Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Pódio: Gelson Martins, Acuña, Battaglia

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Atlético de Madrid pelos três diários desportivos:

 

Gelson Martins: 19

Acuña: 18

Battaglia: 18

Montero: 18

Bruno Fernandes: 18

Rui Patrício: 18

Ristovski: 17

Coates: 17

Petrovic: 15

Bryan Ruiz: 15

André Pinto: 15 

Mathieu: 12

Rúben Ribeiro: 9

Doumbia: 6

 

A Bola elegeu Battaglia como melhor jogador em campo. O Record optou por Montero. O Jogo escolheu Gelson Martins.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Do nosso triunfo desta noite em Alvalade. Vitória por 2-0 contra o Paços de Ferreira, que nunca é uma equipa fácil. Mas o Sporting dominou sempre a partida e o triunfo leonino nunca esteve em discussão. Os nossos jogadores revelaram capacidade colectiva e grande espírito de entreajuda. Que deu bons frutos.

 

Da equipa. Acusada de falta de profissionalismo pelo presidente, que nesta mesma tarde voltou a denegrir o grupo de trabalho em novo comunicado pessoal no Facebook, deu a volta por cima. Mostrando-se mais empenhada e unida que nunca, como ficou bem demonstrado na forma como festejou os dois golos, com os jogadores todos abraçados em campo. Há gestos que valem mais que dez mil palavras, ditas ou escritas nas redes sociais.

 

De Bas Dost. O holandês voltou aos golos, marcando o nosso primeiro aos 20', cabeceando como mandam as melhores regras. E ainda marcou outro, aos 77', muito mal invalidado pela equipa de arbitragem liderada por Bruno Esteves. O nosso ponta-de-lança já leva 24 golos apontados na Liga 2017/18.

 

De Bryan Ruiz. Grande partida do internacional costarriquenho, que teve participação directa no primeiro golo, com um cruzamento perfeito para a grande área, e marcando o segundo, aos 65'. Saiu aos 84', sob calorosa e merecida ovação.

 

De Gelson Martins.  Injustamente apontado a dedo pelo presidente no lamentável texto do Facebook logo após o desafio de Madrid, o nosso extremo deu a melhor resposta em campo, onde foi o melhor do Sporting numa noite em que quase todos estiveram muito bem. Municiou Bas Dost com um óptimo cruzamento aos 38', proporcionou ao guardião Mário Felgueiras a defesa da noite com um remate fortíssimo aos 52' e foi ele a inventar o segundo golo, com uma belíssima incursão pela ala direita culminada na assistência para Bryan Ruiz. Mais uma.

 

Da estreia de Wendel. Três meses depois de chegar ao Sporting, o brasileiro que veio do Fluminense estreou-se enfim como titular leonino. Boa exibição do jovem reforço, que revelou bons pormenores técnicos, capacidade de fazer circular a bola no eixo do terreno, demonstrando confiança e personalidade.

 

Da união clara entre os adeptos e a equipa.  A demonstração de confiança dos adeptos que acorreram a Alvalade nesta noite chuvosa e fria foi impressionante: os sportinguistas confiam na sua equipa, valorizam e acarinham os profissionais leoninos e demarcam-se com clareza da inacreditável sucessão de disparos de Bruno de Carvalho contra o plantel, ameçando com processos disciplinares e suspensões. Hoje ficou bem evidente que o presidente está mais isolado que nunca e perdeu irremediavelmente a aura de popularidade que foi mantendo até à semana que agora termina.

 

De continuarmos invictos em casa.  Mantemo-nos sem derrotas no campeonato, com dez triunfos consecutivos em Alvalade e sem golos sofridos para as competições internas desde que recebemos o Braga, no já longínquo mês de Novembro.

 

De vermos agora o Braga mais distante, com menos três pontos.  Consolidamos a terceira posição na Liga. É o mínimo que se exige a este grupo de trabalho em troca do apoio incondicional que lhe manifestamos, faça sol ou faça chuva.

 

 

Não gostei

 

 

Do golo anulado aos 77'. Bas Dost meteu a bola na baliza do Paços. Lance limpo, legal. Invalidado pela equipa de arbitragem liderada por Bruno Esteves e sem intervenção do vídeo-árbitro, que não quis repor a verdade desportiva.

 

Das ausências de William e Coentrão. Assistiram ambos ao jogo na bancada, por questões físicas. Esperamos contar com o nosso capitão já recuperado na quinta-feira, quando recebermos o Atlético de Madrid em Alvalade.

 

Dos insultos. A crítica é legítima, os assobios são compreensíveis, mas não gosto de ouvir insultos e expressões grosseiras em alta voz no estádio. Sobretudo quando proferidas em coro. Mesmo quando o visado (neste caso o presidente) passa o tempo a achincalhar tudo e todos - incluindo jogadores, membros dos órgãos sociais e agora até o conjunto dos adeptos, como fez esta noite numa lamentável conferência de imprensa logo após o jogo.

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 

Da derrota do Sporting em Braga. Mais três pontos desperdiçados na Liga 2017/18, onde já estávamos fora da corrida ao título. Depois de perdermos com FC Porto e Estoril, desta vez caímos na Pedreira, perdendo por 0-1. Assim se confirma que não vale de nada passar uma semana com despiques verbais: os jogos ganham-se e perdem-se dentro de campo, não fora dele. Agora vemos o Benfica com mais seis pontos e teremos o FCP - se ganhar o seu confronto na segunda-feira - com mais oito.

 

De saber que o Braga só está um ponto atrás de nós. Pior do que a derrota, é verificarmos que a equipa bracarense - treinada por Abel Ferreira, ex-treinador do Sporting B que foi despedido há dois anos por Bruno de Carvalho - nos disputa claramente um lugar no pódio deste campeonato. Nada está fechado neste domínio quando faltam seis jornadas para o fim.

 

Da expulsão de Piccini. Após 25 minutos de domínio leonino, a equipa anfitriã conseguiu equilibrar a partida e teve vários períodos de clara predominância. Se as coisas já estavam difíceis, ficaram ainda pior quando o lateral direito italiano, amarelado aos 57', fez nova falta que lhe valeu segundo cartão - e a consequente expulsão, iam decorridos 83'. Acentuaram-se as dificuldades do Sporting, que acabaria por sofrer o golo pouco depois.

 

Da inexplicável apatia do treinador. Só com dez jogadores, com a equipa muito desgastada e o nosso flanco direito momentanemente desguarnecido, Jorge Jesus demorou oito minutos a fazer uma substituição. Acabou por entrar Wendel apenas aos 91', compensando a ausência no meio-campo de Battaglia, entretanto desviado para a ala defensiva. O jovem brasileiro, contratado como reforço em Janeiro, parece um mal-amado: hoje só pôde jogar três minutos.

