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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (31)

Foi a vitória da equipa que melhor soube interpretar em campo a versão de um coral primorosamente afinado, para pedir emprestada a feliz imagem ao jornalista Orfeo Suárez, um dos melhores cronistas contemporâneos de futebol, na antevisão que ontem fez da final da Copa no jornal El Mundo.

A Alemanha mereceu, sob vários prismas, a conquista deste seu quarto Campeonato do Mundo (após as vitórias em 1954, 1974 e 1990). Teve a melhor organização, o melhor guarda-redes (Neuer), um lateral adaptado que suplantou toda a concorrência (Lahm), um meio-campo de sonho (com Khadira, Schweinsteiger, Kroos e Özil), um avançado à moda antiga que põe em sentido qualquer reduto defensivo adversário (Müller) e ainda o melhor marcador de sempre nas fases finais de campeonatos do mundo (Klose, com 16 golos).

Um colectivo em futebol de alta competição é isto: funciona com a perfeita articulação entre as suas peças.

 

Götze: entrar e marcar 

 

Mais: a Alemanha confirmou ontem ter um banco de suplentes de luxo. Schürrle e Götze entraram - o primeiro aos 31', por lesão de Kramer, e o segundo à beira do prolongamento, rendendo Klose - para desatarem o aparente nó cego em que se transformara o empate a zero e cumpriram da melhor maneira a missão. Foi dos pés deles que saiu o belíssimo lance do golo alemão que sepultou o sonho de Messi de imitar Maradona com a conquista do troféu de campeão mundial.

Iam decorridos 112’, faltavam apenas oito minutos para uma eventual ronda de grandes penalidades que nenhuma selecção pretendia. Os argentinos para não abusarem da sorte: já se haviam apurado frente à Holanda, na meia-final, com este processo. Os alemães - que pouco antes tinham visto uma bola embater no poste após cabeçada de Höwedes - para evitarem ser vítimas de uma injustiça histórica: foram, de longe, a melhor selecção do Campeonato do Mundo. Com seis vitórias e só um empate nesta fase final, 18 golos marcados (sete dos quais ao Brasil e quatro a Portugal) e apenas quatro sofridos.

 

 

A história deste jogo que de algum modo reeditou a vitória espanhola no Mundial de 2010 (1-0 na final contra a Holanda, no prolongamento, com golo de Iniesta aos 117’) poderia, no entanto, ter conhecido um desfecho bem diferente. Bastaria Higuaín, isolado logo aos 20’ perante Neuer devido a um passe à retaguarda mal medido de Kroos (talvez o único erro do excelente médio alemão cometido neste mês de competição em relvados brasileiros), não fez o que lhe competia. Tinha todo o tempo do mundo para atirar a bola à velocidade pretendida e para o melhor ângulo da baliza germânica.

Nada disso aconteceu: o remate saiu-lhe frouxo e sem pontaria. Naquele instante Neuer sagrava-se como novíssimo gigante do histórico Maracanã, palco da final. Higuaín ficava reduzido ao estatuto de pigmeu.

Mas tudo poderia ter saído ao contrário, com o argentino a elevar-se à condição de herói do Mundial-2014. O sortilégio do futebol passa por estes instantes em que se decide o destino de um jogador - a humilhação perpétua ou a glória eterna.

 

Alemanha, 1 – Argentina, 0

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