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És a nossa Fé!

Os melhores golos do Sporting (29) - A

Alda Teles na sua escolha sobre os melhores golos do Sporting, refere aqueles que Peyroteo marcou contra o Leça num jogo ocorrido a 22 de Fevereiro de 1942.

Lamenta-se o Pedro Correia, no comentário que deixou, «não haver registo filmado desses golos».

Numa ida a uma biblioteca pública lembrei-me de solicitar a leitura de um jornal da época para ver o que sobre esse jogo foi escrito. Deixo aqui a transcrição.

 

Para a Alda e para o Pedro.

 

"No Lumiar

Os «Leões» esmagaram o adversário e fizeram goals para todos os paladares: Sporting, 14 – Leça, 0.

 

O sacrifício dos clubes de menos valor, ante o Sporting, continuou ontem com o Leça… 14 goals sem resposta – e é tudo quanto haveria a dizer do desnível entre algumas equipas que concorrem à prova e, mais concretamente, da diferença entre o Sporting e os de Leça da Palmeira.

Peyroteo o magnífico avançado-centro da equipa nacional, fêz só por si nove «goals» - para todos os gostos. Refastelou-se com o 2.º, 3.º, 4.º, 6.º, 7.º, 8.º, 9.º, 12.º e 14.º ou seja, quatro no primeiro tempo e cinco no segundo.

Que dizer, repetimos, desta avalanche de «goals»?

É na verdade difícil segurar os avançados leoninos, a jogar em campo largo, com os recursos técnicos de que dispõem e poder de remate que supera de longe os de qualquer outra equipa. É difícil, na verdade. Mas é incontroverso que o volume dos resultados conseguidos pelo Sporting ante certas equipas só é possível porque êsses mesmos adversários estão longíssimo de poderem corresponder ao esfôrço que lhes exige um prova dura como é o Campeonato Nacional, e longíssimo, também, do valor necessário a tal emprêsa.

O Leça e está precisamente nestes casos. É possível que a equipa valha alguma coisa no pequeno campo que possue na linda vila que lhe dá o nome e que suba mais ainda quando o grupo dos seus adeptos a acarinhe e ampare. Mas – só isso. A jogar fora de casa, contra as equipas mais qualificadas, há-de sofrer resultados esmagadores ou, quando não os sofra, terá que levantar as mãos aos Céus…

Equipa atlèticamente bem constituída – talvez a mais forte depois da dos campeões – joga, contudo, o futebol embrionário que fêz as delícias da nossa gente há uns bons vinte anos.

Em tôda a tarde, a equipa não desenhou um ataque em forma, qure [sic] dizer, nem uma única vez conseguiu fazer perigar as rêdes de Azevedo. Pode até dizer-se, sem faltar à verdae, que o resultado seria igual se Azevedo lá não estivesse.

Claro – desta forma o Sporting não teve a mais ligeira preocupação. Para tudo ainda ser mais fácil, fêz o seu primeiro «goal» ao primeiro minuto e levou a mesma vida descansada e a fazer «goals» até ao último minuto de jôgo. Peyroteo, como dissemos, fêz nove dos catorze tentos. Soeiro, fêz dois (o 1.º e o 5.º); Daniel, de recarga, também molhou a sôpa (10.º); Canário, fêz outro o (11.º) e, finalmente o defesa Cardoso, à falta de outro trabalho que lhe exigisse, fêz o penúltimo da série.

O ataque sportinguista foi, como não podia deixar de ser, a formação mais em evidência no terreno. Ante um adversário temeroso do seu grande nome, os dianteiros leoninos embrulharam constantemente a defesa dos visitantes sem que fôsse necessário grandes pressas e grande esfôrço. Jogaram com tôda a naturalidade – e bem. Mourão e Cruz foram, a nosso ver, os melhores, logo seguidos de Canário. Peyroteo fêz nove «goals» - muito mais, portanto, do que era sua obrigação.

Os médios acompanharam de perto o ataque e deram jôgo jogável, constantemente. Daniel vai-se afirmando dia a dia o jogador que a equipa precisava. Paciência e Marques, bem.

Os defesas e Azevedo – descansaram.

