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És a nossa Fé!

É impossível discordar do texto de JPT

Só se fosse um calhau com olhos discordaria deste texto. As razões são várias, mas detenho-me na principal: o que valorizamos no nosso clube, como o alimentamos, representamos e defendemos em sociedade tem de estar em linha com os valores e princípios que temos para nós como inatacáveis e, portanto, inabaláveis. Posto isto, discussões há, como esta em que o Sporting está mergulhado, nas quais não pode haver lugar à relatividade. Haverá sempre valores e princípios mais elevados que outros.

Feita a ressalva, logo relativizo a questiúncula e volto ao futebolês, esse linguajar, essa linguagem que nos permite subverter a rigidez discursiva, e que, apesar da aparência, não é desleal para com o que verdadeiramente nos rege. 

No reino do futebolês

«A Colômbia, mesmo no processo defensivo, deixa dois homens altos.»

De Vítor Pereira (ex-treinador do FCP), RTP, 4 de Julho

 

«A transição é a tomada de decisão no momento de recuperação de bola, primeiro passe a tirar da zona de pressão e segundo passe a meter a bola imediatamente à frente. Aí se faz uma transição veloz e se deixa o adversário completamente fora da jogada.»

De autor anónimo

Rescaldo de um jogo em futebolês

 

- Boa noite. O que achaste deste jogo tão emocionante?

- Duas palavras bastam. Em futebol o desequilíbrio pode tomar números absolutamente impensáveis. Tivemos aqui um choque entre um modelo de jogo e a estratégia. O modelo de jogo que mais gosto de ver é aquele que tem posse de bola e futebol largo e tentativa permanente de domínio do adversário. A dimensão estatégica do jogo, ou seja a abordagem em concreto do adversário, pode ser determinante sobretudo quando estamos perante duelos a eliminar. A equipa vencedora teve uma abordagem de quatro-quatro-dois inicial procurando diagonais com mais uma unidade ofensiva mas defendendo sempre com duas linhas de quatro e subidas. Apertou sempre a construção dos centrais e dificultou muito a saída da turma antagonista. E travaram os corredores, que são o grande ponto de força dos rivais, com um futebol mais rendilhado. Podemos chamar àquilo um quatro-dois-três-um, mas aquilo em rigor é quatro-dois-quatro. Jogaram com os extremos projectados, muito na órbita dos laterais, e em subida permanente. Os outros, sem um médio de recuperação de bola, revelaram uma estratégia quase suicida. Falharam a abordagem estratégica, mas isso pode sempre acontecer aos melhores.

Fiz-me entender?

- Bem... não propriamente. Não te importas de repetir tudo outra vez, mas um pouco mais de-va-gar?

- Impossível, pá. Já não faço a menor ideia do que disse.

 

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Lição de futebolês em dia de Portugal-Israel

 

É um quatro-dois-três-um mas muitas vezes é mais um quatro-cinco-um de uma equipa que não se desorganiza nem se desposiciona muito e que sai bem na transição sobretudo nas bolas a passar em momentos de definição dessa transição ofensiva com alguma criatividade e alguma atenção à bola parada e ao jogo aéreo muito forte com os laterais a centrar nessa circunstância pois quando pressionada em bloco meio alto a equipa vai jogar tendencialmente em bloco baixo sobretudo quando os alas não são jogadores de largura e têm dificuldade nas acções de construção e a contratransição é vital porque quando se perde a bola em zona ofensiva se o pressing foi imediato pode ser recuperada instantaneamente e a contratransição numa equipa que a faça bem e que tenha qualidade de finalização muitas vezes é fatal e este é um jogo em que interessa revelar capacidade de pressionar alto e de recuperar alto e de meter grandes intensidades sobretudo na primeira parte sem deixar o adversário trocar a bola naqueles dois metros de construção da zona defensiva nem jogar no risco pois quando se recupera mais atrás eles encontram-se lá todos.

 

Fui suficientemente claro ou preferem que faça um desenho?

