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És a nossa Fé!

Balanço (12)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre IDRISSA DOUMBIA:

 

-  José Navarro de Andrade: «Corre à maluca atrás de todos os fogos e nunca volta à posição porque não a tem.» (19 de Agosto)

- Filipe Arede Nunes: «Tem evidentes carências técnicas e, devo confessar, quando estou a ver o Sporting, todas as vezes que o costa-marfinense toca na bola são para mim momentos de pânico e terror.» (8 de Novembro)

- Luís Lisboa: «Hoje gostei particularmente dos patinhos feios Ristovksi e Doumbia.» (16 de Dezembro)

Leonardo Ralha: «Incapaz de estar à altura do momento, perdeu a posse uma, duas, milhentas vezes, sendo certo que a sorte e os colegas impediram que os seus constantes erros tivessem as consequências catastróficas que poderiam ter.» (18 de Janeiro)

Eu: «Em vídeo, como costuma suceder com qualquer jogador, parecia melhor do que é: um trinco dotado de alguma competência para recuperar a bola mas depois incapaz de saber o que fazer com ela. Mediano, talvez apropriado para uma equipa sem aspirações a proezas nas competições futebolísticas, mas não serve para o Sporting.» (18 de Março)

- JPT: «Perdeu crédito. É uma pena, pareceu que iria crescer.» (12 de Julho)

Eduardo Hilário: «É esforçado, mas entendo que não chega para fazer parte do plantel. Mesmo assim, até posso ter alguma tolerância e aguardar mais um ano para decidir o que fazer com o jogador.» (5 de Agosto)

Os jogadores de Varandas (4)

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IDRISSA DOUMBIA

Não foi nada barato, trazê-lo para o Sporting. Idrissa Doumbia chegou a 15 de Janeiro de 2019, com um contrato válido até 2024, a troco de 4,3 milhões de euros, para a posição de médio defensivo. Um lugar que teríamos preenchido com vantagem se soubéssemos reter um profissional que formámos: João Palhinha, que está a brilhar no Braga.

«Tive propostas de outros clubes, mas era boa opção vir para cá», declarou à chegada o jovem jogador, agora com 21 anos. Natural da Costa do Marfim, Idrissa - o nome próprio serve para o diferenciar de Seydou Doumbia, avançado que viera 16 meses antes para Alvalade, onde nunca conseguiu mostrar dotes como goleador, e acabara de partir - ficou garantido com uma inútil cláusula de 60 milhões de euros que clube algum accionará.

Os treinadores, de Keizer a Silas, apostaram nele. Sem Palhinha, e com Battaglia lesionado, o marfinense foi aparecendo como titular no meio-campo leonino. Mostrando-se esforçado, denotando ligeiras melhorias no plano táctico, mas com evidentes lacunas de base - sobretudo no capítulo técnico. Domina mal a bola, por exemplo. Tem dificuldade em fazer passes de ruptura. Revela-se incapaz de marcar golos. E recorre com irritante insistência à falta em zonas problemáticas.

Em vídeo, como costuma suceder com qualquer jogador, parecia melhor do que é: um trinco dotado de alguma competência para recuperar a bola mas depois incapaz de saber o que fazer com ela. Mediano, talvez apropriado para uma equipa sem aspirações a proezas nas competições futebolísticas, mas não serve para o Sporting.

Veio da Rússia, onde competia com a camisola do Akhmat Grozny, e muito provavelmente não permanecerá em Alvalade na época 2020/2021. Resta ver quem quererá ficar com ele. Os tempos, como sabemos, não são nada propícios a quem quer vender. Mais um motivo para que se recomende a máxima precaução no momento de comprar.

 

Nota: 4

Joguem à bola, pá!

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Não perdemos, mas foi a pior exibição do Sporting esta época - exceptuando o jogo em Alverca, de péssima memória, que nos afastou da Taça.

O Rio Ave-Sporting terminou apenas com dez da nossa equipa em campo, devido à expulsão (mais uma) do capitão Coates, e um sofrido empate 1-1 graças a um penálti aos 84' bem convertido por Jovane, um dos raros que fugiram à mediocridade.

 

Para se perceber melhor como foi confrangedora a exibição dos pupilos de Silas, vou descrever aqui, detalhadamente, quatro minutos terríficos em que o onze das riscas horizontais - um Sporting quase irreconhecível - acabou por ser protagonista pelos piores motivos.

 

Minuto 2

Filipe Augusto faz um cruzamento longo, da ala direita, a variar o flanco ofensivo. Ristovski, na sua zona de cobertura, falha o tempo de salto permitindo a Al Musrati cruzar para a área. Piazón, totalmente solto à boca da baliza, mete-a lá dentro. Coates estava junto ao primeiro poste, no segundo não havia ninguém. O estático Eduardo Henrique deixou-se antecipar por dois rivais, que baralharam marcações, e Neto limitou-se a ver.

Não tinha ainda decorrido minuto e meio de jogo e já perdíamos em Vila do Conde.

 

Minuto 27

Bolasie, sentindo-se bloqueado na ala direita do nosso meio-campo, atrasa para Ristovski e este endossa a Coates, que lateraliza para Neto. Este tenta progredir mas prefere devolver ao uruguaio, que deixa em Eduardo, com Ristovski desmarcado lá adiante. O ex-Belenenses toca a bola para Idrissa Doumbia, que logo a devolve. Eduardo deposita-a então em Neto, que avança três ou quatro metros antes de deixar em Idrissa, que não tarda a passá-la a Coates, como se ela lhe queimasse as chuteiras. Sem progredir com a bola, o capitão toca-a para Eduardo, que dá para Idrissa. Este, sempre de costas para a baliza, deposita-a nos pés do uruguaio, que volta a tocar para Neto, que torna a despejar para Eduardo.

Com tudo isto passou um minuto inteirinho. O Sporting perdia por 0-1 e mostrava-se incapaz de avançar no terreno.

 

Minuto 34

Neto atrasa para Max, que entrega com o pé a Eduardo. Este, colocado no corredor central, toca para Ristovski, que a restitui ao guarda-redes. Max passa a bola a Neto, que volta a confiá-la à guarda de Eduardo. Incapaz de progredir, o médio que veio de Belém devolve-a a Neto, que a entrega a Camacho, entretanto recuado na ala esquerda. Camacho roda e repõe em Neto, que logo volta a depô-la em Max. O guardião toca para Eduardo, que trota uns metros com ela mas ainda na meia-lua do nosso meio-campo deposita-a nos pés de um adversário. Rápida ofensiva vilacondense conduzida por Nuno Santos, solto no lado esquerdo, com Ristovski perdido lá na frente e Wendel incapaz de fechar o corredor.

O Sporting continuava a perder, mostrando-se totalmente incapaz de uma atitude competitiva. Havia "posse de bola", sim, como Silas tanto gosta. Mas não servia para nada.

