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És a nossa Fé!

Desconsolo

Com tudo o que se passou três dias antes no mesmo estádio, o mínimo que se pedia a este Sporting de Silas a defrontar as segundas linhas do Gil Vicente era que entrasse a todo o gás e chegasse à goleada.

Mas entrou como entrou no domingo. Lentidão de processos, ausência de ideias, passes para ninguém, uma posse de bola estéril, apenas Bolasie destoava na pasmaceira. E à meia hora de jogo já podia estar a perder, porque mais uma vez Vítor Oliveira fez o trabalho de casa, colocou um jogador rápido do lado dum Acuña cansado e obrigado a fazer todo o corredor, e esse jogador foi criando situações perigosas para o Sporting, felizmente mal concluídas.

Miguel Luís, o pé-frio do costume, desmarcado na área, remata fraco e à figura, outra vez na área fica estático e deixa passar o centro para golo, mais uma vez perto da área dá as costas ao centro do Bruno Fernandes. Com uma boa leitura de jogo e chegada à area, quantos golos já falhou esta época? Pode vir a ser um novo Adrien, mas tem muito que melhorar em termos de concentração e intensidade.

A coisa melhorou no segundo tempo, o Sporting foi pressionando até que Silas, a ter de ganhar, tira o único ponta de lança disponível (um cada vez mais desmoralizado Luiz Phellype, uma sombra do que foi com Keizer) para ficar a atacar com uma dupla de vagabundos desorientados, Jesé e Camacho, que davam cabo de todo o jogo que lhes chegava.

Quando o empate parecia certo, lá veio o Bruno mais uma vez dizer porque é o melhor jogador da Liga e um dos melhores médios do Sporting de todos os tempos. Um golo de livre e uma assistência para golo.

Acuña é o barómetro do estado anímico da equipa. Enquanto no Dragão fugiu as provocações orquestradas pelo Serginho e seguiu para o Jamor, ontem foi aquilo que se viu: o árbitro safou-se duma cabeçada por pouco.

Coisa boa foi ver os meninos bonitos de Silas, Ilori e Eduardo, a aquecerem o banco. 

Depois veio a conferência de imprensa e Silas, confrontado com as opiniões discutíveis e despropositadas de Vítor Oliveira sobre os seus jogadores  ("...o fundamental é ter-se bons jogadores. As boas equipas fazem-se com bons jogadores e nenhum treinador faz uma boa equipa sem bons jogadores"), meteu a viola no saco e passou ao lado da defesa dos mesmos e do clube que lhe paga o ordenado.

SL

Quente & frio

Gostei muito  dos seis minutos finais do jogo Gil Vicente-Sporting (0-2). Foi quanto bastou para construir o triunfo de ontem, em contraste com a humilhante derrota sofrida três dias antes no mesmo estádio, perante o mesmo adversário. O facto de a equipa de Barcelos ter jogado desfalcada de vários titulares terá ajudado o onze leonino a vencer esta partida que nos mantém com expectativas de passar às meias-finais da Taça da Liga, troféu que conquistámos nas duas épocas anteriores. Domínio claro do Sporting durante toda a segunda parte, em que não me recordo de qualquer intervenção de Renan - um dos cinco jogadores que o técnico leonino fez alinhar nesta partida e estiveram ausentes da anterior (as outras novidades foram Ristovski, Coates, Neto e Miguel Luís). Mas o nosso primeiro golo aconteceu só aos 89', na perfeita conversão de um livre à entrada da grande área, pelo suspeito do costume: Bruno Fernandes. Foi também o capitão a fazer a assistência para o segundo, marcado por Vietto aos 90'+5, num exemplar lance de contra-ataque finalizado de forma irrepreensível pelo argentino, último suplente utilizado por Silas, tendo substituído Bolasie aos 83'. Não será correcto falarmos em vingança, mas teve um certo sabor a desforra. Pena o jogo mais importante ter sido o de domingo, pois contava para o campeonato.

 

Gostei  que a baliza à guarda de Renan se tivesse mantido invicta. À semelhança do que sucedeu em três dos quatro jogos anteriores. A excepção foi precisamente o Gil Vicente-Sporting de domingo, em que encaixámos três e só marcámos um.

