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És a nossa Fé!

Faz hoje um ano

 

Em contínua fuga para a frente, Bruno de Carvalho anunciava em 18 de Junho de 2018 um novo treinador para a equipa principal do Sporting: Sinisa Mihajlovic, um ultra-nacionalista sérvio. Vinha com um contrato de três anos.

Não tardaram as reacções aqui no blogue.

 

Escreveu o Francisco Melo:

«O mais que provável novo mister do Sporting nunca fez duas épocas seguidas completas ao serviço do mesmo Clube.»

Escreveu o João Goulão:

«Só espero que Mihajlovic (e aqui concordo com esta escolha de Bruno de Carvalho...) ponha o Sporting a jogar como Mirko Jozic conseguiu. Se o conseguir, vamos ter equipa, acreditem.»

Escreveu o Francisco Almeida Leite:

«É preciso pôr cobro rapidamente a esta deriva populista. Imaginam o nosso clube com Bruno de Carvalho (na presidência do clube e da SAD), Sinisa Mihajlovic (como treinador) e Mário Machado (na Juve Leo)? Eu não. É preciso explicar porquê?»

 

Isto no dia em que recebíamos a notícia de que Rui Patrício, desvinculado do Sporting, assinara pelo Wolverhampton. 

Comentei assim:

«Se critiquei Godinho Lopes por ter deixado sair Carriço por 750 mil euros, ainda mais devo criticar o seu sucessor por ter aberto caminho à rescisão do guarda-redes leonino, tudo fazendo para o insultar e humilhar em público, como se ansiasse pelo pedido de rescisão unilateral invocado pelo jogador.»

Faz hoje um ano

 

Decorria o Mundial de Futebol na Rússia. Pela primeira vez desde o início do certame, Bruno de Carvalho dava tréguas aos sportinguistas. A tal ponto que celebrei o facto aqui, a 17 de Junho de 2018:

«Conseguimos desfrutar do Mundial, tranquilamente, sem novas erupções do azedo psicodrama leonino. Que saudades eu já tinha de um dia assim.»

 

Faz hoje um ano

 

Jaime Marta Soares, em conferência de imprensa, dava a conhecer aos sócios e adeptos leoninos a nova Comissão de Gestão do Sporting, presidida por Artur Torres Pereira - que tinha sido vice-presidente do clube durante o primeiro mandato de Bruno de Carvalho.

«Não ficou claro o que acontecerá a esta Comissão de Gestão caso Bruno de Carvalho e seus pares não sejam destituídos. Relembro que Bruno de Carvalho e restantes membros do CD se encontram suspensos», objectou o Pedro Azevedo nesse dia 16 de Junho de 2018.

 

Todos os órgãos de informação acompanharam esta conferência de imprensa, ao fim da tarde. Todos? Todos não. 

Totalmente dominada pelos fiéis de Bruno de Carvalho, a Sporting TV deu-se ao luxo de ignorar olimpicamente o acontecimento. Num inqualificável e vergonhoso acto de censura. Enquanto os novos gestores do clube respondiam às questões dos jornalistas, os adeptos leoninos viam-se forçados a sintonizar outros canais informativos porque a televisão do clube - ao velho estilo cubano ou soviético - optava por pôr no ar a transmissão repetida do "jogo amigável" Macau-Sporting B, realizado a 21 de Maio

«Assegurar a neutralidade absoluta da Sporting TV, impelindo-a a cumprir os seus deveres informativos perante os sportinguistas e impedindo-a de funcionar como veículo de propaganda dos sete que subsistem da direcção cessante, é estrita obrigação da nova Comissão de Gestão. Ignorar este problema será um erro de que mais tarde muitos dos que agora prometem regenerar o clube se arrependerão», alertei de imediato.

 

Ao princípio da noite, Bruno de Carvalho - evidenciando crescentes sintomas de incontinência verbal - dava uma extensa entrevista à SIC e à SIC Notícias.

O chorrilho de inverdades foi tão extenso, nesta entrevista, que decidi reproduzir algumas delas aqui no blogue.

Cinco exemplos:

«Jaime Marta Soares demitiu-se. E ao nível da lei basta fazer o que ele fez - vir a público nas televisões todas e dizer que estava demitido.»

 «A Comissão de Fiscalização [empossada pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral] está ilegal.»

«Esta Comissão de Gestão não existe.»

«Tudo quanto Jaime Marta Soares fez está ferido de ilegalidades.»

«Infelizmente vai ser feita uma assembleia geral de destituição, que é um julgamento em praça pública, sem que as pessoas se possam defender.»

 

O Ricardo Roque resumiu o estado de espírito de muitos de nós no texto mais conciso mas também mais emotivo desse dia: «ELEIÇÕES, JÁ!»

 

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Faz hoje um ano

 

Triste e negra efeméride: passava exactamente um mês desde o cobarde e criminoso assalto dos jagunços encapuçados à Academia de Alcochete.

O tema, naturalmente, esteve em foco aqui no blogue.

Palavras minhas:

«Seria o dia ideal - com um mês de atraso - para Bruno de Carvalho pedir desculpa a todas as vítimas desta barbaridade. Entre elementos do plantel, equipa técnica, equipa clínica, fisioterapeutas e funcionários do clube. Mas o ainda presidente leonino não tem estatura moral para assumir um gesto desses. Como sabemos, ele é incapaz de reconhecer um erro ou de assumir qualquer responsabilidade, seja no que for.»

 

Neste mesmo dia 15 de Junho de 2018, ficávamos a saber que o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa ordenara «a imediata entrega e acesso aos cadernos eleitorais do clube» a Jaime Marta Soares e obrigava Bruno de Carvalho a pagar a assembleia geral do dia 23, com custo avaliado em 80 mil euros, ordenando a «execução imediata da providência».

Concluiu o António de Almeida:

«Felizmente que Portugal ainda é um Estado de Direito onde a margem de manobra para aprendizes de ditador é curta…»

 

Numa reflexão de carácter mais geral, vale a pena destacar o que aqui escreveu o JPT:

«Como manter qualquer comunhão com os nazis, os claqueiros, os boçais holigões, que ululam “Sporting” durante as suas verdadeiras missas de adoração ao Demónio, fazendo do estádio o seu perverso templo? Para nosso gáudio, animados com a encenação e o apoio “à equipa”. Que comunhão ter? Como continuar a imaginá-la? Como crer, aceitar, naqueles que me dizem neste momento de crise, “somos todos sportinguistas”, “há que manter a união”. Em nome de quê?»

 

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Faz hoje um ano

 

Elsa Judas, a pessoa que Bruno de Carvalho queria ver no lugar de Jaime Marta Soares na presidência da Assembleia Geral do Sporting, à margem dos estatutos do clube, afinal não constava dos cadernos eleitorais de 2013 e 2017.