O Leça foi inferior – talvez, mesmo inferior a si próprio. Jaguaré, na balisa [sic], foi impontente para evitar a mais severa derrota que o grupo terá obtido até hoje.

Os restantes nada fizeram que mereça referência.

 

Os «teams» alinharam:

Sporting: Azevedo; Rui e Cardoso; Paciência, Daniel e Marques; Mourão, Soeiro, Peyroteo, Canário e Cruz.

Leça: Jaguaré; Godinho e Waldemar; Juca, Elísio e Rocha Lino; Chelas, Nini, Lúcio, Quecas e Joaquim.

Arbitrou o sr. Palma Soeiro – com pouca felicidade.”

 

In. STADIUM, n.º 513, 23 de Fevereiro de 1942. p. 5.

 

--

 

Ilustra esta peça jornalística uma fotografia com a seguinte legenda: “SPORTING – LEÇA – Mais um «goal» do Sporting, o 6.º, obtido por Peyroteo sôbre passe de Cruz…”

Nesta foto podemos observar um jogador do Leça em plano de fundo vestido «à Sporting» enquanto Peyroteo, sendo a foto - naturalmente - a preto e branco, aparece com um camisola em tons de cinza - presumo verde, calções e meias pretas.

Rescaldo do jogo de hoje

Portimonense - Sporting[1].jpg

 

 

Gostei

 

 

Do triunfo indiscutível do Sporting esta tarde em Portimão. Vitória concludente da nossa equipa num estádio sempre difícil. Vencemos a turma da casa por 3-1, com dois golos de Raphinha e um de Luiz Phellype - ambos em estreia a rematar com êxito às redes adversárias nesta Liga 2019/2020. Sem discussão, foi até agora a melhor exibição leonina nesta temporada.

 

Do excelente arranque leonino. A partida não podia ter começado melhor para as nossas cores. Aos 5' já vencíamos por 2-0 em consequência do dinâmico futebol de ataque desenvolvido pelo Sporting, claramente apostado em sair de Portimão com os três pontos. Chegou a pairar a sensação de que poderia registar-se uma goleada. Embora a equipa da casa tenha conseguido gerar equilíbrios no centro do terreno por volta da meia hora, a verdade é que praticamente teve escassas hipóteses de marcar. E só conseguiu marcar de penálti, aos 9'.

 

De Raphinha. Voto nele como o melhor em campo. Por ter bisado, desde logo, sendo a partir de agora o marcador mais destacado da nossa equipa. Mas sobretudo pela qualidade dos golos que marcou. Merece especial destaque o primeiro, com um remate muito forte desferido do bico da área, em arco, sem defesa possível para o guardião adversário. O segundo também justifica aplauso, pela impecável recepção a um passe longo de Bruno Fernandes, metendo-a lá dentro sem a deixar bater no chão - ainda por cima com o seu pior pé, que é o direito. Participou sem egoísmo no processo defensivo e podia ter marcado um terceiro golo ao isolar-se após soberbo passe de Vietto, aos 88', mas permitiu a intervenção do guarda-redes.

 

De Vietto. Exibição muito positiva do argentino contratado este Verão. Alternou com Bruno Fernandes entre a ala esquerda e o corredor central do nosso ataque, tendo ambos rubricado algumas das jogadas mais vistosas do desafio. O ex-Atlético de Madrid mostrou qualidades na leitura de jogo e na precisão de passe, com bom domínio de bola. Participou na construção dos três golos. E destacou-se a desenhar lances ofensivos para Bruno Fernandes (37' e 40') e Raphinha (88').

 

De Bruno Fernandes. Não tem apenas mérito individual: é também um caso muito sério enquanto jogador de equipa, como ficou demonstrado aos 5' quando, sem oposição na grande área, podia ter marcado mas preferiu oferecer o golo a Luiz Phellype, que se limitou a encostar o pé esquerdo, empurrando a bola para a baliza. Já tinha sido dele a assistência para o golo de Raphinha. E quase marcou, ele também, num "chapéu" aos 37' salvo in extremis por um defesa, com o guarda-redes já batido.