 

Gostei pouco  que tivéssemos começado este desafio apenas com um jogador oriundo da nossa formação - Miguel Luís, que voltou a desperdiçar uma oportunidade de ganhar protagonismo na equipa principal do Sporting como médio ofensivo, acabando por ser substituído aos 55'. E que tivéssemos só um outro ex-membro da nossa Academia em campo quando soou o apito final: Rafael Camacho, precisamente o substituto de Miguel Luís. Que tarda em demonstrar os atributos que terão levado a SAD leonina a contratá-lo no mercado de Verão por cerca de cinco milhões de euros.

 

Não gostei  do festival de passes falhados pelos nossos jogadores nesta partida, traindo desconforto, nervosismo e até algum bloqueio psicológico. Quase todos pecaram neste capítulo: Coates (3', 40', 79'); Ristovski (16', 25', 74', 83'); Bruno Fernandes (19', 37', 39', 45', 45'+1, 65', 84'); Wendel (26', 72'); Bolasie (36'); Acuña (39', 75', 76'); Idrissa Doumbia (59', 61', 73') e Camacho (68'). Nem gostei que Acuña se tivesse feito expulsar, uma vez mais, por protestos absolutamente descabidos: primeiro aos 27', conseguindo transformar uma falta favorável ao Sporting num cartão amarelo; depois aos 90'+1, quando encosta a cabeça à testa do quarto árbitro, o que lhe valeu novo cartão, indo para o duche mais cedo. Atitude irresponsável dum jogador já com idade e estatuto para ter juízo, até porque é titular da selecção argentina.

 

Não gostei nada  dos javardos que se deslocaram ao estádio do Gil Vicente para exibirem faixas onde se lia «Varandas out». Mesmo sabendo que o presidente do Sporting nem se encontrava lá por ter sido pai precisamente no dia de ontem. Estes imbecis, que não hesitam em transformar cada estádio deste país em palco do seu ódio a Frederico Varandas, para gáudio de todos os nossos adversários, foram distribuindo as mesmas tarjas em diversos viadutos de autoestradas que conduziam a Barcelos. Um péssimo cartão de visita dos pupilos de Mustafá, que só serve como balão de oxigénio para o presidente leonino. Quanto mais gritam contra ele, mais lhe prolongam o mandato.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 
 

Da derrota em Barcelos (3-1). Perdemos sem discussão possível, levados ao tapete pelo Gil Vicente, muito bem orientado por Vítor Oliveira. Aos 18', já estávamos com o primeiro enfiado nas nossas redes. Ainda empatámos antes do intervalo, mas aos 55' sofremos o segundo, de penálti, e nunca mais conseguimos acompanhar a pedalada da equipa anfitriã. O terceiro aconteceu mesmo ao cair do pano, conferindo mais justiça ao resultado.

 

Da péssima exibição.  Basta anotar que o primeiro remate do Sporting surgiu apenas aos 43', com um pontapé de Wendel à malha lateral. Mediocridade absoluta da nossa linha dianteira, incapaz de desmontar a teia bem urdida pela muralha defensiva do Gil Vicente, que há duas épocas militava no terceiro escalão do futebol português. Na maior parte do tempo a equipa ainda orientada por Silas limitou-se a trocar a bola em zonas recuadas do terreno, de forma totalmente inofensiva, num reflexo evidente do descalabro exibicional dos jogadores que vestem de verde e branco. Nenhum deles teve desempenho positivo. Bruno Fernandes limitou-se a ser o menos mau neste primeiro jogo da Liga em que não fez qualquer remate à baliza nem ensaiou um só tiro de meia-distância.

 

De termos somado quatro derrotas à 12.ª jornada. Um terço dos jogos perdidos quando faltam duas rondas para terminar a primeira volta do campeonato. Segundo desaire consecutivo fora de casa após a derrota em Tondela. Somamos já tantas derrotas como o Rio Ave, o Moreirense e o próprio Gil Vicente. E mais do que o V. Guimarães, o V. Setúbal, o Boavista e o Famalicão. Só conseguimos vencer metade dos jogos disputados sob o comando de três técnicos: Keizer, Pontes e Silas.

