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És a nossa Fé!

Primeira goleada em tarde quente

Sporting, 4 - Portimonense, 0

Primeira goleada da época. Em nossa casa, num jogo quase de sentido único em que o Sporting foi a única equipa a ambicionar a vitória perante um Portimonense que até se encontra ainda à nossa frente na classificação e que, já treinado por Paulo Sérgio, na época passada impôs uma derrota ao Benfica na Luz.

O trio móvel delineado por Rúben Amorim para a nossa frente de ataque voltou a dar boas provas. Com Edwards, Trincão e Rochinha - titulares da linha avançada - em contínuas mudanças de posição que foram baralhando e desgastando a defesa adversária.

Pedro Gonçalves recuou, colocando-se um pouco à frente de Morita no meio-campo, com Ugarte a ficar no banco de início, já a pensar no confronto em casa com o Tottenham, na terça-feira, para a Liga dos Campeões. Também Porro (rendido por Esgaio) e Matheus Reis (dando lugar a Nuno Santos) ficara fora do onze titular.

 

Estes jogos pós-rondas europeias costumam causar-nos surpresas desagradáveis devido ao acrescido desgaste físico e anímico dos futebolistas.

Desta vez sucedeu ao contrário. A vitória em Frankfurt por 3-0, três dias antes, funcionou como tónico suplementar para jogadores como Trincão e Nuno Santos, que ontem em Alvalade voltaram a ter sucesso ao procurarem o caminho da baliza. Marcaram na Alemanha e marcaram cá - Trincão bisando, aos 7' e 41', Nuno fechando a contagem: selou a nossa primeira goleada da época, fixando o 4-0 final aos 76'.

Destaque também para Pedro Gonçalves, que fez duas posições. Começou a médio e aos 54', com a saída de Rochinha e a entrada de Ugarte, avançou para interior esquerdo, posição em que mais rende. Foi já dali que marcou o terceiro, aos 72'. Também ele justifica destaque. 

 

Elogio merecido igualmente para a nossa defesa, que já vai na terceira partida consecutiva sem sofrer golos. Amoreira (0-2), Frankfurt (0-3) e Alvalade nesta recepção ao Portimonense (4-0). Parece recuperada a solidez defensiva que tanto contribuiu para conquistarmos o campeonato nacional de futebol há 16 meses após 19 anos de jejum.

Isto apesar das alterações que o treinador se viu forçado a fazer neste sector. Primeiro trocando Gonçalo Inácio por Matheus Reis ao intervalo, depois designando Esgaio para central à direita, fazendo entrar Porro, quando Neto saiu por lesão. Problema acrescido para o técnico, pois St. Juste, o nosso outro central dextro de raiz, nem foi convocado pois lesionou-se contra o Eintracht.

 

Enfim, houve festa do futebol. Num jogo às 18 horas deste quente sábado de Verão, propiciando deslocações em família ao estádio, com a temperatura atmosférica a funcionar como aliciante suplementar. 

Um espectáculo desportivo que merecia ser presenciado ao vivo por mais do que os 29 mil que lá estivemos. Há certamente coisas a rever na organização destes jogos, até porque a curva norte e a curva sul apresentavam grandes clareiras. É necessário dar atenção a isto.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Voltou a exibir grande forma, na sequência do que já tinha demonstrado na partida da Liga dos Campeões. Fundamental para evitar o golo aos 24'.

Neto - Titular sem surpresa, face à ausência de St. Juste. Concentrado e atento às dobras a Esgaio. Alvo de uma falta dura, aos 48', teve de sair pouco depois.

Coates - A eficácia de sempre, como pêndulo da defesa. Desta vez arriscou pouco na saída com bola dominada. Tentou o golo de bola parada, ainda sem sucesso.

Gonçalo Inácio - Atravessa um momento de menor rendimento, revelando intranquilidade e errando passes. Amorim só contou com ele na primeira parte.

Esgaio - Titular como ala direito, deslocou-se para central a partir dos 54'. Cumpriu em ambas as funções, comprovando a sua utilidade no colectivo leonino.

Morita - Funcionou como verdadeiro pivô do nosso meio-campo, cabendo-lhe distribuir jogo e tapar linhas de passe aos de Portimão. Saiu aos 60', já a pensar no Tottenham.

Pedro Gonçalves - Começou a 8, com a missão de servir o trio dianteiro. Mas rende mais na frente. Foi já aí, aos 72', que fez o terceiro golo. E assistiu no quarto.

Nuno Santos - Anda muito motivado - isso nota-se no seu desempenho em campo. Criou desequilíbrios e tentou o golo, acabando por conseguir o quarto, aos 76'.

Edwards - Desta vez não marcou, mas participou nos lances que originaram os dois primeiros golos. É o mais imprevisível e crativo dos nossos avançados.

Rochinha - O menos exuberante do nosso trio da frente, mas revelando utilidade. Aos 41', fez um cruzamento letal assistindo Trincão no segundo golo.

Trincão - Jogou a partida inteira e parecia andar um pouco por toda a parte. O melhor em campo num jogo em que marcou dois e esteve quase a marcar outro (65').

Matheus Reis - Fez toda a segunda parte como central à esquerda, articulando bem com Nuno Santos. Sem necessidade de incursões ofensivas.

Porro - Esteve para ser poupado, mas acabou por entrar aos 54', com Neto lesionado. Dominou o corredor com a genica habitual. Assistiu Pedro Gonçalves no terceiro.

Ugarte - Substituiu Rochinha aos 54'. Entrou cheio de vontade de mostrar serviço e de procurar o golo. Quase o conseguiu, aos 65', com um disparo que raspou na barra.

Sotiris. Rendeu Morita aos 60'. Jogador dinâmico, com propensão ofensiva, voltou a demonstrar bom toque de bola e a impressionar as bancadas de Alvalade.

Paulinho. Após um mês de ausência na Liga, regressou entre aplausos, substituindo Edwards aos 60'. Precioso toque de calcanhar para Trincão aos 65'. Quase deu golo.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da goleada. Vencemos em casa o Portimonense, equipa que nunca é fácil - a tal ponto que na época passada derrotou o Benfica na Luz e deu-nos muita luta em Alvalade, numa partida que vencemos por 3-2. Desta vez houve triunfo folgado e categórico: 4-0. Terceiro seguido, na sequência das vitórias fora contra o Estoril (2-0) para o campeonato e contra o Eintracht Frankfurt (3-0) para a Liga dos Campeões. Primeira goleada da época. Aposto que não será a última.

 

De Trincão. Ainda há poucos dias as redes sociais eram inundadas de supostos adeptos a rasgarem de alto a baixo este jovem e talentoso jogador indicado por Rúben Amorim, não faltando quem garantisse que ele não poderia ser considerado reforço. Trincão, que já marcara na Alemanha, voltou a fazer o gosto ao pé neste embate contra os de Portimão. São dele os nossos dois primeiros golos - aos 7' e aos 41', movimentando-se dentro da área à ponta-de-lança. E esteve quase a fazer outro, aos 65', travado pelo defesa Pedrão na linha de baliza. Melhor em campo nesta tarde em que se estreou a marcar pelo Sporting para o campeonato.

 

De Edwards. É o novo herói leonino. Ontem, mais duas preciosas intervenções em lances cruciais - é ele a centrar na movimentação de que resulta o primeiro golo e a recuperar na jogada colectiva que gera o segundo. Vários pormenores de classe que o definem como futebolista de fino recorte técnico. Quase marcou, num forte disparo aos 45'+2, para defesa muito apertada do guarda-redes.

 

De Porro. Forçado a entrar devido à lesão de Neto que obrigou o treinador a mexer na defesa, agitou logo o jogo, como é seu timbre. Aos 64', grande centro para Paulinho. Aos 72', cruzou para Pedro Gonçalves fazer o terceiro, "as três tabelas" com Pedrão. Está em grande forma.

 

De Pedro Gonçalves. Amorim voltou a tirá-lo da linha da frente, fazendo-o recuar de início para a posição 8. Voltou a confirmar-se que este não é o lugar ideal para ele, longe da baliza. A melhor faceta do artilheiro da Liga 2020/2021 surgiu a partir do minuto 54, quando avançou na sequência da saída de Rochinha. O ataque leonino tornou-se ainda mais acutilante com o ex-Famalicão na posição que mais prefere, a de interior esquerdo. Foi dali que cabeceou com força, levando Pedrão a fazer autogolo, traindo o guarda-redes que veio de Portimão. E ainda assistiu no quarto golo.

