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És a nossa Fé!

Faz hoje um ano

 

Assembleia geral leonina. Uma reunião magna convocada subitamente por Bruno de Carvalho, a pretexto de fazer alterações aos estatutos e ao regulamento disciplinar do clube, mas que se transformou de modo ainda mais inesperado num plebiscito ao presidente do Sporting, por vontade do próprio, ao exigir que as alterações recebessem a aprovação de uma percentagem mínima de 75% dos sócios.

Dirigindo-se aos adeptos, Bruno de Carvalho exortou-os a «serem leões e não carneiros». Isto menos de um ano após ter recebido uma expressiva luz verde, ao ser reeleito para um segundo mandato por 90% dos votantes.

A pressão resultou: o presidente recebeu novamente 90%, culminando assim três semanas de tensão no universo leonino, com as atenções a desviar-se do rumo da nossa equipa principal de futebol, que nesse mesmo período perdeu a liderança do campeonato.

 

«O presidente introduziu um grave factor de perturbação no clube. A meio da época desportiva, num momento nada aconselhável para o efeito. É uma crise totalmente artificial. Mas não deixa de ser crise. A partir de agora Bruno de Carvalho só pode ser comparado com ele próprio. Bruno II versus Bruno I. Com o sucesso do primeiro mandato a funcionar como padrão de avaliação neste segundo mandato, dure o tempo que durar», escrevi aqui nesse dia 17 de Fevereiro de 2018.

 

«Aconteça o que acontecer, vou continuar a ser do Sporting. Essa é quase a única certeza. Seja qual for o resultado, creio que o Sporting sairá disto mais fragilizado do que estava há um mês, mas cá estaremos e são 111 anos de história e não 5 ou 17», observou o Rui Cerdeira Branco, escrevendo ainda antes de ser conhecido o resultado da votação.

 

«Bruno é um chefe da tal tribo, e precisa, porque quer, do apoio constante, do sufrágio semanal, heptassemanal até, do voto não por telefone (chamada de valor acrescentado ou sms) mas por aplauso, cântico, ululação. É disso que retira o seu ânimo, é esse o ânimo que quer ver e sentir nas hostes», referiu o JPT, em texto irónico, concluindo: «Só sairei do barco, desterrando-me talvez, se vier a saber que ele descura os nossos deuses: que prejudica o clube (como outros o fizeram antes dele, e por isso não lhes cuidamos dos túmulos); que compra jogos (algo contra o qual sempre nos batemos). Mas se ele não os trair, enquanto ele não os trair, a esses nossos deuses ... é o meu chefe.»

Faz hoje um ano

 

«O Sporting sempre primeiro», defendeu o José da Xã num texto aqui publicado faz hoje um ano. Concretizando desta forma:

«Nada na vida acontece sem um enorme esforço. Muito menos no Sporting onde toda a gente tem, e bem acrescente-se, opinião. Sabemos que muitos sócios têm para a palavra dedicação ao Sporting um significado diametralmente oposto aos interesses do clube. Mas faz parte da vida e mais tarde ou mais cedo a verdade virá ao de cima. Ao mesmo tempo há outros adeptos e sócios que olham para a nossa casa e sentem tal devoção que se sacrificam pelo clube, dando muitas vezes a cara por uma filosofia de vida sem dele receber a compensação devida. Finalmente sinto que este Sporting está serenamente a construir uma renovada identidade que nos levará mui brevemente à tão desejada glória

 

Numa óptica diferente, atestando o pluralismo do nosso blogue, o António de Almeida escrevia estas linhas também nesse dia 16 de Fevereiro de 2018:

«Se a condição para Bruno de Carvalho permanecer é retirar aos sócios o poder de criticar ou divergir livremente do rumo traçado pela direcção, se o cumprimento do mandato depende de ser aclamado em Assembleia Geral por uma massa acéfala, então que se vá. O Sporting Clube de Portugal é demasiado grande para ser utilizado como vaidade pessoal seja de quem for.»

 

No dia seguinte, realizava-se uma assembleia geral do Sporting. Com Bruno de Carvalho a lançar este repto aos sócios: ou votariam as alterações estatutárias que propunha por uma maioria de 75% ou abandonaria de imediato as funções, fazendo cair todos os órgãos sociais e lançando o clube numa enorme turbulência.

Faz hoje um ano

 

Boa notícia para os adeptos leoninos, naquele dia 15 de Fevereiro de 2018: o Sporting vencia por 3-1 o Astana, na capital do Cazaquistão, com golos de Bruno Fernandes (de grande penalidade), Gelson Martins e Doumbia. O avançado marfinense marcou ainda outro golo limpo, erradamente anulado por putativo fora-de-jogo que todas as imagens televisivas desmentiram.

«Com VAR ou sem VAR, Doumbia arrisca-se a passar à história como o melhor marcador de golos mal anulados pelos árbitros, à semelhança do ocorrido com Montero na época 2013/14, em que o colombiano, depois de um início fulgurante, viu prolongada a seca de golos com três golos mal invalidados», escreveu o Pedro Azevedo.

Mesmo tendo sido roubados pelo árbitro, este resultado abria-nos todas as perspectivas de passagem à fase seguinte da Liga Europa: ninguém imaginava a equipa adversária a marcar três golos sem resposta na segunda mão dessa eliminatória, a disputar daí a uma semana em Alvalade.

Faz hoje um ano

 

Tinham ficado definitivamente para trás os tempos empolgantes da temporada futebolística leonina 2017/2018, em que chegámos a figurar na liderança do campeonato. A partir do momento em que Bruno de Carvalho se sobrepôs a tudo e todos, tornando-se foco de notícia dia após dia, a nossa equipa começou a parecer deprimida e a recuar no rumo vitorioso que antes prosseguia.

 

Neste contexto, publiquei aqui um breve "editorial" no dia 14 de Fevereiro de 2018, Quarta-Feira de Cinzas, numa espécie de ponto da situação.

