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És a nossa Fé!

Mérito, talento e competência

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É o seleccionador nacional que já orientou a equipa das quinas em mais jogos do que qualquer outro antes dele.

Há três anos, em França, levou Portugal a uma conquista histórica: o Campeonato da Europa em futebol. Somos, ainda hoje, campeões em título.

Ontem, no Porto, venceu a segunda final europeia. Desta vez levando a nossa selecção a conquistar a Liga das Nações, prova que se realizou pela primeira vez - e em palco nacional, o que muito nos lisonjeia.

Não só vencemos: também convencemos. Cumprimos sem derrotas a campanha de qualificação no nosso grupo. Agora, na fase final, vencemos a Suíça (por 3-1) e a Holanda (por 1-0). Com três golos de Cristiano Ronaldo e um de Gonçalo Guedes.

Apesar destas evidências, ainda há muitos portugueses que se recusam a reconhecer mérito, talento e competência a Fernando Santos. Dizem que vence com sorte, recorre a esquemas hiper-defensivos, sem dar espectáculo. São os mesmos que gritam por Messi à passagem de Ronaldo ou que dão vivas a Guardiola quando avistam Mourinho. Isto deriva do típico masoquismo nacional: idolatramos compatriotas que perdem por sistema e detestamos aqueles que regressam a casa com títulos e troféus.

Recomendo aos detractores de Fernando Santos que neste Dia de Portugal revejam com calma e paciência a final de ontem no Dragão, em que dominámos a selecção holandesa, uma das melhores da Europa. E pergunto-lhes se depois disso ainda serão capazes de negar atributos ao engenheiro que conduziu a selecção à melhor etapa da sua história.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Uma Laranja amarga

Vêr a bola rolando sobre a relva num jogo da Selecção é natural, o que não é natural é vêr Rolando sobre a relva a jogar à bola pela Selecção. Mas não foi só o marselhês que esteve mal, visto que ao seu lado a Fonte secou. Acrescente-se a presença de André Gomes como trinco, de um ainda pouco rodado Adrien no centro do campo e de um(a) Cancelo(a) sempre aberto(a) às investidas holandesas e já não haveria seguradora que pudesse cobrir o risco de acidente. 

 

Portugal, ao contrário do que costuma ser a nossa atitude contra a Holanda, decidiu tentar assumir as despesas da partida, mas com as linhas muito distantes entre si acabou por facilitar o invulgarmente cínico jogo holandês, permitindo transições cirúrgicas donde resultaram três golos sofridos na primeira parte.

 

A segunda parte foi um pouco melhor, mas os golos de Ronaldo não apareceram, as trivelas de Quaresma continuaram no balneário e, para piorar a situação, do outro lado esteve um inspiradíssimo Jasper Cillessen a manter a sua baliza inviolável. Paradoxalmente, os melhores jogadores da nossa Selecção foram os que jogam em Portugal: Gelson Martins, incansável a fazer todo o corredor pós-expulsão de Cancelo, foi de longe o melhor e Bruno Fernandes tentou remar contra a maré. Nota positiva também para São Patrício que não sofreu qualquer golo  nesta dupla jornada helvética...

 

Derrota importante para recentrar os pés na terra e perceber que temos um longo trabalho pela frente. A defesa, nomeadamente a sua zona central, preocupa e muito. Volta Pepe!!! E, já agora, talvez não seja mal pensado o regresso de Éder. Embora falhe golos a 2 metros da baliza como André Silva, pelo menos tem a meia distância. E é talismâ! 

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Nulidade

Alguém sabe dizer-me por que motivo um tal Cancelo alinhou hoje como titular da selecção nacional, fornecendo brindes sucessivos à Holanda, que nos derrotou por 3-0 em Genebra, num jogo de "preparação" para o Mundial, com paupérrima exibição do onze português?

O dito cujo conseguiu destacar-se ao ter responsabilidades directas nos três golos da Holanda e cometer faltas grosseiras que o levaram a ser brindado com dois cartões amarelos - e a consequente expulsão, ficando Portugal a jogar só com dez a partir do minuto 62. E assim sofremos a maior derrota a nível de selecção desde 2014.

Espero desde já que o seleccionador Fernando Santos o deixe sem bilhete de avião para a viagem a Moscovo. Meu caro Cédric: como é óbvio, a posição é tua.

Meteram a viola no saco

Alguns, por cá, apressaram-se a desvalorizar o trabalho de Fernando Santos à frente da selecção nacional considerando que o actual modelo de qualificação para o Campeonato da Europa, pelas facilidades inerentes, tornou quase obrigatória a presença de grande parte das equipas nacionais na fase final em França.