 

De Morita. Está transformado num elemento pendular do nosso onze. Crucial no desenho dos lances de ataque. Quase todos passaram por ele, sobretudo no primeiro tempo. Rigor geométrico, precisão de passe, visão de jogo, domínio do corredor central.

 

Das poupanças iniciais feitas por Amorim. Já a pensar no confronto da próxima terça-feira para a Liga dos Campeões, na recepção ao Tottenham, o treinador fez entrar para o onze inicial Esgaio, Nuno Santos e Rochinha. Ficaram no banco Porro, Matheus Reis e Ugarte, que acabariam por ser lançados durante a partida. Jogo a jogo, sim. Mas doseando o esforço físico do plantel. Comprovando que temos soluções no banco.

 

Da atitude de Sotiris. O jovem reforço grego voltou a causar boa impressão, desta vez na estreia em Alvalade. Entrou aos 60', para substituir Morita (poupado a maior desgaste também a pensar no Tottenham) quando já vencíamos por 2-0, e mostrou acutilância e dinâmica na ligação do meio-campo ao ataque. É voluntarioso e tem bom toque de bola.

 

Do regresso de Paulinho. Há mais de um mês que o nosso avançado não jogava em Alvalade. Ontem entrou aos 60', rendendo Edwards, voltando a demonstrar requinte técnico (passe de calcanhar dentro da área para Trincão que quase resultou em golo aos 65') e boas movimentações em linha diagonal, tornando a equipa ainda mais difícil de marcar lá na frente. Falta-lhe o golo: ainda não foi desta vez.

 

Que não tivéssemos sofrido golos. Terceiro jogo seguido sem vermos tocadas as nossas redes, confiadas a um Adán que parece ter recuperado a sua melhor forma (defesa preciosa, aos 24', a remate cruzado de Gonçalo Costa com selo de golo). Equilibrámos o saldo das nossas contas na Liga 2022/2023: 12 golos marcados, oito sofridos. E vamos subindo na classificação, após o mau começo: estamos agora em quinto - à condição, pois as contas da jornada 6 ainda não fecharam.

 

Da hora do jogo. Excelente tarde de Verão, propícia ao futebol. A partida teve início às 18 horas deste sábado, permitindo a muitos pais levarem os filhos ao estádio. Pena haver só 29.782 espectadores em Alvalade, mesmo no rescaldo imediato da nossa primeira vitória de sempre na Alemanha para a Liga dos Campeões. Custa entender tão fraca mobilização. Há cada vez mais gente a trocar a bancada pelo sofá.

 

 

Não gostei

 

Da ausência de St. Juste. O central holandês não tem sido bafejado pela sorte neste início de prestação no Sporting. Depois de ter passado ao lado da pré-temporada por lesão num treino inicial, viu-se forçado a sair no desafio de Frankfurt devido a um problema físico que o deixou fora da convocatória para ontem.

 

Da lesão de Neto. Escalado para o onze inicial como central do lado direito, foi alvo de uma entrada muito dura aos 48', que o forçou a sair seis minutos depois (entrando Porro e passando Esgaio para central). Saiu a coxear e com lágrimas nos olhos, ovacionado pelo público. Oxalá recupere sem demora.

 

De Gonçalo Inácio. O que se passa com o nosso central que foi campeão em 2021? Voltou a entrar intranquilo, compondo o trio defensivo com Neto e Coates. Pisa muito a bola, demora a centrá-la, faz passes à queima, deixa-se envolver por adversários sem necessidade alguma. Lendo bem estas dificuldades, talvez potenciadas por algum problema físico, Amorim trocou-o por Matheus Reis ao intervalo.

O regresso de Ronaldo a Alvalade

Melhor do mundo bisa contra a Suíça (4-0)

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Foi uma das melhores exibições da selecção nacional nos últimos anos. Na noite de ontem, em Alvalade - confirmando que o nosso estádio funciona como talismã da equipa das quinas. Cilindrámos a Suíça por 4-0 e poderíamos ter duplicado a goleada, tão deslumbrante foi a exibição portuguesa, com bola a circular ao primeiro toque, em progressão acelerada, numa demonstração viva de futebol de ataque. Perante o aplauso entusiástico de mais de 42 mil espectadores.

Figura da partida? O suspeito do costume: o melhor jogador do mundo. Cristiano Ronaldo bisou, aos 35' e aos 39', perante a visível emoção da sua mãe, presente na tribuna. Leva já 117 golos ao serviço da selecção - marca extraordinária num profissional que aos 37 anos regressou ao estádio onde começou a ser feliz, quase duas décadas volvidas.

Voltando a silenciar os idiotas que nunca perdem uma oportunidade de repetir que ele está «acabado» e «já deu o que tinha a dar».

 

Grandes exibições também de William Carvalho (que marcou o primeiro, aos 15'), Nuno Mendes, Rúben Neves e João Cancelo (que fechou a conta, aos 68', numa jogada de antologia, iniciada e concluída por ele).

Mas todo o onze nacional esteve muito bem. Segredo? O excelente desempenho colectivo potenciado pelas seis alterações que o seleccionador fez entre o desafio anterior, contra a Espanha (1-1), e este, que redundou na nossa maior goleada de sempre frente à Suíça. Que já tinha sofrido contra nós, fez ontem três anos, na meia-final da Liga das Nações. Com outra exibição sublime de CR7, autor dos três golos nesse triunfo por 3-1.

 

O nosso próximo desafio será na quinta-feira, também em Alvalade, contra os checos que ontem impuseram um empate (2-2) à selecção espanhola.

Feitas as contas, vamos em primeiro no grupo A. Uma vitória, um empate, cinco golos marcados e apenas um sofrido. E capazes de dar espectáculo, ao contrário do que alguns temiam. Os mesmos que aparecem sempre na hora dos desaires e se eclipsam quando há triunfo nacional. Como se tivessem vergonha de ser portugueses, algo que jamais entenderei.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa vitória clara no Jamor. Goleámos por 4-1 aquela aberração que responde pela sigla B-SAD. Num Estádio Nacional só com adeptos do Sporting. 

 

Da nossa entrada com grande dinâmica ofensiva. Dois golos logo a abrir o jogo. O primeiro aos 11', por Paulinho, o segundo aos 17', por Porro. Ao intervalo, vencíamos por 3-1. A segunda parte começou com mais um golo, aos 47'. A partir daí, imperou a gestão da condição física dos jogadores, mas sempre a mantermos a posse de bola. Deu até para Rúben Amorim esgotar as substituições, ao contrário do que costuma fazer: trocou Porro por Gonçalo Esteves (52'), Matheus Nunes por Daniel Bragança (52'), Pedro Gonçalves por Tabata (58'), Nuno Santos por Vinagre (58') e Sarabia pelo estreante Edwards (71').

 

De Paulinho. Regressou aos golos. E logo a bisar. No primeiro, com Sarabia a construir para ele no lado direito, bastou-lhe encostar. O segundo, a abrir a etapa complementar, foi de excelente execução técnica, com assistência perfeita de Porro: golo de cabeça do avançado leonino. Faz-lhe bem ter a concorrência do recém-regressado Slimani.

 

De Porro. Voltou à titularidade e voltou às grandes exibições. Confirma-se como o melhor ala direito a actuar na Liga portuguesa e um dos melhores que jogaram desde sempre nesta posição no futebol do Sporting. Marcou um extraordinário golo aos 17' - indefensável bomba disparada de meia distância com o seu potente pé direito após assistência de Ugarte. E foi dele o passe para o segundo de Paulinho. Merece ser distinguido como melhor em campo.

 

De Sarabia. É um prazer ver jogar este titular da selecção espanhola, emprestado ao Sporting pelo Paris Saint-Germain. Tem classe, tem categoria, tem excelente técnica, tem apurada visão de jogo. E tem golo: marcou mais um nesta partida - o terceiro, aos 45'+1, após cruzamento de Nuno Santos, no seu terceiro jogo consecutivo a facturar nesta Liga 2021/2022. Já tinha assistido no primeiro, de Paulinho. Outra actuação de grande nível. Soma nove golos e oito assistências no Sporting.

 

De Gonçalo Esteves. Quando Amorim retirou Porro, decidindo poupá-lo a desgaste extra já a pensar na partida de domingo frente ao Famalicão, o miúdo que veio do Porto deu boa conta do recado. Vencendo sucessivos confrontos individuais, confirmando duas características fundamentais: intensidade e velocidade. E nem hesitou em tentar o golo: aos 83', concretizou um belo remate que rasou a trave. Por vezes faz-nos esquecer que ainda é júnior.

