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És a nossa Fé!

Pelé em Alvalade

Este comentário de Francisco Melo, sobre os 60 anos de Maradona, onde questiona se Pelé alguma vez vestiu “o manto sagrado”, despertou em mim curiosidade em verificar se isso alguma vez aconteceu.

Não encontrei nenhuma foto, mas encontrei a crónica do jogo que Pelé fez em Alvalade a 19 de Junho de 1959.

Aqui fica:

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SPORTING, 2 – SANTOS, 2

OS «LEÕES» SÓ NÃO GANHARAM PORQUE FORAM INFELIZES

 

Quem ontem à noite se deslocou ao Estádio de Alvalade, por certo, não deu por mal empregado o seu tempo.

Se a partida não chegou a atingir, por parte dos brasileiros, o nível que se previa, deve-se o facto à boa réplica da turma «leonina» que em noite de inspiração, deve ter feito o séu melhor encontro da época.

Tecnicamente, não poderá negar-se categoria ao grupo brasileiro. O domínio de bola de todos os seus jogadores, a troca do esférico, a «presença» a meio campo, foram atributos que os sul-americanos denunciaram em larga escala. Simplesmente, nas disputas de bola e no perfurar a defesa contrária os brasileiros já se não apresentaram tão à vontade.

O motivo daqueles senões saltaram à vista por virtude da equipa «leonina», sem temor pelo adversário, jogou com o saber e jeito suficientes para neutralizar a acção dos «santistas». E, se uma das turmas houve que se mostrasse surpreendida, por certo foi a dos visitantes que não a lisboeta.

Durante o primeiro tempo, o Santos foi muito igual. Moroso, jogando muito para os lados, preferindo tentar romper pelo meio. Ao vagar com que os brasileiros puseram no jogo, respondeu o Sporting com uma vivacidade que não deveria, encontrar-se nas previsões, dos sul-americanos.

A defesa dos «leões» bem fechada, neutralizava, um a um os ataques, ao «relanti» do grupo de Pelé. Este e Coutinho, secundados por Álvaro, bera tentaram romper, no seu passe miúdo desfeitear o sector defensivo dos lisboetas, a que Julius emprestou uma colaboração que bem se casou cora a autoridade do «trio», Lino-Morato-Hilário.

Uma vez fechadas; as ofensivas dos brasileiros, o Sporting partia para o ataque. Apoiada, e bem, por Osvaldinho,. a linha atacante leonina, dava-se em se movimentar de tal modo que a defesa «santista» via-se e desejava-se para suster o seu ímpeto e desenvoltura.

Assim, apareceu o primeiro golo da partida, aos 13 minutos, num lance em que Hugo, com um toque subtil, colocou a bola ao alcance de Morais para este rematar vitoriosamente. O tento leonino, não chegando para quebrar o ritmo moroso do Santos, contribuiu, ainda, para que o Sporting, se mantivesse em plano de mais relevo, com o sector atacante, bem movimentado por Faustino, Fernando e Diego, a criar lances de perigo para as redes de Carlos, o guardião brasileiro. E, quando o intervalo chegou, a impressão causada pelo Santos não era de molde a justificar a fama de que vinha rodeado.

No segundo tempo, e enquanto as equipas apresentaram as mesmas formações iniciais, ainda o Sporting foi a de mais destacada iniciativa. O Santos, continuava, enervantemente moroso e os «leões» activos e mexidos a procurarem aumentar a marca.

E, o Sporting, fez o segundo golo. Morais correu pelo seu lado, passou Ramiro e de cima da «linha de baliza» centrou atrasado, por alto. Faustino, que seguiu o lance, em movimento, entrou bem de cabeça... e Carlos foi buscar o esférico ao fim da rede.

O Santos deve ter sentido o golo que alterava o marcador para 2-0, a favor dos lisboetas. Jair, entrou a substituir Fiote e a equipa brasileira , pareceu mais arrumada. O ataque tornou-se mais preciso, e embora um cansaço compreensível, dada a série de jogos que a equipa vem de disputar cm tão curto espaço de tempo, deu-se em lutar melhor, procurando rematar mais amiudamente.

Cerca do quarto de hora, Durval, correu pela direita, ultrapassou Hilário, centrando forte, a meia altura. Osvaldinho, virado para as suas balizas, tentou interceptar, mas a infelicidade levou-o a dar à bola o caminho do golo. Assim, chegou o Santos ao 2-1.