Gostava de saber como é que, neste contexto, tais sumidades comentam a ausência da Holanda do próximo Europeu, apesar de ter sido semifinalista do último Mundial. Mesmo com as tais facilidades, a outrora "laranja mecânica" ficou pelo caminho - algo que não sucedia desde 1984. Suprema humilhação: na jornada decisiva, os holandeses perderam em casa contra a República Checa.

Enquanto, pelo contrário, Portugal se qualificou por mérito próprio ainda antes de chegarmos à última jornada da qualificação. Lá tiveram os críticos de Fernando Santos de meter a viola no saco.

A ver o Mundial (30)

Escutei já hoje o que se disse ontem à noite nas televisões portuguesas sobre o Brasil-Holanda. Num dos canais - por sinal aquele que, de longe, pior trata o futebol - todo o espaço de comentário foi utilizado para pendurar Luiz Felipe Scolari no pelourinho. Um dos intervenientes chegou ao ponto de dizer que a conquista da Taça das Confederações em 2013, já com Scolari ao leme do escrete, foi péssima para o Brasil pois travou a indispensável renovação dos canarinhos, blablablablá patati patatá.

Ainda esperei que, numa lógica simétrica, todos quantos degolaram, vergastaram e lapidaram Scolari - tornando o treinador já não só o responsável máximo mas o responsável único dos desaires de uma equipa - saíssem em elogio e louvor do seleccionador holandês, Louis van Gaal. Nada disso: nem uma palavra sobre o tema. Os treinadores, na óptica do painel deste canal, só merecem menção pela negativa, nunca pela positiva.

 

Toda a linha de raciocínio deste programa de rescaldo e análise do encontro de ontem para a obtenção do terceiro lugar no pódio do Mundial decorreu em obediência à lógica do demérito brasileiro, sem invocação expressa (e mais que justificada) do mérito holandês.

Como se fosse por acaso que a Holanda se despediu do Mundial sem uma derrota.

Como se fosse por acaso que os holandeses tivessem renovado em grande parte a sua selecção, eliminada no Euro-2012 ainda na fase de grupos.

Como se fosse por acaso que Robben se sagrou o maior valor individual deste torneio, correndo em cada jogo como se fosse o último (e no Brasil-Holanda sofreu uma grande penalidade cometida por Fernandinho à qual o árbitro fez vista grossa, talvez para poupar a turma anfitriã a uma segunda goleada consecutiva).

 

Os erros grosseiros cometidos pelos brasileiros em campo foram igualmente escamoteados por estes comentadores.

Nem uma palavra sobre a falta cometida por Thiago Silva sobre Robben logo aos dois minutos (e que o árbitro, amiguinho, sancionou apenas com cartão amarelo quando devia ter exibido o vermelho).

Nem uma palavra sobre o absurdo alívio de David Luiz aos 17' que funcionou como assistência ao segundo golo holandês.

Nem uma palavra sobre as exibições apagadíssimas de Jo e Willian, os "reforços" que os críticos de Scolari mais vinham reclamando para o onze titular.

 

Toda a análise foi feita à luz da putativa obrigação do Brasil em sagrar-se vencedor.

Como se houvesse triunfadores antecipados em futebol.

Como se a Holanda não existisse.

O escrete comandado por Scolari sai do Mundial no quarto lugar. Como saiu em 1974, no Campeonato do Mundo que se seguiu à brilhante conquista do troféu Jules Rimet no México, ainda com vários jogadores titulares da conquista desse tricampeonato. E em melhor posição do que conseguiu a tão elogiada selecção de 1982, eliminada antes das meias-finais mesmo com o brilhantismo de Sócrates, Falcão e Zito.

 

Falar assim de futebol, sem critério nem memória, é demasiado fácil. Os cafés portugueses estão cheios de comentadores deste género: qualquer mediano olheiro televisivo pode recrutá-los lá.

A ver o Mundial (29)

Confirma-se: este será para os brasileiros um Campeonato do Mundo ainda mais traumático do que o de 1950, quando o escrete foi vice-campeão perdendo na final com o Uruguai. Um desfecho muito mais aceitável, apesar de tudo, do que esta hecatombe à beira do fim do segundo Mundial em que os brasileiros participaram na qualidade de anfitriões. Derrotados frente à poderosa Alemanha na terça-feira, novamente derrotados esta noite perante uma Holanda que foi superior do primeiro ao último minuto do desafio. Segundo desaire consecutivo do Brasil: dez golos sofridos, apenas um marcado.