 

De Thierry. Boa exibição do jovem lateral direito, que confirmou a sua vocação para o futebol de ataque sem comprometer na dinâmica defensiva. Foi à frente cruzar bem. Destacou-se a lançar Bruno Fernandes aos 19'. Está a lutar pela titularidade na equipa principal após ter sido campeão europeu sub-17 e sub-19. Merece que o técnico continue a apostar nele.

 

Da ausência de Diaby. Não fez falta nenhuma.

 

Da nossa vingança. No campeonato 2018/2019 saímos derrotados de Portimão, por 2-4 - um desfecho que apressou a saída do treinador José Peseiro. É verdade que o Portimonense já não conta com o seu protagonista dessa partida, Nakajima, entretanto transferido para o FC Porto. Mas a desforra concretizou-se. E soube muito bem.

 

Do excelente relvado. Os bons espectáculos de futebol dependem em larga medida das condições proporcionadas pelos clubes aos profissionais deste desporto que apaixona multidões. O emblema de Portimão merece parabéns pela qualidade do seu tapete verde, que valorizou a circulação da bola e o desempenho dos jogadores.

 

Da inesperada subida ao primeiro lugar. No momento em que escrevo estas linhas, o Sporting acaba de ascender ao comando do campeonato, aproveitando os três pontos perdidos pelo anterior líder, o Benfica, ontem derrotado em sua casa pelo FC Porto. Na próxima jornada vamos receber o Rio Ave. Com a esperança de nos mantermos lá em cima.

 

 

 

Não gostei

 
 

Do golo que sofremos aos 9'. O Portimonense só foi capaz de marcar devido a uma grande penalidade que nasce de uma falta cometida sem necessidade por Mathieu em lance que estava controlado pelo nosso bloco defensivo. Renan, na linha de baliza, ainda chegou a tocar na bola, mas foi incapaz de detê-la devido à força do remate.

 

Do penálti que Carlos Xistra não assinalou. Luiz Phellype foi carregado claramente à margem da lei, aos 10', dentro da grande área. Espantosamente, o árbitro Xistra mandou marcar fora, ordenando livre directo. Alertado pelo VAR, Vasco Santos, reconsiderou. Alertado no entanto novamente pelo VAR, anulou tudo - por uma putativa falta de Thierry que não existiu. E, mesmo que existisse, teria sido cometida muito antes do lance em análise, com posterior posse de bola do Portimonense. Erro grosseiro, com dupla autoria. De Xistra e do vídeo-árbitro.

 

De Wendel. Remetido para uma posição mais recuada, em duplo pivô defensivo praticamente em linha com Idrissa Doumbia, o brasileiro esteve hoje muito longe do fulgor revelado há uma semana, em Alvalade, frente ao Braga. Rende claramente mais quando avança no terreno. É um desperdício confiar uma tarefa muito posicional a um jogador com os seus dotes criativos.

 

Que Keizer não tivesse esgotado as substituições. Vencíamos por 3-1 e vários jogadores davam sinais evidentes de extrema fadiga, mas o treinador só mexeu na equipa aos 79', trocando Wendel por Eduardo. Viria ainda a meter em jogo Borja, aos 87', por troca com Acuña. Podia - e talvez devesse - ter feito a terceira alteração de que acabou por prescindir.

 

De ver Plata e Camacho só no banco. Havia natural curiosidade em ver estes dois reforços mostrarem finalmente o que valem neste campeonato, ainda que jogando apenas alguns minutos. Mas ainda não foi desta.

Balanço (34)

Golos marcados pelos jogadores do Sporting na Liga 2018/19:

 

Bruno Fernandes: 20

(Moreirense, Marítimo, Boavista, Rio Ave, Nacional, Nacional, Moreirense, Benfica, Feirense, Feirense, Braga, Braga, Portimonense, Boavista, Rio Ave, Aves, Belenenses  SAD, Belenenses SAD, Belenenses SAD, Tondela)

Bas Dost: 15

(Moreirense, Moreirense, Santa Clara, Chaves, Chaves, Rio Ave, Aves, Aves, Nacional, Nacional, V, Setúbal, Benfica, Braga, Braga, Belenenses SAD)

