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És a nossa Fé!

Quatro títulos em nove possíveis

Nos últimos nove títulos de futebol profissional disputados em Portugal, o Sporting venceu quatro. O Benfica, só um.

Fica a lista, indesmentível:

Sporting, 4 - Campeonato 2021, Taça de Portugal 2019, Taça da Liga 2019, Taça da Liga 2021

FC Porto, 2 - Campeonato 2020, Taça de Portugal 2020

Braga, 2 - Taça de Portugal 2021, Taça da Liga 2020

Benfica, 1 - Campeonato 2019

De Rúben Amorim a Fernando Santos

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Estávamos no dia 2 de Junho, dia da final do campeonato de basquetebol.

Foi tudo perfeito nesse dia.

Hoje tudo empastelou.

O futebol ao primeiro toque de Rúben, o tiki-taka à Sporting (Adán tiki e Pedro Gonçalves taka) deu lugar à confusão táctica de Fernando Santos, "o todos para o ataque mas fechadinhos lá atrás".

Nem sei bem se isto é um postal sobre vacinas ou sobre futebol.

Sei que da primeira vez entrei em campo, fui vacinado, fui recobrado e antes do intervalo (nem 45 minutos durou) já estava despachado.

Hoje sinto-me enrodilhado tacticamente, estou sentado a defender a minha posição há mais de uma hora, temendo que isto ainda vá a prolongamento e a penaltys.

Sinto-me um Douglas, com um espaço de acção reduzido, as meias pelos tornozelos, ansiando por um remate redentor (que não chega).

 

O caos

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Não me lembro de gestão tão caótica no futebol português. E não me falem na pandemia. A pandemia não pode servir de desculpa para tudo.

Primeiro anunciaram que haveria público nos estádios, na última jornada da Liga 2020/2021. A ministra da Presidência fez o anúncio no final de um Conselho de Ministros, alegando que seria um "evento-teste"

Depois admitiram que talvez as duas últimas rondas tivessem público.

A seguir, vem-se a saber que os estádios continuarão interditos aos portugueses até ao último apito do último jogo deste campeonato. Descobriram à última hora que era necessário salvaguardar a equidade.

Anunciaram entretanto que a final da Champions voltaria a ser este ano em Portugal, no estádio do Dragão. Para júbilo do velho crocodilo, que logo lançou farpas a Lisboa. Como se Porto e Lisboa não fizessem parte do mesmo país.

Esta final da Liga dos Campeões terá público. Mas a final da Taça de Portugal será disputada com bancadas vazias, ao contrário do que chegou a admitir-se.

«A ideia de haver público na última jornada era uma ideia de só haver público do visitado, coisa que é manifestamente impossível haver no final da Taça, uma vez que o jogo vai realizar-se no estádio de Coimbra», disse o alegado e baralhado secretário de Estado do Desporto, voltando a confirmar a sua inutilidade no Governo. Enquanto justifica o privilégio concedido à final entre Chelsea e Manchester City por «circunstâncias muito distintas» que não especificou.

Duas realidades diferentes: uma para estrangeiros, outra para portugueses. Ambas em solo nacional, o que torna tudo mais revoltante.

Alguém entenderá seja o que for no meio deste caos?

"Tirem um leão de campo e estão lá os outros 10"...

 

Esta frase pertence a Pedro Porro e perdurará na memória dos sportinguistas por décadas, ao nível de "por cada leão que cair, outro se levantará". 

Foi proferida pelo valoroso lateral-direito no podcast ADN de Leão e partilhada pelo SCP nas redes sociais, referindo-se à injusta expulsão de Gonçalo Inácio em Braga, e à resposta da equipa em campo. 

Realidade Covid

Em relação ao futebol, a pandemia veio trazer uma nova realidade.