 

Da estreia de Edwards. O ex-internacional sub-20 inglês foi brindado com vibrante ovação dos adeptos neste seu jogo inaugural de verde e branco, recém-chegado de Guimarães. É um grande reforço, ninguém duvida. Terá tempo de assimilar os processos de jogo em Alvalade, sob o comando de Amorim. Fez bem o treinador em proporcionar-lhe minutos numa fase em que não pairava a menor dúvida sobre o desfecho desta partida no Jamor.

 

Da grande atitude da equipa. Futebol alegre e vertical, demonstrando que aquele período de mini-crise em que perdemos dois jogos (contra o Santa Clara nos Açores e contra o Braga em casa) está superado. O facto de nos termos sagrado campeões de Inverno, derrotando o Benfica na final da Taça da Liga, ajudou muito.

 

Da nossa regularidade na marcação de golos. Já levamos 35 jogos a facturar nesta época, até ao momento só ficámos uma vez em branco.

 

De termos aumentado a distância que nos separa do Benfica. Os encarnados, ontem derrotados na Luz pelo Gil Vicente (1-2), voltam a estar seis pontos abaixo de nós. E começam a ter o Braga à perna, ameaçando disputar-lhes o terceiro lugar.

 

Do árbitro Gustavo Correia. Deixou jogar, adoptando um critério largo, à inglesa, sem apitar sempre que um jogador se atira para o chão. Ao contrário de vários dos seus colegas, que param o jogo a todo o momento por supostas faltas que noutros campeonatos jamais mereciam o som do apito.

 

 

Não gostei

 

De termos sofrido um golo. Foi aos 21': belo golo de Camará, sem qualquer hipótese de defesa para Adán. Seis minutos depois, o nosso guarda-redes, com uma intervenção oportuníssima, impediu o B-SAD de fazer o 2-2: se tal não tivesse acontecido, o desfecho deste encontro talvez fosse bem diferente. A verdade, de qualquer modo, é que reforçamos a nossa posição como defesa menos batida do campeonato: apenas 13 golos sofridos em 20 jogos.

 

De Pedro Gonçalves. O que se passa com o nosso atacante, que brilhou no campeonato anterior e foi elemento essencial da conquista do título que nos fugia há 19 anos? Anda a rematar frouxo, um pouco perdido no campo, sem a mesma atracção pela baliza. É verdade que foi ele a iniciar o lance do terceiro golo, mas falhou dois que o Pedro Gonçalves de 2020/2021 teria concretizado.

 

De Vinagre. Continua a parecer um corpo estranho na equipa. Joga sempre da mesma forma, correndo colado à linha esquerda, faz sempre a mesma finta de corpo, cruza a bola sempre do mesmo modo e falha por sistema esses centros por ter deficiente noção das movimentações dos colegas na área. Desta vez esteve mais de meia hora em campo mas aproveitou-se pouco do que fez.

 

De mantermos cinco jogadores à bica. Sarabia, Palhinha, Porro, Esgaio e Pedro Gonçalves estão à beira de ser excluídos por acumulação de amarelos. Nenhum deles "limpou" o castigo. Esperemos que não venham a ser amarelados no próximo domingo, frente ao Famalicão, o que os impediria de comparecer no clássico do Dragão, marcado para o dia 11.

 

Deste inenarrável B-SAD. Vai descer de divisão no final da época, seguramente. Mas é penoso continuar a ver em campo onze jogadores que não são de nenhum clube nem formam uma verdadeira equipa, sob contrato de uma entidade sem nome nem emblema nem bandeira nem estádio nem sócios nem adeptos. Um abcesso no futebol português.

Quente & frio

Gostei muito da goleada (0-4) do Sporting frente ao Leça, em Paços de Ferreira. Uma goleada que aqui exigi horas antes, enquanto adepto leonino, para ajudar a superar a derrota anterior, perante o Santa Clara. A equipa correspondeu ontem àquilo que eu esperava dela: quatro golos, dois em cada parte, domínio total do jogo. Era mesmo esta a nossa obrigação, atendendo ao facto de o adversário militar no quarto escalão do futebol luso, agora denominado Campeonato de Portugal. Para a vitória tão robusta contribuiu - tenho a certeza - o facto de Rúben Amorim ter voltado ao banco, já recuperado do coronavírus. Seguimos para as meias-finais da Taça de Portugal, único troféu que o actual treinador ainda não conquistou em Alvalade. Esta foi a nossa primeira vitória no ano civil agora iniciado. A primeira de muitas, todos esperamos.

 

Gostei da exibição de Tabata, de longe o melhor em campo. O brasileiro, ex-internacional olímpico, marcou dois grandes golos - o primeiro, aos 12', culminando uma excelente jogada individual, e o terceiro, aos 80', após cruzamento impecável de Esgaio - que já soma sete assistências de verde e branco. Quase marcou outro, aos 43', num belíssimo remate que proporcionou ao guardião do Leça a defesa da noite. E ainda fez uma assistência para o segundo, marcado por Matheus Nunes aos 31'. Merece, sem dúvida, mais oportunidades neste Sporting 2021/2022: estou certo que Amorim tomou boa nota do seu desempenho esta noite. Tal como terá gostado das actuações de Ugarte (magnífica, aquela recuperação de bola ultrapassando três adversários no início do segundo golo), Matheus Nunes (inegável qualidade na ligação entre o meio-campo e o ataque) e Nuno Santos (actuando desta vez como avançado e marcando o quarto golo aos 90'+2). Também merecem registo positivo Feddal e Gonçalo Inácio, ambos regressados. O primeiro de lesão prolongada, o segundo após ter testado positivo à covid-19.

 

Gostei pouco de algumas exibições. Tiago Tomás, desta vez titular, esteve 90' em campo sem fazer um só remate enquadrado: outra oportunidade desperdiçada para mostrar o que vale, parecendo ter regredido face à época anterior. Vinagre, regressado ao onze inicial após longa ausência, continua a parecer carta fora do baralho: é uma espécie de corpo estranho nesta equipa. Ala esquerdo, actuou sem rasgo, sempre muito colado à linha, e desperdiçou vários cruzamentos - excepto o último, que funcionou como assistência para o golo de Nuno Santos, embora ainda tenha sofrido desvio num defesa do Leça. Também a exibição de João Virgínia - desta vez no lugar de Adán - deixou a desejar: não sofreu golos, mas teve duas saídas em falso e entregou uma bola em zona proibida por deficiente jogo de pés.

 

Não gostei da hora do jogo. Em noite fria de semana, com início às 20.45. Mesmo assim as bancadas estiveram animadas, com cerca de cinco mil espectadores, boa parte dos quais adeptos leoninos. Também não gostei da súbita lesão de Porro, quando já aquecia para entrar: Esgaio acabou por ser titular na ala direita, ao contrário do que fora anunciado uma hora antes do início da partida. Amorim aproveitou para descansar sete jogadores: Adán, Coates, Matheus Reis, Palhinha, Pedro Gonçalves, Sarabia e Paulinho (tendo este entrado aos 83', substituindo um Matheus Nunes já muito fatigado).

 

Não gostei nada que até esta fase da Taça de Portugal, segunda mais importante competição do futebol nacional, a vídeo-arbitragem estivesse ausente. Algo totalmente incompreensível, quando todos dizem pugnar pela verdade desportiva e é inquestionável que este instrumento se tornou decisivo para trazer transparência e equidade às decisões assumidas pelos árbitros de campo. Felizmente o desafio de ontem já contou com o VAR. Espero que na próxima edição da Taça os novos meios tecnológicos apareçam mais cedo nesta competição. 

Dá gosto ver

Texto de Rui Silva

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Esta equipa tem ganho quase tudo o que há para ganhar mas faltava-lhe um grande resultado numa noite europeia em casa.

O jogo de ontem [anteontem] foi como aquelas pomadas excepcionais. Degustam-se, apreciam-se, recordam-se, sem necessidade de muitas palavras.

 

Permita-me realçar dois pontos: os adeptos e a organização da equipa.

 

Desde a inauguração do estádio tenho Lugar de Leão, cativo durante 20 anos, e não me recordo de um apoio tão sustentado e sonoro durante todo o jogo. E não foi apenas ontem [anteontem]. Alvalade, com excepção das curvas, nunca foi particularmente ruidoso em matéria de decibéis, mas este ano vejo companheiros de sector, que durante anos e anos eram recatados e parcimoniosos na demonstração do seu apoio, a entoar cânticos.