 

De Ilori. Numa equipa que vai exibindo preocupantes carências e gritantes defeitos, o central chamado a titular por lesão de Coates demonstrou uma vez mais que não tem categoria para integrar o plantel leonino. O golo inaugural do Gil Vicente nasce de dois erros indesculpáveis deste defesa que há quase um ano regressou a Alvalade: entregou a bola ao extremo adversário e colocou-o em jogo. O descalabro colectivo do Sporting começou neste lance. Nunca é de mais repetir: este jogador veio "substituir" Demiral e Domingos Duarte, despachados a troco de quase nada, o que configura gestão danosa.

 

De Jesé. Silas continua a apostar nele por motivos que ninguém consegue descortinar. Desta vez o "DJ" foi mesmo titular - e mais uma vez demonstrou que, ao trazê-lo por empréstimo para Alvalade, Frederico Varandas falhou em toda a linha. Exímio apenas a atirar-se para o chão e a protestar com a equipa de arbitragem, o espanhol não criou lances de perigo, chegou sempre atrasado à zona de decisão, mostrou-se incapaz de articular lances com os companheiros. E mesmo assim o técnico manteve-o em campo durante 76 minutos. Um verdadeiro mistério.

 

De Vietto. Se não foi o rei dos passes falhados nesta partida, andou lá muito perto. Incapaz de criar desequilíbrios e de rasgar espaço entre as linhas, desistindo com facilidade da disputa da bola, revelou uma chocante falta de intensidade na organização ofensiva do Sporting. Não basta ter boa técnica: é fundamental ter compromisso com a equipa, algo que faltou ao argentino.

 

De Eduardo. Outra nulidade. Silas deu-lhe ordem para entrar aos 83', quando finalmente mandou sair Ilori. O ex-médio do Belenenses SAD, inexplicavelmente contratado pela actual administração da SAD, continua a deixar bem evidente que não reúne condições mínimas para integrar o plantel leonino. Nas primeiras duas vezes em que tocou na bola, chutou para fora. Se estávamos a jogar com dez, com ele em campo ficámos à mesma com menos um.

 

Da classificação. Seguimos em quarto, a uma distância cada vez maior do Benfica, que lidera o campeonato com mais 13 pontos. Já perdemos 16 nestas 12 jornadas iniciais da Liga 2019/2020. E fomos incapazes de reduzir a distância de quatro pontos que nos separa do Famalicão, igualmente derrotado nesta jornada.

 

De levarmos já 15 golos sofridos.  "Apenas" mais dez do que o FC Porto e mais onze do que o Benfica. E mais sete do que o Boavista e o V. Setúbal. E, em golos sofridos, vamos ainda atrás de outras quatro equipas: Gil Vicente, Rio Ave, Santa Clara e Tondela.

 

Do balanço provisório desta temporada futebolística. Acumulamos sete derrotas e sete vitórias em jogos oficiais, com 12 golos sofridos em dez partidas do campeonato.

 

 

Gostei

 

De ver Luís Maximiano na baliza leonina. O jovem guarda-redes, lançado por incapacidade física de Renan, não merecia ter sofrido três golos neste seu jogo de estreia como titular no campeonato.

 

De ver Wendel empatar aos 45'+1. O brasileiro beneficiou de um grande passe de Bruno Fernandes (mais uma assistência) e da deficiente prestação do guarda-redes adversário, que praticamente lhe ofereceu o golo, surgido na melhor altura para nós. Infelizmente, à má primeira parte sucedeu-se um péssimo segundo tempo: o golo do empate não funcionou como tónico.

 

Do Gil Vicente. Merece respeito, esta equipa. No seu terreno já derrotou FC Porto e Sporting, além de impor um empate ao Braga. Vantagem de ter um treinador experiente em vez de um caloiro.

Regresso à normalidade

O normal do Sporting com Silas tem sido isto. Entrar a passo, construir pastosamente com muitos passes para trás e para o lado, abusar nas entradas pelo meio, centrar sem saber para onde, e, a cereja em cima do bolo, ter alguém com a maior displicência a oferecer os golos ao adversário. O anormal foi o jogo de quinta-feira.

Em modo normal, quando a sorte não ajuda e/ou os craques não compensam as incompetências individuais e colectivas,  a derrota acontece. Hoje Bruno lá fez a assistência para o golo do costume, mas não chegou.

