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És a nossa Fé!

Campeões e heróis para sempre

A noite de 11 de Maio de 2021 foi gloriosa, as estrelas foi cá em baixo que brilharam. Primeiro no relvado de Alvalade depois desfilando junto de nós comuns mortais. Nessas inesquecíveis horas vi-me a caminho do Marquês e dos 50 miúdo. Uma criança só tocada pela felicidade. Passada larga, ritmo acelerado, sôfrego, assim fui ao encontro dos meus heróis. Nenhum deles de capa e espada ou com super-poderes, apenas super-humanos. E por isso maiores e mais extraordinários que qualquer dos presentes no Olimpo da Marvel. A cada passo entre a multidão que os exultava como eu, o seu heroísmo e a sua heroicidade seguiam em crescendo. De olhos marejados e postos naquele mar de riscas verdes e brancas fui reconfirmando a imensa grandeza do clube que tem o leão como emblema e que ali recuperava o seu lugar natural, reconquistava o trono com sangue, suor e lágrimas. À minha volta vozes gritando “Campeão!”, “Campeões!” numa magnífica vozearia existencial. O singular Sporting. O plural nós os do Sporting. A noite foi do Sporting Clube de Portugal. A época 2020/2021 foi do Sporting Clube de Portugal. Conquistada com o sangue, o suor e as lágrimas deles. Dos 28 magníficos. Os verdadeiros campeões nacionais de futebol. Aqueles que serão heróis leoninos para sempre. A chegada apoteótica dos nossos realizadores de sonhos assisti na companhia de um grande amigo com quem há anos apoio da bancada do nosso estádio as nossas equipas. Como ele chorei. Lágrimas iguais às dos milhares que nos rodeavam e que confirmavam o quanto somos semelhantes. Irmãos, pais, filhos, netos, avós, todos família, feitos da mesma massa, vindos das mesmas dores, frustrações, umas provocadas por sacanices várias que a todos revolta e une, outras causadas pela incompetência que a todos custa e todos pode desunir. Resistentes, devotos, dedicados, ali estávamos fruto dos mesmos sonhos. Premiados. Todos premiados. Obrigado! Que festa maravilhosa fizemos. Que maravilha de festa tivemos. Para trás ficavam cinco horas passadas e inúmeras ligações a pé para trás para frente, para cima para baixo Imaviz/Saldanha/Campo Pequeno/Saldanha/Imaviz. Assaltados pelo cansaço e pelo frio, cada vez mais desgastados pela espera. Valeu a pena. Como coisa própria da magia vendo-os ali tão perto tudo se dissipou. Parecia até que ali chegáramos poucos minutos antes. Afinal, o que são cinco horas na imensidão de 19 longos anos de uma travessia do deserto de conquistas gloriosas no futebol? Nada! E tivessem sido mais as horas de espera que a recepção teria sido a mesma. Foram quilómetros aos saltos, cachecol no ar, à chuva, avenidas abaixo, fazendo a guarda de honra aos campeões. Envoltos em fumo verde, iluminados pelo incessante fogo de artifício, sobre nós desceu ainda o espírito eterno de Maria José Valério, marchando leoninos demos também graças por não termos nascido lampiões e confirmámos ao mundo que o mundo sabe que por este amor somos doentes e que faremos o nosso melhor para o ver sempre na frente. Faremos o que pudermos pelo nosso Sporting. Mas a coroa da minha glória foi ter conseguido agradecer aos campeões. Era esse o meu maior desejo. Gloriosos eram eles. O lugar no Olimpo leonino é deles. A mim restava-me rebentar de orgulho e de emoção enquanto que da minha boca pouco mais saía que a palavra Obrigado! Obrigado! Em bom rigor, a minha linguagem foi sobretudo a não verbal. No meio dos festejos, do ruidoso entusiasmo, tolhido pelas emoções que me abafavam as palavras, a mímica apresentou-se-me como a melhor voz para lhes dizer o que tinha para dizer. O punho cerrado atirei-o dezenas de vezes contra o meu peito, ao encontro do leão, do lindíssimo emblema, das letras SCP. Sorte a minha os verdadeiros guerreiros retribuíram a comunhão e como eu o punho cerrado atiraram-no sobre o peito ao encontro do leão, do lindíssimo emblema, das letras SCP. Juntos gritando Sporting! Família. Todos da mesma família. Estive a um palmo dos nossos heróis e tive muita sorte. Olhei para o nosso capitão Coates e ele olhou para mim. Tive muita sorte. Acredito que houve cumplicidade entre os dois. Que ele percebeu o quanto lhe estou grato. Igual ao que dele vemos em campo, mesmo no centro da festa, Coates era a figura da discrição. Sem bazófia ou vaidade, ele era mais uma vez a figura de referência, o comandante. Também ali o patrão da defesa se apresentava compenetrado, sério, solene, totalmente alinhado com o marco histórico celebrado. Dentro e fora de campo capitão e imperial, porque a representação cabal de toda a equipa. A taça era ele que a segurava e a imagem disso dava-nos a garantia de que o troféu, o tão ansiado e desejado título será bem defendido. Mais facilmente continuará em Alvalade do que o contrário. Não teremos de esperar novos 19 anos para sentir esta alegria imensa. Acredito nisto. Acredito num futuro radioso para o nosso Sporting. Garantido pela formidável liderança de Amorim e do presidente Varandas, acima dele. Assegurado pela grandeza deste emblema comprovada pelos milhares e milhares de miúdos, alguns crianças, que vi desfilar noite dentro cachecol verde e branco no ar cantando emocionados as músicas com que todos vibramos. Também eles certos que o Sporting é campeão. E se o é sempre será. Em anos consecutivos. De dois em dois anos. De cinco em cinco anos. Ou de dezanove em dezanove anos. O Sporting é campeão. O Sporting sempre será campeão.