Provavelmente um dos momentos mais marcantes deste jogo [Sporting-Besiktas] aconteceu logo aos 8 minutos quando Paulinho rematou ao poste. Em vez dos habituais ohhhhh e impropérios, ouviu-se um altíssimo e longo aplauso que galvanizou os jogadores e todo o estádio, e estendeu-se até ao apito final.

 

O segundo aspecto é a forma inteligente como Amorim gere o trabalho da equipa técnica, um pouco à semelhança do que acontece no futebol americano, salvo as devidas distâncias.

Em vez de “adjuntos” temos três treinadores, cada um responsável por todos os aspectos do jogo ofensivo, defensivo e situações especiais, supervisionados e coordenados por um treinador principal.

Os frutos deste modelo estão à vista: em movimentações cada vez mais criativas e interligadas, nas bolas paradas, corridas e na sincronização defensiva.

Dá gosto ver, por exemplo, o alinhamento a régua e esquadro da linha defensiva a 5, que joga de olhos fechados, e invariavelmente coloca os atacantes adversários em fora de jogo. Ou jogadas estudadas, como a do golo anulado a Pote no último jogo contra o Guimarães, das mais espectaculares que Alvalade já viu em muito tempo, entre Matheus Reis, Sarabia, Paulinho e Pote.

 

Os mestres da táctica (plural) moram em Alvalade.

 

Texto do leitor Rui Silva, publicado originalmente aqui.

O dia seguinte

No início desta campanha na Champions, eu questionava se o 3-4-3 de Amorim ia impor-se na Europa ou implodir. E depois da derrocada com o Ajax parecia-me que o Sporting tinha mesmo de encontrar um sistema alternativo, os dois médios eram impotentes para travar os ataques adversários e a defesa apanhava adversários embalados de frente. Era mesmo necessário mudar, se calhar um 4-3-3, se calhar um 3-5-2, assim não íamos a lado nenhum.

E Amorim... nada mudou. Fomos a Dortmund, e a jogar da mesma forma que jogamos nas competições caseiras equilibrámos o jogo e podíamos mesmo ter saído com um empate. Fomos a Istambul e conseguimos uma vitória rotunda. E ontem, em casa, com o mesmo campeão da Turquia conseguimos a maior goleada de sempre do Sporting na Champions. 

Nada mudando, mudou muita coisa. A equipa melhorou muito, colectiva e individualmente. A coluna vertebral Adán-Coates-Palhinha-Paulinho estrutura cada vez melhor toda a manobra ofensiva e defensiva da equipa, e cria as condições para os criativos Sarabia, Pedro Gonçalves e Matheus Nunes poderem demonstrar toda a sua qualidade. A linha defensiva de 3+2 está tremendamente sólida, ficando muito difícil aos adversários conseguir ocasiões de golo e assim tranquilizando a equipa para os marcar.

Ontem, o jogo começou, o Besiktas tentou discutir o jogo mas a manta era curta, deixava espaço nas alas por onde os alas aceleravam e os interiores se desmarcavam a belo prazer. Paulinho ainda tentou insistir no desperdício, acertando nos ferros primeiro e permitindo uma boa defesa do guarda-redes noutro (aqui pareceu-me que quis assistir Pedro Gonçalves para o golo em vez de rematar), mas veio o penalti e com ele a equipa melhor ficou, e até ao intervalo foi um regalo ver o Sporting jogar e marcar. E Paulinho lá marcou mais um golão, depois dum lance todo ele da sua lavra, é mesmo incrível como acerta no mais difícil e falha no mais fácil. Se calhar porque... não nasceu com aquele instinto de ponta de lança. Mas que é um leão indomável em campo, um belíssimo avançado e é fundamental nesta forma de jogar do Sporting, isso só um cego é que não vê. 

Depois do 3-0 e da excelente exibição da 1.ª parte, a 2.ª teria de ser de gestão física e psíquica, deixar o Besiktas fazer pela vida e aproveitar os espaços abertos para contra-atacar com rapidez e aumentar a vantagem. E foi assim que aconteceu, o quarto golo surgiu naturalmente numa incursão veloz de Matheus Reis, e com ele vieram as substituições. Sairam dois dos mais cansados, Paulinho e Matheus Nunes (este falhou nalgumas saídas de bola, mas esteve em passes fundamentais para alguns dos golos), para entrarem Bragança e Nuno Santos. Daí até ao fim já foi outro jogo, sem a mesma qualidade. Mesmo assim, os dois ainda tiveram uma oportunidade cada para aumentar a vantagem.

E agora como vai ser? É simples, ganhar ao Dortmund e depois ir ganhar ao Ajax, comigo na bancada num caso e noutro. Tem mesmo de ser assim. E se não for? Se não for lá teremos de ir para a eliminatória de acesso à Liga Europa, mas os 5,6M€, os 8-1 ao Besiktas e a subida no ranking da UEFA isso já ninguém nos tira. 

E será fácil ganhar ao Dortmund, mesmo sem o (injustamente expulso) Hummels? Nada fácil mesmo,  são a melhor equipa alemã logo a seguir ao Bayern, muito bem orientada, e com excelentes jogadores, a começar por Haaland. Mas quem vier a Alvalade por estes dias e com o apoio incansável de todos nós arrisca-se mesmo... a perder.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Quente & frio

Gostei muito da espectacular noite europeia do Sporting ontem em Alvalade. Goleámos o Besiktas, desta vez por 4-0 - no desafio de Istambul tínhamos vencido por 4-1. A primeira parte, que terminou com 3-0, foi uma das melhores da nossa equipa de que me recordo em muitos anos de competições da UEFA. Vencemos também no plano financeiro: estes dois triunfos asseguram 5,6 milhões de euros aos cofres leoninos. Garantimos desde já presença na Liga Europa. Mas continuamos com expectativas intactas em transitar para os oitavos da Liga dos Campeões: basta derrotarmos o Borussia Dortmund quando recebermos a turma alemã no próximo dia 24, aproveitando o facto de ter sido derrotada (1-3) pelo Ajax. Certamente o Sporting-Borussia contará com tanto público como desta vez, em que mais de 40 mil adeptos acorreram às bancadas incentivando a equipa do princípio ao fim.

 

Gostei do profissionalismo da nossa equipa: este era um jogo decisivo, em que só a vitória interessava. E entrámos em campo com essa atitude, decididos a marcar tão cedo quanto possível. Os golos foram aparecendo: aos 31', de penálti, por Pedro Gonçalves; aos 38', também marcado por ele, num remate muito bem colocado precedido de simulação; aos 41', por Paulinho; num disparo de meia-distância que fez levantar o estádio; e aos 56', por Sarabia, de pé direito, aproveitando da melhor maneira um ressalto em posição frontal. Pedro Gonçalves, que se estreou a marcar na Champions, regressa aos golos após um jejum de quase três meses: foi ele a sofrer o penálti e a construir excelentes jogadas que podiam ter inaugurado o marcador aos 8' e aos 10'. Merece, sem favor, o título de melhor em campo. Quando saiu, aos 72', escutou uma justíssima ovação - aliás à semelhança de Paulinho. 

 

Gostei pouco que tivéssemos posto o pé no travão na meia-hora final, desperdiçando uma oportunidade soberana de ampliarmos o resultado, como o público ia pedindo e o próprio treinador também. Mesmo assim registámos a segunda goleada consecutiva na Champions e cumprimos uma série de 30 jogos sempre a marcar no nosso estádio para todas as competições - algo que não nos sucedia há 27 anos. Com este, já são sete desafios seguidos a vencer na temporada 2021/2022. E temos melhor quociente de golos (9-7) na comparação com o Borussia (4-8), o que pode ser fundamental como critério de desempate para prosseguirmos na Liga dos Campeões.

 

Não gostei de ver vários golos desperdiçados. Foram pelo menos três. Por Paulinho, que atirou ao poste aos 8' após excelente centro de Sarabia; por Daniel Bragança, que fez a bola rasar o poste aos 77'; e por Nuno Santos, ao rematar para fora quando estava isolado, aos 85'. Em qualquer dos casos, fizeram o mais difícil. Quase-golo aconteceu também, aos 48', quando Sarabia (outra exibição superlativa) fez a bola embater na barra. Também não gostei de ver sair Porro logo aos 17, por lesão: felizmente foi bem substituído por Esgaio.

 

Não gostei nada de continuar a ver uma parte da bancada sul despovoada. Ninguém frequenta aquela espécie de reserva de índios destinada àquilo a que o Governo atribuiu o nome de "cartão de adepto". Iniciativa totalmente fracassada, sem qualquer adesão. Aguardo que o secretário de Estado do Desporto, antes de cessar funções, anuncie o fim desta medida inútil que nunca devia ter sido tomada.

