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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - O som do silêncio

Para mim, que desde tenra idade me habituei a identificar o Sporting com os futebolistas e atletas que semanalmente via representar o clube nos estádios, pavilhões e pistas deste país, este momento de crispação da massa associativa é particularmente doloroso. Primeiramente, porque é mais do que óbvio que o foco dos adeptos está deslocado do essencial, o apoio às equipas que ostentam o nosso símbolo no peito; em segundo lugar, porque o ruído insuportável e a radicalização de discurso das facções, com constante adjectivação, não auguram nada de positivo para o futuro; em terceiro, porque não há criação que perdure no tempo quando a motivação de base assenta no ódio e não no amor. 

Quando temos dúvidas sobre um caminho é sempre bom voltar aos "básicos". Os tempos de criança e as razões pelas quais fizemos uma escolha. Somos do Sporting pelo mimetismo da verde-e-branca, o sortilégio do leão rampante, os valorosos atletas que ao longo de gerações defenderam as nossas cores e protagonizaram gestas de glória. A grande maioria dos adeptos leoninos são moderados, não se revêem em posições extremadas (dos dois lados da barricada) de gente que pensa que, falando mais alto, melhor se faz ouvir. Como tal, e apelando à reflexão serena, inspirado pela versão que o Ministro da Cultura e das Artes australiano - um exemplo de como a criatividade pode ser usada para fazer passar uma mensagem - fez há dias sobre o imortal "The sound of silence", de Paul Simon e Art Garfunkel, aqui deixo o meu "O som do silêncio", que deve ser acompanhado pela música original. Com os votos de um Santo Natal para toda a familia leonina, com muita saúde e paz. Viva o Sporting Clube de Portugal!!!

 

"O som do silêncio"

 

"Olá, Sporting, velho amigo,

vim falar-te uma vez mais.

De momentos de eterna glória

e de percalços da nossa história.

A visão de que todos não serão demais,

quando cais e só se importam contigo.

 

Com as eleições, um novo rumo,

nasce esperança e fé em prumo,

mas viver num cerco permanente

é sinal de um clube decadente

 

E os meus olhos ainda choram

o facho daquela tocha ardente.

E toda a gente

rasgou o som do silêncio

 

A partir daí eu vi

cento e setenta mil ou mais.

Sócios falam sem dialogar.

Sócios ouvem sem nada escutar.

 

Há quem erga a voz

só p`ra emitir ruído,

um alarido.

Não dão voz ao silêncio.

 

Tolos nós que já esquecemos

que aquele ruído vai crescendo.

Logo nós que até já o vivemos,

não é o Sporting que nós merecemos.

Escutem, não gritem, dêem as mãos, em união.

 

Assim deve ser o Sporting!

 

Curvando-se e louvando,

o novo leão que rugia.

E os sinais mostravam o caminho,

todos os sócios davam o seu carinho.

 

E os sinais ecoavam

as palavras do Visconde escritas em letras de ouro,

desígnio vindouro,

não mais sussurradas em silêncio."

 

Hoje giro eu - Ranking GAP

As recentes derrotas de Cristiano Ronaldo nos prémios "The Best" e "Bola de Ouro", da FIFA e do France Football, respectivamente, reavivam a discussão sobre os critérios pelos quais um jogador deve ser avaliado. Embora os puristas do jogo continuem de alguma forma a renegar o que as estatísticas nos mostram e a observação contemplativa ainda se sobreponha à forma como os americanos, por exemplo, analisam um jogo, a verdade é que causa muita confusão que um jogador que venceu a Champions League e foi o melhor marcador dessa competição (15 golos), para além de ter feito um bom Mundial (4 golos), não tenha vencido os prémios de desempenho do ano. Com este recente encorajamento, cá continuarei a mostrar os indicadores ofensivos quantitativos dos jogadores do nosso Sporting, segundo o critério GAP que em tempos criei. Então aqui vai:

 

Nesta temporada de 2018/2019, o Sporting disputou até agora 20 jogos - 11 para o Campeonato Nacional, 2 para a Taça de Portugal, 2 para a Taça da Liga e 5 para a Liga Europa -, obtendo 14 vitórias (70%), 2 empates (10%) e 4 derrotas (20%), com 41 golos marcados (média de 2,05 golos/jogo) e 19 golos sofridos (0,95 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP: Bruno Fernandes (10,3,9), Bas Dost (9,1,0), Nani (7,5,3);

2) MVP: Bruno Fernandes (45 pontos), Nani (34), Bas Dost (29);

3) Influência: Bruno Fernandes (22 contribuições), Nani (15), Jovane (12);

4) Goleador: Bruno Fernandes (10 golos), Bas Dost (9), Nani (7);

5) Assistências: Nani (5), Wendel (4), Fredy Montero, Jovane e Bruno Fernandes (3).

 

De realçar que, desde que Keizer pegou na equipa, o Sporting disputou 3 jogos para 3 competições diferentes (Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Liga Europa) e venceu os 3 jogos, com 13 golos marcados (média de 4,33 golos/jogo) e 3 golos sofridos (média de 1 golo/jogo). Bruno Fernandes e Bas Dost foram os goleadores de serviço deste curto período (4 golos cada), com a curiosidade de terem marcado em todos os jogos.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

 

  G A P Pontos
Bruno Fernandes 10 3 9 45
Bas Dost 9 1 0 29
Nani 7 5 3 34
Jovane Cabral 4 3 5 23
Fredy Montero 3 3 3 18
Diaby 3 1 0 11
Raphinha 2 1 4 12
Wendel 1 4 0 11
Acuña 1 2 1 8
Sebastian Coates 1 0 1 4
Jefferson 0 2 1 5
Ristovski 0 2 0 4

Hoje giro eu - Concílio leonino

O Sporting é hoje (outra vez) um clube desunido, desavindo com o seu passado recente, onde o ruído, o excesso e a intransigência se sobrepõem à reflexão, temperança e tolerância. Como em todos os períodos pós-revolucionários, estão ainda abertas chagas profundas entre sócios e adeptos em geral. Estas feridas advêm dos traumatizantes acontecimentos de Alcochete que levaram à destituição do antigo presidente, mas também da incontinência verbal que marcou o acto eleitoral subsequente. Ora, a pior coisa que se pode fazer numa situação destas é deitar sal em cima do problema, pois isso só irá aumentar a dor, a aflição ou a mágoa das pessoas e acentuará o mal que está instalado.