Luiz Phellype: 8

(Chaves, Chaves, Rio Ave, Aves, Nacional, V. Guimarães, Belenenses SAD, FC Porto)

Nani: 7

(V. Setúbal, V. Setúbal, Benfica, Boavista, Boavista, Aves, Moreirense)

Raphinha: 4

(Portimonense, Santa Clara, V. Guimarães, Belenenses SAD)

Mathieu: 3

(Nacional, Tondela, Aves)

Montero: 2

(Marítimo, Portimonense)

Jovane: 2

(Feirense, Rio Ave)

Diaby: 2

(Aves, Portimonense)

Coates: 1

(Portimonense)

Acuña: 1

(Santa Clara)

Miguel Luís: 1

(Belenenses)

Bruno Gaspar: 1

(Belenenses SAD)

Wendel: 1

(Rio Ave)

Idrissa Doumbia: 1

(Belenenses SAD)

Gudelj: 1

(Belenenses SAD)

Houve ainda um autogolo do Feirense em Santa Maria da Feira e outro do Boavista no Bessa.

 

Na época 2014/15, os melhores marcadores foram Slimani, Montero e Adrien.

Na época 2015/16, os melhores marcadores foram Slimani, Teo Gutiérrez, Adrien e Bryan Ruiz.

Na época 2016/17, os melhores marcadores foram Bas Dost, Alan Ruiz e Gelson Martins.

Na época 2017/18, os melhores marcadores foram Bas Dost, Bruno Fernandes e Gelson Martins.

Balanço (33)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - V

 

Wendel, no Feirense-Sporting

(16 de Janeiro de 2019)

 

Quartos-de-final da Taça de Portugal, em Santa Maria da Feira. Wendel pegou na bola no meio-campo, progrediu com ela dominada no corredor esquerdo, afastou um defesa e rematou bem colocado, numa zona mais central, fazendo a bola seguir uma trajectória indefensável para o guarda-redes adversário, ligeiramente adiantado. Um belo golo do jovem médio brasileiro, que assim consolidava a sua posição como elemento do onze titular leonino.

Balanço (32)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - IV

 

Bruno Fernandes, no Benfica-Sporting

(6 de Fevereiro de 2019)

 

Bruno Fernandes foi decisivo nesta primeira mão da meia-final da Taça de Portugal. Perdida por 1-2 na Luz, mas com o golo do nosso n.º 8 a revelar-se vital para a reviravolta verificada no embate posterior, em Alvalade, que nos abriu caminho para a conquista do ambicionado troféu. Já bastaria isto para torná-lo especial, mas foi um belíssimo golo, marcado de livre, a 30 metros das redes. Um tiraço do capitão leonino, sem defesa possível para o guarda-redes Svilar, dirigido ao canto superior mais distante da baliza. O livre nasceu de uma falta sobre o próprio Bruno, de longe o melhor em campo neste clássico.

Balanço (31)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - III

 

Bruno Fernandes, no Sporting-Benfica

(3 de Abril de 2019)

 

Um golaço. Que ajudou a desfazer o nó frente aos nossos mais velhos rivais na meia-final da Taça de Portugal. Bruno Fernandes recebe a bola na ponta direita, liberta-se de marcação pregando um defesa adversário no chão e serve-se do pé esquerdo para um potente remate, sem defesa possível para o guardião encarnado, Svilar. Foi a nossa primeira vitória frente ao Benfica em futebol profissional desde 15 de Novembro de 2015. Seguimos em frente na competição, que viríamos a vencer. Graças a este grande golo do nosso capitão, iniciado com uma recuperação de bola que ele próprio protagonizou.

Balanço (30)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - II

 

Jovane, no Rio Ave-Sporting 

(3 de Dezembro de 2018)

 

Lance de insistência do ataque leonino. A bola ressalta para Bruno Fernandes no corredor central. O médio criativo resiste à tentação de disparar, face à muralha que tem na frente: simula o remate mas toca para a direita, onde aparece Jovane, livre de marcação junto ao ângulo da grande área. Com o pior pé, o esquerdo, o jovem luso-caboverdiano desfere um potente remate que leva a bola a desenhar uma ogiva e a anichar-se ao canto superior direito da baliza. Selava-se a nossa vitória (3-1): três prontos trazidos de Vila do Conde.