Ora, segundo o artigo 53.º, n.º 2, dos estatutos leoninos, «o presidente da Mesa da Assembleia Geral deverá ter pelo menos vinte anos de inscrição ininterrupta como sócio efectivo A, e ter pago ininterruptamente, pelo menos nos últimos vinte anos anteriores à data de eleição, as quotas de valor máximo do escalão de base».

Soube-se isto no dia em que eram conhecidas as rescisões unilaterais de mais três jogadores do futebol leonino: Rafael Leão, Rodrigo Battaglia e Rúben Ribeiro.

Comentário (elucidativo) do presidente: «Isto está uma loucura total!»

 

Entretanto, em nova conferência de imprensa, Bruno de Carvalho mostrou mais do mesmo: insultou jornalistas («vocês não são capazes de dizer a verdade»), destratou comentadores, enxovalhou os sócios («os associados do Sporting podem ter muitos defeitos mas já perceberam que as coisas não são assim como dizem»), fez autênticas piruetas verbais para quase considerar positiva a onda de rescisões de jogadores («se tiramos os jogadores, também há que tirar os salários, ora como os salários são elevados se calhar as coisas não são assim como dizem»), mostrou-se totalmente dissociado da realidade («estamos a negociar com jogadores belíssimos, sem problema nenhum»«vou garantidamente ter uma equipa para lutar pelo título no futebol sénior masculino»).

Falou do seu assunto favorito: ele mesmo. Dizendo-se perseguido por todas as forças ocultas do universo. Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu...

 

Esqueceu-se, nesse encontro com os jornalistas que durou 70 minutos, de comentar a decisão do tribunal que naquele mesmo dia o havia derrotado em toda a linha. Ao considerar sem fundamentação legal as duas "assembleias gerais" que ele tinha convocado para os dias 17 e 21 de Junho, em flagrante violação dos estatutos leoninos, e ferida de nulidade jurídica a nomeação da putativa "comissão de transição" da irrelevante senhora Judas.

Sublinhava o tribunal: entre as competências do Conselho Directivo, não se inclui a capacidade de convocar assembleias gerais. Esta é uma prerrogativa exclusiva do presidente da Mesa da Assembleia Geral leonina, não havendo lugar a qualquer dúvida nesta matéria.

 

Nessa conferência de imprensa, o ainda presidente do Sporting proferiu esta frase, gaguejante:

«A partir de agora, sempre que um jogador quiser, chega ao pé do... do... do... do presidente e diz: "Presidente, você não quer mesmo que eu vá ali dentro do balneário e cinco ou seis... Veja lá..."»

Dando assim a entender, em capciosas entrelinhas, que os responsáveis pela cobarde agressão em Alcochete que havia chocado o País e o mundo do futebol foram os próprios agredidos.

Tudo isto, note-se, a 14 de Junho de 2018. Na véspera do dia em que se assinalava um mês desde a selvajariaem Alcochete que mudou para sempre a face do Sporting.

 

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Faz hoje um ano

 

Membros da Juve Leo, no "convívio anual" da claque, organizado em Fafe, exibiram uma enorme tarja em "solidariedade" com os detidos pela invasão de Alcochete. «Honra e liberdade - ao vosso lado», lia-se nessa tarja.

Reagi assim, a 13 de Junho de 2018:

«Estes canalhas mantêm-se sócios do Sporting? Continuam a ser apoiados financeiramente pela direcção do clube? Ainda fazem negociatas com milhares de bilhetes que lhes são oferecidos pela gerência leonina? Ninguém lhes pede responsabilidades? Não há uma voz no que resta deste Conselho Directivo que se atreva a demarcar destes javardos? Acharão que é "chato"?»

 

O Pedro Azevedo, num registo sereno e construtivo, deixava uma sugestão para ser aplicada por uma futura direcção leonina:

«O Sporting terá de ser um clube aberto à sociedade civil e que entenda as tendências sociais, económicas, culturais e demográficas dos nossos tempos. Trabalhar essa cultura com os atletas, desde tenra idade, mas também com os sócios e adeptos. Assim, criaria um pelouro da Juventude.»

 

Mas a notícia do dia, no nosso clube, era a suspensão de Bruno de Carvalho e dos restantes membros que ainda integravam o Conselho Directivo, decidida pela Comissão de Fiscalização nomeada pelo presidente da Assembleia Geral. Com efeitos imediatos enquanto lhes eram instaurados processos disciplinares.

Bruno de Carvalho reagiu falando em tentativa de «assalto ao poder» no Sporting e garantindo que iria manter-se em funções.

A propósito disto, comentou o Filipe Arede Nunes:

«O maior problema é que os Tribunais podem não decidir em tempo útil e a cada dia que passa a situação agudiza-se. Não sei se o Sporting tem tempo para isto tudo.»

Enquanto o Francisco Almeida Leite escrevia também aqui no blogue:

«Uma “golpada” é se de alguma maneira ainda conseguir permanecer à frente dos destinos do clube e acabar o seu mandato, depois de tudo o que tem feito de prejudicial ao clube. Isso sim, seria uma “golpada” monumental.»

 

Entretanto, uma senhora de apelido Judas, vinda sabe-se lá de onde e transformada por Bruno de Carvalho em assumida usurpadora das funções do presidente da Assembleia Geral, à frente de uma auto-designada Comissão Transitória, declarava alto e bom som em conferência de imprensa: «Caso haja eleições, Bruno de Carvalho e o seu Conselho Directivo ganham essas eleições.»

Sem sequer fazer um esforço para parecer equidistante.

 

Enfim, um regabofe permanente. Que transformava o Sporting, dia após dia, em notícia pelos piores motivos. Não só em Portugal, mas também além-fronteiras.

 

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Faz hoje um ano

 

Foi um dia como tantos outros nesse Sporting de há um ano, à beira do colapso. Um dia bem reflectido na quantidade de textos que aqui foram publicados: 34, nesse dia 12 de Junho de 2018. Assinados por 15 autores.

 

Tantos, e com tanta densidade, que só é possível deixar aqui um sumário, necessariamente muito incompleto.

 

Palavras do Filipe Moura:

«Bruno de Carvalho é o único responsável por se ter chegado a esta situação. Provavelmente perdemos o acesso à Liga dos Campeões, de certeza que perdemos uma taça, por culpa de Bruno de Carvalho. Se se confirmar a perda dos jogadores, eventualmente para os rivais, a culpa será toda de Bruno de Carvalho.»

Palavras do António de Almeida:

«Mesmo que alguns ainda persistam hipnotizados, a maioria já acordou do transe, dando conta mal abriram os olhos do cenário de horror em que o clube está mergulhado.»