 

O que se passou em Alcochete foi mau demais. Os sócios mostraram que queriam uma clarificação sobre o governo do clube. As coisas demoraram a acontecer e os Tribunais foram chamados a dirimir o diferendo. Houve uma assembleia geral destitutiva e os sócios, por esmagadora maioria, votaram na saída de Bruno de Carvalho. E seguimos para eleições, onde foi eleita uma nova Direcção presidida por Frederico Varandas. O problema é que se mudou a liderança mas não se virou a página. E porquê?

 

Eu creio que as coisas correram muito mal nos últimos 3 meses de Bruno de Carvalho. Tal acabou por fazer instalar a Lei de Murphy e levou ao descarrilar de toda a situação. Chegados aqui, é preciso dizer que do meu ponto-de-vista foi inconcebível esse último trimestre de presidência de Bruno e que isso, só por si, avalizaria a sua destituição ou derrota eleitoral. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Os excessos próprios da campanha eleitoral levaram à diabolização do antigo presidente, entretanto impedido de participar no acto eleitoral. Vários indicadores sobre a gestão da anterior Direcção foram adulterados ou, no mínimo, truncados. Desde a insinuação sobre irregularidades nas contas até à falácia da dívida a Fornecedores (onde se olvidou propositadamente que se tratava de planos de pagamento de transferência de jogadores, algo corriqueiro no futebol), passando pelo "buraco" das modalidades ou necessidades de financiamento. À boa maneira portuguesa misturou-se tudo, porque tudo valia para afastar o homem caído em desgraça. Comparações perfeitamente desajustadas foram feitas sobre o desempenho financeiro face às duas imediatamente anteriores Direcções e tudo o que de bom foi feito foi silenciado de uma forma quase estalinesca, como se se reescrevesse a história. Adicionalmente, uma e outra e ainda outra vez se tocou na ferida aberta de Alcochete. A detenção para interrogatório de Bruno de Carvalho foi recebida por muitos com regozigo. Testemunhos houve de que era "o melhor dia" das suas vidas. Mas não era o cidadão Bruno que estava preso e sim o ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, e na vida estas coisas pagam-se no futuro, com juros bem mais elevados do que aqueles a que estamos sujeitos no empréstimo obrigacionista.

 

Na minha opinião, antes da união vai ser necessário promover o concílio da familia leonina. Para tal, será necessário muito equilíbrio, moderação, inteligência e bom-senso. Há que necessariamente reconhecer alguns excessos, algumas inverdades que foram proferidas, como primeira medida para acalmar as hostes. Nestas, não me refiro à claque que esteve na origem de tudo isto, obviamente, a qual tanto prejudicou o clube e que não deverá merecer nos tempos próximos qualquer concessão. Falo do adepto/sócio comum que se revia (e ainda se revê) em Bruno de Carvalho na presidência do Sporting. De cada vez que espalhamos boataria e falsidade sobre Bruno e sua equipa de gestão estamos a adensar a chaga, a deitar gasolina para a fogueira, a dar azo ao extremismo. Desumanidade cria desumanidade. No tempo do Bruno presidente como agora. Nesse sentido, creio que esta Direcção e restantes Orgãos Sociais têm dado alguns passos num caminho positivo. Mesmo enfrentando algumas críticas de inquisidores do anterior regime, julgo terem compreendido que a reconciliação seria o mais importante. Mais até do que Frederico Varandas, Francisco Salgado Zenha tem tido oportunidade, nas suas intervenções públicas, de desmistificar alguns labéus acusatórios, contribuindo assim para a pacificação do clube. Rogério Alves terá também feito algumas "démarches" de bastidores apaziguadoras. Mais passos terão de ser dados, mesmo sabendo-se que o calendário coloca para Dezembro uma assembleia geral onde se irão apreciar as sanções propostas/impostas pela Comissão de Fiscalização. 

 

Sendo certo que um clube de futebol, e o Sporting em particular, não é fácil de gerir, a liderança musculada de Bruno de Carvalho teve o fim que todos sabemos. Precisamos de paz. E de tempo, embora este no futebol não cure tudo, nomeadamente se os títulos não aparecerem. O bom futebol que a equipa agora orientada por Marcel Keizer vem apresentando, embora contribua para a união, pode não ser suficiente. De uma vez por todas temos de deixar para a Justiça aquilo que é da Justiça e seguirmos o nosso caminho. Andar para a frente. Virar a página. Sem termos de estar sempre a olhar para o retrovisor. A mim, envergonha-me a exposição pública constante, por maus motivos, a que vejo o clube sucessivamente sujeito. Muitas vezes regada a gasolina por sportinguistas, alguns deles sempre dispostos a maldizer o clube nas televisões em troca de trinta moedas de prata e sem arrependimento. Preocupa-me o que aconteceu anteontem e o que está a ser preparado para o futuro plebiscito, onde já se estão a arregimentar os lados das trincheiras. É preciso, portanto, pôr o clube em primeiro lugar. Regresso ao "virar de página": a coisa é relativamente simples e ou o conseguimos fazer com equidade e respeito ou seremos no futuro um rodapé das páginas do futebol português, um qualquer canto de "sportingados", "brunistas", "croquetes" ou "melancias", subdenominações que enegrecem a história gloriosa do Sporting, do qual não rezará a história. Eu prefiro um livro de ouro escrito por leões rampantes, a nossa única identidade. Têm a palavra todos os sportinguistas.

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Hoje giro eu - O amor acontece (Love actually)

O filme começa (prólogo) com a voz do "primeiro ministro" narrando que cada vez que fica deprimido com o estado da nação (lampiânica) pensa no terminal de chegadas do Aeroporto de Lisboa, e no amor com que amigos e familias recebem os seus entes queridos. Enquanto a realização nos dá a vêr excertos avulsos desses reencontros, a narração é entrecortada por "Wouldn`t it be nice" dos Beach Boys.  A fita evolui então para a "história de amor" entre Jorge e Luís.

 

O primeiro acto aborda a aposta arriscada que Luís fez em Jorge há 10 anos atrás, o "big break" da carreira do veterano treinador até aí sempre afastado dos grandes palcos. Preparando o novo enlace e a data previsível para tal acontecer, a cena é acompanhada pela audição de "Christmas is all around", um "cover" canastrão de Love is all around dos Wet, Wet, Wet.

 

O segundo acto narra o "casamento" entre Jorge e Bruno e os ciúmes sentidos por Luís durante esse período. O divórcio esteve para ser litigioso, mas no fim um acordo acabou por ser selado. Um pungente "Bye bye baby (baby goodbye)", tocado pelos Bay City Rollers, acompanha o enredo.

