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És a nossa Fé!

Quente & frio

 

Gostei muito da passagem do Sporting aos oitavos da Liga Europa, ontem confirmada ao eliminarmos o Young Boys, líder incontestado do campeonato suíço, que fora repescado da Liga dos Campeões. Em boa verdade a eliminatória ficara assegurada uma semana antes em Berna, onde fomos vencer sem margem para dúvida (1-3). Em Alvalade, bastou-nos gerir o resultado e dosear o esforço físico dos jogadores, que depois de amanhã voltam a competir - desta vez para a Liga portuguesa com uma difícil deslocação a Vila do Conde. Foi uma partida tranquila, dominada quase por completo pela nossa equipa, embora muito perdulária em situações de golo. 

 

Gostei que Gyökeres voltasse a marcar - e bem cedo, logo aos 13'. Infiltrou-se na grande área e disparou uma bomba, indefensável, muito perto da marca dos 11 metros. Foi o 29.º golo pelo Sporting do internacional sueco, que também já protagonizou 11 assistências na temporada. A partir daí, os quase 30 mil espectadores deste desafio ao vivo no nosso estádio ficaram com a certeza de que a passagem à fase seguinte da Liga Europa estava assegurada. Mas destaco Trincão como melhor em campo: foi dele a assistência para Viktor nesse lance, com um passe perfeito. E foi também ele a sofrer o penálti aos 55' que podia e devia ter resultado no nosso segundo golo: infelizmente Gyökeres permitiu a defesa do guarda-redes. Nunca antes tinha falhado uma grande penalidade de Leão ao peito.

 

Gostei pouco de algumas exibições. Esgaio, incapaz de ganhar duelos e sempre receoso de progredir com a bola, fez-nos sentir saudades de Geny - um dos poupados, tal como Coates e Morita (Nuno Santos só fez a segunda parte, por troca com Gonçalo Inácio, e Pedro Gonçalves entrou apenas aos 63'). Outros jogadores que não me impressionaram favoravelmente foram o recém-chegado Koba (substituiu Morten aos 63', com óbvia diminuição da dinâmica colectiva da equipa) e o recém-recuperado Fresneda (substituiu Esgaio aos 85' sem mostrar ainda os atributos que terão levado à sua contratação). 

 

Não gostei que tivéssemos desperdiçado pelo menos quatro flagrantes oportunidades de golo, além do penálti que Gyökeres foi incapaz de concretizar. Em parte devido à competência do guarda-redes e do sector defensivo suíço, onde brilhou Amenda, "polícia" do nosso goleador. Daniel Bragança destacou-se neste capítulo menos positivo com duas perdidas escandalosas, aos 63' e aos 90'+4. Mas o maior falhanço - quase digno dos "apanhados" - foi de Edwards aos 45'+1, com a baliza escancarada e a dois metros da linha de golo. Servido de bandeja por Gyökeres, trocou infantilmente os pés e deixou a bola fugir.

 

Não gostei nada do golo que sofremos, aos 84', fixando o resultado final (1-1). De penálti, a punir falta cometida por Edwards em trabalho defensivo, num lance que estava controlado e em que a bola aparentemente até se encaminhava sem perigo para a linha de fundo. Os suíços conseguiram assim empatar sem terem construído uma só oportunidade de golo em lance corrido numa partida em que, excepto naquele momento, voltámos a demonstrar muita consistência defensiva - com merecido destaque para Diomande, que não jogava de verde e branco desde 30 de Dezembro e regressou em boa forma do Campeonato Africano das Nações, ao serviço da Costa do Marfim, vencedora da prova.

2023 em balanço (5)

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 DECEPÇÃO DO ANO: FRESNEDA

Já somávamos várias decepções recentes: basta lembrar Marsà, Tanlongo e Sotiris, por exemplo. Chegaram como meteoros e partiram tão depressa como vieram. Mas este jovem espanhol parecia um caso diferente: apareceu em Alvalade aureolado de "novo Porro", seu compatriota que tão bem se adaptou ao Sporting. E tantas saudades deixou.