Passo a transcrevê-lo:

«Oiço e leio por aí gente apostada em dividir os sportinguistas, fragmentando-os entre bons e maus consoante as opiniões que emitem. O que é grave. E preocupante, sobretudo nesta fase crucial da temporada desportiva, em que o apoio de todos aos nossos jogadores e atletas jamais será em excesso. Acontece que não há "verdadeiros sportinguistas". Há sportinguistas. Ponto. No Sporting Clube de Portugal nunca vigorou nem vigorará o delito de opinião.»

 

Apesar dos abalos registados, permanecíamos em luta pelo campeonato e ainda em jogo na Liga Europa. Com o treinador Jorge Jesus a declarar: «Em Portugal, o campeonato é sempre a prioridade e para nós também. Mas nós não vamos rejeitar a possibilidade de chegar à final da Liga Europa. Queremos ir o mais longe possível.»

O Francisco Chaveiro Reis mostrou-se satisfeito com estas palavras, justificando-as assim: «O Sporting, tantos milhões depois, não se pode queixar de jogar duas vezes por semana e tem jogadores de qualidade suficiente para ir até ao fim. Mesmo com Milan, Dortmund, Atlético, Lázio ou Nápoles em prova.»

 

Entretanto, numa demonstração do saudável pluralismo existente no És a Nossa Fé, o José da Xã fazia aqui a defesa do presidente do Sporting.

Nestes termos:

«Sempre que sou abordado por um adepto de um clube rival a primeira pergunta que me fazem é: gostas do teu Presidente? A esta questão, e independentemente de alguns apontamentos públicos que já fiz à postura de BdC, a minha resposta tende a ser sempre a mesma: claro que sim! E afirmo-o com a sinceridade a que os meus anos de vida e de sócio me obrigam. Será bom relembrar que o Sporting, com o actual Presidente, renasceu das cinzas para onde alguns dirigentes do clube e não só o haviam atirado.»

Faz hoje um ano

 

A quatro dias da assembleia geral que quis convocar inopinadamente, exigindo o apoio expresso de pelo menos 75% dos sócios para não abandonar a presidência do Sporting, Bruno de Carvalho permanecia no olho do furacão. Indiferente aos prejuízos que isso causaria ao clube em geral e à equipa de futebol em particular.

O que suscitou compreensíveis reflexões aqui no blogue, nesse dia 13 de Fevereiro de 2018.

 

Escreveu o Pedro Azevedo:

«A união do clube é importante, indiscutivelmente. Dir-se-ia até que dificilmente o clube poderia estar mais unido, tal o resultado do último plebiscito eleitoral. Não podemos é confundir união com unanimismo, até porque dessa forma estaríamos a castrar as ideias, a paixão e o entusiasmo de muitos de nós. Isso, só nos regimes totalitários é possível. E nós não queremos isso no nosso clube.»

 

Escreveu o Edmundo Gonçalves:

«Não sou nem estou ressabiado. O "devaneio" do presidente ao referir o Grupo do Império como oposição à sua presidência, sem qualquer sentido, não me incomoda nem me tolda o discernimento, por isso não questiono a sua legitimidade para continuar o mandato, ainda que as propostas não sejam aprovadas, o que me parece pouco plausível, já que essa eventual e pouco provável reprovação não competirá com o actual mandato. Os dirigentes terão assim muito tempo para voltar a propor as alterações, caso sejam rejeitadas.»

 

Escreveu o Rui Cerdeira Branco:

«Se a actual direcção continuar a alienar associados válidos, empenhados e que até os apoiavam, com a ligeireza com que enfia alguns críticos no saco dos proscritos e candidatos a expulsão, não só dificilmente os recuperará como apoiantes como irá continuando a ver a sua base de apoio erodir-se, pondo em risco aquele que é um legado positivo que qualquer sócio e adepto que ama o Sporting consegue reconhecer e valorizar.»

 

Escrevi eu:

«Tenho ouvido alguns sportinguistas, por estes dias, invocar a necessidade de apoio incondicional a Bruno de Carvalho pois só assim se consegue "limpar a casa". Esta frase, para mim, não faz o menor sentido. Isto significa o quê? Que ao fim de cinco anos o Sporting tem uma "casa suja"? (...) Gostaria que estes apoiantes incondicionais do presidente deixassem de disparar para dentro e de ver inimigos em toda a parte e de repetir com ele que o Sporting é um ninho de lacraus e que o clube está em crise há 112 anos. Frases como estas são música para os ouvidos dos verdadeiros inimigos do Sporting.»

Faz hoje um ano

 

Rescaldo aqui no blogue da nossa vitória sobre o Feirense ocorrida na véspera.

 

Escrevi eu, destacando a estreia de Rafael Leão:

«Estavam decorridos 69' quando Jorge Jesus mandou avançar o avançado da formação leonina, em estreia absoluta no campeonato nacional. Muito aplaudido pelos adeptos, o jovem correspondeu de imediato, com um bom remate de meia-distância para defesa incompleta do guarda-redes e um cruzamento bem medido que quase funcionou como assistência para golo. As primeiras impressões contam muito: Rafael passou no teste

 

Escreveu o JPT, criticando a péssima actuação do árbitro Luís Ferreira:

«Como é possível que num futebol que produz tantos praticantes, treinadores, dirigentes, de clubes e de federação, e ainda os tais "amariolados" empresários, que conseguem tamanhos sucessos, individuais e colectivos, como é possível, dizia eu, que ainda nos apareçam incompetentes como os árbitros (de campo e de cabine, dita vídeo) de ontem, neste Sporting-Feirense?»

 

Mas nunca esquecíamos outros assuntos. E novamente não faltaram críticas ao comportamento de Bruno de Carvalho. Desta vez pela pena do Ricardo Roque.