 

O terceiro acto centra-se em Luís e Rui e como o primeiro voltou a ser feliz, apesar de um primeiro encontro que não pareceu muito prometedor. Dois anos de extrema alegria, esfusiantemente passados para o ecran ao som de "All you need is love". No entanto, ao terceiro ano a relação começa a ter os seus percalços e a ameaça de adultério ou divórcio paira no ar. O realizador ilustra esse momento com o soberbo "Both sides now" de Joni Mitchell.

 

Epílogo: a acção foca-se na época de Natal. Jorge Jesus regressa a Portugal, por entre anteriores juras de amor do tipo "o bom filho a casa torna", terminado o seu exílio forçado nas arábias, e tem um reencontro emotivo no Aeroporto de Lisboa com Luís Filipe Vieira. Ao longe, em ruído de fundo, os Beach Boys tocam "God only knows"...

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Hoje giro eu - Não há coincidências

Ontem, em Alcochete, a equipa de juniores do Sporting recebeu e venceu o Vitória de Setúbal, tradicionalmente uma equipa forte neste escalão, por 5-0 (4-0 ao intervalo), em mais uma partida do campeonato nacional da categoria. Pouco antes, no mesmo local, em jogo a contar para a Liga Revelação, a nossa equipa de sub-23 havia batido o mesmíssimo adversário por 3-2. 

 

Mais do que os resultados em si, percebeu-se a motivação dos miúdos, subitamente tomados por um novo suplemento de alma. Jogadores muito promissores e que têm estado apagados, como Diogo Brás (1 golo e duas assistências), Bernardo Sousa (2 golos, a juntar aos 3 da semana passada) ou os mais velhos Elves Baldé (hat-trick) e Daniel Bragança apareceram em grande nível.

 

Creio estarmos a assistir aos primeiros sinais daquilo que denominaria como Efeito Keizer. Muito se tem falado no decréscimo de qualidade da nossa Formação e vários são os sócios a ecoá-lo, inclusivé aqueles que nunca viram um jogo da Formação, os que conciliam tal opinião com um saudosismo mais ou menos disfarçado a Jorge Jesus e ainda alguns politiqueiros com interesse evidente em espalhar a teoria do caos, mas creio que erramos ao abordar o tema numa perspectiva "bottom-up", em detrimento de "top-down".

 

Se do ponto-de-vista físico e táctico parece evidente que ficamos a perder face ao Benfica, é também verdade que continuamos a produzir jogadores com muita criatividade e liberdade para criar. Nota-se que o jogador encarnado é geralmente mais desenvolvido muscularmente, que tem outra leitura do jogo, mas os nossos continuam a ser mais desequilibradores e imprevisíveis. São, essencialmente, duas escolas de Formação diferentes que, apesar disso, têm um número de títulos praticamente equivalente nas camadas jovens nos últimos 5 anos. 

 

O que eu penso ter acontecido nos últimos dois anos da Formação foi uma grande desmotivação. Havendo um fúnil demasiado apertado nos séniores e sabendo-se da pouca disponibilidade do treinador do nosso principal escalão em apostar em jovens, estes começaram a perder a fé em chegar lá acima. Viram o que aconteceu aos seus colegas hoje nos seus 22/23 anos, uma geração perdida de empréstimo em empréstimo, e perceberam que essa viria a ser a sua realidade brevemente, pois por muito que mostrassem tal nunca seria suficiente. A chegada de Marcel Keizer a Alvalade, técnico que não teve rebuço em reforçar a aposta que Peter Bosz, seu antecessor, tinha feito nas escolas do Ajax, tem tudo para ser o detonador de uma nova crença dos nossos jovens jogadores. Será por isso com renovada expectativa que Bragança, Elves, Brás ou "Benny" encararão o futuro próximo. Perspectivando oportunidades, certamente trabalharão mais e melhor. A vantagem de uma política desportiva alicerçada na Formação é essa e os nossos jovens jogadores saberão que a partir de agora, esforçando-se para isso, verão chegada a sua hora de provar ao mais alto nível. E os pais também terão isso em mente na hora de escolherem o clube que os seus filhos, ainda crianças ou adolescentes, irão representar. 

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Hoje giro eu - Elasticidade dos Custos vs Resultados desportivos

O Sporting de Braga SAD irá apresentar, em AG, o Relatório&Contas referente à época desportiva de 2017/18. Segundo o Observador, nele constata-se que os custos com pessoal subiram para cerca de 19M€. Comparando com a Sporting SAD, verificamos que esta gastou com o pessoal cerca de 4 vezes mais (73,8M€) que a sua congénere bracarense, tudo isto para no final do campeonato conseguir apenas mais 3 pontos e uma diferença entre os golos marcados e os sofridos inferior em 6 golos. 

 

Como curiosidade, analisei também a temporada de 2015/16. Enquanto os bracarenses tiveram um custo de 12,5M€ com o pessoal, o Sporting gastou 48,8M€, ficando 28 pontos à frente e com uma diferença de golos superior em 39 golos.

 

Conclusão: os custos com pessoal da SAD leonina têm sido históricamente 4 vezes mais que os da homónima bracarense, mas a elasticidade dos resultados desportivos desportivos desta última face ao aumento dos custos foi bem maior. Bastou para isso aumentar os custos com pessoal em 6,5M€, o que lhe rendeu mais 17 pontos no final do campeonato. Já o Sporting, fez menos 8 pontos e gastou com o pessoal mais 25M€. Elucidativo!

 

Por tudo isto, quando oiço que cerca de 65M€ de orçamento para custos com pessoal é pouco para ser competitivo, dá-me vontade de rir. Ao que parece, há uma zona fronteira onde o orçamento produz uma diferença final na classificação, mas essa área está bem abaixo do que a generalidade dos adeptos pensa. Vejam-se os exemplos bracarense e nosso, quando Leonardo Jardim passou por cá. Não podemos é ter treinadores que permanentemente pedem cromos novos e andarmos sistematicamente a comprar jogadores para não serem utilizados, enquanto outros, da nossa Formação, são ignorados. Também, em vez de perdermos dinheiro permanentemente num "middle-market" de jogadores, onde a versão mais recente são as aquisições de Diaby e de Gudelj (investimento até agora de 8,5M€, fora salários), deveríamos investir, menos em quantidade e mais em qualidade, em jogadores de segmento alto como Bas Dost ou Jardel. Claro que, para isso, não podemos ter treinadores que querem sempre mais um jogador para cada posição, mesmo que já tenham duas ou três opções no plantel, chegando-se ao ridículo de termos neste momento nove jogadores com potencial para jogarem nas posições "6" e "8" e, ainda assim, parecer que nenhum serve. Não sendo isto claro para todos, nomeadamente para os decisores, e constinuando a resistir à mudança, um dia acordaremos a resistir à extinção, momento em que a perda de maioria do clube na SAD será dada como inevitável. Eu não quero isso!

