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És a nossa Fé!

Claques, trincheiras e o que é mais importante

O presidente Frederico Varandas foi há dois dias entrevistado no jornal da noite da TVI. O que era anunciado pela própria estação como um entrevista onde seriam abordados diversos temas, entre eles a política de contratações, a venda de Bruno Fernandes, a planificação desta época, limitou-se a ter um tema único, durante os cerca de vinte minutos que o presidente Frederico Varandas teve disponível no jornal da noite de um dos canais com maior audiência na televisão portuguesa. O presidente Frederico Varandas resumiu a realidade do Sporting a um tema. Alguém acredita que se por um acaso o actual presidente conseguisse resolver este problema, o Sporting teria pela frente épocas de sucesso desportivo e financeiro? Claro que não. Aliás o tema das claques, da sua violência, dos seus actos criminosos, não é exclusivo do nosso clube, bem pelo contrário. É um problema transversal da sociedade portuguesa e que reflecte em muito essa mesma sociedade. É por isso um tema que extravasa um clube e os seus dirigentes. Não se compreende assim que o presidente Frederico Varandas queira tomar a rédea de um problema do qual é apenas uma das vítimas, em que pela cargo que ocupa, representa o clube, nos representa. Um presidente do Sporting, pela dimensão que o nosso clube tem, deve conseguir perceber que neste caso concreto, a responsabilidade na sua resolução cabe inteiramente ao poder político e judicial. É ao governo, às autoridades policiais e judiciais que o presidente do Sporting deve pedir responsabilidades. Nestes cerca de dezasseis meses que leva de mandato o presidente Frederico Varandas não teve ainda tempo de solicitar uma audiência ao primeiro-ministro? Ao presidente da república? Ser recebido por um desconhecido secretário de estado, sem qualquer autoridade na tomada de qualquer decisão, só nos mostra que o presidente Frederico Varandas não percebeu, ainda ou de todo, o cargo para o qual foi eleito. 

Ao Sporting cabe apenas identificar os membros das claques que prejudicaram de forma concreta o nosso clube e, de acordo com os estatutos, expulsá-los de sócios. Para tudo o resto o clube não tem instrumentos oficiais e legais para resolver o que quer que seja. Por tudo isto pede-se ao actual presidente do Sporting que entregue a quem de direito este problema e que se centre na gestão do clube.

Mas, infelizmente, pelo histórico desta direcção, já percebemos que porventura este presidente quer mesmo continuar a cavalgar este tema e apenas este tema. Cavou uma trincheira e está a tentar abafar as justas críticas de que a sua direcção é alvo. Se Bruno de Carvalho extremou e radicalizou muitos dos adeptos seus apoiantes, Frederico Varandas está a seguir o mesmo caminho, ou estão comigo ou estão contra mim e com as claques. Alguma comunicação social já foi atrás desta fraca versão do "dr. coragem" tecendo loas de herói a Frederico Varandas. O que eu como sócio e adepto do Sporting gostaria de saber é qual o plano, se o tem, para inverter a situação catastrófica do nosso clube. Se para a próxima época os custos com pessoal vão reduzir de forma drástica, se vamos ou não apostar na formação ou se pelo contrário vamos voltar a seguir o modelo desta época. Se os FSE's vão ser efectivamente escrutinados e fortemente reduzidos. Se existe, se há alguma política concreta relativa aos sócios, aos núcleos, qual a política para conseguir inverter a notória redução das assistências no estádio?

São apenas poucas questões, mas muito mais importantes para a vida e para o futuro próximo do nosso clube, do que o problema das claques.

 

Reserva Bendita

Olhando para tudo o que nos tem acontecido e para o "estado a que isto chegou" e aos proto-candidatos que se adivinham, é um luxo ter alguém como João Benedito disponível e interessado em ser presidente no futuro.

João Benedito tem menos duas ou três falhas estruturais do que Frederico Varandas.

A mais óbvia é saber comunicar (é articulado, tem nexo, a mensagem é eficaz o timming perfeito), outra será o sentido de humildade de ter assumido desde o início de que precisa de uma equipa que lhe limite lacunas e de nunca se ter posto a jeito, colocando a fasquia onde sabia que nunca teria condições de chegar.

Hoje pela primeira vez em muito tempo vi alguém do universo leonino ser copiosamente elogiado e sem que tal se deva a ter enxovalhado a direção ou outrem. Marcou muitos pontos João Benedito no campeonato virtual dos valores seguros, na reserva do clube para um futuro melhor.

