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És a nossa Fé!

Rally tascas

 
Oitenta a noventa por cento dos jogos dos três grandes são contra equipas galhardas, manhosas e de contra-ataque, que se atiram para o chão aos 70 minutos quando se apanham a ganhar. É uma estratégia e também não é criticável (à luz dos seus interesses). Os ditos grandes não fazem outra coisa a não ser disputar jogos de solteiros e casados e não jogos como o Sporting-PSV, o Young Boys-Porto ou o Leipzig-Benfica. Pouco importa quem ganhou. Vi os três jogos, corridos, disputados, sem manhosice e chico-espertice, além da adulta, própria do futebol de alto nível, bem filmado, vivo.
Como espetáculo desportivo, a nossa bola é televisivamente deplorável. Estádios quase todos horrendos, mal iluminados, com ervados indiscritíveis, com cornetas e bombos em cima do comentário, público que vaia o árbitro por tudo e por nada, que quer ganhar de preferência com golos com a mão, dão ao nosso futebol uma atmosfera de tasca que não se compara com as ligas inglesa, espanhola, francesa, holandesa até a grega (do que vi). É curioso que o brilho de Ronaldo tenha diminuído na Liga que tem das piores imagens televisivas destas todas, a italiana.
Dois ou três jogos por ano assim teriam graça, como tem graça comer em roulottes nos festivais, mas ser quase sempre assim puxa a nossa Liga muito lá para baixo. Acabamos por ver os jogos à espera que o nosso clube vença e o rival perca, não para ver e fruir futebol.  
Porque hoje lá estaremos em Barcelos para mais um solteiros e casados

Pobreza franciscana!

Desde a derrota com o Rio Ave para o campeonato que deixei de ir a Alvalade. E ontem também não era para ir.

Não fosse o meu filho mais velho às cinco horas da tarde a ligar-me:

- Pai, vais à bola?

- Eu não!

- Olha que estou a caminho do estádio.

Pronto peguei na farpela (camisola Stromp e cachecol) e no carro e eis-me a caminho do Estádio. Encontro nas tascas ambulantes de bifanas e fomos ocupar os nossos lugares na zona Norte.

Começou o jogo:

  • Não percebi aquela dos três centrais de Silas contra um Belenenses fraquinho, fraquinho;
  • Ilori decididamente não tem lugar nesta equipa;
  • Eduardo não se viu;
  • Os laterais não descem;
  • Não há um pensador de jogo;
  • Bruno Fernandes esteve quase sempre ausente do jogo;
  • Boulasie é grande, mas não é grande coisa;
  • Em suma, a equipa não joga um carapau.

Não gostei dos cânticos contra o Presidente. A mim, que não votei nele, não parece uma nobre atitude (devem ter aprendido com alguém, digo eu!). Os assobios são justos (desculpem lá mas é necessário passar para dentro do campo que aquilo não é jogo!).

A equipa (não) joga sobre brasas e cada jogador tenta libertar-se da bola o mais depressa possível sem critério nem competência. Não houve um passe certeiro, uma jogada bem delineada, futebol de qualidade.

Foi tudo muito pobre, muuuuuuuuuuuuuuuito mesmo.

Assim vamos ter alguma dificuldade em subir na tabela classificativa.

A pedra angular do sistema

Ontem, durante a primeira parte do jogo com o Rosenborg, pareceu-me, finalmente, ter percebido qual a ideia de Silas para o jogo do Sporting. Confesso que o género de futebol assente na posse (no fundo o modelo que Guardiola desenvolveu, ao extremo, no Barcelona) não me fascina.

No entanto, se as ideias de Silas forem essas, ele precisa de, pelo menos, um jogador completamente diferente. Anda, pela nossa equipa, um moço (que quase aposto, deve ser uma simpatia) chamado Doumbia que, há-de ser, certamente, extraordinário a fazer imensas coisas, mas não claramente a jogar futebol. Ou, pelo menos, um futebol assente numa ideia de jogo que privilegia a posse de bola e a circulação. Doumbia tem evidentes carências técnicas e, devo confessar, quando estou a ver o Sporting, todas as vezes que o costa-marfinense toca na bola são para mim momentos de pânico e terror. 

