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És a nossa Fé!

Craque sueco vale cada cêntimo do passe

Boavista, 0 - Sporting, 5

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Viktor Gyökeres, melhor marcador da Liga desde 2002: filme de terror para as defesas adversárias

Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Nesta altura do campeonato, confesso, chego a ter pena dos letais. Por mais que inventem, por mais que rasguem as vestes, por mais ódio que alimentem há sete anos ao presidente do Sporting, o que dirão eles contra esta equipa que ainda não perdeu em competições nacionais sob o comando de Rui Borges e persiste em manter-se no comando da Liga 2024/2025, a três jornadas do fim? É chato.

Anteontem fizemos um jogo quase perfeito, do princípio ao fim. Vedámos a saída de bola do Boavista, vencemos quase todos os confrontos individuais, assegurámos a supremacia nos corredores, bem confiados à arte e engenho de Maxi Araújo e Geny, alas projectados que funcionavam como extremos.

Pedro Gonçalves como avançado interior esquerdo, Trincão à direita. Viktor todo-o-terreno no seu apego apaixonado à bola: não pode passar sem ela.

 

O treinador da turma axadrezada, cujo nome ainda não fixei, havia jurado dar luta ao Sporting. Numa daquelas bravatas que técnicos inaptos costumam proferir antes das partidas, aproveitando os fugazes minutos de ilusória fama, o senhor assegurou que iria assumir-se como força de bloqueio às aspirações leoninas de renovar o título. 

Afinal, coitado, só deu mais um passo - talvez decisivo - rumo ao trambolhão na Liga 2. É a vida...

 

Aqueles adeptos que adoram sofrer com os jogos, em vez de desfrutarem deles, assistiram a uma partida imprópria para masoquistas.

Porquê?

Porque o Sporting fez o primeiro remate com perigo à baliza aos 2', com Trincão a protagonizar o disparo, e meteu-a lá dentro logo depois, aos 6'. Pelo suspeito do costume: Viktor Gyökeres. Bastou-lhe encostar, porque o trabalho mais digno de aplauso ficou a cargo de Maxi, em brilhante parceria com Pedro Gonçalves na meia esquerda da área: recuperou, venceu duelo com o lateral direito e cruzou com selo de perfeição. 

Seguiu-se vendaval leonino em desafio de sentido único. O Boavista era incapaz de transpor a linha do meio-campo e nunca incomodou Rui Silva neste primeiro tempo.

 

Do lado deles destacou-se o guardião Vaclik, negando três golos ao sueco. Primeiro aos 12', num vistoso pontapé de bicicleta que entusiasmou os mais de dez mil adeptos do Sporting nas bancadas do Bessa. Depois, aos 18', também por Gyökeres. Faria o mesmo aos 73'. E ainda viu um cabeceamento do nosso craque sair ligeiramente ao lado, no minuto 33.

Mas aos 45'+1 não houve hipótese de o travar. Viktor recebeu a bola num soberbo passe vertical de Trincão e correu cerca de 40 metros com ela, imparável, até a bombardear com sucesso até ao fundo das malhas boavisteiras.

Golaço made in Suécia com tempero minhoto. 

 

Ao intervalo, 2-0. Dava alegria, mas sabia a pouco: pouco antes, na Luz, o Benfica goleara o AVS por 6-0, colocara-se em igualdade pontual connosco e ameaçava superar-nos em golos marcados, um dos critérios de desempate.

Era imperioso ampliarmos a vantagem, goleando também.

Assim sucedeu.

 

Este segundo tempo foi um festival de futebol ofensivo. 

Aos 50', o terceiro. Repetiu-se a dose: Trincão a assistir, isolando o colega lá da frente desta vez a partir do corredor central, e Gyökeres a rematar cruzado, com êxito, libertando-se da marcação. Tê-lo pela frente é uma espécie de filme de terror em sessões contínuas para as defesas adversárias.

Aos 57', o quarto. Nova parceria Maxi-Viktor, com o primeiro a conduzi-la, bem dominada, e servindo o colega de bandeja. Houve disparo, com Vaclik a bloquear à primeira, mas já sem conseguir impedir a recarga, feita pelo uruguaio de cabeça. Prémio bem merecido para Araújo neste que foi talvez o seu melhor jogo até agora de leão ao peito.

Aos 90'+2, o quinto que encerrou a conta e confirmou a goleada. Excelente lance colectivo com a bola ao primeiro toque entre Quenda, Trincão, Harder e... ele de novo, o inevitável Viktor. Vitorioso.

As nossas redes permaneceram intactas. A equipa anfitriã não conseguiu um remate enquadrado em todo o jogo.

 

Contas feitas, quando faltam 270 minutos para cair o pano, continuamos em primeiro. Com tantos pontos como o Benfica, mas em vantagem no desempate. Porque ganhámos o embate em Alvalade e temos mais três golos marcados. Graças a Gyökeres, a melhor contratação das últimas duas décadas no Sporting. 

Palmarés provisório do sueco: 38 apontados em 31 jornadas - faltam-lhe quatro para igualar a marca do século, estabelecida por Jardel em 2001/2002. E já marcou 52 golos no conjunto da temporada.

Vale cada cêntimo do seu passe, avaliado em cem milhões de euros.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (5) - Sem trabalho. Limitou-se a controlar a profundidade, sempre bem articulado com os colegas.

Eduardo Quaresma (7). Muito combativo, sem dar hipótese de progressão ao adversário na sua ala.

Diomande (6) - Atento, tranquilo, concentrado. Viu amarelo aos 88' para limpar cartões. Saiu logo a seguir.

Gonçalo Inácio (7) -  Em boa forma. Momento alto: o magnífico passe longo que inicia o quarto golo. 

Geny (6) - Protagonizou alguns desequiíbrios à direita, mas sem envolvimento em nenhum dos golos.

Debast (7) - Poucos já se lembram que chegou para central. Médio-centro muito eficaz. Agarrou o lugar.

Morten (6) - Contribuiu para o nosso domínio do corredor central. Viu um amarelo escusado aos 45'+3.

Maxi Araújo (8) - Muito activo, influente, desequilibrador. Ofereceu o primeiro golo, iniciou e concluiu o quarto. 

Trincão (8) - Pura classe. Participa em três golos: assistiu no segundo e no terceiro, pré-assistência no último.

Pedro Gonçalves (5) - Intervém no primeiro golo, tentou marcar em remate que sai por cima (29'). Ainda só dura 45'.

Gyökeres (10) - Melhor em campo, novamente. Mais quatro para o seu pecúlio. Lidera Bota de Ouro europeia.

Quenda (6) - Fez toda a segunda parte, rendendo Pedro Gonçalves. Duas pré-assistências - no terceiro e no quinto.

Morita (5) - Substituiu Morten aos 69'. Regresso após mês e meio de ausência. Temporizou e pausou o jogo.

Matheus Reis (5) - Entrou aos 69', rendendo Maxi Araújo. Aos 79', sacou amarelo a Bozenik, melhor jogador de campo boavisteiro.

Harder (6) - Substituiu Geny aos 79'. Chegou a tempo de protagonizar o decisivo passe para Viktor fechar a conta.

St. Juste (-) - Preencheu lugar de Diomande aos 90'. Exercitou-se nos três minutos de tempo extra.

Rescaldo do jogo de ontem

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Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Gostei

 

Da nossa goleada no Bessa. Exibição modelar de futebol colectivo que deitou por terra o Boavista liderado por um técnico que havia prometido fazer vida difícil ao Sporting. Coitado do sujeito: só conseguiu fazer vida difícil aos seus próprios jogadores, incapazes de formar uma equipa realmente digna desse nome. Levaram uma cabazada: 0-5. A maior goleada que já impusemos neste campeonato. A nossa maior goleada de sempre naquele estádio.

 

De Gyökeres. Um dos nossos melhores jogadores de sempre. Exibiu talento no relvado do Bessa, onde se agigantou ainda mais. Com um póquer que o projecta para a liderança da Bota de Ouro europeia, em disputa directa com Salah. Não precisou de muito tempo para tranquilizar os adeptos: abriu o activo logo aos 6'. Prosseguiu a contagem aos 45'+1, ao correr meio campo com a bola dominada e fuzilando as redes axadrezadas. Depois facturou aos 50' e aos 90'+2. E ainda intervém no único que não marcou, o quarto leonino: é dele o remate inicial, para defesa incompleta e golo de Maxi. Tem agora 38 marcados na Liga: ninguém havia chegado a esta marca desde 2002 no campeonato português. Vale cada cêntimo da sua cláusula de cem milhões.

 

De Trincão. Um jornal titula, com argúcia e notável capacidade de síntese: «Trincão disse "mata", Gyökeres disse "esfola"». Excelente resumo deste jogo. O craque sueco é genial, mas não actua sozinho: precisa de colegas com talento a colocar-lhe bem a bola. Trincão - o jogador do Sporting mais odiado pela matilha letal - foi um precioso municiador do futebol ofensivo que Viktor tão bem traduziu em golos. Dois excelentes passes para golo - o segundo e o terceiro - confirmam-no como rei das assistências: já tem 16 na temporada. Ofereceu dois outros, não concretizados: aos 33' novamente a Gyökeres, com um centro de inegável virtuosismo técnico a fazer a bola sobrevoar a defesa para a cabeça do sueco, e aos 48', soltando-a para Quenda. Exibição de luxo.

 

De Maxi Araújo. Talvez a melhor actuação do jovem internacional uruguaio de leão ao peito. Começou por assistir no primeiro golo: quase todo o trabalho foi dele junto à lateral esquerda, culminando num excelente cruzamento. E foi ele a marcar o quarto, aos 57', numa oportuníssima recarga de cabeça completando a tarefa que Viktor deixara incompleta. Dominou o flanco esquerdo, sem dar hipótese a investidas adversárias.

 

Do regresso de Morita. Após mês e meio de afastamento por lesão, o internacional japonês saltou do banco aos 69', substituindo o amarelado Morten. Esteve em campo tempo suficiente para demonstrar que podemos mesmo contar com ele nesta recta final do campeonato. Faltam 270 minutos decisivos.

 

De ver as nossas redes intactas. Em boa verdade, Rui Silva não necessitou de fazer qualquer defesa. O Boavista foi uma perfeita nulidade, tanto no plano ofensivo como defensivo.

 

Do apoio incessante dos adeptos. Cerca de 10 mil sportinguistas pintaram de verde as bancadas do Bessa. Parecia que jogávamos em casa. Isto ajuda a explicar o motivo de ainda só termos perdido uma vez (com João Pereira) fora de Alvalade neste campeonato.