Os comentadores da RTP procuraram desde o início desvalorizar esta partida transmitida em directo pelo canal público, o que não faz o menor sentido. Ainda hoje todos celebramos o lugar de Portugal no pódio naquele saudoso Mundial de 1966. Além disso, estes desafios costumam ser mais emocionantes e ter mais golos do que muitas finais. Foi assim há quatro anos, por exemplo.

Perder, nem a feijões. E para o Brasil este desafio era mais importante do que a simples disputa do terceiro lugar no Campeonato do Mundo: era também a derradeira oportunidade de levantar a cabeça. A honra da selecção comandada por Scolari estava em jogo.

 

O seleccionador brasileiro fez seis mudanças no onze titular. Regressou o capitão Thiago Silva, que estivera afastado do encontro anterior por acumulação de cartões. Maxwell, Maicon, Ramires, Willian e Jo entraram de início. No banco sentaram-se Dante, Marcelo, Fernandinho, Bernard, Hulk e Fred. Neymar, lesionado, continuou de fora.

Não valeu de nada alterar a frente atacante, como reclamavam algumas das vozes mais críticas de Scolari: mesmo recauchutada, a linha ofensiva foi de uma inacreditável inoperância enquanto a defesa voltava a passar por inúmeros calafrios. O primeiro, logo aos dois minutos, resultou no primeiro golo holandês quando Thiago Silva derrubou Robben num momento em que o rapidíssimo número 11 só tinha Júlio César pela frente. Ficou a ideia de que o lance ocorreu ainda fora da área, mas o capitão brasileiro devia ter sido expulso. O árbitro argelino limitou-se a mostrar-lhe o cartão amarelo.

Van Persie converteu a grande penalidade. E aos 17' a Holanda marcava o segundo, apontado por Blind após jogada que teve início nos pés de Robben (que esteve nos três golos da sua equipa e voltou a ser o melhor em campo, confirmando-se como uma das grandes figuras deste Mundial).

Por momentos, instalou-se no estádio de Brasília o espectro de uma nova goleada. Até porque o segundo golo resultou de mais um clamoroso erro defensivo cometido por David Luiz, reeditando a lamentável exibição frente à Alemanha.

 

 Robben, uma das grandes figuras deste Mundial

 

Ficou evidente que a derrota anterior não resultou de um infortúnio de ocasião. Pelo contrário, deriva de graves problemas estruturais desta selecção brasileira, que voltou a exibir-se de forma desorganizada, assentando o seu jogo em inócuos pontapés para a frente e abrindo imenso espaço entre as linhas, logo aproveitado pela Holanda para exibir a sua enorme superioridade táctica.

Cada vez que os holandeses atacavam faziam-no de forma eficaz e organizada. O Brasil, pelo contrário, era um caos em campo com vários dos seus jogadores nucleares - novamente com destaque para David Luiz - a jogar fora das posições que lhes estavam confiadas. Um caos apenas contrariado pelo esforçado desempenho de Óscar, única cabeça lúcida no meio daquela anarquia. Merecia - ele sim - ao menos repetir o golo de honra que registou frente aos alemães. Mas convém assinalar: o primeiro remate com algum perigo para a baliza holandesa, apontado por Ramires, ocorreu quando já havia decorrido uma hora de jogo.

O escrete sai de cena sem honra nem glória: foi a selecção que sofreu mais golos. E nem sequer teve a dignidade de saber perder: toda a equipa recolheu ao balneário, recusando participar na entrega do prémio aos holandeses pelo terceiro lugar. Um gesto muito feio.

 

A Holanda - que já havia eliminado o Brasil na meia-final do Campeonato do Mundo de 2010 - sai de cabeça erguida deste Mundial, sem ter sofrido qualquer derrota. Balanço muito positivo: cinco vitórias e dois empates (tendo sido afastada pela Argentina por grandes penalidades), na sequência do brilhante apuramento, em que conseguiu nove triunfos em dez jogos, marcando 34 golos. Robben sai do Brasil como uma das figuras do torneio. E desta vez nem precisou do contributo de Sneijder, que assistiu à partida no banco por se ter lesionado enquanto fazia exercícios de aquecimento, momentos antes de entrar em campo.

Fez hoje um mês que o Mundial começou. E vai terminar amanhã, com a final entre Alemanha e Argentina. Por mim, só lamento que a Holanda não esteja lá. Merecia, sem qualquer dúvida.