Tudo isto para dizer o quê? A verdade é que no plantel do Sporting não há outro jogador com as características de Doumbia. De quem é a responsabilidade? Parece-me evidente que não é de Silas, mas antes da estrutura que lidera o futebol. Aliás, toda a má época que estamos a fazer é consequência de escolhas, em alguns casos, absurdas dessas mesmas pessoas. Quem achou possível fazer toda uma época com um único ponta-de-lança?

O que ganhámos desde 1986 no futebol

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Fica a lista, abrangendo os dez últimos presidentes (deixo de fora, propositadamente, Torres Pereira, que exerceu a função interinamente, no Verão de 2018, à margem da época futebolística).

 

Amado de Freitas (1986-1988)

Supertaça 1987

Jorge Gonçalves (1988-1989)

Nada

Sousa Cintra (1989-1995)

Nada

Pedro Santana Lopes (1995-1996)

Taça de Portugal 1995

Supertaça 1995

José Roquette (1996-2000)

Campeonato 2000

António Dias da Cunha (2000-2005)

Supertaça 2000

Campeonato 2002

Taça de Portugal 2002

Supertaça 2002

Filipe Soares Franco (2005-2009)

Taça de Portugal 2007

Supertaça 2007

Taça de Portugal 2008

Supertaça 2008

José Eduardo Bettencourt (2009-2011)

Nada

Godinho Lopes (2011-2013)

Nada

Bruno de Carvalho (2013-2018)

Taça de Portugal 2015

Supertaça 2015

Taça da Liga 2018

Frederico Varandas (desde 2018)

Taça de Portugal 2019

Taça da Liga 2019

 

Breves conclusões:

- Quatro destes presidentes (Gonçalves, Cintra, Bettencourt e Godinho Lopes) não venceram qualquer título no futebol profissional;

- Apenas dois dos últimos dez (Roquette e Dias da Cunha) viram o Sporting sagrar-se campeão nacional de futebol;

- Os dois presidentes com mais títulos conquistados foram Dias da Cunha e Soares Franco, ambos com quatro;

- Ao longo deste período, ganhámos dois campeonatos, seis Taças de Portugal, sete Supertaças e duas Taças da Liga;

- No total, só 17 troféus no futebol profissional desde o fim da longa presidência de João Rocha (1973-1986). À média de meio troféu por época. Na última década, apenas cinco.

Não é possível

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Vamos no quinto treinador da era Varandas, provavelmente a caminho do sexto, e o futebol leonino continua mergulhado na apagada e vil tristeza que sabemos.

Goleados na Supertaça pelo velho rival, eliminados da Taça de Portugal por um clube do terceiro escalão, praticamente excluídos da Taça da Liga, sem a menor hipótese de sonharmos sequer com a conquista do campeonato.

Os técnicos sucedem-se, mas nada melhora. Apesar disso, o director do futebol profissional do Sporting mantém-se no cargo como se nada fosse. Mas ninguém se ilude: ele tem pesadas responsabilidades na péssima organização da pré-temporada, na porta giratória em que se transformou o clube na recta final do período de inscrição de jogadores e na saída de grandes valores futebolísticos (Nani, Domingos Duarte, Matheus, Bas Dost, Raphinha) entretanto substituídos por gente sem categoria para representanter o nosso emblema.

Chegou a hora de Hugo Viana se sacrificar pelo Sporting, apresentando a demissão com carácter irrevogável. As árvores julgam-se pelos frutos: não é possível continuarmos com este director desportivo que se mostra incapaz de levar a bom porto a missão de que foi encarregado.

 

ADENDA: Alguns leitores/comentadores apareceram aqui a defender Hugo Viana. Defendem o indefensável. Bastaria o clamoroso erro da não-inscrição de Pedro Mendes - melhor marcador da Liga Revelação - nas competições internas da equipa principal para ditar a porta de saída ao ainda director do futebol profissional do Sporting.

F. Varandas cada vez mais perto do fim da linha... - II

O Sporting pouco ou nada fez para ganhar um jogo que até não merecia, mas acabou por perder, no futebol quem não marca, coloca-se a jeito e foi o que aconteceu hoje em Tondela. São evidentes as lacunas do plantel, resultantes da péssima planificação da época.

Com os objectivos cada vez mais longe, é hora dos responsáveis pelo futebol leonino, começando pelo presidente, assumirem a sua responsabilidade. Uma vez mais peço a Frederico Varandas que coloque o seu lugar à disposição dos sócios, antecipando eleições. Demonstraria desapego ao cargo e se está certo que mantém o apoio dos sócios, até pode concorrer e quiçá conseguir ser reeleito. Precisamos clarificar a situação no clube, sem drama. Não podemos é permanecer no actual estado letárgico sem rumo à vista no horizonte próximo. E mudar novamente de treinador não me parece ser solução...