 

De Miguel Nogueira. Boa arbitragem, pondo em prática o chamado critério largo, à inglesa. Fossem todas assim em Portugal e teríamos certamente pelo menos uma equipa de arbitragem no próximo mundial de clubes. 

 

De mantermos a liderança. Temos agora 75 pontos, quando faltam três rondas para o fecho do campeonato - correspondentes a 23 vitórias em 31 desafios. Ainda não perdemos com Rui Borges ao leme da equipa. O Benfica segue com os mesmos pontos, mas atrás de nós segundo os critérios de desempate: perdeu no clássico de Alvalade e tem menos três golos marcados (nós 83, eles 80). Pormenor relevante: o Sporting acumula agora mais 26 golos do que o FC Porto. Alguém ainda se lembra quando um tal Samu era apontado como suposto "rival" do nosso Viktor Gyökeres?

 

 

Não gostei

 

Do amarelo a Morten. Peça muito influente do onze leonino, o meiocampista fica agora à bica por acumulação de cartões, ao contrário do colega Diomande, que nesta partida "limpou o cadastro" quando viu o quinto que o deixa de fora na recepção ao Gil Vicente mas o torna disponível na ida à Luz, uma semana depois. Dilema para Rui Borges: excluir o internacional dinamarquês da próxima ronda para podermos contar com ele contra o Benfica? Por mim, nem hesito: diria já que sim.

 

Do resultado exíguo ao intervalo. Apenas vencíamos por 2-0 num jogo de sentido único. Gyökeres merecia ter marcado pelo menos mais um: aconteceu aos 12', num espectacular pontapé de bicicleta ainda algo distante da baliza mas pleno de colocação, para defesa muito apertada do guarda-redes boavisteiro.

 

Do reencontro com Diaby. Alinha agora pela turma do Bessa. Mal se deu por ele. Não deixou saudades em Alvalade.

 

Do Boavista. O tal sujeito mencionado no parágrafo inicial, numa bravata para consumo da imprensa, anunciou que a turma que ainda comanda seria «uma ameaça» em campo ao Sporting. A afirmação, à partida já ridícula, tornou-se caricata no fim do jogo: os do Bessa não conseguiram fazer um remate enquadrado até ao apito final.

Embrulhem

 

Acabamos de golear o Boavista no Bessa por 5-0. Cada vez mais embalados para o título, hoje com um póquer do fantástico Viktor Gyökeres. 

Quando faltam três rondas para o fim, continuamos em primeiro. Com 75 pontos, 83 marcados e só 25 sofridos. Melhores números do que o Benfica. Do miserável FC Porto nem é bom falar: foi ontem pela sétima vez ao tapete no campeonato, derrotado por 0-2 na Amadora, onde não perdia desde 2006.

Embrulhem, morcões e lampiões.

Quente & frio

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Rúben Amorim: despedida inesquecível de Alvalade com goleada ao City de Guardiola

Foto: José Sena Goulão / Lusa

 

Gostei muito do jogo épico do Sporting na passada terça-feira, em Alvalade, contra o Manchester City, que muitos consideram a melhor equipa do mundo, treinada por aquele que também costuma ser apontado como o melhor treinador actual do planeta futebol: o catalão Pep Guardiola. Vencemos por 4-1 (com 1-1 ao intervalo) após uma segunda parte em que o onze leonino se comportou como autêntico rolo compressor, neutralizando uma equipa recheada de estrelas: Haaland, Foden, Ederson, Savinho, Akanji, Kovacic, Bernardo Silva, Gundogan e De Bruyne. Exibições superlativas de Gyökeres (três golos, aos 38', 49' e 80', estes dois de penálti), de Pedro Gonçalves (extraordinário, o passe para golo no primeiro do craque sueco), de Israel (não evitou o golo de Foden aos 4', mas impediu três outros, um dos quais de Haaland) e de Maxi Araújo (em estreia como artilheiro na Champions, aos 46 segundos da segunda parte, num lance colectivo que merece figurar na antologia dos melhores de sempre do historial leonino), sem esquecer Diomande, Quenda e Trincão. 

 

Gostei da simbiose total entre adeptos e equipa - incluindo equipa técnica, neste desafio contra o tetracampeão inglês que marcou a despedida de Rúben Amorim do José Alvalade após 1703 dias no Sporting antes de se tornar treinador do United, onde inicia funções na próxima segunda-feira. Gostei do regresso de Matheus Nunes - como ala esquerdo - ao nosso estádio, onde foi brindado com fortes aplausos apesar de vir como adversário. Gostei da celebração final, com os jogadores a formarem um corredor de honra ao técnico que tão bem serviu o Sporting durante quase cinco anos e levantarem-no ao ar, em clima de euforia, numa das mais belas noites de glória que conhecemos no nosso estádio. Fechamos a primeira metade da jornada da Champions 2024/2025 no segundo lugar da classificação, com 10 pontos, a par do Mónaco, terceiro, e só atrás do Liverpool, que comanda com 12 pontos. Entre 36 equipas.

 

Gostei pouco de me lembrar que já restam poucos heróis de outro dia épico na história do Sporting: aquele 18 de Março de 1964, em que derrotámos por 5-0 o Manchester United cheio de génios da bola como o inglês Bobby Charlton (futuro campeão do mundo em 1966), o escocês Denis Law e o irlandês George Best. Goleada alcançada na segunda mãos dos quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças que viríamos a conquistar dois meses depois. Após os recentes falecimentos de Carvalho e Alexandre Baptista, sobrevivem Pedro Gomes, José Carlos, Hilário e Figueiredo. 

 

Não gostei de lembrar um dos nossos, que só por manifesto infortúnio não estava ali, defrontando o campeão europeu de 2023: Nuno Santos, que rompeu pela terceira vez os ligamentos do joelho direito, tendo a época acabado para ele a 27 de Outubro em Famalicão. Mas foi bem substituído por Maxi no difícil confronto com Savinho, o melhor elemento deste City que nos visitou. 

 

Não gostei nada, uma vez mais, do péssimo hábito de alguns idiotas, que teimam em assobiar o hino da Champions no nosso estádio. Como se preferissem disputar outra prova, muito inferior, como a Liga Europa (onde estão FC Porto e Braga) ou a Liga da Conferência (palco do V. Guimarães, que ali está a ser bem-sucedido). Quando é que estes imbecis se deixam de comportar como adeptos de equipa pequena e enfiam os assobios no lugar mais recôndito que tiverem?

O dia seguinte

Noite histórica ontem em Alvalade que vai ficar gravada a ouro na história do clube e na memória de sócios e adeptos. A maior vitória frente a um grande europeu nos últimos 60 anos.

A 18 de Março de 1964, o Sporting goleou o Manchester United de Bobby Charlton, Dennis Law e George Best, por 5-0, na segunda mão dos quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças que viria a ganhar.

A 5 de Novembro de 2024, o Sporting goleou o Manchester City de Guardiola, Haaland, Foden, Bernardo Silva e Matheus Nunes por 4-1 na primeira fase da Liga dos Campeões. 

Um feito só possível pela extraordinária capacidade duns jogadores, duma equipa, dum capitão, dum treinador, dum director desportivo e dum presidente que conseguiram, todos a remar para o mesmo lado, sem protagonismos descabidos, um feito inimaginável, seis anos depois do dia mais negro da história do Sporting, o dia do assalto a Alcochete.

 

Foi um jogo que não começou nada bem. O Man.City caiu em cima, destruiu a saída a jogar, provocou erros sucessivos junto à nossa baliza, marcaram um e falharam dois ou três. Pelo meio, uma perdida escandalosa de Gyökeres que, se fosse o Paulinho, logo diriam o pior. 

O "tiki-taka" de Guardiola versão City foi nessa fase um regalo de ver, um bailado junto à nossa área com os jogadores sempre em movimento e a encontrar espaços de penetração. 

Previa-se o pior em Alvalade. Mas, já quase no intervalo, num lance de laboratório, Quenda inflectiu no terreno e lançou com o pé de dentro Gyökeres, que se redimiu do falhanço anterior. O City abanou e logo a seguir Trincão falhou uma grande oportunidade. 

De qualquer forma, o 1-1 ao intervalo não correspondia ao que tinha sido o jogo. O Man.City merecia estar em vantagem.

 

O jogo recomeçou e o Sporting marcou de rajada dois golos. O primeiro num lance colectivo de excelência logo na saída de bola, com Maxi e Pedro Gonçalves numa combinação perfeita e remate "à matador" do uruguaio do mate. O segundo em mais uma arrancada de Trincão, travado em falta já na grande área.

Com dois murros o City foi ao tapete, incrédulo com o que tinha acontecido, incapaz de reagir. O "tiki-taka" já não era o da 1.ª parte, falhavam os passes de penetração, não conseguiam recuperar no imediato a bola, sujeitavam-se aos contra-ataques do Sporting. Ainda tiveram um VAR que descobriu um penálti mais que discutível, um remate próximo de baixo para cima que parece resvalar no corpo e vai ao braço. Se calhar o melhor é cortar os braços ao Diomande, estão lá a fazer o quê ? Mas a verdade desportiva foi reposta pela trave.

E o City ainda mais se afundou. Rúben Amorim refrescou a equipa com três substituições, o lado esquerdo defensivo por onde o City canalizava muito jogo deixou de preocupar, no seguimento dum canto Catamo fez uma maldade e Matheus Nunes mais uma vez demonstrou que o lugar dele não é ali, recordo-me da tentativa falhada de Amorim ao colocá-lo a ala direito por ausência de Porro no primeiro ano.

Assim chegámos ao 4-1 com oportunidades para mais um ou dois, como por exemplo naquele outro falhanço de Gyökeres frente ao guarda-redes adversário.

 

E foi a festa em Alvalade, a comunhão com os jogadores, a volta de honra, o cântico "Eu fui a Braga..." cantado a plenos pulmões, Amorim lançado ao ar, toda a sua equipa a passar pelo "túnel". E, claro, já todos temos as maiores saudades e ele ainda não saiu, ainda tem de ir a Braga ganhar.

Melhor em campo: Gyökeres. Além do "hat-trick", intervenções decisivas a defender nas bolas paradas, uma sobre a linha que evitou um golo adversário. Depois dele todos os outros, a começar por Maxi Araújo.

Arbitragem:  Forçado pelo VAR a marcar aquilo que não considerou ao vivo.

E agora? Braga, outro jogo muito difícil na corrida para o Marquês.