Palavras do João Távora:

«A maior prova da irracionalidade das claques é terem sovado os jogadores do Sporting e o Bruno de Carvalho ainda circular à vontade em Alvalade.»

Palavras do Edmundo Gonçalves:

«Não batam mais no ceguinho. Para que fique claro e para que ainda se consiga evitar uma clivagem que pode comprometer a existência do clube como o conhecemos, é minha convicção de que terá que haver rapidamente eleições para todos os órgãos sociais.»

Palavras do Pedro Boucherie Mendes:

«Bruno de Carvalho jogou as fichas todas – e mesmo algumas que não tinha – e já perdeu em toda a linha. A sua entrada na Enciclopédia do Sporting está escrita.»

Palavras do Luciano Amaral:

«Quem presidiu ao descalabro de uma equipa de futebol que era competitiva e se desmoronou em poucas semanas; quem presidiu ao ataque a uma equipa de futebol durante um treino; quem presidiu à fuga a custo zero dos cinco melhores jogadores dessa equipa; é profundamente incompetente como dirigente.»

Palavras minhas:

«Estamos sem seis jogadores titulares. Estamos sem os dois capitães da equipa. Estamos sem Conselho Fiscal e Disciplinar. Estamos sem cinco membros do Conselho Directivo. Estamos sem um dos quatro administradores executivos da SAD. E os sete membros da orquestra do Titanic continuam agarrados aos contrabaixos.»

Palavras do João Goulão:

«Que o futuro é de uma incerteza total, ninguém tem dúvidas. O sucesso desportivo da próxima época não se pode pedir. Só peço credibilidade, vontade de servir, e quem vier, que consiga tirar  o clube da situação em que se encontra.»

Palavras do JPT:

«BdC tem uma visão da realidade, do mundo laboral, do seu papel de administrador (que entende como de patrão "à antiga"), que é inadmissível. E, repito, ilegal e imoral.»

Palavras do Francisco Almeida Leite:

«Que País é este que deixa um homem assim à frente de uma instituição centenária de interesse público? Que sócios e adeptos somos nós que deixamos este homem dirigir o clube sem oposição que se veja?»

Palavras do José Navarro de Andrade:

«Estamos numa queda sem fundo onde bater. E amanhã começa o Mundial, este sarilho, que já cansa, sairá da ordem do dia, e daqui a um mês estaremos cheios de nada.»

Palavras do Ricardo Roque:

«Renascer destas cinzas é nossa obrigação. E devolver aos sócios o 1 de Julho como data de aniversário do Sporting Clube de Portugal.»

 

No dia seguinte começaria o Campeonato do Mundo de 2018. Mas para nós, sportinguistas, nem parecia. Só o drama que se vivia em Alvalade nos interessava e preocupava.

 

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Faz hoje um ano

 

Outro dia negro para o Sporting. Mais um.

A 11 de Junho de 2018, três jogadores anunciavam a rescisão unilateral do contrato de trabalho em Alvalade: Bruno Fernandes, Gelson Martins e William Carvalho. Seguindo o que já haviam feito Rui Patrício e Podence.

O Francisco Almeida Leite reagiu de imediato:

«O futuro próximo é sombrio. Acabámos de perder uma equipa belíssima, recheada de internacionais. A época 2018/19 está perdida, temos que agir rápido para não perdermos os próximos anos. Só com Bruno de Carvalho fora de Alvalade é possível restabelecer a ordem interna.»

E o António de Almeida também:

«Enquanto o Sporting Clube de Portugal, instituição centenária, continuar presidido por um arruaceiro aspirante a déspota ao pior estilo coronel sul-americano, desprovido de educação, que a todos insulta e ameaça, usando as claques como guarda pretoriana para intimidar, atiçando-os como cães aos alvos que decide escolher, quando as coisas não lhe correm de feição, só poderemos esperar o pior.»

 

Expresso divulgava os depoimentos prestados na GNR pelos três jogadores que acabavam de rescindir: «Socos no peito, agressões com cinto, receio pela vida e chapadas.»

Impressionantes relatos em primeira mão do assalto a Alcochete.

 

Entretanto, Bruno de Carvalho e os restantes membros que ainda o acolitavam no Conselho Directivo - Carlos Vieira, Rui Caeiro, Alexandre Godinho, José Quintela, Luís Gestas e Luís Roque - permaneciam entrincheirados no edifício-sede da SAD. Enquanto o seu poder real se desmoronava de dia para dia, o ainda presidente dava mais uma conferência de imprensa. Em que proferia estas palavras, bem reveladoras do seu desarranjo emocional:

«Basta os atletas escreverem uma carta à Sporting SAD dizendo duas coisas: uma, se esta direcção se demitir voltam atrás com rescisões e jogam no Sporting (jogam mesmo, não é voltar para serem vendidos); e, segunda, que se voltarmos a candidatar-nos e ganharmos eles mantêm os contratos. Se acontecerem essas cartas dos seis, todos, demitimo-nos.»

 

Por cá, como é óbvio, não ficámos indiferentes a isto.

 

Escreveu o João Caetano Dias:

«Por favor. Por favor. Vocês amam o Sporting?»

Escreveu o Pedro Azevedo:

«A história se encarregará de julgar a acção da totalidade dos nossos órgãos sociais. Não se trata de ter razão, trata-se de salvar o Sporting. Ao Conselho Directivo, uma nota: simplesmente, demitam-se. Pelo menos dois dos seus elementos. Já chega!!!»

Escreveu o Pedro Bello Moraes:

«Demite-te, Bruno. Não faças mais mal ao Sporting. Vai-te embora, porra. Demite-te, Bruno. Não faças mais mal ao Sporting. Vai-te embora, porra.»

 

Apesar da tristeza que todos sentíamos, não se perdia por completo o sentido de humor, como evidenciava este postal do Luciano Amaral:

«Pronto, agora que nos livrámos das maçãs podres, o campeonato do ano que vem está garantido. Veja-se o dream team:

Treinador: Bruno de Carvalho

Guarda-redes: Bruno de Carvalho

Defesa: Carlos Vieira, Rui Caeiro, Alexandre Godinho e Bruno de Carvalho

Meio campo: José Quintela, Luís Gestas, Luís Roque e Bruno de Carvalho

Ataque: Bruno de Carvalho e o jogador revelação do campeonato da Cochinchina: Bruno de Carvalho.»

 

Já ninguém conseguia levar a sério o "afundador do Sporting".