Iván Fresneda Corraliza, madrileno de 19 anos, fez parte da formação nas escolinhas do Real Madrid. Veio do Valladolid, onde esteve três épocas - na última, participou em 22 partidas da Liga do país vizinho. Internacional sub-19 por Espanha. Em Agosto, foi apresentado como reforço do Sporting. Custou nove milhões de euros, quantia que pode subir para 11 milhões caso se cumpram certos objectivos ao serviço da nossa equipa. Contrato até 2028, cláusula fixada em 80 milhões.

Vinha para sentar Esgaio, dizia-se. Mas não sentou, longe disso. E até foi ultrapassado por Geny como ala direito verde-e-branco. Estreou-se em 3 de Setembro, num jogo de má memória para nós: fomos empatar a Braga. Só entrou aos 85', rendendo precisamente Esgaio. Mal deu para observá-lo em campo.

A 5 de Outubro, outra estreia. Desta vez no onze inicial. Contra a Atalanta, em casa, para a Liga Europa. Resultado negativo: foi a nossa primeira derrota da temporada, perdemos 1-2. Sobre a actuação dele, assinalei isto: «Desastrosa estreia de Fresneda a titular: não revelou arcaboiço para aquilo, foi no nosso corredor direito que os italianos entraram como faca em manteiga, perante a impotência do ala espanhol, muito verde (no pior sentido) para tal função, fazendo-nos sentir saudades de Esgaio - que o substituiu aos 67'.»

A 21 de Outubro, outra avaliação negativa. Contra o modesto Olivais e Moscavide, emblema das distritais de Lisboa. Para a Taça de Portugal. Vencemos 3-1, mas eles foram os primeiros a marcar e havia empate ao intervalo, graças a um penálti convertido por Edwards mesmo ao terminar a primeira parte. A reviravolta só surgiu no segundo tempo. 

«Fresneda falhou por completo na missão que o técnico lhe confiou. Incapaz de acertar movimentos com Edwards, precipitado, desposicionou-se com facilidade, cometeu um penálti totalmente escusado que nos custou um golo do Olivais e Moscavide, marcado logo aos 8' pelo veterano Fabrício, motorista da Uber.» Palavras minhas, analisando a partida.

Nova exibição apagadíssima - contra o Raków, para a Liga Europa. Fresneda parecia, de longe, o elo mais fraco do trio de reforços leoninos do Verão passado. Ao contrário de Viktor e Morten, que alguns olharam inicialmente com alguma desconfiança mas cujo mérito hoje já ninguém discute.

Utilizo o verbo no passado porque entretanto se lesionou. Em Novembro foi operado ao ombro esquerdo e tem-se mantido inactivo desde então, sendo incerta a data para o seu regresso à equipa. 

Que em 2024 o espanhol possa enfim mostrar o que vale, assim espero. Ano novo, vida nova.

 

Decepção do ano em 2012: Elias

Decepção do ano em 2013: Bruma

Decepção do ano em 2014: Eric Dier

Decepção do ano em 2015: Carrillo

Decepção do ano em 2016: Elias

  Decepção do ano em 2017: Alan Ruiz

Decepção do ano em 2018: Rafael Leão

Decepção do ano em 2019: Miguel Luís

Decepção do ano em 2020: Vietto

Decepção do ano em 2021: Plata

Decepção do ano em 2022: St. Juste

Quente & frio

 

Gostei muito da vitória do Sporting (2-1), na noite passada, em jogo da Liga Europa contra o Raków, campeão polaco. Triunfo que nos mantém no segundo posto do grupo D nesta competição europeia: permanecem intactas as leoninas aspirações à fase seguinte da prova. Vale a pena anotar: foi o nosso 16.º desafio da temporada em curso, com balanço largamente positivo. Treze vitórias, dois empates, apenas uma derrota. Percentagem de sucesso: 81,2%. Demonstração inequívoca do mérito desta equipa tão bem orientada por Rúben Amorim.

 

Gostei que tivéssemos marcado cedo - na conversão de um penálti, logo aos 10', por Pedro Gonçalves a castigar falta claríssima (punida com cartão vermelho) cometida sobre St. Juste quando conduzia um lance de ataque na meia esquerda, em plena grande área polaca. Aos 52', o nosso n.º 8 viria a marcar igualmente o segundo golo, também de penálti, desta vez a punir mão na bola a remate de Edwards. Tem de ser creditado como melhor em campo. Leva já cinco golos nesta época - estes foram os seus primeiros na Liga Europa 2023/2024. Total até agora: 63 convertidos de verde e branco. Merece elogio? Claro que sim.