 

Uma palavra final sobre Frederico Varandas. Se a contratação de Rúben Amorim foi um golpe de génio, a gestão da sua saída foi de grande estadista, a recusa da saída imediata, a promoção do capitão Hjulmand como garante da continuidade, a conferência de imprensa conjunta, a homenagem em Alvalade antes do jogo que poderia ter um resultado humilhante, enfim, estamos muito bem entregues. 

Hugo Viana está de saída para o Man.City, Rúben Amorim para o Man.United, alguns jogadores no final da época ou mesmo antes sairão também, mas o Sporting Clube de Portugal através do seu futebol nunca antes teve a exposição mundial deste momento, nunca antes esteve tão próximo da visão do fundador formulada em 8 de Maio de 1906: "Queremos que o Sporting seja um grande Clube, tão grande quanto os maiores da Europa."

 

PS: Os 5-0 ao Man.United passaram-me ao lado, mas estive em Alvalade nos 7-1 ao Benfica e agora nos 4-1 ao Man.City. Também vi a cores e ao vivo o grande Héctor "Chirola" Yazalde, e vejo agora o tremendo Viktor Gyökeres. Não me posso queixar.

SL

Obrigado, Rúben

ra.jfif

 

Contigo ainda ao leme, o Sporting vulgarizou e derrubou o Manchester City, tetracampeão inglês, campeão europeu em 2023, talvez a melhor equipa do mundo. Na Liga dos Campeões.

Uma das nossas mais épicas jornadas europeias de sempre.

Chegaste a Alvalade e não tardaste a somar vitórias. Sais quase cinco anos depois com a aura de triunfador ainda mais reforçada. Dando novo valor e novo significado a uma das palavras mais detestadas em Portugal: meritocracia.

Mereces toda a sorte do mundo. E novos triunfos no teu currículo - a partir de segunda-feira no Manchester United, histórico rival do City.

Rúben Amorim, 4 - Pep Guardiola, 1

Noite épica em Alvalade: Sporting, 4 - Manchester City, 1.

Goleámos o tetracampeão de Inglaterra, clube milionário.

Um dos melhores resultados de sempre do Sporting em competições europeias.

Seguimos, de momento, em segundo na Liga dos Campeões - num total de 36 equipas. Com dez pontos e passagem já garantida à fase seguinte.

Tão grande como os maiores da Europa.

Inexpugnável

bbb.jfif

 

Acabamos de cumprir a jornada n.º 10. Nova goleada, desta vez em Alvalade: derrotámos o Estrela da Amadora por 5-1. Com um póquer de Gyökeres - o primeiro da sua carreira - e a estreia de Maxi Araújo como goleador leonino.

Reforçamos a liderança do campeonato, isolados. Temos 30 pontos. Levamos 35 golos marcados, apenas três sofridos. Cumprimos o 22.º jogo seguido na Liga a ganhar. O 29.º jogo consecutivo do campeonato sem perder. Seguimos sem derrotas no ano civil em curso que se aproxima do fim. Como equipa inexpugnável.

Melhor ataque e melhor defesa do campeonato. Melhor goleador da prova: o nosso craque sueco, agora com 16. E 20 no conjunto da temporada - além de sete assistências. Hoje artilheiro máximo da Europa.

«Nós e vocês focados no Marquês», lia-se numa enorme tarja da Juve Leo exibida no fim desta recepção ao Estrela. O espírito é este. 

O espírito tem de ser sempre este.

Segunda goleada: difícil começar melhor

Farense, 0 - Sporting, 5

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Gyökeres acaba de a meter lá dentro, de penálti: foi o segundo dos três golos que marcou

Foto: Luís Branca / Lusa

 

O jogo não foi em Faro, mas no Estádio Algarve, já no concelho de Loulé. Permitindo ao Farense triplicar a receita de bilheteira (passando do máximo de 6 mil espectadores para os quase 18 mil deste desafio) só nas recepções às chamadas "equipas grandes" - o que mereceu o duvidoso aval da Liga. Duvidoso por ferir um princípio básico de equidade desportiva.

Isto acabou por beneficiar o Sporting: até parecia que jogávamos em casa. Era diminuta a falange de apoio ao clube de Faro e muitos dos adeptos que lá se deslocaram não esconderam o descontentamento. Se eu estivesse no lugar deles, faria o mesmo.

Incompreensível também o facto de este jogo ter decorrido menos de 24 horas após o fim de outra partida, entre norte-irlandeses e gibraltinos, para a Liga Conferência. Com os consequentes estragos no relvado.

 

Mas o que interessa é isto: ao vivo ou pela televisão, assistimos anteontem a uma das melhores exibições que recordo de uma equipa do Sporting. Superioridade esmagadora do primeiro ao último minuto, pressão constante com bola ou sem ela, ligação perfeita entre todos os sectores, movimentos automatizados ao primeiro toque e sempre de olhos fitos na baliza. 

Um verdadeiro espectáculo.

A pressão atacante era tão forte que apenas supreende o golo inicial ter ocorrido só aos 27'. Principal responsável: Ricardo Velho, eleito melhor guarda-redes do campeonato anterior. Começou por negar o golo a Pedro Gonçalves aos 4' num remate cruzado que ia lá para dentro. Depois a Gyökeres, servido de bandeja aos 16' por Trincão. No próprio lance do golo, faz uma defesa quase impossível a um remate de Daniel Bragança - mas o craque sueco não perdoou no ressalto, atirando-a lá para o fundo.

 

Não adormecemos, nem nos pusemos a "gerir o resultado", como talvez acontecesse noutros tempos. Pelo contrário, a equipa quis sempre mais. Numa das acções ofensivas protagonizadas por Pedro Gonçalves, aos 37', há um desvio da bola dentro da área. Penálti. O VAR Veríssimo teve dúvidas, mas o árbitro Tiago Martins manteve a decisão após visualizar as imagens. Chamado a converter, aos 41', Gyökeres não perdoou. 

Sabia a pouco, o 0-2 ao intervalo. No recomeço, o Farense viu-se forçado a avançar as suas linhas em desesperada busca do tento de honra, mas sem nunca incomodar verdadeiramente o nosso guarda-redes. 

Isto facilitou-nos a vida pois permitiu ao Sporting explorar a profundidade. À direita por Quenda, à esquerda por Geny, com Trincão e Pedro Gonçalves endiabrados como nunca arrastando marcações e baralhando o sistema defensivo adversário. Daniel Bragança juntava-se ao quinteto que tinha Gyökeres como ponta-de-lança: chegámos a ter seis envolvidos em simultâneo na manobra ofensiva.

Mais atrás, Morita chegava e sobrava para unir as pontas, recuperar bolas e apoiar o trio de centrais sempre que se tornou necessário. Com manifesto sucesso.

 

Os golos sucederam-se a um ritmo imparável. Gyökeres fuzilou as redes de longe, aos 66', sem defesa possível. Nuno Santos regressou após um mês de lesão e fez um daqueles cruzamentos teleguiados ao seu jeito que funcionou como assistência para um infeliz autogolo de Lucas Áfrico. O primeiro de que beneficiamos nesta época.

Ainda haveria um quinto golo, à Maradona, marcado por Edwards após conduzir a bola em slalom durante 50 metros. Um a um, os adversários iam ficando pelo caminho. Golaço digno de aplauso até por parte de adeptos farenses. Candidato a golo do mês.

Vencemos, convencemos. Estamos ainda mais sólidos no primeiro posto do pódio. Mesmo ainda sem o tal reforço para a frente de ataque. Mesmo com Morten, titular indiscutível, ainda fora do onze. As trocas fazem-se e a qualidade de jogo subsiste. Confirmando-se que temos banco de suplentes, ao contrário do que sucedia noutros tempos.

 

Confirma-se também que treinador e jogadores querem muito conquistar o bicampeonato que nos foge há 70 anos. Provam-no em campo, desafio após desafio. 

Ficou bem demonstrado, sem margem para dúvidas, nesta goleada no Algarve. A segunda consecutiva em apenas três jornadas. Seria difícil começar melhor.

 

Breve análise dos jogadores:

Vladan - Muito pouco trabalho. Aos 76', saiu a soco afastando a bola cruzada por Belloumi, o melhor da turma algarvia.

Eduardo Quaresma - Exibição irrepreensível. No posicionamento, na concentração, na maturidade, na qualidade do passe.

Diomande - Claro domínio do jogo aéreo. Impõe-se pelo físico, fechando as linhas de passe à turma adversária.

Gonçalo Inácio - Central actuando também como lateral, faz dois passes decisivos para golo: aos 66' descobrindo Gyökeres no flanco oposto, aos 81' servindo Edwards.

Quenda - Inicia a construção do primeiro golo com técnica apuradíssima e perfeito domínio da bola, tirando três defesas do caminho. Trabalha para a equipa.

Morita - Grande obreiro da solidez do nosso meio-campo. Notável precisão de passe: serve sempre bem, com critério. Apoiou a defesa quando foi preciso.

Daniel Bragança - Aos 22' já tinha sofrido três faltas - confirmando como é útil. Quase marcou aos 27': na recarga, surgiu o primeiro golo. Entrega constante à luta, excelente nas recuperações.

Geny - Interventivo como ala esquerdo, melhorou mais ainda ao transitar para o flanco oposto a partir dos 63'. Aos 85' ofereceu um golo que Gyökeres desperdiçou.

Trincão - Um dos criativos da equipa. Desposicionou os defesas em movimentos de rotação, sempre com a bola dominada. Abrindo auto-estradas para os colegas. Só lhe faltou um golo.

Pedro Gonçalves - Ninguém como ele joga tão bem entre linhas. Esteve muito perto de marcar aos 4'. "Assiste" Daniel aos 27'. Foi ele a cobrar o livre de onde nasceu o quarto golo. 

Gyökeres - Leva seis golos à terceira jornada: caso muito raro de eficácia. Marcou três (um de penálti) e podia ter marcado mais dois, aos 16' e aos 85'. Melhor em campo.

Nuno Santos - Entrou aos 63', rendendo Quenda. Está de volta após lesão, cheio de força e energia. Mostrou-o logo aos 69' no cruzamento que deu autogolo.

Debast - Substituiu Eduardo Quaresma aos 71'. Voltou a exibir qualidade no passe longo, bem colocado, com visão de jogo.

Edwards - Substituiu Daniel Bragança aos 71'. Já havia 0-4, mas o inglês fez questão de mostrar serviço. Com um golaço aos 81'. Há sete meses que não marcava. Redimiu-se.

Matheus Reis - Rendeu Diomande aos 86'. Limitou-se a controlar o lado esquerdo do trio de centrais, com Gonçalo remetido ao eixo. 

