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És a nossa Fé!

Sporting 2019-2020 - Algumas ideias para debate

Acabada que foi com relativo grande sucesso a presente época, com um treinador estabilizado e mais adaptado à realidade portuguesa à frente da equipa, que Sporting vamos ter para enfrentar a época que se aproxima, desde logo para ganhar a Supertaça em Agosto?

Algumas ideias sobre o que penso que deveria ser a construção do plantel:

1. Garantir a continuidade dos craques. Temos cinco: Coates, Mathieu, Acuña, Bas Dost e Bruno Fernandes. O último já se percebeu que está de malas aviadas para o futebol inglês, logo se verá para onde. Sobram quatro que não devem mesmo sair porque, por muito caros que sejam, contratar iguais ou melhores ainda mais caro vai ser.

2. Limpar o entulho, jogadores que passaram ao lado da titularidade ou fora do prazo de validade. O Pedro Correia já comentou o assunto, dos que começaram a época, Salin, B. Gaspar, A. Pinto, Jefferson, Lumor, Misic, Petrovic, Diaby, F. Geraldes, Mané e Matheus Pereira podem sair com algum encaixe financeiro. Iuri Medeiros também. Mesmo Battaglia poderá sair porque já tem 27 anos e vai ter uma temporada de recuperação da grave lesão que sofreu. 20 ou 30 M€ no conjunto? Ou mais?

3. Recuperar os jogadores emprestados que mais se distinguiram e que merecem uma nova oportunidade. Mama Baldé, Gelson Dala,  Ivanildo, Domingos Duarte.

4. Recuperar jogadores que custaram bem caro, que se tresmalharam nos empréstimos para uma nova oportunidade. Por exemplo, "el loco" Alan Ruiz: se calhar valerá a pena arriscar no rapaz porque como está não interessa a ninguém. A mesma coisa se aplica a Ryan Gauld.

5. Manter quatro ou cinco dos melhores sub-23 no plantel em posições onde possam ter oportunidades, emprestar para rodar os restantes. Max, Miguel Luís, Jovane, mais um ou outro, entre Daniel Bragança, Thierry Correia, Pedro Mendes ou Pedro Marques.

6. Contratar bons jogadores para as posições mais carenciadas: defesa direito, defesa esquerdo, médio ofensivo, avançado rompedor. Que tragam peso, altura, jogo de cabeça, capacidade de centro e remate ao plantel.

Seria então um plantel do tipo:

GR: Renan, Max, Aquisição1

DD: Aquisição2, Ristovski

DE: Borja, Aquisição3

DC: Coates, Mathieu, Neto, Ilori e Ivanildo

MC: Doumbia, Gudelj, Eduardo, M. Luis, Wendel

MO: Aquisição4, Ryan Gauld, Alan Ruiz

Int/Ext: Acuña, Raphinha, Jovane, Plata, Mama Baldé

Avançados: Bas Dost, Luiz Phellype, Gelson Dala, Vietto, Aquisição5 

Teríamos aqui um plantel de 30 jogadores, com 7 que passaram pela Academia, a tal quota que tenho referido.

Que vos parece?

SL

Há vida para além do défice - Ideias (4)

Hoje apresento aqui alguns conceitos em termos de estratégia e ideias nas áreas de marketing e merchandising. Aqui vai:

 