Já mais assente, a turma do Santos fez das fraquezas forças, e tornou-se mais profícua, com Jair a encher o rectângulo. E, a bola, perto da «grande área» do Sporting, passou a ser entregue a Pelé, para que este rematasse. Um, dois remates do campeão do Mundo e ao terceiro estava feito o empate. O poderoso atacante, recebendo o esférico de Jair, correu com ele, e rematou ao lado esquerdo de Octávio de Sá. Este, pareceu, por momentos, ter neutralizado com as mãos, o remate de Pelé, mas o esférico, prosseguindo, foi tocar as malhas. Estava feito o empate.

 

O TRABALHO DOS JOGADORES

JAIR SOBRESSAIU na equipa visitante

No conjunto, os brasileiros, embora revelando sempre perfeito domínio de bola, abusaram contudo das entradas menos leais, o que provocou alguns justificados protestos e constantes interrupções do jogo.

Uma e outra coisa, desagradaram completamente ao público que quase encheu o Estádio para ver em acção os paulistas e, especialmente, d «estrela» da companhia, o campeão mundial Pelé.

Este jogador não jogou, certamente, o seu melhor revelando, no entanto, excelente domínio de bola e desmarcares oportunas. Não fez muito o «internacional» brasileiro, mas o que efectuou fê-lo com consciência, e a poucos minutos do fim, com um potente remate, obteve. o golo do empate.

Após a entrada em campo do «veterano» JAIR, que empunhou a «batuta», o conjunto do Santos melhorou consideravelmente e viu-se então a acção do mestre. As suas paragens e entregas perfeitas entusiasmaram a assistência.

O jovem COUTINHO não actuou até final do encontro, mas o tempo' que esteve no terreno chegou para patentear as suas reais qualidades.

Foram, ainda, DURVAL, muito rápido com a bola, ÁLVARO bom dominador e PEPE, com esplêndido sentido de oportunidade os jogadores que completaram o ataque do Santos.

A defesa pecou, e muito especialmente PAGÃO, por jogo rijo, o que tirou brilho á sua actuação.

Na baliza, CARLOS esteve seguro e arrojado, mesmo quando saiu aos pés de Faustino.

 

FAUSTINO O MAIS DESTACADO NA TURMA DO SPORTING

OCTÁVIO DE SÁ - Irregular. Duas ou três saídas em falso. No segundo golo pareceu-nos mal batido, pois deixou-nos a impressão de que chegou a ter a bola nas mãos.

LINO - Não deu tréguas a Pepe, travando bom despique com o extremo brasileiro. E foi em maior numero os lances que ganhou do que os que perdeu.

MORATO - Colocação, rapidez e bom despacho. Um defesa-central de bom estilo e óptima presença.

HILÁRIO - Mais ousado do que os companheiros e acusando a categoria de Durval. Mas, no conjunto, foi uma permanente utilidade.

JULIUS - Um médio de alto a baixo. Boas dobragens e uma vigilância a Pelé a chamar a atenção.

OSVALDINHO - Tirando todo o partido da lentidão do ataque brasileiro, o n.º 6 dos «leões» atingiu plano de realce, quer na ajuda á defesa, quer no apoio ao ataque.

HUGO - Vivo, mas demorando um tudo nada a posse do esférico. Alguns centros de boa marca e um passe magnífico a Morais para este fazer o golo.

FAUSTINO - Bom domínio de bola, desmarcações a propósito e toques precisos, com o esférico em movimento. Um óptimo golo de cabeça. Elemento para vir a dar que falar.

FERNANDO - Movimentou-se bem, trocou a bola com a-propósito, mas parece abusar um pouco na retenção do esférico. Talvez remate pouco, mas joga muito.

DIEGO - Pontou q jogo do ataque e saiu-se bem. Ajuda aos médios utilíssima, cumprindo, cabalmente a missão.

MORAIS - Expedito e com boa velocidade. Ramiro, o defesa-direito adversário,. viu-se em dificuldade para o segurar. E, raramente o conseguiu. Fez o primeiro golo, derivando para o meio do terreno no momento próprio.

POMPEU - Jogou 10 minutos e no pouco em que interveio esteve certo.

 

 

ENTRE OS BRASILEIROS

O SPORTING «BATE DURO» E JOGA O FUTEBOL - diz PELÉ que está saturado

 

Extenuados e ainda vivendo as peripécias dp jogo, os brasileiros não deixaram de revelar a sua gentileza para com a Imprensa e Rádio, que invadiu os seus vestiários.

A um canto, quase despercebido, deparámos com COUTINHO, o mocinho de 16 anos, já «estrela» do futebol carioca, revelou:

- Foi um jogo disputado com ardor e velocidade, que me agradou, pois o Sporting provou ter grande «team» e uma «torcida que o ajudou muito.

- O empate está certo?

- Um resultado que saiu assim, justo não é? Mas nós não jogámos lá muito bem. Porquê não sei. Mas são jogos uns atrás dos outros, não acha?