Dário - Entrou para o lugar de Pedro Gonçalves aos 86'. O resultado estava construído, só havia que gerir com bola. Cumpriu.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

Da goleada no Estádio Algarve. Domínio absoluto do Sporting num jogo de sentido único em que o Farense não fez um só remate enquadrado à nossa baliza. A manobra ofensiva leonina era tão avassaladora que chegávamos a atacar com seis jogadores em simultãneo. Domínio traduzido em golos. Os três primeiros marcados por Gyökeres. O quarto, por Lucas Áfrico, defesa da turma de Faro marcando à ponta-de-lança na própria baliza após cruzamento muito tenso do reaparecido Nuno Santos. O quinto, que selou o resultado (0-5), foi de Edwards, também ele reaparecido - mas no reencontro com os golos.

 

De ver tantos sportinguistas nas bancadas. Oficialmente, para nós, o jogo era fora de casa. Mas ninguém diria, vendo as bancadas e o entusiasmo que delas transbordava em apoio às cores do Leão genuíno, o nosso. «Campeões! Nós somos campeões!» - foi este o cântico que mais se ouviu. Se tivesse decorrido no velho estádio de São Luís, em Faro, haveria três vezes menos espectadores e a desproporção de apoiantes das duas equipas seria muito menor.

 

De Gyökeres. O que dizer mais do fabuloso craque sueco? Apenas reafirmar isto: é um dos melhores avançados que vimos jogar desde sempre no Sporting. Já com seis golos marcados em três jogos da Liga. Cada vez que a bola lhe chega aos pés, cria perigo. E põe a equipa contrária em sobressalto. Ontem, mais três para a sua conta pessoal: fuzilou as redes algarvias aos 27', num oportuno pontapé de recarga; aos 41', na conversão dum penálti; e aos 66', após sentar Moreno e desfeitear Ricardo Velho. 

 

De Pedro Gonçalves. É ali mesmo que deve jogar, como interior esquerdo, movimentando-se entre linhas, indo buscar a bola atrás e conduzindo-a como a inspiração lhe impõe. Desta vez não marcou, mas deu duas vezes a marcar. Ao picar a bola para Daniel Bragança no primeiro golo e ao marcar o livre de que resultaria o autogolo farense, aos 69'. Foi também ele a gerar o lance do penálti numa das suas ousadas incursões na grande área, aos 37'. Rondou o golo aos 4' e aos 74'. Outra exibição superlativa.

 

De Daniel Bragança e Morita. Merecem alusão simultânea porque funcionaram como bloco coeso e muito eficaz. O internacional japonês dominando o corredor central, passando sempre com critério e apoiando a defesa em constantes movimentos de recuo que o punham a par de Diomande. O nosso capitão criando movimentos de ruptura, distribuindo jogo ofensivo (é dele a entrega a Pedro Gonçalves no lance do penálti) e criando ele próprio oportunidades de golo, como aquela em que só uma enorme defesa de Ricado Velho o impediu de a meter lá dentro, aos 27'. Ambos também muito influentes na recuperação e na pressão sobre o portador da bola, o que explica o facto de o Farense raras vezes ter conseguido chegar à nossa área.

 

Do golo de Edwards. Ele é mesmo assim: de repente, quase do nada, inventa um lance genial que leva as bancadas ao delírio. Aconteceu aos 81'. Havia entrado dez minutos antes, substituindo Daniel Bragança já com o resultado em 4-0, quando pega na bola a quase 60 metros da baliza, transporta-a com domínio perfeito e vai deixando para trás sucessivos adversários, numa cavalgada heróica que selou a goleada. Último e mais belo dos nossos golos. Este foi à Maradona, pondo fim a um jejum de sete meses.

 

De Gonçalo Inácio. Actuando com frequência como lateral esquerdo, projectado no terreno, foi igual à sua imagem de marca: discreto mas influente. Cortes preciosos aos 28' e 53'. Dois passes para golo: aos 66', servindo Gyökeres numa soberba variação de flanco, e aos 81', assistindo Edwards. Ostentou a braçadeira de capitão desde o minuto 71', quando Daniel foi substituído. Aos 86', com a saída de Diomande, tornou-se ele central ao meio. Esteve sempre bem.

 

De não termos sofrido golos. Quarto jogo oficial da temporada, primeiro em que mantivemos as nossas redes intactas. Evolução também neste capítulo. 

 

De ver quatro da nossa formação no onze inicial. Para alguns adeptos, isto nada conta. Não é o meu caso. Gostei que Rúben Amorim apostasse em Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Bragança e Quenda. E ainda entrou Dário, aos 86', quando o resultado já estava construído.

 

Da arbitragem. Actuação positiva de Tiago Martins: sempre em cima dos lances, apitando com critério, deixando jogar sem interromper a partida à mínima queda dos jogadores. Bom julgamento no lance mais controverso, aquele em que assinalou penálti, apesar das dúvidas suscitadas pelo video-árbitro Fábio Veríssimo.

 

De ver o Sporting marcar há 45 jogos seguidos. Sem falhar um, para desafios do campeonato, desde Abril de 2023, perante o Gil Vicente (0-0). Números impressionantes, próprios de um campeão em toda a linha.

 

De termos disputado 24 desafios consecutivos sem perder na Liga. Marca extraordinária: a nossa última derrota (1-2) aconteceu na distante jornada 13 do campeonato anterior, em Guimarães, a 9 de Dezembro. E vamos com 13 triunfos nas últimas 14 partidas disputadas para a maior competição do futebol português.

 

 

Não gostei

 

Do Farense. A tradição manteve-se: não nos ganha desde Janeiro de 2001, já lá vai quase um quarto de século. As arrogantes declarações do treinador José Mota, antes da partida, tornam-se agora ainda mais ridículas após ter sofrido esta goleada. Prometia «criar algumas dificuldades» ao Sporting. Afinal, nem uma para amostra.

 

Do péssimo estado do relvado. Chegava a ser inexistente numa das zonas centrais. Inacreditável, como é que a Liga autoriza a realização dum jogo do campeonato português neste estádio onde havia decorrido uma partida da Liga Conferência (entre o Lincoln Red Imps, de Gibraltar, e o Lame, da Irlanda do Norte), menos de 24 horas antes.

 

Da ausência de Morten. O médio defensivo titular permaneceu fora da convocatória por lesão. Mas Daniel Bragança e Morita têm-se completado tão bem que mal se sente a falta do talentoso internacional dinamarquês.

 

Do 2-0 que se registava ao intervalo. Sabia a pouco. Graças a Ricardo Velho, que evitou três golos. Por Pedro Gonçalves (4'), Gyökeres (16') e Daniel Bragança (27'). 

 

De ver um ex-Sporting a jogar contra nós. Desta vez foi Rafael Barbosa, que saltou do banco do Farense no reatamento, após o intervalo.

Primeira goleada, já no comando da Liga

Nacional, 1 - Sporting, 6

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Trincão, momentos após marcar o quarto golo, muito cumprimentado pelos companheiros

Foto: Homem de Gouveia / Lusa

 

Poucos previam que pudesse ser tão fácil. Muito mais do que em Janeiro de 2021, quando nos deslocámos à Choupana e arrancámos lá, a ferros, uma vitória esforçada mas mais do que merecida em inesquecível noite de vendaval. Depois o Nacional baixou de divisão, andou três épocas no escalão secundário. Regressa agora, com o estatuto de campeão da Liga 2 e sete reforços no plantel, o que não parece ter empolgado os seus adeptos: abundavam as clareiras no estádio onde o Sporting fez anteontem a sua primeira deslocação fora de portas neste campeonato.

Havia receios sobre a prestação leonina por parte dos pessimistas do costume. Eram infundados, como se viu. Numa primeira parte que dominámos sem discussão entre os minutos 5 e 35, tendo recuperado a supremacia após quatro minutos vacilantes. E sobretudo ao longo de todo o segundo tempo, em que marcámos quatro golos e podíamos ter concretizado outros tantos. Desfecho: primeira goleada da época, por 6-1. E já o comando da Liga 2024/2025, logo à segunda jornada.

 

Rúben Amorim, numa adaptação ao seu modelo habitual, deu instruções aos alas para actuarem sobretudo como extremos - Geny à esquerda, Quenda à direita. O que alargava a nossa frente de ataque, à semelhança dum rolo compressor. Com Gyökeres no meio do ataque enquanto Pedro Gonçalves e Trincão preenchiam os espaços, abrindo linhas de passe e desgastando o bloco defensivo adversário.

Neste modelo que anda a ser posto em prática com sucesso, Gonçalo Inácio acorria com frequência a dobrar o companheiro da ala esquerda e Eduardo Quaresma fazia o mesmo no flanco oposto, compensando os adiantamentos. No duelo do meio-campo, com Morten ausente por lesão, Morita e Daniel Bragança deram conta do recado. Com o internacional japonês a desdobrar-se também em movimentos de recuo, reforçando os companheiros da defesa.

 

Resultou. E de que maneira. 

Pedro Gonçalves, numa jogada individual que o confirma como o melhor português da actual equipa leonina, fez uma exibição fulgurante de virtuosismo técnico ao inventar o nosso primeiro golo. Estavam decorridos 16': o transmontano pegou nela, deixou cinco adversários pelo caminho e já em desequilíbrio ainda conseguiu dar-lhe o rumo certo, anichando-a no fundo das redes. Estava aberto o caminho para a vitória.

O Nacional tentou dar luta. E chegou a criar a ilusão de que isso seria possível quando empatou a partida num bom disparo a meia altura, aproveitando uma momentânea falha de cobertura do nosso corredor esquerdo. Mas os profetas da desgraça mal tiveram tempo de gritar «Eu não dizia?!» Pedro Gonçalves, novamente protagonista, criou um desequilíbrio e serviu Trincão: o minhoto estava marcado pelos centrais mas desembaraçou-se deles e fuzilou, em remate cruzado. Repondo a justiça no marcador e fixando o resultado ao intervalo: 2-1.

 

Depois só deu Sporting. Com Quenda a confirmar o seu talento muito acima da média: temos aqui um menino prodígio. Outro tesouro da Academia de Alcochete. Derrubado em falta quando fazia uma incursão para o centro, já dentro da área, possibilitou o nosso terceiro golo. Penálti concretizado aos 51' por Gyökeres: o craque sueco marcou-o de modo irrepreensível.

Adivinhava-se goleada. E aconteceu mesmo, em vertiginosa sucessão. Trincão finalizou sem problema, aos 57', após oferta de Geny. Daniel Bragança - com braçadeira de capitão - deu espectáculo ao receber de Pedro Gonçalves na meia-direita e serpentear entre a defesa contrária antes de fuzilar com nota artística aos 66'. E Gyökeres bisou também, aos 76', num disparo fortíssimo, isolado com passe vertical de Debast a merecer aplauso. O jovem defesa belga começa a dar nas vistas pelos melhores motivos.