Fica um excerto:

«Dividiu os sportinguistas misturando trigo e joio, alguns maus sportinguistas com gente do bem (não são sportingados - expressão infeliz - nem gente do croquete). E também teve como resultado retirar da agenda mediática o escândalo dos emails, da "teia" asfixiadora do futebol português, da vergonha que muitos, de certa comunicação social até altos responsáveis, teimam em abafar.  Bruno de Carvalho tem nisso responsabilidades directas, não pode actuar como Presidente de uma parte, tem de ser do todo, tem de saber unir e não dividir. Tem de saber ouvir críticas, porventura injustas. E aceitar o que de positivo outros propõem (basta lembrar-se, há uns anos, da sua condição de crítico feroz de outras direcções). Isso é o que faz dum Presidente um líder.»

 

Fiel à sua imagem de marca, no entanto, Bruno de Carvalho não dava tréguas. Ao próprio clube, aos próprios adeptos.

Nesse mesmo dia 12 de Fevereiro de 2018, falando no auditório Artur Agostinho perante um reduzido número de jornalistas e comentadores que aceitaram corresponder a uma convocatória dele, o presidente do Sporting soltou esta pérola: «Neste momento, estão quase a matar-me. E a culpa, sinceramente, está a ser dos sportinguistas.»

Mais do mesmo, mais do mesmo.

Faz hoje um ano

 

Vitória do Sporting por 2-0 sobre o Feirense, em Alvalade, marcado por duas estreias nesse dia 11 de Fevereiro de 2018: Lumor e Rafael Leão. Com golos de William Carvalho (que desfez o nulo só aos 78') e do regressado Montero, que matava saudades de marcar no nosso estádio. Com Coentrão e Acuña ausentes, a cumprir castigos, a nossa ala esquerda - confiada a Bruno César e Bryan Ruiz - revelou-se o maior ponto fraco. Rui Patrício, com três grandes defesas, manteve a nossa baliza intacta, assegurando-nos os três pontos.

 

Comentou o António de Almeida: «Nada justifica o desperdício dos nossos avançados na hora de rematar à baliza, mesmo compreendendo a natural ansiedade que se apoderou da equipa nos últimos tempos.»

Comentou o Pedro Azevedo: «O Sporting protagonizou um Festival de Futebol... e de golos perdidos. Caio Secco negou o golo aos leões, com enormes defesas, aos 7, 12, 13, 28 e 41 minutos. Doumbia por mais três vezes e Bryan Ruiz falharam sozinhos outros golos cantados.»

 

Noutro âmbito, muito diferente, o Rui Cerdeira Branco pronunciava-se sobre a assembleia geral leonina marcada para 17 de Fevereiro. Em termos muito críticos:

«O nosso presidente (acompanhado pelos órgãos sociais) está de facto a revelar que não sabe distinguir uma calúnia de um legítimo e desejável sentido crítico dos associados. E perante isto a nossa tragédia prossegue mas a verdade é que, um presidente que pensa assim tem que ser travado. É insuportável que algum associado esteja a ser perseguido por isso.»

Teria muito mais motivos, daí para a frente, para pensar assim.

Faz hoje um ano

 

Este blogue atingia as 6.600 visualizações diárias, em boa parte impulsionado pelo presidente Bruno de Carvalho, que procurou atingir-nos gritando contra o "grupo do Café Império". Foi há um ano, a 10 de Fevereiro de 2018.

No mesmo dia em que aqui escrevi um "editorial" iniciado com este parágrafo: «Nestes dias de confusão, propícios à demagogia e à mentira, é preciso que se diga isto com total clareza: nenhum clube rival dá lições de abertura, transparência ou procedimento democrático ao Sporting.»

No mesmo dia em que Portugal se sagrava campeão europeu de futsal. Com quatro magníficos do Sporting: André Sousa, Pedro Cary, João Matos e Pany Varela.

Faz hoje um ano

 

Saía a convocatória para a assembleia geral do Sporting, a 17 de Fevereiro, no pavilhão João Rocha. 

«A título pessoal, a alteração que acho mais incómoda e que se fosse votada isoladamente me mobilizaria para votar contra é mesmo o fim da eleição do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) pelo método de Hondt. A partir da aprovação, quem quiser garantir que o órgão de fiscalização e disciplina não fica inteiramente dominado pela direcção de cada momento terá de conseguir que seja outra lista a ter a maioria dos votos, pois, após esta alteração, bastará uma maioria simples para que se ganhe a totalidade dos lugares no CFD», escreveu aqui o Rui Cerdeira Branco.

 

Entretanto, Bruno de Carvalho anunciava a convocação de duas sessões de esclarecimento, antecedendo a assembleia geral: a primeira para o dia 11, abrangendo a lista de algumas dezenas de sócios ditos "sportingados" por ele assim denominados num tristemente célebre texto no Facebook; a segunda, no dia 12, destinada a jornalistas e comentadores.

«Uma vez mais, o presidente elege uma minoria não representativa de uma percentagem significativa de votos, ignorando a sua vasta falange de apoio, aquela que sempre esteve com ele e a quem deve a(s) vitória(s) eleitoral(ais), a qual contém franjas de sócios que olham com muita tristeza para os acontecimentos desta última semana e onde residem dúvidas sobre a bondade das propostas 1 e 2 e, mais importante ainda, vêem ainda com manifesta incredulidade e estupefacção a intenção de Bruno de Carvalho em condicionar a sua continuidade ao leme do clube da aprovação com 75% dos votos das referidas propostas. Isto para não falar dos sócios que verão neste convite - embora erradamente, do meu ponto-de-vista, face ao seu propósito - uma diferenciação entre associados do clube», comentou o Pedro Azevedo.

 

Neste contexto, a 9 de Fevereiro de 2018, o futebol no Sporting de Bruno de Carvalho parecia ter passado para segundo plano. Apesar de irmos jogar contra o Feirense, em Alvalade, dois dias depois.

A propósito disto, ou talvez não, o Ricardo Roque observou: «É proibido proibir. Mas um sportinguista, sócio ou adepto, não pode preferir uma derrota do clube para apressar qualquer mudança de liderança. Quem assim se assume não merece ser considerado dos nossos. O Sporting Clube de Portugal é o bem maior.»