 

Gostei pouco que não tivéssemos exibido superioridade na chamada zona de decisão, sobretudo porque defrontámos uma equipa só com dez jogadores durante 80 minutos. Construímos oportunidades, mas fomos incapazes de convertê-las em lances corridos - ou por falta de pontaria ou devido a grandes defesas do guarda-redes sérvio da equipa polaca, que só tem um polaco no plantel (o Sporting teve sete portugueses no onze inicial). Paulinho, que ontem festejou 31 anos, foi um dos elementos com nota insuficiente. Outros foram Nuno Santos e Esgaio, pouco eficazes a municiar o ataque pelos flancos. Para compensar, registou-se a estreia em jogos oficiais da equipa A do jovem Tiago Ferreira, que actuara na pré-temporada: outro miúdo da nossa formação lançado por Amorim. Foi mera amostra, insuficiente para conclusões sólidas. Aos 21 anos, Mamede - como também é conhecido - tem-se destacado no Sporting B, onde já fez dez golos e duas assistências. Oxalá consiga singrar entre os "adultos".

 

Não gostei da ausência de Gyökeres, ausente por castigo. Nota-se uma diferença enorme, para pior, quando ele está fora do onze titular. A nossa linha ofensiva perde engenho, criatividade, talento, energia, explosão, acutilância, capacidade de desequilíbrio e capacidade de pressionar a saída dos adversários. Felizmente vamos tê-lo de volta no dérbi da Luz, já depois de amanhã. Num jogo em que a equipa da casa contará com mais 24 horas de descanso do que a nossa após ter humilhado o futebol português em San Sebastián, frente à Real Sociedad (equipa que vencemos 3-0 na pré-temporada).

 

Não gostei nada de ver o Sporting sofrer um golo, aos 70', na sequência de um livre convertido com rapidez e eficácia pelo Raków enquanto alguns dos nossos jogadores se limitaram a defender com os olhos. Quatro jogos da Liga Europa, em todos sofremos golos. Falta-nos capacidade de concentração em momentos cruciais e alguma consistência defensiva. Também não gostei nada dos nossos 20 minutos finais, com a equipa a recuar muito no terreno, mantendo posse estéril de bola e parecendo recear a desfalcada turma adversária. Enfim, continuo a não gostar nada de Fresneda, desta vez em campo desde o minuto 56 (substituiu Esgaio). Está muito longe de ser um novo Pedro Porro. E até agora nem demonstrou sequer qualidade para integrar o plantel principal do Sporting.

Quente & frio

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Daniel Bragança acaba de marcar o terceiro golo, confirmando vitória leonina na Taça

Foto. Rodrigo Antunes / Lusa

 

Gostei muito de Geny, o melhor jogador da terceira eliminatória da Taça de Portugal contra o Olivais e Moscavide que o Sporting foi hoje disputar ao estádio da Amadora. Após uma primeira parte medíocre, em que aquela equipa do quinto escalão do futebol português nos deu sempre boa réplica, o internacional moçambicano fez a diferença ao ser lançado por Rúben Amorim, para substituir Fresneda, logo no recomeço da partida. Uma troca que se impunha - e resultou sem a menor dúvida. Geny mexeu com o jogo, tornou enfim a nossa equipa dona e senhora do corredor direito. Domínio traduzido em golo aos 53': um grande remate de ressaca, indefensável, assinalando a estreia do jovem extremo como artilheiro da equipa A. E ainda foi ele a assistir no terceiro. Não custa prever que será uma das nossas estrelas da temporada em curso. Tem de jogar mais.