 

Pela segunda época consecutiva, o Sporting emerge como vencedor nas duas jornadas inaugurais da Liga: é um bom auspício para o que vai seguir-se. Temos 12 golos marcados em três jogos oficiais - melhor marca ofensiva desde a temporada 1990/1991, mesmo sem termos contratado ainda o tal avançado grego que tanto se aguarda.

Rúben Amorim soma e segue: 216 jogos oficiais, 150 triunfos no seu currículo em Alvalade. O melhor do século, um dos melhores da história do nosso clube.

O Nacional, que vinha de 14 jogos sem perder, sofreu a maior derrota de sempre em casa. Talvez muitos dos seus adeptos adivinhassem, daí nem sequer terem optado por comparecer no estádio. Temos pena.

 

Breve análise dos jogadores:

Vladan - Boas defesas aos 31' e aos 47'. Talvez pudesse ter feito melhor no golo solitário que sofremos. 

Eduardo Quaresma - Atento e seguro: o melhor do trio de centrais. Espectacular corte de carrinho aos 30'.

Diomande - Algumas falhas de cobertura: não é Coates quem quer. Faltou-lhe velocidade no lance do golo.

Gonçalo Inácio - Central projectado na ala, influente na construção. Desposicionado no golo da turma madeirense.

Quenda - Excelente técnica, maturidade táctica. Cava o penálti que sentenciou o jogo. Quase marcou aos 24': bola roçou no poste.

Morita - Médio mais recuado, apoiou os centrais. Perdeu a bola aos 49': podia ter dado empate ao Nacional.

Daniel Bragança - Capitão, foi ele a gerir e organizar jogo no corredor central. Marcou um golaço - o nosso quinto.

Geny - Parece cada vez mais adaptado à ala esquerda. Recupera, domina e assiste no quarto golo leonino.

Trincão - Muito confiante. Estreia-se a marcar nesta nova época, e logo com um bis. Esteve quase a fazer outro golo, aos 74'.

Pedro Gonçalves - Marcou um, deu dois a marcar. Soma 80 golos e 54 assistências em quatro anos no Sporting. Cada vez mais influente, cada vez mais maduro. Melhor em campo.

Gyökeres - Também ele bisou. Primeiro de penálti, depois num fabuloso pontapé de meia distância. Em excelente forma.

Debast - Substituiu Eduardo aos 69'. Destacou-se ao assistir no sexto golo: pontapé vertical de 40 metros.

Dário - Entrou para o lugar de Morita aos 79'. Mostrou-se confortável no corredor central. Primeiros minutos da época.

Matheus Reis - Rendeu Geny aos 79'. Discreto, controlou ala esquerda. Sem sobressaltos.

Edwards - Substituiu Trincão aos 85'. Quase sem tempo para se mostrar: o resultado estava construído.

Fresneda - Entrou aos 85', rendendo Diomande, só para ganhar algum ritmo.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

Da goleada na Choupana. Segunda jornada da Liga 2024/2025, primeiro jogo do Sporting fora de casa. Contra o Nacional, mais de três anos depois. Não podia ter corrido melhor. Fomos lá vencer por 6-1, sem dar hipóteses ao adversário. Há cinco anos que, nesta condição de equipa visitante, não vencíamos no campeonato com pelo menos seis golos apontados - desde 5 de Maio de 2019, quando derrotámos B-SAD por 8-1.

 

Do nosso domínio indiscutível. Protagonizámos um festival de jogo ofensivo: a nossa equipa sempre confiante, motivada e com índices físicos dignos de registo contra o anterior campeão da Liga 2, que não perdia há 14 jogos e se reforçou com sete jogadores. Domínio absoluto registado mesmo sem Morten no onze, por lesão, e mesmo sem ter chegado ainda o anunciado reforço para a frente de ataque. 

 

De Pedro Gonçalves. Voltou a estar em foco: melhor em campo, justificadamente. Foi ele a marcar o primeiro golo, aos 16'. Grande golo, em que o trabalho foi todo dele, conduzindo sabiamente a bola, com súbitas alterações de velocidade e uma simulação, deixando cinco adversários pelo caminho. Fez ainda duas assistências. Para o segundo e o quinto. Atravessa um dos melhores períodos da sua carreira: quatro golos marcados em três jogos da temporada oficial. É imperdoável continuar fora das convocatórias da selecção.

 

De Gyökeres. Um dos obreiros desta goleada leonina. Incansável, sempre de olhos fitos na baliza. Marcou por duas vezes - aos 51', convertendo um penálti, e aos 76', fechando a contagem, numa bomba disparada pelo seu pé-canhão após fantástica arrancada com assistência milimétrica de Debast. Esteve a centímetros do tri, aos 87', quando recuperou a bola e rematou ao ferro. Pode festejar também por este motivo: foi a sua estreia como artilheiro na Madeira. Tem números galácticos, à nossa escala: já marcou 46 golos em 53 partidas de Leão ao peito.

 

De Quenda. Confirma-se: temos craque. Grande exibição como ala direito, encarregado sobretudo de missões ofensivas mas fechando sempre também o seu corredor em despique vitorioso com o lateral esquerdo adversário. Com pleno domínio técnico e notável maturidade táctica para um jovem de apenas 17 anos. Aos 49' protagonizou um lance dentro da grande área em que foi derrubado com toque ostensivo no pé de apoio. Daqui nasceria o nosso terceiro golo.

 

De Daniel Bragança. Com Morten ausente, coube-lhe ser o capitão e gerir a manobra ofensiva do Sporting. Sobretudo na primeira parte quase toda a acção atacante passou por ele, organizando, distribuindo com critério, promovendo variações de flanco. Cereja em cima do bolo: o espectacular golo que marcou. Foi o nosso quinto, aos 66': num espaço curto, conseguiu mudar duas vezes de pé e fazer uma decisiva finta de corpo sem se atemorizar com os três defesas que tinha pela frente, rematando com colocação e força. Golaço que premiou o seu excelente desempenho.

 

De Trincão. Inicialmente muito vigiado ao actuar nas costas de Gyökeres, foi-se libertando da marcação cerrada até exibir toda a qualidade do seu futebol. Estreou-se como artilheiro neste campeonato, e logo a bisar: o segundo golo, aos 40', num remate cruzado sem hipóteses para o guarda-redes, e o quarto, aos 57', encaminhando-a para as redes em posição frontal, saíram do seu pé canhoto. Com preciosas ajudas de Pedro Gonçalves e Geny, em qualquer dos casos. É assim que queremos vê-lo, de pé quente e com boa pontaria no remate. 

 

De ver quatro da nossa formação no onze inicial. Para alguns adeptos, isto nada conta. Não é o meu caso. Gostei que Rúben Amorim apostasse em Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Bragança e Quenda. E ainda entrou Dário, aos 79', quando o resultado já estava construído.

 

Da arbitragem. Boa actuação de Luís Godinho, adoptando o chamado critério largo que há muito devia vigorar no primeiro escalão do futebol português. Uma espécie de inverso de Fábio Veríssimo, que continua a protagonizar autênticos festivais de apito sem perceber que só árbitros sem nível procedem assim.

 

De ver o Sporting marcar há 44 jogos seguidos. Sem falhar um, para desafios do campeonato, desde a Liga 2022/2023. Números impressionantes, próprios de um campeão em toda a linha.

 

De termos disputado 23 partidas consecutivas sem perder na Liga. Marca extraordinária: a nossa última derrota aconteceu na distante jornada 13 do campeonato anterior, disputada em Guimarães, a 9 de Dezembro.

 

 

Não gostei

 

Do golo sofrido. Único falhanço defensivo do Sporting, com Gonçalo fora de posição a dobrar Geny e Diomande também muito adiantado, incapaz de interceptar o passe de ruptura para Thomas, aos 36'. O remate saiu a meia altura e sem força excessiva: ficou a sensação de que Vladan podia ter feito melhor. Já sofreu seis golos em três jogos oficiais na temporada, há motivos para questionarmos o seu desempenho entre os postes.

 

Da ausência de Morten. O internacional dinamarquês ficou fora da convocatória devido a uma lesão que não é grave. Medida de precaução compreensível: vêm aí desafios muito mais complicados do que este. De qualquer modo, mal se sentiu a sua ausência: Daniel Bragança, chamado a substituí-lo, deu boa conta do recado.

 

Do 2-1 registado ao intervalo. Sabia a pouco.

 

Do cartão amarelo exibido a Gonçalo Inácio a segundos do fim. Absolutamente desnecessário. Mesmo a ganhar 6-1, é fundamental que os jogadores percebam isto: toda a desconcentração deve ser evitada, do princípio ao fim.

Adeptos já com tarjas para Rúben ficar

Gil Vicente, 0 - Sporting, 4

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Francisco Trincão marcou dois golos em Barcelos: melhor em campo, herói do jogo

Foto: José Coelho / Lusa

 

Nem parecia um embate entre as mesmas equipas que há um ano, no mesmo estádio, se saldou por uma medíocre prestação leonina, incapaz de conseguir melhor do que um empate a zero. Este Gil Vicente-Sporting confirmou, até junto daqueles mais reticentes em reconhecer tal facto, como o conjunto verde-e-branco da época em curso está a ser muito mais competente. Com os resultados que sabemos.

Foi em jeito de rolo compressor que o onze comandado por Rúben Amorim iniciou o desafio de sexta-feira em Barcelos, disposto a garantir os três pontos no prazo mais curto. Asfixiando à nascença todas as iniciativas da equipa anfitriã em libertar-se da sufocante pressão que lhe fizemos.

O desígnio estratégico concretizou-se com brilhantismo: ao quarto de hora já vencíamos por 2-0. Golos de Francisco Trincão (com o pé direito!), aos 7', escassos segundos após Morita ter feito a bola embater na barra. Duas oportunidades, um golo. Diomande ampliou a vantagem num cruzamento perfeito, após a marcação de um canto, com assistência de Pedro Gonçalves.

 

O entusiasmo nas bancadas era tão audível que até parecia estarmos a jogar em casa. Nada como as vitórias para cimentar a relação entre os adeptos e a equipa - e reconduzir as claques à função primordial que lhes deu origem: apoiar os jogadores. 

Foi nesta atmosfera festiva que surgiu o terceiro golo. Novamente apontado por Trincão - herói da noite em Barcelos, sem dúvida o melhor em campo. Nascido num lance rápido, com bola ao primeiro toque, em tabelinha com Daniel Bragança - outra exibição de inegável qualidade no relvado minhoto. Aconteceu aos 31': ficava claro que a vitória já não nos fugia. Enquanto a turma da casa continuava sem possibilidade de invadir o nosso meio-campo.