 

Minuto 76

O Sporting, ainda a perder, precisa de procurar o empate. Borja, junto à linha já no meio-campo adversário, não consegue melhor do que atrasar para Neto. Este lateraliza para Ristovski, colocado junto à linha divisória do terreno. O macedónio coloca em Wendel, que atrasa para Battaglia. O argentino passa a Borja, que atrasa para Neto, no nosso meio-campo defensivo. O português toca para Wendel, que logo a devolve. Depois coloca-a em Plata, que devolve também. Neto volta a pô-la em Wendel, que insiste em atrasá-la no corredor central, parecendo alheado de qualquer desígnio atacante. Metro a metro, a equipa vai recuando. Neto ensaia então um passe longo, esticando a bola para Sporar, que não consegue dominá-la.

Perdeu-se mais um minuto, perdeu-se mais um lance que se pretendia ofensivo.

 

Para mais tarde recordar

Lembro qual foi o onze inicial escolhido por Silas para este jogo: Max; Ristovski, Coates, Neto, Borja; Idrissa, Eduardo, Wendel; Camacho, Bolasie, Sporar.

Sete destes jogadores já foram contratados pela actual administração da SAD.

Armas e viscondes assinalados: Mais duas tacadas para o buraco 19

Sporting 0 - Benfica 2

Liga NOS 17.ª Jornada

17 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Tivesse o "derby" apenas 79 minutos e teria saído de Alvalade com a sensação de dever cumprido, seja a disfarçar as gritantes e abissais insuficiências dos colegas de titularidade ou a retirar do relvado as tochas com que as claques deram prova de vida nada inteligente no início da segunda parte – até então tinham ficado em silêncio, permitindo apurar o quanto as bancadas amorfas, passivas e afónicas estavam dispostas a ouvir os cânticos da claque benfiquista a ecoar em Alvalade. Ainda o jogo não tinha completado dois minutos e já o guarda-redes leonino estava a fazer uma mancha que impediu uma desvantagem precoce, aplicando-se da mesma forma para travar remates rasteiros e aéreos (apesar de os avançados benfiquistas tirarem escasso proveito da enorme superioridade no jogo de cabeça na grande área). Nada pôde fazer nos lances dos dois golos tardios que colocam o Sporting a 19 pontos do Benfica quando ainda falta disputar uma segunda volta em que será preciso visitar os estádios das melhores equipas da Liga. E muito provavelmente sem o contributo do maior dos quatro ases que ainda sobravam no baralho.

 

Ristovski (3,0)

Tem a grande qualidade de ainda pertencer ao Sporting que contava para o Totobola e nunca se esquece disso, enfrentando cada adversário pelo que vale e não pelo que as orquestrações de Jorge Mendes irão fazer com que supostamente vá valer. Ainda que pouco integrado na manobra ofensiva, o macedónio contribuiu para que alguma fraca gente, orientada por um fraco treinador, escolhido por ainda mais fraco presidente, ficasse perto de perturbar a narrativa da Liga NOS aprovada em comité.

 

Tiago Ilori (1,5)

Quando evitou o golo madrugador do Benfica, cortando com o rosto o remate dirigido para a baliza momentaneamente desprovida de guarda-redes, terá inquietado aqueles que lhe asseguraram a titularidade ao garantirem que Coates levaria um amarelo em Setúbal “by all means necessary”. Reforçou essa impressão com uma sucessão de cortes importantes que evitaram desventuras à equipa, embora o desacerto nos passes longos e nos lances de ataque fosse um indicador das suas reais (in)capacidades. E o central contratado pela mesma gerência que vendeu Domingos Duarte a desbarato acabou por não desiludir os fãs nos dois golos do Benfica, sobretudo no segundo, que nasce da sua abordagem suicida em dois momentos da jogada.

 

Mathieu (3,0)

O remate acrobático que executou no final do jogo saiu por cima da baliza do Benfica, e que já pouca diferença faria mesmo que tivesse entrado, serviu para recordar que o francês tem mais futebol no dedo mindinho do pé esquerdo do que alguns colegas de plantel teriam caso nascessem dez vezes. Concentrado nas bolas aéreas, generoso nas compensações e capaz de iniciar jogadas de ataque com um critério que falta a quase todos os jogadores leoninos, lamenta-se que se esteja a aproximar o final da carreira de um grande futebolista. E ainda mais que o seu maior objectivo nesta triste segunda volta que se inicia, passando à frente do eventual “tri” na Taça da Liga que fará as delícias dos irredutíveis da actual gerência do Sporting, seja assegurar a (difícil) qualificação do Sporting para a próxima edição da Liga Europa.

 

Acuña (3,0)

Nem o cartão amarelo que viu relativamente cedo, num lance em que foi traído por um inconseguimento de Wendel, limitou o argentino que faz da raça e da classe armas capazes de pôr adversários em sentido. Até marcou um golo notável, aproveitando o já conhecido e recorrente défice de ângulo morto de Vlachodimos, mas Luiz Phellype encarregou-se de o fazer anular devido ao seu posicionamento. Estando na iminência de ser promovido a estrela da equipa, ainda que nunca se saiba se algum génio da lâmpada o “basdostará” por uma dúzia de milhões de euros (ou até por uns feijões mágicos), dedicou-se a dar esperança num resultado melhor do que a encomenda. Mas voltou a não ser dia para isso.

 

Idrissa Doumbia (1,5)

A angústia do jovem médio ao ver-se rodeado por papoilas pressionantes é a imagem de marca do triste "derby" em que o Benfica passou a ter vantagem sobre o Sporting em jogos disputados em Alvalade. Incapaz de estar à altura do momento, perdeu a posse uma, duas, milhentas vezes, sendo certo que a sorte e os colegas impediram que os seus constantes erros tivessem as consequências catastróficas que poderiam ter. Centenas de quilómetros mais a Norte, João Palhinha esteve na vitória do Sporting de Braga na visita ao Estádio do Dragão, mas o mais certo é que nunca mais vista uma camisola que, a manter-se este rumo, será mais talhada para quem não consegue fazer melhor do que o pobre Idrissa, só retirado de campo quando o empate já estava desfeito e o buraco 19 mesmo ali à frente. Antes tivera o seu melhor momento, num remate colocado, à entrada da grande área, que Vlachodimos desviou para canto.