A força do homogéneo

"Tiras um Leão de campo e ainda ficam lá dez", foi a frase que ficou no ar da entrevista de Pedro Porro ao ADN de Leão. É uma frase forte e que significa muito mais do que uma metáfora para o que aconteceu contra o Braga.

Ao revisitar mentalmente a época do Sporting, apercebi-me de que não há um flop. Não há um jogador ao qual se possa apontar o dedo. Todos foram úteis. E o oposto também é verdade. Apesar da grande época de Coates, todos os jogadores foram importantes na devida altura. Desde as defesas do Adán aos golos de Pedro Gonçalves, passando pelo esteio que Palhinha mostrou ser, não há um jogador que se possa dizer que não tenha sido importante. Até João Pereira, que muitos disseram que se vinha reformar, mostrou ser muito útil nos últimos dois jogos.

O Sporting foi campeão por ser homogéneo. Sai um, entra outro, o Sporting continua a jogar o suficiente para vencer.

E foi assim que nos tornámos campeões. Sem focos nas individualidades, sem pára-raios de atenção, sem "messias" em lado nenhum. Apenas com abnegação e muito trabalho.

Estais todos bem?

Olho para os jornais, espreito os perfis (redes sociais) dos jogadores, passo os olhos pelo blogue e pergunto-me o que terá sucedido. Sonhei toda a noite, buzinadelas, foguetes, fogo de artifício, televisões com imagens de quando ganhámos um campeonato pela última vez, mensagens de parabéns (foi no mês passado, ponham um lembrete no telemóvel ou esqueçam-se e pronto) e continuo sem perceber o que se passou. Ou o que passou-se.

Pelas minhas contas, empatamos hoje com o Boavista, vamos perder à Luz dia 15 e matamos o borrego aos otchencha e otcho do último jogo. Não é assim? 

Haverá por aí uma boa alma que me recorde o protocolo? Não me lembro de como é que é. Isso. De sermos campeões. Não quero chegar aos otchencha e otcho do último jogo, sem estar no meu absoluto melhor, preparadíssima para receber o título. Completamente ao corrente do que e como fazer. Por exemplo, pode-se ou deve-se dizer:"Tazonde, Cavani?"

Uma alegria imensa

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Vencemos o campeonato nacional de futebol a duas jornadas do fim, com a maior pontuação conseguida desde sempre à 32.ª jornada (82 pontos) e após 25 rondas consecutivas no comando da prova, em que nos mantemos invictos.