  • ESTRATÉGIA: Emparedado em Lisboa pelo Benfica e no Norte pelo Porto, o Sporting necessita de ser um “first mover”. Como tal, tem de ser inovador, ter uma orientação para o crescimento e estar disposto a correr riscos. O Sporting tentou trilhar esse caminho, nomeadamente quando apostou em Jorge Jesus e simultaneamente recomprou partes de direitos desportivos de diversos jogadores, convencido de que teria resultados desportivos, mas também financeiros devido à valorização que um treinador de primeiro plano traria aos seus jogadores. Foi uma “pedrada no charco” no futebol português e uma ruptura com o plano de austeridade seguido nos primeiros dois anos de mandato. Em estratégia, uma situação com estes contornos tem o nome de inovação radical. O problema é que a estratégia falhou no plano desportivo, embora no plano económico se tenha assistido a uma valorização dos activos intangíveis (direitos económicos sobre os jogadores) da SAD. No entanto, para manter os seus melhores jogadores, no sentido de poder manter a sua competitividade, o Sporting necessitaria de cumprir os objectivos mínimos, no caso a presença na Champions, dado que, como explica Miles e Snow, este tipo de estratégia tem associado problemas frequentes de tesouraria, algo que neste momento é visível até na postecipação do pagamento do empréstimo obrigacionista (para que ninguém fique a pensar que esta “inovação radical” é uma hidra, ela é seguida pela Apple, Google ou, em Portugal, pela Renova). Nesse sentido, o único caminho possível é uma alteração no comando técnico na equipa de futebol e o aproveitamento dos miúdos provenientes da Formação, um tipo de estratégia doravante assente numa inovação incremental, que consistirá no aperfeiçoamento gradual dos jovens provenientes da Formação. O sucesso futuro desta estratégia estará dependente da qualidade do processo da sua “linha de montagem”, pelo que se recomenda o investimento em técnicos que auxiliem o crescimento dos “produtos” (jogadores).
  • MERCHANDISING: julgo ser uma área onde esta Direcção ainda não teve um grande sucesso. Embora o futebol per si seja “o produto”, o merchandising é um elemento essencial na afirmação de uma marca. Na minha opinião, não faz sentido o Sporting abrir uma loja na Rua Augusta, de dimensão bem mais reduzida do que a que o Benfica tem na mesma rua, apenas dois quarteirões abaixo. Aquilo que deveria ser considerado como muito positivo – abertura de uma loja numa zona com enorme circulação de pessoas, muitas delas de cidadania estrangeira, aspecto importante na internacionalização da marca – acaba por ficar indelevelmente marcado pela comparação pela negativa face a um rival, algo facilmente percepcionado por qualquer transeunte e que põe em causa a imagem do Sporting como a maior potência desportiva nacional. Se queriam competir na mesma zona não poderiam ter arranjado um espaço pelo menos de dimensões idênticas às do rival? Estas coisas têm de estar integradas com a estratégia de afirmação do clube e serem transversais a todos os pelouros atribuídos no CD/CA. Outro aspecto que tem vindo a ser negligenciado: os estágios de pré-época na Suiça não têm sido aproveitados para divulgar a nossa marca internacionalmente, nem para satisfazer a procura dos emigrantes portugueses. Por incrível que pareça, o Sporting não transportou nenhum material de merchandising consigo nessa viagem. Dado que a equipa actuou em diversas cidades suíças, porque é que o Sporting não fez deslocar um camião itinerante da Loja Verde? O mesmo se aplica aos nossos jogos fora de casa, em Portugal, que também não costumam ter a presença de qualquer merchandising do clube, algo que acaba por ser um sonho para a contrafacção.
  • MARKETING: a recente emergência de atritos relacionados com a equipa principal de futebol, independentemente da sua origem, expõe a necessidade de o Sporting reforçar a sua cultura corporativa. Na procura desse padrão de identidade único, a pior coisa que se pode fazer é multiplicar essa identidade. Os “sportingados”, os “croquettes”, os “verdadeiros sportinguistas” significam, no caso concreto, uma dispersão de conceitos perfeitamente evitável e que, para além de causar confusão na mente das pessoas, não apela à união. O marketing criou o “Feito de Sporting”, o que me pareceu bem, mas depois falta uma narrativa por detrás da expressão, algo que arregimente à volta do clube. Mais do que “o