 

Wendel (2,0)

Ter maior familiaridade com a bola de futebol do que o colega de duplo "pivot" permitiu que evitasse cometer tantos “turnovers” quanto Idrissa, mas nem por isso os efeitos práticos da sua melhor técnica foram muito visíveis na construção de jogadas. Tarda a afirmar-se num meio-campo em que se arrisca a ser o elemento mais virtuoso.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Talvez tenha feito o último jogo pelo Sporting, sendo improvável que o Manchester United lhe permita tentar juntar mais uma Taça da Liga ao palmarés pessoal, e uma derrota em casa contra um rival directo estará longe de ser a forma como sonharia despedir-se. Verdade seja dita que, embora pouco rematador, esteve ligado aos melhores momentos do Sporting. Logo no início, com uma assistência de longa distância que deixou Rafael Camacho frente a frente com o guarda-redes do Benfica, e numa arrancada em que o seu amigo Pizzi pôde fazer-lhe uma entrada assassina sem ver amarelo e sem evitar o passe para Bolasie, o qual rematou fraco e à figura. Massacrado pelos adversários, ao ponto de Gabriel ser amarelado por atingir o capitão leonino numas coordenadas que podem pôr em causa que a sua filha venha a ter irmãos, Bruno Fernandes voltou a demonstrar uma classe que não se encontra todos os dias, todos os anos ou todas as décadas. Se com ele na equipa já o Sporting estava à beira do abismo, a sua saída pode ser o passo em frente.

 

Rafael Camacho (3,0)

O excesso de pontaria que demonstrou ao rematar ao poste, engrossando as sobrenaturais estatísticas do Sporting nesta temporada, após aproveitar o passe longo de Bruno Fernandes e os pés de barro de um central com nome de Ferro, impediu que o Sporting fizesse o improvável. Também não teve sorte num cabeceamento que Vlachodimos conseguiu rechaçar, mas a verdade é que foi o único elemento do ataque à altura do emblema que trazia ao peito, conseguindo participar na construção de jogadas e tendo pés dotados o suficiente para driblar os adversários que foi encontrando pela frente. Espera-se que ganhe confiança e músculo, pois a partir daqui tudo se tornará ainda mais complicado.

 

Bolasie (2,0)

Ninguém lhe pode negar vontade e coragem, embora a sua “famosa” finta raras vezes engane alguém e o domínio de bola explique o ponto em que se encontra a sua carreira à entrada dos 30 anos. Tivesse tanto jeito para acertar com a bola na baliza quanto tem para produzir vídeos motivacionais e o Sporting estaria numa posição muito menos desesperada.

 

Luiz Phellype (1,0)

Teve concorrência de monta na luta pelo posto de pior em campo, mas sobressaiu pela forma como fez anular o golo de Acuña e teve de contar com a complacência de Hugo Miguel e de Jorge Sousa para que o seu amarelo nao assumisse outras cores. Perdido no relvado e fora de sintonia com os colegas, primou quase sempre por uma atitude indolente que reflecte o mau momento de forma física e anímica de quem chegou a parecer uma opção válida para o ataque do Sporting no final da época passada. A este não foi preciso que Ruben Dias desse um “abraço” na grande área...

 

Gonzalo Plata (1,0)

Desperdiçou os minutos que lhe deram, sendo incapaz de fazer melhor do que, mal ou bem, Bolasie ia tentando fazer.

 

Pedro Mendes (1,0)

Talvez seja de o testar em melhores circunstâncias, não?

 

Borja (1,5)

Entrou já depois dos 90 minutos para que Acuña pudesse subir no terreno. Cumpriu, como cumprira em Setúbal, e voltará a poder cumprir no próximo jogo, pois Acuña fica de fora devido ao cartão amarelo que viu em Alvalade.

 

Silas (1,5)

A insistência em Idrissa Doumbia perante a evidente inadequação do jovem para a tarefa que lhe era pedida, deixando Battaglia sentado no banco, é o melhor retrato da intervenção do treinador em mais um "derby" do nosso descontentamento. Ainda que o resultado tenha estado quase a ser positivo, ainda que algumas das melhores oportunidades tenham pertencido aos leões, a verdade é que o Sporting atravessou largos períodos de marasmo e de domínio benfiquista, demonstrou uma incapacidade de construção aterradora e tornou evidente que o pior ainda estará a caminho. Por muito que seja um profissional digno de respeito, Silas só não é o elemento menos capacitado para as funções que desempenha no Sporting porque o plantel profissional está cravejado de calamidades e a tribuna presidencial ainda é pior.

Há dias assim...

Em que tudo corre bem, e mesmo quando algum percalço acontece, conseguimos dar a volta por cima.

Depois de Braga, Guimarães e Famalicão terem perdido pontos e termos conseguido o bilhete premiado no pote 1 do sorteio da próxima fase da Liga Europa, apanhámos uma equipa que joga e deixa jogar. Depois de algumas oportunidades falhadas, marcámos o primeiro, logo depois o segundo (com o intervalo pelo meio) mais ou menos oferecido, e foi um passeio. Até um golo de livre que sofremos nos foi (legitimamente) perdoado.

Também fizemos por isso. Desta vez Silas não inventou e escolheu um onze análogo ao do melhor jogo com Keizer desta época em Portimão, com Max em vez de Renan, Bolasie em vez de Raphinha e Ristovski em vez de Thierry, e a equipa portou-se bem, concentrada, poucos passes falhados, variações de flanco oportunas, centros intencionais, mesmo aquela saída pastosa e irritante se notou bem menos hoje do que noutras ocasiões.

E assim chegámos ao 3.º lugar, entre os dois rivais em luta pelo título e aqueles dois clubes do Minho que por vezes se esquecem que o Sporting é um dos três grandes de Portugal.

Com isto a jornada triste da Áustria e as declarações mais que infelizes de Silas sobre a mesma ficaram esquecidas ? Obviamente que não.

Mas o que se passou à chegada dos jogadores e a bofetada de luva branca dos mesmos à escumalha que se diz adepta do Sporting mas está apostada em dar cabo dele, relativizou muita coisa. Acredito que estes últimos dias tenham servido a Silas de lição e agora o importante é passar por Portimão (desafio que para nada deve servir) e preparar da melhor forma Janeiro e o final da temporada, incluindo uma aposta firme e sem reservas na Liga Europa. 

Se toda a equipa esteve bem (Eduardo à parte), hoje gostei particularmente dos patinhos feios Ristovksi e Doumbia. 

SL 

Armas e viscondes assinalados: Só houve música quando o francês lançou o LP

Sporting 1 - Moreirense 0

Liga NOS - 14.ª Jornada

8 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Recuperou a titularidade, com alguma surpresa, e agarrou a oportunidade com as luvas. Sendo este o típico jogo em que o Sporting remata dezenas de vezes e acaba por sofrer golo num contra-ataque que gela as bancadas (tarefa cada vez mais fácil, tendo em conta os poucos mais de 25 mil presentes numa tarde de domingo e o divórcio entre os vários sectores), Max encarregou-se de alterar o destino. Fê-lo de forma brilhante ao desviar para canto o remate de um adversário isolado – num lance que ditou a grave lesão de Neto –, logo na primeira parte, mas também desviou para longe da baliza o perigo que surgiu depois do intervalo. A haver algo de positivo a retirar desta triste temporada, que seja a sua afirmação. E a de Eduardo Quaresma, Rodrigo Fernandes e um ou outro jovem talentoso que a presente gerência ainda não tenha conseguido desbaratar.