 

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Faz hoje um ano

 

Bruno de Carvalho não parava na alucinada descida ao abismo. Há um ano, no feriado de 10 de Junho de 2018, anunciou a intenção de reforçar os seus poderes internos, desde logo através da tentativa de legalização do órgão ilegal que tinha criado, em parceria com a sua colaboradora Elsa Judas, para esvaziar a Mesa da Assembleia Geral. E punha uma data para esse efeito: 17 de Junho.

 

O António de Almeida reagiu nestes termos:

«Há que remover esta nódoa que a todos envergonha, indigno para um país europeu e democrático. O presidente do Sporting tem tiques autoritários semelhantes a um coronel esclavagista do século XIX... 

Enquanto eu comentava a notícia de véspera, relativa ao processo-crime movido por Bruno de Carvalho a Rui Patrício:

«O padrão é o mesmo: declarar guerra aos jogadores. Talvez com inveja por ganharem mais que ele, certamente com ciúmes por serem inifinitamente mais populares que ele. O descontrolo emocional é o mesmo de sempre. Infelizmente, continuamos à mercê de alguém que, não satisfeito por ter lançado fogo ao Sporting, quer também lançar fogo à selecção.»

 

Entretanto o Sporting sagrava-se campeão nacional de iniciados em futebol, o que levou o Pedro Azevedo a registar o facto com natural júbilo:

«O Sporting sagrou-se hoje campeão nacional de iniciados em futebol ao bater, em Alcochete, o Benfica por 3-1 (0-1 ao intervalo). Marcaram para o Sporting: André Gonçalves, Adriano e Lucas Dias. Joelson assistiu para dois golos. Parabéns aos jogadores, ao treinador, Pedro Coelho, ao Director, Virgílio, e a toda a estrutura da formação com uma palavra de eterno apreço para Aurélio Pereira.»

Faz hoje um ano

 

Terceira nega para treinar o Sporting: depois das recusas de Luiz Felipe Scolari e Ricardo Sá Pinto, chegava a vez de Mano Menezes rejeitar também o convite para desempenhar as funções anteriormente desempenhadas por Jorge Jesus. 

 

Entretanto acentuava-se a crise na liderança leonina, aqui comentada em vários tons a 9 de Junho de 2018. Data escolhida por Bruno de Carvalho para anunciar no Facebook que iria mover um processo-crime contra Rui Patrício. Precisamente o mesmo dia em que a selecção nacional de futebol - com Rui Patrício a titular na baliza - iniciava a concentração no Mundial da Rússia.

 

Escreveu o JPT:

«Não vi mas dizem-me que ontem, após uma emissão documental de um juiz sobre o Sporting, Bruno de Carvalho contactou duas estações televisivas. E nelas esteve a dar a sua interpretação, dos factos e do parecer emanado do tribunal. Tudo bem? Enfim, o que surge de imediato é mais esta demonstração de comportamento errático. Legítimo no cidadão, inapropriado num presidente de um grande clube desportivo. Pois o Sporting anunciou, há pouquíssimo tempo, a contratação do conhecido jornalista Fernando Correia. Para ser porta-voz do presidente. E exactamente para anunciar uma nova era comunicacional, constatação de que a exposição pública de Bruno de Carvalho estava defeituosa. Quinze dias depois nota-se o quão incongruente foi essa contratação. Sai  decisão jurídica? Lá acorre o presidente à TV para vozear. E o porta-voz, para que serve, afinal? Tal como em quase tudo, este pequeno exemplo mostra como o actual rumo de Bruno de Carvalho é errático.»

 

Escreveu o Pedro Azevedo:

«A (falta de) solenidade com que presidente do Conselho Directivo e PMAG comunicam publicamente faz com que o Sporting e os sportinguistas sejam arrastados, inocentemente, para o centro do novo "reality show" das televisões portuguesas.»

 

Escrevi eu:

«Com Bruno de Carvalho e Jaime Marta Soares - o presidente da Mesa da Assembleia Geral escolhido pelo primeiro, duas vezes, em 2013 e 2017 - a fazerem figuras tristíssimas na televisão, o Guerra e o Ventura podem ser dispensados. Este Sporting não precisa de inimigos. Já estão todos no interior do clube, em sessões contínuas de peixeirada

 

Na minha rubrica Quem será o sucessor de Carvalho?, o figurante do dia era Miguel Albuquerque

Faz hoje um ano

 

Sousa Cintra tinha sido um dos principais apoiantes de Bruno de Carvalho. Mas já não era. Naquele dia 8 de Junho de 2018, em declarações públicas aos jornalistas, tornou bem clara a sua mudança de posição:

«O Presidente está em funções mas não está a sentir responsabilidade que é. Não entendo porque não pede demissão e resolve os problemas do clube. A época está a chegar, os sócios já mostraram que querem eleições, devia demitir-se, íamos para eleições e as coisas resolviam-se. O Sporting não merece uma coisa destas, isto é uma má imagem do Sporting e de Portugal.»

 

Mas a notícia do dia, naquele Sporting em convulsão acelerada, vinha da justiça: o tribunal reconhecia expressamente que Jaime Marta Soares se encontrava no pleno exercício das suas funções como presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting e que tinha, portanto, total legitimidade para convocar uma assembleia geral com vista à destituição do Conselho Directivo ainda liderado por Bruno de Carvalho, daí a duas semanas.

Como reagiu o presidente? Garantindo que não haveria assembleia geral no dia 23.

 

Foi um dia - mais um - muito agitado aqui no blogue.

 

Escreveu o António de Almeida:

«Urge dar a voz aos únicos legítimos donos da instituição, os sócios, que têm de se pronunciar se pretendem mudar de vida e voltarmos a merecer respeito, ou continuar alvo de chacota, vivendo em permanente Carnaval presididos por um rei momo.»

 

Escreveu o Pedro Bello Moraes:

«Vamos ter Assembleia Geral destitutiva no dia 23 de Junho. É um golo mais que merecido, num desafio que devemos e que - acredito - vamos ganhar com justíssima goleada.»

 

Escreveu o JPT:

«Um duche de democracia, é o que o clube precisa. Esta é uma coisa simples, mas tão complexa: a mescla do voto universal com o primado da lei. Suavemente enlaçada pela razão, como tempero subjectivo.»

 

Escrevi eu:

«Bruno de Carvalho escolheu alguém de apelido Judas como protagonista da golpada que se prepara para consumar por estes dias no Sporting. Alguém que pretende candidatar-se à presidência da Mesa da Assembleia Geral. Cargo que não está vago, pois o titular mantém-se em funções. Essa pessoa imagina-se já "eleita" num escrutínio com lista única. (...) "Eleições" sem concorrência, sem campanha eleitoral, sem elementar exercício de contraditório, sem uma linha de programa apresentado aos sócios, traídos em toda a linha por um presidente que prometeu nunca deixar de ouvir a voz dos adeptos e rapidamente se esqueceu de tal promessa.»