Hoje todos temos perceção do que acontece dentro e fora do campo (pressão nos bancos, dentro e fora das quatro linhas) e de todas as jogadas de bastidores. Ou seja, esta situação afasta alguns “erros” do passado e retira a margem de manobra que alguns “players” tinham. Sem penáltis, jantares ou ofertas sexuais, não há forma de esconder a mediocridade de algumas equipas. A formação do papel é ofuscada pela formação de excelência proveniente de Alcochete.

Tudo faz parte desta anedota que se tornou o futebol português. Os meus sinceros agradecimentos à Comissão de Instrutores da Liga Portuguesa de Futebol Profissional pelo seu contributo.

Quebra do duopólio

Um genuíno adepto de futebol, mesmo não sendo sportinguista, só pode encarar com optimismo e satisfação esta quebra do duopólio SLB/FCP por parte do Sporting. Praticando bom futebol, com um dos melhores desempenhos defensivos das principais ligas europeias e a maior diferença pontual numa década para o segundo classificado à 20.ª jornada. Proeza alcançada por um plantel com dois terços de portugueses e numa época em que Rúben Amorim já apostou em 11 jogadores da formação em todas as provas.

São óptimas notícias para o Sporting, claro. Mas são também excelentes notícias para o futebol português.

Ganhar é no campo!

A nova novela do jogador Palhinha não passa disso mesmo: novela para alimentar egos e jornais!

Estivesse o nosso antagonista onze pontos à nossa frente e não haveria qualquer estória com o nosso jogador. Mas enfim, é o nosso futebol… que tudo aceita.

Nunca defendi vitórias ou derrotas na secretaria, mesmo quando o Sporting poderia ser beneficiado. O futebol como desporto joga-se no relvado e é aí que tudo deve ficar resolvido.

Ponto!

ADN de Campeão (3.ª parte)

Dizia eu em 03/03/2019:

"Já dizia Jorge Jesus que esta coisa do ADN de Campeão não surge do nada, constrói-se, é preciso muito tempo e muito esforço para ele surgir e demonstrar o que vale. Já dizia também alguém que construir demora muito, destruir quase nada, e o destituido encarregou-se do assunto no que ao futebol diz respeito a partir do sofá.

Vem isto a propósito de ter ido ao Pavilhão João Rocha ver a nossa brilhante equipa de andebol estar quase todo o tempo a perder e acabar a ganhar ao concorrente directo ao título, o Porto, e chegar a casa e ver o mesmo Porto a ganhar a 3 minutos do fim ao Roma e ganhar quase tantos milhões quantos nós vamos ter com um fundo qualquer, é a triste situação em que nos deixou o dito cujo. E nessa magnífica jornada de andebol até estava um jogador de futebol na bancada, o Acuña, lá com o seu chazinho de mate e acompanhado daquela senhora que indispôs a mana do tal destituído, suspenso e em breve expulso.

E fiquei a pensar se haveria algum ponto comum ou semelhança entre esta nossa brilhante/fantástica, o que quiserem, equipa de andebol, a equipa do Porto que conseguiu a passagem à eliminatória seguinte no prolongamento e a nossa actual tristonha e deprimente equipa de futebol profissional. 

Se calhar existe. Renan, Coates, Mathieu, Acuña, Bruno Fernandes, Bas Dost e o lesionado Battaglia têm aquela coisa que falta para dar "a extra mile" e conquistar. Já o demonstraram. Outros havia, mas o destituído correu com eles. Adrien e Patrício à cabeça. 

Por muito que aposte na formação, olho para todas as promessas actuais e parece que lhes falta muita coisa. Um tal Mama Baldé é a excepção.

Não será possível manter estes, pagando o que for preciso, ir buscar mais uns iguais a estes, já temos outros que não são estes mas que fazem umas flores de vez em quando, e ter um treinador que consiga extrair o melhor de todos eles, e fazer do todo uma coisa maior do que a soma das partes, como consegue um tal Canela no andebol ?

E mandar embora os emplastros que abundam no plantel? E não trazer mais porque sim?

Ou é pedir muito?

E ainda há quem fique incomodado com 1,6M€ para o Bruno Fernandes ficar? Ou o que custou a permanência de Acuña e Battaglia? Comparado com o que custaram Viviano e B. Gaspar, dois emplastros de todo o tamanho?"