 

Gostei de ver o Sporting seguir em frente, para a eliminatória seguinte da Taça de Portugal: já estamos melhor do que há um ano, quando fomos varridos nesta fase pelo modesto Varzim, do terceiro escalão. Também gostei do penálti cavado por Edwards, que ele próprio converteu, empatando o jogo aos 44'. E de ver Daniel Bragança estrear-se como goleador esta época ao converter o terceiro, emendando à boca da baliza aos 90'+4 e fixando o resultado: 1-3. Trincão também merece destaque: jogou e fez jogar, servindo Edwards (63'), Geny (69') e Nuno Santos (72'). O terceiro golo começa a ser construído por ele. Gostei igualmente do Olivais e Moscavide, que disputa o campeonato distrital de Lisboa: equipa muito bem orientada por Ricardo Barão, assumido sportinguista e filho de Francisco Barão, antigo campeão nacional com as nossas cores.

 

Gostei pouco de ver tanto desperdício na zona de finalização. É inacreditável como a baliza parece crescer, em certos momentos, para a linha avançada leonina mesmo defrontando uma equipa não-profissional. Acertámos três vezes na barra - por Trincão (13'), Pedro Gonçalves (20') e Edwards (53'). Na segunda parte, o perdulário Paulinho destacou-se como rei dos golos falhados: apanhado em fora-de-jogo aos 80', cabeceando à figura do guarda-redes Ruben (85'), inutilizando um excelente centro de Geny (86'), incapaz de acertar na bola (89'). Fez-nos sentir saudades de Gyökeres, que desta vez permaneceu no banco de suplentes.

 

Não gostei de Fresneda: falhou por completo na missão que o técnico lhe confiou. Incapaz de acertar movimentos com Edwards, precipitado, desposicionou-se com facilidade, cometeu um penálti totalmente escusado que nos custou um golo do Olivais e Moscavide, marcado logo aos 8' pelo veterano Fabrício, motorista da Uber. Estivemos a perder até aos 44' e só aos 53' chegámos à vantagem mínima - ampliada no último minuto da partida. Amorim lançou no onze titular, já a pensar no jogo de quinta-feira para a Liga Europa na Polónia, sete jogadores que não têm actuado de início: Israel (no lugar de Adán), St. Juste (Diomande), Neto (Coates), Dário (Morten), Bragança (Morita) e Trincão (Gyökeres), além de Fresneda (que rendeu Esgaio). Alguns não corresponderam à confiança que neles depositou o treinador - com destaque para o jovem espanhol e para Dário, que acusa ainda muita inexperiência, apesar de ter vindo da selecção sub-21.

 

Não gostei nada que nesta fase da Taça de Portugal os jogos permaneçam sem vídeo-arbitragem. Só isto explica que tenha ficado por marcar um penálti claro cometido por João Varela por mão na bola, aos 36'. Percebe-se que o árbitro de campo e o assistente não tenham visto, mas impunha-se a tecnologia para preservar a verdade desportiva. Hoje é difícil compreender - e tolerar - que a chamada "prova rainha" do futebol português mantenha esta mácula, como se fosse algo imprestável. Isto tem de ser revisto com a máxima urgência. Para evitar que se repita no próximo ano.

Quente & frio

 

Gostei muito de ver Gyökeres voltar a marcar. O sétimo golo em oito jogos. Novamente de penálti - e vão três. Chamado a converter, aos 76', não vacilou. É extraordinária a relação que o internacional sueco tem com a baliza. Infelizmente não bastou para evitar a derrota: perdemos em casa  (1-2) contra a Atalanta, equipa italiana com nível de Liga dos Campeões - muito bem comandada há oito anos pelo veterano treinador Gian Piero Gasperini. Foi a nossa primeira derrota da temporada. Que, infelizmente, pôs fim a uma longa série de resultados positivos: há 22 jogos seguidos que não perdíamos um desafio oficial, desde 13 de Abril. Os 42.308 espectadores presentes no estádio mereciam ter visto um Sporting bastante melhor.

 

Gostei das substituições feitas pelo treinador ao intervalo. Saíram três jogadores com exibições calamitosas no primeiro tempo, entraram três colegas que muito contribuíram para relançar o jogo leonino neste período, em que fomos superiores à turma adversária já com Coates, Edwards e Geny em campo. Um golo, uma bola ao poste e quatro remates enquadrados: nada a ver com os 45 minutos iniciais, em que não fizemos um só disparo à baliza dos italianos. Entendi muito mal por que motivo Rúben Amorim deixou Coates de início no banco: com ele em campo, tudo foi diferente. Também Geny e Edwards mexeram com o jogo, acelerando-o sem temores nem complexos. Distinguiu-se sobretudo o inglês, para mim o melhor dos nossos: conquistou quatro faltas, uma das quais valendo o amarelo ao adversário, fez um cruzamento para golo (Gonçalo Inácio falhou, cabeceando para fora na grande área aos 52') e esteve ele próprio quase a marcar, aos 77'. Devia ter integrado o onze titular.

