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És a nossa Fé!

O caos

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Não me lembro de gestão tão caótica no futebol português. E não me falem na pandemia. A pandemia não pode servir de desculpa para tudo.

Primeiro anunciaram que haveria público nos estádios, na última jornada da Liga 2020/2021. A ministra da Presidência fez o anúncio no final de um Conselho de Ministros, alegando que seria um "evento-teste"

Depois admitiram que talvez as duas últimas rondas tivessem público.

A seguir, vem-se a saber que os estádios continuarão interditos aos portugueses até ao último apito do último jogo deste campeonato. Descobriram à última hora que era necessário salvaguardar a equidade.

Anunciaram entretanto que a final da Champions voltaria a ser este ano em Portugal, no estádio do Dragão. Para júbilo do velho crocodilo, que logo lançou farpas a Lisboa. Como se Porto e Lisboa não fizessem parte do mesmo país.

Esta final da Liga dos Campeões terá público. Mas a final da Taça de Portugal será disputada com bancadas vazias, ao contrário do que chegou a admitir-se.

«A ideia de haver público na última jornada era uma ideia de só haver público do visitado, coisa que é manifestamente impossível haver no final da Taça, uma vez que o jogo vai realizar-se no estádio de Coimbra», disse o alegado e baralhado secretário de Estado do Desporto, voltando a confirmar a sua inutilidade no Governo. Enquanto justifica o privilégio concedido à final entre Chelsea e Manchester City por «circunstâncias muito distintas» que não especificou.

Duas realidades diferentes: uma para estrangeiros, outra para portugueses. Ambas em solo nacional, o que torna tudo mais revoltante.

Alguém entenderá seja o que for no meio deste caos?

Está no Governo a fazer o quê?

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A 6 de Maio, o alegado secretário de Estado do Desporto garantia publicamente que a festa do título do Sporting estava a ser convenientemente preparada para não se registarem problemas de ordem pública nem riscos sanitários.

«Sabemos que será muito difícil evitar essas manifestações e o melhor é enquadrá-las e dar-lhes as melhores condições. É possível juntarmos pessoas com segurança», declarou o governante, confirmando ter havido reuniões nesse sentido entre a Câmara Municipal de Lisboa, o Ministério da Administração Interna, o comando das forças policiais e a Direcção do Sporting.

 

O Sporting cumpriu: não se registaram desacatos no interior das instalações do clube - única parcela que se encontra sob a sua jurisdição.

No espaço exterior aconteceu aquilo que sabemos: desacatos provocados por membros ligados à Juventude Leonina - que aparentemente tiveram autorização da Câmara, da Direcção-Geral da Saúde e da PSP para instalarem uma fan zon com ecrã gigante e bebidas à discrição no exterior do estádio - e reacção incompetente da polícia, que errou antes e errou depois. Demorou horas a assistir a tudo impávida e carregou desalmadamente quando a situação que devia prevenir já fugia por completo do seu controlo

 

Agora o presidente da Câmara assobia para o lado, a senhora da DGS faz voto de silêncio, o ministro da Administração Interna finge-se de morto. Só o alegado secretário de Estado do Desporto, voltando a abrir a boca, confirma a sua total irrelevância: «O apelo que fiz a uma responsabilidade dos adeptos manifestamente não foi atendido.» E logo sacode a água do capote, dizendo nada ter a ver com o que aconteceu.

Apetece perguntar de novo: este senhor está no Governo a fazer o quê?

Livrem-se

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O senhor J. Paulo Rebelo, alegado secretário de Estado do Desporto, andou a dizer por aí que o Governo está preocupado com as manifestações de júbilo dos sportinguistas na mais que previsível comemoração do título de campeão nacional de futebol.

«Será muito difícil conter em absoluto manifestações de adeptos que naturalmente surgirão», concedeu o referido cavalheiro em declarações a um canal televisivo. E adiantou que «o melhor é enquadrá-las», resta ver de que maneira. 

Não sei, neste contexto, o que significa a expressão «conter em absoluto». Temo o pior.