- Por que foi substituído?

-Saí porque tinha «reserva» para entrar. Pois tenho 16 anos e continuo a ser ainda «guri»...

-Conhece alguns dos seus compatriotas que alinharam pelo Sporting?

- Sim, o Faustino e o Fernando desde o Brasil. Foram até meus adversários lá... São bons jogadores e o Faustino deu espectáculo.

Passámos depois a PELÉ, o discutido .«crack»’ campeão do mundo, que 1 nos surpreendeu com a maneira fácil de se expressar. Começou por dizer acerca da partida:

- Foi um bom jogo, mie seria melhor se tivesse um árbitro á altura. Prejudicou as duas equipas e o jogo, por não deixar seguir bola.

E confessou a seguir:

- O resultado está justo. Futebol é assim mesmo. O Sporting «bate duro», corre muito e joga bastante futebol. Gostei muito de Diego, Osvaldinho e Faustino, este um bom jogador, que já conhecia «di lá...».

- A sua .exibição, Pelé?

- Não agradou. Estou saturado, três jogos por semana é muito...

- Diz-se que vai ingressar no Madrid, é verdade?

- Isso é uma conversa que saiu. Comigo não conversaram nada. É melhor ficar por aqui...

E, acrescentou:

- A minha profissão é «crack» e tenho família para criar - meu pai e minha mãe. Quero jogar na equipa que pagar melhor. Depois lutarei pela sua camisa...

Na cabina encontrava-se o treinador OTTO GLÓRIA, a quem pedimos para falar do jogo, o que logo acedeu, para dizer:

- O resultado está certo, atendendo àquilo que os grupos jogaram. O Sporting esteve melhor no primeiro tempo, mas o Santos revelou-se na parte final, sem dar uma ideia exacta daquilo que pode fazer.

E, prosseguindo:

- Os jogadores brasileiros sentem-se muito cansados e além disso o Sporting não deixou jogar, lutando com ardor e jogou mesmo bem.

 

NA CABINA DO SPORTING

A ENTRADA DE JAIR MODIFICOU O JOGO

- opinião do dr. Oliveira Martins

 

Assistimos .ao jogo ao lado de VADINHO, a quem , no final pedimos opinião. O brasileiro do Sporting expressou-se assim:

- Futebol é uma coisa de mistério. O Sporting merecia um resultado bem melhor, porque jogou bem.

E, referindo-se ao Santos:

- É uma equipa muito boa, mas não está jogando bem. Acredito que joguem mais do que mostraram hoje em Alvalade. Obteve um resultado honroso.

Já na cabina, ouvimos o dr. OLIVEIRA MARTINS, dirigente «leonino», que nos disse:

- Foi um espectáculo agradável, que só não ganhámos por infelicidade. A entrada de Jair, verdadeiro mestre da bola, veio modificar o jogo e dar «vida» ao famoso Pelé, que acusou a soma de jogos feitos nesta digressão do Santos à Europa.

Depois, ouvimos o treinador IMBELLONI, que foi rápido na análise ao jogo:

- Não posso fazer uma apreciação justa do Santos, depois da equipa fazer tantos joges... Não me deslumbrou, embora o jogo me tenha agradado e ache bem o resultado fina!

- Pelé e Coutinho?

- Não os vi. Jair é que é, sem favor, a «vedeta» do grupo.

Por fim, perguntámos a OCTÁVIO DE SÁ sobre os golos sofridos. O guardião «leonino» retorquiu:

- O primeiro resultou »de um golpe infeliz de Osvaldinho e, o outro, foi o Pelé quem o rematou, não me sendo possível evitá-lo por estar «tapado»...

- Quanto aos brasileiros?

- Mostraram muito cansaço. Jair e Pepe, melhores do que Pelé e Coutinho, que só se revelaram em certos pormenores do jogo. Quando tiverem a experiência de Jair, devem vir a ser um caso sério...

 

In.: Record, n.º 832, de 20 de Junho de 1959, p. 3

Aos vencedores foram oferecidas medalhas

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“Realizou-se domingo [14 de Setembro de 1902], na Quinta da Fonteireira em Belas, [Quinta pertencente à família Pinto Basto onde, por via do parentesco da minha avó paterna, eu passava umas divertidas jornadas em pequenino], o match de «Foot-ball» entre o Sport Clube de Belas [dos irmãos Gavazzo] e o Foot-ball Clube Peninsular, ficando este último a vencer por 6 goals contra 1. Aos vencedores foram oferecidas medalhas. O grupo vencedor compunha-se: goal-keeper, J. Lisboa; backs, E. Tito e F.G. Vieira; half-backs, E. dos Santos M. do Nascimento e Afonso Ortis; forwards, Abel Macedo, David Fonseca, C. Botelho, G.P. Basto e R. Pereira; refere, J. G. Vieira.