A javardice habitual...

A turba hooligan que parasita a bancada Sul insiste no comportamento javardo. Sinceramente já cansam, mas não pensem que vencerão pelo cansaço. Sempre que urraram os habituais insultos ao presidente, foram assobiados pela maioria do estádio, mostrando assim aos mais distraídos que os sócios podem não estar satisfeitos com o actual rumo do futebol, mas não aceitam ficar reféns do gang, que mostra azia pelo fim dos privilégios injustificáveis que ao longo dos anos foram obtendo.

Há muito que o propósito inicial das claques se encontra desvirtuado, sendo do domínio público que hoje albergam gente muito pouco recomendável e até mesmo alguns delinquentes. O Sporting Clube de Portugal tem por missão formar atletas e promover a prática desportiva, não serve para subsidiar parasitas.

Obviamente que o clube não pode proibir o direito de associação, se imbecis se juntam, devem poder fazê-lo sem problema. Mas também não tem que os favorecer. Para começar, se querem ocupar lugar no estádio, devem começar por comprar gamebox ou bilhete para o jogo a preço normal. E serem revistados à entrada de forma competente, é inadmissível que entrem tochas nos estádios como aconteceu hoje em Alvalade na bancada Sul, permitindo que meia dúzia de grunhos obrigassem as pessoas em seu redor a inalar substância tóxicas, um comportamento verdadeiramente deplorável, que gostaria que alguém me explicasse em que medida aquilo é apoio à equipa, ou que motivação transmite aos jogadores...

O futebol português e os heróis do sofá

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1

Eis o futebol que temos, formatado e condicionado para a vitória sistemática do mesmo clube que envergonha o nome de Portugal nas competições internacionais: o Benfica, vencedor de seis campeonatos internos nos últimos sete anos, perdeu 12 dos últimos 15 jogos que disputou na Liga dos Campeões e sofre golos há 14 desafios consecutivos nas competições da UEFA. Explicação lógica: lá fora não beneficia dos favores da arbitragem nem de generosos autogolos concedidos por equipas adversárias.

Lá fora também as autoridades desportivas não permitem que um clube contrate jogadores só para os distribuir por equipas supostamente adversárias. Nem há televisões oficiais de clubes a transmitir em exclusivo as provas em que esses clubes participam - outra originalidade portuguesa, o escandaloso privilégio concedido à BTV.

Isto já para não falar do tratamento editorial totalmente diferenciado de que o SLB beneficia face aos clubes rivais. Basta apontar um exemplo: na mais recente assembleia geral benfiquista, 19 sócios subiram ao palanque para criticar o presidente dessa agremiação, mas nenhum deles foi procurado pelos canais de televisão cá do burgo para serem entrevistados. Se fosse no Sporting, alguns deles acampavam nos estúdios serão após serão e tornavam-se até "comentadores residentes". Dois pesos, duas medidas.

 

2

Este dirigismo domesticado, esta arbitragem vesga, este jornalismo que perdeu a virtude da isenção: eis factores fundamentais que contribuem para explicar o jejum de títulos leoninos neste século em que só por uma vez festejámos o campeonato nacional. Tirando a inesquecível Liga 2001/2002, o melhor que conseguimos foram seis segundos lugares - quatro com Paulo Bento, um com Leonardo Jardim e outro com Jorge Jesus.

Estivemos, é certo, à beira de novos festejos por três vezes: em 2004/2005 (com Dias da Cunha e José Peseiro), em 2006/2007 (com Soares Franco e Paulo Bento) e em 2015/2016 (com Bruno de Carvalho e Jorge Jesus). Mas erros clamorosos de arbitragem - tolerados por dirigentes inaptos e silenciados por uma comunicação social medrosa e cúmplice - impediram-nos de concretizar esse sonho ainda adiado.

 

3

Eis o pano de fundo. Não faz o menor sentido haver agora no Sporting quem se apresse a "exigir títulos", sobretudo no rescaldo do traumático ataque à Academia de Alcochete, que provocou um rombo desportivo, financeiro e reputacional à instituição leonina.