Pela minha parte, venho solicitar ao dito senhor para transmitir quanto antes ao primeiro-ministro, assumido adepto do Benfica, que nós iremos celebrar o título como quisermos, quando quisermos e onde quisermos. Ninguém irá impedir-nos. Muito menos um ex-membro da desonrosa Comissão de "Honra" da recandidatura de L. F. Vieira.

Livrem-se de tentar condicionar-nos. E que isto fique registado em acta desde já.

Favores ao Benfica, nem pensar

O Governo já veio esclarecer que não haverá público nas últimas cinco jornadas do campeonato nacional de futebol. Contrariando assim aquilo que o presidente da Liga, Pedro Proença, apressadamente viera declarar mal foram conhecidas as primeiras medidas de suavização do confinamento ainda em vigor.

Por uma vez, concordo com o Governo, que tão mal tem andado em matéria de desporto. Não faria qualquer sentido alterar as regras numa altura crucial da competição, favorecendo claramente um dos quatro clubes que disputam os dois lugares de acesso directo à Liga dos Campeões. Refiro-me ao Benfica, que beneficiaria com a presença de adeptos a puxar pela equipa no estádio da Luz em dois confrontos que poderão decidir a classificação final: o Benfica-FC Porto (que deverá disputar-se a 9 de Maio) e o Benfica-Sporting (previsto para 16 de Maio). Em flagrante contraste com o que sucedeu nos desafios correspondentes da primeira volta, disputados no Dragão e em Alvalade, com as bancadas vazias.

Assim as regras serão iguais para todos. É fundamental para manter a seriedade, a equidade e a transparência na principal competição desportiva em Portugal, garantindo a credibilidade daquilo a que alguns chamam "indústria do futebol". 

Durante meses, em textos vários, aqui defendi o regresso do público aos estádios. Quando as praias estavam cheias, as touradas decorriam com bancadas bem preenchidas e 30 mil espectadores acorriam ao autódromo de Portimão para verem provas motorizadas. Nessa altura os estádios mantiveram-se interditos por decisão governamental.

Paciência, se foi assim até agora será também assim até final. Favores ao Benfica, nem pensar.

De disparate em disparate

image.jpgFoto: Tiago Petinga / Lusa

 

Para não variar, a directora-geral da Saúde voltou ontem a fazer uma declaração inaceitável. Em que, uma vez mais, menospreza e subalterniza o desporto. Como se uma sociedade em que a prática desportiva organizada, promovida por agremiações clubísticas, não fosse parte iniludível da saúde, tanto na componente individual como colectiva.

 

A mesma responsável que autorizou viagens aéreas em voos lotados, o regresso dos concertos, das sessões de cinema, dos espectáculos teatrais, dos circos e das touradas, a mesma alta funcionária governamental que deu luz verde às manifestações e concentrações de rua promovidas por forças partidárias, movimentos cívicos ou grupos espontâneos de cidadãos, a mesma senhora que permitiu eventos tão diversos como a Festa do Avante no Seixal ou a realização do Grande Prémio de Fórmula 1 em Portimão continua a vetar o regresso do público aos recintos desportivos.

Com argumentos sem pés nem cabeça, confundindo aquilo que não deve ser confundido e até fazendo alusões demagógicas ao início do ano escolar, como se isso tivesse alguma coisa a ver com o futebol.

 

«Público nos estádios e reabertura das discotecas não será certamente nos próximos tempos. Temos de ver esta grande experiência que é o retorno às aulas e qual será o seu impacto nos números», afirmou ontem Graça Freitas. Equiparando assim as bancadas de um estádio - onde os lugares estão marcados, é muito fácil estabelecer limite máximo de entradas e o espectáculo decorre ao ar livre - ao interior de uma discoteca, onde o espaço é fechado, as pessoas estão sempre em trânsito e não há possibilidade de assegurar distanciamento físico.