 

De Rúben Ribeiro. O ex-Rio Ave, contratado em Janeiro, continua sem dar provas que justifiquem a sua vinda para Alvalade. Hoje entrou aos 62', para render o apagado Acuña, e acabou por sair aos 91', dando lugar a Wendel. Sem nada ter feito nessa meia hora que justificasse vê-lo equipado de verde e branco. Uma vez mais.

 

Da ausência de William Carvalho. Volta a confirmar-se: jogo sem o nosso habitual capitão, é jogo que corre mal ao Sporting. Infelizmente não pudemos contar esta noite com ele na Pedreira, por se encontrar lesionado. Oxalá recupere a tempo do desafio frente ao Atlético de Madrid para a Liga Europa.

 

De ver Esgaio jogar contra nós.  Não me conformo com o negócio feito no Verão pelo presidente do Sporting, que decidiu ceder a título definitivo ao Braga este jogador formado em Alcochete. Ricardo Esgaio, que é o vice-rei das assistências para golo no campeonato, voltou a ser um dos melhores em campo. Infelizmente, sem vestir a camisola verde e branca.

 

 

Gostei

 

Da nossa exibição durante os primeiros 25 minutos. Bom começo leonino nesta partida que fez suscitar tanta polémica e desatar tanta linguagem de baixo nível ao longo da Semana Santa. O onze leonino dominou, exerceu pressão alta, mostrou-se mais acutilante e condicionou a construção do ataque do Braga. Infelizmente foi um domínio inconsequente, não traduzido em golos. Praticamente não tivemos uma hipótese séria de marcar não apenas neste período mas durante todo o encontro. Mal se deu por Bas Dost em campo, por exemplo.

 

Do golo anulado ao Braga aos 44'. O árbitro Luís Godinho, que o validara, acabou por inverter esta decisão após correcto alerta do vídeo-árbitro: o golo bracarense fora precedido de falta sobre Gelson.

 

De Gelson Martins. Foi o grande protagonista do melhor momento do Sporting na partida, acelerando o jogo leonino durante a meia hora inicial. Assinou duas excelentes jogadas aos 4', fez um cruzamento soberbo desperdiçado por Bas Dost aos 7', foi baralhando as marcações da defesa adversária e criou os habituais desequilíbrios, embora nem sempre bem apoiado pelos colegas. Na segunda parte - desgastado em inúmeras missões de carácter defensivo - esteve menos em evidência, tal como toda a equipa, mas ainda assim elejo-o como o nosso melhor em campo. Ou o menos mau.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Uma Laranja amarga

Vêr a bola rolando sobre a relva num jogo da Selecção é natural, o que não é natural é vêr Rolando sobre a relva a jogar à bola pela Selecção. Mas não foi só o marselhês que esteve mal, visto que ao seu lado a Fonte secou. Acrescente-se a presença de André Gomes como trinco, de um ainda pouco rodado Adrien no centro do campo e de um(a) Cancelo(a) sempre aberto(a) às investidas holandesas e já não haveria seguradora que pudesse cobrir o risco de acidente. 

 

Portugal, ao contrário do que costuma ser a nossa atitude contra a Holanda, decidiu tentar assumir as despesas da partida, mas com as linhas muito distantes entre si acabou por facilitar o invulgarmente cínico jogo holandês, permitindo transições cirúrgicas donde resultaram três golos sofridos na primeira parte.

 

A segunda parte foi um pouco melhor, mas os golos de Ronaldo não apareceram, as trivelas de Quaresma continuaram no balneário e, para piorar a situação, do outro lado esteve um inspiradíssimo Jasper Cillessen a manter a sua baliza inviolável. Paradoxalmente, os melhores jogadores da nossa Selecção foram os que jogam em Portugal: Gelson Martins, incansável a fazer todo o corredor pós-expulsão de Cancelo, foi de longe o melhor e Bruno Fernandes tentou remar contra a maré. Nota positiva também para São Patrício que não sofreu qualquer golo  nesta dupla jornada helvética...

 

Derrota importante para recentrar os pés na terra e perceber que temos um longo trabalho pela frente. A defesa, nomeadamente a sua zona central, preocupa e muito. Volta Pepe!!! E, já agora, talvez não seja mal pensado o regresso de Éder. Embora falhe golos a 2 metros da baliza como André Silva, pelo menos tem a meia distância. E é talismâ! 

portugalholanda.jpg

 

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Do nosso triunfo desta noite em Alvalade. Vencemos sem a menor contestação o Rio Ave - equipa que segue na quinta posição no campeonato - num jogo que apenas peca pela escassez dos números no capítulo da finalização. O Sporting só ganhou por 2-0 apesar de ter feito 16 remates, sete dos quais à baliza. Mas o que mais importa são os três pontos amealhados. Já temos 65: continuamos a depender só de nós para conseguirmos chegar ao fim no segundo lugar do campeonato. E vamos a cinco do líder, FC Porto.

 

Da exibição. Domínio incontestado do Sporting: dinâmica constante, capacidade de recuperação da bola, corredor central muito bem preenchido, pressão intensa sobre o Rio Ave, impedindo a construção do seu jogo ofensivo. Desta vez, além de vencermos, também convencemos. E nem precisámos da estrelinha da sorte que nos vem acompanhando nesta temporada e que tão útil nos foi para obter os três pontos na partida da primeira volta, disputada em Vila do Conde.

 

Da boa condição física. Muitos de nós estávamos preocupados com o desgaste sofrido pelos jogadores quinta-feira na República Checa, num jogo de 120 minutos, não se cumprindo sequer o intervalo de 72 horas determinado pelos regulamentos desportivos entre essa partida e o apito inicial do encontro de hoje. Mas tal preocupação era desnecessária: todo o onze titular correspondeu no plano físico - incluindo jogadores como Mathieu e Fábio Coentrão, que pareciam exaustos no final da partida contra o Viktoria Plzen e hoje foram dos melhores em campo.

 

De continuarmos invictos em Alvalade. Cumprida a 27.ª jornada, continuamos sem sofrer derrotas no nosso estádio - onde apenas consentimos dois empates para a Liga 2017/18. E novamente chegamos ao fim de um jogo sem termos sofrido golos, sinal de que o bloco defensivo leonino está bem e recomenda-se. O último que sofremos em Alvalade foi em Novembro, contra o Braga.

 

De Gelson Martins.  Voltou a fazer a diferença, exibindo as suas melhores características: capacidade de drible, velocidade, intensidade, capacidade de alongar o jogo leonino criando sucessivas situações de perigo para os defensores adversários. Hoje marcou o primeiro golo, aos 24' e fez a assistência para o segundo, aos 83': merece ser designado o melhor em campo. O seu golo (sétimo na Liga) foi uma obra de arte: aproveitando um passe de calcanhar de Bas Dost, tirou três defesas do caminho e ludibriou o guarda-redes Cássio. Fez ainda dois cruzamentos com selo de golo, para Battaglia (45'+1) e Fábio Coentrão (60'). E nunca deixou de apoiar a manobra defensiva da equipa, travando as incursões de Pelé no seu corredor.