Goleada em Istambul

Goleada leonina em Istambul: acabamos de vencer lá 4-1. Golos de Coates (2), Sarabia e Paulinho. Salvo erro, nunca tínhamos marcado quatro fora na Liga dos Campeões.

Início complicado, com sonoro "inferno" nas bancadas, onde quase todos puxavam pela equipa deles. Mas o domínio foi inteiro do Sporting a partir do minuto 15: silenciámos os adeptos visitados nesta nossa primeira vitória desde sempre na Turquia.

Escrevo ainda em estado de euforia, por motivos compreensíveis: foi a melhor exibição europeia do Sporting de há vários anos para cá. Garante-nos três pontos na Liga dos Campeões - e o prémio monetário correspondente: 2,8 milhões de euros.

Venham mais.

 

ADENDA: Há três dias escrevi aqui: «Paulinho vai marcar contra o Besiktas. Alguma dúvida?» 

Nenhuma: assim foi. 

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da segunda goleada seguida, desta vez em Guimarães. Triunfo leonino frente ao Vitória minhoto, num terreno sempre difícil, e quase sempre sob chuva copiosa, o que em nada facilita a tarefa de equipas tecnicistas. Depois de termos dado quatro ao Tondela em Alvalade, repetimos a marca: 4-0. Com golos apontados por Nuno Santos (11'), Pedro Gonçalves (43' e 55') e Jovane (75'). No mesmo estádio onde há seis anos saímos derrotados por 0-3. Pormenor a destacar: todos os nossos golos nasceram de transições rápidas.

 

Da nossa entrada neste jogo. Pressão alta e fulgurante do Sporting no mesmo palco onde nos anteriores seis confrontos só tínhamos vencido um (em 2017/2018). Logo no primeiro minuto podíamos ter marcado duas vezes, primeiro por Sporar e logo a seguir por João Mário. Destaque para o disparo do campeão europeu, que foi bater com estrondo na trave.

 

Do onze titular. Rúben Amorim parece ter estabilizado o elenco-base da equipa: foi aquele que jogou desta vez de início. Com Adán na baliza; Neto, Coates e Feddal no tridente defensivo; Porro e Nuno Mendes nas alas; Palhinha e João Mário no meio-campo; Pedro Gonçalves e Nuno Santos como interiores ofensivos; e Sporar a ponta-de-lança. 

 

De Pedro Gonçalves. Caminha, a passos largos, para se tornar um digno sucessor de Bruno Fernandes, confirmando-se como o melhor reforço desta temporada. Marcou mais dois, facturou sete golos em sete jornadas e figura já no topo dos artilheiros do campeonato. E ainda assistiu Nuno Santos a iniciar esta goleada em Guimarães. Novamente o melhor em campo.

 

De Sporar. Desta vez não marcou, mas revelou-se essencial na manobra ofensiva da equipa. De uma tabelinha sua com Porro nasce a assistência para o segundo golo. Cria desequilíbros lá à frente e mantém sempre em sentido os defensores contrários. A equipa melhorou bastante desde que passou a contar com ele a titular.

 

De Nuno Santos. Foi ele o primeiro a empurrar o Sporting para a baliza adversária, logo a abrir o jogo, ganhando a bola na velocidade. Notável a movimentação no primeiro golo, com a sua assinatura. É já o terceiro que marca de Leão ao peito. Não custa vaticinar que vários outros virão a caminho.

 

De João Mário. Primeira parte muito positiva do nosso médio criativo. Além do petardo à barra, destacou-se a criar lances ofensivos, com bom domínio técnico e segurança no transporte de bola. Numa dessas ocasiões, correu 50 metros com ela, galgando terreno e driblando adversários, dando assim início à construção do segundo golo. Quebrou na etapa complementar, acusando desgaste físico, sendo bem substituído aos 58' por Matheus Nunes, autor da assistência a Jovane no remate que selou a nossa goleada em Guimarães.

 

De Adán. O guarda-redes espanhol - outro bom reforço desta temporada - já merece destaque. Notável, a assistência que fez para o terceiro golo, com um passe longo a que Pedro Gonçalves deu a melhor sequência, lá na frente. Golo marcado com apenas dois toques na bola. Como de costume, transmitiu segurança à equipa. Grande defesa aos 22', a parar um livre apontado por Ricardo Quaresma. Saiu muito bem dos postes aos 64', anulando uma situação de perigo. É um dos principais responsáveis pelo facto de o Sporting ser neste momento a equipa menos batida do campeonato, com apenas quatro golos sofridos.

 

Da nossa dinâmica ofensiva. Este foi o nosso quarto jogo seguido a ganhar. Foi também a nossa quarta vitória consecutiva fora de casa na Liga 2020/2021 - algo que não acontecia à sétima jornada desde a época 1996/1997, sob o comando técnico do belga Robert Waseige. Somos a equipa com mais golos marcados: 19. 

 

De terminar este jogo com cinco jogadores da formação. Mantém-se a aposta nos jovens oriundos da Academia de Alcochete: quando soou o apito final, estavam em campo Nuno Mendes, Palhinha, Jovane, Daniel Bragança e Tiago Tomás.

 

De continuar a ver o Sporting no comando da Liga. Desde Setembro de 2016 que não estávamos duas jornadas seguidas isolados no primeiro posto. Ficaremos assim pelo menos mais três semanas, devido à pausa para jogos das selecções. Neste momento temos mais quatro pontos do que o Benfica e mais nove do que o FC Porto, que ainda não actuou na sétima ronda do campeonato.

 

 

Não gostei
 

 

Do V. Guimarães. Prometia muito no início da época, exibindo até um vídeo algo ridículo com Quaresma montado a cavalo junto ao paço ducal. Reforçou-se com jogadores como Bruno Varela e Sílvio, que já foram do Benfica, e o ex-Leão Miguel Luís (que continua sem agarrar a titularidade). Mas está muito longe do brilho de outras épocas, algo bem reflectido nas estatísticas: até agora ainda só marcou um golo em casa, de penálti. 

 

Das bancadas vazias. Cada vez acho mais incompreensível que as mesmas autoridades sanitárias que autorizam espectadores nas competições motorizadas, provas hípicas, circos, touradas, manifestações de várias tonalidades e até em jogos de futebol da selecção nacional e das equipas que disputam competições europeias persistam na interdição absoluta de público quando se trata de jogos do campeonato. Absolutamente deplorável, ver o Estádio D. Afonso Henriques assim deserto.

Nota-se alegria nos jogadores

Texto de David Craveiro

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Temos matéria-prima para fazer um brilharete no campeonato.

A equipa tem algo que já nao via há muito tempo: vontade de jogar à bola, diferente de vontade de jogar futebol. Nota-se alegria nos jogadores. Nota-se que gostam de fazer o que fazem. Lutam e "vão a todas" com a irreverência da juventude.

Temos bastantes opções do meio-campo para a frente. Penso que Rúben Amorim tem de começar a treinar um sistema sem Palhinha pois mais jornada menos jornada teremos de ir a jogo sem ele. Aliás, nota-se a marcação cerrada que os árbitros lhe começam a mover.

 

Relativamente ao jogo [Sporting-Tondela] e aos jogadores:

Adán: fraco no jogo de pés, a sair da baliza e a fazer a mancha

Feddal: tem sido o melhor da defesa. Fraco passe curto mas bom passe longo. Pode dar-nos muitas oportunidades de golo em jogos em que estejamos a ganhar e em que o lançamento do contra-ataque seja feito em passe longo (como no terceiro golo)

Neto: ontem [anteontem] muito seguro, quer defensivamente quer com bola nos pés, a que não será talvez alheio o facto de estar João Mário no meio-campo a vir atrás buscar jogo. Também lhe vi fazer dois ou três bons passes longos.

Coates: mais uma vez o pior da defesa. Passes comprometedores e mau posicionamento defensivo nomeadamente na linha de fora de jogo. Esse posicionamento tinha-nos valido sofrer um golo não fossem os 11 centímetros (com que aliás não concordo, devia haver tolerância correspondente à margem de erro).

Sporar: muito bem nas movimentações, na recepção de bola e sua entrega, a abrir espaços para a entrada dos companheiros de equipa. Menos bem na finalização mas todos sabemos que um ponta-de-lança quando tem confiança faz a baliza ficar maior. Há-de lá chegar.