Tal como uma casa começa a ser erguida pelos alicerces e uma equipa começa a ser construída a partir da defesa, nenhum projecto com solidez, ambição e perspectiva de longo prazo pode ser edificado em Alvalade sem considerar o conjunto de circunstâncias que enumerei e lutar para superá-las, uma a uma.

Haverá, naturalmente, quem diga o contrário - são os heróis do teclado, instalados no conforto anónimo de um sofá doméstico. Infelizmente, as questões reais são muito mais vastas e complexas do que estes indignados das redes sociais imaginam na sua visão simplista. As forças estão há muito desequilibradas. Ao Sporting não basta superar os adversários em campo - é também preciso derrotá-los fora das quatro linhas.

Aceita um repto, sr. Presidente?

Absolutamente inaceitável o aumento de vencimentos aprovado ontem na AG da Sporting SAD para os administradores. Mesmo que cumpram a recusa anunciada por Salgado Zenha para esta época, ficámos a saber que a partir de agora têm um salário substancialmente melhorado e lá mais para o Verão do próximo ano, o assunto terá perdido mediatismo, com Euro 2020, transferências, quem se preocupará verdadeiramente com esta questão?

Desejo a Silas toda a sorte do mundo, é um treinador que aprecio enquanto pessoa, a equipa que treinou anteriormente praticava um futebol agradável, o seu sucesso será acima de tudo positivo para os superiores interesses do Sporting. Mas não esqueço o que nos trouxe até aqui, a inacreditável crise que ainda estamos a atravessar, pese embora a importante vitória obtida na Vila das Alves:

-Má planificação da época.

-Péssima condição física.

-Desaproveitamento da formação.

-Inacreditável gestão do mercado de transferências.

Não acredito em milagres, alguns resultados podem ser obtidos com sorte, ou falhados por azar, mas os factores aleatórios raramente pendem sempre para o mesmo lado. Cedo ou tarde, como o azeite, a competência vem acima e não me parece apropriado associar a palavra competência ao departamento de futebol do Sporting Clube de Portugal SAD. Acontece que o presidente Frederico Varandas foi eleito precisamente com promessas de restruturação do futebol, à época a tentar recuperar do estado de choque em que uma gestão troglodita o mergulhou. Mais de um ano passou, se é possível falar em pesada herança, ou tempo ainda insuficiente para resolver tudo, a incompetência recente, não faz parte de herança alguma. O autismo patente que vai sendo demonstrado, esse sim, tem muito a ver com o passado recente que rejeitámos. Não foi para isto que libertámos o clube do aprendiz de Napoleão.

Não existem duas oportunidades para se causar uma boa primeira impressão. Frederico Varandas não mostrou até agora ter um rumo seguro para o clube, no qual os sportinguistas de possam rever, confiar e apoiar. Algumas medidas avulsas positivas, como a retirada de apoios às claques, não chegam para dormir tranquilo, com a certeza que o futuro será verde e branco.

Mas se Frederico Varandas e seus pares estão assim tão convencidos terem a razão do seu lado, porque não clarificarmos junto dos sócios? Não precisa ser amanhã, nem tão pouco este mês, eventualmente nem este ano. E até pode ser o sr. Presidente a gerir o processo, agendando o acto eleitoral, por exemplo para a próxima Primavera. Daria tempo para se preparar, os oponentes também, os sócios que não são burros, estarão atentos, diminuiria a pressão sobre a sua presidência, que neste momento depende totalmente dos resultados da equipa de futebol, daria tempo a Silas, aos jogadores, à apresentação de projectos, a tempo de preparar a próxima época.

Vamos a isso sr. Presidente Frederico Varandas? Se não está agarrado ao poder, convoque eleições antecipadas para Março ou Abril. Se tem de facto um projecto em que acredita e está seguro que os resultados irão aparecer, não tenha medo do veredicto dos sócios e apresente-se a eleições. Se perder, sairá de forma digna, respeitado. Se ganhar, sairá legitimado, com um poder reforçado junto dos sócios, como agora não tem e seguramente não terá até final do presente mandato.

A bem do Sporting, que está acima de todos nós!

Saudações leoninas!

Quo vadis Sporting?