Aos 10 minutos Ilori já me estava a enervar falhando sistematicamente os passes verticais e os duelos individuais. Depois ofereceu o primeiro, e esteve na raiz do segundo falhando a disputa da bola aérea. No resto do tempo, parece que em tempos idos terá sido o jogador mais veloz da academia nos 100 metros, mas hoje é o jogador mais lento da 1.ª liga com a bola nos pés. Mas não tem culpa. Culpa tem quem o recuperou da 2.ª liga inglesa e quem o põe a jogar, em vez de Neto, Eduardo Quaresma, ou qualquer central dos sub-23 ou escalão abaixo.

SL

Falei-não falei-falei-não falei

Leio hoje no Record declarações concedidas pelo presidente do Gil Vicente, António Fiúsa, a esse jornal a propósito do alegado episódio em Alvalade que esteve na origem do castigo aplicado ao presidente do Sporting:

1. «O que está no relatório é verdade, mas considero que são desabafos [de Bruno de Carvalho] motivados pela pressão. Até o tentei acalmar.»

2. «É tudo mentira!" [pedido de desculpa a Bruno de Carvalho] Como é que é possível eu ter pedido desculpas? Nem antes nem depois do jogo eu falei com o presidente do Sporting.»

 

Ora bem. Julgo não ser necessário contratar o Sherlock Holmes para verificar que algo aqui não bate certo. Como é que Fiúsa "tentou acalmar" o presidente do Sporting se garante não ter falado com ele "nem antes nem depois do jogo"?

Fica a pista. Para o Record investigar.

Os nossos comentadores merecem ser citados

«Além do Nani, gostei muito do William, João Mário, Paulo Oliveira, Tobias e Jefferson.
O que continuo a não gostar no Sporting é a total falta de mecanização no terço ofensivo. Quantas vezes os centros vão para ninguém porque os avançados/médios estão na molhada e não se desmarcam para criarem linhas de passe e ficarem de frente para o golo.»

Sporting Sempre, neste meu texto

Pódio: Nani, João Mário, Paulo Oliveira

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Gil Vicente pelos três diários desportivos:

 

Nani: 19

João Mário: 16

Paulo Oliveira: 16

Jefferson: 16

Tanaka: 15

Tobias Figueiredo: 15

William Carvalho: 15

Rui Patrício: 14

Miguel Lopes: 14

Carlos Mané: 13

André Martins: 12

Carlos Mané: 11

Carrillo: 11

Ryan Gauld: 11

Capel: 10 

 

Os três jornais elegeram Nani como figura do jogo.

Colinho também para o Gil Vicente

I

Do Tribunal do diário O Jogo, de hoje

15 minutos: João Mário é carregado em zona perigosa. Penálti ficou por marcar, cartão ficou por mostrar.

Jorge Coroado - «Cadú agarrou João Mário, começando a infracção fora da área, mas terminando já sobre a linha limite da referida, o que originaria grande penalidade.»

Pedro Henriques - «Cadú agarra e carrega João Mário pelas costas numa infracção cometida no interior da área. Infracção passível de grande penalidade e de cartão amarelo.»

José Leirós - «Houve falta, pois Cadú agarra João Mário, desequilibra-o e impede-o de ficar com a bola. Devia ter sido assinalado livre directo fora da área.»

 

40 minutos: Paulo Oliveira sofre grande penalidade, que também ficou por assinalar.

Jorge Coroado - «Berger foi ostensivo no empurrão sobre Paulo Oliveira. Falta que deveria ter sido sancionada com pontapé na marca dos 11 metros.»

Pedro Henriques - «É uma grande penalidade de televisão, impossível de ser detectada em movimento rápido. Berger, com o braço esquerdo, empurra e desequilibra Paulo Oliveira quando este tenta cabecear a bola.»

José Leirós - «Berger, subtilmente e de forma deliberada, empurrou no ar o adversário com o braço esquerdo, impedindo que este cabeceasse a bola. Grande penalidade por assinalar.»

 

75 minutos: Capel é derrubado mas a falta ficou por assinalar, poupando-se o jogador de Barcelos à expulsão.

Jorge Coroado - «A falta, pela forma como foi praticada, justificava o amarelo. A persistência faltosa de Semedo ao longo do jogo impunha essa sanção.»

Pedro Henriques - «Pela entrada fora de tempo e imprudente e por infringir as leis de jogo com persistência, deveria ter sido advertido e consequentemente expulso por acumulação.»