que” fazemos ou “como" fazemos, o que cria laços com as pessoas é o “porquê”. Vejam os exemplos da Apple, de Martin Luther King e dos irmãos Wright. A Apple não vende um produto, cria um novo conceito, um nova modo de utilização, revolucionando paralelamente o mundo dos computadores, da música, dos telemóveis, etc. O Dr King teve muito mais sucesso que os pregadores do seu tempo. Enquanto outros bebiam do ódio racial, Martin disse “I have a dream”, sonhando que brancos e pretos um dia seriam iguais. Os irmãos Wright tinham uma pequena loja de bicicletas e uma paixão genuína por voar. Paralelamente, Samuel Pierpont Langley era rico, tinha um financiamento de 50.000 usd (na época) do departamento de Guerra americano e acompanhamento do NY Times. A verdade é que os irmãos Wright foram os primeiros a voar. Langley desistiu por não ter sido o primeiro. A sua motivação não era voar, mas sim a vaidade, o reconhecimento de ter sido o primeiro, uma motivação errada. Não somos o “glorioso”, nem temos a "causa do Norte" e da descentralização, pelo que temos de descobrir a nossa própria cultura, o que é “Ser Sporting”, a razão de aqui estarmos. E depois, partilhar o nosso sonho com o nosso mercado-alvo. William Bruce Cameron um dia disse que “nem tudo o que pode ser contado conta, nem tudo o que conta pode ser contado”. Atendendo a que somos um clube com menos títulos que os outros dois, mas que sempre (espero que as notícias recentes não tenham delapidado essa noção) pugnou por um comportamento desportivo exemplar, julgo que estas frases se aplicariam como uma luva à nossa narrativa. Para além de que deveríamos reflectir na razão pela qual ganhando muito pouco (no futebol) conseguimos manter, passando sportinguismo de geração em geração, um número de simpatizantes que representa cerca de 3,5 milhões de portugueses. Sim, não são só 180.000, pelo que o nosso espaço de crescimento de sócios é ainda muito grande e poderá ser exponenciado se tivermos presença comercial activa nos distritos deste país - a propósito, porque não aproveitar a rede de distribuição nacional de um "large retailer" para vender cartões de sócio do Sporting, pagando o Sporting um "fee" a essa instituição? Duas marcas de prestígio associadas uma à outra? Isso implicaria uma assinatura anual, recebendo distribuidor e clube logo à cabeça (já nem falo numa parceria deste tipo com um banco porque poderia impactar com as contas de clientes de outros clubes, embora se a iniciativa fosse conjunta dos 3 grandes pudesse resultar bem) - pois diria que temos uma resiliência extraordinária e que os pais sportinguistas conseguem passar melhor aos filhos a paixão pelo clube, independentemente dos resultados desportivos. Isso é uma força que não deve ser delapidada nunca via subversão de valores devido à pressão de ganhar rapidamente. O Sporting deve afirmar-se como um clube do Renascimento (ou renascentista), com uma capacidade reformadora, de mudança de paradigma (o status-quo) e que valorize os seus sócios e as suas opiniões (não podemos querer discutir tudo externamente e internamente reduzir a discussão), com respeito pela integridade das competições, o objectivo de promover um futebol melhor, mais justo, equilibrado e íntegro, tudo assente numa cultura de excelência, compromisso e superação. Por isso, julgo que se deveriam promover algumas alterações (não sou dogmático) ao lema do clube. O esforço vem do tempo em que o desporto era amador. Pedir esforço a um atleta profissional é de uma exigência mínima e nós queremos que o Sporting seja um clube de exigência máxima. Acertada a narrativa, cabe à Direcção/Administração fazer chegá-la a todos os colaboradores e sócios do clube e depois, através do estacionário, de actos/eventos, procedimentos e atitudes mantê-la viva na cabeça de todos, sem ruído, com urbanidade e elevação. Atenção, isto nada tem a ver com uma “cartilha”, em si mesma um instrumento de ódio e de suspeições, mas sim com um guia para a excelência, para a afirmação do Sporting em Portugal e no mundo. Adicionalmente, adaptar modelos à Porto, tipo “todos contra nós”, por exemplo, não respeita a nossa idiossincrasia, os nossos valores ou as nossas necessidades específicas e cria um choque com o que são os valores tradicionais sportinguistas. A cultura de uma organização não pode estar nos antípodas do que é a personalidade e o carácter dos seus colaboradores e accionistas/sócios.