A estrutura do futebol do Sporting não funciona. Transferências mal geridas, incompetência na inscrição de jogadores, péssima comunicação, resultam na acumulação de resultados desportivos negativos. Ao que parece Silas será o próximo treinador do Sporting. A questão é, vamos regressar às vitórias? Em caso afirmativo, todos poderemos respirar de alívio, a direção continuará a exercer funções sem sobressaltos, desde que não cometa a loucura de aumentar vencimentos aos dirigentes, após ter deixado sair jogadores a preço de saldo, por insuficiência de condições financeiras.

Mas, cenário que não desejo, e se a chicotada não resultar? Virá outro após Silas?

Frederico Varandas fez promessas eleitorais aos sócios do Sporting que lhe deram a vitória, mas que manifestamente não está a conseguir cumprir. Manda a decência que seja democraticamente humilde e coloque o lugar à disposição dos sócios, mesmo que se recandidate. Caso vença sairá reforçado e colocará um ponto final na contestação. Caso perca é porque os sócios legitimamente escolheram outra via. O clube só tem a ganhar com a clarificação.

À deriva

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Mais um jogo, mais um desaire. Desta vez num estádio quase deserto, triste símbolo do crescente desencontro entre os adeptos e este medíocre agrupamento que se arrasta em campo, de derrota em derrota.

Esta noite voltámos a perder com o Rio Ave - que já nos tinha vencido em Alvalade para o campeonato - na partida de estreia da Taça da Liga 2019/2020. Resultado: 1-2. Reflectindo a paupérrima exibição deste grupo de jogadores a que não consigo chamar equipa.

Foi o nono jogo oficial do Sporting nesta temporada. Quinto seguido sem vencer, terceira derrota consecutiva, quinta vez em que escutamos o apito final sob o signo do fracasso. Só uma vitória até agora em Alvalade. Só 13 golos marcados, enquanto já levamos 19 sofridos - 2,1 golos por jogo, em média. O pior registo defensivo desde a década de 1950. 

Desolação total: o futebol leonino está à deriva. Até quando?

Quando a bola não entra... o fosso alarga

Quando a bola não entra, o grau de probabilidade de que comece tudo a correr mal aumenta em conformidade. Sobretudo porque se confirma a máxima de que se pode correr assim, ainda vai correr pior, o que tem acontecido. Qualquer direção deve ter este risco em conta e plano de contingência para o efeito. Parece que esta direção e o Presidente não tiveram isso em conta nem nada preparado para o efeito, dando uma ideia de navegação à vista que fragiliza. É pena. 

É preciso ser feita reflexão profunda sobre o que se passou, e o retrovisor não pode alcançar distância superior à pré época, onde parece que tudo começou. E também é altura para questionar o que se passa com a estrutura profissional para o futebol, que mais parece que desestrutura. Qualquer equipa tem de responder por atingir objetivos e responder por maus resultados, como nas empresas, pois são todos assalariados. Dentro e fora das quatro linhas. 

Sem querer invocar exemplos que podem ser lidos em livros de auto ajuda ou de sucesso empresarial, nem querer mergulhar ninguém no "shark tank", olhem em redor e vejam como está estruturada a organização das modalidades, o nível competitivo das suas equipas, a identificação entre jogadores e técnicos com adeptos, a relação entre profissionais das diversas secções, o apoio e o carinho dos assíduos no Pavilhão João Rocha pelos atletas (mesmo nas derrotas, pouquíssimas felizmente), e os resultados. Não é preciso ir longe para perceber que há, ali, algo para aprender. E, às vezes, a bola também não entra. Mas nunca se desiste.

Ainda vamos a tempo de tapar o fosso?

Desorientação geral

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Nesta desorientação geral que reina no Sporting, a começar por quem foi eleito para nos orientar, proponho fazermos o que faz quem se perde numa floresta qualquer e tentar regressar ao último ponto conhecido e a partir daí determinar o rumo correcto.

E o último ponto conhecido de sucesso no futebol do Sporting foi a final da Taça em Maio no Jamor, onde derrotámos um adversário mais poderoso do que nós, e levantámos a Taça para grande azia dos adversários, em particular do seu (grande atitude, grandes tomates, grande malcriado) treinador.

Pois, com Varandas a presidente, Hugo Viana a director do futebol, Beto a secretário técnico, Keizer a treinador, Bruno Fernandes a capitão, Mathieu, Coates e Raphinha a concorrer nos melhores em campo, Bas Dost a marcar o golo que nos podia ter evitado os penáltis, Renan a defender os penáltis e Luiz Phellyppe a marcar o decisivo, ganhámos mais uma Taça de Portugal, numa época em que também conquistámos a Taça da Liga e o 3.º lugar na Liga, ganhando o acesso directo à Liga Europa.