Gyökeres, incansável, procurava também o golo. Quase conseguiu, aos 38', num petardo em que fez pontaria à trave e a bola resvalou para as costas do infeliz guarda-redes Andrew, entrando na baliza. Ficou creditado como autogolo: foi o quarto desafio seguido do craque sueco sem a meter lá dentro. O que não invalida o seu excelente saldo da temporada: 37 golos apontados, 23 dos quais na Liga.

 

Prometia terminar em goleada - e terminou mesmo. Mais uma, após o Sporting-Estoril (5-1), o Vizela-Sporting (2-5), o Sporting-Casa Pia (8-0), o Sporting-Braga (5-0) e o Sporting-Boavista (6-1). Isto só para o campeonato

Construída ao intervalo, esta vitória robusta de há três dias permitiu-nos descansar com bola durante toda a segunda parte, já a pensar no desafio de amanhã em Famalicão. Que ninguém imagina vir a ser fácil. Deu para trocar Gonçalo Inácio por Coates, Pedro Gonçalves por Edwards, Trincão por Paulinho, Geny por Fresneda (enfim recuperado da prolongada lesão que o afastou dos estádios) e Daniel Bragança por Koba.

Quem mais brilhou, nesta etapa complementar, acabou por ser Israel. Que manteve a nossa baliza inviolada, numa aparatosa defesa a negar o tento de honra à turma gilista.

 

Levamos 127 golos marcados desde o início da temporada. E a sexta melhor marca goleadora de sempre na história do Sporting - e a melhor desde os tempos já muito recuados de Fernando Peyroteo. Marcamos há 37 jornadas seguidas. Reforçamos o comando isolado do campeonato, agora com 74 pontos - tantos quantos fizemos em toda a época anterior, quando ainda temos seis jogos por disputar. Cumprimos o 15.º desafio da prova sem perder. Cumprimos uma série de 17 jogos consecutivos a marcar pelo menos dois golos, tendo agora 83 na Liga. Tantos quantos o Benfica apontou em todo o campeonato 2022/2023.

Não admira, por isso, que nas bancadas do estádio barcelense surgissem várias tarjas onde se lia: «#ficaAmorim». Exprimem o desejo de todos os adeptos. Ou quase todos, para ser mais rigoroso. Há sempre algumas hienas no reino do leão.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel - Exibe mais segurança de jogo para jogo. Não teve muito trabalho, mas quando foi chamado a intervir revelou brilhantismo, impedindo o golo gilista, aos 64'.

Eduardo Quaresma - Cumpriu, vencendo duelos enquanto se desdobrava entre central à direita e a posição de lateral, permitindo assim Geny actuar como extremo.

Diomande - Destacou-se como patrão da defesa, no lugar do onze que costuma estar reservado a Coates. Mas o momento alto foi lá na frente: marcou muito bem, de cabeça, o golo 2.

Gonçalo Inácio - Continua algo desconcentrado, errando mais do que nos habituou. Mas colocou a bola com critério. De um passe seu, ao desmarcar Pedro Gonçalves, nasce o quarto golo.

Geny - Desta vez não foi ele o herói. Nem sequer marcou. Mas soube criar desequilíbrios, mantendo a defesa adversária em sentido. À direita na primeira parte, à esquerda na segunda.

Morita - Temos de volta o talentoso médio que brilhou antes da mais recente chamada à selecção. Deu o primeiro sinal de vida numa bola ao poste (7'). Muito combativo nos duelos.

Daniel Bragança - Capitão inicial, compôs parceria perfeita com Morita, em sucessivas altenâncias de posição que dinamizaram o corredor central. Assistência perfeita no terceiro golo.

Esgaio - Com Matheus lesionado, comprovou a sua versatilidade alinhando como ala esquerdo. Devolvido ao corredor oposto na segunda parte, teve lapso defensivo que podia ter saído caro.

Trincão - Marcou duas vezes, o primeiro e o terceiro, e podia ter levado novamente a bola ao fundo das redes em remate que rasou a trave (19'). Cada vez mais influente. Melhor em campo.

Pedro Gonçalves - Imprescindível como titular, a colocar bem a bola e a desposicionar a defesa. Mais duas assistências: no segundo golo e no quarto - este com o pior pé. Ou o menos bom.

Gyökeres - Dele, os adeptos esperam sempre golos. Mas ainda não foi desta que quebrou o breve jejum. Esteve quase, no quarto golo: rematou à trave e a bola tabelou no guarda-redes. 

Coates - Entrou aos 62', substituindo Gonçalo Inácio. Já quando a equipa fazia gestão de esforço, "descansando com a bola". 

Edwards - Substituiu Pedro Gonçalves aos 62'. Continua errático, lento a decidir. Aos 89', de frente para a baliza, perdeu oportunidade de marcar o nosso quinto golo.

Paulinho - Entrou para o lugar de Trincão aos 70'. Sobretudo com a missão de segurar a bola e fixar defesas com as suas movimentações na linha avançada.

Fresneda - Em campo desde o minuto 70', rendendo Geny. Nunca tinha jogado tanto de leão ao peito no campeonato. Como ala esquerdo, de pé trocado. Perdeu três duelos. 

Koba - Substituiu Daniel Bragança ao 78'. Melhor momento: bom transporte de bola no minuto seguinte. Mas continua a pecar por falta de intensidade.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De outra goleada. Caminhamos em ritmo acelerado rumo à conquista do campeonato, com sucessivos obstáculos derrubados. Desta vez foi em Barcelos, no mesmo estádio onde tínhamos empatado a zero na época anterior - e onde sofremos eliminação frente ao Varzim, na Taça de Portugal dessa época. Vitória por quatro golos sem resposta - toda construída antes do intervalo. Há mais de duas décadas que não conseguíamos tal proeza - desde 2001/2002, num desafio frente ao Paços de Ferreira. O Sporting soma e segue.

 

De Trincão. Está a fazer a melhor época no Sporting, confirmando que é mesmo reforço. Mais dois golos apontados: o primeiro, logo aos 7', de pé direito; o segundo (que foi o nosso terceiro), aos 33', correspondendo da melhor maneira a excelente abertura de Daniel Bragança. E ainda brilhou num remate, aos 19', que rasou a trave gilista. Melhor em campo, novamente. Já soma sete golos - nove no total da temporada - e sete assistências.

 

De Pedro Gonçalves. Sempre útil. Mesmo quando não marca, assiste. Ontem, mais duas assistências. Saiu dele o passe certeiro após um canto, rumo à cabeça de Diomande, para o segundo golo leonino, aos 11'. E assistiu Gyökeres no nosso quarto, aos 38', num tiro à trave que acabaria por levar a bola a resvalar nas costas do infeliz guardião Andrew - de luto por ter sabido horas antes a triste notícia do falecimento da mãe. Ninguém no Sporting trabalha com tanta competência entre linhas como o craque transmontano. Imprescindível.

 

De Diomande. Com Rúben Amorim a fazer gestão física do capitão Coates, coube ao jovem marfinense comandar a nossa linha defensiva - entre Eduardo Quaresma e Gonçalo Inácio, dois talentos formados em Alcochete. Funcionou sem problema. E com momentos de inegável brilhantismo, culminando no golo que marcou ao elevar-se mais alto do que os defensores da turma antitriã, num vistoso cabeceamento. A bola só parou no lugar certo: o fundo das redes.

 

De Daniel Bragança.  Morten não jogou: estava castigado, com acumulação de cartões. Mas nem se deu pela ausência do craque dinamarquês. A sua posição estava bem preenchida com outro talento da Academia de Alcochete. Daniel Bragança, bom no passe e no transporte, conduziu bem as operações no corredor central, formando sólida parceria com Morita. Capitão da equipa até à entrada de Coates, aos 62', destacou-se nas recuperações e sobretudo na exímia assistência para o terceiro golo. Recebeu merecido aplauso ao dar lugar a Koba, aos 78'.

 

De Rúben Amorim. Terei de destacá-lo sempre pela positiva, presumo, até ao final do campeonato. Desta vez, confrontado com duas baixas no onze titular, voltou a adaptar-se da melhor maneira às circunstâncias deixando Geny como extremo, confiando a Eduardo Quaresma a dupla missão de ser central à direita e lateral na mesma faixa e remetendo Esgaio para a ala esquerda. Tudo funcionou num jogo em que já vencíamos com duas bolas de vantagem antes do primeiro quarto de hora. Isto permitiu ao treinador gerir a equipa no plano físico. Atendendo já ao próximo desafio: será em Famalicão, terça-feira, a partir das 20.15. Vai cumprir-se enfim o jogo que ficou em atraso.

 

Do nosso desempenho. Imparavel. A equipa transmite confiança, optimismo, alegria no relvado. Desenhando um futebol vertical, capaz de desposicionar os adversários com manobras ofensivas alternadas pelos corredores externos, súbitas variações de flanco e manobras entre linhas que condicionam o jogo rival. Com entrada fortíssima em campo, uma vez mais. «A equipa que faz da euforia a sua anti-depressão», como justamente titulou o Observador na crónica do jogo.

 

De Manuel Oliveira. Boa arbitragem: mal se deu por ele.

 

Do apoio nas bancadas. Havia mais de onze mil espectadores em Barcelos. Grande parte deles eram adeptos do Sporting, que incentivaram os nossos jogadores do princípio ao fim. Exibindo faixas muito apropriadas onde se podia ler «#ficaAmorim».

 

De já termos marcado 127 golos em 2023/2024. É o sexto melhor registo de sempre na história leonina. E o melhor desde os longínquos tempos de Peyroteo, na época 1946/1947.

 

Dos 74 pontos já conquistados. Igualámos a pontuação do campeonato anterior - quando ainda nos faltam seis partidas por disputar agora.

 

De ver o Sporting marcar há 37 jornadas seguidas. Sempre a fazer golos, desde o campeonato anterior - com uma série de 17 jogos seguidos a facturar pelo menos duas vezes. Reforçamos a nossa posição no topo das equipas goleadoras. Basta comparar: temos 83 marcados, já mais um do que o Benfica em toda a época anterior, seis rondas antes do fim da prova. Esta é a melhor marca de uma equipa na Liga, à 27.ª jornada, desde 1983/1984, igualando o SLB dessa época. E cumprimos o 15.º desafio consecutivo sem perder na Liga 2023/2024, com seis triunfos consecutivos. Na segunda volta, até agora, ainda só perdemos dois pontos - no empate em Vila do Conde.