 

Há vida para além do défice - Ideias (3)

Hoje abordo aqui ideias sobre o futebol profissional e a sua articulação com a Formação. Algumas destas ideias são constatações típicas do adepto da "bola", dúvidas que temos e das quais gostaríamos de ser esclarecidos por quem de facto é conhecedor - o profissional de futebol. Ainda assim, lanço-as aqui, até porque entendo que o modelo de Formação deve ser imposto pelo clube, o qual o deve conter na sua política desportiva. É que, independentemente dos resultados desportivos que o treinador consiga obter, a factura é paga pelo clube/sociedade anónima desportiva e cabe a ela garantir a sustentabilidade económico/financeira do projecto.

 

  • Sistema de jogo: na Formação, o sistema de jogo é o 4-3-3. Segundo Aurélio Pereira - e eu gosto muito de ouvir quem realmente sabe, especialmente quando possuem a humildade do nosso catedrático Senhor Formação – o sistema de jogo mais fácil de aprender é o 4-3-3, porque dá mais liberdade aos jovens, não lhes retirando totalmente o “jogo de rua”. O sistema 4-4-2, nas suas múltiplas versões com dois médios centro de perfil, com duplo-pivot ou em losango, exige outra qualidade táctica, outra interpretação do jogo. Ora, se os nossos jovens, desde os 14/15 anos, treinam neste sistema fará sentido, quando chegam aos séniores, experimentarem outro? Até por isso, a contratação de Jorge Jesus para mim fez pouco sentido. Principalmente, se quisermos ancorar o nosso rendimento desportivo e a nossa sustentabilidade financeira no projecto da Formação. Veja-se, por exemplo, a dificuldade que Podence (zero golos) teve para ser o segundo avançado de um sistema que não conhecia (simultaneamente, observem de que zona do terreno partiram a maioria das suas 7 assistências da época). Diga-se que estas dificuldades não foram exclusivas do pequeno-grande jogador proveniente da nossa Academia. Alan Ruiz, que na Argentina e no Brasil jogava a partir da ala direita, também nunca se enquadrou e só Bruno Fernandes, que teve 4 anos da tácticamente fortíssima escola italiana, teve um desempenho assinalável. O meu ponto, e admito que seja polémico, é que se queremos ter um projecto de futebol profissional assente na Academia então deveremos herdar o seu sistema de jogo, havendo naturalmente os sistemas alternativos que o treinador principal entenda criar. Um modelo à Barça, mas nós também somos mais do que um clube. Até admito como 2ª opção que se adapte o modelo de jogo aos jogadores que temos (se a aposta na Formação for real não se afastará do que anteriormente disse), agora o que penso não dever acontecer nunca é os jogadores terem de adoptar o modelo do treinador (isso também fez a diferença na performance de Rui Vitória face a JJ, quando o 1º soube adoptar o sistema que o 2º tinha deixado no Benfica, prescindindo do seu 4-3-3 que tão bons resultados lhe tinha granjeado em Guimarães).
  • Treinador Principal do futebol profissional: a meu ver, o treinador tem de ser alguém com especial vocação de artífice, no sentido em que está na última estação de produção de talento da linha de montagem que é a nossa Formação. Ao seu nível, tratará dos “acabamentos”, a dimensão táctica do jogador. Se este chegar aqui com deficiências técnicas, a nível do passe e recepção orientada, dificilmente terá um crescimento tão exponencial quanto aquele que se poderá esperar no plano táctico (olho para Ristovski, por exemplo, um jogador rápido e todo-o-terreno, mas nota-se a falha na sua formação a nível de recepção). Já a finta orientada ou o remate poderão mais facilmente ser trabalhados, burilados pelo treinador. Ao mesmo tempo, o treinador tem de estar habituado à pressão de ganhar, mesmo quando com orçamentos inferiores aos seus rivais. Deixo aqui um nome de alguém que penso ter essas duas valências, a título meramente ilustrativo: Rudi Garcia. O treinador francês foi campeão pelo Lille, em 2010/11, numa equipa onde despontavam os jovens Hazard, Gervinho ou Cabaye.  Seguidamente, foi para a Roma onde bateu o record de vitórias seguidas na Serie A (2013/4), com 12 vitórias consecutivas, lançando os jovens Dodô (20 jogos), Florenzi (41 J), Destro (23 J) ou Ljajic (32 J), todos com idades compreendidas entre os 20 e os 23 anos, numa temporada onde ganhou 26 dos 38 jogos que disputou no campeonato, totalizando 85 pontos (só superado por uma super Juventus que fez a sua melhor época de sempre).  Actualmente, é o treinador do Marselha, equipa que disputou a final da Liga Europa com o Atlético de Madrid.
  • Adjuntos: um dos adjuntos da equipa profissional deve ser uma velha glória do Sporting, campeão pelo clube e com capacidade para passar a cultura Sporting ao plantel. Deve também ser um homem leal e que ajude na integração do treinador principal e restante equipa técnica, especialmente se forem estrangeiros.
  • Gabinete Técnico do futebol profissional: formada por Director Geral para o futebol profissional, treinador principal do futebol profissional, Coordenador do futebol de Formação, treinador dos sub-23 e treinador dos juniores. Reunindo semanalmente, espaço onde se pode ir avaliando a evolução dos jogadores jovens com potencial para subirem à 1ª equipa do clube. Decisões como “queimar etapas” na Formação, posições em que é necessário intensificar o treino do jovem, com mais conteúdos tácticos, para mais rapidamente suprir uma lacuna da equipa principal, empréstimos para rodar ou dispensas devem ser aqui definidas, de forma a que o Director Geral possa saber com a máxima antecedência possível com o que pode contar na equipa principal e as posições em que terá de ir ao mercado.
  • Política de quotas da Formação até que a aposta se consolide: não sou muito fã das quotas, mas a verdade é que se tem de começar por algum lado. Por exemplo, em tempos não muito distantes, foi a única forma de as mulheres poderem subir na sua carreira profissional. Uma discriminação positiva e que, no início poderá mais privilegiar a quantidade do que a qualidade, mas creio ser a única forma de impedir desvios ao que deveria ser o nosso ADN. Julgo, por isso, que deveria haver um número mínimo de jogadores provenientes dos nossos escalões de Formação na equipa principal e nem me chocaria que isso fosse integrado nos Estatutos do clube.