José Leirós - «Semedo entra por trás de forma deliberada e intencional, a derrubar Capel. Devia ter sido punido com amarelo e consequente expulsão.»

 

II

Dos "casos do jogo" vistos por António Magalhães, hoje, no diário Record

15 minutos (falta sobre João Mário)

«Cadú trava com o braço a progressão de João Mário na área. Ficou penálti por marcar.»

33 minutos (William Carvalho travado ao marcar livre)

«Yazalde impediu William de bater livre (da infracção surgiu chance para o Gil Vicente). Deveria ser repetido.»

40 minutos (falta sobre Paulo Oliveira)

«Berger empurrou pelas costas Paulo Oliveira, desequilibrando-o no salto. Novo penálti [que ficou por marcar].»

67 minutos (Tanaka impedido de progredir por fora-de-jogo inexistente)

«Em jogo: Tanaka parte de posição regular no momento do passe de Carrillo. Fora-de-jogo mal tirado.»

 

III

Dos "casos do jogo" vistos por Hugo Forte, hoje, no diário A Bola

15 minutos (falta sobre João Mário)

«O lance é muito rápido mas há erro de Jorge Tavares, uma vez que Cadú faz falta sobre João Mário dentro da grande área e, por isso, há motivo para a marcação de grande penalidade. O árbitro deixou passar em claro.»

40 minutos (falta sobre Paulo Oliveira)

«O lance é de difícil análise, pois no canto estão muitos jogadores dentro da área. No entanto, Berger não joga a bola e empurra Paulo Oliveira, impedindo-o de se fazer ao lance. Grande penalidade não assinalada.»

Rescaldo do jogo de hoje

2015-02-22 20.07.12.jpg

 

Gostei

 

Da vitória. Derrotámos o Gil Vicente, de forma categórica. Regresso aos triunfos após dois empates no campeonato.

 

Do golo de Nani. Aos 69', o nosso extremo assinou uma obra de arte em Alvalade que fez levantar o numeroso público nas bancadas. Um disparo com o pé esquerdo, a 30 metros da baliza, que concorrerá justamente ao título de melhor golo deste campeonato. Um golo que basta para o classificar como melhor em campo, tanto mais que foi dele também a assistência para o primeiro, marcado por Tanaka. Estávamos a precisar de um Nani assim, regressando ao melhor nível.

 

De William Carvalho. Imprescindível. Pelos pés dele passaram praticamente todas as jogadas do Sporting. Voltou a ser fundamental na recuperação de bolas, travando as investidas do Gil Vicente, e ninguém passa tão bem como ele neste Sporting. Comporta-se como senhor absoluto na sua área de intervenção.

 

De João Mário. Outra partida de grande categoria. Enorme mobilidade, disponibilidade total para o jogo colectivo, um pulmão do tamanho do mundo. Desta vez sem o apoio de Adrien, que ficou no banco, agigantou-se como carregador de piano e pronto-socorro. Falta-lhe só ganhar confiança no disparo à baliza. Mas podia ter marcado se não tivesse sido carregado em falta dentro da grande área: um penálti evidente que só o árbitro não viu.

 

De Tanaka. Marco Silva apostou nele como ponta-de-lança titular, deixando Montero no banco. Aposta ganha: o japonês marcou o golo inaugural, aos 52', e esteve muito perto de marcar mais um, aos 85', proporcionando ao guarda-redes de Barcelos a defesa da noite. Já soma três golos no campeonato. Merece mais tempo de jogo, sem sombra de dúvida.

 

De Paulo Oliveira. Melhora de jogo para jogo. É já o patrão indiscutível da defesa. Hoje cortou tudo quanto passou por ele. Com uma segurança e uma autoridade dignas de registo.

 

Da aposta em Ryan Gauld. O treinador mandou entrar o jovem escocês aos 64', para o lugar de André Martins. Uma garantia de que confia nele. Gauld não sobressaiu mas ganhou rodagem e recebeu o claro incentivo das bancadas, o que também conta.

 

Do apoio do público. Éramos 42.098 hoje em Alvalade. Contrariando as carpideiras que já anteviam os adeptos de costas voltadas para a equipa, confundindo desejos com realidades. 

 

De vencer também em número de portugueses. Jogámos com nove titulares nacionais. Jefferson (brasileiro) e Tanaka (japonês) eram as excepções.

