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És a nossa Fé!

De disparate em disparate

image.jpgFoto: Tiago Petinga / Lusa

 

Para não variar, a directora-geral da Saúde voltou ontem a fazer uma declaração inaceitável. Em que, uma vez mais, menospreza e subalterniza o desporto. Como se uma sociedade em que a prática desportiva organizada, promovida por agremiações clubísticas, não fosse parte iniludível da saúde, tanto na componente individual como colectiva.

 

A mesma responsável que autorizou viagens aéreas em voos lotados, o regresso dos concertos, das sessões de cinema, dos espectáculos teatrais, dos circos e das touradas, a mesma alta funcionária governamental que deu luz verde às manifestações e concentrações de rua promovidas por forças partidárias, movimentos cívicos ou grupos espontâneos de cidadãos, a mesma senhora que permitiu eventos tão diversos como a Festa do Avante no Seixal ou a realização do Grande Prémio de Fórmula 1 em Portimão continua a vetar o regresso do público aos recintos desportivos.

Com argumentos sem pés nem cabeça, confundindo aquilo que não deve ser confundido e até fazendo alusões demagógicas ao início do ano escolar, como se isso tivesse alguma coisa a ver com o futebol.

 

«Público nos estádios e reabertura das discotecas não será certamente nos próximos tempos. Temos de ver esta grande experiência que é o retorno às aulas e qual será o seu impacto nos números», afirmou ontem Graça Freitas. Equiparando assim as bancadas de um estádio - onde os lugares estão marcados, é muito fácil estabelecer limite máximo de entradas e o espectáculo decorre ao ar livre - ao interior de uma discoteca, onde o espaço é fechado, as pessoas estão sempre em trânsito e não há possibilidade de assegurar distanciamento físico.

Pior: ao englobar na mesma frase bancadas de estádios e discotecas nocturnas, Graça Freitas confirma ter absurdos preconceitos contra o futebol e não fazer a menor ideia sobre a importância do desporto no "desconfinamento" cada vez mais urgente da sociedade. Como há uma semana aqui assinalei, futebol sem público é futebol moribundo a curto prazo. Porque os clubes vivem de receitas - e as receitas de lugares nas bancadas, associadas à compra de adereços desportivos em complemento aos espectáculos, é fundamental para a sobrevivência de todas as agremiações desportivas que põem centenas de milhares de portugueses a fazer exercício físico. Porque uma sociedade onde não se pratica desporto é uma sociedade doente.

 

Não compreender isto é nada compreender de essencial. Noutras circunstâncias, eu aconselharia Graça Freitas a aconselhar-se com o secretário de Estado do Desporto. Mas não o faço porque João Paulo Rebelo já demonstrou ser tão insensível e tão ignorante na matéria como ela. Só isso explica que, numa recente entrevista, este governante tenha desvalorizado o facto de largos milhares de jovens continuarem impedidos de treinar ou competir sem restrições, dando-se até ao luxo de fazer uma graçola com a brutal quebra de receitas das agremiações desportivas: «Não temos conhecimento de nenhum clube que tenha fechado portas.»

Seria simplesmente ridículo se não fosse grave.

 

Uma directora-geral que mete estádios e discotecas no mesmo saco, um secretário de Estado totalmente alheado do dramático quotidiano do sector confiado à sua tutela: assim vamos, seis meses após a declaração da pandemia. De improviso em improviso, de disparate em disparate.

O caminho a percorrer para o crescimento do SCP

O ADN do SCP é de clube formador. A Academia deve constituir a grande aposta, mas precisa ser valorizada. Para o conseguir, há que implantar uma política desportiva sólida, que ofereça garantia de progressão nas carreiras aos formados e simultaneamente proporcione ao Sporting Clube de Portugal um fluxo de financiamento constante, obtido com a venda dos melhores activos, já que nunca lhes conseguiremos pagar um vencimento sequer aproximado, ao que conseguirão noutras paragens.

Por forma a acautelar saídas prematuras, parece-me evidente que promoções à equipa principal requerem a prévia assinatura de contrato profissional com duração entre 3 a 5 anos e blindado com cláusula de rescisão. Também são de evitar vendas precoces, por valor muito abaixo do potencial, entrando em conhecidos carroceis. Os talentos mais promissores devem ser lançados no plantel, lutar por um lugar na equipa principal, merecer oportunidades e ficarem no mínimo 2 a 3 anos entre nós. As equipas B e sub23, servem para apoiar e fazer crescer os nossos jovens, complementando situações imprevistas, às quais a equipa principal pode recorrer quando necessário.

Concretizando, vender hoje Max, E. Quaresma, G. Inácio, N. Mendes, T. Tomás ou Joelson por 10 ou 15 milhões, seria uma péssima decisão de gestão, esses jogadores devem constituir uma aposta, entrar na equipa, jogando, evoluindo. Se o fizermos e corresponderem, estarão a valorizar-se e conseguiremos no futuro obter uma verba bem superior à que será possível hoje. A não ser que algum clube queira investir no potencial e apareça disposto a pagar a cláusula, ou valor muito aproximado, qualquer jogador dos que citei deveria receber o estatuto de inegociável. Em dois anos, obtido o seu rendimento desportivo em campo e desfrutado da evolução, poderemos então obter um considerável retorno financeiro. Bem sei que o futebol não é uma ciência exacta, existem lesões, pode sempre acontecer algum caso em que o jogador não correspondeu ao que dele se esperava, teria sido mais rentável a tal venda precoce, faz parte do risco do negócio, mas na globalidade, se mantivermos uma política rigorosa, os proveitos serão muito superiores. E claro que decorrido o tempo de maturação, existirão novos talentos disponíveis para lançar, substituindo os actuais.