In “História do Sporting Club de Portugal" de Luís Augusto da Costa Dias com Paulo J. S. Barata – Contraponto

«Parece que já os estou a ver, diz o sr. Anastácio...

... a bola é posta em jogo e os nossos avançam como leões!

Coates (1) recebe a bola e passa a Quaresma (2), Quaresma (2) dribla Alex Teles (3) que se estende ao comprido e passa a Nuno Mendes (4), Nuno Mendes (4) recebe a bola e passa a Wendel (5), Wendel (5) passa a Plata (6), Plata (6) centra e Jovane (7) completamente isolado, corre para a baliza e chuta, golo!

Golo!”. E derruba o tampo da mesa.

“Ai meu Deus, que aconteceu? Mas que foi isto?” diz a sua mulher Carlota ao entrar de rompante na sala.

“Foi o senhor Anastácio que meteu um golo.»

 

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(1) - Canário no original. (2) - Travassos no original. (3) - Guilhar no original. (4) - Vasques no original. (5) - (Wendel) Albano no original. (6) - Jesus Correia no original. (7) - Peyroteo no original.

 

Operário e futebolista assassinado pela própria mãe

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Hoje, dia 1 de Maio, celebra-se o dia do trabalhador.

Há um sinónimo de trabalhador que me interessa, especialmente, operário (do latim operor; trabalhar, ser eficaz, produzir).

A imagem que ilustra este texto foi obtida hoje perto do Largo da Princesa, Belém, um espaço geográfico que os pés descalços de José conheceriam.

Um operário vestido de azul ganga durante a semana e vestido de azul com a cruz de Cristo no domingo.

Estreou-se na equipa principal do Belenenses num jogo contra o Benfica com apenas 16 anos recentemente completados. A quinze minutos do final o Belenenses perdia por 4-1, mas, a equipa deu a volta ao resultado e venceu por 5-4. José Manuel Soares tornou-se de um dia para o outro um ídolo popular.

Entre 1926 e 1931, transformou-se na maior estrela do futebol português do seu tempo. Avançado felino, tem o recorde de golos num só jogo - 10 ao Bom Sucesso - e quando se estreou pela selecção portuguesa com dois golos à França, com meros 18 anos, "foi o delírio" nas "ruas mais pobres de Belém", como lemos em A História do Futebol em Lisboa: "representava a alma do Bairro, o seu orgulho e a sua vaidade." O momento de maior glória chegaria com a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de 1928.

No dia do primeiro jogo, com o Chile, uma multidão encheu as ruas no centro de Lisboa, lendo as edições especiais dos jornais, ou observando o painel no Rossio onde a partida foi acompanhada num directo pré-televisão, com um homem, em contacto com Amesterdão, assinalando com um íman e com a precisão possível os avanços e recuos da bola no campo.

Portugal vence 4-2, ele marca e é decisivo nessa e na vitória seguinte, frente à Jugoslávia. A contestada derrota com o Egipto no terceiro jogo [um golo invalidado a Portugal] não maculou em nada o seu prestígio,  estrela maior do futebol de então; nos campos era um ídolo, fora dele, um simples operário no Centro de Aviação Naval do Bom Sucesso.

Como depreendemos pelo título foi a mãe que o matou, num dia de infelicidade, a solidariedade da bairro operário em que viviam (é interessante pensarmos em Belém como um bairro operário) funcionou e a pobre senhora que, apenas, trocara o sal por soda caústica* para fazer uma sopa, nunca foi acusada de nada embora os vizinhos soubessem o que acontecera.

Chamava-se José, passou para a posteridade como Pepe, um operário que morreu por comer sopa.

*a soda caústica era utilizada em conjunto com areia para "arear" tachos e panelas, é muito semelhante ao sal e a sua ingestão é mortal.

Bibliografia: https://www.publico.pt/2011/08/28/jornal/dois-bairros-e-uma-bola-uma-historia-de-futebol-22756853

http://blogoexisto.blogspot.com/2006/10/lenda-do-pepe.html

O Sporting não precisa de heróis

José de Pina descreve, e muito bem, a alucinação em que alguns Sportinguistas vivem, acreditando que o Sporting só nasceu em 2013. Já antes, desde sempre, o Sporting sempre foi grande! E, desde sempre, houve gente a lutar contra o sistema que se instalou no futebol nacional.

O Sporting não precisa de heróis, muito menos de Dons Sebastiões. O Sporting precisa é de todos os seus adeptos a pensarem no Sporting e não divididos entre o "Sporting de A" e o "Sporting de B". Sporting há só um, o Clube de Portugal!