Ristovski (3,0)

Sendo um lateral-direito de pendor ofensivo, a verdade é que se distinguiu sobretudo pelo bom trabalho a contrariar os velozes extremos dos visitantes. Devem-se-lhe belos cortes no coração da grande área, sendo muito mais eficaz a dobrar os centrais do que Rosier tem mostrado conseguir ser.

Neto (2,5)

O azar que persegue e esconde-se à espreita deste Sporting calhou, da pior forma, ao central português. Um choque com Luís Maximiano quando procurava alcançar um adversário em fuga resultou numa costela fracturada e num pneumotórax. Prevê-se uma longa paragem, retirando-o dos decisivos embates de Janeiro e colocando Tiago Ilori na rota de uma possível titularidade. Já ouviram falar de um moço chamado Eduardo Quaresma?...

Mathieu (4,0)

Prioridade para o planeamento da próxima temporada: convencer o central francês a adiar a reforma mais um ano. Antes da assistência para golo no cruzamento perfeito para Luiz Phellype, capaz de desbloquear o que começava a parecer um impasse, enviara um livre directo ao poste e servira na primeira parte Bruno Fernandes para um golo que não se concretizou. Mas ainda mais impressionante foi um corte que realizou na grande área, quando um avançado se esgueirava para aborrecer Luís Maximiano. Noventa e nove em cada cem centrais teriam cometido grande penalidade.

Borja (3,0)

Nunca 14 centímetros terão sido tão injustos (embora haja decerto quem possa discordar...) quanto aqueles que ditaram a posição irregular do colombiano na jogada em que recebeu o passe de Mathieu, ludibriou um adversário e cruzou para o golo anulado a Bolasie. Mas nem por isso se deixou abalar, embalando para uma das melhores exibições desde que chegou a Alvalade, tanto a defender como a auxiliar o ataque.

Idrissa Doumbia (3,5)

Exemplo acabado da tarde virada ao contrário vivida pelo Sporting foi o slalon realizado pelo jovem médio, capaz de ultrapassar adversários em drible como se fosse coisa que fizesse todos os dias. Ao nível demonstrado no domingo, com disponibilidade física e cultura táctica a compensar as limitações técnicas, haveria lugar para Idrissa num plantel leonino com maiores ambições do que os actuais. Veja-se a forma como ficou perto de contabilizar uma assistência para golo ao descobrir a cabeça de Bolasie.

Wendel (3,0)

Longe de deslumbrar, muito pelo contrário, pautou o jogo com a aura de quem sabe o que está a fazer. Mais do que um artista de rasgos, foi um homem da segurança, enchendo o meio-campo com a sua presença.

Bruno Fernandes (3,0)

Algum dia carregaria o fardo de não ter sido imprescindível, sendo assaz curioso que tal tenha sucedido logo após o treinador ter dito que a equipa é ele e mais dez. Além de uma quantidade anormal de passes falhados e combinações que não surtiram efeito também não teve mira afinada nas jogadas de perigo, mas além do eficaz trabalho a corrigir os erros dos colegas ainda assinou desmarcações que poderiam e deveriam ter sido bem melhor aproveitadas.

Vietto (2,5)

Outro que não teve engenho para ser decisivo, embora nada se lhe possa apontar no que toca a empenho. Convirá que assuma o jogo na quinta-feira, devido à ausência de Bruno Fernandes, pois o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa está garantido mas o Sporting precisa de pontos na UEFA como de pão para a boca.

Jesé Rodríguez (2,0)

Daquela hora em que ocupou espaço no relvado pouco mais ficou do que um remate em zona frontal travado pelo guarda-redes do Moreirense. Demasiado pesadão e não o suficientemente rápido, o espanhol tornou-se sempre presa fácil para os adversários.

Bolasie (3,0)

Além do golo que marcou à ponta de lança, tendo o infortúnio de o ver anulado pelos tais 14 centímetros de Borja, o franco-anglo-congolês testou os reflexos do guardião num remate de cabeça que levava selo de golo e de seguida manteve os laterais em sentido. Tendência que se manteve no segundo tempo, forçando um segundo amarelo que deu mais folga ao Sporting e cavalgando pelo meio-campo contrário, numa jogada individual a pedir Wagner como banda sonora em que o remate em forma de torpedo saiu muito perto do ângulo superior esquerdo da baliza.

Coates (3,0)

Entrou muito cedo, substituindo o acidentado Neto, e foi igual a si próprio. Seguro nos cortes, ficou perto de marcar na outra baliza, num cabeceamento oportuno.

Luiz Phellype (3,0)

Fez o resultado e ganhou três pontos para o Sporting num lance em que, literalmente, voou como Jardel sobre os centrais. Tratando-se de um feito valoroso, bastante diferente do contributo deixado pelo espanhol que Frederico Varandas crê ser avançado-centro, não faz esquecer a legião de falhanços e indecisões que impediram Luiz Phellype de pôr os resistentes das bancadas a cantar o seu nome em várias outras ocasiões de perigo iminente.

Rafael Camacho (2,0)

Pouco ou nada acrescentou ao jogo. Mais uma vez.

Silas (3,0)

Chegou a pensar que teria um jogo sossegado, vendo-se em vantagem quase desde o início, mas a actuação do videoárbitro anulou o golo madrugador de Bolasie e encerrou o Sporting em mais um labirinto com muitos remates, muita posse de bola e nenhum resultado concreto. Poderia ter colocado Luiz Phellype em campo mais cedo, claro está, o que não invalida que seja um dos triunfadores de uma jornada em que ganhou dois pontos ao FC Porto, três ao Famalicão, três ao Sporting de Braga e nenhum ao clube que está autorizado a marcar golos precedidos de falta atacante.

A pedra angular do sistema

Ontem, durante a primeira parte do jogo com o Rosenborg, pareceu-me, finalmente, ter percebido qual a ideia de Silas para o jogo do Sporting. Confesso que o género de futebol assente na posse (no fundo o modelo que Guardiola desenvolveu, ao extremo, no Barcelona) não me fascina.

No entanto, se as ideias de Silas forem essas, ele precisa de, pelo menos, um jogador completamente diferente. Anda, pela nossa equipa, um moço (que quase aposto, deve ser uma simpatia) chamado Doumbia que, há-de ser, certamente, extraordinário a fazer imensas coisas, mas não claramente a jogar futebol. Ou, pelo menos, um futebol assente numa ideia de jogo que privilegia a posse de bola e a circulação. Doumbia tem evidentes carências técnicas e, devo confessar, quando estou a ver o Sporting, todas as vezes que o costa-marfinense toca na bola são para mim momentos de pânico e terror. 

Tudo isto para dizer o quê? A verdade é que no plantel do Sporting não há outro jogador com as características de Doumbia. De quem é a responsabilidade? Parece-me evidente que não é de Silas, mas antes da estrutura que lidera o futebol. Aliás, toda a má época que estamos a fazer é consequência de escolhas, em alguns casos, absurdas dessas mesmas pessoas. Quem achou possível fazer toda uma época com um único ponta-de-lança?