Finalmente, mesmo imaginando que os resultados desportivos não fossem muito diferentes, a verdade é que seria muitíssimo mais fácil manter o apoio a um presidente com o perfil e capacidade de comunicar de João Benedito.

Na pior da hipóteses, o presidente seria um amortecedor da ansiedade e não um acelerador do desespero. 

Na melhor, bom, na melhor dependeria da competência da equipa e das lições aprendidas com erros alheios e truculência  "inimigas".

Quando a hora chegar contamos com ele.

Disse.

Bela foto...

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... De Bruno Fernandes e outros jogadores do plantel do Sporting em treino com o Sporting do futuro.

É bonito de ver. E é bom marketing. Também é preciso.

Mas não chega.

Entre muito que é preciso clarificar, com urgência, uma das coisas mais importantes é justamente o futuro de Bruno Fernandes. Estará mesmo em cima da mesa a sua saída em Dezembro, depois de Varandas ter justificado a venda destempada de Raphinha e outros com a necessidade de manter o capitão?

O dia depois de ontem

Mais de cinco mil sócios do Sporting Clube de Portugal deslocaram-se ontem ao Pavilhão João Rocha para usar o seu direito de voto. É uma amostra grande para uma Assembleia Geral e os resultados parecem enquadrados com a experiência que vamos vivendo em conversas com outros sportinguistas.

Os resultados foram muito semelhantes aos da Assembleia Geral de destituição. Permite isto extrapolar que, no espaço de um ano, os sócios do Sporting não mudaram a sua opinião sobre a gestão e os erros cometidos por Bruno de Carvalho. Diga-se que o ex-presidente também pouco fez para que fosse de outra maneira. Uma palavra de arrependimento sobre um ou outro tema teria sido suficiente.

Começa hoje o processo de cura da ferida que se reabriu um pouco ontem. Após os resultados, foram muitos que ameaçaram guerra ao clube e prometeram deixar de ser sócios. Cabe aos demais começar o "repovoamento" e angariar, no seio familiar ou entre amigos, novos sócios para o clube.

Ao contrário do que se gritou, o Sporting não acabou ontem. Começou uma nova etapa onde precisará cada vez mais do seu combustível, sócios e adeptos. Isto é: precisa de todo nós.

O que eu espero (5)

Da nova equipa gestora do Sporting é que se mantenha arredada do campeonato do carisma. Andamos todos mais que saturados de pseudo-líderes carismáticos, prontos a transformar cada frase bombástica em títulos - não desportivos mas títulos de jornal. A verdadeira liderança dispensa explosões de carisma virtual na redoma das redes sociais, dissociadas da realidade. Quem sabe comandar tem os pés bem assentes no chão: não se remete a trincheiras nem se resguarda em bolhas.

O que eu espero (4)

De Frederico Varandas é aquilo que ele tem demonstrado nesta primeira semana como presidente do Sporting:  basta-lhe proceder ao contrário do outro. Não ter Facebook activo ajuda muito. O Sporting precisa de manter-se fora da algazarra noticiosa, da baba opinativa que enche chouriços televisivos serão após serão e da esterqueira das "redes sociais", sempre prontas a divulgar o último boato e a penúltima calúnia. Quem medra nas redes, morre nas redes.

O que eu espero (3)

Da nova gerência leonina é que promova um verdadeiro trabalho de equipa, substituindo o culto narcísico do "eu" pela eficácia do "nós". Com espaço para o protagonismo de figuras tão diversas como Rogério Alves (no domínio institucional), Francisco Zenha (na área financeira) ou Miguel Albuquerque (no capítulo das modalidades). Sem nunca esquecer que o futebol, mola do clube, e as principais modalidades de pavilhão são desportos colectivos.

É tempo de paz

Os sócios decidiram, está decidido!

Não vale a pena virem agora dizer que houve falcatrua na contagem dos votos, ou que a AG não era legal e mais uma série de desculpas. Repito... não vale a pena!

Os sócios deslocaram-se ao Altice Arena, votaram, falaram tudo de livre e espontânea vontade. E disseram de sua justiça.

Contestar resultados, formas processuais por uma virgula a menos ou a mais é tentar ganhar sem jogar. E o Sporting neste momento não necessita desta contínua guerrilha interna.

Acabou-se o tempo das bravatas, de troca de galhardetes verbais, de ofensas. É tempo de paz, de serenidade, de tocar a reunir, de remarmos todos ao mesmo tempo. De enfunar as velas desta nau tão perdida e achar um rumo.