 

Andou ao engano

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Um ex-presidente do Sporting veio dizer que o Sporting Clube de Portugal sempre foi uma monarquia e só fez uma pausa entre 2013 e 2018. Curiosamente também disse que foi durante esse período que mais se enalterceram os valores do Sporting.

Ora, se o Sporting sempre foi uma monarquia com todos esses defeitos, de que serve enaltecer os valores definidos pelos "nefastos" monarcas?

Durante esta quarentena tem-se visto muitas fotografias das campanhas europeias do Sporting com o velhinho José de Alvalade cheio. Inclusivamente ganhámos uma Taça europeia no "tempo da monarquia".

O Sporting, com as suas qualidades e defeitos, nasceu em 1906 e desde então sempre foi enorme. Querer reduzir a sua grandeza ao período pós-2013 é um periogoso reescrever da história. Se não percebeu isto, andou claramente ao engano.

José de Alvalade...

... foi, aos 33 anos, uma das vítimas da grande pandemia do início do século XX, a gripe pneumónica - vulgarmente designada por gripe espanhola -, falecendo a 19 de Outubro de 1918. Hoje, infelizmente, vivemos uma situação pandémica similar, menos grave - é certo, os tempos são outros -, mas igualmente preocupante. O apelo que aqui deixo, olhando para o fundador do nosso clube, é que todos, sublinho TODOS, sigam as recomendações das autoridades de saúde, para que nos possamos a encontrar neste espaço e a opinar sobre este clube, que é a nossa fé. Copiando 'as gordas' de um jornal de hoje, creio que o SOL, deixo o meu conselho: Vacinem-se: não saiam de casa. Ou então limitem os seus movimentos ao exterior ao estritamente necessário - apesar do dia magnífico convidar ao contrário. Fiquem em casa, de preferência na nossa companhia, pois aqui podem encontrar uma imensidão de textos que vai, com certeza, prender a vossa atenção. Tudo de bom, para todos.

A pena que eu tenho!

Tenho andado afastado da escrita sobre o Sporting.

Todavia lamento que o clube do qual sou sócio e de que me habituei a gostar e a conviver durante mais de 60 anos, viva momentos tão pobres, tão tristes e em tamanha guerrilha que não honra, em nada, a sua longa história nem me faz sentir orgulhoso de pertencer a este clube.

Pode parecer exagerado, mas é o que sinto neste momento.

A culpa de se ter chegado a este ponto é minha, é tua, é de todos nós, sócios e adeptos.

Mas o que aqui me trouxe hoje especialmente prende-se com um acontecimento que se deu há duas semanas na minha vida. Fui avô de uma menina.

Quando o meu filho mais velho nasceu, fui a correr a Alvalade inscrevê-lo como sócio do Sporting. Hoje ainda não o fiz com o mais recente elemento da família.

E não tem a ver com o ser do sexo feminino, que actualmente nestas coisas de adeptos as raparigas são tão ferverosas quantos os rapazes.

A questão é bem diferente e associa-se à ideia de como posso incitá-la a gostar de um clube que vive (quase) exclusivamente de um passado longínquo.

Poder-se-á falar do ecletismo do Sporting, da formação ou mesmo dos diversos campeonatos europeus em diferentes modalidades, mas sendo o futebol a roda maior deste complexo relógio continuo sem saber como a convencerei a tornar-se, não só sócia como, principalmente, adepta!

Lagartos e lampiões (reprise)

 

(Em 28.4.2012 coloquei aqui este postal. As estatísticas do blog mostram que continua a ser muito visitado, através dos sistemas de busca informática. É uma boa razão para replicar esta curiosidade histórica, uma versão da origem das alcunhas dos adeptos dos grandes clubes lisboetas. Algo que pensara fazer, até por proposta do Pedro Correia. Hoje, ao ver estas gravíssimas notícias aqui relatadas, não pude deixar de pensar que é o momento adequado).

 

No seu mural de facebook o meu querido amigo Miguel Valle de Figueiredo, sportinguista imenso, dá a conhecer esta preciosidade, acompanhada da explicação:

 

"Daqui vem o nome "Lagartos", assim apelidados os títulos da subscrição para a construção do estádio "José Alvalade."

 

Aí mesmo um seu amigo, Jorge Roza de Oliveira, esclarece ainda:

 

"Lampiões nada tem a ver com as luzinhas atrás nos comboios, como se diz por aí. Nos anos 30, começo de 40, os sportinguistas começaram a chamar aos benfiquistas de lampiões, porque Lampião era nessa altura um famoso ladrão e bandido do nordeste brasileiro. E os sportinguistas achavam que o Benfica era muito beneficiado pelos árbitros e começaram a aplicar assim o termo lampião."