 

Brasil, 0 - Holanda, 3

O outro Brasil

A Holanda ganhou nos últimos 40 anos a justificada fama de produzir um tipo de futebol que se conta entre os melhores do mundo. A fama refere-se, no entanto, a um jogo feito de habilidade, passe, posse, ratice... Não por acaso, já alguém a designou como "o Brasil da Europa". Este ano, porém, pela mão de um dos seus melhores treinadores, decidiu aparecer com uma coisa que parecia saída dos anos 90: trocas de bola entre os defesas, à espera de avanços da outra equipa que dessem para fazer uns contra-ataques. A Espanha foi a única a cair na ratoeira. Ninguém mais o fez. Resultado: ver a Holanda neste Mundial foi uma chatice pegada, culminando no Lexotan em forma de jogo de futebol (alô Luís Freitas Lobo) que foi a meia-final de ontem. Os holandeses, tal como os brasileiros, também são uns traumatizados: três finais, três campeonatos perdidos, dois dos quais quando jogavam o melhor futebol do Mundial. Deve-lhes ter passado pela cabeça, como aos brasileiros, que era assim que ganhavam, renegando o que sempre fizeram. Não ganharam. É bem feito.

A ver o Mundial (28)

Prometia ser um confronto entre Messi e Robben, uma espécie de tira-teimas para avaliar quem esteve melhor no Campeonato do Mundo - se o holandês com três golos, uma assistência e um recorde pessoal de jogador mais veloz (com o registo de 31,6km/hora), se o argentino com quatro golos e duas assistências.

Não foi nada disso, afinal. Acabámos de ver no Arena Corinthians, em São Paulo, um dos desafios mais monótonos e entediantes do Campeonato do Mundo. Quase a fazer lembrar aquela final aferrolhada e medrosa entre alemães e argentinos do Mundial de 1990 em que ambos abdicaram por completo de qualquer vestígio do futebol de ataque - a pior de que há memória entre os adeptos do desporto-rei.

Basta dizer que ao longo de toda a partida desta noite, incluindo a meia hora de prolongamento regulamentar após o empate a zero aos 90 minutos, houve apenas cinco remates à baliza contrária feitos pela Argentina e só três concretizados pela Holanda. E nenhum deles, em boa verdade, levando verdadeiramente um indiscutível sinal de perigo.

 

Supremacia das defesas sobre os ataques neste Argentina-Holanda em que o jogador mais em foco acabou por ser Mascherano, defesa sul-americano? Sim. Mas mais que isso: foi um autêntico anti-clímax após o desafio de ontem, constituindo de algum modo a sua antítese. Por outras palavras: tanto argentinos como holandeses ficaram a tal ponto apavorados com os erros tácticos cometidos pelos brasileiros na meia-final frente à Alemanha que procuraram evitá-los a todo o custo, não arriscando um milímetro em soluções de ataque. A partida decorreu quase todo o tempo empastelada no meio-campo, com pequenas oscilações territoriais que em nada afectaram o cômputo geral. E se não fossem os penáltis finais aposto que ainda estariam naquele bocejante jogo do empurra no miolo do terreno, como se nenhuma das duas selecções quisesse verdadeiramente ganhar.

 

Recorreu-se portanto às grandes penalidades. E também aqui o seleccionador holandês, Van Gaal, se deixou de ousadias: enquanto no desafio anterior, frente à Costa Rica, fez avançar o terceiro guarda-redes do banco só para defender os penáltis (meta coroada de êxito, pois Krul travou dois, tornando-se uma das figuras do jogo), desta vez manteve em campo o titular, Cillessen, talvez para não ofender as bempensâncias do comentário ludopédico, que se haviam escandalizado com a fuga à pauta no embate do passado domingo.

Fez mal: os argentinos agradeceram. E lá irão eles à final do Campeonato do Mundo, frente aos alemães, depois de terem feito muito pouco para tanto destaque. Desta vez nem Messi, jogando em posições muito recuadas, deu um ar da sua graça.

Ocorrerá no próximo domingo a desforra argentina para vingar a derrota na final de 1990? Sinceramente, não creio. Há uma distância enorme entre esta mediana Argentina e a fulgurante Alemanha que acaba de golear o Brasil por números inéditos.

O melhor do jogo acabou por ser a evocação inicial da memória de Alfredo di Stéfano, um dos maiores génios de sempre dos relvados, falecido no fim de semana aos 88 anos. Lá no assento etéreo onde subiu, como versejou o nosso Camões, o grande campeão ficou certamente satisfeito com este resultado: há um quarto de século que a sua Argentina natal não chegava tão longe.