 

Como as coisas mudaram em dois anos... No futebol e no andebol.

No futebol uma nova geração de talentos brotou de Alcochete, e com mais alguns jovens entretanto contratados criaram uma almofada de raça e atrevimento no plantel principal. Encontrou-se um verdadeiro líder, o tal que faz do todo maior que a soma das partes e que, com um enorme capitão e alguns veteranos de muitas guerras, transformou radicamente a situação. Encontrámos enfim o ADN de Campeão que nos orgulha e nos faz felizes.

No andebol, a equipa bicampeã nacional em 2016/2017 e 2017/2018, vice-campeã em 2018/2019, em 2019/2020 comandada por um grande Thierry Anti, seguia no 2.º lugar, atrás do Porto, com o Sporting-Porto por disputar que nos poderia dar o título, quando a epidemia pôs ponto final na época. Perdemos o acesso à Champions do andebol, perdemos Thierry Anti, perdemos Luís Frade, perdemos Ghionea, vamos agora perder o melhor jogador e grande capitão, Frankis Carol. Conseguimos, isso sim, criar também a tal almofada que mencionei atrás: com Salvador Salvador, Manuel Gaspar, Francisco Tavares, temos um ou outro bulldozer, como Pedro Valdez, mas falta o resto. Seguimos na vice-liderança, mas o tal ADN... foi-se. Vamos ter de penar muito até ser reposto.

 

Já agora e antes que me esqueça. O desporto faz-se de ídolos, e se fiquei sempre em dívida para com Héctor Yazalde no caso do futebol, devo muito a Frankis Carol a minha paixão actual pelo andebol. Antes seguia a modalidade, via aqui ou ali, vibrava com os êxitos via TV, mas desde que entrei no magnífico pavilhão João Rocha e vi ao vivo Frankis & cia, fiquei viciado. O cubano de Guantánamo com nacionalidade do Catar deve ter sido o melhor andebolista que passou desde sempre pelo Sporting. Foram dez anos a defender as nossas cores, um bloco de gelo que sofria as maiores porradas sem um esgar ou queixume, uma técnica assombrosa, um mágico em campo com números de arrasar. Agora mesmo, com 33 anos foi o melhor marcador do Mundial do Egipto pelo Catar. Vai regressar ao seu país de adopção. Que tenha toda a felicidade do mundo e que volte sempre.

 

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#OndeVaiUmVaiTodos

SL

O outro lado

Com a vitória categórica no Bessa o Sporting segue destacado no primeiro lugar da 1.ª Liga. A equipa B segue também na liderança da série G do Campeonato de Portugal, e a equipa sub-23 está nos lugares cimeiros da Taça Revelação, depois de afastada da luta pelo título no campeonato. 

No que respeita ao futebol profissional do Sporting, ou seja da SAD leonina, não nos podemos de facto queixar.

Mas depois há o lado financeiro, as verbas a receber, as contas a pagar, os investimentos que têm de ser feitos, lado esse necessariamente negro dada a conjuntura que atravessamos, sem público nos estádios, sem Gameboxes para vender, e que afecta tudo e todos.

Obviamente que o Sporting não pode deixar que as dificuldades do momento se transformem em danos reputacionais, que afectem a imagem do clube nacional e internacionalmente. Então importa resolver questões pendentes com origem em tempos mais próximos ou mais distantes.

E é com grande satisfação que vejo o "trolha" Salvador dizer que “após a reunião de Setembro com Frederico Varandas, as coisas voltaram à normalidade. Foi feito um novo acordo e que, em abono da verdade, o Sporting tem cumprido escrupulosamente“.

Também se pode ler hoje n´A Bola que o Sporting contratualizou com os clubes com quem tinha dívidas pendentes o pagamento faseado das mesmas, o que veio pôr o Sporting à vontade no que respeita aos licenciamentos nacionais e UEFA e o mesmo está a fazer com empresários e outros fornecedores. Alguns deles já começaram a receber valores em dívida.