Hoje giro eu - Levantar a cabeça

Num jogo feito de garra, rigor, perseverança e competência, o Sporting deslocou-se à Eslováquia para bater o até aí líder do grupo C da Liga dos Campeões de andebol, o Tatran Presov, por 30-27, com Frankis Carol (10 golos) em grande plano. Depois da derrota na Maia, frente ao modesto ISMAI, isto sim deu significado à expressão "levantar a cabeça".

 

No mesmo dia, Peseiro, em entrevista a "A Bola", diz que perdemos em Portimão por termos querido praticar um "futebol exuberante, ofensivamente avassalador". A isto chama-se não aprender nada com as derrotas. Também alega que Wendel tem imenso potencial, mas perde bolas em "zonas proibidas" (creio que se estaria a referir ao camarote dos jogadores). Por isso, o brasileiro (custou 8,7 milhões de euros) vai continuando a aprender nos treinos, enquanto em competição, o macedónio Ristovski, com bem menos cartel, vai (des)aprendendo a não fechar o espaço interior e a não compensar o central. Faz sentido! Finalmente, afirma que Coates tem "estrutura, estatuto para ser capitão, mas que prefere um português". Tudo bem, entende-se, embora Javier Zanetti - 15 anos como capitão do Inter de Milão - se possa estar a rebolar a rir, mas então por que raio é que Palhinha foi preterido a Petrovic e Geraldes teve de emigrar? Será que a condição de luso só terá relevância na questão da braçadeira, mesmo que depois o balneário seja uma babilónia de nações?

 

Hoje giro eu - Ciências

... E pronto, parece que o assunto de momento são os méritos da nova Comunicação do Sporting. Ao bom estilo português, como se não houvesse todo um mundo entre a verborreia desenfreada de antigamente e o silêncio dos inocentes (no original, "silence of the lambs", não confundir com "lamps"). Como se a linguagem corporativa, não apenas reactiva, quando centrada em nós e nas nossas realizações, não fosse uma ferramenta essencial da cultura de uma Organização, da sua coesão, no sentido em que pode motivar, entusiasmar e direccionar todos os que directa ou indirectamente com ela se relacionam para um objectivo comum, promovendo assim a união. Sendo um tema a merecer uma maior reflexão, não me vou alongar nele, até porque no domínio das ciências (e da administração) há outras realidades que me preocupam mais e que certamente também preocuparão uma Direcção que apanhou o comboio já em movimento, sem a oportunidade de delinear, desde o início, a sua própria estratégia para o futebol e de pôr o seu cunho pessoal no processo (importante ter isto presente), razão mais do que suficiente para não ser julgada precocemente. A saber:

  • Aritmética - à sétima jornada, estamos a 4 pontos do duo da frente (Benfica e Sporting de Braga), a 2 do FC Porto e a 1 do Rio Ave;
  • Estatística - somos apenas o sétimo melhor ataque e a oitava melhor defesa da Liga 2018/19;
  • Electromagnetismo - não existe magnetismo no nosso futebol, porque a corrente eléctrica é interrompida no meio-campo;
  • Mecânica - em Portimão, foi visível que em alguns jogadores a estática se sobrepôs à dinâmica;
  • Psicologia - em momentos determinantes, a equipa entra apática, como se tivesse receio de ser feliz. Foi assim, no final da época passada, na Madeira, no jogo dos 70 milhões (menos 25 milhões para nós, mais 45 milhões para o Benfica), assim foi Domingo em Portimão, jogo onde, imagine-se, até se viu jogadores a bocejar no campo. Se o ano passado, a razão apontada foi Bruno de Carvalho, este ano queixamo-nos do quê?;
  • Sociologia - o comportamento da Estrutura do futebol perante o meio envolvente e o processo que interliga colaboradores, atletas, sócios, adeptos e simpatizantes com o clube;
  • Economia - o modelo de sustentabilidade do clube, o qual vai ser testado na forma como a Direcção actuar no mercado de Inverno;
  • Finanças - chamado à colação devido ao constante fracasso do modelo de gestão, consequência de uma política desportiva sucessivamente desastrosa. Renegociação das VMOCs, empréstimo obrigacionista e rescisões são os temas mais urgentes;
  • Álgebra - falta uma teoria que explique a desconexão existente entre os números de investimento anual e a metemática que nos é apresentada ano-após-ano, de há 17 temporadas a este parte. E assim, sem sabermos onde falhamos, continuamos a persistir no(s) erro(s);
  • Investigação Operacional - Gestão de stocks: temos uma série de jogadores excedentários por colocar, que pesam na conta de exploração e não têm rendimento desportivo; Filas de espera: os anos que vão passando sem que consigamos chegar na frente - sem que uma qualquer Gertrudes desbloqueie o tráfego - que influenciam a nossa auto-estima e as nossas finanças;

 

Decerto, a econometria poder-nos-ia também dar pistas para a resolução dos nossos problemas. E, em última análise (desespero), o ocultismo, tão do agrado dos supersticiosos do nosso ludopédio. Sim, como diria a Alcina Lameiras, com a bola de cristal sobre a mesa, não negue à partida uma ciência que não conhece. É que eu não creio em bruxas, mas que as há, há...

 

 

Hoje giro eu - Longa se torna a espera

Há 17 anos, o Sporting vinha de uma época traumatizante. A temporada anterior tinha corrido mal, apesar do elevadíssimo investimento. Duscher e Vidigal haviam sido vendidos, mas em compensação entrariam 12 jogadores: João Vieira Pinto, Sá Pinto, Paulo Bento, Phil Babb, Horvath, Rodrigo Fabri, Dimas, Hugo, Bruno Caires, Kirovski, Rodrigo Tello e Alan Mahon. Este último, supostamente, para o lugar de Simone Di Franceschi, com o qual inacreditavelmente não havíamos accionado a cláusula de opção. Luís Duque entrara em choque com José Roquette e este demitira-se, subindo Dias da Cunha à presidência.  