 

Quanto ao resto não vou particularizar pois todos estiveram muito bem. Uma nota para o acréscimo de classe que João Mário traz.

 

Texto do leitor David Craveiro, publicado originalmente aqui.

Um passeio em Alvalade

Foi uma noite tranquila que tivemos ontem em Alvalade, contra um adversário que se espalhou pelo terreno todo libertando o talento dos nossos jovens, os lances de golo foram-se sucedendo, a falta de pontaria dos nossos e o engenho ou a sorte do guarda-redes deles ditaram o resultado final. A Bola conta 21 remates enquadrados do Sporting contra um do adversário. Tratou-se dum Tondela tenrinho, bem diferente para pior daqueles de Petit, Pepa ou do espanhol do ano passado que nos roubaram pontos preciosos, desde logo com aquele golo a cair do pano em Alvalade no primeiro ano de Jorge Jesus que deu o empate.

Teríamos sido campeões com esses dois pontos.

 

Mas também fizemos por isso. Rúben Amorim acudiu às nossas preces e voltámos a ter ponta de lança.

Numa simulação Sporar começou por dar o golo a marcar a Pedro Gonçalves que falhou na cara do guarda-redes, esteve no seu sítio no 1.º golo, se calhar teria sido penálti se o Pedro não tivesse marcado, assistiu para o 2.º, marcou o 4.º. Ainda falhou um golo que não devia falhar, mas lutou muito e foi a referência atacante que faltava. João Mário voltou aos tempos de voz de comando do meio-campo, como fazia na equipa B anos atrás, com a classe do campeão europeu que é (salvo no capítulo do remate), Tiago Tomás foi um operário muito útil na faixa direita, e Pedro Gonçalves (a melhor aquisição do Sporting depois de Bruno Fernandes?) mais uma vez fez a diferença.

 

Todos os outros estiveram mais ou menos bem, Porro e Palhinha mesmo muito bem, e os três defesas cumpriram a sua missão,  Coates conseguiu mesmo provocar o fora de jogo que evitou o golo contra.

Até nas bolas paradas estivemos bem, criando perigo nessas situações com Coates a falhar o alvo por muito pouco numa delas. Onde continuamos a não estar bem é nos remates de longe, ou por falta de sorte, ou de treino, ou de jeito ou doutra coisa qualquer.

Uma palavra para a arbitragem, sóbria e competente, nos antípodas dos artistas de apito na boca que sempre nos enviam. Nada a dizer sobre os amarelos. Completamente escusados nos casos de Matheus Nunes e Nuno Santos.

 

Enfim, há dias assim, têm sido é muito poucos. Aproveitemos o momento, mas não nos esqueçamos que o caminho é longo e difícil, a começar pelo Guimarães. E o Braga continua próximo.

2.ª feira, 2 de Novembro de 2020: o Sporting a liderar  a 1.ª Liga. Quem diria?

SL

É este ano

Ganhamos. Damos a volta a resultados negativos. Jogamos bem. Cada vez melhor. Batemo-nos sempre para ganhar. Temos jogadores com muito talento e juntos, todos, fazem uma boa equipa. Vestem bem a nossa camisola e sentem-lhe o peso. Temos um muito bom treinador. Líder e com mentalidade vencedora. Tem sempre sabido mexer na equipa durante os jogos. Sempre para ganhar.

Depois da eliminação da Liga Europa que me levou a nova desesperança - confesso -, a equipa passou jogo a jogo a dar-me balanço para dizer o que agora afirmo: vamos fazer um brilharete esta época. Vamos ser a surpresa do campeonato. A jogar assim podemos ser campeões. Podemos sonhar com isso. 

Não é deslumbramento com a goleada: é mesmo para memória futura. Fica já dito à 6.ª jornada. 

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Desta goleada em casa. Derrotámos por 4-0 o Tondela, equipa que nas cinco épocas anteriores viera empatar três vezes em Alvalade. Triunfo claro e sem a menor margem de discussão do onze leonino, que só peca pela escassez dos números: face às oportunidades criadas, com domínio total da nossa equipa, poderíamos ter vencido por sete ou oito. Não marcávamos quatro golos na Liga há 11 meses, desde a vitória frente ao Santa Clara, nos Açores, na primeira volta do campeonato anterior.

 

Da exibição. O Sporting não empolgou apenas pelo resultado, mas também pela exibição, a melhor desde que o actual técnico foi contratado. Conjunto organizado, com boas movimentações colectivas, simplicidade de processos e sem perder de vista a baliza adversária. Também a evoluir na condição física, após os percalços iniciais desta temporada. É uma equipa jovem, coesa, confiante, ambiciosa - e que promete ir longe, sob a condução de Rúben Amorim. Que hoje apostou num onze titular com nove jogadores que há um ano não integravam o plantel principal leonino: só Coates e Neto já cá estavam. Mas todos parecem jogar juntos há muito tempo. E mostram uma alegria em campo que vem contagiando os adeptos.

 

Das mudanças na equipa. Amorim deixou no banco Jovane, Matheus Nunes e Nuno Santos, por opção técnica, fazendo alinhar Sporar, João Mário e Tiago Tomás. Acerto do treinador, em termos globais: a equipa funcionou com mais acutilância do meio-campo para a frente, como os números bem demonstram.

 

De Pedro Gonçalves. Alguém tinha dúvidas de que era mesmo reforço? Se tinha, já as dissipou. O jovem ex-Famalicão marcou mais dois golos - os nossos primeiros nesta partida, aos 45' e aos 49', ambos à ponta-de-lança. Terceiro jogo consecutivo a facturar. Destaca-se já como o nosso artilheiro desta época, ainda no início: cinco golos só à sua conta. E continua em excelente nível nos duelos individuais. Volta a ser o melhor em campo.

 

De Sporar. Falhou algumas oportunidades claras nesta sua primeira actuação como titular em 2020/2021, mas foi sempre um elemento de grande utilidade no ataque leonino. Fez a assistência para o segundo golo com um cruzamento perfeito e marcou enfim, acreditando sempre, aos 90'+3. Era a referência no ataque posicional que estava a faltar ao jogo do Sporting. Útil também no trabalho sem bola, arrastando marcações e abrindo opções de passe. 

 

De Porro. Outro reforço que já ninguém se atreve a discutir. O jovem internacional sub-21 espanhol traz um evidente acréscimo de qualidade em relação às anteriores opções leoninas naquela posição - basta lembrar Bruno Gaspar, Ristovski e Rosier para se fazer a comparação. Hoje esteve em três dos quatro golos. No primeiro, centra com precisão milimétrica. No segundo, inicia o lance com um passe vertical de 40 metros junto à linha que Sporar recolheu lá à frente, livre de marcação. E o terceiro é dele, na sua estreia como goleador de verde-e-branco, com um remate de primeira aos 79', após centro de Nuno Santos. Excelente exibição - mais uma. 

 

De João Mário. Pura classe em campo. Faz toda a diferença termos de novo um campeão europeu na nossa equipa. Alinhando pela primeira vez a titular, desde o seu regresso ao Sporting, o médio criativo traz um futebol artístico mas também eficaz, imprimindo fluidez ao jogo leonino e funcionando como referência para os mais jovens, incutindo-lhes confiança e espírito de grupo. Tentou, sem conseguir, o golo de meia-distância. Mas foi dele a assistência para o quarto, no último minuto da partida, com um passe longo a isolar Sporar. É um prazer vê-lo de volta a uma casa onde foi muito feliz.

 

Da contínua aposta na formação. Outros prometeram sem cumprir, mas Amorim continua firme nas suas convicções nesta matéria. Entre titulares e suplentes, havia 11 elementos oriundos da Academia de Alcochete convocados para este Sporting-Tondela.

 

Da veia goleadora da equipa. Levamos 15 golos marcados à sexta jornada - tantos, até agora, como o Benfica e o FC Porto. Continuamos a marcar pelo menos dois em cada ronda do campeonato. E permanecemos invictos, com cinco vitórias e um empate.

 

De ver o Sporting em primeiro. Pelo menos por 24 horas, à condição, lideramos isolados a Liga 2020/2021. Algo que já não acontecia desde o início do campeonato 2016/2017. E levamos seis pontos de avanço ao FC Porto. Uma diferença inédita, à sexta ronda, desde que as vitórias passaram a valer três pontos, na já longínqua temporada 1995/1996.