Pior: ao englobar na mesma frase bancadas de estádios e discotecas nocturnas, Graça Freitas confirma ter absurdos preconceitos contra o futebol e não fazer a menor ideia sobre a importância do desporto no "desconfinamento" cada vez mais urgente da sociedade. Como há uma semana aqui assinalei, futebol sem público é futebol moribundo a curto prazo. Porque os clubes vivem de receitas - e as receitas de lugares nas bancadas, associadas à compra de adereços desportivos em complemento aos espectáculos, é fundamental para a sobrevivência de todas as agremiações desportivas que põem centenas de milhares de portugueses a fazer exercício físico. Porque uma sociedade onde não se pratica desporto é uma sociedade doente.

 

Não compreender isto é nada compreender de essencial. Noutras circunstâncias, eu aconselharia Graça Freitas a aconselhar-se com o secretário de Estado do Desporto. Mas não o faço porque João Paulo Rebelo já demonstrou ser tão insensível e tão ignorante na matéria como ela. Só isso explica que, numa recente entrevista, este governante tenha desvalorizado o facto de largos milhares de jovens continuarem impedidos de treinar ou competir sem restrições, dando-se até ao luxo de fazer uma graçola com a brutal quebra de receitas das agremiações desportivas: «Não temos conhecimento de nenhum clube que tenha fechado portas.»

Seria simplesmente ridículo se não fosse grave.

 

Uma directora-geral que mete estádios e discotecas no mesmo saco, um secretário de Estado totalmente alheado do dramático quotidiano do sector confiado à sua tutela: assim vamos, seis meses após a declaração da pandemia. De improviso em improviso, de disparate em disparate.

Chutado para canto

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As touradas mereceram aprovação: já se realizam há um par de meses.

Os espectáculos de humoristas foram aprovados: um deles até contou com a presença do primeiro-ministro numa noite e do Presidente da República na noite seguinte.

Os concertos recomeçaram. Um deles, numa curta série que ainda decorre, assinala o 75.º aniversário de Sérgio Godinho, orgulhoso sportinguista.

Reabriram teatros e cinemas.

As viagens de avião receberam luz verde. Mesmo em aparelhos lotados, durante horas e em espaço fechado, sem a menor hipótese de ali haver distância física (a que uns quantos imbecis ainda chamam "distanciamento social", absurda expressão concebida por alguém sem a menor ideia do que significa o adjectivo social).

 

Os restaurantes voltaram a receber clientes, embora em mesas um pouco mais afastadas do que antes - algo que já devia ter ocorrido, com vírus ou sem virus, pois em certos lugares bastava estendermos um braço para tocarmos na mesa ao lado.

Os hotéis puderam reabrir - alguns gabam-se até de ter lotação esgotada, praticando preços em consonância.

As praias voltaram a encher-se, excepto aquelas que nunca enchem. E são bastantes, felizmente, ao longo da nossa costa, com mais de mil quilómetros de zonas balneares.

O Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, vai receber entre 23 e 25 de Outubro o Grande Prémio de Portugal, que marca o regresso da fórmula 1 ao nosso país. Com público a assistir, obviamente.

As manifestações políticas - que implicam ajuntamentos, muita proximidade e bastante "calor humano" - puderam ir decorrendo, sem restrições e para todos os paladares: da CGTP, do Chega, dos anti-racistas e dos antifascistas. 

A Festa do Avante, devidamente autorizada apesar de decorrer na região do País que apresenta mais elevado risco sanitário, começa amanhã.

 

Tudo isto - e muito mais - com a devida chancela da Direcção-Geral da Saúde. Só o futebol continua a ser chutado para canto pelo respeitável organismo. Que acaba de anunciar novo adiamento da possibilidade de regresso dos espectadores aos estádios - mesmo num cenário de metade ou um terço da lotação. 

A 28 de Agosto, o recomeço das competições futebolísticas com público nas bancadas estava a ser «analisado e ponderado», segundo declarou a directora-geral, Graça Freitas. Ontem, a mesma responsável voltou a enrolar as palavras para anunciar que fica tudo como estava, aludindo ao regresso às aulas, como se uma coisa pudesse confundir-se com outra. Com esta extraordinária declaração, proferida em conferência de imprensa: «Não há nenhum preconceito com o futebol, mas temos de ver o contexto em que estamos. Temos de ver agora como acontece a retoma das aulas porque vai movimentar milhares de pessoas todos os dias, e como é o início do Outono e o início do Inverno no Hemisfério Sul.» 