 

Escreveu o Francisco Melo:

«Com todos os tristes acontecimentos que, nos últimos meses, vêm caracterizando o período mais negro da história do Sporting, parece-me claro que, seja já em modo de protesto, seja aquando da sua saída (está escrito nas estrelas), a inscrição gravada na estátua do leão, alusiva a Bruno de Carvalho, deverá ser removida. Desculpem-me a franqueza, mas a higienização que será necessária levar a cabo no Sporting também terá de passar por aí.»

 

Escreveu o Edmundo Gonçalves:

«Não haverá aqui marosca? Não andará por aqui um gato escondido com o rabo de fora? Não andará por aí uma intenção de impedir o actual presidente de se recandidatar? Afinal quem tem medo de quem, nesta guerra que está aberta no clube?»

 

Faz hoje um ano

 

Bruno de Carvalho persistia na ilegalidade, subvertendo os estatutos que ele próprio fizera aprovar cinco meses antes. Ao designar uma pretensa "comissão transitória" da Assembleia Geral liderada por uma tal Elsa Judas de que ninguém ouvira falar até então. Tão desconhecida que não figurara sequer em nenhuma lista apresentada por Bruno de Carvalho para os órgãos sociais nas eleições de 2011, 2013 e 2017. 

 

Carvalho, contra todas as evidências e as normas vigentes do clube, sustentava que o presidente da Mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares, já não se encontrava em funções por ter anunciado publicamente a renúncia ao cargo. Talvez por fadiga mental, o presidente leonino equivocava-se profundamente. Os estatutos do clube são claros: só o PMAG tem competência para designar uma Comissão de Gestão (tratando-se de suprir as atribuições do Conselho Directivo até à realização de eleições) ou uma Comissão de Fiscalização (tratando-se de colmatar, também provisorisamente, o Conselho Fiscal e Disciplinar).

O facto de a Mesa estar demissionária é sempre irrelevante para este efeito, uma vez que o PMAG mantém-se em plenitude de funções até à tomada de posse do seu sucessor, não vendo diminuídos quaisquer dos seus poderes estatutários.

De tal maneira se mantinha em funções que Jaime Soares, no uso desses poderes que permaneciam intactos, convocara já - sempre em obediência aos estatutos - uma assembleia geral extraordinária, de carácter destituitivo, visando substituir o CD ainda em funções. Dando assim sequência a um pedido expresso dos sócios que somavam mais de mil votos. O que tornava obrigatória, não facultativa, a convocação dessa reunião magna.

 

Totalmente infundamentada era a tentativa de Bruno de Carvalho de convocar ele próprio uma assembleia geral, de carácter ordinário, para aprovação das contas do clube. Acontece que, no Sporting, em caso algum o CD tem competência para convocar assembleias gerais. Esta é uma prerrogativa única da MAG. 

Carvalho entrava assim numa deriva perigosa, espécie de caminho sem retorno. O passo mais grave, por parte do CD a que ainda presidia, foi ter entrado em manifesta ilegalidade precisamente ao assumir nomeações sem competência estatutária para o efeito e marcar assembleias gerais à revelia dos poderes que os estatutos lhe conferiam.

 

Era este o tema em discussão, portanto, nesse dia 7 de Junho de 2018. Discussão que, por força das circunstâncias, cada vez assumia mais contornos jurídicos.

«Conforme especificam os estatutos, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral "é a entidade mais representativa do clube", decorrente do voto directo dos sócios e não de qualquer nomeação, transitória ou definitiva, por outro órgão social, designadamente o Conselho Directivo», escrevi aqui.

 

Também por cá, desabafava o Frederico Dias de Jesus:

«Antes a malta mudava para a bola para não ter de levar com a política, hoje mudamos para a política para perceber a bola.»

Nesse mesmo dia, interrogava-se o José da Xã:

«Sejam quais forem as razões de BdC, qualquer homem com dois dedos de testa, numa altura destas, já se teria demitido. Mas BdC continua… teimosamente. Mesmo sendo continuamente vergastado. Porquê?»

 

Como se tudo isto não bastasse, no mesmo dia tiveram grande eco mediático duas respostas negativas a sondagens feitas pela direcção leonina para o lugar até então ocupado por Jorge Jesus: tanto Luiz Felipe Scolari como Ricardo Sá Pinto recusaram treinar o Sporting.

Os custos reputacionais causados por aquele consulado em derrocada tornavam-se cada vez mais gritantes.

 

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Faz hoje um ano

 

Tiro e queda: cada vez que surgia um problema sério no Benfica, logo Bruno de Carvalho ocupava o espaço noticioso, roubando protagonismo ao clube rival. Que certamente lhe terá agradecido tal alívio nessas horas de aperto.

Faz hoje um ano, voltou a acontecer. A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa emitiu um comunicado a 6 de Junho de 2018, revelando que estava a investigar crimes de branqueamento e fraude fiscal no Benfica, havendo a suspeita de que a suposta lavagem de dinheiro poderia atingir dois milhões de euros.

Nesse mesmo dia, e após ter sido tornada pública a incómoda notícia para os encarnados, Bruno de Carvalho decidiu convocar uma conferência de imprensa em que disse alto e bom som que não haveria assembleia geral no Sporting a 23 de Junho, desautorizando por completo a Mesa da Assembleia Geral, entre críticas duríssimas a Jaime Marta Soares.

Desviando assim o foco novamente para Alvalade.

 

A situação tornava-se cada dia mais caótica. Carvalho via jogadores emblemáticos saírem alegando rescisão com justa causa após terem sido agredidos na Academia de Alcochete - com imagens que haviam dado a volta ao mundo. Perdia o treinador que três anos antes anunciara aos sportinguistas como futuro campeão e afinal nada ganhou no Sporting. Perdia quatro elementos do seu próprio Conselho Directivo. Via o seu braço direito para o futebol ser constituído arguido por suspeitas de corrupção. Deixava ruir a equipa B, que descia de divisão e acabava por ser dissolvida. Tentava lançar um empréstimo obrigacionista totalmente fracassado. Confessava que o clube tinha sérios problemas de liquidez. 

Mais: nessa mesma manhã via um administrador da SAD, Guilherme Pinheiro, bater-lhe com a porta na cara, alegando ter sido desautorizado em negociações com o empresário Jorge Mendes que Carvalho autorizara.

E via o líder da Juve Leo ser detido juntamente com três outros elementos desta claque.

 

Como reagimos aqui?

 

Escreveu o Edmundo Gonçalves:

«Tendo como certo que haverá uma AG destitutiva, pode não ser a 23 de Junho mas ela irá ter lugar, imaginemos que os sócios, aqueles que têm direito a voto, votam pela não destituição do CD. Obviamente que pode suceder o contrário, é até expectável, mas se acontecer este cenário? Garantirão os sócios proponentes, pelo menos esses, dessa AG que acatarão a vontade da maioria dos associados?»