O facto é que, quatro meses depois, Keizer, Bas Dost e Raphinha já cá não estão, como outros que estiveram nos festejos no relvado do Jamor, como Salin, Gudelj, Petrovic, Bruno Gaspar, Geraldes e outros de que não me recordo.  Ou seja, duma forma ou de outra, a equipa que ganhou há quatro meses já não existe, no relvado e no balneário, e a primeira pessoa a denunciar a destruição dessa equipa foi... Bruno Fernandes. 

Não estou a dizer que tudo estava bem no futebol do Sporting no dia da vitória do Jamor. O que digo é que em vez de aproveitar o momento para dar um salto em frente rumo aos rivais, o que aconteceu em seguida, qualquer que seja a justificação que se queira arranjar, foi uma ziguezagueante destruição do que se tinha alcançado. 

Chegados aqui, temos Varandas, Hugo Viana, Beto, um treinador interino que não é melhor que Keizer (Leonel Pontes reconstruiu eficazmente os sub-23 e faz o melhor que pode e sabe), um plantel que não tem muitos daqueles que ganharam no Jamor e não entraram iguais ou melhores que eles, um plantel sem preparador físico credenciado e que mais parece uma manta de retalhos (faltam pontas de lança e trincos e sobram extremos) com ex-lesionados de longa duração e/ou ex-encostados e/ou emprestados, e um capitão que falhou a transferência dos seus sonhos e que mais que à beira dum ataque de nervos está mesmo com um ataque (que o digam as portas do Bessa). 

Vamos então voltar a Maio e ao Jamor e pensar no que falta para voltarmos a uma vitória daquele calibre:

  • Encontre-se uma solução para a situação financeira da SAD que lhe permita ter um orçamento aproximado com os rivais, emagrecendo na gordura e não no musculo.
  • Encontre-se um director desportivo credenciado que preste contas aos Sócios pelas decisões que toma em termos de contratações e dispensas e que promova um balneário de cabeça limpa, focalizado e solidário.
    • Encontre-se uma nova equipa técnica, com um preparador físico de excelência e um treinador experiente e qualificado que consiga estabelecer uma relação de confiança com os pesos pesados do plantel, com a garantia de que o clube irá segurá-los. E que aproveite da melhor forma os jovens dos sub-23 e do plantel principal.
    • Encontre-se uma forma de defender o clube em todas as instâncias de poder, a começar pela arbitragem. 
    • Encontre-se uma forma de manter os Sportinguistas unidos e vibrantes no apoio à equipa. Falo dos Sportinguistas, falo dos Sócios, falo daqueles que colocam o Sporting em primeiro lugar, e não das seitas corruptas que parasitam o clube e que só o prejudicam.

     

    Enquanto isso não acontece, lá estarei amanhã em Alvalade a apoiar Leonel Pontes e a nossa equipa e convido todos os Sócios que puderem a fazer o mesmo, porque só com vitórias em campo vamos sair deste buraco.

    SL

Um ano de Team Varandas

Completa-se hoje um ano desde as últimas eleições no Sporting Clube de Portugal, eleições essas que consagraram Frederico Varandas como Presidente do Clube.

Um ano cheio de altos e baixos. Conquistaram-se importantes títulos mas também se falharam outros. Entre as grandes conquistas estão a Liga dos Campeões de Futsal, a Taça dos Clubes Campeões Europeus de Hóquei Patins e, claro, as Taças da Liga e de Portugal em Futebol. No lado dos títulos perdidos, os que mais me custaram foram o título nacional Futsal e a SuperTaça em futebol, onde caímos com estrondo.

As modalidades tiveram um ano agridoce. Conquistaram-se muitos títulos mas falharam os respetivos campeonatos nacionais. O orçamento para este ano foi batizado por alguns como "o do desinvestimento" mas parece-me mais que se procura contratar qualidade de forma a fazer mais com menos. Thierry Anti como treinador do Andebol é um bom exemplo disso. E a época começou da melhor maneira. O Futsal esmagou o Benfica na SuperTaça com uns expressivos 6-2 e o Andebol começou a época com uma vitória na Luz por 28-30.