As idas ao mercado que terão sempre que existir, devem ser reduzidas ao indispensável e sobretudo requerem critério na escolha, colmatando lacunas e acrescentando valor ao plantel. Não podemos é ter época após época, mais de 20 excedentários, que temos dificuldade em colocar. É preferível gastar 10 ou 15 milhões num reforço com entrada directa na equipa, a 3 ou 4 jogadores, que somados os valores do passe e salários, pesam no orçamento e nos deixam com um grave problema por resolver, por vezes arrastando-se ao longo de várias épocas.

O crescimento tem que ser sustentável e não ficar sempre dependente de conjecturas favoráveis e muito menos da sorte. Se o clube seguir uma linha coerente de desenvolvimento, estará mais perto de conseguir as vitórias que todos desejamos.

Futebol sem atacadores

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A noiva já de noiva, a noiva já na igreja

e tu não encontras os atacadores!

Já viste na caixa dos sobejos, na mão dos bocejos?
Já viste na gaveta da cómoda?
Já viste nas pregas da imaginação?

Ganha os campos, foge, precede-te a ti mesmo
como um homem legalmente espavorido
por anos de critério,
sê repentino como um menino!

Convém-te não encontrar os atacadores?

Há noivas que esperam até murcharem as flores,
noivas de pé, muito brancas e já a fazer beicinho…

Procura… Procura sempre, pobrezinho!...
Procura mas não encontres os
atacadores…

Nem sempre para beijar o véu da noiva são necessários muitos atacadores.

Será que Šporar, Luiz Phellype e TT (Tiago Tomás) não são suficientes?

Chutado para canto

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As touradas mereceram aprovação: já se realizam há um par de meses.

Os espectáculos de humoristas foram aprovados: um deles até contou com a presença do primeiro-ministro numa noite e do Presidente da República na noite seguinte.

Os concertos recomeçaram. Um deles, numa curta série que ainda decorre, assinala o 75.º aniversário de Sérgio Godinho, orgulhoso sportinguista.

Reabriram teatros e cinemas.

As viagens de avião receberam luz verde. Mesmo em aparelhos lotados, durante horas e em espaço fechado, sem a menor hipótese de ali haver distância física (a que uns quantos imbecis ainda chamam "distanciamento social", absurda expressão concebida por alguém sem a menor ideia do que significa o adjectivo social).

 

Os restaurantes voltaram a receber clientes, embora em mesas um pouco mais afastadas do que antes - algo que já devia ter ocorrido, com vírus ou sem virus, pois em certos lugares bastava estendermos um braço para tocarmos na mesa ao lado.

Os hotéis puderam reabrir - alguns gabam-se até de ter lotação esgotada, praticando preços em consonância.

As praias voltaram a encher-se, excepto aquelas que nunca enchem. E são bastantes, felizmente, ao longo da nossa costa, com mais de mil quilómetros de zonas balneares.

O Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, vai receber entre 23 e 25 de Outubro o Grande Prémio de Portugal, que marca o regresso da fórmula 1 ao nosso país. Com público a assistir, obviamente.

As manifestações políticas - que implicam ajuntamentos, muita proximidade e bastante "calor humano" - puderam ir decorrendo, sem restrições e para todos os paladares: da CGTP, do Chega, dos anti-racistas e dos antifascistas. 

A Festa do Avante, devidamente autorizada apesar de decorrer na região do País que apresenta mais elevado risco sanitário, começa amanhã.

 

Tudo isto - e muito mais - com a devida chancela da Direcção-Geral da Saúde. Só o futebol continua a ser chutado para canto pelo respeitável organismo. Que acaba de anunciar novo adiamento da possibilidade de regresso dos espectadores aos estádios - mesmo num cenário de metade ou um terço da lotação. 

A 28 de Agosto, o recomeço das competições futebolísticas com público nas bancadas estava a ser «analisado e ponderado», segundo declarou a directora-geral, Graça Freitas. Ontem, a mesma responsável voltou a enrolar as palavras para anunciar que fica tudo como estava, aludindo ao regresso às aulas, como se uma coisa pudesse confundir-se com outra. Com esta extraordinária declaração, proferida em conferência de imprensa: «Não há nenhum preconceito com o futebol, mas temos de ver o contexto em que estamos. Temos de ver agora como acontece a retoma das aulas porque vai movimentar milhares de pessoas todos os dias, e como é o início do Outono e o início do Inverno no Hemisfério Sul.» 

Isto enquanto o inútil secretário de Estado do Desporto balbucia umas inanidades, afirmando-se confiante no regresso às competições nos escalões mais jovens, que têm estado inactivos. «O desporto é essencial para toda a sociedade», soletra o senhor, reencarnando La Palice. Enquanto cerca de 440 mil atletas federados treinam sabe-se lá como e há clubes e até federações em risco.

 

É preciso dizer isto sem rodeios: futebol sem público é futebol moribundo a curto prazo. Porque os clubes vivem de receitas - e as receitas de lugares nas bancadas, associadas à compra de adereços desportivos em complemento aos espectáculos, é fundamental para a sobrevivência de todas as agremiações desportivas. 

Não admira, por isso, que mesmo na rica e poderosa Alemanha os 36 clubes que integram as duas ligas de futebol profissional tenham convergido num plano para o regresso (moderado e condicionado) de espectadores aos estádios a partir do recomeço das competições, previsto para o próximo dia 18. Porque da sobrevivência dos clubes depende a sobrevivência do desporto. E uma sociedade sem desporto é uma sociedade doente.

A DGS devia saber isto melhor que ninguém.