 

De Bas Dost. Finalizador nato, regressou aos golos, com um cabeceamento fortíssimo ao segundo poste, sem hipóteses para Cássio, sentenciando assim a partida. Antes fora crucial numa primorosa assistência de calcanhar para o golo inaugural, apontado por Gelson. Já soma 23 golos na Liga 2017/18 e 57 nos dois campeonatos em que tem vestido de verde e branco. Imprescindível.

 

De William Carvalho.  Em boa hora o nosso n.º 14 regressou ao onze titular, após a ausência na partida em Plzen por acumulação de amarelos. Faz toda a diferença na organização colectiva leonina, tanto na compensação e apoio ao bloco defensivo, como hoje sucedeu acorrendo às dobras dos colegas que jogam nas suas costas, como na construção ofensiva, não apenas no passe mas também no transporte. Numa destas progressões no terreno, aos 68', deixou nos pés de Bruno Fernandes uma bola já com selo de golo. Aos 83', voltou a fazer a diferença num daqueles passes longos que parecem teleguiados e já se tornaram na sua imagem de marca.

 

Da estreia de Wendel.  Enfim, Jorge Jesus lançou o jovem brasileiro que o Sporting foi buscar há dois meses ao Fluminense. Entrou apenas aos 89', com o destino do jogo já decidido, e tocou apenas duas ou três vezes na bola, mas foi quanto bastou para ouvir aplausos bem sonoros dos adeptos que nele confiam.

 

Da expressiva e merecida homenagem a Fernando Peyroteo.  O maior goleador português de todos os tempos foi alvo de uma justa evocação esta noite em Alvalade, com os cachecóis a esvoaçarem nas bancadas em sua memória e também com o nome estampado nas camisolas dos nossos jogadores. Agora falta a trasladação para o Panteão Nacional. Já se faz tarde.

 

 

 

Não gostei

 

 

Do resultado ao intervalo. Os jogadores recolheram aos balneários com apenas 1-0 no marcador. Números escassos face às oportunidades criadas. E só a sete minutos do fim do tempo regulamentar conseguimos ampliar esta vantagem.

 

De ver tantos golos falhados. Parece não haver jogo do Sporting sem falhanços incríveis dos nossos jogadores à boca da baliza. Bas Dost foi o primeiro a desperdiçar, logo aos 12', isolado frente ao guarda-redes. Seguiram-se Battaglia, incapaz de corresponder a um passe exímio de Gelson (45'+1) e Bruno Fernandes, desperdiçando uma oferta de William (68'). A bola teimou igualmente em não entrar numa sucessão de ocasiões em que embateu nos ferros: num livre apontado por Bruno (20'), num centro de Coentrão (27') e novamente dos pés de Coentrão (60').

 

Da equipa de arbitragem. O auxiliar do apitador Rui Costa que acompanhava os ataques do Sporting insistiu em assinalar foras-de-jogo inexistentes, prejudicando claramente a nossa equipa. Foi assim pelo menos em três ocasiões, cortando ataques conduzidos por Bruno Fernandes, Rúben Ribeiro e Gelson Martins. Isto além de o ábitro beneficiar várias vezes o infractor, apitando tarde e mal. Notória falta de categoria.

 

Do sofrimento. Só a partir do segundo golo descansámos verdadeiramente: foi mais uma partida em que muitos adeptos chegaram a recear o empate - e a consequente perda de dois pontos - na sequência de um eventual lance esporádico da turma adversária. Com tantas oportunidades criadas e tanta superioridade exibicional em campo da nossa parte, não havia necessidade.

Elogio à direcção do Sporting

img_770x433$2018_02_27_18_46_20_1370251[1].jpg

 

Tenho criticado várias vezes a estrutura directiva do Sporting Clube de Portugal - a começar no presidente. Hoje é o dia para elogiar a decisão de não ter sido aplicada multa ao Gelson Martins - para mim, o nosso melhor jogador desta temporada. Sublinho isto com orgulho acrescido por saber que ele é fruto da formação de excelência da Academia de Alcochete.

Gelson teve um gesto irreflectido, sim. Tão irreflectido como o de Mathieu, que se fizera expulsar na jornada anterior. Tão irreflectido como o de Coates, que fez exactamente o mesmo que ele: marcou um golo em tempo extra e despiu a camisola. Com a vantagem, para o uruguaio, de que não foi punido (como devia) com o segundo cartão amarelo, o que deixaria o Sporting duplamente desfalcado dos seus centrais no desafio seguinte.

 

Gelson é bastante mais novo que Mathieu e Coates. Mas o seu irreflectido gesto não é menos desculpável à luz da implacável e crua letra da lei. Creio no entanto que para ele já será punição bastante não alinhar amanhã no Dragão contra o FC Porto.

Mais um motivo para eu elogiar a direcção: o jovem internacional português seria um alvo demasiado fácil e um bode expiatório demasiado à mão, até para justificar por antecipação algum eventual desaire em campo.

 

Assim as coisas até funcionam ao contrário. Estou convicto de que os companheiros de equipa vão querer ainda mais vencer este desafio. E farão questão em dedicar a vitória ao Gelson. Sem o golo dele, como sabemos, o jogo de amanhã destinar-se-ia apenas a cumprir calendário. Aliás, não por acaso, a estrutura dirigente leonina incluiu o jovem na comitiva que ruma ao Dragão. Outra decisão que justifica elogio.

 

Se há virtude que devemos cultivar, no desporto e na vida, é a gratidão.

Hoje giro eu - O Gelson que não há em Octávio

Li n`A Tasca do Cherba e fiquei estupefacto. Não que duvidasse do postal de Cherba, citando correctamente o que Octávio Ribeiro escreveu em o Record. O que verdadeiramente me deixou estarrecido foi o arrozoado de generalizações e o preconceito estampado na ponta da pena do jornalista, director do Correio da Manhã.

 

Diz Octávio Ribeiro que " a ser verdade que o Sporting perdoou Gelson, é inadmissível e continua a senda de má educação global que o jogador ainda sofre, certamente desde as raízes de infância". O grande educador do proletariado, das massas, camarada Arnaldo M..., perdão, Octávio Ribeiro, que, enquanto director de um jornal, na minha opinião, promove um jornalismo que explora o pior que existe dentro de cada um de nós, o nosso desejo de "voyerismo", de sensacionalismo, de revanchismo, escolheu Gelson Martins como alvo da sua indignação.