  • Tecto máximo de jogadores: o plantel principal deve ter um número máximo de jogadores. Na minha opinião deveria ser de 24: dois por cada posição, 3 pontas-de-lança e 3 guarda-redes. Havendo lesões, subiriam jogadores dos sub-23 à equipa principal para as posições em défice. Seria uma maneira inteligente de optimizar recursos, com consequências positivas em termos de custos com pessoal e resultados líquidos da sociedade anónima desportiva.
  • Política de empréstimos: do meu ponto-de-vista, cumprindo-se os pressupostos dos dois pontos anteriores não seria necessário emprestar muitos jogadores (existe a equipa sub-23). Em todo o caso, estes, a acontecerem, por motivos de maior competitividade, deveriam privilegiar clubes que tenham treinadores com histórico de aposta em jogadores jovens e da nossa Formação, tais como José Couceiro, Luis Castro ou mesmo Silas. A meu ver, o treinador é mais importante do que o clube. Pode-se ter óptimas relações com o clube, mas o treinador não apostar em jovens. A não ser que se queira influenciar a escolha do treinador por parte do clube, mas isso já seria passar aquela linha que a mim me começaria a causar alguma urticária, pois a possibilidade de a coisa entrar no domínio do conflito de interesses seria considerável.e tenho como certo que o Sporting é um clube que não pode estar ligado a essas situações.
  • Contratação de novos jogadores: só deveriam ser contratados jogadores cirurgicamente e para as posições em falta. Posições como as de ponta-de-lança ou de defesa esquerdo, que a nossa Formação geralmente não produz, por exemplo, e outros que conjunturalmente seja necessário colmatar. De qualquer forma, a qualidade das “fornadas” da Academia não é uniforme de ano para ano pelo que que haverá anos em que será necessário actuar mais no mercado. Evidentemente, uma boa oportunidade de mercado não deve ser desperdiçada, obedecendo ao tecto contemplado em cima. Vejo o Sporting a contratar um jogador de qualidade média como Marcelo (defesa), com 28 anos, e faz-me uma certa confusão. O mesmo se passou com Ruben Ribeiro. Eu proporia que só se contratassem jogadores com idade máxima de 23/24 anos (numa óptica de rendibilização de investimento) e alguns jogadores mais velhos apenas quando pudessem efectivamente fazer a diferença (Mathieu, por exemplo) e trouxessem a experiência que faltasse à equipa. Nunca contrataria nenhum jogador por empréstimo, excepto se tiver uma cláusula de opção com um valor acessível para as nossas finanças.
  • Introdução do treino por sectores na Formação: vemos as melhores práticas dos desportos profissionais americanos e fica sempre a sensação que a Europa está muito atrás em diferentes matérias. Desde logo na interligação com os adeptos, mas aqui vou falar do treino por sectores, algo que é particularmente visível no futebol americano. O futebol ganhará muito com os ensinamentos de outros desportos. Por exemplo, a basculação (mudança de flanco) é uma coisa que se vê com frequência num jogo de andebol. Como é possível termos um homem como Manuel Fernandes nos nossos quadros e continuarmos sem produzir um ponta-de-lança com qualidade? Manuel Fernandes daria um bom treinador de avançados e pontas-de-lança em particular, transversal aos diferentes escalões de Formação, ensinando os miúdos em questões de posicionamento no campo, colocação do pé na bola, cabeceamento (vemos muitos que chegam ao plantel principal com défices nesse aspecto – Gelson, Matheus, etc). Não seria o Manél mais útil para nós aqui que no Scouting?
  • Scouting: conseguir cadastrar a base-de-dados com o maior número possível de jogadores, nacionais e internacionais, ainda em idade juvenil e ter a capacidade de os ir acompanhando até que as regras FIFA (jogadores estrangeiros) não impeçam a sua contratação. Isto traria menores custos na sua aquisição. Quando se chega a um jogador “já feito”, os custos são necessariamente superiores. Procurar mercados emergentes (Argentina, Uruguai, Chile, os brasileiros já estão muito inflacionados), mas também afluentes. No tempo de Sousa Cintra chegaram ao Sporting, pela mão do empresário Lucídio Ribeiro, uma série de jogadores muito interessantes, provenientes do centro da Europa e do Magrebe. Balakov, Iordanov (bulgaros), Cherbakov (Ucrânia), Valckx (holandês) ou Naybet e Hadgi (marroquinos) foram jogadores que chegaram ao Sporting por valores acessíveis e que tiveram excelente performance desportiva, além de, alguns deles, proveitos extraordinários para o clube após venda. Abandonaram-se esses mercados e não se percebe bem porquê.
  • Propriedade Intelectual vs Academia: julgo que a maioria dos adeptos e até alguns dirigentes confunde muito a nossa Formação com a Academia de Alcochete. A Academia é um espaço físico, com excelentes condições é certo, mas o que faz toda a diferença é a propriedade intelectual, o enorme talento de homens como Aurélio Pereira ou João Couto, por exemplo, ou dos falecidos César Nascimento e Osvaldo Silva que fizeram escola. Se alienarmos isto, podemos ter a melhor Academia do mundo que os resultados não aparecerão. E depois há outras coisas: aquele campo pelado, ali ao lado do antigo pavilhão, viu nascer jogadores como Futre, Figo e Ronaldo (apanhou a Academia já no final da sua formação). Esses campos irregulares estimulavam a técnica e a habilidade dos jogadores, obrigados a dominar a bola após ressaltos inesperados ou a fintar entre umas covas ou lombas no terreno de jogo. Hoje em dia, os campos são perfeitos mas os talentos escasseiam. Dá que pensar, mas talvez não fosse má ideia ter um campo pelado em Alcochete, que pudesse recriar um pouco as condições do futebol de rua, onde craques como os já citados, para além dos ultramarinos Peyroteo, Hilário, Eusébio, Coluna ou Matateu, aprenderam o ofício. E continuem a recrutar formadores de excelência para enquadrar os nossos jovens.do ponto-de-vista desportivo e educacional.