 

Gostei pouco de ouvir os mesmos que no início cantavam «farei o que puder pelo meu Sporting» desatarem, cerca de meia hora depois, a destratar a equipa no estádio, dando ânimo e alento à turma adversária. O nosso clube está cheio de adeptos que adoram assobiar. Infelizmente, em vez de assobiarem só no duche, vão de propósito a Alvalade para vaiar os nossos jogadores. «Farei o que puder pelo meu Sporting» é isto? Não parece nada.

 

Não gostei de perder. Não gostei dos 45 minutos de avanço dados à equipa de Bérgamo. Não gostei da forma como Amorim assistiu impávido àquele descalabro colectivo do primeiro tempo sem ter feito mais cedo as alterações que se impunham, corrigindo sobretudo o naufrágio do nosso meio-campo. Não gostei do enorme desgaste físico e anímico sofrido naquela primeira parte de avassalador domínio do Atalanta, que ficou em quinto lugar na Liga italiana 2022/2023: oxalá não seja mau prenúncio para a nossa partida de domingo contra o Arouca.

 

Não gostei nada de vários jogadores. Desde logo, a desastrosa estreia de Fresneda a titular: não revelou arcaboiço para aquilo, foi no nosso corredor direito que os italianos entraram como faca em manteiga, perante a impotência do ala espanhol, muito verde (no pior sentido) para tal função, fazendo-nos sentir saudades de Esgaio - que o substituiu aos 67'. Paulinho, sinónimo de nulidade: absolutamente inócuo na construção ofensiva, incapaz de se libertar da marcação individual a que foi sujeito, e é ele quem põe em jogo o autor do passe para o primeiro golo italiano. Morten continua a parecer peixe fora de água: não cumpriu os mínimos como médio defensivo nem formou eficaz parceria com Morita - o japonês melhorou bastante já com ele ausente. Nuno Santos apareceu oxigenado e talvez por isso destacou-se pela negativa, sem um só cruzamento perigoso e abusando dos passes à retaguarda. Pedro Gonçalves destacou-se por uma sucessão quase assustadora de perdas de bola e passes falhados - recebeu cartão aos 84' e devia ter visto outro por um pisão aos 35', convém não abusar da sorte. Finalmente Daniel Bragança, que substituiu Matheus Reis aos 90'+1, voltou a ver o amarelo com poucos segundos em campo pelo segundo jogo consecutivo. Assim mais vale ficar no banco. Ou na bancada.

Com poucos remates é mais difícil marcar

Braga, 1 - Sporting, 1

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Pedro Gonçalves regressou aos golos marcando logo aos 25' na Pedreira

Foto Lusa

 

Comecemos pela boa notícia. À quarta jornada, vamos no topo do campeonato nacional de futebol. A par de Boavista e FC Porto - que nesta ronda arrancou a ferros um pontinho no Dragão em jogo que deve ter constituído escandaloso recorde mundial: 25 minutos de prolongamento, frente ao Arouca (3 na primeira parte, 22 na segunda). Com o empate portista a ocorrer aos 19' deste inacreditável tempo extra final.

Em doze possíveis, conquistámos dez pontos até agora. Muito acima do que estávamos precisamente na mesma fase do campeonato anterior: concluídas as primeiras quatro partidas, o título tornou-se logo então praticamente impossível para nós, com oito pontos perdidos. Nada a ver com os dois que agora deixámos pelo caminho. Precisamente na partida contra o Braga, em casa do adversário. Na mesma casa onde tínhamos empatado logo a abrir a Liga 2022/2023, então por 3-3.