Assim, deixaram de aparecer nos jornais aquelas histórias de dívidas e penhoras no Sporting, que estão para os seus sócios e adeptos como as moscas no piquenique. Aparecem mais agora doutros clubes em que infelizmente os jogadores não recebem há alguns meses. E depois se calhar existem as malas, as contratações para a próxima época, etc...

Obviamente que a manta é curta, para tapar a cabeça destapa os pés, e tivemos um despedimento colectivo que é sempre de lamentar, independentemente da justeza ou não da inclusão dum ou doutro elemento que serviu o Sporting no mesmo.

Mais do que nunca são os sócios do Sporting que estão a aguentar o barco, pagando e até antecipando quotas, e são apenas eles que têm legitimidade para exigir e criticar seja o que for. Quem se afastou apenas conseguiu ampliar o problema existente e obviamente tem também responsabilidade nas medidas mais ingratas que tenham sido ou venham a ser tomadas. 

SL

Dois meses alucinantes

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Calendário dos jogos a disputar pelo Sporting nos próximos dois meses:

 

2 de Janeiro – Sporting – SC Braga
7 de Janeiro – Nacional – Sporting
11 de Janeiro – Marítimo – Sporting (Taça de Portugal)
15 de Janeiro – Sporting – Rio Ave
19 de Janeiro – Sporting – FC Porto (Taça da Liga)
24 de Janeiro – Boavista – Sporting
31 de Janeiro – Sporting – Benfica
3 de Fevereiro – Marítimo – Sporting
7 de Fevereiro – Gil Vicente – Sporting
14 de Fevereiro – Sporting – Paços de Ferreira
21 de Fevereiro – Sporting – Portimonense
28 de Fevereiro – FC Porto – Sporting

 

Ficam algumas perguntas:

- Como antevêem este calendário tão preenchido?

- Quais são, na vossa perspectiva, os confrontos mais complicados?

- Temos condições para aguentar o primeiro lugar no campeonato?

O inverno do nosso contentamento

Socorro-me de John Steinbeck e do seu livro “O inverno do nosso descontentamento” para dar título a este post, mas com inversão da palavra final que carateriza um estado. Este é, para os Sportinguistas, sim e para já o inverno do nosso contentamento. E com bónus que dá direito a Natal verde!

No futebol, a liderança isolada, conforme quadro abaixo com comparação com 19/20. A equipa B tem tido bom desempenho, estando em 2.º lugar na série G do Campeonato de Portugal, a 2 pontos do Club Football Estrela.  Sinal menos para os sub23 que, à semelhança do Benfica, não foram apurados para a fase final. No futebol feminino, a liderança isolada do nacional zona sul (vitória 3-0 sobre Benfica) e também da equipa B na 2.ª divisão zona sul. No bom caminho, o futebol do Sporting. 

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Agora as outras modalidades. O Voleibol emite sinais contraditórios. A equipa masculina tem sido uma desilusão, com grande irregularidade no campeonato e eliminação nos oitavos da taça Challenge (2.º lugar na fase regular com duas derrotas, Benfica e Esmoriz, e na II fase para apuramento de campeão tem dois jogos e duas derrotas com Benfica e Fonte Bastardo). O desinvestimento é notório, a par de contratações duvidosas. Já a equipa feminina dá outro alento. Está mais forte e equilibrada em termos de recursos humanos. Temos que recuar no tempo para perceber a evolução que as nossas meninas têm feito. No ano de retorno do voleibol feminino foram campeãs da 3.ª divisão. Subiram e foram campeãs da 2.ª divisão. Na época passada, na estreia no escalão principal, estavam em 5.º lugar quando a prova foi dada por terminada devido à Covid19. Este ano irão, com grande probabilidade, ao play off de apuramento de campeã (a ser disputado entre os 4 primeiros classificados).