Faz hoje um ano

 

Tínhamos ido ao Dragão, na véspera, perder (0-1) contra o FC Porto para a primeira mão da meia-final da Taça de Portugal.

Mas era Bruno de Carvalho quem dominava as atenções nesse dia 8 de Fevereiro de 2018. Com as águas a ficarem cada vez mais separadas entre os adeptos que continuavam a apoiá-lo sem reticências e aqueles - em número crescente - que contestavam as suas recentes tomadas de posição.

Um dia em que, por coincidência, o presidente do Sporting festejava o seu 46.º aniversário.

 

O JPT dedicou-lhe um postal com Marilyn Monroe e a seguinte legenda: «Os desejos de ânimo. De "continuação", como dizem os tipos lá da terra do malvado Futebol Clube do Porto. E de bem para si (parabéns). E cá estou (estamos) para apoiar. E também cá estarei (estaremos) para criticar quando isso me (nos) parecer necessário.»

O Pedro Boucherie Mendes felicitou-o nestas linhas: «No país do futebol, dos chamados três grandes somos o clube que menos vezes foi campeão nacional. Bruno de Carvalho é alguém que não vive bem com isso e tenta que todos os sportinguistas não vivam bem com isso, não se resignem e não baixem as orelhas. Exagera nas metáforas e nos posts do Facebook? Claro que sim e ele será o primeiro a sabê-lo. Invalida tudo o que fez? Claro que não. Em dia de aniversário, faço votos para que continue no nosso clube e que consiga alguma paz de espírito a bem dele, da sua família e da família leonina.»

O Pedro Bello Moraes também não esqueceu o aniversário: «Bruno de Carvalho continua a ter créditos. Muitos. E esse Presidente defendê-lo-ei. Faz hoje anos, dou-lhe os parabéns, na esperança que a idade some maturidade e temperança.»

 

Num registo diferente, assinalou o José da Xã: «Hoje alguém me perguntou: se BdC sair, quem o substituirá? Pois é… neste momento o maior problema do Sporting é esse mesmo. Quem poderá vir a ser o senhor que se segue?»

E escrevi eu:

«Estive com o presidente: os vastos arquivos deste blogue são a prova disso. Estarei sempre com ele enquanto for parte da solução. Deixarei de estar no dia em que me convencer que passou a ser parte do problema. O facto de ele continuar imerso no facebook - até na auto-estrada Porto-Lisboa! - arengando que está farto de dirigir o Sporting ajuda muito pouco. Ou nada.»

Faz hoje um ano

 

Jogámos no estádio do Dragão para a Taça de Portugal. E pela terceira vez na mesma temporada fomos incapazes de marcar ao FC Porto: viemos de lá com uma derrota tangencial, por 0-1, que apesar de tudo nos abria boas perspectivas para a segunda mão da meia-final do cobiçado troféu, marcada para 18 de Abril.

Não tardaram as reacções a quente aqui no blogue.

 

Escreveu o João Goulão: «Lá nos valeu Patrício com duas defesas fantásticas senão a eliminatória já estaria resolvida. Tenhamos fé que as coisas se vão estabilizando e que Jorge Jesus perceba que alguns jogadores têm que meter o pé e que nas primeiras partes também se ganham os jogos, e não é preciso esperar pelo fim para tentar resolver as coisas.»

 

Escreveu o Edmundo Gonçalves: «Na segunda parte, foi mais do mesmo e depois de encaixarmos um, abalançámo-nos para a frente mas um bocado sem rei nem roque e até arranjámos duas oportunidades, mas com aquelas lesmas que temos lá à frente dificilmente a redondinha beijaria o véu da noiva. O fantasma de Dost esteve em campo, já que Ruben Ribeiro, com tudo para fazer golo, entendeu servir Doumbia que, claro está, se deixou antecipar ou se atrapalhou.»

 

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Mas o tema forte continuava a ser o desnorte e o desgaste do presidente Bruno de Carvalho, que persistia em ser notícia nesse dia 7 de Fevereiro de 2018

 

Escreveu o JPT:

«Nestes agitados dias houve aqui vários postais e muitos comentários. Um destes questionava, algo abespinhado, se o És a Nossa Fé passou a blog de oposição ao presidente. Vários postais, anteriores e posteriores ao comentário, já responderam. Mas regresso à questão. O blog nunca foi de apoio ao Bruno e também não se transformou em oposicionista. Aqui coexistem diferentes entendimentos, do necessário ao Sporting, do desejável na direcção. E, acima de tudo, da forma de ser do Sporting: há quem seja sócio desde a nascença, haverá quem não é sócio, há quem não perca o jogo dos juvenis de andebol, há quem seja relapso ao sofá até na Liga dos Campeões, há quem disserte sobre o Peyroteo e o Zandonaide, há quem nem saiba soletar o nome daquele italiano que joga a lateral-direito. Há quem tenha amado a Conceição Alves, há quem não faça a mínima ideia de quem é a Jessica Augusto.»

 

Escreveu o José Navarro de Andrade:

«Continue Senhor Presidente a sua batalha brutal e sem quartel contra os pérfidos poderes instituídos no desporto em Portugal. Nesse desiderato conte com o meu aplauso na bancada, com o meu esforço financeiro em cotas e gamebox e com o meu voto nas urnas, porque mais não me cabe nem me tem sido pedido. Mas não desdoure o alto cargo de Presidente do Sporting Clube de Portugal, que neste momento ocupa, insultando e difamando uma tertúlia de indefectíveis sportinguistas que pagam para sê-lo e do Clube nada recebem, às vezes nem alegrias. A grandeza de um Presidente mede-se pelos inimigos que tem.»

 

Escreveu o António F:

«Por que razão Bruno de Carvalho, que foi eleito presidente do Sporting nas últimas eleições (aquelas que tiveram mais forte participação e com a maior percentagem de votos da história do nosso clube), sente necessidade de fazer oposição a Bruno de Carvalho?»