Campeões da ida às urnas, as de voto e as de féretro

Peritos em urnas. Nisto nos tornámos. Salvíficas. Incontornáveis. Inadiáveis. A última oportunidade para resgatar o clube dos seus mais temíveis e terríveis algozes antes da próxima última oportunidade.

Nisto se tem transformado o nosso voto, depositado, na verdade, na urna caixão, tumba de jogadores, treinadores. Presidentes.

A par da condição de maior potência desportiva nacional, alcançámos o estatuto de elite das funerárias da bola. Do mata-mata. Do baralha e mata de novo. Especialistas na gestão de cemitério. 

Nisto se tornou o futebol leonino. Nisto se tornaram as eleições no Sporting. E se antecipadas assim serão, de novo. 

Também já quis ver Varandas fora da presidência. E continuo a querer.

Confesso. No meu reservado e parcialíssimo tribunal Cheguei mesmo a sentenciar: "O som do estádio está aos gritos. Porra...demita-se o gajo!"

Um danado impulso para o radicalismo quase descontrolado, alimentado pela constatação de que as compras foram praticamente só de entulho. Somada à perda de jogadores nucleares que só revelou a incapacidade de preencher os vazios deixados pelos maus negócios. Mais o intolerável silêncio de presidente e director desportivo que nunca deram a cara pela miserável preparação da época que agora ingloriamente finda.

Um rol crítico, transformado em rolo compressor, impiedosamente empurrado pelas derrotas, empates e péssimas exibições da equipa orientada pelos muitos treinadores que depois enterrámos.

O cenário é negro. Deprimente, mesmo! Mas como sair dele? Por outras palavras: que alternativas há a esta incompetente gestão?

A pergunta é retórica, claro que é. Sei que no papel existem alternativas e boas, por isso reformulo a interrogação: Há alternativas viáveis para uma disputa eleitoral a tempo do seu vencedor preparar bem a próxima época?  

Sou da opinião que não, não há.

É conhecida a máxima de que o futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes. Pois, discordo. O futebol é tão importante como as coisas mais importantes. 

Todos concordarão que o Sporting é uma nação. Que move milhões. De sonhos e de euros. Que tem um papel fulcral na defesa dos valores que constituem as sociedades cobiçadas pelos povos desvalidos que há pelo mundo fora. Que forma homens e mulheres. Que é um embaixador da excepcionalidade dos portugueses na arte da bola.

Todos sabemos que muitas vezes o Sporting, um jogo de futebol do Sporting, é a coisa mais importante à face da terra. 

Teve ou não contornos de fim do mundo aquela canalha combinação de resultados de ontem na Luz e na pedreira? E o impante Salvador e a sua soberba incontida alavancada pela insuportável ascensão ao pódio de onde nos desalojou? 

Para mim, evitar que o acima descrito se repita é tão importante e consumir-me-á tanto quanto ter a certeza que o SNS está cheio de saúde.

 O futebol não é um caso sério, é seriíssimo! Como tal, quem gere e preside aos destinos do nosso clube tem de ser criticado, supervisionado, interrogado, implacavelmente cobrado. A cultura deve ser a da exigência através de uma insistente e consistente crítica com alternativa apresentada, como fazem as boas oposições partidárias aos Governos nas verdadeiras e sólidas democracias liberais. A chamada marcação cerrada. Com pressão alta e equipa balanceada para o ataque construtivo, só assim ganhadora.

A apresentação e consequente consolidação de uma alternativa só acontecerá através de um trabalho a tempo inteiro, feito durante o mandato presidencial. 

Aqui chegado, pergunto. Que alternativas são verdadeiramente conhecidas do grande universo leonino? Que escolhas poderemos fazer que nos dêem as garantias de sucesso, para além do fraco consolo de nos fazermos ouvir, na forma de voto, sobre uma coisa que no fim redundará mais numa fezada do que numa certeza?

Temos o impulso (e eu também a ele soçobrei ao longo da época) de logo convocar eleições, destituir, correr com quem dirige o clube, porque não nos dá as vitórias que queremos. Não nos faz campeões de futebol.

Mas como coisa séria que é o futebol permito-me o exercício de perguntar se era aceitável adoptar a prática de deitar abaixo por sistemas os Governos que não executassem as políticas certas para todos termos aumentos salariais de 20% a cada ano da governação (sei que é subjectivo mas é nesta ordem de grandeza proporcional que estimo o valor da conquista do campeonato).

Ir para eleições sem alternativas conhecidas e reconhecidas, não será mais que uma reacção em vez de uma acção. Um impulso para satisfazer a ausência de vitórias dentro das quatro linhas e que teria uma só virtude: emoção, o sentimento que cimenta o futebol. 

Ora, valha-nos isso, a tendência sufragista, a paixão pelos candidatos e facções em disputa, mais a incerteza do resultado seriam a garantia de que a maioria de nós ganharia. Pelo menos nas urnas. Mas seria enganador. Ninguém ganharia verdadeiramente.

Faço por isso votos para que as eleições não sejam "agora!", "já!", e sim quando houver projectos e equipas definidos e de todos conhecidos.

Antes disso, para mim, tudo não passará de uma ida às urnas sinónimo de caixão. De pôr os votos numa futura tumba, cujo destino será o cemitério cada vez maior de sonhos que vamos enterrando. 

It´s the football, stupid (adaptado de James Carville, 1992)

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Faz-me alguma confusão que alguns Sportinguistas, se calhar ainda a pensar nos tempos de João Rocha, continuem a não entender que o futebol é a mola real do clube, que não existe futuro digno sem uma equipa que consiga disputar com os dois rivais os títulos, as Taças e o acesso à Champions, que nos tempos que correm qualquer proposta que seja desistir desse confronto, desinvestir, e vender uma fórmula conformista aos sócios e adeptos está condenada ao insucesso.