Como homenagem fúnebre não esteve mal.

 

Argentina, 0 - Holanda, 0 (4-2 nas grandes penalidades)

Que ganhe… o futebol!

Aproximam-se as meias-finais de um Mundial de futebol que colocou quatro das melhores equipas nesta fase (quase) final. Alemanha, Argentina, Brasil e Holanda vão digladiar-se entre hoje e amanhã para discutirem os dois lugares no Maracana. Um par de jogos que se prevêem muito emotivos e de resultado claramente incerto.

Neste Mundial não tive preferência por qualquer selecção (nem a portuguesa!!!) e nem agora penso nisso. Quem ganhar que o faça apenas com mérito e sem casos.

Curiosamente estas meias-finais resultaram em embates entre selecções europeias contra sul-americanas. Dois estilos de futebol assaz diferente, mas deveras atractivo.

O Brasil apresenta-se hoje sem Neymar nem Thiago Silva, mas nem mesmo estas condicionantes serão suficientes para retirar à equipa da casa algum favoritismo. Só que a Alemanha parece ser uma selecção imune aos estad(i)os de espírito. O treinador alemão conhece bem os seus recursos e sabe com o que pode contar. Disciplinada e assertiva, a selecção germânica tem jogadores com qualidade suficiente para num segundo resolverem qualquer partida.

Amanhã teremos então na outra meia-final duas equipas com percursos bem semelhantes, pois ambas ganharam todos os jogos dos seus respectivos grupos. No entanto a Holanda pareceu bem melhor tanto a nível futebolístico como a nível físico. A Argentina, por sua vez, tarda em convencer os adeptos do futebol da sua qualidade e não fosse Lionel Messi, provavelmente a equipa das Pampas já estaria de férias. E das duas uma: ou a Holanda ressente-se da última jornada com prolongamento e penalidades e a Argentina tem hipótese (mesmo sem Di Maria) de seguir em frente ou muito provavelmente os alvi-celestes vão discutir o terceiro e quarto lugares.

Seja como for perspectivam-se dois jogos de alta qualidade e com emoção a rodos.

Para mim só espero e desejo que o maior vencedor seja o apenas e só… o futebol!

 

 

Também aqui

A ver o Mundial (25)

Tudo está bem quando acaba bem.

A Holanda foi muito superior à Costa Rica no desafio dos quartos-de-final disputado em Salvador. Merecia passar à fase seguinte, o que aconteceu - embora só com recurso aos pontapés de grande penalidade pois o empate a zero persistiu após mais de 120 minutos de jogo.

A Costa Rica, que chegou a jogar em 5-4-1, estacionando um autocarro à frente da baliza brilhantemente defendida por Keylor Navas, também tem motivos para estar satisfeita: regressa a casa sabendo que chegou mais longe do que em qualquer outra fase final de um Campeonato do Mundo e revelou ao planeta futebol um punhado de jogadores de grande talento: Christian Bolaños, Bryan Ruiz, Gamboa, Celso Borges, Giancarlo González, Tejeda (que impediu um golo holandês desviando a bola na linha de baliza), Umaña (que ia marcando um golo já no prolongamento) e Júnior Díaz (que devia ter sido expulso por jogo violento), além do guardião Navas, que joga no modesto Levante e poderá ser um reforço do FCP.

O melhor deste desafio, que decorreu morno e entediante durante mais de uma hora, aconteceu quando se aproximava do fim: nessa altura os holandeses decidiram enfim aplicar a sua melhor arma, que é a velocidade. As corridas estonteantes de Robben pela ala direita iam partindo os rins à linha recuada costarriquenha (ou seja, à equipa quase inteira) e as bolas paradas que partiam dos pés de Sneijder levavam sempre o selo de perigo (duas delas foram travadas pelos postes).

Quando se percebeu que o apuramento só seria resolvido com a marcação de penáltis, o seleccionador holandês, Van Gaal, tomou uma decisão que fez os puristas da bola abrir a boca de espanto: mandou sair o guarda-redes titular, Cillessen, fazendo entrar o suplente Krul só para defender as penalidades. Um aposta de alto risco que se revelou certeira: Krul defendeu os remates de Bryan Ruiz e Umaña, o que bastou para qualificar a Holanda.

Na meia-final de quarta-feira os holandeses terão de defrontar uma selecção argentina que se desgastou muito menos na eliminatória que lhe coube. Em futebol de alta competição, sobretudo quando é disputado sob a temperatura a que tem decorrido este Mundial do Brasil, estes pormenores contam muito. Messi e companheiros têm motivos para sorrir.