 

Não acredito que se trate de uma manifestação racista ou xenófoba. Acredito mais que é apenas preconceito. Partindo de uma generalização bacoca e descurando completamente o livre arbítrio que permite a cada cidadão escolher o seu próprio caminho, apesar do caldo cultural em que está inserido, Octávio confunde tudo. Desde logo confunde pobreza com falta de educação, eventualmente códigos de etiqueta com boa formação humana. É que todos os testemunhos que oiço sobre Gelson apontam para um miudo sossegado, bom aluno enquanto estudante, sempre com um respeitoso comportamento e perfeitamente integrado na sociedade, podendo até funcionar como um exemplo paradigmático de como a igualdade de oportunidades pode funcionar como um ascensor social para os que nasceram mais desfavorecidos.

 

Gelson indubitavelmente cometeu um erro. Era até perfeitamente admissível, num contexto de exigência, que o Sporting o castigasse. Da mesma maneira que um automobilista é multado quando passa um sinal vermelho, mesmo que inadvertidamente e sem intenção dolosa. Mas, uma coisa é cometer um erro, outra é partir daí para uma acusação de "pobreza de valores". Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Octávio promoveu uma lapidação do carácter do homem e da educação que os seus pais, no meio da maior das dificuldades, lhe conseguiram dar. A este propósito, um irmão mais velho de Gelson, Vitor Martins, atesta que o jogador, tal como os irmãos, benficia de uma característica passada pelos pais, o respeito pela disciplina. O mesmo corrobora o ENORME Aurélio Pereira, que diz que desde pequeno Gelson sempre procurou a tranquilidade e afastar-se de confusões.

 

Gelson deve os seus valores à boa educação que recebeu de seus pais. Deve a oportunidade que teve para singrar na vida ao seu talento e ao Sporting, especialmente a todos os técnicos e dirigentes dos escalões de Formação do clube que deram tanta importância ao seu comportamento enquanto homem como ao seu crescimento como jogador. Por isso, independentemente do erro que cometeu e que não deve ser desvalorizado, merece o meu apoio, o meu voto de confiança. Isso é que é importante. Chega de falar de alguém que nunca passará de uma nota de rodapé de um qualquer manual de jornalismo, que nunca será protagonista, que nunca despertará arrebatadoras paixões. Gelson merece muito mais do que um julgamento sumário feito por um "educador" de ocasião. Que incidiu sobre o ala leonino, mas bem poderia ter recaído, tal o nível de generalização, em Zinedine Zidane, o tal - na sua época o melhor do mundo - que foi expulso durante uma final do campeonato do mundo. Ainda bem para o Octávio que não se meteu com o astro, pois parece que Zidane é particularmente sensível a opiniões negativas sobre os seus pais. Que o diga Materazzi...

 

Para finalizar, e desejando que as consequências disto tudo - os prejuízos para o seu clube, a bicada da imprensa "amiga" - lhe sirvam de lição, gostaria de dizer a Gelson que, enquanto o seu comportamento social for exemplar como sempre tem sido, estarei com ele até ao fim. Gelson foi solidário com o amigo Ruben Semedo. Lamentavelmente, Octávio confundiu solidariedade com cumplicidade, tornando-se ele próprio cumplice de um julgamento sumário, sob a forma do texto que produziu, o qual pelos seus contornos de pré-conceito não pode e não deve ser esquecido "até ao fim do mundo".

gelson.jpg

 

Leitura recomendada

Para que certas pessoas não pensem e digam que escrevo com intuito de atacar Bruno de Carvalho e a sua Direção, mantendo-me ao mesmo tempo fiel à minha ideia de elogiar o que de bom tem sido feito e de criticar o que acho que deve ser alvo de melhoria, gostaria de elogiar a luta que tem travado (com os seus exageros claro, quando diz para não lermos jornais e só vermos o canal do clube) contra a falta de isenção dos meios de comunicação social e a sua subserviência face aos interesses de um clube rival do lado mau da 2ª Circular.

Mais uma prova de que o nosso presidente tem razão é o artigo escrito hoje, no Record, por Octávio Ribeiro que se encontra visivelmente incomodado pela ausência de Gelson no Dragão, atacando o nosso jogador, alegando a sua falta de educação e valores, males de que claramente padece o diretor do grupo Cofina.

Não deixa de ser curioso que seja uma página associada ao clube do sr. Octávio, Um azar do Kralj, que tantas vezes atacou e tentou ridicularizar o nosso clube e elementos que nele trabalham, a denunciar este tipo de comportamento idiota e descabido. Vale a pena ler a publicação que escreveram a esse propósito, de seu nome Educar Octávio.

Quem irá substituir Gelson?

Já todos sabemos que Gelson Martins não vai alinhar sexta-feira no Dragão. O jogador cometeu um erro grave, que lhe valeu um duplo amarelo e a expulsão no Sporting-Moreirense, ficando portanto fora do clássico.

Olhemos então para a frente e não para trás. Gostava muito de saber qual será, no vosso entender, o substituto de Gelson neste jogo. Quem é que Jorge Jesus acabará por decidir pôr no lugar dele?

Pódio: Gelson, Rafael Leão, Rui Patrício

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Moreirense pelos três diários desportivos:

 

Gelson Martins: 18

Rafael Leão: 17

Rui Patrício: 17

Bruno Fernandes: 16

Coates: 16

Bryan Ruiz: 15

André Pinto: 15

Battaglia: 15

Acuña: 13

Misic: 12

Doumbia: 12

Montero: 10

Petrovic: 10

 

Os três jornais elegeram Gelson Martins como melhor jogador em campo.

E se a mensagem fosse outra?

Gelson é, depois de Bruno Fernandes, o jogador mais importante do Sporting.
Parece perigoso dizer isto tendo grandes jogadores como Coates, Mathieu, Patricio, Acuna e Bas Dost.
Mas na verdade, a seguir ao sobre-dotado que enverga a camisola 8, é um jogador que revela uma entrega incrível e menos oscilações de forma, basta ver o jogo de ontem, em que depois de ter estado agarrado a coxa meio da segunda parte, veio já nos últimos 10 minutos travar um ataque do lado contrário, o que lhe valeu o primeiro amarelo, tendo ainda corrido como se viu no lance do golo.
É verdade que não decide muitas vezes bem, faz parte da sua imprevisibilidade, mas não é menos verdade que muitas das vezes se não fosse ele a ajudar os laterais a fechar o corredor, o desfecho dos lances poderia ser outro. E o mais incrivel é que tão depressa está a fazer isso, como está a municiar com qualidade o nosso sector ofensivo.
Ontem, Gelson teve a página mais negra da sua ainda curta e promissora carreira, agindo irreflectidamente, tal eram o entusiasmo provocado pela situação e a situação conturbada que vive um dos seus melhores amigos.
Esse erro vai deixá-lo fora do jogo da próxima sexta-feira no dragão, mas, dada a humildade que já demonstrou ao logo dos anos, não tenho dúvidas que o ajudará a aprender e a crescer.