Isto enquanto o inútil secretário de Estado do Desporto balbucia umas inanidades, afirmando-se confiante no regresso às competições nos escalões mais jovens, que têm estado inactivos. «O desporto é essencial para toda a sociedade», soletra o senhor, reencarnando La Palice. Enquanto cerca de 440 mil atletas federados treinam sabe-se lá como e há clubes e até federações em risco.

 

É preciso dizer isto sem rodeios: futebol sem público é futebol moribundo a curto prazo. Porque os clubes vivem de receitas - e as receitas de lugares nas bancadas, associadas à compra de adereços desportivos em complemento aos espectáculos, é fundamental para a sobrevivência de todas as agremiações desportivas. 

Não admira, por isso, que mesmo na rica e poderosa Alemanha os 36 clubes que integram as duas ligas de futebol profissional tenham convergido num plano para o regresso (moderado e condicionado) de espectadores aos estádios a partir do recomeço das competições, previsto para o próximo dia 18. Porque da sobrevivência dos clubes depende a sobrevivência do desporto. E uma sociedade sem desporto é uma sociedade doente.

A DGS devia saber isto melhor que ninguém.

Estádios, aviões e televisão

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2 de Maio:
O transporte aéreo de passageiros vai ser limitado a dois terços da lotação normalmente prevista para cada aeronave, definiu o Governo, em portaria no Diário da República.

21 de Maio:
A partir de 1 de Junho, o transporte aéreo vai deixar de ter um limite máximo de lotação, anunciou o Ministério das Infraestruturas.

 

Comecei por não entender. Agora, até julgo que entendo. E, por isso mesmo, fiquei irritado. Refiro-me ao duplo critério que o Governo tem vindo a adoptar, distinguindo o futebol de outras actividades.

Há dias, numa das suas conferências de imprensa quase diárias, a ministra da Saúde revelou-se muito firme na contínua recusa de jogos presenciados nos estádios. «Haver as habituais concentrações em determinados espaços, por ocasião das competições desportivas, é evidente que é algo que não vai poder acontecer da forma a que estávamos habituados a assistir», declarou Marta Temido.

Atalhando neste discurso cheio de rendilhados, isto significa que todos continuaremos proibidos de frequentar os estádios. Os jogos que faltam para completar a temporada 2019/2020 ocorrerão à porta fechada. E, aparentemente, não serão transmitidos pela televisão em sinal aberto. Duas espécies de encerramento, portanto.

 

Há aqui vários erros que convém denunciar desde já. Que imperiosa lógica sanitária leva o Governo a interditar em absoluto estádios com capacidade para largos milhares de lugares sentados, ao ar livre, enquanto acaba de dar o dito por não dito, autorizando que sejam retomadas viagens aéreas - em cubículos estreitos, com ar rarefeito e onde as pessoas estão a centímetros umas das outras por vezes durante horas - sem qualquer limite máximo ao número de passageiros?

Alegam os decisores políticos que é vital proteger e revitalizar a aviação civil. Pois esta mesma lógica pode e deve aplicar-se à chamada indústria do futebol, que gera cerca de 80 mil postos de trabalho, directos e indirectos em Portugal e movimenta receitas que abrangem quase 1% do PIB nacional. 

É um absurdo manter as bancadas dos estádios vazias enquanto se enchem as cabinas dos aviões, em condições sanitárias de muito maior risco. Autorizar que pelo menos um terço dos lugares sentados nos estádios fossem preenchidos - nomeadamente pelos sócios que pagaram lugares de época - seria uma opção razoável. Tanto mais que o Governo - contrariando outra intenção inicial expressa em sinal oposto - acaba de dar luz verde à utilização de 14 estádios para disputar os jogos que faltam. Na prática, só não jogará em campo próprio quem não quiser.