 

Irmanados nas alcunhas. No convívio da bola, por mais que tantos não o queiram assim.

Descobrir o Palácio numa sapataria...

 «Como a condessa de Sucena, proprietária do Palácio Foz, era cliente da sapataria Benigno Linares, sócio do Sporting, Retamosa Dias induziu-o a falar com ela. E, como conta Eduardo de Azevedo, resultou do facto facilitarem-se as negociações empreendidas por Carlos Basílio de Oliveira para a instalação do Sporting nas dependências do antigo Ritz. Ao fim de oito anos, em 1941, sem qualquer indemnização, o Sporting foi compelido a abandonar o Palácio Foz, para que nos seus espaços se instalassem os serviços do Secretariado Nacional de Informação (SNI), sob o comando de António Ferro.

 

O Sporting sempre se debateu com a dificuldade em encontrar um edifício que se adequasse à instalação da sua sede. Inerente à escolha da localização da sede sempre esteve ligada a questão da falta de centralidade do clube e a necessidade de aquela se instalar num local de fácil acesso para toda a massa associativa.

Em 1931, para se ganhar tempo e instalar o Sporting num local mais central, arrendaram-se duas salas no 5º andar do n.º 13 da Praça dos Restauradores, junto ao cinema Eden. Entretanto, o presidente Oliveira Duarte (...), intentava a solução, negociando com o Club Monumental a obtenção para o Sporting daquelas instalações. O contrato não se consumou e as diligências orientaram-se para uma casa na Avenida da Liberdade. Aconteceu então que Álvaro Retamosa Dias anunciou a possibilidade de se arrendarem as dependências do antigo Ritz, no Palácio Foz, propriedade da condessa de Sucena.

As aspirações “leoninas” viriam a concretiza-se e, em 1933, o Sporting instalava a sua sede social nas sumptuosas dependências do Palácio Foz. Correspondeu à permanência de oito anos na sede social do Palácio Foz um período áureo de desenvolvimento integral do Sporting.»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 90

21 de Agosto (1560 e 2017)

Por circunstâncias várias, cruzei-me numa biblioteca deste país com a obra de Ioannis de Sacrobosco Sphera impressa em 1518.

Esta obra que consultei tem, na contracapa da pasta inferior, notas manuscritas relativas a episódios geofísicos e astronómicos do século XVI.

Consegui reter a informação ali contida, porém pedi a uma pessoa amiga com um olho mais treinado para a leitura paleográfica que fez a seguinte transcrição:

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«- Na era de 1531 a 25 dias do mes de Janeiro a hua 5ª feira de madrugada tremeo a terra e pella menhaa tornou a tremer [ou]tra ves.

- Na era de 1539 a 18 dias do mes de Ab[ril] a hua 6ª feira as duas horas depos do meio dia foi hu sol cris  das 12 par[?] as du[?] pouco mais.

- E na dita era no mes de Maio apareceo hu cometa o qual foi sinal de mortes de grandes senhores e no primeiro dia do dito mes se finou a emperatr[iz].

- Na era de 1560 a 21 de Agosto a hua 4ª f[eira] as 11 horas do dia foi todo o sol cris, e se escureceo todo e durou todo esc[u]rcindo por espaco de hu meio quarto de hora e com[?] as [?] as horas [?] e tres quartos pouco mais ou menos.»

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Peço a atenção para a última das notas, a ocorrência de um eclipse e para a palavra cris, hoje em desuso. A observação deste fenómeno foi feita em Coimbra por Cristopher Clavius.

 

Pois bem,  hoje é, igulamente, 21 de Agosto, e também ocorrerá, ao final do dia, um eclipse, porém não tão visível como o de 1560.

 

 

A primeira de muitas....

Estela de Carvalho, a primeira campeã.

 

«(...) Em 1927 o Sporting teve, de facto, a primeira campeã: Estela de Carvalho. (...) Nascera em Lisboa em 17 de Junho de 1906. Seu pai era português, sua mãe era espanhola. Começou a particar sport aos 15 anos, iniciando-se na ginastica sueca, no Ginásio Club Português. “Aos 16 anos, ainda não conhecia os mais rudimentares preceitos da natação, entrei numa prova da milha interstícios do Ginásio. Levei no percurso cerca de uma hora e os dirigentes não ficaram satisfeitos com o resultado e resolveram não aceitar a minha inscrição para a Travessia do Tejo, no mesmo ano. Desgostosa com essa atitude, que vinha ferir em cheio a minha apurada sensibilidade, resolvi ingressar no Sport Algés e Dafunfo. Nesse clube me mantive três anos. Devido a pequenos incidentes que surgiram a propósito do Portugal-Espanha (...) resolvi abandonar o clube. (...) E assim, (...) surgiu, em 1925 no Sporting, passando a treinar-se na Doca de Alcântara, como os demais. E a ganhar todas as competições de rio que se disputavam, então, um pouco por toda a aparte, em Portugal.