Despedindo Silas e contratando Amorim pelo balúrdio que se conhece, obviamente também como uma pandemia à mistura, Frederico Varandas passou em pouco tempo de presidente contestado à beira da demissão e em vias de sair de Alvalade pela porta dos fundos, para possível candidato à reeleição. As claques ressabiadas e desmamadas meteram a viola no saco, os brunistas como Alexandre Godinho ficaram com sensações agridoces, os outros candidatos ou não existem ou como Nuno Sousa já perceberam isso mesmo e iniciaram a sua maratona. Obviamente também tudo isto irá mudar se os resultados voltarem a ser o que foram com Silas.

No sentido inverso, foi também devido ao futebol e não a outra coisa qualquer que Bruno de Carvalho passou em poucos meses de presidente eleito por mais de 90% dos votos para sócio expulso por mais de 70% dos mesmos. Nesse caso a exponencial de investimento esbarrou na incapacidade do treinador (numa relação promíscua com o presidente do clube rival) traduzir isso em títulos, e deu na guerra que deu, com o desfecho conhecido.

Também por causa do futebol esse mesmo presidente lá no clube dele passou de repente de "dono daquilo tudo" para um dirigente contestado, com orçamento chumbado e a reeleição em risco.

E lá pelo Porto, o presidente vitalício Pinto da Costa, perdendo aqui ou ali, e tendo as finanças do Porto num poço sem fundo e património reduzido ao mínimo, lá continua de pedra e cal. Ninguém esquece o que o clube ganhava antes dele no futebol e o que passou a ganhar com ele, incluindo títulos europeus. E o que continua a ganhar, como vai ser este ano mais uma vez o caso. 

Então, muito mais que as finanças, muito mais que o património, muito mais que o ecletismo, muito mais que as modalidades de pavilhão, o futebol é a mola real dos três grandes clubes de Portugal. Com o futebol a ter sucesso, o estádio enche, a base de sócios aumenta, novos adeptos se criam, as crianças aderem, o clube pode ter maior orçamento para estimular o ecletismo e ter modalidades de pavilhão competitivas. 

E o futebol no Sporting tem que querer dizer formação. Mas para transformar a formação em sucesso desportivo e financeiro, é necessário implementar uma cultura de excelência a nível técnico, estrutural e metodológico, uma aposta na prospecção, recrutamento, formação, retenção e venda de talento jovem nacional e estrangeiro, e uma escolha criteriosa de jogadores experientes e consagrados que venham fazer a diferença desportivamente e ajudem na evolução dos jovens. Dito doutra forma: ter bons colchões, mas ter ainda melhor capital humano lá deitado. 

Só depois disso vem a questão do financiamento e do modelo de propriedade da SAD. Francamente ainda não me explicaram as vantagens do Sporting ceder a sua posição maioritária a um investidor qualquer, abundam os exemplos de conflito de interesses dos donos com os clubes e o consequente afastamento dos sócios. Se olharmos para outros sectores, casos como a TAP, a EDP ou a Altice demonstram a dificuldade de conciliar o interesse público com o privado. 

Mas obviamente que terão de ser encontradas formas de financiamento da actividade da SAD que não passem pela venda precoce do talento existente e que permitam mais e muitos mais momentos como o retratado na foto.

SL

Pinheiro e chegar ao Natal

Santa Clara joga taco a taco, como o Guimarães, Tondela ou o Paços jogara connosco.
No jogo de ontem, o Benfica perdeu, mas podia ter ganho, como podia ter perdido com o Rio Ave na semana passada (em que ganhou). Nós marcamos cedo com o Tondela, mas eles podiam ter empatado se aquela do Mathieu não tivesse batido no poste. Com o Paços ganhamos porque o Jovane fez cair do céu um livre direto.
Que raio se passa? Afinal a nossa Liga é competitiva? Afinal os clubes pequenos estão a trabalhar muito melhor? Afinal não é nada disso, são os grandes que são muito piores?
E o público? Como não existe, não pressiona nem o árbitro nem o erro do adversário? Será isso? Ninguém sabe, talvez seja tudo isto e mais alguma coisa.
Cada vez que vejo estes jogos lembro-me de como Paulo Sérgio foi (e ainda é) ridicularizado por ter pedido um pinheiro. A minha intenção não é ser enigmático, mas sim perguntar-me e perguntar a todos se os três grandes (e talvez o Braga) não deviam ter um pinheiro ou dois nos plantéis. A verdade é que a dada altura – últimos dez minutos + descontos – a lógica vai-se e a fé em Deus dos cruzamentos para a área é a única tática que prevalece. 
Será que é a vaidade dos misters e dos diretores desportivos que os impede de decorar os plantéis com um pinheiro?

Futebol infiltrado por criminosos

Há vários anos que os clubes, com a conivência por omissão do poder político, albergam rufias, arruaceiros e até criminosos cadastrados, que tomaram de assalto as claques de apoio e passaram a funcionar numa lógica de gang, em benefício próprio. Quando necessário, porque há que sobreviver e precisam retribuir as facilidades recebidas, prestam serviço aos dirigentes dos clubes, funcionando como guarda pretoriana para o que der e vier.

O sistema lá vai funcionando em delicado equilíbrio, mas de vez em quando descarrila, sai do controlo, em rigor, ninguém, tem mão nos energúmenos que integram o gang, nem sequer os cabecilhas, porque apesar de existirem líderes, também são compostos por várias células e até infiltrados de circunstância.