 

Começava uma nova temporada e, com ela, uma nova era. O rigor financeiro substituía o despesismo e Miguel Ribeiro Telles e José Eduardo Bettencourt assumiam o futebol, saindo Duque. A necessidade de contenção financeira levara à não renovação de contrato com Schmeichel e Acosta, e Iordanov acabara a carreira. Bino e Edmilson, outros jogadores importantes no título de 1999/2000, também haviam abandonado. Dir-se-ia que estavamos mais fracos e vínhamos de um terceiro lugar no campeonato anterior, vencido pelo Boavista. 

 

As contratações não foram nada sonantes. Talvez as mais mediáticas tenham sido as de Marius Nicolae e de Rui Bento. Boloni, um romeno relativamente desconhecido como treinador (excelente antigo jogador), chega a Alvalade. Para agravar, apesar de termos começado bem (vitória por 1-0 frente ao Porto), à terceira jornada já registávamos duas derrotas: uma caseira face ao Alverca, outra fora, em Belém. Até que chega Jardel, proveniente do Galatasaray, num negócio que envolveu a cedência de Spehar, Horvath e Mbo Mpenza. Tudo muda! Boloni aposta decisivamente em dois produtos da Formação (Hugo Viana e Quaresma), que se revelariam, conjuntamente com João Pinto, assistentes privilegiados de Mário Jardel. André Cruz brilha a grande altura, com especial incidência na execução de bolas paradas e Nelson e Tiago, revezando-se, não fazendo esquecer Schmeichel, seguram bem as pontas na baliza. 

 

Foi há 17 anos! Desde aí, jamais encontrámos a fórmula certa. Tivemos mais 4 presidentes, mais de uma dezena de treinadores, centenas de jogadores e nada... Curiosamente, as épocas de contenção financeira (4 com Filipe Soares Franco e Paulo Bento, uma com Bruno de Carvalho e Leonardo Jardim) foram as melhores. Registo mais positivo, apenas com Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, na temporada 15/16, mas aí já com um orçamento de cerca do dobro. Em contrapartida, a época do "cheque e da vassoura" foi a pior de sempre e a de orçamento mais elevado, a última, não deixa saudades por múltiplos motivos. Dá que pensar!  Será que, contra todas as expectativas, vamos interromper a seca de vitórias esta temporada, vencendo um título em ano ímpar, algo que nos escapa desde 1953 (há 66 anos)? É que já longa se torna a espera...

Hoje giro eu - Anatomia da Grei leonina

Era uma vez um clube. Mais do que um clube, um clã de irredutíveis leões, mestres na arte de resistência. A falta de presas dividira a tribo ao longo dos anos, a qual, esfomeada, se desunira. A coroa de Rei Leão há já gerações que passava de cabeça em cabeça e resistir, na esperança de um futuro de abundância, era a único elo que ligava estes leões. Tudo o resto era motivo de discórdia. Nesse transe, grassavam as incongruências: quem criticava o défice democrático do líder, ao mesmo tempo condenava os reparos que outros leões faziam à forma como a alcateia se (des)organizava na caçada e, se porventura, o leão procurava silenciosamente atingir os seus objectivos, logo os que anteriormente haviam afirmado que o excesso de rugidos espantava a caça se incomodavam. Quando o insucesso já era evidente, a alcateia dividia-se entre os que criticavam a táctica empregue e os que atacavam os que previamente haviam avisado de que correria mal. Para aqueles, estes eram uns desestabilizadores (mesmo que tivessem 8 milhões de euros de razão) e com isso tinham prejudicado a acção na savana. E assim se passavam os anos...

 

É claro que situações destas só ocorrem no reino animal. Os humanos, e em particular os sportinguistas, têm uma racionalidade que os leva a agirem para prevenir uma crise e a unirem-se quando esta se consuma. Em todo o caso, sobre o Sporting, versão 2018/19, gostaria de Vos dizer o seguinte:

  

