abril. Um absurdo, estes dois meses de intervalo: é uma decisão ridícula da Federação Portuguesa de Futebol, organizadora da Taça de Portugal. De qualquer modo, o Sporting mantém em aberto todas as possibilidades de passar à final da competição. Bastará vencermos o Benfica por 1-0 em Alvalade. Será que nessa altura ainda contaremos com Acuña? Actuando como médio-ala, o argentino foi um dos nossos melhores nesta primeira mão.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte. Com desempenhos desastrosos no reduto defensivo, sobretudo de Bruno Gaspar, que voltou a ser ultrapassado várias vezes no seu flanco, nomeadamente no golo inaugural dos encarnados, em que escancarou ma avenida para o golo de Gabriel, e do regressado Ilori, que fez parceria com Coates no eixo da defesa e revelou uma arrepiante fragilidade, culminada num autogolo que ditou a nossa derrota. No meio-campo voltou a imperar a mediocridade de Gudelj na posição de médio defensivo, incapaz de travar o ímpeto encarnado e de contribuir para o início de lances ofensivos: o primeiro golo do SLB nasce de uma bola perdida por ele. Nestes primeiros 45 minutos revelámos fragilidades colectivas, concedemos demasiado espaço aos adversários nas alas, fomos incapazes de ganhar segundas bolas e sair em construção organizada, não dispusemos de um único canto e só conseguimos um remate enquadrado (por Bruno Fernandes). Também não gostei nada de um golo desperdiçado por Wendel que, isolado por Acuña e tendo apenas Svilar pela frente, rematou frouxo e muito ao lado no minuto 57. Nem da passividade do treinador, que a perder por 0-2 - frente a um adversário banal, sem Vlachodimos, Fejsa nem Jonas e um puto estreante no eixo da defesa - só aos 71' começou a mexer na equipa. Menos ainda gostei de ter perdido pela segunda vez em quatro dias com o Benfica, com um saldo muito negativo: três golos marcados e seis sofridos. E de só termos vencido, no tempo regulamentar, um jogo dos últimos oito que disputámos.

Era escusado

O final da época passada foi o que foi. Passou.

A contratação de Peseiro terá sido a contratação possível, dentre um leque de treinadores habituados aos grandes. Não correu bem, ou pelo menos não correu como gostaríamos e foi substituído por um holandês de que quase ninguém tinha ouvido falar e que nos entusiasmou a todos nos primeiros jogos e que até já conquistou um troféu, apesar de todos, do presidente ao mais novo associado, sabermos que a equipa é curta.

E agora temos indo às compras. Tenho muita esperança no novo Doumbia, eles no youtube são todos bons, mas neste tenho fé, prontes! E agora um defesa esquerdo mexicano, um Borja, o que poderá ser um bom cartão de visita, um deles chegou a papa...

Comprámos no entanto um defesa central também. Para substituir um rapazinho turco, Demiral, que mandámos embora por dez réis de mel coado e que parecia ter um futuro risonho à sua frente. É assim, somos pródigos em descartar os miúdos que formamos e da bancada exigir-lhes a lua ou arrasá-los com assobios se ficam a meio caminho. Comprámos um defesa central, repito. Mas não comprámos um central qualquer, comprámos um que já por cá esteve e que também augurava um belo futuro. Tão belo que teve à sua procura o Naitede, o Shelce, o PSD, o Tothaname, o Náples e até o Barce, mas acabou na cidade dos bitles no Livérpul, vendido a ferros por 7,5M€. O curioso é que o trajecto deste rapaz foi o inverso que tinha até chegar à primeira equipa do Sporting, foi sempre a descer até acabar vendido ao Reading, de onde agora chega, completamente desvalorizado. Não veria mal na contratação, se se tratasse de um jogador "normal", mas não. Não posso deixar de recordar as circunstâncias da saída, a forma como jogador e empresário forçaram um negócio ruinoso para o clube e a triste (não quero adjectivá-la de outra forma) entrevista onde diz que não se importava de estar dois anos sem jogar, se não tivesse conseguido sair. Quero dizer que nada tenho contra o rapaz, que toda a gente tem direito a uma segunda oportunidade, que desejo que seja muito feliz no Sporting que é sinal de que foi útil ao clube, mas o que questiono é a qualidade actual de Ilori. Convém lembrar que foi descendo até à zona de despromoção à terceira divisão inglesa e isso talvez não seja grande cartão de visita. Quanto à atitude que teve na altura e antecipando-me já a alguns comentários merdosos, lembro o que dissemos aqui, alguns autores e muitos comentadores sobre Carrillo, que preferiu não jogar a renovar contrato e até foi para o nosso mais directo rival.

Era escusado. Demiral fazia o lugar, está numa fase ascendente da sua curta carreira e a direcção ao optar por Ilori, põem-se a jeito para críticas desnecessárias. Repito, era escusado. Sem mais qualquer qualificação, que não a quero nem devo dar, a bem da pacificação.