Este infeliz episódio de ontem, com o qual tambem fiquei obviamente insatisfeito e incredulo, leva-me a lançar uma questão para refletirem:

 

Seriam os criticos tão duros para com o jogador caso ele, em vez de demonstrar apoio a um ex jogador com um historial problemático, tivesse sido expulso por tirar a camisola para mostrar apoio a um familiar ou amigo, sem o mesmo mediatismo, mas com um problema tão ou mais grave?

Gelson

gelson.jpg

 

Fico francamente estupefacto face à onda de simpatia, qual compreensão, para com o acto do Gelson Martins ontem em Alvalade. Por duas razões. A primeira, mais rasteira, isto da bola e dos hipotéticos triunfos: o jogador já tem 22 anos, cumpre a terceira época na equipa principal, na qual decerto que sabe ser figura fundamental, é internacional A, e é um profissional bastante bem pago, ainda que possa aspirar a novos e "arábicos" contratos, desses que animam a cena futebolística actual. Ou seja, é já experiente e exige-se-lhe responsabilidade. Presume-se ainda que tenha alguma compreensão do que o que o rodeia e espera: diz-se que Garrincha quando se sagrou campeão do mundo no Suécia-58 não sabia que o campeonato tinha acabado, denotando a bruma (genial, mas obscura) em que dirimia o seu inesquecível talento. Mas espero que Gelson, para seu bem, extra-futebol até, não seja epígono dessa abstracção existencial. E que assim saiba, pelo menos, o "jogo" que a vida lhe prepara, o "calendário" que aí vem. Pelo menos o a curto prazo, que, de facto, é o máximo que podemos antever com alguma razoabilidade. Em suma, que soubesse que a próxima jornada é fundamental para as aspirações do clube que o formou, acarinhou e lhe paga. Fazer-se expulso, isentar-se desse compromisso, é totalmente inaceitável. Mimar um jogador querido, "da casa", competente, ainda para mais jongleur, assim alegria do povo? Sim, com toda a certeza. Mas aceitar isto que aconteceu, "compreendê-lo", é estragá-lo com mimos. Gelson está em dívida.

Mas a segunda razão é mais importante, e não se prende apenas com Gelson. Podemos compreender a amizade, a preocupação, o cuidado, dos jogadores do Sporting para com Ruben Semedo, seu ex-colega. Mas acontece que este não está envolvido numa qualquer situação, dessas corriqueiras que por vezes as notícias ecoam. Crimes ou prevaricações de futebolistas, gente jovem algo inebriada com as facilidades advindas da sua profissão ou, pura e simplesmente, fazendo o que outros fazem mas com as repercussões devidas à sua (relativa) celebridade. Coisas mais ou menos inconscientes, mais ou menos gravosas, por vezes até cândidas. A serem dirimidas pela justiça, com toda a certeza, mas às quais podemos conceder a suspensão da nossa avaliação moral, naquilo do "errar é humano", muito mais em jovens: a pancada no bar, se em dia de folga; a condução desabrida, e por vezes acima do limite de alcoolização; o destrambelhar de uma situação orgiástica, etc. Maus julgamentos momentâneos, sangue na guelra, imaturidade, valores pouco burilados, tudo a vir ao de cima em situações espontâneas. Lamente-se mas que atire a pedra quem nunca pecou. Ou seja, que a justiça funcione, ressarcindo hipotéticos lesados, mas sempre submetendo-se à vontade de regenerar, de a todos, os lesados e os prevaricadores, proteger pois enquadrar. O que significa a inadmissibilidade de "julgamentos exemplares". E que nós, cidadãos, compreendamos que a vida não é um mosteiro, que os jovens atletas não são uns monges ascetas, e que não devemos ser excessivamente moralistas. Nisto, como no resto.

Mas as notícias que nos chegam sobre este caso dizem algo diferente. Ruben Semedo está detido por, em grupo, ter sequestrado um homem no intuito de lhe sacar informações sobre o paradeiro de outrem. Agrediu-o, feriu-o, ameaçou-o de amputação, ameaçou-o de morte com uma arma de fogo. Isto não é um conjunto de putos jogadores (muito bem pagos) a roubarem numa loja, pela piada da malandrice, um miúdo já algo aviado à porrada numa discoteca, um tonto inconsciente demasiado bebido a perder o controle da "bomba" que comprou com o magnífico salário (ou que a marca lhe deu, para sua publicidade), ou o aguerrido viril a não aceitar o inopinado "não" que a miúda, daquelas que circundam os jogadores, decide no momento dos "finalmente". Tudo coisas de facto "inaceitáveis", crimes umas, burrices outras, mas "compreensíveis", enquadráveis no sentido de serem alvo de solidariedade, o que não significa "desculpabilização", irresponsabilização. Pois um "não é um não", sempre, ou a segurança rodoviária é fundamental, etc.

Mas os actos do Ruben Semedo não são isso, nem uma cena de momento, de exaltação, inebriada até. São puro gangsterismo. São mais do que inaceitáveis. Que os seus amigos jogadores do Sporting queiram pegar no telefone e fazer-lhe chegar a sua solidariedade é com eles. Que os profissionais do Sporting utilizem as instalações e as actividades do clube e, também, o capital social (a visibilidade, acima de tudo) que lhes advém da sua situação profissional e do seu enquadramento institucional (clubístico) para demonstrarem solidariedade pública - como o capitão William Carvalho também acaba de fazer  - com o autor destes actos é muito gravoso. A questão não é que o jogador tenha sido "formado" no clube. Foi-o, mas não é relevante para o caso ("acontece nas melhores famílias"). A questão é que solidariedade pública assumida em quadro institucional usa e abusa da instituição. Conspurca-a, até. Violenta-a.

E devia ter havido alguém a explicar estas matizes aos jogadores.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Cu bo ti fim do mundo(*)

O Sporting joga muito pouco. Em 24 jogos, temos menos 1 golo marcado que o Sporting de Braga, menos 14 que o Benfica e menos 18 que o Porto. Em contrapartida, no que diz respeito a estrelinha da sorte, ninguém nos bate

 

O Sporting iniciou o jogo com Battaglia a lateral direito - só tinha jogado nessa posição em Santa Maria da Feira, após lesão de Piccini - , Acuña a lateral esquerdo e Petrovic a trinco. Discursar sobre táctica nesta partida seria o mesmo que debater o papel de um conjunto vazio na teoria dos conjuntos. O jogo leonino foi de uma anarquia total, apenas abanada pela raça de Bruno Fernandes (foi ele que foi estorvar Bilel no golo anulado ao Moreirense), pelas arrancadas de Gelson - sempre a definir mal o último passe, até no golo, em que beneficiou de uma carambola - e por alguns movimentos interessantes de Bryan Ruiz (durante a primeira parte).