Faz hoje um ano

 

A 6 de Fevereiro de 2018, atingíamos um dos nossos momentos de glória. Graças a uma intervenção pública - mais uma - de Bruno de Carvalho, travestida de conferência de imprensa e transmitida em directo na noite de véspera por todas as televisões, sempre sequiosas do verbo torrencial do presidente leonino.

Falou assim:

«Estou a ser humilhado e difamado por sportinguistas há sete anos. Que fizeram cartazes e puseram na Segunda Circular, que fizeram flyers, que fazem grupos que acham que são muito privados no Facebook, que se arrogam no direito de fazer comunicados meia hora antes de uma reunião importante… Eu ganho o quê em perpetuar-me aqui? Custa-me que continuemos manipulados por grupos e grupinhos. (...) É normal que eu não diga a um ex-presidente que é um sportinguista aziado quando diz que o meu lugar é no manicómio? Ou que sou um garoto ou uma trampa? À frente é só sorrisos e depois é o grupo da Versailles, o do Café Império... Mas acham que eu não me preparei para ser presidente? Que não conheço isso tudo?»

 

O grupo do Café Império era este blogue, És a Nossa Fé. Ali nos reunimos há vários anos, sem fazer segredo nem ter outra agenda senão o salutar convívio em torno de um bife e umas cervejolas. Chegámos, aliás, a convidar mais de uma vez Bruno de Carvalho e um dos seus directores de comunicação, Nuno Saraiva, para participarem nos nossos repastos. A "resposta" surgiu naquela destemperada intervenção do presidente, que imaginava inimigos e conspirações a toda a volta e supondo-se a todo o momento cercado por «dezenas de lacraus» com emblema do Sporting.

Disparando em todas as direcções, exigia uma maioria albanesa em assembleia geral para expulsar ex-dirigentes e outros sócios, incluindo ex-atletas de referência do universo leonino, denominando-os "sportingados". E jurando abandonar funções de imediato se não obtivesse tal maioria.

Nós, ainda hoje não sei bem como, fomos metidos nesse desvairado embrulho.

 

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Quem não se sente não é filho de boa gente.

Como não somos de levar desaforo para casa, nem sequer para o café, Bruno de Carvalho recebeu aqui o troco. Em vários textos aqui publicados no dia seguinte, faz hoje um ano exacto.

 

Escrevi eu: «Bruno de Carvalho ofuscou tudo declarando guerra civil no Sporting. Esqueceu-se dos adversários externos, passou a viver obcecado com os supostos inimigos internos. Desatou a disparar em todas as direcções, transformou o facebook leonino em arma letal, convulsionou uma assembleia geral e debitou alarvidades numa conferência de imprensa sem rumo nem tino, levando o clube a ser notícia pelos piores motivos, com todos os órgãos de informação a transmitirem as suas lamentáveis palavras em tempo real.»

 

Escreveu o Pedro Azevedo: «É pena que um homem seja o maior inimigo de si próprio, que valorize tanto e ajude a vitimizar os, respectivamente, infra-um por cento e infra-dez por cento dos impreparados Severinos e Madeiras desta vida, que não compreenda o que é viver em democracia, que não perceba a riqueza de uma crítica construtiva, que viva obcecado com sensibilidades e grupos de opinião, que incompreensivelmente coloque "entre a espada e a parede" os sócios que lhe conferiram 90% dos votos há bem pouco tempo.»

 

Escreveu o Filipe Moura: «O que concluo é baseado em episódios como a necessidade compulsiva de resposta pessoal (sempre em tom grosseiro, que envergonha os sportinguistas por partir do presidente) a comentadores secundários do Benfica (...) E a sportinguistas, sobretudo: desde o episódio mesquinho e ditatorial de censura dos Supporting até à publicação no Facebook de um index de sportinguistas "malditos". Parece-me evidente, com base em tudo isto e em episódios como os que se seguiram à Assembleia Geral, culminando no deprimente comunicado de hoje, concluir que Bruno de Carvalho não tem robustez psíquica para um cargo como o de Presidente do Sporting.»

 

Escreveu o António de Almeida: «O nosso presidente convive mal com a democracia. É a única explicação plausível para a indecorosa chantagem que ontem lançou sobre os sócios do Sporting Clube de Portugal. Não acredito em homens providenciais, salvadores messiânicos, muito menos me revejo em unanimismos em torno do grande líder ao estilo Coreia do Norte ou aceito que para governar sejam necessárias maiorias albanesas.»

 

Escreveu o Pedro Bello Moraes: «Votei em si para a Presidência do Sporting mas já não consigo defendê-lo mais. O Presidente não é o Sporting e eu vou dedicar-me apenas e só a defender o Sporting. Uma defesa que começa por dizer-lhe do inaceitável que é impor condições para continuar a liderar o clube. Uma chantagem intolerável.»

 

O Edmundo Gonçalves irritou-se: «Eu sou do Império. E depois?»

 

O JPT optou por um registo irónico: «Com esta minha inépcia conspirativa, com esta minha imaturidade de "leãozinho" (o tal escondido com rabo de fora) muito prejudiquei os co-bloguistas. Muito me penitencio diante de vós, e também dos leitores, sob a forma desta "auto-crítica pública" (como diziam os marxistas), nesta minha  mea culpa (tão católica). Aguardo o vosso juízo, para que possa proceder à minha expiação.»

E manteve a ironia noutro texto publicado no mesmo dia:

«O Café Império é uma instituição lisboeta, um bife aceitável, preços não proibitivos, acessos fáceis dada a sua centralidade (metro, parque de estacionamento, autocarros), instalações amplas e ecrã televisivo muito vasto, disponibilizado para eventos desportivos. O serviço é aprazível, competente, simpático e sem as aborrecidas mesuras. Como tal não precisará de grande publicidade. Mas esta é coisa que nunca é excessiva. Para além de que, como se sabe, "não existe má publicidade". Não estará na altura de lá ir comer um bife? E receber uma "atençãozinha" no fim, assim tipo um uísquezito (novo, que não sou esquisito) "oferta da casa"?»