Hoje giro eu - Keizer, o encantador de leões

As notícias de hoje indicam que Bruno Paulista, emprestado ao Vasco da Gama, e Tiago Ilori, anteriormente vendido ao Liverpool e actualmente no Reading, podem estar de regresso a Alvalade. A novidade primeiro estranha-se, mas depois começa a fazer algum sentido. Tal como Sérgio Conceição, que reabilitou jogadores como Marega, Aboubakar, Oliver Torres, Adrián Lopez ou Herrera, Marcel Keizer tem vindo a aproveitar futebolistas que já eram dados como descartáveis e a melhorar outros. Wendel, para quem o dialecto de JJ era mandarim e que, mais tarde, também não se enquadrou na táctica do pudim Molotov, de Peseiro, mostra-se agora perfeitamente fluente em flamengo. "Muttley" Acuña impôs-se como um lateral esquerdo que morde as canelas aos alas adversários e ainda arranja tempo para impulsionar o ataque com cruzamentos cheios de raiva, algo para o qual a oposição ainda não encontrou a vacina adequada (tentarem expulsar o homem todos os jogos não conta). Bruno Fernandes, o MVP, parece bom demais para ser verdade e Miguel Luís vai crescendo e até já marcou dois golos na sua época de estreia. Até os "patinhos feios" Diaby, Gudelj e Bruno Gaspar parecem melhorar: o maliano é o jogador de King do baralho leonino. Ele, que em 17 jogos com Peseiro e Tiago Fernandes jogou para nulos, já marcou seis golos (10 jogos) nesta nova era de (números) positivos; o sérvio, é apesar de tudo mais intimidador (By the way, faz lembrar um Jigsaw bonzinho que dá mais opções de vida do que de morte aos seus adversários) como um "6" do que como um "8", posição à qual não dá a fluidez necessária; finalmente, o português, embora continue a apresentar um futebol sofrível, descobriu agora inimanigáveis artes no bilhar, o que já garantiu à equipa uma carambola decisiva.

Com estes exemplos de sucesso, como resistir à oportunidade de dar um novo fôlego à carreira destes dois ainda jovens futebolistas? Ilori é um jogador que perde frequentemente a concentração nos jogos, mas tem algo que parece faltar aos nossos centrais: é supersónico na recuperação defensiva. Limados os pontos-fracos, um perfil assim pode permitir à equipa subir a sua zona de pressão, a partir de um bloco defensivo colocado alguns metros à frente. Também Paulista pode vir a ser importante. Originalmente um "6" que Jorge Jesus insistiu em ver como um "8", o brasileiro tem capacidade de transporte de bola e de passe à distância, necessitando de melhorar a sua intensidade defensiva. Ambos são bons projectos a carecer de desenvolvimento, razão pela qual as suas carreiras ainda não explodiram. Mas, dado aquilo que vamos conhecendo neste mês e meio, haverá melhor treinador do que Keizer para potenciar o seu talento? É que, a continuar assim, o holandês ameaça transformar-se num encantador de leões.

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It's all about money

Na essência, o que distingue a tão pouco criticada saída de Leonardo Jardim da tão criticada saída de jovens jogadores como Dier, Ilori e Bruma?

Nada.

Pode-se discutir a forma como agiram, a integridade das declarações, os comportamentos mais ou menos adequados, e afins, mas no fim de contas, todos sairam pelo mesmo motivo. Dinheiro!

Inclusivamento considero que qualquer um dos três jogadores referidos tomou uma melhor opção de carreira que Leonardo Jardim (que neste momento treina um plantel de qualidade inferior ao do Sporting). Se foi enganado só tem que se demitir.

Ilori, o Sporting e a selecção

«Se tivesse oportunidade de jogar no Benfica ou no FC Porto, aceitaria?

Eu acho que nem posso [devido a uma cláusula no contrato]. Mas a verdade é que também não queria. O meu clube em Portugal é o Sporting.»

 

«Ainda considera a possibilidade de jogar por Inglaterra [ao nível da selecção]?

Penso apenas em jogar por Portugal e nunca falei com ninguém da selecção inglesa. É possível, porque tenho dupla nacionalidade e nunca joguei pela selecção A de Portugal, mas não é o que eu quero.»

 

Dois excertos da (boa) entrevista de Tiago Ilori hoje publicada no jornal Record.

Previsível

Ontem, noticiava a imprensa desportiva que Tiago Ilori vai ser emprestado para ganhar experiência.

Uma situação mais que óbvia vinda de um rapaz que tomou uma decisão completamente imponderada.

Provavelmente, irá ganhar experiência para um clube das divisões secundárias de Inglaterra. Caso tivesse sido mais inteligente, a esta hora, estaria a ganhar experiência no primeiro classificado da Liga. E, mais do que experiência, estaria a ganhar estatuto que poderia concretizar, efectivamente, num prazo curto.

São opções. Umas com desfecho mais previsível que outras.

Os nostálgicos

Os mesmos que não ousaram um sussurro crítico quando a anterior direcção do Sporting, confrontada com prementes problemas de tesouraria derivados de uma gestão caótica, despachou Emiliano Insúa por 3,5 milhões de euros, rasgam agora as vestes, em uivos de pretensa dor, porque o jovem Tiago Ilori acaba de ser transferido para o Liverpool por mais do dobro dessa quantia.

Compreendo quase todo o tipo de nostalgias. Mas sentir saudades do pior período de sempre da história do Sporting é algo que escapa à compreensão de qualquer ser minimamente racional. Seja de que clube for.

Aprender com os erros

Há elementares erros de gestão desportiva que não podem voltar a ser cometidos no Sporting. Lançar talentos formados pela nossa academia na equipa principal de futebol sem lhes garantir as devidas contrapartidas contratuais que salvaguardem os interesses dos jogadores e do clube a médio prazo é um desses erros que explicam as incertezas que estão a afectar jovens tão promissores como Ilori e Bruma.

É fundamental que casos destes não se repitam. E quero crer que com a actual equipa que gere os destinos do Sporting não se repetirão.

{ Blog fundado em 2012. }

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