 

Escreveu o JPT:

«O que me irrita mesmo são os outros sonsos, no meio desta demência toda. Os que acham tudo bem, que BdC está todo bem, e ele que ocupe o espaço a esbracejar porque tem razão (alguém que candidata um homem a presidente da AG por duas vezes, pode dele dizer o que disse, hoje?). Que esta capacidade de queimar tudo  em sua volta, e de capear a extrema dificuldade porque passa o polvo no futebol e no clubismo, seja esquecida.»

 

Escreveu o José da Xã:

«Sinto-me perdido, como se tivessem arrancado uma parte de mim. Um pedaço muito grande. Não imagino qual será a minha relação futura com o Sporting, mas vivo agora uma espécie de luto por um clube a que, mesmo nas derrotas, me orgulhava de pertencer. Será que algum dia acordarei deste pesadelo?»

 

Escrevi eu:

«Há sempre alternativa. Só na Coreia do Norte e nos cemitérios não existem alternativas.»

 

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Faz hoje um ano

 

A 5 de Junho de 2018, acentuava-se a pressão vinda de diversas latitudes do universo leonino para que o presidente Bruno de Carvalho ouvisse a voz dos sócios, como já fora determinado pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares. 

Ao deixar bem claro que recusava a realização de uma assembleia geral a 23 de Junho com vista à sua destituição, e ao fazer nomear - como se fosse um senhor feudal em Alvalade - uma "comissão transitória" alternativa à MAG, Bruno de Carvalho rasgava, na prática, os Estatutos do clube - que ele próprio fizera, aliás, aprovar escassos meses antes.

Ao mesmo tempo, transmitia publicamente, em comunicado, que não iria reconhecer decisões judiciais nesta matéria. Colocando-se na ilegalidade. Esquecendo-se de que o Sporting é uma instituição de reconhecida e manifesta utilidade pública. Esquecendo-se também de que a SAD leonina está cotada em bolsa.

 

Neste contexto, os funcionários do clube, sobretudo os que trabalhavam na área administrativa, sentiam-se sequestrados pela vacilante e precária Direcção carvalhista.

Também na Sporting TV o ambiente era de cortar à faca, sendo notório o incómodo e o descontentamento de quem lá prestava funções - desde logo pela existência de um index de comentadores que ficaram proibidos de aparecer em antena. Sem conteúdos noticiosos e censurando intervenções públicas de dirigentes do clube, como uma conferência de imprensa de membros da Mesa da Assembleia Geral. Como se não fossem do Sporting.

 

Mas os associados leoninos não ficaram de braços cruzados perante esta sucessão de atropelos à lei e à ética. Um grupo de sócios fez uma participação formal contra Bruno de Carvalho, dirigida à Comissão de Fiscalização. Acusando o ainda presidente de usurpação do poder. Com estas considerações:

«Estamos perante o mais grave ataque de sempre à Instituição Sporting Clube de Portugal.

Estamos perante a mais grave violação de sempre dos Estatutos do Sporting Clube de Portugal.

Estamos perante o maior ataque de sempre aos sócios do Sporting Clube de Portugal.»

 

A situação, como sucedia diariamente neste blogue, suscitou reflexões em vários tons.

 

Escreveu o Pedro Azevedo:

«Não vou aqui aduzir argumentos jurídicos até porque já percebemos que tanto a Direcção como a MAG cometeram actos no mínimo questionáveis, nem vou questionar se a Direcção tem ou não legitimidade democrática para continuar, porque o que está aqui em causa é o bom senso necessário a uma solução que elimine este clima de violência verbal intolerável para qualquer sportinguista.»

 

Escreveu a Cristina Torrão:

«O único responsável por este pesadelo é Bruno de Carvalho! Foi ele que desencadeou esta onda de ódio entre sócios e demais adeptos. Esta seria uma boa razão para que se demitisse. A outra razão de peso foi o ataque em Alcochete. Simplesmente inadmissível. Mesmo que BdC fosse pessoa ponderada e nada tivesse a ver com o ataque (ou seja, não tivesse iniciado campanha contra os próprios jogadores - quero apenas dizer isto, não insinuar qualquer outra coisa), o acontecido em Alcochete era motivo suficiente para qualquer Presidente de um qualquer clube do mundo pôr o seu lugar à disposição.»

 

A saída de Jorge Jesus, que se preparava para rumar à Arábia Saudita, foi outra questão aqui abordada nesse dia.

 

 Escreveu o António de Almeida:

«Várias vezes critiquei J.J., embora tenha que reconhecer que foi capaz de atenuar um pouco a paupérrima imagem que o clube estava a adquirir quando Bruno de Carvalho entrou em inenarrável e inexplicável desnorte. A instituição acaba por forçosamente ficar grata ao treinador, porque afinal até poderia ter sido muito pior, face à alucinação em que o Conselho Directivo mergulhou.»

Palavras minhas:

«Tenho de prestar a minha homenagem a Jorge Jesus caso as mais recentes notícias se confirmem e ele abandone o Sporting sem exigir a quantia adicional que lhe era devida pela letra do contrato que o ligava à SAD leonina. E agradecer-lhe por isso.»

 

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Faz hoje um ano

 

Eduardo Barroso, que durante cinco anos foi um dos mais fervorosos adeptos de Bruno de Carvalho, deixou claro, naquele dia 4 de Junho de 2018, que rompera com o presidente do Sporting. Em entrevista à SIC Notícias, prestou estas declarações, que não deixavam lugar a dúvidas:

«Eu, se fosse presidente do Sporting, tinha-me demitido nessa tarde [de 15 de Maio], tinha acompanhado os jogadores à GNR e tinha posto o meu lugar à disposição.»

«Mesmo que o Bruno tivesse toda a razão da vida, a situação que ele criou no Sporting não lhe dá condições para continuar.»

«A guerra que ele comprou com a equipa de futebol profissional, com os técnicos do futebol, foi uma guerra que ele nunca devia ter comprado.»

«Eu quero que se dê a palavra aos sócios. Ele não consegue continuar, com o Sporting tão dividido e fracturado.»

 

Isto no mesmo dia em que muitos adeptos do clube se manifestaram junto às instalações da SAD leonina exigindo o afastamento de Bruno de Carvalho.

Um desses adeptos foi o Pedro Bello Moraes, que aqui deixou o seu testemunho:

«Como esta tarde gritei em conjunto com centenas e centenas de nós, reafirmo a urgência de podermos votar e com o poder do voto desalojarmos aqueles que agora se barricam na presidência, colados ao poder à força de ilegalidade atrás de ilegalidade.»