Os tristes acontecimentos de Alcochete não serviram de emenda, tal como vários outros episódios de violência, das agressões ao plantel do Vitória de Guimarães, incidentes entre adeptos de diferentes clubes ou invasão do centro de treino dos árbitros. Ontem, após um mau resultado da sua equipa, alguns grunhos que julgam apoiar o SLB, arremessaram pedras contra o autocarro que transportava a equipa no regresso ao Seixal. Por sorte, apenas dois jogadores sofreram ligeiros ferimentos, mas não custa imaginar que o episódio poderia ter tido outras proporções, se por exemplo, tivessem estilhaçado o para-brisas, uma vez que circulava na auto-estrada.

O presidente do SLB já veio pedir às autoridades para encontrarem e levarem à justiça os autores da barbárie, mas estará disposto a erradicar a escumalha das bancadas do estádio da Luz? Não me parece, tal como não acredito que o governo queira mexer neste vespeiro. Até ao dia em que, algures no futuro, o país se indigne perante uma tragédia que estes animais imbecis acabarão por causar. Resta saber quando e onde ocorrerá...

Um genuíno momento de alegria

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Quatro minutos da segunda parte do Portimonense-Gil Vicente de ontem. Lucas Fernandes acaba de fazer um grande golo, num disparo em arco fora da área, carimbando a vitória tangencial da equipa algarvia. Num estádio despido de público em consequência das dúbias normas sanitárias emanadas do mesmo governo que já autorizou os portugueses a frequentar restaurantes, teatros, cinemas, salas de concerto e centros comerciais.

Acto contínuo, os colegas de equipa romperam o gelo, envolvendo Lucas em calorosos gestos de júbilo pelo golo, que lhes valeria os três pontos. Mandando assim às malvas as draconianas recomendações da Direcção-Geral da Saúde, entidade que assobia para o lado quando toca a encher voos comerciais enquanto ordena que as bancadas permaneçam vazias: «Nenhuma competição pode ocorrer com público no interior dos estádios até ao final da temporada.»  Mesmo naqueles - e são muitos - que já nem se lembram da última enchente registada.

Manda o código de conduta em vigor que se imponha o "distancimento social" (estúpida expressão) num jogo de futebol, desporto que vive do permanente contacto físico entre os protagonistas, em situações que vão da simples disputa da bola à marcação de livres ou cantos. E, claro, dos instantes que se sucedem aos golos - expoente máximo desta modalidade que apaixona o mundo.

 

Fizeram os jogadores do Portimonense muito bem. Ao contrário do que sucede na Alemanha, onde se recomenda expressamente aos profissionais do futebol que «evitem contactos com as mãos para comemorar os golos», devendo usar-se em alternativa os cotovelos ou os calcanhares. Coisa mais imbecil.

Foi um momento de genuína alegria numa partida amorfa e cinzenta que assinalou o controverso regresso às competições nesta era pandémica: um futebol "mascarado", sem emoção e sem público.

Chamar-lhe "25.ª jornada da Liga 2019/2020", que fora suspensa três meses atrás, é um embuste. Porque estamos, na prática, perante um futebol de pré-época. Num contexto tão diferente e tão cheio de condicionalismos específicos que só num exercício de profunda abstracção podemos estabelecer linhas de continuidade entre um período e outro.

 

No final do jogo, o treinador do Gil Vicente falou como de costume, sem papas na língua. Dizendo em voz alta o que quase toda a gente pensa mas evita exprimir: «Os clubes aceitaram tudo o que a DGS propôs para retomar o futebol, mas não o deveriam ter feito. Futebol sem público não é o futebol a que estamos habituados. Precisamos de público.»

Fez Vítor Oliveira muito bem.

A terceira volta

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Imagine-se um estádio onde se "joga" à porta fechada, sem público, com som de "música ambiente" para evitar o silêncio e fotografias de adeptos nas bancadas para fingir que há gente a ver ao vivo.

Imagine-se um "jogo" em que os jogadores tudo fazem para manter distância física dos rivais em vez de procurarem o contacto, se abstêm de tossir, espirram sempre para a dobra do cotovelo, engolem o cuspo e fogem da bola para evitarem contagiar ou ser contagiados num lance dividido. Com receio permanente de que lhes sejam imputadas responsabilidades por opções que não tomaram, como está patente no ponto 1 do "código de conduta" elaborado pela Direcção-Geral de Saúde: se algo correr mal, a culpa será deles.

Eis a "nova normalidade" da terceira volta da Liga 2019/2020. Com regresso agora previsto para 4 de Junho, como anunciou Pedro Proença, alterando a data inicialmente apontada pelo primeiro-ministro e assinalando que se trata da "25.ª jornada".

Está equivocado: o que vai acontecer - se acontecer - será algo inteiramente novo. Com regras diferentes e sem a salvaguarda de elementares princípios da equidade desportiva, fundamentais para a credibilidade da competição.

 

Sou contra a realização desta "terceira volta", inédita no futebol português. Por ferir de forma grosseira a verdade desportiva. Na primeira divisão, ao estabelecer regras diferentes para os clubes (umas equipas jogarão nos próprios estádios e outras não voltarão a jogar em casa). Entre a primeira e a segunda divisão, ao aplicar critérios antagónicos para o desfecho das respectivas ligas profissionais (prolongando uma e anulando outra). E sobretudo ao nível do chamado "Campeonato de Portugal", como o meu colega João Goulão já escreveu neste blogue em termos inequívocos.

A situações idênticas aplicam-se princípios que não podiam ser mais diferentes. Perante o aplauso dos basbaques e com o monolitismo acrítico a imperar entre os colunistas da imprensa. Opinando em causa própria, quase todos defendem que o futebol "regresse", mesmo que as regras sejam mandadas às malvas.