 

Ao contrário do que sustenta a ministra da Saúde, as concentrações de maior risco a pretexto do futebol não ocorrerão junto aos estádios, mas longe deles. Em locais públicos e numa infinidade de reuniões privadas onde irá aglomerar-se muita gente, em todos os recantos do País, para assistir aos jogos caso se mantenha a intenção de que estes só sejam exibidos em canais codificados, nada acessíveis ao actual rendimento médio dos portugueses.

E é por isto que não entendo, de todo, o sururu criado em torno de Pedro Proença, só porque o presidente da Liga se atreveu a sugerir, em carta ao Presidente da República, a intervenção do poder político para que as partidas de futebol remanescentes possam ser exibidas em canais abertos, com a devia compensação financeira proporcionada com verbas públicas aos operadores televisivos.

Caiu o Carmo e a Trindade quando afinal Proença estava cheio de razão. Como o futuro próximo demonstrará.

Dois pesos, duas medidas

Como ontem acentuava aqui o João Goulão, é inaceitável que duas ligas de futebol profissional sejam tratadas de forma antagónica pelo poder político e pelas autoridades federativas. Em nome de que critério de equidade o modelo que serve para a Liga 1 (realização das jornadas em falta até à conclusão da época desportiva 2019/2020) é oposto ao modelo adoptado para a Liga 2 (conclusão imediata da competição, sem apuramento de vencedor)?

Entre os efeitos secundários da pandemia em curso no capítulo do desporto, o mais intolerável será o aprofundamento das chocantes assimetrias já existentes no futebol português - o que parece indiciar-se, desde logo, pelo facto de apenas representantes de três clubes terem sido admitidos na selecta reunião realizada há dias no palacete de São Bento para definir os passos mais urgentes a dar na modalidade. Que o Sporting tenha sido um desses três clubes não é motivo para silenciarmos a indignação.

Irão passar a jogar de máscara?

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Há coisas que custam a entender. Uma delas foi o anúncio, feito ontem pelo Governo, do regresso (sem espectadores) das competições referentes à primeira liga a partir do último fim de semana do mês que agora começa. É uma excepção dentro da excepção, pois os campeonatos das restantes modalidades colectivas (andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins, voleibol) já tinham sido declarados concluídos por via administrativa, sem haver campeão designado. Se esta disparidade já era digna de suscitar críticas, maior contestação deve merecer o duplo critério reservado ao futebol profissional: as regras agora anunciadas aplicam-se apenas ao primeiro escalão e não ao segundo.

Em nome de que equidade desportiva?

 

O mais incompreensível, para mim, é que este anúncio seja divulgado no mesmo pacote de medidas que reforçam as acções profilácticas no combate ao coronavírus.

Faz algum sentido decretar-se o uso obrigatório de máscaras no comércio, nos transportes públicos e em muitos locais de trabalho para prevenir a expansão da pandemia e autorizar-se em simultâneo o regresso da principal competição de futebol, desporto de permanente contacto físico e sem possibilidade de imposição de regras de "distanciamento social", desde logo nos balneários?

Antecipo a resposta: não, não faz.

Que exemplo dá o futebol à sociedade, com o beneplácito do Governo? Antecipo também a resposta: um péssimo exemplo. A menos, claro, que os futebolistas passem a jogar de máscara. 

 

ADENDA - Recordo que em França, na Holanda e na Bélgica o futebol profissional terminou antes de concluído o calendário previsto para as competições. E a Itália prepara-se para seguir o mesmo rumo, enquanto a Juventus antecipa que renunciará ao título sem mais jornadas disputadas em campo.

O lugar certo do Sporting

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O lugar certo do nosso clube só pode ser este, com Frederico Varandas ou seja com quem for, a defesa dos interesses do clube e do futebol profissional em Portugal, em frente ao poder político e desportivo, Governo, Liga e Federação, e num plano de igualdade com os outros dois grandes clubes portugueses.