  1. José Peseiro teve a coragem de pegar numa equipa em cacos. Contrariando a ideia que eu tinha à partida, do meu ponto-de-vista, o treinador tem sido exemplar nos casos disciplinares. Nenhum jogador (como nenhum sócio) pode estar acima do Sporting Clube de Portugal e tal é válido tanto para um jovem (Matheus Pereira) como para um jogador consagrado (Nani). Se o treinador se impõe e castiga um jogador importante que infringiu as regras, a mensagem ecoa em todo o balneário. Assim tenha o suporte da sua Direcção (vidé o caso que envolveu Mourinho e Baía, aquando da passagem do setubalense pela cidade invicta);
  2. Não é dele a culpa de jogadores já com 23 anos (Palhinha e Geraldes) terem a ansiedade natural de poderem ser opção no clube, visto nunca o terem sido durante os últimos 3 anos (foram usados apenas para mascarar a péssima campanha de 16/17), mas a história dos jogadores quererem sair está claramente mal contada, porque um atleta com contrato só vai embora se o clube quiser ou se alguém bater a cláusula de rescisão. Em sentido contrário, crédito total a Peseiro pela aposta em Jovane, grande revelação até agora do campeonato;
  3. O clamor dos sportinguistas que pediam a utilização de Marcus Acuña como lateral esquerdo foi ouvido, o que não deve ser entendido como um sinal de fraqueza do treinador, mas sim como um acto de inteligência;
  4. É por demais evidente que o duplo-pivô não é um sistema de um candidato ao título, mas é justo dizer que ainda não surgiu um jogador que desse totais garantias na posição "8";
  5. Ainda assim, e enquanto esperamos por Sturaro - melhor hipótese para essa posição, embora também possa ser utilizado na posição "6" e até mesmo como lateral direito -, Wendel deveria ter sido mais testado e mesmo Bruno Fernandes poderia ter recuado no terreno, passando Nani (porque não temos Geraldes) para o apoio ao ponta-de-lança, opções que o técnico entendeu não tomar;
  6. É normal o descontentamento de quem não é resultadista e analisa o processo, dado o que se pode observar no relvado. Não é menos sportinguista quem toca na ferida do que quem prefere a ignorar. Já o ano passado, as criticas a JJ eram mal vistas porque íamos ganhando. No fim, foi o que se viu. E não vale a pena falar do jogo da Madeira, ou de Alvalade contra o Benfica, porque aí o título já tinha fugido. Por vezes, quem está demasiado perto não vê tão bem. O afastamento dá outra perspectiva das coisas e as críticas dos adeptos podem ser úteis desde que não ultrapassem os limites da urbanidade;
  7. Não se pode confundir estabilidade com situacionismo, da mesma forma que não se deve misturar descontentamento ou enfado com assobios;
  8. Sendo certo que o trabalho de Peseiro tem uma série de atenuantes "ex-ante", não nos podemos esquecer que somos o Sporting e que a exigência num clube desta dimensão é sempre o título de campeão nacional, mais a mais numa época, dir-se-ia, decisiva quanto ao futuro do clube como o conhecemos, à luz do desequilíbrio que uma nova não participação na Liga dos Campeões provocaria face aos rivais;
  9. A saída de Piccini não parece ter sido devidamente colmatada, pelo menos no que se refere ao capítulo defensivo. É certo que contratámos Bruno Gaspar, mas este, apesar de ter jogado num campeonato muito táctico como o italiano, parece dar mais que Ristovski apenas no capítulo ofensivo. O macedónio tem mostrado lacunas no posicionamento, preenchimento do espaço interior e acompanhamento das movimentações dos adversários (não pode ter os olhos só na bola), o que esteve na origem dos golos do Benfica (marcou João Félix de costas) e do Braga (não compensou devidamente a ida de emergência de Coates à lateral), para além de ter facilitado contra o Marítimo, em lance salvo "in extremis" por Acuña;
  10. Terminar o jogo contra o Marítimo com três médios defensivos é um excesso de zelo que, como tal, é mais prejudicial do que útil. Por razões conjunturais, estruturais e de estatuto. Conjunturais, porque a margem de dois golos e os cerca de 15 minutos que faltavam de tempo de jogo eram uma base confortável para dar tempo de jogo a elementos que se esperam poder vir opção atacante, no futuro; estruturais, porque dado o excesso de jogadores para as posições "6" e "8" (Battaglia, Petrovic, Gudelj, Sturaro, Wendel, Miguel Luís e até Bruno César, Bruno Fernandes e Acuña), não é crível que Misic, pelo que mostrou até hoje, venha a ter grande espaço no plantel, pelo que a sua utilização terá sido pontual e não a semente de algo que possa dar bons frutos mais para a frente; de estatuto, porque a história do Sporting não se coaduna com a imagem de que joga à clube pequeno, ainda mais quando não defronta o Real Madrid ou Barcelona, mas sim o Marítimo;
  11. Demasiado conservadorismo leva a poucos golos marcados. À sexta jornada, somos apenas o sexto ataque da competição. Com menos 2 golos que o Rio Ave, menos 4 que o Santa Clara, menos 5 que o Benfica, menos 6 que o Braga e menos 7 que o Porto. É que se a nossa estratégia passa por pensar jogo-a-jogo, então não nos esqueçamos que o objectivo do jogo é o golo;
  12. Ponto 12 como o do 12º jogador: sendo certo de que as exibições têm sido muito pouco conseguidas - e atenção que a forma é importante, na medida em que um bom espectáculo atrairá mais sportinguistas ao estádio, o que será importante, não só económicamente mas também como fonte de união -, fundamental será ganharmos o campeonato. Embora não se possa sempre pedir ópera, a generalidade das equipas campeãs tem momentos arrebatadores de bom futebol. (Isso, aliás, deveria fazer parte do nosso ADN de clube.) Para além de que, estou em crer, bons jogos ajudariam a sarar algumas feridas ainda abertas (lá está, a união não se pede, conquista-se com comportamentos). Em todo o caso, pese o aborrecimento ou tédio das nossas prestações, é importante, como nunca, que sócios, adeptos e simpatizantes estejam com o clube. É que, goste-se, ou não, do presidente, da equipa técnica, dos jogadores, nunca daremos a este grande clube na proporção daquilo que ele já nos deu: o imenso privilégio que é fazer parte de algo grandioso, as vivências, amizades, escape, alegrias e, também, algumas tristezas (sim, porque sem estas, como poderíamos valorizar a glória das vitórias?). VIVA O SPORTING !!!

Hoje giro eu - Ranking GAP

Nesta temporada de 2018/2019, o Sporting disputou até agora 8 jogos - 6 para o Campeonato Nacional, 1 para a Taça da Liga e 1 para a Liga Europa -, obtendo 6 vitórias (75%) e 1 empate (12,5%) e uma derrota (12,5%), com 14 golos marcados (média de 1,75 golos/jogo) e 5 golos sofridos (0,625 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP: Bruno Fernandes (4,1,3), Nani (3,1,0), Jovane (2,1,4);

2) MVP: Bruno Fernandes (17 pontos), Jovane (12), Nani e Raphinha (11);

3) Influência: Bruno Fernandes (8 contribuições), Jovane (7), Raphinha (6);

4) Goleador: Bruno Fernandes (4 golos), Nani (3), Dost, Jovane e Raphinha (2);

5)  Assistências: Fredy Montero e Ristovski (2), Bruno Fernandes, Nani, Raphinha e Jovane (1).

 

Conclusão: a um nível, aparentemente ao olho, ainda abaixo do da temporada de 2017/2018, Bruno Fernandes lidera 4 dos 5 parâmetros de análise das estatísticas ofensivas. Bruno contribuiu até agora para 57,1% dos golos leoninos. De destacar, também, o jovem Jovane Cabral, que contribuiu para 50% dos golos. Impressionante! Ambos os jogadores têm média superior à atingida por Bruno Fernandes (o mais influente) na temporada passada, onde esteve em 49,07% dos golos do Sporting.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

 

  G A P Pontos
Bruno Fernandes 4 1 3 17
Nani 3 1 0 11
Jovane Cabral 2 1 4 12
Raphinha 2 1 3 11
Bas Dost 2 0 0 6
Fredy Montero 1 2 2 9
Ristovski 0 2 0 4
Sebastian Coates 0 0 1 1

Hoje giro eu - o Sporting é "só" um

Sporting Clube de Portugal. Não de Lisboa, Carvalho, Godinho, Bettencourt, Franco, Cunha, Roquette, Santana, Cintra, Gonçalves, Freitas ou Rocha. Apenas Sporting. E de Portugal. O Vosso clube, o meu clube, o Nosso clube. 

 

Mais do que nos focarmos no que nos divide, temos de nos concentrar no que nos une. Desde logo, o que nos aproxima é a vontade de ver o clube prosperar e aquele amor que não se explica, sente-se. A maioria dos sócios e adeptos sportinguistas não são políticos, não têm pretensões de poder no clube, apenas querem que as coisas corram bem. Divisões existem sobre a forma de lá chegar. Pessoas, ideias, estratégia. Uns prefeririam ainda Bruno, a maioria escolheu Frederico ou João. Alguns privilegiariam a vertente desportiva, outros quereriam resolver o quanto antes a questão da cultura do clube. Muitos apostariam na Formação e no ecletismo, outros gostariam de obter resultados no imediato e de pôr as fichas todas no futebol. E também há quem defenda que isto só lá vai com a perda de maioria do Sporting na SAD.