Há 19 anos que não festejávamos um título destes. Que nos vale, desde logo, cerca de 23 milhões de euros - pelo ingresso automático na Liga dos Campeões. E tendo ao leme da equipa o segundo treinador campeão mais jovem da história do nosso clube: Rúben Amorim, com 36 anos. Só antecedido por Juca, que conduziu o Sporting ao título na época 1961/1962. 

Proezas atrás de proezas. Eis outra: há 68 anos que não conquistávamos a prova máxima do futebol português num ano ímpar. O anterior foi o da época 1952/1953, ainda com alguns dos Cinco Violinos no plantel.

A melhor notícia da noite foi a da glória no relvado, alcançada ao minuto 36 do jogo Sporting-Boavista, quando Paulinho marcou o golo da nossa vitória contra a equipa portuense. O golo que nos deu acesso imediato ao título. 

A segunda melhor notícia veio da boca de Rúben Amorim. Ao garantir, na conferência de imprensa pós-jogo, que vai permanecer no Sporting na próxima temporada. Nem pensar em desviá-lo de Alvalade.

Sinto uma alegria imensa, por todos os motivos. E também por isto.

Pensar nisto

Pelo menos três jogadores que irão sagrar-se campeões nacionais na temporada 2020/2021 não eram sequer nascidos na última época desportiva em que o Sporting venceu o campeonato. Refiro-me a Nuno Mendes, Tiago Tomás e Dário.

Não é preciso mais para percebermos a dimensão desta conquista. Mérito absoluto de um trio composto por Frederico Varandas, Hugo Viana e Rúben Amorim.

É presente, sim, mas já com um toque de futuro. Porque pertence ao património histórico do Sporting. E ninguém vai conseguir apagá-lo.

Há que pensar nisto. Para que tudo quanto foi alcançado com tanto esforço não tenha sido em vão.

De pedra e cal - Galeria da(s) Glória(s) 2

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Imagem gentilmente cedida por Manuel Parreira, a quem muito agradeço (Edição às 21:03, inclusão das identidades) 

Pedro Gomes, Carvalho e Hilário
Morais, Alfredo, José Carlos e Lourenço
Carlitos, Figueiredo, Peres e Duarte

 

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 Joaquim Pinheiro e Carlos Lopes

 

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Nélson

 

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Pacheco 

 

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Paulo Torres (quem nunca fez uso da língua para melhorar manobras, que atire a primeira pedra)

 

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Hilário da Conceição 

 

Estamos a muito pouco de adicionar novas glórias à nossa honrosa galeria.

Excepção feita à primeira imagem, todas as restantes foram retiradas da Caderneta de Cromos 1906-1995.

Tão grandes como os maiores da Europa

Campeões europeus de futsal

Acabamos de nos sagrar campeões europeus de futsal. Numa partida emocionante disputada na Croácia em que derrotámos por 4-3 o Barcelona - equipa detentora do título.

Nesta final épica, virámos o resultado desfavorável (0-2) registado ao intervalo. Com uma excelente segunda parte que dominámos por completo.

Parabéns ao Nuno Dias, que revalida o título alcançado em 2019. Parabéns aos nossos excelentes jogadores - do Guitta ao capitão João Matos, passando pelo Pany Varela, pelo Zicky, pelo Erick, pelo Cavinato, pelo Rocha, pelo Pauleta, pelo Alex Merlim.

Tão grandes como os maiores da Europa.

De pedra e cal - Galeria da(s) Glória(s)

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Imagem gentilmente cedida por Manuel Parreira (identificação dos jogadores, a cargo do próprio na caixa de comentários)

 

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Emílio Peixe

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Amunike

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Infelizmente, esta fotografia (cromo n.° 43) integra um lote de três fotografias legendado de forma genérica. Não me é, por isso, possível identificar correctamente os futebolistas. Não tenho os outros dois cromos mas não quis perder a oportunidade de aqui deixar este apontamento. Se houver quem possa ajudar na identificação dos mesmos, agradeço.