 

De ver o Sporting marcar consecutivamente há 24 jogos. Totalizámos 52 golos de então para cá.

 

 

Não gostei

 

De André Martins. Jogou desta vez como titular: Marco Silva poupou Adrien (que já tinha quatro cartões amarelos) a pensar no jogo seguinte do campeonato, a disputar no Dragão. Mas o Sporting nada beneficiou com ele. Jogou para trás, complicou, nunca foi o motor de que a equipa precisava. Uma enorme decepção.

 

Da ausência de Cédric. O nosso lateral direito não jogou por castigo, mas voltará frente ao FCP. Ainda bem: precisamos dele nessa partida. O seu substituto, Miguel Lopes, é esforçado mas falta-lhe talento ao nível do titular. Centra muito mas raramente bem.

 

Dos remates falhados. Continuamos com um baixo índice de aproveitamento de remates. Aconteceu hoje, por exemplo, com Carlos Mané: por duas vezes, aos 23' e aos 32', teve oportunidades soberanas de marcar e acabou por desperdiçá-las.

 

Da primeira parte sem golos. O Sporting continua a transmitir a sensação de gostar de dar 45 minutos de tréguas aos adversários.

 

Do penálti que ficou por marcar. O árbitro Jorge Tavares fez vista grossa a um claro derrube de João Mário, logo aos 15'. Enquanto outros beneficiam do colinho, nós continuamos a ser vítimas da mais incompetente arbitragem portuguesa.

 

Fotografia minha, tirada ao fim da tarde de hoje em Alvalade

Cantar de galo

galo barcelos.gif

O jogo desta tarde com o Gil Vicente pode representar uma viragem perante os últimos maus resultados e, sobretudo, perante aquilo que considero serem os erros de aprendiz de Marco Silva. Mas, para que isso aconteça, o homem tem que mexer na equipa e dar-lhe verve. Colocar o William Carvalho no onze é fazer o óbvio, já quanto ao Miguel Lopes confesso que preferia que não o fizesse avançar para o onze, nem que tivesse que fazer uma adaptação de circunstância para responder à ausência forçada do Cédric. Para este jogo, e perante o regresso adiado do Slimani, podíamos ter o Tanaka de início.

De resto, precisamos de um Nani na sua máxima força e concentração. Só assim se vence aos homens de Barcelos. Já agora, gostava de ver o nosso treinador um pouco mais efusivo nos golos do Sporting e mais sanguíneo nas nossas desgraças. Era sinal que estava ali a vibrar e não a fazer a rodagem para outros voos. Hoje é para cantar de galo e não sair de Alvalade com um grande galo, como aconteceu no jogo com o Carnide, na partida com a filial de Belém ou no último encontro com os alemães novos-ricos.

 

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da goleada. A nossa primeira deste campeonato. A nossa primeira vitória fora. Com quatro jogadores a facturar no campo do Gil Vicente. Um triunfo categórico: quatro golos sem resposta. Aos 12' já tínhamos dois.

 

Da exibição. Não vencemos apenas: convencemos também. Com uma exibição cheia de categoria e classe. À Leão.

 

De Nani. Novamente em grande. Assumindo-se como líder da equipa, o patrão indiscutível da linha ofensiva, o criativo deste Sporting 2014/15. Sempre em jogo, sempre em movimento, abrindo sucessivas linhas de passe, desequilibrou várias vezes a defesa adversária ocupando o corredor central do ataque. Um artista. E um trabalhador incansável também. Marcou um golo - o segundo na partida e o segundo pelo Sporting em cinco dias, novamente com excelente execução técnica. E participou na construção do terceiro e do quarto. O melhor em campo hoje: adorei vê-lo novamente festejar com um salto mortal à retaguarda.

 

De João Mário. Estreia como titular no campeonato, entrando para o lugar de André Martins como já sucedera quarta-feira, na segunda metade da partida na Eslovénia. Muito dinâmico, veloz, em grande forma física. Fez assistências para dois golos - o terceiro e o quarto. E desmarcou Slimani num lance aos 25' que quase originou outro. Agarrou a titularidade na posição 10. Prestem atenção a ele: veio para ficar.

 

De Adrien. Outro jogador em grande forma. Cometeu uma proeza digna de registo ao inaugurar o marcador, pondo fim à fugaz crise de golos da nossa equipa, com um forte disparo de fora da área após passe de Slimani. Foi quanto bastou para levantar o moral da equipa.