Fariam bem melhor os clubes em montar estruturas desportivas que atenuassem os efeitos de uma potencial segunda vaga desta pandemia, estabelecer regras de competição em reforço da transparência e salvaguardar os seus direitos numa altura em que se aproxima o fim do vínculo contratual de muitos jogadores. 

Acima de tudo, fariam bem melhor em rever de alto a baixo as suas precárias bases financeiras. O que vale para o conjunto da indústria futebolística, que tem movimentado fortunas muito mal distribuídas e tornou-se prisioneira de uma rede de intermediários sem escrúpulos. Estes agem como verdadeiros parasitas dos clubes ao ponto de lhes determinarem as prioridades orçamentais enquanto arruinam as carreiras de muitos futebolistas promissores, alvos de indecorosos leilões que mais parecem versões actualizadas das antigas "praças de jorna" para recrutar mão-de-obra.

E não adianta varrer a porcaria para debaixo do tapete: é cada vez mais evidente que o negócio não gera liquidez suficiente para manter tanta prosperidade de fachada e tanta ostentação postiça. Que sirvam de alerta peças jornalísticas como a da Eurosport, que há dias aludia ao FC Porto como «monumento em perigo».

 

Se este período de paralisia forçada imposto pela pandemia não serviu para reflectir sobre tudo isto, não serviu para nada.

Será sensato terminar a época?

A decisão de retomar à pressa as competições de futebol, agendando o regresso para a última semana de Maio, apenas se percebe pela necessidade dos clubes receberem as verbas contratualizadas com os operadores televisivos pelos direitos de transmissão televisiva, mas coloca mais problemas e dificuldades que certezas, senão vejamos:

- Vários jogadores terminam contrato a 30 de Junho. O prazo até pode ser prorrogado por decisão FIFA, mas sabemos que vários atletas têm salários em atraso. Será legítimo obrigá-los a jogar? E se não jogarem, não estaremos a desvirtuar a competição? E caso alguém se lesione gravemente? Imaginemos que Trincão do S.C.Braga por exemplo se lesiona para lá de 30 de Junho, irá o F.C.Barcelona pagar a verba acordada pela transferência? Ou João Palhinha por exemplo, que estaria a jogar para lá do período de empréstimo acordado, como seria o Sporting C.P. ressarcido caso não tenha o atleta à disposição para o início da próxima época? Utilizei o SCB como exemplo, nada contra o clube e atletas mencionados a quem desejo as maiores felicidades.

- Discute-se se os jogos devem ser transmitidos em sinal aberto ou fechado. Estarão os detentores dos direitos disponíveis para ceder os mesmos, o que implica perda de receita e ainda assim pagar? Ou vai ser considerado serviço público pelo governo e uma vez mais o dinheiro dos portugueses é desrespeitado, chegando-se a RTP à frente?

- Outra questão em discussão é que estádios serão utilizados para disputar os jogos que faltam. Qualquer solução diferente da utilização dos estádios dos clubes coloca em causa a verdade desportiva. Bem sei que falamos do futebol português, onde tal não é historicamente o mais importante, mas convém apesar de tudo não abusar.

- As duas equipas insulares, Marítimo e Santa Clara, têm tanto direito de jogar em casa como as outras, o que implica deslocações aéreas entre continente e ilhas. Pelo menos a TAP, ao que se sabe, irá continuar a realizar voos regulares e existe sempre a hipótese de recurso a voos privados. Pensam subjugar os direitos destes clubes ao interesse dos outros? É que pode acabar por influenciar a classificação, várias equipas jogaram e perderam pontos naqueles campos.

- O plano aponta para terminar a época em Julho e começar a próxima em Setembro. Não se podem alongar porque existem Europeu de selecções, competições europeias e jogos de apuramento para o Mundial 2022. Não seria preferível dar a actual época por terminada, antecipar o início da próxima e ganhar margem de manobra para gerir eventuais dificuldades que possam surgir? Por exemplo uma eventual nova vaga de covid19.

- Bem sei que todos os atletas estão testados, até podem entrar em estágio durante o período da competição, mas que farão as entidades responsáveis caso um atleta teste positivo? Mandam toda a equipa para quarentena? Isso implica alterações no calendário e prazo para concluir a competição. Isolam apenas o que testou positivo?

- Falta um parecer da DGS, que será fortemente pressionada pela estrutura do futebol para permitir o regresso da competição. Ou percebermos o que acontecerá nas quatro principais ligas europeias, Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália, bem como a decisão da UEFA sobre o que resta das competições europeias desta época. Porque apesar de não termos já clubes envolvidos, existem implicações para Portugal, que terá clubes envolvidos nas pré-eliminatórias da próxima época e terá que competir em pé de igualdade.

- A meu ver, seria preferível seguir o exemplo das modalidades de pavilhão, não haver campeão e utilizar a classificação actual para efeitos de qualificação para as provas europeias, subidas e descidas.

Irão passar a jogar de máscara?

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Há coisas que custam a entender. Uma delas foi o anúncio, feito ontem pelo Governo, do regresso (sem espectadores) das competições referentes à primeira liga a partir do último fim de semana do mês que agora começa. É uma excepção dentro da excepção, pois os campeonatos das restantes modalidades colectivas (andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins, voleibol) já tinham sido declarados concluídos por via administrativa, sem haver campeão designado. Se esta disparidade já era digna de suscitar críticas, maior contestação deve merecer o duplo critério reservado ao futebol profissional: as regras agora anunciadas aplicam-se apenas ao primeiro escalão e não ao segundo.

Em nome de que equidade desportiva?

 

O mais incompreensível, para mim, é que este anúncio seja divulgado no mesmo pacote de medidas que reforçam as acções profilácticas no combate ao coronavírus.