A legenda que figura na caderneta de 1906-1995:

«Mais três equipas de futebol que deram grandes glórias ao Sporting. Recordem-se futebolistas como: Carlos Gomes, Passos Caldeira, Martins, Fernando Mendes, Osvaldinho, Pérides, Galaz, Dilson, Vadinho, David Julius, Mário Jorge, Jordão, Morato, Zezinho, Gabriel, Damas, Romeu, Sousa e Manuel Fernandes.»

Esperaria, contudo, que Vadinho fosse o terceiro a contar da esquerda, na fila inferior. E Galaz, o primeiro a contar da esquerda, na fila superior. Osvaldinho, o quarto a contar da esquerda na fila superior?

Sporting, a glória dos outros?

Texto de opinião de Maria Corado, no site do Público.

Com a devida vénia, transcrevo:

 

«Sporting, a glória dos outros?

Não sou sportinguista, diga-se desde já, porém, hoje, faz-me sentido aclamar o Sporting pela extraordinária época de futebol que tem tido neste tempo tão estranho, quanto silêncios.

 

Ao fim da tarde, contemplo um bosque à minha frente. O verde profundo, faustoso e deslumbrante lembra-me um outro, icónico, histórico, honroso. Tão denso quanto visceral, convoca-me o verde que, com raízes nodosas, grita de dentro do coração da árvore secular que é: Spoooortiiiing!

Sim, secular. O Sporting é como uma árvore antiga, grande e imponente, daquelas que faz história dentro da História da gente. Não sou sportinguista, diga-se desde já, porém, hoje, faz-me sentido aclamar o Sporting pela extraordinária época de futebol que tem tido neste tempo tão estranho, quanto silencioso, como o bosque ali em frente.

Desde sempre tenho este clube como um par. De forma atípica, até mesmo extravagante, ao contrário da categoria vigente em que é denominado — o rival, por excelência! —, o Sporting faz parte da classe onde encaixo os amigos, curiosamente. Talvez por ser verdade que tenho muitos amigos sportinguistas; talvez porque vou algumas vezes ao Estádio de Alvalade; seguramente porque gosto das palavras/valores/categorias que compõem a sua identidade: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. Fazem-me sentir que se trata de uma casa de Bem. Perguntar-me-ão porque venho aclamar este clube, se não é o meu. E porquê fazê-lo agora?

Em Janeiro de 2020 tive o privilégio de assistir ao jogo Sporting-Benfica em Alvalade, a convite de amigos e, trouxe na memória o som ensurdecedor da violência. Lembro-me que o jogo parou durante algum tempo, uma vez que o clamor por uma justiça maldita, inspirada numa profunda raiva narcísica, descambou para uma onda de ódio dentro do estádio. Ódio por quem? Seria melhor aceitável se se dirigisse aos rivais em campo. Mas, não. O ódio era privado. Alguns sportinguistas ameaçavam-se directamente. Rixas inflamadas nas bancadas. As claques, capazes de matar a sua própria equipa pelo frágil resultado — a sua própria identidade?! —, assustaram-me. Mais, fizeram com que me questionasse sobre o que ali se passava, afinal. Longe dos tempos em que o som gritado era de apoio incondicional, de orgulho pelo verde das camisolas, de abraço acolhedor ao mesmo tempo que forte e destemido — convicto, sentido, honrado — senti que este Sporting caíra em desgraça interior.

Imagino, empaticamente, que o clube terá passado uma das suas piores crises de sempre, nos últimos anos. Tiranizado por vozes indignas de o representar, instrumentalizado em nome de egos menos claros e consistentes, o Sporting viu-se vilipendiado, mal-amado, desrespeitado pelos demais, espancado, mal-afamado. Além de se ver perdedor desde há muitos anos, o Sporting, frustrado compreensivelmente e sedento de vitória, perdeu o chão do seu bom nome nos últimos anos — viu-se atacado narcisicamente, dentro das próprias portas. Normalmente, isso é duro de sentir. Esmaga, fere, envergonha, humilha, entristece e, revolta, na melhor das hipóteses. Na pior, enraivece! A agressividade volta-se para dentro, contra o próprio e perverte o vínculo de amor. Destrói por ausência/desistência de elaborar a depressão subjacente.