Mediocridade

Ao cabo de 50 anos de bancada mal seria se me achasse capaz de saber o que faria se estivesse no banco, mas lá vou sabendo uma ou duas coisas sobre o que vejo do meu lugar.

Sinto-me por isso em condições de finalmente considerar que Keiser é um treinador medíocre. O adjectivo justifica-se pelo facto de Keiser ter um entendimento substantivamente medíocre do futebol. Em 3 jogos oficiais aplicou 3 vezes a mesma receita. E foi ela a de entrar em campo com uma qualquer marosca táctica que intrigue o adversário. Isto durou 15' contra o benfica, 20' contra o Braga, infelizmente e segundo as próprias palavras do treinador, apenas se aguentou 6'30'' contra o Marítimo. Só ontem a astúcia produziu algum resultado - marcaram-se 2 golos nesse período - posto o que se passou à fase B que foi a de pôr um autocarro à frente da baliza, chutar a bola para longe, desejar boa sorte a Renan e rezar um pai-nosso. Esta doutrina é muito útil ao Águias de Alpiarça em jogos da Taça contra as equipas mais evoluídas da 2ªB, mas pouco interessante, digo eu, para o Sporting.

É certo que alguns conceitos correntes do futebolês são brilhantes à mesa do café e dão aura de  entendido a quem deles se alivia, mas não têm qualquer correlação com a realidade do jogo. O famigerado "modelo", a sempre refrescante "ideia de futebol" e os sudokus estratégicos fazem as graças do comentariat, dão powerpoints coloridos e sedutores, embora não passem de lucubrações platónicas, abstractas e vácuas, mesmo quando se usa esse novo termo da "definição", em vez do proverbial  "chuta à baliza, porra". Porque ao fim do dia o que conta é a dinâmica que a equipa põe em campo, o modo como se entrosa e articula e, sobretudo, a capacidade de um treinador em extrapolar o melhor que um jogador tem para oferecer ao jogo. Neste Sporting tudo isto é mirífico.

É escusado recorrer ao exemplo óbvio de Diaby para ilustrar a mediocridade congénita de Keiser. Especular-se-á infinitamente sobre este mistério, mas sempre ficará por responder a questão: porque diabo esteve ele uma hora em campo?

Tome-se como menos óbvio mas talvez mais flagrante o caso de Doumbia. O ano passado andava por ali aquele rapaz Gudelj mestre no posicionamento, nulo no movimento. Este ano vemos actuar aquele jovem com alma de Bombeiro Voluntário, que corre à maluca atrás de todos os fogos e que nunca volta à posição porque não a tem. Resultado: Coates e Matthieu andam a levar de frente com sucessivas cargas de cavalaria. Ora Doumbia, potencial e vontade não lhe faltam, não evoluiu um milímetro em inteligência posicional e táctica desde o ano passado, coisa que se treina todos os dias e vê-se aqui da bancada ao fim-de-semana. E se não evoluiu é porque Keiser não o faz evoluir.

O nosso treinador deve estar mais preocupado em engendrar a artimanha para o próximo jogo, que ele designa como "fine tunning." Pode ser que dure uns 30' antes de passarmos o resto do desafio à beira de sermos esmagados por um qualquer mija na escada que, descoberto o truque, há-de de crescer sobre este Sporting como um Liverpool.

Balanço (15)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre IDRISSA DOUMBIA:

 

- Francisco Chaveiro Reis: «Em comum com o avançado que andou por cá, tem o apelido, a nacionalidade e a passagem pela liga russa. Esperemos que este seja o Doumbia certo. Pelo que se escreve sobre ele, promete.» (15 de Janeiro)

Pedro Azevedo: «Quando acerta numa contratação (Idrissa Doumbia) não a mete a jogar, não retirando daí rendimento desportivo ou financeiro (a manter-se a situação).» (11 de Março)

Eu: «Desta vez foi titular, no lugar de Gudelj, ausente por acumulação de cartões. E revelou-se bem superior ao sérvio: competente como médio defensivo, não se confinou ao jogo posicional, arriscando várias incursões ofensivas, confiante e com bom domínio da bola. Vai caminhando a passos largos para se assumir como titular da posição 6 no Sporting.» (28 de Abril)

Leonardo Ralha: «Tirou partido da má tarde de Wendel e cimentou o estatuto de solução, dando boa conta de si a destruir e construir jogo até ao momento em que pôde estrear-se a marcar pelo Sporting, encerrando o pesado marcador após mais uma boa jogada do ataque leonino.» (6 de Maio)

Armas e viscondes assinalados: Muriel abriu a porta para a tarde histórica de Bruno

Belenenses SAD 1 - Sporting 8

Liga NOS - 32.ª Jornada

5 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

As circunstâncias muito particulares de um jogo praticamente unidirecional levaram que, ultrapassado um ligeiro susto inicial, fosse chamado a fazer apenas duas defesas apertadas a remates rasteiros. Quis o azar que na segunda ocasião criada pela equipa forçada a chamar casa ao Jamor ninguém se lembrasse de chegar primeiro â bola do que Licá, que reduziu para 1-2 uma desvantagem a que ainda faltavam meia-dúzia de golos do Sporting.

 

Ristovski (3,0)

Seguro a conter os raros ataques do adversário, integrou-se bem melhor no ataque do que o colega na ala oposta. Embora nada perdesse em calibrar melhor os seus muitos cruzamentos.

 

Coates (3,0)

O sossego de ter passado quase todo o jogo com mais um em campo não o inspirou para as habituais cavalgadas pelo meio-campo contrário.

 

Mathieu (3,0)

Somou a dose habitual de bons cortes e saídas rápidas para o ataque, mas cabe-lhe parte da culpa do lance do único dos nove golos da tarde que não foi marcado por jogadores de leão ao peito.

 

Borja (2,0)

Além da participação directa no golo da Belenenses SAD, com uma perda de bola lamentável, voltou a demonstrar flagrantes limitações no domínio e condução de bola que fazem pensar que terá uma agência de comunicação melhor do que aquela que trata do esquecido Tiago Ilori.

 

Gudelj (3,5)

Pertenceu-lhe a primeira grande oportunidade do Sporting, com um remate de longe numa jogada de insistência nascida do primeiro e menos grave disparate cometido pelo guarda-redes Muriel. Calhou que um adversário estivesse atento à linha de golo, pelo que só na segunda parte pôde festejar, vendo a bola que chutou sem aviso prévio embater no rosto do ex-leão André Santos, enganar o guarda-redes também ex-leão Guilherme Oliveira, e alojar-se nas redes. Esse afortunado 1-3 foi a melhor resposta possível ao golo de Licá e ainda a melhor escrita direita por linhas tortas numa exibição segura, cheia de vitórias em duelos directos e que tem o inconveniente de poder levar a SAD a ponderar pagar o salário que o sérvio auferirá se continuar em Portugal após o final do empréstimo.