Faz hoje um ano

 

Digeríamos tristemente, cada qual a seu modo, um penoso fim de semana marcado pela conturbada assembleia geral em que Bruno de Carvalho ameaçou abandonar o clube e pela nossa derrota frente ao Estoril que nos relegou do primeiro para o terceiro lugar no campeonato.

 

Sendo esse o contexto, relembro alguns textos aqui difundidos a 5 de Fevereiro de 2018, por ordem de publicação.

 

Escrevi eu: «Os benfiquistas só podem agradecer ao nosso presidente, que insiste em tornar o Sporting notícia por péssimas razões e em disparar contra o inimigo interno como se não houvesse adversários reais fora de Alvalade. Quase um ano depois, ele parece não saber ainda o que fazer com o esmagador apoio que 90% dos sócios lhe manifestaram nas urnas. Mostrando-se estranhamente obcecado com os restantes 10%, que não lhe confiaram o voto, como se vivesse em permanente crise de auto-estima. Uma semana a derrapar ladeira abaixo, portanto. Haverá quem diga, uma vez mais, que se trata apenas de uma lamentável série de coincidências. Começo a convencer-me que não.»

 

Escreveu o Filipe Moura: «Como se não bastasse criar conflitos no futebol português (e cria muitos, alguns sem nenhuma necessidade, e afectando a imagem do clube), o presidente do Sporting agora também cria conflitos internos desnecessários. O "fim de semana horrível" que o futebol teve, no início de um mês de Fevereiro difícil e desgastante, tem como responsável Bruno de Carvalho, que se comporta não como presidente de um clube, mas como presidente de uma facção.»

 

Escreveu o JPT: «Há um terceiro inimigo desta presidência. Que é o Bruno. Relapso à racionalidade comunicacional. Adverso ao auto-amadurecimento. E, evidentemente, com misticismos egocentrados. Falando futebolês é isto: o Bruno tem futebol para ser Cruyff e parece ter a cabeça do Balotelli. É uma pena, está ele nas vésperas de "passar ao lado de uma grande carreira". E nós, Sporting, tanto perderemos com isso.»

 

Escreveu o Edmundo Gonçalves: «Adivinhava-se um resultado negativo a qualquer momento. Por aqui fui defendendo a equipa e o treinador, sobretudo a equipa, que não tem culpa que o treinador não queira outras opções que não as que já referi lá acima e que a muito custo vinha jogando e conseguindo vencer. Ninguém é de ferro e mesmo esse, se não for de boa têmpera, é maleável e é visível que o onze titular anda estoirado, já deu fisicamente o berro há muito. E vieram reforços que nada acrescentaram, destratados pelo treinador como é seu timbre, porque alguns nem à bancada chegam, quanto mais ao jogo...»

 

Escreveu o Francisco Chaveiro Reis: «Em caso de melhor resultado do que nós, no campo do Estoril, o líder fica com cinco pontos a mais do que nós. Não é ideal mas é recuperável. É verdade que existem vários problemas no futebol do Sporting, a começar pela incapacidade dos jogadores que não são Dost de marcarem golos mas estamos na luta. Não entremos na tradicional depressão leonina. No fim da época julgaremos Bruno e Jesus.»

 

Escreveu o João Goulão: «Saibamos trazer a serenidade suficiente para dizer a todos aqueles que pertencem aos órgãos sociais do nosso clube, que olhem para os sócios e simpatizantes e pensem neles, pensem no  que lhes estão a fazer com os comportamentos que têm tido, com a falta de lucidez, de ponderação, de subtileza, de bom senso. Não se discutem aqui lideranças, pede-se somente que olhem para aqueles que estão no dia dos jogos sentados nas mais diversas bancadas... e pensem e digam. - Estes sócios e simpatizantes não merecem isto!!!»

Faz hoje um ano

 

Virar de página: num ventoso fim de tarde no campo do Estoril, deixávamos três pontos, abandonávamos o topo do campeonato e começávamos a dizer adeus a mais um título que havíamos ambicionado.

Este jogo não contou com a presença de Bruno de Carvalho, que na véspera fizera um inesperado ultimato aos sócios, reunidos em assembleia geral para aprovarem alterações aos estatutos e ao regulamento disciplinar leonino: numa intervenção destemperada e colérica, o presidente ameaçara renunciar ao cargo e provocar a demissão de todos os órgãos sociais se não obtivesse um reforço de poderes para expulsar alguns sócios.

Antes do Estoril-Sporting, e a propósito deste assunto, publiquei aqui as seguintes linhas:

«Não quero, neste concreto domingo, ver-nos dispersados e fragmentados em inúteis querelas intestinas nem ver levantada mais poeira inútil no bate-boca com outros clubes. E rejeito o empurrão real ou virtual de adeptos para a porta de saída, em inadmissíveis processos de purga interna semelhantes aos das seitas extremistas. As batalhas travam-se em campo, não fora dele. E contra adversários, não contra companheiros de bancada.»

 

Também antes da nossa derrota na Amoreira, o Pedro Azevedo expressou assim a sua opinião sobre o momento leonino: «Numa semana conturbada, marcada por um timing de marcação de uma Assembleia Geral inoportuno - porque não após o final da temporada? -, em que, com o Sporting já vencedor de uma Taça da Liga e líder do campeonato nacional, vemos o presidente do clube a ameaçar demitir-se e pedidos nas redes sociais a solicitar a demissão do presidente da Assembleia Geral. Que os nossos jogadores, no campo, saibam dar os tiros certos: não nos pés, mas sim nas redes da baliza de Moreira.»