Em Janeiro de 2020 tínhamos esse Sporting transfigurado, desapossado de si, desamando-se por completo — sem espelho interior inteiro, intacto, capaz de o manter feito de gente de Bem. Sem Amor, o Sporting (quase) desistia dos seus valores maiores. A Glória, era e seria a dos outros, para sempre. Sucumbia numa depressão sem choro, daquelas que por vezes nos matam sem darmos conta. Daquelas que levam ao suicídio, por falta de coragem de dizer “não!” aos maus tratos e, manter firme cá dentro a convicção de que vale a pena reconstruir, depois de limpar o terreno das ervas daninhas.

Hoje, a poucas jornadas do final do campeonato de futebol, o Sporting mantém-se estoicamente na liderança, apresentando-se como o favorito ao título maior. Vindos de dentro de casa, ressurgem sinais de alegria, de gratidão em vénias coloridas, temperadas por uma esperança que se reergue, depois de um tempo de menor fartura e fulgor. Num tempo em que as vozes interiores da descrença palpitavam o fantasma dos perdedores. Dir-me-ão, alguns, que enquanto a época não terminar isso não terá valor, mas não é essa a minha visão.

Num ano de silêncios esmagadores, sem abraços nem indiferenças — com a violência, proibida, do lado de fora de portas —, sem dinheiro e com a face sangrando, o Sporting mostra-se capaz de ressurgir. Os resultados conseguidos até aqui, sinalizam a humilde vontade de reparação narcísica, de recuperação do crédito condigno ao seu bom nome e à sua história secular. O Sporting está de parabéns pelo que tem demonstrado ser capaz de fazer, chorando por dentro, aos poucochinhos, sem ninguém ver.

Acredito que vai ser campeão. Acredito que pode aprender com o que viveu recentemente dentro da sua própria casa. Acredito que vai continuar com a força interior demonstrada para se reconquistar a si mesmo e, de mostrar a todos uma grande lição de humildade e de verdadeiro espírito de quem nasceu para competir com resistência, resiliência, dignidade e fé.

 

Viva o Sporting. Bem-vindo de volta pilares identitários: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória — a sua!»

Esforço, Dedicação, Devoção, cada vez mais perto da Glória

Ganhámos contra o Braga, contra o árbitro, contra o VAR, contra o sistema e contra o "se tudo for normal" do Pinto Costa; ganhámos até a nós próprios, que muitos dos nossos já davam a derrota como garantida. E se despediam já da conquista do título.

A quatro vitórias de nós sagramos o clube vitorioso desta temporada, acredito ainda mais que esta equipa vai ganhar o campeonato, vai ser campeã nacional e eu campeão com ela.

Que orgulho imenso neste fantástico grupo que representa como vi poucos de leão peito com Esforço, Dedicação, Devoção rumo à Glória deste monumental clube. 

Virgílio Lopes e honestidade intelectual

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Foto: Paulo Calado/Record 

 

Já se sabe que cada um é como qual. Pessoalmente, muito gostei de saber que ainda há quem seja capaz de assumir as coisas como elas são: erra-se. Às vezes, nem poderemos falar em erro, já que no momento em que somos "obrigados" a fazer escolhas, a decidir, fazemo-lo com base nos indicadores de que dispomos. E os indicadores estão sempre em evolução. Afinam-se. Refinam-se. E, com isto, ajustam-se teorias sobre como fazer. Pelo menos, em teoria.

Serve o introito para dizer que fiquei contente por perceber que ainda é possível ler quem tenha a coragem de vir publicamente assumir as coisas como elas são: Nuno Mendes, há um par de anos, não era craque. Não exibia essas características distintivas. Se calhar, até terá estado na calha para ser dispensado. Vai daí, um dia, ainda ficamos todos a saber que só não recebeu guia de marcha, tendo estado iminente a assinatura da sua dispensa, por não haver defesa esquerdo alternativo e por ser um miúdo (vindo de uma família humilde) que não dava problemas. 