 

Costa Rica, 0 - Holanda, 0 (3-4 nas grandes penalidades)

Bom, ainda há algum interesse...

A minha preferida nesta fase, a Holanda, continua em prova.

Não é por nada, são ainda recordações daquelas fabulosas equipas dos anos setenta e do futebol total de Cruiff, Neeskens, Rensenbrink, Rep e companhia.

E também porque aquela camisola, apesar de laranja, tem um enorme... LEÃO!

Pela garra demonstrada, até parecem os nossos na ultima época...

Agora espera-os a Costa Rica. Não é fácil, mas as meias estão mesmo aí.

A ver o Mundial (19)

Três minutos, à beira do fim, ditaram uma das mais impressionante reviravoltas em jogos do Campeonato do Mundo. Em benefício da Holanda contra uma das equipas-sensação da prova: o México de Herrera, Guardado, Aquino, Guillermo Ochoa e Rafa Márquez. Com arbitragem de Pedro Proença.

Foi um jogo muito calculista, disputado com extrema lentidão na primeira parte, na tarde húmida, viscosa e soalheira de Fortaleza. Com o técnico mexicano, Miguel Herrera, a vencer o duelo táctico nesse período da partida ao montar a sua equipa com um dispositivo eficaz, impedindo as habituais cavalgadas ofensivas dos holandeses. Foi recompensado logo a abrir o segundo tempo quando o México pareceu embalado para a vitória com um golo de Giovani dos Santos em que o guardião Cillessen pareceu mal batido.

 

A partir daí, a supremacia táctica coube ao treinador holandês. Herrera mandou recuar demasiado as linhas, defendendo o resultado tangencial quando ainda havia mais de 40 minutos para jogar. Por sua vez Van Gaal trocou Van Persie, hoje marcadíssimo, por Huntelaar: a partir daí, e pela primeira vez neste desafio, a Laranja Mecânica fez jus ao cognome, comandando as operações. Poderia até ter chegado à vitória mais cedo: uma defesa extraordinária de Ochoa aos 57' travou-lhe o passo na sequência de um canto marcado por De Vrij. Depois, aos 74, o excepcional guardião mexicano impediu Robben de chegar ao golo.

Mas a pressão holandesa era fortíssima: adivinhava-se o empate a qualquer momento. Que chegou enfim aos 88', com um potente remate de Sneijeder, aproveitando uma bola de ressalto. Três minutos depois, já no período complementar, Robben voltou a ser protagonista de um lance polémico dentro da área mexicana: aparentemente, Rafa Márquez prendeu-lhe o pé de apoio em zona proibida. Pedro Proença não hesitou, apontando para a marca de grande penalidade.

Já aos 44' um lance semelhante - culminando com outra queda de Robben, derrubado por Andújar - motivara fortes protestos holandeses, aos quais o árbitro português fez orelhas moucas. Desta vez tudo foi diferente: Huntelaar, chamado a converter o penálti, não falhou. Herrera protestou contra Proença, como lhe competia, mas a meu ver sem razão.

 

Já não havia tempo para reagir. Caía o mito Ochoa - até ao momento, o melhor guarda-redes do Mundial. Caía a selecção mexicana. Mas de pé, com o orgulho de quem se bate sem temor até ao fim. Merecia ter seguido em frente. Mas esta Holanda, já se percebeu, está imparável. Até onde chegará?

 

Holanda, 2 - México, 1

A primeira

Saiu do campeonato a primeira das minhas equipas favoritas (tenho mais duas, ou três, vá: a Bélgica e a Argentina; normalmente gosto da Holanda, mas este ano jogam de uma maneira esquisita). Quando digo favoritas, não é que aposte que vão ganhar. É que gosto especialmente de as ver jogar. A primeira a sair foi a Croácia. Não vamos voltar a ver neste campeonato jogadores de meio-campo como Modric e Rakitic. Mesmo Pirlo, sendo parecido, é diferente. Na realidade, já não se vêem muitos jogadores assim. As marcações à zona e a pressão alta que toda a gente agora pratica de uma forma ou outra tornaram a sua vida muito difícil, sobretudo quando as equipas são muito dependentes deles. Era o caso da Croácia. Mesmo assim, no final, fiquei com a impressão de que com outro treinador teriam ido mais longe.