Comparando este Braga-Sporting (1-1) com o da época anterior, mantém-se um padrão: estivemos a vencer mas fomos incapazes de segurar essa vantagem. Por incapacidade absoluta de resolver a questão em tempo útil, quando os índices motivacionais e psicológicos estavam em alta. Logo no primeiro tempo, em que fomos superiores - vantagem traduzida no 0-1 registado ao intervalo. Com Pedro Gonçalves, no regresso aos golos, a facturar logo aos 25' - correspondendo da melhor maneira a primorosa assistência de Diomande.

Houve um segundo golo, aos 38', mas não valeu. Seria uma estreia em grande de Morten como artilheiro leonino, mas o VAR invalidou-o alegando que Pedro Gonçalves, em fora-de-jogo posicional, interferiu no ângulo de visão do guarda-redes Matheus. Tese que todos os especialistas em arbitragem, sem excepção, validaram na imprensa de ontem.

 

Após a interrupção, repetiu-se um filme que já vimos demasiadas vezes.

O Sporting recuou as linhas, deixou à equipa anfitriã a iniciativa do jogo e tentou desatar o nó com ataques à profundidade, procurando explorar o avanço dos braguistas. Já sem Paulinho em campo mas com Gyökeres disponível para tal função. Acontece que o internacional sueco foi pouco e mal servido, além de andar muito distante da zona de tiro. Ao contrário do que devia acontecer.

Para agravar o problema, o nosso ataque fluiu pouco pelas alas e o meio-campo perdeu capacidade de choque com as substituições que Rúben Amorim foi fazendo - nenhuma delas com vantagem para a equipa. Ressalvo apenas a entrada, aliás muito tardia, do jovem Fresneda, que assim se estreou de verde e branco. Parece ter bom toque de bola, mas é cedo para avaliações.

 

Foi aí, nessa débil segunda parte, que deixámos fugir dois pontos. Pena: uma vitória na Pedreira ter-nos-ia dado a liderança isolada do campeonato como único emblema invicto à quarta ronda. Faltou-nos aquele suplemento de energia anímica indispensável para superar os obstáculos mais difíceis. Isto funciona também como elogio ao Braga, que tem uma bela equipa, aliás reforçada com vários elementos ex-Sporting - com destaque para José Fonte, impecável como patrão da defesa, enquanto Bruma mantém intactas as qualidades que já o distinguiam na Academia de Alcochete.

Muita incapacidade de jogo directo, muito drible inconsequente, muito rodriguinho com a bola sem saber ao certo o que fazer com ela. Muitos passes falhados - aqui, infelizmente, Daniel Bragança distinguiu-se pela negativa. E, acima de tudo, muita incapacidade de acertar no alvo. Ou sequer de o tentar. Basta reparar neste dado: chegámos ao fim com apenas cinco remates. Não rematávamos tão pouco desde Agosto de 2021 em desafios do campeonato.

Assim tudo se torna mais difícil. Apetece perguntar: será que nos treinos da nossa equipa o remate à baliza é aspecto secundário? A pergunta pode parecer absurda, mas pelo sofrível futebol que anteontem exibimos na segunda parte deste confronto em Braga talvez faça algum sentido.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sofreu um golo indefensável, de livre directo, marcado de forma irrepreensível por Álvaro Djaló (78'). Logo aos 13', desviou com defesa aparatosa um tiro de Ricardo Horta.

Diomande - Um dos melhores em campo. É dele a assistência para o nosso golo, numa das ocasiões em que saiu com bola dominada, pleno de confiança. Impecável a defender: anulou Pizzi.

Coates - Outra grande exibição do capitão uruguaio, decisivo em recuperações, muito atento à manobra ofensiva do Braga. Deu nas vistas sobretudo com um duplo corte aos 66'. Pura classe.

Gonçalo Inácio - Jogando agora enfim na metade do terreno que mais potencia as suas características, travou duelo bem sucedido com Ricardo Horta. Corte oportuníssimo aos 55'.

Esgaio - Claro défice no capítulo ofensivo, parecendo sempre mais preocupado com as marcações ao extremo adversário. Quando progredia, via-se sem soluções e optava por recuar a bola.

Morten - Médio de equilíbrio, permitiu soltar Morita para fazer a ligação ao ataque. Tem bom remate, como evidenciou no golo (anulado) aos 38'. Saiu cedo de mais, talvez por fadiga física.