Balanço (29)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - I

 

Bruno Fernandes, no Feirense-Sporting 

(29 de Dezembro de 2018)

 

Um grande golo com apenas dois toques. Começa num soberbo passe de Coates que percorre 50 metros sobrevoando todos os jogadores de campo da equipa adversária para servir Bruno Fernandes lá à frente. O nosso médio criativo, numa inegável demonstração de virtuosismo técnico, deixa a bola bater uma só vez na relva e, vendo o guarda-redes de Santa Maria da Feira adiantado, dispara-a em arco, num ângulo indefensável. Foi o segundo da nossa goleada por 4-1, para a Taça da Liga.

Eusébio e Ronaldo

É quem mais lhes dói, o Cristiano Ronaldo.
Saiu do Sporting para o Manchester, o Real Madrid, a Juventus.
São encarnados, mas ficam verdes. De inveja.

Com Eusébio foi muito diferente: saiu do Benfica para andar a arrastar-se em clubes quase desconhecidos do Canadá, México e EUA. Terminou a carreira no União de Tomar. O clube lampiânico nunca mais o quis de volta.


Ronaldo - que na fase final da Liga das Nações marcou mais três golos pela selecção, onde já soma 88, mais 41 do que Eusébio - voltará a jogar pelo Sporting, nem que seja aos 40 anos. Com o aplauso unânime dos sportinguistas.

Esta é outra diferença. Enorme.

 

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Manobras de diversão

O crucial não é discutir se houve ou não penálti a favor do Rio Ave. O crucial seria discutir o evidente fora-de-jogo de João Félix no segundo golo do Benfica.

 

O vídeo-árbitro funcionou como manobra de diversão. Ora vejamos a sequência: há uma jogada polémica na grande área do Benfica, o árbitro deixa seguir e, logo depois, o Benfica marca um golo em fora-de-jogo. Aí, o árbitro manda interromper o jogo para que se possa consultar o vídeo-árbitro. Pensei que ele queria examinar o lance do golo. Mas não! Ele quis clarificar a jogada anterior!

 

Na verdade, a jogada é dúbia. Mesmo com a repetição das imagens, é difícil de dizer se realmente o penálti se justificaria, por isso, não se pode verdadeiramente censurar o árbitro por não o ter assinalado. Mas não era isso que importava a Hugo Miguel. Importou, sim, desviar as atenções de um golo marcado de forma irregular.

 

A discussão à volta da existência, ou não, da grande penalidade é outra manobra de diversão, alimentada pelos media, a desviar do essencial.

Achtung Baby

Na época da graça de 2013/2014, depois de uma entrada de leão, o artilheiro-mor leonino, Fredy Montero, iniciou uma agonizante travessia do deserto, isto é, uma prolongada seca de golos. O início desse período coincidiu com o nascimento da sua filha.

Colega de trabalho, leão dos sete costados, pai de 3 filhos, num dos nossos inúmeros concílios sobre o estado do leão, avançava o seu veredicto: a crise de confiança de Montero com os golos deve-se à falta de sono, própria de quem acaba de ser pai e que, inevitavelmente, acaba por ter reflexo no resto.

Na altura achei um tanto ou quanto estapafúrdia a tese, mas anos depois, tendo eu próprio estreado nessas lides da parentalidade, acabei por entender, e muito bem, o que queria dizer o meu colega.

Ora, tudo isto serve para chegar ao seguinte ponto: Bas Dost, nosso artilheiro-mor, também se estreou há poucos meses no papel de "pai" e, curiosamente, vive nesta altura a pior fase da sua carreira.

Não deixa de ser sintomático que as crises de golo de Montero e Bas Dost ocorram, precisamente, pouco tempo depois de terem sido pais.

Se acham que esta possível explicação para o divórcio de Bas Dost com os golos é absurda, sugiro-vos então reverem o Alta Definição que teve como convidado Jorge Jesus, em que o então ainda treinador do Sporting abordava essa questão, nomeadamente, dizendo que o jogador precisa de descansar muito bem para os treinos e que o cuidado dos filhos bebés ou ainda muito pequenos tem de ser deixado para a mulher ou família. 