 

Como sempre aqui tenho expressado, a união não se pede, conquista-se. Mas não é apenas à Direcção que cabe promover isso, é um desígnio de todos. Cada um, nas suas intervenções públicas, semi-públicas ou privadas, deve procurar encontrar pontos de encontro com outros consócios, em detrimento da exploração das fracturas que nos vão progressivamente afastando.

 

O Sporting tem um problema grave de crise de identidade. Qual é a nossa bandeira, o porquê de estarmos aqui, quais os nossos factores de diferenciação? Enquanto não resolvermos isto, e deveremos fazê-lo internamente, não saberemos qual o nosso posicionamento. E se não se conhece onde se está, como se poderá saber qual o caminho a percorrer para atingir o objectivo que se pretende? Por isso, de pouco valerá prometer conquistas. Primeiro é preciso definir o ponto de partida e apontar um trajecto para a glória.

 

A cultura de um clube mede-se pela sua capacidade em resistir a tudo o que de menos bom gravita à sua volta. Numa cultura forte, existe um elo identificador entre todos os colaboradores, atletas e sócios, os quais absorvem os valores da Organização. No Sporting, a cultura é fraca e isso permite sermos diariamente influenciados negativamente por tudo quanto vem de fora. Sem filtros, completamente à mercê, como os acontecimentos recentes bem o demonstraram. Então, como resolver isto? Em primeiro lugar, e retomando o início do texto, temos de pensar num Sporting uno. Que começa pela abolição dos termos "sportingados", "brunistas" ou "croquettes", os quais só multiplicam a nossa identidade e, por isso, dividem e, assim, minam a nossa coesão. Depois, é preciso chamar e ouvir os sócios, as suas opiniões. Nesse sentido, o Sporting deve afirmar-se como um clube do Renascimento, com uma capacidade criadora, reformadora, de mudança de paradigma (o status-quo) e que valorize todos os seus associados, com respeito pela integridade das competições, o objectivo de promover um desporto melhor, mais justo, equilibrado e íntegro, tudo assente numa cultura de exigência (que deve ser correctamente implementada), mas também de excelência. Nunca, em circunstância alguma, deveremos importar modelos que funcionem com outros, mas que não respeitem a nossa idiossincrasia e/ou os nossos valores e que criem um choque com o que são os valores tradicionais sportinguistas. Como em tempos disse, a cultura de uma organização desportiva não pode estar nos antípodas do que é a personalidade e o carácter dos seus colaboradores, atletas e sócios/adeptos.

 

Concluindo, se é certo que o caminho se faz caminhando, primeiro é preciso saber onde estamos. Caso contrário, andaremos a caminhar para nada, perdidos e, provavelmente, cada vez afastando-nos mais do objectivo pretendido. Procuremos então situar-nos, através do nosso GPS (glória, princípios, sustentabilidade), sabendo que esse é o passo necessário para a afirmação da nossa cultura, leoninidade, do nosso Ser Sporting . Viva o SPORTING !!!

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Hoje giro eu - Ranking GAP

Nesta temporada de 2018/2019, o Sporting disputou até agora 5 jogos - 4 para o Campeonato Nacional e 1 para a Taça da Liga -, obtendo 4 vitórias (80%) e 1 empate (20%), com 10 golos marcados (média de 2 golos/jogo) e 4 golos sofridos (0,8 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP: Bruno Fernandes (3,1,2), Nani (3,0,0), Dost (2,0,0);

2) MVP: Bruno Fernandes (13 pontos), Nani (9), Jovane (8);

3) Influência: Bruno Fernandes (6 contribuições), Jovane (5), Nani e Montero (3);

4) Goleador: Bruno Fernandes e Nani (3 golos), Dost (2);

5)  Assistências: Fredy Montero e Ristovski (2), Bruno Fernandes e Jovane (1).

 

Conclusão: a um nível, aparentemente ao olho, ainda abaixo do da temporada de 2017/2018, Bruno Fernandes lidera 4 dos 5 parâmetros de análise das estatísticas ofensivas. Bruno contribuiu até agora para 60% dos golos leoninos. De destacar, também, o jovem Jovane Cabral, que contribuiu para 50% dos golos. Impressionante! Ambos os jogadores têm média superior à atingida por Bruno Fernandes (o mais influente) na temporada passada, onde esteve em 49,07% dos golos do Sporting.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

 

  G A P Pontos
Bruno Fernandes 3 1 2 13
Nani 3 0 0 9
Bas Dost 2 0 0 6
Jovane Cabral 1 1 3 8
Raphinha 1 0 1 4
Fredy Montero 0 2 1 5
Ristovski 0 2 0 4
Sebastian Coates 0 0 1 1

Hoje giro eu - O Guarda-Redes(*)

Se o objectivo (goal, em inglês) de um jogo de futebol é o golo - o equivalente a um orgasmo, para o bi-bota Fernando Gomes -, impedi-lo é o anti-climax, pelo que o guarda-redes é um desmancha-prazeres por natureza. Talvez por isso, as regras estabelecidas em 1848, na Universidade de Cambridge, não contemplavam a figura do "keeper", posição que só passou a existir em 1871. 

 

Por tudo isto, existe uma não confessada má-vontade contra o guarda-redes, ele é um mal-amado. Se é perdoado a um ponta-de-lança perder um golo de baliza aberta, a um extremo falhar um drible ou um centro, a um médio errar um passe e a um defesa fracassar no desarme, nada é consentido a um guarda-redes. Se der um "frango" e daí resultar a derrota da sua equipa, bem pode efectuar uma mão-cheia de defesas impossíveis que nem assim será absolvido pelo tribunal dos adeptos.

 

Condenado a observar o jogo à distância, isolado, apenas com dois postes e uma barra como companhia, é como um prisioneiro solitário numa cela, sómente aguardando a sua própria execução. E quando lhe aparece um adversário sózinho pela frente e sai ao seu encontro, parece percorrer o corredor da morte (Dead man walking), à espera de um indulto de última hora. Isso talvez justifique porque o mais famoso guarda-redes de sempre (Lev Yashin) e alguns dos melhores da história do nosso Sporting (Azevedo, Carlos Gomes e Vítor Damas) escolheram se equipar de preto: o luto era adequado a quem sabia que a coisa, provavelmente, ia acabar mal.