Totaalvoetbal

 

Gosto especialmente dos jogos entre a Holanda e a Espanha (quer dizer, a Espanha dos últimos anos) e estou sempre pela Holanda. A razão é simples: a Holanda foi o meu primeiro love affair futebolístico. O primeiro campeonato do mundo que segui foi o de 1974 - infelizmente era demasiado pequeno para poder ter visto aquilo que dizem foi a maior maravilha futebolística da história, o Brasil de 1970. Foi nos anos 70 que a Holanda, um tradicional pardieiro de toscos da bola, chocou toda a gente com uma coisa chamada "futebol total" (totaalvoetbal, no original), e foi em 1974 que a selecção ganhou o famoso epíteto de "Laranja Mecânica". Seguindo o velho princípio linekeriano de que o futebol são onze jogadores para cada lado enfrentando-se durante 90 minutos e no fim ganha a Alemanha, foi o que aconteceu na final desse ano. Mas quem viu não esquece Crujiff, Neeskens, Krol, Rensenbrink et al.

 

Por essa altura, já Crujiff e o treinador Rinus Michels tinham ido para a Catalunha inventar o futebol moderno do Barcelona. Décadas e várias gerações de holandeses depois chegou-se ao apuramento final do horrível tiki-taka, uma espécie de caricatura do futebol total holandês dos anos 70. Pois foi este produto derivado (particularmente eficaz, sem dúvida) que, infelizmente, dominou o futebol nos últimos anos, no Barcelona e na selecção espanhola, que era o Barcelona menos o Messi. Desde os anos 70 que a Holanda manteve a mesma identidade de jogo, embora sem regressar ao brilho original (excepção feita, talvez, à selecção de meados de 80, com van Basten, Gullit e Rijkaard) e sem nunca ir demasiado longe. E atravessou mesmo períodos muito maus.

 

Foi com especial alegria, portanto, que assisti ao enxovalho de ontem da Holanda sobre a Espanha, uma vitória do produto genuíno sobre o derivado. Curiosamente, nem uma nem outra jogaram da forma típica. A Espanha já não joga bem o tiki-taka (como o Barcelona deste ano, aliás) mas uma coisa que não se percebe bem o que é; a Holanda parecia uma equipa inglesa, com a diferença de que tem uma data de jogadores habilidosos. Não sei se isto tem muitas pernas para andar. Estou curioso para o resto dos jogos.

A ver o Mundial (2)

Também no futebol a vingança se serve fria. Aconteceu esta noite, em Salvador, com a goleada imposta pela Holanda à Espanha, campeã mundial titular desde 2010 e bicampeã europeia.

"Humilhação mundial", chamou-lhe a Marca, numa magoadíssima manchete.

O colapso espanhol aconteceu no segundo tempo, quando Robben, Van Persie & companheiros carregaram no acelerador e desbarataram o enfadonho tiki taka dos comandados por Vicente Del Bosque, hoje reduzidos à vulgaridade apesar de terem contado com a complacência inicial do senhor de apito. O árbitro italiano, Nicola Rizzoli, apontou para a marca de grande penalidade por alegado derrube a Diego Costa, iludido pelos dotes teatrais do brasileiro-que-virou-espanhol. O mesmo avançado, que recebia monumentais vaias do estádio cada vez que tocava na bola, pôde agredir impunemente Bruno Martins à cabeçada. O senhor Rizzoli nada viu, nada assinalou.

 

Confesso que esta selecção espanhola me foi deslumbrando em grau crescente desde o Europeu de 2008 até ao Euro-2012, passando pelo Mundial da África do Sul. Mas ficou prisioneira do seu próprio sucesso, abusou da arrogância e começou a pensar que aquele sistema de jogo, feito de múltiplos toques e com a obsessão da "posse de bola" acima de todas as coisas, se tornara infalível.

Puro erro. Com um sistema muito diferente, baseado em avassaladoras ofensivas a toda a largura do terreno que em poucos segundos criam desequilíbrios no reduto adversário, os homens comandados por Van Gaal estão-se nas tintas para a "posse de bola": querem é ganhar, tão cedo quanto possível. Inferiorizaram os espanhóis e coroaram da melhor maneira a sede de vingança que transportavam desde a final do Campeonato do Mundo de 2010, quando um golo solitário de Andrés Iniesta, já no prolongamento, bastou para elevar Espanha ao Olimpo da bola.