Faz algum sentido decretar-se o uso obrigatório de máscaras no comércio, nos transportes públicos e em muitos locais de trabalho para prevenir a expansão da pandemia e autorizar-se em simultâneo o regresso da principal competição de futebol, desporto de permanente contacto físico e sem possibilidade de imposição de regras de "distanciamento social", desde logo nos balneários?

Antecipo a resposta: não, não faz.

Que exemplo dá o futebol à sociedade, com o beneplácito do Governo? Antecipo também a resposta: um péssimo exemplo. A menos, claro, que os futebolistas passem a jogar de máscara. 

 

ADENDA - Recordo que em França, na Holanda e na Bélgica o futebol profissional terminou antes de concluído o calendário previsto para as competições. E a Itália prepara-se para seguir o mesmo rumo, enquanto a Juventus antecipa que renunciará ao título sem mais jornadas disputadas em campo.

O lugar certo do Sporting

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O lugar certo do nosso clube só pode ser este, com Frederico Varandas ou seja com quem for, a defesa dos interesses do clube e do futebol profissional em Portugal, em frente ao poder político e desportivo, Governo, Liga e Federação, e num plano de igualdade com os outros dois grandes clubes portugueses.

A postura de desafio e hostilização permanente dos poderes instituídos nacionais e internacionais, com ou sem razão, não leva a lado nenhum, porque o Sporting não joga sozinho, não é dono da bola, se não gosta do que acontece não pode pegar nela e levá-la para casa, e no fim do dia são eles que mandam e o Sporting é prejudicado nas decisões, fora e dentro do campo. 

Há muitos anos que o Sporting por incapacidade, espírito de superioridade ou outra coisa qualquer foi deixando de ter peso nos poderes desportivos em Portugal e consequentente na arbitragem, peso esse que foi sendo ganho primeiro pelo Porto (o "sistema" denunciado por Dias da Cunha) e depois pelo Benfica (o "polvo vermelho") das mais variadas forma e algumas mesmo mafiosas. Ora isso teve reflexo óbvio no rendimento desportivo e também na relação com o poder político, um "cata-vento" sempre alinhado com os vencedores.

Ultimamente vimos a dificuldade que Frederico Varandas encontrou para ser ouvido pelo ministro para tratar do problema das claques. Se fosse o presidente do Benfica, o ministro viria a correr, sendo o do Sporting o problema era... do Sporting.

Mas também temos de nos lembrar que antes disso a última vez que o poder político tinha chamado o Sporting para intervir perante si, descontando as recepções pelas vitórias nacionais e europeias alcançadas na época passada, no caso na Assembleia da República a 3/4/2018, foi brindado por uma intervenção grosseira e infeliz do ex-presidente, sob um olhar envergonhado do Nuno Saraiva que não sabia em que buraco se havia de enfiar, e que terminou da forma mal-educada que conhecem: https://www.youtube.com/watch?v=tUiTwID32YA. 

Respeitar e ser respeitado. É isso que tem sempre de acontecer com o Sporting Clube de Portugal.

SL

O exemplo holandês

Enquanto noutros países europeus a indecisão prevalece, a federação holandesa de futebol já desfez as dúvidas: a época 2019/2020 terminou sem chegar ao fim, o que invalida a atribuição do título de campeão nacional. Isto porque não havia garantia de que, em tempo útil, as nove jornadas que estavam em falta pudessem disputar-se em circunstâncias idênticas às anteriores. Qualquer outro cenário violaria as regras básicas de equidade da competição.

Compreendo, portanto, o que leva os holandeses a decidir: não haverá subidas nem descidas de divisão e o título de campeão fica por atribuir. Como se esta temporada futebolística nunca tivesse existido.

O pior, por vezes, acaba por ser a indecisão.

Uma enorme incógnita

Em Itália, já decidiram: não haverá jogos de futebol com público nas bancadas até estar comercializada uma vacina contra o novo coronavírus. 

Na Alemanha, a ordem é clara: todos os eventos que possam atrair multidões permanecem rigorosamente interditos pelo menos até ao dia 20 de Agosto.

Não custa vaticinar que em Portugal as restrições não andarão muito longe do modelo alemão. Podendo, no limite, seguir o modelo italiano. 

Cada vez se impõe mais esta evidência: o futebol, como espectáculo que conhecemos até agora, não volta a ser o mesmo. Isto provoca efeitos catastróficos num modelo de negócio que parece condenado para sempre. O que virá depois é uma enorme e angustiante incógnita.

O estranho caso da contratação de Ruben Amorim...

Já foi amplamente debatida a contratação de Ruben Amorim, uma aposta que no mínimo terá de ser considerada de alto risco, face ao valor envolvido. Sabe-se agora que a Sporting C.P. SAD não pagou ao SCB primeira tranche da transferência do treinador.

Estranha-se o silêncio do histriónico presidente do clube minhoto. Não quero acreditar, que possamos estar perante uma número de ilusionismo que vise justificar mais à frente algum tipo de acordo, envolvendo cedência de jogadores, nomeadamente João Palhinha ou Gelson Dala, quiçá intermediada por algum agente FIFA, que colocará jogadores em ambos os clubes, cobrando as devidas comissões, privando o Sporting de jogadores com lugar no plantel, para receber entulho de fundo de catálogo, à semelhança da maioria das contratações da dupla F. Varandas / Hugo Viana. 

Estarei atento à evolução deste negócio, não tenho dúvidas que os sportinguistas também não irão continuar a tolerar por muito mais tempo o actual estado do clube. Mais do que assembleia-geral de destituição, estou cada dia mais convencido que o caminho passa pela antecipação de eleições. E que Rogério Alves, na qualidade de PMAG, tem o poder para terminar com o recreio e tirar das mãos destes garotos o brinquedo em que transformaram o Sporting Clube de Portugal. 