E assim, (...) surgiu, em 1925, no Sporting, passando a treinar-se na Doca de Alcântara, como os demais. E a ganhar todas as competições de rio que se disputavam, então, um pouco por toda a parte, em Portugal.

 

As faca e as críticas...

De uma vez, em 1926, esteve à beira de uma proeza épica: ganhar a todos os homens, numa travessia do Douro, no Porto. “Seguia à frente, com o Cortez, ambos em luta pelo primeiro lugar. A certa altura, olho em redor de mim e não vejo o Cortez. Calculei que estivesse fora de combate e se tivesse deixado atrasar. E ia já de antemão contando com o primeiro lugar quando, ao chegar à meta, encaro com ele. Fiquei desolada. Fora o caso que ele se afastara de mim em busca de melhores águas e conseguindo encontrá-las fácil lhe foi vencer-me. Os barqueiros e outros marítimos que acompanhavam a prova queriam a todos o transe que eu ganhasse. Para isso não cessavam de me entusiasmar com toda a animação. Chegou a tal ponto o entusiasmo entre eles - que chegaram a puxar de facas uns para os outros, para aqueles que não estavam a meu favor...”

No ano anterior, naquelas mesmas águas do Douro, a maior tristeza da vida de Estrela, que para além de natação foi praticante de muito bom nível de esgrima, ténis e remo: “À frente marchavam António Soares e Alves Miguel [como ela do Sporting]. Foram os primeiros a ser desclassificados, por não cortarem a meta no sítio determinado. A mim, que vinha em quito lugar, entre tantos homens, sucedeu-me o mesmo. Depois do esforço titânico que realizara para dobrar aquela distância de oito quilómetros, não era justo que me desclassificassem por tão pouco. E então chorei, chorei, chorei... Chorei tanto e a tal ponto que um homem se chegou a lançar à água não fosse eu morrer afogada nas lágrimas que me corriam pelos olhos. Como compensação deram-me uma estatueta e uma medalha...”

Desgosto também por não ter tido a possibilidade de fazer a Travessia da Mancha. Em 1927, Estela acreditava que podia sonhar...

Em Portugal foi nadando rios, mais alguns anos, ganhando. Sempre com o maillot do Sporting, mas sendo mulher a Mancha talvez fosse ousadia demasiada. “Vou começando a ter receio de que me critiquem por com esta idade [21 anos!], nadar ainda. Também, criticam-me por tudo, não me admira que tal suceda...».

Um outro sinal dos tempos. Na edição de “Eco dos Sports” de 20 de Novembro de 1927, em que fizera tais confidências, na página que lhe fora reservada, havia ao fundo seis palavras que , malfadadamente, o tempo tornaria famosas e estúpidas: “Este número foi visado pela censura”»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 50-51

Recuo ao tempo de gesto de boa vontade...

Por razões profissionais e quando pesquisava matéria relacionada com navios, deparei-me com um blogue denominado "Restos de Colecção", de José Leite. Provavelmente não será desconhecido por quem demanda blogues, mas tem um interesse histórico assinalável. E, claro, porque tem uma Etiqueta Sporting que nos transporta aos primórdios do primeiro campo de futebol do Sporting e até conta a história do nosso gesto de boa vontade para com o clube da luz, quando lhes cedemos um campo, que já nem isso tinham... Recheado de fotografias antigas, vale a pena. Aqui fica o link: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/search/label/Sporting

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"Stadium do Lumiar" com as bancadas em construção

(fotografia extraída do blogue "Restos de Colecção")

 

Um apelo a Bruno de Carvalho

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 Cosme Damião à direita, na fila do meio, com o belo equipamento Stromp (Agosto de 1910)

 

Noto um traço em comum entre Cosme Damião e Eusébio da Silva Ferreira: ambos vestiram com orgulho a nobre camisola verde e branca.

Dois briosos Leões, portanto. Leão uma vez, Leão para sempre.

 

Cosme Damião jogou de verde e branco naquele histórico dia 27 de Agosto de 1910 em que o Sporting, em representação do futebol português, derrotou o Recreativo de Huelva naquele que foi o nosso primeiro desafio internacional.