 

A equipa leonina podia e devia ter matado o jogo durante a primeira parte. Contra o último colocado na Liga, uma equipa "petite" treinada por um treinador Petit, o Sporting desperdiçou várias oportunidades nesse período, com Bruno Fernandes (por duas vezes), Battaglia e André Pinto a falharem a concretização. Também Bryan Ruiz perdeu a habitual oportunidade quando isolado perante Jhonatan. Este, sem saber (como), chegou ao intervalo com a sua baliza inviolada. É de familia, os seus pais também não sabem (onde) pôr os "h"...

 

O que Jhonatan sabe muito bem fazer é antijogo. Ele e os cónegos que o acompanham. A partida ficou marcada por um estranho critério técnico e disciplinar do juíz Tiago Martins, o qual, por indicação errada do quarto-árbitro, viria a expulsar Petrovic na segunda parte. Não que isso tivesse um grande efeito na nossa equipa, afinal continuámos a jogar com 10, embora sem termos 11 em campo a partir sensivelmente da hora de jogo.

 

Com 2 inocentes na frente de ataque, um (Montero) sem raça para ganhar a bola e fazer jogo entrelinhas, outro (Doumbia) com uma relação péssima com qualquer tipo de objecto esférico, o "frisson" vinha apenas dos pés de Gelson e Bruno Fernandes. Até que entrou o jovem Leão, naquele seu jeito de quem está a jogar uma peladinha, o qual, já no segundo minuto do período de compensação, ziguezagueou entre dois adversários e serviu Gelson para um golo feliz. 

 

Como referi em cima, os melhores foram Bruno Fernandes, Gelson e Bryan Ruiz (deu dois golos cantados). Para além destes, Rui Patrício (2 grandes defesas e uma antecipação providencial numa bola perdida). Battaglia foi muito esforçado, mas fez essencialmente falta no meio campo, onde Petrovic ficou claramente aquém e Misic estreou-se discretamente. Os centrais estiveram algo irregulares e Acuña mostrou a raça do costume, mas esteve menos certeiro no cruzamento.

 

Jorge Jesus montou mais uma vez uma "táctica" em que expôs desnecessáriamente a equipa, dado o despovoamento do miolo central, mais potenciado pelo curto raio de acção e ausência de ritmo de Petrovic. Houve momentos do jogo onde Bruno Fernandes ou Gelson eram o último homem. Noutros, Coates era o homem mais adiantado. Bem sei que JJ sonha com a Laranja Mecânica, mas o que vimos ontem foi um limão espremido à mão. Definitivamente, ficou provado nos 2 jogos com o Moreirense que não temos boa ligação com cónegos...

 

No final do jogo, na "flash-interview" e na conferência de imprensa, Jesus queixou-se dos adeptos que "não souberam ajudar a equipa". Eu sei que, para o Mister, os adeptos do Boavista é que são bons, mas dizer mal dos bravos que desafiaram a intempérie, numa segunda-feira à noite, não me parece bem. Ainda acabou a dizer que a vitória foi dos jogadores do Sporting. Pudera!... Sinal de esperança, e contrariando declarações recentes, foi quando JJ afirmou que "não jogam esses, jogam outros". That`s the spirit!!!

 

A arbitragem esteve desastrada. Tiago Martins esteve muito mal, o quarto-árbitro influenciou-o negativamente e o vídeo-árbitro não reparou a injustiça da expulsão de Petrovic, embora tenha anulado, bem, o golo do Moreirense, por mão na bola de Bilel que escapou à visão do auxiliar.

 

Em resumo, um jogo muito pouco conseguido e uma vitória à Pirro que vai fazer com que Gelson não esteja presente no Dragão e Bruno Fernandes chegue a essa partida ainda mais desgastado que a estrelinha que nos tem acompanhado (Dost jogará?). Na sexta-feira, no Porto, ou ganhamos ou a disputa pelo campeonato termina para nós. Espero, por isso, que deixemos de jogar à italiana, para que na próxima época não tenhamos de jogar à albanesa (do antigamente), isto é, isolados do resto da Europa. 

 

(*) em crioulo, "estou contigo até ao fim". Mensagem destinada a Ruben Semedo, mas que bem podia ser aquela que melhor define o apoio incondicional proveniente das bancadas a este clube, a esta equipa.

 

Tenor "Tudo ao molho": Gelson Martins

gelson.jpg

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Segunda vitória consecutiva por margem mínima ao cair do pano. Há uma semana, 2-1 em Tondela aos 98'. Hoje, um pouco mais cedo: iam decorridos 92' quando Gelson Martins conseguiu enfim introduzir a bola na baliza do Moreirense. Saímos nesta noite chuvosa de Alvalade com um resultado muito escasso: 1-0, frente ao último classificado da Liga. Mas o que interessa são os três pontos que conseguimos amealhar. Mantemo-nos na segunda posição, com a mesma pontuação do Benfica, e a cinco pontos do comandante, FC Porto, que defrontaremos na próxima sexta-feira na Invicta.

 

De Gelson Martins. Foi sempre o nosso jogador mais inconformado, mais veloz, mais irreverente, o que mais acelerou o jogo e mais procurou a baliza adversária. Foi recompensado pelo golo, que procurou sem desfalecimentos e que mantém o Sporting na corrida pelo título. Municiou muito bem Bryan Ruiz aos 31', teve uma grande arrancada pela direita aos 46', rematou com boa colocação aos 58', conduziu de forma exemplar um contra-ataque ao 64'. E ainda fez de lateral sempre que foi necessário, indo à dobra de Battaglia, hoje defesa direito improvisado. Pena ter despido a camisola quando marcou o golo: valeu-lhe o segundo cartão amarelo e vai falhar o jogo do Dragão. Uma lamentável infantilidade daquele que foi o melhor jogador em campo.

 

De Rafael Leão. Jorge Jesus voltou a apostar nele, lançando-o aos 59'. Valeu a pena: o avançado júnior formado em Alcochete protagonizou o momento crucial do jogo ao conduzir o lance do golo, progredindo com a bola controlada e deixando três adversários para trás numa sequência de dribles antes de servir Gelson. Primeira assistência na equipa principal deste jovem tão promissor.

 

De Bruno Fernandes. Tentou muito, faz várias vezes a diferença: faltou-lhe apenas aprimorar a finalização em dois lances na primeira parte, aos 14' e aos 40'. Revelou sempre boa leitura de jogo, mas foi condicionado pelo duplo pivô do onze adversário que lhe travou a manobra enquanto médio de construção, desta vez mais recuado em função da ausência de William. Melhorou de rendimento quando subiu para segundo avançado, aos 59', com a saída do inútil Montero. E chegou até a funcionar como improvisado defesa central num perigoso contra-ataque do Moreirense, aos 52', em que acompanhou sempre o adversário que transportava a bola, forçando-o a cometer falta, o que levou à anulação do golo que surgiu nesse lance da equipa comandada por Petit.