 

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Não podia haver gestão mais desastrosa do clube. Quando acabávamos de vencer pela primeira vez a Taça da Liga e seguíamos no comando do campeonato, Carvalho abria uma crise totalmente artificial, desconcentrando jogadores, equipa técnica, sócios e adeptos. Pondo-se no centro do palco e fazendo atrair para si todas as atenções.

«Sou jornalista há alguns anos e ainda me surpreende a fantástica capacidade que o Sporting tem de implodir e causar problemas a si próprio, mesmo nos bons momentos.» Palavras de Bernardo Ribeiro, um dos responsáveis editoriais do Record, publicadas nesse mesmo dia.

 

«Se Bruno Carvalho quiser sair, que saia, que se demita, no entanto ninguém o está a forçar. O que não é aceitável é que ameace os sócios, alguns com mais anos de filiação que ele e indiscutível sportinguismo. O que o presidente fez ontem é feio, a prática tem um nome, chantagem. Temo que em próxima Assembleia-Geral a estratégia acabe por surtir efeito, embalados por alguma vitória os sócios acabem por ceder. Por mim, continuará presidente até ao fim do mandato, mas não lhe passo um cheque em branco. Nem a ele, nem seja a quem for», escreveu o António de Almeida nesse funesto dia 4 de Fevereiro de 2018.

 

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Logo depois do jogo - em que o Estoril foi claramente superior e esteve mais próximo de marcar o 3-0 do que nós de reduzirmos para 2-1 - eis algumas reacções epidérmicas no És a Nossa Fé:

 

«De caras para a baliza e com ela aberta fomos exí­mios a denunciar as más condições do relvado. Magní­fica argumentação na flash interview a explicar as verdadeiras causas do acontecido. O vento, claro - então não se viu logo? Ficamos assim todos mais descansados sem o incómodo nem as responsabilidades de estar em primeiro lugar», ironizou o José Navarro de Andrade.

 

«Faltavam Dost e Gelson. O treinador, em vez de moralizar aqueles que podia utilizar - e já depois dos episódios Wendel e Lumor - , entrou numa espiral de choradeira que incluiu um "Gelson e Dost são mais de 50% da equipa". (...) Depois, os jogadores, alegadamente, precisavam de tempo e treino para conhecerem as ideias de jogo do treinador e poderem jogar, mas Ruben Ribeiro entrou logo na equipa. Ah e tal, é porque é "avançado", explicou Jorge Jesus, mas Rafael Leão, o único ala disponível com as características que Jesus precisa, continua fora das convocatórias», criticou o Pedro Azevedo.

 

«Entrámos em campo, às 18 horas, no comando do campeonato e terminámos no terceiro posto, em igualdade pontual com o Benfica e menos dois pontos do que o líder, FC Porto (que tem meio jogo ainda por disputar, precisamente contra o Estoril)», anotei eu.

 

O mais sintético, aqui no blogue, foi o Edmundo Gonçalves: «Cada um escolhe o seu caminho. E de insubstituíveis está o cemitério cheio.» O título já dizia muito: "Harakiri".

Faz hoje um ano

 

A 3 de Fevereiro de 2018, recomendei um chá de tília a Bruno de Carvalho.

 

«Quero aqui ficar, enquanto achar que sou uma mais-valia para o clube. Querem que saia? É hoje! Tirem-me daqui!» Este foi um dos trechos mais sonantes da intervenção do presidente do Sporting, há um ano, na assembleia geral que lhe deu um amplo apoio para alterar algumas normas dos estatutos e do regulamento disciplinar do clube.

Apesar desse apoio, Bruno de Carvalho pareceu muito alterado nas suas intervenções neste conclave leonino. O Sporting mantinha-se no topo da classificação do campeonato, sem depender de terceiros. 

 

No dia seguinte jogaríamos no Estoril.

Faz hoje um ano

 

No dia seguinte, haveria assembleia geral do Sporting.

«Não é uma assembleia geral ordinária no sentido de se "resumir" a aprovar contas. Na ordem de trabalhos constam oito pontos que passam por uma homenagem a Peyroteo, decisões sobre imobiliário, constituição de uma auditoria, acertos de linguística nos estatutos mas também várias alterações de fundo aos próprios estatutos do clube. E é, em especial, nas alterações estatutárias que creio se encontra uma razão maior (Peyroteo que me perdoe) para não faltarmos a exercer o poder soberano enquanto associados na próxima assembleia geral.»

Palavras de aviso do Rui Cerdeira Branco, aqui no blogue, nesse dia 2 de Fevereiro de 2018.

 

Faz hoje um ano

 

Nas véspera à noite, o Sporting vencera em casa o V. Guimarães, mantendo-se no topo da classificação do campeonato e sem depender de terceiros. Mathieu (autor do golo solitário que nos valeu três pontos), Acuña e Fábio Coentrão foram, para mim, os nossos melhores em campo. O pior? Rúben Ribeiro. «Adorna demasiado os lances, congela-os, não progride com a bola, abusa das fintas redundantes e de inócuos passes curtos. Não por acaso, foi substituído ao intervalo pelo segundo jogo consecutivo. Jesus deve repensar seriamente se o mantém como titular», anotei aqui no blogue.

Já o Pedro Azevedo elegeu Ristovski como pior do onze leonino. Justificando assim a escolha: «Foi o jogador que mais me desapontou. Não porque eu não prefira Piccini, mas porque o macedónio falhou naquele único item em que o achava superior ao italiano: dar profundidade ao jogo.»

 

Outros apontamentos.

O JPT analisava as entradas e saídas de jogadores, com o fim do mercado de transferências:

«Despachou-se, e muito bem, aquele Jonathan e foi um alívio, que até um treinador de sofá percebe que o homem não é para estas andanças. Aleluia. Rosell saíu e ganhou-se algum mas Douglas e Petrovic ficaram, e não consigo perceber estas coisas das contratações. A ver se Douglas serve para 4.º central e se o Palhinha ainda jogará mais uns cinco minutos este ano - a semana passada dizia-me um amigo Belenenses, fanático como já haverá poucos, que "naquele ano o Belém era o Palhinha e mais dez". Não sei, não vi, não me lembro. Mas quero acreditar.»