Morita - Excelente actuação do médio nipónico, sobretudo na primeira hora de jogo. Notável assistência para o golo (anulado) do dinamarquês. Joga muito e faz jogar, abrindo linhas de passe.

Nuno Santos - Tal como Esgaio no corredor contrário, abusou dos passes à retaguarda e pareceu várias vezes não saber ao certo o que fazer com a bola. Atravessa um período de menor fulgor.

Pedro Gonçalves - Integrando o trio da frente, onde sempre rende mais, fez jus à sua boa fama ao marcar o primeiro golo da temporada (25'). Muito festejado. Que seja o primeiro de muitos.

Paulinho - Terá entrado condicionado no plano físico, o que suscita a interrogação: por que motivo figurou no onze? Apático, sem iniciativa, acabou por não regressar do intervalo.

Gyökeres - Outro jogo sem marcar. Poderia tê-lo feito, isolado por Edwards, aos 57'. Aos 63', foi desarmado por Fonte. Desgasta-se em excesso a procurar a bola. Devia ser ele a recebê-la.

Edwards - Fez toda a segunda parte, substituindo Paulinho. Mantém as intermitências a que já nos habituou e o péssimo hábito de se agarrar demasiado à bola, como se jogasse sozinho.

Geny - Entrou aos 60', rendendo Nuno Santos. Substituição pré-agendada, repetindo ao minuto o que sucedera na partida anterior. Desta vez manteve-se na ala esquerda. Sem deslumbrar.

Daniel Bragança - Substituiu Morten aos 60'. Pouco ou nada lhe saiu bem. Desperdiçou lances de ataque, entregou duas vezes a bola, fez um livre desnecessário de que nasceu o golo do Braga.

Trincão - Entrou aos 72', substituindo Pedro Gonçalves. Com os defeitos do costume: rodopia com a bola, entretém-se com ela, vai-se esquecendo do jogo colectivo. Bateu muito mal um livre.

Fresneda - Estreia absoluta pelo Sporting, rendendo Esgaio ao minuto 85. Ganhou um canto aos 90'+7. Pouco tempo em campo para merecer uma opinião fundamentada. Venham mais jogos.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Não gostei

 

De perder dois pontos em Braga. Os primeiros que desperdiçamos nesta Liga 2023/2024, perante um adversário que há quatro anos não consegue vencer-nos em casa. Soube a pouco. Soube exactamente ao mesmo do Braga-Sporting da época anterior, em que fomos à capital do Minho empatar 3-3. Só com a diferença, desta vez, de o empate ter sido com menos golos: 1-1. Mas não fizemos melhor.

 

De falharmos a possibilidade de nos distanciarmos do FC Porto. A equipa azul-e-branca deixou-se ontem empatar no Dragão perante o Arouca, num jogo em que perdia por 0-1 aos 90 minutos e teve 23' de tempo extra - seguramente recorde nacional nesta matéria. Seria uma ocasião soberana de ficarmos com mais dois pontos do que os nossos rivais do Norte. Um desperdício.

 

De termos visto um golo anulado. Seria o nosso segundo, muito bem marcado por Morten - o seu primeiro de Leão ao peito. Por alegado fora-de-jogo posicional: Pedro Gonçalves estaria deslocado, sem interferir na jogada, mas interferindo no ângulo de visão do guarda-redes Matheus. Aconteceu aos 38', coroando o melhor lance colectivo do Sporting nesta partida, com destaque para os contributos de Gyökeres e Morita.

 

De Paulinho. Jogava num estádio onde já foi feliz. Mas isto não parece tê-lo motivado. Passou ao lado do jogo. O treinador decidiu prescindir dele ao intervalo. Assistiu à segunda parte no banco de suplentes.

 

De Nuno Santos. Desde que veio de lesão ainda não parece em plena forma. Novamente com desempenho muito apagado, recebeu ordem para sair aos 60'. Anda a abusar dos passes à retaguarda em vez de mostrar aquilo que bem sabe fazer: cruzamentos com o seu potente pé esquerdo. Abusa também do excesso de teatralidade no relvado, o que pouco ou nada o favorece perante as equipas de arbitragem.