Nessa final, de triste memória para a Holanda, Robben esteve quase a marcar - mas falhou. Ao contrário do que agora sucedeu, ao assinar dois golos espectaculares, um deles após uma fantástica recepção de bola com o pé esquerdo e o segundo na sequência de uma impressionante corrida de 60 metros em que, embora partindo de trás, ultrapassou Sergio Ramos e apontou a Casillas o caminho da pré-reforma.

Quase toda a equipa espanhola naufragou: Piqué, Xabi Alonso, Iniesta e Xavi, muito abaixo do nível a que nos habituaram, já estavam à beira da derrocada física muito antes do apito final. Silva parecia um principiante. Azpilicueta era um monumento à irrelevância. Torres, que entrou no segundo tempo, foi uma absoluta nulidade: chegou a falhar um golo de baliza aberta.

(A propósito: alguém saberá explicar-me por que motivo Diego López, guarda-redes titular do Real Madrid tanto com José Mourinho como com Carlo Ancelotti, não foi sequer convocado para o Brasil?)

 

O voo de Ven Persie

 

Este jogo pareceu uma final antecipada. Com Van Persie em estado de graça, marcando o primeiro com um espectacular mergulho de cabeça destinado a quebrar os rins ao guardião espanhol, que teve hoje a noite mais negra da sua longa carreira. Um dos golos holandeses, o terceiro, foi no entanto precedido de falta sobre Casillas: o senhor Rizzoli não fez caso. Falhas a mais num jogo só.

 

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Já de tarde, no Camarões-México, a figura maior do encontro - pela negativa - foi o apitador de turno ao anular dois golos limpos aos mexicanos, ambos marcados por Giovanni dos Santos, que esteve em dia de pouca sorte. Foi também claramente derrubado dentro da área camaronesa sem o juiz da partida lhe conceder penálti.

Pelo já visto, este Mundial arrisca-se a ser o pior cartaz de sempre para a arbitragem a nível internacional. Como se de, repente, no Brasil, tivessem aterrado dezena e meia de Xistras e duas dúzias de Capelas...

 

Espanha, 1 - Holanda, 5

Camarões, 0 - México, 1

 

Robben festeja o segundo golo (quinto holandês) com Casillas de rastos

O que dizem eles

ESPN (E.U.A.) : «Um grande jogador responde sempre aos críticos e foi isso que Ronaldo fez com dois golos e uma brilhante exibição na vitória de Portugal sobre a Holanda por 2-1».
The India Times (India) : «A Holanda marcou primeiro mas foi derrubada pelo homem do jogo, Cristiano Ronaldo, na forma que se lhe reconhece no Real Madrid. Portugal está nos quartos-de-final do Euro 2012 ».
L' Équipe (França) : « Os «Laranja» KO, a «Selecção» OK. A primeira vez na história que um finalista do Mundial não faz um único ponto no Campeonato Europeu seguinte. A culpa foi do «Grupo da Morte» e de Cristiano Ronaldo que «esteve» no jogo ».
The Independent (Reino Unido) : «Cristiano Ronaldo brilhou e fez um jogo fabuloso pela primeira vez no Euro 2012. Marcou dois golos e até podia ter marcado quatro, com o seu Portugal a dominar um adversário inferior ».
La Gazetta dello Sport (Itália) : «Van der Vaart marcou primeiro pela Holanda mas CR7 assinou a vitória de Portugal com dois golos e duas bolas aos ferros ».
Kuwait Times : «Não houve por onde escapar para os holandeses. Embora tardio, Ronaldo reproduziu a sua forma do Real Madrid e Portugal segue para os quartos-de-final onde vai defrontar a Républica Checa ».
De Telegraaf (Holanda) : « A «Orange» foi para a rua com o «rabo entre as pernas», eliminada de modo humilhante por Portugal no «Grupo da Morte».
The Guardian (Reino Unido) : « A Holanda vai para casa por «mão» de Portugal e Cristiano Ronaldo. Depois da complexa matemática para decidir este grupo, as contas acabaram por serem simples. O até agora muito criticado Ronaldo teve muita influência nesta contabilização, com o seu súbito revivescimento após a longa campanha no Real Madrid ». 
Toronto Sun (Canadá) : «Quando Cristiano Ronaldo joga como jogou, Portugal pode legitimamente vencer o Euro 2012. Este é um dos aspectos mais deslumbrantes da prova que muitos consideram a melhor do mundo. Neste grupo que deixou água na boca, pelo sorteio, os alemães partiram como fortes favoritos e os holandeses pouco atrás. E os portugueses?... Têm «apenas» um grupo muito sólido e o melhor jogador jogador da competição, na pessoa do enigmático Cristiano Ronaldo».
 

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