 

 

Não gostei
 

 

Do tardio golo inicial. O marcador só foi inaugurado nos instantes finais da primeira parte, quando já tínhamos criado 12 oportunidades e pensávamos ir para o intervalo com o resultado ainda em branco. Muito desperdício, sobretudo nessa fase da partida. O remate vitorioso de Pedro Gonçalves acabou por funcionar como uma espécie de saca-rolhas, pondo fim à débil oposição do Tondela, que desta vez não nos causou qualquer verdadeiro problema em Alvalade. Se não marcámos mais cedo, foi só por alguma falta de pontaria - e graças à excelente exibição do guarda-redes Pedro Trigueira.

 

Dos cartões amarelos. É incompreensível que o Sporting, sendo apenas a 13.ª equipa mais faltosa da Liga portuguesa, seja a primeira em número de cartões. Desta vez o árbitro exibiu mais três - um a Palhinha, outro a Matheus Nunes (que rendeu o primeiro aos 66'), outro a Nuno Santos (em campo também desde os 66', tendo substituído Tiago Tomás). Balanço: 21 amarelos à sexta jornada. Parece uma turma de vândalos, mas nada pode estar mais distante da realidade. É apenas consequência do duvidoso critério dos senhores do apito, que teimam em inclinar o campo, sempre em benefício dos mesmos.

 

Do público mantido à distância. Continuamos escorraçados do nosso estádio. O mesmo estádio que, apesar da pandemia, chegou a ter cinco mil espectadores num recente Portugal-Suécia, disputado a 14 de Outubro, com organização da Federação Portuguesa de Futebol. Mas para o campeonato, prova organizada pela Liga, nem cinco são admitidos nas bancadas de Alvalade. Alguém consegue descortinar o menor sentido nesta absurda discriminação imposta pelas mesmas autoridades sanitárias que há poucos dias autorizaram 27 mil pessoas no autódromo de Portimão? Eu não. 

Noite de velório

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É incrível, o ressabiamento de alguns pseudo-sportinguistas, putativos militantes da Jumentude Leonina. Inconformados perante a goleada leonina: 4-0 ao Santa Clara, em Ponta Delgada.

Nem conseguem disfarçar.

 

Estavam a torcer pela derrota do Sporting, como fica bem patente nestes comentários que emitiram no local do costume ao longo da noite, que para eles foi de velório e queixume.

Alguns ficam aqui reproduzidos. Para mais tarde recordar.

 

«O Santa Clara fez um jogo horrivel e pareceu-me até demasiado displicente em muitas abordagens. Não pressionou e jogamos á -vontade!»

«Momentos houve em que até nos superiorizámos ao colosso Santa Clara… que diga-se sem complexos talvez [seja] uma das melhores equipas dos Açores.»

«Acabámos por ter alguma felicidade nos momentos dos golos marcados em alturas cruciais.»

«Diga-se de passagem que é uma exibição de merda dos açorianos.»

«O futebol do Sporting está morto, mas o futebol português não está muito melhor.»

«Triste é ser preciso “apertar” os tomates a estes meninos privilegiados para fazerem o seu trabalho em condições.»

«Por mim o futebol acabava já. Era apostar forte nas modalidades.»

«Este Sporting 71 continua a ser a comédia do do país.»

«Nunca serás o nosso presidente. Vai-te embora, animal!!»

Sporting Sempre!

Afinal quem é que sabia?

Quantas vestes foram rasgadas nas pouco menos de cem horas que separaram os jogos contra o Lask e contra o Santa Clara?

Uma vergonha o onze, não se devia ter gerido pois havia um pote onde era preciso ficar e estávamos a comprometer o futuro na Liga Europa (onde nem devíamos ter estado pois devíamos ter ficado em sétimo no ano passado).

O relógio é inimigo do ansioso e o melhor amigo do paciente. Hoje, após a dupla deslocação aérea, sabemos que, apesar de estar no pote do terror, vamos enfrentar o İstanbul Başakşehir (nada está ganho mas parece mais acessível que Arsenal, Manchester United, Ajax, Inter de Milão, Sevilha ou Salzburgo). Sabemos também que o Sporting enfrentou um organizado Santa Clara e venceu sem contestação.

Talvez Silas perceba um bocadinho mais de futebol do que quem opina...

Viremos agora agulhas para o difícil jogo contra o Portimonense no próximo sábado. Como diz o colega escriba Pedro Correia, o caminho faz-se caminhando. E será tão mais seguro o caminho do Sporting quanto os sócios e adeptos ajudarem a limpar os obstáculos da estrada.

Sporting Sempre!

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da goleada. Num estádio muito difícil, onde há um ano vencemos a equipa da casa por margem tangencial (2-1), o Sporting impôs o seu futebol ao Santa Clara, que saiu derrotado de forma concludente: 4-0. Um resultado adequado à exibição: o onze leonino foi pressionante, agressivo no melhor sentido do termo e revelou fluidez ofensiva do princípio ao fim da partida, lutando sempre pela vitória. Compensou: este foi o nosso resultado mais volumoso até agora na Liga 2019/2020 - igualando a marca imposta ao PSV para a Liga Europa, com a diferença de o confronto com a turma holandesa ter decorrido em Alvalade.

 

De Silas. Desta vez o nosso treinador não confundiu os jogadores com sistemas tácticos incompreensíveis nem fez poupanças descabidas. Como se impunha, fez entrar em campo aquele que é hoje, sem margem para discussão, o melhor onze leonino: Max; Ristovski, Coates, Mathieu, Acuña; Idrissa, Wendel, Bruno Fernandes; Bolasie, Vietto e Luiz Phellype. Para quê complicar o que é simples?

 

De Bolasie. Grande partida do ala franco-congolês, que revelou atitude, compromisso com a equipa e entrega ao jogo. Destacou-se logo aos 3', confundindo as marcações no corredor direito. Aos 22', foi ceifado em falta noutra ofensiva perigosa. Falhou o cabeceamento aos 35' e aos 50',  mas redimiu-se aos 54', apontando o melhor golo da noite, na sequência de um canto, ao saltar de quase costas para a baliza, dirigindo a bola para o canto superior esquerdo da baliza do Santa Clara. Cinco minutos depois, em nova incursão na área, foi derrubado em falta, justificando o castigo máximo de que resultou o nosso quarto golo. Para mim foi o melhor em campo.

 

De Vietto. Outra exibição de grande nível, que só faltou ser coroada com um golo. Mas esteve quase a apontá-lo, aos 82', quando rematou à barra, bem servido por Jesé. O argentino pensa bem o jogo e tem inegável virtuosismo técnico, tendo protagonizado contra-ataques perigosos aos 35' e aos 40' - no segundo serviu Luiz Phellype, que só precisou de encostar para marcar o golo inaugural do Sporting. Desmarcou muito bem Bruno Fernandes aos 50'. Aos 66' rubricou outro grande lance, rematando em arco, com a bola a passar ligeiramente ao lado. Incansável.

 

Luiz Phellype. Aos pontas-de-lança pede-se eficácia no momento da decisão. O brasileiro cumpriu, no essencial. Aos 19' e aos 34', falhou na finalização. Mas redimiu-se ao dar o último toque, marcando o nosso primeiro, aos 40', e aos 47', quando deu a melhor direcção a um centro de Ristovski. Segunda jornada consecutiva a marcar, já com sete golos amealhados no campeonato.

 

De Bruno Fernandes. Não foi um dos melhores jogos do capitão. Mesmo assim, participou no primeiro golo, iniciado ao recuperar uma bola junto à ala esquerda e entregando-a a Acuña. É ele quem marca o canto de que resulta o terceiro, aos 54', e cinco minutos depois sela o resultado cumprindo de forma exemplar ao converter uma grande penalidade. Nota positiva.

 

De Ristovski. O internacional macedónio confirmou que é um elemento mais útil como lateral direito do que Rosier. Avançou com ousadia no seu corredor, destacando-se em sucessivos centros para Luiz Phellype (7'), Vietto (16') e novamente Luiz Phellype (34'). Como não há duas sem três, foi dele a assistência para o segundo golo do brasileiro - e do Sporting - com um cruzamento atrasado, a partir da linha de fundo, como mandam as regras. Merece ser titular, sem discussão.

 

Do regresso de Battaglia. Já com o resultado em 4-0, aos 64', Silas fez entrar em campo o internacional argentino - precisamente no mesmo estádio em que na época anterior se lesionou gravemente, levando-o a permanecer quase um ano afastado dos relvados. Já tínhamos saudades de o ver equipado de verde e branco.

 

De ver as nossas redes intactas. Nem um golo sofrido, confirmando-se os progressos registados na organização defensiva do Sporting.