O Andebol está praticamente como na época anterior, o que não chega para ganhar campeonatos. Durante os jogos há altos e baixos, falta alguma intensidade defensiva e o problema maior, cometem-se demasiados erros que, nalguns casos, roçam a simplicidade. Os jogadores transmitem uma ideia de que algo está mal na coesão do grupo. Terá a ver com orçamento? Talvez. Mas a este estado não será alheia a troca de treinador pois deixamos de contar com um excelente Thierry Anti. Apesar disso estamos na luta, em 2.º lugar com apenas uma derrota com o líder Porto. Nas provas europeias, depois do desaire da eliminação no apuramento para a Champions, estamos na fase de grupos da European League e creio que com possibilidade de qualificação para os oitavos de final. Neste momento temos duas vitórias e duas derrotas, mas com calendário algo favorável. A ver vamos.

O Hóquei em Patins lidera isolado o campeonato, mas podia estar melhor. Facilitou em jogos com aparente menor grau de dificuldade e empatou com a Juventude de Viana e a Sanjoanense. É outra equipa em que se sente alguma dificuldade no grupo, se nos lembrarmos do rolo compressor que cilindrava em outras épocas. Pode ser explicado com a adaptação de alguns jovens jogadores que regressaram, mas tem qualidade para vencer. A surpresa é a equipa feminina que venceu a zona na 1.ª fase, depois de infligir uma saborosa derrota ao rival SLB na Luz, equipa que já não perdia um jogo há cerca de sete anos. Ainda é cedo para sonhar muito alto mas parece haver determinação e garra nas leoas sobre patins.

Futsal. Primeiro a desilusão do ano, o desinvestimento na equipa feminina que nos relega para um lugar irrelevante a meio da tabela. Quanto à equipa masculina, está a liderar a tabela, apesar de ter consentido um empate em casa com o SLB, num jogo atípico. Esta época será mais do mesmo, com o campeonato a ser discutido com os habituais rivais, em fase final que promete dado o equilíbrio existente entre as duas equipas. Mas, para já, há uma Taça de Portugal para vencer!

Finalmente o Basquetebol. O que o ano passado, no regresso da modalidade, era uma promessa, este ano é já uma certeza. Temos a melhor equipa e o melhor treinador, Luís Magalhães. Quem viu o último jogo com o SLB percebe perfeitamente a afirmação. E uma Taça de Portugal já cá canta, 40 anos depois de termos conhecido esse sabor de vitória. É obra. Há grandes esperanças para o campeonato, tão grandes como para as restantes modalidades e para o futebol, no ano de 2021...

Desejo que todos façamos das fraquezas (orçamentais e pandémicas) forças (#onde vai um vão todos), e 2021 seja um ano de grande afirmação do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!

Esforço, Dedicação, Devoção, Glória!  

Boas Festas

 

Futebol, Portugal, Brasil e racismo

 

«Guilherme Espírito Santo, são-tomense que por razões de deslocação dos seus pais se iniciou no futebol em Luanda, viria a ser, já com experiência de anos na equipa principal do Benfica, o primeiro negro a integrar a selecção nacional de futebol. Aconteceu em Novembro de 1937, num célebre Portugal-Espanha, primeiro duelo ibérico que a selecção nacional venceu. Há 83 anos!

Apenas em Novembro de 1978, ou seja, 41 anos depois da estreia de Espírito Santo, se estreou o primeiro futebolista negro na selecção inglesa: Viv Andersen, lendário jogador do Arsenal e do Manchester United, que aliás viria a tornar-se num militante lutador anti-racismo, lembrando, ainda recentemente, que "nos anos 70 os jogadores negros eram abertamente discriminados em Inglaterra".»

(...)

«Em Portugal a presença de jogadores negros nas equipas principais do futebol português e na selecção nacional traduziu-se por uma inteira aceitação de uma cultura aberta e multirracial do nosso povo. Jogadores como David Júlio, Hilário, Jordão, Dinis ou Salif Keita, no Sporting; Miguel Arcanjo, Jaburu, Juary ou Danilo, no FC Porto; Espírito Santo, Coluna, Eusébio ou Luisão, no Benfica, não apenas conquistaram estatuto de ídolos como promoveram a democracia racial como um hábito social saudável.