Gostássemos ou não de BdC, gostemos ou não desta Comissão, o certo é que agora há uma equipa para gerir os destinos do Clube até Setembro. E que tem que ter o nosso apoio...

Da minha parte não atacarei mais ninguém. O passado fica no museu, como diz o brasileiro. E o nosso, que não deve ser olvidado de forma a evitar novos casos, também deverá morar lá nos confins da memória.

Agora quero ver os futuros candidatos, conhecer as equipas propostas e acima de tudo descodificar as ideias, de forma que em Setembro possa votar em consciência.

 

Também aqui

Futuro (Quase Imediato): não sacudir a caspa do ombro

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Há poucos dias aqui o escrevi: (quase) todos no "Universo Sporting" apoiámos Bruno de Carvalho. Conviria não esquecer isto. Por duas ordens de razões:

 

1. para não voltarmos a pactuar com princípios socioculturais adversos à vida civilizada, em nome do aparente progresso do clube. Ou seja, que o egocentrismo e as tendências autocráticas sejam escrutinados em hipotéticos candidatos futuros (agora e "para sempre") e sirvam como pontos muito adversos na ponderação da sua pertinência. E, acima de tudo, que seja erradicado o abjecto "claquismo" - que ontem, na assembleia-geral, tanto se mostrou, evidenciando sem qualquer máscara como Bruno de Carvalho o considerou como fundamental para o seu exercício presidencial, deixando bem perceber a sua responsabilidade moral no processo que conduziu ao AlcocheteGate, para quem ainda tivesse dúvidas;

 

2. mas também é fundamental recordar isto: Bruno de Carvalho fez um excelente trabalho durante o seu primeiro mandato (que raio se terá passado?, inebriou-se com a esmagadora maioria obtida, deriva de imaturidade? algo mais grave sob o ponto de vista pessoal?). E foi esse excelente trabalho que conduziu ao (quase) universal apoio que recebeu do "Universo Sporting". Sacudir a caspa do ombro, clamar "eu nunca tive nada a ver ...", "eu nunca tive dúvidas", é uma injustiça e uma falsidade. Essa foi a era do nosso "Bruno". Saúde-se o realizado, e continue-se se possível.

 

Com isto quero sublinhar algo. Por mais que BdC seja (radicalmente) egolátra - como tão bem o Pedro Correia aqui o definiu - ele não trabalhou sozinho. Se as maldades acontecidas, o "mustafismo" desbragado que brotou, foi algo colectivo pois também alimentadas pela turba que acarinhou, as realizações que aconteceram foram também obra dos seus colaboradores. Alguns que se terão mantido no trabalho (emprego ou colaboração) - não estou a falar dos últimos 6 do Conselho Directivo, cuja recusa em encarar o óbvio tanto custou ao clube. Por tudo isso o pior será agora consagrar o "sacudir a caspa do ombro" através de uma "caça às bruxas", uma perseguição a sportinguistas (profissionais ou não), relacionados com o clube que trabalharam e, nisso, apoiaram Bruno de Carvalho.

 

É isto, convém não esquecer, (quase) todos fomos Brunistas. E, diga-se, muito justificadamente.

 

Estou a falar de alguém em particular? Logo à cabeça sim: Augusto Inácio - estou crente que veio agora com "És a Nossa (Boa) Fé" tentar minorar os prejuízos do clube. Não estou a defender que fique no posto que tem agora, não me cumpre dizê-lo nem tenho saberes para o afirmar. Mas já me cheira a fogueira, com lenha húmida (para arder mais lentamente). Deixemo-nos disso. Não sacudamos a caspa do ombro.

 

Ou saltemos todos para o fogo.

 

O mais difícil

O mais importante está feito. Agora, vem o mais difícil. O mais difícil é, desde logo, pegar no amontoado de destroços resultante dos últimos meses passados a caterpillar. Mas também é evitar as retaliações. Parece haver muita gente com vontade de devolver na mesma moeda a forma como foi tratada por Bruno de Carvalho. Não me parece bem. O caso deve ser tratado no domínio que lhe é próprio: o do delírio e da paranóia. É esquecer. Fundamental é agora arranjar candidaturas que sejam capazes de sarar a horrível ferida que se abriu no clube. Lá está, é o mais difícil. Mas tem de ser possível.

{ Blog fundado em 2012. }

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