No futebol, pegou na equipa de futebol liderada, até então, por um Sousa Cintra que prometeu um prémio monetário (superior ao da Taça da Liga) caso a equipa estivesse em primeiro à quarta jornada (!). Ter José Peseiro no banco não deixava ninguém descansado e trocou-se por um relativamente desconhecido Marcel Keizer. A aposta não correu como se esperava a 100% mas ainda foram conquistados dois títulos.

A política desportiva para a equipa de futebol também mudou drasticamente. Os jogadores com os salários mais elevados foram "dispensados". Entre vendas e cedências, acabou por se perder algum talento mas também nos vimos livres de muito "entulho". As contratações de jogadores, com a exceção de Borja, passou a ser de jovens com potencial para brilhar mas sem ainda serem certezas absolutas. É o caso de Rosier, Doumbia, Plata, Camacho, etc.

No último dia de mercado, esta política sofreu um pequeno revés com a chegada de três emprestados (Jesé, Fernando e Bolasie) e com a troca de Marcel Keizer por Leonel Pontes. Há uma nuvem de dúvidas sobre o impacto que terá na equipa mas, como tudo no futebol, será dissipada quando a bola começar a entrar na baliza. Leonel Pontes tem que ter a paciência dos adeptos para mostrar aquilo que sabe fazer.

Por falar em bola na baliza. Acho que não vale a pena teorizar muito sobre o que une o Clube. O que une o Clube são e serão sempre os títulos. Os Sportinguistas têm um conjunto de características que os ajudam a rever-se no Clube mas, neste momento, há muita dispersão. Neste último ano tornou-se óbvio que existem vários tipos de adeptos. Existem os que ainda vivem no luto da anterior direção e que se comportam como uma espécie de FARC, sempre prontos a metralhar quem não gostam (mesmo com mentiras). Existem os que estão sempre prestes a salvar o Clube do que quer que seja pois são eles os detentores do mágico elixir que tudo cura. E existem os adeptos normais que entendem que estamos perante uma presidência normal, com altos e baixos e que será avaliada normalmente nas próximas AGs e Eleições. Até lá, que a bola bata sempre na parte de dentro da rede e consigamos o maior número de títulos possível.

A Academia está a ser melhorada a olhos vistos e o projeto de formação ganhou novos contornos. A formação não pode ser vista como a salvação do Sporting, tem que ser vista como uma fonte de recursos onde o Clube se reforça mas nunca a única. Ainda assim é importante ter qualidade em quantidade e comprometidos com o Clube. É claro que quando se fala na formação vêm mil piadas sobre colchões mas não posso fazer nada para mudar a opinião de quem se comporta como um chimpanzé a atirar fezes a quem passa no zoo.

A nível de comunicação, parece que abandonámos de vez o belicismo e começámos à procura de outra linha. Acho que estamos piores nas redes sociais mas melhores na maneira como lidamos com os players da comunicação social. Há uma linha ténue que separa as notícias da propaganda mas é sempre (SEMPRE!) melhor ter pessoas a nosso favor do que contra.

Já a oposição nunca desapareceu. Os eternos "esqueletos" Ricciardi e Dias Ferreira têm sido o rosto mais visível de uma certa oposição. Os tais que acham ter o tal elixir. Também se joga uma campanha suja nas redes sociais onde se tenta ofender o mais possível. Campanha essa levada a cabo por muitos daqueles que criticavam, e bem!, as campanhas sujas contra o anterior Presidente. A democracia não pode ser só boa quando ganha quem nós queremos. É saudável haver oposição mas que seja feita às claras e com medidas para ajudar o Clube em vez de uma política de terra queimada.

No fundo, apesar de tudo, foi um ano normal na vida do Sporting. Conquistaram-se títulos, perderam-se outros. Bem sei que alguém dirá "temos a responsabilidade de ganhar tudo" e é verdade. Mas não se conseguiu. O que se conseguiu foi trabalhar para que a cada ano se tenham mais condições para que "se ganhe tudo".