Nota especial, evidentemente, para Pelé, no Brasil, e Eusébio, em Portugal. Ambos foram determinantes na valorização social do homem negro, a pontos de se tornarem nos mais importantes embaixadores dos seus países, consagrados e admirados em todo o mundo. A influência de Pelé, apenas com 17 anos, na conquista do Mundial da Suécia (1958) ou a de Eusébio no sucesso português no Mundial de 1966, consolidaram o sentimento da tal democracia racial que o futebol promoveu como ninguém e me parece estruturante nas sociedades luso-brasileiras.»

 

Vítor Serpa, trechos de um texto intitulado "O racismo no futebol e na História"

(ontem, n' A Bola)

Seguir o exemplo de Itália

«Por estes dias e neste ambiente judicial recordei-me como a Justiça italiana resolveu os seus problemas com o futebol. Por exemplo, quando eclodiu o escândalo de corrupção desportiva (e não só) conhecido por "Calciopoli". A Federação Italiana de Futebol foi buscar o juiz Francesco Borrelli, que se tinha reformado há pouco tempo e em menos de um ano investigou o processo com consequências dramáticas para alguns dos principais clubes italianos. Uns desceram de divisão, outros receberam outras punições severas, tanto na justiça desportiva como na penal. Por cá, já vai sendo tempo de não ficar apenas pelas buscas e de serem extraídas verdadeiras consequências dos processos que aí andam. Enquanto isso não acontecer, a culpa irá morrendo solteira, num ambiente geral de degradação da imagem do futebol e das instituições. E isso é o pior que pode acontecer.»

 

Eduardo Dâmaso, hoje, no Record

Jogar feio, jogar bonito

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Equipa do Sporting que venceu o campeonato 1999/2000

 

Há um debate interminável, entre os sportinguistas, sobre a qualidade da prestação da equipa, mesmo quando ganha. Não falta quem se pronuncie contra o "resultadismo", advogando sempre exibições de gala. 

Eu gosto imenso de belos golos - e empolguei-me com os dois marcados em Portimão, por Nuno Mendes e Nuno Santos. Aprecio muito o futebol bem jogado.

Mas numa competição desportiva ponho o resultado acima de tudo. Lembrando sempre a vitória de Portugal no Campeonato da Europa disputado há quatro anos em França. Apesar dessa conquista inédita, o seleccionador Fernando Santos foi criticadíssimo. Porque, além da vitória, não pôs a equipa a "jogar bonito".

Lamento, mas para mim jogar bonito é ganhar. E jogar feio é perder.

 

A quem duvida, recordo a nossa penúltima vitória no campeonato nacional de futebol, em 1999/2000. Quantos desses desafios que fomos superando tiveram exibições de luxo? Quantas vitórias não foram alcançadas com muito acerto defensivo e muita bola guardada no nosso meio-campo? Quantos lances não resultaram do chamado pontapé-para-a-frente, bem aproveitado por um ponta-de-lança com faro para fazer golos?

Nesse ano ganhámos: o nosso futebol foi lindo. Mesmo quando parecia ser o contrário.

O que importa hoje

Mais logo, com uma semana de atraso em relação aos rivais provocada por imposições sanitárias em contexto de crise pandémica, a equipa principal do Sporting inicia a prestação no campeonato de futebol 2020/2021. 

É isso que me interessa hoje. Como sempre fiz e sempre faço, em dias de jogo, nada mais me concentra a atenção senão isto: o apoio inequívoco à equipa. Uma espécie de lema que sigo sem quebras há quase nove anos.

De disparate em disparate

image.jpgFoto: Tiago Petinga / Lusa

 

Para não variar, a directora-geral da Saúde voltou ontem a fazer uma declaração inaceitável. Em que, uma vez mais, menospreza e subalterniza o desporto. Como se uma sociedade em que a prática desportiva organizada, promovida por agremiações clubísticas, não fosse parte iniludível da saúde, tanto na componente individual como colectiva.