Há vida para além do défice - Ideias (2)

Bom dia a todos,

 

na sequência da rúbrica que ontem aqui iniciei, junto hoje algumas ideias sobre a relação do clube com os seus SÓCIOS:

 

  • CRM Sporting: os sócios têm diferentes competências, trabalham em diferentes sectores de actividade, têm skills que podem ser úteis ao clube e à sua Direcção. A partir do momento em que é extinto o Conselho Leonino, ainda mais importante é explorar o conhecimento que estes sócios têm sobre matérias específicas, podendo e devendo a Direcção pedir-lhes apoio na implementação de certos projectos ou, simplesmente, via algum conselho que possa ser dado, sempre em complemento das equipas de colaboradores do Sporting. Para que a Direcção possa conhecer melhor os seus sócios tem de promover um novo cadastramento dos mesmos (os dados preenchidos aquando da adesão são insuficientes). Proponho que se olhe para as melhores práticas da banca, a qual tem hoje em dia um formulário obrigatório denominado Know Your Customer (KYC), que inclui dados complementares (profissionais e áreas de interesse). Depois é adaptá-lo à relação entre um clube e seus sócios (os dados patrimoniais já seriam talvez intrusivos) e lançá-los numa plataforma CRM. No passado, criei uma de raíz através do Microsoft Dynamics, a custo muito baixo. Outro aspecto relevante é esta ferramenta também permitir fazer uma segmentação dos sócios, por "bucket" etário, geografia, profissão, interesses, etc, adaptando a nossa oferta de produtos/serviços a cada segmento. Preocupação que tenho nesta matéria: Protecção de dados. Associado ao CRM, geralmente existem diferentes níveis de prioridade de acesso aos dados do cliente/sócio. Alguns dados deveriam permanecer confidenciais para todos os colaboradores e só poderiam ser acedidos pelo Conselho Directivo/Conselho de Administração e pelo Director de Marketing. Tenho um exemplo muito desagradável no passado, com outra Direcção, quando, através de um Contact Center, uma determinada companhia de seguros começou a ligar-me diariamente e às horas mais impróprias (durante reuniões e/ou à hora do jantar) no sentido de que lhes comprasse um  determinado produto. Isto durou meses - todos os dias ligavam-me pessoas diferentes - apesar de, desde o início, ter referido não estar interessado. Quando lhes perguntei como tinham obtido os meus dados referiram-me que o Sporting lhes tinha vendido a base de dados dos seus sócios. Fiquei indignado é só não tomei uma providência por ser o meu clube do coração (já não me recordo - sou sócio há 38 anos - se aquando da filiação havia algum campo que permitisse a transmissão de dados, mas sendo eu menor na altura duvido que isso fosse legalmente permitido). 
  •  Provedor do sócio/Secretário Geral: não sei se existe; no site, em lugar de destaque, não consta. Como podem os sócios encaminhar sugestões para o clube? Ou queixas sobre um determinado abuso por parte do clube? O Nosso comentador Leão da Estrela também levanta esta questão. Seria importante, em ambiente fechado ou aberto a outros sócios, os sócios terem um espaço onde pudessem apresentar sugestões de melhoria de determinados serviços ou ideias, visões, para o futuro do clube. O tipo de conteúdo é diferente de uma Linha de Apoio, pelo que deveria haver um canal próprio criado para o efeito. Já agora, gostaria de deixar aqui uma nota à atenção de alguém responsável porque, tendo acontecido comigo, dela tenho conhecimento. No início deste ano, o banco que uso para débito em conta, das quotas dos meus 3 filhos, após uma integração, mudou os IBANs dos seus clientes. O resultado disso foi que os antigos IBANs deixaram de estar disponíveis e os pagamentos não foram efectuados (teria de me ter deslocado a Alvalade e dado os novos IBANs). São 3 quotas que estão a meu cargo, um dos meus filhos é maior de idade e já não sou eu que recebo as mensagens para pagamento, e o Sporting deixou de ter assegurado o pagamento das quotas por débito directo, passando para a situação mais precária (e ao cuidado da memória de cada um) de ter de ser o sócio a fazer a transferência por multibanco ou home-banking, tudo isto, dizia, sem me fazer um único telefonema. Ora, é ou não de todo o interesse do clube que os sócios não tenham as quotas em atraso?  
  • Sócios - iniciativa Glória do mês: iniciativa que visaria homenagear mensalmente um atleta que pelo seu palmarés e comportamento social tenha sido uma referência dos valores que apregoamos. Do futebol ao atletismo, do hóquei ao basquetebol, do andebol ao futsal e restantes modalidades seria prestada homenagem a essas figuras, o que permitiria aos mais jovens tomar consciência de quem foram essas pessoas e aos mais antigos recordá-las com saudade. Armando Marques (tiro), vice-campeão olímpico (quem conhece?), Chana (hóquei, campeão do mundo, para mim, ainda melhor que Livramento, quem conhece?), Rita Villas-Boas (trampolins, vários títulos, quem conhece?). Isso permitiria às pessoas, durante esse mês, tomar contacto com a história desse atleta e da sua modalidade, com peças na SportingTV, jornal do Sporting, Site do clube e iniciativas próprias no estádio de Alvalade e no Pavilhão João Rocha antes dos jogos das nossas equipas, reforçando o orgulho de ser Sporting e o "awareness" sobre uma modalidade específica.  
  • Stock-out Loja Verde: mensalmente, haveria um dia com preços bastante mais baixos, com colecções "retro" de outras épocas, vendidas a preço muito acessível. 
  • Dia de Sporting: trabalho de pré-época, de conjugação dos calendários dos jogos no Pavilhão com os jogos no Estádio, permitindo maior afluência de público, envolvendo famílias. Criação do Pack Dia do Sporting, de bilhete único para utilizar no estádio e pavilhão, no mesmo dia. 
  • Sócio do mês: em todos os jogos em Alvalade, o Conselho Directivo (por mérito ou por sorteio, critério a definir) escolheria alguns sócios, os quais teriam direito a assistir aos jogos em Alvalade com a sua família (4 pessoas, p.e.), entrar em campo com as equipas, dar um pontapé de saída simbólico, receber uma bola autografada por todos os jogadores e treinadores, efectuar uma visita guiada a Academia e Museu, participar nas homenagens ao atleta do mês (Glória), entrevistas a SportingTV e Jornal do clube dando conta da sua experiência de envolvimento com o clube. Nota: poucos sócios reunem condições para terem a familia com eles nos jogos durante toda a época. Só aqui em casa somos cinco, pelo que se torna incomportavel caso não queiramos naturalmente descriminar qualquer dos filhos. 
  • Site do Sporting: carece de urgente reformulação. Não só é muito pouco sofisticado técnicamente, com consequências a nível de navegação, como é paupérrimo em termos de conteúdos e da sua actualização (procurar as equipas de Formação é um exercício surrealista, os jogadores são sempre os do ano anterior), mesmo a nível do calendário de jogos da nossa equipa principal de futebol como o Nosso autor Ricardo Roque tem feito o favor de demonstrar. É muito pobre, tem muito poucas referências à nossa história e à dos nossos atletas e é pouco funcional e interactivo (a não ser para pagamentos de quotas ou gamebox). Aqui há tempos, o Nosso comentador JHC deu conta de um site brasileiro, "Esquadrão Imortal", que faz mais jus à carreira de Peyroteo e dos 5 Violinos do que qualquer publicação leonina (exceptuando os livros de Fernando Correia). No mês dedicado a um atleta, poderiam ser incluídos no site peças diárias sobre todos os relevantes atletas dessa modalidade onde o homenageado se destacou. 
  • Novas tecnologias: O Nosso comentador Leão da Estrela traz a sugestão, ipsis verbis, de que, em tempos de internet, redes sociais, jogos eletrónicos e toda uma interatividade digital de meios, seria importante criar um gabinete de novas tecnologias como forma igualmente de criar maior ligação ao sócio e adepto e consequentemente, entrar no mundo dos mais jovens criando assim maiores laços e cativando a sua ligação ao Clube. Neste mundo digital, ter-se-ia que dar maior destaque aos atletas e às modalidades, sendo importante e principalmente para os mais jovens, a criação de jogos onde o Clube, os seus heróis desportivos ou as suas modalidades desportivas fossem jogáveis de forma interactiva.