A postura de desafio e hostilização permanente dos poderes instituídos nacionais e internacionais, com ou sem razão, não leva a lado nenhum, porque o Sporting não joga sozinho, não é dono da bola, se não gosta do que acontece não pode pegar nela e levá-la para casa, e no fim do dia são eles que mandam e o Sporting é prejudicado nas decisões, fora e dentro do campo. 

Há muitos anos que o Sporting por incapacidade, espírito de superioridade ou outra coisa qualquer foi deixando de ter peso nos poderes desportivos em Portugal e consequentente na arbitragem, peso esse que foi sendo ganho primeiro pelo Porto (o "sistema" denunciado por Dias da Cunha) e depois pelo Benfica (o "polvo vermelho") das mais variadas forma e algumas mesmo mafiosas. Ora isso teve reflexo óbvio no rendimento desportivo e também na relação com o poder político, um "cata-vento" sempre alinhado com os vencedores.

Ultimamente vimos a dificuldade que Frederico Varandas encontrou para ser ouvido pelo ministro para tratar do problema das claques. Se fosse o presidente do Benfica, o ministro viria a correr, sendo o do Sporting o problema era... do Sporting.

Mas também temos de nos lembrar que antes disso a última vez que o poder político tinha chamado o Sporting para intervir perante si, descontando as recepções pelas vitórias nacionais e europeias alcançadas na época passada, no caso na Assembleia da República a 3/4/2018, foi brindado por uma intervenção grosseira e infeliz do ex-presidente, sob um olhar envergonhado do Nuno Saraiva que não sabia em que buraco se havia de enfiar, e que terminou da forma mal-educada que conhecem: https://www.youtube.com/watch?v=tUiTwID32YA. 

Respeitar e ser respeitado. É isso que tem sempre de acontecer com o Sporting Clube de Portugal.

SL

Fraco com os que parecem fortes

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O mesmo membro do Governo que foi incapaz de uma palavra de conteúdo pedagógico para se demarcar da grosseria que testemunhou, a um metro de distância, na tribuna de honra do Estádio Nacional, recolhendo-se a um pesado silêncio como se não tivesse observado uma triste cena que o País inteiro acompanhou em directo pela televisão, apressou-se agora a comentar algo que não presenciou: os assobios de três ou quatro energúmenos anónimos, de noite, junto a uma instalação hoteleira de Espinho, dirigidos à viatura em que seguia João Félix, jogador do Benfica convocado para a equipa das quinas. 

«O comportamento imbecil de um, dois ou meia dúzia de indivíduos não representam[sic] o apoio absolutamente hegemónico que o país dá aos nossos jogadores», diz agora o secretário de Estado. Insurgindo-se "corajosamente" contra gente sem nome nem rosto, talvez insatisfeita porque o jogador não parou para conceder autógrafos nem se deixou fotografar à entrada do hotel. 

Não direi que o secretário de Estado teve um comportamento imbecil. Mas não posso deixar de assinalar o chocante contraste entre a passividade que revelou no primeiro caso e o protagonismo que se apressou a assumir no outro.

Forte com os que parecem fracos, fraco com os que parecem fortes.

Está no Governo a fazer o quê?

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Passaram quatro dias. Ainda não se ouviu um sussurro do responsável governamental. Refiro-me ao secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, que se encontrava ao lado esquerdo de Frederico Varandas, na tribuna do Estádio Nacional, quando o treinador do FC Porto, num inadmissível gesto de lesa-desportivismo, se recusou a cumprimentar o presidente do Conselho Directivo do Sporting. Um acto totalmente condenável não apenas do ponto de vista da ética desportiva mas também do mais elementar civismo. Além de constituir um péssimo exemplo para todos os jovens que se interessam por desporto. Até porque o técnico em causa, naquele momento, não estava ali a título pessoal: representava esse respeitável clube desportivo que é o Futebol Clube do Porto.

Passaram quatro dias e nem um sussurro se ouviu da parte do referido governante, que foi testemunha directa do sucedido mas preferiu imitar o gesto de Pilatos, fazendo de conta que não era nada com ele. Perdendo assim uma ocasião única de fazer pedagogia desportiva e de incutir valores cívicos na juventude que ornamenta o seu cargo governativo. Se é incapaz de tomar uma atitude num momento destes, impõe-se a pergunta: afinal este senhor está no Governo a fazer o quê?