 

Sem esconder a oposição ao presidente, observava o António de Almeida:

«Bruno de Carvalho já invocou o parentesco com o almirante Pinheiro de Azevedo, seu tio-avô, mas pelo estilo eu diria que o ainda presidente do nosso clube é mais parecido com Oliveira Salazar ou Marcelo Caetano…»

 

O meu balanço desse dia foi o mais sucinto:

«Assim vai o Sporting: sai Jesus, entra Judas

Faz hoje um ano

 

Novos episódios do turbulento reino leonino: era anunciada a rescisão do treinador Jorge Jesus, por mútuo acordo com o que restava da administração da SAD do Sporting, e Bruno Fernandes era alvo de ameaças públicas à porta de sua casa. 

Entretanto, face à decisão do Conselho Directivo em substituir as competências da Mesa da Assembleia Geral e de ter nomeado uma comissão transitória, à margem das normas estatutárias, já estavam a ser preparadas queixas judiciais contra Bruno de Carvalho que poderiam concretizar-se no dia seguinte.

Enquanto o antigo ministro adjunto Poiares Maduro, na sua conta do Facebook, saía em defesa da «reposição da legalidade» em Alvalade, salientando que estaria em causa a sobrevivência do Sporting.

 

Nesse dia 3 de Junho de 2018, o Eduardo Hilário interrogava-se aqui:

«Será normal que o guarda-redes, campeão da Europa, queira ir jogar para o Wolverhampton?! Adrien Silva para o Leicester City?! Peço desculpa a todos os adeptos dos supra mencionados clubes, mas estamos a falar de Campeões da Europa! Será que o dinheiro também “mata” o sonho de jogar nos melhores?»

 

Também eu me interrogava:

«João Rocha, presidente do Sporting Clube de Portugal entre 1973 e 1986. No seu mandato, o clube ganhou mais de 1200 troféus nacionais e internacionais em todas as modalidades, incluindo 52 Taças de Portugal, oito títulos internacionais no corta-mato e quatro no hóquei em patins. No futebol, durante a sua presidência, o Sporting foi três vezes campeão nacional de futebol e venceu três Taças de Portugal. O que diria ele agora?»

 

Na minha rubrica Quem será o sucessor de Carvalho?, o figurante do dia era Paulo Andrade

Faz hoje um ano

 

A notícia do dia era um abaixo-assinado que corria pelos sócios do Sporting exigindo eleições antecipadas imediatas para os órgãos sociais do clube, iniciativa a que o Filipe Moura deu aqui destaque.

 

Rompendo o silêncio, o presidente da Mesa da Assembleia Geral da SAD leonina, João Sampaio, insurgia-se contra Bruno de Carvalho usando palavras muito duras em texto publicado no jornal Record:

«Eis que o Conselho Directivo anuncia a substituição da Mesa da Assembleia Geral e a nomeação de uma Comissão Transitória da MAG que, ufana, se apressou a nomear uma Comissão de Fiscalização, convocar duas assembleias gerais (uma delas eleitoral!) e anunciou que "não se realizará qualquer assembleia geral no dia 23 de Junho". Tudo, para que não restem dúvidas, decisões flagrantemente ilegais e que implicam um profundo desrespeito pelos Estatutos do Clube e, portanto, pelos Sócios.»

 

A degradação do ambiente no clube era cada vez mais notória quando ainda mal estavam digeridas as saídas unilaterais de Rui Patrício e Podence.

Palavras minhas nesse dia 2 de Junho de 2018:

«Rui Patrício tem 18 anos de Sporting. Mais do que alguns dos agressores de Alcochete e aqueles que lhe lançaram tochas incendiárias em Alvalade têm de vida. Cumpriu no clube todos os escalões de formação. É titular da baliza leonina há dez anos. Foi o segundo jogador (após Hilário) que mais vezes vestiu a camisola verde e branca. Nada menos de 467 vezes. Conquistou três Taças de Portugal e três supertaças. É campeão europeu em título. Foi considerado o melhor guarda-redes do Euro 2016. (...) Tem um currículo muito mais vasto e valioso aos 30 anos do que o de Bruno de Carvalho aos 46».

 

Escreveu o Edmundo Gonçalves

«Não sei se os jogadores indicam alguém para presidente, mas deduzo que não. Mais uma vez sem ponta de humor, eles não terão tempo para se preocupar com coisas que não lhes dizem respeito (ups!), estarão completamente focados em ser campeões, ainda que alguns deles estejam em plenas condições e no pleno direito de o fazerem, já que são sócios com as quotas em dia. É capaz de ser uma solução para o imbróglio, que me faz lembrar as cooperativas agrícolas dos idos de 74/75, quando os trabalhadores ocuparam terras e deram conta do seu próprio destino. Tenho alguma dificuldade em perceber como algumas pessoas no Sporting apoiam uma iniciativa destas, mas como disse, por mim tudo bem, que saia o Bruno.»

 

Escreveu o JPT:

«Francamente tenho alguma dificuldade em entender o que defendem os ainda apoiantes do comportamento dos sete membros da direcção do Sporting que continuam em funções, alguns dos quais presentes neste blog dizendo coisas que são, se racionalmente interpretadas, de um teor tétrico.»

 

Apesar de tudo, felizmente, não havia só más notícias.

Em cima da hora, anotou o Pedro Azevedo:

«Trinta anos depois, o Sporting vence o campeonato nacional de hóquei em patins, batendo o FC Porto por 4-3. Em jogo disputado no João Rocha, marcaram para o Sporting Pedro Gil (2), Ferran Font e Caio. Defendeu (quase tudo) André Girão. Parabéns, Campeões! Só falta o futsal para o pleno das majors nas modalidades (ainda não temos o basquetebol).»

Faz hoje um ano

 

O pior podia sempre acontecer naquela montanha-russa em que se transformara a recta final do mandato de Bruno de Carvalho.

O dia 1 de Junho de 2018 foi bem a prova disso. Quando ficámos a saber que Rui Patrício tinha rescindido unilateralmente o contrato que o ligava ao nosso clube. Pondo fim a uma relação de 18 anos com o Sporting.

Numa longa carta que fez chegar à administração da SAD leonina, o capitão da equipa principal do Sporting - e titular da selecção nacional campeã da Europa - afirmou-se alvo de «violência psicológica e física». Sublinhando: «Vivi momentos de puro terror, sem que a Sporting SAD tenha revelado qualquer preocupação - que, naquelas circunstâncias, lhe era manifesta e especialmente exigível - com a segurança dos seus atletas profissionais de futebol, deixados à mercê de um grupo violento de membros da claque.»