Vencemos por 4-0, sem surpresa. Numa equipa que, além de Cosme Damião, integrou outras figuras míticas do universo leonino, como João Bentes e os irmãos António e Francisco Stromp (este marcador de dois dos golos).

 

Os benfiquistas contemporâneos devem seguir o exemplo de Cosme Damião, que treinou no Sporting, vestiu a camisola do Sporting, jogou pelo Sporting.
E gostou.

 

Daqui faço, portanto, um apelo ao presidente Bruno de Carvalho: é tempo de termos um espaço no museu do Sporting Clube de Portugal dedicado ao sportinguista Cosme Damião. Com imagens fotográficas, todos os recortes da imprensa da época e a camisola que esse denodado jogador envergou naquele desafio inesquecível. Ainda por cima com o nosso belo equipamento pioneiro - o equipamento Stromp, que bem merece tal destaque.

É mais que justo.

 

 

ADENDA: O Museu ficará também enriquecido com a camisola usada pelo Eusébio no Sporting Lourenço Marques e a reprodução do cartão de L. F. Vieira, sócio sportinguista.

O perfume de Lídia Faria

«Aspirou a ser toureira, mas viria a consagrar-se no atletismo do Sporting Club de Portugal porque o Benfica lhe trocara o sexo, inscrevendo-a como Lídio...»

 

«Nasceu a 15 de Agosto de 1942, numa bucólica terreola das cercanias de Torres Vedras, chamada Dois Pontos. Aos dois anos ficou órfã de pai. Aos sete tinha fama de menina esgrouviada, sonhando ser... toureira. Manuel dos Santos era o seu ídolo e nas suas brincadeiras imaginava-se a matar touros. Menina e moça veio para Lisboa, para viver em casa da tia Belmira. Entrou para uma escola de música, para aprender a tocar acordeão. Passava as aulas que adorava a correr e saltar. O professor decidiu inscreve-la no Benfica(…). Até que um dia lhe surgiu pelo correio um cartão solicitando que se deslocasse ao Campo Grande para testes de atletismo. Eufórica, foi. Chegou e sentiu que causara espanto, sem sequer se perceber que fora convocada como... Lídio Faria. Disseram-lhe que, assim, não podia ser, que o Benfica não tinha atletismo feminino. Acabou por experimentar o Sporting. Tinha 17 anos. Entre 1959 e 1970, ano da sua despedida (com uma festa à futebolista, façanha de que nenhuma outra atleta se poderá ufanar), ganhou 30 títulos de campeã nacional em oito especialidades (100 metros, 200 metros, 400 metros, 80 metros barreiras, lançamentos do peso, lançamento do disco, 4x100 metros e pentatlo), sendo recordista nacional e ibérica em todas essas provas. Em 1964, durante um Portugal-Espanha, numa só tarde venceu cinco dessas provas e estabeleceu outros tantos «records» ibéricos. Um ano depois ganharia a prova do lançamento do peso nos Jogos Mundiais da Primavera, disputados no Rio de Janeiro.

(...) Receberia o Prémio Stromp para melhor atleta sportinguista de todos os tempos.»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 198

 

Ler mais sobre Lídia Faria no texto que João Paulo Palha lhe dedicou na rúbrica «Elas na história do Sporting»

Os postais do Martinho de Arcada

Ontem transcrevi um texto sobre Cosme Damião como atleta do Sporting. Este texto gerou algumas “borbulhas” para alguém que o vê como imagem imaculada de um outro clube qualquer. Resta-me somente dizer: paciência.

Segundo a lógica daqueles que padecem desta variante de urticária, o facto de Cosme Damião vestir a camisola do Sporting era sinónimo de representar Portugal.

Pois nós. sportinguistas, sabemos isso. Para os mais desatentos relembro que este clube se designa Sporting Clube de Portugal e não representa um qualquer bairro de uma qualquer cidade deste país. Repito: Sporting Clube de Portugal.

Sobre este clube, o nosso clube, hoje transcrevo um texto de uma das suas referências maiores: Francisco Stromp.

 

«Ao fim da tarde [Francisco Stromp] aparecia no Café Martinho, umas vezes à paisana outras vezes fardado. Como “capitão” de equipa, era responsável pelo envio de muitas dezenas de postais convocando os jogadores para os jogos e para os treinos. Muitas vezes a mesa do Café Martinho se transformou em secretária do Sporting...

Enquanto à volta brilhavam os escritores e políticos do tempo (Machado Santos, Rocha Martins, Brito Camacho, Fialho de Almeida, Gualdino Gomes e D. João da Câmara) no Café Martinho, Francisco Stromp apenas se preocupava com o expediente do futebol “leonino”. Como diziam os colegas: “Nem namoro em política - a sua amante é o Sporting”»...

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 29

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