 

Wendel (2,0)

Um cartão amarelo exibido numa fase precoce do jogo pode ter condicionado em demasia o jovem brasileiro, capaz de pedir meças ao colombiano Borja pelo título de sportinguista mais infeliz na insuspeita tarde de glória em que a equipa igualou o recorde de maior diferença de golos num jogo para o campeonato disputado fora de casa. Sem saudades na lembrança disse adeus aos 67 minutos, cedendo o lugar a Idrissa Doumbia. Augura-se que tenha melhor desempenho aquando do regresso ao Jamor, mais para o final do mês.

 

Bruno Fernandes (5,0)

Começou por ter intervenção na jogada mais marcante do jogo, fazendo o passe genial a desmarcar Raphinha que levou Muriel a derrubar o extremo e a ver um cartão vermelho directo. Chegou a pensar-se que igualaria logo então o recorde de Alex, tornando-se o meio-campista a marcar mais golos numa só época em qualquer campeonato europeu, mas o livre directo saiu mal, tal como os restantes remates desferidos na primeira parte. Melhor esteve a assistir Luiz Phellype de calcanhar para o segundo golo leonino e temeu-se que a tarde não fosse de glória individual quando, já depois do intervalo, o avançado brasileiro retribuiu e o capitão do Sporting rematou na passada, vendo Guilherme Oliveira tirar-lhe um belíssimo golo. Não terá sido por acaso que pouco festejou o primeiro que marcou, na cobrança de um pénalti a punir falta sobre Luiz Phellype, mas já se permitiu ser efusivo quando o colega foi altruísta ao ponto de lhe passar a bola para fuzilar a baliza escancarada após conseguir desviar-se do atormentado guardião saído do banco. De igual forma, apadrinhou o regresso de Bas Dost com um passe de mestre para o primeiro remate que permitiu ao holandês fazer a recarga para golo. E ainda selou o “hat-trick” com um remate oportuno a corresponder a um daqueles centros que Acuña sabe fazer. Ao 50.° jogo da temporada estilhaçou um recorde europeu, fez pela primeira vez três golos de rajada e permitiu que o Sporting ainda sonhe com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões tanto quanto ele sonhará ser o melhor marcador da Liga NOS. Próxima paragem: o Sporting-Tondela que os adeptos encaram como tremendamente agridoce por ser a mais do que provável despedida antes da dupla jornada no Dragão e no Jamor que todos esperam ser de ainda maior glória.

 

Raphinha (3,5)

Começou endiabrado, aproveitando um erro de Muriel para rematar contra Luiz Phellype, caído no relvado após chocar com o irmão do guarda-redes mais caro do Mundo. Ao segundo erro do guarda-redes não havia nenhum colega entre a sua chuteira e a baliza, pelo que o extremo pôde inaugurar o marcador com a mesma destreza com que se isolou e foi atropelado por Muriel numa jogada seguinte. A primeira parte fulgurante ter-se-á reflectido na quebra de rendimento no segundo tempo, acabando por ser substituído pelo igualmente fenomenal (ainda que não no mesmo sentido) Diaby.

 

Acuña (3,5)

A presença de um lateral-esquerdo assaz menos dotado de engenho e arte do que ele tem um efeito estranho no argentino. Claramente menos acutilante do que é seu bom costume, ainda deu nas vistas na primeira parte ao combinar com Luiz Phellype na grande área adversária numa tentativa de arranjar espaço para o remate. Sempre integrado nas movimentações ofensivas, fez um cruzamento perfeito para o terceiro golo da conta de Bruno Fernandes.

 

Luiz Phellype (4,0)

O sétimo golo numa série de seis jogos consecutivos a marcar na Liga NOS foi um remate oportuno e possante, à imagem do seu autor, que começou o jogo a acorrer a um disparate do tão massacrado Muriel, tentou pentear a bola num cruzamento de Bruno Fernandes e acabou por ser atrapalhado por Coates quando estava em posição frontal, já depois do intervalo. Nem a presença no banco de alguém no escalão de IRS de Bas Dost o perturbou, sofrendo um pénalti devido a uma antecipação rápida antes de contornar Guilherme Oliveira em jeito e velocidade para servir Bruno Fernandes. Saiu com a missão cumprida e não será fácil retirar-lhe a titularidade.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Nem a boa exibição no jogo anterior convenceu Marcel Keizer de que é a melhor opção para a posição mais recuada do meio-campo, devolvida a Gudelj após cumprir um jogo de suspensão. Ainda assim tirou partido da má tarde de Wendel e cimentou o estatuto de solução, dando boa conta de si a destruir e construir jogo até ao momento em que pôde estrear-se a marcar pelo Sporting, encerrando o pesado marcador após mais uma boa jogada do ataque leonino.

 

Bas Dost (3,5)

Esteve sorridente no banco, esteve sorridente no aquecimento e esteve sorridente no relvado. Sobretudo porque mal tinha entrado para o lugar de Luiz Phellype e já estava a receber um passe de Bruno Fernandes (ou “aquele que aparece tantas ou mais vezes neste texto quanto Muriel”) que o deixou cara a cara com o guarda-redes, regressando aos golos na recarga. Bem mais dinâmico do que andava antes dos quase dois meses de ausência, também enviou uma bola ao poste e fez uma excelente simulação que abriu literalmente caminho ao golo de Idrissa Doumbia.

 

Diaby (2,5)

É tecnicamente correcto atribuir-lhe uma assistência, mau grado divida a maior parte da responsabilidade pelo oitavo e último golo do Sporting com um cavalheiro holandês cujo passe custou quase tantos milhões de euros quanto o seu. Dar-lhe melhor nota do que a Borja e Wendel só por causa disso é um erro de sistema assumido.

 

Marcel Keizer (4,0)

Claro que o início do jogo pareceu uma cornucópia de facilidades, por entre oportunidades de golo oferecidas e uma expulsão precoce. Mas não deixa de haver muito mérito na forma como a equipa soube encarar o jogo, mau grado tenha entrado em campo na plena consciência de que o título de campeão se tornara matematicamente impossível na véspera (lutar pelo segundo lugar no Dragão será possível caso o aflito Nacional do aprumado Costinha vença o FC Porto na próxima jornada). Houve bom futebol, intensidade quase generalizada e substituições acertadas, culminando num resultado mais apropriado ao tempo dos Cinco Violinos.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos em depressão frontal

Sporting 1 - Santa Clara 0

Liga NOS - 26.ª Jornada

15 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Esteve sempre no sítio certo nos raros remates do Santa Clara, segurando tudo menos o mais perigoso, ainda com o marcador a zeros, que foi desviado para canto pelas costas de Ristovski. Menos solicitado a fazer lançamentos longos que tende a ser habitual, visto que o adversário não é dado a pressões, tentou não fazer asneiras com a bola nos pés.