 

Não coloquei aqui a "carne toda no assador", até porque as características de um Post na blogosfera desaconselham a que seja demasiado grande. Agradecia que complementassem estas ideias com outras sugestões, através da caixa de comentários.

 

Saudações Leoninas

Há vida para além do défice - Ideias (1)

Bem sei que a Direcção do clube passou aquele linha que relegou para segundo plano as suas inúmeras realizações ao longo destes anos. Por muito que se valorize um trabalho, a ameaça de utilização de uma "bomba atómica", latente durante um período em Abril e agora de volta, em forma de boomerang, nos últimos dias, é algo que tem de alarmar um sócio. A ideia de exigência no plantel profissional de futebol é algo que me agrada e que penso necessita de ser reforçada, mas isso não pode ser imposto de uma forma autoritária, repressiva e, perdoem-me, imatura. Deve, isso sim, ser obtida com inteligência através de um conjunto de práticas, procedimentos e atitudes, em que o exemplo deve sempre vir de cima. Enfim, as coisas não correram bem, as partes foram-se afastando (o que é sempre um mau sinal sobre a liderança) e para piorar o cenário surgiriam os horríveis acontecimentos de Alcochete, que enquanto adepto e sócio me envergonharam, mas do qual espero que os jogadores não retirem outra conclusão que não seja não confundir um grupo de arruaceiros com os ordeiros adeptos comuns do Sporting. Não sei o que será o futuro. Sei que retirei o meu apoio a esta Direcção, em Abril, mas é apenas a minha opinião, os sócios são e serão soberanos. Como sempre nestas ocasiões começa a surgir na imprensa o habitual desfile de diversos nomes, putativos candidatos à presidência do Sporting. Sou mais um homem que valoriza ideias e tem muito pouca paciência para feiras de vaidades. Nesse sentido, lembrei-me de criar esta série onde diariamente irei apresentando ideias que fui maturando com o tempo, na esperança de que, após revistas, melhoradas  e complementadas por todos aqui no blogue, possamos, em conjunto, humildemente contribuir para o engrandecimento desta ENORME instituição, seja este ou qualquer outro o presidente em funções. Não nos podemos estar sempre a queixar, temos o dever de cidadania leonina de nos informarmos, nos envolvermos, de participarmos activamente na vida do clube, trazendo valor e mostrando ao mundo que somos realmente diferentes e pela positiva, mais ainda agora que a imagem pública do clube está degradada e que urge recuperá-la. Parafraseando John Fitzgerald Kennedy, mais do que lamentarmos o que o clube não faz por nós (ou ficarmos à espera do que o clube pode fazer por nós), afirmemos aqui aquilo que podemos fazer pelo clube. Levantemo-nos leões!!!

Como o texto que tenho preparado é longo e compreende diferentes áreas, decidi dividi-lo aqui no És a nossa FÉ em vários fascículos/capítulos. Hoje, apresento aqui o primeiro, subordinado aos temas Cultura Corporativa, Dinamização dos Núcleos, Academias e Liga de Clubes (nota: dada a natureza de um Post tentei sintetizar o mais possível os tópicos). Amanhã, trarei aqui um Post dedicado à relação com os sócios.

 

Cultura Corporativa: os jogadores de futebol não são prestadores de serviços, mas sim quadros do clube. Julgo que uma das prioridades do clube deverá ser o investimento na cultura corporativa (a “mística”, no jargão futebolístico), um elo identificador que una todos os profissionais do clube à volta de um nexo comum, de forma a que o todo se sobreponha sempre à soma das partes. Nesse sentido, em relação à equipa de futebol, urge retirá-la um pouco do isolamento de Alcochete e aproximá-la do coração do clube, Alvalade, dos seus adeptos (não confundir com hooligans) e de atletas de outras modalidades, para além de permitir a realização de acções formativas.  Marcar-se um treino matinal semanal em Alvalade (às quartas-feiras?) seguido de um "day-out", à tarde, com os sócios e atletas das modalidades, seja através de actividades de team-building, seja através de apoio ao merchandising (com sessões de autógrafos) na Loja Verde, seja através de seminários organizados pelo Sporting que visem acautelar o futuro profissional dos jogadores (criando aquele factor diferenciador que os jogadores reconhecerão), pós cessação da sua carreira desportiva, em matérias como gestão de empresas, liderança, literacia financeira, etc. Gostaria também de ver um ex-jogador, campeão pelo Sporting, como Director para o Futebol, que fosse capaz de ser um fio condutor entre a história centenária do clube e o balneário, com o objectivo de se conseguir uma cultura de exigência, excelência e superação, a todos mobilizando no sentido da atitude e compromisso necessários para lá chegar. Em traços mais gerais, e visando todo o clube, criaria um Comité de Inovação, forum onde todo o tipo de colaboradores do clube estaria representado. O clube podia promover um concurso de ideias para funcionários/sócios, oferecendo um prémio simbólico como forma de motivar as pessoas a apresentarem-nas. Lembro-me sempre daquele episódio académico, salvo erro na Colgate, onde foi aberto um concurso interno em que se pediam ideias a todos os funcionários sobre como aumentar as vendas. O vencedor foi o motorista da empresa, que preconizou que se aumentasse o bocal das bisnagas de dentífrico...