Vale o que vale, mas esta tese não deixa de dar que pensar...

Do vício de ir ao estádio. Golos precisam-se.

Esta época já estive apreensiva, esperançosa, animada qb com os infelizmente breves momentos de keizerball, apreensiva novamente, para voltar a estar mais triste que outra coisa qualquer. No estádio tudo foi triste na quinta, tudo.

Mesmo assim, amanhã não saberia estar noutro lado à hora do jogo. Não faz de mim mais nem menos que os outros, tenho o lugar pago e sei que estaria com o sentido no jogo estivesse onde estivesse. Não consigo não estar, nem quero. 

Sei que o futsal hoje já ganhou, fico contente, quero o Sporting sempre a ganhar. Por vezes vou ao pavilhão ver outra rapaziada das modalidades e admito que é muito diferente e mais feliz. Sente-se no público também. Mas é o futebol que me dói e vicia. Cada um vive o clube como vive.

Queria poder dizer lá para dentro - não me ouviriam, já sei - o que é para nós o clube, o jogo, o estádio, o verde às riscas. O leão rampante. Que não nos impressionam a nós que já vimos tantos outros por ali passarem, mas que são os nossos e é com eles que contamos e com quem queremos estar num só objectivo. Que sabemos reconhcer a raça, a eficácia, gostamos de ver bom futebol e é isso que esperamos época após época. O que é celebrar um golo do Sporting, que percebessem o que é um golo do Sporting para nós. Alguns o entenderão, quero acreditar que quase todos. Não tem a ver com profissionalismos e essa conversa formatada que se faz, isso já sabemos de cor nós também. É tudo muito diferente de há vinte anos, do jogo ao público, mas alguma coisa tem de passar para o lado de lá. 

Sou uma pessoa calada por natureza, vejo jogos quieta no meu lugar. Mas um golo faz-me levantar, gritar, aplaudir e urrar sem sequer pensar no assunto (tanto que celebrei efusivamente o belo golo de Raphinha, depois anulado, frente ao Moreirense. Mas enquanto não o foi, vibrei bastante). 

São golos que vos pedimos. 

2018 em balanço (9)

 

 

GOLO DO ANO

Felizmente não podemos queixar-nos da falta de muitos e bons golos em 2018. De tal maneira que o mais difícil é escolher só um. O meu critério foi seleccionar não apenas um golo bonito ou até magistral, mas que resultasse do esforço colectivo, da nossa organização ofensiva, desta imensa vontade de vencer que o Sporting de Frederico Varandas transporta consigo, sobretudo desde a contratação de Marcel Keizer.

Poderia ter elegido grandes golos de Bruno Fernandes e Nani, aliás já representados nesta antologia anual do És a Nossa Fé. Mas decidi seleccionar o golaço de Jovane que confirmou a nossa vitória por 3-1 contra o Rio Ave, a 3 de Dezembro, no estádio dos Arcos - um dos mais difíceis da Liga portuguesa, como bem sabemos. De tal modo que não ganhávamos lá desde 2004 por dois de diferença.

Escolhi este golo também porque 2018 foi o ano de Jovane, júnior da formação de Alcochete promovido ao primeiro escalão e estreado na equipa principal do Sporting, para o campeonato, durante o curto período em que José Peseiro comandou o plantel leonino. Keizer tem reiterado esta aposta, traduzida em resultados: Jovane continua a funcionar como uma espécie de talismã. Quando entra, geralmente a sorte vira-se a nosso favor.

Foi, uma vez mais, o que aconteceu aqui. O jovem caboverdiano entrou aos 69' e três minutos volvidos já estava a marcar este belíssimo golo, que vale a pena ver e rever. Corolário de uma jogada de insistência do onze leonino, inicialmente conduzida por Nani na ponta esquerda. A bola sobrou para Bruno Fernandes, autêntica inteligência em movimento, que numa fracção de segundo resistiu à tentação do remate, percebendo que o colega à direita estava solto de marcação, endossando-lhe a bola. Mal a recebeu, Jovane desferiu um potente remate com o pé esquerdo, sem tomar balanço, conduzindo a redondinha ao canto superior mais distante da baliza do Rio Ave: nenhuma guarda-redes seria capaz de travá-la.