 

Da estreia de Misic.  Contratação de Inverno do Sporting, o médio defensivo croata só esta noite se estreou de verde e branco, entrando aos 69'. Não deu muito nas vistas, numa fase em que a equipa já denotava bastante nervosismo por não conseguir desfazer o 0-0 inicial, mas também não comprometeu. Precisa de mais tempo de jogo.

 

Dos dois jogadores poupados ao amarelo.  Bruno Fernandes e Coates entraram em campo "tapados" com quatro amarelos: bastava terem visto mais um para falharem o decisivo clássico do Dragão. Felizmente nenhum deles mereceu advertência disciplinar neste jogo. Vamos contar com eles na sexta-feira.

 

Da nossa boa organização defensiva. Levamos já um total de 630 minutos consecutivos sem sofrermos golos em casa para o campeonato. Hoje voltámos a ver a nossa baliza invicta, apesar de termos jogado com dois médios adaptados a laterais - algo nada comum.

 

Da sorte que nos vai sorrindo. Outro jogo disputado, outra vez a "estrelinha" da fortuna a brilhar sobre a equipa do Sporting. Mesmo em noite de chuva. Será a "estrelinha de campeão"? Se não é, imita muito bem. Ela que apareça: será sempre bem-vinda.

 

 

 

Não gostei

 

 

Das ausências. O Sporting entrou em campo com uma equipa totalmente retalhada. Bas Dost ficou de fora por lesão, Mathieu esteve ausente por castigo. Uma síndrome viral impediu outros jogadores de alinhar: Fábio Coentrão, William Carvalho, Piccini, Ristovski e Palhinha. Jesus viu-se forçado a formar o onze titular com o irrelevante Petrovic como médio defensivo enquanto Battaglia e Acuña asseguravam as laterais e André Pinto colmatava a ausência de Mathieu no eixo da defesa. Demasiadas alterações para um jogo só.

 

Das oportunidades perdidas. Neste jogo foram diversas, para não variar. Duas de Bruno Fernandes (14' e 40'), uma de Battaglia (17'), outra de Bryan Ruiz (31'), outra ainda de André Pinto (45'+1'), mais duas de Coates (64' e 89'). Uns atiraram por cima, outros remataram ao lado, alguns permitiram a intervenção do guarda-redes. Continuamos a revelar problemas sérios em zona de finalização, algo inadmissível num candidato ao título.

 

De Montero. Actuando como segundo avançado, o colombiano voltou a desiludir. Nunca combinou com Doumbia, desta vez o ponta-de-lança de serviço, não esticou o jogo, não deu profundidade nem agressividade ao nosso ataque, não abriu linhas de passe nem soube procurar as entrelinhas. Falta-lhe intensidade e a equipa reflecte-se disso. Saiu aos 59', dando lugar a Rafael Leão.

 

Da expulsão de Petrovic. O sérvio, que jogou na posição habitual de William Carvalho, recebeu um cartão amarelo aos 39'. Por falta que existiu. Mas foi advertido com um segundo - e a consequente expulsão - por falta que só ocorreu na imaginação do auxiliar da equipa de arbitragem comandada por Tiago Martins. Estavam decorridos 60'. O Sporting, lesado por tamanha incompetência, jogou mais de meia hora só com dez jogadores. A expulsão de Gelson - também por acumulação de amarelos - ver-nos-ia reduzidos a nove já ao cair do pano.

 

Dos assobios. Jesus, no final, estava furioso com os adeptos. E percebia-se porquê. Uma vez mais, quando as coisas não correm de feição, as bancadas de Alvalade desatam a vaiar os jogadores. Como se isso resolvesse algum problema. É um comportamento inaceitável, que merece a mais severa reprovação. Quem vai para o estádio assobiar os jogadores durante a partida, mais vale ficar em casa.

Sporting-Moreirense, uma crítica necessária

img_770x433$2018_02_26_23_13_10_1369936.jpg

Por mais simpatia que tenha pelo roupeiro (muitas vezes na actualidade dito "técnico de equipamentos") titular do Sporting não posso deixar de criticar esse sector da estrutura do clube: sabida a prisão do adepto do Benfica e jogador do Villareal, antigo colega de Gelson Martins, consabida a amizade de ambos, não poderia ter havido o cuidado de avisar Gelson da desnecessidade de incorrer riscos de castigo e, mais do que tudo, controlar os seus equipamentos antes de entrar em campo? Pois não são estas mensagens um hábito actual, sucedâneos da publicidade pessoal que a FIFA entendeu proibir, protegendo a publicidade institucional?

Enfim, devido a esse verdadeiro auto-golo não há dúvida de que o sector dos equipamentos foi o pior em campo hoje.

Nada mais me ocorre dizer, dado que também eu fui alvo daquilo do "surto gripal", essa maleita nova, e vou-me tratar.

Hoje giro eu - M&M

m de martins.jpg

 

Em cima, a escolta real ao majestoso Gelson Martins. Julgo que, de uma forma sintética , resume o que foi o desempenho do ala leonino, ontem em Astana.

Ao vê-lo em mudanças (de velocidade), desaparafusar as defesas contrárias como se fossem um móvel do IKEA, parece que estou a sonhar. Mas Gelson não faz parte dos mitos Urbanos, ele é pura realidade!

Quente & frio

Gostei muito da vitória do Sporting frente ao Astana, na capital do Cazaquistão, em desafio disputado esta tarde, a mais de seis mil quilómetros de Lisboa. Vencemos por 3-1, com golos de Bruno Fernandes (de grande penalidade), Gelson Martins e Doumbia. Um resultado que abre todas as perspectivas de passagem à fase seguinte da Liga Europa: ninguém imagina a equipa adversária a marcar três golos sem resposta na segunda mão desta eliminatória, a disputar de hoje a uma semana em Alvalade.

 

Gostei da categórica exibição leonina na segunda parte após um início de jogo nada auspicioso. Nos primeiros dez minutos da etapa complementar conseguimos três golos. O primeiro aos 47', na conversão de um penálti, após uma eficaz e vistosa tabelinha na ala direita entre Piccini e Gelson Martins, com um defesa do Astana a meter mão à bola. O segundo aos 50', com Gelson (o melhor em campo) a receber de forma impecável e a dar o desfecho que se impunha a um cruzamento de Acuña a partir da esquerda. O terceiro aos 55', na melhor jogada colectiva do encontro, com a bola jogada ao primeiro toque por quatro jogadores: William, Acuña, Bruno Fernandes e Doumbia, que hoje apontou o seu 29.º golo em competições europeias - e o oitavo desta temporada em quatro competições ao serviço do Sporting. Nota importante: o marfinense marcou em todas as vitórias fora do Sporting nas competições europeias, repetindo agora o que já conseguira em Bucareste e Atenas.