 

Ristovski (3,0)

Além de ter impedido o golo do Santa Clara com as suas costas largas, mesmo sem combinar às mil maravilhas com Raphinha, claramente influenciado pelo individualismo reaganiano dos pais, o lateral-direito macedónio foi um dos aceleradores da equipa, executou cruzamentos que poderiam ter surtido melhor efeito se alguém tivesse ido resgatar o Bas Dost do passado recente e vigiou quase sempre de forma muito competente alguns dos elementos mais competentes do plantel açoriano.

 

Coates (3,0)

Teve uma noite mais normal do que tem sido comum, concentrando-se na missão de cortar lances de perigo do Santa Clara. Assim fez, com o zelo que lhe é habitual, tendo o golo de Raphinha evitava aquele registo em que começa por construir jogadas de contra-ataque e quando se dá por isso passou a ser o segundo ponta de lança leonino.

 

Mathieu (2,5)

Uma perda de bola à entrada da grande área poderia ter estragado de vez uma exibição menos bem conseguido do central francês, ainda que também tenha ficado perto de marcar num livre directo em posição frontal.

 

Borja (2,0)

Durante a primeira parte foi o pior jogador do Sporting, parecendo diversas vezes perdido no relvado e sem saber o que fazer com a bola. Quando parecia fixar-se como terceiro central, prometendo mais do que o lateral-esquerdo, Keizer abdicou da sua permanência.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Recebeu a titularidade apenas devido à suspensão de Gudelj, e desde o apito inicial vincou as diferenças em relação ao sérvio. Nomeadamente naqueles detalhes de ganhar a posse aos adversários, acelerar o meio-campo e avançar para a grande área do adversário com a bola controlada. Capaz de melhorar a equipa do Sporting com a sua presença, Idrissa Doumbia viu-se mesmo assim substituído a meio da segunda parte, fazendo adivinhar que na deslocação a Chaves poderá voltar a ficar sentado no banco.

 

Wendel (2,5)

Muito rendilhou no meio-campo, suprindo incapacidades alheias (sobretudo as de Borja) e procurando posicionar-se para o que desse e viesse. Numa dessas ocasiões, servido por Raphinha em posição frontal, fez um remate fraco à baliza. Na segunda parte continuou a trabalhar muito, sem conseguir disfarçar o cansaço para todos os presentes no estádio tirando Marcel Keizer, que preferiu tirar Idrissa Doumbia na hora de refrescar a equipa.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Tal como os romanos nada fizeram pelos judeus de “A Vida de Brian” tirando o aqueduto, as estradas, a numeração ou os tribunais, também o jovem capitão nada fez pelo Sporting tirando a assistência para o golo de Raphinha ou outra assistência com que o brasileiro ficara perto de inaugurar o marcador. Numa noite menos bem conseguida, na qual os remates de longe saíram sempre à figura, quando não para as bancadas, Bruno Fernandes viu-se muitas vezes manietado pelas pernas dos adversários. Aqueles que, no apurado critério do árbitro Manuel Oliveira, terminaram o jogo com metade dos cartões amarelos exibidos aos futebolistas da casa.

 

Raphinha (3,5)

Marcou o golo que valeu três pontos praticamente caídos do céu, impedindo o guarda-redes Marco de lhe voltar a roubar os festejos, num dos remates com que procurou concretizar a sua missão de agitador do ataque do Sporting. Logo na primeira parte ficou na retina de todos uma jogada em que entrou na grande área do Santa Clara, rodeado de adversários, servindo Wendel para o que poderia ter sido mais do que uma ocasião de golo.

 

Acuña (3,5)

Facto: o Sporting conseguiu a vitória miserável que lhe valeu três pontos indistintos de outros eventuais três pontos conquistados através de uma ainda mais eventual grande exibição porque o argentino executou um lançamento de linha lateral, no limite da força dos braços e aproveitando o posicionamento de Bruno Fernandes, muito adiantado em relação à defesa do Santa Clara. Por essa altura do cronómetro já voltara a ser lateral-esquerdo, sem abrandar minimamente o ritmo e o ímpeto, pois aparentar ser algo que lhe está no sangue. Talvez pudesse fazer umas quantas transfusões aos colegas...

 

Bas Dost (1,5)

Começou trapalhão e desinspirado, travando jogadas de contra-ataque e fazendo remates inofensivos, mas com o passar do tempo deixou cair os braços até ao ponto de fazer figura de corpo presente no relvado. Mas ainda assim continuou até ao apito final, numa demonstração de solidariedade do compatriota que é pago para escolher os melhores jogadores do Sporting. 

 

Diaby (1,5)

Entrou para trazer velocidade ao ataque, à medida que o nulo no marcador começava a eternizar-se, mas nada de bom trouxe à equipa. Nem as arrancadas nem o toque de bola justificaram a sua presença no relvado. Quiçá mesmo no estádio.

 

Miguel Luís (2,0)

Voltou a ser aposta, muito tempo após marcar um belíssimo golo e emocionar o avô, mas também não conseguiu melhorar o desempenho do Sporting.

 

Marcel Keizer (2,5)

É impossível que não tenha visto que Idrissa Doumbia é melhor solução do que Gudelj? Veremos no próximo jogo, mas ninguém deverá apostar muito dinheiro na presença do sérvio no banco. Também o regresso de Bas Dost ao onze titular só não merece maiores reparos devido à horrível exibição de Luiz Phellype no jogo com o Boavista, tornando claro que se o Sporting conseguir melhor do que o quarto lugar praticamente assegurado será apenas graças a uma conjugação feliz dos astros e ao valor de algumas das suas peças, com Bruno Fernandes, Acuña, Raphinha e Coates à cabeça. Muito pouco para o orçamento e, sobretudo, para a dimensão da equipa treinada por um homem que, semana após semana, reconhece ser necessário jogar melhor. Mas demora a consegui-lo, tal como voltou a nem sequer conseguir fazer a terceira substituição (Jovane Cabral chegou a tirar o fato de treino...) antes do apito final.

Armas e viscondes assinalados: Quando a cabeça não tem juízo o Sporting é que paga

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 1

Liga NOS - 19.ª Jornada

30 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Salvou o ponto possível nos descontos, quando Nani fez um atraso de bola calamitoso e ofereceu um segundo golo dos setubalenses que o brasileiro não deixou acontecer. Teria sido o pior castigo imaginável para quem começara a tornar-se mero observador depois de uma primeira parte trabalhosa, e na qual foi deixado à mercê do adversário no lance do golo que ajudou as duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga a adiantarem-se na luta pelo outro lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato.