 

De Carrillo. Entrou só aos 71', para o lugar de Capel, mas teve tempo suficiente para marcar o quarto golo, coroando uma excelente jogada de contra-ataque que envolveu também Nani e João Mário. Foi o terceiro dele neste campeonato: já marcou mais na Liga 2014/15, à quinta jornada, do que em qualquer dos anos anteriores. É até agora o goleador da nossa equipa.

 

De Rui Patrício. Completou hoje 200 jogos ao serviço da equipa principal do Sporting, onde actua desde 19 de Novembro de 2006, quando foi lançado por Paulo Bento. É já o terceiro guarda-redes com mais jogos no nosso clube, após os históricos João Azevedo e Vítor Damas. Está de parabéns. E os colegas contribuíram para a festa, com um grande trabalho de equipa, neste jogo em que as redes leoninas permaneceram invictas.

 

Do nosso meio-campo. Foi indiscutivelmente superior ao do Gil Vicente, ocupando quase todo o tempo a área da equipa adversária. Os jogadores de Barcelos tiveram imensa dificuldade em progredir no terreno: isto ajuda a explicar o facto de não terem construído uma só situação de golo em toda a partida.

 

Da aposta contínua na formação. Alinhámos hoje com seis jogadores formados na nossa Academia. Nunca me cansarei de sublinhar este aspecto, que constitui uma das marcas específicas do Sporting.

 

Da intervenção do treinador. Marco Silva mexeu bem na equipa. Com João Mário e Capel titulares, além de Jonathan Silva no lugar de Jefferson, castigado. Continuou a jogar com as linhas subidas e mandou ocupar mais o corredor central do ataque. E não cedeu àqueles que exigiam a decapitação do eixo defensivo. Foi recompensado ao conseguir a primeira vitória confortável desta época: quem não arrisca não petisca.

 

Do apoio dos adeptos. Havia cerca de quatro mil sportinguistas a incentivar a equipa no estádio - mais do que os apoiantes do Gil Vicente. No Sporting o 12º jogador nunca falha.

 

 

Não gostei

 

Que Slimani tivesse desperdiçado um golo quase certo. Tinha apenas o guarda-redes pela frente, aos 25', quando João Mário o isolou. Mas o argelino acabou por atirar à figura. Felizmente redimiu-se ao marcar o terceiro golo, num lance semelhante.

 

De ver Jonathan Silva ainda preso de movimentos. O lateral esquerdo argentino ocupou hoje o lugar de Jefferson. Arriscou pouco no ataque e revelou alguma intranquilidade. Mas não esqueçamos que vem de uma lesão e este foi o seu jogo de estreia na Liga portuguesa.

 

Do persistente jejum de Montero. Marcou pela última vez no campeonato precisamente contra o Gil Vicente, em Dezembro de 2013. Mas nem esse incentivo funcionou neste jogo, onde entrou apenas aos 74' para substituir Slimani.

 

Da chuva de cartões amarelos. Foram oito num jogo globalmente correcto em termos disciplinares. Carlos Xistra arbitrou à portuguesa: em caso de dúvida, ia exibindo cartões, procurando roubar protagonismo aos jogadores. Em certos casos de forma ridícula, como aquele que mostrou a Slimani quando o argelino, carregado em falta, pediu um cartão para o adversário que viria efectivamente a ser admoestado desta forma.

 

Que cheguemos à sexta jornada com menos dois pontos do que em 2013/14. Mas tenho a convicção plena de que não tardaremos a superar esta diferença.

Os melhores prognósticos

Houve muitos prognósticos (foi o segundo jogo aqui mais concorrido de sempre, nesta matéria) mas só três acertaram no desfecho do Sporting-Gil Vicente. E, desses três, dois acertaram também no marcador de um dos golos: o Paulo Gorjão, que alinha pelo plantel cá da casa, e o leitor Bruno Cardoso, reincidente nestes bons palpites. Ambos previram que Slimani marcasse. E o argelino marcou mesmo.

Outros leitores, Ricardo Cunha e aNNóNNymus, acertaram também. Mas apenas no resultado. Ficam, ainda assim, com lugar no pódio.

No próximo fim de semana haverá mais jogos. E mais prognósticos.

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