 

Palmarés 2018/19

Futsal Masculino - Liga dos Campeões, Supertaça, Taça de Portugal

Futsal (sub20) - Campeonato Nacional

Hóquei em Patins - Liga Europeia

Andebol (juniores) - Campeonato Nacional

Voleibol (feminino) - 1º Lugar (II divisão)

Atletismo (masculino) - Campeonato Nacional de Estrada, Campeonato Nacional de Corta-Mato

Atletismo (feminino) - Campeonato Nacional de Estrada, Taça dos Clubes Campeões Europeus de Corta-Mato, Campeonato Nacional de Corta-Mato, Campeonato Nacional de Pista Coberta, Taça dos Clubes Campeões de Pista Coberta, Campeonato Nacional ao Ar Livre

Judo (masculino) - Liga dos Campeões, Campeonato Nacional

Ténis de Mesa - Tetra Campeões, Taça de Portugal, Supertaça

Râguebi - Taça Ibérica

Râguebi (feminino) - Campeonato Nacional, Taça Ibérica, Taça de Portugal, Supertaça

Natação - Octacampeões Nacionais

Ginástica (trampolins masculinos) - Campeões nacionais por equipas

Goalball - Campeões europeus (masculino e feminino), Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Supertaça

Futebol - Taça de Portugal, Taça da Liga

Futebol (sub15) - Campeonato Nacional

Futebol (sub14) - 1º lugar na Divisão de Honra AF Lisboa

Futebol (sub14 B) - 1º lugar na Divisão de Honra AF Lisboa

Palmarés 2019/2020 (até ao momento)

Futsal - Supertaça

Judo - Jorge Fonseca campeão do Mundo (< 100kg), Daria Bilodid campeã do mundo (< 48kg)

 

Keizer, rua

Se as taças conquistadas na última época justificaram o benefício da dúvida ao treinador holandês, a verdade é que este início de época tem revelado na plenitude a sua mediocridade. A falta de contratações não justifica o que quer que seja, porque a equipa mantém praticamente todos os titulares da época passada, Gudelj será a excepção, mas não apresenta segurança defensiva, o meio-campo não marca e excepto Bruno Fernandes não demonstra intensidade, o ataque é quase inexistente. A táctica parece ser bola para o Bruno Fernandes e seja o que Deus quiser. É mau demais para ser verdade este futebol miserável que apresentámos hoje na Madeira.

Enquanto sócio e sportinguista que segue o futebol, peço ao presidente Frederico Varandas que demita imediatamente de funções o treinador Marcel Keizer. Caso não o faça, irei repensar o meu apoio aos actuais órgãos sociais, porque não estou para aturar semanalmente esta pobreza futebolística.

O Estado que é o futebol

Cada vez é mais notório que o futebol há muito que deixou de ser somente um desporto. É neste momento uma indústria que move pelo Mundo um número com demasiados algarismos.
De tal forma é importante que, em países como o nosso, o desporto-rei ganhou estatuto de um Estado, dentro de outro Estado.

O nosso futebol tem tamanho poder que não há político que não goste de aparecer ao lado dos homens da bola. Então em competições europeias é vê-los. Mesmo que noutros desportos a presença de equipas lusas em finais seja mais frequente.

A propósito, gostaria de saber quantos políticos estiveram presentes no Pavilhão João Rocha aquando da Final da Liga dos Campeões em Hóquei-em-Patins entre o FC Porto e o Sporting. Acho que nem é necessário responder. Agora imagine-se o que aconteceria se fosse no futebol…

Este novel Estado pretende ser tão independente que nem permite a intervenção da justiça fora dos seus próprios tribunais.

Mas, como qualquer Estado que se preze, este tem também os seus aliados. E as televisões são um dos exemplos.

Venho agora discorrer sobre este tema porque ainda estou para perceber porque é que a final da Supertaça se jogará domingo perto das 21 horas. É que se não houver atrasos, nem prolongamentos, nem grandes penalidades, este jogo acabará por volta das onze da noite.

Os adeptos da equipa vencedora certamente irão ficar no campo até a sua equipa receber a taça. O que equivale a dizer que só muito perto da meia-noite esses mesmos adeptos estarão de regresso a casa. Agora imagine-se se houver tempos adicionais a que horas se sairá do estádio…

Seria bom que este Estado percebesse que realmente o futebol só existe… porque há adeptos. E estes deveriam ser os primeiros a merecer respeito. No entanto tal não acontece.

Os clubes envolvidos são os verdadeiros culpados, ao deixaram que a organização deste evento esteja não só refém de um canal de televisão, mas também por não se imporem perante os patrocinadores.

Percebo que o adepto de sofá é deveras importante. Mas aquele que vai ao estádio mereceria muito mais consideração por parte das entidades organizadoras.

Digo eu…

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