 

Ristovski (2,0)

Pareceu-lhe que era boa ideia gritar com um árbitro que aos dez minutos já tinha amarelado o colega que evitou ser expulso por acumulação e preferiu deixar escapar o autor do golo da equipa da casa. Tudo bem que o macedónio teve uma ligeira atenuante: Hélder Malheiro nem falta marcou ao adversário que lhe desferiu uma cotovelada capaz de fazer nascer de imediato um enorme galo na testa. Expulso quando a equipa tentava inverter o resultado negativo, ainda demonstrou dotes de ninja ao partir uma bandeira de canto com um pontapé, pelo que a suspensão que irá receber por ter sido agredido à cotovelada enquanto o videoárbitro metia sal nas pipocas é capaz de o afastar de mais jogos além da recepção ao Benfica. Diga-se, em abono da verdade, que não estava a fazer um jogo brilhante antes de perder a cabeça em mais do que um sentido.

 

Coates (4,0)

Terminou o jogo como único central leonino e, tendo em conta que toda a gente que joga ao seu lado acaba por sucumbir à fadiga muscular ou partir o nariz, talvez seja altura de apostar no 3-3-4 depois de o 3-2-4 ficar muito perto de valer três pontos. O uruguaio voltou a mostrar a razão para, se houver justiça antes do reino dos céus, acreditar que ainda conseguirá grandes conquistas ao serviço do Sporting. Incansável a defender, com uma única falha que teve de resolver com o agarrão que lhe valeu um cartão amarelo que ficou colado no bolso em intervenções homólogas de adversários, manteve a média de cortes providenciais e integrou-se com extrema raça e critério em jogadas de contra-ataque. Não conseguiu marcar, mas pode ser que se esteja a guardar para os principais beneficiários dos dois pontos deixados em Alvalade.

 

Petrovic (2,5)

Já habituado a estar em campo com o nariz fracturado, desta vez teve direito a uma máscara facial para o proteger após ter sido operado. Infelizmente faltou-lhe protecção contra quem lhe mostrou o amarelo aos dez minutos, o que o dissuadiu de derrubar o autor do golo do Vitória de Setúbal. Compensou a falta de velocidade, perigosa ao enfrentar avançados rápidos, com entrega e bom timing nos cortes, acabando por ver-se sacrificado na hora do tudo por tudo.

 

Jefferson (3,5)

Com Acuña de partida e Borja de chegada, ninguém mais havia para titular. Facto: no primeiro quarto de hora de jogo fez dois cruzamentos aos quais só faltava um lacinho, mas Bas Dost desperdiçou os presentes do brasileiro com duas cabeçadas muito aquém dos mínimos. Jefferson não esmoreceu e passou o jogo inteiro a cruzar bolas, quase sempre em boas condições, sem que ninguém quisesse corresponder ao esforço de quem terminou só com dois colegas na linha defensiva.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Os primeiros minutos ao serviço do Sporting mostraram que pode ser uma solução muito mais dinâmica do que Gudelj para a posição 6. Ainda que não tenha convencido completamente no que toca a poder de choque, o reforço de Inverno é capaz de acelerar jogadas, tem visão de jogo e poderá ser muito útil em jogos vindouros. No desafio em apreço acabou por ser substituído para que o 3-2-4 aparecesse em Setúbal, sem o efeito obtido aquando de outra aparição, cento e tal quilómetros mais a norte.

 

Wendel (3,0)

Tentou resolver o problema com remates de média distância, após desperdiçar uma ocasião dentro da grande área, e em posição frontal, devido a uma overdose de fintas. Terminou muito cansado, visto que o ónus de jogar com menos um recaiu em grande parte sobre o meio-campo, o que não o impediu de a poucos minutos do final embrenhar na área e servir Bruno Fernandes para uma das melhores oportunidades de consumar a reviravolta.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Conseguiu três grandes proezas - o remate oportuno que Bas Dost desviou para golo, resistir às recorrentes cacetadas dos adversários e chegar ao fim sem o segundo amarelo ao engolir palavras perante as artimanhas de um novo valor da arbitragem nacional -, e só lhe faltou um pouco de sorte para manter o Sporting próximo das duas equipas que não foram à final da Taça da Liga e lutam pelo lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato. Voltou a fazer passes emolduráveis e mesmo um cruzamento que só não foi perfeito porque Raphinha provou ser bastante mau a cabecear.

 

Raphinha (3,0)

Tirando aquela parte de ter recebido um cruzamento perfeito no coração da grande área e ter cabeceado sem nexo ao lado da baliza? O brasileiro voltou a agitar o ataque leonino, produzindo uma sucessão de jogadas que ninguém fez o favor de aproveitar. Na hora de desespero, sendo necessário Nani em campo, foi ele a sair em vez de Diaby, por razões que só Keizer conhece.

 

Diaby (2,0)

Bem tentou disputar bolas dentro da grande área adversária, mas Oliver Torres não foi emprestado ao Vitória de Setúbal, pelo que ninguém o chegou a carregar de forma tão flagrante que nem o ‘dream team’ para ali mobilizado pudesse ignorar. Particularmente penoso foi assistir à tentativa de pontapé de baliza em que se estatelou após falhar a bola.

 

Bas Dost (3,0)

Marcou um golo de elevada nota artística, com um toque com “a parte lateral do pé” e de costas para a baliza, mas passou o resto do tempo a recordar os adeptos e colegas de que anda de cabeça perdida no que respeita a utilizá-la para desviar bolas para o fundo das redes. Qualquer momento será apropriado para retomar aquela média de concretização que chegava a parecer demasiado boa para o rectângulo à beira-mar plantado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Chamado a jogo após a expulsão de Ristovski, combinou bem com Nani e fez um bom cruzamento que contribuiu o golo do empate. Também se aguentou bastante bem nas missões defensivas, ainda que uma linha de três com Coates no meio seja meio caminho andado para o sucesso.

 

Nani (3,0)

Tinha pouco mais de meia hora para ajudar a virar o resultado e livrar-se de ver o amarelo que o afastaria da recepção ao Benfica. Cumpriu o segundo objectivo e fez tudo o que estava ao seu alcance para atingir o primeiro, incluindo driblar um quarteto de adversários até ser derrubado. Pena é que tivesse ficado a um passo de oferecer a vitória ao Setúbal com um atraso incrivelmente disparatado.

 

Luiz Phellype (2,0)

Voltou a não conseguir fazer a diferença nos minutos que ficou em campo. Aguarda-se que isso suceda, mais cedo ou mais tarde, pois até ao presente momento não justificou a contratação.

 

Marcel Keizer (2,5)

Viu-se forçado a entregar a titularidade ao facialmente desafiado Petrovic, face à ausência de Mathieu e à falta de coragem para arriscar no corpulento Abdu Conté, apostou na estreia de Idrissa Doumbia face ao castigo de Gudelj, e deixou Nani no banco. Podia ter corrido bem, mas não era noite para isso, e se a desvantagem não levou o holandês a ser particularmente criativo, talvez por crer que o seu compatriota acabaria por cabecear decentemente , ficar com menos um jogador teve o condão de agitar a imaginação do pioneiro das tácticas 3-3-3 e 3-2-4, essa última prejudicada pela ineficácia do segundo avançado-centro. Mais difícil de explicar é o critério para prescindir de Raphinha em vez de Diaby.

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