 

 

Não gostei

 

Das ausências de Morten e Nuno Santos. Tapados com cartões amarelos, ficaram ambos fora deste confronto em Barcelos. Mas, em rigor, não fizeram falta. É um dos segredos do sucesso desta equipa tão bem orientada por Rúben Amorim: o conjunto funciona com eficácia sejam quais forem os elementos do onze titular.

 

De ver Gyökeres em branco. Quarto jogo consecutivo do internacional sueco sem marcar de leão ao peito. Nunca tinha acontecido. Mas ele bem tentou, com aquelas suas inconfundíveis arrancadas relvado fora, levando tudo à frente. Num desses lances, sempre sublinhados com aplausos, disparou um tiro que fez a bola embater novamente à barra - terceira vez nos últimos três jogos. Mas esta acabou por entrar, embora tabelando no guarda-redes gilista. Foi o nosso quarto golo de ontem. Olhando para o internacional sueco, percebia-se o seu desalento ao concluir que não lhe fora creditado. 

 

Da falta de golos no segundo tempo. O resultado ficou construído aos 38'. A equipa baixou o ritmo na etapa complementar, como era previsível, e o jogo adquiriu uma toada mais monótona, com o Gil Vicente quase sempre incapaz de dar réplica. Só criou uma oportunidade de golo, aos 64', num remate cruzado que Israel defendeu com brilhantismo entre os postes.

 

De Fresneda. Pudemos enfim voltar a vê-lo algum tempo em campo: entrou aos 70', substituindo Geny. Mas o espanhol continua sem demonstrar as qualidades que levaram o Sporting a contratá-lo. Corre muito, mas perde a bola com facilidade. Assim aconteceu aos 77', 79' e 81'. Tarda em mostrar-se útil

 

De ver Félix Correia com outro emblema. O talentoso extremo foi formado em Alcochete, onde jogou até aos 19 anos. Depois forçou a saída, quis mudar de ares. Levaram-no para o Manchester City, onde nunca chegou a jogar; depois para a Juventus, onde só actuou uma vez pela equipa principal, durante sete minutos, numa partida da Taça italiana. Agora joga no Gil Vicente por empréstimo da Juve. Estranha forma de gerir a carreira. Podia ser um dos nossos, mas optou por nos virar as costas. Que lhe faça bom proveito.

O dia seguinte

Vendaval verde esta noite num campo sempre difícil, o do Gil Vicente, que combinou muito bem uma fortíssima vontade de vencer com uma capacidade táctica ao nível de excelência, aqui ou em qualquer lado. E assim é mesmo díficil segurar Rúben Amorim, até um observador inglês intoxicado com Super Bocks e aos tombos na bancada rapidamente percebe o "monstro" que ali está.

Com os alas e os interiores de "pé trocado", o Sporting entrou com uma grande aceleração de jogo pelas zonas centrais e uma pressão muito forte sobre a defensiva contrária, que permitia depressa transformar recuperações de bola em remates ao golo. Depois o talento de Trincão fez o resto. Só foi pena a cabeçada de Gyökeres a centro milimétrico de Pedro Gonçalves ter batido na nuca do guarda-redes infortunado do Gil Vicente (aproveito para endereçar as minhas condolências ao rapaz).

Com 4-0 ao intervalo a segunda parte foi de gestão física, foram saindo os mais fatigados e entrando quem precisava de minutos, bola recuperada atrás era bola colocada em Gyökeres, mas a noite não era a dele.

Impossível desvalorizar uma vitória por 4-0 em Barcelos, independentemente da situação actual da equipa local, como impossível é também supor que em Famalicão vai ser assim tão simples, a equipa local vai entrar em campo com a lição bem estudada para fazer bem diferente do que fez o Gil Vicente.

Melhor em campo? Trincão, depois dele os outros todos que entraram de início.

Arbitragem? Desta vez não encontrou motivos para estragar o jogo, mas também não os inventou. 

E agora? Onda verde em Famalicão na terça-feira, já com Hjulmand e Nuno Santos, e depois se verá em Alvalade. 

SL

A festa do golo e o sonho do campeonato

Sporting, 6 - Boavista, 1

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Gyökeres e Paulinho marcaram cinco dos nossos seis golos: foi a quinta goleada leonina nesta Liga

Foto: José Sena Goulão / EPA

 

Alguns diziam que esta seria uma das nossas partidas mais difíceis. Em primeiro lugar porque o Boavista tem bons jogadores - impuseram empate ao FC Porto no Bessa. Em segundo lugar, o Sporting trazia de Bérgamo uma desmoralizante derrota, embora tangencial (1-2), contra a Atalanta que nos pôs fora da Liga Europa. Além disso não chegámos a cumprir o descanso mínimo de 72 horas recomendado entre duas partidas do calendário oficial de futebol. Como se tudo isto não bastasse, o melhor jogador português do plantel leonino, Pedro Gonçalves, lesionou-se no embate em Itália.

Motivos de preocupação. Mas afinal não havia razão para isso. O Sporting exibiu classe, categoria, inegável superioridade perante a segunda melhor equipa da cidade do Porto. Ao ponto de termos arrancado a nossa segunda maior goleada da Liga 2023/2024 - apenas superada pelos oito golos sem resposta que impusemos ao Casa Pia. E assim chegámos aos 75 já marcados nesta prova. Completando uma média sem casas decimais: três golos por cada um dos 25 desafios que até agora disputámos.

O que desmente a teoria, propalada pelos do costume, de que o futebol de Rúben Amorim é cauteloso e defensivo, pouco vocacionado para a dinâmica ofensiva. Coitados desses tais: continuam a ser desmentidos pelos factos.

 

E no entanto este jogo ocorrido anteontem, domingo, até nem começou da melhor maneira para nós. Quando ainda vários adeptos nem estavam sentados nos seus lugares, já o Boavista se adiantava no marcador com uma bomba disparada sem preparação por Makouta. Grande golo, que gelou o estádio em noite quase primaveril.

Pior foi ter decorrido um longo período sem conseguirmos o empate - dos 3' aos 45', quando o suspeito habitual desatou o nó: Gyökeres, numa espécie de carrinho que quase o fez entrar na baliza, deu a melhor sequência ao centro que Paulinho desenhou com nitidez geométrica. Muito antes, aos 6', Trincão vira anulado um vistoso disparo muito bem colocado: Paulinho estava 26 cm deslocado nesse lance.

Assim se chegou ao intervalo: 1-1.

 

No segundo tempo só deu Sporting. Pressão intensa, ataque vertiginoso, impecável trabalho dos nossos jogadores com bola e sem ela, todas as alas a executar movimentos de ruptura de olhos fitos na baliza à guarda de João Gonçalves.

Queriam ainda mais golos no Sporting? Tiveram meia-dúzia. Para que a tal média acima mencionada resultasse perfeita, sem necessidade de baralhar aqueles que percebem pouco de aritmética.

O segundo surgiu aos 54'. Marcado por Paulinho, com Geny a dar espectáculo na assistência a partir da meia-direita.

O terceiro, aos 68', resultou de outra primorosa acção do craque sueco, lançado por Nuno Santos num passe vertical que queimou linhas.

Era o sexto bis de Gyökeres na Liga, mas a conta dele ainda não estava fechada. Viria a marcar outro, aos 79' - de penálti, a castigar falta cometida sobre Gonçalo Inácio. E foi ele a assistir Nuno Santos no quinto golo, aos 88'.

A conta só encerrou no último minuto do tempo extra, aos 90'+5, quando de um canto apontado por Nuno para a cabeça de Paulinho resultou o sexto. Mais de 38 mil espectadores abandonaram Alvalade de barriga cheia.

As claques ovacionavam a equipa. Mantínhamos o comando do campeonato. Isolados. O Benfica segue um ponto abaixo, o FC Porto vai sete pontos atrás. Tendo nós um jogo a menos.

 

Desta vez houve apenas assobios a António Nobre. Mas é irrelevante falar do árbitro num jogo em que goleámos por 6-1. Não nos foi anulado qualquer golo limpo, não foi validado qualquer golo irregular da equipa adversária, beneficiámos de um grande penalidade indiscutível, nenhum jogador nosso foi expulso.

Portanto, jogo sem história em matéria de arbitragem. Como deviam ser todos. Claro que nenhum árbitro é perfeito, tal como nenhum treinador é perfeito e nenhum jogador é perfeito. Nem sequer o Cristiano Ronaldo.

Deixemos os recorrentes protestos sobre arbitragem para aqueles embates muito específicos em que realmente temos queixas sérias de quem apita - não para a nossa segunda maior goleada da Liga 2023/2024.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel - Podia ter feito melhor no lance do golo sofrido: socou a bola para o espaço à sua frente, entregando-a a Makouta. Mas não voltou a cometer erros. Aliás, não necessitou de fazer qualquer defesa.

Diomande - Faltou-lhe acorrer com eficácia à dobra, após Geny ter sido ultrapassado pelo extremo adversário no lance do golo. Arriscou algumas incursões ofensivas. Numa delas, aos 49', falhou recarga fácil.

Coates - É bom ver o capitão de regresso ao onze. Desta vez para durar o jogo inteiro. Único deslize: perda comprometedora de bola aos 71'. Aos 74', meteu-a lá dentro, mas o jogo já estava interrompido.

Matheus Reis - Missão cumprida, com a segurança habitual, na noite em que foi distinguido com galardão especial por ter cumprido 150 jogos de leão ao peito. Teve intervenção preciosa no nosso primeiro golo.

Geny - Confirma-se: tem mais vocação para atacar do que para defender. Primeira parte titubeante, ultrapassado aos 3' no lance do golo deles. Redimiu-se ao assistir no golo 2: cruzamento a rasgar, com nota artística.

Morten - Mostrou algum desgaste anímico pela derrota em Bérgamo. Entregou a bola aos 16', algo inabitual nele. Corte in extremis logo a seguir. Amarelado aos 32', já não regressou após o intervalo.

Morita - Recuperado da indisposição que o impediu de ir a Itália, esteve envolvido no 1-1. Aos 43' fez brilhante passe para um quase-golo de Trincão. Sempre em jogo, revelando qualidade técnica superior. Imprescindivel.

Nuno Santos - Novamente titular. A paragem fez-lhe bem: regressou com energia e arte futebolística. Magnífico passe de letra aos 38'. Assistiu Viktor no golo 3. Marcou o golo 5. E bateu o canto que originou o último.

Trincão - Meteu-a lá dentro aos 6', mas não valeu: Paulinho estava deslocado. Só o guarda-redes o impediu de marcar um excelente golo (43'). Foi dele a pré-assistência no golo 2. Saiu com queixas físicas. 