 

Gostei pouco que Rui Patrício, no dia do seu 30.º aniversário, tivesse sofrido um golo logo aos 7' na sequência de um brinde da ala esquerda da nossa equipa, ultrapassada em velocidade, e dos centrais André Pinto e Coates, que pareciam adormecidos, chegando muito tarde às acções de cobertura. Mas o aniversariante fez questão de dar um par de prendas aos seus colegas: aos 32', fez duas enormes defesas consecutivas, evitando assim que o Astana chegasse aos 2-0. Funcionaram como o tónico psicológico de que o Sporting parecia necessitar: a partir daí, embalámos para uma grande exibição europeia no piso sintético do Astana, onde (felizmente) ninguém se lesionou.

 

Não gostei do primeiros vinte minutos da nossa equipa, batida em sucessivos lances pelos adversários. Houve várias falhas de posicionamento, sobretudo no corredor central e na ala esquerda. Bryan Ruiz, bem ao seu estilo, imprimia pouca intensidade e quase nenhuma velocidade enquanto segundo avançado, jogando atrás de Doumbia. Bruno Fernandes foi demasiado discreto. Coentrão esteve longe das suas tardes de glória nas competições da UEFA. E Acuña só começou a funcionar no segundo tempo, quando contribuiu para virar o resultado.

 

Não gostei nada do golo limpo anulado a Doumbia aos 40', na sequência de um canto marcado por Bruno Fernandes e de um remate inicial de Coates, com recarga bem executada pelo marfinense. O juiz da partida considerou que o ponta-de-lança leonino estava deslocado - tese que as imagens desmentem. É preciso ter azar: o mesmo jogador vê dois golos legais invalidados por apitadores em dois jogos seguidos para competições diferentes, repetindo-se hoje o que já havia acontecido no domingo em Alvalade.

Quente & frio

Gostei muito de ver Gelson Martins, já recuperado, de regresso ao onze titular do Sporting. Não está ainda a cem por cento, mas foi o elemento leonino que mais acelerou o nosso jogo e lhe deu profundidade, actuando desta vez sobretudo no corredor central. Fez a diferença nos confrontos individuais, forçando o FCP a manter em guarda o seu núcleo defensivo em geral e Herrera em particular. Serviu muito bem Ristovski aos 40', na nossa melhor jogada da primeira parte: acabou por ser uma grande oportunidade de golo desperdiçada. Excelente cruzamento aos 87' que Doumbia não conseguiu aproveitar. Foi o nosso melhor em campo: ele não merecia esta derrota por 1-0 no estádio do Dragão - primeira volta da meia-final da Taça de Portugal.

 

Gostei, apesar de tudo, que esta derrota tangencial nos permita adiar para a segunda mão o desfecho da eliminatória. Continua perfeitamente ao nosso alcance a conquista da Taça - segundo troféu da temporada de futebol profissional 2017/18. Só dependemos de nós. Mas em Alvalade o FCP já deverá alinhar com Marcano, Danilo e Aboubakar, ausentes esta noite por lesão.

 

Gostei pouco da exibição de Doumbia, novamente titular por força da ausência de Bas Dost, ainda lesionado: o marfinense, em quem Jesus pouco tem apostado, está sem confiança e ainda se mostra desajustado na equipa, desperdiçando as poucas oportunidades de golo que os colegas lhe vão criando: tarda a ser o finalizador alternativo de que o Sporting necessita. Também Bruno Fernandes - hoje como médio de ligação no corredor central - esteve muito abaixo da prestação a que nos tem habituado, nem sequer fazendo a diferença nas bolas paradas.

 

Não gostei de ver William Carvalho afastado deste clássico, por aparente impedimento físico. Nem da ausência dos "reforços de Inverno" no nosso onze inicial: começa a ser altura de nos questionarmos para que foram contratados. É verdade que dois deles acabaram por saltar do banco: Rúben Ribeiro aos 74' e Montero aos 84'. Mas nenhum fez a diferença - muito longe disso. O ex-Rio Ave teve até uma arrepiante perda de bola à entrada da nossa grande área que quase originou golo do Porto. Também não gostei de ver Acuña expulso por acumulação de amarelos, à beira do fim: quando precisávamos de recuperar tempo, o argentino permaneceu em campo a protestar com o árbitro e os adversários, incapaz de perceber que estava a prejudicar a equipa.

 

Não gostei nada que tivéssemos disputado o terceiro jogo contra o FC Porto desta temporada sem conseguirmos marcar um só golo à equipa treinada por Sérgio Conceição: são 270 minutos em branco. Nem de ver o Sporting sofrer a segunda derrota da época em competições nacionais no curto intervalo de quatro dias. Espero que não seja uma tendência já a desenhar-se - coincidindo com o desnorte dos órgãos sociais leoninos, que anunciaram uma absurda pré-demissão em bloco a meio da época desportiva. Mas a verdade é que esta equipa tem vindo a decrescer de rendimento, a exibir preocupantes desequilíbrios e a acusar desgaste físico e psicológico.

Hoje giro eu - Rigor

Por uma questão de rigor, e porque este espaço não é apenas um forum de discussão de ideias mas também pretende informar, devo dizer que, em rigor, a seguir a Dost, o melhor marcador da equipa é Bruno Fernandes (10 golos). Quanto ao melhor assistente absoluto, também, é Bruno Fernandes, com 11 assistências para golo. Jorge Jesus, erradamente, referiu ontem, em conferência de imprensa, Gelson Martins como o portador dessas estatísticas. O ala tem 9 golos e 7 assistências. Fica assim reposta a verdade dos factos, esperando que tenha sido apenas uma "gaffe", pois não quero acreditar que JJ não conheça as estatísticas de jogo.

Os ausentes não jogam, não vale a pena perder tempo a lamentá-lo. Importante é dar moral, confiança a quem vai para dentro do terreno de jogo e saber encontrar as soluções necessárias para que o Sporting se imponha na Amoreira. E isso é o mais importante, numa semana conturbada, marcada por um "timing" de marcação de uma Assembleia Geral inoportuno - porque não após o final da temporada? -, em que, com o Sporting já vencedor de uma Taça da Liga e líder do campeonato nacional, vemos o presidente do clube a ameaçar demitir-se e pedidos nas redes sociais a solicitar a demissão do presidente da AG. Que os nossos jogadores, no campo, saibam dar os tiros certos: não nos pés, mas sim nas redes da baliza de Moreira. 

 

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D