 

P. S. - Ao lado direito de Varandas encontrava-se o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. Tudo quanto escrevi acima sobre o seu secretário de Estado, até por maioria de razão, aplica-se também a ele.

Sim, sr. primeiro-ministro

Quando houver mais uma morte, esperamos todos que continue a "apreciar o futebol dentro das quatro linhas".

Que o seu secretário de estado do desporto (e da juventude) seja uma nódoa, um tipo ao nível de um Ventura, a gente prontos, até chupa, mas que o primeiro-ministro de Portugal, o senhor que pontifica no camarote do estadista que está indiciado por uma série de crimes, se esteja cagando para o que se passa no futebol português, é grave. Muito grave.

Aconselhava-lhe que arrepiasse caminho. Antes que o futebol, também, pegue fogo. Antes da próxima vítima mortal.

Diz que é do clima

Veio aí o sô ministro da educação cagar sentença de que a culpa da violência no desporto em geral e no futebol em particular, era do clima de crispação entre os agentes desportivos (palavra de sete mil e quinhentos para clubes e dirigentes). O clima realmente tem andado algo estranho, é verdade, mas não o vejo culpado da pouca vergonha que grassa no desporto, dos favores a troco de benesses, da impunidade para alguns.

Sô ministro, permito-me discordar, não leve a mal vo'cência. Aqui só p'rá gente, não será a culpa de quem não corta o mal pela raíz? De quem tolera linguagem inadequada? De quem não pune actos de vandalismo? De quem não pune a compra de juízes? De quem assobia para o ar quando o assunto são claques ilegais? De quem deixa passar em claro agressões? De quem olha para o lado quando o assunto é MORTE?

Só falta virem para aí uns seus subordinadozecos, tipo o gajo do IPDJ, dizer que a culpa é do presidente do Sporting. Afinal, de hipocrisia estão bem servidos, lembra-se de o Sporting ter sido punido por ter deixado entrar as claques do Benfica em Alvalade? Por serem ilegais, veja bem. Mas esqueceu-se de punir o Benfica, coisa assaz estranha. Ou não...

Ó sô ministro, se veio abrir a boca para isto, tome este conselho de borla: Finja que vai cagar e desapareça!

Dois pesos

Diz que o Madureira mandou umas bocas num jogo qualquer, sobre a tragédia da Chapecoense. Foi impedido de entrar em recintos desportivos por seis meses. Acho justo, a confirmar-se a acusação.

Já acho alguma estranheza às declarações dum senhor de óculos, de cara abolachada, que está ocupando por ora o lugar de secretário de estado do desporto: "O IPDJ é simplesmente a instituição e a entidade em Portugal a quem cabe aplicar sanções dentro do quadro legal, na sequência de autos que são levantados pelas forças de segurança. Relativamente a esse caso, o que tenho a dizer é que se trata do normal funcionamento das instituições". Ora eu recordo-me de mais de três dezenas de autos levantados a um certo clube e aos seus "grupos organizados de adeptos", inclusive pelo assassinato de dois adeptos do Sporting, e não vi até agora "o normal funcionamento das instituições", nomeadamente o IPDJ.

Mas pronto, aqui no blog temos um belo cadeirão e eu vou esperar.

Então e que dizer de um tal Miguel Lucas Pires, árbitro no Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), que pediu cinco bilhetes para o jogo Benfica-Marítimo referente à época passada, disputado a 14 de abril de 2017?

A coisa até nem seria grave, não seria séria, mas não seria grave, pronto, se o tal de Miguel Lucas Pires o árbitro do TAD, não tivesse sido indicado pelo Benfica em alguns processos que tiveram lugar naquele tribunal, nomeadamente o caso dos vouchers. "O normal funcionamento das instituições", diria o tal senhor de óculos e cara abolachada.

 

Depois criticam o presidente por dizer que juntar "Benfica e vergonha" na mesma frase não casa...

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