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Encatrupigaitado

Adoro ouvir falar futebolês na televisão. Adoro aqueles neologismos muito giros debitados pelos locutores do desporto-rei. Adoro o léxico muito típico de quem tem por missão relatar jogos de futebol no pequeno ecrã.

É um idioma tão moldável que qualquer de nós pode falar ou escrever futebolês. Não acreditam? Ora vejam só como isso é possível.

 

 

A postura competitiva da equipa de todos nós tem vindo a esvaziar-se na segunda metade do tempo regulamentar deste jogo decisivo. Há até quem aponte a necessidade de fazer substituições de uma assentada no plantel, de modo a que este possa mostrar não só a força da técnica mas igualmente a técnica da força, atirando a bola para o melhor sítio.

Fala-se muito, por exemplo, na necessidade de refrescar o sector recuado para desfeitear as ofensivas dos times adversários. Uma defesa bem escalonada é meio caminho andado para as vitórias no relvado.

Um dos problemas desta equipa é a baliza, que tem estado mal guarnecida. O guarda-redes mostra-se amiúde mal colocado entre os postes e intercepta de forma deficiente muitos cruzamentos despejados na grande área, revelando uma certa tendência para deixar entrar frangos. Além disso tem sido vítima de surtos de violência dentro das quatro linhas, o que contribui para a sua desconcentração e a sua insegurança. É um dos elementos que se candidatam a ir para o duche mais cedo.

 

A pedra basilar da defesa central também revela algumas debilidades. O seu maior calcanhar de Aquiles é ser fisicamente pouco possante, colocando-se assim em posição de inferioridade no embate com o plantel adversário. Apesar da sua baixa estatura tem, porém, boas ideias ao nível da exploração do espaço aéreo. Principal ponto negativo: a fraca pulmadura, que não aguenta 90 minutos em toada competitiva.

O seu parceiro no centro da defesa é um falso lento, o que por vezes confunde e desbarata os adversários. E joga bem de cabeça, o que noutros desafios já contribuiu para fazer a bola anichar-se nas redes contrárias. Capaz de bons gestos técnicos, tem no entanto o defeito de ser muito individualista e de se enredar nos seus próprios dribles. Por vezes parece querer a redondinha só para ele.

O médio ofensivo domina bem o esférico e, devido à sua estatura meã, revela-se exímio na forma como conduz a bola à flor da relva. Mas é desfavorecido no confronto com antagonistas dotados de melhor planta atlética. Além disso as suas características combinam mal com o seu habitual colega da linha média, muito económico nos lances de jogo que consegue criar no miolo do terreno. Ao contrário de alguns dos seus colegas, este elemento do plantel raramente joga para a bancada, nunca fazendo levantar o terceiro anel. A seu favor pode dizer-se que sabe aproveitar bem os espaços vazios.

 

À frente as coisas complicam-se um pouco mais. Porque os dois jogadores mais adiantados no rectângulo articulam mal as jogadas, ao que parece por incompatibilidades de ordem tecnico-táctica, apesar de serem dotados de boa destreza individual. Um deles corre bem pela direita, às vezes como se fosse um extremo, e é conhecido pelas suas fintas primorosas. O seu maior defeito é ter um pé cego, que é o esquerdo. O outro, por sua vez, joga bem com os dois pés e assume-se também como especialista nos lances de arremesso manual. O seu ponto fraco são as jogadas de cabeça. Quando tenta dizer que sim à bola jogando-a com a testa, o esférico acaba sempre por sair junto ao poste mais distante, não chegando a criar real perigo para as malhas adversárias.

É de louvar, de qualquer modo, a postura atacante que ambos revelam no último terço do terreno. O pior é que estão a desentender-se cada vez mais na hora da verdade, afectando o rendimento do conjunto.

 

Entretanto há quem diga que a raiz do problema não está nos jogadores mas no treinador que orienta a equipa há duas temporadas. Fala-se na necessidade de uma chicotada psicológica, admitindo-se a possibilidade de o técnico deixar o time no final da presente época. Alguns adeptos garantem que ele é o grande responsável pelo plantel se ter mostrado tão encatrupigaitado nos últimos desafios que disputou.

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