Faz hoje dois anos que aconteceu em Alvalade

Após um inenarrável post do então presidente Bruno de Carvalho, colocado na sua página pessoal do Facebook, atacando o profissionalismo da equipa de futebol, a maioria dos jogadores responderam à altura ao menino birrento, fazendo-o provar do próprio remédio. Como é apanágio nos tiranos, o visado não gostou que o seu poder absoluto fosse colocado em casa, chegando ao ponto de ameaçar processos disciplinares aos jogadores e colocar em campo a equipa B.

Os jogadores foram aplaudidos pela esmagadora dos sportinguistas no estádio, a excepção foi apenas a claque Juve Leo, mostraram estar à altura das responsabilidades, com uma exibição agradável e vitória justa por 2-0 diante do Paços de Ferreira, golos de Bas Dost e Brian Ruiz. No final, tiveram direito a aplauso e volta a estádio.

Já o presidente foi apupado quando se dirigia para o banco, ouviu alguns insultos e muitos pedidos de demissão. No final do jogo alegou dores nas costas, mas fiel ao seu estilo irrompeu na sala de imprensa para contra-atacar os sócios, acusando-os de ingratidão. Sem que ninguém se tivesse apercebido, ficou ali consumado o divórcio entre a equipa de futebol e presidente e começou a ruptura entre os sócios e órgãos sociais, que culminaram na AG em 23 de Junho.

As minhas memórias - II

Após um jejum de 5 anos, o Sporting C.P. voltaria a conquistar o campeonato na época de 1979/80. Partindo sem qualquer favoritismo, fomos vencendo jogos, até ao jogo do título, no estádio das Antas, a quatro jornadas do fim, com SCP e FCP separados por um ponto. O árbitro foi o "sportinguista" António Garrido, que até então jamais apitara o nosso clube. No início da 2ª parte o SCP adiantou-se no marcador, mas a 11 minutos do fim foi assinalada grande penalidade a favor do FCP. Após falhar à primeira tentativa, o árbitro mandou repetir. António Oliveira voltaria a falhar, mas Romeu na recarga empatou o jogo. Até final do campeonato o SCP manteve a liderança. Na penúltima jornada em Guimarães, um autogolo de Manaca que havia sido jogador do SCP, indignou os dragões que lançaram suspeição. Na sequência de várias polémicas com o SLB, a eterna rivalidade entre leões e águias ficou momentaneamente suspensa. Viram-se algumas bandeiras do SLB nos festejos do campeonato que conquistámos, na semana seguinte houve sportinguistas a festejarem a vitória do SLB na final da taça de Portugal. Era a resposta de parte do país às declarações de Pinto da Costa, então chefe do departamento de futebol, que se preparava para substituir Américo de Sá e José Maria Pedroto, treinador bi-campeão após um longo jejum dos azuis e brancos. 

Então com 14 anos, marquei presença em Alvalade na maior parte dos jogos e claro, não falhei o jogo do título que também consagrou Rui Jordão como melhor artilheiro da prova. 

As minhas memórias

Comecei a ver futebol pela mão do meu pai, na época 1973/74. Não tenho a certeza qual o primeiro jogo que assisti, mas o Sporting-Benfica disputado em Alvalade em Março de 1974, foi seguramente o meu primeiro derby. Indiferente à situação política que o país vivia, saí triste do estádio no final do jogo e tive que aturar alguns colegas da escola primária no dia seguinte. Isso sim, marcou-me e não mais deixei de sorrir quando as águias sofrem uma derrota. 

Lembro-me perfeitamente de ter visto o Sporting C.P. golear o S.C.Olhanense por 5-0 na penúltima jornada, que terminou com invasão pacífica de campo, cheirava a título, que seria alcançado na semana seguinte no Barreiro. Algumas breves considerações que vale a pena reflectirem, o empate teria bastado a ambos, ao Sporting para ser campeão, ao Barreirense para permanecer na 1ª divisão. Num jogo condicionado pela lotação ter sido largamente ultrapassada, como comprovam as imagens, vencemos 0-3 no campo adversário. Os jogadores disputaram os lances junto ao público, sem que se tenham registado agressões. Talvez porque em 1974 ainda não tinham surgido os ultra-imbecis e piro-javardos nos estádios de futebol. Era permitido que pessoas simples como o meu pai, levassem um miúdo de 8 anos pela mão sem correrem qualquer risco. 

Para terminar a época em beleza, disputámos no Jamor a final da taça diante do arqui-rival. Fiquei triste porque não me levaram ao estádio nacional, acabei assistindo ao jogo na casa dos meus tios benfiquistas. Não tinham sido os culpados do gozo que sofri na escola alguns meses antes, mas festejei ali mesmo. Mais tarde, à medida que fui crescendo, percebi que a rivalidade é uma never ending story. Mas 1973/74 foi a minha primeira época de fervor sportinguista. 

Criminosos

O coronavírus afecta já 200 países e territórios em todo o mundo. Não há praticamente uma parcela do planeta imune ao Covid-19.

A pandemia causa 2.700 mortes por dia nos cinco continentes - vitimando uma pessoa de dois em dois minutos. A cada dois segundos, regista-se um novo caso de infecção.

Apesar disto, três países persistem em manter os respectivos campeonatos de futebol: Bielorrússia, Burundi e Nicarágua. Um procedimento criminoso, que devia encher de vergonha os dirigentes máximos destes países - respectivamente Aleksandr Lukashenko, Pierre Nkurunziza e Daniel Ortega.

Nenhum deles recomendável em matéria de respeito pelos direitos humanos. Não há coincidências.

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