 

Curiosamente, e em contra-ciclo, à medida que o futebol se foi tornando mais cinzento, cínico, burocrático, cerebral e os treinadores sacrificaram o objectivo do jogo à estratégia e à táctica, os equipamentos dos guarda-redes foram ganhando côr, como se agora acreditassem que tudo vai correr bem. Mas é um engano. Barbosa, arqueiro do Brasil no Mundial de 1950, batido pelo uruguaio Ghiggia na final, resistiu 50 anos como um condenado, tendo de conviver com desconsiderações várias, punido por adeptos, que até, certa noite, furtivamente, lhe colocaram a baliza daquele dia no Maracanã no seu jardim. Para que nunca se esquecesse! Meio-Século pagando por um crime que não cometeu (Barbosa foi considerado o melhor guardião desse Mundial), num país onde a pena máxima para qualquer tipo de crime é de 30 anos...

 

carlos gomes.jpg

 (*) só para desenjoar do quotidiano

 

Hoje giro eu - Ranking GAP

Novo ano, renovadas expectativas, o Sporting disputou até agora 4 jogos, todos realizados para o Campeonato Nacional. Temos 3 vitórias (75%) e 1 empate (25%), com 7 golos marcados (1,75 golos/jogo) e 3 golos sofridos (0,75 golos/jogo).

 

A nível individual, eis as classificações (estatísticas ofensivas):

 

1) MVP: Nani (9 pontos), Bruno Fernandes (7), Bas Dost e Jovane Cabral (6);

2) Influência: Bruno Fernandes (4 contribuições), Nani e Jovane (3);

3) Golos: Nani (3), Bas Dost (2), Jovane e Bruno Fernandes (1);

4) Assistências: Ristovski (2), Bruno Fernandes e Jovane (1);

5) Ranking GAP (medalheiro): Nani (3,0,0), Bas Dost (2,0,0), Bruno Fernandes (1,1,2).

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

 

  G A P Pontos
Nani 3 0 0 9
Bas Dost 2 0 0 6
Bruno Fernandes 1 1 2 7
Jovane Cabral 1 1 1 6
Ristovski 0 2 0 4
Sebastian Coates 0 0 1 1
Fredy Montero 0 0 1 1
Raphinha 0 0 1 1

Hoje giro eu - Ranking GAP

Nova época desportiva, novo Ranking GAP. Iniciámos bem, com uma vitória por 3-1, fora, em partida a contar para o Campeonato Nacional. Recordemos agora os números da temporada 2017/18: o Sporting disputou 60 jogos - 34 para o Campeonato Nacional, 8 para a Liga dos Campeões, 6 para a Liga Europa, 7 para a Taça de Portugal e 5 para a Taça da Liga - a que corresponderam 36 triunfos (60%), 13 empates (21,67%) e 11 derrotas (18,33%), com 108 golos marcados (1,8 golos/jogo) e 50 sofridos (0.83 golos/jogo).

 

Classificações (Estatísticas Ofensivas) - Vencedores:

 

1) MVP: Bas Dost (120 pontos), Bruno Fernandes (103), Gelson Martins (68);

2) Influência: Bruno Fernandes (53 contribuições), Bas Dost (46), Gelson (31);

3) Goleador: Bas Dost (34 golos), Bruno Fernandes (16), Gelson (13);

4) Assistências: Bruno Fernandes (18), Gelson (11), Acuña (9).

 

Temporada 18/19 - Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva):

 

  G A P Pontos
Bas Dost 2 0 0 6
Bruno Fernandes 1 1 0 5
Ristovski 0 1 0 2
Jovane Cabral 0 0 1 1
Sebastian Coates 0 0 1 1

Hoje giro eu - Bruno acabou com a nostalgia de Cintra

Faço uma pequena pausa neste meu hiato no "És a nossa FÉ" para destacar a (re)apresentação de Bruno Fernandes em Alvalade. A acreditar - e não tenho razão nenhuma para não o fazer - nas palavras proferidas hoje em Conferência de Imprensa, quer por Sousa Cintra, quer por Bruno Fernandes, este último regressou ao Sporting sem ver melhorado o seu contrato de trabalho. Aliás, Bruno chegou a dizer que contrariou o seu empresário, o qual lhe teria garantido melhores condições remuneratórias, exigindo voltar nos exactos termos do contrato anterior. 

 

Escusado será expressar aos nossos Leitores o meu contentamento com o facto de as negociações terem chegado a bom porto, perdão, bom SPORTING, eu que durante o ano sempre considerei Bruno uns furos acima de qualquer outro jogador do plantel. O maiato comprova assim não ter só dois bons pés. A forma como se esquivou à carga fora de tempo do reporter da CMTV - sobre o seu homónimo ex-presidente - ou como driblou a pergunta do jornalista da RTP, acerca da renovação, mas principalmente a maneira como se dirigiu aos sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal, demonstrando uma visão muito mais do que periférica, mostra que Bruno Fernandes, para além de ter coração de leão, joga exemplarmente com os neurónios todos. Junta-se assim a Salin, Piccini, Ristovski, Coates, André Pinto, Mathieu, Lumor, Palhinha, Petrovic, Misic, Wendel, Bruno César, Acuña, Bryan Ruiz, Fredy Montero e Doumbia (mil desculpas se me esqueço de algum, eles merecem ser realçados) na minha lista de notáveis do Sporting. 

 

Obrigado Bruno e obrigado ao presidente da Comissão de Gestão, José de Sousa Cintra. Bem-hajam!

bruno-fernandes.png

 

Hoje giro eu - Vai continuar a "brincadeira"?

Enquanto Conselho Directivo e PMAG se desdobram em argumentos jurídicos a propósito da marcação de uma AG destitutiva, cada um reclamando vitória, mais 3 jogadores (Bruno Fernandes, William e Gelson Martins) rescindiram contrato alegando justa causa. Como dizia no meu Post de anteontem, vamos de vitória em vitória (à Pirro) até à derrota final. Até quando vamos tolerar esta brincadeira? Andámos a "empurrar com a barriga" os nossos assuntos para os Tribunais, em vez de os resolvermos em casa utilizando pessoas competentes e capazes para negociar uma solução. Agora isto... Uma coisa é certa, a história se encarregará de julgar a acção da totalidade dos nossos Orgãos Sociais. Não se trata de ter razão, trata-se de salvar o Sporting. Ao Conselho Directivo, uma nota: simplesmente, demitam-se. Pelo menos 2 dos seus elementos. Já chega!!!

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