 

Da saída de Morten. O reforço dinamarquês estava a ser pendular no meio-campo, conferindo segurança e robustez ao nosso corredor central, jogando de cabeça bem levantada, com noções apuradas de tempo e espaço. Causou surpresa a decisão do treinador de tirá-lo aos 60', contribuindo para desguarnecer aquela zona em tarefas de contenção e recuperação da bola.

 

De Daniel Bragança. Nenhuma das cinco substituições feitas por Rúben Amorim foi muito feliz. Mas o desempenho do nosso médio criativo, que tantas vezes tenho elogiado, esteve claramente abaixo daquilo que esperamos dele. Em campo como substituto de Morten, entregou duas vezes a bola em zona perigosa e é ele a causar o livre directo, absolutamente desnecessário, quase à entrada da nossa área que gera o golo do empate do Braga, marcado por Álvaro Djaló, aos 78´.

 

Do desgaste de Gyökeres. O internacional sueco voltou a jogar muito para a equipa. Procura a bola em frenesim constante, tenta ser útil em toda a largura do terreno, mas vai-se desgastando em missões demasiado longe dos postes, abandonando a zona de tiro - precisamente aquela em que melhor faz a diferença. Gostaria de vê-lo mais enquadrado com a baliza e menos como interior ou até como extremo ao longo das partidas. Porque precisamos dele, sobretudo, a marcar golos.

 

De ver Bruma e José Fonte com outra camisola. Bons desempenhos do veterano central (e campeão europeu em 2016) e do avançado que agora alinham pelo Braga. Ambos são produto da formação leonina, como é sabido.

 

 

Gostei

 

Do grande golo de Pedro Gonçalves. Já tínhamos saudades de o ver fazer o gosto ao pé. Após três jogos em branco, voltou a facturar - abrindo o marcador aos 25'. Belo golo marcado de ângulo muito apertado, o que o torna de execução técnica difícil, só ao alcance de um predestinado. Merece ser designado o melhor Leão em campo.

 

De Diomande. Vai crescendo de jogo para jogo. Não apenas útil na contenção defensiva, como central do lado direito, mas também na saída de bola - exibindo segurança e maturidade muito acima dos seus 19 anos. Teve intervenção decisiva no nosso golo: é ele a fazer a assistência vertical, muito bem medida, para Pedro Gonçalves. Chamem-lhe reforço: é a palavra certa. 

 

De Morita. Voltou a demonstrar extrema utilidade. Quer a calibrar o nosso meio-campo e acorrendo às dobras de vários companheiros ao fechar corredores em manobra defensiva quer a descobrir linhas de passe para colocar a bola bem medida nos pés dos avançados. Muito eficaz nas recuperações. Foi ele a fazer a assistência para o golo de Morten que acabou por ser anulado sem a menor culpa nem do internacional nipónico nem do dinamarquês. 

 

De termos chegado ao intervalo a vencer 1-0. Fomos superiores na primeira parte e podíamos ter construído uma vantagem mais dilatada. Entrámos a recuar muito no segundo tempo, como tantas vezes já aconteceu, e permitimos que o Braga assumisse o controlo do jogo, mesmo criando poucas oportunidades de golo. Bastou concretizar uma para nos impedir a conquista dos três pontos.

 

Da estreia de Fresneda. O jovem espanhol, recém-chegado do Valladolid, vestiu pela primeira vez a verde-e-branca aos 85', quando substituiu Esgaio. Tempo insuficiente para fazer um juízo sobre o seu desempenho, apenas para assinalar que já o pudemos ver em acção.

 

Da qualidade do jogo. Bem disputado, com emoção até ao fim, foi um cartaz apelativo para a promoção do futebol. Certamente apreciado pelos 22.781 espectadores que compareceram no estádio municipal de Braga.

 

De termos cumprido 18 jogos seguidos sem perder. Se somarmos o de ontem às 14 rondas finais da Liga 2022/2023 e às vitórias nas três jornadas iniciais do campeonato em curso, é este o número de desafios que já levamos sem conhecer o mau sabor da derrota em partidas oficiais. À frente de qualquer outra equipa.

 

De termos dez pontos em 12 possíveis. Seguimos no comando do campeonato, integrando um trio que também inclui Boavista e FC Porto. Há um ano, à quarta jornada, só tínhamos quatro pontos. Faz enorme diferença.

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