Paulinho - Como segundo avançado, fez parceria perfeita com Gyökeres. Matador por duas vezes: aos 54', com o pé, e aos 90'+5, de cabeça. Também num cabeceamento, esteve prestes a marcar também aos 73'.

Gyökeres - Inútil esbanjar mais adjectivos com ele: poupemos nas palavras e observemos a sua acção em campo. Mais três golos para a sua conta. Tem já 36 na temporada, mais 14 assistências. Um espectáculo.

Daniel Bragança - Fez toda a segunda parte, subtituindo Morten. Com brilhantismo. Venceu quase todos os duelos, posicionou-se de modo exemplar entre linhas. Excelentes recuperações aos 62' e 72'.

Gonçalo Inácio - Entrou aos 55', permitindo assim poupar Matheus Reis a maior desgaste físico. Pareceu longe da melhor forma nas suas primeiras acções em campo. Mas sacou um penálti aos 74'.

Eduardo Quaresma - Entrou aos 73', rendendo Diomande. Assegurou a circulação tranquila da bola, sem sobressaltos.

Esgaio - Refrescou a equipa aos 84' ao substituir Trincão, que saiu a coxear. Quando a partida estava ganha, já com 4-1 no marcador.

Koba - Entrou aos 84', rendendo Morita, só para cumprir mais uns minutos de leão ao peito. Poucas vezes tocou na bola. Nem era necessário.

Os golos de Amorim!

Há quem considere que o resultado num jogo de futebol passa a ser de goleada a partir de três golos de diferença. Mas há quem defenda que devem ser quatro a dita diferença entre os golos marcados e sofridos.

O curioso é que o resultado de três a zero, para muitos, pode não ser goleada, mas de quatro a um já é… No entanto a diferença de golos é a mesma.

Posto isto vou ter como matriz a diferença de três golos para considerar goleada. Assim, e em 25 jogos já realizados, o Sporting brindou os adversários com a diferença de três ou mais golos por oito ocasiões (quase um terço dos jogos).

Vejamos a lista das partidas realizadas:

jornada 5 – 3 - 0 ao Moreirense;

jornada 16 - 5 - 1 ao Estoril;

jornada 17 – 3 - 0 em Chaves;

jornada 18 – 5 - 2 em Vizela;

jornada 19 – 8 - 0 ao Casa Pia;

jornada 21 – 5 - 0 ao Braga;

jornada 25 – 3 - 0 em Arouca;

jornada 26 – 6 - 1 ao Boavista.

Depois fui ver os resultados do nosso adversário mais directo. Também ousou fazer oito goleadas contra apenas três do clube da Cidade Invicta. Neste último caso uma delas foi contra o nosso perseguidor.

Olho para estes dados e pergunto-me há quanto tempo isto não acontecia com o Sporting. Segundo li hoje parece que será necessário recuar meio século para se conseguir encontrar algo semelhante.

Agora a questão sacramental e que divide alguns sportinguistas: a quem atribuir o mérito destes resultados?

É fácil atribuir os louros ao ponta de lança sueco Gyökeres, a Pedro Gonçalves ou até mesmo ao Francisco Trincão ou em última instância partilhar o mérito pelos três. Só que nenhum deles, sem Rúben Amorim, conseguiria fazer da equipa o que ela é: uma poderosa máquina de fazer golos.

Rúben conhece hoje bem os seus homens. Conhece as características de cada um e sabe retirar deles o melhor. Mesmo quando estão cansados.

Posto isto e em termos meramente internos o Sporting é sem dúvida a melhor equipa portuguesa. Os outros podem até ter campeões do Mundo, da Lua ou de Marte, mas falta-lhes o espírito de grupo e de conquista como hoje tem a equipa leonina.

Mesmo quando as coisas não correm bem, como foi o caso em Bérgamo ou em Vila do Conde, a equipa não se desune e mostra que é sabendo ultrapassar os momentos menos bons que se pode encontrar o segredo das vitórias seguintes.

São estes os golos de Amorim e que a Liga não consegue contabilizar!

Rumo aos 100?

Com 9 jornadas por disputar, uma evidência parece certa: este Sporting da New Era 2.0 será, até à data, o mais demolidor deste século, no que ao campeonato nacional diz respeito.

A atual melhor marca, de 79 golos, conseguida na época de 2015/2016 sob a batuta de Jorge Jesus, vai ser facilmente ultrapassada.

Surge a questão de saber se a equipa conseguirá atingir a mítica marca dos 100 golos, sendo certo que ainda teremos pela frente confrontos com Benfica e Porto, as duas melhores defesas do campeonato.

Da minha parte, acredito que poderemos muito bem fazer essa história. Mais alguém alinha?

Rescaldo do jogo de ontem

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Apoio inequívoco das claques em Alvalade após derrota em Bérgamo: assim é que é

 

Gostei

 

Da goleada ao Boavista. Cilindrámos a equipa portuense em Alvalade. Foi o segundo resultado mais volumoso do Sporting até agora no campeonato em curso: 6-1. Valeu não apenas pela avalanche de golos, cinco dos quais no segundo tempo, mas por toda a exibição da equipa tão bem orientada por Rúben Amorim. Demonstrando a reacção mais adequada após o nosso recente afastamento da Liga Europa.

 

De Gyökeres. O melhor em campo, para não variar. Verdadeiro motor da equipa: joga e faz jogar, sempre de pé no acelerador. Reforçou o comando da lista dos artilheiros do campeonato com mais três golos. Aos 45' (o golo da reviravolta, que já tardava), aos 68' e aos 79', este de penálti - convertido de modo exemplar. Quarto jogo consecutivo da Liga a marcar: já a meteu lá dentro 36 vezes no conjunto da temporada, 22 no campeonato. E também já protagonizou 14 assistências - ontem mais uma, com inegável classe, para o golo de Nuno Santos. Números extraordinários: o nosso jogador mais caro de sempre vale cada cêntimo que custou ao Sporting.

 

De Paulinho. Uma das suas melhores exibições de verde e branco. Desta vez bisou. Aos 54', marcando o segundo golo - correspondendo de forma exemplar a um cruzamento perfeito de Geny. E a poucos segundos do apito final, aos 90'+5, num cabeceamento sem mácula após a conversão de um canto. E ainda é dele, num centro muito bem medido, a assistência para o golo inicial.

 

De Nuno Santos. Ressurgiu após um período de relativo apagamento. Em boa hora Amorim apostou nele como titular na recepção ao Boavista. Sai deste embate que alguns consideravam difícil com saldo muito positivo: um golo, apontado aos 88', e duas assistências. Notável o passe vertical aos 68' a que Gyökeres deu a melhor sequência. E foi ele a bater o canto que proporcionou o golo final de Paulinho, selando o resultado.

 

De Daniel Bragança. Cumpre, sem dúvida, a sua melhor época ao serviço do Sporting. Ontem actuou durante toda a segunda parte - por troca com Morten, talvez o único que pareceu ressentir-se da derrota contra a Atalanta - e mostrou-se em excelente forma. Oportuníssimas recuperações aos 62' e aos 72' que logo originaram ataques perigosos. Exímio tecnicista, muito eficaz a movimentar-se entre linhas.

 

Do regresso de Morita. Ausente em Bérgamo, devido a uma indisposição que o reteve em Lisboa, voltou ao onze. E foi pedra fundamental deste dilatado triunfo leonino. Na visão de jogo, na capacidade de recuperar bolas, no perfeito domínio técnico demonstrado em cada lance. Consegue estar em acção em diversas zonas do terreno. É dos jogadores que mais procuram e mais merecem o título de campeão em Portugal.

 

Da nossa reviravolta. Tendo sofrido um golo a frio, logo aos 3', soubemos reagir com firmeza e determinação: quase não voltámos a deixar o Boavista aproximar-se da nossa baliza, Israel não chegou a fazer uma defesa digna desse nome e eles só conseguiram um canto aos 90'+3. Protagonizámos uma reacção quase asfixiante à turma boavisteira, que só pecou pela conversão tardia do nosso primeiro golo. Na segunda parte, sobretudo, chegámos a ser brilhantes. Com uma entrada fortíssima, sempre a carregar no acelerador. Deu gosto ver este Sporting imparável, nada fragilizado pelo desfecho da partida anterior, em solo italiano. 

 

Do apoio inequívoco das claques. Com aplausos, cânticos, incentivos de todo o género. E dísticos que não deixam lugar a dúvidas: estão cem por cento com os jogadores, estão cem por cento com a equipa técnica. É para isto que servem as claques. Assim merecem também elas o nosso aplauso.

 

De ver o Sporting marcar há 34 jornadas seguidas. Sempre a fazer golos, desde o campeonato anterior. Reforçamos a nossa posição no topo das equipas goleadoras. Basta comparar: temos mais 15 marcados do que o Benfica e mais 25 do que o FC Porto.

 

Do nosso desempenho global em casa para a Liga 2023/2024. Treze jogos, treze vitórias. Invictos em Alvalade.

 

De mantermos a liderança isolada. Agora com 65 pontos. Mesmo com um jogo em atraso - que, caso seja vencido, deixará o principal rival quatro pontos abaixo de nós. Prossegue a contagem decrescente para a conquista do troféu máximo do futebol português. Vamos lá chegar.

 

 

Não gostei

 

De sofrer tão cedo. Foi um banho de água fria em Alvalade, aquele disparo indefensável de Makouta. Desde 2015 que o Boavista não marcava no nosso estádio.

 

De outro golo na nossa baliza. Temos agora mais sete sofridos do que o FCP, mais quatro do que o SLB. Nada de grave, mas é um aspecto a melhorar.

 

De termos esperado 42 minutos para empatar. Só aconteceu aos 45': tardou em excesso. O 1-1 registado ao intervalo era muito lisonjeiro para o Boavista, que já merecia então estar a perder, até por mais de uma bola de diferença. Acabaríamos por acertar contas na segunda parte.

 

Da ausência de Pedro Gonçalves. Os colegas cumpriram bem a missão em campo, mas o melhor jogador português do Sporting faz sempre falta. Infelizmente ainda não sabemos quando poderá estar de volta: continua afastado devido à lesão muscular contraída em Itália.

 

Do horário do jogo. Voltamos ao mesmo: partida iniciada às 20.30, numa noite de domingo. Só dá jeito a quem não precisa de trabalhar e a quem nunca vai ao estádio - alguns nem sequer se dão ao incómodo de assistir às partidas pela televisão, espreitam os resumos mais tarde e já lhes basta. Para esses pode ser em qualquer dia e a qualquer hora.

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