 

O Ricardo Roque recomendava alguma calma às bancadas de Alvalade:

«Todos estamos muito ansiosos, queremos ganhar bem, rápido e tudo. Não é fácil. Mais fácil perceber a explosão no golo de Mathieu, aos 83 minutos. Precisamos de saber gerir este nosso estado pois este "nervoso" miudinho transmite-se para o relvado, e pressiona os jogadores. Não ajuda. O jogo com o Guimarães foi disto exemplo. Esta autocrítica, penso, aplica-se a muitos sportinguistas que assistem a jogos, opinam e escrevem. Todos temos um pouco de treinador de bancada mas o que é facto, e como diz Jorge Jesus, é a equipa técnica e os jogadores que sabem o que fazem durante a semana nos treinos e têm a maior responsabilidade nos jogos.»

 

O Duarte Fonseca elogiava o nosso lateral esquerdo titular:

«Coentrão já é o melhor lateral esquerdo que vi jogar pelo Sporting. Não faz uma abordagem errada, toma sempre a melhor decisão para a equipa, não perde um duelo, não tem falhas de posicionamento. A este nível, simplesmente faz tudo bem! Há jogadores assim e é fabuloso quando os podemos ver jogar no Sporting.»

 

O José Navarro de Andrade partilhava connosco um pesadelo que tivera:

«Sonhei que a equipa iniciava o jogo com Bryan Ruiz, Rúben Ribeiro, Montero, Bruno Fernandes e William Carvalho. Os restantes eram os das posições habituais, menos Gelson, lesionado.Todos eles faziam o que sabem fazer muito bem: receber a bola de costas para a baliza, rodar sobre o pé de apoio, parar, pensar, ver se alguém se desmarca, enfrentar os dois adversários que entretanto tinham chegado, olhar outra vez, respirar fundo, pensar mais um bocado, tentar fintar e perder a bola porque ninguém corria, já que eram todos clones uns dos outros. O carrossel rodava, rodava, rodava até o árbitro apitar o fim do jogo. O que vale é que foi só um pesadelo.»

 

«Estamos no comando da Liga, à condição, com mais um ponto do que o FC Porto - que ainda tem de disputar meio jogo - e mais três do que o Benfica. Boas perspectivas para conquistar o título. Nem pensamos já noutra coisa».» Palavras minhas, nesse dia 1 de Fevereiro de 2018.

 

Aproximava-se um pesadelo bem real. Mas nenhum de nós sabia disso.

Faz hoje um ano

 

Rebentava a Operação Lex - e o Benfica via-se cada vez mais a braços com casos judiciais. Nem o jornal A Bola conseguia evitar o assunto.

«Operação Lex abala a Luz - Buscas no clube e em casa do presidente do Benfica em processo relacionado com Rui Rangel», escrevia o matutino, nesse dia 31 de Janeiro de 2018, a toda a largura da primeira página.

Faz hoje um ano

 

Reflexões várias aqui no blogue nesse dia 30 de Janeiro de 2018.

 

Do Filipe Moura:

«Julgo que se deveria passar a jogar a fase de grupos da Taça da Liga em Agosto, no início da época, antes do arranque do campeonato. Arranque este que tem sido cada vez mais antecipado, para alturas em que muita gente ainda está de férias. (Em Espanha, por exemplo, o campeonato só começa em Setembro.) O campeonato começaria duas semanas mais tarde do que o que tem começado, e nessas duas semanas jogar-se-ia a fase de grupos. Quanto à final four, a melhor altura para a realizar seria entre o Natal e o Ano Novo. A Taça da Liga disputar-se-ia assim em alturas de férias, como uma competição alternativa, o que talvez até lhe trouxesse um interesse suplementar.»

 

Do José da Xã:

«O que mais falta por aí são equipas de comunicação bem montadas, que usam e abusam das plataformas sociais para lançarem ataques, quantos deles soezes e sem fundamento para somente desviarem as atenções do essencial. Concluo assim que o futebol luso, ao contrário do que hipocritamente se diz, vive demasiado bem neste profundo lamaçal.»

 

Do Pedro Bello Moraes:

«Um aplauso para o nosso edifício judicial. Ex-primeiro-ministro investigado e a caminho de julgamento, destino igual para o mais poderoso banqueiro do regime e, agora, o presidente do Benfica a braços com a Justiça. Tudo coisas do campo da ficção há uns anos apenas, hoje tão reais como muitas das vitórias encarnadas foram marteladas e que desembocaram na percepção de uma grandeza que, afinal, pode não ser mais do que mera ficção.»

Faz hoje um ano

 

Mantinham-se por cá os ecos da nossa conquista da Taça da Liga. O que me levou a escrever este texto há um ano, em jeito de editorial do blogue:

«Eles, em 2009, comemoraram uma vitória fraudulenta. Sabiam que a Taça da Liga lhes tinha sido entregue de bandeja com uma arbitragem de lesa-desporto e mesmo assim festejaram como se não houvesse amanhã. Nada de estranhar: dizem-se desportistas mas convivem com a batota sem sobressaltos de consciência. Nós podemos gabar-nos de ter esperado nove anos para festejar o mesmo título. Mas foi conquistado de forma limpa e digna, com honestidade, sem torcer a verdade desportiva. Como é nosso timbre. Este é um dos muitos motivos que me fazem sentir tanto orgulho por ser do Sporting.»

E noutro texto aqui publicado a 29 de Janeiro de 2018 observei: «Este título era-nos devido há nove anos. Apesar disso, esteve quase a acontecer novo escândalo irreparável na final disputada em Braga. A diferença entre Lucílio e Rui Costa - ninguém duvide - chama-se vídeo-árbitro. O tal que o avençado Carlos Janela, os comentadores da cartilha lampiânica e os responsáveis editoriais do jornal A Bola combateram com denodo e determinação.»

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