 

A mesma responsável que autorizou viagens aéreas em voos lotados, o regresso dos concertos, das sessões de cinema, dos espectáculos teatrais, dos circos e das touradas, a mesma alta funcionária governamental que deu luz verde às manifestações e concentrações de rua promovidas por forças partidárias, movimentos cívicos ou grupos espontâneos de cidadãos, a mesma senhora que permitiu eventos tão diversos como a Festa do Avante no Seixal ou a realização do Grande Prémio de Fórmula 1 em Portimão continua a vetar o regresso do público aos recintos desportivos.

Com argumentos sem pés nem cabeça, confundindo aquilo que não deve ser confundido e até fazendo alusões demagógicas ao início do ano escolar, como se isso tivesse alguma coisa a ver com o futebol.

 

«Público nos estádios e reabertura das discotecas não será certamente nos próximos tempos. Temos de ver esta grande experiência que é o retorno às aulas e qual será o seu impacto nos números», afirmou ontem Graça Freitas. Equiparando assim as bancadas de um estádio - onde os lugares estão marcados, é muito fácil estabelecer limite máximo de entradas e o espectáculo decorre ao ar livre - ao interior de uma discoteca, onde o espaço é fechado, as pessoas estão sempre em trânsito e não há possibilidade de assegurar distanciamento físico.

Pior: ao englobar na mesma frase bancadas de estádios e discotecas nocturnas, Graça Freitas confirma ter absurdos preconceitos contra o futebol e não fazer a menor ideia sobre a importância do desporto no "desconfinamento" cada vez mais urgente da sociedade. Como há uma semana aqui assinalei, futebol sem público é futebol moribundo a curto prazo. Porque os clubes vivem de receitas - e as receitas de lugares nas bancadas, associadas à compra de adereços desportivos em complemento aos espectáculos, é fundamental para a sobrevivência de todas as agremiações desportivas que põem centenas de milhares de portugueses a fazer exercício físico. Porque uma sociedade onde não se pratica desporto é uma sociedade doente.

 

Não compreender isto é nada compreender de essencial. Noutras circunstâncias, eu aconselharia Graça Freitas a aconselhar-se com o secretário de Estado do Desporto. Mas não o faço porque João Paulo Rebelo já demonstrou ser tão insensível e tão ignorante na matéria como ela. Só isso explica que, numa recente entrevista, este governante tenha desvalorizado o facto de largos milhares de jovens continuarem impedidos de treinar ou competir sem restrições, dando-se até ao luxo de fazer uma graçola com a brutal quebra de receitas das agremiações desportivas: «Não temos conhecimento de nenhum clube que tenha fechado portas.»

Seria simplesmente ridículo se não fosse grave.

 

Uma directora-geral que mete estádios e discotecas no mesmo saco, um secretário de Estado totalmente alheado do dramático quotidiano do sector confiado à sua tutela: assim vamos, seis meses após a declaração da pandemia. De improviso em improviso, de disparate em disparate.

Futebol sem atacadores

2020.09.03.jpg

A noiva já de noiva, a noiva já na igreja

e tu não encontras os atacadores!

Já viste na caixa dos sobejos, na mão dos bocejos?
Já viste na gaveta da cómoda?
Já viste nas pregas da imaginação?

Ganha os campos, foge, precede-te a ti mesmo
como um homem legalmente espavorido
por anos de critério,
sê repentino como um menino!

Convém-te não encontrar os atacadores?

Há noivas que esperam até murcharem as flores,
noivas de pé, muito brancas e já a fazer beicinho…

Procura… Procura sempre, pobrezinho!...
Procura mas não encontres os
atacadores…

Nem sempre para beijar o véu da noiva são necessários muitos atacadores.

Será que Šporar, Luiz Phellype e TT (Tiago Tomás) não são suficientes?

{ Blog fundado em 2012. }

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