 

Seria bom que se aproveitasse a experiência de quem sabe (e a honestidade intelectual) para... refinar as práticas. E ousar reajustar teorias. Mas que o façamos fora da bolha que são os gabinetes e para além do risco calculado (protegido) que são as apresentações em PowerPoint, não raras vezes, meros espelhos dos manuais, que pouco esclarecem sobre como se faz, apenas apontam o que deve ser o resultado.

 

P.S. Alguém saberá dizer se o Manchester City está feliz com a cláusula de compra de Pedro Porro? 

P.S.2. Alguém reparou que na peça (do ano passado) do Jornal Sporting sobre os futuros craques que despontavam na Academia Sporting, não consta Dário Essugo?

P.S.3. E o FC Barcelona e Ansu Fati?

Leitura recomendada: Aurélio Pereira ao Record

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Em entrevista ao Record de hoje.

Recomendo vivamente a leitura atenta. Diplomata de craveira o nosso Mestre Aurélio. 

(...) O Sporting acabou de

estrear um miúdo com 16 anos.

É preciso coragem, não é? E só é

possível porque os miúdos vêm

para cá muito cedo. Habituam-

-se a estar num clube de topo e,

quando chegam aos 16/17 anos,

já os conhecemos bem. E eles já

não tremem. Não tremem! (...)

 

A ver vamos se as alterações que estão a acontecer na formação do Sporting permitem que daqui a 10 anos possamos dizer que a actual Direcção do Sporting Clube de Portugal deixou a mesma matéria-prima para brilhar. 

2021, ano de estrebuchar

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Em 2021 o Sporting tem de estrebuchar, a melhor equipa, o futebol com melhor nota artística, o futebol mais consistente, mais objectivo, mais concretizador, a equipa com mais golos marcados e com menos golos sofridos, não será suficiente para vencermos, para alcançarmos a glória.

A fotografia que ilustra este texto foi obtida na Calçada da Glória em 2005.

Ano de triste memória, ano em que Veiga e Vieira fizeram do Benfica campeão, ano em que o treinador bateu com a porta e disse que era uma vergonha vencer assim: "sou italiano mas comparado com isto a máfia é uma brincadeira de crianças, mamma mia" terão sido as suas (dele) palavras.

A Calçada da Glória fica, relativamente, perto da nossa primeira sede, do outro lado da Avenida da Liberdade e muito perto de outro edifício onde estivemos sedeados, o Palácio Foz.

Assim, como quem não está anestesiado, estrebucha, por muitas vacinas que o sistema nos queira dar, estejamos atentos, com esforço, dedicação e devoção caminhemos no passadiço da glória, estrebuchemos mas que no final alcancemos a foz do triunfo, do triunfo transparente, inequívoco, conquistado em campo, e que o nosso treinador no final da época não tenha vergonha de ser campeão.

Há décadas que não temos glória no futebol

Não falo em nós mas neles. Não fomos nós sportinguistas mas sim eles - os nossos representantes - que no campo e fora dele violaram e destrataram as premissas e promessas do Sporting. Mais uma vez.

Como mais uma vez de Esforço, Dedicação, Devoção, só mesmo da nossa parte. Fomos nós em frente à televisão quem se esforçou, suou as estopinhas e resisistiu ao apelo tentador de desistir à chamada perante a miséria que nos era oferecida. Estóicos assistimos à distância (física) e guerreiros em espírito àquela vergonha de noite europeia em Alvalade. Provámos de novo a nossa dedicação e devoção ao clube. No fim, como acontece há décadas no futebol sénior, ficámos a ver passar a Glória dos outros.

Já eles, os que nos representam, dentro e fora de campo, demonstraram outra vez que o nosso slogan não se aplica mesmo às equipas de futebol leoninas há tempo demais. 

O filme, sempre avesso ao happy end, repete-se época após época. Por isso não rasgo logo as vestes pedindo a cabeça de quem dirige o clube. Desgraçadamente, no que toca à glória, os desgraçados que nos desgraçam fazem igual aos que os precederam. É assim há décadas.

Não há aqui conformismo ou fatalismo, só realismo. No Sporting, no que toca ao futebol, Esforço, Dedicação, Devoção, só mesmo da nossa parte que sofremos e desesperamos como nunca. De Glória nem nós e muito menos eles. 

 

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