 

Da subida ao pódio. Como antecipei aqui, para irritação de supostos adeptos que visitam este blogue, ascendemos ao terceiro lugar do campeonato numa jornada em que Famalicão e Braga perderam, e V. Guimarães empatou. Seguimos agora isolados neste posto, que há três meses quase parecia uma miragem: quando Silas pegou na equipa, à sexta jornada, seguíamos no nono lugar, tendo à nossa frente Famalicão, Porto, Benfica, Rio Ave, Boavista, V.Guimarães, Tondela e o Santa Clara que hoje derrotámos. Podemos reduzir a diferença em relação ao FCP, que receberemos na próxima jornada em Alvalade, a 5 de Janeiro.

 

 

Não gostei

 
 

Do resultado ao  intervalo. Vencíamos apenas por 1-0, desvantagem lisonjeira para a equipa açoriana, que só uma vez nesta partida (aos 87') obrigou Max a uma defesa apertada.

 

De Eduardo. O antigo médio do Belenenses tarda em demonstrar no Sporting o que terá levado a direcção da SAD a contratá-lo. Suplente utilizado no jogo de hoje, entrou só aos 77', substituindo Wendel. Pretendia-se que segurasse a bola no nosso meio-campo para garantir a vantagem dilatada, mas nas primeiras vezes em que pegou no jogo entregou-a ao adversário, colocando a equipa em posição difícil. Com este comportamento, tarde ou nunca ascenderá a titular.

Há dias assim...

Em que tudo corre bem, e mesmo quando algum percalço acontece, conseguimos dar a volta por cima.

Depois de Braga, Guimarães e Famalicão terem perdido pontos e termos conseguido o bilhete premiado no pote 1 do sorteio da próxima fase da Liga Europa, apanhámos uma equipa que joga e deixa jogar. Depois de algumas oportunidades falhadas, marcámos o primeiro, logo depois o segundo (com o intervalo pelo meio) mais ou menos oferecido, e foi um passeio. Até um golo de livre que sofremos nos foi (legitimamente) perdoado.

Também fizemos por isso. Desta vez Silas não inventou e escolheu um onze análogo ao do melhor jogo com Keizer desta época em Portimão, com Max em vez de Renan, Bolasie em vez de Raphinha e Ristovski em vez de Thierry, e a equipa portou-se bem, concentrada, poucos passes falhados, variações de flanco oportunas, centros intencionais, mesmo aquela saída pastosa e irritante se notou bem menos hoje do que noutras ocasiões.

E assim chegámos ao 3.º lugar, entre os dois rivais em luta pelo título e aqueles dois clubes do Minho que por vezes se esquecem que o Sporting é um dos três grandes de Portugal.

Com isto a jornada triste da Áustria e as declarações mais que infelizes de Silas sobre a mesma ficaram esquecidas ? Obviamente que não.

Mas o que se passou à chegada dos jogadores e a bofetada de luva branca dos mesmos à escumalha que se diz adepta do Sporting mas está apostada em dar cabo dele, relativizou muita coisa. Acredito que estes últimos dias tenham servido a Silas de lição e agora o importante é passar por Portimão (desafio que para nada deve servir) e preparar da melhor forma Janeiro e o final da temporada, incluindo uma aposta firme e sem reservas na Liga Europa. 

Se toda a equipa esteve bem (Eduardo à parte), hoje gostei particularmente dos patinhos feios Ristovksi e Doumbia. 

SL 

Ídolos zero? Vão-se ....

Em mais uma variação táctica de Silas, desta vez parecendo mais Keizer que Peseiro, o Sporting surgiu num 4-3-3 de ataque, com combinações bem conseguidas nas laterais e encostando o PSV à sua área.

Mas nada disso seria conclusivo se não fossem as individualidades do costume. Bruno Fernandes assiste para o primeiro, marca um golaço no segundo, assiste para o golaço de Mathieu no terceiro, marca o penálti cavado brilhantemente por Acuna no quarto. Bruno Fernandes, Mathieu, Acuña, três dos quatro craques do plantel. Os meus ídolos e de muitos Sportinguistas. Quem não são os meus ídolos de certeza são aqueles que mais uma vez confundiram os interesses das suas seitas com os do Sporting, nem quem lhes dá ordens ou incentiva para o efeito.

O Sporting precisa de ídolos, jogadores que se destaquem e que façam a diferença, cativem a malta nova, tragam novos adeptos ao estádio para os ver jogar. Bruno Fernandes à cabeça, grande homem, grande capitão.

Para além dos ídolos hoje tivemos um grande guarda-redes entre os postes, Max. Sempre gostei de Renan, que já nos deu muitas vitórias e foi decisivo em duas taças. Lesionado sabe-se lá porquê. Max entrou e quem não soubesse iria dizer que estava ali um guarda-redes no topo da carreira, concentrado, seguro e a fazer tudo bem feito.

Silas está de parabéns (agora não tem mesmo perdão se resolver voltar a inventar tripés e trincalhadas). Grande vitória, grande noite do Sporting Clube de Portugal.

SL

Quente & frio

Gostei muito de quase tudo esta noite. Da exibição de gala do Sporting em Alvalade frente ao PSV, hoje eliminado da Liga Europa pelo onze leonino: foi a melhor actuação da época da nossa equipa, traduzida em números concludentes - vitória por 4-0. Única goleada com marca do Leão até ao momento nesta temporada 2019/2020. Começou a ser construída muito cedo, logo aos 9', com um golo de cabeça de Luiz Phellype à ponta de lança clássico, prosseguindo aos 16' com um forte disparo de meia-distância do capitão Bruno Fernandes, que esteve nos quatro golos. Marcou dois, deu dois a marcar (o primeiro e o terceiro, aos 42', na cobrança de um canto a que Mathieu deu a melhor sequência com um magnífico pontapé sem deixar a bola cair no chão) e apontou o último, de penálti, aos 64'. Esteve em todos, revelou-se uma vez mais o melhor em campo, nunca tinha alcançado números tão brilhantes numa partida só. Proeza tanto mais de realçar quanto sabemos que o adversário é uma equipa com excelente reputação: o PSV segue em terceiro lugar no campeonato holandês. Mas quem ruma em frente na Liga Europa é o Sporting.

 

Gostei da exibição de Luís Maximiano, hoje titular em estreia na baliza leonina numa competição da UEFA - sucedendo de algum modo a Rui Patrício, que se estreou há 12 anos na mesma posição. Muito seguro e concentrado, com bons reflexos, teve um papel irrepreensível não apenas entre os postes mas também a antecipar-se em saídas oportunas que abortaram lances ofensivos do PSV. Também gostei que tivéssemos terminado o jogo com três elementos da formação leonina em campo: além de Max, Ilori e Rafael Camacho. E do impressionante slalom de Acuña atravessando o campo todo com a bola dominada, imitando o seu compatriota Diego Maradona aos 63', na mais vistosa jogada do desafio, só terminada quando o lateral argentino foi derrubado em falta dentro da grande área holandesa, daí resultando o nosso último golo.

 

Gostei pouco  das actuações de Vietto e Bolasie, únicos titulares que estiveram abaixo do desempenho médio da equipa. Nem os passes lhes saíram bem, nem a pressão de que estavam incumbidos resultou com eficácia nem a pontaria de ambos se revelou afinada. O congolês, por exemplo, rematou três vezes, mas sempre à figura do guardião adversário.

 

Não gostei  do regresso de Bruma a Alvalade. Com a camisola errada: não estava de Leão ao peito apesar de ter sido formado na Academia de Alcochete. Há seis anos, forçou a saída do Sporting, renegando o clube que lhe ensinou quase tudo quanto sabe. O destino não lhe sorriu nesta efémera reaparição na antiga casa-mãe: teve um desempenho medíocre ao serviço do PSV, terá sido talvez o pior jogador em campo e acabou por não regressar depois do intervalo.

 

Não gostei nada de ver duas dúzias de viúvas aos gritinhos contra o presidente leonino, ainda antes de terminar o jogo, indiferentes à exibição, ao triunfo e à goleada. Desrespeitando assim os profissionais do Sporting que davam o seu melhor em campo, a equipa técnica que os orientou muito bem e o conjunto dos adeptos. Era noite de aplausos, não de assobios - excepto para aquela minoria que insiste em torcer pelas derrotas. A reacção das restantes bancadas não se fez esperar: esse bando de imbecis, acampado na zona onde costumava ficar a Juve Leo, recebeu uma estrondosa vaia da vasta maioria que vê neles aquilo que realmente são. Letais ao Sporting.

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