Mais um excerto:

«A postura física do Presidente, principalmente em relação a mim, foi sempre de enorme agressividade reiterando, várias vezes, que eu e o William Carvalho é que organizávamos a revolta dos outros, para podermos sair do clube.

Inúmeras vezes, dirigindo-se a mim aos berros afirmou: “Pensas que estás a falar com quem?”

E sempre que eu tentava referir que o que se devia discutir era o ataque do Presidente ao grupo de trabalho, este reafirmava que os seus posts não tinham nada de mal.

Chegando mesmo a afirmar: “Vocês são uns meninos mimados, eu sou o Presidente, eu faço o que quiser e escrevo o que quiser, onde quiser".»

 

Ao fim da tarde, ficámos a saber que também Daniel Podence entregara uma carta à administração da SAD comunicando a decisão de se desvincular do clube com efeitos imediatos.

 

Foi também o dia em que os membros remanescentes do Conselho Directivo (CD), cerrando fileiras com Bruno de Carvalho, afirmaram não reconhecer a nova Comissão de Fiscalização nomeada pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares. 

Naquilo que logo classifiquei como «golpada», o CD anunciava a destituição da Mesa da Assembleia Geral, anulava a convocatória de uma assembleia geral extraordinária para 23 de Junho feita por Jaime Soares e comunicava à nação leonina o aparecimento de uma alegada Comissão Transitória da Mesa liderada pela advogada Elsa Tiago Judas e uma Comissão de Fiscalização alternativa encabeçada pelo ex-dirigente Subtil de Sousa.

Numa infeliz entrevista dada à estampa no jornal i, o recém-nomeado porta-voz de Bruno de Carvalho, Fernando Correia, decidiu insultar jogadores e adeptos: «Um jogador, quando acaba o jogo, vai-se embora cheio de dinheiro. O pateta do adepto é que continua a discutir.»

 

Não é fácil resumir o que aqui se publicou nesse dia alucinante.

Fica uma resenha, necessariamente breve.

 

Escreveu o Pedro Bello Moraes:

«Patrício foi alvo de tiro com tocha em Alvalade e o presidente, nada disse. Patrício foi agredido na garagem do nosso estádio e o presidente, nada disse. Patrício foi acusado pelo presidente de ter sido co-responsável pelo ataque à Academia. Para o presidente, Rui Patrício é um "menino mimado." E tantas agressões, mais.»

 

Escreveu o Duarte Fonseca:

«A esta hora as instalações do clube, futuras trincheiras, já devem estar provisionadas sete camas, uma despensa repleta de enlatados, uma arca com carne e peixe em salga, garrafões de água e outros bens essenciais para que os assaltantes barricados se mantenham vivos durante as negociações entre os sequestradores do Conselho Directivo e os verdadeiros donos do clube.»

 

Escreveu o Pedro Azevedo:

«Há por aí algum sportinguista que, não querendo que Bruno de Carvalho fique, não esteja satisfeito com rescisões de jogadores? Há por aí alguém que tenha acordado com uma tristeza incontida em detrimento de uma alegria contida? Que sinta que o Sporting está a ser colocado em segundo plano por tudo e por todos?»

 

Escreveu o JPT:

«Os apoiantes desta deriva absurda continuarão a sê-lo. Pois, com tudo isto que já aconteceu, só não vê o real quem não quer. Pois todos podem. Apenas há alguns que não querem.»

 

Escreveu o António de Almeida:

«Não é possível viver com um tumor, sob pena de total e irreversível degradação. A solução é extirpá-lo. Apesar de tudo há sócios que pelos vistos continuam em negação agarrados a paliativos que nada resolvem, enquanto o clube se afunda a cada dia que passa.»

 

Escreveu o João Goulão:

«Sinto-me refém do meu próprio clube, metido numa armadilha para a qual fui empurrado, sem ter feita feito nada para isso, da qual não me consigo desembaraçar e não encontro a chave em todo este grande chaveiro para conseguir definitavemente abrir este cadeado. Não consigo abrir, não vejo quem consiga abrir, não vejo como se vai conseguir. É de loucos...»

 

Escreveu o João Távora:

«Porque não posso ser mais cúmplice do processo de desmantelamento do meu clube empreendido pelo doidinho do Bruno de Carvalho coadjuvado por meia dúzia de oportunistas invertebrados, pela primeira vez em 15 anos não irei renovar os meus lugares no estádio. Aguardo com esperança o tempo de voltar para apoiar a minha equipa a recuperar o lugar que é seu por direito.»

 

Escreveu o Rui Cerdeira Branco:

«Um dia esta direcção irá sair, alguém são irá liderar o clube, e recomeçaremos a sarar feridas e reparar danos. É uma tragédia isso não ter começado há uns ontens, mas, como disse, partamos do princípio de que o Sporting Clube de Portugal nunca vai acabar.»

 

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Faz hoje um ano

 

A novidade no Sporting, a 31 de Maio de 2018, era a indigitação de uma Comissão de Fiscalização pela Mesa da Assembleia Geral. Integrando Henrique Monteiro (presidente), João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa e Rita Garcia Pereira.

Henrique Monteiro, que chegou a ser um dos autores do És a Nossa Fé, não perdeu tempo a prestar declarações. «A comissão não serve para promover nem para destituir, mas para fiscalizar», afirmou em entrevista à Rádio Renascença.

Isto no dia em que era notícia o afastamento de todos os médicos e fisioterapeutas das equipas seniores do Sporting por decisão do ainda presidente Bruno de Carvalho.

Eram tempos de mudança. Como ficava mais evidente de dia para dia.

Faz hoje um ano

 

Atmosfera muito tensa no Sporting. Cada vez mais tensa, de dia para dia. O que tinha alguns reflexos, embora bastante esbatidos, até neste nosso blogue.

 

Segue-se uma resenha do que por cá se publicou a 30 de Maio de 2018

 

Escreveu o António de Almeida:

«A agressão de Alcochete está longe de poder ser considerada um acto isolado ou reacção a quente a um mau resultado desportivo. As sementes da violência já haviam sido plantadas, os sinais vinham em crescendo, só não viu quem é cego, incompetente ou não quis ver…»

 

Escreveu o Edmundo Gonçalves:

«Tenho lido por aí que somos diferentes. Há até pessoas a quem oiço dizer que preferem disputar as competições com lisura, mesmo que no final as não ganhemos. Eu até me incluo nesse grupo. Não consigo é perceber, sinceramente, porque querem mandar c'os porcos um presidente, com o argumento de que... não ganhou nada. Será que isto tem a ver com algum negócio de família

 

Na minha rubrica Quem será o sucessor de Carvalho?, o figurante do dia era José Maria Ricciardi

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