Fez-nos vibrar de alegria. Com golos destes, o céu é o limite. Tudo se torna possível neste Sporting 2018/2019.

 

 

Golo do ano em 2012: Xandão, contra o Manchester City

 Golo do ano em 2013: Montero, contra a Fiorentina

Golo do ano em 2014: Nani, contra o Maribor

Golo do ano em 2015: Slimani, na final da Taça de Portugal

Golo do ano em 2016: Bruno César, contra o Real Madrid

Golo do ano em 2017: Bruno Fernandes, contra o V. Guimarães

Soma e segue

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Bas Dost leva 83 golos de Leão ao peito.

Na primeira época ao serviço do Sporting, em 2016/2017, marcou 36. Na temporada seguinte, 34. Esta época já contabiliza 13. Dá sorte, não azar.

Um dos melhores avançados de sempre na história do nosso clube.

 

ADENDA: com mais dois golos marcados hoje, ao Rio Ave, já vai em 15 nesta época. 85 no total.

Já cheira! – parte 2

Aproveitando a dica do André Fernandes Nobre, recordo Liedson neste texto (Correio Verde) do João Caetano Dias.

 

“Estava o resultado em 1-2, a favor dos leões, quando aconteceu o momento do jogo. Num rápido contra-ataque Liedson apareceu isolado em frente a Moretto, contorna-o e faz o 3-1 final.

Há jogadas de combinação magníficas, remates imparáveis, toques de génio, jogadas individuais que nunca se esquecem. Há golos que resolvem desafios, golos que nos fazem avançar em eliminatórias, golos que esvaziam a ansiedade e a adrenalina acumulada. Este golo de Liedson não tem nada disso. É apenas um bom golo, mas o que o faz especial passa-se atrás da baliza.

Nos painéis luminosos que circundam o rectângulo de jogo há publicidade dinâmica. Os CTT publicitam um novo produto. No momento em que Liedson contorna Moretto pode ler-se nos painéis "É só enviar". Liedson envia. E assim que a bola entra na baliza, no preciso momento em que cruza a linha de golo, o texto nos painéis muda para "Correio Verde". Melhor, só por encomenda.

(…)

No vídeo, a entrega de Liedson começa aos 3:05.”

 

 

Balanço (31)

Golos marcados pelos jogadores do Sporting na Liga 2017/18:

 

Bas Dost: 27

(V. Setúbal, V. Guimarães, V. Guimarães, Feirense, Chaves, Chaves, Chaves, Rio Ave, Braga, Belenenses, Boavista, Boavista, Portimonense, Marítimo, Marítimo, Marítimo, Aves, Aves, Aves, Tondela, Chaves, Chaves, Rio Ave, Paços de Ferreira, Belenenses, Boavista, Marítimo)

Bruno Fernandes: 11

(V. Guimarães, V. Guimarães, Estoril, Feirense, Tondela, Braga, Portimonense, V. Setúbal, Belenenses, Portimonense, Portimonense)

Gelson Martins: 8

(Aves, Aves, Estoril, Paços de Ferreira, Benfica, Moreirense, Rio Ave, Belenenses)

Acuña: 4

(Chaves, Chaves, Marítimo, Belenenses)

Mathieu: 2

(Tondela, V.Guimarães)

Coates: 2

(Feirense, Tondela)

Bryan Ruiz: 2

(Marítimo, Paços de Ferreira)

Adrien: 1

(V. Guimarães)

Battaglia: 1

(Paços de Ferreira)

Fábio Coentrão: 1

(Boavista)

William Carvalho: 1

(Feirense)

Montero: 1

(Feirense)

Rafael Leão: 1

(FC Porto)

 

Na época 2014/15, os melhores marcadores foram Slimani, Montero e Adrien.

Na época 2015/16, os melhores marcadores foram Slimani, Teo Gutiérrez, Adrien e Bryan Ruiz.

Na época 2016/17, os melhores marcadores foram Bas Dost, Alan Ruiz e Gelson Martins.

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