 

Dinamização dos núcleos: também tem de se dinamizar mais os núcleos, que são um bom canal de vendas (para além da bilhética) e potenciadores de negócios para o clube. Estão nas regiões e devem estar ligados ao tecido económico das mesmas. Poderão servir para aumentar o número de associados, incrementar as vendas de produtos e serviços do clube e como polo aglutinador de patrocinadores para o clube através do conhecimento das forças vivas da região e suas necessidades de promoção das marcas. Deveriam ter Promotores comerciais, pagos à comissão, na venda de produtos/serviços, num modelo que poderia atribuir um "fee" maior ao núcleo, ficando estes responsáveis pelo pagamento dos comerciais, ou um "fee" menor, assumindo o Sporting os compromissos com esses comerciais. Gostaria que um dia nos fosse mostrada uma discriminação dos proveitos obtidos na Loja Verde, Rua Augusta, "on-line sales" e outros canais, de forma a perceber de que forma se podem melhorar as vendas nos diversos canais de distribuição. Nos escrutínios eleitorais, os núcleos deveriam poder participar através do voto electrónico, observadas as necessárias garantias de fiabilidade e integridade do sistema. 

 

Academias: existem actualmente diferentes modelos de negócio das Academias. Em algumas, o Sporting tem uma participação; noutras receberá um “fee” (100% franchising). Seria interessante que estes modelos e respectivos Business Plan fossem apresentados aos associados e que se percebesse, através de planos plurianuais, quais os custos em que o clube incorre e os proveitos que se podem esperar destas apostas. Igualmente, no plano desportivo, perceber-se quais são os objetivos. Há algumas informações dispersas que indicam que já há alguns jovens a treinar nas equipas de Formação do Sporting e que são provenientes deste tipo de academias, mas não são claros quais são objectivos (quantificáveis). No fundo, seria interessante uma apresentação, onde ficassem claros os objectivos económicos e desportivos da aposta nas academias, a nível nacional e internacional, e perceber-se qual a política de expansão e como se conjuga com o merchandising e a promoção da marca.

 

Liga de clubes

Inspirar uma alteração dos quadros competitivos: em cinco anos (se não se conseguir antes), campeonato com 12 equipas, disputado numa primeira fase a duas voltas; “play-off” (6 primeiros da primeira fase) e “play-out” (6 últimos da primeira fase) com 6 equipas cada, a duas voltas, total de 32 jogos; os pontos contam desde o início, descida de divisão para os dois últimos classificados do “play-out”, o que possibilitaria que a mesma receita fosse dividida por menos clubes. Igual modelo para a 2ªLiga e para a 3ªLiga (inovação). Criação da 4ª Divisão, nos moldes do actual Campeonato de Portugal, a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Desde logo, haveria mais jogos entre Sporting, Porto e Benfica e quem conseguisse chegar ao “Play-off” receberia duas vezes os “grandes”, uma grande motivação e aumento das receitas de bilheteira para todos. O vencedor do “Play-out” poderia ter um bónus da Liga (ou mesmo uma participação europeia garantida, por troca com os quintos/sextos classificados do “Play-off”), a fim de que os clubes estejam motivados. Julgo que com estas medidas, e assegurando que em 5 anos, o modelo estaria implantado, teríamos daqui a 10 anos 3 clubes na Champions.

Melhor distribuição das receitas televisivas entre os clubes: pode parecer um paradoxo, mas a verdade é que actualmente Portugal só tem um participante garantido na Champions e isso deve-se, essencialmente, à má prestação dos clubes médios do futebol português nas provas da UEFA. Às vezes, é importante dar um passo atrás para se poderem dar dois à frente e uma maior competitividade da Liga ajudará a todos a longo prazo.

SADs: A Liga enquanto regulador tem de fazer outro escrutínio na constituição de sociedades anónimas desportivas. O futebol, actualmente, é um paraíso para negócios pouco claros e é necessário tomar medidas para combater isto. O “match-fixing”, geralmente associado às apostas desportivas, é um flagelo que importa enfrentar. Não me parece que haja suficiente “compliance” sobre os investidores e a Liga deveria adoptar os procedimentos actualmente em vigor no sistema financeiro sobre branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo (BCFT). E depois, há modelos que funcionam porque apostam em criar raízes e na envolvência com as povoações, como é o caso do Aves, outros não contemplam essa realidade e acabam por criar um fosso com os sócios e adeptos do clube, servindo apenas como plataforma de interface de jogadores.

Código de Ética dos Agentes Desportivos; é fundamental a existência de um código de ética, de conduta, que abranja todos os agentes desportivos, com especial ênfase na prevenção de conflito de interesses, promiscuidade, tráfico de influências e corrupção. Penalizações em sede de justiça desportiva para os prevaricadores.

Desvantagens competitivas face a diversos países europeus devido a uma fiscalidade mais exigente e que não discrimina positiva uma profissão de desgaste rápido (dos profissionais de futebol). Promover consenso na Liga e constituir "lobby" para sensibilizar o governo, no sentido de tentar aligeirar a carga fiscal.

O Sporting tem de estar estratégicamente na primeira linha em todas estas transformações que o futebol português precisa e necessita de ser mais persuasivo na mobilização dos restantes clubes para esta causa. Há que perceber o que é fundamental e o que é acessório e saber estabelecer os compromissos necessários para que as nossas ideias vinguem. Inovar permanentemente e criar factores de diferenciação face à concorrência têm de ser um moto contínuo do nosso dia-a-dia.

 

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